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Oração da manhã de Domingo

A opção de Cristo
(Viver o Baptismo)

Gesto: cada um coloca a sua cruz e acende a sua vela

Parábola:
Um poderoso sultão viajava pelo deserto, seguido por larga caravana, que transportava um
pesado carregamento de riqueza em ouro e objectos preciosos.
A meio do caminho, cercado pelo fogo dos areais, um camelo, extenuado, caiu para não
mais se levantar. A arca que levava no dorso rangeu e desconjuntou-se, deixando espalhadas nas
areias jóias e brilhantes.
O príncipe, não tendo com que recolher aquela riqueza toda, fez um gesto displicente e
generoso, convidando os pajens e criados a guardar o que cada um pudesse apanhar.
Enquanto eles se lançavam com avidez sobre a rica presa para procurar entre os grãos de
areia outros grãos que brilhavam um pouco mais, o príncipe continuou para a frente no seu
caminho pelo deserto.
De repente, escutou os passos de alguém que caminhava atrás de si. Voltou-se e viu que era
um dos seus pajens que o seguia ofegante e todo suado.
- E perguntou-lhe – não ficaste a apanhar nada?
O jovem respondeu com singeleza cheia de distinção:
- Eu sigo mo meu rei!

Leitura de Lc 4,1-13
A opção de Jesus Cristo: a cruz
“Perder” a vida por amor / e não “ganhar” a vida
Eu venho, Senhor, para fazer a Tua vontade
Eu não vim para ser servido, mas para servir e dar a minha vida por todos ...

Salmo 121 cantado: Levanto os meus olhos para os montes

Cântico: O Senhor é meu pastor...

Pai nosso ...

Oração:

As tuas escolhas, Senhor

És, de verdade, um Deus desconcertante.


Os teus gostos, as tuas escolhas e preferências
desconcertam, fazem-nos rever tanta atitude nossa,
tanto critério e desejo interior...

Escolhes pobreza, humildade,


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despojamento total, aniquilamento.
Fazes-te fraqueza, ignorância,
aceitas até ser tido por insensato e maldito.

Quase que me atrevo a dizer-te


que tens mau gosto, Senhor...
Se nos tivesses consultado
não te deixaríamos escolher tal modo de vida.
Dar-te-íamos bons conselhos, à nossa maneira.
Somos demasiado sensatos, demasiado prudentes...
Somos calculistas, falta-nos o risco do amor.

Que as tuas escolhas nos interpelem, nos questionem,


nos movam a gostar do que tu gostas.
Senhor, dá-nos o teu bom gosto.
Que as tuas escolhas sejam as nossas, Senhor.

Ungidos e enviados
O Espírito do Senhor está sobre mim ...

Ungiu-me e enviou-me ...


Comparar a unção e o envio de Cristo com o Pentecostes dos apóstolos e o nosso (Crisma)
É o Crisma de Jesus, a unção com a plenitude do Espírito Santo (o amor de Deus)
É só com o poder do Espírito que Jesus é o Cristo, o Enviado do Pai para salvar a
humanidade.
É o Espírito Santo que o faz sentir-se Filho bem amado do Pai: Tu és o meu Filho muito
amado ...
Nós também fomos ungidos com o óleo do Espírito no Baptismo e no Crisma. Que fizemos
dessa unção? Onde está o Espírito em nós, nas nossas opções de vida, nas nossas atitudes? Sentimo-
nos verdadeiramente Filhos amados de Deus?

Ungiu-me ...
Ser ungido é ser investido de uma força / graça especial para uma missão / serviço
Jesus é ungido para uma missão de salvação – comunicar a vida / amor de Deus a todos
A unção não é apenas exterior (Espírito Santo em forma de pomba no Baptismo de Jesus ou
o óleo do Crisma). É uma unção interior que não se vê, mas se sente... Como o vento que sopra: não
o vemos, mas sentimos a sua acção.
A unção é como o motor do carro. Sem isso, ele não anda. Pode ter tudo o resto, mas o
motor é o essencial ... É como uma instalação eléctrica sem corrente. Está muito bem feita, mas
falta o essencial – a corrente.
Será que tenho em mim o essencial? O que me faz viver? Ou vivo assim de qualquer
maneira?

Para anunciar a Boa Nova aos pobres


Não há unção sem missão...
Toda a unção supõe uma missão concreta.
A missão de Jesus:
Anunciar a Boa Nova aos pobres ...
São os pobres, os infelizes, os que sofrem, os que não têm saída, os que se sentem
abandonados por todos, os que perderam a confiança em tudo e em todos, os que choram, os
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famintos, os pecadores ... São esses que esperam uma Boa Notícia: a da sua salvação. Jesus dá a
primazia a esses. Os pobres do Senhor, os que estão abertos à Boa Nova, disponíveis, sempre à
espreita da salvação. São esses os que acolhem o anúncio com alegria, como os pastores...
... a proclamar a libertação aos cativos... aos cegos, o recobrar da vista
a mandar em liberdade os oprimidos

a libertação dos escravos do dinheiro e do poder (Zaqueu e Levi)


a libertação dos escravos da lei (curas ao sábado)
a libertação dos escravos do pecado (perdão aos pecadores)
a libertação dos escravos do poder do demónio (cura dos endemoninhados)
a libertação dos escravos da injustiça (Leis injustas)
a libertação dos escravos da cegueira
a libertação dos escravos da doença e da marginalização ...

Hoje, como é que eu estou a colaborar com Jesus nesta missão de libertação?

... a proclamar um ano de graça do Senhor ...


O ano de graça, o ano santo que Jesus vem proclamar é a sua vida, Ele mesmo em Pessoa. É
o Reino que Ele vem anunciar, uma nova ordem, um novo modelo de vida fundado no amor
autêntico que traz: fraternidade, igualdade, justiça, perdão, paz, liberdade, verdade, serviço ...
A consumação deste ano de Graça acontece na sua morte e ressurreição: a libertação total do
pecado e da morte / o anti-Reino de Deus.

Conclusão: Jesus foi ungido para a missão. Uma missão cumprida até ao extremo de dar a
própria vida pelo projecto de Deus. Um testemunho de vida que nos devia interrogar e desinstalar
do nosso comodismo. A sua missão ainda não acabou. Continua em nós, na Igreja.

Uma missão que é encarnação – entrar em nós, no nosso mundo ... não ficar de fora a dar
instruções.

Trabalho de grupo:
1. Sinto a presença do Espírito Santo em mim, nas minhas opções e atitudes?
2. Sinto-me enviado? Como o noto? O que é que tenho feito para continuar a missão de
Jesus?

Dinâmica: Cada um escreve o texto de Lucas num separador para o levar para casa e fazer todos os
dias o seu exame de consciência a partir do texto.

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