Você está na página 1de 12
Administração
Administração

GESTÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

INTRODUÇÃO

A gestão da inovação tecnológica

busca entre outros fatores garantir a competitividade e liderança de mer- cado para as organizações. Segun- do Schumpeter (1961) a inovação tecnológica é um diferenciador que permite a destruição e a recriação de um empreendimento através das mudanças tecnológicas. Essa visão proporciona uma significativa alavan- ca no processo de desenvolvimento das empresas e do mercado, uma vez que vincula o comportamento empreendedor ao processo de trans- formação tecnológica Conforme a OCDE – Organização para a cooperação e desenvolvi- mento econômico (1994), a gestão da inovação tecnológica pode ser considerada como “a transformação de uma ideia em um produto novo ou melhorado, vendável ou em um processo operacional, na indústria ou comércio ou em um novo método de serviço social.

A gestão da inovação tecnológica

deve ser encarada como uma das ferramentas fundamentais para a

construção do sucesso empresarial. Não pode ser observada como a única ferramenta, pois a empresa

é um sistema vivo e cheio de rami-

ficações que precisam ser desen- volvidas constantemente. Assim, as empresas vão sendo constituídas por operações e processos muito vi- síveis e outros nem tão perceptíveis. Cada parte, independente qual seja, possui uma grande importância, tendo em vista que a empresa é um sistema Ao considerar essa ferramenta, é oportuno identificar que trata-se de um diferencial fundamental para o sucesso das empresas: a inovação

tecnológica, como o próprio nome diz, é algo novo que, acima de tudo, fomentará a necessidade de consumo do público-alvo ou daqueles envolvidos no processo. A empresa é a detentora e introdutora de inovações, seja em produtos ou em tudo que envolva o processo. Contudo, o desenvolvimento tecnológico e as inovações não estão restritos às empresas; são produtos da coletividade (STAUB, 2001). As inovações podem ser traduzidas como a geração e a implementação de ideias e o processo de gerenciá-las é essencial para que tenham sucesso .O gerenciamento da inovação tecnológica pode ser considerado como a forma de administrá-la dentro de qualquer empresa. Dessa forma, Tecnologia e Inovação estão intimamente ligadas. Talvez por esse motivo não se des- vincule o termo gestão tecnológica de inovação, utilizando-se na maior parte dos trabalhos a Gestão da inovação tecnológica.

CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

1. Ciência e Tecnologia: o início da busca sistemática mas ainda não profis- sional de tecnologia teve início na Lunar Society of Birmingham, em 1760, e no laboratório químico Liebig, em Giessen, Alemanha, por volta de 1830. A partir daí a ciência começou a ser aplicada, inten- cionalmente, na produção de tecnologia (MATTOS, 2005). Na produção de tecnologia é comum utilizar-se o estoque mundial de conhe- cimentos livremente disponíveis. Dessa maneira, é possível gerar tecnologia sem executar qualquer pesquisa. A experiência tem demonstrado, porém, que os produtores de tecnologia mais eficientes são aqueles que realizam pes- quisas próprias, o que lhes permite fazer

melhor uso dos conhecimentos gera- dos por outros. Os insumos básicos para a produção de tecnologia são conhecimentos e ideias que podem

se originar de três fontes principais:

do mercado, do exercício da pro- dução e dos avanços da ciência e própria tecnologia (MATTOS, 2005).

A ciência, entretanto, confere o con-

junto organizado dos conhecimentos relativos ao universo objetivo, en- volvendo seus fenômenos naturais, ambientais e comportamentais. Em geral, a ciência é dita pura ou fun- damental, quando desvinculada de objetivos práticos; e aplicada, quan- do visa a conseqüências determina- das. Apesar de não ter vínculo com preocupações imediatas de ordem práticas, atualmente grande parte da ciência fundamental não é desen- volvida totalmente livre e de maneira aleatória. Em geral, ocorre uma certa seletividade em seu rumo, causada

opor fatores práticos ou subjetivos de ordem econômica, social, cultural ou política (MATTOS, 2005).

A ciência de modo geral pode ser

considerada como um conjunto de conhecimentos organizados sobre os mecanismos de causalidade dos

fatos observáveis, obtidos por meio do estudo objetivo dos fenômenos empíricos; enquanto a tecnologia significa o conjunto de conheci- mentos científicos ou empíricos diretamente aplicáveis à produção ou melhoria de bens ou serviços (REIS, 2008).

A ciência está intimamente ligada

ao conhecimento dos fenômenos,

à comprovação de teorias etc., en-

quanto a tecnologia está associada

a impactos socioeconômicos sobre

uma comunidade, resultante da aplicação de novos materiais, novos processos de fabricação, novos mé-

todos e novos produtos nos meios de produção. A ciência, embora influa sobre a comunidade, não tem por escopo impactos sociais e econômi- cos, ao passo que a tecnologia fica

destituída de sentido se não estiver sintonizada com as preocupações econômicas e o bem-estar de uma sociedade (REIS, 2008).

A ciência e tecnologia não são neu-

tras, pois refletem as contradições das sociedades que as produzem, tanto em suas organizações como em suas aplicações. Na realidade, são formas de poder e de dominação entre grupos humanos e de controle da natureza. A ciência está normalmente as- sociada à publicação de artigos, teses, livros, tratados, etc., e os conhecimentos por ela criados são livremente veiculados, por serem considerados patrimônio da civiliza- ção e não objetos de propriedade

particular. A tecnologia, por sua vez,

é sistematicamente vinculada a um

produto ou processo, de natureza

privada, passível de ser negociada

e enquadrada por patentes (REIS,

2005).

A ciência, tecnologia e a inovação

são fatores que a cada dia estão tornando-se mais importantes tanto no plano econômico, quanto no plano social e vêm ganhando espaço entre

estudantes e pesquisadores brasilei- ros, sendo que muitos defendem que

o investimento nessa área contribui

para o desenvolvimento sustentado dos países.

A ciência pode ser entendida como

a produção de informações que são

publicadas e de acesso a todos. A tecnologia pode ser definida como

o conhecimento técnico e científi-

co e as ferramentas, processos e materiais criados e/ou utilizados a partir de tal conhecimento. Econo- micamente, a tecnologia é o estado atual de conhecimento de como combinar recursos para produzir produtos desejados. E a inovação se refere a uma idéia, método ou objeto que é criado e que pouco se parece com padrões anteriores. A inovação voltada para a tecnologia, chamada de inovação tecnológica, vem a ser “um processo que introduz

produtos e processos que incorporam novas soluções técnicas, funcionais ou estéticas, combinando aquilo que os usuários precisam com os meios tecnológicos capazes de atendê-los” (MAÑAS, 1993, p.94). Tecnologia é o conjunto organizado de todos os conhecimentos – científicos

empíricos ou intuitivos – empregados na produção e comercialização de bens e

de serviços. Enquanto a ciência confere

objetivo a um conjunto organizado de conhecimentos relativos ao universo, envolvendo seus fenômenos naturais, ambientais e comportamentais. A ci- ência pode ser pura ou fundamental, quando é desvinculada de objetivos práticos, e aplicada, quando visa a conseqüências determinadas. A tecnologia constitui um fator produtivo exógeno que as empresas podem obter no mercado, por meio da aquisição de patentes de invenção, de licenças ou de acordos empresariais, ou pode ser incorporada por meio de informação técnica, no caso em que seja de livre disponibilidade (REIS, 2008). Quanto à sua disponibilidade, a tecno- logia pode ser classificada como: mate- rializada, documentada ou imaterial. a) tecnologia materializada: são os equipa-

mentos utilizados nos processos pro- dutivos, os artefatos que constituem os produtos finais com um determi-

nado conjunto de atributos como, por exemplo, funcionalidade, qualidade, durabilidade, preço, confiança ou design e que podem ser utilizados imediatamente. Incluem-se aí os sof- twares. b) tecnologia documentada:

é aquela que surge sob a forma de documentação – quaisquer docu-

mentos que descrevam e expliquem

a solução de problemas, ou seja,

manuais, plantas, layouts, memórias

descritivas, livros técnicos, revistas especializadas páginas na Internet etc. c) tecnologia imaterial: refere- se ao conjunto de conhecimentos teóricos e práticos (experiência acumulada na resolução de proble- mas) necessários para conceber, fabricar e utilizar bens e serviços.

A tecnologia imaterial é em grande

parte adquirida através de formação

inerente ao exercício da aplicação do conhecimento (REIS, 2005).

O quadro 01 a seguir sistematiza as

noções de tecnologia materializada, documentada e imaterial, quanto ao seu grau de disponibilidade.

e imaterial, quanto ao seu grau de disponibilidade. Quadro 01 - Tecnologia: dimensões e disponibilidade Fonte:

Quadro 01 - Tecnologia: dimensões e disponibilidade Fonte: (Laranja, M.; Simões, V. C.; Fontes, M., 1997 apud REIS, 2008, p. 35)

No passado, os cientistas estavam unicamente interessados em desco- brir e compreender os fenômenos do universo, com total despreocupação com as possíveis conseqüências de

suas descobertas. Atualmente também

se interessam pelas conseqüências de

suas novas descobertas; não só pela simples compreensão dos fenômenos

envolvidos. O cientista, entretanto, não está preparado para transformar suas descobertas em um bem comercializável (MATTOS, 2005).

O domínio da tecnologia, ou seja, do

conjunto de conhecimentos específicos, permite a elaboração das instruções necessárias à produção de bens ou ser-

viços. Sob outra ótica, a tecnologia

é normalmente produzida e levada

a sua plena utilização pelo setor

produtivo por meio de um sistemático encadeamento de atividades de pes- quisa, desenvolvimento experimental

e engenharia (PD&E).

A pesquisa é a atividade realizada

com o objetivo de produzir novos co- nhecimentos, geralmente envolven- do experimentações. O desenvolvi- mento experimental compreende o uso sistemático de conhecimentos científicos ou não, em geral oriundos da pesquisa, visando à produção de novos materiais, produtos, equi- pamentos, processos, sistemas ou

serviços específicos, assim como o

melhoramento significativo daqueles

já existentes (MATTOS, 2005).

A tecnologia gerada ou aperfeiçoada

pela pesquisa e pelo desenvolvimen-

to experimental pode exigir diferen-

tes graus de elaboração, até seu emprego em uma unidade produtiva. Essa elaboração exige os serviços especializados de engenharia. Ao longo de sua história, o homem sempre procurou dominar a natureza para colocá-la a seu serviço, tendo, para tanto, de produzir tecnologia. Durante muitos séculos, a produ- ção foi baixa e feita de maneira não sistemática e espontânea. O desenvolvimento tecnológico, o que vale dizer, o desenvolvimento da própria humanidade, ficava, então, dependente da ocorrência de ideias brilhantes em alguns cérebros de

inventores privilegiados e da evolu- ção gradual dos produtos e dos ins- trumentos de produção resultantes de modificações ditadas pelo uso (MATTOS, 2005).

crescente a relevância do trinômio

Ciência, Tecnologia e Inovação para

o desenvolvimento, qualidade de vida e cultura nacionais.

A análise da sociedade e da eco-

nomia internacionais indica que as nações mais bem-sucedidas são as que investem, de forma sistemáti- ca, em Ciência e Tecnologia e são capazes de transformar os frutos desses esforços em inovações. Um dos resultados mais evidentes des- ses investimentos é a capacidade que essas nações têm de propiciar alta qualidade de vida, empregos bem remunerados, segurança pú- blica e seguridade social a seus cidadãos. Seus bens e serviços caracterizam-se por serem tecnolo- gicamente avançados, ou seja, por incorporarem de forma intensiva o conhecimento. A produção e a co-

É

mercialização de tais bens e serviços refletem o maior potencial que esses países dispõem de geração de renda

e crescimento econômico, seja do

próprio valor agregado a esses pro- dutos, seja do grande dinamismo de seus mercados. Neste contexto, a inovação, à qual vinha sendo relegado papel menor na consciência e na realização de transformações nacionais, não mais

poderá permanecer como elemento residual, entendido como conseqüência eventual, esporádica e supostamente natural do esforço de capacitação nacional nas áreas de C&T (Ciência e Tecnologia). É imperativo reconhecer que a inovação é elemento essencial para consolidar a funcionalidade do trinômio Ciência, Tecnologia e Inovação.

LINK ACADÊMICO 1

INOVAÇÃO

TECNOLÓGICA

1. Fundamentação: o principal agente de mudança no mundo atual é a inova- ção tecnológica. O progresso econômi- co e social dos diversos países e o êxito das empresas, principalmente in- dustriais, dependem da eficiência e da eficácia com que o conhecimento tec- nocientífico é produzido, transferido,

difundido e incorporado aos produtos e serviços (REIS, 2008).

A inovação tecnológica é o principal

determinante do crescimento econô- mico no mundo industrializado, e se a

tecnologia é o principal direcionador do crescimento dos países industrializados deve, também, direcionar o crescimento das organizações. Em um estudo da OECD – Organização para a cooperação e desenvolvimento econômico (1991) a inovação tecnoló- gica (IT) foi definida como um processo interativo iniciado pela percepção de uma oportunidade em um novo mercado

/ serviço, a qual leva à implementação de atividades de desenvolvimento, produção e marketing que garantem o sucesso comercial de uma dada inven- ção. Dessa forma a inovação não com- preenderia somente a pesquisa básica

e aplicada; incluiria também o desen-

volvimento do produto, a produção, as

atividades de marketing, a distribuição

e mesmo as adaptações do produto e

suas melhorias. Ocorreria tanto na fase

de desenvolvimento da produção quanto

durante o processo de difusão.

De acordo com Antolin (2002), enquanto

a tecnologia reflete o estoque de conhe-

cimento acumulado em um determinado momento, a inovação tecnológica com- preende as variações, da quantidade/ qualidade das tecnologias disponíveis em um dado período de tempo. Conside- rando ainda que, poder-se-ia empregar os conceitos de aprendizagem e de criação de conhecimento para descrever este processo Antolin (2002) propõe a

seguinte definição para inovação:

“a inovação tecnológica na empresa

é um processo de aprendizagem,

através do qual se geram novos conhecimentos, competências e

capacidades tecnológicas”. Para

o autor, a inovação tecnológica

engloba um conjunto de atividades que contribuem para aumentar a capacidade de produzir novos bens

e serviços (inovação em produtos) ou

para pôr em marcha novas formas de produção (inovações em processo). Muitos estudos têm sido desenvolvi- dos na busca do entendimento das

origens das inovações tecnológicas.

O

conteúdo científico da tecnologia

e

o papel das pesquisas básicas no

processo de introdução de inovações tecnológicas também têm sido am- plamente investigados (REIS, 2008). Ao considerar a inovação tecnológi- ca, é oportuno observar que a gestão

que engloba a tecnologia é importan-

te também no processo da inovação

tecnológica. De acordo com Saenz e

Capote (2002), a gestão tecnológica pode ser definida como:

“a gerência sistemática de todas as

atividades no interior da empresa com relação geração, aquisição,

inicio da produção, aperfeiçoamen- to, assimilação e comercialização das tecnologias requeridas pela empresa, incluindo a cooperação

e alianças com outras instituições; abrange também o desenho, pro- moção e administração de praticas

e ferramentas para a captação e/ou

produção de informação que permita

a melhoria continuada e sistemática

da qualidade e da produtividade.” Já o gerenciamento tecnológico, mais especificamente, pode-se dizer que é a forma de administrar inovações tecnológicas dentro de qualquer empresa. Dessa forma, Tecnologia e Inovação estão intima- mente ligadas. Cunha (2005) observa que gerenciar tecnologias seria administrar todas as atividades da empresa relaciona- das à Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e também à aquisição de no- vos equipamentos, desenvolvimento de novos produtos e serviços. Para qualquer negócio, a gestão tecnológica é essencial, pois auxilia na administração de todas as opera- ções existentes dentro da empresa

de forma mais eficaz, podendo re- duzir riscos comerciais aumentando sua flexibilidade e capacidade de resposta frente às freqüentes mu- danças do mercado (TEMAGUIDE, 1999). Além do negócio, a gestão da tecnologia pode auxiliar no ambiente de trabalho, tendo em vista que gerir uma tecnologia exige o envolvimento de todos os funcionários de uma organização. A gestão da inovação tecnológica pode ser considerada como a gestão de todo o negócio, no que se refere a todos os recursos internos e ex- ternos da empresa, ou seja, toda a parte de recursos humanos, financei- ros e principalmente as tecnologias.

Tudo isso deve ser administrado de

forma harmoniosa e integrada, de modo

a que os recursos referidos sirvam de

base para o alcance dos objetivos e metas da empresa. Essa gestão da tec-

nologia ajuda toda a empresa a inovar e

a destacar-se entre seus concorrentes,

além de aumentar seus rendimentos financeiros e melhorar a satisfação dos

clientes através da melhora da qualida- de dos produtos, processos e serviços (TEMAGUIDE, 1999).

A estrutura de inovação das técnicas de

gestão e inovação podem ser observa- das na figura 01 abaixo, ao tratar a área de foco com as técnicas de gestão da

inovação.

a área de foco com as técnicas de gestão da inovação. Figura 01: Estrutura de inovação

Figura 01: Estrutura de inovação das técnicas de gestão e inovação. Fonte: MATTOS, J. R. L. de; GUIMARAES, L. dos S. (2005)

Fonte: MATTOS, J. R. L. de; GUIMARAES, L. dos S. (2005) Figura 02 – Fatores que

Figura 02 – Fatores que impulsionam o surgimento de inovações. Fonte: Mattos (2005, p, 8). ASHLEY, p. 96

A inovação tornou-se a “religião”

industrial no final do século XX. O mundo empresarial a observa como

a chave para lucros e fatias de

mercado crescentes. Os governos automaticamente a buscam quando tentam pôr ordem na economia. (MATTOS, 2005).

O que constitui precisamente a ino-

vação é, entretanto, difícil de definir

e mais ainda medir. Geralmente,

a inovação é entendida como a

criação de um produto ou processo melhor. No entanto, ela poderia ser tão simplesmente a substituição de um material por outro mais barato em um produto existente, ou uma maneira melhor de comercializar, distribuir ou apoiar um produto ou serviço (MATTOS, 2005). Os empresários mais bem-sucedi- dos, embora não sejam os únicos praticantes da inovação, raramente se detêm para examinar como o fa- zem. A maioria deles simplesmente continua criando valor por meio da exploração de alguma forma de mu- dança na tecnologia, nos materiais,

nos preços, em aspectos tributários, em questões demográficas ou na ge- opolítica. Eles geram, assim, novas demandas ou uma nova maneira de explorar um mercado existente.

O empresário movimenta recursos

econômicos de uma área de pro- dutividade baixa para uma área de

produtividade mais alta e de maior rendimento (MATTOS, 2005).

O gravador de videocassete é um

exemplo de inovação. Nos anos

1980, esse único item representou

a metade das vendas anuais de 30

bilhões de dólares da indústria japo- nesa de produtos eletrônicos para o consumidor e três quartos de seus lucros combinados. Como todas as melhores inovações, o aparelho de videocassete não substituiu o produ-

to existente (MATTOS, 2005).

Para melhor compor a estrutura de pensamento acerca da abordagem sobre a inovação, a figura 02 ex-

pressa os fatores que impulsionam

o surgimento de inovações, tratados

como forças socioambientais, fluxo de informações, receptividade a mu- danças e disponibilidade de capital (Figura 02 ao lado).

1.1 O processo de inovação tec- nológica: envolve todo o ciclo que compreende a pesquisa básica, pesquisa aplicada, desenvolvimento engenharia, produção, marketing, venda, logística e pós-venda, com todas as informações e realimenta- ção possíveis entre essas fases. As universidades têm-se dedicado, na maior parte dos casos, às três primei- ras fases desse ciclo. As empresas, naturalmente, preocupam-se com as fases finais. Em alguns casos, ocorrem sombreamentos nessas fases, ou seja, a universidade pode, por exemplo, participar na fase de engenharia, assim como a empresa pode desenvolver pesquisas apli- cadas. Para garantir que o ciclo de inovação seja totalmente percorrido, é necessário que esses dois atores universidade e empresa, interajam de forma eficaz (REIS, 2008). Inovação tecnológica pode ser defini- da como uma nova idéia, um evento técnico descontínuo, que, após certo período de tempo, é desenvolvido até o momento em que se tornam prático e então, usado com sucesso (REIS, 2008). Segundo Almeida (1981) e Barros et al. (1996) apud Reis (2008), o conceito de inovação tecnológica for- mulado por Shumpeter (1961) con- templa cinco casos: 1. Introdução de um novo bem, que os consumidores não conheçam, ou de uma qualidade nova do bem. 2. Introdução de um novo método de produção, ainda não testado no meio industrial em questão, que tenha sido baseado em uma nova descoberta científica e que possa constituir-se em um novo modo de manusear comercialmente um bem. 3. Abertura de um novo mercado, em que o ramo da indústria em questão não tenha penetrado, seja este mercado preexistente, ou não. 4. Conquista de uma nova fonte de fornecimento já existente, ou a ser criada. 5. Levar a cabo uma nova organização, uma indústria, tal como criar ou romper uma posição de monopólio. Alguns estudos apresentam a inova- ção como uma criação original, uma

novidade; outros a apresentam como algo tangível, possível de ser aplicado no mercado ou num processo de produ- ção; e outros estudos ainda apresentam uma abordagem mercadológica para

diferentes classes de utilizadores. Pro- curando incorporar essas diferentes visões, Utterback (1983) propõe que

a inovação tecnológica seja entendi-

da como um processo que envolve a criação, o desenvolvimento, o uso e a difusão de um novo produto ou idéia ou, resumidamente, a introdução e difusão de produtos e processos (e serviços) novos e melhorados na economia. Inovações tecnológicas incluem novos produtos, processos, serviços e também mudanças tecnológicas em produtos, processos e serviços existentes. Uma inovação é implementada se for introdu- zida no mercado (inovação de produto) ou for usada dentro de um processo de produção (inovação de processo). Inovações envolvem, então, uma série

de atividades científicas, tecnológicas, organizacionais, financeiras e comer- ciais (REIS, 2008).

A inovação tecnológica também pode

ser definida como a aplicação de no- vos conhecimentos tecnológicos, que resulta em novos produtos, processos

ou serviços, ou em melhoria significativa de alguns dos seus atributos.

A inovação envolve não só conheci-

mentos teóricos ou práticos num plano estritamente tecnológico (e científico) como também conhecimentos nas áreas de marketing e na área de gestão das organizações. Envolve mudanças no universo de conhecimentos tecnológi- cos prévios, pelo que se considera o conceito de inovação tecnológica como “um metaconceito de tecnologia, no sentido em que se refere a alterações na base de conhecimentos tecnológicos da empresa” (REIS, 2008). 2. Fontes de oportunidade de ino- vação: Drucker (1969) relaciona sete fontes de oportunidade para as organi- zações que buscam a inovação. Quatro delas podem ser encontradas dentro da própria empresa, ou pelo menos no âmbito do setor de que a empresa faz parte, e deveriam, portanto, resultar bas- tante óbvias para as pessoas de dentro. As outras três vêm do mundo exterior e

devem resultar aparentes para qual- quer pessoa que se dê o trabalho de olhar. Todas as sete são sintomas de mudança, relacionadas em ordem de

dificuldade e incerteza crescentes. a)

O sucesso inesperado, que é rece-

bido com gratidão, mas raramente dissecado para ver como ocorreu. b) A incongruência entre o que re- almente acontece e que deveria ter acontecido. c) A inadequação de um processo básico que é considerado

natural. d) As mudanças na estrutura

do setor ou do mercado que tomam a

todos de surpresa. e) As mudanças demográficas causadas por guerras, melhorias na medicina e até mesmo superstição. f) As mudanças na percepção, no humor e na moda, provocadas pelos altos e baixos da economia. g) As mudanças no nível de consistência causadas por novos conhecimentos.

ESTRATÉGIAS DE INOVA- ÇÃO NAS EMPRESAS

A inovação depende da estratégia

da gestão – capaz de antecipar necessidades, monitorar a tecnolo- gia e controlar custos – e também da promoção de flexibilidade, da cooperação com centros exteriores de conhecimentos, da formação contínua etc. As fontes de inovação podem ser divididas em fontes externas (ou ambientais) e fontes internas. Fontes externas de inovação são aquelas relacionadas à sociedade como um todo e que refletem, em grande medi- da, aspectos estruturais, resultantes de processos sociais de longo prazo. Estão associadas a: a) composição e

índice geral de qualificação da força de trabalho do país; b) abrangência

e grau de excelência dos cursos e

programas de formação de recursos humanos para todas as fases do processo de produção dos setores

relevantes; c) grau de excelência das equipes de pesquisadores atuantes nas áreas de conhecimento rele- vantes, bem como sua estabilidade

e experiência acumulada; d) grau

de domínio de outros paradigmas tecnológicos, isto é, a capacidade

tecnológica geral já alcançada pela sociedade (REIS, 2008). As fontes de inovação internas das empresas são atitudes, recursos e mecanismos que, de um lado, levam a empresa a buscar delibe- rada e sistematicamente a criação e/ou introdução de inovações; e, de outro, podem influir de maneira decisiva nos resultados desses

esforços. Entre as principais fontes de inovação, podem ser citadas:

a) a experiência acumulada na atividade inovadora; b) o grau de qualificação e de motivação dos re- cursos humanos; c) o compromisso institucionalizado com a mudança e a inovação, com a qualidade do pro- duto e com a satisfação do cliente;

d) a preocupação institucionalizada

com o desenvolvimento de fontes

de fornecimento de matéria-prima, partes e componentes confiáveis;

e) a preocupação institucionalizada

com estabelecimento de vínculos com fontes de inovação e/ou de informações tecnológicas externas (REIS, 2008). Utterback (1983) propõe um modelo para a dinâmica da inovação tecnoló- gica, com base na distinção entre o ciclo de inovação de produto e o ciclo de inovação de processo associado àquela inovação de produto. Segun- do Utterback (1983) à inovação de produto se segue a inovação de seu processo de produção e finalmente a estabilização que utiliza a inovação essencialmente para manter o mer- cado, em uma seqüência que ocorre em três fases: fluida, transitória e específica. Na fase fluida, ocorrem mudanças significativas e frequen- tes no produto; na fase transitória, ocorrem mudanças significativas no processo, as quais são requeridas pelo aumento da procura; e, final- mente, na fase específica ocorrem inovações incrementais para o produto, com melhorias cumulativas em produtividade e em qualidade (REIS, 2008).

cumulativas em produtividade e em qualidade (REIS, 2008). LINK ACADÊMICO 2 ESTRATÉGIA TECNOLÓGICA Na economia

LINK ACADÊMICO 2

ESTRATÉGIA

TECNOLÓGICA

Na economia globalizada e competiti- va, a fatia do mercado é determinada

por seis variáveis críticas: produtivida- de, qualidade, preço, flexibilidade, tempo apropriado e marketing. A tec- nologia é a principal impulsionadora das primeiras quatro, e torna-se cada vez mais importante para o tempo apropriado e para o marketing.

A necessidade de a empresa desen-

volver uma estratégia tecnológica

eficiente é essencial. Entretanto, não existem fórmulas gerais prontas para isso e, na prática, poucas empresas chegam a desenvolver tal estratégia (REIS, 2008).

A partir do reconhecimento de que a

tecnologia é determinante na compe- titividade de indústrias intensivas em tecnologia, pesquisadores e gerentes começaram a incorporar essa dimen- são na estratégia de negócios. Segundo Rieck e Dickson (1993), o termo estratégia tecnológica é relati- vamente novo, tendo sido mencionado

pela primeira vez na literatura no início da década de 1980. Conforme Chiesa

e Manzini (1998), desde então, o tema

tem sido alvo de crescente atenção, e modelos têm sido desenvolvidos con- siderando a tecnologia como um dado de entrada no processo de formulação da estratégia, estabelecendo-se a

partir daí um “link” entre estratégia tec- nológica e as estratégias corporativas / de negócios. Para Maidique e Patch (1980), a es- tratégia tecnológica compreende as políticas e decisões que impactam o progresso tecnológico de uma empre- sa. Ela envolve a escolha entre novas alternativas tecnológicas, os critérios pelos quais elas são incorporadas através de novos produtos e proces- sos e a distribuição dos recursos que permitirão sua implementação com sucesso.

A estratégia tecnológica está centrada

em conhecimentos e habilidades,

e consiste nas políticas, planos e

procedimentos para: adquirir mais co- nhecimentos e habilidades, gerenciar esses conhecimentos e habilidades no interior de uma empresa e explorá-los buscando o lucro. A visão de Ford (1988) é próxima da visão de compe-

tência essencial proposta por Hamel

e Prahalad (1990).

A estratégia tecnológica pode ser

definida como o processo pelo qual as empresas utilizam seus recursos tecnológicos para alcançar seus objetivos corporativo (RIECK e DI- CKSON, 1993). Para Chiesa e Man- zini (1998), formular uma estratégia tecnológica compreende “definir a

trajetória através da qual os recursos tecnológicos serão acumulados, adquiridos e utilizados”. Para Narayanan (2001), a estratégia tecnológica é o padrão revelado nas escolhas tecnológicas das firmas. As escolhas envolveriam o compromis- so de recursos para apropriação, manutenção, exploração e abandono de capacitações tecnológicas. As estratégias das empresas, em termos de inovação, não se definem de forma isolada, dependendo forte- mente dos elementos que configu- ram as estruturas de mercado e os padrões de concorrência, além dos fatores de alcance mais amplo, como os relativos ao ambiente nacional e às políticas públicas etc. Freeman (1982) sistematiza as estratégias empresariais em seis tipos distintos de estratégias, que revelam escolhas muito diferentes entre, a partir de objetivos mais ou menos arrojados, que definem certos padrões de comportamento em relação às ativi- dade de inovação. Essas estratégias são: a) estratégia ofensiva: usada por um número muito pequeno de empresas; a empresa procura uma posição de liderança técnica e de mercado e tem a iniciativa de inovar

e de disputar com as suas concor-

rentes; o departamento de pesquisa

e desenvolvimento da empresa tem

uma importância fundamental, mes- mo quando recorre a outras fontes técnicas e científicas, porque as in- formações necessárias nunca estão plenamente disponíveis. b) estraté- gia defensiva: é um tipo de estratégia bastante identificada com mercados em que predominam oligopólios; as empresas normalmente não estão relacionadas aos tipos mais originais de inovação. A estratégia

da empresa prende-se mais ao fato de aproveitar-se de eventuais erros dos pioneiros, bem como o desejo de não ficar defasada em termos de mudanças técnicas; as atividades de pesquisa e desenvolvimento realiza- das por essas empresas levam-nas a reunir capacidade de respostas e de adaptação às inovações introduzidas pelas concorrentes; as empresas procuram a diferenciação de seus produtos, incorporando avanços técnicos, porém a custos inferiores.

c) estratégia imitadora; as empresas enquadradas nessa característica não disputam posições com os líde- res, limitando-se a acompanhá-los

à distância; a procura pelo mercado

pode provocar mudanças substan- ciais no seu produto; geralmente, essas empresas apoiam-se em custos mais baixos de produção em

vantagens organizacionais. d) estra- tégia dependente: as empresas que adotam essa estratégia geralmente respondem às flutuações que afetam as empresas de maior porte; as em- presas são basicamente rotineiras

e conservadoras. e) estratégia tra-

dicional: diferencia-se da estratégia dependente apenas pela natureza do seu produto; nem o mercado, nem a concorrência levam-nas a mudar o seu produto. f) estratégia oportunista: enquadram-se nesse tipo as empresas que sobrevivem em espaços de mercado muito específi- cos e particulares, aos quais aderem completamente (REIS, 2008).

LINK ACADÊMICO 3

FORMAS DE ACESSO À TECNOLOGIA

Deve-se considerar o grau de apro- priação e o nível de exclusividade que se deseja. As seguintes formas de acesso às tecnologias, em um ambiente concreto, conjugam-se entre si, com a hegemonia de uma ou de outra dessas formas: 1 - compra:

pode ser compra por catálogo, por especificação de produto ou pro- cesso e, por fim, de equipamentos industriais. A compra de bens e/ou serviços resulta em um procedimen- to no qual um grande número de

países periféricos tem acesso a meios para modernizar suas estruturas pro-

dutivas. As principais características dessa forma de acesso à inovação são: a) a possibilidade de diminuir o gap tecnológico que existe em relação

à base produtiva das nações mais

desenvolvidas; b) a dissociação da

base tecnocientífica, porventura exis- tente, dos processos fundamentais existentes no ambiente produtivo; c)

a criação de relações de dependência

aos agentes de outra formação social.

2 - Importação explícita de tecnologia:

constitui uma forma de compra muito diferente da anterior e caracteriza-se por: a) possuir um estágio de desen- volvimento relativamente maior da base produtiva; b) possuir formas mais desenvolvidas de relacionamento com

o capital estrangeiro detentor das ino-

vações (formação de join ventures, por exemplo); c) existir uma capacidade tecnocientífica capaz de prover servi- ços tecnológicos e recursos humanos aptos a desenvolver desdobramentos nos pacotes tecnológicos importados; d) permitir que a fronteira tecnológica

seja compartilhada. 3 - Vigilância tec- nológica: é o processo de apropriar-se de tecnologias possuídas por empre- sas líderes ou não-líderes, que têm o desempenho que se deseja igualar. Para que a vigilância tecnológica gere bons resultados, devem-se selecionar as fontes de informação de qualidade, agregar valor às informações recolhi- das e buscar meios que assegurem

a memória da informação. Um caso

particular de vigilância tecnológica é

o benchmarking, em que a vigilância

ocorre especificamente em cima do líder de mercado. Por meio de um pro- cesso contínuo de medidas e compa- rações, procura-se obter informações que possam ajudar a melhorar o nível de desempenho de quem vigia. 4 -

Cópia: a aplicação dessa modalidade, que advém da vigilância tecnológica, ocorre por meio de adaptações cria-

tivas, em que a melhoria tecnológica

é fator intrínseco preponderante. Por

definição, se é uma cópia melhorada de um produto, nunca ocorrerá uma verdadeira ruptura tecnológica, como um novo e revolucionário produto pode

gerar. Ao aderir a esse processo,

a empresa deve atentar ao fato de

agregar valor ao produto copiado, para que tenha sucesso. O grau de apropriação da tecnologia que

obtém é muito variável. 5 – Ser uma empresa subcontratada: esse pro- cesso consiste em obter tecnologia

a partir da fabricação para outra

empresa. A empresa contratante geralmente fornece as especifica- ções, os desenhos, os esquemas, as instruções de uso, os testes, os

ensaios e, por vezes, assume o custo direto da produção. Desse modo, a subcontratada terá a seu dispor uma gama de informações, aparelhagens

e know-how que constituem em uma

das tecnologias da contratante. 6 – Pesquisa cooperativa: em alguns casos de pesquisa dos fundamentos de determinada tecnologia, a pesqui- sa em colaboração entre empresas pode ocorrer com benefícios para todas as participantes. Nesse caso, podem ser montadas equipes de pesquisadores que terão as vantagens de compartilhar

conhecimentos e de partilhar custos.

A exclusividade da tecnologia adqui-

rida evidentemente é compartilhada,

e o nível de apropriação, no caso de pesquisa com pesquisadores pró-

prios, é bastante elevado. 7 – Forma- ção de pessoal próprio: trata-se de fomentar, continuamente, no âmbito da própria empresa, treinamentos, aperfeiçoamentos e a aquisição de mais conhecimentos. No futuro, será necessário investir mais na formação das pessoas do que na compra de equipamentos, pois o maior sucesso de uma empresa está rigorosamente associado ao desempenho de seus membros, em todos os momentos, quando agem ou tomam decisões. Essa modalida- de de acesso necessita de sinergia entre as expectativas da empresa

e as expectativas pessoais do fun-

cionário. A formação pode ser feita internamente, utilizando especialis- tas da própria empresa, na difusão de tecnologias dominadas para os demais funcionários. Também pode ser feita por especialistas externos,

que poderão repassar tecnologias

difundidas no exterior da empresa

e, finalmente, pode ser feita com o

patrocínio de cursos ou seminários, realizados fora da empresa, a algu- mas pessoas. A principal vantagem de treinar pessoal próprio está no grau de satisfação e de motivação que geralmente o treinando tem ao realizar a formação. 8 – Licencia- mento: trata-se de uma concessão de uma licença para explorar uma determinada tecnologia. É um pro- cesso que ocorre com freqüência ao final de trabalhos de pesquisa em universidades ou em centros de P&D. Pode ocorrer também quando, por exemplo, a tecnologia é gerada em uma empresa “A” que não tem interesse em industrializar o produto gerado, repassando-o a uma em- presa “B. De ambos os modos, são tecnologias que propiciam patentes àqueles que as desenvolvem. O licenciamento traz benefícios tanto para o licenciador quanto para o

licenciado. Pelo lado do licenciador, possibilita uma expansão rápida da tecnologia desenvolvida, prin- cipalmente se não foi concedida exclusividade ao licenciado e, con- seqüentemente, maior possibilidade de lucros em menor tempo. Um tipo particular de licenciamento, comum nos dias de hoje, é o franchising. Essa modalidade continua em franca expansão. 9 - Pesquisa por enco- menda (por contrato): trata-se de terceirizar o trabalho de pesquisa

e desenvolvimento. A procura por

institutos privados ou públicos de

pesquisa e, principalmente, por uni- versidades é um processo irreversí- vel e que aumenta constantemente. As universidades, por seu lado, têm procurado cada vez mais temas de pesquisa financiados pela indústria. Pode-se dizer que encomendar pes- quisas tecnológicas às universidades

é um dos melhores caminhos para

a empresa que está à procura de

verdadeiras rupturas de tecnologias, podendo surgir daí, verdadeiras inovações. A busca incessante de conhecimento, tendência natural de ambientes universitários, é o propul-

sor maior de invenções e de quebra de paradigmas. 10 – Contratação de

especialistas: cerca de metade a dois terços do conjunto de conhecimentos

é formada por conhecimentos não-

formalizados (tácitos ou implícitos). Muitas vezes, esses conhecimentos são fundamentais ao domínio de uma tecnologia. Nesses casos, uma interessante modalidade de aceder

a essas tecnologias é por intermédio

da contratação de um especialista da área específica. 11 – Associações e alianças estratégicas: diversas são as formas de associações entre empre- sas com vários graus de domínio de tecnologias compartilhadas e diferen-

tes níveis de exclusividade. A primeira forma de associação é a sociedade, pura e simples, para favorecer a ativi- dade de cada uma delas. Por exemplo, duas ou mais empresas decidem utili- zar a estrutura comum de distribuição de produtos. Essa forma traz pouco ou nada de domínio tecnológico sobre o produto ou processo produzido pela outra empresa. Outra forma de associação, a join venture, é particularmente indicada quando os custos de desenvolvimen- to de um produto ou processo são elevadíssimos, ou quando os conhe- cimentos envolvidos para a realização da pesquisa são completamente diferentes. Nesse caso, busca-se a comple- mentaridade de conhecimentos. A exclusividade na nova tecnologia será partilhada e o domínio tecnológico que se obtém é melhor do que se teria individualmente, pelo menos no mesmo período de tempo. Também como forma de aceder a tecnologias desenvolvidas por outros, mas fun- damentalmente com o objetivo de conquistar grandes mercados, ou ao menos de facilitar tais conquistas

a médio e longo prazos, surgem as

alianças estratégicas entre empresas. Como ajuda mútua, essas alianças configuram nesta época de globaliza- ção da economia vantagens inegáveis para as empresas que a constituem. Dependendo da força da aliança, ob- têm-se bons níveis de apropriação de tecnologias e bons níveis de exclusivi-

dade, embora compartilhadas. 12 – Pesquisa e Desenvolvimento (P&D):

é a criação própria de inovações. Suas principais características são:

a) grandes investimentos em ativida- des de pesquisa e desenvolvimento; b) possibilidade de obtenção de efetivo poder de mercado em cada escala internacional; c) trabalho com

elevados riscos e incertezas, típicos de inovações radicais; d) existência de vínculos fortes entre a base tecnocientífica e a base produtiva.

A pesquisa feita internamente na

empresa constitui o mais alto grau possível de domínio de uma nova tecnologia, se for obtida. Quando um grupo de pesquisadores de dentro da empresa consegue criar um novo produto ou processo a partir de pesquisas próprias, ter-se-á o nível máximo de apropriação e o nível máximo de exclusividade na tecno- logia desenvolvida. Como a empresa

detém a tecnologia, poderá decidir se

a explora ou se a vende, ou seja, de que modo ela pode usufruir melhor

da vantagem competitiva conseguida

ao dominar essa tecnologia (REIS,

2008).

LINK ACADÊMICO 4

DESENVOLVIMENTO DE NOVOS PRODUTOS

1. Processo de desenvolvimento

de produtos: as organizações exis- tem para atender às necessidades humanas por intermédio de seus produtos e serviços. A expectativa de sobrevivência da organização em uma economia de mercado livre

é proporcional a sua capacidade de

desenvolver novos produtos. Essa idéia é reforçada pelo fato de as empresas de classe mundial almejar ter entre 40% e 70% de sua receita gerada por produtos que foram de- senvolvidos e lançados dentro dos

últimos três anos. Nesse contexto,

o desenvolvimento de produtos as-

sume papel importante como fator

de competitividade (MATTOS, 2005).

1.1 Definição de desenvolvimento de produtos: o desenvolvimento de produtos é uma etapa da espiral da qualidade que traduz as necessida-

des do usuário, descobertas por in- termédio de informações de campo, em um conjunto de requisitos, do

projeto do produto até a fabricação.

É um “caos bem organizado” que,

tendo como base as interações múltiplas, resulta na criação de um produto cujo princípio é atender às

necessidades dos clientes e garantir

a sobrevivência e o crescimento da empresa.

O fator com maior evidência sobre

influências no gerenciamento do processo de desenvolvimento de produtos é o grau de inovação do projeto. Em relação ao grau de inovação da linha atual de produtos da empresa, pode-se ter a seguinte

classificação: a) pesquisa e desen- volvimento avançados: processos de desenvolvimento cujo objetivo é criar conhecimento (know-how) para futuros projetos. Em geral não têm

objetivos comerciais no curto prazo

e são inviáveis economicamente; b)

radical: quando são incorporadas grandes inovações no produto e no processo; c) plataformas ou nova geração: processos de desenvolvi- mento que incorporam inovações significativas no produto e/ou pro- cesso, gerando uma nova família de produtos; d) derivados: processos de desenvolvimento que criam um

novo produto dentro de uma família, ou seja, seguem as características dessa família. 1.2 Tendências gerais dos produ- tos: independentemente do motivo específico ou do tipo de mudança

– radical ou incremental, muitas em- presas vêm modificando seu modus

operandi nas últimas três décadas. Esse fenômeno não necessariamen-

te envolve todas as empresas nem

tem um formato único, mas repre- senta um processo de reestruturação muito forte. As mudanças ocorrem com o objeti- vo básico de manter ou aumentar a competitividade das empresas, e o principal motivo para essas mudan- ças é a necessidade de sobrevivên- cia, a curto, médio ou longo prazo. No contexto macro, destacam-se duas tendências globais inter-rela-

cionadas: a incorporação de novas tecnologias e a personalização. A tecnologia tem evoluído bastante, assim como os produtos. Podem-se classificar os produtos por meio de

duas concepções: a) tradicionais: pos- suem tecnologia de produtos simples,

e as inovações ocorrem principalmen-

te no processo produtivo. Exemplo:

enxada, pão, tesoura, bacia ou prego; b) modernos: possuem tecnologia de produto complexa; estão suscetíveis a

inovações. Exemplos: placas de circui-

to impresso, automóveis, televisores,

eletrodomésticos ou computadores. Na prática, alguns produtos se mo- vem, em um espectro contínuo, do

tradicional ao moderno. Por exemplo,

os primeiros automóveis eram tradicio-

nais em simplicidade, mas agora são modernos em complexidade. As trans- formações de produtos tradicionais em modernos são freqüentemente graduais (MATTOS, 2005). Outra evolução que os produtos estão sofrendo é a da produção em massa para a customização maciça. A Revo-

lução Industrial provocou a substitui- ção das ferramentas manuais pelas máquinas. A existência de mercado de consumidores a serem saciados fez surgir os princípios da produção em massa, inicialmente aplicado por Taylor e Ford: divisão do trabalho, rotinas minuciosamente definidas, organização hierárquica e produtos padronizados. A produção em massa, porém, depende da economia de es- cala, que é alimentada pela demanda estável.

A produção em massa apresenta a

mensagem correta para sua época,

porém as novas incertezas levaram

à quebra de seus fundamentos, com

algumas fontes de turbulência: a glo-

balização, os impactos da informática, as novas tecnologias de processo e produto e o despertar dos consumi- dores que devotam sua fidelidade

a um produto, buscando atender às

suas necessidades e desejos dinâmi- cos. A presença de turbulências nos diferentes setores tem aumentado, sendo mais intensa nos setores que floresceram a partir da tecnologia da informação.

A customização maciça é entendi- da como a criação e utilização de tecnologias flexíveis e métodos de gerenciamento para desenvolver e

produzir novos produtos e serviços que mais adequadamente atendam aos gostos individuais dos poten- ciais consumidores. Essa definição contempla conceitos presentes nas organizações de classe mundial, como segmentação de mercado, redução de custos e satisfação de desejos e necessidades dos poten- ciais clientes.

1.3 Formas de obtenção de novos

produtos: os bens e serviços, ou seja, os produtos podem ser obtidos de diferentes formas: a) licença: a organização adquire a licença de fabricação do novo produto de uma empresa que o fabrica, pagando royalties – normalmente taxas que incidem sobre cada unidade pro- duzida; b) empreendimento con- junto (join venture): a organização associa-se a outra que detém a tecnologia de projeto e fabricação, passando ambas a produzirem o novo produto, com exclusividade para o mercado local; c) aquisição

de pacote: a organização adquire um pacote tecnológico de um fabricante

já estabelecido, que inclui o projeto

e, eventualmente, todo o processo de fabricação do novo produto; d) desenvolvimento do produto: a orga-

nização executa ou contrata o projeto

e o desenvolvimento completo do produto e de sua fabricação.

1.4 Estratégias de desenvolvimen-

to de produtos: As estratégias das organizações quanto ao processo de desenvolvimento de produto são: a) novo ao mundo: produtos novos que criam um mercado completamente novo; b) novo à organização: pro- dutos novos, que permitem a uma companhia entrar em um mercado estabelecido; c) adições para linhas de produtos existentes: produtos novos que completam as linhas de produtos estabelecidas de uma or- ganização; d) revisões e melhorias dos produtos existentes: produtos novos com desempenho melhorado ou maior valor do que são percebidos

pelos clientes; e) reposicionamento:

produtos existentes direcionados

a mercados novos ou segmentos

de mercado; f) reduções de custo:

produtos novos com desempenho semelhante, porém custo mais baixo (MATTOS, 2005).

LINK ACADÊMICO 5

CONSTRUINDO CONDIÇÕES PARA A INOVAÇÃO

1. Fundamentações da inovação e da competitividade no século XXI: inovação é um processo funda- mentalmente econômico. A inovação

pode ser o resultado de uma inven- ção. Mas pode igualmente envolver

a exploração de novos recursos

naturais, copiar uma idéia de um mercado distante ou descrever um

velho produto de uma nova maneira.

O empreendedorismo – ato de fazer

inovações – não é algo relacionado à

ciência e pesquisa; diz respeito a mu- dar as regras do jogo na competição econômica. Explorar uma invenção

é, portanto, um caso especial e im-

portante de inovação, mas não é o caso geral (MATTOS, 2005).

A tecnologia é importante, mas

não é a única fonte de inovação. Reconfigurar e oferecer diferentes combinações de características é uma maneira poderosa de inovar, a qual não envolve necessariamente

tecnologia ou pesquisa. Correntes de pensamento sugerem aos respon- sáveis pela definição das políticas de inovação na Europa que uma questão-chave não é como encora- jar a inovação tecnológica, mas sim como adicionar valor à inovação pela criação de novos espaços de mercado e redefinição das fronteiras de mercados ou produtos.

A União Européia lançou, em 1996,

uma série de projetos para promover as técnicas de gestão da inovação de pequenas e médias empresas (PMEs). Nessa iniciativa, as técnicas de gestão da inovação foram consi- deradas abordagens metodológicas para melhorar a posição competitiva

das empresas por meio da inovação. As principais conclusões do progra- ma conduzido pela União Européia, baseadas em várias observações e

experiências, foram: a) a inovação é menos uma questão de tecnologia e mais uma maneira de pensar e ver

a empresa e seus arredores; b) as

PMEs estão lentamente adotando técnicas de gestão da inovação, que agora são largamente usadas pelos competidores de grande porte, como suporte a seu processo de inovação; c) foram identificados dez tipos de técnicas de gestão da inovação que são particularmente adequadas para o uso em PMEs, com foco em melhoria da competitividade e que requerem no máximo dez dias de tempo de consul-

toria; d) os benefícios das técnicas de gestão da inovação são maiores quan- do elas servem às metas estratégicas da empresa em vez de paliativos para remediar problemas específicos. Não basta estar convicto da neces- sidade de inovar – é preciso saber como fazer e por onde começar. De- senvolver, selecionar e implementar técnicas e ferramentas que capacitem as empresas a combinarem tecnologia

e estratégia de negócios tem sido o

objetivo de várias organizações e de inúmeros projetos conduzidos nos âm- bitos nacional e internacional. Essa, que era uma preocupação exclusiva das grandes corporações de classe mundial, entrou também, e de forma definitiva, na pauta das pequenas e médias empresas, que, independen- temente de se arrojarem no mercado nternacional, experimentam a concor-

rência externa a bater-lhes à porta do mercado interno, fruto da globalização

e da abertura das economias nacio-

nais (MATTOS, 2005). As técnicas de gestão da inovação identificadas e selecionadas pelos projetos da União Européia, julgadas adequadas para uso nas PMEs foram classificadas nas seguintes catego- rias, ainda que projetos mais recentes tenham incluído outras técnicas nesse grupo: a) geral: diagnóstico do perfil de inovação; b) olhando para dentro: ge-

rência de projetos, análise do valor, técnicas de design, reengenharia; c) olhando para fora: benchmarking, marketing da inovação, vigilância tecnológica; d) olhando para frente:

ferramentas de criatividade, gestão da qualidade. 1.2 Técnicas de gestão da inova- ção: os processos, bens e serviços, representados no fluxo superior do diagrama da figura 3, indicam os meios e os produtos por intermédio dos quais uma empresa atende

a uma demanda ou explora um

oportunidade de mercado. São as- pectos influenciados por diferentes contextos, que englobam: processos internos utilizados pela empresa para obtenção de seus produtos; processos logísticos de interface com fornecedores, distribuidores e canais de venda; processos pros- pectivos para avaliação constante do que a concorrência está fazendo; e produtos e serviços inovadores para o atendimento das necessidades e/

ou oportunidade de mercado, cuja demanda é crescente pelo novo, com maior rapidez, melhor qualidade e preços menores. As informações e o conhecimento, representados no fluxo interior do diagrama da figura 3, indicam que o “foco no cliente” não deve ser tratado como mais uma “política” da empre- sa, mas sim como uma estratégia para garantir a sobrevivência e asse- gurar a competitividade do mercado. Indicam também que o processo de inovação deve ser tratado de forma integrada, pois não basta, por exem- plo, organizar uma empresa dentro

de suas fronteiras internas se ela não

possui agilidade em suas interfaces logísticas, ou ainda, for eficiente na produção e na logística, mas não dis- puser de um processo disciplinado de prospecção e planejamento que confira flexibilidade para absorver mudanças e gerar uma resposta rápida para um novo cenário que se apresente (MATTOS, 2005).

Figura 03: Técnicas de gestão da inovação. Fonte: Mattos (2005, p. 96). LINK ACADÊMICO 6

Figura 03: Técnicas de gestão da inovação. Fonte: Mattos (2005, p. 96).

LINK ACADÊMICO 6

INDICADORES DE CIÊNCIA TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Indicadores são pistas, indícios, trilhas que seguimos em busca da compreensão dos nexos que relacionam variáveis responsáveis por fenômenos econômico-sociais, políticos e culturais que afetam a vida em sociedade. Mais do que

estatísticas isoladas, os indicadores são variáveis relativas, organizadas em grupos, e pretendem formar um conjunto coerente que represente um sistema em suas múltiplas de- terminações. São, portanto, reflexos de conceitos e, como tais, voláteis

e em constante transformação,

acompanhando o avanço do conhe- cimento da realidade que pretendem mimetizar. Os indicadores podem ser con- siderados também como dados estatísticos usados para avaliar as potencialidades da base científica e tecnológica dos países, monitorar as oportunidades em diferentes áreas e

identificar atividades e projetos mais promissores para o futuro, de modo

a auxiliar as decisões estratégicas

dos gestores da política científica

e tecnológica e também para que

a comunidade científica conheça o

sistema no qual está inserida. A definição dos objetivos que se bus- ca com a construção de indicadores

está bem expressa nas palavras com que Helena Maria Martins Lastres, Liz-Rejane Issberner Legey e Sarita Albagli iniciam o último capítulo do

livro Indicador de Ciência, Tecnologia

e Inovação no Brasil: “Com o desen-

volvimento de indicadores, procura- se reduzir fenômenos complexos a fórmulas simplificadas e facilmente comunicáveis e mensuráveis, pas- síveis de agregações, comparações

e extrapolações. Esses indicadores

são geralmente destinados à tomada de decisão e ao estabelecimento de estratégias e prioridades, o que requer que sejam de fácil compreensão, numericamente limitados e baseados em dados disponíveis ou passíveis de serem coletados em tempo hábil e

a custos razoáveis. Portanto, quanto

mais claros os conceitos que descre- vem uma dada realidade ou situação, menor a distorção dos instrumentos que visam representá-la e mensurá-la. Nada disso resolve completamente,

entretanto, as dificuldades intrínsecas

à elaboração e uso de indicadores.”

Indicadores econômicos existem já há muito tempo e têm sido utilizados em estudos específicos e até em modelos econométricos, com resultados variá- veis no sentido de subsidiar a política econômica. Indicadores sociais são mais recentes, mas têm crescente utilidade no desenho e acompanha- mento de políticas, bem como para a

comparação de nível de desenvolvi- mento relativo dos países.

A última geração de indicadores vem

responder à necessidade de expres- sar o papel assumido atualmente

pelas atividades científicas e tecno- lógicas (C&T) no desenvolvimento econômico e social, e tratar de in- corporar o impacto dessas variáveis nesse processo. A tecnologia foi tratada como uma variável endógena do sistema econômico pelo menos desde Schumpeter, o economista que mais se preocupou com o tema como estreitamente relacionado com o processo de desenvolvimento, centro de suas reflexões. Mas foi só há algumas décadas, com o progressivo aumento da parcela de valor das mercadorias incorporadas em conhecimentos codificados, e a correspondente queda no percentual de valor de seu suporte material, que a construção de um conjunto de conceitos capazes de expressar

a incidência da atividade C&T no sis-

tema econômico-social abriu espaço para a constituição de indicadores que subsidiassem o entendimento desse processo. Os indicadores de CT&I (Ciência, tecnologia e inovação) são utilizados como a forma de poder validar teo- rias relativas à relação do progresso técnico com o desenvolvimento econômico e social, portanto são fundamentais para o avanço do co- nhecimento e a gênese do processo inovativo. Na definição da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvol- vimento Econômico), investir em conhecimento abrange as despesas com pesquisa e desenvolvimento (P&D), com softwares e educa- ção superior (pública e privada). Considerado fundamental para o progresso tecnológico e inovação, esse investimento continua a crescer na maioria de seus países. Alguns indicadores de ciência, tec- nologia e inovação são considerados nesse contexto, como artigos científi- cos publicados, patentes registradas, número de pesquisadores entre outros. Para fins conceituais tem-se

que: a) artigos: quando referentes

a publicações, consistem em uma

análise escrita de algum tema espe- cífico, em que o autor aponta suas opiniões ou o resultado de estudos e/ou pesquisas que tenha realizado a

partir do tema. b) grupo de pesquisa

é caracterizado como um conjunto

de indivíduos organizados de ma- neira hierárquica em torno de uma liderança de grupo. O trabalho se organiza em torno de linhas comuns de pesquisa, que em algum grau, compartilha instalações e equipa- mentos. O Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil está se tornando uma importante base de dados para o contexto dos Indicadores de

Ciência e Tecnologia (C&T), pois tem

a capacidade de disponibilizar ao

público um censo da capacidade ins- talada de pesquisa no país, indicada pelos grupos ativos em cada período. c) patentes: para se desenvolver e elaborar novos produtos e projetos é necessário a utilização de grandes investimentos. A importância de pro- teger esse novo produto por meio de uma patente está no fato de prevenir que competidores copiem e vendam esse produto, a um menor preço, pois eles não tiveram os custos da pesquisa e desenvolvimento de tal produto. Dessa forma, a patente garante que a criação industrializável se torne um investimento rentável (CASTRO 2006).

LINK ACADÊMICO 7

PACOTES

TECNOLÓGICOS

Os pacotes tecnológicos represen- tam um conjunto de tecnologias complementares, integradas ou en- cadeadas sistematicamente à tecno-

logia principal, sem as quais a ino- vação seria dificultada ou não seria produzida. O pacote tecnológico se estrutura geralmente na forma de redes ou sistemas cujos vínculos ou enlaces e construção requerem uma atenção especial para entender, traçar a estratégia, assim como or- ganizar e executar com sucesso os processos inovativos.

O conjunto de diferentes tecnologias

utilizadas num processo produtivo

deve ser analisado, entendido e uti- lizado como um pacote tecnológico,

já que uma mudança em uma delas

influencia e determina mudanças nas outras, até conformar-se de novo num

novo pacote tecnológico. Patente: Um dos indicadores que medem e analisam a atividade tec- nológica de maior importância são as patentes, concedidas e depositadas pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

A patente significa um título de proprie-

dade temporária sobre uma invenção ou modelo de utilidade, outorgado pelo Estado aos inventores ou autores ou outras pessoas físicas ou jurídicas detentoras de direitos sobre a criação. Durante o prazo de vigência da pa-

tente, o titular tem o direito de excluir terceiros, sem sua prévia autorização, de atos relativos à matéria protegida, tais como fabricação, comercialização, importação, uso, venda, etc. (SILVA,

2003).

As patentes são direitos concedidos pelas autoridades competentes aos inventores que garantem a exclusivi- dade na exploração de determinada invenção ou inovação, por um período limitado e numa determinada área geográfica (país), contra a divulgação detalhada do modo de realizar ou implementar tal invenção ou inovação. De modo geral, as patentes conferem aos seus autores direitos comerciais,

e servem ao público em geral como

fontes de informação tecnológica para o desenvolvimento econômico. A fundamentação lógica das patentes é de fomentar a inovação e criação tec- nológica, oferecendo proteção contra divulgação. Em cada patente está presente a des-

crição detalhada, incluindo desenhos, gráficos ou exemplos de como realizar determinada invenção. A tecnologia presente nas patentes é muito variada

e pode ir desde o mais sofisticado

sistema de controle de satélites até um simples instrumento para agro- pecuária. As patentes apresentam vantagens, como: a) o conjunto da

literatura de patentes constitui em

si o maior repositório de informação

tecnológica, correspondendo a cerca de 80% do total de toda a informação disponível e que não foi publicada de nenhuma outra forma; b) as patentes são válidas apenas durante um de- terminado período de tempo, e uma vez expirado esse prazo podem ser utilizadas por qualquer um; c) a infor- mação de patentes está disponível, de forma expedita, em várias bases de dados, tanto comerciais como

livres, todas consultáveis via internet;

d) as bases de dados de patentes

estão estruturadas e catalogadas segundo um esquema de classifi- cação extenso, que permite a sua

busca de forma eficiente e rápida;

e) a literatura de patentes contém

ainda dados relativos a aspectos comerciais, tais como: o nome e mo- rada de inventores, representantes, empresas detentoras de direitos, estado de validade, etc.

LINK ACADÊMICO 8

A coleção Guia Acadêmico é o ponto de partida

dos estudos das disciplinas dos cursos de graduação, devendo ser complementada com

o material disponível nos Links e com a leitura de livros didáticos.

Gestão de Inovação Tecnológica - 1ª Edição

- 2010

Coordenação:

Inovação Tecnológica - 1ª Edição - 2010 Coordenação: Autor: Glauber Ruan Barbosa Pereira. Professor de cursos

Autor:

Glauber Ruan Barbosa Pereira. Professor de cursos de Graduação e Pós-Graduação nas dis- plinas de Teoria Geral da Administração, Teoria das Organizações. Logística Empresarial, Ges- tão Estratégica, Marketing Estratégico, Gestão da Tecnologia da Informação, Desenvolvimento Sustentável e Liderança e Comportamento Organizacional.

Mestre em Administração pela UFRN. Pós- graduado em nível de Especialização em Logís- tica Empresarial. Graduado em Administração de Empresas.

A coleção Guia Acadêmico é uma publicação

da Memes Tecnologia Educacional Ltda. São Paulo-SP.

Endereço eletrônico:

www.administracao.memes.com.br

Todos os direitos reservados. É terminantemente proibida a reprodução total ou parcial desta publicação, por qualquer meio ou processo, sem

a expressa autorização do autor e da editora. A

violação dos direitos autorais caracteriza crime, sem prejuízo das sanções civis cabíveis.

autor e da editora. A violação dos direitos autorais caracteriza crime, sem prejuízo das sanções civis