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AULA 13

DIREITO DAS SUCESSÕES

SUCESSÃO EM GERAL:

LEGÍTIMA E TESTAMENTÁRIA

INTRODUÇÃO

Meus Amigos e Alunos. Esta é a nossa última aula. Trata-se da etapa

nas primeiras aulas falamos sobre a

Parte Geral do Código Civil (Pessoas, Bens e Fatos/Atos Jurídicos). Passamos então pelo Direito das Obrigações, a Parte Geral dos Contratos e os Contratos em Espécie. Depois ingressamos Direito das Coisas. Foram duas aulas sobre este importante e extenso tema. Na aula passada vimos o Direito de Família e

hoje veremos o Direito das Sucessões, elencado no Livro V da Parte Especial do Código Civil.

Na aula de hoje vamos falar sobre as Espécies de Sucessão (Legítima e Testamentária). Com esta aula completamos todo o programa de Direito Civil que é visto em uma Faculdade de Direito. Após a aula de hoje vocês terão uma visão completa do Direito Civil. Agora é ficar atento aos editais. Cada vez

que um edital for publicado, verifiquem item por item do mesmo, cotejando com

o conteúdo de nossas aulas. Como estas aulas formam um curso completo, vá

eliminado do centro do estudo, aquilo que o edital não se refere (“o que não está no edital não está no mundo”).

final de nossos estudos. Recapitulando

Mais uma vez, aproveito a oportunidade para enviar a todos um grande abraço, como se eu estivesse aí com vocês, e um grande beijo no coração. Mais uma vez desejo tudo de bom para vocês. Muitas ALEGRIAS e SUCESSO nesta empreitada que vocês se propuseram.

Alguns Avisos Importantes: o Direito de Sucessões (assim como o

Direito de Família) mudou muito do Código Civil anterior para o atual. Muita coisa, mas muita coisa mesmo mudou. Portanto cuidado ao estudar por algum

livro antigo

como já disse, nossas aulas estão totalmente atualizadas, inclusive quanto aos exercícios. Todos eles estão de acordo com o novo Código Civil, bem como com

estão todos superados. Mas

ou fazer algum exercício antigo

a legislação complementar sobre o tema. Sempre que uma lei nova altera algo

da matéria, faço uma revisão geral das aulas. E em especial nos testes, para

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que fiquem de acordo com as novas disposições legais. Outra coisa: este tema ficou agora mais complexo. Não diria difícil. Ficou complexo. Principalmente em relação aos direitos do cônjuge sobrevivente e do convivente (união estável). Darei muitos exemplos em aula. Mas é interessante que todos observem os exemplos com lápis e papel na mão, para poder acompanhar melhor a sequência do raciocínio, principalmente quanto à divisão dos bens. Finalmente:

Como sabemos, a presente aula foi dirigida para exames e concursos públicos. Mas eu diria que ela pode ajudar a esclarecer casos particulares que algum aluno possa ter em sua família ou com algum amigo. Por isso ela é muito interessante e atual. Tenho certeza que muitos alunos vão se identificar com alguns exemplos dados nesta aula e terão esclarecidas muitas dúvidas pessoais sobre o assunto. Mas cuidado para não se dispersar em detalhes que não têm importância para concursos.

COMECEMOS ENTÃO

CONCEITO

Sucessão, de uma forma geral, significa transmissão de direitos e/ou encargos respeitando-se determinadas normas (do latim sucedere = uns depois dos outros). Na sucessão em geral uma pessoa assume o lugar de outra, substituindo-a na titularidade de determinadas situações. Esta transmissão pode se dar entre pessoas vivas (inter vivos) ou quando houver o falecimento de alguém (causa mortis). No entanto, quando se fala em Direito das Sucessões estamos nos referindo à transmissão em sentido estrito, ou seja, decorrente do fator morte. Daí Sucessão hereditária. Isto é, todas as regras que disciplinam as consequências derivadas do falecimento de certa pessoa, seja quanto a seu patrimônio, seja quanto a outros fatos ligados ao evento. O Direito Sucessório remonta à antiguidade, sempre ligado à ideia de continuidade da religião e da família. Em Roma antiga o culto dos antepassados se dava diante do altar doméstico e não havia castigo maior do que falecer sem deixar alguém que lhe cultuasse a memória, de modo a ficar seu túmulo abandonado.

Pela atual legislação podemos conceituar o Direito das Sucessões como sendo o conjunto de normas que disciplinam a transferência do patrimônio (ativo e passivo – ou seja, créditos e débitos) de alguém, depois de sua morte, em virtude de lei (sucessão legítima) ou disposição de última vontade (testamentária). Está regulado nos arts. 1.784 até 2.027 do Código Civil. Além disso, o Código de Processo Civil também apresenta regas referentes ao inventário e à partilha (arts. 982 até 1.045, CPC). E lembrem-se que a Constituição Federal assegura o Direito de Herança (art. 5 o , XXX); trata-se, portanto, de uma garantia constitucional. E o seu fundamento repousa na propriedade, conjugada ou não com o Direito de Família (art. 5 o , XXII, CF).

CONTEÚDO

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Pelo nosso atual Código Civil podemos dividir o Direito das Sucessões em quatro partes:

Sucessão em Geral (arts. 1.784/1.828, CC) – trata das regras gerais

aplicáveis a todas as espécies de sucessões, para que possamos aplicar os demais dispositivos (ex: momento de abertura da sucessão, capacidade para suceder, aceitação e renúncia da herança, etc.).

Sucessão Legítima (arts. 1.729/1.756, CC) – é a hipótese mais

comum em nossa vida prática; ocorre quando a pessoa morre sem deixar um

testamento ou quando este é julgado nulo ou ineficaz.

Sucessão Testamentária (arts. 1.757/1.990, CC) – é a transmissão segundo a manifestação de última vontade do falecido.

Inventário e Partilha (arts. 1.991/2.027, CC) – esta parte envolve

questões processuais que devem ser analisadas em conjunto com o Código de Processo Civil.

Após esta visão geral da matéria que iremos estudar, vamos, de uma forma lógica e sequencial, desenvolver e analisar cada um destes tópicos isoladamente.

ABERTURA DA SUCESSÃO – REGRAS

A Abertura da Sucessão se dá no momento da constatação da morte

comprovada do “de cujus”. Esta é uma expressão latina abreviada da frase ‘de cujus successione agitur’ ou de cujus hereditatis agitur’ – ou seja, aquele de cuja sucessão se trata. O “de cujus” também é chamado de: autor da herança (mais comum), sucedendo, falecido, antecessor, inventariado ou finado. Nesta aula vamos usar muito a expressão de cujuspara nos referirmos à pessoa

que faleceu. Já a Lei de Introdução ao Código Civil (vejam o seu art. 10) usa a expressão “defunto” (pessoalmente - não sei explicar o porquê - costumo evitar

mas

tecnicamente defunto não está errado).

O momento da morte precisa ser devidamente comprovado. No plano

biológico, pelos recursos empregados na medicina legal. No plano jurídico, pela certidão passada pelo oficial do Registro Civil. A fixação deste momento é muito importante, pois é a partir dele que se estabelece a abertura da sucessão, suas regras, a transmissão da herança aos herdeiros legítimos e testamentários, bem como se verifica a capacidade para suceder. No dizer de Caio Mário “este é o fator genético da aquisição do direito pelos herdeiros”, pois não existe herança de pessoa viva (viventis nulla hereditas). Neste sentido, os pactos sucessórios são proibidos (reparem que o art. 426, CC proíbe ser objeto de contrato a herança de pessoa viva), tratando-se de uma norma de ordem pública.

esta expressão

defunto

não me soa bem

prefiro falar em de cujus

Antes da morte biológica comprovada ou da morte presumida (com ou sem declaração de ausência) não há direito à herança, mas somente uma expectativa de recebê-la. Opera-se o direito somente com a morte.

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Uma pessoa faleceu em determinado momento, mas o inventário somente foi aberto posteriormente. Que lei deve se aplicada? Resposta: – A vigente no momento da abertura da sucessão, ou seja, a vigente no momento da morte do de cujus. Exemplo: Uma pessoa faleceu em meados de dezembro de 2002. Porém o processo de inventário somente foi aberto em fevereiro de 2.003 (quando o novo Código Civil já estava vigorando). Neste caso a sucessão será regulada pelo Código anterior (de 1916), pois era esta a lei vigente ao tempo da morte. É isto o que determina o art. 1.787, CC. Portanto não devemos confundir abertura da sucessão (que se dá com a morte do de cujus) com abertura do inventário (que se dá quando se ingressa com o processo, a ação judicial propriamente dita).

O Princípio Básico do Direito das Sucessões é conhecido como Droit de Saisine (trata-se de uma expressão francesa, que pronunciamos “druá dê cesíni”). Saisine em francês significa posse de bens; deriva do verbo saisir, que significa agarrar, prender, apoderar-se.

Trata-se do direito de posse imediata (também chamado de “saesina juris”), ou seja, transmite-se automaticamente e imediatamente o domínio e a posse da herança aos herdeiros legítimos e testamentários do de cujus, sem solução de continuidade (ou seja, sem interrupção) e ainda que estes (os herdeiros) ignorem tal fato. Trata-se da denominada posse indireta (a posse direta cabe a um administrador provisório). Na prática não necessita de qualquer outro ato. No entanto, para se estabelecer a exata divisão dos bens, deve-se proceder a um inventário (do qual falaremos mais adiante, ao final desta aula, em tópico autônomo). Por meio deste processo, onde se efetua a descrição dos bens da herança, iremos verificar o que exatamente foi deixado pelo de cujus e o que será transmitido para os seus herdeiros. No entanto a lei autoriza que os herdeiros do de cujus podem defender a posse dos bens da herança, através de medidas protetivas, independentemente de abertura de inventário.

Embora em uma aula preparatória para concursos públicos devemos evitar as inúmeras citações de autores, ou fazer comparações com o direito de outros países, ou mesmo fornecer a origem histórica de todos os institutos, penso que aqui cabe uma exceção. Trata-se de uma importante curiosidade cultural. O Princípio da Saisine surgiu na Idade Média como uma reação ao sistema do regime feudal. Todas as terras pertenciam a um senhor feudal. E este as arrendava a seus servos. Com a morte destes, a terra devia ser devolvida ao senhor e os herdeiros do falecido deveriam pedir a imissão na posse. Mas com isso deveria-se pagar mais uma “contribuição” (ou seja, um imposto). Para se evitar este pagamento, passou-se a adotar a ficção de que o falecido havia transmitido, no momento de sua morte, a posse de todos os seus bens e direitos a seus herdeiros. Assim, os sucessores tomavam posse dos bens sem qualquer formalidade (le serf mort saisit le vif, son hoir de plus proche – o servo morto transmite a posse ao vivo, por ser seu herdeiro mais próximo). O Brasil acolheu tal princípio no art. 1.784, CC:

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Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários.

Só se abre sucessão se o herdeiro sobrevive ao de cujus. Sobrevivendo, ainda que por um só instante, herda os bens por ele deixados e os transmite aos seus sucessores, mesmo que faleça logo em seguida. Daí a importância de se nascer com vida, como vimos no início de nosso curso. No entanto há a necessidade de apuração da capacidade sucessória, conforme veremos adiante.

Comoriência – Presunção de simultaneidade de óbitos - art. 8 o , CC: “Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos”. A presunção é relativa (juris tantum), pois admite prova em contrário. A regra é que um não herda do ao outro. Recomendo que façam uma recordação desta matéria na Aula sobre as Pessoas Naturais.

ESPÉCIES DE SUCESSÃO

Podemos classificar a sucessão em:

Legítima (ou ab intestato) decorre da lei; morrendo uma pessoa sem testamento, transmite-se a herança aos herdeiros legítimos indicados pela lei, conforme veremos mais adiante. Também será legítima se o testamento for declarado nulo ou caducar. Esta última expressão será muito usada na aula de hoje. Por isso vamos defini-la agora, com as palavras de Sílvio Rodrigues, como sendo “a perda, por razão superveniente, da razão de existir de um ato determinado, que foi feito de maneira válida”. Exemplo: testador deixa parte de seus bens para “A”; no entanto este falece antes do testador o testamento caducou.

Testamentária

ocorre

por

disposição

de

última

vontade

(testamento). Havendo herdeiros necessários (descendentes, ascendentes ou cônjuge sobrevivente), o testador só poderá dispor de metade da herança (art. 1.789, CC). A outra metade constitui a “legítima”, que é assegurada aos herdeiros necessários (alguns autores chamam a legítima de “quota reservatária”). Não havendo esta categoria de herdeiros, a pessoa poderá deixar todos seus bens por testamento livremente. Neste caso ela terá plena liberdade para testar. Se o de cujus for casado sob o regime da comunhão universal de bens (art. 1.667, CC) o patrimônio do casal será dividido em duas meações e a pessoa só poderá dispor da sua meação. Explicaremos isto melhor mais adiante. Observem também que havendo herdeiros necessários, a sucessão poderá ser mista: uma parte por sucessão testamentária e a outra parte por sucessão legítima.

Como já sabemos, nosso ordenamento proíbe qualquer outra forma de sucessão, especialmente a contratual. São proibidos os

pactos sucessórios, não podendo ser objeto de contrato a herança de

pessoa viva (art. 426, CC – chamamos isso de pacta corvina

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“acordo do corvo”). No entanto admite-se a cessão de direitos, como veremos mais adiante.

A título universal o herdeiro é chamado para suceder a totalidade da herança ou a fração ideal (parte) dela, assumindo também a responsabilidade relativamente ao passivo. Pode ocorrer tanto na sucessão legítima como na testamentária.

A título singular o testador deixa ao beneficiário uma coisa ou um direito certo e determinado (legado). Neste caso o herdeiro não responde por eventuais dívidas da herança.

O herdeiro sucede a título universal. Já o legatário (veremos melhor esta expressão mais adiante) sucede a título singular.

HERANÇA

O objeto da sucessão causa mortis (em razão da morte) é a herança.

Com a abertura da sucessão (morte do autor da herança), transfere-se o conjunto patrimonial do de cujus, aos seus herdeiros. Estes se sub-rogam nas relações jurídicas do morto. Lembrando que as relações personalíssimas não se transmitem e se extinguem com a morte.

A herança também é chamada de: espólio, monte, massa ou acervo hereditário. Trata-se do conjunto patrimonial transmitido causa mortis, por isso ela se constitui em uma universalidade (de direito) de bens sem personalidade jurídica (a doutrina costuma usar a seguinte expressão para se referir a ela: “entidade de personalidade anômala”).

Trata-se de um patrimônio único (ficção da lei) até que se efetue a partilha. É o conjunto de direitos (trata-se da parte ativa, dos bens, dos créditos, etc.) e obrigações (trata-se da parte passiva, das dívidas, etc.), representado pelo inventariante, até a homologação da partilha. Para os efeitos legais a sucessão aberta é tida como um bem imóvel (art. 80, II, CC), ainda que composta exclusivamente de bens móveis. Lembrem-se que existem direitos que não são transmitidos pela sucessão (como os direitos personalíssimos, o usufruto, etc.). No tocante às dívidas, os herdeiros só respondem até os limites da herança.

A herança, considerada abstratamente, é indivisível (art. 1.791, caput e

parágrafo único, CC). Trata-se, portanto, de um “condomínio forçado”, que somente é dissolvido com a sentença de partilha. Por isso qualquer um dos herdeiros poderá reclamar a herança das mãos de quem injustamente possua. Cada coerdeiro possui uma parte ideal da herança, exercendo os mesmo direitos sobre o patrimônio do falecido. Após a partilha os herdeiros podem manter ou não eventual indivisibilidade (passa a ser um condomínio voluntário).

O coerdeiro não pode vender ou hipotecar parte determinada de coisa

comum ao espólio, mas pode ceder os direitos hereditários concernentes à sua parte ideal (veremos isso melhor adiante). No entanto é necessária a prévia

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autorização do Juiz da sucessão (art. 1.793, §3°, CC). Além disso, os demais coerdeiros possuem direito de preferência.

TRANSMISSÃO DA HERANÇA

Momento – como vimos, a transmissão ocorre com a abertura da sucessão, ou seja, na data da morte física do de cujus (fixação do dia e hora na certidão de óbito). É evidente que estamos falando da morte da pessoa natural (ser humano) que tenha nascido com vida e não da pessoa jurídica. É a partir deste momento que passa existir herança e esta se transfere, mesmo que de forma abstrata, aos herdeiros. Estes, ainda que não o saibam, já se tornam “donos” da herança, podendo defender estes bens como se sempre tivessem sido proprietários. A doutrina costuma citar três fases distintas: a) abertura da sucessão (morte do autor da herança); b) delação (que é o momento em que se oferece o acervo aos herdeiros, operando-se juntamente com a fase anterior); c) aceitação (o fato jurídico do ingresso dos bens no patrimônio dos herdeiros). Assim, a aquisição da herança não se dá quando da abertura do processo de inventário, nem quando o Juiz homologa a partilha de bens, e nem quando o respectivo formal é levado a registro, mas sim no momento da morte (lembrem-se:

Princípio da Saisine).

Lugar (art. 1.785, CC) – é o último domicílio do falecido. É neste local que deve ser proposto o processo de inventário. Na falta de domicílio certo será o da situação dos bens ou do lugar do óbito. Se o falecido tinha mais de um domicílio, o inventário será feito em qualquer deles. O prazo é de 30 dias a contar da morte do de cujus. Neste tópico as regras do Direito Civil devem ser completadas com as normas processuais (art. 96, do Código de Processo Civil).

Inventariança – é um munus público, submetido ao controle e fiscalização judicial, sendo função auxiliar da justiça. O inventariante é a pessoa nomeada pelo Juiz a quem cabe a administração e a representação da herança. Há uma ordem para sua nomeação, prevista no art. 990, do Código de Processo Civil: cônjuge sobrevivente casado sob o regime da comunhão, herdeiro que se ache na posse do espólio, ou qualquer outro herdeiro. Pode ser até um estranho à sucessão, desde que tenha a confiança do Juiz.

Regras

a) na sucessão legítima são chamadas a suceder as pessoas já nascidas e as já concebidas no momento da abertura da sucessão.

b) na sucessão testamentária, ainda podem ser nomeados como herdeiros ou legatários: os filhos, ainda que não concebidos, de pessoas indicadas pelo testador (prole eventual), desde que vivas estas quando da abertura da sucessão; pessoas jurídicas; pessoas jurídicas cuja organização for determinada pelo testador, sob forma de fundação, etc.

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CAPACIDADE SUCESSÓRIA

Capacidade (ou legitimação) sucessória é a capacidade da pessoa para receber os bens deixados pelo de cujus no tempo da abertura da sucessão (art. 1.787, CC). Não confundir com a capacidade civil. Uma pessoa menor de 16 anos é absolutamente incapaz de praticar pessoalmente os atos da vida civil (art. 3 o , CC); no entanto pode ter capacidade sucessória.

São pressupostos para haver capacidade sucessória: morte do autor da herança, sobrevivência do sucessor (observada a capacidade sucessória do nascituro) e herdeiro humano. A pessoa jurídica de direito privado não herda ab intestato (sem testamento), mas tem capacidade para suceder por testamento (art. 1.799, I, do CC).

O nascituro (aquele que está para nascer – revejam a matéria na aula

referente a Pessoas Físicas ou Naturais), apesar de ainda não ser pessoa física, tem direito à herança. Ele tem uma expectativa de vida, portanto também tem expectativa de direitos, que estão em estado potencial, sob condição suspensiva; só terá eficácia se nascer com vida. Se isso ocorrer adquire a posse e a propriedade da herança, como se já houvesse nascido desde o momento da abertura da sucessão. Se nascer morto, deve ser considerado “como se nunca tivesse existido” (e, juridicamente, não existiu mesmo). Durante a gravidez pode ser nomeado um curador para zelar por seus interesses (é chamado de “curador ao ventre” – normalmente a curatela é exercida pela própria mãe). Mesmo que a mãe faleça antes do nascimento da criança, esta terá legitimidade sucessória.

É possível a sucessão condicional, subordinada a um evento futuro e

incerto (prole eventual), desde que tenha sido feita por disposição testamentária.

e

testamentários. Vejamos cada uma dessas classificações:

A) Legítimos são aqueles que recebem uma herança de acordo com uma ordem preferencial disposta pela lei (sucessão legítima). Podem ser necessários ou facultativos (art. 1.829, CC). Analisaremos esta ordem, uma a uma, com detalhes, logo adiante.

B) Testamentários são os que foram contemplados ou nomeados por um testamento, ainda que não façam parte do rol do art. 1.829, CC. Pode ser a título universal (herdeiro – quando recebe uma parte da totalidade da herança) ou a título singular (legatário – quando recebe um ou vários bens determinados – veremos isso mais adiante também). Portanto, uma pessoa sem qualquer relação de parentesco com o de cujus pode ser instituída como herdeiro testamentário.

C) Necessários são aqueles em que a lei lhes assegura uma quota certa do monte hereditário. Pela atual legislação são os descendentes (filhos, netos, bisnetos, etc.), os ascendentes (pais, avós, bisavós, etc.) e o cônjuge sobrevivente (art. 1.845, CC). Os herdeiros necessários também são

Os

herdeiros

podem

ser

classificados

em

legítimos,

necessários

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chamados de herdeiros legitimários ou reservatários. Receberão, necessariamente, pelo menos a metade dos bens do de cujus com preferência

excludente para os primeiros (ou seja, se houver descendentes e ascendentes,

os primeiros excluem os segundos – veremos isso melhor adiante). Essa metade

destinada aos herdeiros necessários é chamada de legítima (ou quota reservatária). A lei assegura aos herdeiros necessários o direito à legítima, ou seja, a metade dos bens do testador (salvo se ocorrer a indignidade ou a deserdação). A outra parte, denominada parte disponível, pode ser deixada livremente pelo testador. Se não houver descendentes, ascendentes ou cônjuge

o testador pode transmitir todo o seu patrimônio livremente. Os demais

herdeiros podem ser excluídos da sucessão, sem maiores formalidades. Basta dispor do patrimônio sem contemplá-los. Já os herdeiros necessários podem ser declarados indignos e também deserdados (também veremos isso melhor logo adiante).

Indaga-se: um herdeiro necessário só pode receber a legítima? Ou pode ser contemplado também com a parte disponível? Pelo art. 1.849, CC um herdeiro necessário poderá receber a parte disponível, sem prejuízo de sua parte na legítima.

Cálculo para a Legítima e a Parte Disponível – para este cálculo devemos observar a seguintes regras referentes à pessoa que faleceu:

1) Inicialmente indagamos se o de cujus era casado. Se a resposta for positiva e dependendo do regime de bens que vigorava entre o casal, devemos separar a meação. Lembrem-se que a meação se refere ao Direito de Família (aula anterior) e não ao Direito das Sucessões.

Recordando: Na meação o fato gerador é o casamento. Leva-se em consideração a escolha do regime de bens, mais a aquisição dos bens. Os bens

já pertencem ao cônjuge. Por isso a meação pode ser pedida em vida, com a

separação judicial ou o divórcio. Na herança o fato gerador é a morte. Os bens

pertenciam ao autor da herança. A herança só pode ser pedida após a morte.

Uma pessoa pode ser herdeira e meeira ao mesmo tempo? Sobre o tema forneço, mais abaixo, uma tabela muito interessante analisando os Regimes de Bens e os eventuais Direitos de Meação, Herança e Direito Real de Habitação. Esta tabela será de grande valia. Principalmente para não confundir herança com meação. Como já sabemos, a meação não entra na sucessão, pois o cônjuge já tem esse direito, mesmo antes da morte do de cujus. Vejamos algumas situações:

a) O de cujus, casado sob o regime da comunhão universal, tinha um

patrimônio de 100. Meação do cônjuge sobrevivente 50. Herança do de cujus

a ser partilhada 50.

b) O de cujus, casado

sob o regime da comunhão parcial, tinha um

patrimônio de 100, sendo que todos os bens foram adquiridos na constância da sociedade conjugal – situação idêntica acima.

c) O de cujus tinha um patrimônio de 100; era casado sob o regime da

comunhão parcial, sendo que 20 foi adquirido quando solteiro e 80 durante a

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sociedade conjugal. Meação do cônjuge sobrevivente 40 (metade de 80). Herança do de cujus a ser partilhada 60 (40+20).

d) O de cujus tinha um patrimônio de 100; era casado sob o regime da separação total de bens. Herança do de cujus a ser partilhada 100 (não há meação).

2) Separada a meação (se for o caso), devemos abater do monte as dívidas do de cujus e as despesas funerárias, que são chamadas de passivo da herança.

3) A parte que sobrou é a herança propriamente dita. Mas ainda devemos fazer outro procedimento: dividir este valor ao meio. Metade chamamos de legítima (que necessariamente deve pertencer aos herdeiros necessários, salvo se ocorrer uma deserdação, etc.). E a outra metade chamamos de parte disponível. Exemplo: Vamos aproveitar a situação “a” acima. Patrimônio de 100: meação de 50 e herança de 50. Se a pessoa quiser elaborar um testamento, somente poderá dispor de 25 (metade da herança), pois a outra parte (legítima) será dos herdeiros necessários (se houver).

Redução das Disposições Testamentárias – se a quota disponível deixada a terceiros ultrapassar o limite de 50%, afetando a legítima, poderão os herdeiros necessários, por meio de ação própria, pleitear a redução das disposições testamentárias e das doações feitas em vida. Chamamos de doações inoficiosas as doações que à época de sua feitura excederam a metade dos bens do testador, sendo nula apenas a parte que excedeu. Observem: não se anula o testamento ou a doação, mas procede-se a uma transferência de bens da quota disponível para a legítima, reintegrando-se o que foi desfalcado. Ou seja, haverá um reequilíbrio das doações testamentárias. Isto será feito por meio da colação, que também veremos mais adiante.

É interessante frisar que em relação às doações, o cálculo deve ser realizado tendo-se em vista o momento da liberalidade. Exemplo: digamos que uma pessoa seja muito rica, possuindo 20 imóveis e por isso resolve doar um destes para uma amiga. No decorrer da vida, por algum motivo qualquer, acabou perdendo toda a sua fortuna. Quando se abre a sucessão nota-se a doação, mas neste caso a doação foi válida, pois na ocasião da doação foi respeitada a parte disponível.

A doutrina suscita um problema: Qual o momento para se propor a Ação de Redução? A resposta é controvertida! Não há uma disposição expressa na lei! Por isso, parece-me que a posição adotada por Sílvio Rodrigues é a mais coerente. Vejamos. Inicialmente ele distingue a ação de redução das doações inoficiosas, da ação de redução das disposições testamentárias (ou seja:

devemos diferenciar doação e testamento). No caso de redução da liberalidade testamentária excessiva a ação somente pode ser proposta após a abertura da sucessão, uma vez que somente neste instante o testamento é suscetível de ser cumprido. No entanto, em caso de doação inoficiosa (liberalidade feita em vida), a ação pode (e deve) ser proposta desde logo, prescrevendo em 04 (quatro) anos o direito do autor ajuizá-la.

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INDIGNIDADE (arts. 1.814/1.818, CC)

Trata-se de uma espécie de incapacidade sucessória que priva uma pessoa de receber a herança. A pessoa é afastada, destituída da herança, por não ser digna de recebê-la, por ter se portado mal em relação ao falecido. A indignidade, na verdade é uma pena (ou sanção) civil, criada pelo legislador, atingindo os herdeiros necessários, os legítimos e os testamentários.

Fundamenta-se esta pena em dois aspectos: a) subjetivo – presume-se que o falecido não gostaria que seu patrimônio fosse transferido para quem o tenha ofendido; b) objetivo – a indignidade ofende princípios referentes à ordem pública, amparada pelo interesse social.

será

representado por seus sucessores, como se morto fosse.

O art. 1.814, CC enumera três hipóteses taxativas (numerus clausus) de

indignidade. Somente estes casos previstos na lei autorizam a exclusão. Assim, são excluídos por indignidade os herdeiros ou legatários que:

A

pena de

indignidade

só alcança

o

indigno, sendo que

ele

a) foram autores, coautores ou partícipes em crime de homicídio doloso (quando há a intenção de matar), tentado ou consumado, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente. Não é hipótese de indignidade o homicídio culposo (quando não há a intenção de matar, mas o evento morte ocorre por imprudência, negligência ou imperícia). Dispensa-se a prévia condenação, mas é imprescindível prova irrefutável do evento.

b) acusaram caluniosamente em juízo o autor da herança (trata-se do crime de denunciação caluniosa, previsto no art. 339, do Código Penal – crime contra a administração da justiça), ou incorreram em crime contra a honra (calúnia, difamação e injúria – arts. 138, 139 e 140, do Código Penal), contra o autor da herança ou de seu cônjuge ou companheira(o).

c) empregaram violência ou meios fraudulentos, inibindo ou obstando o autor da herança de livremente dispor dos seus bens por ato de última vontade – visa preservar a liberdade de testar.

É importante notar que os efeitos da indignidade são pessoais. Portanto

não podem passar da pessoa do indigno. Isto quer dizer que se o indigno tiver herdeiros, estes receberão a herança como se o indigno fosse falecido (trata-se do direito de representação). Assim, uma vez declarada a indignidade, afasta-se apenas indigno da sucessão. Porém os sucessores do indigno não são afastados.

Exemplo: A possui dois filhos (B e C) e um acervo hereditário de 100. Digamos que A declare C como indigno. C possui dois filhos. Quando A falecer sua herança será dividida em duas partes. A primeira (50) irá para B. A outra iria para o outro filho, C. Mas como este foi declarado indigno, a herança irá para os filhos de C (que são netos de A: 25 para cada). Assim, para a sucessão

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de A, é como se C (declarado indigno) estivesse morto, mas os herdeiros do indigno recebem o acervo.

Chamamos de bens ereptícios os bens que o indigno deixou de receber (do latim ereptus eripire = tirar, tomar). A princípio a pessoa herda e retém os bens (saisine); julgada a indignidade os bens são tomados do herdeiro que se declara indigno. Em relação a estes bens o indigno não terá direito ao usufruto nem à administração dos bens que seus filhos menores herdaram. E mais: o indigno não poderá suceder quanto a estes bens. Exemplo: uma pessoa foi considerada indigna; os bens irão para seu filho; este falece algum tempo depois; os bens não podem retornar ao indigno.

É interessante acrescentar que se o indigno era herdeiro testamentário ou legatário, os seus herdeiros (do indigno) nada receberão (não há direito de representação em testamento), sendo que o bem retorna ao monte para ser partilhado entre os herdeiros legítimos.

A exclusão do herdeiro, ou legatário, em qualquer desses casos de indignidade, será declarada por sentença judicial em ação ordinária autônoma (não pode ser declarada de forma incidental no inventário), movida por quem tenha interesse na sucessão (art. 1.815, CC). O Ministério Público não pode ingressar com esta ação. O prazo é de 04 (quatro) anos, sob pena de decadência, contados da abertura da sucessão. Os efeitos da sentença declaratória de indignidade retroagem (ex tunc) à data da abertura da sucessão, considerando o indigno como pré-morto ao de cujus. O efeito principal da indignidade é que o indigno deve devolver o que recebeu, tendo direito apenas à indenização pela sua conservação.

Reabilitação – O art. 1.818, CC permite ao ofendido reabilitar o indigno, desde que o faça de forma expressa (não há perdão tácito) em testamento ou outro documento autêntico (ex: escritura pública). Esta reabilitação, na verdade, trata-se do perdão fornecido ao indigno.

Importante - Não confundir

a) Incapacidade e Indignidade – No primeiro caso ocorre a falta de aptidão de uma pessoa para adquirir direitos; no segundo caso a perda desta aptidão ocorre por culpa do próprio beneficiário.

b) Indignidade e Deserdação – Veremos isso mais adiante.

ACEITAÇÃO E RENÚNCIA DA HERANÇA – arts. 1.804 a 1.812, CC

A) ACEITAÇÃO OU ADIÇÃO

Ninguém pode ser herdeiro contra a vontade. Portanto, após a abertura da sucessão é feita a delação, que é o oferecimento da herança. Aceitação é o ato jurídico unilateral pelo qual o herdeiro (legítimo ou testamentário) manifesta livremente o desejo de receber a herança que lhe é transmitida. A aceitação

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consolida os direitos do herdeiro, tornando-se definitiva a transmissão dos bens, desde a abertura da sucessão (art. 1.804, CC). Na realidade não se pode afirmar que o momento da aquisição do patrimônio se verifica com a aceitação. A aquisição se dá no momento da abertura da sucessão (é automática). Já a aceitação é a confirmação da aquisição. Isto porque os “direitos da herança” não nascem com a aceitação, mas sim retroagem à data da morte. A aceitação produz um efeito retro-operante, encerrando a situação de pendência criada com a abertura da sucessão.

Com a aceitação o herdeiro está assumindo também os encargos do de cujus. Ou seja, para receber a parte ativa (o crédito), o herdeiro deve pagar o passivo (as dívidas). No entanto isso somente ocorre até o limite das forças da herança. Porém, nada impede que o herdeiro assuma todos os débitos do falecido, ainda que superiores ao acervo hereditário.

A aceitação é indivisível e incondicional porque não se pode aceitar ou renunciar a herança em parte. A aceitação também não pode ser feita sob condição ou a termo. Isto para se preservar a segurança nas relações jurídicas. Ela deve ser pura e simples. Também não pode haver retratação da aceitação da herança. No entanto pode ser anulada e revogada, se após a sua ocorrência se verificar que o aceitante não era herdeiro.

Podemos classificar a aceitação da seguinte forma (art. 1.805, CC):

Expressa – é aquela em que há uma declaração escrita, pública ou particular neste sentido (na prática é raro).

Tácita – é aquela que ocorre quando se praticam atos compatíveis com a aceitação da qualidade de herdeiro (ex: cobrança de dívidas referentes ao espólio, pagamento de impostos atrasados, fazer-se representar por advogado no processo de inventário, etc.).

Presumida – é aquela em que o herdeiro permanece silente, depois que

é notificado para que declare se aceita ou não a herança (o seu silêncio,

a sua omissão é interpretada como uma forma de aceitação).

Observação – Há atos que embora praticados pelo herdeiro não revelam a intenção de aceitar a herança como os atos meramente conservatórios, o funeral do de cujus, a guarda provisória dos bens e a cessão gratuita da herança aos demais coerdeiros (art. 1.805, §§1 o e 2 o , CC).

B) RENÚNCIA DA HERANÇA

Como vimos, uma pessoa não é obrigada a receber a herança, podendo repudiar o que está sendo transmitido. Assim a renúncia consiste no ato jurídico unilateral pelo qual o herdeiro declara expressamente que não aceita a herança a que tem direito, abrindo mão de sua titularidade. Trata-se de um ato solene, devendo ser feito por escritura pública (perante o tabelião) ou por termo nos autos (perante o Juiz).

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Se o herdeiro “renunciar em favor de outrem”, isto não se configura em uma renúncia propriamente dita. Na verdade trata-se de uma aceitação com uma imediata transmissão dos bens, havendo a incidência de tributação causa mortis e também inter vivos. Esta hipótese também é chamada de renúncia translativa. A renúncia válida e correta como tal é a abdicativa, isto é, a cessão gratuita, pura e simples, sem indicar quem irá substituí-lo, ficando os bens para quem a lei (sucessão legítima) ou o próprio de cujus determinar (no caso de ter sido nomeado um substituto).

Requisitos da Renúncia

Capacidade jurídica do renunciante. Os incapazes não podem renunciar, senão por seu representante legal, devidamente autorizado pelo Juiz. Entende-se que pode ser feita por mandatário com poderes especiais e expressos para isso.

Forma solene prescrita em lei; sempre por escrito (escritura pública ou ato judicial); não existe a renúncia tácita nem a presumida. Não é necessária a homologação judicial da renúncia.

Impossibilidade de repúdio parcial da herança. Como a herança é indivisível até a partilha, a renúncia (ou a aceitação) também será indivisível: ou se renuncia tudo ou se aceita tudo.

Respeito a direitos de eventuais credores. Se a renúncia prejudica credores, estes podem aceitar a herança. Exemplo: A” recebeu uma herança; mas ele está muito endividado. Ele sabe que assim que receber a sua parte na herança, seus credores irão ficar com seus bens. Desta forma ele renuncia à herança (que poderá ir para seus filhos ou irmãos). Esta conduta evidentemente prejudica seus credores. Por isso admite-se que os próprios credores aceitem a herança em nome do renunciante, com autorização judicial (art. 1.813, CC), evitando assim, fraudes e simulações maliciosas. Após pagas as dívidas do renunciante, prevalecerá a renúncia quanto aos bens remanescentes (se houver), devendo ser devolvidos aos demais herdeiros.

Se o renunciante for casado, a renúncia depende de outorga (uxória ou marital), exceto se foi adotado o regime da separação total de bens (art. 1.647, CC). Isto porque o direito à sucessão é considerado como sendo um bem imóvel (art. 80, II, CC).

Efeitos da Renúncia

O renunciante é tratado como se nunca tivesse sido chamado à sucessão; seus efeitos retroagem à data da abertura da sucessão. É interessante notar que a pessoa que repudia uma herança não está impedida de aceitar um legado (e vice-versa).

O quinhão hereditário do repudiante, na sucessão legítima, transmite-se de imediato aos outros herdeiros da mesma classe (direito de acrescer). Os descendentes do renunciante não herdam por representação. No

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entanto se ele for o único da classe seus, filhos herdam por direito próprio e por cabeça.

O renunciante não perde o direito ao usufruto e nem a administração dos bens que, pelo seu repúdio, foram transmitidos aos seus filhos menores.

A renúncia da herança é irretratável e irrevogável (art. 1.812, CC). No entanto pode ser anulável quando proveniente de vício de vontade (dolo, coação, etc.), como todo e qualquer ato jurídico.

CESSÃO DE HERANÇA (art. 1793 e parágrafos, CC)

É a transferência que o herdeiro (legítimo ou testamentário) faz a outrem do quinhão hereditário que lhe compete (no todo ou parte dele), após a abertura da sucessão, ou seja, após a morte do autor da herança. Assim, não pode haver cessão de herança de pessoa estiver viva. Até porque o art. 426, CC proíbe que a herança de pessoa viva seja objeto de contrato. Abrindo-se a sucessão (morte) a herança transmite-se de imediato aos herdeiros, permanecendo em estado de indivisão até a partilha final. Durante este período (entre a abertura da sucessão e a partilha final) um herdeiro pode ceder seus direitos hereditários a terceiros. A cessão de herança pode ser gratuita ou onerosa. É necessária a prévia autorização do Juiz da sucessão.

Regras

o cedente deve ter capacidade para alienar.

a cessão somente terá validade após a abertura da sucessão e antes da partilha.

ato solene, formalizado por meio de uma escritura pública (1.793, CC) posteriormente registrada no registro imobiliário.

se o cedente for casado necessita a outorga conjugal, exceto se o regime de bens for o da separação total de bens (como vimos a herança é bem imóvel – art. 80, II, CC).

há transferência da parte ideal da massa hereditária, não havendo individualização dos bens (pois deve ser anterior à partilha).

o cessionário assume a mesma condição jurídica do cedente (1.793, §1 o CC).

em regra o cedente não responde pela evicção (perda da propriedade em virtude de sentença judicial e ato jurídico anterior), nem por eventual vício redibitório (defeito oculto na coisa). Se for o caso, reveja a aula sobre Contratos – Parte Geral, que melhor disciplina estes temas.

o credor do espólio pode acionar o cedente.

nos termos do art. 1.805, §2 o , CC, não importa em aceitação a cessão gratuita, pura e simples da herança aos demais coerdeiros.

na cessão onerosa feita a estranhos, deve-se oferecer oportunidade aos demais herdeiros para que estes exerçam o direito de preferência. O

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preço será “tanto por tanto” (art. 1.794, CC), ou seja, o mesmo preço que o terceiro iria pagar. Caso não seja dado conhecimento da cessão ao coerdeiro, ele pode requerer ao Juiz, no prazo de até 180 dias após a transmissão, depositando o preço e haver para si a quota cedida a estranho (art. 1.795, CC).

HERDEIRO APARENTE E PETIÇÃO DE HERANÇA – arts. 1.824 a 1.828, CC

Herdeiro aparente é aquele que embora não tenha tal condição, se apresenta aos olhos de todos como se fosse herdeiro, criando a impressão de ser o sucessor do de cujus. Exemplos em que isto pode ocorrer:

a) herdeiro testamentário que entrou na posse da herança, sendo que posteriormente se descobriu um novo testamento, instituindo outro herdeiro.

testador deixa todos os seus bens a uma pessoa, sendo que

posteriormente se descobre que ele tinha um herdeiro necessário (ex: um filho

que teve fora do casamento).

c) herdeiro legítimo de todos os bens descobre posteriormente que o de cujus deixou um testamento beneficiando, também uma terceira pessoa.

Teoria do Herdeiro Aparente

Pelo parágrafo único do art. 1.827, CC as alienações feitas, a título oneroso, pelo herdeiro aparente a terceiro de boa-fé são eficazes. Nossa legislação premia a boa-fé. Evidente que o herdeiro aparente beneficiado na transação ficará responsável pelo valor dos bens alienados.

b)

Petição de Herança

Se porventura for realizado um inventário e eventualmente um sucessor foi deixado de fora, este herdeiro não perde seu direito sucessório. Ele pode ingressar com Ação de Petição de Herança. Desta forma, petição de herança é a ação pela qual um herdeiro esquecido ou desconhecido (situações descritas acima) reclama sua parte da herança, antes ou depois da partilha (os bens já estavam na posse de terceiros e deverão ser restituídos). Pode compreender todos os bens hereditários. Deve ser instruída com prova da qualidade de herdeiro. Pode haver cumulação com outras ações como: investigação de paternidade, reconhecimento da condição de companheiro, etc.

Observação – Até aqui estamos falando sobre a Sucessão de uma forma geral. As regras vistas até aqui se aplicam a qualquer espécie de Sucessão. Vamos agora fazer uma divisão neste tema entre: Sucessão Legítima e Sucessão Testamentária. Vamos analisar cada uma delas, com suas regras e particularidades.

I. SUCESSÃO LEGÍTIMA

(arts. 1.829 a 1.856, CC)

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Sucessão

Legítima

é

aquela

em

que

o

de

cujus

faleceu

sem

testamento (ab intestato), ou o testamento deixado caducou, ou ainda foi julgado ineficaz. Neste caso os bens serão distribuídos seguindo uma ordem estabelecida pela lei. Baseia-se no vínculo de família (sangue e afinidade).

Embora a Sucessão Legítima seja mais comum no Brasil, na verdade a Sucessão Testamentária é a principal. Isto porque a Sucessão Legítima é subsidiária, somente sendo aplicada se não houver um testamento válido. Há, também a possibilidade de ocorrerem as duas espécies de sucessão (testamentária e legítima) de forma simultânea em relação a uma pessoa, como a existência de um testamento para parte dos bens, ficando os demais a cargo das regras da Sucessão Legítima.

Há uma relação preferencial prevista na lei das pessoas que são chamadas a suceder o finado, como se esta fosse a sua última vontade. Se ele deixou testamento, mas havia herdeiro necessário, é possível que ocorra uma redução das disposições testamentárias para que seja respeitada a quota dos mesmos, prevista em lei.

É importante reforçar que segundo o art. 2.041, CC (disposições finais e transitórias), as disposições relativas à ordem de sucessão não se aplicam à sucessão aberta antes de sua vigência (ou seja, se uma pessoa morreu antes da vigência do atual Código, mesmo que o processo de inventário seja aberto agora, as regras que serão aplicadas para a divisão dos bens será a do Código Civil de 1916).

ORDEM DE SUCESSÃO LEGÍTIMA

O chamamento dos sucessores é feito de acordo com uma sequência denominada ordem de vocação hereditária, que é uma relação preferencial, estabelecida pela lei, das pessoas que são chamadas para suceder o de cujus. Trata-se de uma vontade presumida do falecido.

De início, vamos apenas fornecer a ordem estabelecida na lei (art. 1.829, CC). Depois vamos analisar item por item desta ordem. Vejamos:

1) Descendentes (filhos, netos, bisnetos, etc.), em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens; ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares.

2) Ascendentes (pai, avô, bisavô, etc.) também em concorrência com eventual cônjuge sobrevivente.

3) Cônjuge Sobrevivente (ou cônjuge supérstite).

4) Colaterais (somente até o 4° grau). - ordem preferencial

irmão - 2° grau

sobrinho – 3° grau

tio – 3° grau

sobrinho-neto – 4° grau

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tio-avô – 4° grau

primo-irmão – 4° grau

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:

1. Não há limitação de grau na linha reta (descendentes e ascendentes).

2. Uma classe só será chamada quando faltarem herdeiros da classe precedente. Ex: os ascendentes só serão chamados na sucessão se não houver descendentes; os colaterais somente serão chamados se não houver descendentes, ascendentes e cônjuge, etc.

3. Dentro de uma classe, o grau mais próximo, em princípio, exclui o mais remoto. Ex: o de cujus deixou um filho vivo e este, por sua vez, possui dois filhos (que são netos do de cujus). Tanto o filho, como os netos estão na mesma classe – são descendentes. No entanto, neste caso a herança irá somente para o filho, pois embora estejam na mesma classe (dos descendentes) o filho está no primeiro grau e os netos estão no segundo grau (portanto os filhos estão mais próximos).

4. Os descendentes, os ascendentes e o cônjuge sobrevivente são considerados herdeiros necessários; neste caso o testador só poderá dispor por testamento de metade da herança. Isto é, metade de seus bens (já descontada eventual meação do cônjuge) irá obrigatoriamente para os herdeiros necessários (salvo alguma hipótese de deserdação).

5. Todos os filhos herdam em igualdade de condições (art. 227, §6°, CF/88: “Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação”). Assim, um filho não pode ser chamado de adulterino ou bastardo. São expressões consideradas preconceituosas. Para efeitos sucessórios, tanto faz que o filho seja proveniente de um casamento ou de uma relação extraconjugal:

é filho do mesmo jeito e terá direito a herança.

6. Se houver um testamento essa ordem pode não prevalecer exatamente desta forma, ou seja, pode haver algumas modificações, conforme veremos adiante.

7. Notem que a Administração Pública (Município, Distrito Federal e União) e o convivente não constam da relação do art. 1.829, CC, embora tenham direitos sucessórios. Há regras especiais sobre eles que também veremos adiante.

8. A afinidade (sogro/sogra, genro/nora, cunhada) não gera direitos sucessórios. A simples dependência econômica de uma pessoa também não gera direitos sucessórios.

A) SUCESSÃO DOS DESCENDENTES

Com a abertura da sucessão, os descendentes do de cujus são chamados para receber a herança em primeiro lugar, adquirindo os bens por direito

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próprio. Os filhos

(sucessão por cabeça in capita) quota igual da herança (art. 1.834, CC),

excluindo-se os demais descendentes (embora possa haver o direito de representação, conforme veremos adiante).

são chamados à sucessão do pai, recebendo cada um

Reforçando: não se pode fazer qualquer distinção entre os filhos, sejam eles havidos ou não durante o casamento, adotivos, etc., sendo que todos eles possuem os mesmos direitos.

Se todos os descendentes estiverem no mesmo grau, a sucessão será por direito próprio e por cabeça; a herança é dividida em tantas partes iguais quantos forem os herdeiros. Exemplos: pessoa faleceu e deixou dois filhos a herança será dividida em duas partes iguais; pessoa faleceu e não deixou filhos vivos (todos eles eram pré-mortos), porém deixou cinco netos o acervo será dividido em cinco partes iguais, não importando se eram filhos do mesmo pai ou pais diferentes.

Se à herança concorrem descendentes de graus diferentes (descendente de grau inferior – neto – concorrendo com o de grau superior - filho) a sucessão se dá por cabeça e por representação (também chamada por estirpe). Exemplo: o de cujus tinha dois filhos vivos e três netos, sendo que estes são filhos de um terceiro filho pré-morto neste caso a herança será dividida em três partes iguais: as duas primeiras serão destinadas aos filhos vivos e a terceira (que pertenceria ao outro filho) será destinada aos três netos que dividirão o quinhão entre si – neste caso chamamos de sucessão por representação ou por estirpe. Os netos (filhos do filho pré-morto) recebem o que o pai (filho do de cujus) receberia. Falaremos mais sobre a representação em um tópico específico, logo adiante.

Observações Importantes

Havendo cônjuge sobrevivente, este, em algumas situações, pode concorrer com seus descendentes. Mas em primeiro lugar este cônjuge não pode estar separado judicialmente e nem separado de fato há mais de dois anos do de cujus. Se estiver em alguma destas situações não terá direito à herança. Até aí sem problemas. Não há dificuldades. Resolvida esta questão, devemos saber agora qual o regime de bens que vigorava entre o casal. Segundo a lei o cônjuge concorrerá com o descendente se: a) não for casado sob o regime da comunhão universal ou da separação obrigatória de bens; b) haja bens particulares do de cujus, se casado sob o regime da comunhão parcial.

É possível que a matéria agora tenha ficado um pouco confusa. Por isso elaboramos um quadro que visa facilitar o estudo desta matéria. Tenho certeza que depois de ser lido, a matéria ficará muito mais fácil. Ele serve até para ser usado em nosso dia-a-dia. Não só para concursos, mas também em situações particulares, que pode ocorrer com qualquer um de nós.

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REGIME DE BENS HÁ DIREITO À MEAÇÃO? HÁ DIREITO À HERANÇA? HÁ DIREITO REAL DE
REGIME DE
BENS
HÁ DIREITO À
MEAÇÃO?
HÁ DIREITO À
HERANÇA?
HÁ DIREITO
REAL DE
HABITAÇÃO?
COMUNHÃO
UNIVERSAL
(TOTAL) DE
BENS
SIM
NÃO
SIM
COMUNHÃO
PARCIAL COM
BENS
PARTICULARES
SIM
SIM
SIM
(sobre os bens
particulares)
COMUNHÃO
PARCIAL SEM
BENS
PARTICULARES
SIM
NÃO
SIM
PARTICIPAÇÃO
FINAL NOS
AQUESTOS
SIM
SIM
SIM
SEPARAÇÃO
NÃO
SIM
SIM
TOTAL
(CONVENCIO-
NAL)
SEPARAÇÃO
OBRIGATÓRIA
(LEGAL) DE
BENS
NÃO
NÃO
SIM
(SÚMULA 377
STF = SIM)

direito real de

habitação. Também falaremos sobre ele mais abaixo.

Depois de analisar o quadro acima que informa em que hipóteses (trata-se do “quando”) o cônjuge concorre com o descendente, há uma outra indagação: qual a parte do cônjuge nesta herança (trata-se do “quanto”)?

Segundo o atual Código Civil, o cônjuge sobrevivente terá direito a um quinhão igual aos dos que sucederem por cabeça, não podendo sua quota ser inferior à quarta parte (25%) da herança se for ascendente dos herdeiros

Observem

que o quadro

também fala sobre