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CAPA IMPRESSA EM PAPELCARTÃO ART PREMIUM NOVO 250g/m2, TERMOLAMINADA PELA LAMIMAX COM FILME PROLAM®

www.embalagemmarca.com.br
Ano VI • Nº 62 • Outubro 2004 • R$ 9,00
A inovação ganhando corpo
leitura da reporta- plos mostrados nesta se fortalecer.

A gem de capa desta


edição, sobre águas
minerais, de autoria de
edição, em textos de Gui-
lherme Kamio, destacam-se
importantes novidades no
Traduzindo o reconheci-
mento da importância e do
potencial de crescimento
Leandro Haberli, mostra campo das metálicas, como que tem a cadeia de identifi-
que, aparentemente, cresce o lançamento do primeiro cação e rotulagem, EMBALA-
o número de empresas do recipiente de alumínio para GEMMARCA foi à Labelexpo
Wilson Palhares segmento inclinadas a pôr alimentos no Brasil, a radi- Americas, em Chicago, para
em prática um procedimen- cal mudança da centenária detectar tendências, mostrar
EMBALAGEMMARCA, to a que parecia resistir. Os lata de aço do Leite Moça, lançamentos e inovações em
única revista engarrafadores (pelo menos agora expandida e litrogra- materiais, equipamentos e
parte deles) demonstram fada, e a multiplicação de serviços. Aliás, foi o único
especializada
perceber o forte potencial formatos no segmento de veículo informativo brasi-
brasileira
vendedor das boas embala- aerossóis. leiro presente a esse que é
presente na gens. Certamente terão Na cadeia de identificação e um dos principais aconteci-
Labelexpo muito a ganhar se persis- rotulagem a movimentação mentos do segmento. A re-
Americas, em tirem nesse rumo. é mais e mais intensa, com a portagem de Marcos Palha-
Chicago, mostra A aparente inclinação para a possível entrada de novos res contribui para que a se-
tendências e melhora das embalagens players nacionais e interna- ção Rotulagem esteja mais
novidades na transparece também em ou- cionais no mercado e com densa e ainda mais informa-
área de rotulagem tras áreas. Entre os exem- os já instalados tratando de tiva do que de costume.
nº 62 • outubro 2004
Diretor de Redação
Wilson Palhares

8 28
palhares@embalagemmarca.com.br
Entrevista: Materiais Reportagem
Olegário Araújo Lata de alumínio para redacao@embalagemmarca.com.br
Gerente de contas da alimentos fabricada no Flávio Palhares
ACNielsen discute os país estréia em pescados flavio@embalagemmarca.com.br
resultados da mais recente Guilherme Kamio
guma@embalagemmarca.com.br
pesquisa do instituto sobre Leandro Haberli Silva
marcas próprias no país leandro@embalagemmarca.com.br
Maria Luisa Neves

16
Inovação Diretor de Arte
O tradicional Leite Moça Carlos Gustavo Curado

32
ganha lata expandida, arte@embalagemmarca.com.br
Internacional
com perfil diferenciado Assistente de Arte
Garrafa de alumínio é
José Hiroshi Taniguti
utilizada pela primeira

20
Reportagem vez em larga escala no Administração
de capa: mercado de cervejas Marcos Palhares (Diretor de Marketing)
Eunice Fruet (Diretora Financeira)
Águas
Minerais Departamento Comercial
comercial@embalagemmarca.com.br
Queda no Karin Trojan
vo-lume Wagner Ferreira
engarrafado,
Circulação e Assinaturas
ocorrida
Marcella de Freitas Monteiro
após longo

34
assinaturas@embalagemmarca.com.br
período de Rotulagem Assinatura anual: R$ 90,00
expansão, Cobertura da Labelexpo
Público-Alvo
acentua Americas mostra que indús- EMBALAGEMMARCA é dirigida a profissionais que
papel da tria brasileira de rótulos ocupam cargos técnicos, de direção, gerência
embala- está entre as mais moder- e supervisão em empresas fornecedoras, con-
nas do mundo. Em consumo vertedoras e usuárias de embalagens para ali-
gem na mentos, bebidas, cosméticos, medicamentos,
valorização per capita, entretanto, país materiais de limpeza e home service, bem
do setor ainda tem muito a evoluir como prestadores de serviços relacionados
com a cadeia de embalagem.

Filiada ao
A capa desta edição foi impressa em Papelcartão Art Premium Novo 250g/m2,
da Ripasa, termolaminada com filme Prolam® aplicado pela Lamimax.

3 Editorial
A essência da edição do mês, nas palavras do editor Esta revista foi impressa em Papelcartão
Art Premium Novo 250g/m2 (capa) e papel
6 Espaço Aberto Image Mate 90g/m2 (miolo), fabricados pela
Ripasa S/A Celulose e Papel, em
Opiniões, críticas e sugestões dos nossos leitores harmonia com o meio ambiente.

34 Rotulagem Impressão: Congraf Tel.: (11) 5563-3466


Laminação: Lamimax Tel.: (11) 3644-4128
Fornecedores de laminados para auto-adesivos se movimentam Filme da laminação: Prolam Tel.: (11) 3611-3400

50 Estratégia EMBALAGEMMARCA é uma publicação


Eastman busca parceiros empreendores no Brasil mensal da Bloco de Comunicação Ltda.
Rua Arcílio Martins, 53 • Chácara Santo
52 Tecnologia Antonio - CEP 04718-040 • São Paulo, SP
Latas expandidas crescem no mercado de aerossóis Tel. (11) 5181-6533 • Fax (11) 5182-9463

57 Display Filiada à
Lançamentos e novidades – e seus sistemas de embalagens

60 Panorama
FOTO DE CAPA: STUDIO AG

www.embalagemmarca.com.br
Movimentação na indústria de embalagens e seus lançamentos
O conteúdo editorial de EMBALAGEMMARCA é
62 Painel Gráfico resguardado por direitos autorais. Não é permi-
tida a reprodução de matérias editoriais publi-
Novidades do setor, da criação ao acabamento de embalagens
cadas nesta revista sem autorização da Bloco
66 Almanaque de Comunicação Ltda. Opiniões expressas em
matérias assinadas não refletem necessaria-
Fatos e curiosidades do mundo das marcas e das embalagens mente a opinião da revista.
o segmento das empresas de emba- ging Design & Marketing se envol-
lagens flexíveis é muito carente de veu em todo processo criativo no
soluções (com aderência) de siste- desenvolvimento da Devassa – da
mas integrados. Há onze anos no criação do nome da cerveja, ao es-
mercado, a Loguin é especialista na tudo de gôndolas e da concorrência,
área, desenvolvendo soluções de até sua inserção no mercado cario-
gestão para indústrias de embala- ca. Lamentamos o equívoco, já que
gens e indústrias gráficas. Ficamos a cerveja aparece em destaque na
à disposição para contribuir com matéria e é um case de sucesso da
informações para o público da Packaging Design & Marketing. No
revista. mais, parabenizamos pela excelente
Olavo Ribeiro qualidade gráfica de EMBALAGEM-
Diretor MARCA e seu empenho em produzir
Loguin Sistemas informações relevantes para o mer-
São Paulo, SP cado de embalagens.
Jefferson Barros
Aproveitamento em aulas Packaging Design & Marketing
Rio de Janeiro, RJ
Flexíveis e gráficas em geral A revista EMBALAGEMMARCA é
constantemente aproveitada em
T enho recebido inúmeros e-mails
enaltecendo o artigo de autoria de
nossas aulas. Assuntos e entrevistas
atualizadas com o que o mercado
Leandro Haberli e a entrevista que está apresentando permitem aos
concedi (“A flexografia ainda vai alunos e professores do curso um
concorrer com o off-set”, EMBALA- ótimo nível de conhecimento.
GEMMARCA nº 61, setembro-2004). Renato Bordenousky Filho
É sinal de que a revista causa im- Professor de
pacto no mercado. Mais uma vez tecnologia de embalagem
obrigado pela oportunidade e para- PUC PR - Curso de
béns pelo sucesso. Desenho Industrial
Assis Kavaguchi Curitiba, PR
Vice-presidente executivo e
presidente da comissão técnica Excelente para o setor
Abflexo/FTA-Brasil
São Paulo, SP A reportagem sobre a mudança de
embalagens da Bayer (EMBALA-
R ecebi EMBALAGEMMARCA de
setembro último e quero dar para-
GEMMARCA nº 61, setembro/2004)
ficou muito bacana. Aliás, a revista,
Mensagens para
béns à equipe pela excelente cober- como um todo, vem crescendo
EMBALAGEMMARCA
tura sobre o mercado de embala- muito em conteúdo, o que é exce- Redação: Rua Arcílio Martins, 53
gens em geral. São trabalhos como lente para o setor. CEP 04718-040 • São Paulo, SP
esse que valorizam o setor das artes Águeda Sáez Pérez Zabisky Tel (11) 5181-6533
gráficas no Brasil. É a revista mais ZGraph Design Fax (11) 5182-9463
bem planejada e mais rica em con- São Paulo, SP redacao@embalagemmarca.com.br
teúdo que recebo.
Ezequiel Rebelo Fernandez Devassa é da Packaging As mensagens recebidas por
Diretor carta, e-mail ou fax poderão ter
Cliart Clichês
São Paulo, SP
A reportagem “Um viva às dife-
rentes”, da edição de setembro de
trechos não essenciais elimina-
dos, em função do es-paço
2004 de EMBALAGEMMARCA, trou-
T enho acompanhado todas as edi-
ções de EMBALAGEMMARCA e quero
xe informações equivocadas sobre
a cerveja Devassa. O rótulo dessa
disponível, de modo a dar o
maior número possível de
oportunidades aos leitores. As
parabenizá-los pelo excelente traba- cerveja foi concebido pela Packa- mensagens poderão também
lho. Com o propósito de colaborar ging Design & Marketing no ano de
ser inseridas no site da revista
com matérias para essa estimada 2002, e não pela McCann-Erick-
(www.embalagemmarca.com.br).
revista gostaria de informá-los que son, como citado no texto. A Packa-

6 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


entrevista >>> Olegário Araújo

“A função da marca própria


é gerar lealdade no varejo”
o início de setembro, o instituto ACNielsen 2003, quando o Brasil atravessava um período de acentu-

N lançou a mais completa pesquisa sobre


marcas próprias no Brasil. Realizada desde
1994 como parte de um levantamento mais
amplo, o Estudo Anual de Marcas, ela se
tornou uma importante referência sobre o fenômeno dos
ada queda do poder de compra, em que os índices de
desemprego bateram recordes. Essa situação reorientou
em vários aspectos o comportamento do consumidor,
exigindo grande racionalização. Não seria exagero, por
exemplo, compará-la ao período da crise energética de
rótulos de redes de varejo, que vem ajudando a inflamar 2001. Além disso, nos últimos dez anos houve uma queda
discussões em torno do eventual enfraquecimento das de renda de 19% no Brasil em termos reais. Paralelamente,
marcas líderes. Ao detectar as categorias em que as mar- o consumidor teve de lidar com a alta das tarifas públicas,
cas próprias avançam com mais força, além de traçar um além de gastar cada vez mais com serviços que antes prati-
minucioso perfil de quem as consome no país, o estudo camente não existiam, como Internet e telefonia celular.
traz dados surpreendentes, especialmente para aqueles Nesse contexto, é preciso encontrar saídas para adequar as
que ainda crêem que os itens vendidos com as bandeiras despesas ao orçamento. A pesquisa mostra que o consu-
do varejo invariavelmente apresentam qualidade e preço midor está disposto a sair de sua marca de preferência, não
bem inferiores aos das marcas mais conhecidas. importa qual seja, e experimentar outras coisas. É natural
Para discutir os dados da pesquisa, EMBALAGEMMARCA que nessas situações isso aconteça. Toda vez que o con-
conversou com Olegário Araújo, gerente de contas da sumidor precisa racionalizar o consumo, ele mexe nas
ACNielsen. Responsável por traduzir os números do marcas. Mas com a retomada econômica, ele volta às suas
estudo, Araújo afirma que as marcas próprias estão numa marcas de preferência. Isso é indiscutível. O que
fase de transição no país. Nesse processo, ele diz, o preço começamos a notar, no entanto, é que está aumentando a
dos rótulos de varejo deixou de ser o atributo mais impor- parcela da população que experimenta a marca mais bara-
tante, e a qualidade ganha importância crescente entre os ta e, quando conclui que ela dá os mesmos resultados e
critérios de escolha. "As marcas próprias se tornaram apresenta a mesma performance, não volta mais à marca
para as cadeias de varejo uma maneira não só de atrair, que comprava antes. Ou seja, em termos de comportamen-
mas de reter consumidores", analisa. to de consumo, as pessoas começam a assimilar aquilo que
inicialmente foram forçadas a fazer.
De maneira geral, o crescimento das marcas próprias
coloca em xeque a fidelidade dos consumidores às mar- A pesquisa aponta que 46% dos consumidores não tro-
cas líderes. Em que medida o novo estudo do instituto cam sua marca própria preferida por outra de menor
ACNielsen confirma essa percepção? valor, enquanto 45% dos que compram produtos de
Os dados da pesquisa devem ser interpretados tendo em marca própria, e gostam, substituem o que compravam
consideração os momentos econômicos em que foram antes. Já existem consumidores fiéis às marcas próprias
obtidos. Os consumidores foram ouvidos em julho de no Brasil?

Olegário Araújo, gerente de contas da ACNielsen,


fala sobre os principais resultados do
10º Estudo de Marcas Próprias, que acaba
de ser lançado pela empresa no Brasil

8 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


entrevista >>> Olegário Araújo

Sim, pelo menos em algumas categorias. Mas para que com embalagens mais funcionais e atraentes. Um dado
isso ocorra, a marca própria precisa percorrer um longo interessante do estudo que fizemos revela que mais de
caminho. É necessário lembrar que ela surgiu como uma 70% dos consumidores acreditam que as marcas próprias
alternativa extremamente econômica, sob a forma de estão no mesmo patamar de qualidade das marcas mais
produtos genéricos, desprovidos de marca e de qualquer conhecidas. Ou seja, quando o varejo vai lançar uma
tipo de preocupação com a imagem. Porém, a pesquisa marca própria, ele já não está pensando apenas em preço,
mostra que o consumidor já não enxerga a marca própria e o consumidor já detectou essa mudança estratégica.
apenas como um item de menor
preço. A percepção em relação a “Na pesquisa deste ano Como o senhor avalia o papel da
esse tipo de produto está mudan- embalagem nesse processo de
do: o consumidor já identifica e 66% dos consumidores reposicionamento?
dá cada vez mais valor aos atribu- Há um dado interessante na
tos de qualidade das marcas
próprias. Isso fica claro quando
responderam que as pesquisa sobre esse assunto. Na
média, 72% dos consumidores de
perguntamos aos consumidores se marcas próprias ouvidos afirmam
as marcas próprias valem o que
marcas próprias valem que a qualidade das embalagens é
custam. Este ano, 66% dos con- igual à dos demais produtos. Esse
sumidores, contra 62% na o quanto custam, e mais índice é mais alto em alguns mer-
pesquisa passada, responderam cados específicos. Está acima da
que sim. de 70% acreditam que as média, por exemplo, em Porto
Alegre, Curitiba e São Paulo.
A idéia de que o principal papel marcas próprias, incluindo Essas diferenças ocorrem porque,
das marcas próprias é ajudar os de maneira geral, as marcas
supermercados a obter condições próprias estão em diferentes está-
de compra mais favoráveis com
suas embalagens, estão gios. De qualquer maneira, esse
seus fornecedores continua fazen- dado confirma o fato de que as
do sentido? no mesmo patamar de marcas próprias brasileiras já
Sim, mas o foco maior hoje é atrair entraram na fase em que o fator
o consumidor, utilizando-as para qualidade das marcas determinante da compra não é
torná-lo leal à bandeira da rede. apenas o preço. É o binômio preço
Hoje, o desafio do varejo não é mais conhecidas” e qualidade. E quando se fala em
apenas atrair, mas principalmente qualidade, a embalagem é sem
reter o consumidor. Para isso é preciso oferecer algo dife- dúvida um fator muito importante.
renciado. No cenário atual, a chance de o varejo criar uma
lealdade com o consumidor vai basicamente pelas marcas O estudo fala sobre a história das marcas próprias no
próprias e pelos produtos frescos. Esses são os diferenciais Brasil. Gostaria que o senhor comentasse esse aspecto.
mais importantes porque, na essência, os supermercados As marcas próprias começaram no Brasil na década de
são muito parecidos. A marca própria adquiriu essa nova 70. Naquele período, elas estavam no que chamamos de
atribuição, entre outros fatores, porque o desafio do vare- “fase dos genéricos”. Eram produtos com embalagens
jista hoje é aumentar suas vendas num cenário em que o muito simples, que nem sequer identificavam as redes de
número de lojas cresce mais rápido do que o número de varejo a que pertenciam. Já no final dos anos 80, começo
consumidores. dos anos 90, o setor de marcas próprias ingressou num
estágio definido como “quase-brand”. O foco era apenas
É comprovado que as grandes marcas consagradas, no preço, com uma baixíssima preocupação com
líderes de vendas, funcionam como produtos-âncoras nas imagem. De alguns anos para cá, o mercado de marcas
lojas. Supõe-se que muitos consumidores não as subs- próprias no Brasil entrou numa fase intermediária, para
tituem por outras, menos ainda por marcas de redes. O atender um consumidor que busca um produto com
varejo não estaria de certa forma trabalhando contra si preço justo, mas também com qualidade. Esse novo
ao concorrer – em geral com preços menores – com as cenário decorre de um movimento das próprias redes de
marcas líderes? varejo. Elas perceberam que é preciso investir em quali-
Não, pois a marca própria está sendo reposicionada, não dade para não correr o risco de promover um processo de
apenas com produtos de qualidade maior, mas também canibalização no varejo. Nesse sentido, os supermerca-

10 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


dos despertaram para a necessidade de manter um Segundo a pesquisa, o maior percentual de consumidores
padrão de qualidade. Afinal, se o consumidor das clas- de marcas próprias está nas classes A e B (59%),
ses mais baixas arriscar comprar um produto de marca enquanto na classe C, apenas 49% dos consumidores
própria, e não gostar, ele possivelmente deixará de fazer compram produtos com as chancelas dos supermercados.
essa aposta numa próxima compra. As redes de varejo Esse dado não o surpreendeu?
têm uma imagem a zelar. Não, porque ele reflete um fato já conhecido pelo setor:
no geral, os consumidores de marca própria têm mais
Considerando esse processo de transição, o senhor acesso à informação. Trata-se de um consumidor que lê a
acredita que haverá um dia em que a qualidade se embalagem, avalia a procedência dos produtos, busca,
tornará o fator decisivo para a compra de um artigo de enfim, se informar mais sobre o que está comprando. Ele
marca própria? também interpreta a presença da bandeira de um super-
Já há casos em que isso ocorre. Embora minoritários, tais mercado num rótulo como uma garantia de qualidade. O
exemplos mostram que existe uma tendência por parte segundo indicativo dessa estatística é que as pessoas da
das redes de varejo de investir em produtos capazes de classe C nem sempre podem arriscar a compra de um pro-
tornar os consumidores leais às suas bandeiras. No duto de qualidade duvidosa, pois têm um orçamento
Comitê de Marcas Próprias da Abras (Associação muito apertado. Isso não significa, porém, que as marcas
Brasileira dos Supermercadistas), que reúne os fabri- próprias podem apostar unicamente nas classes A e B.
cantes dos produtos de marca própria, esse movimento é Embora o maior percentual de consumidores de marcas
muito perceptível. Os empresários do setor estão anima- próprias esteja no topo da pirâmide, os maiores volumes
dos com a possibilidade de produzir itens com mais valor de negócios correspondem às classes C, D e E, que hoje
e qualidade. Uma outra tendência importante é que essas somam 76% da população brasileira, segundo o IBGE. A
empresas começam a fornecer para diferentes supermer- lógica, portanto, é olhar para esse grande volume, que,
cados, sem depender de uma única bandeira. São indícios embora compre menos individualmente, representa a
de que as marcas próprias estão evoluindo. grande parte do bolo.
entrevista >>> Olegário Araújo

A pesquisa revela que na visão de muitos consumidores o é possível prever se essa tendência permanecerá daqui
sortimento das marcas próprias já é igual ao das marcas para frente. De todo modo, o cenário das marcas próprias
convencionais. Isso corresponde à realidade? na Europa ainda deve ser visto como algo distante da
No geral, o número de itens de marcas próprias nos realidade brasileira.
supermercados tem permanecido estável nos últimos três
anos, mas há categorias em que a presença delas está Apenas dez categorias de produtos detêm quase 50% das
crescendo. Exemplos são os itens não-alimentares, como vendas de marcas próprias. Por que existe essa concen-
produtos têxteis, eletro-eletrôni- tração?
cos e de higiene pessoal. Além “Os fornecedores de Inicialmente, porque essas catego-
disso, o número de marcas dentro rias geram volumes de venda
das categorias vem crescendo, marcas próprias estão maior. Além disso, essa concentra-
num indício de que as cadeias ção reflete de certa forma a histó-
estão investindo em diferenciais e ria das marcas próprias no Brasil.
em segmentação. Em alguns
animados com a Essas dez categorias são compos-
setores específicos essa tendência tas basicamente por commodities,
é ainda mais visível. No atacado, possibilidade de produzir itens com os quais a marca própria
por exemplo, o número de catego- começou. Por outro lado, são cate-
rias de marcas próprias passou de itens com mais valor e gorias tecnologicamente mais pró-
173, em 2003, para 196 agora. ximas às redes de supermercado.
Também cresceu o número de qualidade. Muitos se Mas é interessante notar que as ca-
itens de marcas próprias nas dro- tegorias em que as marcas próprias
garias. Por outro lado, diminuiu estão avançando com mais força
em limpeza doméstica. Portanto,
especializaram nesse não têm essas características. Bons
os atacados e as drogarias estão exemplos são os sucos e chás
aumentando o lançamento de mercado, fornecem para prontos, capuccino, café solúvel e
marcas próprias, enquanto os anti-séptico bucal. Não são com-
supermercados mostram uma diferentes redes de varejo, modities, e mesmo assim têm mos-
estabilidade maior. Nas drogarias trado grande tendência de cresci-
o número de itens de marcas e não pensam em lançar mento no setor, tanto em valor
próprias saiu de 296 três anos quanto em volume.
atrás, para 596 em 2004. De certa
forma isso é natural, pois esses
suas próprias marcas” Mesmo quando se decepcionam
canais despertaram para as marcas próprias há muito com uma marca própria, 67% dos consumidores conti-
menos tempo do que os supermercados. nuam dispostos a experimentar produtos de outras redes
de varejo. Como esse índice tem evoluído, e o que ele re-
Ficou famoso o dado de que na Inglaterra as marcas presenta?
próprias chegam a ter 70% de participação no varejo. O Esse número está estável, e mostra uma característica
senhor acredita que isso pode vir a acontecer no Brasil? importante do consumidor brasileiro: ele está aberto a
Qual a participação desse tipo de produto no país hoje? experimentos, a coisas novas, mesmo que já tenha tido
As marcas próprias correspondem hoje a 5,5% do varejo uma experiência desagradável. Esse é um espaço que o
brasileiro. Sem dúvida ainda é uma participação pequena consumidor tem para descobrir novas formas de econo-
quando comparada à de outros países. Sobre tendências mia. Essa predisposição revela que o mercado de marcas
futuras, um trabalho que a ACNielsen fez com a Abras próprias está consolidado, e também mostra que, se o
traz algumas perspectivas. O estudo mostrou que nos últi- supermercado quiser usar seus próprios produtos como
mos três anos o varejo de modo geral não cresceu no atrativos para sua bandeira, ele não pode abrir mão da
Brasil. O único crescimento das vendas em volume, nesse qualidade.
período, foi registrado no pequeno varejo, isto é, nos
supermercados de até nove check-outs, e nas lojas de far- Embora a qualidade esteja se tornando o fator mais deci-
macosméticos. De 2001 para 2002, porém, as lojas com sivo na escolha pela marca própria, a pesquisa revela,
vinte ou mais check-outs apresentaram queda de vendas. por outro lado, que o preço também teve sua importância
É por isso que as marcas próprias, que se concentram nas aumentada enquanto critério de decisão. Essa relação
grandes redes, não cresceram nos últimos anos. Mas não não parece antagônica?

12 >>> EmbalagemMarca >>> junho 2004


Na verdade a pesquisa mostra que a qualidade está bém se comentava que o papel ia morrer: hoje nós
deixando de ser um dos motivos para que os consumi- imprimimos muito mais do que antes. Nessa linha de
dores não comprem marca própria. Em vez disso, a raciocínio, podemos afirmar que as marcas também não
parcela que não compra marca própria de jeito nenhum, vão morrer. O que existe de tempos em tempos, e a crise
correspondente hoje a cerca de 30% dos consumidores, é certamente um momento desses, é uma reflexão por
entende que a diferença de preço entre a marca própria e parte do consumidor, que se pergunta se aquele produto
a marca mais conhecida não justifica a escolha. Além de vale o quanto custa. E em muitos casos a realidade o
mostrar que existem diferentes consumidores, essa impele a momentaneamente mudar de marca. Mas no
aparente contradição nada mais faz do que indicar que a primeiro momento de retomada do consumo, a grande
marca própria está deixando de ser a alternativa mais maioria volta para as marcas preferidas. A queda do poder
barata das gôndolas. A grande questão dos varejistas é: ao aquisitivo muda padrões de consumo, mas é um erro
lançar uma marca própria, qual o tipo de imagem que eu subestimar a capacidade de agregar valor ao produto das
quero passar para o consumidor? Não existe uma estraté- marcas líderes, e até mesmo de diminuir as margens de
gia certa ou errada. Tudo depende do tipo de público que ganho quando necessário. Mesmo quando pensamos em
o supermercado espera atingir. marcas líderes que perderam participação nos últimos
anos, na maioria das vezes isso não significa que elas
O possível avanço das marcas próprias até um ponto em estão vendendo menos, mas que a participação relativa
que se tornem hegemônicas indicaria que tem fundamen- delas diminuiu. Isso ocorre por vários motivos: o poder
to a corriqueira afirmação de que “as marcas estão mor- aquisitivo médio da população vem caindo, as tecnolo-
rendo” ou “vão morrer”? gias produtivas estão mais acessíveis, e, muito impor-
Anos atrás, se comentava que as salas de cinema iam tante, o consumidor hoje tem muitas opções de preço,
acabar. O que se vê hoje é exatamente o contrário: em diferentemente do que se via há uma década . Não é uma
São Paulo, o número de salas praticamente triplicou em coisa tão preto e branco. É preciso pensar em diferentes
anos recentes. Com o avanço da microinformática, tam- perspectivas para não ter uma visão unilateral.
CONGRAF

14
CONGRAF

15
inovação >>> aço

Uma tradição remoçada


Para driblar “commoditização” do mercado, Leite Moça ganha lata expandida
enhum país produz e consome

N tanto leite condensado quanto


o Brasil do brigadeiro e de
uma série de outras populares
iguarias que levam o produto. Esse
doce mercado, como outros de commo-
dities, tem abrigado uma competição fe-
roz, cujos resultados são a diminuição
das diferenças de qualidade entre marcas
concorrentes e guerras de preços que re-

FOTOS: DIVULGAÇÃO
duzem margens dos fabricantes ao pó.
Diante desse cenário, existe espaço para
investir pesado em fortalecimento de mar-
ca? Para a Nestlé, sim. Tanto é que Moça
não é mais aquela.
Marca de maior tradição no mercado
de leite condensado e responsável pelo
produto mais vendido da multinacio-
nal suíça no país, ela está chegando às
gôndolas remoçada, saída de uma
operação plástica sem precedentes
em seus 83 anos de Brasil.
Sua silhueta agora está repleta de
curvas, mais feminina, com uma ver-
dadeira cintura de pilão. Mérito que
não é de nenhum estrelado cirurgião,
mas de uma operação sinérgica entre a
Nestlé e a cadeia de valor por trás do
novo “corpo” do produto – uma lata de
aço expandida, com perfil sinuoso ex-
clusivo da marca.
CINTURA – Lata O projeto de modernização da embala-
Entrega de maior valor expandida exigiu gem consumiu cerca de dois anos. Na tare-
projeto de quase
“A embalagem única agrega maior valor ao fa, a Nestlé destacou equipes de desenvolvi-
dois anos entre
Leite Moça, diferenciando-o ainda mais em Nestlé e CSN mento de embalagem, engenharia, marke-
relação aos concorrentes”, diz a Unidade de ting e pesquisa. Esses times trabalharam em
Produtos Lácteos da Nestlé. “A marca já é conjunto com a CSN em diversas frentes.
top of mind da categoria e usada por muitos Foi a companhia siderúrgica quem levou à
consumidores como sinônimo de leite con- Nestlé, cerca de três anos atrás, a proposta
densado”, lembra a Unidade, “mas mesmo de adotar latas com perfis exclusivos. Sinal
assim há possibilidade de incrementar os vo- verde dado à inovação, e decidido que ela
lumes vendidos e ampliar market share, visto seria implantada inicialmente no Leite
que um maior número de pessoas estará dis- Moça, a equipe da Nestlé estruturou o novo
posto a consumir um produto que entrega um formato da latinha. A CSN assessorou a
valor muito superior ao dos concorrentes.” Nestlé na reestruturação de sua planta de

16 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


TRADIÇÃO – Lata de aço acompanha o leite condensado da Nestlé desde quando ele era importado (na foto à esquerda). Em 1921, o produto...

Montes Claros (MG), onde o Moça é fabri- – inclusive as tradicionais receitas que a
cado, indicando a máquina a ser adquirida Abeaço
Nestlé costuma estampar no verso dessa
para expandir as latinhas – da suíça Ober- (11) 3842-9512 embalagem.
burg Engineering – e transmitindo o exper- www.abeaco.org.br Mais: como um apelo à coleção, a primei-
tise do processo por meio de seu departa- CSN ra série de latas produzidas trará um selo de
mento de projetos especiais. (11) 3049-7100 primeira edição e um poema dedicado aos
Antes de ganharem a “cintura”, formada www.csn.com.br consumidores da marca. Segundo a Nestlé, a
por força mecânica, através da intrusão de Oberburg Engineering lata expandida não acarretará alteração de
uma ferramenta da máquina expansora em +41 34 427 3333 preço final ao consumidor nem de volume do
seu interior, as latas são comuns, de três pe- www.packsysglobal.com produto (395g). Se garante que não haverá
ças e formato cilíndrico. Seu único diferen- Pandesign repasse, por outro lado a empresa não revela
cial é a matéria-prima, uma folha metálica (11) 3849-9099 a quantia desembolsada no projeto. “Só
www.pande.com.br
especial da CSN que atende pelo nome T59. podemos dizer que é o maior investimento na
“Trata-se de uma folha com têmpera dife- marca Leite Moça dos últimos três anos”,
renciada e adequada à produção de latas ex- dizem os profissionais da Unidade de
pandidas”, informa Sérgio Iunis, gerente de Lácteos. Garantem também que o novo for-
marketing de embalagens da CSN e diretor mato não incorre em desvantagens aos
administrativo da Abeaço (Associação Bra- processos logísticos. “Fizemos testes
sileira da Embalagem de Aço). Moça no Brasil com a nova lata em todas as áreas e os
FONTES: NESTLÉ E ACNIELSEN

Na transição para o formato diferencia- resultados foram positivos.”


do, a identidade visual da versão anterior do 83 anos no mercado Para dar visibilidade ao “novo
produto, já com a figura da camponesa esti-
lizada com traços mais modernos (trabalho
44% de share em produto”, uma campanha de comuni-
cação foi encomendada à agência
leites condensados
assinado pela Pandesign), foi mantida. A McCann Erickson. Em tempo: o ser-
Nestlé apenas a adaptou aos novos contor- 8 latas consumidas
viço de dicas de preparo de quitutes,
por segundo
nos da lata. Todavia, a latinha ganhou ainda ferramenta encampada para reforçar a
uma outra mudança de natureza estética: o fidelidade das donas-de-casa ao produto, foi
rótulo envolvente de papel, desde sempre o renovado e ampliado. Seu nome, agora, é
suporte gráfico do produto, foi abandonado. “Fale com Moça”. Pelo novo corpo, cheio
A partir de agora, toda a comunicação será de curvas, é de se esperar que o assédio à
diretamente impressa na lata, por litografia Moça de fato aumente.

...ganhou a marca Moça, e de lá para cá sofreu uma série de reformulações visuais. Agora, pela primeira vez, embalagem muda de formato

18 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


reportagem de capa >>> mercado

Água mineral: consumo cade


Após histórico ciclo de crescimento, volume da bebida engarrafada caiu 1,2% no ano
Por Leandro Haberli

m tempos de generalizada descon- continuam latentes no mercado brasileiro de

E
fiança em relação à preservação de
aqüíferos e mananciais, e de proje-
ções cada vez mais iminentes de
escassez no abastecimento de água, não chega
água mineral, não apenas para produtores e
distribuidores, mas também para fornecedores
de embalagens, equipamentos, acessórios e
serviços. Entre outros fatores, isso se explica
a surpreender a multiplicação de balanços pelo fato de que o Brasil tem nada menos do
mostrando a categoria de água mineral como que 30% dos recursos de água mineral do pla-
uma das que mais crescem no varejo de todo o neta, mas ostenta índices de consumo per capi-
mundo. No jargão de quem se dedica a estudar ta muito mais baixos que o de países europeus,
o comportamento do consumidor e entender os e também inferiores ao de outras nações latino-
movimentos das gôndolas, trata-se de um pro- americanas. Além disso, a água mineral que
duto candente. Em outras palavras, nos últimos brota nas fontes e nascentes do país é reconhe-
anos as vendas de águas minerais têm crescido cida como uma das mais puras e benéficas do
muito acima da média. mundo, detalhe que por si só abre ótimas opor-
Na contramão do cenário internacional, en- tunidades para a indústria nacional se projetar
tretanto, o mercado brasileiro interrompeu no no crescente mercado internacional.
ano passado um dos maiores ciclos de expan- Porém, para retomar de forma sustentável
são de toda a sua história. Após um decênio em o rumo do crescimento, os produtores brasilei-
que a média de crescimento atingiu 20% anu- ros perceberam que é preciso valorizar suas
ais, em 2003, ano marcado por tímida presen- marcas, comunicando e ressaltando seus atri-
ça do verão em diferentes regiões do país, o butos aos consumidores, sejam eles brasileiros
volume de água mineral engarrafada caiu ou de qualquer parte do mundo. Esse tipo de
1,2%, passando de 4,318 para 4,268 bilhões de preocupação, que já havia começado a ganhar
litros, segundo o Departamento Nacional de curso no auge do crescimento do setor, agora
Produção Mineral (DNPM). Em suma, naque- parece ter atingido um grau maior de amadure-
le ano, o que subia como um meteoro ficou cimento. A fim de reverter a diminuição das
mais parecido com uma estrela cadente. achatadas margens de ganho, a indústria de
Apesar do resultado negativo, há motivos águas minerais aprimora cada vez mais o de-
para crer que as oportunidades de crescimento senvolvimento de produtos segmentados, aten-
FOTO: STUDIO AG – ANDRÉ GODOY

20 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


nte, oportunidades latentes
passado. Para retomar o crescimento, setor consagra diferenciação pela embalagem

dendo com sucesso crescente públicos mais dade do mercado brasileiro, em que as vinte
exigentes e ocasiões específicas de consumo. maiores empresas detêm pouco mais de 40%
Além dos produtores e consumidores, das vendas, tamanha desproporção mostra o
quem se beneficia disso é a cadeia de emba- que especialistas já detectaram há algum
lagem, que já tem no setor imensa demanda de tempo: com a multiplicação de pequenos en-
sistemas, matérias-primas e acessórios de garrafadores e distribuidores, a oferta de água
acondicionamento, rotulagem e fechamento. mineral cresceu além da demanda, num pro-
“Com o crescimento acentuado da concorrên- cesso que provocou o acirramento de corrosi-
cia, a tendência é a diferenciação pela emba- va guerra de preços, sobretudo no mercado de
lagem desempenhar papel ainda mais central garrafões plásticos retornáveis.
no nosso mercado”, observa César Dib, diretor Para reverter esse quadro, as principais
da Lindoya Verão e vice-presidente da Abinam marcas estão investindo em novidades que vão
(Associação Brasileira da Indústria de Águas além de produtos destinados a consumidores
Minerais). exigentes e canais de venda mais lucrativos,
como hotéis, bares, restaurantes e academias
Em busca de valor de ginástica. Embora esse tipo de estratégia
O movimento de sofisticação e segmentação continue em alta, surgiram no mercado brasi-
não se justifica apenas para posicionar as mar- leiro outras mais recentes. Exemplos são as
cas nacionais em pé de igualdade com as es- águas funcionais, que possuem nutrientes vol-
trangeiras, que nos últimos anos conquistaram
importantes fatias do varejo brasileiro com o Participação de cada tipo de embalagem
suporte inegável de embalagens bem trabalha- no mercado brasileiro de águas minerais*
das e vendedoras. Ocorre que, apesar do des-
200ml 0,3% 2 litros 2%
lumbrante crescimento dos últimos anos –
350ml 4% 5 litros 5%
147,8% em volume apenas entre 1997 e
600ml 8% 10 litros 3%
2003 –, o faturamento da indústria brasileira

FONTE ABINAM
1250ml 4% 20 litros 53%
de águas minerais evoluiu apenas 8,8% no
1500ml 20,7%
mesmo período, segundo dados da ACNielsen. *Em volume
Além de evidenciar a crescente informali-

outubro 2004 <<< EmbalagemMarca <<< 21


tados à saúde do consumidor, e as, por assim No campo das exportações, em que a in-
dizer, “águas etárias” – aquelas destinadas a dústria brasileira de águas minerais parece en-
públicos com faixas específicas de idade. contrar dificuldades ainda maiores em levar os
Neste último caso a Lindoya Verão saiu na consumidores a perceber a qualidade de seus
frente ao lançar a primeira água infantil do produtos, também há bons exemplos da contri-
país, a Lindoya Verão Kids, que acompanha kit buição que as embalagens podem exercer
de jogos e passatempo. Segundo o diretor da nesse sentido. Um dos mais ilustrativos talvez
empresa, esse tipo de produto já é comum em seja o da paranaense Ouro Fino, que detém
outros países, porque, para espanto da maioria 40% do mercado da região Sul do país.
dos pais, existem muitas crianças que preferem A empresa desenvolveu um programa de
água a refrigerantes e sucos. “Na Europa, já há vendas aos Estados Unidos para o qual criou
até águas minerais específicas para bebês, que uma marca de visível sofisticação, a Ouro Fino
vêm com refil para encaixar o bico da mama- Premium. Segundo Augusto Mocellin, presi-
deira”, exemplifica César Gib. dente do conselho administrativo, a idéia nas-
Voltada a crianças mais velhas, com idade ceu como um processo experimental, visando
entre cinco e doze anos, a Lindoya Verão Kids gerar experiência em operações no exterior. O
é vendida em garrafas de 240ml, próprias para projeto demandou inicialmente 1,2 milhão de
sede e mãos menores que as de adultos. Feitas dólares, a maior parte em modernização de
de PET, as embalagens são sopradas na própria equipamentos e processos de produção, con-
empresa, e têm rótulo impresso pela Gráfica Com lançamento forme as exigências do mercado americano.
Bandeirantes, com tampas plásticas rosqueá- específico para Igualmente necessário foi o desenvolvi-
crianças, Lindoya Verão
veis da Alcoa. “Quisemos rejuvenescer a mar- quer mostrar que
mento de uma embalagem especial, projeto
ca e reforçar nosso mix de produtos, mostran- “água não é um que absorveu cerca de 300 mil dólares. Com
do que água não é um produto tão sem graça”, produto tão sem graça” design criado pela Escola Superior de Propa-
define o diretor da Lindoya Verão. ganda e Marketing (ESPM), de São Paulo, a

Novos equipamentos disseminam rótulos mais sofisticados


O desaquecimento do merca- “Mas a expectativa é que esse bels, rótulos também feitos
do de água mineral engarrafa- movimento se inverta com a de BOPP, que se tornaram
da não teve reflexos apenas retomada do crescimento no muito comuns em garrafas
no setor de garrafões retorná- setor”, acredita Brunelli, PET de refrigerantes. Aplica-
veis. Na área de rótulos, Rene acrescentando que o magazi- do com cola a partir de bobi-
Brunelli, gerente comercial da ne “agrega muito mais valor nas, o roll label envolve as
Sol PP, observa que algumas que o rótulo de papel, e não embalagens como cintas
empresas abandonaram os exige grandes investimentos (processo conhecido como
magazines feitos de polipropi- em maquinário”. wrap-around), e também
leno bi-orientado (BOPP), e Importante fornecedora de apresenta boas perspectivas
aplicados com hot melt, retor- rótulos de BOPP para o mer- no segmento de águas mine-
nando aos mais econômicos e cado de bebidas, a SOL PP rais.
simples rótulos de papel. faz parte do Grupo Sol, que “Com a crescente oferta de
também atua com filmes la- equipamentos nacionais de
minados para embalagens fle- aplicação, os engarrafadores
xíveis. No mercado de rótulos menores também poderão
a empresa acaba de anunciar migrar para o roll label, que
parceria estratégica com a já está presente na maioria
PP Print, convertedora insta- das marcas mais tradicio-
lada em Varginha (MG), que nais”, avalia o gerente da Sol
produz rótulos para diversos PP. Dentre as empresas que
engarrafadores de água mi- desenvolveram no país equi-
neral. pamentos para aplicação des-
Um dos focos da parceria se tipo de rótulo estão no-
será nos chamados roll la- mes como a JPJ e a Narita.

22 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


marca Ouro Fino Premium é vendida em gar- tornos orgânicos e ergométricos, o design es-
rafas de vidro de 330ml da Owens-Illinois do trutural ressalta a cintura delgada das garrafas,
Brasil (ex-Cisper), com rótulos plásticos ter- sob a qual os rótulos do tipo wrap-around, pro-
moencolhíveis da Sleever International e tam- duzidos em filme de BOPP pela Embalagens
pa rosqueável de alumínio produzida pela sub- Flexíveis Diadema, são aplicados. “Quisemos
sidiária alemã da Alcoa. mostrar que as embalagens de águas minerais
não precisam ter todas o mesmo formato”, diz
Fuga dos formatos padronizados Hamilton Diniz Prado, diretor da Ipanema.
Empresas de menor projeção no mercado na- O mesmo conceito é aplicado nas garrafas
cional também têm investido em embalagens de 330ml, 505ml, e 1 litro, nas versões com e
aprimoradas, mostrando que regionalização sem gás. O próximo passo da empresa é lançar
não é sinônimo de apresentação desleixada. É embalagens descartáveis de 5 litros, também
o caso da Ipanema Indústria e Comércio de feitas de PET. Por sinal, esse tipo de acondicio-
Bebidas, de Sandovalina (SP), que produz a namento parece ser uma das bolas da vez no
água Via Natural. Um dos vencedores da mercado de águas minerais. Sabe-se que em
edição 2004 do Prêmio Abre de Design & Em- países como Estados Unidos, México e Cana-
balagem, o produto teve seu planejamento dá os garrafões descartáveis dominam boa par-
visual a cargo da 100% Design. te das prateleiras dos supermercados. Embora
Vendida em São Paulo, Paraná e Mato praticamente todos os grandes produtores bra-
Grosso do Sul, a marca Via Natural tem no for- sileiros de água mineral já contem com esse
Paranaense Ouro fino

FOTOS: DIVULGAÇÃO
mato de suas garrafas, sopradas em equipa- investiu em marca tipo de embalagem, alguns fatores ainda difi-
mentos da Sig Beverages, a partir de pré-for- premium para entrar no cultam sua difusão no país.
mas PET da Petropar Embalagens, um forte mercado norte-americano “A maior parte das empresas tem moldes
apelo de diferenciação. Caracterizado por con- próprios e sopradoras in-house”, diz Irineu Sa-
lata, gerente comercial da Amcor, que há pou- Via Natural, com rótulos wrap-around
co mais de um ano vem importando pré-for- e molde exclusivo: distribuição
regional, visual caprichado
mas PET, injetadas já com alça, para produção
de garrafões retangulares de 5 litros. Outra di-
ficuldade ligada à venda desse tipo de produto,
prossegue o gerente da Amcor, é a grande par-
ticipação de empresas informais no setor.
“Muitos fornecedores usam máquinas semi-
automáticas, não trabalham com nota fiscal, e
jogam as margens de todo o mercado para bai-
xo”, queixa-se.
Semelhantes problemas têm se mostrado
ainda mais presentes no nicho dos garrafões
retornáveis, basicamente em virtude da multi-
plicação de pequenas distribuidoras de águas
minerais, que trabalham quase que exclusiva-
mente com esse tipo de embalagem. Um dos
mais visíveis sinais desse processo de pulveri-
zação possivelmente tenha partido da Greif,
multinacional americana que assumiu no
Brasil a operação da Van-Leer, companhia de
origem holandesa representante de um dos
maiores grupos de transformação de garrafões
plásticos para água mineral do mundo. Recen-

Novos lançamentos de tampas revelam foco nos custos


Soluções práticas e que não pe- res custos”, diz Vicente Silva, ge- leno (PP), que é fornecido à Alcoa
sem no custo final dos produtos. rente de desenvolvimento e assis- principalmente pela Ipiranga Pe-
Essa é uma das tendências na tência técnica da Politeno. troquímica, empresa do grupo Ipi-
área de sistemas de fechamento Já a Alcoa CSI Brasil, divisão da ranga, e pela Polibrasil, joint-ven-
para águas minerais, como com- multinacional americana Alcoa vol- ture entre a Basell Polyolefins e o
provam lançamentos recentes fei- tada à produção de tampas metá- grupo Suzano.
tos por dois nomes conhecidos do licas e plásticas, começou a pro- Apesar da necessidade de adap-
ramo, a Politeno e a Alcoa. No duzir neste mês, em sua fábrica tação das linhas de produção das
primeiro caso, a empresa desen- de Alphaville (SP), um modelo de garrafas, que precisam ter garga-
volveu uma tampa que dispensa o tampa plástica para garrafas PET lo menor para receber a Aqua
uso de liner de vedação em garra- de água mineral sem gás com ta- Lok 26mm, Rodolfo Haenni, ana-
fas de bebidas carbonatadas, manho inovador. Em vez dos tradi- lista comercial da Alcoa, acredita
como refrigerantes e água mine- cionais 28mm, a Aqua Lok, como que o mercado absorverá rapida-
ral com gás, por exemplo. O se- é chamada, tem 26mm de diâme- mente a novidade. “Trata-se de
gredo do produto está na sua tro. O principal objetivo da mudan- uma medida muita difundida em
matéria-prima, a resina IH-57. Se- ça é reduzir custos para as engar- outros mercados, e que já des-
gundo a empresa, trata-se de rafadoras. A lógica é simples: com pertou o interesse de grande par-
uma especialidade química feita à tampas menores, gasta-se menos te dos engarrafadores brasilei-
base de polietileno de alta densi- matéria-prima – no caso, polipropi- ros”, adianta Haenni.
dade (PEAD), que substitui com
vantagens o polipropileno (PP) na
produção de tampas para bebidas
e alimentos. “A resina IH-57 é um
copolímero base buteno capaz de
gerar produtos de alta qualidade
com maior produtividade e meno-

24 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


Acessórios podem garantir procedência dos garrafões
Enquanto não existem leis tor- ve cada vez mais soluções para da área comercial da
nando obrigatórios padrões e que os engarrafadores forneçam SP Plásticos. “Isso difi-
normas para os recipientes re- garantias sobre a procedência culta falsificações”,
tornáveis de água mineral, a in- de seus produtos. Uma delas é o completa ela.
dústria de embalagens desenvol- Sistema Seguro e Prático da SP Lacres feitos de filmes
Plásticos, que já foi adotado por plásticos também se
empresas como a Lindoya Verão. tornaram uma boa me-
Específico para garrafões retor- dida para evitar contra-
náveis, o produto é composto de fações no mercado de
tampa plástica dotada de rótulo garrafões retornáveis
termoselado, sob o qual há uma de água mineral.
válvula. Uma das funções deste Exemplo é a linha de
dispositivo é fazer com que a lacres pré-formados
água só saia da embalagem da Propak, desenvol-
quando o garrafão estiver encai- vida para ser aplica-
xado no adaptador do suporte. da sobre as tampas das embala-
Outra é não permitir que a água gens. Dotados de fitilho para faci-
entre em contato com a parte litar a abertura, os produtos po-
externa do garrafão, evitando dem ser fornecidos com a marca
dessa forma eventuais contami- das empresas já impressa, e tam-
nações. “Mesmo com o selo reti- bém com recursos avançados
rado, o garrafão volta para a contra falsificação, como hologra-
fonte lacrado”, fala Sônia Cipolla, fia, por exemplo.
temente a empresa decidiu descontinuar a pro- 100% Design Carlos Alberto Lancia, presidente da entidade.
(11) 3032-5100
dução dessa linha no país, alegando que a in- www.100porcento.net Além de defender que as donas das marcas
formalidade e a guerra de preços conduziram o Alcoa assumam essa cadeia de valor, passando a res-
setor para um beco de resultados abaixo dos 0800 159888 ponder pela manutenção dos garrafões retorná-
www.alcoa.com.br
esperados. “A partir de agora nos concentrare- veis, a Abinam vem se movimentando para fa-
Amcor
mos no mercado de tambores e baldes de aço (19) 3878-9057 zer valer uma série de medidas destinadas a
para produtos químicos, farmacêuticos e ali- www.amcor.com normatizar o uso desse tipo de embalagens.
mentícios”, esclarece Flavio Carneiro, supervi- Greif Uma delas é estabelecer um tempo máximo de
0800-151720
sor de marketing e vendas da Greif. www.greif.com.br vida útil dos garrafões, a princípio estipulado
O problema, na visão da Abinam, é que Ipiranga Petroquímica
em três anos, ou cinqüenta viagens. “Para os
muitos empresários simplesmente relegam aos (51) 3216-4449 fornecedores de resinas esse tipo de medida é
www.ipq.com.br
distribuidores a opção sobre tipo e condições obviamente muito bem-vinda”, anima-se Mar-
JPJ
de embalagens, formas de transporte e méto- (11) 3621-7522
cos Pinhel, gerente de contas da Voridian, divi-
dos de armazenamento. “Com isso, muitas em- www.jpj.com.br são da companhia química Eastman que forne-
presas abandonam suas marcas no mercado, Narita ce matérias-primas para a produção de garrafas
(11) 4352-3855
deixando-as expostas a mazelas que podem www.narita.com.br
e pré-formas de embalagens PET.
comprometer a qualidade dos produtos”, diz Owens-Illinois do Brasil
Mobilizações como essa reforçam a tese de
Garrafão retornável (11) 6542-8000 que há espaço para a cadeia de embalagem
www.oidobrasil.com.br
produzido com resina crescer no mercado brasileiro de água mineral.
da Voridian: segmento Polibrasil Basta dizer que nem mesmo no ano passado a
pode ser (11) 3345-5900
normatizado www.polibrasil.com.br produção do setor registrou queda. Conside-
em breve Politeno rando também a demanda oriunda das indús-
(11) 3704-6900 trias de alimentos e bebidas, a produção na
www.politeno.com.br
verdade subiu, alcançando 5,7 bilhões de li-
Propack
(11) 4781-1700 tros. Mesmo assim, a relação do consumo
www.propack.com.br anual por habitante, como já se disse, continua
Sol PP muito baixa: 25 litros, contra 152 no México,
(11) 4199-1316
www.solpp.com.br por exemplo. Seja como for, na parte de aces-
SP Plásticos sórios, serviços, equipamentos e matérias-pri-
(11) 4139-2557 mas de embalagem, é difícil contestar o fato de
sp.plasticosdobrasil@uol.com.br
que o mercado brasileiro de águas minerais
Voridian
(11) 5103-0003 dispõe do que há de mais moderno no mundo .
www.voridian.com.br Ao menos sob esse ponto de vista, o setor tem
tudo para retomar seu ciclo de expansão.

O Brasil no mercado mundial de águas minerais


2001 2002 2003
Países Volume Consumo Volume Consumo Volume Consumo
(milhões per capita (milhões per capita (milhões per capita
de litros) de litros) de litros)

Brasil 4.320 25 4.700 27 5.100 29


Itália 8.752 154 9.082 157 9.354 160
Alemanha 7.732 104 7.943 109 8.260 112
Áustria 642 85 661 86 680 92
Estados Unidos* 19.870 70 22.000 77 24.200 86
França 6.506 137 6.701 139 6.969 140
FONTE: DNPM

Portugal 478 71 854 75 866 78


México 15.462 152 16.900 157 18.250 162

* Incluindo todas as categorias de águas envasadas

26 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


materiais >>> alumínio

Repeteco em peixes?
Com lata nacional, alumínio quer bisar sucesso em bebidas nos pescados
uando se difundiu para valer entre mento de pescados. “Além de não enferru-

Q refrigerantes e cervejas nacionais,


no início da década de 90, a lata de
alumínio absorveu grande espaço
jar, a nova lata possibilitará consistência
mais firme do peixe e maior percepção de
seu sabor, pois ela não interfere nas proprie-
da lata de aço, até então o padrão em embala- dades naturais do alimento.”
gem metálica para essas bebidas. Agora, a la- Em termos de shelf life, não haverá mu-
tinha de alumínio está mirando dança. A lata de alumínio,
um outro segmento de como a de aço, garante
produtos de altíssimo dois anos de vida ao
giro no qual a lata de pescado. Contudo,
aço goza de expressi- como o alumínio é
va atuação: o de ali- um material mais
mentos, mais especifi- caro que o aço, o
camente o de pescados preço do produto
em conserva. para o consumidor fi-
Ocorre que a pri- nal deverá sofrer um
meira lata de alumínio acréscimo de até 20
para produtos alimentí- centavos. Um incre-
cios fabricada no Brasil mento justificável pe-
acaba de ser revelada, e las vantagens da nova
seu aporte está acontecen- lata, afirmam as parceiras.
do justamente na seara dos pesca- Para transmitir essa noção ao
dos, através do Atum Light Sólido da marca MIGRAÇÃO – Femepe consumidor, um folheto informativo sobre a
Pescador, produto da Femepe, de Navegantes pretende trocar gradati- nova embalagem irá acompanhar cada latinha
vamente as latas de aço
(SC), terceira maior indústria de pescados en- de seus pescados pelas dos três primeiros lotes do Atum Light Pesca-
latados do país. de alumínio, produzidas dor. Tal iniciativa faz parte das ações de mar-
O lançamento é resultado de uma parceria com uma nova chapa da keting que, ao lado do desenvolvimento do
Alcan, a Alu.Can (abaixo,
fechada entre a Femepe e a Alcan, que gastou o logotipo do material)
produto e da adaptação da linha de produção
três anos no desenvolvimento de uma chapa da Femepe, fecham um pacote de investimen-
de alumínio especial para a nova embalagem tos de 2 milhões de reais, dividido igualitaria-
(a propósito, EMBALAGEMMARCA reportou o mente entre as parceiras. “Estamos felizes de
andamento desse projeto da Alcan já na sermos pioneiros ao lançarmos esse novo
edição nº 44, de abril de 2003). Com fins mer- conceito no mercado”, diz Jorge Mauro, ge-
cadológicos, a nova matéria-prima ganhou rente comercial da Femepe.
até uma marca: Alu.Can. A nova latinha, por ora disponível somen-
te no volume de 170g, será fabricada na me-
Maior percepção talgráfica própria da Femepe, cuja produção
“Levamos em conta a necessidade de desen- também abastece com embalagens as outras
volver uma solução que não exigisse gran- marcas de pescados trabalhados pela empresa
des investimentos para adaptação das linhas – Alcyon, Navegantes, Costa Brava e Mar
de produção já existentes nas indústrias”, Azul. De início, o volume de produção men-
conta Adriana Stecca, gerente de marketing sal será de 300 000 latas. As linhas de latas de
de produtos laminados da Alcan. Segundo aço não serão descontinuadas, pelo menos em
ela, a lata de alumínio irá proporcionar im- curto prazo, informa a Femepe. “Mas nossa
portantes diferenciais para o acondiciona- intenção é estender a lata de alumínio às ou-

28 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


tras versões de atum da marca Pescador já a
partir do início de 2005”, adianta Mauro, cer-
to de que a nova embalagem poderá elevar o
faturamento da empresa, já neste ano, para
100 milhões de reais – 33% a mais que em
2003. Diz a Alcan que a Femepe terá exclusi-
vidade no uso da lata de alumínio para pesca-
dos “durante um período de maturação da
embalagem nesse mercado”.

Bom sinal da pesquisa


Para o début em pescados, a lata de alumínio
ganhou um rótulo de papel metalizado con-
vertido pela Baumgarten e com visual assina-
do pela agência paulistana G.A_com.
Ele foi projetado com base em uma pes-
quisa encomendada pela Alcan à consultoria
InterScience, que entrevistou 618 consumi-
dores de atum em São Paulo, Rio de Janeiro
e Curitiba. Segundo os resultados do estudo,
95% dos entrevistados avaliaram positiva-
mente o novo produto, dizendo que ele “dá
vontade de comer”. No entender de Adriana
Stecca, “isso já significa aprovação da emba-
lagem”. Tem-se aí, no mínimo, um primeiro
passo para que, como aconteceu com os
refrigerantes e cervejas, a lata de alumínio
para alimentos também conquiste os brasilei-
ros. “É essa a nossa expectativa”, reforça a
executiva da Alcan.

Próximo alvo: rações


Em evento de apresentação do
atum em lata de alumínio para a im-
prensa, ocorrido no início de setem-
bro, a Alcan sinalizou que a próxima
investida da nova embalagem deve
ocorrer no segmento de pet food,
mais especificamente em rações se-
cas. “É um mercado que olhamos
em curto prazo, até porque a lata
utilizada é similar à dos pescados”,
afirmou Adriana Stecca, gerente de
marketing de produtos laminados
da Alcan. “Iremos buscar outros
mercados no próximo ano.”

Alcan G.A_com
(11) 5503-0722 (11) 3065-3144
www.alcan.com.br renato@gaonline.com.br

Baumgarten InterScience
(47) 321-6666 (11) 3759-4777
www.baumgarten.com.br www.interscience.com.br
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Nova vitrine para o polímero-vidro
O Just Cavalli, da grife italiana
Roberto Cavalli, é mais um
perfume que está apostando
numa embalagem cuja estru-
tura destaca o uso do Glass
Polymer (“polímero de vidro”)
da Eastman, dedicado a simu-
lar as propriedades do vidro.
Na verdade, o frasco é forma-
do por diferentes partes inte-
gradas: um miolo de vidro, um
ombro de resina e um exoes-
queleto feito com o polímero
da Eastman, mais especifica-
mente o copoliéster Eastar
AN014. O frasco é produzido
pela italiana G. Candiani.
www.eastman.com

Bandejas de vida longa O copo amigo


A Peklimar, uma das maiores in- uma de EVOH, as bandejas, sela-
dústrias alimentícias da Polônia, das com uma película de alumí- Em vez de utilizar copos de policarbona-
está lançando uma nova linha de nio, preservam os alimentos por to para vender suas cervejas nos festi-
refeições prontas comercializada um ano sob temperatura ambien- vais europeus de verão, como tradicio-
em bandejas termoformadas de te. O aquecimento das refeições nalmente faz, a cervejaria belga Alken
400ml fabricadas pela inglesa pode ser feito em banho-maria ou Maes decidiu bancar uma novidade em
RPC Bebo Corby, divisão do gru- em forno de microondas. Para se 2004: copos de degradação acelerada,
po RPC, maior fabricante euro- destacarem nos pontos-de-venda, fabricados com o NatureWorks PLA, bio-
péia de embalagens plásticas rígi- as bandejas são ainda envolvidas polímero derivado de milho da Cargill
das. Com estrutura que combina por uma luva de papel cartão.
Dow. Cerca de 1,5 milhão de copos des-
duas camadas de polipropileno e www.rpc-containers.co.uk
se material foram distribuídos em even-
tos públicos entre os meses de junho e
julho. Os copos foram produzidos pela
Huhtamaki, que anunciou que o PLA
será estrela de sua linha BioWare de
embalagens amigáveis ao ambiente, a
ser lançada ainda em 2004.
www.huhtamaki.com
www.natureworkspla.com

Líquido sagrado com nova solução


A divisão Liquid leite pelo processo de por dois meses em
Packaging Systems da pasteurização UHT temperatura ambiente.
DuPont introduziu re- (ultra high temperatu- A primeira marca a
centemente na Índia re, o mesmo utilizado aderir à solução da
uma nova solução em nas caixinhas longa DuPont foi a Gagan,
embalagem com filme vida). Desse modo, a do laticínio Amrit
de alta barreira para o embalagem flexível Foods.
acondicionamento de pode preservar o leite www.dupont.com

30 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


O maior gole do cantil
Garrafa de alumínio tem primeiro uso em grande escala na seara das cervejas
o dilema entre qual embalagem

N
ESTOURO – Primeiras
utilizar para gerar mais vendas no 20 000 caixas da Iron City
varejo, a latinha de alumínio ou a em garrafa de alumínio
garrafa de vidro long neck, a cer- esgotaram-se em um dia
vejaria americana Pittsburgh resolveu ficar
com as duas – porém não como diversas con-
correntes, que colocam no mercado versões de
um mesmo produto nessas duas apresenta-
ções. Ao mesmo tempo, pode-se também in-
terpretar que ela não escolheu nenhuma delas.
Que se explique o jogo de palavras: a fim de
incrementar as vendas de sua cerveja Iron
City, a companhia acaba de relançá-la em gar-
rafas de alumínio, embalagens que conjugam
a leveza, a resistência e a conveniência das la-
tas metálicas com o apelo premium e o forma-
to das garrafinhas de vidro. É a primeira utili-
zação dessa embalagem para uma bebida de
tão alto giro em nível mundial.
A garrafa da Iron City, com volume de
aproximadamente 360ml (12 onças líquidas
na medida-padrão americana), poderá ser en-
contrada nos supermercados de trinta das cin-

DIVULGAÇÃO
qüenta unidades federativas dos Estados Uni-
dos. Para a fornecedora da embalagem, a CCL

Sem água, impressão mais refinada


Uma nova técnica de decoração de de uma vasta gama de cores”. Em
latas para bebidas, desenvolvida julho, latinhas de aço decoradas
pela Ball Packaging Europe (antiga com o processo waterless pude-
Schmalbach-Lubeca), está fazendo ram ser vistas numa edição limita-
barulho nos mercados europeus. É da da cerveja belga Jupileer, da In-
a impressão waterless, um siste- terbrew. Um mês depois, a Heine-
ma offset especial que não requer ken as utilizou numa série comemo-
água ou umidade, ao contrário das rativa do centenário de sua cerveja
vias tradicionais, e permite obter espanhola Cruzcampo (na foto ao
gravações ultra-sofisticadas. “Ela lado). Os usos pioneiros da impres-
permite a reprodução de degradês são waterless em ações de curta
complexos e de fotos em alta reso- duração não se dão à toa. Atual-
lução, ampliando o escopo criativo mente a Ball consegue produzir
de nossos clientes”, explica Rob apenas tiragens limitadas de latas
Miles, vice-presidente de marketing decoradas por esse processo.
da Ball Packaging Europe. “Ade- “Será possível fornecer maiores
mais, por se basear na quadricro- quantidades num futuro próximo”,
mia, a novidade garante a geração promete Miles.

32 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


Container, a aposta da Pittsburgh representa o propósito, a Pittsburgh é uma parceira de lon-
fim de uma novela. A companhia iniciou o ga data da Alcoa para o lançamento de inova-
projeto da garrafa de alumínio em 1989, co- Alcoa ções em embalagens: em 1962, elas lançaram
(11) 5509-0275
meçou a produzi-la no ano seguinte, bancou www.alcoa.com.br a primeira lata de alumínio para bebidas com
algumas experiências em edições limitadas no abertura do tipo pull-top, a precursora direta
mercado de bebidas em 2002 e agora, final- Ball Packaging Europe dos atuais sistemas utilizados mundo afora
www.ball-europe.com
mente, firmou um contrato de longo prazo. “É nessa embalagem). “Vale também dizer que
difícil acreditar como o alumínio se tornou a CCL Container realizamos testes com consumidores e eles
www.cclind.com
melhor coisa para a Iron City”, brinca Ed acharam o visual do alumínio cool. Tudo isso
Martin, vice-presidente de vendas e marketing irá gerar uma tremenda visibilidade à nossa
da CCL, numa alusão ao fato de “iron”, em in- marca num segmento altamente competitivo”,
glês, significar ferro. aponta Piccirilli.
“Ganhamos uma garrafa ‘inquebrável’, A julgar pelo impacto causado no lança-
passível de ser novamente fechada depois de mento do produto, a expectativa do executivo
aberta, pois ela possui tampa twist-off, e que da Pittsburgh está se concretizando. Uma leva
mantém a cerveja gelada por mais tempo que inicial de 20 000 caixas da novidade, distribuí-
o vidro”, afirma Joseph Piccirilli, vice-presi- da no dia 24 de agosto, se esgotou nas lojas em
dente da Pittsburgh Brewing Company. De menos de 24 horas. No dia seguinte, com a re-
acordo com Kevin Lowery, porta-voz da Al- percussão do lançamento, a imagem da nova
coa, a fornecedora do alumínio utilizado na cerveja foi a mais acessada no serviço Yahoo!
garrafa, ela é produzida com o triplo de alumí- News, na Internet. “A resposta tem sido im-
nio de uma lata de cerveja convencional, o pressionante. Já recebemos inúmeras consul-
que lhe proporciona isolamento térmico supe- tas sobre o produto de todo o país, assim como
rior, mantendo a cerveja gelada por cerca de do Reino Unido, da Irlanda, do Canadá e até
50 minutos a mais que uma garrafa de vidro (a do Brasil”, conta Piccirilli.
Mamutes e elefantes
Movimento é intenso na área de laminados para rótulos auto-adesivos
Por Wilson Palhares
alvez não representem ainda o es-

DIVULGAÇÃO/RAFLATAC
T plendor do tão esperado “boom”
do segmento de rótulos auto-adesi-
vos no Brasil, mas sem dúvida são
indícios significativos de que alguma coisa
importante está para acontecer em breve. Na
verdade, fatos importantes já estão ocorren-
do, na forma de intensa movimentação no
mercado de fornecedores de laminados para
esse sistema de rotulagem no país. Afora a in-
corporação da JAC pela Avery Dennison em
âmbito mundial, há algum tempo, basta lem-
brar, no campo dos grandes players interna-
cionais, o recente acordo de distribuição de
produtos da Arconvert, do grupo italiano Fe-
drigoni, com a Gafor Distribuidora e a inten-
ção manifestada durante a Labelexpo Ameri-
cas, em Chicago, pela finlandesa Raflatac de
reforçar sua presença na América do Sul – evi-
dentemente passando pelo Brasil.
“Estamos presentes em todos os continen-
tes do mundo, menos na América do Sul, o Bobina em máquina de
que torna lógico o nosso interesse pela re- laminação numa fábrica
gião”, declarou a EMBALAGEMMARCA Mika da Raflatac: planos para
presença na América do Sul
Sillanpää, vice-presidente senior de Desenvol-
vimento Estratégico da empresa. Ele observou, contudo, clientes e potenciais clientes, não só nos limites do territó-
que os planos de expansão não devem ser anunciados an- rio brasileiro, mas também além fronteiras.
tes do final deste ano, e que a forma de entrada na região Única laminadora brasileira a expor na Labelexpo Ameri-
ainda está em aberto, podendo ser concretizada com a cas, a Colacril, por exemplo, ratificou no evento seu inte-
aquisição de uma empresa local ou com o aumento gra- resse na expansão internacional, com maior volume de ex-
dual da presença da Raflatac nos mercados sul-america- portações para países da América Latina, onde já tem for-
nos, passando pela instalação de um centro de distribuição te presença, e da América do Norte, da África e da Euro-
e posterior construção de uma fábrica. “Está tudo em aber- pa. “Na Labelexpo Americas procuramos parceiros para
to, mas temos efetivo interesse no mercado brasileiro, distribuir nossos produtos nos mercados do norte, porta de
dada a sua importância na América Latina”, afirmou. entrada para o mercado americano”, confirma Fábio Fon-
seca, diretor de negócios internacionais da empresa.
Além fronteiras – Pelo ruído e pela vibração do solo, No mês em que completou vinte anos de fundação, se-
pode-se sentir também que, além da marcha de mamutes tembro último, a Colacril foi a empresa escolhida por EM-
transnacionais, elefantes nacionais – de porte menor, po- BALAGEMMARCA para aprofundar ainda mais a ampla co-
rém igualmente respeitáveis – não estão deixando por me- bertura que desde sua primeira edição dá ao setor. Com a
nos. À parte rumores e conversas a boca pequena sobre o reportagem a seguir, a revista inaugura, em sua seção
possível ingresso de novos participantes na banda dos Rotulagem, a rubrica Perfil. Em edições futuras, nela se-
fornecedores, algumas das principais empresas demons- rão apresentadas outras empresas do setor.
tram estar tratando de consolidar posições, investindo em
Avery Dennison/JAC Colacril Raflatac (Texxud)
tecnologia e em treinamento. Ao mesmo tempo intensifi- (19) 3876-7600 (11) 6982-6900 (11) 3167-2341
cam ações com vistas a estreitar o relacionamento com www.averydennison.com www.colacril.com.br texxud@uol.com.br

34 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


perfil

Em dia com o estado da arte


maior e mais moderna indústria de

FOTOS: STUDIO AG – ANDRÉ GODOY


“A materiais auto-adesivos da América
Latina.” É assim que Valdir Arjona
Gaspar, diretor presidente da Cola-
cril – Auto-adesivos Paraná, descreve a empre-
sa aos convidados que conduz nas visitas à mo-
derna fábrica de produtos laminados, em papel e
em filmes, destinados aos mercados de rotula-
gem primária, promocional, automação comer-
cial e industrial situada em Campo Mourão, no
Paraná. Instalada numa área de 50 mil metros
quadrados com muito verde e instalações bem
cuidadas, no centro geográfico do Mercosul, “é A BMB em ação na fábrica da
a única fábrica do ramo no Brasil construída a Colacril em Campo Mourão (PR):
on line 24 horas com a Suíça
partir de zero, com tudo zero quilometro”, enfa-
tiza o empresário. com maior resistência a rasgos e melhor resultado de im-
Ele tem bons motivos para brandir essa classificação. O pressão, e filmes de qualidade superior, com maior transpa-
principal equipamento produtivo da unidade é uma avança- rência.” Nessa linha, o processo de siliconização é total-
da BMB (Bachofen + Meier Ag Bülach), monitorada inin- mente computadorizado, tornando possível alterar com pre-
terruptamente pelo fabricante, na Suíça, através de um com- cisão a formulação dos silicones com a máquina em movi-
putador dedicado a essa função. A máquina siliconiza e ade- mento. Assim, há ganhos de qualidade e redução de perdas.
siva em linha o material que irá servir de base para a im-
pressão de rótulos, em bobinas ou em folhas. Segundo Val- Sem solvente – Atendendo à orientação de manter a
dir A. Gaspar, além de ganhos em produtividade, entre as empresa em dia com o estado da arte, o executivo afirma
vantagens de não haver interrupção para que o material seja que, entre outros procedimentos, a Colacril foi inovadora
trabalhado em outros equipamentos estão a perfeita repeti- no Brasil em vários pontos, a começar pela adoção de tec-
tividade e o controle do processo, o que impede oscilações nologia de siliconização solventless, ou sem solvente. No
na qualidade final do produto. processo produtivo, esse procedimento, além de ambiental-
A BMB, nas palavras do industrial, é “a melhor lamina- mente correto por não emitir grandes quantidades de sol-
dora do mundo e, no caso específico, a mais moderna do ventes na atmosfera, resulta em benefícios como segurança
Brasil”. Foi adquirida nos termos da filosofia “investir no para os operadores e para as instalações. Isso porque não
que há de mais avançado em tecnologia”, ele explica. “Pro- apresenta os riscos contidos em solventes inflamáveis. Ade-
dutos que rodam em equipamentos de última geração não mais, garante uniformidade e precisão na força de destaca-
são os mesmos que rodam em equipamentos antigos”, diz. mento do frontal auto-adesivo do protetor (liner), proprie-
A explicação: “Equipamento moderno exige insumos de úl- dade conhecida como “força do release”.
tima geração, como adesivos solventless, papéis adequados, Valdir A. Gaspar destaca também, entre as iniciativas
inovadoras da Colacril, a adesivação pelo processo “vario-
Fachada da
indústria: gravure”, que garante a aplicação do adesivo de forma
“Tudo zero, constante e sem falhas. Acresce que, nesse processo, a ten-
a partir são, a reumidificação em papéis, as temperaturas de cura e
de zero”
outros detalhes são 100% monitorados por controles auto-
matizados.
O acabamento do material auto-adesivo é um ponto que
o industrial destaca com igual ênfase. No caso de bobinas,
ele aponta, “é feito em modernas rebobinadeiras, com ten-
são e alinhamento altamente precisos”. Nesse formato, o
produto pode ser personalizado para cada cliente. Já as fo-
lhas “são cortadas com altíssima precisão em equipamentos
que ajudam a garantir a planicidade e o não sangramento de

36 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


perfil

Vista aérea da fábrica: 50 mil metros quadrados de área com muito verde e boa conservação

adesivos pelas bordas”. Esse procedimento integra o pro- ajudantes de caminhões da Colacril, exemplifica, são trei-
grama Perda Zero da empresa, cujo prato de resistência é a nados para deixar o material onde o cliente determina, “não
possibilidade de atender pedidos nas larguras determinadas simplesmente no pátio”. Um centro de distribuição estrate-
pelos clientes. Para garantir que as mais exigentes especifi- gicamente localizado em São Paulo agiliza a logística.
cações sejam atendidas, um laboratório que opera ininter- Por tudo isso, o industrial diz sentir-se lisonjeado quan-
ruptamente monitora a qualidade de todos os materiais, des- do visitantes estrangeiros se surpreeendem ao ver uma fá-
de o recebimento das matérias-primas até o acabamento. brica na América Latina com os padrões da sua empresa.
Especial destaque é dado também ao recém-criado Cen- Mas diz-se “muito mais satisfeito por dar aos clientes a ga-
tro de Desenvolvimento e Especialidades, uma área indus- rantia de fornecimento de quantidades industriais que os
trial separada das máquinas de produção em larga escala – concorrentes não conseguem”. Ele vê nisso “a nacionaliza-
“mas ainda assim com altas capacidades em termos de vo- ção e a auto-suficiência dos insumos brasileiros para auto-
lume” – e dedicada ao desenvolvimento de novos produtos adesivos”. Nesse sentido, conclui, “a Colacril é um patri-
e novas tecnologias. Nesse centro há a possibilidade de mônio tecnológico do segmento, a serviço do mercado”.
atender pedidos de pequenas quantidades de materiais espe- O laboratório: análise desde a matéria-prima até o acabamento
ciais, desenhados e produzidos para necessidades específi-
cas, difíceis de ser atendidas com produtos de linha.
Para completar, na hora de entregar os materiais a Cola-
cril conta com frota própria de caminhões, “dotados de lo-
gística integrada”. Com essa expressão, Valdir A. Gaspar
define as plataformas elevatórias eletrônicas instaladas nos
veículos, que dispensam o uso de empilhadeiras, nem sem-
pre disponíveis em gráficas convertedoras de menor porte,
por exemplo. Frotas terceirizadas, na opinião dele, “não
oferecem a mesma qualidade de serviço”. Os motoristas e

Integração de cadeia produtiva, na prática


A Colacril, segundo seu presi- Os fornecedores têm espaço com amostras e painéis explica-
dente, se empenha pela integra- privilegiado na empresa: um tivos. Nesse espaço os visitan-
ção da cadeia de auto-adesivos. show-room temático de tes podem conhecer a cadeia
Na ponta do atendimento, criou 1 000m2, com stands perma- produtiva dos laminados e ter
apostilas de treinamento e já nentes de apresentação dos in- contato direto com os proces-
distribuiu mais de 10 000 fitas sumos utilizados na produção, sos dos fornecedores, “cujas
de vídeo ensinando a aplicar, marcas são avais de credi-
manusear e armazenar ade- bilidade aos produtos Cola-
quadamente o produto. O cril”. Já têm estandes mon-
objetivo da iniciativa é refor- tados a BASF, a Rhodia (sili-
çar junto ao usuário o con- cones) e a Votorantim Celu-
ceito e os benefícios do rótu- lose e Papel. A Ripasa já ini-
lo auto-adesivo. ciou a montagem do seu.

38 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


Bem armado mas nanico
Por Marcos Palhares, de Chicago Labelexpo faz lembrar que em tecnologia de
rotulagem tem muito para crescer no
rótulos o Brasil vai bem. Já em consumo…
A Brasil. Essa constatação, comum nas
análises feitas por profissionais e em-
presários envolvidos com a atividade no
país, provavelmente foi reforçada na visão de visitan-
tes brasileiros ao Centro de Convenções Donald E.
Stephens, em Chicago, onde ocorreu a Labelexpo
Americas, de 13 a 16 de setembro último. Mas uma
análise mais profunda revela que, na área específica
de conversão de rótulos e etiquetas, a indústria bra-
sileira não está muito distante da instalada em países
mais desenvolvidos, ao menos em termos de quali-
dade e de atualização tecnológica. Na verdade, os
players locais estão sintonizados com as principais
tendências – e vários até contando com equipamen-
tos de ponta, o chamado “estado da arte”.
A história muda de figura quando o assunto é ta-
manho de mercado. Ante o gigantismo de um lado e
o nanismo de outro (o nosso), reforça-se a noção do
enorme potencial de crescimento do mercado brasi-


leiro. Bastaria, como lembraram alguns visitantes, Para a Colacril, esta primeira participação como expositora na
resolver a questão da melhora do rendimento médio Label Expo Americas, em Chicago, teve o objetivo principal de
da população e da distribuição da renda… consolidar ainda mais nossa presença internacional. Atualmente, ex-
Nos Estados Unidos, país que prima pelos even- portamos para doze países da América do Sul, da Europa e da Ásia,
tos e pelo consumo em megadimensões, a Labelex- e estamos despontando como uma das principais potências globais no
po Americas, focada em rótulos, ostenta números de fornecimento de materiais auto-adesivos em vários continentes.
fazer inveja a qualquer empresa. A feira de Chicago O fato de estarmos presentes nesta que é uma das maiores feiras
reuniu mais de 400 expositores e atraiu quase 13 000 mundiais do segmento de rotulagem coloca o Brasil em posição de
visitantes interessados em fazer negócios. Como destaque, já que o país possui uma das maiores indústrias de mate-
mercado potencial têm à disposição um volume de riais auto-adesivos do mundo, com qualidade e tecnologia de classe
consumo de auto-adesivos per capita seis a dez ve- mundial. O fato de estarmos exportando, com excelente aceitação,
zes maior que o brasileiro, que fica em algo próximo para mercados exigentes e consolidados como o Europeu certifica
a modesto 1,5 metro por pessoa/ano. que estamos no caminho certo quanto à qualidade de nossos mate-
riais, desenvolvimentos e estratégias de mercado.
Caminho natural? A feira foi muito importante para nós, pois o próximo e principal foco
Nas visitas aos estandes e nas conversas com visitan- na área de exportação da Colacril é o mercado norte-americano, onde
tes e expositores, maneira direta e eficaz de detectar em breve começaremos a operar. Nossos planos incluem Estados Uni-
tendências, a dificuldade principal foi definir se as dos, México e Canadá, países com os quais tivemos muitos contatos e
de onde vieram muitos de nossos visitantes durante a feira.


inclinações mais consistentes apontam para rumos
específicos do mercado americano ou se serão trilhas
a ser percorridas por aqui também. Embora quase in- Fabio Fonseca, diretor de
variavelmente o que ocorre lá se reproduza no Brasil negócios internacionais da Colacril
depois de algum tempo, não se pode esquecer que o (11) 6982-6900
consumidor norte-americano médio tem maior capa- www.colacril.com.br
cidade de absorver os custos de produtos com apre-
sentação mais sofisticada do que a esmagadora
maioria dos brasileiros. Dessa forma, possivelmente
aquilo que é moda (no sentido estatístico da palavra)
nos Estados Unidos se restrinja a nichos de mercado
nestas bandas.

40 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


O caso dos filmes squeezable, capazes de aliar a
transparência do BOPP à flexibilidade do PE, é ilus-
trativo. Vedete destacada entre os fornecedores de
base para auto-adesivos durante a Labelexpo, esta-
vam presentes em incontáveis amostras de rotulagem
de bisnagas plásticas, indicando o constante cresci-
mento do que já é uma prática muito comum nos
EUA. Já a possibilidade de seu uso tornar-se um êxi-
to no Brasil ainda depende da presença maior das
próprias bisnagas nas gôndolas.
Em todo caso, vale mostrar as movimentações do
mercado de rotulagem na maior economia do mundo,
mesmo que boa parte delas já seja familiar aos em-
presários brasileiros. EMBALAGEMMARCA, única re-
presentante da imprensa brasileira presente ao even-
to, resume a seguir o que pôde observar no evento em
Chicago. Apresenta, também, a opinião de profissio-
nais brasileiros que lá estiveram.

Convergência de bandas
É interessante notar que a Labelexpo deste ano,
segundo os organizadores, registrou, em relação às
edições anteriores, maior presença de convertedores
usuários de equipamentos de banda larga e de máqui-
nas planas. Buscavam informações, idéias e tecnolo-
gia tanto de banda média quanto de banda estreita. No
sentido contrário, fornecedores tradicionalmente fo-
cados em banda larga apresentavam soluções de ban-
da média, procurando atrair o público, ainda compos-
to majoritariamente por usuários de banda estreita.
Isso denota a tendência, notada em anos recentes,
de busca dos convertedores por flexibilidade. A ban-
da estreita já faz incursões em áreas como a produção
de cartuchos, graças ao notável avanço na qualidade
da flexografia e à crescente oferta de impressoras hí-
bridas, como as da F-Line, apresentadas pela Nilpeter
em Chicago.
No mesmo sentido, pôde-se observar entre os ex-
positores oferta mais ampla de soluções para rótulos
que não o auto-adesivo, refletindo uma nova realida-
de de mercado – a de que um mesmo convertedor
atenda às demandas de seus clientes-chave por dife-
rentes sistemas de rotulagem. Assim, a Labelexpo ca-
racterizou-se, por exemplo, pela presença mais
expressiva de tecnologias para in-mold, termoenco-
lhíveis e roll-fed do que a registrada em anos anterio-
res.Especificamente no mundo dos auto-adesivos,

VERSATILIDADE – Cada vez


mais, impressoras como a
F3, da Nilpeter,
permitem combinar
diferentes sistemas
de impressão
fica claro que o mercado de laminação anda movi-


Com a economia aparentemente de volta ao crescimento, a La-
mentado. Inúmeros lançamentos foram feitos por fa-
belexpo é a exposição que mais atende às nossas expectativas
bricantes de bases para rótulos, hoje preocupados em
na busca por investimentos em tecnologia de valor agregado, soluções
oferecer especialidades para fugir da comoditização.
inovadoras e melhoria no atendimento aos clientes, uma vez que tem o
Essa tendência vem se confirmando em toda a cadeia
foco voltado ao mercado de rótulos, que é o nosso produto principal.
dos plásticos, partindo dos fabricantes de resinas e se
Quem acompanha a Labelexpo todos os anos pode não perceber, mas
estendendo até os fornecedores de filmes e laminado-
há sempre melhorias em tecnologia, processos e soluções que nos
res. Mais uma vez, emerge a pergunta: é também
permitem visualizar uma maneira de atender o mercado com produ-
uma realidade no Brasil, onde as margens comprimi-
tos de impacto visual, a custo competitivo e dentro dos mínimos pra-
das não oferecem muito espaço para soluções de
zos de entrega que hoje são comuns.
maior valor agregado? A resposta parece ser positiva.
Entre as inovações e tendências que a Labelexpo apresentou, destaco
o avanço da tecnologia RFID/Smart Label, talvez o principal desenvol-
Base aliada vimento em andamento, cuja aplicação pode revolucionar a cadeia de
Contribuindo para o avanço dos substratos há uma
fornecimento com suas vantagens e habilidades em identificar e for-
série de inovações às vezes invisíveis aos olhos dos
necer informações de produtos, controlar fluxo de materiais, raciona-
próprios convertedores, mas de resultados sensíveis
lizar controles, evitar roubos e automatizar processos. Estaria o códi-
na linha de produção e no custo final dos rótulos im-
go de barras com os dias contados? Outro campo que vem crescen-
pressos. São inovações em liners, silicones, tintas e
do rapidamente é a impressão digital, com máquinas cada vez mais
preparação de filmes para impressão, que resultam
industriais e confiáveis, com a promessa de ser economicamente viá-
em base melhor e facilitam o trabalho de conversão.
vel para pequenas tiragens, e ideal para respostas rápidas, de alta
Para ficar num só exemplo: a Dow Corning lançou a
qualidade e com possibilidade de aplicação de dados variáveis. O cus-
linha de silicones solventless Syl Off, que reduz o
to dos insumos ainda é a principal dúvida.
peso da platina no custo final do produto sem preju-
A exposição também é uma oportunidade de estar em contato com as
dicar seu desempenho.
máquinas impressoras de rótulos dos mais conceituados fabricantes,
sempre inovando para atender às necessidades de trocas rápidas, mé-
A bola da vez dias tiragens e baixo custo, uma tendência de mercado que há anos
Merece destaque especial a área de identificação. É vem motivando e exigindo as melhorias que buscamos. Além disso, o
raro encontrar, entre os convertedores, quem não es- leque de aplicações dessas máquinas vem crescendo cada vez mais,
teja acompanhando o acelerado desenvolvimento da atendendo não só as necessidades de impressão de materiais auto-
tecnologia de rádio-freqüência, sintetizada pela sigla adesivos, mas também de filmes flexíveis, filmes termo-encolhíveis, car-
RFID (do inglês Radio Frequecy Identification). tões etc. É a flexibilidade necessária para transformar um convertedor
Na Labelexpo, além de fornecedores de equipa- em fornecedor de soluções em rotulagem e embalagem.
mentos de aplicação do inlay (o chip com a antena) Enfim, é um evento que, além de tudo isso, permite estreitar relacio-
nos rótulos, era claro o esforço da indústria para ba- namentos com os fornecedores e somar todos os elementos para se
ratear a tecnologia. Tintas condutivas, que com o au- preparar para o futuro e buscar um posicionamento adequado para


esse desafio.
APOSTA – Transparência de BOPP
e flexibilidade do PE são os Alexandre Chatziefstratiou,
trunfos dos filmes squeezable,
Diretor industrial da
como o Novo Raflex, da Raflatac
Prakolar Rótulos Auto-Adesivos
(11) 6291-6033 • www.prakolar.com.br


Diferentemente das suas outras edições, a Labelexpo deste
ano foi marcada mais por novidades no setor de suprimentos
do que propriamente em máquinas. Por parte da Raflatac foi apre-
sentado o Novo Raflex, um filme de BOPP com características de ma-
leabilidade próximas ao PE que mantém as qualidades inerentes ao
polipropileno, tanto em espessura como em transparência. Falando
em espessura, aliás, outro lançamento da Raflatac na Labelexpo foi
um filme de BOPP com 30 micra, com suporte de PET de 30 micra,


trazendo vantagens em volume e excepcional transparência.

João Lukosevicius e Susana Silingauskas,


diretores da Texxud Ltda. (agente da Raflatac no Brasil)
(11) 3167-2341 • texxud@uol.com.br

42 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


xílio de estações de serigrafia podem fazer as vezes


Apresentamos uma nova tecnologia, chamada Ciba Prime IT,
da antena, eram uma das possibilidades aventadas
para tratamento de superfícies plásticas. Não se trata de
para que se chegue ao sonhado RFID de 5 centavos
um primer, mas de um tratamento que modifica permanentemente
de dólar. Falta, contudo, uma solução para o proble-
a superfície do plástico. Isso garante compatibilidade universal e as-
ma da aplicação dos chips nas antenas impressas,
segura adesão otimizada em todos os tipos de substratos plásticos,
uma vez que a precisão é imprescindível para o bom
como BOPP, PET, PE, PVC e PA.
funcionamento do sistema.
Como materiais plásticos têm baixas propriedades de molhabilidade
Prova de que as etiquetas inteligentes estão em
e adesão, dificultam a aplicação de tintas, adesivos e vernizes. Tra-
evidência foi a realização, em Chicago, de uma con-
tamentos de superfície convencionais para melhorar estas proprie-
ferência e uma feira dedicados ao assunto, na mesma
dades são pouco estáveis e não garantem que a modificação da su-
época da Labelexpo (veja quadro na pág. anterior).
perfície seja homogênea, além de poderem afetar as propriedades
químicas ou físicas do filme. No caso dos primers tradicionais tam-
Antes de Bruxelas, o Brasil bém há desvantagens, já que exigem um tipo de primer para cada
Dado o ritmo acelerado do desenvolvimento das tec-
substrato. Além disso, a camada do primer pode interferir nas pro-
nologias de conversão, pode-se prever que a próxi-
priedades ópticas do filme.
ma edição da Labelexpo, a realizar-se em Bruxelas
O Ciba Prime IT pode ser usado para impressão e laminação de
em setembro de 2005, será palco de muitas novida-
embalagens rígidas ou flexíveis, smart cards, rótulos, etiquetas e
des. Enquanto isso, cabe à cadeia de rotulagem man-
impressões comerciais. O produto pode ser encontrado em duas
ter-se atualizada, sob risco de perda de competitivi-
versões (base solvente e base água), e tem excelente compatibilida-
dade num mundo cada vez mais globalizado.
de tanto com tintas e adesivos de cura UV como com sistemas
Uma boa oportunidade para isso será o Latin
base água. Outra vantagem é que os substratos tratados com o
American Label Summit, agendado para 17 e 18 de
Prime IT têm tempo de estocagem praticamente ilimitado, desde
maio de 2005 em São Paulo. Segunda edição de um
que sejam protegidos da exposição à luz UV.
evento lançado este ano no México (ver
Escolhemos a Labelexpo Americas para ser o palco do lançamento
EMBALAGEMMARCA nº 59, julho/2004), o Latin
dessa nova tecnologia para a América Latina e NAFTA. Além de in-
American Label Summit pretende reunir converte-
troduzir a nova tecnologia e mostrar o seu potencial, iniciamos pro-
dores de toda a América Latina para discutir tendên-


missores contatos e futuras parcerias na região.
cias e novidades. Na condição de revista brasileira
que mais profundamente cobre o tema rotulagem,
Ana Paula Perroni Laloe, Ciba Especialidades Químicas
EMBALAGEMMARCA foi convidada para ser a apoia-
(11) 5532-7425 • www.cibasc.com/primeit
dora oficial do evento no Brasil.


A Comprint esteve presente na Labelexpo Americas 2004 com


A Labelexpo é uma feira totalmente
voltada para o ramo gráfico no seg- sua equipe de vendas que atua diretamente no mercado de ro-
mento de rótulos, etiquetas e outros mate- tulagem no Brasil. Uma de nossas representadas é a HP, que apre-
riais para embalagem com infinitas utilidades. sentou neste evento a WS4050, impressora offset digital que permi-
Ela oferece várias oportunidades para quem te impressão de até 7 cores e que trabalha bobina-bobina. O que a di-
está iniciando no ramo gráfico de convertedo- ferencia do modelo anterior, o WS4000, é o fato de poder imprimir,
res, e novidades para melhorar aqueles que entre outros, substratos transparentes com espessura minima de 15
já possuem prática no mercado. É visível a micra, ampliando assim seu range de atuação e aplicação.
preocupação dos expositores em fornecer so- No stand também estavam presentes alguns parceiros da HP nesta
luções em máquinas, materiais e softwares, linha industrial, tais como a Omega, que mostrou sua solução de
melhorando a qualidade e facilitando o dia-a- acabamento com corte a laser.
dia do convertedor. É sempre muito importante nossa presença neste tipo de evento,
O evento é necessário para o ramo gráfico pois vários empresários brasileiros visitam a feira, e a impressão di-
de convertedores, mas deveria ser realizado gital hoje já é uma realidade para o nosso mercado, com tendência
só uma vez por ano, revezando os países. de crescimento contínuo.


Com certeza teríamos mais novidades.


Alessandra Jobb, Comprint EVOLUÇÃO – WS4050
Celso Henrique Angimahtz (11) 3371-3394 da HP tem maior
Soft Color Etiquetas Adesivas Ltda. www.comprint.com.br range de atuação
(11) 6726-3000 • www.softcolors.com.br que o modelo
anterior

44 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


A Matan apresentou em Chicago a sua nova versão da im-


pressora digital Spring, chamada SpringPRO, que, além de
seis cores, vem configurada com Sistema Variprint para impres-
são de dados variáveis. Isso inclui a possibilidade de importar ban-
cos de dados do Excel e de outros aplicativos, mesclando informa-
ções por etiqueta impressa com textos, numeração, código de
barras, e imagens em traço e policromia, com possibilidade de po-
sicionamento randômico ou determinado das imagens, além de ro-
tação com progressão. A SprinPRO vem também com Sistema Va-
riflex de reimpressão em registro, que permite reimprimir bobinas
pré-impressas em outras máquinas com dados variáveis ou com
mais seis cores sobre o material já impresso, tudo em registro.
Assim, a impressora tem a capacidade de imprimir até doze co-
res, se necessário. Outro diferencial do equipamento é o sistema
de otimização dos ribbons de impressão. Células eletrônicas moni-
toram cada cabeçote de impressão, verificando a metragem de
cada cor que não foi utilizada e possibilitando ao convertedor fazer
um rewind dos ribbons não utilizados. Assim, obtem-se grande
economia da única matéria-prima utilizada no equipamento, que


são os ribbons termotransferíveis.

Miguel Troccoli, Diretor Comercial da Gämmerler Ltda.


Nossa intenção na Labelexpo foi apresentar, pela primeira
vez nas Américas, o Twin Cut da OMET. Trata-se de um sis-
tema de conversão em linha que, ao contrário dos sistemas conven-
cionais, é formado por duas estações de corte idênticas, com os ci-
lindros porta-ferramentas de diâmetro igual ao tamanho total do de-
senvolvimento de impressão da máquina, que tem 838,6mm. Essas
duas estações de corte trabalham em conjunto comandadas pelo
PLC da máquina, e como contam também com transmissão por
servo-motores, os cilindros literalmente lêem o comprimento de cor-
te do serviço específico, e cada um desce para posição de corte na
medida exata do produto. Depois, os cilindros levantam e adiantam-
se para o próximo corte ou meio corte. Nesse meio tempo, a banda
está correndo e o segundo cilindro desce para cortar o produto ain-
da sem corte.
Em resumo, é como se você tivesse um flat bed die cutting com ve-
locidade de 150 metros por minuto. A grande vantagem deste sis-
tema é que não é mais necessária a compra de um conjunto de ci-
lindros de corte. Há também economia na confecção das facas,
pois pode-se encomendar as facas no tamanho exato do serviço
sem a necessidade de completar o diâmetro total do cilindro. Como
vantagem adicional, qualquer das estações pode ser eletronicamen-
te desconectada, e pode funcionar como uma unidade convencional
de corte, se necessário. Esse sistema dá uma vantagem muito
grande ao convertedor que pode escolher quais serviços podem ser


feitos no modo Twin Cut ou convencional.

Lucas Woodyatt, Gerente Vendas Conversão da Gämmerler Ltda.



Fui às feiras Labelexpo e Frontline (ver abaixo) para conhecer
as últimas novidades na área de etiquetas normais e RFID.
Na Labelexpo, as vedetes eram os aplicadores de inlay sob etiqueta e
as máquinas laser plateless (não precisam de clichê para impressão
nem de facas rotativas para corte). Essas últimas apelam para a bai-
xa necessidade de consumíveis. Bastam o gás para alimentação do la- RFID – Tintas condutivas aplicadas
ser e a troca do cilindro uma vez por ano. Pode ser economicamente com serigrafia estão entre as
alternativas aventadas para
viável se considerarmos o volume de facas rotativas e clichês flexo-
reduzir custo de tags
gráficos adquiridos durante os anos. Nessas máquinas, desenha-se a
faca e a arte no computador, exporta-se e imprime-se. São verdadei-


ros equipamentos de CAM (Computer-Aided-Manufacturing). Fui à Labelexpo Americas em busca
Quanto às aplicadoras de inlay, a Melzer e a Bielomatik expuseram de novos produtos e novos contatos.
suas soluções ao vivo. A Melzer apresentou uma máquina versátil, A DRW é uma empresa de pequeno porte,
que permite a inserção de até quatro carreiras de etiquetas inteligen- mas com crescimento constante nos últi-
tes ao mesmo tempo, enquanto a Bielomatik produz apenas uma. mos dois anos. Esperava ver tecnologias
Ambas possuem um mecanismo de teste e separação dos inlays de- que se diferenciassem das que temos dispo-
feituosos, recurso indispensável para os tags de 915 Mhz. O conceito níveis no Brasil, mas vi que estamos bem
da Bielomatik é a modularização (ver EMBALAGEMMARCA nº 61, setem- atualizados. Nesse sentido, a única coisa
bro/2004), tendo o modelo básico 9 módulos, mas podendo chegar que me chamou a atenção foram as etique-
a 18 módulos, a serem acres- tas RFID. Esse é um mercado que chegará
centados de acordo com a ne- rápido ao Brasil, mas no início ficará restri-
to às grandes empresas, pois o custo ainda


cessidade.
é muito elevado.
Douglas Miyazato Percebi também um grande avanço dos fil-
Desenvolvimento de RFID mes sintéticos, o que é muito importante


Torres Etiquetas para a natureza.

MODULAR – Aplicadora de inlays Denis Piedade, diretor da DRW


da Bielomatik pode ser ampliada (11) 3903-1888 • www.drw.com.br

Uma tecnologia que chega com força


Se a intensidade com que um tema é discutido puder 2004. No evento ocorrido nos dias 8 e 9 de setem-
servir de medida para a importância do assunto bro foram discutidas as mais recentes inovações na
numa cadeia produtiva, pode-se dizer que as tecnolo- área.
gias de identificação estão assumindo posição de Entre os dias 13 e 15 do mesmo mês, o Navy Pier
destaque no mundo das embalagens e da rotulagem. recebeu a edição 2004 da Frontline Expo, conside-
Em setembro, apenas em Chicago, três grandes rado o maior evento norte-americano na área de
eventos trataram do assunto. Alguns dias antes da Auto-ID e RFID. A Frontline foi analisada por Douglas
Labelexpo Americas, que contou com expositores Miyazato, da área de desenvolvimento de RFID da
dedicados ao tema, o centro de convenções Donald Torres Etiquetas, um dos profissionais brasileiros
E. Stephens abrigou uma conferência específica so- que mais têm acompanhado o desenvolvimento des-
bre embalagens Inteligentes, a Smart Packaging sas tecnologias. Abaixo, a opinião de Miyazato.
A Frontline trouxe finalmente os pro- de aplicação de etiquetas em caixas da mostrou seus leitores dual-band
dutos 915 Mhz EPC-compliant. A totalmente adaptado para as necessi- para 13.56 Mhs e 915 Mhz.
Alien, a Texas e a Rafsec eram as prin- dades do EPC. Basicamente, as má- A Verisign despontou como provedora
cipais fornecedoras de inlay e leitoras. quinas aplicam etiquetas em um siste- de soluções EPC, aproveitando-se de
Fabricantes de componentes, como a ma de esteiras, com dois diferenciais sua conceituada reputação na área de
Philips (com o seu U-Code), STMicroe- importantes. Num, verificam a integri- segurança corporativa. A gigante IBM
lectronics, Atmel e Inpinj também dade do chip e, se for detectada algu- e a Seeburguer exibiram suas solu-
marcaram presença. Datamax, Prin- ma falha, separam a etiqueta, permi- ções dedicadas à integração do EPC
tronics e Intermec mostraram impres- tindo retorno ao fabricante. O outro ao B2B, WMS, entre outros sistemas
soras de código de barras com RFID diferencial é um sistema pneumático corporativos. Havia várias empresas
encoding, a Intermec e HHP, coletores que regula a força de aplicação da eti- oferecendo sistemas completos para
de dados com leitores para etiquetas, queta na caixa, reduzindo assim os ris- a área de logística, todas elas focadas
e a Sensormatic, sistema automático cos de danificá-la. A Sensormatic ain- no mercado americano.

46 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004



A Labelexpo é um dos grandes acontecimentos


Na Labelexpo a Ko-Pack reconfirmou o uso do
tambor central na impressão de filmes em banda mundiais do segmento, onde se conferem os últi-
estreita, inclusive os termo-encolhíveis, pois o tambor mos lançamentos e novidades. Nós da Avery Dennison
central facilita a manutenção de registro e a operação contamos com a presença de convertedores do mundo
nesses substratos. A empresa desenvolveu, além do tra- todo, e temos sempre a satisfação de receber os clien-
dicional sistema letterpress, uma solução para impres- tes brasileiros em nosso stand. No ano em que comemo-
são flexográfica com qualquer tipo de tinta UV, base ra os 50 anos da marca Fasson, além de novos serviços
água ou solvente. O tambor central é resfriado, garantin- a empresa promoveu na feira inúmeras soluções inovado-
do que o substrato não aqueça na secagem ou na cura ras em auto-adesivos, como RFID, produtos para impres-
UV. A alta tecnologia da Ko-Pack garante imprimir em al- são digital, de segurança e farmacêuticos, novos filmes
tas velocidades e realizar trocas rápidas, o que é muito para rotulagem primária e aplicações duráveis.
importante para quem imprime filmes para tiragens mé- Como destaque, tivemos o lançamento do adesivo Fas-
dias e pequenas. O equipamento mostrado na feira foi a son®C0196, especialmente desenvolvido para aplicações
400-F, uma impressora de doze cores, com dois tambo- de baixíssimas temperaturas e resistência a processos
res centrais de seis cores cada um e possibilidades de criogênicos (que utilizam nitrogênio líqüido para aplicações
hospitalares, biológicas e farmacêuticas). Três diferentes


laminação e acabamento em linha.
construções estão disponívies com o novo adesivo, resis-
Fernando Bortolim
tente a temperaturas entre -196oC e 90oC, além de ou-
Coras do Brasil
tras aplicações críticas como estocagem em gelo seco
(11) 5507-7010
(-80oC), autoclave, processos de radiação gama e resis-
www.coras.com.br


tência química a inúmeras substâncias.

Jorge Orejuela, gerente geral, Roberto Aspis, gerente


comercial, e Isabela Monteiro Galli, gerente de marketing
Avery Dennison
0800-701-7660 • www.averydennison.com.br

Participar de eventos internacionais técnicos e de negócios é


A Labelexpo Americas é o evento
mais importante para convertedores muito importante em vários sentidos. Uma ressalva: no aspec-
de banda estreita no mercado americano. to tecnológico, acho que uma feira realizada a cada ano, como a La-
Como em outros anos, a Stork marcou pre- belexpo Americas, que se alterna com a de Bruxelas, na Bélgica, não
sença com seus produtos voltados para mostra avanços substanciais que justifiquem o investimento. É o con-
este mercado, ou seja, para Serigrafia Ro- trário, por exemplo, da Drupa, realizada a intervalos maiores, de qua-
tativa, Preparação de Tintas, Gravação Di- tro anos. Isso permite que nela se reflita o amadurecimento tecnológi-
reta para Polímeros de Flexo, Anilox e Slee- co conquistado nesse espaço de tempo. Mesmo assim, na Labelexpo
ves. Como lançamento apresentou o Cabe- sempre aparecem coisas novas. Agora, por exemplo, a maior delas
çote de Serigrafia Rotativo alternativo, RSI foi a etiqueta inteligente, que de tão badalada já não é novidade.
Compact. Fácil de integrar às máquinas Enviamos quatro pessoas a Chicago porque essa feira é muito mais
existentes e com menor valor de investi- importante para se acompanhar tendências, sobretudo as estratégi-
mento, este equipamento foi projetado para cas. Funciona como uma bússola: sabe-se aonde vai dar, mas não se
atingir mercados com menor disponibilidade percebe exatamente quais os passos para chegar lá. Ali detectam-se
de recursos, mas que necessitam de alta indícios, sugestões, e isso vale muito.
Um ponto forte da feira é a chance de fazer contato com grandes li-


qualidade em seus produtos.
deranças, para identificar os rumos futuros do setor e para saber se
Paulo R Ruffini, Stork Prints Brasil os caminhos que estamos seguindo são os corretos. Em conversas
(19) 3437 1315 • www.stork.com com presidentes de grandes empresas internacionais é possível identi-
ficar estratégias, e só nesses eventos é que se conseguem esses
contatos. Fora daí é difícil encontrar e conversar com o presidente da


A Codimag apresentou os sistemas
Fasson, com o presidente da Raflatac, por exemplo.
“Semi-Rotativo Letterpress e Water-
Nessas feiras pode-se constatar que, com sua imensa população, o
less”, que crescem mais que os rotativos na
Brasil ainda consome pouco rótulo auto-adesivo, e reforça-se o interes-
Europa e na Ásia, em função da grande de-
se em mudar o quadro. Quando se volta para casa encontra-se a capa-
manda por pedidos de pequenas e médias ti-
cidade instalada parada, por falta de poder aquisitivo da população.
ragens em rótulos auto-adesivos. Em compa-
ração com outros processos, a impressão Se servir de consolo, assim se evidencia de forma ainda mais clara o
grande vão aberto para crescer e para sermos desenvolvidos.


em “Waterless” permite melhor qualidade de
impressão para quadricromias finas.
Possibilita também trocas e acertos em pou- Ronaldo Baumgarten, Presidente da Baumgarten Gráfica
cos minutos, com mínimo desperdício e alta (47) 321-6666 • www.baumgarten.com.br
qualidade mesmo em trabalhos complexos e
pequenas tiragens. A serigrafia semi-rotativa
é exclusividade da Codimag em parceria com
Stork. O formato das matrizes é sempre o
mesmo, dispensando jogos de diferentes me-
didas. Basta programar a impressora que o
formato se ajusta. A estação de meio corte A Inkmaker apresentou o equipamento A32 lançado este ano


e hot stamping trabalha também no sistema para produção de tintas para banda estreita base água, solven-
semi-rotativo com facas flexíveis, permitindo te ou UV, com capacidade para armazenamento de até 32 bases, do-
ter matrizes com custos muito menores e sagem em recipientes de 2 litros até 25 litros e precisão de até 0,1
com desperdício mínimo da película. grama. As bases podem ser armazenadas em canisters de 12 litros
A máquina apresentada na feira imprimia
com agitador, baldes ou tambores de 200 litros. Outro equipamento di-
um rótulo de vinho num papel texturizado,
vulgado foi o P18, dirigido a produtores e impressores que pretendam
em quatro cores “offset waterless” policro-
produzir tinta na própria fábrica (in-plant). É utilizado para tintas base
mia fina, com serigrafia semi-rotativa, verniz
água ou solvente. O P18 é capaz de armazenar até dezoito bases mais
flexo com reserva, hot stamping com clichê
um solvente e fazer a mistura em baldes de 20 quilos com a precisão
de magnésio e impressão em alto-relevo,
de 1 grama por base dosada. As bases podem ser armazenadas em
com produção média de 50 mil rótulos por
tambores de 200 litros ou tanques, cada qual equipado com sua bom-
hora. Fazia-se então a troca por outro tra-
balho totalmente diferente em BOPP trans- ba pneumática para o transporte do fluído desde o recipiente onde
parente, com tempo de troca de 16min, e está armazenado até o cabeçote. Ambos os equipamentos são total-
consumo de menos de 70 metros lineares mente automáticos, permitem a repetibilidade das cores, produção just


para acertar o serviço. in time e não contaminam o meio ambiente.


Gustavo Virginillo, Coras do Brasil
(11) 5507-7010 • www.coras.com.br

48 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


Sergio Pêra, Diretor de Vendas da Inkmaker do Brasil
(11) 5055-2013
estratégia >>> empreendedorismo

À caça de boas idéias


Companhia química faz parcerias para estimular empreendedorismo no país
té por suas adversidades econômi-

A cas, o Brasil é pródigo em criativi-


dade empresarial. Mais de 95% das
vagas de trabalho criadas estão em
novas empresas, e o país ocupa a sexta posi-
ção no ranking das nações mais empreendedo-
NONONON –
ras do mundo. Essa vocação inovadora esbar- nononononoononononon
ra, porém, em conhecidos percalços, como a

DIVULGAÇÃO
onononononononononon
desalentadora escassez de crédito. Mas fatores onoononononononono
como carência de assessoria mercadológica e
de conhecimentos técnicos também compro-
metem o amadurecimento de muitos projetos,
além de contribuir para que apenas cinco em CANAL DIRETO – ferra- Uma das ferramentas de que a
menta de relacionamento
cada 10 000 empresas brasileiras tenham pers- Eastman dispõe no Brasil para ras-
virtual permite o envio
pectiva de crescer, enquanto a média global de projetos pela Internet trear parceiros inovadores é a Inter-
supera a marca de vinte por 10 000 empresas. net. A empresa hospedou em seu site
Munida desses e de outros dados sobre o Innovation Center, uma espécie de
empreendedorismo no Brasil, a companhia canal de relacionamento virtual que permite,
química Eastman, que atua no mercado de entre outras formas de contato, o envio de
embalagens desenvolvendo polímeros para projetos para avaliação técnica. As idéias que
produção de frascos e recipientes plásticos, chamarem mais atenção poderão receber su-
está investindo em soluções tecnológicas e porte tecnológico, além de aporte de capital e
apostando em parcerias para identificar e via- assessoria de mercado. Estes dois últimos
bilizar projetos promissores no mercado bra- serviços serão prestados por um fundo de ca-
sileiro. A idéia, sintetiza Pedro Fortes, execu- pital de risco, o Rio Bravo Investimentos, e
tivo que assumiu há pouco o posto de geren- por uma organização de apoio a empreende-
te-geral da Eastman no Mercosul, é captar pe- dores, o Instituto Empreender Endeavor.
quenos e médios empresários que possuam Para anunciar essas parcerias a Eastman
boas idéias, mas “sejam desprovidos de apoio organizou um evento no Aeroclube de Jundiaí
tecnológico e financeiro”. (SP) no final de agosto último. Num hangar
foram feitas palestras da diretora do Instituto
Relevância estratégica Endeavor, Marília Rocca, e do sócio-funda-
As atividades que a empresa espera fomentar Eastman dor do Rio Bravo Investimentos, Paulo Bilyk.
são as mais variadas possíveis. Entre elas, é (11) 5506-9989 “No Brasil a maior parte dos novos empreen-
www.eastman.com.br
possível citar o desenvolvimento de produtos novosnegocios@eastman.com
dimentos acontece apenas por necessidade”,
ligados ao agronegócio, novos materiais e so- diz Marília Rocca, do Endeavor, palavra que
luções de acondicionamento de cosméticos, Instituto Empreender significa empenho em inglês. “Precisamos
Endeavor
alimentos e bebidas, além de um amplo leque (11) 3167-1311 fomentar no país o empreendedorismo basea-
de alternativas nas áreas química, de biotec- www.endeavor.org.br do em oportunidade e inovação, que efetiva-
nologia e energia. “Queremos investir em em- mente gera postos de trabalho de qualidade”,
Rio Bravo Investimentos
presas estrategicamente relevantes, que te- (11) 2107-6600 ela completa. A considerar a estimativa de
nham potencial de gerar retorno financeiro”, www.riobravo.com.br que há mais desempregados com diploma do
traduz Fortes, lembrando que o estímulo a no- que trabalhadores analfabetos no Brasil, essa
vos negócios é uma diretriz antiga na matriz espécie de cultura empreendedora merece
americana da companhia. todo o tipo de incentivo.

50 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


tecnologia >>> aço

Fim da mesmice no ar
Tecnologias de expansão prometem revigorar as latas para aerossóis
nquanto a ditadura da imagem de latas de aço para aerossóis, desde sempre

E cada vez mais impõe às pessoas si-


lhuetas esguias, a contramão é a
tendência no campo das embala-
gens metálicas. Nele, fugir da uniformidade
preso ao desenho cilíndrico, começa a se be-
neficiar dessas modernidades.
No início de 2003, a companhia francesa
Quadrimex lançou sua linha Arbre Vert de de-
tornou-se um imperativo. Acontece que, res- sodorizantes para ambientes em latas expan-
pondendo ao anseio das indústrias por reci- didas. Pouco depois, a bandeira varejista bri-
pientes de formatos impactantes, que desta- tânica Tesco seguiu a onda na sua linha de
quem seus produtos nas gôndolas, quiçá tor- cosméticos Skin Wisdom. No fim do ano pas-
nando-se valiosos patrimônios de marca, as sado, o spray modelador para cabelos Com-
tecnologias de produção de latas expandidas, pact, da espanhola Giorgi, utilizou latinhas
com perfis diferenciados, estão em franco de- bojudas para fortalecer sua imagem de produ-
senvolvimento. Para se ter idéia, até um seg- to concentrado. Meses atrás, a Brunel, grande
mento da metalurgia de embalagens especial- fabricante francesa de produtos de limpeza
mente carente de diversidade de formatos, o doméstica, colocou no mercado sua linha de
desodorizantes para ambientes Ambiance
FOTOS: DIVULGAÇÃO

d’Ailleurs em inovadoras latinhas com for-


TALISMÃ – Brunel mato de pêra. Tais embalagens renderam à
faturou prêmios pela
lata expandida de seu empresa um Oscar da Embalagem durante o
desodorizante último salão parisiense Emballage, em no-
vembro de 2003, e, mais recentemente, o prê-
mio da categoria aerossóis do Metal Awards,
promovido pela Associação dos Fabricantes
de Embalagens Metálicas (MPMA) do Reino
Unido.

Por água ou ar
Todos esses lançamentos valeram-se de uma
tecnologia denominada “hidroformagem”
(hydroforming), detida pela multinacional
americana U.S. Can Corporation (USC),
maior produtora de latas para aerossóis nos
Estados Unidos e segunda maior da Europa.
Nela, latas de três peças são posicionadas em
moldes com o formato final desejado e expan-
didas por meio de água pressurizada. Colabo-
ra com o processo o uso de uma chapa de aço
especial, desenvolvida pela Arcelor. “Ganha-
mos embalagens práticas, ergonômicas e alta-
mente atrativas”, diz Olivier Vanlerberghe,
gerente de marketing da Brunel. “Elas custam
por volta de 20% a mais que uma lata tradicio-
nal, mas nossos resultados nos pontos-de-ven-
da têm sido compensatórios.”
Nos Estados Unidos, as latas expandidas
para aerossóis vêm igualmente impulsionan-

52 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


do lançamentos inovadores. Há cerca de um
ano estreou por lá a primeira lata com forma-
to assimétrico produzida em larga escala. Ela
foi utilizada pelo famoso lubrificante e desen-
gripante multiuso WD-40 para celebrar seu
50º aniversário e tentar solucionar uma gran-
de dor de cabeça vivida pela sua fabricante:
as falsificações na China. Segundo a empresa,
nesse país o WD-40 goza de uma participação
de mercado próxima dos 50%, porém suas
versões “fake” abocanham outros 25%.
“Os falsificadores são muito inteligentes
na cópia de designs tradicionais de embala-
gens, mas o shape assimétrico é extremamen-
te difícil de ser reproduzido”, comenta Mike
Freeman, presidente da WD-40. “Com ele os
consumidores serão capazes de diferenciar
facilmente as embalagens genuínas das fal-
sas.” Para a obtenção de sua lata exclusiva,
“embarrigada”, a WD-40 utilizou uma tecno-
logia de expansão concorrente à da USC, de-
senvolvida pela gigante americana Crown
Cork & Seal. Ela funciona a partir de sopro
em alta pressão – a criação dos formatos se dá
por meio de ar comprimido. “Por sabermos
que o WD-40 é um item comprado por impul- GARANTIA – Lata

so, nossa proposta com a lata expandida é


assimétrica ajudou o
WD-40 a combater
Brasil poderia ter,
agarrar o olhar dos consumidores”, revela o falsificações na China mas ainda não tem
presidente da WD-40. “Assim não só aumen- Quando as latas expandidas para aeros-
tamos vendas, mas também fortalecemos a sol irão aparecer no Brasil? Ainda não
lealdade à nossa marca.” se sabe, mas não por dificuldade de
acesso a know-how produtivo. “Conse-
Arcelor
guir tecnologia não seria problema”,
www.arcelor.com
aponta Carlos Viterbo, gerente de mar-
Brasilata keting da Brasilata, uma das duas úni-
(11) 3871-8500
cas produtoras de latas para aerossóis
www.brasilata.com.br
no país. “O problema é que atualmente
Crown Cork & Seal se vive um paradoxo: em geral, o mer-
www.crowncork.com cado quer inovações sem aumento de
CSN custos.” O outro player da área, a
(11) 3049-7100 Prada, também sinaliza a possibilidade
www.csn.com.br de se desenvolver parcerias de inovação
Prada
nesse campo. “Mas, pelos investimen-
(11) 5682-1000 tos necessários, elas não podem ser
www.prada.com.br ações spot”, explica Marcelo Dinhi, do
marketing da Prada. “Temos chapa de
U.S. Can Corporation
www.usceurope.com aço adequada para essa aplicação”, diz
Sérgio Iunis, gerente de marketing de
embalagens da CSN. Os discursos de
Viterbo e Dinhi se afinam ainda em
SOPRO – Crown Cork outro ponto: o de que a indústria de
& Seal aposta na cosméticos tem tudo para capitanear a
expansão de latas
introdução da novidade no país.
por ar comprimido

54 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


Agradinho Café expresso para coador
Um café expresso torrado e moído produzida pela gráfica Amago. Dentro
resgata bolos em embalagem alto vácuo, nas ver- da caixinha há uma embalagem flexí-
caseiros sões 500g e 250g, indicado para o vel metalizada, produzida pela Santa
O Moinho Arapongas, que atua no preparo com coador, é o produto que Rosa Embalagens, sem nenhuma im-
ramo de alimentos derivados de a indústria Café Canecão, de Campi- pressão.
milho, farinha de trigo e massas, nas, está colocando no mercado bra-
acaba de ingressar no segmento sileiro. O Café Canecão Exportação,
de misturas prontas, com o lança- que a empresa já exporta com o
mento da marca Agradinho. O pri- nome “Best Brazilian Coffee Cane-
meiro lançamento é uma linha de cão”, é produzido com 100% de
mistura pronta para bolos. grãos arábica e torração média.
O nome do produto é uma tentati- A caixinha de papel duplex foi desen-
va de resgatar a sensação de volvida pela Spaço Publicidade e é
bolo brasileiro, caseiro, feito com
carinho para agradar as pessoas.
A Oz Design foi a agência contra-
“Cara Nova” na Mabel
A Mabel está lançando o projeto biscoitos Cream Cracker, Água e Sal,
tada para desenvolver a nova
“Cara Nova”, com a reformulação Maizena e Maria foi adotado o Bopp
marca e criar as embalagens. O
das embalagens de seus biscoitos. transparente + Cepex da Cepalgo.
stand-up pouch é fabricado pela
Além do projeto gráfico, desen-
Shellmar em BOPP metalizado.
volvido pela Haus Design, foi feita
uma revisão das estruturas das
embalagens.
Nas linhas Cream Cracker, Água
e Sal, Leite, Maizena e Maria (to-
das de 200g) e Recheados as
embalagens agora são de Bopp
transparente e metalizado, forne-
cidas pela Cepalgo e pela Plasco.
Para as embalagens de 400g dos

O Boticário tem reserva especial


Lokal Bier terá
Para agradar o público masculino, e o cartucho é fornecido pela Box
cerveja escura principalmente o chamado “metros- Print. O projeto da embalagem é da
Vinda do alto da Serra de Tere- sexual” O Boticário criou o perfume a10 Design.
sópolis, no Rio de Janeiro, a Malbec, que tem o nome de um tipo
cervejaria Lokal Bier, que está de uva, utiliza o álcool de vinho em
completando um ano e meio de
sua composição.
existência, desenvolveu uma li-
As embalagens exploram as cores do
nha escura da sua cerveja
vinho tinto. O frasco de vidro e o
pilsen, que tem previsão de
cartucho de papel cartão têm im-
lançamento para o fim des-
te ano. O produto será pressão em hot stamping prateado,
acondicionado em garrafa que no cartucho simula um rótulo.
de vidro de 355ml fabrica- Para valorizar este diferencial, a
da pela Owens-Illinois, com frase “Reservas Especial O Boticá-
tampas da Aro. Os rótulos rio”, foi aplicada no cartucho.
em papel couché são da O frasco de vidro de cor vinho,
gráfica Rami, com design com fundo espesso é fabricado
desenvolvido pelo marke- pela Wheaton. A tampa de surlin
ting da Lokal Bier. com anéis de metal é da Augros

56 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


Vejo EmbalagemMarca como uma revista de conteúdo
muito bem elaborado, que se aprofunda em temas de in-
teresse para o setor de embalagem. As reportagens con-
seguem sempre apresentar um enfoque diferente das
outras publicações da área. Além do enfoque inusitado,
as matérias costumam oferecer um amplo panorama, e
isso é muito útil.
Em conversas com outros profissionais do setor, o que
se percebe é que, se não for a mais lida, a revista é, sem
dúvida, muito lida e sempre comentada. Invariavelmen-
te as referências a EmbalagemMarca são de que é uma
revista importante e muito respeitada. Portanto, anun-
ciar nela é estar presente num veículo com credibilidade
e no ambiente que interessa. O feedback que temos na
Antilhas é de que, por ser efetivamente lida, Embala-
gemMarca dá retorno.
Cerveja personalizada
Para celebrar uma data ga é prevista para 60 dias.
especial ou comemora- O Grande Hotel de Cam-
ção, as empresas já po- pos do Jordão foi o pri-
dem lançar sua própria meiro a ter a própria cer-
cerveja, com rótulo espe- veja em comemoração
cial e a escolha de um aos seus 60 anos. Para a
dos tipos fabricados pela ocasião, foi desenvolvida
Baden Baden, para pro- uma Bitter Ale, cerveja
mover a imagem da com- pouco mais amarga que a
panhia com alto retorno ale padrão. Os rótulos são
institucional. produzidos pela Soft Co-
As edições são limitadas, lor, as garrafas pela Saint
com o número mínimo de Gobain e as tampas pela
cinco mil garrafas. A entre- Tapon Corona.

Novidades em conservas
A Brascen (Brasil Central mercado em potes de vi- As conservas já podem
Alimentos) lança 11 pro- dro fornecidos pela Saint ser encontradas nos su-
dutos de uma só vez. A Gobain com tampas da permercados de São Pau-
empresa de Goiânia pro- White Cap. Os rótulos lo, Goiás, Minas Gerais e
duz palmitos em diversas “no label look” são da Distrito Federal, e até o
apresentações: inteiro, Novelprint. O design foi final do ano estarão em
picado, em rodelas e até feito na própria Brascen. todo mercado nacional.
palmito carpaccio. Os
palmitos são extraídos
principalmente da pal-
meira real australiana,
da pupunha, do açaí e
da guariroba. A Brascen
comercializa ainda con-
servas de pepino corni-
chon e minimilho.
Os produtos chegam ao

Mucilon com visual renovado


A marca Mucilon da Nestlé, acaba da Nestlé.
de ser revitalizada. O projeto, da A tradicional bandeira laranja carac-
FutureBrand, teve como objetivo re- terística de Mucilon foi remodelada
forçar a visibilidade e o dinamismo e agora possui formas arredonda-
da marca que agora também incor- das e tridimensionais e a tipografia
pora toda a linha de cereais infantis ganhou maior legibilidade. As
embalagens também sofreram mo-
dificações: as fotos dos ingredien-
tes e do mingau ganharam maior
destaque reforçando o apelo infan-
til. A lata de aço é fabricada pela
própria Nestlé, com matéria-prima
da CSN. O fabricantes das tampas
são a Sonoco e a Mondicap.
Quarto prêmio da Tetra Pak Dez anos de ações “pro bono”
O processo de transformação do plásti- A Fundação Orsa, braço de ações empresas do Grupo Orsa. “Precisá-
co e do alumínio de suas embalagens
no Terceiro Setor do Grupo Orsa, vamos retribuir o que já havíamos
pós-consumo em telhas para a constru-
grande fabricante de embalagens ganhado”, diz Sergio Amoroso, pre-
ção civil rendeu à Tetra Pak um troféu,
de papelão ondulado, completou 10 sidente do Grupo Orsa.
na categoria Produto, do prêmio Plane-
ta Casa. Atualmente onze empresas anos. Nesse período, a Fundação (11) 4182-8880
produzem essas telhas no país. É o investiu mais de 52 milhões de www.fundacaoorsa.org.br
quarto prêmio que a Tetra Pak ganha reais em cerca de 70 programas e
este ano na área ambiental – os outros projetos espalhados pelo Brasil
foram o Mérito Ambiental da Fiesp, o para promover a formação integral
primeiro lugar no Ecodesign e o prêmio da criança e do adolescente em si-
Superecologia. tuações de risco pessoal e social.
Atualmente, ela possui 766 profis-
Aquecimento sionais e realiza mais de 1 milhão
Refletindo o aquecimento da economia,
de atendimentos por ano. Seus re-
o setor de papelão ondulado vendeu
cursos são garantidos pelo repasse
186 800 toneladas em agosto, 20,6% a
de 1% do faturamento bruto das
mais em relação ao mesmo mês em
2003. De janeiro a agosto, o setor cres-
ceu 13,9%, com vendas de 1,395 mi- Expectativa de retomada no fim do ano
lhão de toneladas. “Esperamos recupe-
No primeiro semestre deste ano o ano, o que zeraria as perdas em re-
rar as perdas de 2003”, diz Paulo Sér-
setor de embalagens registrou uma lação ao exercício anterior. Os pri-
gio Peres, presidente da ABPO – Asso-
queda média do volume de produ- meiros seis meses de 2004 tam-
ciação Brasileira do Papelão Ondulado.
ção de 4% em relação ao mesmo bém proporcionaram ao segmento
Divulgar faz bem período de 2003. O número faz maiores exportações, que evoluí-
Como parte da campanha “Porque se parte de um balanço recém-divul- ram aproximadamente 9,5% em re-
sujar faz bem”, a Unilever irá lançar gado pela ABRE – Associação Bra- lação ao primeiro semestre do ano
três versões de caixas de 1kg e de 500g sileira de Embalagem, baseado passado, e fizeram-no contratar
de Omo decoradas em seus versos com numa pesquisa semestral realizada mais: foram gerados 7 000 empre-
pinturas, mosaicos e grafites dos aten- pelo economista Salomão Quadros, gos diretos e indiretos nas indús-
didos pela ONG paulistana Projeto coordenador de análises econômi- trias fabricantes de embalagens,
Aprendiz. As edições limitadas devem cas da IBRE/FGV. Segundo ele, há um acréscimo de 4,8% em relação
ficar um ano no mercado.
a expectativa de que o volume pro- ao ano passado.
dutivo aumente 4% até o fim do (11) 3082-9722 • www.abre.org.br
Bertin em cosméticos
O Grupo Bertin, maior exportador de
carne bovina do país, comprou a marca Para logísticas de carga fracionada
OX Cosméticos, conhecida por utilizar A Kaufmann, fornecedora de equipa- neres, em cargas e descargas de ca-
tutano de boi em seus produtos. Líder
mentos para movimentação de car- minhões e em outros processos de
no fornecimento de sebo bovino para a
gas, está lançando o transportador movimentação, sendo ideal para a
indústria de itens de higiene e limpeza,
Moveflex motorizado, projetado para logística de carga fracionada. “É
a Bertin também fechou parceria com a
Unisoap, dona da marca Francis, para trabalhar com embalagens de dimen- uma tendência em processos de
ser sua fornecedora exclusiva de sebo e sões variadas, sejam de fundo plano transporte em detrimento das cargas
massa base para sabonetes. ou complexo. O equipamento pode dispostas em paletes, que requerem
ser utilizado na montagem de contêi- maiores espaços, custos e tempo de
Nadir exporta mais... manuseio”, afirma Giuseppe Corsi,
A Nadir Figueiredo deve fechar o ano engenheiro da Kaufmann. O equipa-
exportando 20% de sua produção total, mento incorpora detalhes de projeto
5% a mais que em 2003. Nos primeiros que permitem expandi-lo, contraí-lo,
seis meses deste ano, o lucro consoli- fazer curvas e movê-lo. Fora de uso,
dado da vidraria aumentou 90% em
ele pode ser dobrado, ocupando um
comparação com o mesmo período de
quarto de seu tamanho estendido.
2003, somando R$ 8,09 milhões.
(11) 3758-5654 • www.kaufmann.com.br

60 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


Na forma, a inovação percebida
Sem mudanças no formato, pode
haver inovação nas embala-
gens – em termos de tec-
nologia, novos materiais,
insumos avançados,
adição de benefícios
para o usuário e
mesmo tudo isso e
algo mais somado –,
mas ela talvez não
seja percebida se não
houver novidade tam-
bém formal. Essa foi
uma das conclusões
recorrentes manifesta-
das a EMBALAGEMMARCA por
vários dentre os mais de
500 participantes do 11º
Congresso Brasileiro de Em-
balagem, promovido pela ABRE –
Associação Brasileira de Embala-
gem, dias 22 e 23 de setembro úl- inovação reconhecida é através do
timo, no Hotel Renaissance, em formato”.
São Paulo. Segundo ele, o tema foi adotado
Tendo por tema central a “Embala- para esta edição do congresso pelo
gem em Tempos de Inovação”, tan- fato de que “inovar é a forma mais
to nas palestras técnicas quanto eficaz para se tornar compreensí-
nas de mercado, os conferencis- vel para o consumidor o avanço da
tas, brasileiros e convidados es- tecnologia e do estado da arte na
trangeiros, ressaltaram a necessi- indústria”. Mestriner considera tam-
dade de inovar como forma de bém que a embalagem, com a qual
atender às expectativas dos con- o consumidor tem o primeiro conta-
sumidores em relação às embala- to direto com o produto, é o melhor
gens e, assim, conquistá-los para instrumento para isso. “Uma das
as marcas. Obviamente, não grandes lições que pudemos tirar
obstante a força que possa ter um do evento é que precisamos usar
novo perfil, que quebre tradições e mais e melhor o potencial de comu-
paradigmas de embalagens tradi- nicação das embalagens, sua força
cionais, não se tratou de banir de- como mídia”, disse.
mais atributos que possam ser Em entrevista coletiva que prece-
agregados por recursos como re- deu a abertura do congresso, a di-
formas apenas visuais, uso de co- retoria da ABRE divulgou balanço
res, materiais mais resistentes e do setor referente ao primeiro se-
atraentes e – mãe de todos os mestre de 2004, dados econômi-
apelos de marketing – a conve- cos do segmento e projeções para
niência de uso. Mas, como sinteti- o ano, contidos em estudo realiza-
zou o presidente da ABRE, Fabio do pelo economista Salomão Qua-
Mestriner, “toda mudança deve ser dros, coordenador de análises eco-
apresentada de forma inovadora, nômicas da Fundação Getúlio Var-
pois a melhor maneira de tornar a gas (ver página ao lado).
Incursão acionária KBA anuncia nova Rapida 105
Administradora gestora de inves-
timentos por ativos, a norte- A subsidiária americana da KBA - quina é dotada ainda do novo siste-
americana Alliance Capital Mana- Koenig & Bauer AG anunciou duran- ma de corte Qualitronic II, equipado
gement anunciou a compra de te a Graph Expo/Converting Expo, com sistema de vídeo-inspeção de-
11,72% das ações preferenciais realizada em Chicago, no início de senvolvido para detectar folhas com
(sem direito a voto) da Suzano
outubro, o lançamento da nova ver- formatos imperfeitos e outros proble-
Bahia Sul Papel e Celulose.
A Alliance também divulgou que
são de seu conhecido modelo Rapi- mas no processo produtivo.
adquiriu 7,98% das ações prefe- da 105, que pode ser usado para im- www.kba-print.com
renciais da VCP (Votorantim Ce- pressão de plásticos, cartões e pa- (+ 49) 9 31 9 09-0
lulose e Papel) – fatia referente a péis. Além de alterações no de-
1,328 bilhão de ações PN.
sign externo, a nova versão foi
projetada para imprimir até
Cuidando da prata da casa
O projeto de fitoterapia desen- 18 000 folhas/hora. Segundo a
volvido pela Klabin para seus co- empresa, somada a diferentes
laboradores da unidade de Monte características operacionais e
Alegre, em Telêmaco Borba (PR), melhoras na engenharia dos
venceu a categoria Benefícios do
componentes, essa velocidade
1º Prêmio Vida Profissional, pro-
movido pela Sodexho Pass em representa um aumento de pro-
reconhecimento a práticas de dutividade de 20% em relação
gestão de recursos humanos. O aos modelos anteriores. Com
projeto consiste na distribuição configuração seis cores, a má-
de medicamentos produzidos
com plantas presentes nas reser-
vas florestais da própria Klabin.
História da celulose documentada
A ABTCP – Associação Brasileira geral. Exemplo: o
Rendez-vous gráfico Técnica de Celulose e Papel lan- setor de celulose e
A KSR Distribuidora - unidade de çou em setembro último o livro “A papel é hoje res-
negócios da Votorantim Celulose e
História da Indústria de Celulose e ponsável por nada
Papel (VCP) - está ampliando seu
programa de relacionamento com Papel no Brasil”, que traça em 150 menos do que 11%
o segmento gráfico. Uma das ati- páginas uma linha cronológica da de tudo o que é ex-
vidades que serão incrementadas evolução do setor, começando pelo portado pelo país.
é o "Encontro com os Gráficos", período imperial. Rica em ilustra- O livro pode ser ad-
evento composto de palestras téc-
ções, a obra levou três anos de quirido diretamente
nicas e de negócio. O mais recen-
te deles aconteceu em Manaus
pesquisa, tem acabamento de luxo, na entidade.
(AM), em setembro último. e traz informações válidas para www.abtcp.org.br
profissionais da área e curiosos em (11) 3874-2733
Private Equity
O fundo de investimentos euro-
peu CVC Capital Partners anun-
ciou no último dia 30 de setem-
Foco nas embalagens
bro a aquisição da divisão de tin- A belga Esko Graphics recente- te) e CtUP (Computer-to-UV-Plate).
tas e sistemas de impressão da mente anunciou o que definiu como A guinada estratégica, diz Kim Gra-
Basf, composta pela BASF “ajustes estratégicos” em seus ne- ven-Nielsen, presidente e CEO da
Drucksysteme GmbH e outras gócios. A partir de agora a compa- empresa, foi tomada com base nas
companhias gráficas do grupo
nhia dará mais importância ao mer- avaliações feitas da indústria gráfi-
alemão. Segundo comunicado do
CVC, o negócio inclui também a
cado de embalagem, oferecendo ca a partir da participação da em-
unidade de produção de pigmen- soluções que combinem equipa- presa na mais recente Drupa, reali-
tos de impressão localizada em mentos e softwares sob medida zada em maio último. Atualmente, o
Xangai, China. Os valores da para seus clientes. No segmento mercado de embalagens corres-
transação, que ainda está em de impressão, a idéia é focar no ponde a 60% do faturamento da
processo de aprovação por ór-
fornecimento de programas de empresa.
gãos reguladores, não foram re-
velados. workflow, além de dispositivos e +32 9 216 92 11
sistemas de CtP (Computer-to-Pla- info.eur@esko_graphics.com

62 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


Cartonagem high-tech
Especializada na produção de sos, a Roland 700 vem munida de
embalagens cartonadas, a Ápice Ar- dois softwares LCS para diminuição
tes Gráficas anunciou a compra de da cobertura de tinta durante a im-
uma nova impressora Roland 700. pressão. Já o sistema de troca de
Com recursos para impressão plana chapas (Direct Drive) conta com
em seis cores mais verniz base motores independentes no cilindro
água online, o equipamento permitiu porta-chapas, característica que
à empresa aumentar sua capacida- proporciona trocas simultâneas de
de instalada em 1 000 toneladas todas as unidades de impressão,
mensais. Muito usada nas gráficas enquanto a máquina faz a lavagem
de cartonagem, a Roland 700 impri- das blanquetas. Segundo a empre-
me até 15 000 folhas por hora, e sa, esse processo reduz em até
tem sistema de transmissão de da- 30% o tempo gasto na substituição
dos por fibras óticas. Para trabalhos desse tipo de acessório.
que requerem economia de recur- www.apice.ind.br • (11) 4221-7000

Suecos na Bahia
Mais uma prova do interesse euro- representantes da empresa, os par-
peu pela indústria brasileira de pa- lamentares suecos conheceram as
pel e celulose aconteceu no início obras de construção da nova fábrica
de setembro, quando nove mem- de celulose, além da Estação Vera-
bros do Comitê de Indústria e Co- cruz - reserva particular do patrimô-
mércio da Suécia visitaram a unida- nio natural da empresa, e de um de
de de Eunápolis (BA) da Veracel. seus núcleos de ações sociais, o
Acompanhados pelo presidente da Ser Criança.
Divisão Latino-Americana da Stora www.veracel.com.br
Enso, Nils Grafström, e de outros (73) 3166-8000

Tecnologia VSOP agora sob patente


A Drent Goebel anunciou ter conse- grafia e da rotogravura. “Desde a
guido na Europa e nos Estados fase de desenvolvimento, quando
Unidos o direito de uso exclusivo so- começamos a ver os primeiros resul-
bre a tecnologia VSOP (Variable tados do VSOP, sabíamos que deve-
Sleeve Offset Printing). Segundo a ríamos utilizar a tecnologia como um
empresa, essa técnica permite que diferencial competitivo”, completa o
sleeves dos mais diferentes tama- executivo da Drent Goebel. Ainda de
nhos possam ser adaptados em pro- acordo com Schellekens, a patente
cessos de off-set. Com isso, diz Rob está assegurada nos Estados Uni-
Schellekens, diretor de vendas e dos, Suíça, Alemanha, Holanda, Es-
marketing da empresa, a tecnologia panha, France, Inglaterra e Itália.
permite que os cilindros combinem www.drent-goebel.com
as vantagens do off-set às da flexo- +31 (0) 313 671 911

Tecnologia VSOP permite adaptação de sleeves


com tamanhos variáveis nas máquinas off-set
Novos insumos de Bons presságios animam cadeia gráfica
pré-impressão da Lá fora os primeiros indícios de que A estimativa superior é creditada a

Fujifilm no Brasil o mercado gráfico começou a supe-


rar a estagnação dos dois últimos
um conjunto de fatores. Inicialmente,
lembra Brandt, o PIB brasileiro foi
A Microservice ampliou a parceria anos vieram com a Drupa. Sob o 4,2% maior no primeiro semestre de
de distribuição que mantém com status de principal encontro de pro- 2004 na comparação com o mesmo
a Fujifilm desde 1982. Segundo fissionais gráficos do mundo, a mais período de 2003. “Depois de crescer
Donizete de Melo, coordenador recente edição da feira alemã, reali- apenas 1,3% no ano passado, o PIB
de vendas da unidade de artes zada em maio último, foi marcada da América Latina deverá aumentar
gráficas, a empresa se tornou a pela retomada da perspectiva de 4,6% em 2004”, comemora o presi-
distribuidora exclusiva no Brasil crescimento global no setor. No dente da Heidelberg para a América
da linha de insumos gráficos da Brasil, contudo, ainda do Sul.
faltavam provas de que
Segundo a Além dos indicativos de
marca japonesa. Isso significa
que seu portfólio de pré-impres- o mercado gráfico está Abigraf, o retomada macroeconô-
são, que já conta, entre outras definitivamente deixan- mercado gráfico mica, as projeções da
soluções, com equipamentos de do para trás os recen- brasileiro cresceu Heidelberg se baseiam
automatização dos processos de tes tempos de raciona- em estimativas da Asso-
7,8% durante
gravação de chapas, agora tam- lização. ciação Brasileira da In-
bém terá produtos como scan- Felizmente tal ausência o primeiro dústria Gráfica (Abigraf).
ners, filmes e chapas para de sinais positivos pa- semestre Em evento também or-
gravação. rece ter se encerrado deste ano ganizado no último mês
A expectativa é que a inclusão em setembro último, de setembro, a entidade
dos insumos de pre-printing au- quando foram divulgados no país di- calcula que, destacando-se da es-
mente entre 15% e 20% as ven- ferentes balanços projetando pers- tagnação dos exercícios anteriores,
das da unidade de artes gráficas pectivas favoráveis para a cadeia o setor gráfico brasileiro cresceu
da Microservice em um ano. A di- gráfica nacional. O primeiro deles 7,8% durante o primeiro semestre
visão é a segunda maior dentro veio com a chancela de uma das deste ano. O balanço foi apresenta-
da empresa, perdendo apenas principais fabricantes de equipamen- do pelo presidente da Abigraf, Mário
para a produção de mídias digi- tos gráficos do mundo, a multina- César de Camargo, que recentemen-
tais, especialmente CDs e DVDs. cional alemã Heidelberg. te também assumiu a presidência do
A inclusão dos insumos de pré-im- Durante três dias, a empresa reali- Sindicato das Indústrias Gráficas no
pressão marca também a criação zou em São Paulo um evento na Estado de São Paulo (Sindigraf-SP).
de uma nova política de relaciona- academia que mantém na Escola Umas das principais metas do novo
mento da Microservice com sua Theobaldo de Nigris, em parceria presidente do Sindigraf-SP é elevar
rede de revendas. A idéia, segun- com o Senai-SP. Na ocasião, além a produtividade anual do setor por
do Donizete de Melo, "é estreitar de demonstrar o funcionamento das trabalhador, hoje na faixa de 25 mil
o relacionamento com os atuais principais soluções lançadas em seu dólares, enquanto nos Estados Uni-
canais de distribuição e venda, estande na Drupa 2004 (ver dos a relação é de 150 mil dólares.
ampliando a rede de revendas e EMBALAGEMMARCA 58, página 74), a "Além da retomada econômica, a
de pontos de suporte técnico". empresa aproveitou para fazer proje- qualificação de maior número de pro-
Também fazem parte dessa es- ções sobre suas vendas no Brasil. fissionais, em parceria com os sindi-
tratégia investimentos em moder- Segundo Dieter Brandt, presidente catos da categoria, é extremamente
nização do centro de distribuição da empresa para a América do Sul, importante para aumentar a produti-
de Barueri (SP). “Já conseguimos a Heidelberg espera crescer 10% vidade da indústria gráfica no País",
atender a pedidos de insumos no país até o final do ano fiscal que conclui Camargo.
em até 24 horas no Estado de se encerra em março de 2005. Em
São Paulo, e em até 48 horas suas palavras, trata-se de um resul- Abigraf : (11) 5087-7777
para qualquer lugar do país”, tado “salutar”, sobretudo quando se www.abigraf.com.br
conclui Melo. considera que mundialmente a pre-
www.microservidigital.com visão da empresa é crescer a meta- Heidelberg: (11) 5525-4500
(11) 3959-1300 de disso. www.br.heidelberg.com

64 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004


Almanaque
Pioneirismos Embalagens, seqüência das
da Unilever aventuras venturosas
Após trabalhar com sucesso duran-
no Brasil te os primeiros anos do século 20
nos Estados Unidos, na Noruega e
na Suécia, o padeiro e confeiteiro
Vilhelm Huhtamäki regressou à
1966 Finlândia, sua terra natal. Resol-
veu, então, iniciar o primogênito de
• Seu xampu seus dez filhos, Heikki (ao lado),
Vinólia foi o na arte da confeitaria. Para tanto,
primeiro a ser enviou-o em 1917, aos 17 anos de
acondicionado idade, a uma escola de aprendizes
em embalagem de ofício em São Petersburgo, na
plástica no Brasil. Rússia. No entanto, logo eclodiu a
Revolução Bolchevique no país e o essa altura, Heikki nem sequer ti-
jovem se viu testemunha de um dos nha 20 anos. Hoje, a Huhtamaki é
1984 episódios mais importantes da His- uma das multinacionais mais in-
• Sua marca tória contemporânea. fluentes da área de embalagens. O
Pomodoro foi a Dois anos depois, ele conseguiu fundador morreu em 1970. Entre
sair do país pela Sibéria e rumou ao suas peripécias, não houve uma
primeira no
Japão. De lá retornou à Finlândia, viagem ao Brasil. Sua companhia,
segmento de
onde publicou um livro sobre suas porém, a fez: ela chegou aqui em
polpa de tomate
aventuras, casou-se com a filha de 1999, através da incorporação da
a utilizar um rico industrial local e resolveu Brasholanda, produtora de reci-
caixinha longa montar um negócio: uma fábrica de pientes plásticos termoformados e
vida no país. embalagens com seu sobrenome. A injetados.

Das marcas sinônimos de produtos


1998 Poucos devem saber, mas fórmica to era um substituto para a mica,
• Seu sabão em não é designação genérica daque- ou “for mica”, no inglês, e daí o
pó Brilhante les laminados decorativos utiliza- nome. Anos mais tarde, a Formica
foi o primeiro dos como acabamento em mobília passou a ser utilizada nos lamina-
a utilizar e na construção civil. Trata-se, na dos decorativos, que, gradual-
embalagem verdade, de mais um dos incontá- mente, tornaram-se o principal
plástica flexível. veis casos em que uma marca, de negócio da fabricante, ou core
tão notória, acabou virando sinô- business, como reza a língua
nimo do produto. inglesa. No Bra-
1970 A Formica foi
uma invenção de
sil, a detentora da
tecnologia e dos
• Sua marca 1913 do enge- direitos de uso da
Doriana foi nheiro america- marca (que, re-
a primeira no Dan J. O’Co- gistre-se, figura-
do mercado nor. No início, ela surgiu como va entre as dez mais conhecidas
brasileiro matéria-prima para a construção no mundo no fim dos anos 80) é a
de margarinas de isolantes elétricos. À época, o paulista Formiline Indústria de
cremosas. material comumente utilizado Laminados, líder do mercado
para tal fim era a mica. O produ- nacional de… fórmica.

66 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004