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Cap´ıtulo 17

Teorema do Valor M´edio

17.1

Introdu¸c˜ao

Vimos no Cap. 16 como podemos utilizar a derivada para tra¸car gr´aficos de fun¸c˜oes. Muito embora o apelo gr´afico apresentado naquele cap´ıtulo relacionando fun¸c˜oes crescentes e decrescentes com o sinal da derivada fosse muito sugestivo, n˜ao pode ser entendido como uma prova das afirma¸c˜oes feitas. Para uma demonstra¸c˜ao rigorosa da rela¸c˜ao existente entre o crescimento ou decrescimento de uma fun¸c˜ao e o sinal da sua derivada, precisamos de um resultado conhecido como teorema do valor m´edio. O teorema do valor m´edio ´e um dos resultados mais importantes do c´alculo diferencial e ´e usado, principalmente, na demonstra¸c˜ao de outros teoremas.

O teorema do valor m´edio ´e a tradu¸c˜ao matem´atica para um fato que aparece de forma corriqueira em muitas

situa¸c˜oes de nossa vida. Por exemplo, se a m´edia de velocidade em uma viagem de carro de uma cidade a outra ´e de

80 km/h, ent˜ao em algum momento da viagem o veloc´ımetro do carro deve ter marcado 80 km. Vamos traduzir a afirma¸c˜ao acima em termos matem´aticos. Seja s(t) a posi¸c˜ao do carro, em cada instante de tempo t. Se a viagem come¸ca em t = a (horas) e termina em t = b (horas), a velocidade m´edia ´e dada por

v m = s(b) s(a) b a

.

A afirma¸c˜ao de que, em algum momento da viagem, a velocidade instantˆanea deve ser igual a velocidade m´edia

significa que para algum instante de tempo c entre a e b tem-se

v m = s(b) s(a) b a

= v(c) = s (c).

O teorema do valor m´edio estabelece as condi¸c˜oes m´ınimas que uma fun¸c˜ao s deve satisfazer para que a igualdade

acima seja verdadeira. Antes de provar o teorema do valor m´edio, enunciaremos um de seus casos particulares que ficou conhecido como teorema de Rolle, em homenagem a Michel Rolle (1652-1719), que o demonstrou em 1690.

17.1.1 Teorema de Rolle

Considere uma fun¸c˜ao f satisfazendo as seguintes condi¸c˜oes:

(1) f ´e cont´ınua no intervalo fechado [a, b] (2) f ´e deriv´avel no intervalo aberto (a, b)

(3) f (a) = f (b)

Ent˜ao, existe um n´umero c em (a, b), tal que, f (c) = 0.

O teorema de Rolle pode ser interpretado, geometricamente, da

maneira descrita a seguir. Seja f uma curva suave (cont´ınua e deriv´avel), n˜ao constante, ligando os pontos (a, f (a)) e (b, f (b)), tal que f (a) = f (b). Ent˜ao, se o gr´afico de f sobe, dever´a descer, e vice-versa. Portanto, como a curva ´e suave, em algum ponto entre a e b, onde o gr´afico para de subir e come¸ca a descer (ou vice-versa), a reta tangente deve ser horizontal.

a c b
a
c
b

f(a)=f(b)

Demonstra¸c˜ao Como f ´e cont´ınua em [a, b], pelo teorema dos valores extremos f assume um valor m´aximo e um valor m´ınimo em [a, b]. Sejam m e n os pontos de [a, b] onde estes valores s˜ao atingidos, isto ´e, sejam m e n tais que f (n) f (x) f (m), para todo x em [a, b].

230

Existem dois casos a serem considerados:

Cap. 17. Teorema do Valor M´edio

(i) A fun¸c˜ao f ´e constante em [a, b]. Neste caso, f (x) = f (a) = f (b) para todo x de [a, b]. Assim, f (x) = 0 para todo x de (a, b).

(ii) f (x) ̸= f (a) = f (b) para algum x no intervalo aberto (a, b).

Neste caso, ou m ou n ´e diferente das extremidades a e b do intervalo considerado. Sem perda de generalidade, suponhamos que seja m este ponto. Como m ´e um ponto de m´aximo e est´a no intervalo aberto (a, b) onde f ´e

deriv´avel, tem-se f (m) = 0. Logo, o ponto c = m satisfaz a conclus˜ao do teorema.

Observa¸c˜ao As hip´oteses do teorema de Rolle s˜ao essenciais para que a conclus˜ao se verifique, isto ´e, se uma das condi¸c˜oes do teorema n˜ao for verificada, poder´a n˜ao existir o ponto c que satisfaz f (c) = 0. Os exemplos a seguir ilustram como este teorema pode ser aplicado e mostram como o teorema falha, caso qualquer uma de suas hip´oteses n˜ao se verifique.

Exemplo 1

Considere a fun¸c˜ao f(x) = {

Esta fun¸c˜ao ´e cont´ınua no intervalo [1, 2], f (1) = f (2) = 0 mas

n˜ao ´e deriv´avel em (1, 2). Repare que n˜ao existe nenhum ponto da curva y = f (x) no qual a reta tangente a esta curva seja zero. Em outras palavras, n˜ao existe c em (1, 2) tal que f (c) = 0. O teorema de Rolle n˜ao pode ser aplicado a este caso porque a fun¸c˜ao dada n˜ao ´e deriv´avel no intervalo (1, 2).

(x 1) 2 , (x 2) 2 ,

1 x < 1, 5 1, 5 2

.

Exemplo 2

f (x) = { x 1 2 , ,

x x = ̸= 0 0 definida no intervalo [1, 1].

Seja

que f (1) = f (1) = 1, mas f n˜ao ´e cont´ınua no zero. N˜ao existe

c em (1, 1) tal que f (c) = 0. O teorema de Rolle falha neste caso porque f n˜ao ´e cont´ınua em [1, 1].

Temos

0.24 0.22 0.2 0.18 0.16 0.14 0.12 0.1 0.08 0.06 0.04 0.02 0 1 1.2
0.24
0.22
0.2
0.18
0.16
0.14
0.12
0.1
0.08
0.06
0.04
0.02
0
1
1.2
1.4
x
1.6
1.8
2
0.1 0.08 0.06 0.04 0.02 0 1 1.2 1.4 x 1.6 1.8 2 Exemplo 3 Determine

Exemplo 3 Determine um ponto c que satisfa¸ca o teorema de Rolle para as seguintes fun¸c˜oes:

(a)

f (x) = 2 + x x 3 definida em [0, 1].

(b)

f (x) = 2 + sen x definida em [0, 2 π].

Solu¸c˜ao

(a) A fun¸c˜ao f ´e cont´ınua em [0, 1] e deriv´avel em (0, 1). Mesmo que ela n˜ao seja deriv´avel no zero, isto n˜ao importa: o teorema exige apenas que f seja deriv´avel em (0, 1). Tamb´em temos que f (0) = f (1) = 2, de modo que todas as condi¸c˜oes do teorema de Rolle s˜ao satisfeitas. Assim, existe um ponto c em (0, 1), tal que f (c) = 0.

, esta derivada ser´a zero para

3 1 a reta tangente `a curva ´e horizontal.

x = 1 3 . Logo, no ponto c =

Como f (x) =

1

2 x

3 x

2

= (13 x)

2 x

2.4

2.2

2

1.8

1.6

1.4

1.2

1

0.8

0.6

0.4

0.2

0

1.4 1.2 1 0.8 0.6 0.4 0.2 0 0.2 0.4 x 0.6 0.8 1 (b) Neste
1.4 1.2 1 0.8 0.6 0.4 0.2 0 0.2 0.4 x 0.6 0.8 1 (b) Neste

0.2

0.4

x

0.6

0.8

1

(b) Neste caso f ´e cont´ınua e deriv´avel em [0, 2 π] e f (0) = f (2 π) = 2. Assim, pelo teorema de Rolle, existe um

ponto c em (0, 2 π)), tal que f (c) = 0. De fato, usando o Maple para resolver esta ultima´

equa¸c˜ao, obtemos

> f:=x->2+sin(x):

> solve(diff(f(x),x)=0,x);

Portanto, c = π . Veja o gr´afico a seguir.

2

1

2 π

> plot([f(x),f(Pi/2),[[Pi/2,0],[Pi/2,f(Pi/2)]]],x=0

2*Pi,color=[red,blue]);

W.Bianchini, A.R.Santos

231

3 2.5 2 1.5 1 0.5 0 1 2 3 4 5 6 x
3
2.5
2
1.5
1
0.5
0
1
2
3
4
5
6
x

Observe que, neste exemplo, existe um outro ponto c em (0, 2 π), a saber, c = 3 π , no qual a reta tangente ao gr´afico da fun¸c˜ao tamb´em ´e horizontal. Isto n˜ao contradiz o teorema de Rolle. Este teorema garante a existˆencia de pelo menos um ponto no intervalo considerado, tal que f (c) = 0. Como vimos no exemplo acima, pode existir mais de um ponto com esta propriedade.

2

17.1.2 Teorema do valor m´edio

Considere uma fun¸c˜ao f satisfazendo as condi¸c˜oes:

(1) f ´e cont´ınua no intervalo fechado [a, b] (2) f ´e deriv´avel no intervalo aberto (a, b)

Ent˜ao, existe um n´umero c em (a, b), tal que f (c) = f(b) b f(a) a

.

Geometricamente, o teorema do valor m´edio diz que se f ´e uma fun¸c˜ao “suave” que liga os pontos A = (a, f (a)) e B = (b, f (b)), existe um ponto c, entre a e b, tal que a reta tangente ao gr´afico de f em c ´e paralela `a reta secante que passa por A e por B.

B A a c b
B
A
a
c
b

Para isso, considere a fun¸c˜ao d(x) =

(x a).

Repare que a fun¸c˜ao d(x) assim definida, mede, para cada x, a distˆancia vertical entre os pontos (x, f (x)), do gr´afico de f , e (x, g(x)), na reta suporte do segmento AB. A fun¸c˜ao d(x) satisfaz as hip´oteses do teorema de Rolle, isto ´e, d ´e cont´ınua em [a, b], diferenci´avel em (a, b), pois f e g o s˜ao, e, al´em disso, d(a) = d(b) = 0. Assim, existe um ponto c (a, b) onde d (c) = 0.

f (x) g(x), onde g(x) ´e a reta que une os pontos A = (a, f (a)) e B = (b, f (b)), isto ´e, g(x) = f (a) + f(b)f(a)

Demonstra¸c˜ao A demonstra¸c˜ao ´e feita usando-se o teorema de Rolle.

ba

Note no diagrama a seguir que a reta tangente ao gr´afico de f ´e paralela ao segmento AB exatamente no ponto em que a diferen¸ca d(x) atinge o seu maior valor.

em que a diferen¸ca d ( x ) atinge o seu maior valor. Logo, 0 =

Logo,

0 = d (c) = f (c) g (c) = f (c) f(b)f(a) , ou seja, f (c) = f(b)f(a)

ba

ba

.

17.1.3 Conseq¨uˆencias do teorema do valor m´edio

A

primeira conseq¨uˆencia ´e a rec´ıproca do fato trivial de que a derivada de uma fun¸c˜ao constante ´e igual a zero, ou seja,

se

a derivada de uma fun¸c˜ao ´e zero, a fun¸c˜ao ´e constante. A princ´ıpio nada nos assegura que este fato seja verdadeiro.

Ser´a que n˜ao poderia existir uma fun¸c˜ao desconhecida, estranha e n˜ao constante, cuja derivada fosse zero?

232

Cap. 17. Teorema do Valor M´edio

Usando o teorema do valor m´edio podemos provar que tal fun¸c˜ao estranha n˜ao existe. Isto ´e feito no Corol´ario 1 a seguir. Nesse corol´ario e nos seguintes, consideramos f e g cont´ınuas no intervalo fechado [a, b] e deriv´aveis em (a, b).

Corol´ario 1 (Fun¸c˜oes com derivada zero)

Se f (x) = 0 em (a, b), ent˜ao f ´e uma fun¸c˜ao constante em [a, b], isto ´e, existe um n´umero real k, tal que, f (x) = k, qualquer que seja o ponto x de [a, b].

Demonstra¸c˜ao Seja x (a, b]. Apliquemos o teorema do valor m´edio em [a, x ]. Ent˜ao existe c (a, x), tal que,

f(x) f(a) = f (c) (x a).

Como f (x) = 0 em (a, b), tem-se f (c) = 0. Assim, f (x) = f (a), para todo x em (a, b]. Por´em, obviamente, esta igualdade vale para todo x em [a, b]. Assim, f ´e constante em [a, b].

Corol´ario 2 (Fun¸c˜oes com derivadas iguais)

Suponha que f (x) = g (x) para todo x no intervalo (a, b). Ent˜ao, f e g diferem por uma constante, isto ´e, existe um n´umero real k, tal que

f(x) = g(x) + k,

para todo x em [a, b].

Demonstra¸c˜ao Considere a fun¸c˜ao h(x) = f (x) − g(x). Ent˜ao, h ′ (x) =
Demonstra¸c˜ao
Considere a fun¸c˜ao h(x) = f (x) − g(x).
Ent˜ao, h ′ (x) = f ′ (x) − g ′ (x) = 0, para todo x
em (a, b).
Logo, pelo
Corol´ario 1, h(x) = k para todo x em [a, b] e alguma constante k real, ou seja,
f (x) − g(x) = k, que ´e equivalente a f (x) = g(x) + k.
Interpreta¸c˜ao geom´etrica
Como as duas fun¸c˜oes f e g diferem por uma constante, o gr´afico de
f pode ser obtido a partir do gr´afico de g, ou vice-versa, por uma
transla¸c˜ao vertical. Al´em disso, como estas fun¸c˜oes tˆem a mesma
derivada em cada ponto x de [a, b], seus gr´aficos tˆem retas tangentes
paralelas nos correspondentes pontos (x, f (x)) e (x, g(x)). Por isso estes
gr´aficos s˜ao ditos paralelos.
6
4
y
2
–2
–1
0
1
2
x
–2

Exemplo 1 Se f (x) = 3 sen x e f (0) = 2, determine a fun¸c˜ao f .

Solu¸c˜ao Observe que a derivada da fun¸c˜ao g(x) = 3 cos x ´e igual a 3 sen x = f (x). Assim, f e g diferem por uma constante, isto ´e, f (x) = g(x) + k = 3 cos x + k, onde k ´e um n´umero real qualquer. Como f (0) = 2, temos que f (0) = 3 + k = 2, ou seja, k = 5. Assim,

f (x) = 3 cos x + 5.

Exemplo 2 Suponha que f (x) = k em um intervalo [a, b], com k real. Prove que f ´e uma reta.

Solu¸c˜ao Seja g(x) = k x + b. Ent˜ao, g (x) = k. Logo, f e g diferem por uma constante, ou seja, f (x) = g(x) + c, onde c ´e real. Assim,

f (x) = k x + b + c = k x + d,

onde d = b + c. Logo, f ´e uma reta.

W.Bianchini, A.R.Santos

233

Corol´ario 3 (Fun¸c˜oes crescentes e decrescentes)

(i) Se f (x) > 0 para todo x em [a, b], ent˜ao f ´e uma fun¸c˜ao crescente em [a, b]. (ii) Se f (x) < 0 para todo x em [a, b], ent˜ao f ´e uma fun¸c˜ao decrescente em [a, b].

Demonstra¸c˜ao Vamos demonstrar o primeiro item; a demonstra¸c˜ao do segundo ´e an´aloga. Sejam m e n pontos de [a, b], tais que m < n. Aplicamos o teorema do valor m´edio no intervalo [m, n ]. Como este intervalo est´a contido em [a, b], as hip´oteses do teorema do valor m´edio continuam v´alidas em [m, n ]. Assim, existe um ponto c em (m, n), tal que

f(n) f(m) = f (c) (n m).

Como, por hip´otese, f (c) > 0 e (n m) > 0, segue que

f (n) f (m) > 0, isto ´e, f (m) < f (n).

Como m e n s˜ao pontos quaisquer em [a, b], segue que f ´e uma fun¸c˜ao crescente em [a, b].

Corol´ario 4 (Teorema do valor m´edio generalizado)

Sejam f e g cont´ınuas em [a, b] e deriv´aveis em (a, b) e suponha, al´em disso, que g (x) ̸= 0 para a < x < b. Ent˜ao, existe pelo menos um c entre a e b, tal que

f

(c)

= f(b) f(a)

g (c)

g(b) g(a) .

Demonstra¸c˜ao Repare que se g(a) = g(b), pelo teorema de Rolle g (x) se anula em algum ponto entre a e b, o que contradiz a hip´otese. Portanto, g(a) ̸= g(b), e o segundo membro da igualdade acima faz sentido. Para provar o corol´ario, considere a fun¸c˜ao

F (x) = (f (b) f (a)) (g(x) g(a)) (f (x) f (a)) (g(b) g(a)).

E f´acil ver que esta fun¸c˜ao satisfaz as hip´oteses do teorema de Rolle. Logo, existe um ponto c, entre a e b, tal que

F (c) = 0. Esta ultima´

´

afirma¸c˜ao ´e equivalente a

(f (b) f (a)) g (c) f (c) (g(b) g(a)) = 0 ,

que, por sua vez, ´e equivalente a afirma¸c˜ao que se quer provar. Repare que se g(x) = x, este corol´ario se reduz ao teorema do valor m´edio e, portanto, ´e uma generaliza¸c˜ao deste teorema.

17.2

Exerc´ıcios

1. Nos itens a seguir, mostre que a fun¸c˜ao dada satisfaz as hip´oteses do teorema de Rolle no intervalo [a, b] indicado e ache todos os n´umeros c em (a, b) que verificam a conclus˜ao do teorema:

(a)

f (x) = x 2 2 x em [0, 2]

ii. f (x) = 9 x 2 x 4 em [3, 3]

i.

iii.

f (x) = 1x 2

1+x

2

em [1, 1]

(b)

Nos ´ıtens a seguir, mostre que a fun¸c˜ao dada n˜ao satisfaz a conclus˜ao do teorema de Rolle no intervalo indicado. Explicite que hip´otese do teorema n˜ao ´e satisfeita.

i.

f (x) = 1 − | x | em [1, 1]

2

ii. f (x) = 1 (2 x) 3

em [1, 3]

iii.

f (x) = x 4 + x 2 em [0, 1]

(a)

2. Em cada um dos ´ıtens a seguir, decida se o teorema do valor m´edio se aplica. Em caso afirmativo, ache um n´umero c em (a, b) tal que f (c) = f(b)f(a) . Esboce um gr´afico mostrando a tangente passando por (c, f (c)) e a reta passando pelos pontos extremos do gr´afico em [a, b], indicado em cada caso.

ba

i. f (x)

ii. f (x)

=

=

1

x

1

x

iii. 3

f (x)

=

x

em [1, 2]

em [1, 2]

em [0, 1]

iv. = x 3 em [1, 0]

f (x)

v. g(x) = sen (x) em [0,

π 2 ]

vii. f (x) = 1 x 2 em [1, 0]

viii. f (t) = t 2 (t 1) em

[0, 1]

ix.

x.

f (x) = x 3

f (x) = {

2

1

0

em [1, 27]

0 < x

0

x <

em [1, 1]

vi. h(x) = tg(x) em [ π

4 ,

3 π

4

]

234

Cap. 17. Teorema do Valor M´edio

(b)

2

Como vimos no item (ix) acima, o teorema do valor m´edio n˜ao se aplica `a fun¸c˜ao f (x) = x 3 no intervalo [1, 27]. No entanto, mostre que existe um n´umero c em (1, 27), tal que f (c) = f (27)f (1)

27(1)

.

Explique por que o teorema do valor m´edio n˜ao se aplica `a fun¸c˜ao f (x) = | x |, no intervalo [1, 2].

3. Para as fun¸c˜oes dadas em cada um dos ´ıtens a seguir, determine os intervalos abertos em que cada uma delas ´e crescente ou decrescente. Com base nas respostas encontradas, fa¸ca a correspondˆencia de cada fun¸c˜ao com um dos gr´aficos dados.

(c)

(a) f (x) = 4 − x 2 (c) f (x) = x 2 −
(a)
f (x)
=
4 − x 2
(c) f (x)
= x 2 − 4 x + 1
(e)
3
(b)
f (x) = x 2 − 2 x + 1
(d)
f (x) = x 4
− 3 x
(f)
(1)
(2)
4
4
y
y
2
2
–4
–2
0
2
x
4
–4
–2
0
2
x
4
–2
–2
–4
–4
(4)
(5)
4
4
y
y
2
2
–4
–2
0
2
x
4
–4
–2
0
2
x
4
–2
–2
–4
–4
2 f (x) = x 3 − 2 x + 1 3 − x 2
2
f (x)
= x 3
− 2 x + 1
3
− x 2
f (x) = 2 x − x 2
− x 3
6
9
(3)
4
y
2
–4
–3
–2
–1
0
1
2
3
4
x
–2
–4

(6)

4 y 2 –4 –2 0 2 x 4 –2 –4
4
y
2
–4
–2
0
2
x
4
–2
–4

4. (a) Use o teorema de Rolle para mostrar que a equa¸c˜ao

26

5

x 5 x 4 + 2 x 3 2 x 2 x = 0, tem pelo menos uma raiz real no intervalo (0, 1).

(b)

Se f (x) ´e um polinˆomio de grau 3, use o teorema de Rolle para provar que f tem no m´aximo trˆes zeros reais. Generalize este resultado para polinˆomios de grau n.

(c)

Nos itens seguintes, mostre que a equa¸c˜ao dada tem exatamente uma solu¸c˜ao no intervalo indicado.

i. x 5 + 2 x 3 = 0 em [0, 1]

ii. x 10 = 1000 em [1, 2]

iii.

x 4 3 x = 20 em [2, 3]

5. (a) Nos ´ıtens seguintes, determine a fun¸c˜ao f que satisfaz `as condi¸c˜oes dadas:

i. f (x) = 4x ; f(0) = 5

ii. f (x) = (x); f(0) = 4

iii.

iv. f (x) = 0; f (0) =

f (x) =

2 x ; f(0) =3

1

2

e f (0) = 1

3

(b) Em cada um dos ´ıtens, ache todas as fun¸c˜oes f tais que:

i. f (x) = sen x

ii.

f (x) = x 3

iii.

f (x) = x + x 2

17.3 Problemas propostos

1. (a) Seja f (x) = x 2 . Neste caso, mostre que para qualquer intervalo [a, b] o ponto c dado pelo teorema do valor m´edio ´e em realidade o ponto m´edio c = a+b , do intervalo [a, b].

2

(b)

Mostre que o resultado acima vale para qualquer polinˆomio do segundo grau f (x) = c 2 x 2 + c 1 x + c 0 .

(c)

Ache uma fun¸c˜ao f para a qual o “ponto de valor m´edio” c n˜ao ´e o ponto m´edio de [a, b].

2. (a) Prove que a fun¸c˜ao f (x) = (1 + x) 3 para todo x > 0.

2

(b)

Mostre que x < 1 + x

2

se x > 0.

3 x

2

1 ´e crescente em (0, ). Conclua ent˜ao que (1 + x) 3

2

>

1 + 3 x

2

3. Mostre que D(tg 2 x) = D(sec 2 x) no intervalo aberto ( π , π ). Conclua que existe uma constante C tal que tg 2 x = sec 2 x + C para todo x em (π , π ). Calcule C.

2

2

2

2

W.Bianchini, A.R.Santos

235

4.

5.

6.

7.

8.

9.

10.

11.

12.

(a)

Suponha que haja n pontos distintos em [a, b] nos quais a fun¸c˜ao deriv´avel f se anule. Prove que f deve se anular em pelo menos n 1 pontos de [a,b].

(b)

Suponha que a fun¸c˜ao f seja deriv´avel em [1, 1] e tal que f (1) = 1 e f (2) = 5. Prove que existe um ponto no gr´afico de f em que a reta tangente ´e paralela `a reta de equa¸c˜ao y = 2x.

Suponha que as fun¸c˜oes f e g sejam cont´ınuas em [a, b] e diferenci´aveis em (a, b). Suponha tamb´em que f (a) =

g(a) e que f (x) < g (x)

Sugest˜ao: Aplique o teorema do valor m´edio `a fun¸c˜ao h = f g.

Usando o teorema de Rolle, prove que, qualquer que seja o valor de m, a fun¸c˜ao f m (x) = x 3 3 x + m n˜ao pode ter duas ra´ızes reais em [0, 1]. Para entender geometricamente o que acontece, trace na mesma janela os gr´aficos de f 0 e f 1 e conclua como seria o gr´afico de f m , para m qualquer.

para a < x < b. Prove que f (b) < g(b).

1

x

e g(x) = {

1

x , + x ,

Seja f (x) =

poss´ıvel concluir que f g ´e constante?

se

se

1

1

x > 0 x < 0

 

´

Mostre que f (x) = g (x) para todo x nos seus dom´ınios.

E

(a)

(b)

(c)

(a)

(b)

(c)

`

Se

a rec´ıproca desta afirma¸c˜ao, isto ´e, se f ´e uma fun¸c˜ao qualquer, tal que f (x) = 0 para todo x, ent˜ao f(x) = a 1 x + a 0 , onde a 1 = f (0) e a 0 = f (0).

Se f ´e um polinˆomio de grau menor ou igual a dois, sabemos que f (x) = 0 para todo x. Demonstre a rec´ıproca desta afirma¸c˜ao isto ´e, se f ´e uma fun¸c˜ao qualquer tal que f (x) = 0 para todo x, ent˜ao f ´e um polinˆomio de grau menor ou igual a dois. De fato, f (x) = f (0) + f (0) x + x 2 f (x).

Demonstre

f

´e um polinˆomio de grau menor ou igual a um, sabemos que f (x) = 0 para todo x.

2

Suponha que f n (x ) = 0, para todo x. Caracterize f e demonstre a sua resposta.

Suponha que f (1) = 1, f (1) = 3, f (1) = 6 e f (x) = 0 para todo x. Demonstre que, para todo x,

f (x) = 6, f (x) = 6 x 3 e que

Suponha que c ´e uma constante e que f (c) = a 0 , f (c) = a 1 , f (c) = a 2 e f (x) = 0 para todo x.

Demonstre que f (x) = a 2

, f (n) (c) = a n e f (n+1) (x) = 0, para todo x.

Suponha que c ´e uma constante e que f (c) = a 0 , f (c) = a 1 ,

Demonstre que f (x) = f (c) + (x c) f (c) + (xc) 2 f (c) +

f (x) = 3 x 2 3 x + 1.

2

(x c) 2 + a 1 (x c) + a 0 .

2

n

+ (xc) n n!

f (n) (c), onde n! =

k.

k=1

`

As duas horas e dez minutos, marca 50

km/h. Mostre que, em algum instante entre duas e duas e dez, a acelera¸c˜ao deste carro foi exatamente igual a

120 km/h 2 .

Dois corredores come¸cam uma disputa ao mesmo tempo e terminam empatados. Prove que, em algum instante durante a corrida, eles correram com a mesma velocidade. Sugest˜ao: Considere a fun¸c˜ao f (t) = g(t) h(t), onde g e h s˜ao as fun¸c˜oes que fornecem as posi¸c˜oes dos dois corredores, para qualquer instante de tempo t.

Uma fun¸c˜ao f , n˜ao necessariamente deriv´avel, definida em um intervalo I, ´e chamada convexa em I, se

As duas horas da tarde, o veloc´ımetro de um carro marca 30 km/h.

f(x 2 ) f(x 1 )

x 2 x 1

f(x 3 ) f(x 2 )

,

x 3 x 2

sempre que x 1 < x 2 < x 3 forem trˆes pontos de I. Veja a figura a seguir `a esquerda e interprete geometricamente a defini¸c˜ao dada.

(a)

Demonstre que se f existe em I e ´e crescente, ent˜ao f ´e convexa.

(b)

Demonstre que se f ´e maior ou igual a zero em todo o intervalo I, ent˜ao f ´e convexa em I.

(c)

Mostre que se x 1 < x 2 < x 3 , as duas condi¸c˜oes abaixo s˜ao equivalentes:

y 2 y 1

x 2 x 1

y 3 y 2

x 3 x

2 y 2 y 1 + y 3 y 1 1 (x 2 x 1 )

x 3 x

(Esta ultima´ condi¸c˜ao fornece uma outra defini¸c˜ao geom´etrica alternativa para convexidade: entre dois pon- tos quaisquer x 1 e x 2 de I, o gr´afico de f fica abaixo da reta que passa por P 1 = (x 1 , f(x 1 )) e P 3 = (x 3 , f(x 3 )), como mostra a figura a seguir `a direita.

236

P1 P2 P3 x1 x2 x3
P1
P2
P3
x1
x2
x3

Cap. 17. Teorema do Valor M´edio

P1 P2 P3 x1 x2 x3
P1
P2
P3
x1
x2
x3

17.4 Para vocˆe meditar: O significado de c

Em muitas situa¸c˜oes f´ısicas, os fenˆomenos observ´aveis s˜ao apresentados em tabelas, que relaciona a velocidade de um autom´ovel com a distˆancia percorrida at´e que o mesmo pare, ap´os acionados os freios.

velocidade (km/h)

40

60

80

100

120

distˆancia (m)

8

18

32

50

72

Fonte: Revista Quatro Rodas - Autom´ovel Fiat-Uno

A partir de tabelas deste tipo, tentamos deduzir a lei ou fun¸c˜ao matem´atica que melhor se ajusta aos dados apresentados. Muitas vezes, precisamos fazer uma estimativa de um valor da vari´avel dependente (neste exemplo, a distˆancia percorrida pelo autom´ovel) correspondente a um valor da vari´avel independente (neste caso a velocidade do autom´ovel), que n˜ao faz parte da tabela. Por exemplo, qual a distˆancia percorrida por um autom´ovel que viaja a 70 km/h, antes que este pare completamente? Em geral, para obter uma resposta aproximada para esta pergunta usamos interpola¸c˜ao linear, isto ´e, aproximamos o gr´afico da fun¸c˜ao que modela o problema por segmentos de reta que ligam os pontos da tabela e estimamos o valor pedido como se a fun¸c˜ao procurada variasse linearmente, entre os pontos dados. No exemplo apresentado, a equa¸c˜ao da reta que liga os pontos (60, 18) e (80, 32) ´e

> f:=unapply(interp([60,80],[18,32],x),x);

f := x

10 7 x 24

Usando esta equa¸c˜ao para calcular uma estimativa para o valor pedido, temos:

> f(70.);

25.00000000

Como as grandezas anteriores, claramente n˜ao est˜ao relacionadas por uma linha reta, o valor calculado envolve um erro que, “a priori”, nada garante que seja pequeno.

1. Explique como o teorema do valor m´edio est´a relacionado com o erro m´aximo cometido ao usarmos interpola¸c˜ao linear para estimarmos os valores correspondentes a pontos que n˜ao est˜ao explicitados na tabela.

2. Observando os valores apresentados na tabela dada, vocˆe ´e capaz de deduzir a lei que governa o fenˆomeno? (Use a t´ecnica da n-´esima diferen¸ca – se¸c˜ao Para meditar, do Cap 7 – para tentar chegar a uma conclus˜ao e o comando interp do Maple para conferir a sua resposta.)

3. Fa¸ca um gr´afico da interpola¸c˜ao linear e da fun¸c˜ao deduzida no item acima para tentar concluir se 25 m ´e uma “boa” resposta para a indaga¸c˜ao feita. Esta estimativa ´e por falta ou por excesso?

4. Use a fun¸c˜ao deduzida acima e o teorema do valor m´edio para, usando interpola¸c˜ao linear, estimar o erro m´aximo cometido ao calcularmos a distˆancia que um autom´ovel percorre antes de parar completamente, ap´os acionados os freios.

17.5 Projetos

17.5.1 Estudando a queda dos corpos - Movimento uniformemente acelerado

Suponha que uma part´ıcula esteja se movendo, de acordo com uma determinada lei, ao longo de uma reta. Se vocˆe imaginar que o movimento se d´a ao longo do eixo y, ent˜ao o movimento pode ser descrito por uma fun¸c˜ao s, isto ´e,

W.Bianchini, A.R.Santos

237

para cada tempo t do intervalo I, s(t) fornece a posi¸c˜ao da part´ıcula neste instante. Na figura a seguir, a part´ıcula se move durante o intervalo de tempo [t 1 , t 4 ]. Al´em disso, o movimento come¸ca em t = t 1 quando a part´ıcula est´a no ponto y = 1; no intervalo de tempo [t 1 , t 2 ], a part´ıcula se move do ponto y =1 at´e

o ponto y = 4; no intervalo [t 2 , t 3 ], a part´ıcula retrocede e muda da posi¸c˜ao y = 4 para y = -1; e no intervalo [t 3 , t 4 ],

a part´ıcula avan¸ca de y = 1 at´e y = 6.

6 4 1 t3 t1 t2 t4 –1
6
4
1
t3
t1
t2
t4
–1

A figura mostra o movimento restrito a um intervalo de tempo I = [t 1 , t 4 ] finito. Mais geralmente, a fun¸c˜ao s

pode ser definida num intervalo de tempo da forma I = [ t 1 , ) ou mesmo I = R = (−∞, ). Mas, na maioria das vezes, na Terra, os movimentos come¸cam em algum instante de tempo t 0 e terminam quando a part´ıcula se choca com alguma coisa ou por alguma outra raz˜ao, cessa de se movimentar de acordo com a lei dada. Como j´a vimos no Cap. 11, desde que a fun¸c˜ao s seja deriv´avel – o que ela usualmente ´e –, a velocidade da part´ıcula, em cada instante de tempo t, ´e dada pela derivada de s, isto ´e, v(t) = s (t). Desde que a fun¸c˜ao v seja deriv´avel, o que ela usualmente ´e, a acelera¸c˜ao da part´ıcula ´e dada, em cada instante de tempo t, pela derivada de v,

isto ´e, a(t) = v (t) ou a(t) = s (t). (Observe que para movimentos no plano ou no espa¸co a velocidade e a acelera¸c˜ao em um dado instante devem ser entendidas como quantidades vetoriais, isto ´e, como grandezas que tˆem, tamb´em, sentido e dire¸c˜ao. Somente para movimentos retil´ıneos podem ser descritos como fizemos acima, pois sobre uma reta

a dire¸c˜ao est´a definida e o sentido ´e determinado pelo sinal da velocidade.) H´a ainda uma quarta fun¸c˜ao associada ao movimento da part´ıcula que denotaremos por F . Essa fun¸c˜ao F

representa, em cada instante de tempo t, a resultante das for¸cas F (t) que agem sobre o corpo no instante t.

O objetivo deste projeto ´e descrever por meio de equa¸c˜oes matem´aticas o movimento de uma part´ıcula em queda

livre. Antes de podermos trabalhar matematicamente com este problema, precisamos estabelecer as hip´oteses f´ısicas

a serem consideradas.

A Segunda Lei de Newton afirma que a acelera¸c˜ao de um corpo em movimento ´e proporcional `a for¸ca dividida pela

massa do corpo, isto ´e,

(1)

a(t) = k 1 F(t)

m

(k 1 = constante)

Para um corpo caindo em queda livre (ou um proj´etil lan¸cado verticalmente para cima), a for¸ca ´e a resultante do peso (que atua para baixo) e a resistˆencia do ar (que atua no sentido contr´ario ao do movimento). Se a velocidade do corpo n˜ao ´e muito grande, a resistˆencia do ar pode ser desprezada. Assim, temos que

(2)

F (t) = P (t) < 0

(o peso ´e negativo porque “puxa” o objeto para baixo). “Obviamente” o peso n˜ao varia somente porque o tempo est´a passando, mas na realidade depende de y, isto ´e,

da altitude do corpo no qual a gravidade est´a agindo: quanto maior a altitude, menor a for¸ca com que a Terra atrai

o corpo. Por outro lado se a altitude n˜ao ´e muito grande, o peso pode ser considerado constante. Para todos os

fins pr´aticos, podemos considerar o peso de um objeto caindo em queda livre, pr´oximo `a superf´ıcie da Terra, como constante. Assim, temos

(3)

F (t) = k 2 < 0

(k 2 = constante).

Como j´a vimos que o peso ´e a resultante das for¸cas que atuam sobre a part´ıcula de (1) e (3), temos que

a(t) = k m < 0 para todo t, onde k 3 = k 1 k 2 .

Esta ultima´ equa¸c˜ao diz que para cada corpo caindo em queda livre existe uma constante que ´e igual a sua acelera¸c˜ao, independentemente do tempo que dure o movimento. Permanece, entretanto, uma quest˜ao fundamental: existe uma constante que descreve a acelera¸c˜ao de todos os corpos em queda livre, caso contr´ario a constante de acelera¸c˜ao depende de qual propriedade do corpo? Por muito tempo pensou-se que esta constante dependia da massa m do corpo, isto ´e, a lei que governa a queda de corpos pesados (balas de canh˜ao, por exemplo) deveria ser diferente da lei que governa a queda de corpos leves (por exemplo, bolas de pingue-pongue).

3

238

Cap. 17. Teorema do Valor M´edio

De fato, at´e a ´epoca de Galileu pensava-se que corpos pesados ca´ıssem mais depressa. A hist´oria conta que para provar a falsidade desta hip´otese Galileu apelou para a for¸ca bruta: deixou cair do alto da Torre de Pisa duas bolas de ferro de tamanhos diferentes provando, assim, que elas chegavam ao ch˜ao ao mesmo tempo. Esta constante, que independe da massa do corpo e que fornece a acelera¸c˜ao de qualquer objeto em queda livre, ´e chamada acelera¸c˜ao da gravidade e ´e denotada, usualmente, pela letra g. Se a distˆancia ´e medida em metros (m) e o tempo em segundos (s), numericamente, temos que g ´e aproximadamente igual a 10 m s 2 . Os resultados desta discuss˜ao podem ser resumidos da seguinte maneira:

Se a resistˆencia do ar puder ser desprezada e se considerarmos desprez´ıvel a varia¸c˜ao do peso devido `a altitude, a acelera¸c˜ao de um corpo em queda livre ´e dada pela equa¸c˜ao

a(t) = g,

onde g ´e uma constante e vale aproximadamente 10 m s 2 .

A discuss˜ao precedente serviu para tentarmos mostrar porque a afirma¸c˜ao acima, sob certas hip´otese razo´aveis, ´e

uma boa tradu¸c˜ao matem´atica para o problema em quest˜ao. N´os n˜ao provamos que esta afirma¸c˜ao ´e sempre correta

ou para que valores limites ela vale. Esta n˜ao ´e uma quest˜ao matem´atica, mas algo com que os f´ısicos se preocupam

e tentam corroborar por meio de experimentos.

A quest˜ao matem´atica que queremos resolver ´e a de encontrar fun¸c˜oes que satisfa¸cam a equa¸c˜ao

a(t) = f (t) = g

Esta equa¸c˜ao ´e um exemplo do que em matem´atica chamamos de equa¸c˜ao diferencial ordin´aria, porque estabelece

uma rela¸c˜ao entre a fun¸c˜ao e suas derivadas. Para resolver esta equa¸c˜ao ´e necess´ario encontrar a fun¸c˜ao f que satisfa¸ca

a rela¸c˜ao dada. Esta quest˜ao ´e adequadamente formulada no problema a seguir.

Problema

Ache a fun¸c˜ao s que satisfaz as seguintes propriedades:

(a)

s (t) = g para todo t.

(b)

s (0)

´e um dado n´umero v 0 .

(c)

s(0) ´e um dado n´umero s 0 .

Este problema pode ser interpretado em termos f´ısicos da seguinte maneira:

Conhecendo-se a acelera¸c˜ao da gravidade g, a velocidade inicial v 0 e a posi¸c˜ao inicial s 0 , determine a lei que governa o movimento de queda livre de um corpo, no v´acuo. Problemas envolvendo equa¸c˜oes diferenciais onde s˜ao conhecidos os valores da fun¸c˜ao e suas derivadas em um determinado ponto s˜ao conhecidos como problemas de valor inicial. Este problema pode ser generalizado como se segue:

Se I ´e um intervalo de tempo qualquer (finito ou infinito) e t 0 ´e um ponto qualquer de I, determine a fun¸c˜ao s que satisfaz as seguintes condi¸c˜oes:

(a)

s (t) = g para todo t.

(b)

s t 0 = v 0 .

(c)

st 0 = s 0 .

A solu¸c˜ao deste ultimo´

problema ´e exatamente igual `a do anterior.

1. Tendo em vista a discuss˜ao acima e usando o que vimos at´e agora sobre derivadas de fun¸c˜oes, resolva o problema proposto, isto ´e, determine a lei que governa a queda livre dos corpos.

2. Se vocˆe resolveu corretamente o item acima, em algum momento da dedu¸c˜ao deve ter usado uma conseq¨uˆencia importante do teorema do valor m´edio. Especifique que resultado foi e onde ele foi usado.

3. Em cada um dos ´ıtens a seguir ache a fun¸c˜ao desconhecida que satisfaz as condi¸c˜oes dadas. Em todos os ´ıtens,

item, entretanto,

exceto em um deles, as condi¸c˜oes dadas s˜ao suficientes para determinar a fun¸c˜ao. Nesse unico´

h´a infinitas possibilidades. Neste caso, tente determinar que tipo de fun¸c˜oes satisfazem as condi¸c˜oes dadas.

(a)

f (t) = 3 t + 4, f (0) = 4

(c)

f (t) = 1, f (0) = 2, f (0) = 3

(b)

f (x) = x 3 7 x + 5, f (0) = 1

(d)

f (x) = 3 x 2 , f (1) = 0

W.Bianchini, A.R.Santos

239

(a)

Um proj´etil ´e lan¸cado verticalmente para cima, da superf´ıcie da Terra, num tempo t = 0, com velocidade inicial de 3 m/s. Quando ele atingir´a o solo novamente? Para que intervalo de tempo o movimento ´e descrito pela condi¸c˜ao a(t) = g?

(b)

Um proj´etil ´e lan¸cado verticalmente para cima e atinge o solo 10 segundos mais tarde. velocidade inicial?

Qual era a sua

(c)

Uma bola de bilhar ´e deixada cair do alto de um edif´ıcio e atinge o solo 10 segundos mais tarde. Qual ´e a altura do edif´ıcio?

(d)

Queda livre perto da superf´ıcie da Lua funciona da mesma maneira que queda livre perto da superf´ıcie da Terra, exceto pela acelera¸c˜ao da gravidade g L , que ´e diferente por causa da massa menor da Lua. Suponha que vocˆe est´a na Lua e deixa cair uma bola de bilhar, descobrindo, ent˜ao, que a bola cai 1 metro, no primeiro segundo. O que vocˆe pode concluir a respeito de g L ?