APOSTILA PSICOLOGIA ABIN 2010

- REPRODUÇÃO PROIBIDA –

www.educapsico.com.br Índice: I A PESSOA E O COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL. 1. Teorias psicodinâmicas do desenvolvimento da personalidade. Página 04 2. Psicopatologias: diagnóstico e evolução (depressão, TOC, transtorno bipolar, estresse pós-traumático, stress, TAG, síndrome do pânico; dependência química, entre outras). Página 77 3. Possibilidades de intervenção na área psicossocial: planos, programas, projetos e atividades de trabalho, psicoterapia breve, terapia de grupo. Página 133 4. Doenças sexualmente transmissíveis. Página 161 4.1 Atuação em programas de prevenção e tratamento. Página 161 5. As fontes de tensão: as emoções, as frustrações, a motivação, os conflitos. Página 164 6. Teorias da motivação. Página 168 7. Percepção, atitudes, valores e diferenças individuais. Página 177 8. Comunicação interpessoal. Página 187 9. O relacionamento interpessoal. Página 193 10. O comportamento social e o desenvolvimento de equipes - a Sociometria. Página 200 11. Teorias e técnicas de dinâmica de grupo. Página 203 12. Liderança: teorias. Página 210 13. A organização como sistema e o desenvolvimento organizacional: pressupostos

básicos, processos, técnicas. Página 216 14. Qualidade de vida no trabalho. Página 220 15. Clima organizacional. Página 225 16. Cultura organizacional. Página 226 17. Métodos e técnicas de pesquisa organizacional. Página 228 II MODELOS E PROCESSOS DE GESTÃO DE PESSOAS. 1. Modelos de gestão de pessoas. Página 230 2. Gestão de pessoas por Competências. Conceito e tipologia de competências. Identificação e priorização de competências. Mapeamento de perfis profissionais por competências. Avaliação de potencial e banco de talentos. Página 239 Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 2

www.educapsico.com.br 3. Recrutamento e seleção de pessoal: planejamento, técnicas, avaliação e controle de resultados. Seleção por competências. Página 253 4. Análise de cargo: objetivos e métodos. Página 258 5. Avaliação de perfil comportamental: teorias, métodos e técnicas. Página 261 6. Instrumentos psicológicos - testes projetivos, cognitivos, inventários aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia: fundamentos, aplicação, correção, levantamento, análise, elaboração de laudos e tabelas. Página 262 7. Treinamento e Desenvolvimento (T&D). Identificação das necessidades de treinamento por competência. O papel do T&D nos programas de gestão de competência. Recursos de ensino. Metodologias de ensino. Página 307 8. Avaliação e gestão de desempenho. Indicadores de desempenho. Avaliação de

resultados. Página 315 III O PSICÓLOGO NAS ORGANIZAÇÕES. 1. Papel profissional, atribuições e competência técnica do psicólogo nas organizações. Página 318 2. A ética do psicólogo nas organizações. Página 319 Referências bibliográficas. Página 330

Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação

Página 3

www.educapsico.com.br

I A PESSOA E O COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL. 1. Teorias psicodinâmicas do desenvolvimento da personalidade. PERSONALIDADE: A OBRA DE SIGMUND FREUD "Se é verdade que a causação das enfermidades histéricas se encontra nas intimidades da vida psicossexual dos pacientes, e que os sintomas histéricos são a expressão de seus mais secretos desejos recalcados, a elucidação completa de um caso de histeria estará fadada a revelar essas intimidades e denunciar esses segredos." Trecho de "Fragmento da Análise de Um Caso de Histeria" (Freud, 1977). Sigmund Freud nasceu em Viena, na Áustria em 1856. Forma-se em medicina, interessa-se por neurologia. Vai estudar em Paris, onde conhece o médico Charcot que já pesquisava o tratamento da histeria através de técnicas com o uso de hipnose e sugestão através da palavra. Retorna à Viena em 1886 com suas observações e é ironizado, no círculo médico, a respeito de suas idéias. Conhece Breuer, renomado médico vienense e junto a este passa observar e estudar atendi mentos clínicos com o uso de hipnose. O denominado método catártico se refere à técnica em que a paciente, sob hipnose, fala sobre lembranças traumáticas retidas num suposto núcleo isolado da consciência. Freud passa então a aprofundar os seus estudos sobre a histeria e descobre o método da livre associação que consiste em convidar os pacientes a relatarem continuamente qualquer coisa que lhes vier à mente, sem levar em consideração quão sem importância ou possivelmente embaraçadora esta situação possa parecer. Abandona assim o método da hipnose e da sugestão. Ele percebe que a partir do momento em que ele se cala as pacientes começavam a associar livremente e elas começam a contar-lhe Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 4

www.educapsico.com.br os sonhos. É a partir da análise do conteúdo desses relatos que ele percebe o papel da sexualidade na formação da personalidade. Em 1900, Freud escreve então “Interpretação dos Sonhos” e em 1905 publica os seus “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”. Toda a teoria de Freud está baseada no pressuposto de que o corpo é a fonte básica de toda a experiência mental. E afirmou que não há descontinuidade nos eventos mentais, isto é, estes, conscientes ou não, são influenciados por fatos que os precederam no passado, são ligados uns aos outros. Determinismo Psíquico. Freud empregou a palavra “aparelho” para caracterizar uma organização psíquica dividida em sistemas, ou instâncias psíquicas, com funções específicas para cada uma delas, que estão interligadas entre si, ocupando certo lugar na mente. Em grego, “topos ” quer dizer “lugar”, daí que o modelo tópico designa um “modelo de lugares”, sendo que Freud descreveu dois deles: a “Primeira Tópica” conhecida como Topográfica e a “Segunda Tópica”, como Estrutural. Primeira Tópica Nesse modelo tópico, o aparelho psíquico é composto por três sistemas: o inconsciente (Ics), o pré-consciente (Pcs) e o consciente (Cs). Algumas vezes, Freud denomina a este último sistema de sistema percepção-consciência. Consciente É através dele que se dá o contato com o mundo exterior. Inclui sensações e experiências das quais há a percepção a cada momento. O sistema consciente tem a função de receber informações provenientes das excitações oriundas do exterior e do interior, que ficam registradas qualitativamente de acordo com o prazer e/ou, desprazer que elas causam, porém ele não retém esses registros e representações como depósito ou arquivo deles. Assim, a maior parte das funções perceptivo – cognitivas - motoras do ego – como as de percepção, pensamento, juízo crítico, evocação, antecipação, atividade motora, etc., processam-se no sistema consciente, embora esse funcione intimamente conjugado com o sistema Inconsciente, com o qual quase sempre está em oposição. Freud não considerava este aspecto da vida mental o mais importante uma vez que há uma pequena parte de nossos pensamentos, sensações e lembranças perceptíveis todo o tempo. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 5 A esse pressuposto foi denominado o termo

www.educapsico.com.br Pré-consciente O sistema pré-consciente foi concebido como articulado com o consciente e funciona como uma espécie de peneira que seleciona aquilo que pode, ou não, passar para o consciente. É uma parte situada entre o consciente e o inconsciente. Parte do inconsciente que pode se tornar consciente com facilidade, na medida em que a consciência precisa de lembranças para desempenhar suas funções, ex. nome de pessoas, datas importantes, endereços, entre outros. Funciona também como um pequeno arquivo de registros, cabendo-lhe sediar a fundamental função de conter as representações de palavra, conforme foi conceituado por Freud, 1915. Inconsciente Parte do funcionamento mental que deposita os desejos instintivos e necessidades e ações fisiológicas. Para Freud, ao longo da vida do sujeito, o inconsciente torna-se um depósito para idéias sociais inaceitáveis, memórias traumáticas e emoções dolorosas colocadas fora da mente pelo mecanis mo da repressão psicológica. Na visão psicanalítica, o inconsciente se expressa no sintoma. Pensamentos inconscientes não

são diretamente acessíveis por uma ordinária introspecção, mas podem ser interpretados por métodos especiais e técnicas como a livre-associação, análise de sonhos e atos falhos presentes na fala, examinados e conduzidos durante o processo analítico. Instinto (Instinkt) Esquema de comportamento herdado, próprio de uma espécie ani mal, que pouco varia de um indivíduo para outro, que se desenrola segundo uma seqüência temporal pouco suscetível de alterações e que parece corresponder a uma finalidade. O termo instinto tem i mplicações nitidamente definidas, muito distantes da noção freudiana de pulsão. Fato que traz diferenças nas traduções, gerando então esta confusão entre os termos. Pulsão (Trieb) Processo dinâmico que consiste numa pressão ou força (carga energética, fator de motricidade) que faz o organismo tender para um objetivo. Segundo Freud, uma pulsão Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 6

canais através dos quais a energia pudesse fluir. podendo ser uma parte ou todo corpo. Por estas pulsões. O objeto de uma pulsão é qualquer coisa. outros parecem fazer uma distinção implícita reservando Instinkt para designar. O termo pulsão tem como mérito por em evidencia o sentido de impulsão.educapsico.. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 7 . é no objeto ou graças a ele que a pulsão pode atingir a sua meta. uma pressão e um objeto. Toda pulsão tem quatro componentes: uma fonte.com. Certos autores parecem empregar indiferentemente os termos Instinkt ou Trieb. ação ou expressão que permite a satisfação da finalidade original. fazendo com que uma satisfação pulsional possa ser substituída por outra e se submeter a adiamentos. qualifica um comportamento ani mal fixado por hereditariedade. uma finalidade. em zoologia. que permite uma satisfação pulsional ser substituída por outra. um comportamento hereditariamente fixado e que aparece sob uma forma quase idêntica em todos os indivíduos de uma espécie. representadas pelas pulsões de vida (responsáveis pela sobrevivência do indivíduo e da espécie) e pelas pulsões de morte (agressivos e destrutivos). uma energia pode fluir. A finalidade é reduzir essa necessidade até que nenhuma ação seja mais necessária.” (Freud. sua capacidade de alterar suas finalidades. é dar ao organismo a satisfação que ele deseja no momento. sua capacidade de se substituírem. pré-formado no seu desenvolvimento e adaptado ao seu objeto. As pulsões básicas foram divididos por Freud (1940) em duas forças antagônicas. 1933). Em Freud encontramos os dois termos em acepções nitidamente distintas.. o seu objetivo ou meta é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional. Segundo Freud: “As pulsões sexuais fazem-se notar por sua plasticidade. A pressão é a quantidade de energia ou força que é usada para satisfazer a pulsão e é determinada pela intensidade ou urgência da necessidade subjacente. por exemplo.www.br tem a sua fonte numa excitação corporal (estado de tensão). A fonte é quando emerge uma necessidade. O mecanis mo pulsional é complexo. As pulsões seriam então. característico da espécie. Karina de O. Quando Freud fala de Instinkt. e por sua possibilidade de se submeterem a adiamentos.

educapsico. gerando uma tensão que exige ser descarregada. A pulsão de vida (Eros) seria representada pelas ligações amorosas que estabelecemos com o mundo. A partir da elaboração das teorias ligadas ao Inconsciente Humano. o autor aprofundou as concepções relativas às pulsões. como lembranças de guerra.br As pulsões são a origem da energia psíquica que se acumula no interior do ser humano. Já a pulsão de morte. além de ser caracterizada pela agressividade traz a marca da compulsão à repetição. mas na fronteira entre os dois. as três estruturas da mente (id. foram i mportantes para que os conceitos de Pulsão de Vida e Pulsão de Morte fossem formulados. Freud irá então reformular sua teoria das pulsões. ego e super ego) desempenham um papel primordial. Explica que repetições.com. enquanto a pulsão de morte (Thânatos) seria manifestada pela agressividade que poderá estar voltada para si mesmo e para o outro. antes dividida em pulsões de auto-conservação e pulsões sexuais. O princípio do prazer e as pulsões eróticas são outras características da pulsão de vida. percebeu que eventos desagradáveis. Para Freud (1933). fundidas e onde há pulsão de vida. a pulsão de morte. assim. Todos esses processos se desenvolvem inconscientemente. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 8 . que determinam o Ser do Psiquismo. poderiam ser constantemente repetidos. A conexão só seria acabada com a morte física do sujeito. Nesse processo de descarregamento de tensões psíquicas. do movimento de retorno à inércia pela morte também. importantes para o surgimento da perspectiva do deslocamento da soberania do consciente e do eu para os registros do inconsciente e das pulsões. Pulsões básicas postuladas por Freud (1933) As descobertas de Freud referentes ao descentramento do sujeito. encontramos. Embora pareçam concepções opostas. também. A Pulsão de Morte (compulsão à repetição) descrita por Freud (1899) ao analisar sonhos.www. e teriam como fonte o Id (será descrito na segunda tópica). as pulsões não estariam localizadas no corpo e nem no psiquismo. O objetivo do indivíduo seria. em Karina de O. a pulsão de vida e a pulsão de morte estão conectadas. atingir um baixo nível de tensão interna. detrminando a forma como esse descarregamento se manifestará. com as outras pessoas e com nós mesmos.

• Libido: impulsos sexuais e impulsos de auto-conservação. destruição. entre outras. podendo ser projetado para o mundo externo sob a forma de agressividade. A mobilidade original da libido é perdida quando há a catexia voltada para um determinado objeto. que podem ser relacionados aos objetos. • Princípio do Prazer / Processo primário: Explicado pelo mecanis mo psíquico em que as pulsões agem no sentido de busca de prazer e evita o desprazer (prazer causado pela redução da tensão. pessoas. Há satisfações alucinatórias neste período. beber. em uma região deste corpo onde nasce uma excitação e o psíquico. no qual pode haver um desinteresse por parte do indivíduo pelas ocupações normais e a preocupação com o recente finado pode ser interpretado neste sentido. dormir. pudesse ser fruto do que ele chamou de pulsão de morte e estas estariam em contradição com o princípio do prazer que rege as pulsões de vida. etc.com. objetos. Alguns conceitos que Freud desenvolveu ao longo de seus estudos relativos à primeira tópica: • Impulso: Energia que possui uma origem interna. A catexia está relacionada aos sentimentos de amor. masoquismo. desprazer causado pelo acúmulo de tensão produzida no interior do aparelho psíquico). • Catexia do objeto: processo de investimento da energia libidinal. situada entre o corpo (somático). Freud nominou este funcionamento de processos mentais pri mários. sadismo. A pulsão de morte estaria presente no interior da vida psíquica dos indivíduos (sob a forma de autodestruição.br sonhos ou mesmo em atos.educapsico.). O luto. raiva. isto é. em que o bebê na ausência do objeto de satisfação tem uma Karina de O. Este princípio rege as primeiras experiências da vida de um bebê recém-nascido.www. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 9 . etc). tendo como característica central a ausência de contradição. como uma retirada de libido dos relacionamentos habituais e cotidianos e uma extrema catexia da pessoa perdida. em idéias. ódio. não leva em conta a realidade. Os primeiros são os responsáveis pela manutenção da vida da espécie e estão relacionados à reprodução. já os segundos são os responsáveis pela manutenção da vida do indivíduo (comer.

o Id tem o poder de agir na vida mental de um indivíduo. processo primário. Tal concepção foi denominada 2ª tópica. um processo não substitui o outro. produto de uma longa elaboração. A satisfação passa a considerar adiamentos e atrasos. é a forma latina do pronome neutro “isto”). sonhos. Apesar de seus conteúdos serem quase todos inconscientes. o ID é o reservatório dos instintos (tanto de vida quanto de morte) e da energia libidinal e é ele que fornece e satisfaz as exigências do Ego e do Superego. • Fantasia: Modo de pensar inconsciente que não leva em conta a realidade. Segunda Tópica: Freud (1975) Freud a fim de apreender a complexidade do dinamismo do aparelho psíquico reelaborou a sua concepção sobre a estrutura da personalidade. o EGO e o SUPEREGO. a personalidade é dividida em três partes que mantém relações mútuas entre si. São elas o ID. iniciada em 1914 no artigo “Sobre o narcisismo: uma introdução”. • Princípio de Realidade / Processo secundário: As experiências pelas quais o bebê vai passando. fornecendo toda a energia para eles. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 10 .br revivescência (reaparecimento de estados de consciência esquecidos ou bloqueados) perceptiva de algo que proporcionou prazer no passado.com. ics e pré-cs) não foi abandonada. ela foi integrada à nova concepção. faz com que esse sujeito passe a considerar a realidade para que suas satisfações sejam obtidas sem que a alucinação seja o meio de alcançálas. porém desta maneira se mostra mais segura e provoca menor risco para a integridade do indivíduo.www. Este mecanismo foi denominado processo secundário e co-existe ao lado dos processos primários. Além disso. Corresponde ao conceito inicial de inconsciente.educapsico. a primeira concepção (aparelho dividido em cs. Id (“es” em alemão. sintomas neuróticos. Está presente nas brincadeiras infantis. apesar de também o ego e o superego possuírem aspectos inconscientes. Características do Id É regida pelo Karina de O. Refere-se à parte inacessível da personalidade. Nesta. isto é. os dois formam um complexo mecanismo de funcionamento psíquico. Entretanto.

Modelo com relação ao ideal e obstáculo com relação ao proibido. com relação a fatos que ocorreram recentemente. onde predominam a realidade e a razão. instrumentos do Ego para lidar com a tensão emanada pelo Id. pelo Ego. porém de forma racional. Impulsos contraditórios coexistem lado a lado. O ego.educapsico. Karina de O. É regido segundo o processo secundário. muitos conteúdos inconscientes também o compõe. necessariamente. É receptivo tanto às excitações internas quanto externas ao indivíduo. a partir da interiorização das imagens idealizadas dos pais. Exerce função crítica e normativa e também de formação de ideais. embora oriundos do Id passam. seu objetivo é reduzir a tensão sem levar em consideração os atrasos. objetos e momentos socialmente aceitos. Age conscientemente e também inconscientemente. É o caso dos mecanismos de defesa. Tem por objetivo ajudar o Id a satisfazer suas pulsões. Embora muitas características do Ego coincidam com o consciente. contato e defesa. investi mentos libidinais. em que as satisfações são obtidas por meio de atos reflexos e fantasias. portanto exerce função de síntese. Não leva em conta a realidade.• www. planejada. Em relação ao Ego pode-se dizer que o superego age como modelo e obstáculo. o Ego é desenvolvido com o passar da vida do indivíduo. Parte do ID que passa a ser influenciada pelo mundo externo. Assim é regido pelo processo primário. Restrições inconscientes são indiretas podendo aparecer sob a forma de compulsões e proibições. sem que um anule ou diminua o outro. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 11 Os .br Caótico e Desorganizado: As leis lógicas do pensamento não se aplicam a ele. e que passa a funcionar como uma defesa protetora contra o que ameaça a vida psíquica. adiamentos e o outro. consciência moral e sentimentos de culpa. • Atemporal: Fatos que ocorreram no passado convivem paralelamente e sem desvantagem de intensidade. • É orientado pelo princípio do prazer: isto é. escolhendo lugares. É o responsável pela auto-estima. Forma-se a partir do declínio do Complexo de Édipo. Superego Forma-se a partir do Ego.com. Ego Segundo Freud.

Traz uma ameaça para o Ego.educapsico. Nas obras de Freud. Ego Ideal ou Eu Ideal Formação intrapsíquica que define Ego Ideal como um ideal narcísico de onipotência forjado a partir do modelo do narcisismo infantil. Além das divergências. o ideal do ego constitui um modelo a que o sujeito procura conformar-se. Freud (1914). Ansiedade Provocada por um aumento de tensão ou desprazer desencadeado por um evento real ou imaginário. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 12 . todos os autores estão de acordo quanto à afirmação da formação inconsciente do ego ideal. perda de amor (rejeição). não se encontram qualquer distinção conceitual entre ego ideal e ideal do ego. Quando isto acontece. coloca-se o ideal de ego e o superego como sinôni mos. enquanto em outros textos a função do ideal é atribuída a uma instância diferenciada. Em O ego e o id.com. alguns mecanismos de defesa aparecem. Freud (1923).br Ideal do ego ou Ideal do eu Instancia da personalidade resultante da convergência do narcisismo (idealização do ego) e das identificações com os pais. colocando em primeiro plano o caráter narcísico desta formação. que aparece a expressão “ideal do ego” para designar uma formação intrapsíquica relativamente autônoma que serve de referência ao ego para apreciar as suas realizações efetivas. Karina de O. com os seus substitutos e com os ideais coletivos.www. É em Sobre o narcisismo: uma introdução. perda de identidade (prestígio). Mecanismos de defesa O ego muitas vezes não consegue lidar com as demandas do Id e com as cobranças do superego. provocando ansiedade. perda da auto-estima (desaprovação do superego que resultam em culpa ou ódio em relação a si mesmo). Exemplo de estressores que podem levar à ansiedade: perda de um objeto desejado. ou pelo menos a uma subestrutura especial no seio do superego. porém outros autores o designam como formações diferentes. Enquanto instância diferenciada.

não percebendo algo da realidade: no caso da morte de alguém pelo qual um sujeito tinha sentimentos de amor e ódio. a criação artística. acidente. Freud utilizou a expressão pela primeira vez no seu "As neuroses e psicoses de defesa". a consciência de algo que traz constrangimento ou sofrimento.com. Vejamos agora alguns mecanismos de defesa. Fatos que só são acessados através de análise ou interpretações de sonhos. Por outro lado não possibilitam um conhecimento real sobre os desejos. etc. na percepção do presente (p. Envolve a não-percepção. O recalque produz-se nos casos em que a satisfação de uma pulsão – suscetível de proporcionar prazer por si mesma – ameaçaria provocar desprazer relativamente a outras exigências” (Lapanche. A moral do sujeito está ligada a este mecanismo. através de distorções da realidade. Por exemplo. Mecanismos de defesa patogênicos Defesas que não eliminam a tensão apenas a encobrem.br A psicanálise supõe a existência de forças mentais que se opõem umas às outras e que batalham entre si. medos e necessidades. por exemplo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 13 .educapsico. Pode atuar nas lembranças. 1991). 1991).www. Na ocasião de seu faleci mento os senti mentos tanto de Karina de O. entre outros). imagens. de 1894. recordações) ligadas a uma pulsão. pois ele diminui a tensão. que atua como censura. Por força de um contra-investimento. São eles: Recalcamento/Recalque “Operação pela qual o sujeito procura repelir ou manter no inconsciente representações (pensamentos. Repressão “Operação psíquica que tende a fazer desaparecer da consciência um conteúdo desagradável ou inoportuno: idéia. Os conteúdos tornam-se pré-conscientes ” (Laplanche. ex. afeto. descritos por LAPLANCHE (1991) Sublimação Defesa bem sucedida contra a ansiedade. um ato psíquico ou uma idéia é excluído da consciência e jogado para o inconsciente. O ego protege o indivíduo inconscientemente. O aumento de tensão ou desprazer é desviado para outros canais de expressão socialmente aceitáveis como. esquecimento de fatos traumáticos acontecidos na infância (ato de violência. Mecanismo consciente.

Um sentimento contrário é colocado no lugar de outro para disfarçá-lo. O fato isolado passa a receber pouca ou nenhuma reação emocional.: um sujeito fala sobre traição conjugal. Projeção Colocar algo do mundo interno no mundo externo. Negação Está relacionado à repressão. O sujeito nega a existência de alguma ameaça ou evento traumático ocorrido. atribuir repugnância e nojo ao sexo. demonstrando compreensão e indiferença ao assunto. Processo de colocar motivos aceitáveis para atos ou idéias inaceitáveis. Fatos podem ser relatados sem sentimento quando um sujeito fala de conteúdos que foram isolados de sua personalidade. objetos ou Karina de O.: Uma mulher pode repri mir tanto um desejo sexual que pode chegar a tornar-se frígida).www. na qual houve sofrimento. Desejos. Formação Reativa Inversão da realidade. negação de algo que aconteceu no passado. O impulso é cada vez mais ocultado. Isolamento Uma idéia ou ato sofre o rompi mento de suas conexões com outras idéias e pensamentos. intenções e sentimentos que são ignorados em si mes mo são atribuídos a outras pessoas. Por exemplo.com. Impulsos agressivos podem dar lugar a comportamentos solícitos e amigáveis. Por ex. negação da iminência de morte de um ente querido. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 14 . como se eles tivessem relacionados a outro sujeito. quando os impulsos sexuais não podem ser satisfeitos. Racionalização Redefinição da realidade. enquanto no passado este sujeito já passou por uma situação de traição conjugal. Por exemplo: negação de um diagnóstico grave. fantasia de que alguns fatos não ocorreram ou não “foi bem assim”.br hostilidade quanto de perda podem não ser percebidos e este sujeito pode mostrar-se indiferente) e até mesmo no funcionamento do corpo (p. Por exemplo: dar explicações racionais para a perda de um emprego ou relacionamento convencendo-se de que estes objetos perdidos possuíam defeitos.educapsico. ex. Culpar um objeto por falhas pessoais ao invés de culpar-se a si mesmo.

entre outros. porém quando estão fortemente associados e trazem dificuldades sociais caracterizam-se enquanto neuroses. que este não tem aprovação dos outros. vestir-se como criança. histeria. fase fálica. fase anal. Deslocamento Acontece quando o objeto que satisfazia um impulso do Id não está presente.com. que foram mais agradáveis. A pessoa então desloca este impulso para outro objeto. Regressão Escapar da realidade. Por ex. Exemplo: falar como criança. O corpo é cercado de regiões (zonas) erógenas que sob estimulação provocam sensações prazerosas. entre outros. quando a tensão foi provocada por outro estressor. dirigir rápida e imprudentemente. Freud associou a satisfação através desta estimulação às fases de desenvolvimento infantil. roer unhas. Seria esta a responsável pela compreensão de toda a vida psíquica posterior na fase adulta. Ao nascer o bebê vai descobrindo tais áreas através da estimulação. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 15 .br animais. quando na verdade este sentimento é para com ele mesmo. por o dedo no nariz. Desenvolvimento Psicossexual Freud (1933) revelou a presença de uma sexualidade infantil.www. transtorno obsessivocompulsivo (TOC). com menos frustração e ansiedade. Retorno do sujeito a etapas de desenvolvimento anterior. ou bater numa criança quando uma agressividade não pode ser expressa em direção ao fator desencadeante. Karina de O. período de latência e fase genital. Por exemplo: gritar com um cachorro.educapsico.: Um pai pode dizer ao seu filho que este não cumpre suas tarefas. Através de suas observações ele categorizou o desenvolvi mento infantil em fases psicossexuais do desenvolvimento. São elas: fase oral. que este não será bem-sucedido. destruir propriedades. Por exemplo: fobias. Neurose Os mecanismos de defesa contra a ansiedade podem ser encontrados em indivíduos saudáveis.

mata o pai e se casa com a mãe. como por exemplo. ele próprio arranca seus dois olhos. O jovem Édipo. Complexo de Édipo – A Lei. uma vez que hábitos de higiene são treinados cercando esta zona erógena de tabus e proibições. A boca neste momento é a única parte do corpo que a criança pode controlar. V antes de Cristo. As crianças demonstram interesse em explorar e manipular esses genitais. A obtenção deste controle fisiológico provoca sensações de prazer. As meninas se dão conta da falta de um pênis. Fase Anal: Por volta dos dois anos de idade a criança aprende a controlar os esfíncteres anais e a bexiga. porém. acalentada e acariciada. estimulada através da amamentação e do seio materno. O pai e a mãe passam a ser objetos de curiosidade e interesse também. ao ser amamentada. Neste momento. a Castração Karina de O. Nesta fase aparece o conflito de substituir os pais e a rivalidade contra aquele que “está tomando o seu lugar”. sem saber de quem era filho realmente. a criança é também confortada. a realidade e a moral colocada pelos pais entram em conflito com os impulsos do Id. Fase Fálica: Acontece quando as crianças se dão conta da diferença sexual. que a criança pode perceber que ir ao banheiro é algo “sujo” e traz repugnância. Podem manifestar ciúmes da atenção dada um pelo outro no casal. etc. Além disso. é comum que brinquem ou perguntar se podem se casar com os pais. Este conflito foi denominado por Freud de Complexo de Édipo.www. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 16 . de Sófocles no séc. língua e mais tarde dentes. Dúvidas e fantasias aparecem. Acontece. por que as meninas não tem pênis. mais tarde quando descobre a verdade. O foco do prazer deixa de ser o ânus e passa a ser o genital.educapsico.br O termo fixação foi designado para descrever um estado em que parte da libido permanece investida em uma das fases psicossexuais. enquanto os meninos se dão conta da presença de um. Além disso. devido a uma frustração na fase atual ou satisfação excessiva na fase anterior. Fase Oral: A pri meira zona erógena é a boca. se elas conseguem urinar. A fase oral desenvolvida tardiamente pode incluir a gratificação de instintos agressivos com o uso dos dentes para morder o seio.com. as crianças vão percebendo que este controle pode ser alvo de elogios e atenção por parte dos pais. frente aos desejos incestuosos e à masturbação. inspirado no mito grego do Édipo Rei.

Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 17 . Para as meninas o complexo foi chamado de Complexo de Electra. Período de latência Independentemente de como se dará a resolução deste conflito com os pais.br O Complexo de Édipo acontece diferentemente para as meninas e meninos. Ao mes mo tempo ele também deseja o amor e afeição de seu pai e desta forma ele vive um conflito de desejar o amor dos pais e ao mesmo tempo temê-los. Assi m como para os meninos.com. A resolução do Complexo: a ansiedade de castração nos meninos fará com que eles abandonem seus desejos incestuosos pela mãe e superem o complexo identificandose ao pai. Surge aí uma hostilidade frente à mãe e seu interesse será destinado ao pai. àquele que pode lhe dar um pênis ou um substituto deste. para as meninas o primeiro objeto de amor é a mãe. quando é instaurada a lei da proibição gerando a interdição paterna. a maioria das crianças por volta dos 5 anos de idade passam a demonstrar interesse em outros relacionamentos. As meninas também passam a identificar-se com a mãe e assumem uma identidade feminina. Freud explicou o Complexo de Édipo masculino mais detalhadamente. afeto e segurança. Esse complexo acaba sendo reprimido. o pai aparece como um rival. de forma parecida com o que acontece no mito do Édipo rei. No conflito das meninas.educapsico. Junto com o desejo de tomar o lugar do pai está o medo de ser machucado. Ele interpreta este anseio como um temor de que seu pênis seja cortado. A repressão feita pelo superego neste momento é bem sucedida e os desejos não resolvidos da fase fálica não perturbam mais.www. parece haver uma menor repressão e o que foi observado é que elas permanecem nesta situação edipiana por mais tempo e até mesmo a resolução pode ser incompleta. Passa a buscar nos homens similaridades do pai. que é nesta época o órgão de sua satisfação de prazer. entre outros. permanece inconsciente. Para os meninos é a castração que os faz superar o complexo de Édipo. que deseja estar próximo de sua mãe. Mas ela perceberá que a mãe não pode lhe dar aquilo que lhe falta: um pênis. esportes. É tarefa do superego (que está em desenvolvimento) impedí-lo de aparecer ou até mesmo que haja uma reflexão sobre ele. Para as meninas é justamente a castração que faz iniciar Complexo de Édipo. Karina de O. A sexualidade não avança mais e os anseios sexuais até diminuem. como nas amizades. Este é o chamado temor de castração. Para o menino. uma vez que ela é a fonte de alimento.

ou gostaria de possuir. ele ama alguém que apresenta características bem semelhantes às que ele próprio possui ou possuiu. na impossibilidade de manter-se como seu próprio objeto de amor.br Fase Genital Nesta fase final do desenvolvimento psicossexual. o indivíduo busca no objeto de amor. Na escolha anaclítica. o indivíduo busca no amor objetal a sua própria i magem. o sujeito deve fazer escolhas e para que isto ocorra o indivíduo deve ter percorrido os estágios psicossexuais do desenvolvimento e até mes mo elaborado o complexo de Édipo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 18 . Manifestações do Inconsciente Freud percebeu. por exemplo. através da Karina de O. Depois. morder o pé) vem como uma forma de satisfação libidinal. transformados em atividades socialmente produtivas. há. e o auto-erotismo (satisfação pelo e no próprio corpo: chupar o dedo. Durante as primeiras experiências do bebê o ego ainda não está formado. Existe a escolha anaclítica e a escolha narcisista. Já na escolha narcisista. portanto uma renúncia ao próprio narcisismo que ele já viveu. desenvolvendo o que Freud chamou de amor objetal.com. Narcisismo secundário: A escolha objetal pode dar-se de duas maneiras. este indivíduo volta-se finalmente para um objeto externo. através do método da associação-livre e a partir dos relatos de sonhos de seus pacientes que o inconsciente não se revela diretamente. meninos e meninas. a mulher ou o homem que uma vez o protegeu. Narcisismo Narcisismo primário: Foi explicado por Freud (1914) como auto-erotis mo. isto é.educapsico. Os impulsos sexuais pré-genitais que acabem não tendo êxito na sexualidade genital podem então ser recalcados ou subli mados. O narcisismo pri mário termina quando o desenvolvimento psicossexual se completa. conscientes de suas identidades sexuais distintas começam a buscar formas de satisfazer suas necessidades eróticas e interpessoais.www. Neste amor objetal.

De acordo com Freud (1900). não temendo punições. Nos sonhos traumáticos. foram interpretados por Freud como uma necessidade de elaboração da situação traumática. Regras gerais podem não ser válidas. “A interpretação dos Sonhos” é considerado dentro de sua obra. Chistes. uma vez que no estado de vigília muitas ações são inaceitáveis devido à repressão e moral. O inconsciente aparece então nos sonhos.br consciência e si m de forma encoberta. piadas) e atos falhos (troca de nome aparentemente acidental. ajudar o paciente a interpretar o sonho. A interpretação de um sonho para Freud só terá sentido no próprio discurso do indivíduo. um dos livros mais importantes. ato falhos Assim como nos sonhos o inconsciente se manifesta nos chistes (brincadeiras. embora apareçam de maneira não clara. entre Karina de O. nos chistes e atos-falhos. Esta distorção permite que o desejo seja aceitável ao ego.com. diferentemente de conteúdos latentes. Sonhos e elaboração onírica Forma de satisfação de desejos que não foram ou não puderam ser realizados. pois energias acumuladas são descarregadas. O livro de Freud publicado em 1900. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 19 . proporcionar um momento de satisfação para que o indivíduo não desperte. É trabalho do analista. Muitos sonhos traumáticos de guerra que aconteciam repetidamente durante o sono de alguns indivíduos que viveram situações de guerra. aparentemente sem nexo e sentido. durante o sonho há uma satisfação adicional ou uma redução da tensão. são manifestados. distorcidos pelos mecanismos de deslocamento e da condensação. erro de endereço. que não conseguem aparecer.www. os conteúdos aparecem disfarçados. Essas repetições podem ajudar o indivíduo de alguma forma a elaborar suas angústias.educapsico. temores e ódio. também há redução de tensão e produção de prazer. Nos sonhos. os conteúdos do sonho são conteúdos manifestos. Fisiologicamente a função do sonho é manter o sono. nos pesadelos. Assim. mes mo que não tenha havido uma realização na realidade físico-sensorial dos desejos. isto é.

Trabalhou como interno da Enfermaria Karina de O.do paciente para com seu analista e do analista para com seu paciente. permite a construção de um relacionamento inédito para o paciente. Formou-se em Medicina e especializou-se em Psiquiatria. A partir daí. Contratransferência O analista deve tomar cuidado com a contra-transferência. Foi primeiramente descrita por Freud.com. quem reconheceu sua importância para a psicanálise para uma melhor compreensão dos sentimentos dos pacientes. dependendo de como fossem manejados. o que pode dificultar a relação terapêutica. ele criou o conceito de transferência e contratransferência: Transferência Transferência é um fenômeno na psicologia. com o processo contrário em que afetos do analista são transferidos para o paciente. Tais sentimentos estariam contribuindo para o sucesso do tratamento ou fracasso.educapsico. A transferência que surge nesta relação torna-se então. o instrumento terapêutico principal. na medida em que permite a atualização dos conteúdos inconscientes que permeiam as relações interpessoais do paciente. caracterizado pelo direcionamento inconsciente de sentimentos de uma pessoa para outra. A relação paciente-terapeuta sob o contexto da livre-associação. Freud percebeu a i mportância de analisar e perceber a expectativa projetada e os sentimentos . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 20 . Esta aparição do inconsciente é dada através dos mecanismos de condensação e deslocamento.tanto negativos quanto positivos . sem risco de juízos alheios.www. foi um psicanalista francês. No decorrer de seus atendi mentos e a partir de alguns casos de abandono de tratamento. CONCEITOS PRINCIPAIS DE JAQUES LACAN “Sou onde não penso. isto é.br outros). penso onde não sou” (Lacan) Marie Émile Lacan (1901-1981).

Ora. no neurótico. o que irei encontrar será um outro. O investi mento libidinal desta forma pri mordial. Karina de O. O bebê olha para a mãe buscando a aprovação do Outro simbólico (Lacan. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 21 . em 1936. ao mesmo tempo em que os esconde de mim.(Freud. desta forma. Lacan faz sua entrada no meio psicanalítico com uma tese completamente diferente: o eu. “boa”. O artigo “O Estádio do Espelho como formadora da Função do ‘jé’” foi apresentado.www. por seu desejo. Propõe então um “Retorno a Freud” . pelo próprio movimento pelo qual ele me esconde de mi m mesmo. Sua reapresentação em Paris. Estudou literatura e filosofia e aproxi mou-se dos surrealistas.br Especial para alienados da Chefatura de Polícia. ao querer forçá-la. Teoria Lacaniana Após 1920. uma dimensão paranóica.fonte das pulsões). o supereu (superego. uma instância reguladora entre o “isso” (id. em 1947.com. interrompendo uma comunicação demasiado longa. bem como uma tensão ciumenta com esse intruso que. O olhar do outro devolve a imagem do que eu sou. Assim.educapsico. sem encontrar outro eco senão o toque de campainha de E. escreveu ele. instala-se o desconhecimento em minha inti midade e.agente das exigências morais) e a realidade (lugar onde se exerce a atividade) . Num primeiro momento fez parte da IPA (International Psicoanalises Association) mas depois acabou saindo e afirmando que os pós-freudianos haviam se desviado da proposta Freudiana. Fica assim sendo representante importante do Estruturalismo. não suscitou maior entusiasmo. um reforço do eu. Id).Jones. constrói-se à imagem do semelhante e primeiramente da i magem que me é devolvida pelo espelhoeste sou eu. Interessou-se pelo estudo das psicoses e em toda sua obra haverá um aprofundamento sobre tratamento de psicóticos. É como outro que sou levado a conhecer o mundo: sendo. 1998). Freud introduziu o que irá chamar de segunda tópica: uma tese que torna o “eu” (ego). como uma finalidade de tratamento. constitui meus objetos. Estudou lingüística e antropologia estrutural (Levi-Strauss) e incorporou esses conhecimentos em sua teoria. para “harmonizar” essas correntes. ao Congresso internacional de psicanálise. será a matriz das futuras identificações. 1933). porque supre a carência de meu ser. Isso. normalmente constituinte da organização do “je” (eu inconsciente. Pode surgir.

O bebê antes do “Estádio do Espelho” (6 meses a 18 meses) não se vê como um corpo unificado. Com o princípio prazer/desprazer verificamos que a energia é maior no desprazer. entretanto. individualidade. sendo que este movimento de precipitação. Ele apresenta iniciando com um mito e apóia-se na idéia de que o ser humano é um ser prematuro no nascimento com uma incoordenação motora constitutiva. Estabelece uma “linguagem” com o “simbólico” mãe. Este passa por um processo de “alienação” para se constituir como sujeito. Este desejo natural coloca o filho em uma situação de escolha definitiva: ou se torna independente pela falta da mãe se transferir para o filho e se tornar um “sujeito faltante” ou é engolido pela “boca de jacaré” da mãe e se torna um “altista” ou um doente mental. a idéia é que o bebê só conseguirá encontrar uma solução para tal estado de desamparo por intermédio de uma “precipitação” pela qual ele “antecipará” o amadurecimento de seu próprio corpo.1987). canibalizar) o seu filho como se fosse parte do seu corpo.5 anos). Porém só quando o bebê perde o objeto do seu desejo (mãe/seio) é que ele verifica que sua mãe não faz parte do seu corpo e não é completa (completude). fragmentado sem unidade. etc. Esta perda/separação vem através do “Significante Nome do Pai” que são as leis e limitações naturais da vida (trabalho. é que leva o bebê sair da sua prematuração neonatal. o bebê busca o prazer através do seio materno (leite e libido oral).com. engravida.www. Essa precipitação na imagem do outro.br O termo “Estádio do Espelho” teria sido inventado por Henri Wallon. falta) da mãe é completado com o nascimento do filho. Lacan apresentou com uma outra forma. Quando a criança se torna uma Karina de O. graças ao fato de que ele se projeta na imagem do outro (figura materna) que se encontra como que por milagre diante dele. necessidades outras. leva o bebê a uma alienação. dependente da mãe. Sua mãe/seio faz parte dele e ela (mãe. “boca do jacaré”) sente como se ele (filho/falo) fosse parte dela (Lacan. O “falo” (falus.). A mãe deseja ter um filho (lhe dá um nome). Com o fim da fase oral (canibalesca 0 a 1. O bebê tem (é obrigado) a se “alienar” para que se constitua um “sujeito”. se sente como um corpo fragmentado. Reconhece que seu filho é um ser humano e quando este chora porque está com fome lhe dá o “Objeto seio” para a satisfação do bebê no prazer da oralidade (leite/alimento e a catexia da libido oral) passando o bebê da natureza (instinto-animal) para a cultura (pulsão-homem). De acordo com Lacan (1998). Chamamos “boca do jacaré ou crocodilo” o desejo da mãe de possuir (comer. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 22 .educapsico. neste outro.

O “sujeito”. Nessas condições. No sujeito humano se produzem substituições de posição que fazem com que. existindo duas pessoas distintas. que o antecipa em sua história. por conseguinte. Na fala encontraremos a saída para a “repetição da dívida”. e poder encontrá-la na “fala”. sujeito). seria uma escolha lógica e única: “Você perde a bolsa e ganha a vida” ou “Perde a bolsa e perde a vida”. Quando realizamos uma análise. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 23 .br psicótica a figura materna não o reconheceu como ser humano e não aconteceu a alienação com separação. inserila na linguagem. É no outro e pelo outro que aquilo que quero me é revelado. o destino do ser humano é absorver as dívidas do Outro. pensamos poder encontrar uma saída para a repetição da dívida. verifica o “rapto” que esse outro opera nele. Meu desejo é o desejo do outro. de saída por uma dívida que não foi ele que a contraiu. uma dívida contraída pelos outros. O inconsciente é o lugar onde se encontra a dívida.educapsico. Essa história de alienação no outro. A alienação tem o sentido de que o bebê não tem uma unificação.www. ao torná-la um processo histórico constituído pelo e no “Outro”. foi nas gerações precedentes que ela foi contraída. Neste momento identifica a “falta”. Na verdade não seria uma pergunta. No entanto. deixando de ser fragmentado. De modo que o objeto de meu desejo é o objeto do desejo do outro. a partir do momento em que começa a falar. substituir o Outro para pagar a dívida em questão. conseguiremos. que é o “desejo do Karina de O. ou o que o Outro queria ou via em nós. a separação da mãe e a constituição do “sujeito faltante”. é senão a imagem do outro. na verdade não é uma escolha. o bebê (eu. na medida em que substituímos um Outro que a contraiu por mi m. de uma ameaça de um ladrão onde ele pergunta: “Ou a bolsa ou a vida”. a não ser o que o outro me revela. O bebê na grande maioria das vezes escolhe ser um “sujeito faltante” ou um “sujeito neurótico normal”. e ele constitui como sujeito devido ao resultado do efeito que esse outro (mãe) tem no bebê. no encontro com o espelho. Lacan (1987) cita um relato da escolha que mostra esta situação. não vemos o discurso do Outro. No espelho a criança vê que ele existe e não é o Outro (mãe). embora tenha que pagá-la. O sujeito neurótico paga uma dívida que não contraiu. segundo Lacan (1987). O ser humano é constituído. ao torná-la “simbólica”. O desejo é. Não sei nada de meu desejo. Sendo que o “desejo”. o sujeito já não é como antes. É no espelho que a criança vê seu corpo unificado. Esta escolha. que define a alienação constitutiva do ser. uma seqüela dessa constituição do eu no outro. pela primeira vez. acima de tudo.com.

www. É o momento do Estádio do Espelho. que foi definido pelo autor como “estruturado como uma linguagem”. Para Lacan (1998) há três registros psíquicos: o registro no Campo Imaginário. É o lugar das identificações e das relações duais. de ilusão. LéviStrauss afirmava que "os símbolos são mais reais que aquilo que simbolizam. de alienação. foi o nome próprio assumido pelo mais-além da demanda. pois o Inconsciente seria autônomo com relação ao Eu. que Karina de O. a divisão do sujeito. isto é. o registro no Campo Si mbólico e o Registro no Campo do Real. Sua primeira intervenção na psicanálise é para situar o Eu como instância de desconheci mento. que marca o desejo do Outro é a “pulsão”. É o Significante do Nome do Pai). Seu ensino deu-se primordialmente através de seminários e conferências. Outros conceitos foram desenvolvidos por Lacan que só com o tempo. definirá os caminhos que o Outro me prescreveu. Marca-se aqui a autonomia da função simbólica. O mais-além da demanda foi interpretado como o significante. que a demanda é dirigida ao Outro. juntamente com fenômenos como amor. através da fala e da linguagem que é possível haver acesso ao inconsciente. sede do narcisismo. Distingue-se do Sujeito do Inconsciente. Esse além assumiu o nome próprio de “desejo”. na medida em que o sujeito humano é efeito da linguagem. Este é o Grande Outro que antecede o sujeito. efeito de uma dívida constitutiva. engendrava o signo. é o campo da linguagem. agressividade.educapsico. É a criação de “cortes” que produz a ordem Significante e Lacan chamaria estes de “ponto de basta” com a operação do “Nome-do-Pai” (As leis da cultura: trabalho. que separando sons e pensamentos. Este salto foi fundamental. do significante. E é no registro do Inconsciente que deveríamos situar a ação da psicanálise. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 24 . é que nos acostumamos. etc. corte. O significante inconsciente. em Lacan. ódio. Esse desejo. instância simbólica. o significante precede e determina o significado”. Lacan reafirma. no que é seguido por Lacan. O Eu é situado no registro do Imaginário.br Outro”. O inconsciente é o discurso do Outro. então. É a partir do campo simbólico. pois. A criação do significante (e do significado. por conseguinte) residia no corte de elemento distinto. Esse registro é o do Simbólico. “paciência” e sem medo de aprender novos termos.com. obrigação. “apagou” efetivamente a problemática do mais-além e passou a dissimulá-la por completo. Se existe um mais-além da demanda.

revalorizando a escrita. de Meyerson. Seu pensamento sobre o Real deriva pri meiramente de três fontes: a ciência do real. operador do Complexo de Édipo. enfim. Real.educapsico. através de atos falhos. Se grande parte de sua obra foi marcada pelo signo de um retorno a Freud. Lacan articula neste processo dois grandes conceitos. o Nome-do-Pai e o Falo. Lacan pensa a lei a partir de Lévi-Strauss. O Simbólico é o registro em que se marca a ligação do Desejo com a Lei e a Falta. O Real toca naquilo que no sujeito é o "improdutivo". constrói uma Lógica da Sexuação ("não há relação sexual". O desejo é uma falta-a-ser metaforizada na interdição edipiana. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 25 .www. chistes e de relatos de sonhos. Registros (Lacan. Para operar com este campo. a falta possibilitando a deriva do desejo. O campo de ação da psicanálise situa-se então na fala. Simbólico e Imaginário. suas criações. Lacan considera o Real. A isto se refere o aforismo lacaniano "o inconsciente é estruturado como uma linguagem". naqueles fenômenos que Lacan nomeia como "formações do inconsciente". através do Complexo de Castração. 1987): Imaginário Forma-se a partir do Estádio do Espelho: Estádio do espelho Karina de O. onde o inconsciente se manifesta. e do conceito de realidade psíquica.com. junto com o Objeto a ("objeto ausente"). RSI. "não cessa de não se inscrever". É na década de 1970 que Lacan dará cada vez mais prioridade ao registro do Real. da Heterologia. o gozo. pelo Nó Borromeano. (1998) "a lei e o desejo recalcado são uma só e a mesma coisa". sua "parte maldita". da interdição do incesto que possibilita a circulação do maior dos bens simbólicos. Para Lacan. Lacan envereda pela Topologia. Na tentativa de fazer a psicanálise operar com este registro. as mulheres. cria seus Matemas. desejo enquanto metonímia. de Bataille. já que é "aquilo que não serve para nada". ao Real cabe aquilo que resiste a simbolização. "o real é o impossível". Em sua tópica de três registros.br só se constitui através deste . esquecimentos. resto inassi milável."o inconsciente é o discurso do Outro". "A Mulher não existe"). ou seja. de Freud. "o desejo é o desejo do Outro".

Uma unidade e uma subjetivação e também alienação. identificação narcísica. por exemplo. aos seus semelhantes.com. momento de constituição do ser. 3ª etapa: A criança reconhece este outro como sendo sua própria imagem. pois o outro também faz a função de espelho. deseja ser um todo. ou relação especular. Em termos lacanianos esta criança deseja ser o Falo desta mãe. aquele que detém o poder de possuir o que falta ao outro. A criança deseja não só receber os cuidados e afeto de sua mãe. Há uma indistinção da criança com a mãe. ao desejo de sua mãe. alienação. portanto. mas. a hiância que havia antes entre o corpo e sua imagem é então preenchida. indistinção. mas também que seja o que falta a essa mãe. cujas características são: relação imediata. com o pênis. Falo não deve se confundido. 1ª etapa: a criança reconhece na imagem do espelho uma realidade ou pelo menos a imagem de um outro. No estádio do espelho este corpo dá lugar a uma imagem totalizada do corpo. com o órgão sexual. tem traços em comum com a relação da criança com sua mãe. E é por isto que a definição de desejo na teoria lacaniana é: “o desejo é o desejo do outro”. que lhe permite reconhecer-se. Lacan descreve uma identificação primária da criança com a sua própria imagem e a qualifica de imaginária.www.educapsico. onde uma imagem é projetada ou não necessariamente. constrói uma imagem de si. este outro que estaria detrás do espelho. um complemento. Esta relação com o espelho. Pode prescindir de um espelho. subjugação da criança à sua imagem. Antes há a noção de um corpo despedaçado. uma vez que a criança identifica-se com algo que não é ela própria. Simbólico Karina de O.br Descrito como o momento em que a criança descobre. Ponto decisivo na origem do ser. Não há um eu antes do estádio do espelho. Passa a haver uma divisão entre um mundo interno e externo. No caso de uma pessoa cega. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 26 . A brecha. O indivíduo tem por desejo ser o desejo de sua mãe. Traços imaginários. 2ª etapa: A criança não mais tenta pegar este objeto real.

uma vez que a criança percebe que este pai é desejo da mãe. A criança que queria ser o falo da mãe. expressos possuem outros significantes associados. a entrada da criança na ordem si mbólica. O simbólico traz consigo a cultura. inerentes a esta trama da linguagem. o sujeito é dominado e constituído pela ordem simbólica. é quem tem o falo. de Saussure sobre significantes e significados . Se a mãe aceita a lei paterna.” Rede ou cadeia significante Significantes inconscientes. – (Semântica). muitos Por exemplo: as inscrições: Homem/Mulher nas portas de banheiros públicos tem por traz destes significantes muitos outros relativos à cultura da segregação Karina de O. a criança então se identificará ao pai.www. Acontece aí o encontro com a Lei do Pai. castração (ser castrado significando não ter o Falo). refere-se aos significantes. uma falta de ser. Esta castração mostra ao sujeito que há uma FALTA..) . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 27 . a linguagem e a civilização. O pai. o código. dos sexos. é privada disto pelo pai. A criança sai da relação dual com a mãe para entrar então na tríade familiar. Passagem do ser ao ter. Supremacia do significante “Os significados são apenas variações individuais e só ganham coerência dentro da coerência da rede significante. O sujeito entra na trama da linguagem . 1º tempo do Édipo: Coincide com a 3ª etapa do Estádio do espelho. aquele quem tem o falo e haverá então. portanto. Lacan enquanto pesquisador no campo da lingüística traz a contribuição de F.educapsico.br Acesso à ordem simbólica: a partir do Complexo de Édipo.com. Significantes são desde oposições fonemáticas até locuções compostas (frases. A língua. 3º tempo do Édipo: acesso ao Nome-do-Pai e à ordem si mbólica. onde havia uma indistinção dela com esta própria mãe.(Semiologia) O discurso pronunciado refere-se aos significados. 2º tempo do Édipo: interdição do pai. Este priva a mãe de um Falo. O inconsciente é estruturado como linguagem : ao adquirir a linguagem..

A mãe poderia encontrar nesta criança o que supostamente espera do pai. Quer assegurar o controle onipotente do objeto. se submetendo a ela de bom ou mau grado. Metonímia Correspondente do termo Freudiano de deslocamento. um estágio pelo qual devo passar para alcançar algo”. Mecanismos constitutivos da homossexualidade e do fetichismo. Traços: desafio e transgressão. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 28 . A única lei do desejo é a sua e não do outro. Há uma combinação. “minha responsabilidade ainda não é a de um profissional”. “Estou numa fase de transição. O significante Touro engloba outros: força. Não há o desejo do desejo do outro. Estruturas clínicas: Neurose. Neurose: Aceita a obrigatoriedade da castração. Desejo: orientado pela questão da castração. Parte pelo todo. Sentem-se amados demais pela mãe. Neurose Obsessiva: Nostálgicos do ser. resistência. Exemplo: “Sou Estagiário”. Todo pela parte. Psicose. 1987) Dependem principalmente do que se passou durante as fases inicias: Estádio do Espelho e vivência do Édipo. Não há a renúncia ao objeto primordial. Defesas: fixação e a regressão. Competição e rivalidade. Diacronia. braveza. são elas: a metáfora e a metonímia. dizer a um homem: “Você é um touro”. Frente à angústia de castração há a mobilização de recursos defensivos para contorná-la. Karina de O. Criança se coloca numa posição de suplência à satisfação do desejo materno. Como se esta satisfação lhe tivesse sido uma falha. mas desenvolve uma nostalgia sintomática diante da perda sofrida. e denegação da realidade.com. Por exemplo. Perversão feminina traz uma discussão problemática. etc.www. Dificuldade de perceber a ausência do pênis na mãe. Sincronia.br Há leis que regem a linguagem e o inconsciente. Perversão: No Édipo só aceitará a castração se houver a possibilidade de transgredi-la. Metáfora Correspondente do termo Freudiano de condensação. Ocupa o lugar de gozo do outro. Perversão (Lacan. Há uma substituição. “ainda não possuo um título”.educapsico. Perversão descrita e percebida nos homens. Este significante esconde outros tantos como. Não consegue assumir a sua parte perdedora.

tanto biológica como espiritualmente.104) Integrando o Biológico e o Espiritual Carl Gustav Jung nasceu em 1875 na Suíça.educapsico. Implicitamente há uma sensação no histérico de que ele não pode ter o falo. que é quem o possuía anteriormente. Anulação Retroativa. Em 1900. Psicose: A psicose está relacionada com uma passagem mal sucedida pelo estádio do espelho. Traços: reivindicação do ter.com. Então. Ambivalência. Ingressou nas Universidades de Basiléia e Zurique para estudar medicina. com tal interesse pelo homem. cavando seu leito num único percurso. cursou Medicina e especializou-se em Psiquiatria. Depois teve interesse pelas idéias de Schopenhauer e Nietzsche. Isolamento. 1981.br Traços: economia obsessiva do desejo. idéias que influenciaram a construção de sua Psicologia Analítica.www. Há assim uma reivindicação permanente pelo fato de a mãe também poder tê-lo e o próprio sujeito também poder tê-lo. Os psicóticos estariam presos ao corpo despedaçado. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 29 . Lá estava o campo comum da experiência dos dados biológicos e dos dados espirituais” (JUNG. já tinha noções de Kant e Goethe. Evita o encontro com a falta. Organização obcecante do prazer. O pai tem direito ao falo e é por isso que a mãe o deseja. que se dá no declínio do Complexo de Édipo. No desejo histérico há uma constante: permanecer insatisfeita. Indecisão permanente. O hospital era dirigido por Eugen Bleuler. que utilizava a teoria do associacionismo. que tem como base Karina de O. a Psicologia entra na sua vida. INTRODUÇÃO A TEORIA DE REICH E JUNG “Somente nela poderiam confluir os dois rios do meu interesse. Neurose Histérica: Questão do passo a dar na assunção da conquista do falo. Jung conclui a faculdade de medicina e saiu da Basiléia para ser o segundo assistente no Hospital Psiquiátrico Burgholzli em Zurique. p. Caráter imperioso da necessidade e do dever. Sedução: mais colocada a serviço do falo do que de seu desejo. que existe antes da identificação do corpo à i magem especular. Mas acredita que o pai só o tem porque tirou da mãe. Obstinação.

amigos e pacientes cria sua Escola. essas experiências tornaram-se uma forma de explorar o inconsciente. em que Jung apresenta noções parecidas entre as fantasias psicóticas e os mitos antigos. Os estudos de Bleuler e seus colaboradores. Bleuler também trazia à Psiquiatria uma base psicológica. Dessa maneira. incentivado por colegas. a chamada palavra induzida. A afinidade entre as idéias de Freud e Jung deteriorou-se com a publicação da Psicologia do Inconsciente.educapsico. Índia e Quênia Karina de O. há um núcleo que possui alta carga afetiva. Este passa a estabelecer associações com outros elementos. ou ainda áreas de bloqueio afetivo de que os sujeito não tinham consciência.com. voltam-se à esquizofrenia. Notando uma proximidade entre seus estudos e aqueles feitos por Freud. pois. Para o desenvolvimento de suas teorias Jung utilizou conhecimento de mitologia (trabalhos em colaboração com Kerensky) e História e culturas de países como México. chamadas palavras indutoras. em 1912 (revista em 1916).www. idéias ou representações afetivamente carregadas e autônomas da psique consciente. que dizia palavras isoladas. Neste modelo havia uma pessoa. como Jung. ou seja. aproxima-se da Psicanálise. Este pedia que o sujeito do experimento respondesse com a primeira palavra que viesse a sua mente. Era medido o tempo de resposta entre dizer a palavra indutora e responder a palavra induzida. o experimentador.br experiências de associação verbal. A origem do complexo é uma situação psíquica considerada incompatível tanto com a atitude como com a atmosfera consciente de costume. formando assim a chamada “psique parcelada”. Com sua experiência. a cada palavra indutora. Jung se interessava pelos estudos feitos por Freud. Nisso. e com isso veio a hipótese de que essas palavras deveriam atingir conteúdos emocionais das pessoas. Buscava com palavras indutoras descobrir os conteúdos inconscientes que estavam sendo alcançados e denominou-os “complexo psíquico”. Jung observou as diferentes reações nos sujeitos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 30 . Desde então.

Para Jung os arquétipos são elementos necessários para a auto-regulação da psique. tais como: enfrentar a morte de um ente e cuja manifestação simbólica encontra-se nos mitos. Inconsciente Coletivo O inconsciente coletivo são sensações. na Alquimia. cultura e individuais. em Kusnacht. Deixa contribuições científicas importantes para o estudo e compreensão da alma humana. Processo de Individuação e os Arquétipos Através do processo de individuação o homem realiza sua potencialidade ou autodesenvolvimento. nos contos de fadas. Os principais arquétipos descritos no Karina de O. nas grandes religiões.www. 1971). independente das diferenças de raça. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 31 . O arquétipo traduz-se. pensamentos e memórias compartilhadas por todos os seres humanos. enquanto fenômenos psíquicos. ou imagens primordiais. nas artes. na filosofia. são experiências comuns a toda humanidade. preenchidas por materiais da realidade. sendo assim. nas produções do inconsciente de modo geralseja nos sonhos de pessoas normais. O inconsciente coletivo se compõe do que ele chamou de arquétipos.educapsico. tornar-se um ser único. ou seja. sejam em delírios dos loucos” (SILVEIRA. Criou a Psicologia Analítica e é visto como um dos grandes expoentes do século XX. nos contos de fadas e outros.com. permite compreender por que em lugares e épocas distantes aparecem temas idênticos. “A noção de arquétipo. Em sua obra constam as questões espirituais. em imagens formadas a partir da interação com ambiente.br Jung adoeceu e faleceu em 06 de junho de 1961. postulando a existência de uma base psíquica comum a todos os humanos. então. nos mitos nos dogmas e ritos das religiões. ou seja. nas fantasias.

o núcleo do material que foi reprimido da consciência. feminino e masculino. o indivíduo passa a se defrontar com outro lado. ou seja. herói. aquilo que descuidamos e nunca desenvolvemos em nós mesmos. O Ego identifica-se com a Persona em maior ou menor grau. ninguém vive inteiramente dentro dos moldes que são determinados pela consciência coletiva. Para Jung. o Animus e o Self. profissionais e nossa expressão pessoal. a Ani ma. sereia etc. pois.com.br processo de individuação são: a Persona. sensibilidade e outros. dos seus defeitos e impulsos contrários aos padrões e ideais sociais. O termo Persona é derivado da palavra latina equivalente à máscara. tais como: sentimentos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 32 . estados de humor. Persona É a forma que nos apresentamos ao mundo. São componentes contra-sexuais inconscientes. através dela nos relacionamos com as outras pessoas. para se adaptar ao ambiente em que vive. A Anima geralmente é representada por princesa. É o nosso caráter. Sombra É o centro do inconsciente pessoal.www. à medida que a consciência do homem é masculina. uma fonte de neuroses. feiticeiro etc. isto se torna. tentando preenchê-los e corresponder às expectativas. então. a Sombra é aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade. Abaixo descrevemos cada um desses arquétipos. Então.educapsico. a Sombra. Já na mulher o Animus personifica as Karina de O. ou seja. A Persona inclui nossos papéis familiares. haverá outra parte feminina em seu inconsciente e vice-versa para a mulher. o indivíduo assume os papéis que lhe cabem nas diferentes situações em que se encontra. Já o Animus é representado como príncipe. Este outro lado foi chamado de Sombra. Anima e Animus São os arquétipos. fada. a Ani ma é a personificação das tendências psicológicas femininas na psique do homem. À medida que o Ego rejeita a imagem ideal que tem de si.

o ideal é que cada indivíduo seja flexível e possa adotar uma das duas de acordo com o que for necessário. Uma exclui a outra. a) Introvertidos Os introvertidos estão ligados em seus próprios pensamentos e sentimentos. Mas. muda de acordo com a ocasião em que algumas vezes a introversão é mais apropriada e. nenhum indivíduo é apenas introvertido ou extrovertido. ou na forma de outro símbolo de divindade. ou seja. Este centro se constituirá num ponto de equilíbrio que garante uma base sólida para a personalidade. Introversão e Extroversão Para Jung cada indivíduo se caracteriza de acordo com como é voltado para seu interior ou para o exterior.educapsico. o arquétipo da ordem. e que haja um equilíbrio. como um círculo ou quadrado. ou equilíbrio dinâmico. Todos estes são símbolos da totalidade. Mas. O processo de individuação tem como meta o Self. é organizador e determina o desenvolvimento psíquico. o Ego não será mais o centro. ou de forma pessoal como um velho ou uma velha sábia. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 33 . Como o processo de individuação é uma aproximação entre consciente e inconsciente. O Self é simbolizado em sonhos ou imagens de forma impessoal. Mas. tem que se tomar cuidado para Karina de O. unificação. eles se complementam. uma criança divina. Self É chamado por Jung de arquétipo central.com. da totalidade da personalidade.br características masculinas. em outras situações a extroversão é mais adequada. os objetivos do processo de individuação. em seu mundo interior. como pensamentos rígidos. portanto não se pode manter ambas ao mesmo tempo e uma não é melhor do que a outra. Os dois tipos de pessoas são necessários no mundo. enquanto a energia do extrovertido se direciona mais para seu mundo externo. A energia daqueles que são introvertidos se direciona para seu mundo interno. Estes são arquétipos que determinam o encontro do eu com o outro. com tendência à introspecção.www. ou seja.

Pensamento É uma maneira diferente de preparar julgamentos e tomar decisões. o que se pode ver. Têm que se proteger para que não sejam englobados pelo mundo externo.com. Sensação e Sentimento Para Jung.br que estas pessoas não mergulhem de forma excessiva em seu mundo interior. que às vivências. Pensamento. São pessoas sociáveis e conscientes do que acontece à sua volta. Eles relacionam prontamente as experiências passadas complacentes e as experiências relevantes atuais. Sensação É classificada junto com a intuição. representado no arquétipo da sombra coletiva. têm como característica fazer grandes planos. sensação e percepção. confrontando-se o inconsciente pessoal e integrando-o com o inconsciente coletivo. A Sensação está ligada à experiência direta. As pessoas em que predomina o pensamento são consideradas reflexivas e. pensamento. Intuição É uma forma de acionar informações das experiências passadas. O pensamento está relacionado com a verdade e com julgamentos. são formas de adquirir informações e não formas de tomar decisões. tocar.educapsico. ou que seria possível. b) Extrovertidos Já os extrovertidos estão ligados ao mundo externo das pessoas e dos objetos. tornando raro seu contato com o ambiente externo. ou a integridade. Karina de O. intuição. e acabam não desenvolvendo suas próprias idéias e opiniões. através da reconciliação dos diversos estados da personalidade. que é dividido também nas sub-variáveis. de fatos concretos. São pessoas que têm como base as idéias de outros. Os intuitivos dão mais importância ao que poderia vir a acontecer. um paciente pode alcançar um estado de individuação. ou seja. Intuição. pois. tais como. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 34 . na percepção de detalhes.www. objetivos futuros e processos inconscientes.

Reich Psicologia Corporal:o histórico de sua formação Wilhelm Reich nasceu em 24 de março de 1897 na Galícia ucraniana. Visitou Freud pela primeira vez com o intuito de buscar ajuda para organizar um seminário de sexologia na escola de Medicina que ele freqüentava em 1919. Símbolos Para Jung. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 35 .www. A partir de então. Em 1915 serviu ao exército. têm facilidade de lidar com crises e emergências cotidianas. Pode ser um termo. Os símbolos coletivos também são importantes e geralmente são imagens religiosas. que são produções espontâneas da psique individual. de preferência emoções fortes. Os sentimentais são voltados para o lado emocional da experiência. algo dinâmico. a priori o inconsciente se expressa através de símbolos. Para ele um símbolo é alguma coisa em si mesma.com. Sentimento Uma maneira alternativa de preparar julgamentos e tomar decisões. um nome ou uma imagem familiar na vida diária. a função dos sonhos é tentar equilibrar o nosso psicológico através da produção de um material do sonho que refaz o equilíbrio psíquico total.br Os sensitivos respondem ao presente. Trabalham como pontes entre consciente e inconsciente. em 1918 ingressou na Faculdade de Medicina de Viena. mas possui significados além do convencional e óbvio. Dão valor à consistência e princípios abstratos. que representa uma dada situação psíquica do indivíduo. Sonhos Os sonhos possuem mais emoções intensas e imagens simbólicas que nosso pensamento consciente.educapsico. no Império Austro-Húngaro. Suas decisões são tomadas de acordo com seus valores. Ele se interessa por símbolos naturais. ressaltamos três momentos da sua vida e obra: Karina de O. Para Jung.

com a intenção de conquistar a legalização do aborto. o aborto era proibido e os anticoncepcionais controlados. Reich inscreve-se no Partido Comunista e intensifica seus estudos sobre Marx a fim de aproximar-se do Materialismo Dialético e Psicanálise. já com alguma resistência dos psicanalistas com as questões da potência orgástica e da couraça caracterológica. funda a Policlínica Psicanalítica. vincula-se ao Partido Comunista alemão. a eliminação de doenças venéreas e a prevenção dos problemas sexuais através de uma educação sexual e distribuição de anticoncepcionais.educapsico.br 1) 1919 a 1926: É o momento que se dedica à Psicanálise. Karina de O. Reich ingressa na Sociedade Vienense de Psicanálise. que seriam para ele.www. criou seis centros de Higiene Sexual nos subúrbios de Viena. pois.com. Neste dia. devido a aproxi mação com o ideal de Marx. Publica seus primeiros trabalhos. Luta pelo fim da proibição do aborto. Em 1931 funda a SEXPOL (Associação para uma Política Sexual Proletária). os operários se revoltam e fazem uma manifestação de repúdio da qual Reich participa. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 36 . funda a Associação Socialista para a Investigação e Ajuda Sexual. Em 1928. Neste trabalho mostra interesse pela miséria sexual dos operários. pelo divórcio e sugere tratamento para as agressões sexuais e não punição. voltando sua atenção à miséria sexual dos operários e a relação desses com suas neuroses. propõe a prática revolucionária da Psicanálise. a geradora das patologias. Em 1930. Estabelece uma ligação entre a ansiedade. onde vários operários foram massacrados. Nesta houve choque com a polícia. Após a morte de dois operários numa reunião do partido socialista e o fato dos assassinos serem julgados e absolvidos. tornando-se assim discípulo de Freud. em que em um ano teve 20 mil membros. uma clínica gratuita em Viena. que está ligada à procriação e a origem das neuroses. Em 1922. Em 1929. Especializa-se em neuropsiquiatria e passa a trabalhar como psicanalista em consultório. realiza conferências em congressos psicanalíticos. estabelecendo-se em Berlim. Reich busca uma revolução sexual que elimine a repressão imposta pela moral conservadora. 2) 1927 a 1935: É o momento de crítica à Psicanálise ortodoxa.

vai deixando o Materialismo Dialético e se aproxi mando da Fisiologia e da Biofísica. que são causadas por uma disfunção somática. desenvolve aparelhos. seus dirigentes se assustam com dimensão da SEXPOL e. que têm como sintomas uma expressão simbólica dos conflitos de infância e. À priori Reich se aprofunda no estudo psicanalítico. Desenvolvimento da Psicologia Corporal Em 1915.br Em 1933. dividindo-as em duas. as neuroses atuais. Nesse momento. pois. que são neuroses com causas psíquicas. é preso e morre na prisão. Em 1957. Reich defronta-se com os conceitos freudianos. é expulso da Associação Psicanalítica Internacional (IPA).www. Em 1954.com. as psiconeuroses. que acumulam energia orgone. vai para os Estados Unidos. Reich passa a estudar a intensidade da energia e o Karina de O. Com tudo isto. nesta os sintomas somáticos não passam por intermédio psíquico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 37 . tendo como principal causa as neuroses atuais. Em 1934. Começa suas pesquisas sobre bions e orgone cósmico. com esta visão das neuroses ele se aproxima do Marxismo e da Biologia. mas.educapsico. pois. Freud desenvolve a classificação das neuroses. 3) 1936 a 1957: Neste momento começa a deixar a prática político-psicanalítica. voltada à juventude e ao proletariado. onde funda uma editora. monta um laboratório e lança um jornal. Em 1939. Pensava em uma política sexual libertadora. é perseguido pelo FBI que considera que suas pesquisas referentes à energia orgônica são para espionagem nazista ou comunista. é expulso do Partido Comunista. Em 1944. é perseguido pelos nazistas. é condenado por vender aparelhos terapêuticos ilegalmente. entra em contato com a Fisiologia e com a Biologia até chegar à Cosmogonia. a libido. cuja origem é a insatisfação sexual. Então. para serem utilizados na prevenção e cura das doenças mentais e físicas. posteriormente compreende a neurose como resultante de energia sexual. submetida à repressão moral.

que são emoções não expressas bloqueadas na musculatura que geram uma tensão crônica e inconsciente.educapsico. O caráter se dá de acordo atitudes habituais de uma pessoa e de seu padrão de respostas para diversas situações. (REICH. de proteção contra os estímulos externos e.1933). se torna o processo de repressão não necessário ou ainda transforma a repressão numa formação rígida. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 38 . A energia acumulada adquire força. ou seja. por um lado. a couraça torna-se cada vez mais crônica. o Ego aumenta suas defesas. As defesas de caráter são difíceis de Karina de O. Isto se torna repetitivo. estrutura o caráter. A proposta da análise do caráter de Reich inclui a noção de desenvolvimento da couraça caracterológica. “Tal couraça serve. Durante sua vida. Esta é uma defesa contra a ansiedade. a qual é aceita pelo ego. por outro lado. O Ego. pelo mundo externo e interno.br grau de excitação somática do indivíduo dedicando-se à análise de seus dois casos clínicos. o indivíduo passa pelos conflitos entre o desejo libidinal e as pressões da sociedade. que faz o intermédio entre as demandas do Id e do Superego. Uma parte da energia do Id é utilizada pelo Ego. o desenvolvimento de um traço neurótico de caráter pode ser a resolução de um conflito repri mido ou. é uma defesa do ego contra as dificuldades i mpostas ao organismo. Os traços de caráter são como parte integrante da personalidade. a origem do caráter tem por base o conflito entre as demandas pulsionais e o meio exterior. Para Reich.com. a energia se concentra ainda mais. Para este autor. que está continuamente pressionando a partir do Id”. então. originada pelos sentimentos sexuais impetuosos da criança e seu medo da punição.www. como formação reativa. consegue ser um meio de obter controle sobre a libido. o Ego utiliza a mesma energia para reprimi-la. que impedem que o organismo tenha um fluxo vital saudável.

pois. o ego frágil não sustenta as “agressões” do mundo. ou seja. Desta forma.com. Segundo Baker.www. só após a expressão da emoção. seu trabalho trazia a libertação das emoções através do trabalho com o corpo. Karina de O. estágio oral. genitais. o caráter do indivíduo se expressa de forma corporal como couraça muscular. o desenvolvimento psicossexual atravessa quatro fases: estágio ocular. são racionalizadas pelo indivíduo que tem um estilo de comportamento e de atitudes físicas. o bebê encontra diferentes tipos de dificuldades. a perda da couraça muscular libertava energia libidinal. A couraça caracterológica equivale à hipertonia (enrijecimento) muscular. ânus. pois. boca. então. orgonomista. estágio anal e estágio fálico. A couraça não permite que o indivíduo vivencie fortes emoções e. uma só unidade. Reich considerava corpo e mente de forma integral. Durante seu desenvolvimento psicossexual. assim.educapsico. pela traição pelo controle exacerbado. A cada atitude do caráter há uma atitude física correspondente. no relaxamento da couraça muscular. a tensão crônica pode ser aliviada. o bebê sofre pelo excesso e pela falta. temos quatro zonas erógenas principais: olhos.br extirparem. Reich começa a observar as expressões corporais dos seus pacientes. Reich analisava a postura e hábitos físicos de seus pacientes para torná-los consciente de como reprimiam seus senti mentos em diversas partes do corpo. pois. outro por repressão (hipertonia muscular). pelo abandono. as emoções bloqueadas não são liberadas. pela rejeição. Em cada fase do desenvolvi mento psicossexual pode se desenvolver um bloqueio por dois tipos de “trauma”: um por insatisfação (hipotonia muscular). limita e muda o sentido da expressão dos sentimentos. pelo muito e pelo pouco e estas são as marcas da infância que a estrutura de ego do bebê não consegue executar. nunca serão expressas completamente. Durante os cinco primeiros anos de vida. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 39 . Ele descobre que. portanto. Estágios do Desenvolvimento Psicossexual Reich utiliza-se da mes ma teoria de desenvolvimento psicossexual da Psicanálise freudiana.

www.educapsico.com.br É de acordo com tais traumas que criamos as defesas que definem nossas couraças e caráter. Ou seja, o caráter se dá de acordo com o estágio de fixação da libido que causou conflitos mais intensos na história de seu relacionamento com o ambiente externo. Durante seu desenvolvimento psicossexual, encontram-se diferentes tipos de dificuldades, o ego frágil não sustenta as “agressões” do mundo, então, o bebê sofre pelo excesso e pela falta, pela rejeição, pelo abandono, pela traição pelo controle exacerbado, pelo muito e pelo pouco e estas são as marcas da infância que a estrutura de ego do bebê não consegue executar. As couraças estão centradas nos olhos, boca, pescoço, tórax, diafragma, abdome e pelve. Reich coloca-nos os tipos de caráter, segundo a fase de fixação que provocou maior intensidade de conflitos, afetando a formação da couraça caracterológica. São eles: ESTÁGIO ANEL EMOÇÃO BLOQUEADA

OCULAR

OCULAR

ALARME/ MEDO

ORAL

ORAL CERVICAL

ABANDONO/ RAIVA MEDO DE PERDER O CONTROLE

ANAL

TORÁCICO DIAFRAGMA

MÁGOA/ TRISTEZA ANGÚSTIA/ ANSIEDADE

FÁLICO

ABDOMINAL

TRISTEZA/ ALEGRIA Página 40

Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação

www.educapsico.com.br PÉLVICO EXCITAÇÃO

Caráter Esquizóide Tensão no anel ocular. Couraça ocular, defesa contra a ansiedade de não ser acolhido pela mãe. A criança sente-se rejeitada, não bem-vinda. A mãe pode odiar a criança ou pode ter sido um nascimento traumático que não foi seguido pelo amor materno. Mãe fria ou odiosa. No contato ocular entre a mãe e o bebê houve trauma, gerou ansiedade. A criança é bastante sensível, seu desenvolvimento é difícil. Tem corpo desarticulado, são altos, dedos grandes e finos, por mais que comam não engordam. A criança bloqueia a energia vital se encolhendo para dentro. A criança se segura contra a ameaça de desintegração; lida com seu self mecanicamente; pode ter tendências autistas; perde o contato com a realidade externa; tem comportamentos ilegítimos com explosões ocasionais, agressões breves; não sustenta a agressão, então, foge ou chora. Superfocado em si mesmo; fora de contato com o self e com o mundo. Sente terror; nunca está totalmente a par dos seus sentimentos; o sentimento de ódio em relação à mãe leva-o ao terror de ser destruído; inseguro; confuso; sente-se isolado. Mas, são pessoas sensíveis, perceptivas, criativas etc. Caráter Oral Ocorre nos primeiros dois anos de vida, pois, o sentimento de precisar da mãe é reprimido antes que suas necessidades sejam satisfeitas. a) Privação (quando a criança recebe da mãe nutrição insuficiente). Criança sente-se privada, a mãe não ofereceu “boa” amamentação. A mãe não está disponível por alguma razão, não pode ir ao encontro das necessidades da criança. A criança é privada de contato físico, atenção, talvez comida e nutrição. A criança não Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 41

www.educapsico.com.br desenvolve confiança. Há também uma sensação interna de vazio e incapacidade de ficar sozinha. Tendência à dependência, almeja que os outros cuidem dela. Tem problemas para estar no mundo adulto, desiste quando encontra alguma dificuldade, sente-se cansada. A privação leva a senti mentos de fraqueza, medo de ser abandonada, deixada sozinha. Persecutório, tendência à bulimia e anorexia. Contudo, são pessoas

interessadas nas outras, fácil de confiar, de conversar. São afetuosas, de relacionamento fácil. b) Compensado (quando a criança recebe da mãe nutrição exagerada). Mãe muito ansiosa. Pessoa que considera que não precisa de ninguém, tem medo de deixar os outros tomarem conta dela; tenta ser forte em termos de força física para tentar dar conta de si mes ma. Corpo parece infantil, são gordinhos, rosto com jeito de bebê. Dificuldade de ouvir. Caráter Psicopata Mãe exibe o filho, que para ela é o máximo, ou coloca-a para baixo. Ocorre antes do quatro anos de idade; a criança está desenvolvendo autonomia, mas ainda quer ajuda. Criança sente-se impotente, não tem poder.Toda energia está no peito. Pessoa nunca descansa, sempre tenta agradar a mãe. a) Transição entre oralidade e psicopatia: mais agressivo, duro, menos elaborado. b) Anal expulsivo: sedutor, meigo, educado e sensível. Caráter Masoquista Ocorre na idade em que a criança está preparando-se para andar, mover-se livremente, afirmar-se. A criança sente-se pressionada; a mãe é dominante, o pai é submisso. O amor é condicionado à obediência. Foco no comer e defecar. Pessoa tem dificuldade na expressão das emoções e afirmação do self, em descarregar, liberar. Voltas os impulsos para dentro. Sentimentos de ressenti mento e perda. Sente culpa. Caráter Histérico

Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação

Página 42

www.educapsico.com.br Ocorre quando a criança é suficientemente ciente das diferenças sexuais. Os pais não trataram a criança com direitos próprios, não prestaram atenção à criança. O pai era amoroso nos primeiros anos, mas congelou-se frente à sexualidade desta. Agarra-se em ser criança e ter proteção dos pais, entristece facilmente. É nervosa, dramática e teatral. Tende a ser dispersiva, focada no problema. Caráter Fálico-narcisista Ocorre quando a criança é suficientemente consciente das diferenças sexuais. O principal problema é o pai que rejeita a criança, que luta pelo seu status de adulto. É frustrada em suas tentativas de conseguir prazer. Cresce rapidamente, lhe é dada responsabilidade prematuramente. Não lhe é permitido ser criança. Esforça-se para ser perfeita, competitiva. Tenta ganhar a aprovação do pai. Reprime as emoções. A Função do Orgasmo “... a capacidade de descarregar completamente a excitação sexual reprimida, por meio de involuntárias e agradáveis convulsões do corpo.” (REICH, 1942) Reich descobriu que a movi mentação e a descarga de bioenergia são essenciais no processo de excitação sexual e orgasmo. Este é o processo da Função do Orgasmo, o qual tem quatro partes que Reich acreditava existir em todos os seres vivos. As partes são: tensão mecânica; carga bioenergética; descarga bioenergética e relaxamento mecânico. O orgasmo é um mecanismo de descarga energética, pois, após o contato físico, a energia se acumula nos corpos e, então, é descarregada no orgasmo. A seqüência do ato sexual é constituída do intumescimento dos órgãos sexuais (tensão mecânica) que produz grande excitação (carga bioenergética). Devido às contrações musculares essa excitação sexual é descarregada (descarga bioenergética) e finalmente há o relaxamento físico, ou seja, relaxamento mecânico.

Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação

Página 43

www.educapsico.com.br Portanto, a função do orgasmo é essencial para o problema da fonte de energia na neurose. As neuroses são resultados de um acúmulo da energia sexual. Essa estase é causada por um distúrbio na descarga de grande excitação sexual no organismo, percebida ou não pelo ego. Ou seja, o neurótico tem sua potência orgástica limitada. Este processo tem como característica uma intensa excitação biológica, expansão e contração repetidas, ou seja, movimentos pulsionais, ejaculação de substâncias corporais e uma rápida diminuição da excitação biológica. Quando a tensão e a carga bioenergéticas chegam numa certa intensidade, acontecem convulsões, ou seja, em todo o sistema biológico acontece contrações. Liberase grande tensão de energia e com isto há uma abrupta queda do potencial energético da pele e, assi m, uma rápida diminuição da excitação. Após esta descarga energética, há o relaxamento mecânico dos tecidos, resultante do reflexo das substâncias do corpo. Essa descarga acontece quando o organismo não consegue repetir sua excitação sexual logo em seguida. De acordo com a Psicologia, este é o estado de “gratificação” do organismo, ou, de liberar o excesso de energia junto a outro organis mo que se repete em intervalos de períodos regulares, de acordo com termos biofísicos. A função do orgasmo acontece em quatro momentos: tensão mecânica → carga bioenergética → descarga bioenergética → relaxamento mecânico. A função do orgas mo tem, então, o objetivo de atingir a auto-regulação destes indivíduos, aliviando suas couraças musculares e caracterológicas. Caráter Genital Este termo foi utilizado por Freud para denominar o último estágio do desenvolvimento psicossexual. Já Reich utilizou-o para definir a pessoa que adquiriu potência orgástica, ou seja, pessoa com capacidade de ver-se livre das inibições e chegar ao fluxo de energia biológica, de descarregar completamente a excitação sexual reprimida através de convulsões do corpo. Com isso o indivíduo adquire a capacidade de autoregulação, ao invés de rígidos controles neuróticos.

Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação

Página 44

www.educapsico.com.br Melanie Klein Melanie Klein (1882-1960) nasceu em Viena, em uma família judia pobre. Formouse em Arte e História, mas assim que iniciou sua incursão nas idéias de Freud, delegou suas atividades à psicanálise de crianças. Protagonista das ditas Grandes Controvérsias internas à Sociedade Britânica de Psicanálise, em que estabeleceu grande rivalidade em relação às idéias de Anna Freud sobre a análise com crianças, organizou em torno de si uma verdadeira escola de psicanálise, contribuindo para o surgimento de reconhecidos autores pós e neo-kleinianos (ZIMERMAN, 2001). Dentre os postulados advindos de um princípio próprio de psicanálise com crianças, Klein afirma ser possível a transferência na análise infantil, tornando então desnecessária qualquer atitude pedagógica em relação aos pais (FUNDAMENTOS, 2008). Essa questão foi o alvo do embate teórico travado entre Klein e Anna Freud. Contudo, o reconhecimento do trabalho de Klein advém da criação da psicanálise da criança por meio da técnica do brincar. Ela o considerou como processo equivalente à associação livre do adulto, sendo o conteúdo emocional do brincar correspondente ao sonho do adulto. É deste modo que a compreensão da estrutura emocional do bebê possibilitou a investigação das atividades mentais primitivas de psicóticos e pacientes regressivos (ZIMERMAN, 1999; BARROS, E.M.R.; BARROS E.L.R.,2006). Klein postula que as fantasias estão presentes desde muito cedo na vida do bebê e se constituem enquanto representantes mentais das pulsões instintivas, tomando forma em representações figurativas que evocam estados e significados afetivos, os quais organizam as emoções enquanto a vivemos. Todo i mpulso instintivo é dirigido a um objeto interno (representação figurativa capaz de evocar afetos), que nada mais é que uma imagem distorcida dos objetos reais, mas que se instalam não só no mundo externo, como também internamente incorporando-se ao ego (BARROS, E.M.R.; BARROS E.L.R.,2006). O primeiro objeto interno do bebê é a mãe, ou sua representação parcial como seio alimentador, e pode adquirir qualidades boas e más. A fome, por exemplo, é vivida pelo bebê como a presença de um objeto que frustra, como fruto de uma ação de algo existente dentro dele, e que provoca senti mentos bons quando alimentado, e sentimentos Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 45

www.educapsico.com.br maus quando não satisfeitos. Com a progressiva associação de moções pulsionais com os objetos internos representantes do mundo externo, são gerados os significados para as experiências vividas, dando sentido às ações, crenças e percepções, bem como uma tonalidade afetiva às relações com o mundo externo e interno (expressos em fantasias inconscientes) (ibid). Concomitante ao nascimento, já se inicia o embate permanente entre o instinto de vida e o de morte: “diante da pressão exercida no nível mental pelas necessidades físicas ligadas à sobrevivência, o bebê é colocado diante de duas possibilidades: ou se organiza para satisfazê-las (pulsão de vida) ou para negá-las (pulsão de morte ).” (ibid). A pulsão de morte se expressa por meio de ataques invejosos (inveja primária) e sádico-destrutivos contra o seio materno. Essas pulsões provocam internamente a “angústia de aniquilamento” ou “ansiedade de morte”. É neste contexto que o ego rudimentar do recém-nascido assume a posição de defesa contra a angústia através de mecanismos primitivos, como a negação onipotente, a dissociação, a identificação projetiva, a introjeção e a idealização (como veremos em alguns destes conceitos mais adiante) (ZIMERMAN, 1999, 2001). Inaugurando dessa forma um modo particular de conceber o desenvolvimento humano, Klein considera não somente o passado histórico de repressões inconscientes acumuladas como fatores intervenientes no desenvolvimento (normal ou patológico). Ela amplia o conceito de instinto de morte como principal fonte de ansiedade, relacionando-o com o medo de não sobreviver, e esta ansiedade de morte se torna o motor do desenvolvimento (BARROS, E.M.R.; BARROS E.L.R.,2006). Essas pulsões provocam um intenso intercâmbio entre o mundo externo e interno, através de um movimento permanente de projeção e introjeção de estados de espírito. É neste cenário de processos projetivos e introjetivos, intrínsecos ao modo de operar da mente humana, que são gerados os significados das experiências emocionais e os afetos envolvidos nas relações humanas em geral (ibid). Assim, o ego se desenvolve mediante a introjeção de objetos que são sentidos como pertencentes a ele. Simultaneamente, os objetos externos se constituem por meio da projeção, no mundo externo, de objetos provenientes da fantasia inconsciente e de experiências anteriores de objeto, o que indica Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 46

ou posição esquizoparanóide.br a combinação de aspectos do self com características reais dos objetos presentes e passados (GEVERTS. Esse mecanismo se faz presente desde o nascimento. E. o que leva à primeira dissociação de forma que o psiquismo gira em torno do estruturante (“seio bom”).R.L. Há a necessidade de preservar a experiência prazerosa e rechaçar a experiência dolorosa..M. 2006). Esse mecanis mo é denominado por Klein de introjeção projetiva. pois é tido somente como fonte de ameaça e não de amor.. mas a sobrevivência do objeto não está em jogo.educapsico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 47 . Por fim. a qualidade da natureza da ansiedade pode ser paranóide ou depressiva. 2006). da concepção das relações humanas e do desenvolvimento. e ser projetadas para fora.com. e em síntese.2006). Atribui-se ao conceito de introjeção projetiva a profunda modificação da técnica psicanalítica. para dentro de um objeto. Às integrações possíveis entre o tipo de ansiedade e os modos de defesa ativados pelo ego.2006). dentro do objeto. um de seus mais importantes legados conceituais. A ansiedade paranóide.R. o que é projetado para fora.. Dessa dinâmica decorre que podemos viver parte de nossas vidas projetados (em fantasia) no mundo interno de outra pessoa. mas também partes do próprio self. Estes mecanis mos de projeção e introjeção possibilitam a defesa (contra a ansiedade) do ego incipiente do bebê. ou podemos ter parte de nossas vidas vividas em identificação com aspectos da vida de outrem. Klein dá o nome de posição. de forma que tenha a sensação de controlar o objeto desde dentro e que o projetor vivencie o objeto como parte dele mes mo (GEVERTS. é vivida como uma ameaça à integridade do ego. de modo que as estruturas precursoras do ego podem dividir-se ou excindir-se. não são apenas projetados os estados perturbadores.M. isto é. da própria personalidade.R. BARROS E.R.. BARROS E. Karina de O. indicando áreas ainda não consideradas pela psicanálise em seu foco central (BARROS. Esse tipo de ansiedade mobiliza uma defesa para sobrevivência do ego. principalmente pelo mecanis mo de dissociação (divisão do self ou do objeto) e a identificação projetiva (ibid). determinando assim a natureza do conjunto de defesas estruturantes do ego. se baseia na fantasia de que certos aspectos do self estão situados fora dele.www. Deste modo. não só é perdido como também confere nova identidade a esse objeto (BARROS. E. para Klein.L. Assim. que caracteriza o modo de o individuo ver a si mesmo e o mundo à sua volta.

2001.br e de um desestruturante (“seio mau”). quando se aproximou de Melanie Klein. a posição depressiva é definida por uma ansiedade de perda do objeto de seu amor e se organiza a fim de se proteger dessa experiência dolorosa.R. Dentro do campo psicanalítico. Seu estudo enfatizou a influência dos fatores ambientais no desenvolvi mento psíquico. como um afastamento temporário da mãe (ZIMERMAN. e a progressiva aceitação de perdas parciais. possibilitando a criação de núcleos básicos de confiança pela introjeção do “seio bom”. onde viveu num lar estruturado econômico e afetivamente. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 48 .R. Em 1935 tornou-se psicanalista habilitado na Sociedade Britânica de Psicanálise. BARROS E. Nos pri meiros meses da vida do bebê.www. Por outro lado. ainda que houvesse divergências teóricas e técnicas (ZIMERMAN. E. A partir do seu conceito de posição. agora como objeto total. Formou-se em medicina.2006).educapsico.com. NASIO. DESENVOLVIMENTO Winnicott: o ambiente suficientemente bom Donald Woods Winnicott (1896 – 1971) nasceu na Inglaterra.. seu interesse voltou-se para a vida dos recémnascidos e para os distúrbios cuja etiologia era anterior à fase edipiana. 1999). ampliando o campo de reflexão e atuação da psicanálise.L. mobilizando defesas de natureza diferente da de caráter paranóide (BARROS. 1995). Essa posição é fundamental para o desenvolvimento psíquico da criança pequena. a posição depressiva consiste na integração das partes do sujeito que estão dispersas. as defesas características da posição esquizoparanóide são necessárias. mas a persistência exagerada das mesmas a outros períodos da evolução psíquica pode determinar condições para uma psicopatologia (ZIMERMAN. Ao contrário da posição esquizoparanóide. 1999). Klein realizou uma mudança significativa na forma de entender os movi mentos evolutivos do psiquis mo. atuando na área de pediatria por 40 anos. A criancinha pode então reconhecer e integrar os aspectos clivados da mãe.M. Em detrimento do estudo dos conflitos Karina de O. então vigente entre os psicanalistas (ibid). a despeito da concepção de “fases” como descrita por Freud.. caracterizada pela dissociação do todo em partes.

ao oferecer o seio ao bebê mais ou menos no momento certo. visando os pacientes que se depararam com um ambiente falho na adaptação às necessidades da pri meira infância (NASIO.br intrapsíquicos. A mãe. isto é. caracterizase pela condição de dependência absoluta do bebê em relação ao meio. Idealmente. de acordo com Winnicott. É para satisfação destas necessidades ligadas ao desenvolvimento psíquico que a mãe exerce três funções básicas. o ser humano apresenta uma tendência inata a se desenvolver.com. A apresentação do objeto começa com a pri meira refeição do bebê (apresentação do seio ou da mamadeira). aos cuidados maternos. já que o objeto adquire existência real no momento em que é esperado pelo bebê. bem como das defesas do ego num indivíduo sadio. Mas ainda que dependa inteiramente do que lhe é oferecido pela mãe. Ele propôs. para encontrá-lo. quando a criança está à espera de algo. que compreende o nascimento aos seis meses. que si mbolicamente. 1995). é pela perfeita adaptação às necessidades do bebê que a mãe permite o livre desenrolar dos processos de maturação (ibid). Winnicott passa ao estudo dos conflitos interpsíquicos. que se realiza pelos processos maturacionais. No entanto. pronto para imaginá-lo. Para Winnicott. que permitem ou dificultam o livre desenrolar desses processos de maturação (ibid). mas há também as necessidades psíquicas. A criança tem então uma experiência de onipotência. alterações na técnica terapêutica clássica. constitui-se a primeira refeição teórica. dá a seu filho a ilusão de que ele mesmo criou o objeto do qual sente confusamente a necessidade. a formação do ego. já que em sua mente ele e o meio são uma coisa só. É neste momento que Karina de O. deste modo. inicialmente representados pela mãe ou seus substitutos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 49 . o holding e o handling (ibid). pela soma das experiências precoces de muitas refeições na vida real. exercidas em simultaneidade: a apresentação do objeto. A fase inicial da vida. As necessidades do bebê não se constituem somente daquelas de ordem fisiológica. é importante considerar o desconhecimento do bebê em relação ao seu estado de dependência. do id e do superego. são os aspectos ambientais. como distorções psíquicas provocadas por um ambiente patogênico.educapsico.www. isto é.

É identificando-se estreitamente com o bebê. 2001. A relação assim estabelecida provê um sentimento de continuidade da vida. adaptando-se às suas necessidades. o falso self é o traço principal da reação do bebê às falhas de adaptação da mãe. e indica a emergência de um verdadeiro eu. Através dos cuidados cotidianos. resultante da aceitação dos gestos espontâneos do bebê pela mãe. um verdadeiro self (ibid). unindo-o à sua vida psíquica. NASIO. O self verdadeiro. ele deforma o seu verdadeiro self submetendo-se às exigências ambientais. à sustentação. com seqüências repetitivas. O handling é a manipulação do bebê enquanto ele é cuidado. É ela que permite à criança o desenvolvimento das principais funções do eu: integração no tempo e no espaço. a criança encontra uma realidade externa simplificada. que pode ser representada por uma mãe real ou Karina de O. mas psiquicamente. e assim aos poucos ele se experimenta como vivendo dentro de um corpo. A esta mãe Winnicott denomina mãe suficientemente boa. ou seja. conseqüentemente. Este processo é denominado personalização (ibid).com. a mãe incapaz de se identificar com as necessidades do bebê é denominada mãe insuficientemente boa. corresponde à pessoa que se constitui a partir do emprego de suas tendências inatas. que a mãe representa assim o ambiente suficientemente bom. rotineira e estável.br se desenvolve a capacidade de experimentar sentimentos como amor e ódio de forma necessariamente angustiante. insuportável (NASIO. 1995). o encontro com os objetos do mundo externo e a unificação entre a vida psíquica e o corpo. quando as falhas do ambiente ameaçam a continuidade existencial do bebê. Assim.educapsico. a mãe segura o bebê não somente física. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 50 . dando apoio ao eu do bebê em seu desenvolvimento. A criança se submete às pressões de uma mãe que lhe impõe uma maneira inadequada de exprimir suas tendências inatas e que. e permite à criança desenvolver uma vida psíquica e física fundamentada em suas tendências inatas. o que leva à construção de um falso self. Desse modo. Por outro lado. todos os seres humanos apresentam dois aspectos do self: um verdadeiro e um falso. necessária ao seu bem-estar físico. obriga-o a adotar um modo de ser falso e artificial (coloca o seu próprio gesto) (ZIMERMAN. 1995). Neste caso. A segunda função materna corresponde ao holding. sobre a qual pode integrar-se no tempo e no espaço (ibid). Em proporções variadas.www.

e dessa forma se torna capaz de tirar proveito delas para se desenvolver. um apoio frente à angústia. passa a haver uma identificação com o filho menos intensa. cuida e brinca com o bebê. após a desilusão por perceber que a fantasia não corresponde à realidade. Entre outras coisas.www. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 51 . que se estende do sexto mês aos dois anos. A criança se depara então com uma mãe dividida em partes. A criança já é capaz de se situar no tempo e no espaço. como levar à boca algum objeto externo (travesseiro. e conseqüentemente tolera melhor as falhas de adaptação da mãe. e não pela si mplicidade que seria desejável (NASIO. Tais atividades foram denominadas fenômenos transicionais. que zela. a criança se conscientiza de sua sujeição. reintroduzindo então “falhas de adaptação” moderadas (ibid). Apesar destes avanços em seu desenvolvimento. Este conflito tende à resolução através dos atos da mãe suficientemente boa . Karina de O. segurar. quando a criança fantasia que a satisfação da fome acarreta uma deterioração do corpo da mãe. a criança desenvolve atividades que permitem uma sustentação.).educapsico. o que permite reconhecer as pessoas e objetos como parte da realidade externa e perceber a mãe como separada dela. Por conseguinte. etc. e experiência os cuidados em sua complexidade. ela se encontra num estado de dependência relativa em relação ao meio. é nesta fase que a criança deve entender que a mãe dos momentos de tranqüilidade. por exemplo. Na segunda fase do desenvolvimento da criança.br uma situação. Por parte da mãe. e estes objetos utilizados foram chamados de objetos transicionais (ibid). se acariciar ou chupar um pedaço de tecido. como na hora das refeições. como também realizar uma união entre sua vida psíquica e seu corpo. etc.com. que assim se mostra capaz de sobreviver à possibilidade de destruição (ibid). Neste momento. é a mesma mãe dos momentos de tensão pulsional em que a agressividade está implicada. surge nesta fase um novo desafio: lidar com a constante tensão da realidade de dentro (povoada de fantasias pessoais) com a realidade de fora (povoada de coisas e pessoas) (ibid). pano. quando os cuidados são exercidos por diversas pessoas. 1995). da qual reconhece depender para o seu bem-estar. a criança sente uma angústia depressiva e culpa pela destruição que provoca na mãe. Desse modo. balbucios.

tendo a missão de respeitar e proteger a expressão destes. suas observações acerca dos cuidados inadequados dispensados às crianças na pri meira infância. JERÔNIMO. que persiste ao longo de toda a vida. no adolescente e até no adulto (ibid).br O termo “transicional” indica que essa atitude da criança ocupa um lugar intermediário entre as realidades externa e interna. Para Winnicott. Assim. numa tentativa de amortecer o choque provocado pela conscientização da tensão entre ambos os aspectos de sua vida. Investigando as conseqüências negativas das separações na formação da personalidade em jovens delinqüentes e em crianças hospitalizadas. A Teoria do Apego de John Bowlby Nascido numa família aristocrática inglesa. John Bowlby (1907-1990) iniciou sua formação em Medicina. mas. Formou-se em Psiquiatria e especializou-se em Psicanálise (AUGUSTO. Este espaço existente entre o mundo interior e mundo externo é chamado de espaço transicional. verificando-se dificuldades comportamentais como agressividade e imaturidade. o levaram à análise dos efeitos adversos desse rompi mento no Karina de O. 2008). bem como efeitos mais permanentes sobre a capacidade de estabeleci mento de vínculos afetivos significativos e estáveis no futuro (ibid).educapsico. sendo ocupado por atividades lúdicas e criativas diversificadas através das quais o ser humano busca aliviar a permanente tensão (NASIO.com. o surgimento dessa dimensão no desenvolvimento da criança é sinal de que a mãe da primeira fase foi suficientemente boa. o ambiente desempenha papel fundamental no aparecimento e na evolução dos fenômenos transicionais.www. retomou suas atividades acadêmicas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 52 . Antes de tudo. ao constatar os efeitos prejudiciais das experiências interpessoais negativas em crianças. 1995). Interrompeu seus estudos. assim como nos outros campos do desenvolvimento psíquico. Bowlby observou que os efeitos das separações permaneciam para além do período de sua ocorrência. e do desconforto e ansiedade acarretados pela separação dos cuidadores. O ambiente continuar a exercer influência na criança que cresce.

J. ZIMERMAN. JERÔNIMO. da biologia evolucionária. Sua obra apresenta referências aos campos da psicanálise. as pri meiras relações de apego estabelecidas pela criança. o mecanis mo de apego se refere a um comportamento biologicamente programado. e o retraimento indica o desapego emocional e indiferença (ZIMERMAN. 2005). Porto Alegre: Artes Médicas. suas investigações. reforçou a i mportância da criação de um vínculo afetivo baseado na confiança em relação à figura de vinculação. culminando no aprofundamento de sua teoria em obras de fundamental importância: Cuidados Maternos e Saúde Mental (1951) e Apego. a relação entre o bebê e seus cuidadores é permeada pelas respostas inatas da criança que demandam proximidade. isto é. 1980) (AUGUSTO. Indo além de uma compreensão meramente fisiológica das ações da criança para satisfação de suas necessidades vitais. DELL’AGLIO.com. além dos estudos de outros pesquisadores proeminentes. originaram as formulações e pressupostos iniciais da Teoria do Apego.educapsico.br desenvolvimento infantil (DALBEM. DELL’AGLIO.1989. 2008. Dessa forma. Bowlby estabelece então três fases pelas quais passam as crianças privadas precocemente das mães: na fase de protesto. Bowlby defende a prevalência do fenômeno de vinculação afetiva dentre tais necessidades. em três volumes (1969. afetarão o caráter de seu comportamento de apego ao longo de sua vida. a vinculação é um importante elemento organizador da atividade sócio-emocional da criança (AUGUSTO.www. De acordo com Bowlby 1 (apud DALBEM. 2001). Perda. 1973. 2001). das ciências cognitivas. Dessa forma. DELL’AGLIO. Juntamente com a colaboração da norte-americana Mary Ainsworth no início dos anos 50. 2005). voltando-se a qualquer som que possa indicar a presença da mãe. novos trabalhos vieram confirmar as idéias de Bowlby. e que funciona em consonância com outros sistemas de controle comportamentais. a desesperança caracteriza a criança apática. 2008). dentre outras (DALBEM. Karina de O. desenvolvendo-se pouco a 1 BOWLBY. JERÔNIMO. Uma base segura: Aplicações clínicas da teoria do apego. Este vínculo afetivo primário. Separação. cansada de esperar que sente tudo como perda. Entendido como um instinto voltado à proximidade recíproca entre os indivíduos. o bebê chora e esperneia. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 53 . Assim. 2005). da etologia. agindo conforme um sistema de controle homeostático.

DELL’AGLIO. pela sensibilidade e responsividade dos cuidadores. outro conceito fundamental. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 54 . Sendo assim. com a forma de interação com tais figuras. DELL’AGLIO.www. é denominada modelo interno de funcionamento. No entanto. refere-se às ações de um indivíduo em vistas a obter proximidade com outro. sendo estas baseadas na experiência. essa interação depende de certa forma. E em sua complexidade. servindo como base de predição e interpretação do Karina de O. Essa capacidade de representação mental. que surge ao longo do desenvolvimento da criança. sobre os outros e o mundo.educapsico. claramente considerado como mais apto a lidar com o mundo. pois envolve uma representação mental das figuras de apego. uma vez que ambos os fatores interferem na ativação do sistema do comportamento de apego. Em síntese. 2005). Os working models (modelos de funcionamento) se relacionam então com os sentimentos de disponibilidade das figuras de apego. oferecendo um sentimento de segurança que fortifica a relação. com a probabilidade de recebimento de suporte emocional em momentos de estresse e. É dessa forma que as pri meiras experiências entre a criança e a figura de apego darão início ao que futuramente se generalizará em relação às expectativas sobre si mesmo. Esse vínculo é então garantido pelas capacidades cognitivas e emocionais da criança. Bowlby considera também a interação complexa existente entre as condições físicas e temperamentais da criança e as condições do ambiente. tendo importantes implicações para o desenvolvimento da personalidade (ibid).com. O comportamento de apego.br pouco um vínculo afetivo. da estimulação do sistema de apego (DALBEM. o papel do apego no desenvolvimento é definido em termos do reconheci mento de que uma figura de apego se faz presente e disponível. de maneira geral. A função desse comportamento remete a uma necessidade (de caráter biológico) de proteção e segurança (DALBEM. Esse sistema tem função direta nas respostas afetivas e no desenvolvimento cognitivo. assim como pela consistência dos procedimentos de cuidado. 2005). de si mesmo e do ambiente. serão estas representações e expectativas que guiarão a conduta individual.

DELL’AGLIO. sob certa influência das experiências de apego precoces. Ou seja. 2005). Erik Erikson: as crises psicossociais 2 BOWLBY. São Paulo: Martins Fontes. Atualmente. 3 Karina de O. 2005). 2005). tais indagações sugerem alguns li mites dessa abordagem teórica. Permanecem. ademais. DELL’AGLIO. evidenciando assim a necessidade de maiores aprofundamentos e análises científicas. mesmo que os cuidadores não estejam tão próximos. admite-se haver controvérsias quanto à generalização dos padrões de interação primários para relações futuras. Embora sejam menos evidentes nos adolescentes e adultos. 1979. algumas dúvidas em relação às razões pelas quais algumas crianças desenvolvem apego seguro. Uma base segura: Aplicações clínicas da teoria do apego. DELL’AGLIO.www. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 55 . a imagem interna construída inicialmente com os cuidadores primários se expressa nos padrões de apego e de vinculação também com outras pessoas desde cedo. as pesquisas relativas à Teoria do Apego caminham na direção do estudo do apego para além de sua expressão na infância. e a partir daí será considerada a base para todos os relacionamentos significativos futuros (DALBEM. DELL’AGLIO. ocorre essa tendência de recriação do padrão interno de apego primário nas relações atuais do indivíduo.educapsico. por meio de pesquisas que possam enriquecer seu arcabouço conceitual e sua aplicação prática de forma coerente (DALBEM. Porto Alegre: Artes Médicas. 2005). Formação e rompimento dos laços afetivos.1989. Em outras palavras. J. ainda que essas representações constituam-se desde muito cedo no desenvolvimento da criança. elas permanecem em evolução. Contudo. Questiona-se também o forte cunho naturalista/biologicista dessa teoria. J. por seu determinismo i mplícito na análise da influência das relações de apego precoce. BOWLBY. De qualquer forma. Isso indica que a necessidade de figuras de apego que proporcionem uma base segura não se limita absolutamente às crianças (BOWLBY3 apud DALBEM.br comportamento de outras pessoas às quais se é apegado (BOWLBY 2 apud DALBEM.com.

predeterminantes na evolução dos estágios. 2002). o que o levou a enfatizar a importância dos efeitos sociais na formação da personalidade (ZIMERMAN. Karina de O. Fez sua formação psicanalítica em Viena. exilou-se nos Estados Unidos. convertendo-se posteriormente ao protestantismo.br Erikson (1902-1994) nasceu na Alemanha. Para ele.P. envolvendo uma mudança de perspectiva. As crises se constituem por confrontos com o ambiente. exigindo a reconcentração da energia instintiva de acordo com as necessidades de cada estágio do ciclo vital.www. Regido pelo princípio epigenético (epi = sobre). Sua abordagem de estágios contínuos se concentra no desenvolvi mento da personalidade durante toda a vida. embora os fatores biológicos inatos sejam importantes.S. ao aprimorar os estágios de desenvolvimento. 2001). o qual é principalmente influenciado pelas interações sociais e a aprendizagem (SHULTZ. se o conflito é mal resolvido. É com a resolução dos conflitos próprios de cada fase que se torna possível a progressão normal do desenvolvimento (SHULTZ. quando o nosso ambiente requer determinadas adaptações. onde se dedicou à análise de crianças e adolescentes. Por outro lado.. haverá menor possibilidade de uma adaptação adequada. No período da II Guerra Mundial. SHULTZ. aproximando-se depois à corrente do culturalismo. relegando as funções do id a segundo plano. Quando há uma resposta negativa à crise. ou seja.. surgem as forças básicas ou virtudes.E. Ao mesmo tempo em que manteve as bases centrais da teoria freudiana. do nasci mento à morte. e ao reconhecer o impacto na personalidade das forças culturais e históricas. não explicam completamente o processo de desenvolvimento. D. formulando o crescimento humano em oito etapas. numa família judaica de classe média. quando a crise é resolvida satisfatoriamente. com Anna Freud. 2002).com.E. Filiou-se à escola da Psicologia do Ego. Outro de seus pressupostos se baseia na idéia de que todos os aspectos da personalidade podem ser explicados em termos de momentos críticos ou crises. os fatores ambientais/sociais influenciam a forma com que as fases se realizam (ibid).educapsico. o desenvolvimento depende de forças genéticas. Dessa forma. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 56 .P. isto é. Erikson apresentou significativas inovações ao destacar o ego como parte independente da personalidade..S. D. um conflito em cada fase faz a pessoa se deparar com formas bem e mal adaptadas de reagir. SHULTZ. inevitáveis em cada fase do desenvolvimento.. Entretanto.

a adolescência. a cada estágio corresponde uma determinada forma positiva e negativa de reação: Formas versus positivas formas Forças básicas Estágio Idades aproximadas negativas de reagir Confiança desconfiança Autonomia versus versus Oral-sensorial Nascimento. Assi m.br oportunizadas pelos diferentes estágios. como uma aquisição interior que marca uma etapa de conquista ou seu reverso patológico (FIORI. fálica e de latência propostas por Freud. temos: a fase oral-sensorial. Estas forças são interdependentes: uma força básica só se desenvolve quando a força associada à fase anterior for confirmada. a fase locomotora-genital.www. a fase muscular-anal.educapsico. o ego deve incorporar maneiras tanto positivas quanto negativas de lidar com as crises. de forma sempre equilibrada (ibid).com. Erikson dividiu o desenvolvimento da personalidade em oito estágios psicossociais.1 ano Esperança Muscular-anal 1-3 anos dúvida. vergonha Iniciativa culpa até Diligência inferioridade Coesão da versus versus Vontade Locomotora-genital 3-5 anos Objetivo Latência 6-11 anos puberdade Competência Adolescência 12-18 anos identidade versus Fidelidade confusão de papéis Karina de O. para Erikson. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 57 . fase de latência. sendo os quatro primeiros semelhantes às fases oral. vemos o estabelecimento de um “sentimento de” ou “sentido de”. a idade adulta. Em cada um destes períodos. No entanto. início da fase adulta. e a maturidade (ibid). Assim. 1982). anal.

locomotora e verbal). dando à criança uma sensação de abandono. fidelidade e qualidade no provimento da alimentação. de tal forma que o conteúdo dessa experiência pode ser expressa como: “ Eu sou o que posso querer livremente” (ibid). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 58 . como impossibilidade de desenvolvimento psicomotor.com. do sistema retentivo e eliminatório (controle dos esfíncteres).www. isolamento. que advém da uniformidade.E.. higiênico e de verbalização.educapsico. Autonomia X vergonha e dúvida – Nesta etapa há a maturação muscular. separação e confusão existencial.S. e da capacidade de verbalização. Porém um excessivo senti mento de autoconfiança e a perda de autocontrole podem fazer surgir a vergonha e a dúvida. A virtude que pode nascer é a vontade de aprender. A confiança básica como força fundamental desta etapa nasce da certeza interior e da sensação de bem estar físico e psíquico. Porém. e da heteronomia (capacidade de receber orientação e ajuda do outro). Karina de O. de discernir e decidir. Seguiremos com uma sucinta descrição das etapas psicossociais: Confiança X desconfiança – Nesta fase inicial da infância. 2002. A desconfiança básica se desenvolve na medida em que não encontra resposta às necessidades. e SHULTZ.br Idade jovem adulta 18-35 anos Inti midade isolamento Generatividade versus estagnação Integridade desespero versus versus Amor Adulto 35-55 anos Cuidado Maturidade velhice e 55 + anos Sabedoria Fonte: adaptado de SHULTZ. p. D. a criança aprende a receber e aceitar o que lhe é dado para conseguir doar. 2005). de acordo com a frase: “Eu sou a esperança de ter e dar ” (BORDIGNON. atenção e afeto proporcionados principalmente pela mãe. 208. e o sentimento de ser incapaz e insegura de si e de suas qualidades. certa desconfiança é inevitável e significativa para a formação da prudência e da atitude crítica. Há o desenvolvimento da autonomia (auto-expressão da liberdade física.P. Da resolução da antítese confiança/desconfiança surge a esperança como sentido e significado para a continuidade da vida.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

A consciência é uma característica humana. sendo assim. Vygotsky e a psicologia sócio-histórica Em 1921 com a liderança comunista de Lênin. com seus estudos – aproxi madamente 180 trabalhos num período breve de dez anos . A corrente dialética acreditava em um princípio exploratório aberto e não determinista. o que acentuava a questão do dualismo mente-corpo. Vários desafios estavam no percurso.www. sendo uma corrente mecanicista e a outra dialética: De acordo com a filosofia mecanicista.educapsico. a ciência seria auto-suficiente. “talvez a pri meira tentativa de fornecer uma compreensão global e não-excludente de todas as abordagens em Psicologia”. propõe uma nova ciência na tentativa de evitar reducionismos e simplificações de qualquer espécie (Bonin. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 186 . Pedagogia e Psicologia. descobrindo suas próprias leis por meio da pesquisa. Em sua teoria fazia referencias a religião. os dirigentes do novo estado almejavam a reconstrução baseada na teoria marxista de uma nova sociedade. natureza-cultura e consciência-atividade (ibid). tal teoria assinala a existência de diversos níveis de consciência. Um outro fator relevante é a ascensão de Stalin no poder (ibid). e a ação consciente favorece a disposição para a construção dos eventos.ao lado de seus colaboradores: Alexander Luria e Alexei Leontiev. o budismo (ibid).com. Neste contexto. desde a não unidade dentre os marxistas sobre o conceito de método materialista. deste modo. de uma nova ciência (Rosa & Montero. 1996). Vygotsky. Possuía formação humanista e bagagem cultural (ibid. Karina de O. desenvolveu sua nova concepção de Educação. 1996). Afirma que cada abordagem psicológica especializou-se em trabalhar em determinado nível.br Consciência. A teoria por ele proposta surge como meio de superar a crise na ciência psicologia. Luria. um psicólogo bielorusso. mas que uma abordagem completa deve considerar todos os níveis. Lev Semionovitch Vygotsky (1896 – 1934). fundou a linha que ele denominou Psicologia Integral. Os eventos. que se encontrava dividida em duas orientações: uma naturalista e uma mentalista. 1979). ou seja. são dependentes da ação humana.

Comunicação é tudo que há um emissor e um receptor de alguma mensagem ou informação por meio de um canal de informação. em especial a linguagem. 8. O que a natureza lhe dá quando nasce não é o bastante para viver em sociedade. O que está na base destas relações são relações sociais de produção. coletiva. a atividade vital humana é essencialmente social. tato. e compreende o ser humano como historicamente construído. 1979. Canal: Forma da qual a mensagem é enviada e quem escolhe o canal é o emissor. É necessário que este indivíduo adquira o que foi alcançado ao longo do desenvolvi mento histórico da sociedade.www. 1996). 1989) Cada indivíduo aprende a ser um homem. Ao se pensar que toda relação é mediada pelas condições materiais. olfato e paladar). Vygotsky comprometeu-se a criar uma nova teoria fundada na concepção de desenvolvimento cultural do ser humano por meio do uso de instrumentos. que visa ao máxi mo desenvolvimento de todos os indivíduos. Karina de O. 1989).com. essas relações têm que considerar as diferentes condições materiais das diferentes classes sociais (Marx & Engels. podendo utilizá-los de isoladamente ou de forma combinada. Receptor: Sujeito que recebe a mensagem. Basicamente os elementos para que haja uma comunicação são: • • • Emissor: Sujeito que emite a mensagem. tida como instrumento do pensamento (Bonin. contrariando a idéia de naturalização do homem ou de uma essência humana dada a priori. O ser humano tem a habilidade de se expressa e se comunicar com o meio e com outro indivíduo através de todos os sentidos (visão. audição. Comunicação interpessoal.br A Psicologia Sócio-Histórica tem como filosofia o Materialismo Histórico Dialético que é fundado numa perspectiva histórica de homem. (Vygotsky. e com as quais interage dialeticamente. agente e construtor da história e cultura em que vive. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 187 . Desta forma. Esta atividade se firma nas relações entre os homens pautadas por condições materiais. Vygotsky.educapsico.

Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 188 . A transmissão de informações verbais mostra o indivíduo social. Assim. Ela pode ser vista em esculturas. como por exemplo. mais inclui também os componentes e Karina de O. o receptor por sua vez vai reagir a tais comunicados a partir de sua história pessoal. Através da linguagem corporal. Cada vez mais em suas comunicações interpessoais.com. geralmente a esse tipo de comunicação é dada uma atenção maior. assi m como permitir que determinada função seja compreendida por um novo funcionário. o ser humano busca de forma mais simples e de maior eficácia a melhoria destas formas de comunicação como enviar. literaturas. crenças etc. sendo seu principal papel a demonstração dos sentimentos.br • • Mensagem: É a maneira da qual o emissor envia sua codificação ao receptor. muitas vezes o indivíduo não a percebe. Através da comunicação interpessoal. A comunicação verbal se propaga por meio da linguagem falada ou escrita. pinturas e diversas outras formas que o ser humano tem de se expressar. a cinésica (estudo da linguagem corporal) considera que a habilidade de ouvir e entender o outro não inclui somente a fala. a boa troca de dados entre o professor. já na forma não-verbal o que vem a tona é o psicológico. porém mesmo está sendo a forma de maior importância o ser humano sempre se comunicou mes mo por meio de gestos de grunhidos.educapsico. duas delas pode ser a comunicação verbal e a não verbal. O uso consciente dessas trocas de informações facilita alcançar determinados objetivos. ela está entre as pessoas diariamente. receber e guardar estas informações. Além de transmitir uma mensagem. podemse transmitir inúmeras mensagens que nem sempre são conscientes. a comunicação por ter influência direta sobre o comportamento da pessoa que está recebendo. Informação: É o conteúdo que o emissor quer passar ao receptador. cultura. por exemplo. Há várias maneiras das pessoas se comunicarem. o ser humano de uma forma inteligível faz com que toda a sua forma de vida e seus conhecimentos evoluam. ou até mesmo que não possam ser verbalizadas em um determinado momento. porém.www. e o diretor de uma escola pode fazer com o ensino-aprendizagem dos alunos seja mais satisfatório.

paciente. Assim. enfermeiro. em encontros face a face sustentam uma interação.www. funcionário etc seja atendida. como por exemplo. É a capacidade de percepção do outro. das linguagens que faz com que o ser humano possa compreender o próprio mundo e o mundo do outro. entre outros. seus rituais e. gravidade da enfermidade. pose-se afirmar que o movimento isolado não demonstra o significado. a consulta da enfermagem deve ter alterações nas práticas da maioria desses profissionais a fi m de atender as expectativas do paciente. aluno. dos gestos. Nos cargos em que a profissional lida diretamente com outras pessoas. ela assume. religião. os gestos e movi mentações não podem ser entendidos como universais cada povo e região estabelece sua cultura. portanto sua própria linguagem verbal e não-verbal. de modo que o sinal ganhe uma definição nas diferentes sociedades. é preciso quem ele esteja envolvido em um contexto. e mesmo o psicólogo em clínica ou mesmo no trabalho em uma empresa.com. Esse entendimento do contexto do paciente é se suma importância para que ambos se comuniquem de forma satisfatória e todas as metas do tratamento sejam alcançadas. situação socioeconômica. entre outras coisas.br expressões corporais como itens básicos no processo de comunicação. levanto em conta todo o contexto do indivíduo em questão. é necessário que o profissional ouça atentamente o outro lado que está envolvido em uma determinada situação. uma função importante na interpretação de informações enviadas e recebidas em um ambiente de trabalho. No caso de um enfermeiro. por exemplo. professor. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 189 . BARNLUND (1978) apud Silva (1998) classifica a comunicação interpessoal como aquela que é desenvolvida “em situações sociais relativamente informais em que pessoas. é de extrema importância que a comunicação seja realizada de forma satisfatória para que os objetivos do profissional e a expectativa do cliente. por exemplo. concentrada através da Karina de O. O profissional deve levar em consideração que o cliente vivencia esse momento conforme a percepção que ele tem daquela situação. sintomas de dor. sua condição emocional.educapsico. Por estarem intimamente ligados à cultura de um povo. Para isso.

www.br permuta recíproca de pistas verbais e não verbais. mas. Portanto é i mportante que as pessoas fiquem atentas no seu dia-a-dia para que isso possa acontecer da melhor maneira possível. que. A troca de informações é um elemento indispensável para que haja a socialização entre as pessoas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 190 . Comunicar-ser faz parte de todas as etapas da vida do ser humano. ou mesmo em um ambiente informal de descontração com um amigo.e a autopercepção. Aprender a se perceber no espaço e se portar de forma que facilite o entendimento do outro e consequentemente a troca de informações é de extrema importância em um ambiente de trabalho.” Assim. Ainda utilizando-se dessa idéia da comunicação interpessoal nas relações de trabalho. A comunicação organizacional começa a ser vista. seja no ambiente de trabalho. visa aproximar e integrar os públicos aos princípios e objetivos centrais da empresa (Curvello.o entendimento do indivíduo em relação à situação e ambiente . 1997). pois assi m a comunicação tem mais chance de ser satisfatória atendendo as expectativas do transmissor e do receptor da mensagem a ser transmitida. Comunicação na organização Os estudos sobre a comunicação praticada nas organizações tem-se ampliado devido às inúmeras mudanças implementadas nas mesmas. é necessário que três pontos básicos sejam analisados: . como uma i mportante estratégia para a construção de um universo simbólico. seja ela verbal ou mesmo corporal. aliado às políticas de administração de recursos humanos. não como mero instrumento gerencial para transmissão de ordens e informações. Karina de O. refletindo sobre tal conceito.educapsico.a percepção do indivíduo em relação ao outro . percebe-se que nas relações de trabalho e do dia-a-dia a existência desses itens citados e importância de estar atento a todas as informações transmitidas em uma mensagem.com. A autopercepção é um elemento no qual o profissional deve estar bastante atento.

seus valores pessoais e suas motivações. sem contar que a comunicação (apesar da impessoalidade) tende a se tornar mais franca. ocorre uma revolução nos processos produtivos e de troca de informações. o desemprego e a imaterialidade). descreve a comunicação como processo de intercâmbio de mensagens entre comunicador/comunicador”. essa definição era prerrogativa do administrador e do profissional de comunicação a seu serviço. como a possibilidade de se estabelecerem novas relações de trabalho. Antes. ver ou saber. constituindo um padrão pessoal de referencia que torna bastante pessoal e singular sua interpretação das coisas. administrador e profissional de comunicação só tem de apontar os rumos e oferecer o acesso. 1997). são cada vez mais cobrados em relação a sua capacidade de transformar uma enxurrada de informações recebidas em conhecimento produtivo (Curvello. ganhos em eficácia (por parte da organização) em razão do livre trânsito de idéias e do incentivo à inovação permanente. “do ponto de vista da teoria da comunicação organizacional. O novo modelo. “É que cada pessoa tem seu próprio sistema cognitivo. Paralelamente aos inúmeros problemas que causa (por exemplo.www. suas percepções.educapsico.br Com as novas tecnologias e a virtualização das organizações. Esse padrão pessoal de referência age como um filtro codificador. o processo de virtualização traz inúmeras oportunidades novas. Hoje. ouvir. O modelo teórico da mensagem que parte de um emissor a um receptor em situação de inferioridade cai por terra.com. as mudanças trazidas pelas novas tecnologias representam um resgate do receptor como ser ativo no processo comunicativo. em razão da maior interatividade (Curvello. Comunicação interpessoal nas organizações Quando estamos falando da comunicação entre pessoas algumas complicações adicionais podem surgir. Tal fato exige novas atitudes e novas competências por parte de organizações e empregados. por exemplo. 1997). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 191 . Ele passa a definir o que quer ler. A nova era da interatividade transfere ao antigo receptor o poder de conduzir o processo comunicativo. o aumento da qualificação das pessoas com a maior circulação e o maior acesso às informações. de modo a condicionar a Karina de O. Os empregados. Para Curvello (1997). se é que possível ainda prescrever modelos.

Karina de O.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 192 . ampliada ou desviada.99). existem três aspectos na percepção social: . No processo de comunicação nem todo sinal emitido pela fonte chega incólume ao destino. portanto. um trabalho que possa distrair. existem barreiras no processo de comunicação interpessoal. Além disso. ou a distância física entre as pessoas. Na situação de trabalho.educapsico. compilações ou ainda desvios. distorções.Percebedor: é a pessoa que tenta compreender o outro. Daí resulta a percepção social (Chiavenato. 2002).Situação: é o contexto onde ocorre o ato da percepção social. Decorre daí a necessidade de em algumas vezes recorrer-se a repetição para superar tais fontes de erros (ruídos). . A percepção social é o meio pelo qual a pessoa forma i mpressões de outra pessoa na esperança de compreendê-la. mutilações. por exemplo. ou estão muito preocupadas com algo e devido a isso não “ouvem”. “físicas” ou “semânticas” (Chiavenato. bloqueando informações não desejadas ou não relevantes. Essa defesa pode prejudicar tanto o envio como a recepção de informação ou mes mo obliterar a retroação da informação” (Chiavenato. 2002. dentro de um determinado contexto. p. vazamentos. por exemplo. Há uma codificação perceptiva (percepção seletiva) que atua como mecanismo de defesa. . Já as barreiras físicas são aquelas interferências do contexto ambiental que atingem o processo de comunicação como. etc. 2002). O boato é um exemplo típico de comunicação distorcida.br aceitação e o processamento de qualquer informação. interferências. Entender os padrões pessoais de referência é i mportante para entender os processos de comunicação humana. As barreiras pessoais são aquelas que decorrem de limitações. é quando encontramos pessoas que não sabem ouvir. A idéia comunicada é.www. Esse filtro seleciona e rejeita toda a informação não ajustada (dissonante) a esse sistema ou que possa ameaçá-lo. Barreiras são variáveis que intervém no processo de comunicação e que o afetam profundamente fazendo com que a mensagem enviada chegue diferente ao destino. valores e emoções de cada pessoa. Tais barreiras podem ser “pessoais”. Essa percepção nem sempre é racional ou consciente. Ele pode sofrer perdas. Segundo Chiavenato (2002). relacionada com as percepções e motivações tanto da fonte quanto do destino.Percebido: é a pessoa que esta sendo compreendida por alguém. ruídos.

o homem possui uma natureza social. a possuir linguagem. como. as distorções ou limitações decorrentes dos símbolos. O conceito de indivíduo varia de acordo com a concepção de homem que se tem. entre grupos e dentro da organização como um sistema” (Chiavenato. O homem começa a produzir instrumentos. modificações anatômicas ocorrem nesse homem. Em uma concepção biológica tem-se que o indiíduo é um representante de uma espécie. O homem é um ser diferente dos outros animais. 102). a distorção (deturpação da mensagem original modificando seu conteúdo para o destino) e a sobrecarga (volume muito grande de informações que ultrapassa a capacidade pessoal do destinatário de processá-las).educapsico.Em decorrência. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 193 . também destaca-se os fatores que levam o indivíduo a se desenvolver. se inicia o trabalho e a sociedade. 1978). outras questões pode interferir nesse processo. Além dessas. ele se constitui enquanto homem na sociedade. 2002. “A comunicação constitui-se a primeira área a ser focalizada quando se estuda as interações humanas e os métodos para a mudança ou influenciação do comportamento humano. por exemplo. Essas barreiras podem ocorrer concomitantemente atrapalhando o processo de comunicação interpessoal. distorcer o significado da mensagem. É também o ponto de maiores desentendi mentos e conflitos entre duas ou mais pessoas. possui características únicas ao mesmo tempo que apresenta características que o definem como representante daquela espécie.www. ou seja.br As barreiras semânticas são. podendo assim. As palavras ou outras formas de comunicação podem ter diferentes significados. a omissão (aspectos i mportantes da mensagem são omitidos fazendo com que seu significado perca alguma substância).com. por sua vez. ou seja. p. além dessa noção de representante único de uma espécie. 9. O relacionamento interpessoal. Karina de O. Trata-se de uma área em que cada pessoa pode fazer grandes progressos na melhoria de sua própria eficácia e em seu relacionamento interpessoal ou com o mundo externo. já que mesmo sendo produto da evolução do mundo ani mal e tendo uma origem animal. Já em uma concepção humanista. assi m o seu desenvolvimento biológico vai tornando-se dependente do desenvolvi mento da produção humana (LEONTIEV. entre membros de um grupo.

entre outros. criar um clima amistoso e um melhor diálogo. Algo muito importante para que o relacionamento interpessoal na empresa seja bom é a comunicação. tem-se formada uma sociedade. Contudo para que isso aconteça é necessário que os indivíduos tenham um bom relacionamento para que consigam alcançar seus objetivos e os objetivos da organização da qual fazem parte. da atividade teleológica se constitui homem na sociedade. tonalidade de voz. que não conseguiriam alcançar sozinhos. Instituições se definem como uma estrutura que tem uma finalidade. uma estrutura de poder. que se diferencia dos mesmos a partir do trabalho. no entanto. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 194 .www. das suas relações com outros homens. as quais ocorrem dentro de uma realidade concreta na medida em que se dão as transformações históricas. Existem características individuais. ou seja. Todas as relações humanas com o mundo acontecem com a apropriação da realidade humana.1994). que quando o ser humano se organiza em grupos com regras de conviência.com. entre outros aspectos. e para se desenvolver necessita da atividade. Ela deve ser clara e levar em conta aspectos como gestos. 1978).br O homem aprende a ser homem no contato com o outro. esta individualidade é potencial. Nota-se então. e este se percebe assim (GUHUR. conhecimentos idéias e representações. na medida em que o ser humano se apropria do que foi acumulado ao longo da história (LEONTIEV. Assi m o homem se desenvolve como produto de suas práticas. Karina de O. visa um objeto.educapsico. assim. as organizações fazem parte da vida em sociedade e estas contribuem para que os indivíduos alcancem metas/ objetivos. Desta forma. possui uma finalidade. a qual controla comportamentos individuias dentro de um grupo social. Os gestores devem se preocupar em organizar um ambiente que possibilite que as pessoas tenham na empresa e nos seus companheiros um sentimento de confiança para. que é objetiva. na vida em sociedade. e a humanidade tem sua evolução historicamente determinada. Diferentes momentos históricos possuem suas realizações humanas. O homem é um ser diferente dos demais animais. Elas contribuem para reprodução social através da manutenção da e aceitação da ordem social.

que constituem a sua seiva vital. quando este faz referência aos estudos de Schutz: necessidades de inclusão. ao se referir a uma das pesquisas realizadas por esse psicólogo. Um trabalho dirigido especificamente para melhoras as relações interpessoais dos membros de uma empresa pode ser feito. As relações interpessoais tiveram como um de seus primeiros pesquisadores o psicólogo Kurt Lewin. Schutz. que emerge das experiências do diaa-dia) integram-se para produzir o padrão real de relacionamento humano na organização: como o trabalho é verdadeiramente executado e quais as regras comportamentais implícitas que governam os contatos entre as pessoas – esta é a estrutura de contatos e comunicações humanas a partir da qual os problemas de política Karina de O. competência de seus membros. mas sobretudo com a solidariedade de suas relações interpessoais”. os gestores são flexíveis e claros ao pedir as tarefas e fornecer feedback das mesmas.br O bom relacionamento interpessoal contribui para o trabalho em equipe. Os elementos formais (estrutura administrativa) e informais (relacionamento humano. aqui incluídas as relações interpessoais.www. respectivamente. Ao discorrer acerca da humanização no ambiente de trabalho. controle e afeição. Tais necessidades formam a tríade de que fala MAILHIOT (1976: 67). necessidade de responsabilizar-se pela existência e manutenção do grupo. um lugar em que o trabalho conjunto é valorizado.com. um outro psicólogo. treino de habilidades e discussões podem ser utilizadas. afirma que ele chegou à constatação de que “A produtividade de um grupo e sua eficiência estão estreitamente relacionadas não somente com a competência de seus membros. a comunicação acontece bem. MAILHIOT (1976: 66). O trabalho em equipe nem sempre é fácil. trata de uma teoria das necessidades interpessoais: necessidade de ser aceito pelo grupo. necessidade de ser valorizado pelo grupo.educapsico. Assim. mas sobretudo com a solidariedade de suas relações interpessoais”. COSTA (2002: 21) aponta as relações interpessoais como um dos elementos que contribuem para a formação do relacionamento real na organização: “É mister observar a operação real da organização. já que são diferentes personalidades atuando juntas na tentativa de buscar um objetivo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 195 . Técnicas como dinâmicas de grupos. pode facilitar o trabalho em equipe e o bom relacionamento de seus membros. o qual é extremamente importante na sociedade atual.

Atribui-se então “sete inteligências" ao ser humano e se postula que essas competências intelectuais são relativamente independentes. sociais.br de pessoal e de tomada de decisões podem ser compreendidos e tratados pelos administradores. Inteligência léxico-lingüística – os seus componentes centrais são uma sensibilidade para os sons. Em crianças. não existe a menor possibilidade de você “não ser” inteligente. cada domínio se caracterizaria pelo desenvolvimento de competências valorizadas em culturas específicas. experiências vividas. Howard Gardner. Segundo as premissas de base da teoria. utilizando-se dessas capacidades internas para resolver problemas e criar produtos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 196 . têm sua origem e li mites genéticos próprios. geográficos e genéticos. Num plano de análise psicológico. os seres humanos dispõem de graus variados de cada uma dessas inteligências e maneiras diferentes de combiná-las e organizá-las. Karina de O.” SAIBA MAIS: Competência interpessoais e a idéia de inteligências múltiplas: Segundo o renomado professor de psicologia do comportamento da Universidade de Harward. cada área ou domínio tem seu sistema simbólico próprio. uma anatomia neurológica específica e dispõem de processos cognitivos únicos. É a habilidade de usar a linguagem para convencer. com precisão.com.culturais. independentes uma das outras. biológicos e até mes mo ali mentares. até certo ponto. e devido a uma série incrivelmente variada de fatores ainda muito estudados . econômicos. afirma Gardner.www. além de uma especial percepção das diferentes funções da linguagem. Num plano sociológico de estudo. É a habilidade exibida na sua maior intensidade pelos poetas pois relaciona-se com a subjetividade e o abstrato através do código das linguagens. entre outros. De acordo com sua teoria de “multiplicidade” da inteligência humana. ritmos e significados das palavras. cada um de nós tem latente em si múltiplos processos inteligentes que serão desenvolvidos durante o curso de nossas vidas. estimular ou transmitir idéias. elas muito raramente funcionam isoladamente. etc. agradar. Embora estas inteligências sejam. esta habilidade se manifesta através da capacidade para contar histórias originais ou para relatar.educapsico.

categorias e padrões.www. É também a habilidade de influenciar a movimentação corporal ou cinestésica de um outro indivíduo através das características dessa mesma inteligência.se manifesta através de uma habilidade para apreciar. Karina de O. De experimentar de forma controlada. canta para si mesma ou reproduz grande quantidade de sons e ruídos com relativa perfeição. cálculos. É a habilidade para manipular espaços. compor ou reproduzir uma peça ou lógica musical de maneira fluída e pouco racional. movimentar o outro sem a necessidade de palavras. o potencial especial nessa inteligência é percebido através da habilidade para quebra-cabeças e outros jogos espaciais. formas ou objetos mentalmente e. a partir das percepções iniciais.educapsico. texturas e timbre. mecânica lógica e sistematização. Inclui a discriminação de sons. É também a habilidade para usar a coordenação máxima ou mínima em esportes. Em crianças pequenas. Inteligência lógico-matemática – seus componentes centrais desta inteligência são uma sensibilidade para padrões. É a habilidade para explorar relações. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 197 . freqüentemente. através das diferentes modalidades da visão. A criança pequena com habilidade musical especial percebe desde cedo diferentes sons no seu ambiente e. tem seus movimentos muito bem coordenados e fluídos e demonstra uma grande habilidade atlética e/ou coordenação fina apurada. ou seja. ordem. A criança especialmente dotada na inteligência cinestésica se move com graça e expressão a partir de estímulos musicais ou verbais. e habilidade para produzir e/ou reproduzir música. artes cênicas ou plásticas no controle dos movimentos do corpo e na manipulação de objetos com destreza. o mundo de maneira geral (ou detalhada) de forma precisa. Inteligência visual-espacial .com.br Inteligência fonológico-musical . combinação. orientação espacial até mes mo com os olhos fechados e a atenção a detalhes visuais. Inteligência corporal-cinestésica – a habilidade para resolver problemas ou criar produtos através do uso parcial ou total do corpo e todas as suas sensações. através da manipulação de objetos ou símbolos. é a habilidade para lidar com séries diversas de raciocínios. equilíbrio e composição numa representação visual ou espacial. A criança com especial aptidão nesta inteligência demonstra facilidade para contar e fazer cálculos matemáticos e para criar notações práticas de seu raciocínio. reconhecer problemas e resolvê-los. habilidade para perceber temas musicais. criar tensão. sensibilidade para ritmos.a capacidade para perceber.

Crianças especialmente dotadas demonstram muito cedo uma habilidade para liderar outras crianças através dessa inteligência (não pela força). em princípio. A linha de desenvolvimento de cada inteligência.é o correlativo interno da inteligência interpessoal. Ele propõe. musicais ou cinestésicas. sonhos e idéias. etc). percepção. É também a boa habilidade que um indivíduo tem de “regular” sua realidade interna (psíquica) com a realidade externa. a inteligência interpessoal se manifesta em crianças pequenas como a habilidade para distinguir pessoas. além de seu sistema simbólico. Todos os indivíduos possuem. Inteligência intrapessoal .com. têm a habilidade de questionar e procurar respostas usando todas as inteligências. É o reconheci mento de habilidades. ou seja. A capacidade para formular uma i magem precisa de si mes mo e a habilidade para usar essa imagem para funcionar e operar no meio externo de forma efetiva.pode ser descrita como uma habilidade pare entender e responder adequadamente a humores. temperamentos. congruência integral (emoção. crenças. a habilidade de se ter acesso aos próprios sentimentos.educapsico. professores e comunicadores vendedores bem sucedidos. que cada uma destas inteligências tem sua forma própria de pensamento. sensações.br Inteligência interpessoal . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 198 . Na sua forma mais primitiva. será determinada tanto por fatores genéticos e neurobiológicos quanto por condições ambientais. ela só é observável através dos sistemas simbólicos das outras inteligências. certas habilidades básicas em todas as inteligências. através de manifestações lingüísticas. ou de processamento de informações. Karina de O. e na sua forma mais avançada. Todos os indivíduos. ou seja. necessidades. no entanto. ainda. necessidades. para discri miná-los e lançar mão deles na solução de problemas tanto internos quanto externos. como parte de sua bagagem genética. uma vez que são extremamente sensíveis às necessidades e sentimentos de outros.www. expectativas e desejos de outras pessoas. motivações. desejos e inteligências próprios. ou seja. como a habilidade para perceber intenções e desejos de outras pessoas e para reagir apropriadamente a partir dessa percepção. Como esta inteligência é a mais individual de todas. Estes sistemas simbólicos estabelecem o contato entre os aspectos básicos da cognição e a variedade de papéis e funções culturais. Ela é melhor apreciada na observação de psicoterapeutas.

educapsico. o indivíduo adota um Karina de O. os estágios mais sofisticados dependem de maior trabalho ou aprendizado. pode ser visto em termos de uma seqüência de estágios: enquanto todos os indivíduos normais possuem os estágios mais básicos em todas as inteligências. o potencial para desenvolver sistemas de símbolos. Nesta fase.Cada cultura valoriza certos talentos. a grafia dos sistemas (a escrita. depois. À medida que as crianças progridem na sua compreensão dos sistemas si mbólicos.br A noção de cultura é básica para a Teoria das Inteligências Múltiplas. a música escrita etc. que devem ser dominados por uma quantidade de indivíduos e. no entanto. Aqui. uma cultura que valoriza a música terá um maior número de pessoas que atingirão uma produção musical de alto nível. ou simbólicos. a criança. elas aprendem os sistemas chamados de sistemas de segunda ordem. No estágio seguinte. Eles já possuem. O segundo estágio. os bebês apresentam capacidade de processar diferentes informações. as inteligências se revelam através de ocupações vocacionais ou não-vocacionais. Nesta fase. O aparecimento da competência simbólica é visto em bebês quando eles começam a perceber o mundo ao seu redor. a inteligência espacial através de desenhos etc.com. Neste estágio as inteligências se revelam através dos sistemas simbólicos. ocorre aproximadamente dos dois aos cinco anos de idade. a criança demonstra sua habilidade em cada inteligência através da compreensão e uso de símbolos: a música através de sons. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 199 . Nesta fase. prossegue para adquirir níveis mais altos de destreza em domínios valorizados em sua cultura. alguns talentos só se desenvolvem porque são valorizados pelo ambiente. a linguagem através de conversas ou histórias. A seqüência de estágios se inicia com a habilidade de padrão "elementar". Finalmente. os vários aspectos da cultura têm impacto considerável sobre o desenvolvimento da criança.www. os símbolos matemáticos. de simbolizações básicas. Cada domínio. ou seja. uma vez que ela aprimorará os sistemas simbólicos que demonstrem ter maior eficácia no desempenho de atividades valorizadas pelo grupo cultural. durante a adolescência e a idade adulta. Assim. ou inteligência. Com a sua definição de inteligência como a habilidade para resolver problemas ou criar produtos que são significativos em um ou mais ambientes culturais. passados para a geração seguinte. depois de ter adquirido alguma competência no uso das simbolizações básicas.).

por exemplo.a A sociometria estuda os comportamentos interpessoais por meio das escolhas dos Sociometria. Assim. biológicos. sociais e psicológicos que os predeterminam. O comportamento social e o desenvolvimento de equipes .com. são encontradas técnicas da sociometria para aplicação em vários campos como na saúde. A singularidade pessoal é como um todo maior que os papéis sociais que são desempenhados no dia-a-dia na sociedade. indivíduos que as fazem. quem emite mais mensagens de comunicação. Cada papel social é desenvolvido a partir do intuito para o qual ele é executado. É no processo do conhecimento individual que a engenhosidade do ser se desperta o transformando cada vez mais durante sua vida em um ser único de ideias e pensamentos individualizados. Cada indivíduo tem seu papel dentro da sociedade e cada ação verbal tem seu par como exemplo um indivíduo chamando o outro de “burro”.educapsico. do que os próprios papéis sociais do indivíduo representa dentro da sociedade. planejamento comunitário e empresas. quem recebe e descodifica para si melhor as mensagens e todo um histórico dos indivíduos na empresa. pois. pois pode-se dizer que há mais personalidades individuais e históricos de vida individuais. cada ação social acontece aos pares a fim de ser caracterizado como algo feito em conjunto com um ou mais indivíduos de seu grupo social ou de outra forma. e se realiza em papéis que são significativos em sua cultura. quem é mais submisso.br campo específico e focalizado. em um ambiente de trabalho. analisar a organização social dos indivíduos dentro da empresa e o papel que cada indivíduo desempenha dentro dela analisando quem exerce maiores ações positivas. pode.www. a comunicação entre todos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 200 . 10. A sociometria pensa o indivíduo analisando-o de forma profunda aspectos de processos físicos. a sociometria também pode realizar análise do indivíduo em seu dia-a-dia em relação juntamente a outros indivíduos independente do seu grupo social podendo-se obter uma análise de forma sucinta de como o indivíduo se comporta dentro do ambiente da sociedade. educação. Karina de O. um indivíduo solicitando a presença do outro para estudar.

com metas específicas de desempenho. Tal desenvolvimento passa por diversas fases. ou se analisa de forma mais individual focando a introspecção do indivíduo e seu papel dentro da sociedade.br É importante ressaltar que a sociometria permite que se analisem de forma sucinta os funcionários para colocá-los em postos específicos de trabalho. é necessário este tipo de análise para melhor atender os objetivos da empresa e também a melhor comunicação e interação social entre os funcionários. Dentro dessa análise fazem-se gráficos de avaliação dos resultados. maior a sinergia resultante do trabalho coletivo. Desenvolvimento de equipes: processos grupais e o papel do facilitador. comunidade. comprometidas com um propósito comum. Portanto.educapsico. é um processo de socialização de indivíduos orientado no sentido da obtenção de resultados comuns. pode-se propiciar desenvolvimento não somente do ponto de vista produtivo. sua relação com o seu grupo social e com a sociedade de maneira mais ampla e abstrata. Karina de O. O desenvolvi mento de equipes faz parte das práticas modernas de gestão e que dependendo do uso que se faz deste espaço. a Sociometria estuda sucintamente o indivíduo nesse aspecto. As equipes podem ser consideradas como um pequeno número de pessoas com habilidades complementares. entre outros). Em seu grupo social se analisa o indivíduo em relação a estímulos e respostas e qualificação entre estes estímulos. Assi m quanto maior o grau de desenvolvimento.com. os quais podem contribuir para os objetivos acima descritos. com um mes mo método de trabalho e responsabilidade mútua. fato que contribui para o funcionamento/ gerenciamento organizacional como um todo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 201 . Com isso se analisa o indivíduo de forma integrada entre estes pontos de observação realizando a análise geral. mas pessoal com reflexos no social (família. Já em sociedade o indivíduo é analisado de forma mais ampla focando suas reações com quaisquer pessoas da sociedade sendo o outro indivíduo conhecido ou não.www. No que diz respeito ao aspecto introspectivo.

virtuais. pois “Os relacionamentos laterais são importantes.br Os recursos de que uma equipe dispõe são inúmeros. que constitui um efeito de ampliação da energia dos indivíduos. os objetivos. a inteligência. Aos gestores cabe diagnosticar o grau de desenvolvimento e sinergia de suas equipes. como treinadores informais são fontes importantes de feedback e de exemplos. de tomada de decisão. julgamentos e experiências. Atualmente. especialmente em situações onde se exige multiplicidade de habilidades. Assim. As equipes podem ser de vários tipos: multidisciplinares. Do correto diagnóstico e consequente ação administrativa dependem os resultados obtidos pela equipe. o próprio desempenho do gestor. os interesses. Os gestores também devem se preocupar com os relacionamentos laterais. na Hierarquia ou no Grupo: a SINERGIA.educapsico. que espelham. gerando resultados ainda menores do que seriam obtidos pelos indivíduos trabalhando isoladamente. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 202 . porque colegas podem relatar o que acontece em outras partes da organização bem como podem propiciar feedback sobre o estilo e pensar em modos alternativos de lidar com os problemas” (Campos. em que os resultados obtidos são iguais a zero. neste caso.www. etc. Karina de O. as informações.11). as aptidões. em última análise. p. a maioria dos executivos concorda que a atuação de equipes é fundamental para o alcance do diferencial de manutenção de um alto desempenho organizacional. decorrente da confrontação. as experiências. A sinergia é nula se a maneira como os talentos individuais estão sendo combinados não está sendo administrada adequadamente. Um caso extremo da ausência de sinergia ocorre quando os membros de uma equipe atrapalham-se mais do que se ajudam. Kouzes e Posner também defendem que os gestores. que a equipe está num processo de entropia. 2005. que pode variar de um grau mínimo até o ponto máximo. na Série. de desenvolvimento. as equipes têm um desempenho melhor do que as pessoas individualmente. Dizemos. A razão para que isto ocorra é que. complementação e adição de idéias emitidas em situação de elevado envolvimento. Ela dispõe de um recurso não encontrado no indivíduo. os valores do indivíduo são ampliados e melhor aproveitados pelo efeito sinérgico da equipe.com. principalmente pelo fato de que a equipe não é a soma aritmética de seus componentes individuais. em geral. auto-gerenciáveis.

com. Karina de O. o trabalho. nos ajudam a definir o profissional mais adequado par ao perfil do cargo. Mas este não deve ser o único e decisório método de seleção dos candidatos. ajudando no processo seletivo de forma a ser mais um dos recursos para avaliação. o ego auxiliar. Diversos aspectos propostos para análise sociométrica são discutidos em outros itens dessa apostila. A dinâmica de grupo é uma técnica. e a cena a ser representada. tais situações não constituem a regra. pois. exige a participação de conjuntos humanos. a disponibilidade de tempo. comportamentais dos candidatos. o meio mais eficaz de trabalho. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 203 . A dinâmica em seleção pode ser usada quando temos bons e vários candidatos para poucas vagas. recomendam que dado trabalho seja executado individualmente. fatores como a natureza dos serviços. 1998): Psicodramática: seus elementos básicos são o cenário. de forma mais rápida e eficaz. Cenas da vida de cada um e de todos sao representadas por meio de dramatizações e da re-significação das mesmas. o nível de conhecimento e experiência necessários.br Contudo. Em alguns momentos. o publico. Isto se da através de jogos. nas quais os participantes poderão agir com autenticidade. Diferentes orientações teóricas se referem a dinâmica de grupo e podem ser divididos em quatro correntes (ZIMERMAN.www. Porém. 11. na maioria das organizações. proporcionando situações e sensações da vida real. Equipes não são a solução para todos os problemas gerenciais. em todas as circunstâncias. um recurso para facilitar o aprendizado dos participantes em atividades de treinamento e também para identificar aspectos psicológicos. a equipe não constitui.. Sistêmica: parte do principio de que os grupos funcionam como um sistema onde ha uma constante interação. Teorias e técnicas de dinâmica de grupo. o risco envolvido etc. o diretor. brincadeiras e exercícios que são vivenciados. Cada organização deve fazer uma análise realística de suas necessidades e motivações antes de iniciar uma jornada nesta direção. complementação e suplementação dos papéis que lhes foram atribuídos e que cada um dos componentes se vê impelido a desempenhar. o protagonista.educapsico.

sobre os outros e sobre o ambiente. da interpolação de resistência. Karina de O.. a concretização da imagem de um sentimento. ele propõe uma inversão de papéis entre os atores e o público.com. Através do uso de técnicas como a inversão de papéis. p. possibilitando novas formas de vida para seus participantes. Moreno formou-se em medicina em Viena no ano de 1917. no qual o público passa a representar seus dramas cotidianos no espaço cênico. transferência e interpretação. ou seja. precipitando mudanças na auto-percepção.. entre outras. O espaço cênico é multidimensional. Foi em 1922 o iniciou do desenvolvimento do que depois ficou conhecido como Psicodrama. um treinamento de habilidades comportamentais e uma modificação no estilo de viver. uma emoção. Esse espaço é composto pelo palco. Técnicas de coordenação e avaliação do processo grupal Dois autores merecem destaque: Moreno e Pichon. neste ano alugou um teatro e lá: “. Além da medicina. o jogo. realizando trabalhos nesta área desde muito cedo. na percepção dos outros. uma nova linguagem re-significada” (Mesquita. baseando-se em três princípios. do ambiente e do grupo. uma reeducação das concepções errôneas do individuo. o corporal. da resposta nova. no aqui e agora.www. um diretor ou terapeuta. influenciam as práticas grupais dentro das organizações. resistência. egos auxiliares e o público ou platéia. pois inclui os aspectos: verbal. as pessoas desenvolvem uma nova percepção sobre si mesmas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 204 . a imaginação. também fez parte de sua constituição o teatro. Inicia o desenvolvimento desta atividade como meio de se conhecer e atuar em grupo. Psicodrama Começaremos pela tendência Européia de Jacob Levy Moreno. 4). Psicanalítica: tem como respaldo toda a obra de Freud e seus seguidores. da eventualidade. presentificados no momento. o duplo. atuando principalmente na área da psiquiatria. o espelho. o protagonista ou paciente.br Cognitivo-comportamental: preconiza três objetivos principais. ambos com suas respectivas teorias. gestual. 2000. permitindo o surgimento do novo. a cultura.educapsico.

nascido na Suíça em 1907. do corpo e a imaginação. teve como embasamento as contribuições teóricas de Kurt Lewin. Era adepto do referencial kleiniano. em que os psicodramatistas atuam em clínicas. Já a técnica. ao desenvolvê-la. 2000). Cada uma das etapas representa um momento diferente no processo. Na interação entre os homens. dramatização e o compartilhar.www. hospitais e consultórios médicos e. A aplicabilidade do Psicodrama é vasta. 2000). culturais e imaginários. Além disso. no compartilhar. onde produziu sua obra. Na primeira. Toma. Na dramatização alguma situação já adquiriu significado para o grupo. o que faz até a sua morte em 1974 (Mesquita. 2000). e é o psicanalista que introduziu a dinâmica de grupos operativos.br Portanto. porém demonstrava grande interesse pela psicologia social. empresas e instituições comunitárias. viveu na Argentina. Na últi ma etapa. tendo como foco principal o grupo. é o momento de dar significado aos conteúdos da cena (Mesquita. Moreno considera o teatro um espaço privilegiado para atuar como terapeuta e assim proporcionar efeitos transformadores e terapêuticos em seus clientes. tem a possibilidade de aperfeiçoar a metodologia do Psicodrama. sócio e axiodramático ou. e ao se mudar para Nova Iorque em 1925. A teoria dos papéis é um dos constructos fundamentais do Psicodrama. este espaço como metodologia principal em sua atividade. psicossomáticos. como também as denominava: aquecimento. já com lugar para outro. há troca de sentimentos.com. impressões e reflexões sobre o acontecido em cena. decompõe-na em três etapas: psico. o outro seria o ego auxiliar e é neste jogo intersubjetivo de papel e contra papel que o “eu” se constitui. O homem desenvolve diversos papéis psicodramáticos: fisiológicos. na década de 40.educapsico. Grupos Operativos Pichon-Rivière. trabalha-se a aleatoriedade através de jogos que envolvem a linguagem verbal. a outra na frente educacional. Moreno considera que os papéis desenvolvidos pelas pessoas se alteram ao longo da vida e que a saúde mental está muito ligada a sua flexibilidade e adequação (Mesquita. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 205 . para o protagonista emergente ou paciente. onde o trabalho é desenvolvido em escolas. então. Karina de O. Para Pichon-Rivière o indivíduo é considerado um pólo vincular. suas intervenções estão listadas no site da federação e se dão em duas principais frentes: uma psicoterapêutica.

como pano de fundo situacional há sempre uma instituição familiar doente. Dentre os fatores descritos por este autor. O paciente é o membro dinamicamente mais forte. o depositado e o depositário das ansiedades básicas que surgem no campo grupal (ZIMERMAN.br Para Pichon-Rivière o grupo operativo é constituído de pessoas reunidas com um objetivo comum. pois tem uma estrutura que lhe permite encarregar-se da doença grupal. Visualiza o homem com necessidades que são internas que mobilizam ações diante do mundo externo. Algumas de suas idéias são: • Para fazer um diagnóstico. que se relaciona com o outro em grupo. O paciente é o depositário das ansiedades e tensões do grupo familiar. O autor desenvolve toda uma teoria em que explicita sua forma de pensar no sujeito. Os grupos operativos visam operar em uma determinada tarefa. podemos destacar dois: a formação de papéis (como bode expiatório. preservando o grupo da destruição. tendo como base a estrutura vincular modelando a sua intervenção em grupo. Princípios Teóricos de Pichon-Rivière A psicologia social de Pichon-Rivière está voltada ao estudo do homem como um ser social. empregado na educação (grupos de ensino) e na terapia (grupoterapia). • • • Na situação grupal.com.educapsico. do qual o paciente é a figura emergente. atribuindo à técnica um caráter dinâmico e interdisciplinar.www. o paciente tem um papel. na sua "relação objeto" e no grupo. • Certa economia sociodinâmica é mantida pelo grupo. chamado de "grupo centrado na tarefa que tem por finalidade aprender a pensar em termos de resolução das dificuldades criadas e manifestadas no campo grupal". porta-voz. sem que haja finalidade psicoterápica. e a emergência de diferentes tipos de líderes) e a noção dos três “Ds”. o depositante. 1998). dando-se um interjogo dialético entre mundo interno/externo. enquanto o papel é assumido pelo paciente. Karina de O. sabotador. o porta-voz da enfermidade familiar. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 206 .

A tarefa interna exige que os membros façam uma permanente indagação das operações que se realizam internamente no grupo. sempre em mútua reali mentação enquanto se mantém a interação com o meio (FERNANDES. e uma tarefa interna. FERNANDE. SVARTMAN. em relação à tarefa externa (FERNANDES. denominada grupo operativo. que surge com base na existência do grupo até o momento presente. SVARTMAN. compartilhada entre os integrantes. Estes níveis representam as histórias do indivíduo e do grupo que se fundem. que consiste na totalidade das operações que os membros do grupo devem realizar juntos para montar. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 207 . Se alguém ensina outro aprende. 2003). É essencial fazer algo para conseguir que esse nível básico – processo primário – atue a favor do nível mais elaborado – processo secundário – assegurando o cumprimento da tarefa grupal. 2003). FERNANDE.br Podem surgir mecanismos segregatórios como desejo de extirpar a doença grupal (FERNANDES. Por meio do ECRO há a apreensão da realidade que se propõe estudar (ZIMERMAN.educapsico. e outro carregado de emoções e conectado magicamente com as fantasias inconscientes presentes no grupo. definido "como um conjunto organizado de conceitos gerais. Os níveis articulares no grupo relacionados à inserção da pessoa são: verticalidade referente à vida pessoal de cada membro e horizontalidade que é a história grupal. Há dois aspectos da tarefa: uma tarefa externa. Nos grupos operativos.• www. manter e desenvolver o grupo como equipe de trabalho.com. o conhecimento é terapêutico. que é o trabalho produtivo cuja realização constitui a razão de ser do grupo. Para ele. Para compreensão da técnica elaborada por Pichon-Rivière. 1998). conjugando o papel a ser desempenhado. teóricos. A tarefa externa é a organizadora do processo grupal. O mundo interno é definido como um sistema em que interatuam relações e objetos. FERNANDE. lógico e relacionado realisticamente com a tarefa. que permite uma aproximação instrumental do objeto particular (conceito)". referentes a um setor real. 2003). existem dois níveis de atividade mental: um racional. como em outros grupos. faz-se necessário comentar sobre o ECRO – esquema conceitual. SVARTMAN. referencial e operativo. a um determinado universo de discurso.

e a resolução da tarefa. a comunicação. a aprendizagem.br O Trabalho com Grupos Operativos O grupo operativo deve configurar um ECRO. Tal elaboração implica um processo de aprendizagem. sendo importante o tipo de líder (autocrático. em que as contradições referentes ao campo de trabalho devem ser resolvidas como tarefa e durante o transcorrer do grupo. democrático. Cada integrante tem um esquema de referência. grupos para professores que querem aplicar o método. Svartman e Fernandes (2003) referem que há grupos no ensino de forma geral. instituições. A tarefa grupal prioritária será a construção de um ECRO grupal comum para poder estabelecer uma comunicação com afinidades entre os esquemas referenciais do emissor e do receptor. No grupo operativo coincidem o esclareci mento. Quanto ao uso dos grupos operativos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 208 Fernandes (2003) há dois momentos . Fernandes.educapsico. por ansiedades despertadas pela mudança. de caráter dialético. SVARTMAN. hospitais e comunidades terapêuticas.com. Svartman e importantes: 1. com rompimento de estereotipias e aproxi mação do objeto de conhecimento. grupos para empresas. laissez-faire ou demagógico) (FERNANDES. A situação grupal de enfermidade é o emergente. sendo o porta-voz o veículo por meio do qual esse emergente manifesta-se. o grupo passa de estereotipado para uma estrutura com maior mobilidade de papéis. FERNANDE. Svartman e Fernandes (2003) nesse tipo de grupo ocorre uma atividade centrada na mobilização de estruturas estereotipadas. Normalmente. momento de pré-tarefa com mecanismos de dissociação entre o bom e o mau e diferentes defesas para não entrar na tarefa. Segundo Fernandes. Karina de O. mas com um trabalho grupal configura-se um ECRO grupal. nas dificuldades de aprendizagem e de comunicação.www. 2. De acordo com Fernandes. momento de tarefa com a elaboração das ansiedades e a emergência da posição depressiva. 2003).

p. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 209 .www. quando os participantes sentem que fazem parte do grupo. Explícito Implícito Figura Adaptada de Fernandes. o que é fundamental para que ocorra a cooperação. • Pertinência: capacidade de concentração na tarefa.educapsico.com. subgrupos. e articulação entre as tarefas explícita e implícita. Svartman e Fernandes (2003. ordem. Os papéis circulam dentro do grupo. que facilitam uma avaliação dos processos de interação grupal. o projeto. etc. • Cooperação: capacidade de ajuda mútua e com relação ao coordenador do grupo. bode-expiatório. Fernandes. • Comunicação: pode-se ver as diferentes formas de vinculação entre as pessoas.br Ao se elaborar uma estratégia operativa. vai emergindo na tarefa um planejamento para o futuro. não-comunicação. caos. A afiliação é o nível mais superficial de identificação e a pertença o mais profundo. nos objetivos. 199) Os vetores do cone invertido são os seguintes: • Afiliação e pertença: o grau de identificação dos membros com a tarefa. Svartman e Fernandes (2003) apontam um interessante estudo de Pichon-Rivière capaz de permitir que se observe graficamente a dinâmica entre o explicito e o implícito do grupo. Karina de O. Há também as comunicações do tipo um para todos – apenas um fala e os outros escutam – todos para um – somente um não fala – parcerias excludentes – todos tem espaço para falar. líder. São os vetores do cone invertido.

Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 210 . • Tele: termo criado por Moreno para se referir ao sentimento para interatuar com alguns membros mais do que com outros.14). liderança é um tipo especial de relacionamento de poder caracterizado pela percepção dos membros do grupo no sentido de que outro membro do grupo tem o direito de prescrever padrões de comportamento na posição daquele que dirige. no que diz respeito à sua atividade na qualidade de membro do grupo” (JANDA. o grupo operativo é um instrumento de trabalho e também um método de investigação. O grupo operativo não é um termo utilizado para se referir a uma técnica específica de coordenação de grupos. 2003). Liderança: teorias. mas cumpre com uma função terapêutica (FERNANDES.com. A principal questão diante dos grupos operativos é saber se o mesmo é um grupo terapêutico.educapsico. nem a um tipo determinado de grupo.. 12.. p. da psicanálise.. liderança é o comportamento de um indivíduo quando está dirigindo as atividades de um grupo em direção a um objetivo comum“ (HEMPHILL & COONS. FERNANDE. Existem diferentes conceitos de liderança na literatura. p. 1960. com o conceito de transferência. p. SVARTMAN.br Aprendizagem: depende da adaptação ativa à realidade. 2003). de inovar e de desenvolver condutas alternativas diante dos obstáculos. A expressão grupo operativo refere-se a uma forma de pensar e de operar em grupos. da corrente psicodramática.• www. p.. que pode ser aplicada a coordenação de numerosos tipos de grupos.7 apud Bergamini. SVARTMAN. É a capacidade do grupo e de cada participante de se adaptar. FERNANDE.14): ". 1994. conforme cita Bergamini (1994. Karina de O. de atração ou rejeição.35 apud Bergamini. ". p. grupo de aprendizagem ou grupo de discussão (FERNANDES. Para Pichon-Rivière. Há uma relação entre esse conceito. poderia ser grupo terapêutico.14). Em função de seu objetivo. 1957. 1994.

p. muitos estudos foram realizados no intuito de se estabelecer parâmetros como. a pessoa nasceria com características físicas e traços de personalidade relacionados à liderança. ". outros quais seriam as características de estilo do líder e mais recentemente.232. liderança é uma interação entre pessoas na qual uma apresenta informação de um tipo e de tal maneira que os outros se tornam convencidos de que seus resultados serão melhorados caso se comporte da maneira sugerida ou desejada ” (JACOBS. 1994.educapsico. traços de liderança.14). ou seja. apud Bergamini. aqueles de um grupo.. p.. Portanto a liderança não é apenas o cargo do líder. pode-se dizer que a análise da liderança é feita a partir de três principais teorias. O processo de liderança normalmente envolve um relacionamento de influência em duplo sentido. são elas (segundo Bergamini.. 1970. A liderança é analisada nesses estudos a partir de enfoques diferentes: alguns estudos ressaltam traços de personalidade do líder.24 apud Bergamini. tais como. Assim.. exercida em uma situação e dirigida através do processo de comunicação. p. O interesse em se estudar o processo de liderança surge devido a necessidade de identificar formas para avaliar a sua eficácia. comportamentos.14).com. mas também requer esforços de cooperação por parte de outras pessoas” (HOLLANDER. 1961. 1978. habilidades. organização ou sociedade.2. no sentido do atingimento de um objetivo específico ou objetivos” (TANNENBAUM et all.. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 211 . apud Bergamini. 1994. 1994. tipos de fontes de poder e outras características que fossem capazes de explicar as variáveis mais importantes para se conseguir tornar o líder mais notável em suas atividades de influenciar seus seguidores (Bergamini. 1994): Teoria dos Traços Essa teoria preconiza que o líder já nasce líder. por exemplo.br ". a liderança é analisada em função das variáveis do ambiente que favorecem a eficácia do líder (Bergamini. p. Karina de O.www. Seguindo essa lógica.14). p. orientado principalmente para o atendimento de objetivos mútuos. Entendia-se como líder eficaz aquela pessoa que assumia formalmente a postura do “chefe controlador”. 1994). p. liderança é influência pessoal. 1994).. “. motivações. O conceito de liderança associava-se muito ao de chefia.

controle emocional etc. físico.br preocupado apenas com as tarefas da organização e que trabalhava a partir da seguinte filosofia: “gerenciar é verificar se tudo corre de acordo com o programa adotado. focalizandose o estudo de um conjunto específico de comportamentos. variedade no trabalho. Numerosas pesquisas foram realizadas examinando-se os estilos de liderança de diferentes pessoas dentro das organizações. extroversão. dominância. ajustamento pessoal. Teoria dos Estilos de Liderança Segundo esta visão o líder pode ser formado. 1994): . 1994). sensibilidade. Estas habilidades. autoconfiança. peso.Fatores Físicos: altura. 37. Aspectos de Personalidade: moderação. 1994). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 212 . podem ser ensinadas a outras pessoas que. apud Bergamini. fluência verbal. entre outros (FERREIRA et all. 1997. 1997. 1994). introversão.com. têm a possibilidade de se tornarem líderes eficazes (SMITH & PETERSON. p. mas que não são inerentes à pessoa. estas pesquisas tiveram como premissa básica o entendimento de que o estilo de liderança manifestado pelo líder determina o nível de desempenho atingido pelo grupo e/ou unidade organizacional por ele comandada (BERGAMINI. estabelecimento de comunicação entre os integrantes da organização. 1994). administração de conflitos. Desta forma não se acreditava na possibilidade de se formar líderes por meio de técnicas de desenvolvi mento pessoal. apud Bergamini.www. Quanto aos aspectos gerenciais. 1994. aparência. Karina de O.Habilidades Características: inteligência. apud Bergamini. as ordens dadas e os princípios admitidos” (PARK. . passa-se a entender a gerência eficaz como um processo que lida bem com os seguintes parâmetros: trabalho em grupo.educapsico. Aqui se estabelece uma nova visão para o entendi mento da liderança. Assim. nível de conhecimento etc. uma vez identificadas. procurando-se evidenciar as relações existentes entre estes estilos e a eficácia da liderança. desta forma. Normalmente estudavam-se os seguintes traços (BERGAMINI. idade etc. entendidos como habilidades de liderança. participação dos funcionários no processo decisório. e sua eficácia depende do seu estilo gerencial. escolaridade.

o líder inventa. o líder o desafia.www. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 213 . o líder desenvolve. pois cada um desses tipos de liderança vai ter conseqüências positivas e negativas para a organização.Autoritária: funcionários submissos. o líder pergunta o que e por quê.Democrática: diálogo entre funcionários e administrativo. como evolução das idéias iniciadas neste momento. Assim. .educapsico. o líder se abstém dessa função. principalmente em relação ao modo de execução de suas funções.br Alguns estilos de liderança descritos na literatura são: . do seu estilo de gerenciamento e do ambiente. Karina de O. o líder perspectiva de futuro. Mais recentemente. Não existe o melhor estilo de liderança. · o gerente vive com os olhos voltados para o possível.com. o líder inspira confiança. o líder prioriza as pessoas. · o gerente é uma cópia. relação equilibrada. o líder com os olhos no horizonte.Laissez-Faire: não há liderança.Transição da Autoritária para a Democrática: funcionários que eram submissos começam a impor alguma resistência sobre o manipulador. . Passou-se a entender que a organização não é uma “caixa preta” isolada de tudo e imune as mudanças ambientais. neste momento. · o gerente aceita o status quo. . ao contrário. · o gerente mantém. · o gerente pergunta como e quando. O papel da gerência. o líder um original. dependendo do objetivo que se deseja alcançar determinada forma de liderança pode ser melhor que as demais. diferencia-se em muito do papel do líder. o líder inova. acatando imposições passivelmente. pode ser citada uma lista de diferenças cruciais entre líderes e gerentes. ela passa a ser entendida como um sistema aberto que sofre influência tanto de fatores internos como de fatores externos. Teoria Situacional Essa teoria defende que o líder pode ser formado e que sua eficácia depende do grupo. como segue: · o gerente administra. · o gerente depende de controle. · o gerente tem uma visão de curto prazo. · o gerente prioriza sistemas e estruturas. sem voz. · o gerente i mita.

as empresas atualmente preocupam-se mais com o envolvimento e o comprometimento de seus funcionários com as estratégias da organização. A preocupação com o tema “liderança”. Visões contemporâneas e desenvolvimento das habilidades de liderança Durante muito tempo a liderança foi exercida verticalmente. observa-se a necessidade de pessoas que assumam o papel de facilitadores do trabalho da equipe que coordenam. Para Aguiar. muito em voga no inicio deste século. preocupando-se em motivar realmente cada um dos integrantes desta equipe. com a qualidade total de seus produtos e com o real atendimento e satisfação de seus clientes. Ao contrário. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 214 . administrando de forma contundente os conflitos que possam aparecer durante a execução do trabalho e acima de tudo.br · o gerente é um bom soldado clássico. o líder faz a coisa certa.educapsico. o líder é seu próprio comandante. na qual. devido às idéias de gerência eficaz promulgadas pela escola tradicionalista de administração.www. surge juntamente com as novas descobertas que as empresas estão vivendo. ensinar ou treinar a qualquer custo seus antigos chefes e gerentes em técnicas e habilidades de liderança” (p. Escrivão Filho & Rozenfeld. Apesar dessa tendência para relações horizontais o que se encontra muito hoje são níveis intermediários entre as lideranças verticais e horizontais. Além de melhorias na produtividade e qualidade. Neste ponto. Hoje nota-se uma tendência das lideranças acontecerem horizontalmente. que ocorre hoje no mundo organizacional. possibilitando a participação efetiva dos colaboradores nas tomadas de decisão. Karina de O. “Neste novo cenário não existe mais espaço para as gerências controladoras e autoritárias. incentivando o aparecimento de novos talentos.com. abre-se espaço para a tão almejada procura pelos verdadeiros lideres ou ainda pela corrida das empresas em formar. as empresas perceberam que somente esta ação não garante mais sua sobrevivência no mercado global.2). Depois de décadas buscando apenas melhorias tecnológicas em seus processos produtivos e gerenciais. · o gerente faz as coisas direito. os líderes tomavam as decisões e os funcionários dos níveis mais baixos apenas executavam.

“Não é pura e simplesmente a ação do líder que determina sua eficácia. Escrivão Filho & Rozenfeld. p. o processo de percepção. no entanto.tempo exigido para a tomada de decisões. motivações. mas o liderado e as contingências do momento e do ambiente desempenham papéis importantes. considerados tão decisivos quanto o comportamento do próprio líder” (BERGAMINI.a história da organização. Escrivão Filho & Rozenfeld). Segundo Aguiar.br No entanto. dentre eles: . pois não resiste a uma prova prática quanto à eficácia de atuação do líder em relação aos liderados. Mais do que isso. Vários estudos que compõem a teoria situacional. este tipo de simplificação é perigosa.com. como por exemplo.clima psicológico do grupo liderado. . habilidades e comportamentos. Assim.educapsico. não dependendo si mplesmente da ação do líder” (p.personalidades e influências culturais dos membros do grupo e. a liderança não pode ser teorizada de modo isolado das interações e influências de outros temas administrativos.3). com o tempo percebe-se que o processo de liderança se vincula a contingências mais profundas. Karina de O. por exemplo. Escrivão Filho & Rozenfeld). as bases da autoridade. a cultura organizacional. 1994. . Escrivão Filho & Rozenfeld apud Bergamini (1994). estrutura etc. o comportamento dos indivíduos. o processo de influência. . a motivação. entre outros (Aguiar. tipos de fontes de poder e características extrínsecas ao processo de liderança no intuito de identificar as variáveis mais i mportantes e assim poder desenvolver métodos e técnicas que visam atuar em tais variáveis na busca do desenvolvimento de lideres (Aguiar. Além de que o próprio tema liderança precisa ser compreendido como um conjunto de sub-temas em interação. Alguns estudos.a comunidade na qual a organização opera.18). como estratégia. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 215 . buscam levantar parâmetros como traços de personalidade. .www. “embora existam muitos trabalhos que tragam verdadeiras receitas em busca da boa liderança. conforme Aguiar. Não somente o líder. não existe uma receita pronta de “como formar um líder” devido a complexidade de variáveis que estão implícitas a este fenômeno. têm demonstrado que a liderança eficaz depende de diversos fatores ambientais. tecnologia.

Cibernética e teoria geral dos sistemas A Cibernética e a Teoria Geral dos Sistemas são importantes constructos que irão permitir as mudanças nas formas de gestão administrativa das empresas de uma maneira geral. mas é preciso considerar o contexto no qual o líder está inserido. são importantes. A cibernética surge na década de 40 como um modelo de pensamento que questionava o modelo cartesiano de ciência.com.educapsico. dentre outras. técnicas. como por exemplo. contexto. A organização como sistema e o desenvolvimento organizacional: pressupostos básicos. p.br “Os autores acreditam que a maior eficácia da aplicação dos conceitos de liderança está fundamentalmente associada à compreensão de que a liderança é parte de um todo maior (organização) e um conjunto de sub-partes (traços. 13. 30). tinham o propósito de conceber máquinas que pudessem corrigir seu próprio funcionamento. estilos. saber dar feedback. como será visto na seqüência do texto. As pesquisas matemáticas de Nobert Wiener. incentivos etc)” (Aguiar. ser empático. um por um (RAPIZO. Como destacado em Rapizo (2002 p. Algumas habilidades. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 216 . peças em uma máquina. 7).www. e não entendê-los somente isoladamente. comunicação. 2002). como por exemplo. pragmático e que promove a visão fragmentada e isolada dos fenômenos. relações interpessoais. É necessário realizar um planejamento minucioso e um programa sistemático e permanente de desenvolvi mento de liderança na organização. biológicos e sociais” Como ciência a cibernética preocupa-se com a relação entre os componentes de um sistema. que não há uma receita genérica para o desenvolvimento de habilidades de liderança. para “Von Foerster (1991) a Cibernética se ocupa basicamente da circularidade no estudo dos mecanis mos de causação circular. o que implicava em desenvolver um circuito circular que realizasse esta Karina de O. retroalimentação e auto-referência em sistemas artificiais. sempre levando em conta quais os interesses dessa organização e quais as habilidades de liderança são importantes para a atuação efetiva do líder na organização especifica. saber ouvir. o qual é mecanicista. processos. Podemos concluir assi m. Escrivão Filho & Rozenfeld.

Ele considerava que a cibernética tinha aspectos mais mecanicistas até mesmo porque suas características derivam da matemática. energia. As organizações surgem de indivíduos que para cumprir seus objetivos unem-se na busca da superação pessoal para realizarem atividades que seriam i mpossíveis de serem feitas individualmente. 1988).educapsico. 1988). as organizações são sistemas que permitem às pessoas satisfazerem inúmeras necessidades. emocionais. Dentro desta visão o trabalho poderia ser realizado de maneira mecânica. previsível e totalmente mensurável. Este mecanismo foi chamado então de retroalimentação (RAPIZO. no qual os indivíduos pertencentes a ela não recebiam influência do meio externo. esta visão de mundo foi-se modificando com a entrada de novas correntes filosóficas e modelos de gestão iniciadas no fim da década de 60 no Japão com o surgimento do Toyotismo. levasse este sistema a aproveitar o máximo de sua capacidade. pensar. militares e religiosas.www. porém uma preocupação de Bertalanffy era esclarecer as diferenças entre elas. pois existem organizações variadas como industriais comerciais. A organização na época do taylorismo e fordismo era vista como um sistema fechado. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 217 . alimentar e até mes mo de relacionar-se das pessoas (CHIAVENATO. econômicas. Segundo CHIAVENATO (1988). As organizações afetam a vida dos indivíduos em diversos campos. materiais do ambiente externo a ele. Ela Karina de O. Em oposição ao que se pensava das organizações. conseqüentemente. de serviços. 2002). A teoria geral dos sistemas foi desenvolvida por Ludwing von Bertalanffy na década de 30 e 40. 2002). hoje se percebe as organizações como sistemas abertos. intelectuais entre outras. poderia ocorrer o fenômeno da entropia que consiste tendência dos sistemas fechados de seus movimentos irem em direção a um estado caótico (CHIAVENATO. Esta interação com o ambiente é que permite a sobrevivência do sistema.br auto-correção e. os sistemas não podem ser compreendidos plenamente apenas pela análise separada e exclusiva de cada uma de suas partes.com. públicas. caso contrário. A cibernética e a teoria dos sistemas possuem semelhanças. O autor tentou explicar o funcionamento dos sistemas gerais independentes do que eram formados (RAPIZO. Segundo essa teoria. O sistema aberto recebe informações. As organizações provocam impacto na maneira de vestir.

Essa teoria interdisiciplinar demonstra o isomorfismo das várias ciências. Assim. Enquanto que o feedback positivo busca o equilíbrio dinâmico através da transformação e da mudança do estado anterior no qual estava o sistema.até então estranhos uns aos outros pela intensa especialização e consequente isolamento passaram a tratar seus objetivos de estudos como sistemas. Deve-se entender o feedback em relação à homeostase. que é a busca do sistema em manter um equilíbrio dinâmico para sua manutenção. Dentro do conceito da causalidade circular trabalhada por esta teoria é que o todo não possui um começo nem um fim (CALIL. A hipótese sistêmica ainda traz que o todo é maior que a soma das partes em um sistema (GALERA e LUIS. O feedback negativo é a maneira do sistema responder à mudança que ocorre com ele. na busca de retornar a sua situação anterior. Muitas ciências possuem suas versões de abordagem sistêmica.br se baseia na compreensão da dependência recíproca de todas as disciplinas e da necessidade de sua integração. . sempre partindo de seus próprios conceitos para a busca da harmonização com os conceitos de outras ciências. Karina de O. os diversos ramos do conhecimento. Para FILOMENO (2002): “A Teoria Sistêmica faz o convite a este novo paradigma da ciência. ou seja. mas sim some estas diferenças”. permitindo aproximação entre as suas fronteiras e o preenchimento dos espaços vazios entre elas (RAPIZO. 2002). A ciência tradicional clássica trabalha a partir da causalidade linear onde existe uma causa e um efeito. Já o feedback positivo é a uma resposta à desestabilização do sistema para a mudança e evolução do mes mo. as várias ciências. a substituição desta forma de pensar separativista do ou-ou para um pensamento integrador e-e que não reduza as diferenças. a visão global é mais importante do que a divisão das partes para a análise.educapsico.www. isto não se faz para a teoria dos sistemas senão de maneira artificial e imposta. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 218 . Portanto o feedback negativo busca a manutenção do sistema em termos estáticos de retorno da homeostase.1987).com. permite a sua transformação. Ou seja. Este quando não dilui o sistema. 2002). Os sistemas têm a propriedade da retroalimentação ou feedback que podem ser positivos e negativos no sistema. ao estado anterior que o sistema apresentava.

controlado e avaliado.com. 2002).educapsico. abertos e relacionados intensamente a outros sistemas com os quais compartilham informações.br Portanto. exercem influência uns sobre os outros. As organizações. Todo e qualquer sistema comporta-se como um todo em busca da coesão. portanto são abordadas de modo equivalente a um sistema no qual todos os elementos. Desenvolvimento Organizacional O desenvolvi mento organizacional está atrelado a mudanças estruturais de ordem sistêmica na organização ao contrário das mudanças estabelecidas nos treinamentos. Os sistemas são totalidades e não podem ser reduzidos em unidades menores. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 219 . investimentos. pessoas. descrevendo-os em função de um objetivo global. seja adequadamente definido. mudanças em processos e estrutura organizacionais. Estes temas serão tratados mais a frente nessa apostila. este subsistema trabalha com o treinamento e o desenvolvimento organizacional. de modo geral. a concepção sistêmica enxerga o mundo em termos de relações e de integração entre os sistemas. vislumbrando mudanças na totalidade da organizacional. A mudança em uma parte do sistema provoca mudança em todas as outras partes e no sistema como um todo (FILOMENO. referente às questões de desenvolvimento individual. cargos.www. Assim. por exemplo. As modificações para o desenvolvi mento organizacional baseiam-se em mudanças de longo prazo. Então este modo de pensar a respeito dos sistemas e de seus componentes. Permite às organizações que cada parte do conjunto que compõe o objetivo global. Elas são órgãos estruturados. no caso a missão desta organização. 2005). A abordagem sistêmica enfatiza princípios básicos de organização ao invés de concentrar-se em elementos ou substâncias básicas dos sistemas (CAPRA. Karina de O. Subsistema de Desenvolvimento Este subsistema trabalha a capacidade de aprendizagem das pessoas em relação a novos conhecimentos e na modificação de comportamentos existentes.

14. mas também toda a situação em que ocorre o relacionamento entre o homem e seu trabalho.br Na busca por estas mudanças o processo de Desenvolvimento Organizacional (DO) se faz em 3 etapas: iniciando com a Coleta de Dados que consiste no levantamento de informações sobre os elementos da organização pertinentes para a identificação de problemas. abrangendo não apenas aquelas máquinas e equipamentos utilizados para transformar os materiais. com o final destes confrontos as indústrias não bélicas nos EUA e Europa perceberam que poderiam levar vantagens no uso desta nova ciência que tem o nome originário de duas palavras gregas: gregas Ergon (Trabalho) e Nomos (Lei). ou seja. Ergonomia A Ergonomia surge a partir de adaptações feitas por diversos profissionais aos veículos e armamentos no período entre Primeira e Segunda Guerra Mundial. O DO segue no sentido de mudança da organização e para tal utiliza-se de técnicas de intervenção como: feedback de dados. e assim buscar objetivos para a ação. enriqueci mento de cargos. Isso envolve não somente o ambiente físico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 220 . “a ergonomia é o estudo da adaptação do trabalho ao homem. segundo ela a organização do trabalho deve ser adequada às Karina de O. interpreta os dados coletados a fim de obter o diagnóstico propriamente dito. lei do trabalho.” A Ergonomia é abordada pela legislação do Ministério do Trabalho na Norma Reguladora a NR-17. desenvolvimento de equipes. E por último a Ação de Intervenção. Assim.com. O trabalho aqui tem uma acepção bastante ampla. Para LIDA (1993) apud KANIKADAN s/d. na qual são escolhidas as melhores ações para a intervenção visando atingir os objetivos das modificações verificadas pelo diagnóstico. Segue então o Diagnóstico Organizacional que é a fase que analisa. Qualidade de vida no trabalho.www. visando melhor utilização destes nos campos de batalha. treinamentos e modificações de processos.educapsico. mas também os aspectos organizacionais de como esse trabalho é programado e controlado para produzir os resultados desejados.

br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_17. ela tem como objetivos trazer condições melhores e mais produtivas ao trabalho. produtividade e rentabilidade do indivíduo em seu trabalho (http://www. deve também ser capaz de executar um bom trabalho com segurança. os erros e acidentes de trabalho. dependendo do nível de estresse mental do indivíduo. variam de dia para dia. o trabalho mais seguro será aquele que permita ao trabalhador Karina de O. A determinação do conteúdo de tempo. e O conteúdo das tarefas. conseqüentemente. As normas de produção. Ergonomia auxilia para que isto seja mini mizado.com. Trataremos de três delas em especial. O ritmo de trabalho. Estaremos abordando aqui aspectos das doenças relacionadas ao trabalho. o ser humano apresenta limites físicos e mentais quanto às funções desempenhadas nas empresas.gov. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 221 .com/Athens/Troy/8084/idx_erg. Desta forma.mte. Possibilita assim.br características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado (http://www. Considerando os aspectos mentais-emocionais.educapsico. captar a informação e tomar decisões acertadas. Para que isto ocorra devem ser considerados: • • • • • • O modo operatório.geocities.asp). Se uma pessoa tem a capacidade de entender uma tarefa. A exigência de tempo. Porém. a ergonomia atua para que o cansaço tanto físico quanto mental do trabalhador seja reduzido e.www. Desta forma existem tipos de trabalhos que necessitam de cuidados especiais. em geral. aumentar o conforto. Doenças Ocupacionais O trabalho como a atividade de transformação do homem também pode trazer conseqüências físicas e psicológicas nocivas à saúde quando não realizado em condições adequadas.html). “Os limites mentais e emocionais são de predição mais difícil e.

KAROSHI é um acometimento fatal por sobre-esforço. Elas possuem características sintomatológicas de dor no local onde as lesões ocorrem. terapias físicas. Ocorre com freqüência no Japão e é descrito na literatura sócio-médica como um quadro clínico extremo (ligado ao estresse ocupacional) com morte súbita por patologia coronária isquêmica ou cérebro vascular. Mazelas adquiridas em decorrência do trabalho e tem origem multicausal. trazendo ai um sentimento de degradação emocional..br/institutos/it/de/acidentes/ergo7. os digitadores e atualmente. gastrite. há o impedimento de realização do trabalho. que anteriormente acometiam. Os tratamentos são no sentido de minimizar a dor e possibilitar o não agravamento dos sintomas. podendo causar além dos sintomas físicos. terapias psicológicas e até mesmo intervenções cirúrgicas podem ocorrer. falta de saúde com alterações cardíacas e respiratórias. devido ao aumento no uso do computador como ferramenta de trabalho. LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos/ Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) São doenças ocupacionais. Assim são utilizadas diversas técnicas em um trabalho multidisciplinar no qual. tem acometido um maior número de pessoas.www.com. Karoshi Karoshi se origina de duas palavras japonesas. sendo considerada uma doença relacionada ao trabalho e que freqüentemente está associada a longos períodos de horas trabalhadas (http://www.educapsico. Karina de O. úlcera. Causam a incapacidade de movimentos e isto interfere nas atividades diárias do indivíduo. satisfeito e bem ajustado..br/institutos/it/de/acidentes/ergo7.htm). medicamentos. transtorno do sono.ufrrj. O KAROSHI (morte por sobrecarga de trabalho).ufrrj.htm). sintomas de ordem psicológica. age sob a forma de moléstia. pois. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 222 . náuseas e com isso há desgaste do rendimento ou da qualidade de trabalho” (http://www. por exemplo. O estresse laboral. KARO= excesso de trabalho e SHI = Morte.br executá-lo de modo feliz. com seqüelas nocivas para o indivíduo.

e os outros profissionais). frustração (resultante de um teor impróprio em relação às competências e às necessidades do indivíduo). intervalos para descanso do indivíduo. angústia (resultante do conflito da contradição entre os impulsos das pressões e dos desejos). fadiga.br A questão principal é a prevenção para o não aparecimento destas lesões. alongamentos e melhores índices de satisfação no trabalho podem prevenir estas doenças (MERLO. medo (caracterizado por problemas de sono e pelo consumo de medicamentos). Burnout Burnout é uma doença do trabalho no qual o trabalhador passa a apresentar um esgotamento e uma perda em sua vitalidade em decorrência de um esgotamento físico e mental causado pelo seu trabalho. Formas de prevenção comuns são relaxamentos durante o expediente. JACQUES. insônia. ginástica laboral. também irritação. em uma visão ergonômica. ansiedade (caracterizada por tensão nervosa e medo). 2001). HOEFEL. chefia. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 223 . distúrbios gastro-intestinais. atividades de lazer para tornar o ambiente de trabalho menos estressante. insatisfação (resultante da comparação com a situação vivenciada e seus anseios).htm). A vontade de realizar suas atividades rotineiras passa a não existir mais e sintomas comuns a esta doença laboral são.www.ufrrj. além desta anedonia. “As pessoas em estado extremo de estresse sentem fadiga (resultante da sobrecarga de trabalho). baixo envolvimento com o pessoal do local de trabalho.com. Este tipo de síndrome acomete geralmente funções nas quais as tarefas e responsabilidades são altas e Karina de O. agressividade. resistência e crueldade (decorrentes das relações do trabalho e incompatibilidade com a hierarquia.educapsico. Através da adequação de equipamentos e atividades. alcoolismo (vícios decorrentes de insatisfação e frustração)” (www.br/institutos/it/de/acidentes/ergo7.

MORAIS. Segundo Franca. BAPTISTA. desejos.educapsico. São muitos os benefícios da QVT. desenvolvimento. de uma empresa que envolve: diagnósticos e implantação de melhorias e inovações gerenciais. da satisfação e do desempenho dos trabalhadores. surge a teoria das relações humanas com a concepção do homem social. Qualidade de vida no trabalho (QVT) Na década de 1940.br geralmente há o trato e cuidado com pessoas como atividade principal (INOCENTE. condições ambientais gerais e promoção de saúde. dentro e fora do ambiente de trabalho. Karina de O. o conceito de qualidade de vida no trabalho e um conjunto de ações. obtêm-se o aumento da motivação. atitude favorável ao trabalho. CALAIS. visto que ao promover a saúde e o bem estar de seus funcionários. promoção de saúde e segurança. integração social. Como investigação científica na esfera do trabalhador. e temores. redução da rotatividade. 2004). que considera os trabalhadores como seres complexos. desempenhos. a QVT surgiu em 1950 com os estudos de Eric Trist para designar experiências calcadas na reestruturação da tarefa com o objetivo de tornar a vida dos trabalhadores menos penosa. sendo estes explicitados a seguir: redução do absenteís mo. tecnológicas e estruturais. elementos que a QVT gerencia. redução/eliminação da fadiga. A busca da produtividade e qualidade tem constituído um fator principal para as empresas proporcionarem a qualidade de vida dentro das organizações e não fora delas como mecanismos compensatórios. De forma geral. observando tarefas.www. desenvolvimento das capacidades humanas e aumento da produtividade. movida pela necessidade de contrapor-se a desumanização no trabalho surgida com a aplicação de métodos rigorosos. os autores que trataram sobre o tema. com sentimentos.com. visando propiciar condições plenas de desenvolvimento humano para e durante e a realização do trabalho. observam os conceitos de QVT com os enfoques: grau de satisfação da pessoa com a empresa. As pessoas são motivadas por certas necessidades e alcançam satisfação através dos grupos com os quais interagem. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 224 .

Santos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 225 . insumos. O clima organizacional como instrumento. feitos por Forehand e Gilmor (Silva. pois ele apóia à gestão de recursos humanos no sentido da produtividade e qualidade dentro da empresas. O levantamento de opiniões que caracterizam a organização em um determinado momento é o que podemos conceituar de pesquisa de clima. Este conceito está para a organização numa visão de qualidade do ambiente e das relações e assim influencia o comportamento dos indivíduos dentro da organização ao passo que é percebida e experimentada por eles. é necessário a capacitação e envolvimento das pessoas que vão realizar todas estas atividades.educapsico. na forma de pesquisa. as possibilidades de erros tornam-se muito grandes. ela traz à tona os conceitos dos funcionários sobre as características momentâneas da organização no sentido de Karina de O. Logo. Se uma delas falhar. Dornelas. como se um não pudesse interferir no outro. Os estudos sobre clima organizacional surgiram nos Estados Unidos no início da década de 60. Não é possível dissociar a condição humana do processo. se estiver com sua saúde comprometida. se estiver sofrendo processos de desmotivação. todo o trabalho pode ficar comprometido. dentro das organizações é importante. mas se o trabalhador não tiver condições de trabalho adequadas. que a matéria prima. a qualidade do produto depende da qualidade de vida das pessoas que estão envolvidas com as atividades relacionadas aos produtos. Clima organizacional.br Assim como é necessário que os processos produtivos estejam sobre controle.com. 2008). É feito um levantamento dos comportamentos a fim de conhecer questões conflitivas dentro da organização e a partir de então realizar o planejamento de ações do núcleo de Recursos Humanos das organizações.www. Ora. tornando o gerenciamento da QVT um instrumento importante para alcançar os objetivos da qualidade e da empresa como um todo. e peças em processos estejam em conformidade com as especificações técnicas. 15. que sejam seguidos os procedimentos de todas as etapas do processo produtivo para que sejam produzidos e entregues produtos com a qualidade requerida pelo cliente de forma eficaz e eficiente.

Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 226 . rituais. valores.educapsico.br indicar as características positivas e negativas que estão influenciando o trabalho (BREDARIOLLI. slogans. Para a análise do clima organizacional é necessário levar-se em conta a cultura organização. DORNELAS. Algumas categorias de análise do clima organizacional foram propostas por diferentes autores. Quando favorável o clima. este proporciona uma satisfação do trabalhador. 2006). 16. LUNARDELLI. 1988). Para a pesquisa do cli ma organizacional várias técnicas são utilizadas. A cultura organizacional abarca idéias de várias áreas do conhecimento. Cultura organizacional. analisando os seguintes aspectos: crenças. pensar e sentir esses problemas. tabus. Karina de O. tradições. Portanto. sentimentos e comportamentos daqueles que fazem parte da organização. já quando é desfavorável proporciona a frustração do mesmo. 2008). costumes. mitos. sendo que os principais modelos são: Modelo Litwin e Stringer (1968). das quais pode-se destacar a aplicação de questionários aos funcionários. descobertas ou desenvolvidas pelos membros de uma empresa para lidar com problemas de adaptação externa e integração interna. Então temos o conceito de clima e a ferramenta “pesquisa de clima” que identificam o que está sendo favorável e desfavorável à motivação dos trabalhadores neste clima organizacional.com. Estes padrões funcionam com eficácia suficiente para serem considerados válidos e. o clima organizacional influencia o estado motivacional das pessoas e por conseqüência também é influenciado por ele (Chiavenato. Modelo de Kolb (1986) e Modelo de Sbragia (1983) (SILVA.www. ensinados aos novos membros com a maneira correta de perceber. esta visão permite a identificação de diferenças entre os diferentes grupos humanos em suas culturas. Em princípio a cultura organizacional foi um conceito elaborado pela antropologia. Edgar Schein (1982) apud Rocha-Pinto (2007) afirma que a cultura organizacional é um conjunto de padrões de suposições básicas inventadas. em seguida. SANTOS.

Como fatores tangíveis. porém não são especificadas abertamente no acordo de trabalho.educapsico. 2007). costumes presentes dentro da organização. temos: aspectos concretos da organização como a arquitetura dos prédios. Enfatiza-se aqui a importância de recompensar óti mos desempenhos. Relaciona-se com as normas da empresa. Alguns outros elementos também estão presentes na cultura organizacional. regras.com. mas também usar o sistema de recompensas para incentivar aqueles funcionários que precisam melhorar seus desempenhos. são eles: Karina de O. marcas. Percebe-se que a cultura organizacional influencia o comportamento dos funcionários. seja através de normas e regras explícitas ou através de regras que estão presentes no cotidiano da empresa. mobiliário. b) Valores: São “coisas” que as pessoas que fazem parte da organização avaliam como positivo ou negativo. Já os fatores intangíveis são as crenças. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 227 . Cada maneira de organizar o poder dentro da organização pode ser usada para a análise da cultura de cada organização e também irá influenciar no cli ma organizacional. Ela engloba normas. d) Poder: O poder na organização pode ser mais centralizado ou ser distribuído. c) Recompensas: É aquilo que se oferece de positivo ao funcionário em função de certos comportamentos. bom ou rui m.www. Assim as organizações possuem cada qual sua cultura e os funcionários ao adentrarem na instituição são inseridos neste contexto e no momento que a cultura organizacional é absorvida pelos trabalhadores é quando estes começam a partilhar as visões parecidas de mundo (ROCHA-PINTO. idéias preestabelecidas. Vejamos cada um desses aspectos da cultura organizacional: a) Normas: Elas podem ser explicitas ou implícitas e dizem respeito a padrões/ normas de comportamento que as pessoas que fazem parte da organização devem seguir.br De modo multidisciplinar a cultura das organizações decorre de um processo complexo social no qual estão presentes fatores tangíveis e intangíveis. recompensas e poder. valores. comunicações visuais e também os produtos e serviços que a empresa realiza.

bandeira). é de caráter familiar. é importante entrevistar tanto líderes quanto subordinados (Ver mais sobre entrevista no capítulo seguinte). que abrange os diversos aspectos já mencionados nesta apostila. revisão da política de recursos humanos. O psicólogo quando ingressa em uma organização. Observações As observações podem ser sistemáticas ou livres. b) Heróis: funcionam como modelos de comportamento e valores.com.educapsico. 17.www. c) Estórias: narrativas com base em fatos reais. tais como: Pesquisa documental É direcionada geralmente ao histórico da organização: como surgiu? Quem a fundou? Como se consolidou no mercado? Se. Tem a função de informar o comportamento esperado. f) Ritos: atividades que buscam a afirmação de aspectos que representam certa cultura. utilizando diversas técnicas e materiais. antes de propor qualquer intervenção. Métodos e técnicas de pesquisa organizacional. precisa compreender sua cultura organizacional. definição de objetivos. avaliação de desempenho) elas se constituem um importante instrumento para obter dados sobre o funcionamento do trabalho e sobre o clima organizacional. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 228 . anotações e análise para chegar a Karina de O. porém com presença de elementos fictícios. internacional ou nacional? Entre outros elementos. e) Mito: histórias que servem para explicar diferentes fenômenos.br a) Símbolo: representa algo que dever ser decodificado por aqueles que entram em contato com o mesmo (ex. Para isso deve se valer da pesquisa. As observações sistemáticas requerem planejamento. d) Endoculturação: diante da necessidade de aprender a desempenhar novos papéis as pessoas aprendem novas habilidades e valores para os mes mos. Entrevistas São de grande valia quando há a necessidade de realizar um diagnóstico para orientar intervenções (treinamento.

Quando são utilizados de cinco a sete pontos ao invés de menos de cinco. consegue-se extrair uma informação mais rica. Karina de O.br conclusões.com. Além disso. ou pesquisa para planejamento de intervenções futuras em geral. Já as observações livres podem ser utilizadas como dados para compreensão do cotidiano. Questionários Os questionários podem ter diversas utilizações. Diversas escalas são relatadas na literatura. Discordo parcialmente. mas com cuidado para que elas não caiam no senso comum. Outra dificuldade que surge algumas vezes quando se trabalha com muitos pontos de escala é definir palavras que se distribuam de forma eqüidistante numa escala de satisfação ou concordância. Esta escala. Uma má definição de categorias pode não representar bem todas as possibilidades de resposta para uma questão. sendo importante instrumento de pesquisa de clima organizacional.educapsico. é necessário decidir quantos níveis (ou pontos) de escala serão considerados para conseguir obter informações mais ricas e precisas do nosso público alvo.www. conhecida por escala de concordância. por exemplo. Concordo plenamente. em geral utiliza 5 pontos: -Discordo plenamente. A desvantagem de se utilizar sete ou mais pontos é o tempo e a complexidade que seriam necessários para se conduzir uma pesquisa por telefone. por exemplo. Após o levantamento e formulação das questões que farão parte do instrumento de pesquisa. pois permite obter do entrevistado mais detalhes de percepção. estudos mostram que as pessoas têm dificuldade de memorizar mais de cinco alternativas de resposta (embora algumas escalas sejam mais fáceis de memorizar do que outras). Concordo parcialmente. As Escalas Um cuidado fundamental na fase de projeto de uma pesquisa quantitativa é a definição das escalas ou alternativas adequadas de resposta para cada uma das questões. sendo a de Likert a mais comumente empregada em pesquisas quantitativas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 229 . Não concordo nem discordo.

poderá prejudicar a análise estatística dos dados. Os recursos humanos são vistos como agente Karina de O. apresentando ou não uma categoria “neutra”. II MODELOS E PROCESSOS DE GESTÃO DE PESSOAS. no qual a distribuição de poder é realizada por uma minoria da alta direção e as decisões vêm do alto escalão da organização. Uma recente pesquisa. não é possível utilizar uma única escala que sirva adequadamente para todas as perguntas de um instrumento de pesquisa. Bom. Ruim e Não sei Os dados obtidos a partir da escala acima estarão tendendo para o lado positivo. Gestão de pessoas A idéia primeira de gestão de pessoas vem de um modelo autocrático e absolutista. 2005).br O requisito básico para definição de uma escala adequada é o equilíbrio entre as respostas “positivas” e as “negativas”.com. Esse desequilíbrio.educapsico. por exemplo. Assim. Atualmente. buscando definir uma escala que permita obter respostas adequadas para o contexto da pesquisa e o conseqüente plano de ações. Modelos de gestão de pessoas. pois há mais categorias positivas que negativas. informação e privatização. Muito bom. Este equilíbrio garante a análise adequada e não-tendenciosa dos dados. A sociedade vive a globalização e tem como pilares o conhecimento. além de dar uma falsa idéia de que estamos melhores que pensamos. A administração de pessoas está passando de um si mples departamento de pessoal para um RH transformador na organização.www. por questões de mudanças sociais e históricas que vem refletindo na estrutura das organizações. Embora existam diversos estudos sobre escalas de pesquisa. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 230 . O mercado de trabalho sofre modificações quanto aos postos de emprego que surgem (FRAGA. critério fundamental para validação científica de qualquer pesquisa. cada questão deve ser discutida e sugere-se aplicar questionários piloto. 1. Este paradigma é baseado principalmente nas teorias do taylorismo e fordismo do início do século XX. combinada com a crescente competitividade no mercado empresas e instituições viram a necessidade de repensar e discutir diferentes modos de realizar a gestão de pessoas. Razoável. estes se confrontam com as maneiras anteriores de realizar estas atividades. apresentou algumas questões com a seguinte escala de respostas: Excelente.

www. Um diagnóstico é realizado levantando as necessidades na preparação profissional dos funcionários. As competências dentro de um perfil profissional devem compreender competências técnicas e comportamentais. atitudes e comportamentos que permitem ao indivíduo desempenhar com eficácia determinadas tarefas. 2001). habilidades. visando o desenvolvimento das habilidades e competências nos colaboradores da organização. levam em consideração conhecimentos e habilidades técnicas específicas para uma função. Estas novas maneiras de gestão são voltadas para uma maior participação dos colaboradores.br de transformação no sentido de realizar melhores resultados na saúde organizacional. O conceito de competência é caracterizado por RABAGLIO (2001). É importante que se crie um cli ma positivo para o desenvolvimento de treinamentos na organização. O treinamento e desenvolvi mento são umas destas ferramentas muito usadas pela gestão de pessoas. para a integração entre os setores e departamentos e para a Karina de O. como um conjunto de conhecimentos. se mantém a forma de trabalho da empresa ou a modifica. remuneração/seleção por competência e habilidade e avaliação 360 graus. depois são preparados materiais e formas para treinar e desenvolver as necessidades apresentadas. A gestão de pessoas possui então ferramentas que auxiliam na obtenção dos resultados supra-citados.com. Após estas atividades são avaliados se estes processos desenvolveram ou permitirão o desenvolvimento das habilidades ou não e quais serão os passos para cada um destes parâmetros. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 231 . em qualquer situação. que serão discutidos adiante. aumento de produtividade e satisfação dos funcionários.educapsico. sendo elas treinamento e desenvolvimento. As competências técnicas são mais simples de serem percebidas e desenvolvidas. O conceito de competência não levava em consideração as questões comportamentais como acontece atualmente. Já as competências comportamentais são atitudes e comportamentos que a pessoa deve ter para ocupar certas posições (RABAGLIO.

Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 232 . analisada e. 2007). SEDRANI. após o encerramento dessa atividade. o que é Planejamento/Gestão Estratégica? A gestão estratégica consiste em fazer com que a estratégia definida seja sistematicamente acompanhada. deve ser gerenciado para ser implementado com sucesso (MOREIRA. SEDRANI. se for preciso. 2005). dinâmico e competitivo. Tipos de gestão: Planejamento estratégico e gestão estratégica: missão. um estudo da Ernest & Young revela que do ponto de vista da avaliação das empresas. O cenário dos negócios está cada vez mais imprevisível. Mas afinal de contas. redefinida. para garantir que Karina de O. 2005). reforçando a necessidade de gerenciar a estratégia de forma contínua (MOREIRA. Portanto. esquecendo-se de que o produto desta reflexão. visão de futuro.www.com. concentrando seus principais executivos em complexos ciclos anuais de reflexão e formulação da estratégia. um dos principais desafios de executivos em todas as organizações. é a sua implementação e para garantir uma efetiva e correta implementação. LIMA. Entretanto. entretanto. LIMA. o diferencial na gestão de pessoas reside em superar a visão tradicional da administração de recursos humanos que concebe as pessoas como recursos semelhantes aos demais recursos da organização. Neste mesmo sentido.br descentralização do poder e redução na quantidade de níveis hierárquicos (ROCHAPINTO. SEDRANI.educapsico. valores. Falham. mais importante do que a estratégia em si. LIMA. de forma acertada. objetivos. a desenvolver uma ótima estratégia. A partir do enfoque sistêmico. metas indicadores. a gestão de pessoas é compreendida como um conjunto de políticas e práticas definidas para orientar o comportamento humano e as relações interpessoais no ambiente de trabalho (BEZERRA. Muitas organizações se dedicam. 2006). é preciso gerenciála. 2005). gerenciar é uma atividade complexa e requer uma mudança cultural dos executivos (MOREIRA. Balanced Scorecard (BSC) A gestão estratégica é hoje.

a partir da tradução da visão em objetivos. professor de Harvard. As mudanças no cenário competitivo. objetivo maior da organização. cada vez mais comuns e acontecendo em ciclos menores. até mesmo os terceiros (Moreira. 2005). O BSC é um modelo de gestão estratégica que auxilia a empresa na mensuração do progresso rumo à suas metas de longo prazo. 2005). e David Norton. a sistemática formal de Planejamento Estratégico cria um “hábito” inadequado de pensar na estratégia somente ao final de cada ciclo anual (Moreira. surgindo então uma revolução no modelo de competição. Lima. Sedrani. 2005). indicadores. consultor de empresas. Entretanto. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 233 . obrigam os executivos a pensar estrategicamente todo o tempo. metas e projetos estratégicos. Sedrani. incluindo áreas de apoio e.educapsico. os empresários começaram a ver seu desempenho organizacional através de novos horizontes. desde a presidência até a operação. Foi criado por Robert Kaplan. na maioria das vezes. 2005). Balanced Scorecard (BSC) Na década de 1980. A alta gestão carece de mecanismos efetivos de acompanhamento da estratégia e suporte à tomada de decisões. Li ma. Lima. 2005). no início da década de 90 é hoje. Lima.www. Karina de O. seja alcançada (Moreira. Os números financeiros deixaram de ser o único alvo desses gestores que começaram a buscar estratégias competitivas que fizessem com que suas organizações permanecessem no mercado por mais tempo. Dentre as ferramentas e conceitos que ajudam estes gestores na gestão e implementação da estratégia está o Balanced Scorecard (Moreira. um dos conceitos mais utilizados na gestão estratégica (Moreira. Sedrani.br a visão de futuro. Sedrani. Lima.com. Sedrani. dando resultados favoráveis ao mesmo tempo em que os diferenciassem dos seus concorrentes. A gestão estratégica pressupõe uma mudança cultural e de atitude na organização. fundamentados em indicadores que reflitam o progresso da organização em direção à sua visão de futuro.

metas de longo prazo e projetos.br O BSC. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 234 . indicam se as estratégias da empresa. Perspectiva dos processos internos Karina de O. 2005). e também. Inclui-se entre as medidas de desempenho essenciais desta perspectiva: nível de satisfação dos clientes. ou seja. • Aprendizado e Crescimento Perspectiva financeira De acordo com Kaplan e Norton (1997). crescimento das vendas. Sedrani. indicadores de desempenho. tem sido implementado por empresas em todo o mundo. entre outros. Mas como se faz o BSC? O BSC possui indicadores que ajudam na mensuração de elementos intangíveis.educapsico. não contábeis são eles: • Financeiro. lembrando que normalmente os objetivos financeiros estão relacionados à lucratividade. aquisição de novos clientes. ou seja: receita operacional. retorno sobre o capital investido.www. dever-se-á contemplar aspectos relativos à competitividade dentro do segmento alvo.com. entre outros. Perspectiva dos clientes O BSC tem como um dos objetivos principais conhecer quais os mercados e clientes que a organização busca atender. contudo. • Clientes. fluxo de caixa. as medidas financeiras são valiosas por sintetizar as conseqüências econômicas relativas às ações. Li ma. • Processos Internos. apoiando todo esse processo (Moreira. índice de participação no mercado. capacidade de retenção de clientes. lucratividade dos clientes. incluindo sua implementação e execução tem contribuído para o alcance dos resultados financeiros. por absorver em sua arquitetura a tradução da estratégia com os grandes objetivos da empresa.

entre outras. a capacitação da força de trabalho.educapsico. por todos. em todos os níveis da organização. Isso se deve principalmente por ser bastante improvável que as empresas atinjam metas a longo prazo sem que sejam desenvolvidas em conjunto a melhoria dos processos internos. estabelecendo bases que permitam gerenciar as estratégias competitivas da organização. da estratégia e da visão de futuro da organização. processos operacionais. e também. entre outros. A partir desta visão. sistemas e procedimentos organizacionais é responsável pela necessidade de identificação de meios que possam determinar a geração de conheci mento e melhorias fundamentadas pelas estratégias e direcionadas ao longo prazo. Perspectiva do aprendizado e crescimento A contínua interação entre pessoas. preparando a empresa para desafios futuros. elevação da capacidade de gerenciamento. Contudo. a utilização do BSC na criação de um processo efetivo de gestão estratégica deve considerar: • entendimento. crescimento e inovação relativo aos recursos humanos de uma organização. capacidade de retenção dos funcionários. Kaplan e Norton (1997). destaca-se que nesta perspectiva serão incorporados processos de inovação. eficácia do processo de treinamento e capacitação. aqueles que elevam a satisfação das expectativas que os acionistas ou sócios tem em vistas de retornos financeiros.com. gestão de custos e de preços.br Kaplan e Norton (1997). integração de novas tecnologias. entrega e assistência técnica. o seu valor só se efetiva com a criação de um processo de gestão da estratégia baseado nesta estrutura. produção. afirmam que através desta perspectiva é possível identificar os processos internos críticos ao funcionamento excelente da empresa que se direcionam principalmente ao oferecimento de valores capazes de atrair e reter clientes dos segmentos alvo. criação e desenvolvimento de produtos. nível de conhecimento agregado aos recursos humanos. definem um conjunto de medidas genéricas capazes de medir o nível de aprendizado. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 235 . são elas: grau de satisfação dos funcionários. Karina de O. Em suma.www. Embora o processo de construção do BSC por si só propicie um forte alinhamento da equipe executiva. • definição de responsabilidade pela estratégia. • alinhamento da organização em torno da estratégia. etc.

apresenta-se abaixo a declaração da missão da General Motors (GM): “O propósito fundamental da General Motors é fornecer produtos e serviços de qualidade tal que nossos clientes recebam um valor superior. percebe-se que a gestão eficaz tende ser direcionada pela razão de existir da organização focada na missão da empresa. Definindo o negócio a partir do planejamento estratégico Missão Ao buscar o estabeleci mento da missão de uma organização. com propósito de permitir visualizar a mesma no futuro. • definição de novos caminhos. • análises sistemáticas acerca da implementação da estratégia e do alcance da visão de futuro. a tecnologia (diferencial). Para que fique um tanto mais clara a definição da missão de uma empresa.br • acompanhamento da implementação da estratégia. • realimentação do processo de concepção da estratégia com o aprendizado adquirido durante as etapas de gerenciamento da implementação da estratégia. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 236 . deve-se atentar para alguns propósitos em especial: o produto ou serviço oferecido pela empresa.www. Desta forma. metas. o auto-conceito e a imagem pública.educapsico. para garantir que a organização realmente alcance a visão de futuro. valores e princípios capazes de determinar sua orientação estratégica. Visão de Futuro Karina de O. se necessário.com. nossos funcionários e parceiros partilhem de nosso sucesso e nossos acionistas recebam um retorno sustentado e superior sobre seus investimento”. • comunicação sistemática da implementação da estratégia e das decisões tomadas. o mercado (a quem se destina). estabelecendo objetivos. os objetivos e a filosofia da organização.

algumas perguntas podem facilitar sua formalização.com. Mesmo incluída em um contexto político democrático a empresa geralmente é dominada por um grupo que define necessariamente a estrutura do poder. Metas e Objetivos Definir objetivos e metas é necessário para medir progressos da organização. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 237 . Entretanto. uma vez que a adoção de determinados conceitos. assim como. quase um “sonho impossível” que fornece direção para os próximos dez ou vinte anos da empresa. de modo que haja compreensão de onde se pretende chegar a curto. não basta defini-los é preciso envolver os profissionais. o que leva a organização a ser mais flexível ou Karina de O. ou seja. ferramentas e técnicas gerenciais podem ser diferenciados dos valores incluídos na cultura da empresa. ressalta-se que a empresa como um organismo vivo mantém um processo de equilíbrio buscando se ajustar às necessidades do ambiente em que opera.educapsico. definindo claramente a imagem no futuro e conseqüentemente gerando um compromisso com desempenho. controle e condiciona a definição dos valores a serem seguidos pela mes ma. Contudo.www. Valores Nos processos estratégicos é preciso considerar a influência dos valores dos trabalhadores que fazem parte da organização. destaca-se que a visão deve ser coerente. são elas: qual é o objetivo da empresa? Qual a força propulsora ou impulsionadora? Quais os valores da organização? O que fazemos de melhor? O que desejamos realizar? Quais mudanças gostaríamos de implantar? As declarações de missão são melhores quando orientadas por uma visão. e criou a Federal Express. da própria organização sobre a escolha da estratégia a ser escolhida. Entre outros fatores. Fred Smith desejava “entregar encomendas em qualquer lugar dos Estados Unidos antes das 10:30 do dia seguinte”. portanto. ex-presidente da Sony.br A visão serve como inspiração e também como senso que direciona para o que deve ser feito pela organização em determinado período de tempo. para definir a visão. desejava que todos tivessem acesso ao “som pessoal portátil” e sua empresa criou o walkman e o aparelho cd portátil. médio e longo prazos. Akio Morita.

com. Muitos autores propuseram modelos de gestão do Conheci mento. o valor de empresas intensivas/onde o Conhecimento sobeja. A Gestão do Conhecimento é um conjunto de processos que governam a criação.br menos flexível quanto a suas decisões cabe a estruturação dos valores que são definidos por esses grupos. uso e disseminação do conhecimento na organização. através de meios estruturados como vídeos. por conexão com outros conhecimentos e através das outras pessoas. páginas web. Para estes autores. em busca de pontos dos processos de negócio em que o conhecimento possa ser usado como vantagem competitiva. Exemplo de valores: democracia. Capital Intelectual. a concorrência. cooperação. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 238 . da análise. bases de dados e sistemas de informação. Todos os três Karina de O. da inovação. passando a ser cotado a partir de seus ativos intangíveis. da criatividade. As pessoas derivam conhecimento das informações de diversas formas: por comparação. através de aprendizado interpessoal e compartilhamento de experiências e idéias. Conhecimento útil. mas também nos processos de negócio. e etc. Stewart (1998) e Edvinsson (1998). os processos de negócio. os pioneiros da Gestão do Conhecimento. do estudo. nas práticas dos grupos e na experiência acumulada pelas pessoas. Gestão do Conheci mento é certa forma de olhar a organização. identifica o conhecimento como algo inseparável das pessoas. por exemplo. Sveiby (1998). As atividades de criação de conhecimento têm lugar com e entre os seres humanos. O conhecimento é transmitido por pessoas e para pessoas. útil para aplicações ao trabalho e às organizações. documentos. deixou de estar relacionado aos bens tangíveis. responsabilidade. Nas organizações o conhecimento se encontra não apenas nos documentos. livros. Conhecimento sobre o mercado. Inteligência Competitiva e vários outros novos termos tem surgido para tentar caracterizar uma nova área de interesse na administração das organizações. Gestão do Conhecimento Gestão do Conheci mento.educapsico. as pessoas obtêm conheci mento daqueles que já o têm. eram empresários e jornalistas.www. oriundo da experiência. da pesquisa. pela experimentação. como prédios e máquinas. Além disso. os clientes. a tecnologia e tudo mais que possa trazer vantagem competitiva para a organização. Esta abordagem. de forma a atingir seus objetivos de negócio.

A partir dos anos 80 a temática da competência começou a surgir nas empresas e pesquisadores começaram a se interessar por ela.educapsico. Habilidades e Atitudes (CHA) que. Sveiby nomeia estrutura interna. a educação formal. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 239 . Eles estão se referindo às patentes. Avaliação de potencial e banco de talentos. ser capaz de compreender e dominar novas situações no trabalho. Neste último se inscrevem os clientes. a experiência e os valores de um determinado indivíduo. Identificação e priorização de competências. Nesta categoria. estão incluídas as habilidades. Um desses pesquisadores foi Philippe Zarifian. Este capital tem a ver com a capacidade individual de atuação de cada integrante da empresa.br propõem um modelo de gestão para as empresas. o terceiro capital é chamado de estrutura externa por Sveiby e de capital de clientes por Stewart e Edvinsonn. obviamente. Mapeamento de perfis profissionais por competências. O primeiro deles. Os três modelos analisados não são. referindo-se à capacidade da pessoa em assumir iniciativas. Conceito e tipologia de competências. ser responsável e ser reconhecida Karina de O. O segundo capital é o que Sveiby chama de competências enquanto que Stewart e Edvinsonn chamam de capital humano. Todos os modelos apresentados coincidem num ponto: monitorar e gerenciar a informação e o Conhecimento é uma tarefa essencial para todas as pessoas e organizações desejosas de competir num mundo cada vez mais globalizado. 2. Finalmente. contraditórios. conceitos e modelos administrativos e informatizados de uma organização. permitem que ela atinja com sucesso os resultados que deseja. Competências são conjuntos de Conhecimentos. parceiros. fornecedores e a imagem que a empresa tem junto a eles e ao mercado.com.www. ir além das atividades prescritas. que elaborou um conceito de competência relacionado com o conceito de qualificação. Stewart chama de capital estrutural e Edvinsonn de capital organizacional. formado por três componentes básicos. Gestão de pessoas por Competências. quando integrados e utilizados estrategicamente pela pessoa.

Já para Minarelli. o fato de uma pessoa possuir habilidades não implica que elas sejam necessariamente aplicadas na organização.com. Foi Durand que construiu um conceito de competência baseado em três dimensões: • Conhecimentos (saber o que fazer) • Habilidades (saber como fazer) • Atitudes (querer fazer) Essas dimensões são interdependentes. Segundo este modelo. a gestão de competências deve ser vista como um processo circular. envolvendo os diversos níveis da organização.br por isto. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 240 . as habilidades físicas e mentais e a experiência. O importante é que a gestão de competências esteja em perfeita sintonia com a estratégia organizacional. a capacitação dos colaboradores e de parceiros de uma organização. Para Prahalad e Hanel competência é um conjunto de conhecimentos.www. tecnologias. Como a competência compreende não apenas as habilidades. mas também crenças e comportamentos. Pois não adianta uma empresa se esforçar em fazer um produto excelente. para que eles conheçam profundamente o produto que vendem e.educapsico. se os seus clientes internos não sabem das informações sobre o que fabricam ou vendem. sistemas e gerências inerentes a uma organização. desde o coorporativo até o individual. habilidades. exerçam maior influência na decisão do cliente. passando pelo divisional e o grupal. competência é sinônimo de capacitação profissional. mas também de habilidades e atitudes adequadas à situação em Karina de O. Sua definição de competência é centrada na mudança de comportamento social dos seres humanos em relação ao trabalho e sua organização. dessa forma. com ela você compete no mercado. Faz parte dessa estratégia. pois compreende os conhecimentos adquiridos. pois para a adoção de um padrão de comportamento no ambiente de trabalho exige-se da pessoa a utilização não apenas de conhecimentos. Mapear e desenvolver competências organizacionais e individuais tem se tornado uma das estratégias das grandes empresas para atingir seu consumidor final de forma mais eficiente.

pois se não possuir essas competências. Outro modelo de gestão por competência é apresentado por Brandão (2001) que consiste em estabelecer as metas e os objetivos a serem alcançados e em seguida. mas nem por isso deixa de ser importante. uma definição para a competência. habilidades. e as essenciais. que garantem a sobrevivência de uma empresa. estará fora do mercado. comumente adotada pelos profissionais de gestão (principalmente os ligados à área de gestão de pessoas). referindo-se à capacidade da pessoa assumir iniciativas. As ações seguintes devem envolver a seleção. mas procura ser mais amplo.com.br questão. ir além das atividades prescritas. ainda. Karina de O. quando comparada com padrões estabelecidos e desenvolvida por meio de treinamento. No plano individual. é a seguinte: Competência é o conjunto de conhecimentos. que permitem a diferenciação de uma empresa no mercado. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 241 . O conceito de competência se relaciona com o conceito de qualificação. faz parte de uma competência básica. para muitas empresas.educapsico. Há basicamente dois tipos de competências organizacionais: as básicas. identificar as lacunas entre as competências disponíveis na empresa e as necessárias para que estes objetivos sejam atingidos. a competência pode ser mensurada. A qualificação é um conceito que se relaciona aos requisitos da posição ou cargo do indivíduo ou. A gestão da qualidade hoje em dia. Parte destes conhecimentos pode ser classificada e certificada pelo sistema educacional. Durand esclarece que crenças e valores compartilhados pela equipe de trabalho influenciam muito o comportamento e o desempenho de seus componentes. O conceito de competência também pode ser aplicado à equipe de trabalho e à organização como um todo. ser capaz de compreender e dominar novas situações no trabalho. e que se relacionam com o desempenho no trabalho. atitudes que afetam a maior parte do trabalho de uma pessoa. ao conhecimento acumulado pelo indivíduo ao longo dos anos. ser responsável e ser reconhecida por isto. O conceito de competência relaciona-se intimamente com as tarefas desempenhadas pelo indivíduo e com o conceito de qualificação. o desenvolvimento e a avaliação das competências com o intuito de minimizar essas lacunas.www.

www. através das mais diversas práticas. na prática. e (c) remuneração por competência.br A competência não se limita. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 242 . ligadas às transformações que o mundo dos negócios vem sofrendo: (a) âmbito de atuação da organização (local. encontra-se associada na tarefa que este indivíduo desempenha. dentre elas: participação nos resultados. que é uma prática utilizada por empresas preocupadas em resguardar parte do conhecimento tácito de seus colaboradores e mantê-los nas organizações. a não ser que sejam comunicados e trocados. desenvolve as seguintes atividades. Alguns autores mostram que as competências são sempre contextualizadas. visando adequar as competências necessárias às estratégias de negócio formuladas. remuneração variável e remuneração baseada nas competências desenvolvidas. aos conhecimentos tácitos (teóricos e empíricos) adquiridos pelo indivíduo ao longo de sua vida e. como foi observado por Fischer: (a) captação de pessoas. para tal. nacional ou global) e (b) visão estratégica. (b) desenvolvimento de competências. considerados fundamentais para atrair novos talentos. portanto. que vem servindo para que empresas implantem novas formas de remuneração de seus empregados. as empresas buscam por pessoas que tenham um nível educacional elevado e. Para tratar a competência no plano das organizações é preciso considerar duas outras di mensões. A gestão por competências é uma nova tendência da gestão de pessoas. visto que os conheci mentos e o know-how não adquirem status de competência. Esta nova forma de gestão. visto que as empresas contam ainda com a possibilidade de desenvolver as competências essenciais dos indivíduos. se valem de programas de trainees. Diferencia-se uma competência essencial de uma habilidade verificando o valor percebido pelos clientes. visando adequá-las às necessidades organizacionais.educapsico.com. muito menos. A rede de conhecimentos em que se insere o indivíduo é fundamental para que a comunicação seja eficiente e com isso gere competência aplicável. regional. Competências essenciais são segundo Hamel e Prahalad um Karina de O.

com. FLEURY e FLEURY (2001) afirmam que a definição das competências essenciais de uma organização está intimamente relacionada com a estratégia de negócio que a empresa adota. mas que não são suficientes para manter a sua posição competitiva no mercado. Definida a estratégia. Para desenvolver competências. é preciso definir o desempenho necessário para alcançá-los. Toda origem das competências deve surgir de uma definição clara da estratégia.br grupo de habilidades que permitem às empresas entregar um benefício fundamental aos seus clientes. pela diferença operacional de seus produtos. porque a estratégia acaba definindo aonde se quer ir. formar pequenos grupos para trabalhar nesse desenvolvimento de uma forma Karina de O. em outros. por sua vez. é formada por todas as capacidades necessárias à existência da organização. De acordo com os resultados visados. e também uma proposta de agregação de valor. Esses resultados têm quatro vertentes: financeiros. pelo grau de intimidade que tenho com os clientes. como quero me diferenciar. A competência básica. ou seja.educapsico. com clientes de mercado. de processos internos que é preciso ter. Definir e desenvolver competências As competências são definidas e desenvolvidas em uma empresa de acordo com seus objetivos e necessidades de mercado.www. e o que é preciso aprender para fazer tudo isso. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 243 . ou seja. é preciso estabelecer os resultados que se quer alcançar. em alguns casos pode-se formatar um programa. Mapear as competências essenciais e individuais da organização torna-se vital para garantir a sobrevivência das organizações. e que competências são necessárias para desenvolver esse desempenho. além do levantamento dos recursos que a empresa dispõe (capitais do conhecimento). Baldicero e Figueiredo propõem a seguinte definição para competência essencial: “uma competência essencial é uma combinação de habilidades complementares e conhecimentos embutida em um grupo ou time que resulta na habilidade de executar um ou mais processos críticos num padrão classe-mundial”. E a partir desses dados a empresa poderá realmente conhecer seu potencial humano.

fornecendo insumos para elaboração de programas de treinamento. o processo de gestão de competências não se transforma necessariamente em programas de capacitação. ou se vai ter de buscá-lo no mercado. ou aplicado apenas em um setor. A empresa tem de verificar se o conhecimento necessário se encontra dentro dela. o excesso aderente. remuneração e demissão de pessoal. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 244 . entre outros. às vezes. Indicadores de competências Os investimentos realizados com os recursos humanos sempre se desdobrarão em melhorias à execução dos processos da organização.br muito mais emergente e informal. o conhecimento operacional.educapsico. Os conhecimentos necessários em uma organização podem ser mapeados com base na modelagem dos processos da mesma. Indicadores com foco no conhecimento Karina de O. Esse grupo serve para as análises comparativas da situação de conhecimento de cada unidade organizacional através de uma abordagem por processos. porém há sempre um processo de aprendizado nele. escondido. a necessidade. Alguns indicadores podem ser usados como ferramenta gerencial para avaliação e desenvolvimento da gestão de competência.www. possibilitando a geração de um “mapa” de conhecimentos que representam uma parte relevante da competência requerida. Assim. o excesso extra de conhecimento e o percentual de cobertura da árvore de conhecimento necessário.com. não compartilhado. de recolocação horizontal e vertical de pessoal de contratação. dividido em grupos como: Indicadores com foco na unidade organizacional Nesse grupo estão presentes. O programa de desenvolvimento de competências vai mostrar como fazer para que esse conhecimento passe a ser compartilhado pela população-alvo.

nos países centrais. a remuneração por competência. ajuda a organização melhor focar sua missão e consequentemente atingir seus objetivos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 245 . Esse sistema de remuneração passou a ser interessante em função de diversos fatores como o crescimento do setor de serviços na economia. Diante desse contexto várias empresas iniciaram seus estudos para que a remuneração fosse de acordo com as competências. O uso de aumento de salário. no contexto da crise estrutural do capitalismo que se configura. Modelo de competências O modelo das competências profissionais começa a ser discutido no mundo empresarial a partir dos anos oitenta. como acontece nos sistemas tradicionais.educapsico. comportamentos e atitudes que os profissionais deveriam possuir para enfrentar a nova realidade e desempenhar melhor suas funções.br Este grupo muda o foco das unidades organizacionais para o conhecimento em si. Se utilizada com eficácia. no início da década de setenta. no qual o empregado necessita demonstrar sua competência. implantação de sistemas mais flexíveis e redução de estruturas hierárquicas rígidas e popularidade do conceito de competência. por sua vez. Remuneração por competência As remunerações por competência são diretamente vinculadas a um processo de certificação. devem ser utilizados para aquisição de um conjunto de percepções e entendi mentos globais a respeito da organização. englobando diversos setores da organização. bem como a utilização das mesmas no dia-a-dia.com. No modelo de competências importa não só a posse dos saberes disciplinares escolares ou técnico Karina de O. necessidade de conhecimento intensivo nas empresas em geral.www. não está vinculado à promoção. aumento da demanda de profissionais qualificados. É preciso que a gestão de competências seja um incentivador da criação de conhecimentos pelos profissionais da empresa. A geração de indicadores não é por si só suficiente para gerar melhorias para a empresa. além de recompensar os funcionários pelo valor que agregam aos seus cargos. procurando identificar os conhecimentos.

Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 246 . da inteligência prática dos trabalhadores. execução e controle dos processos produtivos. menos prescritivo. A adoção do modelo das competências no mundo do trabalho traz. exigindo a mobilização de competências que envolvem domínios cognitivos mais complexos e que vão além da dimensão técnica. também. maior comunicação. a possibilidade de construir competências coletivas a partir do trabalho em equipe.com. tais como uma busca incansável de ser o melhor. que permite lidar com diferentes processos e equipamentos. no entanto. O modelo de competências implica em novas práticas de recrutamento. positivamente. uma maior polivalência do trabalhador. mas também no Karina de O. O modelo das competências remete. pode-se apontar. assumir diferentes funções e tornar-se multiqualificado. Ressalta-se. implicações contraditórias para o trabalhador. Os componentes não organizados da formação. A implantação de um modelo de competências também traz consigo alguns pontos negativos nos empregados. insistência inédita na “responsabilização” dos assalariados e na questão da modificação dos sistemas de classificação e de remuneração. como as qualificações tácitas ou sociais e a subjetividade do trabalhador. independente de títulos ou diplomas. assim. avaliar todos os itens de prós e contras na gestão de competências. a valorização do trabalho. alto índice de stress. a valorização dos saberes em ação. que assume um caráter mais intelectualizado. como aspecto positivo. às características individuais dos trabalhadores. do enfrentamento cada vez maior de responsabilidades no trabalho sem a contrapartida do aumento do salário ou da estabilidade no emprego e de ambientes de trabalho extremamente competitivos e individualistas. ansiedade decorrentes do medo da perda do emprego das relações de trabalho inseguras.www. demandando novas exigências de qualificação do trabalhador e a elevação dos níveis de escolaridade. novo tipo de compromisso no que concerne à mobilidade interna. Por isso cabe à empresa. da intensificação e expansão da jornada de trabalho. mas a capacidade de mobilizá-los para resolver problemas e enfrentar os imprevistos na situação de trabalho.educapsico. assumem extrema relevância.br profissionais. participação e autonomia para o planejamento. Por um lado. pois não basta só pensar nos rendi mentos da empresa.

O gerenciamento baseado em competências representa uma mudança cultural em direção a um maior senso de responsabilidade e autogestão dos funcionários. que permita identificar conhecimentos. A gestão de competências é uma ferramenta muito importante para a gestão de recursos humanos. “gestão de competências” é a expressão utilizada para promover a integração entre as atitudes. Karina de O. possibilite estabelecer diretrizes para a alocação de pessoas aos grupos de trabalho (este tipo de atividade é.br bem-estar das pessoas que ali trabalham. No escopo da gestão do conheci mento. de forma a haver a compatibilização entre estas realidades e a superação ou redução dos diferenciais encontrados. usualmente. que também. habilidades e potenciais na equipe de colaboradores e. sendo necessário que esteja em perfeita sintonia com a estratégia organizacional. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 247 . de modo a que seja iniciado um processo de negociação entre gerentes e equipes. e. Se os conhecimentos. em uma organização que busca melhores níveis de desempenho. onde os processos de capacitação e de treinamento não estão atrelados à obtenção de melhores resultados organizacionais e/ou à satisfação das pessoas. b) a criação de um “banco de talentos”. mas estão associadas a organizações e sistemas tradicionais. tornam-se preponderantes: a) o desenvolvimento de um programa de capacitação que proporcione uma maior adequação ou que elimine os diferenciais existentes entre as competências desejadas (ideais) e as competências apresentadas (reais).educapsico. as competências inerentes aos cargos devem ser identificadas e comparadas com aquelas competências existentes na força de trabalho. as habilidades e os conhecimentos necessários para que as pessoas alcancem resultados diferenciados. gestão de pessoal e gestão de pessoas ainda são expressões largamente difundidas.www.com. quanto por parte dos colaboradores. as habilidades e as experiências dos indivíduos que compõem uma organização são essenciais à melhoria do desempenho e à difusão de práticas inovadoras. tanto por parte do gerente. além de haver uma maior responsabilidade pelo processo de aprendizagem. Gestão de recursos humanos. denominado de “gestão de talentos”). Assim. Deve ser encarada como parte de um sistema maior de gestão organizacional.

com. Entretanto. conforme a disciplina ou o processo de aprendizagem em equipe é vital. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 248 . Hoje em dia. assim como no uso intensivo das facilidades tecnológicas embutidas nas práticas de ensino à distância ( EAD ). Portais corporativos Karina de O. no e .www. e não os indivíduos são a unidade de aprendizagem fundamental nas organizações modernas. pois as equipes.educapsico. apresentado acima) para o desenvolvimento de ferramentas e métodos de aprendizagem individuais e coletivos. atualmente. Desta forma. Esse é um ponto crucial: se as equipes não tiverem capacidade de aprender.learning ( via Internet ). bem como no desenvolvimento de portais corporativos onde o intercâmbio de informações e conhecimentos sirva como facilitador e catalisador de inovações e de geração de novos conhecimentos. as ferramentas mais utilizadas para o desenvolvimento de ações voltadas à aprendizagem contínua e à construção de um processo de educação organizacional estão baseadas na instituição das “Universidades Corporativas”. a organização não o terá. na disseminação de bases de dados com as “melhores práticas” ( best practices ) e as “lições aprendidas” ( lessons learned ). o fato de que o melhor profissional é aquele que “sabe aprender” ou que “está continuamente aprendendo”. as organizações devem buscar soluções (integradas com o conceito de gestão de competências. e assumirem que a função ou a responsabilidade pelos processos de aprendizagem extrapola os departamentos de treinamento e de capacitação e torna-se um imperativo para as ações gerenciais das organizações modernas.br Aprendizagem contínua As constantes e rápidas mudanças nas tecnologias e nos desafios com que se deparam as organizações exigem competências e habilidades cada vez mais distintas dos trabalhadores e é consenso.

quais sejam. De forma a serem reconhecidos como legítimos portais corporativos. Karina de O. e promoverem o aumento da capacidade de solução de problemas e/ou de geração de inovações no interior das organizações.com. f) “fomentar a criação e a reutilização do conhecimento explícito e a localização de pessoas que podem aplicar seu conhecimento tácito em situações específicas”. b) conectar os indivíduos às fontes de informação. remodelando as formas de organização do trabalho e de capacitação. os de: a) integrar o uso de aplicativos e bases de dados informatizadas. estes devem atender a determinados objetivos específicos. incentivando a colaboração e o compartilhamento de experiências e conhecimentos. processos. Além disso. e. ao integrarem os fluxos de dados. informações e conhecimentos. c) “permitir a personalização do acesso à informação”. d) automatizar e aperfeiçoar os ciclos de decisão dos trabalhadores do conhecimento. atividades. organização e divulgação e/ou publicação das informações e do conhecimento necessário às organizações. e) “permitir a criação de níveis mais profundos de colaboração entre os funcionários”. assim como são os provedores de um ambiente tecnológico que permite a adequada gestão das informações e dos conhecimentos de uma organização. os portais corporativos. relacionamentos. assim como redesenhando hierarquias e estruturas.br De forma distinta dos portais comerciais e de acesso à Internet. unificando os ambientes de pesquisa. os portais de conhecimento corporativo são a nova cola para dar apoio à transformação fundamental nos atuais modelos organizacionais e naquelas atividades intensivas em conhecimento.www. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 249 .educapsico. também podem ser utilizados como ferramenta de apoio à mudança da cultura das organizações.

Saber os requisitos de competências para cada posição nos processos da empresa possibilita entender a adequação de cada colaborador a sua função. Empresas que desejam estabelecer uma cultura de avaliação e aperfeiçoamento contínuo de seus funcionários devem. quais são as competências que ela deseja que seus funcionários tenham. pri meiramente. dentro do processo da empresa. Quando a empresa consegue entender quais elementos da tríade CHA necessita para atingir suas metas. Habilidades e Atitudes (C. Só assim é possível definir a tríade CHA que cada funcionário (ou grupo destes) necessita. Avaliar o quê? Os valores.br Enfim.H.. em função destas competências.educapsico. os lucros.www. ela tem em mãos um poderoso ferramental para promover a melhoria de seus colaboradores. Avaliação por competência Avaliar é um verbo transitivo. pois ela obtém informações sobre um funcionário de diversas fontes internas e externas. o ‘o que?’. que visem melhorar o desempenho individual. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 250 . os talentos. a gestão de competências tem ganhado cada vez mais espaço no ambiente corporativo. descobrir. Habilidades e Atitudes de cada colaborador. A tríade formada por Conhecimentos. aliada a um mapeamento das competências que estes exigem. já que ele exige um complemento. Ela leva em conta o fator humano. alinhando isto aos requisitos de suas funções. O sucesso na implementação deste tipo de gestão depende de uma metodologia de estudo de processos. é possível avaliar. a Avaliação 360º mostra-se como a ferramenta mais adequada. promoções e bonificações. Avaliar pressupõe o estabelecimento de critérios de avaliação. Neste escopo. a política. Só tendo critérios.) abrange o profissional em todos os aspectos de sua atuação.com. tornando possível mapear as pessoas da organização. que permeia todas as atividades organizacionais. através de um trabalho conjunto do RH e os outros departamentos..A. A gestão de competências permite o contínuo aperfeiçoamento dos Conhecimentos. estabelecendo critérios claros para avaliação. Karina de O. além de treinamentos específicos.

com a chegada das primeiras multinacionais ao Brasil.com. Cada competência envolve habilidades que o empregado deve possuir. suas metas e planejamento futuro. traçar um plano de metas. subordinados e clientes. Ou seja. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 251 . s.d.).br As competências desejadas em uma empresa são únicas. Hoje em dia as empresas se preocupam mais com a capacitação de seus funcionários para que os mesmos tenham um melhor desempenho em suas funções. seus pares. seus produtos/serviços. em que um funcionário é avaliado por sua chefia. não coincidentemente. chefia. subordinados e clientes. Karina de O. Avaliação 360° O termo feedback figura no vocabulário empresarial há alguns anos. Ou seja. tendo um diferencial para que a empresa consiga suprir as necessidades que não mais os clientes e sim os consumidores exigem hoje em dia. seus clientes. pois elas devem estar diretamente relacionadas com o tipo de atividade que ela desenvolve. em que o funcionário é avaliado por seus pares. é fundamental que o avaliado utilize o feedback para individualmente e junto de sua chefia. No caso de uma Avaliação 360º. contudo além da tecnologia de maquinário é preciso investir na capacitação de seus funcionários.www. Gasta-se muito dinheiro com maquinários e tecnologia. O que se faz com o resultado de uma avaliação? Ela deve servir de base para a elaboração de um plano de melhorias. ela deve indicar tendências futuras. O método de avaliação mais eficiente para isto é a Avaliação 360º. uma avaliação. Avaliação de potencial e banco de talentos. O dicionário Houaiss mostra a expressão como originária de 1950. e ressalta a importância do resultado deste tipo de processo. como por exemplo. para alcançar um melhor desempenho desses com suas funções dentro da empresa (GRAMIGNA. Mapeamento de perfis profissionais por competências.educapsico. sua cultura. A ideia é de uma opinião em resposta a um estímulo.

). Pode-se usar uma tabela para análise de desempenhos e competências em potencial.educapsico. como cumprimento de objetivos e escolha dos profissionais para suas funções mais relativas a eles. É possível e desejável que se busque objetivos dentro da empresa junto aos funcionários. O banco de talentos contribui para que os funcionários trabalhem da melhor maneira possível em seus respectivos cargos. Assim. s. a empresa é recolocada em termos de funções de seus funcionários (GRAMIGNA. a empresa e o funcionário podem conseguir ter um melhor desempenho (GRAMIGNA.d. é preciso reunir um numero satisfatório de instrumentos e estratégias levando o consultor a ter uma metodologia o mais completa possível e desta forma coletar um número satisfatório de informações para realizar um mapeamento dos funcionários. vivências. o banco de talentos permite que haja uma melhor análise dos funcionários de uma empresa em relação às suas necessidades. Contudo. realizando uma análise de forma a separar cada indivíduo em sua analise. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 252 .br Nessa direção. realizando dinâmicas.com. Há diversas formas de analise e cada uma tem suas vantagens e desvantagens. A avaliação dos funcionários pode ser realizada de maneira Tecnocreática. ter assertividade com relação a recolocação dos indivíduos com base em suas competências(GRAMIGNA.d. apresentando nesta todas as funções e analises de seus funcionários com suas respectivas funções correspondentes e com suas competências. discussões orientadas e debates que poderá ser comparado com as outras formas de estratégia empregadas. é preciso analisar desempenhos e competências em potencial. jogos.d. no qual possam vir a desempenhar de forma melhor a partir do que mais são competentes e capacitados a realizar. aproveitar funcionários para formação de equipes para que eles consigam empregar funções mais rapidamente e de forma mais completa com menos esforço.).www. e estes integrados ao todo.). Para que haja uma melhor análise feita a partir do banco de talentos. Dentro dessas atividades Karina de O. elaboração de planos de treinamento e dentro desses planos de treinamento buscar ocupar mais vagas onde há déficit. s. s. Fica a mercê da empresa selecionar o que quer usar e extrair o melhor de cada opção oferecida em conjunto com suas probabilidades (GRAMIGNA. s.d. Nesse sentido.).

d. técnicas.). Quando há uma analise ótima do banco de talentos e as informações são bem utilizadas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 253 . comunicação. por exemplo. Recrutamento e seleção de pessoal: planejamento. Algumas formas de empregar o banco de talentos após a análise dos funcionários é colocando-os em projetos e funções desafiadoras e significativas.). s. avaliação e controle de resultados. há um grande benefício competitivo e há também um melhor emprego e fixação de seus funcionários a empresa (GRAMIGNA. Seleção por competências. oferecer aos funcionários treinamento e desenvolvimento para que busquem melhorar suas competências e ampliar os seus domínios sobre elas e aqueles que de certa forma não se sentirem recolocados em suas funções devem receber uma vigilância maior para que se não desempenharem a função de forma esperada busque-se uma recolocação novamente e analisados novamente para que haja o realinhamento (GRAMIGNA. Karina de O.d. s. pode-se indicar um valor maior na criatividade.www.d.). é preciso tais empresas devem indicar em quais valores se apoiam para a recolocação de seus funcionários.).com. s. liderança e negociação entre outras (GRAMIGNA.br tecnocreáticas os funcionários demonstram de forma mais naturalística suas deficiências e competências (GRAMIGNA. s.educapsico. liderança. 3. as empresas devem caracterizar seus âmbitos de atuação de forma a realizar a relocação de funcionários e oferecer um emprego de desenvolvimentos e treinamentos para os mesmos. instigando e estimulando a busca de novas competências nas quais eles foram designados.). o qual recebe vários recursos externos é a partir disto que este subsistema receberá seus suprimentos.d. relação interpessoal. Os suprimentos para o departamento de Recursos Humanos são as pessoas que virão trabalhar junto à empresa advindas do mercado de trabalho. O domínio de uma competência pelo indivíduo representa um potencial quando usado de forma correta e com criatividade (GRAMIGNA. s. Portanto. Para isso.d. Subsistema de Suprimento Entendendo a organização como um sistema aberto.

www.educapsico.com.br Para Chiavenato: “Mercado de trabalho é o conjunto das ofertas de trabalho oferecidas pelas empresas em certa época e em determinado lugar. Mercado de Recursos Humanos é o conjunto de indivíduos aptos ao trabalho em certa época e em determinado lugar.” (CHIAVENATO, 1988, p. 105).

Portanto estes “dois” mercados atuam em conjunto, sendo que um, o mercado de trabalho, oportuniza as vagas e postos de trabalho e o outro, mercado de recursos humanos, fornece a mão de obra para aquelas oportunidades em aberto. Um aspecto importante que ocorre, já no universo organizacional, é a rotatividade de pessoas. Esta rotatividade também é conhecida como “turn-over” é mais uma questão de interação organização-ambiente. A rotatividade ou rotação de pessoas é a flutuação de pessoal entre o ambiente e a organização. Em resumo o número de pessoas que ingressa na organização e o número de pessoas que se desliga ou é desligado dela. Este fenômeno gera um índice de rotação de pessoal. Este índice é obtido em uma relação entre o percentual da entrada e da saída de trabalhadores da organização. O índice de rotação deve ser estudado para cada organização, pois não há como identificar um índice ideal, assi m, cada organização tem um valor para a análise própria. O que normalmente ocorre é que um índice de rotação muito elevado indica que existe uma rotatividade alta de pessoas na organização, o que pode indicar pouca capacidade de retenção de pessoal. Em contrapartida um índice que tendesse a zero, o que na realidade é pouco provável de ocorrer, pode indicar que a organização está totalmente paralisada e endurecida quanto ao seu crescimento e desenvolvimento organizacional. Recrutamento é a maneira pela qual a organização vai ao mercado de trabalho oportunizar vagas. Quer dizer a partir do recrutamento a empresa expõe ao mercado as vagas que tem disponíveis em sua organização e que perfil de profissional poderá ocupar estas vagas. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 254

www.educapsico.com.br As fontes de recrutamento de pessoas são “os locais” nos quais os recursos humanos, para as organizações, serão obtidos. No recrutamento a organização irá identificar, selecionar e manter fontes de recrutamento para futuras seleções deste tipo (CHIAVENATO, 1988). O recrutamento pode ser feito de três maneiras: interno, externo e misto. Cada qual com suas peculiaridades, vantagens e desvantagens. Recrutamento Recrutamento interno O recrutamento interno é realizado quando surge uma vaga na empresa e esta tenta preenchê-la através de um remanejamento de seus colaboradores. Isto pode ocorrer quando o funcionário é promovido (movimentação vertical) ou transferido (movimentação horizontal) ou até mesmo transferido com promoção (movimentação diagonal). Esta forma de recrutamento tem algumas vantagens como: poder ser uma fonte de motivação para os funcionários, o aproveitamento dos treinamentos que o colaborador já fez, não há um gasto econômico tão alto, pois não existe a necessidade de captação de pessoas fora da organização. Algumas desvantagens seriam o desenvolvimento dos colaboradores para receberem promoções, conflitos de interesses dentro da organização. Ás vezes explicar algumas formas de promoção dentro da instituição torna-se complexo ao ponto dos profissionais de cargos mais altos poderem boicotar o desenvolvimento de seus subordinados devido à possibilidade de superação destes em relação aos seus cargos. Recrutamento Externo Esta modalidade de recrutamento é utilizada para a captação de pessoas de fora da organização. Através de abordagens em fontes de captação de pessoas é que se dá este tipo de recrutamento. Estas abordagens podem ser diretas (contato empresamercado) ou indiretas (contato indireto da empresa com o mercado). Como principais técnicas de abordagem para o recrutamento externo temos: a consulta a banco de dados de candidatos, indicações de possíveis perfis, cartazes nos Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 255

www.educapsico.com.br portões da empresa, contato com sindicatos, outras empresas, escolas universidades e associações de classes para captação de candidatos, anúncios em jornais e revistas e agências de recrutamento. As vantagens do recrutamento externo são no sentido de renovação de idéias e experiências que as “pessoas de fora” podem trazer a organização, aproveitamento de investi mentos de treinamentos e desenvolvimento que estas pessoas já trazem de outras empresas. Todavia as desvantagens também existem a frustração dos funcionários que por ventura foram privados de mudanças de cargo e/ou promoções, a política salarial pode sofrer alterações devido à influência de políticas praticadas em outras empresas. Recrutamento Misto Nada mais é que a união dos dois recrutamentos apresentados anteriormente. As empresas geralmente utilizam essa forma de recrutamento, captando pessoas interna e externamente para a realização de seus processos seletivos. Esta modalidade de recrutamento pode ser realizada tanto com o recrutamento internos antes do externo, quanto com o recrutamento externo anteriormente ao interno e os dois tipos de recrutamento ocorrendo concomitantemente.

Seleção de Pessoas Após a realização do recrutamento para a captação de candidatos a vaga aberta na organização passa-se a fase de seleção de pessoas. É o momento de escolha de um candidato, restringindo-os e chegando a um número cada vez mais reduzido até a escolha, apresentação de proposta e contratação deste candidato. A seleção ocorre em fases. Após a triagem de candidatos são aplicadas técnicas para identificar o candidato mais adequado ao cargo ou que poderá ter melhor desempenho neste cargo.

Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação

Página 256

www.educapsico.com.br A seleção de pessoas utiliza para identificar o candidato mais próximo ao perfil, técnicas de entrevistas de seleção, prova de conhecimento ou de capacidade, testes psicométricos, de personalidade e técnicas de dinâmica de grupo e simulação. Cada uma destas técnicas deve ser escolhida de acordo com o que se exige para o cargo, o tipo de empresa e as condições para a realização desta seleção. Dentre as formas de avaliação temos as entrevistas que é, ainda, o instrumento mais utilizado para a seleção de pessoas. Também os testes escritos são uma ferramenta bastante utilizada. Segundo ROBBINS (2009), esta forma de avaliação teve seu uso reduzido a partir do fi m da década de 1960, porém houve uma retomada deste tipo de avaliação cerca de 20 anos depois. Estas avaliações atualmente buscam identificar no sujeito fatores como confiabilidade, atenção, responsabilidade e honestidade. A partir de evidências é possível prever comportamentos de roubo, problemas disciplinares, por exemplo. Os testes de simulação de desempenho fortemente utilizados hoje são aqueles que colocam o candidato para realizar atividades referentes ao trabalho que irá executar caso ingresse na empresa que o está testando. Comumente são utilizadas duas técnicas como mostra ROBBINS (2009), uma chamada de amostragens de trabalho, mais utilizada para avaliar trabalhos rotineiros e a outra chamada de centros de avaliação para cargos mais administrativos. Para os testes de amostragens de trabalho, como o próprio nome sugere são feitas simulações do trabalho como um todo ou de parte dele para saber qual a capacidade do candidato. Já os centros de avaliação são realizados de modo que o candidato é submetido a diversas provas e testagens sendo avaliado por uma equipe de profissionais que irão avaliar como este sujeito supera situações de dilemas da posição que está buscando.

Seleção por competências Este tipo de seleção utilizado largamente pelas organizações atuais traz vantagens para a escolha do profissional. Este método parte das necessidades técnicas e Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 257

www.educapsico.com.br comportamentais que o cargo exige. A partir daí é elaborado um perfil comportamental, no qual as competências necessárias para este cargo serão elencadas. As avaliações como dinâmicas, entrevistas são realizadas a partir do pressuposto de que o comportamento passado prediz o comportamento futuro, como citado em RABAGLIO (2001). Isto quer dizer que tendo como base o que a pessoa já executou em sua carreira. O que o candidato responder deve satisfazer três quesitos obrigatoriamente para ser analisado: 1 – Contexto: Em qual contexto ocorreu à determinada situação. 2 – Ação: Qual ação foi realizada pelo sujeito. 3 – Resultado: O resultado atingido pela ação realizada dentro do contexto descrito. Com estes dados em mãos o avaliador passa a comparar os perfis selecionados para realizar a escolha. Este tipo de seleção carrega consigo vantagens em relação aos métodos tradicionais, pois, possui mais foco e objetividade, tem uma sistematização e planejamento, traz maior garantia no momento da contratação em conseqüência diminui o turnover, e assim custos com novas contratações.

4. Análise de cargo: objetivos e métodos. A Descrição de cargos é um processo que consiste em enumerar as tarefas ou atribuições que compõem um cargo e que o torna distinto de todos os outros cargos existentes na organização. Ela consiste no detalhamento das atribuições ou tarefas do cargo (o que o ocupante faz), a periodicidade da execução (quanto faz), os métodos empregados para a execução dessas atribuições ou tarefas (como faz) e os objetivos do cargo (porque faz). É, portanto, basicamente, um levantamento escrito dos principais aspectos significativos do cargo e dos deveres e responsabilidades envolvidas (Chiavenato, 2002). Feita a descrição, segue-se a análise do cargo. Em outros termos, identificado o conteúdo do cargo (aspectos intrínsecos), passa-se a analisar o cargo em relação aos aspectos extrínsecos (requisitos que o cargo impõe ao ocupante) (Chiavenato, 2002). Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 258

www.educapsico.com.br O autor ressalta que enquanto que a descrição se preocupa com o conteúdo do cargo a analise pretende estudar e determinar os requisitos qualitativos,

responsabilidades envolvidas e as condições exigidas pelo cargo, para seu desempenho adequado. É através dessa análise que os cargos serão posteriormente avaliados e devidamente classificados para efeito de comparação. Geralmente, a análise de cargos concentra-se em quatro áreas de requisitos quase sempre aplicadas a qualquer tipo ou nível de cargo, são eles (Chiavenato, 2002): - Requisitos mentais: envolvem instrução essencial; experiência anterior essencial; adaptabilidade ao cargo; iniciativa necessária; e aptidões necessárias. - Requisitos físicos: envolvem esforço físico necessário; concentração visual; destreza ou habilidade; e compleição física necessária. - Responsabilidades: envolvem supervisão de pessoal; material, ferramenta ou equipamento; dinheiro títulos ou documentos; contatos internos e externos; e informações confidenciais. - Condições de trabalho: envolvem ambiente de trabalho e riscos. Métodos de descrição e análise de cargos Segundo Chiavenato (2002), os métodos mais amplamente utilizados para descrição e análise de cargos são:

- Observação Direta: é efetuado através da observação direta e dinâmica do ocupante em pleno exercício de suas funções enquanto o analista de cargos registra os pontoschave de sua observação na folha de análise de cargos. É o método mais aplicável aos trabalhos que envolvam operações manuais ou aqueles que tenham caráter simples e repetitivo. Como nem sempre produz todas as respostas e, na maioria das vezes, dissipa muitas dúvidas, é aconselhável que este método seja utilizado em combinação com outros métodos, como a entrevista, por exemplo. Neste método tem-se a participação ativa do analista de cargos na colheita de dados, e uma participação passiva do ocupante. Dentre as vantagens da observação direta podemos destacar a veracidade dos fatos e a não paralisação do ocupante no cargo. Porém, o custo elevado (tempo prolongado do trabalho do analista de cargos) e o não contato direto e verbal com o Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 259

e eliminar os detalhes desnecessários e as distorções. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 260 . e sobre os “porquês” e “quando”. a opção é utilizar métodos mistos. pode obter informações sobre todos os aspectos do cargo. sobre o seu conteúdo e sobre suas características. Assegura uma interpretação face-a-face entre analista e empregado que permite a eliminação de dúvidas. A desvantagem está no fato de seu custo operacional ser elevado (exige analistas experientes e a paralisação do trabalho do ocupante). ideal para analisar cargos de alto nível. pode ser aplicado a qualquer tipo ou nível de cargo.www.Métodos mistos: Para neutralizar as desvantagens e tirar o maior proveito possível das vantagens. Um pré-requisito do questionário é submetê-lo anteriormente pelo menos a um ocupante e seu superior. sem afetar o tempo e as atividades dos executivos. Uma das vantagens desse método é a possibilidade de discutir e aclarar todas as dúvidas. pois.educapsico. É o método mais econômico da análise de cargos. tanto do analista quanto do ocupante do cargo. .Entrevista Direta: é o método mais produtivo e flexível. Tem-se nesse método uma participação ativa na colheita de dados. o mais abrangente. ele não tem contra indicação. é contra-indicado para aplicação em cargos de baixo nível nos quais o ocupante tem dificuldade de interpretar as questões e/ou de responder por escrito. ambos com o ocupante do cargo. questionário com o ocupante + entrevista com o superior. para sentir a pertinência e adequação das perguntas. quando bem estruturada.Questionário: a análise é feita. que podem afetar a obtenção de dados realmente importantes para a análise. Nesse método temos a participação ativa do ocupante enquanto a participação do analista de cargos é passiva. que são combinações ecléticas de dois ou mais métodos. e também. por escrito. Karina de O. Mas. solicitando aos executantes do cargo que preencham um questionário de análise do cargo respondendo. . todas as indicações possíveis sobre o cargo.br executante do cargo.com. são algumas das desvantagens que podem ser apontadas. Além disso. O questionário deve ser feito sob medida para permitir as respostas corretas e obter informação utilizável. Os métodos mistos mais utilizados são: questionário + entrevista. . sobre a natureza e a sequencia das várias tarefas componentes.

escolha dos métodos de análise a ser aplicado.www. métodos e técnicas. . Avaliação de perfil comportamental: teorias. preparação do material.com. projeto de equipamentos e métodos de trabalho.Planejamento: determinação dos cargos a serem descritos. questionário com o superior + observação direta do ocupante. . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 261 .br questionário + entrevista. ambos com o superior. um programa de análise de cargos envolve três fases: . avaliação de cargos. dimensionamento dos fatores de especificação. seleção e treinamento dos analistas. colheita de dados prévios. preparação do ambiente. graduação dos fatores de especificação. 5. pois. apresentação da redação definitiva para aprovação final.Execução: colheita de dados sobre os cargos.educapsico. os cargos constituem a base fundamental para qualquer programa de RH. triagem de dados obtidos. questionário + observação direta do ocupante. redação provisória da analise de cargo.Preparação: recrutamento. elaboração do organograma de cargos. redação definitiva. Karina de O. elaboração do cronograma de trabalho. definição de programas de treinamento. observação direta do ocupante + entrevista do superior. seleção dos fatores de especificações a serem utilizados na análise. planejamento da força de trabalho. identificação de necessidades de treinamento. De acordo com Chiavenato (2002). Os usos dos resultados da descrição e análise de cargos são amplos: recrutamento e seleção de pessoal. A escolha dessas combinações deve considerar as particularidades de cada empresa. apresentação da redação provisória ao supervisor imediato do cargo para ratificação. Os objetivos da descrição e análise de cargos são muitos. Quase todas as atividades de RH baseiam-se em informações proporcionadas pela análise de cargos.

cognitivos. correção.com. esta avaliação fornece diretrizes sobre o caminho que o sujeito deve seguir dentro de sua profissão. porém. As necessidades e competências do indivíduo tem que ser levadas a sério. etc. elaboração de laudos e tabelas. análise. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 262 . finalidade. tem-se a necessidade de consultas freqüentes ao site do conselho para averiguação dos testes aprovados por este. como é o caso da alteração da edição do teste ou este ser o modelo Karina de O. e devido a isto. Instrumentos psicológicos . Sobre os testes que podem ser utilizados para a avaliação do perfil comportamental veja o item seguinte dessa apostila. e em cada uma delas o resultado apresentado parecer ser semelhante ao anterior. aplicação. levantamento. 2 e 3 do tópico II MODELOS E PROCESSOS DE GESTÃO DE PESSOAS dessa apostila. sendo assim. Nesta apostila optou-se por dividir os testes pelo método. principalmente pelo fato de o Conselho Federal de Psicologia (CFP) sempre realizar avaliações a respeito da validação destes testes. Os métodos de avaliação comportamental consistem em testes psicológicos. mas são de extrema relevância.br Através do perfil comportamental do indivíduo se pode chegar a suas características pessoais podendo assim apresentar diretrizes profissionais compatíveis com a capacidade de desenvolvimento do mesmo.testes projetivos.www. Assim. tipo de aplicação. Muitas vezes ocorre de um teste passar por esta avaliação diversas vezes. a avaliação do perfil comportamental pode contribuir para uma maior qualidade e produtividade do funcionário. 6. Existem diferentes formas de se classificar os testes psicológicos. pois. que por si é uma padronização da amostra do comportamento do indivíduo. o que se observa é que algumas destas alterações aparentam-se sutis. É importante ressaltar que esta unidade não esgota a totalidade de testes existentes.educapsico. já que cria uma motivação que antes do perfil comportamental ser traçado não existia. em psicométricos ou projetivos. inventários aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia: fundamentos. o que torna esta lista sempre mutável. Sobre esse tópico ver item 1.

Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 263 . digestivos. biografias). espacial.org. motiva os testandos ao interagir com o computador. Testes de desempenho acadêmico (provas educacionais. etc. correção e interpretação dos dados. Testes neuropsicológicos (testes de disfunções cerebrais. Motor. interesses. com passos e técnicas predeterminadas e objetivos específicos. Plano de Avaliação e Bateria de Testes Relembrando que o processo psicodiagnóstico parte do levantamento prévio de hipóteses que serão confirmadas ou refutadas por meio de um plano de avaliação. etc.). atitudes: valores.I.).com. Desvantagens: a interpretação dos resultados do perfil psicológico é mais limitada do que a realizada pelo psicólogo. c) Forma de Resposta: Verbal. é importante explorarmos um pouco o que seriam este plano de avaliação e as técnicas subjacentes a este.www. Via computador: Vantagens: apresentam em melhores condições as questões do teste. produz registros legíveis em grande número e os trans mite à distância. e muitas vezes modificam. projetivos. os testes podem ser divididos e subdivididos nas seguintes categorias: a) Objetividade e Padronização: Testes psicométricos e impressionistas. psicomotricidade.). Nota: no site do Conselho Federal de Psicologia (www2. enquadra de imediato o perfil nas tabelas de interpretação. Testes de preferência individual (personalidade.). etc. Categoria dos Testes Segundo Gonçalves da Silva (S/D).educapsico. mecânica. abstrata. situacionais: observação de comportamento.pol. Escrita: papel-e-lápis. neurológicos.). corrige com rapidez.br/satepsi) você poderá acessar a lista dos testes aprovados para utilização.br revisado. b) Construto (processo psicológico) que Medem: Testes de capacidade intelectual (inteligência geral – Q. verbal. etc. Teste de aptidões (inteligência diferencial: numérica. Karina de O. a forma de aplicação do teste. Tais alterações podem modificar. Testes de aptidões específicas (música. Os testes que não constam na relação dos testes aprovados pelo CFP só podem ser utilizados para fins de pesquisa.

uma vez que este sugere um objetivo para o exame psicológico. etc. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 264 . 2000). internação. cognitivos – permanentes ou temporários). 2000). Segundo Cunha (2000). este plano só é estabelecido após entrevistas com o sujeito e/ou responsável (CUNHA. etc. o plano de avaliação envolve a organização de uma “bateria de testes”. 1995. Por isto. O que irá confirmar ou refutar as hipóteses de modo mais seguro (CUNHA. programando a administração de alguns instrumentos que sejam adequados e especialmente selecionados para fornecer subsídios para se chegar às respostas das perguntas iniciais. suas condições específicas (comprometimentos sensoriais. o psicólogo deve complementá-la e confrontá-la com os dados objetivos e subjetivos do caso.www. que podem variar entre dois e cinco ou mais instrumentos. procurase identificar quais recursos auxiliariam o investigador (neste caso o psicólogo) a estabelecer uma relação entre suas hipóteses iniciais e suas possíveis respostas (CUNHA. e que a opção por um específico deve levar em consideração os seguintes itens: características demográficas do sujeito (idade. motores. sexo. Como pode ser observado então. CUNHA. Por se considerar que nenhum teste sozinho conseguiria fazer uma avaliação abrangente da pessoa como um todo.com. Um dos fatores que podem colaborar com a escolha do material mais adequado para a investigação é o encaminhamento feito por outro profissional. atendendo o objetivo da avaliação”.). nível sociocultural. 2000). fatores situacionais (ex: medicação. esta é uma expressão usada para designar “um conjunto de testes ou de técnicas.educapsico.) (ARZENO. O plano de avaliação consiste então em traduzir as perguntas sugeridas inicialmente em testes e técnicas. o qual se caracteriza por ser um processo. 2. 2000). diminuindo assim a margem de erro e provendo um Karina de O. A bateria de testes é utilizada principalmente por duas razões: 1.br Através do plano de avaliação. na maioria das vezes. que são incluídos no processo psicodiagnóstico para fornecer subsídios que permitam confirmar ou infirmar as hipóteses iniciais. Porém. esta informação não é suficiente. É importante ressaltar que a testagem de uma hipótese pode ser feita por diferentes instrumentos. Por se acreditar que o uso de diferentes testes envolve a tentativa de uma validação intertestes dos dados obtidos.

. o quanto de ansiedade pode gerar. como alguns exames neuropsicológicos.as padronizadas: para avaliações mais específicas .br fundamento mais embasado para se chegar a inferências clínicas (Exner. maior a mobilização de ansiedade. grau de dificuldade. o foco da investigação. iniciando e terminando o processo com testes pouco ou não-ansiogênicos para o paciente. e.educapsico. determina-se o número e tipos de testes. durante o plano de avaliação.nestas a organização da bateria provém de vários estudos. constantemente a bateria de testes é composta por testes psicométricos e técnicas projetivas. 2000). e quais as características e particularidades tanto do teste em si como de sua aplicação. Lembrando-se que o mais importante. o número de sessões do psicodiagnóstico e. por oferecer estímulos pouco estruturados e o paciente ter que se responsabilizar pela situação e respostas dadas (uma vez que não há certo e errado). seu valor persecutório. Devido à grande variedade de questões iniciais e aos objetivos do psicodiagnóstico. e as características individuais do paciente (ARZENO. tipo. Sendo assim.e as não-padronizadas: mais comuns na prática clínica . CUNHA. que auxiliam a realização de exames bastante específicos. Karina de O. Quanto a isto. coloca-se que o conveniente seria que houvesse uma alternância entre técnicas projetivas e psicométricas. para o segundo ponto. conseqüentemente. baseando-se nisto. deve-se revisar quem é o cliente. que embora isto garanta maior segurança nas conclusões. Porém. é o sujeito e não o teste. 2000). Complementando. grau de dificuldade. desnecessariamente. de acordo com sua natureza. se necessário. tempo de administração. ao se organizar a bateria de testes. para não aumentar.com. propriedades psicométricas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 265 .www. é importante ressaltar. mas o psicólogo pode incluir alguns testes.a bateria de testes é selecionada de acordo com o objetivo da consulta e características do paciente. 1980 apud CUNHA. e qualidade ansiogênica. E sua distribuição e seqüência devem ser consideradas levando-se em conta o tempo de aplicação. não se deve utilizar um número extensivo de testes. 1995. Cunha (2000) propõe que à medida que são apresentadas as técnicas projetivas. Cunha (2000) apresenta dois tipos de principais de baterias de testes: .

Primam pela objetividade. diz-se que um teste psicométrico é aquele cujas normas gerais utilizadas são quantitativas. MELLO.educapsico. Tem-se denominado método psicométrico o procedimento estatístico sobre o qual se baseia a construção dos testes. na psicometria. Para Alchieri e Cruz (2003. FORMIGA.com. 2000). Os itens do teste são objetivos e podem ser computados de forma independente uns dos outros.: testes de inteligência). seguindo uma tabela (ex.br Testes Psicométricos Os testes psicométricos têm um caráter científico. são considerados objetivos (SILVA. 2008). 2008. Utilizam números para descrever os fenômenos psicológicos. sua precisão (fidedignidade nos valores quanto à confiabilidade e estabilidade dos resultados) e validade (segurança de que o teste mede o que se deseja medir). sem ambigüidade por parte do avaliador (ESTÁCIO. mais especificamente. escalas em que o sujeito deve simplesmente marcar suas respostas. assim como a elaboração dos dados da investigação. os instrumentos psicométricos estão basicamente fundamentados em valores estatísticos que indicam sua sensibilidade (ou adaptabilidade do teste ao grupo examinado). portanto. quando se trata da metodologia utilizada para a obtenção de dados. A técnica se caracteriza por ser de escolha forçada. A seguir serão apresentados alguns destes testes: 1)Testes das Matrizes Progressivas de Raven Parecer do CFP MANUAL MATRIZES PROGRESSIVAS COLORIDAS DE RAVEN . A correção ou apuração é mecânica.59 apud SILVA. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 266 . se baseiam na teoria da medida e. assi m. SILVA.www. 2008).ESCALA ESPECIAL RAVEN RAVEN (AVANÇADO) RAVEN (GERAL) RTLO (TESTE RAVEN DE OPERAÇÕES LÓGICAS) 1999 2002 2001 1995 CETEPP Favorável CEPA CEPA CEPA Desfavorável Favorável Desfavorável Karina de O. Entretanto. p. o que quer dizer que o resultado é um número ou medida (ESTÁCIO. 2008. 2008). que é traduzida em tarefas padronizadas.

em 1938. na qual o sujeito deve encaixar a prancha que completa corretamente a figura (CUNHA. deficientes mentais e pessoas muito idosas costumam resolver apenas os problemas das séries A e B. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 267 . 1997). 1997. 1997). Todas as séries são apresentadas na forma de caderno. Considera-se a escala como um teste de observação e de clareza do pensamento. 2000). CUNHA. as quais são ordenadas por dificuldade crescente e podem ser aplicadas de forma individual ou coletiva. Na parte inferior. A ordem dos itens facilita um treinamento uniforme no método de trabalho. C. Raven. D e E -. Ab e B -. três séries – A. ao fazê-lo.br Criada pelo psicólogo J. duas – I e II (incluída somente para os sujeitos que resolvem mais da metade da série I) (CUNHA. Os problemas seguintes aumentam gradualmente sua dificuldade. Em cada série. A Escala Geral compreende cinco séries – A. a escala das Matrizes Progressivas. enquanto possível. ser indevidamente cansativa ou extremamente difícil (RAVEN. se constitui num teste que revela a capacidade que um indivíduo possui. 2000). imaginar a natureza da figura que completaria o sistema de relações implícito e.www. contendo desenhos impressos na parte superior de cada página. entre os quais falta um. a Escala Especial (Matrizes Progressivas Coloridas). o primeiro problema tem uma solução óbvia. desenvolver um método sistemático de raciocínio (RAVEN. há de seis a oito figuras como alternativas para o sujeito escolher para completar a figura superior. crianças pequenas. e a Avançada.com. B. no momento de fazer a prova. Existe ainda a versão tabuleiro do teste. As cinco séries fornecem cinco oportunidades para compreender o método e cinco apreciações progressivas da capacidade de um indivíduo para a atividade intelectual (RAVEN. Na série geral. e os mais fáceis da série C e D. A escala propõe-se abranger toda a gama do desenvolvimento intelectual a partir do momento em que uma criança é capaz de compreender a idéia de complementar uma figura ou peça que lhes falte.educapsico. para apreender figuras sem significado/abstratas que se submetem a sua observação. nos Karina de O. A escala consta de 60 problemas divididos em cinco séries com 12 problemas cada uma. 2000). todavia. descobrir as relações que existem entre elas. C. que completa o conjunto. Atualmente existem três séries das Matrizes Progressivas. é também suficientemente longa para avaliar a capacidade máxi ma de uma pessoa para estabelecer comparações e raciocinar por analogia sem.

não compreendem ou falam o idioma nacional. Essa etapa. sofrem defeitos físicos. As Matrizes Progressivas Coloridas.educapsico. São também especialmente úteis para avaliar o desenvolvimento intelectual na ocorrência de defeitos físicos (RAVEN. 1997). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 268 . Posteriormente a criança é capaz não só de estabelecer comparações e de raciocinar por analogia. por algum motivo.br quais o raciocínio por analogia não é essencial (RAVEN. tanto na forma impressa como na de peças móveis. 1997).www. Karina de O. Blum e Lorge. esse parece ocorrer. Ao se pensar em desenvolvimento intelectual. 2) Escala Colúmbia de Maturidade Intelectual Parecer do CFP COLÚMBIA COLÚMBIA . Progride sem dificuldade desde os problemas das séries A e B até os problemas que aparecem nas séries C. Antes dessa transformação. as Matrizes Progressivas Coloridas. Nesse sentido.CMMS (ESCALA DE MATURIDADE MENTAL COLÚMBIA) 2001 CASA DO PSICÓLOGO Favorável A Escala Colúmbia de Maturidade Intelectual – Colúmbia (CMMS – Columbia Mental Maturity Scale) é de autoria de Burgemeister. Ab e B. Podem ser usados satisfatoriamente com os que. aparentemente decisiva.com. Séries A. ocorrendo uma transformação quase que completa nos processos de raciocínio da criança. foram preparadas para o exame psicológico do desenvolvimento mental anterior à fase de amadurecimento intelectual. Desta forma. entre as idades de 8 a 11 anos. são intelectualmente subnormais ou estão em processo de deterioração mental. D e E. 1997). 1997). Foi criada em 1947 e. Seu vocabulário tende a ser limitado e a sua educação depende amplamente do trabalho prático e de ajuda visuais. sabe apreender os significados das palavras abstratas (RAVEN. as Matrizes Progressivas são um instrumento válido para apurar a capacidade atual de uma pessoa para pensar claramente e realizar um trabalho intelectual preciso (RAVEN. como adotar esse tipo de pensamento como método consistente de raciocínio. nos dão um valioso teste para crianças e pessoas idosas. uma criança é incapaz de compreender muito mais do que problema do tipo que apresentam as séries A e B da Escala Geral das Matrizes Progressivas. de amadurecimento intelectual diferencia as pessoas intelectualmente imaturas daquelas cuja inteligência é normal ou superior a média.

2000). Para cada item. linguagem ou motor. O Colúmbia mede habilidade de raciocínio que são particularmente importantes para o sucesso na escola. dentro do campo de experiência da maioria das crianças americanas. terem sido expostas à televisão desde o nasci mento. Hoje. que só permita excluir uma delas (RODRIGUES. foi verificada sua adaptabilidade à cultura brasileira (RODRIGUES. a fim de tornar as figuras mais atraentes para as crianças (RODRIGUES.com. Na realidade. i mpressos sobre uma lamina de 15x48 cm.www. Na tradução.educapsico. É considerada. rápido. de fácil aplicação. mesmo as pertencentes a famílias muito pobres. O fato de a maioria das crianças. 1994). mesmo daquelas cujo ambiente tenha sido limitado. São apresentados. onde a habilidade de discernir relações entre vários tipos de símbolos é enfatizada e. escolher uma que seja diferente das outras. um dos melhores instrumentos para avaliar crianças em idade pré-escolar (CUNHA. que fornece uma estimativa da aptidão geral de raciocínio de crianças. O teste se caracteriza por ser individual. Para tanto. São usadas cores diferentes para alguns dos itens. Cada item consiste em uma série com 3 a 5 desenhos. Possui 92 itens de classificação de figuras e desenhos que são dispostos em uma série de 8 escalas ou níveis que se hiperpõem. 1994). Os objetos desenhados estão. 1994). e em seguida. a partir da idade de 3 anos e 6 meses até 9 anos e 11 meses. indicar a figura escolhida apontando para ela. O desempenho de uma criança é o resultado de fatores complexos e em interação. atualmente. entre 51 e 65 itens dependendo do nível aplicado. visava a avaliação de sujeitos com paralisia cerebral.br inicialmente. o Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 269 . 1994). Aplica-se à criança o nível indicado para sua idade cronológica. não há um teste de aptidão mental que suporte tal proposição. é muito útil para a avaliação da capacidade de raciocínio geral de crianças normais e também de crianças que tenham qualquer problema de comunicação. O Colúmbia não mede a capacidade inata da criança. que afetam o desenvolvimento de sua habilidade de compreender os tipos de material apresentados no teste. de um modo geral. a criança é solicitada a olhar para todas as figuras da lamina. O teste Colúmbia foi preparado com vistas a assegurar que os estímulos apresentados sejam familiares a todas as crianças. significa que elas têm visto objetos com os quais elas poderiam não ter tido realmente um contato direto no seu dia a dia (RODRIGUES. audição. ou não relacionada com elas. de fato. ela deve descobrir um princípio de organização das figuras.

com. o instrumento pode ser útil não apenas para diagnósticos de deficiências ou avaliações de uma criança. o WISC-III pode ser utilizado para diferentes finalidades. 2000). 2000). embora não sirva somente para isto. de alguma maneira. Teste WISC – III Parecer do CFP WISC WISC-III (ESCALA DE INTELIGÊNCIA WECHSLER PARA CRIANÇAS) 2002 CASA DO PSICÓLOGO Favorável A Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC-III). Além disso. 2000). para selecionar crianças a serem submetidas a uma avaliação intelectual completa (CUNHA. como por exemplo: avaliação psicoeducacional. estas escalas têm sido incluídas entre os instrumentos mais conhecidos para avaliação da inteligência (QI). Como medida da capacidade intelectual geral. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 270 .br desempenho numa tarefa medindo essas habilidades reflete. São consideradas “padrão ouro” nas avaliações psicométricas. por suas autoras.www. representa a terceira edição da Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC) e tem por finalidade avaliar a capacidade intelectual de crianças (CUNHA. desenvolvida por David Wechsler em 1991. mas também para identificar as forças e fraquezas do sujeito Karina de O. neuropsicológica e pesquisa. avaliação clínica. 1994). e vêm sendo constantemente revisadas para maior adaptação à população brasileira (CUNHA.educapsico. diagnóstico de crianças excepcionais em idade escolar. a experiência que ela possui em lidar com tais relações (RODRIGUES. 2000). tendo variações que permitem a avaliação desde crianças a idosos (CUNHA. sendo utilizadas cada vez menos para determinação de um nível intelectual e cada vez mais para atender necessidades bastante específicas no diagnóstico de psicopatologistas e avaliações neuropsicológicas. A seguir serão expostas as duas versões mais usadas e mais recentes. 3) Escalas Wechsler de Inteligência Desenvolvidas por David Wechsler. Observação importante: embora considerado uma medida de raciocínio geral ou de maturidade mental. ele tem sido mais indicado como teste de triagem intelectual.

avaliam e predizem várias dimensões da habilidade cognitiva. Procurador de Símbolos. ou Karina de O. as características fundamentais do WISC e do WISCR mantiveram-se iguais no WISC-III (WECHSLER. Procurar Símbolos e Labirintos. é formado por diversos subtestes que. 2002). Na elaboração do WISC-III. Procurar Símbolos e Labirintos.br e fornecer informações relevantes para a elaboração de uma programação educacional específica para cada caso (FIGUEIREDO. a saber: QIs Verbal. 2000). b) Organização Perceptual: Completar Figuras. Semelhanças. organizados em dois grupos: Verbais e Perceptivos-motores (ou de Execução). Semelhanças. o teste também fornece os Índices Fatoriais. sendo que. Cubos.educapsico. ou seja. embora tenham sido realizadas melhoras substanciais e acrescentado importante número de itens novos. individualmente. Dígitos e Labirintos não entram neste compito).www. Vocabulário e Compreensão.com. O WISC-III é composto por 13 subtestes. Vocabulário. Figueiredo (2000) aponta que. Compreensão e Dígitos. d) Velocidade de Processamento: Código e Procurar Símbolos. de Execução e Total (sendo que os subtestes Procurar Símbolos. 2002). Os subtestes são organizados nos seguintes conjuntos: a) Subtestes Verbais: Informação. que estimam diferentes construtos subjacentes ao teste. o WISC-III. Arranjo de Figuras. Cubos e Armar objetos. muitas investigações foram realizadas (teóricas e empíricas) e. sendo eles agrupados da seguinte maneira: a) Compreensão Verbal: Informação. A Escala de Inteligência Wechsler para Crianças WISC-III foi desenvolvida levando em consideração a concepção da inteligência como uma entidade agregada e global. b) Subtestes de Execução: Completar Figuras. Aritmética. Arranjo de Figuras. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 271 . Além da escala de QI. c) Resistência à Distração: Aritmética e Dígitos. o desempenho das crianças nesses subtestes fornecem estimativas da capacidade intelectual das mesmas. quando agrupados. Armar Objetos. como no WISC-R. um subteste de Execução e depois um subteste verbal e vice-versa (WECHSLER. que são aplicados nas crianças em ordem alternadas. Código. c) Subtestes Suplementares: Dígitos. sendo 12 deles mantidos do WISC-R e um novo subteste.

dificuldades de aprendizagem (déficits seqüenciais) ou desatenção-impulsividade é particularmente freqüente a existência de um déficit na organização temporal. Simões (2002) retomou trabalhos de vários investigadores (Goia. colocando assim em evidência áreas fortes e fracas.educapsico. 2002). O mesmo autor afirma que na análise item a item. O reagrupamento de alguns subtestes. de cada subteste. Por esta razão. racionalmente e efetivamente com o seu meio ambiente. pp.br seja. incluindo os que são considerados facultativos e não entram no cálculo dos três quocientes de base (QI-verbal. pp. É aconselhado que o teste seja aplicado de forma integral. ocorre a apreciação qualitativa. e que serão exibidas a seguir. 2001. FIGUEIREDO. 2000. diretamente comparados com os resultados nos restantes subtestes e com os do seu grupo etário. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 272 . a qual. 2000.www. WECHSLER. Grégoire. Karina de O. 51-58) a fi m de esboçar algumas análises relativas à interpretação associadas a cada subteste isoladamente.com. Isquith & Guy. Sub-escala Verbal a) Informação: mede o nível dos conheci mentos adquiridos a partir da educação na família e na escola. Kaufman & Lichtenberger. ao mesmo tempo. por permitir uma investigação mais acurada da especificidade medida por eles. Os desempenhos da criança em cada subteste são. muitas vezes se mostra de grande relevância. 2000. 2001. 329336. Nas crianças que apresentam problemas de linguagem (disfasias). QI-execução. Lussier & Flessas. mas que juntas oferecem uma estimativa da capacidade intelectual geral da criança (FIGUEIREDO. QI-total) (CUNHA. pp. Todos os subtestes devem ser valorizados do ponto de vista da avaliação. os subtestes foram selecionados com o objetivo de investigar muitas capacidades mentais diferentes. Permite verificar a organização temporal. Recorre à memória de longo prazo. 2000. Desta forma. pode também revelar aspectos importantes para a explicação do funcionamento cognitivo da criança. 176-204. lidar e operar com propósito. incluindo todos os subtestes do WISC-III. no interior de cada subescala. 81-190. 2000). ou seja. capacidade do indivíduo em raciocinar. Simões (2002) aponta que a observação do perfil constituído pelas pontuações ponderadas de cada subescala e de cada subteste comporta uma explicação de natureza quantitativa.

em especial. c) Aritmética: Avalia a capacidade de cálculo mental. Quando o sujeito repete todos os números. sobretudo. Apela ao conhecimento de regras de relacionamento social. uma boa capacidade de síntese. os conhecimentos lexicais e. A Memória de Dígitos no Sentido Karina de O. É um subteste difícil para as crianças com limitações intelectuais. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 273 . Assim como em “ Semelhanças”. Um resultado fraco pode sugerir certa dificuldade neurológica do sujeito na mobilização dos seus recursos cognitivos durante a tentativa de evocação de várias soluções para um mesmo problema ou revelar desconheci mento das regras sociais. tratase especificamente de capacidade de evocação seqüencial em modalidade auditiva e não de um déficit de natureza mnésica ou atencional.br b) Semelhanças: avalia a capacidade de estabelecer relações lógicas e a formação de conceitos verbais ou de categorias. Pode ser o melhor resultado da subescala verbal para os sujeitos disfásicos que freqüentemente apresentam um nível elevado de inteligência geral e. Permite observar a facilidade de argumentação (quando o sujeito justifica suas respostas). Um desempenho baixo pode traduzir falta de familiarização com o contexto educativo ou ausência de experiência escolar. a facilidade de elaboração do discurso. e a flexibilidade mental (quando é solicitada uma segunda resposta ao mesmo item). devese observar a equidade do vocabulário utilizado e a precisão do pensamento. além da capacidade de síntese e de integração de conhecimentos. e) Compreensão: Examina a capacidade de o sujeito exprimir as suas experiências. a compreensão de enunciados verbais de certa complexidade e a capacidade de raciocínio. a prova mede a memória auditiva seqüencial e é bastante sensível à capacidade de escuta e às flutuações da atenção.www. É importante observar se a criança alcança a pontuação máxi ma nos itens através de uma única resposta correta ou de explicações pormenorizadas. Requer uma boa capacidade da memória de trabalho (e da memória para seqüências de procedi mentos) necessária para manter presente todos os elementos do problema a resolver. mas não na ordem em que eles lhe foram apresentados.educapsico. d) Vocabulário: Mede a competência lingüística. É bastante sensível a um déficit de atenção (e à falta de controle da impulsividade). f) Dígitos: na Ordem Direta. falta de empatia e de julgamento (que caracterizam freqüentemente os sujeitos que apresentam uma disfunção não verbal).com.

a fim de executar a tarefa o mais rapidamente possível. A relação dos desenhos que compõem cada história exige uma forma de discurso interior funcional. Recorre à memória visual e a um bom senso prático.“capacidade da criança reter os movimentos motores necessários à realização gráfica” (PSICOPEDAGOGIA BRASIL. É considerada uma medida de resolução de problemas não verbais Karina de O. c) Arranjo de Figuras: Requer uma boa capacidade de análise perceptiva. que podem ser detectadas nesta tarefa.com.br Inverso mede a capacidade de memória de trabalho (inteligência geral). d) Cubos. É esperado que o resultado na Ordem Inversa seja um ou dois pontos inferiores ao obtido na Ordem Direta. sobretudo numa criança tímida. Um bom resultado sugere um estilo seqüencial preferencial. muitas vezes ausente nas crianças impulsivas (os problemas neuromotores finos são freqüentemente relacionados com esta problemática).educapsico. Em termos globais esta prova está também associada ao processamento verbal auditivo. a capacidade para decompor mentalmente os elementos constituintes do modelo a reproduzir. esperar-se que o resultado obtido seja negativamente influenciado pelo efeito de novidade. o que pode não ocorrer nos sujeitos que apresentam uma disfasia.www. b) Código: Mede a capacidade de associar números a símbolos e de memorizar corretamente essas associações. Esta tarefa é geralmente mais difícil que a precedente. Um resultado (excepcional) igual ou superior na Ordem Inversa parece indicativo do recurso a excelentes estratégias executivas e da utilização preferencial de um modo de evocação visual (que substitui uma atenção auditiva enfraquecida). Muitas vezes as crianças disfásicas evidenciam dificuldades na percepção do tempo e do espaço. Um resultado fraco pode dever-se a uma dificuldade da memória cinestésica . A reprodução dos símbolos requer uma boa caligrafia. por isso. Sub-Escala de Execução a) Completar Figuras: É o primeiro subteste da escala a ser aplicado podendo. por uma reação de inibição ansiosa. Avalia a capacidade de aprendizagem mecânica/automatizada. 2009) . ou ser observado em certas crianças dispráxicas (com dificuldades motoras e de linguagem). Examina a capacidade de organização e processamento viso espacial/ não-verbal. sobretudo receptiva. bem como uma integração do conjunto das informações disponíveis.da seqüência gestual a executar. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 274 .

WAIS – III Parecer do CFP WAIS ESCALA DE INTELIGÊNCIA WECHSLER PARA ADULTOS . É bastante sensível à impulsividade do método ou abordagem adaptada. psiquiátricos e neurológicos no funcionamento cognitivo (NASCIMENTO. Proporciona uma oportunidade para observar diretamente a estratégia de resolução dos problemas (itens). As crianças impulsivas. Karina de O. mes mo quando é desafiada a descobrir esses erros ou a comparar o seu trabalho com o estímulo. requer uma estratégia viso-espacial em memória de trabalho. rapidez psicomotora. As crianças mais jovens.br e usada como uma das contra-provas de déficits nas funções executivas. Neste contexto. obtêm com freqüência os resultados mais baixos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 275 . capacidades construtivas. e) Armar Objetos. da subescala de execução.educapsico. analítica ou sintética) que permite a execução da tarefa revela-se um excelente índice da inteligência não-verbal. Depende de uma boa capacidade de atenção visual e de memória de trabalho. que sofrem de dispraxia motora. g) Labirintos: Examina a capacidade de antecipação e de planificação. o subteste de Cubos supõe o recurso a um funcionamento viso-perceptivo.www.WAIS III 2004 CASA DO PSICÓLOGO Favorável As Escalas Wechsler de Inteligência para adultos (WAIS) foram desenvolvidas a fim de auxiliar na avaliação do funcionamento intelectual de adolescentes e adultos. coordenação. ou com déficit de atenção. no Código e no Procurar Símbolos. após a aplicação formal do subteste. f) Procurar Símbolos: recorre à capacidade de discriminação perceptiva. 2000). quanto à investigação do impacto de problemas emocionais. bem como das capacidades de raciocínio viso-espacial. A escolha do tipo de estratégia (global. Mede a capacidade de organizar um todo a partir de elementos separados. Em comparação com outras medidas de aptidão viso-espacial. como se existisse uma desconexão entre a intenção e a realização do gesto a efetuar.com. apresentam dificuldades na realização desta tarefa: o insucesso provém de uma incapacidade de planificação da sua execução gestual. recorre à capacidade de integração perceptiva. Mostrando-se como importantes recursos diagnósticos para identificar tanto diferentes habilidades cognitivas. permite identificar dificuldades de auto-monitorização presentes quando a criança é incapaz de reconhecer erros evidentes.

Aritmética. É composto pela mesma estrutura do WAIS – R. predição de desempenho acadêmico futuro. 2000).educapsico. Semelhanças. mas. de execução e total) além dos Índices Fatoriais (NASCIMENTO. identificar potencialidades e fraquezas do funcionamento cognitivo e avaliar o impacto de problemas psicopatológicos no funcionamento cognitivo (CUNHA. por exemplo. NASCIMENTO. O que cada Índice Fatorial reflete e os subtestes referentes a cada um deles são: a) Compreensão Verbal: subtestes . 2000). Karina de O. evidencia o conhecimento verbal adquirido e o processo mental necessário para responder às questões. dependendo do objetivo da avaliação. oferece a possibilidade de oferecer medidas referentes às escalas de QI (verbal. Raciocínio Mental. e sua idade de aplicação atual vai de 16 a 89 anos (CUNHA. b) Subtestes de Execução: Completar Figuras. Pode ser indicado para medir a inteligência geral. são necessários 11 subtestes (CUNHA. Arranjo de Figuras. sendo que houve um aumento de 32% de novos itens.com. Códigos. 2000). Para o cálculo do QI total. Procurar Símbolos (suplementar) e Armar Objetos (opcional). Dígitos.Vocabulário.www. que seria a capacidade de compreensão (raciocínio verbal). Informação.br O objetivo de sua utilização incide sobre a avaliação de problemas de aprendizagem. sendo aplicados de forma alternada (subteste de execução em seguida o verbal) iniciando pelo subteste de execução Completar Figuras. O WAIS – III segue os mesmos passos para interpretação das outras Escalas Wechsler de Inteligência. publicada em 1997. b) Organização Perceptual: formado pelos subtestes Cubos. diagnóstico de transtornos psiquiátricos e neurológicos (NASCIMENTO. 2000). O WAIS – III apresenta-se como uma versão mais recente do WAIS. sendo assim. Compreensão e Seqüência de Números e Letras (suplementar). Ele compreende 14 subtestes. Completar Figuras e Raciocínio Matricial. a aplicação de todos não é necessária. atenção para detalhes e integração viso motora. A seguir serão apresentados os subtestes que compõe os conjuntos de aplicação (verbal e de execução – lembrando que os testes suplementares e opcional não entram no compito do QI total): a) Subtestes Verbais: Vocabulário. Cubos. raciocínio fluido. Informação e Semelhanças. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 276 . 2000). mede o raciocínio não-verbal.

MANUAL DE DIAGNÓSTICO CLÍNICO ADAPTAÇÃO: AILEEN CLAWSON TESTE GESTÁLTICO VISO-MOTOR DE BENDER SISTEMA DE PONTUAÇÃO GRADUAL (B-SPG) 1992 2005 ARTMED Desfavorável VETOR Favorável O Teste Guestáltico Visomotor de Bender é também conhecido como Teste de Bender. Consiste de cartelas em cor branca. seu nome mais utilizado pelos psicólogos é Teste Bender ou ainda. São estímulos formados por linhas contínuas ou pontos.com. Existem várias edições. composta por figuras diferenciadas que estão desenhadas em cor preta.br c) Memória de Trabalho: obtido pelos subtestes Aritmética. a informação visual. Sua finalidade era entender que tipos de erros poderiam ocorrer na percepção de um estímulo dado (as figuras do teste) e se estes seriam decorrentes de distúrbios a nível cerebral ou de i maturidade para perceber e reproduzir corretamente (NUNES. de forma mais reduzida. para em seguida. ou BGVMT ( Bender GestaltVisual Motor Test). O instrumento é composto por nove cartões medindo 14. as respostas mais freqüentes para cada faixa etária. Inicialmente proposto por Lauretta Bender em 1946. emitir uma resposta. simples mente o Bender (CUNHA. LOPES. em forma de quadro. está relacionado à capacidade de atentar-se para a informação. Dígitos e Seqüência de Números e Letras.educapsico. o teste visava verificar a maturação perceptomotora da criança.www. Elas também podem diferenciar quanto à população Karina de O. E concluiu em seus estudos que o sujeito reage ao estímulo dado pelo ato motor conforme suas possibilidades maturativas (NUNES. com variações quanto a detalhes formais de unidades e até quanto ao número de desenhos. cada um deles. FERREIRA. 2007). refere-se à resistência à distrabilidade.1 cm de altura. LOPES. curvas sinuosas ou ângulos (BENDER.9 cm de compri mento por 10. memória e concentração para processar. mede os processos relacionados à atenção. mantê-la brevemente e processá-la na memória. mas categorizou. No Brasil. 4) Teste Bender Parecer do CFP BENDER BENDER INFANTIL . d) Velocidade de Processamento: subtestes componentes – Códigos e Procurar Símbolos. Bender não propôs nenhuma forma de correção para as respostas. 2007). 1955). FERREIRA. rapidamente. 2000). ou B-G (Bender Gestalt). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 277 .

se a criança fizer rotações grosseiras. O objetivo é avaliar o quão inflexíveis possam ser os seus aspectos perceptuais (NUNES. analisando possíveis dificuldades emocionais. Para crianças. com crianças de idade entre sete e doze anos. A aplicação deve ser feita de forma individual. Sistema Clawson Segundo Clawson. pois. Porém. atualmente. A autora propõe alternativas à utilização do teste. tendo esta duas fases: de associação e de elaboração. os mais utilizados para adultos são: Pascal e Suttel (1951). por sua vez. adolescentes e adultos. 2007). Na elaboração.com. Dentre estas edições. simplificação. uma vez que seu comportamento frente ao estímulo é um dado muito i mportante na integração dos resultados (NUNES. 2007). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 278 . LOPES. FERREIRA.www. podemos utilizar o Teste Bender como técnica projetiva.educapsico. a autora enfatiza que todos os movimentos devem ser registrados. deverá desenhar novamente a figura após concluir o teste. 2000). Ela considera os aspectos do desenvolvimento normal da função viso motora em todas as faixas etárias e apenas analisa as questões emocionais após descartar qualquer possibilidade de problemas orgânicos (NUNES. Hain (1964) e Hutt (1985). convida a criança a desenhá-los da maneira como quiser: alternando.2003). 2000). vários sistemas de escore são utilizados.br a ser aplicada. A forma de correção proposta por Clawson é interpretativa e analisa os seguintes aspectos: aspectos gerais ou fatores organizacionais (como as figuras são distribuídas na folha). LOPES. os sistemas de Koppitz (1971). modificações da gestalt (mudança na angulação. FERREIRA. Clawson (1980) e Santucci e Percheux (1968) (CUNHA. dependendo a edição escolhida (CUNHA. FERREIRA. dentre eles. Os demais sistemas foram restringidos por não atenderem aos requisitos da Comissão (2001. Como a intenção do teste é compreender a organização da personalidade da criança. combinando ou elaborando à vontade (CUNHA. com crianças. além da administração pelo procedi mento-padrão. 2000). De acordo com Clawson. somente o Sistema de Pontuação Gradual (BSPG) é aceito pelo Conselho Federal de Psicologia. rotação e Karina de O. podem ser aplicadas a partir dos 4 anos de idade. e a criança deve estar a vontade pra realizar a tarefa. os cartões são apresentados à criança e é pedido para que ela diga com que se parecem. 2007). LOPES. Na associação.

É importante ressaltar que esta forma de correção é bastante utilizada na Europa. suas necessidades.com. além de pesquisar a relação entre deficiência mental e a organização perceptomotora (NUNES. 2007). conceito espacial. FERREIRA. O sistema de escore de Santucci-Percheux Para aplicação do Bender como prova de organização grafo perceptiva. LOPES. Este sistema utiliza uma análise projetiva embasados em pressupostos psicanalíticos para avaliação de adultos (NUNES. 2000). a percepção não apenas seria o ato de perceber o estímulo externo. tempo. 2007). as máscaras e a cinco lâminas do teste na seguinte ordem: A. LOPES. 303) elaborou uma folha de registros (NUNES. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 279 . Este sistema teve dois objetivos principais: pesquisar um possível déficit da organização grafo perceptiva entre as crianças com atraso escolar.4. LOPES.educapsico. mas também o ato de o sujeito colocar o seu modo interno de perceber este mesmo estímulo (NUNES. Seu foco é compreender o comportamento do indivíduo. é necessário ter em mãos o Manual. 2007). FERREIRA. número de colunas ou círculos. rasura.www. em cada figura-modelo.). e métodos de trabalho (ordem e direção. LOPES. FERREIRA. LOPES. a força do ego. porém pouco no Brasil. p. Para Hutt.3 e 7. 2007). O escore é atribuído conforme o nível de sucesso da reprodução. Sistema Hutt de correção A partir de 1960. relação contigüidade-separação e junção ou separação das subpartes. e para auxiliar esta correção Cunha (2000. qualidade da linha. Para interpretação dos resultados. Karina de O. FERREIRA.2. etc. personalidade e maturidade emocional. Devem ser utilizadas as instruções específicas do manual (CUNHA. utiliza-se os seguintes elementos: forma.br fechamento das figuras. conflitos e defesas. FERREIRA. 2007). etc. Hutt elaborou o sistema de correção com o título Escala de Psicopatologia.) (NUNES. Os critérios utilizados na correção são bastante complexos.

2ª)elaboração: é solicitado que o sujeito mude o desenho. Sistema Pascal e Suttel O trabalho da Pascal e Suttel. 2000). apareceu em 1951 como uma abordagem psicométrica para adultos. mas também foi utilizado como forma de avaliação do desempenho escolar. 2007). perguntando o que lhe recorda cada uma delas (NUNES. O desempenho do adulto no teste seria um espelho de suas atitudes diante da realidade. Comparando protocolos de indivíduos normais com protocolos de pacientes psiquiátricos. os autores elaboraram uma lista de 150 desvios. Considera-se que. LOPES. Para administração do teste existem três fases: 1ª)cópia: reprodução dos desenhos. conforme nomeiam os autores. LOPES.2007). com inteligência normal. fazendo este da forma que mais o agradar . 2007). Karina de O. FERREIRA. Seu objetivo é investigar a capacidade de ajustamento emocional. sendo bastante utilizado para obter diagnóstico diferencial (NUNES. construto emocional e possibilitou a realização do diagnóstico de lesão cerebral para crianças de cinco a 10 anos (NUNES. LOPES. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 280 . 2007). LOPES. procurando descrevê-lo e até mesmo predizer alguns aspectos significativos do seu comportamento em situações definidas (NUNES. FERREIRA. sendo um sistema bastante complexo de avaliação. a qual refere-se à contagem dos erros na reprodução dos desenhos. FERREIRA. ou seja. A forma de aplicação inclui os nove desenhos elaborados por Bender.br Como objetivo tem-se a compreensão do funcionamento global do indivíduo.com. 2007). a capacidade integradora ou força do Ego. quanto maior o escore. É um sistema de avaliação planejado para pacientes psiquiátricos com idades entre 15 e 50 anos.educapsico. FERREIRA. LOPES. maior a probabilidade de a pessoa ter algum distúrbio psiquiátrico (NUNES. FERREIRA. Sistema Koppitz Método criado por Koppitz (1961/1989) que teve como objetivo principal fazer uma escala de maturação viso motora infantil. capacidade para reproduzir os desenhos sem erros e sem dificuldades cognitivas (CUNHA.www. 3ª)associação: mostra-se ao sujeito cada desenho da 1ª e 2ª fase.

o sistema desenvolvido por Koppitz era freqüentemente empregado até a promulgação das Resoluções do Conselho Federal de Psicologia (CFP. Noronha e Santos (2006). Porém. comparados à idade cronológica da criança (NUNES.educapsico. SISTO. LOPES. e esta nunca deve ser interrompida Karina de O. em casos de avaliação infantil (NUNES. precisão e normatização com amostras brasileiras. Possivelmente isso justificou o desenvolvimento do teste Gestáltico Visomotor de Bender . o Conselho Federal de Psicologia não o tem na relação dos testes aceitos. 2007). fazendo o mais parecido que conseguir com o desenho do cartão. que estabeleceu princípios sobre a elaboração. LOPES. FERREIRA.com. FERREIRA. publicado ( B-SPG) por Sisto.Sistema de Pontuação Gradual. Caso a criança faça alguma pergunta. Este sistema se destina a crianças com idade entre seis e dez anos. além de apontar a partir de qual idade estes erros são significativos ou altamente significativos para lesão cerebral. 2003). Os demais erros são considerados indicativos de imaturidade. FERREIRA. 2007). O sistema de pontuação de Koppitz classifica a presença ou a ausência de indicadores orgânicos. LOPES. 2007). Não há tempo limite para a realização da tarefa. Sua forma de aplicação é individual. um de cada vez. Sistema de Pontuação Gradual (B-SPG) No Brasil. SANTOS. as respostas devem ser neutras e seu comportamento deve ser observado e anotado (NUNES. Sua aplicação utiliza as mesmas nove figuras propostas por Bender. o uso e a comercialização de testes psicológicos. Os nove cartões são mostrados à criança. Assim. e pode ser coletiva (máximo 30 crianças e utilizando-se transparências) ou individual. e é pedido que ela os copie. tendo como embasamento os pressupostos teóricos de Bender (1955) (NORONHA. 2001. um lápis e uma borracha (esta não deve ser esti mulada e nem impedida de ser usada). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 281 . o Bender não podia mais ser usado para fins diagnósticos. um a um.br Seu sistema de pontuação e análise de possíveis comprometimentos neurológicos é o mais aceito e utilizado pelos psicólogos brasileiros.www. por não possuir estudos de validade. 2007). Sendo entregue à duas folhas de papel. reafirmando a necessidade de novas pesquisas.

a fim de facilitar a interpretação dos resultados. de modo tal que pontos. seguindo os pressupostos de Bender (1955). SANTOS. O sistema de correção atribui escores de zero a três. O rapport segue o modelo de Koppitz: os sujeitos devem copiar os desenhos. LOPES. LOPES. linhas.com. O faz a partir da avaliação da distorção de forma. um a um. 2007). pois avalia somente o critério distorção da forma e pretende analisar a reprodução dos sujeitos com maior refinamento e de forma quantitativa (NUNES. figuras. Desvios no Bender relacionados com transtornos no desenvolvimento neuropsicológico e disfunções cerebrais Como se trata de um teste que envolve percepção e coordenação neuromuscular. contudo. pontuação e idades. possibilitando uma comparação do desempenho da criança avaliada com outras da mesma idade. 2007). e verde menor freqüência de erros. buscando estabelecer o nível de maturação da função gestáltica viso motora através da reprodução dos desenhos (NUNES. SANTOS. FERREIRA. Os critérios de correção são bastante diferentes dos sistemas anteriores. 1980). compreendida como o desrespeito aos aspectos estruturais do desenho. constatando o seu ritmo de desenvolvi mento representacional (NUNES. curvas e ângulos são desenhados sem precisão (NORONHA. laranja . além de existirem outros fatores Karina de O. NUNES.erros mais freqüentes.educapsico. SISTO. As pontuações possíveis para cada figura estão separadas por cores: azul . 2007). sendo zero o de melhor reprodução e três pontos o de pior. LOPES. 2007. Assim é possível observar as defasagens e os adiantamentos do traçado da criança. pressupõe-se que “dependa de certas áreas intactas de integração cortical. SISTO. retas. LOPES. Foi produzida uma ficha dividindo colunas para soma. O objetivo do Sistema de Pontuação Gradual é avaliar a maturidade perceptomotora. para sua execução satisfatória” (Clawson. Cada figura pode ser pontuada apenas uma vez. 2007). A diferença é que não é permitido uso de borracha (NUNES. Há vários graus e tipos de comprometi mento. LOPES. FERREIRA. 2007). FERREIRA. Na coluna idade aparece a porcentagem de erros do item por idade. não há uma entidade única de lesão cerebral. FERREIRA.média de erros. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 282 . FERREIRA. da forma mais parecida à do original.www.br e não existe tempo mínimo ou máximo para realização da tarefa (NORONHA. 2007).

julga-se o grau de precisão na reprodução dos desenhos. os testes projetivos requerem respostas livres. Todavia. A seguir. no desenvolvimento neuropsicológico.educapsico. portanto. interesse. Por terem uma avaliação qualitativa. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 283 . Portanto. a hipótese de disfunção cerebral encontra apoio numa primeira hipótese de que existe um déficit numa função cognitiva. Os testes cuja metodologia é projetiva são aqueles cujas normas são qualitativas. etc. Conseqüentemente. Testes/Técnicas Projetivos (as) Segundo Silva (2008). Porém. atitude. dos seus critérios de entendimento e bom senso. que dará a relativa certeza de um diagnóstico (ex. sujeita aos vieses de interpretação do avaliador. como por fatores emocionais (CUNHA. sabe-se que a personalidade de um indivíduo muda constantemente.com. Ao se avaliar um Bender. 1) O Teste das Fábulas Karina de O. a apuração das respostas deixa margem para interpretações subjetivas do próprio avaliador.br individuais que concorrem para dificultar um diagnóstico referencial. dificuldades na realização da tarefa podem ocorrer não só por problemas no Sistema Nervoso Central. levam-se hipóteses que têm relação com o funcionamento viso perceptivo e construcional. alguns exemplares destes testes.www. 2000). 2000). sua apuração é ambígua. o que realmente é medido são as características mais ou menos constantes da personalidade. e os resultados são totalmente dependentes da sua percepção. ou seja. mas mesmo assim. O resultado se expressa através de uma tipologia. a partir de um teste psicológico (CUNHA. bem como na reprodução global da figura. O psicólogo trabalha com tarefas pouco ou nada estruturadas. que não se referem aos aspectos cognitivos da conduta. seus elementos (itens de teste) não podem ser medidos em separado. Ex.: testes de personalidade em geral) (ESTÁCIO. medem as características de personalidade propriamente ditas. sociabilidade. para triagem de disfunção cerebral. Os testes de personalidade. como um todo. 2008). 2008). em determinado momento (ESTÁCIO. são testes menos objetivos. A constância de certas características avaliadas no teste. como integrantes dos projetivos.: estabilidade emocional.

PINTO. por se tratar de uma técnica projetiva. 2005). Ele propõe. 2000). na administração. podendo atribuir certos senti mentos ou pensamentos não aceitáveis aos personagens das fábulas (TARDIVO. Karina de O. o qual identifica respostas populares e fenômenos específicos. Para análise do teste.www. inclusive de terceira idade. uma vez que existem duas alternativas possíveis para a fábula 4 (conforme a idade) e para a fábula 8 (de acordo com o sexo) (CUNHA. SANTOS. foi criado por Louisa Düss em 1940. 2005). avaliação dinâmica em casos clínicos (auxiliando na detecção rápida do complexo ou do conflito presente no paciente). pequenas. sua inclusão no processo psicodiagnóstico de crianças revela-se extremamente rica para o conhecimento e entendimento do funcionamento mental dos sujeitos (TARDIVO. que seja feita a apresentação da forma verbal e pictória concomitantemente. É indicado para realização de psicodiagnóstico de crianças. conhecido popularmente no meio acadêmico como Fábulas de Düss. as crianças podem expressar seus desejos. e faz suas interpretações fundamentadas num referencial teórico completo e complexo (essencialmente freudiano) (CUNHA. suas necessidades e seus pensamentos como se na realidade não lhes pertencessem. SANTOS. seus temores. 2005). o teste das Fábulas de Düss.br Parecer do CFP TESTE DAS FÁBULAS TESTE DAS FÁBULAS 1993 CETEPP Favorável O Teste das Fábulas. com o intuito de investigar conflitos inconscientes. 2000). 2000). Por meio das fábulas. avaliação dinâmica de adolescentes e adultos. é utilizado um sistema de categorização de respostas. 2000. sendo que na forma pictória. existem 12 pranchas. além de possibilitar a triagem de conflitos emocionais em crianças. PINTO. adolescentes e adultos por meio de administração coletiva (CUNHA. TARDIVO. propicia uma investigação profunda sobre os conflitos vivenciados pela criança e da forma como avalia a relação intrafamiliar. cada uma delas referindo-se a um complexo específico. com uma base teórica essencialmente freudiana (CUNHA.com. PINTO. Assim. de fácil compreensão às crianças. Nesse sentido. SANTOS. O teste é composto de dez fábulas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 284 .educapsico.

PINTO. Relação de agressividade e hostilidade diante da cena pri mária. citado em TARDIVO. 5 b) hostilidade latente. Isso pode ocorrer por duas razões: a) o conteúdo da fábula não produziu uma mobilização afetiva ou b) o sujeito é capaz de controle de sua expressão afetiva. 1 b) independência e atividade. Tanto as respostas populares quando as respostas ‘normais’ são isentas de simbolismo personalizado e não envolvem indícios de conflito. 1 a) dependência e passividade. 2 a) dependência e passividade. 3 b) onipotente 4. Fornece determinadas informações que devem ser elaboradas por meio de operações cognitivas. derivada da esfera do ego livre de conflitos. Uma das formas mais utilizadas para a avaliação do teste é a proposta por Tardivo (1998. 2. Independência e Autonomia. para a qual deve ser encontrada uma solução.com. 5 a) hostilidade manifesta. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 285 . WERLANG. 2000).br Cada fábula apresenta uma situação-problema. SANTOS. As categorias para cada fábula são as seguintes: Fábula 1 – Pássaro 1. 3 a) realista. Total i mpossibilidade de lidar com a situação de cena pri mária.educapsico. Total i mpotência – Morte Fábula 2 – Aniversário de casamento 5. A autora propõe algumas categorias de análise para cada fábula. Relação com a Figura Materna. ARGIMON. procurando abranger o significado mais latente das respostas do sujeito. produzindo uma resposta que está em concordância com a expectativa social (CUNHA. 2005).www. 7. Relação com a Figura Paterna. 3. 6. Relação de aceitação e mais realista diante da cena primária. com base nas quais o sujeito pode produzir uma resposta lógica. 2 b) independência e atividade.

Medo de autodestruição. 14.br 7 a) rejeição completa da fábula. 20. 16. Desmame vivido de forma depressiva. Rivalidade fraterna. Desmame vivido de forma esquizoparanóide. 10 b) agressividade e hostilidade latentes. Fábula 6 – Elefante 25. 21. 17. Karina de O. Fábula 5 – Medo 22. Medo de objetos externos reais. Aceitação em relação à figura fraterna. Respostas adequadas à realidade. 25 a) transformações causadas pela própria criança. Total impossibilidade de lidar com a situação de desmame ou morte. Outros não significativos. 22 c) sem definição clara de sexo. Provocadas por outros. Velhice.educapsico. 23. 19 b) outras. 10 a) agressividade e hostilidade manifestas. Doença. 18. 15. 19 a) coração. 22 b) femininos. Fábula 3 – Carneirinho 8. 24. Fábula 4 – Enterro 13. 19.com. Acidental. 22 a) masculinos. 12. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 286 . Presença de angústia ligada ao complexo de castração. Autodestruição. 11. 10. Relação com a figura materna – desejos destrutivos. Medo de Objetos Internos. 9.www. Relação com a figura paterna – desejos destrutivos. 7 b) respostas ilógicas.

35.com.educapsico. 29 a) espontâneo. Fábula 7 – Objeto fabricado 28. 30 a) figura paterna do mes mo sexo da criança com senti mentos de raiva e inveja. Total impossibilidade de lidar com o complexo de castração. Fábula 9 – Notícia 32. 37. 36. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 287 . 26. 2) Teste do Desenho da Figura Humana (DFH) Parecer do CFP DESENHO DA FIGURA HUMANA ESCALA SISTO (DFH-ESCALA SISTO) DFH DESENHO DA FIGURA HUMANA CLÍNICO EM ADULTOS: MANUAL COMPREENSIVO .www. Temores – notícias desagradáveis. Relação com autodestruição. Ausência do caráter possessivo na relação com a figura materna. Presença do caráter possessivo na relação com a figura materna. Complexo de Édipo vivido de forma angustiante. 30 d) presença de culpa depressiva na criança. 30 c) presença de angústia persecutória na criança. 33. 30 b) figura paterna do mes mo sexo da criança com senti mentos depressivos. Relação com pessoas reais. Relação com circunstância difícil. 31. Fábula 8 – Passeio com o pai ou com a mãe 30.DFH 2005 Não consta 2003 VETOR Favorável Desfavorável Favorável O DESENHO DA FIGURA HUMANA: AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE CRIANÇAS BRASILEIRAS . Complexo de Édipo superado. 29. Superação do complexo de castração.DFH III LAURA CANÇADO RIBEIRO LAMP PUCCAMPINAS Karina de O. Relação com figuras fantásticas. 29 b) por imposição. Fábula 10 – Sonho mau 34.br 25 b) transformações provocadas por outros. Desejos – notícias agradáveis. 27.

(HUTZ. hoje é um dos mais utilizados como método de avaliação da personalidade (HUTZ. passou a ser um sistema de avaliação objetivo utilizado internacionalmente. comuns. é considerado pelo CFP. amplamente estudado por Koppitz (HUTZ. para avaliação do desenvolvimento cognitivo. Para a aplicação dessa técnica. após análise de diversas observações clínicas sobre a representação gráfica de figuras humanas desenhadas por crianças e adultos que apresentavam problemas psicológicos. sendo esta passando a ser considerada como medida de maturidade (HUTZ. entendendo-o como medida de maturidade conceitual. Manchover. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 288 .com. BANDEIRA. em 1926 desenvolveu a primeira escala com critérios de análise do Desenho da Figura Humana (DFH). o projetivo. colocando a sua disposição um lápis preto número dois e uma borracha. BANDEIRA. após a colaboração de Koppitz. Este tipo de análise se popularizou.br Ao final do século XIX. BANDEIRA.www. BANDEIRA. revisou a escala e a expandiu. Após duas décadas. gerando um escore global.educapsico. criado em 1960. DFH: Avaliação do desenvolvimento infantil Ao revisar e ampliar a escala de Goodenough. Assim. publicou tais resultados em 1949. que somados. em cada nível de Karina de O. ainda tendo como referencia os estudos de Goodenough. A análise também pode ser realizada na avaliação pela presença de itens esperados. 2000). Goodenough foi pioneira. a forma de correção proposta por Sisto. Posteriormente. em 1963. Harris (1963) já questionava o uso do DFH como teste de inteligência. introduzindo o enfoque do desenvolvimento infantil no desenho. 2000). o qual supõe que ao responder um item do teste. baseado no modelo de Rasch. como medida de desenvolvimento intelectual de crianças. já se acreditava que o desenho de crianças podia ser avaliado como indicador do desenvolvimento psicológico. e assi m surgiu um novo caráter dado ao DFH. tamanho ofício. pede se à criança que faça o desenho de uma pessoa inteira em uma folha branca. A avaliação é feita com um único desenho. incomuns e excepcionais conforme a idade da criança. Esta forma de aplicação do DFH mede o desenvolvimento cognitivo. ou seja. 2000). pontuados como ausentes ou presentes. Atualmente. a pessoa manifesta alguma quantidade de determinada habilidade. como a criança compreende o corpo humano. inclui 30 itens evolutivos. Harris. O instrumento. 2000).

Os itens se apresentam então de forma hierárquica de acordo com sua dificuldade e da habilidade do sujeito. solicitação de apenas um desenho. 2005).www. não levando em consideração se a figura desenhada é feminina ou masculina.com. Além destas. mudam-se as normas). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 289 . existe a probabilidade das pessoas desse nível fornecerem resposta correta para aquele item. propôs outra forma de avaliação descrita para a interpretação do DFH. Algumas vantagens apresentadas por este sistema de correção: menor número de itens (30).educapsico. a operatoriedade (conceito de Piaget referente ao desenvolvimento cognitivo em crianças) e aprendizagem escolar (VETOR-EDITORA. 2005). DFH: Avaliação da Personalidade e Ajustamento Emocional Koppitz em 1968. existência de uma classificação hierárquica de itens de acordo com o sexo e a idade da criança. 3) Além de fornecer evidências de validade em termos de desenvolvimento cronológico e inteligência como fez Goodenough fornece evidências de validade em termos de desenvolvimento cognitivo na perspectiva de Piaget. 2009): 1) Estudo dos itens quanto ao funcionamento diferencial e a análise de sua influência. A escala solicita o desenho de uma pessoa e reduziu os itens a 30 diferentemente de Kopitz. quando passou a avaliar os aspectos emocionais em crianças pelo DFH.br habilidade. de tal modo que as pessoas mais habilidosas desenharão os itens mais difíceis e as menos. não (RUEDA. 2009). o sistema proposto por Sisto fornece as seguintes contribuições (VETOR – EDITORA. baseada nos estudos de Machover e Hammer. esta forma de correção possibilita uma escala unidimensional (RUEDA. 2) A manutenção do caráter evolutivo da proposta original. São técnicas de análises não disponíveis à época para Goodenough. procurando selecionar os itens em relação às idades cronológicas. Estabelecendo uma escala de 30 indicadores Karina de O. ficando claro sua relação com a operatoriedade. que foram selecionados com vistas a se constituírem em uma escala e não em um simples inventário de itens (VETOR – EDITORA. itens predominantemente masculinos e femininos (o sistema de correção é o mesmo. O DFH – Escala Sisto é uma medida de inteligência e está relacionada ao fator g. 2009).

uma projeção da imagem ideal do eu. pode ser uma projeção de auto-conceito. 2000). ou seja. ao dizer que o desenho “além de veículo de projeção da imagem corporal. atitudes para com o examinador e a situação de testagem. Recomendase ainda. refere-se necessariamente às i magens internalizadas que tem de si próprio e dos outros. uma projeção de atitudes para com alguém do ambiente. e dessa forma ocorre à projeção de sua imagem corporal. preferências. Ao se desenhar uma pessoa. 1959. 2000). o desenho pode também ser a representação de outros aspectos do indivíduo. 1987.www. BANDEIRA. expressivos de fenômenos inconscientes. em 1949. citado em HUTZ. pessoas vinculadas a ele. é como a figuração de nosso corpo formada em nossa mente. uma expressão de padrões de hábitos. Machover (1967) afirma que. BANDEIRA. uma projeção de atitudes do sujeito para com o examinador e a situação. BANDEIRA. um resultado de circunstâncias externas. Esta forma de avaliação teve origem com as pesquisas de Machover. corrobora estes fatos citando Levy. O DFH pode também ter uma avaliação que aborde a personalidade e seus aspectos estruturais e dinâmicos. Na aplicação.br emocionais que seriam suficientes para diferenciar crianças com e sem problemas emocionais (HUTZ. Para Van Kolker (1984. imagem ideal. Há outra possibilidade.educapsico. como aspirações. uma expressão de suas atitudes para com a vida e a sociedade em geral”. o que permitiria investigar as reações do examinando a situações de tensão. a realização de um inquérito ou a construção de uma história sobre a figura (HUTZ. o indivíduo projeta a sua imagem corporal no papel. padrões de hábitos. um modo pelo qual o corpo se apresenta para nós (Schilder. o desenho pode ser uma expressão consciente ou pode incluir símbolos profundamente disfarçados. uma expressão de tonalidade emocional. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 290 . citado em HUTZ. Trinca. é solicitado também que se faça o desenho DFH do sexo oposto à primeira figura desenhada (em folhas separadas). 2000). DFH e a Ansiedade Karina de O. pedindo que se desenhe a pessoa na chuva. e mostra-se como um dos mais ricos instrumentos para a investigação da personalidade e de características psicológicas. sendo uma combinação de tudo isso.com. BANDEIRA. 1981. 2000). quando um sujeito realiza o Desenho da Figura Humana. Além do mais.

BUCK Instrumento criado por Buck. O Sexo da Figura Sendo o DFH considerado uma expressão da auto-imagem de crianças que projetam suas identificações e conflitos nos desenhos. Vários estudos mostraram que há uma tendência geral das pessoas desenharem figuras do mesmo sexo. BANDEIRA. seria esperado que os mes mos fossem correspondentes ao sexo da criança que o desenhou. com 20 itens de ansiedade.educapsico. por solicitar que o sujeito fale sobre cada desenho.br O DFH pode ser utilizado também para a avaliação de aspectos específicos. tais com a ansiedade. Karina de O. propôs uma escala para avaliação da ansiedade de adolescente e adultos. não há confirmação da hipótese lançada por Machover. nesta última. o HTP é um teste gráfico. Handler. 2000). estabelecendo critérios de escore para análise de maneira formal. Machover (1949) afirmou que crianças que desenham figuras do sexo oposto provavelmente apresentam um problema no desenvolvimento de sua identidade sexual. em 1967. Desta forma.com. 2000). o DFH não pode ser utilizado como indicador de patologia (HUTZ. e verbal. BANDEIRA. atribuindo-se escores de acordo com as características do desenho de cada um deles. 2000). em escalas de quatro ou dois pontos. onde. Foram descritos vinte índices. contudo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 291 . 3) Teste Casa. Sua administração é muito similar aos outros testes que recorrem a desenhos como forma de projeção (CUNHA. porque faz uso do desenho. que abrangem tanto a ansiedade causada por situações externas estressantes como causas intrapsíquicas.www. a presença é um indicador de ansiedade. Árvore e Pessoa (HTP) Parecer do CFP HTP TESTE HTP (CASA-ÁRVORE-PESSOA) 2000 CASA DO PSICÓLOGO 2003 VETOR Desfavorável Favorável THE HOUSE-TREE-PERSON (HTP) DE JOHN N. Porém recomenda-se cautela na utilização deste material com tal finalidade (HUTZ.

Aspectos projetados na árvore estariam relacionados com conteúdos mais profundos da personalidade.educapsico. o tempo de reação e os comportamentos verbais e não verbais (BUCK. de cooperação. se revelaria a expressão da visão de si mes mo. Propõe-se que seja entregue uma folha de cada vez. pensa-se na casa como o lar e as suas implicações. sendo esta mais próxima da consciência e de sua relação com o ambiente (FREITAS. seja na posição vertical. 2000). sugerindo que o indivíduo fale sobre cada um dos desenhos. enquanto. da árvore e da pessoa. A seguir é apresentado o objetivo de avaliação de cada desenho e os elementos a serem considerados para a análise do sujeito: Karina de O. citado em FREITAS. Deve-se registrar as reações do sujeito às instruções. tanto na época atual como na infância. como por exemplo. Deve ser anotados também. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 292 . Quanto mais o sujeito estiver comprometido. FREITAS. subentendendo o clima da vida doméstica e as inter-relações familiares. A fase gráfica de cada desenho precede a uma fase verbal. sendo que para o desenho da casa.www. A árvore e a pessoa permitem investigar o que se costuma chamar de autoimagem e auto-conceito ou diferentes aspectos do self. a folha seja entregue na posição horizontal e para os outros dois desenhos. 2003. 2000). Interpretação Para analisar os desenhos da casa. Os conceitos interpretativos são indicados no manual de interpretação do HTP de Buck (2003). CUNHA. Hammer (1991. solicitando que ele desenhe uma casa. mais existe a possibilidade de projeções de relações mais regressivas. Um dos pontos mais importantes durante a aplicação do teste é a observação que é feita pelo psicólogo. pelo contrário. que podem envolver indícios de ansiedade. resistência. CUNHA. partes dos aspectos gerais comuns aos três desenhos além de fazer uma análise das características individuais de cada figura.br São entregues ao indivíduo três folhas em branco. uma árvore e uma pessoa. 2003). na pessoa. desconfiança ou. 2000) coloca que é essencial considerar as áreas mais amplas da personalidade investigadas em cada um dos desenhos. De modo geral. conforme o autor aci ma. CUNHA.com. utilizando-se de um material estruturado com questionamentos específicos para este fim (BUCK. um lápis e uma borracha. ou de aceitação passiva da tarefa.

mais abstratos da vida. a copa. se são essenciais ou não.educapsico. linha do solo e raízes. qualidade da linha – podem ser considerados como um índice de reconhecimento. telhado. Ênfase no detalhe. Desenho da árvore Possibilita mais as ações pré-conscientes e inconscientes. acessórios. transparências e movimento – podem indicar a medida da compreensão do indivíduo. Karina de O. determinada pela localização no papel e pelo tipo de árvore. Podem revelar os valores que o indivíduo atribui aos objetos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 293 . posição. Reflete ainda a capacidade do sujeito para relacionar e para submeter o self e as relações interpessoais à avaliação critica objetiva. linha de solo. paredes. situações. As áreas de interpretação no desenho da casa referem-se à acessibilidade. nível de contato com a realidade e grau de rigidez do indivíduo. Finalmente os detalhes. tensão nas relações e para analisar criticamente problemas gerados por essa situação. Deve-se considerar na interpretação o tronco.www. em grande parte. o sombreamento. como chaminé. é uma expressão gráfica da experiência de equilíbrio sentida pelo indivíduo e da visão de seus recursos internos para obter satisfação no meio ambiente.br Características gerais dos desenhos Observa-se a proporção entre a figura desenhada e a folha do desenho. irrelevantes. Na análise são considerados os elementos essenciais. de interesse e de reação aos elementos da vida diária. ou galhos.com. Desenho da Casa Estimula associações conscientes e inconscientes referentes ao lar e as relações interpessoais. bizarros. e as partes que compõe a figura em relação a ela mesma. porta e janelas. A perspectiva pode ser verificada na localização do desenho na página. A impressão geral do desenho é. Desenho da pessoa Facilita mais associações conscientes do que os outros desenhos e contém elementos diretos da auto-imagem corporal. etc. ou seja. como compreende e reage a aspectos mais complexos. Indica a capacidade do indivíduo em lidar com situações de estresse. pessoas e de como se sente no ambiente. perspectiva.

Corman. solicita-se ao sujeito a realização de um desenho. segundo os critérios propostos por Corman. ansiedades e impulsos ligados à satisfação necessidades básicas (OLIVEIRA. leva em conta. al. atualmente não consta na lista de testes aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia. 2000. em sua representação gráfica da família. após o término da tarefa gráfica. da que representa o próprio indivíduo. et. 2007). no qual o aplicador obtém esclarecimentos acerca da produção do participante (OLIVEIRA. inicia-se um inquérito. mediante a instrução verbal “desenhe uma família”. os traços faciais. em especial. OLIVEIRA.educapsico. considerar as partes como a cabeça. et. al. 4) Teste Desenho da Família (DF) Este teste. Na aplicação do DF. 2007). o modo como vivencia a relação com seus pais e demais membros familiares que constituíram figuras significativas em suas vidas (objetos internos) bem como as fantasias inconscientes. assim. al. Segundo Cunha e Freitas (2003) há três formas de interpretação do desenho da família: de suas Karina de O. Trata-se de um instrumento gráfico projetivo indicado como recurso auxiliar na investigação clínica da personalidade de crianças e adolescentes (CUNHA. et. os braços e as mãos e o tronco incluindo pernas e pés. integrando dados relativos ao grupo familiar com hipóteses interpretativas de desenho da figura humana. Parte-se do pressuposto de que o sujeito projeta. A análise.www. lançou o desenho da família com a intenção de desvelar os conteúdos e processos emocionais inconscientes e conscientes referentes às relações dos participantes com seus objetos internos e externos pertinentes ao mundo familiar. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 294 . em 1961. Obtém-se. uma apreciação do modo como se deu o processo de interiorização dos objetos e das relações objetais bem como da qualidade desses relacionamentos pri mários. 2007). aspectos formais e estruturais de cada figura. et. conflitos. fundamentais na estruturação da personalidade e na relação estabelecida como o ambiente social (OLIVEIRA. al.br É importante verificar o tipo de pessoa desenhada. apesar de bastante conhecido e utilizado. 2007).com.

a extensão dos processos da entrevista semi-estruturada e não estruturada Para a aplicação. inquérito e título do desenho.Estórias (D-E) É uma técnica bastante utilizada em consultas clínicas. que é feita de maneira individual. A produção gráfica tende a revelar a concepção e os conflitos inerentes ao manejo espacial. 1989). A interpretação do material parte dos pressupostos psicodinâmicos (TRINCA. e caso não se consiga o produto de cinco desenhos em uma única sessão. Deve-se tomar nota detalhada das histórias. às funções e ao interior do próprio corpo. coloca-se a disposição do sujeito. Criado por Trinca em 1972.educapsico. 4. deve-se utilizar a seguinte. 2000): 1. uma caixa de lápis de cor. a localização na página e o movimento do traçado. TARDIVO. . TARDIVO. A folha é posta na horizontal e solicita-se que o sujeito faça um desenho livre. até que se completem cinco desenhos com suas respectivas histórias. não ultrapassando de duas sessões (TRINCA. constituindo-se da seqüência de cinco unidades de produção gráfica – desenhos livres – cada uma delas seguida de estória contada a partir daquele estímulo.o emprego de meios indiretos de expressão. 6. solicita-se que o mes mo conte uma história sobre aquele desenho. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 295 .o nível das estruturas formais: representação da figura humana como esquema corporal do sujeito. É solicitado o procedimento desenho-história novamente. Ao acabar o desenho. bem como as angústias e fantasias Karina de O.a participação em recursos de investigação próprios de técnicas projetivas. a força e o ritmo do traçado. 2. mas. lápis preto. 5. folhas em branco.www.nível de conteúdo: onde podem ser encontrados os principais aspectos projetivos do desenho. 3. o procedimento de desenhos-estórias é um instrumento que permite investigar aspectos da personalidade. .o objetivo de atingir aspectos inconscientes da personalidade. 2000).a ampliação de possibilidades da observação livre. tem como características principais (TRINCA. LIMA. Espalham-se os lápis sobre a mesa. não faz parte do rol de testes aprovados pela última lista liberada pelo CFP. tendo o lápis grafite entre os coloridos. A técnica do D-E.br .o nível gráfico: que leva em conta a amplitude. 5) Procedimentos de Desenhos.o uso de associações livres por parte do examinando. tamanho ofício.com.

6MF. 6RH. 13H. hoje só é considerada a forma de correção proposta por Murray (CUNHA. 12F.educapsico. 2000): . e 18MF. 17MF. temas predominantes. 7MF. Além destas. . só foi lançado em 1943. 8MF. etc. 12H. LIMA. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 296 . alógica. 9MF.Homens adultos as pranchas 3RH. São consideradas também as qualidades da verbalização: adequação ao nível evolutivo do sujeito. a memória. Contou com várias formas de interpretação. as histórias e os títulos. 17RH e 18 RH. 11 são aplicadas ambos os sexos e todas as idades. 18MF. Destas. etc. Seu valor está presente principalmente no fato de tornar visível tendências subjacentes inibidas que o sujeito não deseja aceitar ou que não tem condições de admitir por serem inconscientes (CASA DO PSICÓLOGO. 17MF. se dá nos aspectos formais e estruturais. pode-se avaliar o grau das funções egóicas.Homens jovens: 3RH. 12RM. . uso de cores. psicoterapia breve. 8MF.Mulheres jovens: 3MF. Tais relatos se fazem a partir de pranchas que são apresentadas aos sujeitos. porém. 7MF. recomenda-se aplicar as seguintes pranchas para cada sexo e faixa etária (FREITAS. como o raciocínio. 2000). 12RM. dando-se ênfase nas qualidades aparentes dos desenhos (localização. qualidade do grafismo. e uma em branco. 8RH. 13R. 2000). 9RH. (TRINCA. Por meio dessa análise. 17RH e 18RH. . 6MF. a estruturação espacial. emoções e sentimentos conflituosos de sujeitos de ambos os sexos com idade variante entre 14 e 40 anos. Karina de O. 6) Teste de Apercepção Temática (TAT) Parecer do CFP TAT TAT (TESTE DE APERCEPÇÃO TEMÁTICA) 1995 CASA DO PSICÓLOGO Favorável O TAT foi idealizado por Murray e Morgan em 1935. 1989). 9RH. A análise do D-E. além de outros aspectos. grau de coerência entre os desenhos.com. Ela se revela útil em diagnóstico breve.br dominantes com relação ao corpo de outras pessoas construídas desde as pri mitivas relações de objeto. 8RH.Mulheres adultas: 3MF. 2009). 9MF. 6RH. 13M. significado das cores. 7RH. 7RH. temporal.). O teste pretende revelar impulsos. entre elas a de Bellak. entrevista devolutiva e outras áreas (TRINCA E TARDIVO. porém. 13HF. Utiliza-se um total de 30 pranchas com gravuras.www.

2000). aventura.com. senti mentos. agressão. Quero que você me conte uma história sobre cada uma. podendo explorar a estrutura da personalidade subjacente. para isto. Aqui tenho algumas lâminas que vou lhe mostrar. 1977. . Murray. medo. como ações de iniciativa em relação a pessoas. idéias e lembranças vividas diante de cada um desses enfrentamentos (FREITAS.educapsico. agressão. inferioridade. autonomia. Para análise do conteúdo da história. No início da aplicação. é preciso que esta seja desmembrada nos conteúdos expressos no tema central. curiosidade. Karina de O. tanto em seu aspecto formal quanto de seu conteúdo. etc. Pode inventar a história que quiser”. e como terminará.Identificação do herói da história: que seria com quem o sujeito se identifica.www. passividade. etc. gratidão. propõe as seguintes instruções básicas: “Este é um teste que consiste em contar histórias. citado em Freitas (2000). geralmente são aplicadas em cada sujeito uma média de 20 pranchas (11 universais e nove selecionadas conforme sexo e faixa etária).br Sendo assim. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 297 . é dada uma instrução sobre como proceder com o relato.Reconhecimento de seus motivos. construção. é preciso fazer uma análise do discurso. segundo Freitas (2000) é preciso que se faça: . podendo ser utilizadas duas sessões para aplicação.). etc. As relações que se estabelecem entre o herói e outros personagens pode refletir atitudes conscientes ou inconscientes do sujeito frente a estes. bem como atitudes frente à autoridade (submissão. e o que está acontecendo agora. situações. ou reação do herói às ações de outras pessoas. Você me dirá o que aconteceu antes. Exemplos: realização.). É importante também que o psicólogo faça um exame das histórias do sujeito e de sua conduta durante a aplicação do teste (FREITAS. Explique o que sentem e pensam os personagens. ou revelar o papel que estes desempenham na vida do sujeito (frustração. tendências e necessidades: são identificados na conduta do herói. levando o sujeito a comunicar imagens. dependência. 2000). Cada uma das pranchas tem um significado específico e explora questões específicas. objetos. aquisição. estimulação. introversão). É importante que se identifique os traços e tendências dos heróis (superioridade. extroversão. Para analisar o TAT.

a avaliação. seja num trabalho particular (como consultório). As pressões podem facilitar ou impedir a satisfação da necessidade. permite avaliar a adequação ou não à realidade. A partir do desfecho pode-se identificar o êxito ou fracasso na resolução das dificuldades. seja devido à rotatividade encontrada em tais estabelecimentos. ou a ter realizado. Examina-se também se o herói demonstra insights das suas dificuldades. Além disto. 1995). como resposta a um pedido de avaliação. 2006). a forma como o sujeito vê ou interpreta seu meio. oti mistas e pessimistas.educapsico. uma vez que diversos profissionais poderão ter acesso a este.www. observando a proporção entre os finais felizes e infelizes. por exemplo (ARZENO. . representando assim. CFP.br . 1995. em Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 298 . e por geralmente estes informes serem encaminhados de modo escrito. 1995). Por vezes pode ocorrer também um novo pedido de avaliação após algum tempo.Desfecho da história: indica como o herói resolve suas dificuldades. a realização do informe é imprescindível. e deve fazer parte de cada conjunto dos documentos relativos às avaliações realizadas.Exame das pressões ambientais: identificar e avaliar as pressões que o herói percebe como vindas do ambiente e os efeitos destas. ou pelo falto de este poder dar seguimento ao caso num trabalho terapêutico. devendo ser guardados por um período de cinco anos (ARZENO. . como dito anteriormente. mágicos e realistas ou os convencionais.com. se consegue chegar a conclusões sobre estas. Informe Psicodiagnóstico O informe. No trabalho institucional. fornecendo alguns dados para a formulação terapêutica. seja em instituições. Também deve-se analisar como surgem. como no caso de alguma intervenção terapêutica ou cirúrgica. refere-se ao resumo das conclusões diagnósticas e prognósticas. Pelo fato de poder ser outro o profissional a realizar. e até mesmo um outro profissional da área de psicologia. o que permite uma comparação entre o informe atual e o anterior (ARZENO. conflitos e como trabalha suas necessidades internas e enfrenta as pressões do ambiente.Exploração dos estados interiores do herói: procura-se avaliar os afetos que se manifestam e em que direção e forma são conduzidos. como se resolvem e qual a intensidade dos conflitos.

o profissional psicólogo pode vir a colocar no documento de informe tudo o que foi observado durante a avaliação. por insegurança. lembrando-se de apresentar as potencialidades do sujeito. etc. sendo importante evidenciar potencialidades. o Conselho Federal de Psicologia. instituiu um Manual de Elaboração de Documentos Decorrentes de Avaliações Psicológicas.com. ou não. Uma linguagem menos técnica e mais concisa é utilizada ao se emitir o informe a profissionais da área da educação. não só da área da saúde. termos comuns à psicopatologia. Este será Karina de O. para que as informações passadas não sejam utilizadas como convier à causa. Referindo-se a testes. fazendo uso de alguns pontos do material utilizado e termos comuns ao âmbito forense. 1995). ou com a finalidade de fazer muito bem seu trabalho. inexperiência. com respostas claras aos objetivos da avaliação. do paciente avaliado. adequados.www. uma vez que qualquer informação colocada poderá ser utilizada a favor. afirmações que não sejam dúbias. a outros profissionais.br forma de documento. A linguagem técnica é geralmente utilizada ao se enviar o documento a um outro profissional da mes ma área. CFP. o informe pode ser conciso. preferencialmente. este deve. ou deixar brechas para a utilização de rótulos desnecessários. porém. psicoterapia. o informe deve ser expresso em termos bastante inequívocos. são presentes. e sim o que foi solicitado e servirá para esclarecer as conclusões obtidas. 2006). No campo judicial. definições e conclusões claras e elucidativas. Ou seja. a maneira de redigi-los é bastante relevante. 1995. geralmente interessados em receber informações sobre a presença ou ausência de transtornos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 299 . pela resolução nº007/2003. e até mesmo qual seria o cargo para o qual estas seriam mais aproveitadas (ARZENO. Algumas vezes. mas também educacional e judicial. tomando maiores precauções para não transparecer intimidades do caso que não se relacionem com campo pedagógico. aceitáveis ou ausentes no aspirante ao cargo. é importante dizer o necessário e de uma forma que sempre possa ser interpretado com objetividade e não possa ser usado em prejuízo do sujeito avaliado (ARZENO.educapsico. não se deve dizer absolutamente tudo. Documentos Emitidos pelos profissionais Psicólogos Dando continuidade às questões referentes à maneira de se redigir os documentos de informe. Para médicos. Já no informe para fins trabalhistas. informar se os traços de personalidade requeridos para a função.

observações. estrutura e composição de parágrafos ou frases. Por fi m. Essa “economia verbal” requer do psicólogo a atenção para o equilíbrio que evite uma redação muito sucinta ou o exagero de uma redação prolixa. as definições. Desta forma. o documento deve considerar a natureza dinâmica. harmônica e clara. Princípios para redação dos documentos Para a redação dos documentos.educapsico. não definitiva e não cristalizada do seu objeto de estudo. obsceno ou engraçado). A ordenação do documento deve possibilitar sua compreensão por quem o lê. deve se restringir pontualmente às informações que se fizerem necessárias. garantindo a precisão da comunicação. Com relação aos princípios técnicos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 300 . o psicólogo deverá adotar técnicas de linguagem escrita e os princípios éticos. Quanto à linguagem escrita. concisa. pela seqüência/ordenamento adequado dos conteúdos. baseado nos preceitos do CFP.br utilizado nos tópicos a seguir a fim de elucidar.com. O que não significa que a linguagem deva ser sempre técnica. da palavra exata e necessária. A clareza se revela na estrutura frasal. dos documentos. Frases e termos devem ser utilizados de forma compatível com as expressões próprias da linguagem profissional. técnicos e científicos de sua profissão. e si m que quando há necessidade de termos mais simples. o documento deve apresentar uma redação bem estruturada. recusando qualquer tipo de consideração que não tenha relação com a finalidade do documento específico. o que é permitido pela coerência gramatical. no aspecto sonoro e na ausência de vícios de linguagem e/ou cacofonias (sons desagradáveis formados pela união de palavras que podem dar a estas. sentido pejorativo. a harmonia está presente na correlação adequada das frases. evitando a diversidade de significações da linguagem popular. A concisão se verifica no emprego da linguagem adequada. considerando a quem o documento será destinado. dinâmicas Karina de O. estes devem corresponder aos seus reais significados. deve se basear exclusivamente nos instrumentais técnicos (entrevistas. ao produzir documentos escritos. como dito no tópico anterior. testes. etc. formas de apresentação. O profissional psicólogo. possibilitando a expressão do que realmente se quer comunicar.www.

Deve-se realizar uma prestação de serviço responsável pela execução de um trabalho de qualidade cujos princípios éticos sustentam o compromisso social da Psicologia. bem como sobre outros materiais e grupo atendidos e sobre outros materiais e documentos produzidos anteriormente e pertinentes à matéria em questão.educapsico.br de grupo. considerando que a última estará assinada. em toda e qualquer modalidade de documento. ao elaborar um documento. estudos e interpretações de informações a respeito do sujeito atendido. sob toda e qualquer condição. escuta. Tipos de documentos Neste tópico será apresentado conceito. o psicólogo deverá sempre basear suas informações nos princípios e dispositivos do Código de Ética Profissional do Psicólogo. desde a primeira até a penúltima.com. a saber: declaração. atestado psicológico. Dentre estes. os cuidados em relação aos deveres do psicólogo nas suas relações com a pessoa atendida. fazendo referência aos princípios éticos. finalidade e estrutura de cada tipo de documento que pode ser emitido pelo profissional psicólogo. Por fi m. Esses instrumentais técnicos devem obedecer às condições mínimas requeridas de qualidade e de uso. ao sigilo profissional. devem ser rubricadas. Outro fato importante de ser lembrado é que todas as laudas. do uso dos instrumentos. às relações com a justiça e ao alcance das informações – identificando riscos e compromissos em relação à utilização das informações presentes nos documentos em sua dimensão de relações de poder. devendo ser adequados à investigação em questão. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 301 . Declaração Karina de O. Seria expressamente proibido realizar. técnicas psicológicas e da experiência profissional da Psicologia na sustentação de modelos institucionais e ideológicos que perpetuem qualquer forma de segregação. relatório/laudo psicológico e parecer psicológico.www. intervenções verbais) que se caracterizam como métodos e técnicas psicológicas para a coleta de dados.

. situações ou estados psicológicos.º da inscrição”). após realização de um processo de avaliação psicológica. .Justificar estar apto ou não para atividades específicas. 015/96. com fins de: . Nele não devem ser feitos registros de sintomas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 302 . Karina de O. em acordo com o disposto na Resolução CFP nº. .www. e tem como finalidade afirmar sobre as condições psicológicas de quem o solicita.Solicitar afastamento e/ou dispensa do solicitante.Acompanhamento psicológico do atendido.Registro do local e data da expedição da declaração. . subsidiado na afirmação atestada do fato. qual horário).educapsico.br Documento que visa informar a ocorrência de fatos ou situações objetivas relacionados ao atendimento psicológico. Atestado Psicológico Este documento é utilizado para certificar uma determinada situação ou estado psicológico. dentro do rigor técnico e ético.Registro do nome e sobrenome do solicitante. quando necessário. .Assinatura do psicólogo acima de sua identificação ou do carimbo.com. Tem a finalidade de declarar: . para fins de comprovação). A declaração deve ser emitida em papel timbrado ou apresentar na subscrição do documento o carimbo.Comparecimentos do atendido e/ou do seu acompanhante.Justificar faltas e/ou impedimentos do solicitante. dias ou horários). acrescido de sua inscrição profissional (“Nome do psicólogo / N. . por requerimento. . . em que constem nome e sobrenome do psicólogo. em quais dias.Informações sobre as condições do atendimento (tempo de acompanhamento. . sua inscrição no CRP e/ou carimbo com as mesmas informações.Registro de informações solicitadas em relação ao atendi mento (por exemplo: se faz acompanhamento psicológico.Finalidade do documento (por exemplo. a declaração deve expor: .Registro do nome completo do psicólogo. Quanto à estrutura.

. as informações devem restringir-se às solicitadas. deve ser subsidiado nos dados colhidos e analisados. Como todo documento. em que conste o nome e sobrenome do psicólogo.www. Para evitar adulterações no documento. . afastamento ou falta – podendo ser registrado sob o indicativo do código da Classificação Internacional de Doenças em vigor. ou seja.educapsico. separados apenas pela pontuação. o psicólogo deve preencher esses espaços com traços. sem parágrafos. à luz de um instrumental técnico baseado em referencial técnico-filosófico e científico adotado pelo psicólogo.com. situação ou condições psicológicas que justifiquem o atendimento.Finalidade do documento. deve cumprir algumas formalidades.Assinatura do psicólogo acima de sua identificação ou do carimbo.º da inscrição”). pesquisadas no processo de avaliação psicológica. os registros devem estar transcritos de forma corrida. políticas e culturais. acrescido de sua inscrição profissional (“Nome do psicólogo / N. sociais. É importante ressaltar que o atestado emitido para justificar aptidão ou não para determinada atividade. Caso haja necessidade da utilização de parágrafos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 303 .Registro do local e data da expedição do atestado. . contendo somente o fato constatado.Registro do nome completo do psicólogo. pelo prazo mínimo de cinco anos. O atestado deve ser emitido em papel timbrado ou apresentar na subscrição do documento o carimbo. .Registro da informação do sintoma. . Karina de O. Relatório ou Laudo Psicológico Referem-se a uma apresentação descritiva acerca de situações e/ou condições psicológicas e suas determinações históricas.Registro do nome e sobrenome do cliente. deve ter seu relatório correspondente guardado nos arquivos profissionais do psicólogo. sua inscrição no CRP e/ou carimbo com as mesmas informações. ou o prazo previsto por lei. Ele deve expor: .br Ao se formular o atestado. através do uso do psicodiagnóstico. Embora seja um documento simples.

nome do autor do pedido (se a solicitação foi da Justiça. limitando-se a fornecer somente as informações necessárias relacionadas à demanda.educapsico. com a(s) respectiva(s) inscrição(ões) no Conselho Regional. entidades ou do cliente). orientação e sugestão de projeto terapêutico.INTERESSADO – quem solicita . com clareza. .ASSUNTO/finalidade – o psicólogo indicará a razão. caso necessário. o prognóstico e evolução do caso. portanto. se foi de empresas. O relatório psicológico é uma peça escrita de natureza e valor científicos. análise e conclusão. Procedimento Karina de O. prorrogação de prazo para acompanhamento ou outras razões pertinentes a uma avaliação psicológica). Quanto à sua estrutura. tornando-se acessível e compreensível ao destinatário. deve conter narrativa detalhada e didática. Os termos técnicos devem.com.nome(s) do(s) psicólogo(s) que realizará(ão) a avaliação.br Finalidade do relatório ou laudo psicológico: apresentar os procedimentos e conclusões geradas pelo processo da avaliação psicológica. procedi mento.. precisão e harmonia. estar acompanhados das explicações e/ou conceituação retiradas dos fundamentos teórico-filosóficos que os sustentam. o diagnóstico. Descrição da demanda Esta parte destina-se à descrição das informações referentes à problemática apresentada e dos motivos. deve-se apresentar a análise que se faz da demanda. as intervenções. descrição da demanda.www. razões e expectativas que produziram o pedido do documento. relatando sobre o motivo do encaminhamento. Identificação Constitui-se da parte superior do primeiro tópico do documento com a finalidade de identificar: . bem como. Nesta parte. .AUTOR/relator – quem elabora . justificando o procedimento adotado. o motivo do pedido (se para acompanhamento psicológico. Sendo assim. solicitação ou petição. solicitação de acompanhamento psicológico. o relatório psicológico deve conter no míni mo cinco itens: identificação. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 304 .

serão expostos o resultado e/ou considerações a respeito de sua investigação. O procedi mento adotado deve ser pertinente para avaliar a complexidade do que está sendo demandado. conforme explicita o Código de Ética Profissional do Psicólogo. portanto. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 305 . assinatura do psicólogo e o seu número de inscrição no CRP. Análise Na análise. deve considerar a natureza dinâmica. Vale ressaltar a importância de sugestões e projetos de trabalho que contemplem as variáveis envolvidas durante todo o processo. ainda nesta parte. Karina de O. “O processo de avaliação psicológica deve considerar que os objetos deste procedimento (as questões de ordem psicológica) têm determinações históricas. bem como princípios éticos e as questões relativas ao sigilo das informações. sociais. O documento. pessoas ouvidas etc. Conclusão Na conclusão do relatório. Nessa exposição.www. sendo as mesmas.) à luz do referencial teórico-filosófico que os embasa. nos princípios técnicos.br Nesta parte serão apresentados os recursos e instrumentos técnicos utilizados para coletar as informações (número de encontros.com. o psicólogo faz uma exposição descritiva de forma metódica. especialmente quando se referir a dados subjetivos. não deve fazer afirmações sem sustentação em fatos e/ou teorias. O psicólogo. Como apresentado anteriormente. objetiva e fiel dos dados colhidos e das situações vividas relacionados à demanda. data de emissão. Após isto. deve-se respeitar a fundamentação teórica que sustenta o instrumental técnico utilizado. o documento é encerrado. devendo ter linguagem precisa.educapsico. econômicas e políticas. elementos constitutivos no processo de subjetivação. não definitiva e não cristalizada do seu objeto de estudo”. As considerações geradas pelo processo de avaliação psicológica devem trans mitir ao solicitante tanto a análise da demanda como do processo de avaliação psicológica como um todo. Somente deve ser relatado o que for necessário para o esclarecimento do encaminhamento. com indicação do local.

o psicólogo deve respondê-los de forma sintética e convincente. como os dados colhidos ou o nome dos envolvidos. análise e conclusão. “sem elementos” ou “aguarda evolução”. Deve-se apresentar a questão em tese.educapsico.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 306 . de uma “questão problema”. deve-se utilizar a expressão “sem elementos de convicção”. Análise A discussão do Parecer Psicológico se constitui na análise minuciosa da questão explanada e argumentada com base nos fundamentos necessários existentes. na técnica ou no corpo conceitual da ciência psicológica. Exposição de Motivos Nesta parte o parecerista transcreve o objetivo da consulta e dos quesitos ou apresenta as dúvidas levantadas pelo solicitante.br Parecer Psicológico O parecer é um documento fundamentado e resumido sobre uma questão focal do campo psicológico cujo resultado pode ser indicativo ou conclusivo. que exige de quem responde competência no assunto. Havendo quesitos. exposição de motivos. considerando os quesitos apontados e com fundamento em referencial teórico-científico. Se o quesito estiver mal formulado. O psicólogo parecerista deve fazer a análise do problema apresentado. destacando os aspectos relevantes e opinar a respeito. portanto. tem-se que o parecer é composto de quatro itens: identificação. pode-se afirmar “prejudicado”.www. através de uma avaliação especializada. Identificação Identifica o nome do parecerista e sua titulação. seja na ética. Quanto à estrutura. a descrição detalhada dos procedimentos. não deixando nenhum sem resposta. uma resposta a uma consulta. Quando não houver dados para a resposta ou quando o psicólogo não puder ser categórico. Karina de O. visando diminuir dúvidas que estão interferindo na decisão. o nome do autor da solicitação e sua titulação. Ele tem como finalidade apresentar uma resposta esclarecedora no campo do conhecimento psicológico. sendo. não sendo necessária. portanto.

Desenvolvimento ou modificação de atitudes. Obedece a um programa preestabelecido e sistemático com objetivos de uma adaptação mais rápida da pessoa ao trabalho. 7. Treinamento e Desenvolvimento (T&D). deve informar o local e data em que foi elaborado o documento e assiná-lo.br Nesta parte. O conteúdo do treinamento pode ser classificado em quatro tipos. . Segundo o mes mo autor. 2002). Capacitação e treinamento em ambientes organizacionais O treinamento é a educação do profissional para adaptá-lo a uma determinada empresa e cargo. Karina de O. “O treinamento tem por finalidade ajudar a alcançar os objetivos da empresa. proporcionando oportunidades aos empregados de todos os níveis de obter o conhecimento. É realizado por empresas terceiras especializadas ou pela própria empresa. Recursos de ensino. respondendo à questão levantada.Transmissão de informação. O psicólogo deve apresentar seu posicionamento. o treinamento pode ser considerado um processo educacional de curto prazo aplicado de maneira sistemática e organizada. Metodologias de ensino. atitudes (frente aos aspectos da organização) e habilidades em função de objetivos definidos. Identificação das necessidades de treinamento por competência. através do qual as pessoas aprendem conhecimentos (conhecimentos específicos relativos ao trabalho).www. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 307 . de acordo com a finalidade dos mesmos. O papel do T&D nos programas de gestão de competência. Em seguida.educapsico. a prática e a conduta requeridos pela organização” (Chiavenato.com. deve respeitar as normas de referências de trabalhos científicos para suas citações e informações.Desenvolvimento de habilidades: . sendo assim classificados: . Conclusão Parte final do parecer.

processamento: processo de aprendizagem. informação. diagnóstico e programações de treinamento. etc.br .retroação: avaliação dos procedi mentos e resultados do treinamento através de meios informais ou de pesquisas sistemáticas. aumentar-lhes a motivação e torná-las mais receptivas às técnicas de supervisão e gerência.com. separado ou conjuntamente. etc. os recursos organizacionais. . o processo de treinamento se assemelha a um modelo de sistema aberto. e avaliação dos resultados. cujos componentes são: . . Os objetivos principais de um treinamento são: . . . habilidades. não apenas em seus cargos atuais.preparar o pessoal para a execução imediata as diversas tarefas do cargo.proporcionar oportunidades para o contínuo desenvolvimento pessoal. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 308 . As responsabilidades do treinamento organizacional de uma maneira geral são ou dos órgãos de treinamento ou dos órgãos responsáveis pelas próprias atividades.Desenvolvimento de conceitos: Tais conteúdos podem ser utilizados. programa de treinamento.mudar a atitude das pessoas. sucesso ou eficácia organizacional.saídas: pessoal habilitado. programação. Karina de O.educapsico. realizando levantamentos de necessidades. Para Chiavenato (2002). mas também para outras funções para as quais a pessoa pode ser considerada. . seja para criar um clima mais satisfatório entre empregados. Mas esta responsabilidade preferencialmente deve ser dividida entre o órgão responsável pelas atividades e o órgão de treinamento que deve prestar uma consultoria a este.entradas: os treinandos.www. No processo de treinamento e desenvolvimento há a necessidade de se pensar nas seguintes etapas: levantamento das necessidades. implementação e execução.

. existem alguns indicadores que podem sinalizar a necessidade de um programa de treinamento na organização.Questionários. são eles: . Exemplos desses indicadores são: expansão da empresa. Exemplos desses indicadores são: baixa Karina de O. Além desses métodos.Relatórios periódicos. entre outros.Indicadores a posteriori: são os problemas provocados por necessidades de treinamento não atendidas. .Indicadores a priori: são os eventos que se acontecerem proporcionarão necessidades futuras de treinamento. .Modificação do trabalho (quando introduzidas na organização).Observação. . Estão relacionados com a produção ou com o pessoal e servem como diagnóstico de treinamento. produção e/ou comercialização de novos produtos. . redução do número de empregados.www. .Avaliação de Desempenho.Entrevistas com os supervisores e gerentes. .Solicitação de supervisores e gerentes. Os principais métodos para o levantamento das necessidades de treinamento são: .Exame de empregados (resultados dos exames de seleção). . .Entrevista de saída (para saber as causas do desligamento do empregado). modernização do maquinário.educapsico.com.Reunião interdepartamentais. . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 309 . .br Levantamento das necessidades O levantamento das necessidades é uma forma de diagnóstico organizacional.Análise de cargos.

Qual é a necessidade? . elevado número de acidentes. excesso de erros e desperdícios. para QUEM. ONDE.Qual a sua causa? . etc.com.Quantas pessoas e quantos serviços serão atingidos? .educapsico. erro na execução de ordens. Programação A programação de treinamento é sistematizada e fundamentada sobre os seguintes aspectos que devem ser analisados durante o levantamento: .É preciso alguma providência inicial.Ocorre em outra área ou setor? .Onde foi assinalada em primeiro lugar? .Quem irá executar o treinamento? Segundo Chiavenato (2002). . falta de cooperação entre os empregados.Como resolvê-la: em separado ou combinada com outras? .É parte de uma necessidade maior? .br produtividade.A necessidade é imediata? Qual a sua prioridade em relação às demais? . QUANDO.www.Qual o tempo disponível para o treinamento? . o levantamento das necessidades realizado deve dizer O QUE deve ser ensinado. POR QUE e QUEM deve ensinar. COMO. antes de resolvê-la? .A necessidade é permanente ou temporária? . Karina de O.Qual o custo provável do treinamento. número excessivo de faltas dos empregados. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 310 .

Orientadas para o conteúdo: desenhadas para a transmissão de conhecimento ou informação como a técnica da leitura. grau de conheci mento. .características pessoais..escolha dos métodos e tecnologia disponível.controle e avaliação de resultados. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 311 . .).local. As técnicas a serem utilizadas num programa de treinamento devem ser escolhidas levando-se em conta a otimização da aprendizagem.educapsico. . 2002).época ou periodicidade.definição da população alvo (qtde. instrução programada. . tempo e local de aplicação (Chiavenato. . recursos áudio-visuais.br Os principais itens a serem lembrados durante o planejamento de uma programação de treinamento são: . . Essas técnicas podem ser classificadas quanto ao uso. .www.abordagem de uma necessidade especifica de cada vez.divisão do trabalho a ser desenvolvido (módulos).determinação do conteúdo. . Karina de O.cálculo da relação custo – benefício.definição clara do objetivo do treinamento... instrução assistida por computador (essas duas ulti mas são também chamadas de técnicas auto-instrucionais).com. . . Técnicas de treinamento classificadas quanto ao uso .definição dos recursos necessários.

Técnicas de treinamento classificadas quanto ao tempo . treinamento de grupos. enriquecimento de cargos. estudo de caso. etc. . Execução Após o levantamento das necessidades de treinamento e sua programação. treinamento da sensitividade. rotação de cargos. a classificação das técnicas de treinamento passa a depender do local de aplicação.www. discussão em grupo. rodízio de cargos.Orientadas para o processo: desenhadas para mudar atitudes. si mulações e jogos. jogos. instrução programada. Exemplos: RolePlaying.educapsico. Exemplo: programas de integração. . etc. treinamento em tarefas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 312 . dramatização. com isto. etc. desenvolver consciência de si e dos outros e desenvolver habilidades interpessoais. instrução no cargo.com. . e se procura mudar atitude e comportamentos. Exemplos: estudo de casos. partimos para a etapa da execução.Treinamento depois do ingresso no trabalho: pode ser feito sob dois aspectos. filmes. Karina de O.Fora do local de trabalho: as principais técnicas de treinamento fora do trabalho são: aulas expositivas.Treinamento de indução ou de integração à empresa: visa a adaptação e ambientação inicial do empregado à empresa. Técnicas de treinamento classificadas quanto ao local de aplicação .br . dentro ou fora do local de trabalho.No local de trabalho: o treinamento no trabalho apresenta várias modalidades: admissão. etc.Mistas: através das quais se transmite informação.

. .adequação do programa de treinamento às necessidades da organização.educapsico.qualidade dos aprendizes (seleção do grupo adequada).cooperação dos chefes e dirigentes da empresa. etc. . elevação do conhecimento das pessoas. melhoria da qualidade dos produtos e serviços.Avaliação ao nível dos Recursos Humanos: o treinamento deve proporcionar resultados como: redução da rotatividade de pessoal.com.qualidade do material de treinamento apresentado. redução do absenteísmo. melhoria do cli ma organizacional. 2002): . etc. mudanças de atitude e de comportamento das pessoas. Essa avaliação pode ser realizada em três níveis: .br A execução do treinamento pressupõe o binômio instrutor X aprendiz e a relação instrução aprendizagem. aumento da eficiência. . Avaliação É a etapa final do processo de treinamento e deve considerar: se o treinamento produziu as modificações desejadas no comportamento dos empregados e se os resultados apresentam relação com o alcance das metas da empresa.www. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 313 . e depende dos seguintes fatores (Chiavenato. . redução do índice de acidentes.Avaliação ao nível das tarefas e operações: o treinamento deve proporcionar resultados como: aumento da produtividade. melhoria da i magem da empresa. etc. redução do índice de manutenção de máquinas e equipamentos.Avaliação ao nível Organizacional: o treinamento deve proporcionar resultados como: aumento da eficácia organizacional.qualidade e preparo dos instrutores. . Karina de O.

Hoje em dia. no e-learning (via Internet). de forma distinta dos portais comerciais e de acesso à Internet. assim como no uso intensivo das facilidades tecnológicas embutidas nas práticas de ensino à distância (EAD). assi m como são os provedores de um ambiente tecnológico que permite a adequada gestão das informações e dos conheci mentos de uma organização. Desta forma. Metodologias em Desenvolvimento humano As constantes e rápidas mudanças nas tecnologias e nos desafios com que se deparam as organizações exigem competências e habilidades cada vez mais distintas dos trabalhadores e é consenso.educapsico. Os Portais Corporativos.com. e promoverem o aumento da capacidade de solução de Karina de O. atualmente.www. bem como no desenvolvimento de portais corporativos onde o intercâmbio de informações e conhecimentos sirva como facilitador e catalisador de inovações e de geração de novos conhecimentos. De forma a serem reconhecidos como legítimos portais corporativos. as ferramentas mais utilizadas para o desenvolvimento de ações voltadas à aprendizagem contínua e à construção de um processo de educação organizacional estão baseadas na instituição das “Universidades Corporativas”. o treinamento pode ser considerado uma resposta a um quadro de condições ambientais mutáveis e exigência de novos requisitos para a “sobrevivência e crescimento organizacional”. e assumirem que a função ou a responsabilidade pelos processos de aprendizagem extrapola os departamentos de treinamento e de capacitação e torna-se um imperativo para as ações gerenciais das organizações modernas. na disseminação de bases de dados com as “melhores práticas” (best practices) e as “lições aprendidas” (lessons learned).br Segundo Chiavenato (2002). são a nova cola para dar apoio à transformação fundamental nos atuais modelos organizacionais e naquelas atividades intensivas em conhecimento. o fato de que o melhor profissional é aquele que “sabe aprender” ou que “está continuamente aprendendo”. as organizações devem buscar soluções para o desenvolvimento de ferramentas e métodos de aprendizagens individuais e coletivas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 314 .

unificando os ambientes de pesquisa. assim como redesenhando hierarquias e estruturas. estes devem atender a determinados objetivos específicos: a) integrar o uso de aplicativos e bases de dados informatizadas. Por sua vez. relacionamentos. Karina de O. interligados por tecnologias. ao integrarem os fluxos de dados. a televisão. Além disso. É ensino/aprendizagem onde professores e alunos não estão normalmente juntos. c) “permitir a personalização do acesso à informação”. como a Internet. d) automatizar e aperfeiçoar os ciclos de decisão dos trabalhadores do conhecimento.br problemas e/ou de geração de inovações no interior das organizações. Avaliação de resultados. o telefone. mediado por tecnologias.educapsico. processos. o CD-ROM. remodelando as formas de organização do trabalho e de capacitação. também podem ser utilizados como ferramenta de apoio à mudança da cultura das organizações. o fax e tecnologias semelhantes. o Ensino a distância ou Educação a distância é o processo de ensinoaprendizagem. e) permitir a criação de níveis mais profundos de colaboração entre os funcionários. atividades. 8. principalmente as telemáticas. Mas também podem ser utilizados o correio. Avaliação e gestão de desempenho. mas podem estar conectados. f) “fomentar a criação e a reutilização do conhecimento explícito e a localização de pessoas que podem aplicar seu conhecimento tácito em situações específicas”.www.com. incentivando a colaboração e o compartilhamento de experiências e conhecimentos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 315 . organização e divulgação e/ou publicação das informações e do conhecimento necessário às organizações. fisicamente. informações e conhecimentos. b) conectar os indivíduos às fontes de informação. onde professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente. o rádio. o vídeo. Indicadores de desempenho. os portais corporativos.

Ou seja. classificados e relacionados entre si permitem o surgimento da informação. “quando se fala em resultados desejados.com. Assim. O banco de dados no RH é utilizado de maneiras a armazenar dados sobre os funcionários.br Há a necessidade de se controlar os recursos humanos. Banco de dados é um sistema de armazenamento e acumulação de dados devidamente codificados e disponíveis para o processamento e obtenção de informações. controle no sentido de perceber e avaliar desempenhos a fim de realizar correções para que os objetivos da empresa sejam atingidos.educapsico. 335). tais como dados pessoais. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 316 . Karina de O. p. Os dados e informações fazem parte deste subsistema através dos bancos de dados e sistemas de informações. 3) Comparação do desempenho com os padrões desejados. para o posterior uso. Os dados são informações coletadas que tem a finalidade de servirem de fundamentação para decisões e serem tomadas ou mesmo para criação de juízos. informações sobre os cargos. 4) Ação corretiva. sobre os departamentos.www. 2) Observação de desempenho. parte-se do princípio de que estes resultados foram previstos e conhecidos” (CHIAVENATO. sobre pessoas currículos de pessoas de fora da organização. 1988. CHIAVENATO (1988) traz que o processo de controle segue padrões que ocorrem em quatro etapas: 1)Estabelecimento de padrões desejados. A partir do momento que os dados são armazenados. Desta forma o controle será exercido para que os diversos órgão e divisões da empresa tenham responsabilidades com o desenvolvimento de pessoal e também suas atividades sejam cumpridas da melhor forma possível. em consonância com os planos adotados. o banco de dados é um arquivo organizado para permitir a compilação dos mesmos.

A Auditoria de Recursos Humanos “é a análise das políticas e práticas de pessoal e a avaliação do seu funcionamento. por exemplo. Os objetivos da Avaliação/Gestão de Desempenho. p. segundo Chiavenato (1988): gerar condições para perceber o potencial humano e desenvolvê-lo para sua plena aplicação. A literatura traz que normalmente os padrões na avaliação e controle do sistema de RH são: • • • • Padrões de quantidade: os quais são estabelecidos numericamente. por exemplo. tanto para a correção como dos desvios como para melhoria” (CHIAVENATO. medidas estatísticas entre outros. Karina de O. que são os relatórios. possibilitar que os recursos humanos sejam percebidos como recursos básicos da organização e a partir disso trabalhar a administração da melhor maneira a fim de se obter maior produtividade e alinhar os interesses do funcionário ao da organização. E ele deve ser montado para atingir objetivos determinados para que o sistema torne-se eficiente de fato.educapsico. Padrões de custo: o custo que as ações do RH terão na organização.www. Por fazer parte da base do processo decisório das organizações o sistema da informação. documentos. Tendo o objetivo de obter padrões a fim de que as avaliações possam ser realizadas e o controle possa ser estabelecido. envolver a rede de fluxos de informações da organização. 350). o processamento de requisições de pessoal. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 317 . o resultado de treinamento. Padrões de tempo: a velocidade que os processos ocorrem na organização. A avaliação deve ser vista como um meio e não como finalidade na busca pela produtividade e qualidade. por exemplo.com.br O sistema de informação no RH funciona através das entradas de dados (inputs) que serão computadas e transformadas em saídas (outputs). 1988. Lembrando que o controle neste caso significa a avaliação em busca de melhorar o funcionamento do sistema. deve identificar. custo com benefícios aos funcionários. Padrões de qualidade: são aqueles em que a quantificação não é possível. a porcentagem de rotatividade de empregados. por exemplo.

moral no trabalho. turnos de trabalho.. “As investigações de Elton Mayo (. atitude dos empregados. Nas décadas seguintes.) desde então alcançaram relevância no mundo dos negócios” (Bastos & Zanelli. 468). Karina de O. avaliação de executivos. testes de admissão. relações homem X máquina. p. segurança e disciplina. entrevista de aconselhamento (Bastos & Zanelli. Até meados da década de 1930 o campo de aplicação das intervenções do psicólogo organizacional centrava-se em: treinamento. “Até metade do século XX.. 2004). 2004). 2004). 2004. As atividades mais características e dominantes da Psicologia Organizacional por muito tempo foram a seleção de pessoal e o uso de testes psicológicos para maximizar o ajuste das pessoas aos cargos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 318 . foram se acentuando as inquietações com práticas organizacionais punitivas e discriminatórias“ (Bastos & Zanelli. como também compreender aspectos das relações que são criadas dentro das organizações (Bastos & Zanelli. sob crescente pressão dos sindicatos para garantir os direitos dos trabalhadores.) que ficaram conhecidas como os estudos de Hawthorne (um bairro da cidade de Chicago) marcaram as décadas de 1920 e 1930 e revelaram a importância de considerar os fatores sociais implicados em uma situação de trabalho. relações interpessoais. 468). p.br III O PSICÓLOGO NAS ORGANIZAÇÕES..www. pois para se ter a compreensão integrada do ser humano é preciso a compreensão de sua inserção no mesmo. luminosidade. A Psicologia tradicionalmente ocupou-se em compreender e intervir sobre fenômenos e processos relativos ao mundo do trabalho.com. estudos se tempo e movimento. As ciências do comportamento (. fadiga e monotonia. O surgi mento da Psicologia Organizacional e do trabalho dá-se num cenário de industrialização dos países dominantes no final do século XIX. as atividades ampliaram-se para os incentivos não financeiros como liderança e supervisão. 2004. Neste período o desempenho no trabalho e a eficiência organizacional eram as preocupações que orientavam as atividades do psicólogo organizacional (Bastos & Zanelli. atribuições e competência técnica do psicólogo nas organizações. Papel profissional.. ventilação. 1.educapsico.

Assim como as transformações nas formas de produção são constantes no mundo de hoje. com o crescente estudo do comportamento humano no mundo do trabalho. Posteriormente. condições de trabalho e higiene. É importante salientar que como em outras áreas da psicologia. ampliando as proposta de intervenção. A ética do psicólogo nas organizações. 2004): . globalização. as organizações passam a exigir novas competências e formas de trabalho. o campo da psicologia aplicada ao trabalho já estava consolidado. A partir daí. a Psicologia há que acompanhar tais mudanças.do plano das técnicas a atuação evolui para o plano das táticas e estratégias. com o aumento da competitividade.educapsico. e posteriormente para o plano das políticas para as ações organizacionais. Podemos enfatizar aqui algumas áreas como: qualificação.amplia-se o reconhecimento de que a pesquisa é uma prática indispensável para fundamentar as intervenções organizacionais. novas práticas do psicólogo organizacional são incorporadas. 2.www. mudanças organizacionais. . desenvolvimento de novas tecnologias. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 319 . “(Bastos & Zanelli. surgem os primeiros investimentos e preocupações com os métodos de gestão mais apropriados às condições e características da realidade brasileira “(Bastos & Zanelli. conseqüentemente. Karina de O. 2004). E quando a profissão foi reconhecida legalmente. Na década de 1990. etc. a Psicologia Organizacional não se finda apenas nas práticas descritas aqui. na década de 1960. Podem-se destacar aqui alguns pontos como (Bastos & Zanelli. etc. 2004). sua área de atuação é ampliada dia a dia. relações de trabalho.do foco no indivíduo há um movi mento consistente para entender e intervir sobre questões organizacionais mais amplas (Gestão de RH integrada e estratégica). Durante o governo de Getúlio Vargas há uma reconfiguração do cenário nacional no que tange as relações de trabalho. A partir disso. . frente aos novos problemas surgidos no mudo do trabalho.br A Psicologia Organizacional aparece no cenário brasileiro na primeira metade do século XX. a atuação do psicólogo organizacional amplia-se ainda mais. na busca de respostas para os possíveis problemas que emergem das novas contingências. a medida em que.com.

então Secretário de Orientação e Ética. do Decreto no 79. sob a presidência do psicólogo Odair Furtado e sob a coordenação do psicólogo Aluízio Lopes de Brito. Ao Grupo. os resultados foram submetidos à aprovação da Assembléia de Políticas Administrativas e Financeiras do Sistema Conselhos de Psicologia. nossos agradecimentos e elogios pelo trabalho de tradução fiel aos debates e preocupações expressas no Fórum. quando foi finalizado o texto que ora se apresenta. Karina de O. CONSIDERANDO o disposto no Art.educapsico. no uso de suas atribuições legais e regimentais. APAF. portanto. contribuíram para os avanços obtidos e expressos neste novo texto. Para isto segue abaixo o Código de Ética da Profissão Psicólogo. direta ou indiretamente. Respeitar as indicações éticas da profissão é o pri meiro ponto ao qual devemos estar atentos. Código de ética profissional do psicólogo “Aos Psicólogos O XIII Plenário do Conselho Federal de Psicologia entrega aos psicólogos e à sociedade o novo Código de Ética Profissional do Psicólogo. Brasília. agosto de 2005 XIII Plenário do Conselho Federal de Psicologia Aprova o Código de Ética Profissional do Psicólogo. e o Art. Ao XII Plenário coube também a formação do Grupo de Profissionais e Professores convidados. O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. letra "e".822 de 17/6/1977.com. 6º. sujeito ao Código de Ética profissional do Psicólogo.br Primeiramente devemos entender o profissional organizacional como sendo Psicólogo e estando. 6º. conhecida como Constituição cidadã. que lhe são conferidas pela Lei no 5.www.766. que consolida o Estado Democrático de Direito e legislações dela decorrentes. Em nossa Gestão. inciso VII. O trabalho de construção democrática deste Código esteve sob responsabilidade do XII Plenário. da Lei no 5. CONSIDERANDO o disposto na Constituição Federal de 1988. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 320 . Deixamos aqui registrado nosso reconhecimento aos colegas do XII Plenário e a todos que. de 20 de dezembro de 1971.766 de 20/12/1971. responsável por traduzir os debates nacionais do II Fórum Nacional de Ética.

e. ao estabelecer padrões esperados quanto às práticas referendadas pela respectiva categoria profissional e pela sociedade. em especial a Resolução CFP n º 002/87. As sociedades mudam. a de assegurar. um padrão de conduta que fortaleça o reconhecimento social daquela categoria. Art. que refletem a realidade do país. 3º . ANA MERCÊS BAHIA BOCK Conselheiro Presidente Apresentação Toda profissão define-se a partir de um corpo de práticas que busca atender demandas sociais.A presente Resolução entrará em vigor no dia 27 de agosto de 2005. por ações e suas conseqüências no exercício profissional. e de valores que estruturam uma profissão.www. sócio-culturais. um código de ética não pode ser visto como um conjunto fixo de normas e imutável no tempo.br CONSIDERANDO decisão deste Plenário em reunião realizada no dia 21 de julho de 2005. RESOLVE: Art. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 321 . tais como os constantes na Declaração Universal dos Direitos Humanos. sim. pessoal e coletivamente.educapsico. Art. Um Código de Ética profissional. Traduzem-se em princípios e normas que devem se pautar pelo respeito ao sujeito humano e seus direitos fundamentais. 1º . as profissões transformam-se e isso exige.com. Por constituir a expressão de valores universais. Códigos de Ética expressam sempre uma concepção de homem e de sociedade que determina a direção das relações entre os indivíduos. norteado por elevados padrões técnicos e pela existência de normas éticas que garantam a adequada relação de cada profissional com seus pares e com a sociedade como um todo. Karina de O. 2º . também.Aprovar o Código de Ética Profissional do Psicólogo. 21 de julho de 2005. procura fomentar a auto-reflexão exigida de cada indivíduo acerca da sua práxis. Brasília. dentro de valores relevantes para a sociedade e para as práticas desenvolvidas. uma reflexão contínua sobre o próprio código de ética que nos orienta. de modo a responsabilizálo.Revogam-se as disposições em contrário. A missão primordial de um código de ética profissional não é de normatizar a natureza técnica do trabalho.

com a participação direta dos psicólogos e aberto à sociedade. c.com. Ao aprovar e divulgar o Código de Ética Profissional do Psicólogo. pois esses eixos atravessam todas as práticas e estas demandam uma contínua reflexão sobre o contexto social e institucional. Para tanto.www. pelo psicólogo. uma vez que os principais dilemas éticos não se restringem a práticas específicas e surgem em quaisquer contextos de atuação. Este Código de Ética dos Psicólogos é reflexo da necessidade. Este Código de Ética pautou-se pelo princípio geral de aproximar-se mais de um instrumento de reflexão do que de um conjunto de normas a serem seguidas pelo psicólogo. dos limites e interseções relativos aos direitos individuais e coletivos. na sua construção buscou-se: a. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 322 . b. as entidades profissionais e a ciência. em todo o país. marcadamente a partir da promulgação da denominada Constituição Cidadã.br A formulação deste Código de Ética. Abrir espaço para a discussão. oferecer diretrizes para a sua formação e balizar os julgamentos das suas ações. o presente Código foi construído a partir de múltiplos espaços de discussão sobre a ética da profissão. d. os colegas de profissão e os usuários ou beneficiários dos seus serviços. de atender à evolução do contexto institucional legal do país. a profissão. questão crucial para as relações que estabelece com a sociedade. Estimular reflexões que considerem a profissão como um todo e não em suas práticas particulares. ao momento do país e ao estágio de desenvolvimento da Psicologia enquanto campo científico e profissional. em 1988.educapsico. sentida pela categoria e suas entidades representativas. responde ao contexto organizativo dos psicólogos. Contemplar a diversidade que configura o exercício da profissão e a crescente inserção do psicólogo em contextos institucionais e em equipes multiprofissionais. contribuindo para o fortalecimento e ampliação do significado social da profissão. Valorizar os princípios fundamentais como grandes eixos que devem orientar a relação do psicólogo com a sociedade. a expectativa é de que ele seja um instrumento capaz de delinear para a sociedade as responsabilidades e deveres do psicólogo. suas responsabilidades e compromissos com a promoção da cidadania. O processo ocorreu ao longo de três anos. e das legislações dela decorrentes. Karina de O. o terceiro da profissão de psicólogo no Brasil. Consoante com a conjuntura democrática vigente.

VII. Karina de O. da dignidade.br Princípios Fundamentais I. Das Responsabilidades do Psicólogo Art. na ética e na legislação profissional. ao conhecimento da ciência psicológica. c. II. da igualdade e da integridade do ser humano. aos serviços e aos padrões éticos da profissão.São deveres fundamentais dos psicólogos: a. contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia como campo científico de conhecimento e de prática. Conhecer. em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços. Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal. exploração. apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos. analisando crítica e historicamente a realidade política. divulgar. O psicólogo atuará com responsabilidade. crueldade e opressão. V. conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica. social e cultural. teórica e tecnicamente. b. econômica. O psicólogo atuará com responsabilidade social. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que atua e os impactos dessas relações sobre as suas atividades profissionais.educapsico. utilizando princípios. violência. cumprir e fazer cumprir este Código. O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja efetuado com dignidade. III. por meio do contínuo aprimoramento profissional. discriminação. O psicólogo contribuirá para promover a universalização do acesso da população às informações. VI. Prestar serviços psicológicos de qualidade. IV. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 323 . rejeitando situações em que a Psicologia esteja sendo aviltada. 1º .www. posicionando-se de forma crítica e em consonância com os demais princípios deste Código.com. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade.

quando do exercício de suas funções profissionais. a quem de direito. Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados. Induzir a convicções políticas. consideração e solidariedade. f. transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário. guarda e forma de divulgação do material privativo do psicólogo sejam feitas conforme os princípios deste Código. quando solicitado. l. Praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem negligência. por motivos justificáveis. não puderem ser continuados pelo profissional que os assumiu inicialmente. empréstimo. informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional. transgressões a princípios e diretrizes deste Código ou da legislação profissional. salvo impedimento por motivo relevante. violência.br d. e. fornecendo ao seu substituto as informações necessárias à continuidade do trabalho.www. sem visar benefício pessoal. Ter.com. Estabelecer acordos de prestação de serviços que respeitem os direitos do usuário ou beneficiário de serviços de Psicologia. Karina de O.educapsico. k.Ao psicólogo é vedado: a. sempre que. para com o trabalho dos psicólogos e de outros profissionais. i. doação. de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito. Sugerir serviços de outros psicólogos. 2º . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 324 . filosóficas. j. colaborar com estes. morais. Levar ao conhecimento das instâncias competentes o exercício ilegal ou irregular da profissão. g. a quem de direito. os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho. e fornecer. religiosas. h. crueldade ou opressão. aquisição. sempre que solicitado. Informar. a partir da prestação de serviços psicológicos. Prestar serviços profissionais em situações de calamidade pública ou de emergência. respeito. Zelar para que a comercialização. na prestação de serviços psicológicos. Fornecer. e. Art. exploração. discriminação. b. ideológicas. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos.

que tenha vínculo com o atendido. g. j. doações ou vantagens outras de qualquer espécie. Prolongar. visando benefício próprio.br c. tortura ou qualquer forma de violência. decorrentes de informações privilegiadas. Utilizar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização de práticas psicológicas como instrumentos de castigo. Karina de O. n.com. m. Acumpliciar-se com pessoas ou organizações que exerçam ou favoreçam o exercício ilegal da profissão de psicólogo ou de qualquer outra atividade profissional. Pleitear ou receber comissões. Ser conivente com erros. Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos e técnicas psicológicas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 325 . Prestar serviços profissionais a organizações concorrentes de modo que possam resultar em prejuízo para as partes envolvidas. i. adulterar seus resultados ou fazer declarações falsas. Ser perito. o. Prestar serviços ou vincular o título de psicólogo a serviços de atendimento psicológico cujos procedimentos. f. e. k. faltas éticas. Desviar para serviço particular ou de outra instituição. violação de direitos. crimes ou contravenções penais praticados por psicólogos na prestação de serviços profissionais. Induzir qualquer pessoa ou organização a recorrer a seus serviços. técnicas e meios não estejam regulamentados ou reconhecidos pela profissão. empréstimos. pessoas ou organizações atendidas por instituição com a qual mantenha qualquer tipo de vínculo profissional. d. familiar ou terceiro.www. relação que possa interferir negativamente nos objetivos do serviço prestado. a prestação de serviços profissionais. desnecessariamente. além dos honorários contratados. avaliador ou parecerista em situações nas quais seus vínculos pessoais ou profissionais. possam afetar a qualidade do trabalho a ser realizado ou a fidelidade aos resultados da avaliação. assim como intermediar transações financeiras. atuais ou anteriores. Emitir documentos sem fundamentação e qualidade técnico-científica.educapsico. l. Estabelecer com a pessoa atendida. h.

4º . de preservar o sigilo. associar-se ou permanecer em uma organização.Ao fixar a remuneração pelo seu trabalho. Art. o psicólogo: a. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 326 . apresentar denúncia ao órgão competente. b. as normas e as práticas nela vigentes e sua compatibilidade com os princípios e regras deste Código. Levará em conta a justa retribuição aos serviços prestados e as condições do usuário ou beneficiário.br p. Realizar diagnósticos. nas seguintes situações: a. 3º . Parágrafo único: Existindo incompatibilidade.O psicólogo. As atividades de emergência não sejam interrompidas. Art. pagar remuneração ou porcentagem por encaminhamento de serviços. Karina de O.O psicólogo poderá intervir na prestação de serviços psicológicos que estejam sendo efetuados por outro profissional. 6º . de quem as receber. Art. as políticas. garantirá que: a. Estipulará o valor de acordo com as características da atividade e o comunicará ao usuário ou beneficiário antes do início do trabalho a ser realizado. Compartilhará somente informações relevantes para qualificar o serviço prestado. c. Receber. divulgar procedimentos ou apresentar resultados de serviços psicológicos em meios de comunicação. b. se pertinente. no relacionamento com profissionais não psicólogos: a. Haja prévia comunicação da paralisação aos usuários ou beneficiários dos serviços atingidos pela mesma. resguardando o caráter confidencial das comunicações. 7º . b.O psicólogo. assinalando a responsabilidade.com. de forma a expor pessoas. quando participar de greves ou paralisações.educapsico. Assegurará a qualidade dos serviços oferecidos independentemente do valor acordado. a filosofia. A pedido do profissional responsável pelo serviço. q. cabe ao psicólogo recusar-se a prestar serviços e.www. grupos ou organizações. 5º . considerará a missão. Art. Encaminhará a profissionais ou entidades habilitados e qualificados demandas que extrapolem seu campo de atuação.O psicólogo. Art. para ingressar.

o psicólogo deverá restringir-se a prestar as informações estritamente necessárias. grupos ou organizações. baseando sua decisão na busca do menor prejuízo. a intimidade das pessoas.educapsico. 11 . deve ser comunicado aos responsáveis o estritamente essencial para se promoverem medidas em seu benefício. Art. 9º e as afirmações dos princípios fundamentais deste Código. 2. §2° .br b. Art. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 327 .No caso de não se apresentar um responsáve l legal.Para realizar atendimento não eventual de criança. considerando o previsto neste Código.Nos documentos que embasam as atividades em equipe multiprofissional.com.No atendimento à criança.Quando requisitado a depor em juízo. Art. Parágrafo Único .O psicólogo responsabilizar-se-á pelos enc aminhamentos que se fizerem necessários para garantir a proteção integral do atendido. da interrupção voluntária e definitiva do serviço. 13 . adolescente ou interdito. Art. o psicólogo poderá prestar informações. Quando informado expressamente. a que tenha acesso no exercício profissional. 8º . Art. por meio da confidencialidade. 9º . Quando se tratar de trabalho multiprofissional e a intervenção fizer parte da metodologia adotada. 10 . o psicólogo poderá decidir pela quebra de sigilo. observadas as determinações da legislação vigente. o atendimento deverá ser efetuado e comunicado às autoridades competentes. o psicólogo registrará apenas as informações necessárias para o cumprimento dos objetivos do trabalho.Nas situações em que se configure conflito entre as exigências decorrentes do disposto no Art.www. 12 . ao adolescente ou ao interdito. Karina de O.É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger. quando dará imediata ciência ao profissional. o psicólogo deverá obter autorização de ao menos um de seus responsáveis.Em caso de quebra do sigilo previsto no caput deste artigo. c. d. §1° . 1. por qualquer uma das partes. excetuando-se os casos previstos em lei. Em caso de emergência ou risco ao beneficiário ou usuário do serviço. Art.

18 .O psicólogo. orientar e exigir dos estudantes a observância dos princípios e normas contidas neste Código. salvo interesse manifesto destes. b. 1. como pela divulgação dos resultados.educapsico.Em caso de demissão ou exoneração. Art. Garantirá o caráter voluntário da participação dos envolvidos. Garantirá o acesso das pessoas. organizações e comunidades envolvidas. Art. pesquisas e atividades voltadas para a produção de conhecimento e desenvolvimento de tecnologias: a. Art. 14 . Art. 2.Caberá aos psicólogos docentes ou supervisores esclarecer. informar.www.Em caso de interrupção do trabalho do psicólogo. grupos. da base científica e do papel social da profissão. após seu encerramento. zelará para que as informações prestadas disseminem o conhecimento a respeito das atribuições. Art.A utilização de quaisquer meios de registro e observação da prática psicológica obedecerá às normas deste Código e a legislação profissional vigente. tanto pelos procedimentos. grupos ou organizações aos resultados das pesquisas ou estudos. ser informado. sempre que assim o desejarem.br Art. ou lacrá-lo para posterior utilização pelo psicólogo substituto. devendo o usuário ou beneficiário. 16 . por quaisquer motivos. ele deverá zelar pelo destino dos seus arquivos confidenciais. d. Karina de O. § 1° .com. com o objetivo de proteger as pessoas. ensinará. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 328 . 19 . desde o início. o psicólogo responsável informará ao Conselho Regional de Psicologia. § 2° . ao participar de atividade em veículos de comunicação. c. 15 .O psicólogo.O psicólogo não divulgará. na realização de estudos. o psic ólogo deverá repassar todo o material ao psicólogo que vier a substituí-lo. mediante consentimento livre e esclarecido. cederá. grupos ou organizações. Garantirá o anonimato das pessoas. salvo nas situações previstas em legislação específica e respeitando os princípios deste Código.Em caso de extinção do serviço de Psicolo gia. emprestará ou venderá a leigos instrumentos e técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o exercício ilegal da profissão. que providenciará a destinação dos arquivos confidenciais. Avaliará os riscos envolvidos. 17 .

por iniciativa própria ou da categoria. b. Advertência. Das Disposições Gerais Art. Karina de O. ouvidos os Conselhos Regionais de Psicologia. Censura pública. Fará referência apenas a títulos ou qualificações profissionais que possua. Divulgará somente qualificações. g. o CRP e seu número de registro. 23 . Não utilizará o preço do serviço como forma de propaganda. Multa. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. e. c. 25 .Competirá ao Conselho Federal de Psicologia firmar jurisprudência quanto aos casos omissos e fazê-la incorporar a este Código.com. b. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 329 . por quaisquer meios. por até 30 (trinta) dias.www. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. Não fará auto-promoção em detrimento de outros profissionais.As transgressões dos preceitos deste Código constituem infração disciplinar com a aplicação das seguintes penalidades.As dúvidas na observância deste Código e os casos omissos serão resolvidos pelos Conselhos Regionais de Psicologia. d. Não proporá atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias profissionais.br Art.Este Código entra em vigor em 27 de agosto de 2005. Art. 20 . 22 . Suspensão do exercício profissional. Art. Não fará divulgação sensacionalista das atividades profissionais. ao promover publicamente seus serviços.educapsico. na forma dos dispositivos legais ou regimentais: a. atividades e recursos relativos a técnicas e práticas que estejam reconhecidas ou regulamentadas pela profissão. cassação do exercício profissional. Não fará previsão taxativa de resultados. e. d.O psicólogo. c. 24 . Art.O presente Código poderá ser alterado pelo Conselho Federal de Psicologia. 21 . ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. f. Art. Informará o seu nome completo. h. individual ou coletivamente: a.

BASTOS. (cap15. Brandão.br Referências Bibliográficas: AGUIAR. Yara Kuperstein Ingeberman. JERÔNIMO.. ESCRIVÃO FILHO. Fernanda Silva Brandão. SANTOS. de Souza Conte.com. AUGUSTO. Zilah da S.org. C. abr.. 2005 . Paulo Rogério. B. Trad.abepro. José Saraiva. Nancy Julieta. (2005) O terapeuta na psicoterapia de grupo.pdf >. Beatriz Affonso Neves. Vera Lúcia Menezes da Silva. In: M. V. Porto Alegre: Artmed. n. BARROS. Disponível em <http://www.br/scielo. H. Artes Médicas. (2004) Inserção profissional do psicólogo em organizações e no trabalho in ZANELLI. A. (DSM-IV). Rev. Makilim Nunes. 1995. Latino-Am. BARROS. 6-15. ARZENO. p. Edição especial. Porto Alegre. Viver Mente e Cérebro. 13. E.pt/RompimentoV%C3%ADnculosAfectivos. M. 2006. INOCENTE. Santo André SP: ESETec editores Associados. Manoel Antônio dos. E. 2008. organizações e trabalho no Brasil. (S/D ) Desenvolvimento de habilidades em<http://www. & ZANELLI.. 2004. v. v. v. São Paulo. 14.www. BAPTISTA. V. BORGES-ANDRADE. & ROZENFELD. J. Porto Alegre: Artes Médicas.Teresa Gomes. A.scielo.Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais de liderança: mito ou realidade? Disponível . 77-82. C. Enfermagem. Depressão e Burnout: Principais relações. J. Efeitos sobre o comportamento <http://macedonia. p.educapsico. S.br/biblioteca/ENEGEP1998_ART103. F. Disponível em: In: American Psychiatric Association . Elizabeth Li ma da Rocha. B.pdf > acessado em outubro de 2009. Psicodiagnóstico Clínico: novas contribuições. J. Significado de Melanie Klein. BECHELLI.R. 1995. 4a edição. Psicologia. & BASTOS. E. J. 1ª ed. Fátima C. Luiz Paulo de C.3. A. p. Diagnóstico e Classificação dos Transtornos Mentais. G. Sobre Comportamento e Cognição.466-491). Elias Mallet da Rocha.php?script=sci_arttext&pid=S0104Página 330 Karina de O. AMARAL. Acesso em: 22 jul. Ribeirão Preto. 2.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação do rompimento dos vínculos afetivos. Simone Martin Oliani. (Org. similaridades e diferenças. MORAIS.).

Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. acessos em22 jul.br 11692005000200018&lng=pt&nrm=iso>. D. C. B.41. BOAINAIN JR. 1996. CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. CALIL. TEIXEIRA. 1995.br/Revista/revista6_2/editorial. em 20 ago. 2008.v. FGV.. BUCK. No 02. O Teste do Desenho como instrumento de diagnóstico da personalidade: validade.(1994) Liderança: administração do sentido.mx/src/inicio/ArtPdfRed.1. BORDIGNON.fen. Tomás de Aquino.1987. jan. CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA.psc. 50-63. L .encontroacp. 2001. São Paulo: Vetor.2.ufg. Resolução no 02/2003. (2003). Nelson Antonio.html>. Os desafios em gestão de pessoas. v. 2003. Manual de Orientações. técnica de aplicação e normas de interpretação. W.uaemex. n. BERGAMINI.jsp?iCve=69520210&iCveNum=5804 >. 2009. Revista Lasallista de Investigación. Revista RAE.htm. Resolução no 025/2001. Vol. Disponível em http://www. O. 8 ed. Acessado em 19 de novembro de 2008. Dissertação de Mestrado. Revista Eletrônica de Enfermagem. BOCK.06. S. CAMPOS.www. São Paulo. Instituto de psicologia. 2006. São Paulo: Editora Atlas./mar. Disponível em: <http://www. Goiânia. 2005. M. São Paulo: Saraiva. Universidade de São Paulo..br/teses. E. doi: 10. Vera Lúcia Lamanno. Acesso em 05 agosto de 2008. Petrópolis: Vozes. Colombia. 2006.1590/S010411692005000200018. H-T-P Manual e Guia de interpretação. BEZERRA. Transcentrando: Tornar-se transpessoal. N. 1998. A. GUIMARÃES. BRANDÃO.educapsico.com. M. 30ª ed. El desarrollo psicosocial de Erik Erikson: el diagrama epigenético del adulto. CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Terapia Familiar e de Casal. São Paulo: Summus. J. Karina de O. p. FURTADO. (2001). Hugo Pena. <http://redalyc. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 331 Disponível em: Acesso . M. Gestão de Competências e Gestão de Desempenho. Ana Lúcia Queiroz.

ufrj. In: CUNHA. 5ªed. Psicodiagnóstico – V. 2003. K. Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP). desenvolvimento dos modelos internos de funcionamento. 2007 CHIAVENATO. Sétima Edição. n. rev. CUNHA. Psicodiagnóstico V. Brasília. Porto Alegre: Artmed. 2000. L. ARGIMON. FREITAS. A. I. 2002. A. Recursos Humanos: Edição Compacta. J. I. 2000.V. A. Recursos Humanos: Edição Compacta. Psicodiagnóstico V. CUNHA. J. rev. (1993) Psicoterapias. 2008. São Paulo: Editora Atlas. Arquivos Brasileiros de Karina de O. São Paulo: Mestre Jou. abordagens Atuais. D. D. I. CORMAN. N. Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e Conselho Federal de Psicologia (CFP). 2005. B. 12-24. Porto Alegre: Artmed. A. CHIAVENATO. G. DELL’AGLIO. São Paulo: Editora Atlas. CUNHA.www. J. CFP/CFESS. N. revisada e ampliada. Parâmetros para a atuação de assistentes sociais e psicólogos (as) na política de assistência social. WERLANG. et al. Porto Alegre: Artmed. ampliada. ampliada. A. Porto alegre: Artes Medicas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 332 . Pri meira Edição. 5.com. A. Oitava Tiragem.ed. (b) Desenho da Família. et al. Manual de Elaboração de Documentos Decorrentes de Avaliações Psicológicas. a Sociedade e a Cultura emergente. 1994 CUNHA. X. 2000. Porto Alegre: Artmed. J. Vigési ma Oitava Edição. Psicodiagnóstico V.br CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA.br/abp/ > Acesso em 22 jul. O Ponto de Mutação: A Ciência. J. et al. Referências Técnicas para a atuação do (a) psicólogo (a) no CRAS/SUAS. 1988. 2005. In: CUNHA. (a) Desenho da casa. J. São Paulo: Editora Cultrix. CORDIOLI. 2000. A. CFP. et al. J. FREITAS. Teste da Fábulas : novas perspectivas. In: CUNHA. 1. p. 5ªed. A. Árvore e Pessoa .psicologia.educapsico. K. O teste do desenho de família. v. J. 2007. ampliada. Rev. Walter H. Disponível em: <http://www. Idalberto. CAPRA. 5ªed. Teoria do apego: bases conceituais e Psicologia. Brasília. L.. Fritjof. 57. Trad. Geenen. DALBEM.

FIGUEIREDO. Editora Atlas. J. 1980b.J. (S/D). jan – jun. ESB Vol VII. Estratégias Empresariais e Formação de Competências. M. Q. Porto Alegre: Artmed. Além do princípio de prazer. v. FREUD.asp?id=255&param=liv> disponível em http://www. Qualidade de vida no trabalho: conceitos e práticas nas empresas da sociedade pós-industrial. 4-5.2001. FERNANDES. ampliada. V.DFH http://www. 4. S. 1977. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 333 . In: Edição standard brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. FREUD. 2003. FIORINI. 1982. B. S.).asp?registro=49 acessado em Março de 2010.br/catalogoDetalhe. I. FREITAS. - Desenho da Figura Humana - Escala Sisto. Rio de Janeiro: Francisco Alves. M. São Paulo: Editora Atlas. rev. 1920. AFONSO. FIORI.mariainesfelippe. FERNANDES. Clara Regina (coord. 2000. FLEURY. Psicologia do desenvolvimento. In: RAPPAPORT.educapsico. 05/03/2009. Porto Alegre: Artmed. WISC. FLEURY. C. In: Edição standard brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. www. São Paulo: EPU. A. 1920. 01-119.III. Grupos e configurações vinculares.. F. ENTREVISTA POR COMPETÊNCIA Karina de O. 2003. H. 1996. Rio de Janeiro: Imago. et al.vetoreditora. pp. L. B. Além do princípio de prazer. SVARTMAN.R. In: Psicologia e Sociedade. FREUD. FELIPPE. (1995) Teoria e Técnicas Psicoterápicas. Desenvolvimento emocional. Psicodiagnóstico V. Um Caso de Histeria. FRANÇA.br Disponível em :< Acesso em com. M. MARIA TEREZA. W. S. LIMONGI A. Três Ensaios sobre a Sexualidade e outros trabalhos. W.br/artigos/artigos.com. Rio de Janeiro: Imago. S. 5ªed. In: CUNHA. 8(1): 63-82. Rio de Janeiro: Imago. Vol. J.com.. Contribuições da psicologia social e psicologia política ao desenvolvimento da psicologia comunitária.

A. 2002. XIV. Ed. [online].vilabol. Principais conceitos da abordagem sistêmica em cuidados de enfermagem ao Indivíduo e sua família.141-147. 2006. 36. 2.br/fundamentos. 1992.K.A. Testes psicológicos e técnicas projetivas: uma integração para um desenvolvimento da interação interpretativa indivíduopsicólogo. ___________. 6-15. Vol. 1940. (1915) Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas. no. Rio de Janeiro: Imago Editora. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 334 . M. Revista da Escola de Enfermagem da USP. In: CUNHA.html >. Porto Alegre: Artmed. 2000. 2000. Lendo Lacan. Disponível em: __________. 5ªed.20. Esboço de Psicanálise. Vol. A Interpretação de Sonhos. São Paulo. N. GALERA. de Melanie Klein. 5ªed. Rio de Janeiro: Imago. vol.br FREITAS. J. FORMIGA. GEVERTZ. 1969.. Desenho da Casa. Fragmento da Análise de um Caso de Histeria. vol. Disponível na World Wide Web: <http://pepsic. Psicodiagnóstico V. ___________. N. TAT – Teste de Apercepção Temática. Acesso em: 6 ago. XXII ou livro 28 e 29 da pequena coleção. conforme o modelo interpretativo de Murray. et al. Edição especial. 1899. J.2. Novas Conferências Introdutórias sobre Psicanálise. A.bvs- psi. LUIS. ISSN 1414-9893. 1933 __________. Árvore e Pessoa (HTP) In: CUNHA. N. 2008. v. O Inconsciente.com. F. ampliada. FUNDAMENTOS <http://psicanalisekleiniana. Suely. S. n. Karina de O.A. Porto Alegre: Artmed. (1905[1901]) In: GALLOP. Edição STANDARD. ___________. XVIII. jun.php?script=sci_arttext&pid=S141498932000000200004&lng=pt&nrm=iso>. rev. et al. p. 2000. ampliada. v.K.3.12-19. p. MELLO. A música da fala. A. Psicodiagnóstico V. XXIII ou livro 7 da pequena coleção. J. 1996. FREITAS.org.br/scielo. CUNHA. rev.com. J.. V. Viver Mente e Cérebro . p. S. Rio de Janeiro: Imago. vol.educapsico.uol. STANDARD. I. Psicologia ciência e profissão.www.. São Paulo. Edição Standard Brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud.

São Paulo: Cultrix. Santo André SP: ESETec Editores Associados. (2004) Psicoterapia Breve. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. In: M. 1979 JOEL DOR. D. Duarte. 1978. Makilim Nunes. NORTON. Disponível em: <http://www. A. Desenho da Figura Humana. KANIKADAN. A. J. (1984) Psicoterapia Breve: a técnica focal. LOTUFO NETO.br > Acesso em: 02/03/2009.br GRAMIGNA. (1993) Capítulo 20 in CORDIOLI.B. Psicodiagnóstico V. Yara Kuperstein Ingberman. LEONTIEV. Fátima C. Rio de Janeiro. (1993) Psicoterapias. . 2004. 2000. LURIA. MORAIS. Acesso em 04/10/2010. rev. de Souza Conte.pdf>. Informações Gerais Sobre a Montagem de Bancos de Talentos nas Organizações. F. BAPTISTA. In: CUNHA. LEMGRUBER.). Lisboa: Ed Horizonte. 2005 HEGENBERG. 1997. A. Curso de psicologia Geral.com. Sobre Comportamento e Cognição. BANDEIRA. A. KAPLAN. J. p. Paulo Rogério. R. S. ampliada.ead. INOCENTE. C. Porto Alegre: Artmed.A estratégia em ação – Balanced ScoreCard . 1978 Karina de O. R. 6 ed. Porto alegre: Artes Medicas. Andréa Yumi Sugishita. Disponível em:< www.V. São Paulo: Casa do Psicólogo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 335 . Nancy Julieta. 14. Trad. (Org.usp. O homem e a cultura in O desenvolvimento do psiquismo.casadopsicologo. 1. Fernanda Silva Brandão. Zilah da Silva Brandão. Burnout: Conceito e prevenção. História da Psicologia Moderna. v. Campus. Porto alegre: Artes Medicas. v. Instrumentos de Avaliação Psicológica. M. Simone Martin Oliani. abordagens Atuais. 1ª ed. Estruturas e clínica psicanalítica. et al. D. V.. HUTZ.br/wpapers/2004/04-005. R.1 ed. Taurus Editora.educapsico. Vera Lúcia menezes da Silva. Acessado em 25 de novembro de 2008. Manuel D. 87-90.www. GOODWIN. C. 5ªed.fea.com. Ergonomia em Serviços. M. R.

C. LAURENTI. S.6 São Karina de O. T. Técnicas projetivas do diagnóstico psicológico (p. 1998. Sistemas e teorias em psicologia. Estudos de Psicologia.br JUNG.25 no.br/scielo. cem anos da Classificação Paulo Dec. São Paulo: Editora Cultrix.G. C. Álvaro Roberto Crespo. Livro II: O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise 1954-1955(Le Séminaire de Jacques Lacan. J. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. Petrópolis. São Paulo. Petrópolis. Nova Fronteira.com. 1981. M. Zahar. 2 ed. Anderson (Orgs.G.1 Porto Alegre 2001.14 No. Memórias. Vol.www. I. Vozes. O Desenvolvimento da Personalidade. O papel do Psicólogo. 1. São Paulo: Brasiliense. Prática da Psicoterapia. 1981. SP: Mestre Jou. Trabalho de Grupo com Portadores de Ler/Dort: Relato de Experiência. Escritos.C. HOEFEL. Rio de Janeiro.scielo. Vozes. Vozes. Maria da Graça Luderitz. n. H. LANE. JUNG. Acessado em 18 de agosto de 2008. Anderson & G. Livre II: Le moi dans la théorie de Freud et dans la technique de la psychanalyse (1954-1955)). v. JACQUES. Ed. In: H.C. O que é Psicologia Social. 1987 LACAN. 345-370).p. Petrópolis. JUNG. 1976. O traçado da Figura Humana: um método para o estudo da personalidade. 1981. In: Coleção Primeiros Passos.G.php?lng=en>. Análise da informação em saúde: 1893-1993. A Energia Psíquica. 7-27.JUNG. Internacional de Doenças.). Psicologia: Reflexão e Crítica. M. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 336 . Maria da Graça Corrêa. 1984.G. Saúde Pública vol. São Paulo. Sonhos e Reflexões . K.educapsico. Jaques O Seminário de Jacques Lacan. H & HILLIX. 2002. 1996 MARX. L. MERLO. R. Disponível em: <http://www. W. Psicologia: Reflexão e Crítica. LACAN. 2. A. 1967 MARTÍN-BARÓ. Rev. 1991 MACHOVER.

1995. E. M. A. F. WAIS – III. RABAGLIO.A..F. In: Anais da 2a Conferência Nacional de Saúde Mental..8. Brasil. Crit. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. B. A. RAVEN. 2000. O que é o Balanced Scorecard.P. SANTOS. Psicodiagnóstico V. Maria Odete. NASCIMENTO. (1993) Capítulo 21 in CORDIOLI.: E. 2001.educapsico. S. . LOPES. Porto Alegre: Artes Médicas. NUNES. J.. PSIC – Revista de Psicologia da Vetor Editora (São Paulo). A. abordagens Atuais. NASIO. 2005. et al. J. Organização Mundial de Saúde.br MINISTÉRIO DA SAÚDE (BR).. São Paulo. Groddeck.P. 5ªed.P. Relatório final. 1992 Dez 1-4. RAKNES. Lacan. In: Introdução às obras de Freud. COORDENAÇÃO DE SAÚDE MENTAL. 1994. F. 1997. Karina de O. B. F. Porto Alegre: Artmed. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 337 . A. Porto alegre: Artes Medicas. Segunda Edição. Winnicott. I.L.A. C. SEDRANI L. Introdução à obra de Winnicott. 1993.com. 1988. Brasília (DF): O Ministério. A.. Psicol. R. Classificação de transtornos mentais e de comportamento: CID-10. (1993) Psicoterapias. Seleção por Competências. – “Wilhelm Reich e a orgonomia”. D e E. São Paulo: Casa do Psicólogo.F. Curso de Psicopatologia.M.www. 20.C.U. ampliada.P.2. SISTO. São Paulo: Summus. Ferenczi. Brasília.. 1993. Rio de Janeiro: CEPA. rev. PECHANSKY. C. M. Reflex. 41-49. NORONHA. Porto Alegre. Evidências de validade do bender: sistema de pontuação gradual (B-SPG). LIMA R. (2002) Burnout: Quando o trabalho ameaça o bem-estar do trabalhador. PEREIRA. Klein.V.B. MOREIRA F.. p. Diferentes sistemas de aplicação e interpretação do Teste gestáltico Visomotor de Bender. 2007. PAIM. O.G.T. Testes das Matrizes Progressivas Escala Geral – séries A. J-D. 2007. FERREIRA. 11ª edição. São Paulo: Educator. v. In: CUNHA. Dolto. v. n.

Pio da Rocha.educapsico. São Paulo: EPU. _________ – “ The bion experiments” New York: Farrar. (1933) 2001.A. A. São Paulo: Martins Fontes. S. In: Temas Básicos de Psicologia. 1973. Rio de Janeiro: Instituto NOOS. Rodrigues e J.L. São Paulo: Global . Rosana. W. Maria Teresa Correia. ROBBINS. P. (pp. M.com. São Paulo: Pearson Prentice Hall. Cláudio de Souza. NY. & MONTERO. Porto Alegre. 2007. S. 1984. São Paulo: Pearson Prentice Hall. Rio de Janeiro: CEPA. In: MOLL. GONÇALVES. __________ – “ The discovery of the orgon: the cancer biopathy”. Sandra Regina da. A. Karina de O.www. A. Stephen P. 1994. Reimpressão.C. São Paulo: Brasiliense. P. ROSA. RODRIGUES. Sílvio Luiz. 2002.57-83). Strauss and Giroux. New York: Orgone Straus & Giroux. O contexto histórico do trabalho de Vygotsky: uma abordagem sócio-histórica. JOHANN. 1996. 2005.. Terapia Sistêmica da Família: da instrução à construção.. MAGALHAES.br RAPIZO. Escala Colúmbia de Maturidade Intelectual / adaptação de A. ROCHA-PINTO. COUTINHO. (1927). – “A função do orgasmo”. Teorias da Personalidade em Freud. Vygotsky e a educação: implicações pedagógicas da psicologia sócio-histórica. Segunda Edição. W. Reich e Jung. São Paulo: Pearson Prentice Hall. _________ – “Análise do caráter ”. Dimensões Funcionais da Gestão de Pessoas. Rio de Janeiro: Editora FGV. (1942) 1983 _________ – “A psicopatologia e sociologia da vida sexual”. ROBBINS. (2006) Comportamento organizacional. PEREIRA. (1938) 1973. (2006) Comportamento organizacional.M.L. RS: Artes Médicas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 338 . Comportamento Organizacional. L. Org: Clara Regina Rappaport. REICH. ROBBINS. Déci ma Primeira Edição. I. REIS.

Acesso em 18/02/2009. SILVA. Rio de Janeiro. JOHANN. Utilizações da WISC-III na avaliação neuropsicológica de crianças e adolescentes. E. Sandra Regina da. Acesso em: 21 jul. Sílvio Luiz.C. 9 ed.A. PEREIRA.. São Paulo: Editora Cultrix. Fatores que definem o clima organizacional entre os servidores técnico-administrativo do CEFET Bambuí. M. 1971. 1998. M. Dimensões Funcionais da Gestão de Pessoas. Reimpressão.educapsico.Vida e Obra. A cura da mente-a história da psiquiatria da antiguidade até o presente. Rio de Janeiro: Ed. Sydney Ellen. 2008. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade São Francisco. SCHULTZ. R. Doenças sexualmente transmissíveis na adolescência: estudo de fatores de risco.M.com. Paidéia. (2002). F. Teorias da Personalidade. V. M. 2007. 2002.R.usp.br/paideia/artigos/23/08. 7ª ed. Maria Teresa Correia. R. Disponível em: < http://sites.S. A Consulta de enfermagem no contexto da comunicação interpessoal: A percepção do cliente. S. Rio de Janeiro: Editora FGV.. SANTOS. 2008. D. SIQUEIRA.A. & PLON.algosobre. G. S.J. Zahar.html>. M. W. CAMPOS DE PAULA. M.ffclrp. Os Testes Psicológicos e as suas Práticas. 2005. In. História da Psicologia Moderna. P & SCHULTZ. DFH – Escala Sisto e Matrizes Progressivas Coloridas de Raven: estudos de validade. Itatiba. STONE. DORNELAS.G. Jung .com. E. H.. Jan. SHULTZ. SIMÕES. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 339 . Disponível em <http://www.M. Porto Alegre: Artmed. COUTINHO. (1998) Dicionário de Psicanálise. 12.br ROCHA-PINTO. 2004. VILHENA.br/psicologia/os-testes-psicologicos-e-as-suas-praticas. Bambuí/ M.doc >. I Jornada Científica e VI FIPA do CEFET Bambuí. SILVA.www. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. 1998. Cláudio de Souza. Paz e Terra. 113-132. ROUDINESCO. RUEDA. 1999. Duane P. M. TAQUETE. SILVA. N. SHULTZ. Maria da Graça da.

SP: EPU. 3(1). E. 2008..br/site/psiconsult/cursos/2003_1/visaogeral_testepsicologicos.com. YOSHIDA.org. ampliada. Investigação clínica da personalidade: o desenho livre como estímulo da apercepção temática. L. Avaliação psicológica de crianças vítimas de violência doméstica por meio do teste das fábulas de Düss. S. & LIMA. São Paulo.educapsico. O procedimento de desenhos-estórias: características e fundamentação.S. rev. TRINCA. Acesso em: 6 dez. TRINCA. TÉCNICAS http://www. ZIMERMAN. In: PSIC Revista de Psicologia. 2005. Desenvolvimentos do Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E). L. C. D. Vocabulário Contemporâneo de Psicanálise. C. W. Porto Alegre: Artmed. D. http://www. S. Fundamentos Psicanalíticos. In: CORDIOLI. Psicodiagnóstico V. Porto Alegre: Artmed. E.br TARDIVO./Jun. VYGOTSKY.M. Jan. v. 59-66.www. Teoria.br/faq.) Psicoterapias abordagens atuais. Vetor Editora. (1998) Psicoterapias de grupo.pdf Acesso em: 25 jul. 6. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 2001. P. 1989. 2000. D. A. São Paulo (Brasil): Martins Fontes. Disponível em < >. L. 5ªed. Pinto. D. In: Revista Brasileira de Pesquisa em Psicologia. (org. 3ª ed.pol. 1999.br Karina de O. W. Porto Alegre: Artmed.com. 2002. terapêuticas desenvolvidas por Reich. nº 1. Santos. In: CUNHA. Disponível em: TRINCA. L. W.estacio. 5. TARDIVO. 1996. WISC-III: Escala de Inteligência Wechsler para Crianças: Manual. WECHSLER. L. B. São Paulo: Casa do Psicólogo. A. Porto Alegre: Artmed. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 340 . E. M. A. (1990) Psicoterapias Psicodinâmicas Breves e Critérios Psicodiagnósticos.V. J. R. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda.htm . ZIMERMAN.ed.2008. 1987. Sites consultados: www. p.org2. técnica e clínica.P. C. A. 78-84. et al. ZIMERMAN. J. Visão geral de testes psicológicos. E.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful