Você está na página 1de 30
ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR Empresa de gestão de experiências turísticas “ARTES

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

Empresa de gestão de experiências turísticas

“ARTES DO MAR”

Mestrado Turismo do Ambiente

UC: Turismo em Ambiente Alternativo

Professor:

Doutor António Sérgio Araújo de Almeida

Professor: Doutor António Sérgio Araújo de Almeida 1º Semestre Janeiro de 2013 António Xavier, nº 4120391

1º Semestre

Janeiro de 2013

António Xavier, nº 4120391

Luísa Dias, nº 4120390

1

Índice ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR 1. INTRODUÇÃO 3 1.1. Os primeiros

Índice

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

1. INTRODUÇÃO

3

1.1. Os primeiros passos…

3

1.2. Turismo Pós-Moderno

4

1.3. A viagem turística: O início da experiência intrapessoal ou o retorno às

6

2. PROJECTO

7

2.1. Empresa de gestão de experiências turísticas – “ARTES DO MAR”

7

2.2. Peniche uma terra de Mar e Pescadores

7

2.3. As Fases do Projeto

9

2.4. Os Produtos Turísticos

10

2.4.1. Elementos de uma experiência significativa

10

2.4.2. Níveis da experiência

11

2.4.3. Na rota das sardinhas

13

2.4.4. Como se faz em Peniche?

13

2.4.5. Vai na Onda…

14

2.4.6. Histórias do mar no Forte de Peniche

15

2.4.7. Passeios em Peniche

15

2.4.8. Visitas ao fundo do mar

16

2.4.9. Pesca desportiva

17

2.4.10. Reviver as Lendas de Peniche

18

3. Estudo de Caso “O Tour da Experiência”

24

4. Conclusão

27

5. Bibliografia

29

Peniche 18 3. Estudo de Caso “O Tour da Experiência” 24 4. Conclusão 27 5. Bibliografia
ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR 1. INTRODUÇÃO Na realização deste trabalho pretendemos

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

1. INTRODUÇÃO

Na realização deste trabalho pretendemos apresentar os recursos e produtos turísticos que Peniche dispõe, numa perspetiva de vivência de experiencias significativas. Assim apresentamos a proposta de formação de uma empresa de gestão de experiências, “ARTES DO MAR” que serviria de elo de ligação entre os stakeholders que se associassem a este projeto. Iniciamos o trabalho com a apresentação de conceitos fundamentais para um novo modelo de turismo: Turismo de Experiências e Consumo de Emoções. Apresentamos de seguida o nosso projeto e os produtos que propomos incluir. A construção dos produtos turísticos/experiências tem como ferramenta de trabalho a Pirâmide de Experiências do Modelo Finlandês. O fio condutor de todas as experiências propostas é o mar, por ser o elemento mais forte e, porque não, mais autêntico na vida desta comunidade. As potencialidades que Peniche revelou, ao longo deste trabalho, levam-nos a pensar que seria relativamente fácil envolver a comunidade e os recursos existentes num projeto em torno do mar. O maior desafio para o sucesso deste projeto reside na comunicação/promoção para o exterior. Chegar aos turistas potenciais interessados em vivenciar estas experiências seria o objetivo fundamental a atingir para o sucesso deste “novo” turismo aqui apresentado.

Por último, como estudo de caso, descrevemos a experiência que se está a desenvolver no Brasil onde em vários destinos turísticos estabeleceu-se uma rede de turismo de experiência, intitulada “Tour da Experiência”.

1.1. Os primeiros passos

No final da década dos anos 90 do século passado, surgiram novos conceitos oriundos de ciência económica que rapidamente se difundiram em diferentes setores, inclusive o turismo. Referimo-nos ao conceito de Economia da Experiência (PINE; GILMORE, 1999) e aos conceitos abordados na obra

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR Sociedade dos Sonhos (JENSEN, 1999). Na essência

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

Sociedade dos Sonhos (JENSEN, 1999). Na essência estes termos concentram-se na criação de experiências e emoções que o consumo de determinado produto propicia ao consumidor, construindo “experiências vividas” individualizadas e únicas. O consumo destas experiências conduziria a um estado de satisfação simultaneamente centrado na necessidade que originou o seu consumo, e globalizado por gerar outras satisfações de caracter mais subjetivo. Surge assim um novo modelo em turismo que em síntese podemos chamar “turismo de experiências e consumo de emoções”.

Quando nos referimos a turismo de experiência, focalizamo-nos num tipo de atividade que pretende marcar o turista, de maneira profunda e positiva, com as experiências intrapessoais que vivência durante a sua viagem e estada no destino. Ao turismo de evasão, como fuga ao dia a dia, surge a viagem construída para o desenvolvimento intrapessoal, como forma de alargar os horizontes, de experimentar para enriquecimento intelectual (WEARING, 2001). Neste processo transitório os vendedores de apartamentos em hotéis serão substituídos por vendedores de experiências; os criadores de pacotes turísticos deverão criar emoções; os comerciantes tornar-se-ão contares de histórias e os turistas deixam de ser espetadores para se tornarem protagonistas neste novo cenário (LOCKS, 2007).

Olhando para a evolução epistemológica do turismo podemos dizer que ao esforço no desenvolvimento do produto no “turismo fordista” sucedeu-se a focalização na qualidade de serviços no turismo pós-fordista. Atualmente as empresas pós-modernas concentram-se na construção de experiências, ficando o desenvolvimento do produto e do serviço englobados num conceito mais abrangente: a experiência do turista.

1.2. Turismo Pós-Moderno

A eclosão do turismo de massas na década dos anos 50 e 60 foi sustentada num modelo de crescimento fordista. Durante este período desenvolveram-se em massa, destinos turísticos estandardizados com baixo preço para uma nova multidão de turistas emergentes. Os espaços turísticos eram a reprodução de

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR um mesmo modelo de crescimento, crescimento vertical

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

um mesmo modelo de crescimento, crescimento vertical ao longo da orla costeira. Este turismo caracterizou-se por um aumento constante da procura e da oferta ao longo dos anos (DONAIRE; FRAGUELL y MUNDET, 1997).

No início dos anos 80 surgem os primeiros sinais de esgotamento deste modelo. A especialização na praia e montanha para uma oferta homogeneizada não considerou as segmentações de mercado, concebendo um turista uniformizado para um destino estândar. A dicotomia entre uma oferta rígida e homogénea em confronto com uma procura individualizada e diferenciada foi um dos primeiros sintomas da crise do modelo fordista (DONAIRE, 1998).

O turista contemporâneo assumiu a singularidade da experiência turística. Segundo Feifer:

“O pós-turista sabe que não é um viajante do tempo quando visita um lugar histórico, nem um selvagem quando está numa praia tropical, nem um observador invisível quando visita um campo nativo. Resolutamente “realista” não se evade da sua condição de forasteiro”.

Por outro lado, “na atualidade, alguns ou muitos países estão prestes a se engolidos pelo processo turístico. Não é um fenómeno destinado a lugares concretos, mas todos os espaços, atividades (…) podem ser materiais ou simbolicamente, objeto do olhar turístico” (URRY, 1990).

Assistimos à turistificação generalizada dos territórios no mundo e simultaneamente à “singularização” da viagem turística e à redefinição da autenticidade em turismo.

Quando analisamos o turismo pós-moderno numa perspetiva global, tendo em atenção a diversidade de regiões do planeta, interessa interrogar-nos sobre a gestão dos produtos turísticos praticado nestes destinos, uma vez que se apresentam como alternativa no mercado turístico. A refleção que se impõe

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR deve direcionar-se para as inter-relações com os

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

deve direcionar-se para as inter-relações com os fenómenos sociais, culturais e ambientais que integram este novo turismo.

Ao contrário do turismo massificado, predominante nas décadas de 50 a 70, centrado no produto e nos serviços, o turismo alternativo centra-se no turista, o produto turístico deve responder às expetativas do turista, das experiências pessoais que mais valoriza, das emoções que procura.

1.3. A viagem turística: O início da experiência intrapessoal ou o retorno às origens.

O pós-turista na sua busca por uma experiência autêntica e única prefere a independência ao guia turístico, pois a interação como as comunidades locais dos destinos visitados é muito maior e muito mais diversificada. (VAN DER BERGHE, 1994).

Viajar é abrir novos horizontes, conhecer novas comunidades e culturas, novas paisagens e ambientes. Segundo Mário Carlos Beni, 2004:

“A viagem é um movimento externo e interno ao turista. Externo porque ele desloca-se no espaço físico e no tempo. Interno porque seu imaginário segue na frente, instigando a intelectualidade e o emocional, preparando-o para viver o inusitado em experiências únicas na revelação do desconhecido e do diferente”.

Nem toda a viagem é uma experiência que mereça ser repetida. Há experiências medíocres sem nenhum impacto. Contudo a viagem envolve o contexto e o imaginário mais amplo da palavra viagem. Esta é um continuo ritual de passagem, um preludio do que está para chegar numa sequência em que preparar as bagagens, partir, chegar, fotografar as paisagens são transicionalidades que intensificam o imaginário construído dos destinos. A intensidade das experiencias vividas é proporcional às emoções provocadas, antes, durante e depois. O termo viagem assume, assim dois sentidos. O ato de viajar propriamente dito, a deslocação espacial e temporal que nos

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR transporta e a viagem como um conjunto

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

transporta e a viagem como um conjunto onde deslocação e estada fazem parte de um todo.

2. PROJECTO

2.1. Empresa de gestão de experiências turísticas – “ARTES DO MAR

A empresa a constituir pretende ser um instrumento de referência para o

turismo em Peniche, no que diz respeito à adequação da oferta às novas tendências contemporâneas no mundo do Turismo Alternativo, onde o turista é

o ator da sua própria experiência, o protagonista dos seus sonhos no destino

que elegeu para sonhar. O objetivo desta empresa é, proporcionar ao turista as

condições favoráveis à concretização dos seus sonhos.

2.2. Peniche uma terra de Mar e Pescadores

O concelho de Peniche localiza-se na faixa costeira ocidental de Portugal

continental. Com uma área de aproximadamente 77,4 Km2 e integrando uma

componente continental e outra insular, constituída esta última pelo arquipélago das Berlengas. Um quinto da sua área é constituído pela península de Peniche

e

pelos terrenos de aluvião que constituem o seu istmo.

O

concelho de Peniche confina a nordeste com o concelho de Óbidos e a sul

com o concelho da Lourinhã, todos pertencentes à Região de Turismo do oeste.

A estação climatológica da cidade de Peniche, no Cabo Carvoeiro regista

valores de temperatura do ar e de precipitação que permitem classificar o clima

do concelho como temperado oceânico, moderadamente chuvoso e húmido.

A península de Peniche está incluída na Orla Meso-Cenozóica Ocidental de

Portugal, e constitui uma ótima representação espacial das rochas com origem no Jurássico inferior. No extremo ocidente da península encontra-se o Cabo

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR Carvoeiro, cuja paisagem é dominada por uma

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

Carvoeiro, cuja paisagem é dominada por uma sucessão de calcários e rochas afins. Este local está enquadrado numa posição de alto valor paisagístico da nossa costa ocidental.

O concelho de Peniche tem uma população de 27 753 habitantes, subdividida

em 6 freguesias: Ajuda, Conceição e São Pedro (freguesias em que se divide a

cidade) e Ferrel, Atouguia da Baleia e Serra D’El Rei na zona rural.

Relativamente à ocupação geral do território, esta assenta num sistema algo desequilibrado, sendo o índice de distribuição populacional por pequenos aglomerados relativamente significativos (apesar da maior concentração na sede concelhia).

Fazendo uma análise da realidade paisagística e cultural da região de Peniche, existem grandes valores de caracter natural e cultural, património geomorfológico, património histórico edificado, património arqueológico subaquático e património cultural (material e imaterial).

A base económica do concelho de Peniche tem assentado fundamentalmente

na pesca e no vasto conjunto de atividades que lhe estão associadas, quer a montante quer a jusante, sobressaindo entre estas a elevada importância da indústria de transformação de pescado, seja na sua vertente de conservas de peixe, seja na diversificada indústria de congelação.

A atividade turística, também com uma forte interligação com o mar nas suas

múltiplas vertentes, assume-se progressivamente como um dos pilares de suporte e sustentação da base económica local. A sua excelente localização geográfica, as acessibilidades, as características físicas intrínsecas a este

território, as paisagens de rara beleza, as Berlengas e a gastronomia, são alguns dos fatores determinantes na atratividade turística de Peniche, levando

a que a população presente no concelho mais do que duplique em alguns

períodos do ano, nomeadamente nos meses de Verão e aos fins-de-semana. Peniche é assumidamente um dos concelhos de excelência turística do Oeste, nomeadamente no produto sol e mar (só ao nível da hotelaria convencional, os estabelecimentos localizados no concelho contabilizam mais de 850 camas,

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR enquanto os parques de campismo podem albergar

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

enquanto os parques de campismo podem albergar um número superior a 3000 campistas por dia).

2.3. As Fases do Projeto

A primeira fase deste projeto será a realização de um inventário de recursos

turísticos e de empresas ligadas ao setor. O contacto com estas empresas para

apresentar o projeto e condições de adesão a este conceito será o segundo passo a realizar. Pretende-se constituir uma rede em que as atividades/experiências proporcionadas aos turistas tenham como conceito corporativo as artes do mar. Cada empresa aderente assumirá o compromisso de valorizar os seus produtos e adaptar as suas ofertas de forma a promover emoções e a satisfazer as necessidades do turista. Por outro lado a Artes do Mar tomará a responsabilidade de dar formação a todos os intervenientes nas experiências turísticas, guias e comunidades participantes, nomeadamente pescadores, surfistas, etc. No seu conjunto estas empresas constituirão um pacote de experiências turísticas que a “Artes do Mar” assumirá como compromisso a comunicação e comercialização para o exterior. Para isso será

necessário a criação de uma equipa de colaboradores que alicerce as atividades turísticas das empresas aderentes e dos seus produtos e serviços, como um caminho singular e sustentável de desenvolvimento socioeconómico

e cultural de Peniche. Para além da qualificação das empresas aderentes, o

projeto pretende contribuir para a formação de outros produtos ligados a recursos ainda pouco explorados, como por exemplo, a turismo industrial na conserveira “Maria Elizabete”, turismo de atividade económica com a pesca profissional do cerco ou a pesca apeada tradicional, turismo cultural ligado ao património de Peniche, etc.

A realização de parcerias entre a iniciativa privada e as instituições públicas

será fundamental para suportar os vários setores que compõem este projeto.

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR 2.4. Os Produtos Turísticos Adotámos a Pirâmide

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

2.4. Os Produtos Turísticos

Adotámos a Pirâmide de Experiência do modelo Finlandês, como ferramenta de análise prática dos produtos que propomos para a nossa empresa. Sabemos que as emoções numa experiência são impossíveis de controlar pelo que o seu sucesso é sempre subjetivo. No entanto e apesar desta subjetividade inerente ao resultado atingido com a vivência de uma experiência significativa, pretendemos avaliar o valor dos produtos através das reações dos nossos clientes, adotando para isso esta pirâmide.

Figura 1 Pirâmide de Experiências (Modelo Finlandês)

1 – Pirâmide de Experiências (Modelo Finlandês) 2.4.1. Elementos de uma experiência significativa A

2.4.1. Elementos de uma experiência significativa

A individualidade refere-se à originalidade do produto e ao seu carater único e

extraordinário. A individualidade significa orientação do produto face às preferências e necessidades do cliente. Aumentar a individualidade ´tende a aumentar os custos do produto. O desafio é produzir produtos facilmente comercializáveis cujo o conceito base possa ser copiado e que se adaptem às singularidades do cliente.

Autenticidade refere-se à credibilidade do produto. Na sua forma mais simples

a autenticidade reflete o estilo da vida atual e da cultura de uma região ou

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR lugar. Como não há conceitos universais de

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

lugar. Como não há conceitos universais de verdadeiro e real, a autenticidade é em última análise determinada pelo cliente. Um produto é autêntico se se pensa que é genuíno e real.

A história está intimamente ligada com a autenticidade. Para a experiência ser

atraente é importante ligar os diferentes elementos do produto numa história

coerente, credível e autêntica. Na sua forma mais simples o uso de uma história ajuda a justificar ao cliente o que é feito e a sua ordem.

Perceção multissensorial, um produto deve ser experimentado com o maior número de sentidos possível. Deve ter impacto visual, auditivo, olfativo, gustativo e tátil. O estímulo dos sentidos deve ser doseado com parcimónia, se são estimulados em excesso podem provocar irritação, se por defeito podem provocar distração.

Contraste, a experiencia é tanto mais intensa quanto mais contrastante for com a vida quotidiana do cliente. O produto deve ser capaz de fazer experimentar algo novo, exótico e fora do comum. As características culturais do cliente devem ser tidas em consideração, porque o que é exótico para uma cultura pode não ser para outra.

A interação resulta do sucesso da comunicação entre um produto e o cliente,

entre o gestor da experiência e o cliente e entre clientes. Viver algo em comunidade aumenta a aceitação social do produto/experiência. Individualmente a interação entre o gestor de experiência e o cliente tem um papel decisivo da forma como a experiência é transmitida e vivida pelo cliente.

2.4.2. Níveis da experiência

O eixo vertical do modelo da pirâmide de experiencia ilustra como esta é construída pelo turista a partir da motivação para a experiencia real e através do processo de tomada de consciência e que o leva a uma experiencia significativa e a uma mudança interior

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR A nível motivacional a experiência deve despertar

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

A nível motivacional a experiência deve despertar a atenção e o interesse do

cliente. A motivação para um produto deve estar diretamente relacionada com todas as características que constituem a base da pirâmide.

No nível físico é fundamental garantir o bem-estar físico do turista. Os sentidos devem ser o veículo de experimentação do produto. Neste nível um bom produto garante uma experiencia agradável e segura. A exceção, ao que atrás foi dito, faz-se às experiências radicais onde o risco de vida ou de lesão são elementos intensificadores da experiência.

No nível intelectual, os estímulos sensoriais devem permitir aprendizagem, reflecção e aplicação de conhecimentos e formulação de opiniões. Neste nível

o cliente avalia o seu nível de satisfação com o produto. Um bom produto é aquele que permite ao turista a aprendizagem de algo de novo.

No nível emocional é onde a parte mais significativa da experiência ocorre, embora as reações emocionais sejam difíceis de prever ou controlar, se todos os elementos básicos de um produto tiverem sido cuidadosamente tomados em consideração é bastante provável que o turista tenha uma reação emocional positiva, alegre e de satisfação por ter atingido novas aprendizagens, a sensação de triunfo, a ultrapassagem de um desafio.

Nível mental, se todos os outros níveis forem plenamente atingidos durante a experiência, a satisfação que o turista atinge pode levar a uma experiência e mudança pessoal. Saí turista regressei peregrino (Amirou, 2007). Através de uma experiência intensa e significativa pode-se adotar um novo passatempo, maneira de pensar ou descobrir novos recursos dentro de si mesmo.

Um produto turístico para funcionar como uma boa experiência, deve conter todos os 6 elementos apresentados na base da pirâmide (individualidade, autenticidade, história, perceção-multissensorial, contraste e interação) em cada estádio de evolução do turista ao longo da experiência. Isto é, desde a captação do interesse até à transformação do turista, uma experiência deve ser completa.

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR Partindo das premissas da pirâmide tentámos elaborar

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

Partindo das premissas da pirâmide tentámos elaborar produtos turísticos tendo em atenção os recursos de Peniche a diversidade de turistas e a sazonalidade que o clima impõe às atividades outdoor.

2.4.3. Na rota das sardinhas

impõe às atividades outdoor. 2.4.3. Na rota das sardinhas A sardinha é um ícone da cidade
impõe às atividades outdoor. 2.4.3. Na rota das sardinhas A sardinha é um ícone da cidade
impõe às atividades outdoor. 2.4.3. Na rota das sardinhas A sardinha é um ícone da cidade

A sardinha é um ícone da cidade de Peniche, grande parte da sua população vê as suas economias dependerem deste peixe e do trabalho que ele proporciona a muitas famílias. Assim nada mais autêntico, real e objetivo que experiências que possibilitem ao turista entranhar-se nesta realidade social, assim propomos:

Saída num barco de pesca, Princesa de Peniche”, para a pesca do cerco à sardinha;

Visita à fábrica de conservas “Maria Elizabete”;

Workshop de conserva de sardinha;

Visita aos fornos romanos do Morraçal da Ajuda;

Visitas aos Bairros de Pescadores com uma sardinhada familiar;

2.4.4. Como se faz em Peniche?

Morraçal da Ajuda;  Visitas aos Bairros de Pescadores com uma sardinhada familiar; 2.4.4. Como se
Morraçal da Ajuda;  Visitas aos Bairros de Pescadores com uma sardinhada familiar; 2.4.4. Como se
ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR Proporcionar aos turistas a aprendizagem do artesanato,

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

Proporcionar aos turistas a aprendizagem do artesanato, gastronomia e da atividade das profissões mais ancestrais. Viver com os pescadores e ouvir as suas histórias de alegria e tristeza vividas no mar são os objetivos destes produtos:

Workshop de renda de bilros;

Um dia com os pescadores a reparar as artes da pesca;

Workshop de gastronomia (caldeirada, mariscada, amigos de Penichee esses de Peniche);

2.4.5. Vai na Onda

” e “ esses de Peniche ” ); 2.4.5. Vai na Onda … “Ir na onda”
” e “ esses de Peniche ” ); 2.4.5. Vai na Onda … “Ir na onda”

“Ir na onda” com os surfistas, partilhar o seu estilo de vida, aprender os segredos de uma surfada, velejar pelos mares de Peniche ou ultrapassar-se com outros desportos mais radicais são as propostas do “Vai na Onda” :

Cursos de surf, bodyboard, vela, kitesurf , windsurf.

Estilo de vista surfista, experiência com surfista durante um dia.

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR 2.4.6. Histórias do mar no Forte de

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

2.4.6. Histórias do mar no Forte de Peniche

DO MAR 2.4.6. Histórias do mar no Forte de Peniche Conhecer a história, o passado desta

Conhecer a história, o passado desta terra de pescadores, aventureiros de outrora, com a recriação de momentos que marcaram o passado. No forte de Peniche grande parte desse passado está guardado nas suas memorias, que nos contam histórias de piratas, de fugas de prisioneiros que queremos partilhar:

Visitas guiadas ao museu do Forte;

Visitas noturnas ao Forte com a recriação da fuga de Álvaro Cunhal da Cadeia de Peniche;

Visita temática ao forte e às muralhas de Peniche sobre naufrágios, tesouros e piratas.

2.4.7. Passeios em Peniche

Visita temática ao forte e às muralhas de Peniche sobre naufrágios, tesouros e piratas. 2.4.7. Passeios
Visita temática ao forte e às muralhas de Peniche sobre naufrágios, tesouros e piratas. 2.4.7. Passeios
ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR As arribas de Peniche, as rochas e

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

As arribas de Peniche, as rochas e as suas formas, a paisagem marcada pelo mar são o propósito dos passeios que propomos:

Passeios de barco à Península de Peniche;

Passeios de barco às Berlengas e/ou Farilhões;

Passeios de burro na costa de Ferrel;

As histórias que as pedras nos contam, passeio geológico do Baleal à Nau dos Corvos;

Passeios pedestres nas Berlengas;

2.4.8. Visitas ao fundo do mar

pedestres nas Berlengas; 2.4.8. Visitas ao fundo do mar As Berlengas constituem um dos melhores locais
pedestres nas Berlengas; 2.4.8. Visitas ao fundo do mar As Berlengas constituem um dos melhores locais

As Berlengas constituem um dos melhores locais de mergulho em Portugal Continental, a observação da natureza subaquática ou a visita a barcos afundados são duas das muitas propostas que queremos elaborar:

Curso de mergulho com garrafas nas berlengas;

Roteiro subaquático de observação da natureza;

Roteiro Subaquático “Naufrágios e Tesouros”;

Geocaching subaquático.

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR 2.4.9. Pesca desportiva Experienciar várias modalidades de

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

2.4.9. Pesca desportiva

DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR 2.4.9. Pesca desportiva Experienciar várias modalidades de pesca desportiva no
DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR 2.4.9. Pesca desportiva Experienciar várias modalidades de pesca desportiva no

Experienciar várias modalidades de pesca desportiva no mar ou na costa. Pescar à zagaia, ao corrido, ao sentir ou à lula são algumas das possibilidades que o mar de Peniche oferece. Na costa a pesca apeada, ao fundo nas praias que rodeiam a península ou à boia nas arribas rochosas são atividades que poderão proporcionar emoções únicas:

Pesca embarcada;

o

Ao goraz

o

Ao safio

o

À zagaia

o

Ao sentir

o

Ao corrido

Pesca Apeada;

o

À boia

o

Ao spinning

o

Ao sentir

o

Com negaça aos polvos e navalheiras

o

Aos percebes

o

Aos ouriços

Pescador na cozinha, workshop de gastronomia de marisco e peixe.

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR 2.4.10. Reviver as Lendas de Peniche A

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

2.4.10. Reviver as Lendas de Peniche

A utilização do património oral e principalmente das lendas, em recreações (autenticidade encenada) nos locais onde terão, segundo a tradição oral, acontecido. Parece-nos importante, desenvolver produtos turísticos ligados às raízes e às histórias em que o povo acredita ou acreditava. Se possível as visitas aos locais onde estas lendas terão ocorrido, devem ser acompanhadas por alguém da terra, que as saiba contar como os seus antepassados o faziam. Transcrevemos em seguida excertos da obra de Mariano Calado, que relatam três lendas que nos parecem mais interessantes do ponto de vista dos nossos produtos, com o elo de ligação ao mar.

Os Amores de Rodrigo e Leonor

“ Conta-se que, no primeiro quartel do século XVI, existiam em Peniche dois fidalgos que, reciprocamente, se odiavam: ódios velhos, nascidos porventura nos longos e temerosos cruzeiros das descobertas, de onde haviam trazido histórias fantásticas para contar e riquezas de sobejo para desbravar o torrão final. E nada no mundo os fazia aproximar e esquecer a sua malquerença.

Quis Deus, todavia, que Rodrigo, filho de um deles, se enamorasse loucamente de Leonor, a bonita e prendada filha do outro dos fidalgos desavindos.

Sabedores do ódio profundo que separava seus pais, não ousavam os jovens enamorados revelar o doce afeto que os unia, não podendo, porém evitar que transbordasse o alvoroço de amor que os aproximava. Descobertos então os sentimentos de ambos e sem que nada houvesse a demovê-lo da sua decisão, resolveu o pai de Rodrigo degredar seu filho para a Berlenga, fazendo-o ingressar como noviço, no Mosteiro da Misericórdia, de frades jerónimos existente, a fim de que ele esquecesse tão indesejável e impossível união.

Obediente a seu pai, partiu Rodrigo para a Berlenga, com a alma cheia de

As pombas que faziam ninho na torre do Outeiro

revolta e de

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR começaram a servir de mensageiras. E um

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

começaram a servir de mensageiras. E um dia Rodrigo soube que a sua amada teria facilidade em falar-lhe nessa noite, numa gruta que ficava junto à torre, por intermédio de uma aia compadecida do seu sofrimento Com a ajuda de um pescador seu amigo, fazia-se o jovem transportar num pequeno batel, todas as noites, até uma gruta situada nas penedias da costa meridional de Peniche, onde Leonor ansiosamente o aguardava assinalando a sua presença com a luz de uma pequena lanterna.

Por muitas e longas noites se repetiram os encontros dos dois jovens apaixonados. Mas, certa vez, descobertas as surtidas de Leonor, viu-se a donzela perseguida pelos servos de seu pai e, na precipitação da fuga, saltando de rochedo em rochedo, resvalou sobre os seixos da encosta. E, na negrura da noite, tombou um grito de morte do alto da penedia, afogando-se no mar negro que, em baixo, ciciava segredos e saudades.

Entretanto, para mais uma noite de amoroso convívio, chegou Rodrigo à vista da gruta. Não enxergando o sinal do costume, começou o jovem de sentir a alma repassada de surpresa e receio. Subiu a encosta, apressado, chamando pela bem-amada. Só o eco e o marulho das ondas lhe responderam. Tentou penetrar na noite, temendo alguma desgraça. Nada. Até que se lhe retalhou o coração de angústia ao ver a boiar em baixo, inútil, o manto branco da sua enamorada. Um grito de dor cresceu da sua alma ferida, enchendo de tragédia os recônditos mais negros dos rochedos. E, na esperança de salvar a sua amada, lançou-se Rodrigo do alto das arribas ao encontro da noiva que perdera

Dias depois, nas areias do carreiro vizinho, alguém encontrou o corpo de Leonor, embalado docemente pelas ondas, os lábios iluminados por um sorriso triste e imaculado, constando que, piedosamente, o fizeram depositar no adro da capela de Santa Ana.

Quanto ao corpo do desventurado moço, diz também a tradição que foi encontrado na costa do norte, junto a uma rocha a que se deu o nome de Laje de Frei Rodrigo.

E ainda hoje, quem souber entender os murmúrios do mar e passear os olhos pela beleza que se distende por toda a costa sul de Peniche, pressentirá a doçura inefável de um mistério cheio de encantamento e poesia: talhada romanticamente nas arribas, a gruta que foi teatro de tão trágico amor e a que o povo, religiosamente, chama Passos de Leonor, lá

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR está, altiva e serena, a aguardar, numa

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

está, altiva e serena, a aguardar, numa renovada esperança de juventude, o regresso feliz dos dois enamorados…”

CALADO, Mariano Peniche na História e na Lenda Peniche, Edição do Autor, 1991 , p.418-419

A teatralização desta lenda incluiria uma visita guiada à Laje do Frei Rodrigo, aos Paços de Dona Leonor, ao Cabeço das Pombas ao carreiro das Furnas e ao forte de São Julião, nas Berlengas.

A Sereia de Peniche

Um dia, nas águas sossegadas da praia do Carreiro do Cabo, entretinha- se a mulher de um pescador a dar banho a uma sua filhinha de tenra idade.

As ondas vinham beijar de mansinho as areias douradas e finas que desciam dos médões rasteiros dos Remédios em ondulações brandas e preguiçosas.

Entrementes, perante a surpresa da mãe, a criança saltou dos braços

maternos e, com um brilho estranho de felicidade nos olhos e um sorriso a divinizar-lhe as feições, atirou-se ao mar. Espanto, gritos de receio de que

a menina se afogasse, correria assustada das outras mulheres que se

encontravam também ali perto, à beira-mar. Mas, perante o assombro dos presentes, a menina emergiu das ondas, calma, serenamente deixando-se apertar nos braços da mãe que chorava de alegria por tornar a vê-la. Mas

a criança dava a ideia de vir diferente: o olhar, o sorriso, os cabelos

castanhos e ondulados, irradiavam reflexos maravilhosos de uma estranha felicidade e como que exultava uma animação maior em toda ela.

Passaram-se anos sobre este dia. A criança crescera em graça e beleza; uma graça e uma beleza que fariam adivinhar a presença misteriosa de qualquer sortilégio. Os pais bebiam os ares pela filha e nada encontravam de singular no seu convívio; mas as mulheres que haviam assistido à cena de anos antes velhas mulheres embiocadas cheias de crendices e de assombros pressentiam naquela existência como que um halo sobrenatural, qualquer coisa de misterioso que não sabiam explicar. E, à boca pequena, maravilhadas do seu próprio receio, iam contando que,

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR algum dia a moça se transformaria em

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

algum dia a moça se transformaria em sereia, por ter recebido os poderes do encanto quando surgira do mar, estranhamente feliz.

Ora, um dia, o filho do ouvidor do Conde de Atouguia, deslumbrado pelo fascínio irradiante da rapariga, apaixonou-se loucamente por ela. Mas não deixou o seu amor ser tão puro e tão forte que, à sombra do poderio e dos Privilégios de que seu pai gozava, a não tivesse seduzido e abandonado miseravelmente.

A donzela, humilhada e cheia de vergonha, carpiu largamente a sua desgraça. A beleza que a todos assombrava pela sua singularidade, foi-a ela perdendo, dia após dia, perante as lágrimas tristes dos pais que a adoravam e que nada podiam fazer para o evitar. Até que o seu desgosto de amor a levou à morte, sendo levada a enterrar no adro da igreja de Nossa Senhora da Vitória, à altura existente no Cabo Carvoeiro.

Certa noite, voltava o moço sedutor de uma festa nos Remédios em que tomara parte, seguindo pela costa a caminho da Ribeira, onde morava. Não muito longe do Carreiro do Cabo, ouviu uma voz harmoniosa entoando os versos de uma canção nostálgica. Com mil cuidados, não fosse surpreender e assustar a dona de voz tão bela, aproximou-se. E, cheio de admiração, viu, sentada junto de uma gruta existente ali perto, uma mulher, extraordinariamente formosa.

À luz do luar que recortava figuras estranhas e sinistras pelos rochedos, pareceu-lhe, cheio de assombro, o vulto da sua antiga namorada. Acercou-se, cheio de receio e curiosidade. A mulher, porém, ao pressenti- lo, desapareceu misteriosamente.

Mas aquela visão deixara o moço estupefacto e ansioso. E, na noite seguinte, voltou de novo a passar perto da gruta, ouvindo novamente a mesma voz a entoar a canção triste da véspera; lá estava a mesma mulher, esbelta e enigmática, sentada à beira da rocha. Aproximou-se, tentando tocar-lhe para certificar-se do que os seus olhos viam mas no momento em que o ousou fazer, ela voltou-se inesperadamente para ele e enlaçou-o, gritando numa voz estranha e ameaçadora que chegara finalmente a hora de ele expiar o crime da sua desonra. O seu grito teve o condão de enfurecer as ondas do mar, que se levantaram e ergueram, raivosas, até ao cimo da gruta, arrastando os dois jovens, no meio de um turbilhão de espuma, para o fundo dos abismos.

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR Alguns dias depois, foi encontrado junto do

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

Alguns dias depois, foi encontrado junto do Médão Grande o corpo do infeliz sedutor, lamentavelmente pisado e moído como se tivesse sido exposto a bárbaras torturas.

Quanto à donzela seduzida, diz o povo que se transformou realmente numa sereia como o haviam pressentido as velhas mulheres embiocadas, cheias de crendices e de assombros e que, saudosa dos seus amores, todas as noites em que o mar se pavoneia, sereno, acarinhando a terra e o luar brilha no céu escuro espargindo um manto de prata por sobre os rochedos de recortes sinistros, volta à gruta misteriosa em que o mancebo a encontrara. E aí, entre a hora fantasmagórica da meia-noite e as duas da madrugada, eleva a sua mágoa para os céus, em cânticos de tal maneira tristes e requebrados, melodiosos e encantadores, que enternecem e fazem chegar lágrimas aos olhos dos rudes pescadores que passam a caminho do mar alto, ou dos caminhantes que se aventuram a horas tão mortas por caminhos tão escusos e perigosos…”

CALADO, Mariano Peniche na História e na Lenda Peniche, Edição do Autor, 1991 , p.416-417

Visita guiada ao Carreiro do Cabo/Prainha do Cabo à noite com teatralização desta lenda, seguida de visita ao desembarque do pescado no porto de Peniche. O imaginário coletivo remete-nos, quando falamos de sereias, para histórias de pescadores. Por isso parece-nos interessante nesta atividade e como fator de enriquecimento a visita guiada ao desembarque do pescado no porto de Peniche.

A lenda de Nossa Senhora dos Remédios

Parece que, pelo século VII, invadido pelos sarracenos o território do atual Concelho, os cristãos, receosos que uma imagem da Virgem, muito venerada, fosse profanada pelos infiéis, a procuraram esconder numa gruta cavada nos rochedos das imediações do Cabo Carvoeiro. E aí ficou a imagem, a coberto de assaltos e sacrilégios.

Entretanto, pelos fins do século XII e durante o reinado de D. Afonso Henriques, um criminoso, fugido à justiça, procurou refúgio nas cavernas da costa ocidental da Ilha, posto que era a única salvação para a sua liberdade ameaçada. Por um acaso providencial, foi esse criminoso

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR acolher-se à mesma gruta onde, quinhentos anos

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

acolher-se à mesma gruta onde, quinhentos anos antes, a imagem da Virgem havia sido escondida. Maravilhado com a sua descoberta, não se atreveu, todavia, a dar parte dela no povoado, aguardando que alguém se aproximasse; mas não se conteve que a não revelasse a um grupo de crianças que, ali perto, se entretinha a brincar nos rochedos.

As crianças, surpreendidas, correram a dar a notícia a seus pais e, em breve, toda a gente da povoação se achegava a admirar o achado precioso.

Com receio de que, ali tão perto do mar, não ficasse a imagem resguardada de assaltos e profanações, resolveram os habitantes da terra levá-la para a igreja de S. Vicente, em Peniche de Cima; porém, de todas as vezes que o tentaram, a imagem desaparecia misteriosamente do templo, tornando a aparecer na mesma gruta onde fora encontrada. Certos de que isso correspondia à vontade da Senhora, ergueram no local uma capelinha, começando por cavar a golpes de picão o nicho onde a Virgem aparecera, justamente aquela que ocupa a reentrância do lado esquerdo do corpo da atual capela de Nossa Senhora dos Remédios.

Consta que, antigamente, sempre que vestiam quaisquer trajes ou mantos à imagem, estes eram encontrados depois caídos a seus pés, como se a Virgem se contentasse apenas com os trajos esculpidos na própria figura. E diz ainda o povo que, numa cruz natural existente à entrada da capela, do lado direito, sempre que acontecia dar-se alguma graça por intercessão da Senhora, apareciam, sobre cada um dos orifícios dos cravos, três gotas de água puríssima, como pérolas brilhantes…”

CALADO, Mariano Peniche na História e na Lenda Peniche, Edição do Autor, 1991 , p.412

Visita guiada à costa Norte de Peniche com paragem nos pesqueiros com nomes alusivos à Senhora dos Remédios: Laje dos Remédios, Revelim dos Remédios (miradouro) e Cruz dos Remédios. Seguida de uma visita à igreja de S. Vicente (local onde os pescadores, segundo a lenda, terão colocado a imagem da santa) finalizando com a visita à Capela de Nossa Senhora dos Remédios (onde a imagem se encontra na atualidade).

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR 3. Estudo de Caso “O Tour da

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

3. Estudo de Caso “O Tour da Experiência”

DO MAR 3. Estudo de Caso “O Tour da Experiência” No Brasil, desde 2006 que na

No Brasil, desde 2006 que na Região da Uva e Vinho-RSO tem vindo a ser implementado um projeto-piloto, Economia da Experiência. Este projeto estendeu-se a mais quatro destinos brasileiros, BelémPA, BonitoMS, Costa

do DescobrimentoBA e PetrópolisRJ e tem por objetivo, encantar, emocionar

e transformar a sensibilidade dos turistas, marcar suas almas proporcionando experiências inesquecíveis e gerando o desejo de vivenciálas novamente, indicar a outros, indo além do sentimento de satisfação.(Valéria Barros, Coordenadora Nacional de Turismo da Unidade de Atendimento Coletivo, Comercio e Serviços).

Durante o desenvolvimento deste projeto foi elaborado pelos seus parceiros Ministério do Turismo, SEBRAE, Instituto Marca Brasil e SHRBS da Região da Uva e VinhoRS, uma marca comercial com o conceito de experiência como fio condutor, alicerçado na história, tradição e cultura, através das vivências proporcionadas aos turistas. Estas vivências pretendem materializar-se em sentimentos produzidos por emoções: prazer, inspiração e satisfação. Este projeto foi intitulado “Tour da Experiência” e tinha como principal objetivo, valorizar e promover empreendimentos que apresentassem produtos diferenciados, alinhados com os conceitos concebidos pelo projeto.

Através de formação dos recursos humanos pretendeu-se auxiliar os profissionais da área de turismo a tornarem-se mestres na arte de vender experiências”, visando não apenas atender e satisfazer as novas procuras detetadas, mas, sobretudo, superar as expectativas dos turistas. Para isso, foi necessário, de um lado, promover a integração do mercado através da consolidação de uma rede de cooperação, e de outro, estimular profundamente

a criatividade dos empreendedores, de modo que fossem capazes através da

valorização de suas peculiaridades culturais de estabelecer um processo

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR constante de inovação para as suas ofertas.

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

constante de inovação para as suas ofertas. Além disso, com base em estudos detalhados sobre o comportamento da procura, o projeto atuou no sentido de auxiliar os destinos na divulgação e na comercialização dos seus produtos, buscando, para isso, um conjunto de técnicas inovadoras, com o propósito de aumentar a competitividade e promover o pleno desenvolvimento socioeconómico de suas regiões.

Metodologia

Quando pensamos nesse projeto parecia um sonho, pois atuaríamos em algo inovador, baseado numa tendência de mercado onde o consumidor buscaria experimentação e emoção.”

Daniela Fernanda de Bitencourt Moraes Diretora/Superintendente do Instituto Marca Brasil

Etapa I - Ações Preparatórias de Sensibilização e Mobilização

Conjunto de atividades locais de planeamento, diagnóstico, mobilização e sensibilização acerca do conceito de Economia da Experiência. Foram realizadas visitas diagnósticas aos destinos, nas quais a equipa técnica avaliou a atividade turística no sentido da formação de experiências turísticas significativas.

Etapa II Reconhecimento da Situação Atual

Esta etapa compreendeu um profundo estudo mercadológico relacionado, por um lado, às tendências do ambiente turístico externo, e de outro, a uma detalhada análise local. Pretendeu-se inventariar os principais recursos dos destinos, as características do perfil de comercialização dos produtos e as tendências do turismo na ótica do operador.

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR Etapa III – Apresentação e desenvolvimento do

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

Etapa III Apresentação e desenvolvimento do conceito

Nesta face tratou-se de apresentar e desenvolver o conceito do projeto, realizaram-se palestras, workshops e uma viagem técnica para benchmarking

dos empresários envolvidos. Destacamos as seguintes atividades: palestra de

história e cultura; workshop de criatividade, inovação ou tematização; palestras

de tematização na gastronomia; oficina como encantar clientes contando

histórias.

Etapa IV Aplicação do conceito

Realizaram-se encontros individuais entre consultores e empreendedores consoante as necessidades de cada destino. Pretendia-se materializar novas ideias para aumentar a competitividade diferencial dentro dos produtos e serviços oferecidos pelas empresas.

Etapa V Gestão Mercadológica

Esta face constou de uma visita técnica de uma equipa de representantes do Ministério do Turismo do SEBRAE e do Instituto Marca Brasil, para analisar as experiencias implantadas aferindo da sua consonância com o conceito proposto e com o tema adotado pelo destino.

A divulgação deste projeto passou pela construção de um site

www.tourdaexperiencia.com, o bloge, projetoee.blogspot.com e o twitter do tour

da experiência. A divulgação contou ainda com a realização de Famtours para os agentes de mercado externo e Fampress para os meios de comunicação social. Por fim a divulgação do Tour da Experiência passou ainda por 4 grande eventos do setor: 4º Salão Nacional do Turismo em 2009, ABAV Feira das Américas em 2009, Festival de Gramado em 2009 e 5º Salão Nacional de Turismo em 2010.

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR Etapa VI – Sustentabilidade O cumprimento desta

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

Etapa VI Sustentabilidade

O cumprimento desta etapa está a cargo da iniciativa dos stakeholders neste projeto. No sentido de monitorizar a sustentabilidade deste projeto, realizou-se em março de 2010, um “Encontro Nacional dos Empreendedores de Economia da Experiência” no Rio Grande do Sul. Esta ação teve como principal objetivo incentivar a criação de uma Rede Nacional de Empreendedores do Turismo de Experiências; realizar um Manual Completo Tour da Experiência.

Para cada destino foi elaborado um estudo diagnóstico cuja síntese é apresentada em quadro com as diferentes etapas de realização, são ainda apresentados o conjunto de experiências e as empresas que as comercializam.

4. Conclusão

O projeto “Artes de Peniche” pretende apresentar um novo conceito para as empresas e instituições ligadas ao turismo em Peniche. Trata-se de desenvolver uma rede constituida pelos aderentes a este conceito e construir as ferramentas que lhes permitam apetrechar os seus produtos, proporcionando aos turistas experiências únicas e emoções fortes propiciadoras de satistação, bem estar e transformação intrapessoal. Os constructos destas experiências basear-se-ão nas histórias e na cultura muitas vezes desvalorizadas pela propria comunidade local. Assim, o primeiro desafio é o desenvolvimento nos parceiros, de uma atitude de integração na própria história local e na sua cultura, de forma a tornar mais autêntica a sua ação junto dos clientes.

Como poderemos proporcionar aos turistas essas vivências se os próprios gestores de experiência não as assumirem como suas e não se assumirem como parte integrante delas?

Conhecer a realidade deste lugar Peniche; desenvolver junto dos parceiros ações de monitorização das experiências proporcionadas pelos seus produtos; formar os recursos humanos; implementar ações de benchmarking entre as

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR empresas parceiras com as práticas observadas e

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

empresas parceiras com as práticas observadas e experiência adquirida; desenvolver uma estratégia de comunicação do projeto para o exterior e por último analisar exemplos de sucesso deste tipo de turismo noutros lugares do mundo.

Peniche deve ponderar as suas estratégias de desenvolvimento turistico, aproveitando as mais valias de projetos de grande dimensão e impacto espacial, como por exemplo o Rip Curl Pro que o mais provável é rumar para outras ondas daqui a alguns anos, no sentido de encontrar caminhos que melhor se ajustem às novas tendências de mercado.

O turismo de experiência, o turismo em ambientes alternativos, são novos conceitos que devemos assumir quanto antes, para podermos dar resposta às necessidades de uma sociedade pós-moderna onde as emoções e a cultura da imagem têm uma importancia crescente.

Antecipar as transformações que o mercado parece adivinhar, é a atitude mais sensata e sustentável para Peniche. Manter os grandes eventos como veiculo de comunicação do melhor que este lugar tem ou pode vir a ter, parece-nos uma das estratégias fundamentais para o desenvolvimento sustentável de um projeto como este que aqui apresentamos.

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR 5. Bibliografia BENI, M.C.; (2004) – Turismo:

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

5. Bibliografia

BENI, M.C.; (2004) Turismo: da economia de serviços à economia da experiência; Turismo Visão e Ação, vol.6 nº3 Set./Dez.

CALADO, M., (1991); Autor.

Peniche na História e na Lenda Peniche; Edição do

DONAIRE, J.A., FRAGUELL, RM. e MIUDET, L. (1997) – “La costa Brava ante los nuevos retos del turismo”; Estudios Turisticos, 133,7-96.

DONAIRE, J.A. (1998) - La reconstruccion de los espácios turísticos. La geografia del turismo después el fordismo, sociedade e território nº 28.

FEIFER, M. (1985) Going Places; MacMillan; London; p. 271.

JENSEN, R., (1999) Dream Society; MacGraw-Hill, NY.

LOCKS, E. B.D. (2007) - Prestação de serviços personalizados, Unisul Virtual; Palhoça; Brasil.

LÓPEZ PALOMEQUE, F. (1997) - La generalización espacial del turismo en Cataluña y la nueva dialéctica litoral-interior, en Dinámica Litoral-Interior. Actas XV Congreso de Geógrafos Españoles. Universidad de Santiago de Compostela y Asociación de Geógrafos Españoles. Santiago de Compostela, pp. 409-418

MOLINA, S.; (2003) - O pós-turismo; Aleph; Série Turismo; São Paulo; Brasil

.PINE; GILMORE, (1999) The Experience Economy;Library of Congress Cataloging; USA.

WEARING, S.; (2001) - Volunteer Tourism. Experience that makes a difference; Walluig ford: Cabi.

URRY, J. (1990) The tourist gaze. Leisure and travel in contemporary societies, Londres: Sage.

VANDER BERGHE, P. (1994) The quest for the order: ethnic tourism in San Cristóbal, México; Seattle/Londres: University of Washington Press.

TARSSANEN, S.; (2009); Handbook for experience stagers; LEO, Rovaniemi.

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR TOUR DA EXPERIÊNCIA, (acedido em 30/12/2012)

ESCOLA SUPERIOR DE TURISMO E TECNOLOGIA DO MAR

TOUR DA EXPERIÊNCIA, (acedido em 30/12/2012) https://twitter.com/TourExperiencia

TOUR DA EXPERIÊNCIA, (acedido em 30/12/2012) http://projetoee.glogspot.com