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XXV Encontro Nac. de Eng. de Produção – Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a

XXV Encontro Nac. de Eng. de Produção – Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a 01 de nov de 2005

Estudo de estruturas cognitivas na análise da confiabilidade em sistemas homem-máquina

Walter Roberto Hernández Vergara (UPF) vergara@upf.br

Resumo

A pesquisa insere-se no âmbito das ciências cognitivas e refere-se ao problema do erro no comportamento de operadores no controle e no gerenciamento de um sistema automatizado. São conceitualizados o paradigma do comportamento do operador, o desenvolvimento de uma taxonomia que considera os erros dos operadores, a identificação e avaliação das habilidades cognitivas e sua correlação com o ambiente de trabalho. É proposta uma estrutura com habilidades cognitivas dos operadores mostrando os diferentes níveis de complexidade para uma variedade de problemas. O trabalho está sendo desenvolvido no Núcleo de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia e Arquitetura da Universidade de Passo Fundo. Os resultados comprovam que os operadores atuam sobre suas próprias atividades cognitivas e metacognitivas, controlando e regulando as funções cognitivas relacionadas com os processos de mudança representacional, reduzindo, assim, as dificuldades do erro nas estratégias de resolução de problemas.

Palavras chave: Ergonomia, Tecnologia e experiência, Inteligência artificial, Resolução de problemas.

1. Introdução

As tecnologias baseadas nas habilidades de operadores são um aspecto importante na administração de sistemas de manufatura. Muitas tecnologias são substitutas da habilidade, ao invés de aperfeiçoadoras. A tecnologia baseada em habilidades humanas é destinada a tornar a habilidade, o discernimento, a inteligência e a experiência humana mais produtivos e mais efetivos. Essas tecnologias são projetadas em torno do princípio de relação homem-máquina, que envolve um processo de projetar relações inteligentes entre pessoas inteligentes e máquinas que possuem inteligência “limitada” (KIDD, 1994). Nesse sentido, cada vez mais os processos industriais complexos automatizados são conduzidos a implementar sistemas assistentes de operadores humanos avançados (ver Figura 1).

Esses sistemas assistentes são desenvolvidos a partir de técnicas de programação que

se assemelham à forma como um operador produziria um componente numa máquina manual convencional, usando seus procedimentos usuais de raciocinar e trabalhar.

Por outro lado, a consideração dos erros humanos na evolução de um acidente tem se tornado de suma importância no estudo da segurança do trabalho em sistemas homem- máquina. Em primeiro lugar, porque o desenvolvimento tecnológico de sistemas mecânicos e elétricos, combinados com adequados projetos, tem alcançado um estágio de precisão tal que evitam falhas em muitas circunstâncias no controle e proteção de plantas automatizadas (APOTOLAKIS et al. 1988); em segundo lugar, há as características dinâmicas do ambiente e

o papel associado do operador no controle de máquinas-ferramentas, que estabelecem

procedimentos para supervisionar operações de controle automático, situação que demanda tomada de decisões em termos de habilidades cognitivas e raciocínio. Este último fator é,

freqüentemente, a chave da geração de erros humanos, quando o operador interage com um

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sistema

procedimentos.

que

o

apóia

na

identificação,

no

diagnóstico,

planejamento

e

execução

de

no diagnóstico, planejamento e execução de Figura 1 – Modelo de uma estrutura cognitiva a atenção

Figura 1 – Modelo de uma estrutura cognitiva

a atenção na confiabilidade humana e

identificar

modelagem.

A segunda parte desta pesquisa é dedicada à apresentação de uma estrutura cognitiva

que explora e descreve as habilidades cognitivas de um operador com um sistema automatizado. A estrutura compreende um número de módulos, incluindo um apropriado paradigma do comportamento humano, uma taxonomia do ambiente com ligações para o atual ambiente de trabalho e uma metodologia com diferentes níveis de complexidade.

2. Modelagem da interacao homem-máquina

Em todos os métodos de avaliação da confiabilidade humana correntemente usados nos estudos de avaliação da segurança do trabalho, a análise da confiabilidade é geralmente confrontada com um espectro de procedimentos utilizados pelo operador em quase todas as possíveis configurações e situações operacionais e acidentais.

Esses métodos são basicamente estáticos porque a probabilidade de erros humanos é definida durante a análise teórica e não considera o feedback dos erros humanos no controle das ações nem as respostas das ações de uma máquina-ferramenta. Por outro lado, esses métodos, apesar de serem limitados pelas lacunas das considerações dinâmicas, são efetivos na estimação da probabilidade dos erros humanos e são muito aplicados na análise de confiabilidade (BARANZINI et al. 2001).

A existência e a aplicação de um modelo de resposta de um sistema automatizado são

bem entendidas e aceitas pelas abordagens de análises de segurança. No entanto, a utilidade

da modelagem do erro humano no contexto do ambiente de trabalho é um argumento de amplo debate na comunidade científica (KOLACZKOWSKI et al. 2004). Um dos principais motivos é a existência de lacunas na abordagem sistêmica quando se aplicam na prática os conceitos e idéias contidas na simulação do comportamento cognitivo humano.

3. Abordagem da análise de erros humanos

3.1. Modelo de cognição A disponibilidade de um paradigma do comportamento da cognição humana é uma condição indispensável na construção de uma taxonomia de ações erradas. Essa condição é ligada aos conceitos descritos anteriormente com a finalidade de simular a interação de

de

O objetivo desta pesquisa é concentrar

suas

deficiências

para

um

posterior

aperfeiçoamento,

usando

a

técnica

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operadores e máquinas para gerar um correto ambiente de estudo dos fatores humanos em situações complexas de trabalho.

Especificamente, o modelo deve ser hábil em imitar pelo menos as seguintes categorias de funções do operador: observação/percepção, memória (informação), interpretação (identificação/diagnóstico), escolha (planejamento/tomada de decisão) e execução de um plano de ação. As categorias das funções do operador mencionadas não são descritas aleatoriamente e devem refletir o consenso geral das características da cognição humana nos estudos em cibernética (ASHBY, 1956) e no contexto da modelagem do desempenho humano no processamento da informação (CARD et al., 1985; RASMUSSEN, 1986). Esta teoria pode ser formalizada como um Modelo de Cognição Simples (MCS) (Figura 2).

Memória (Basedeconhecimento) Planejamentoe Interpretação Escollha Justificador respostas pre-definidas
Memória
(Basedeconhecimento)
Planejamentoe
Interpretação
Escollha
Justificador
respostas
pre-definidas
Percepção/
Ação/
Observação
Execução
Ações
Dados deentrada/
medidas a tomar

Figura 2 – Um modelo de cognição simples (HOLLNAGEL, 1991)

As duas principais características do MCS são: (1) a distinção entre observação e inferência; (2) a natureza cíclica da cognição humana. A primeira significa o que deve ser claramente distinguido entre o observado e o que pode ser inferido das observações; a segunda significa as funções cognitivas ativadas no contexto de eventos passados – tanto quanto antecipar eventos futuros.

3.2. A taxonomia do comportamento dos erros humanos No contexto da análise de fatores humanos, o paradigma cognitivo é representado como um modelo para uma análise do comportamento humano que necessita ser incluído numa estrutura taxonômica para identificar as categorias de ações executadas erradamente.

A taxonomia combinada com o modelo MCS foi desenvolvida há alguns anos

(HOLLNAGEL, 1991) e nela se mantém, em todos os níveis, uma clara distinção entre as causas, manifestações e conseqüências dos erros do comportamento. As conseqüências são o resultado das interações homem-máquina e são implicitamente obtidas da simulação do processo ou da observação real de eventos.

As causas de um comportamento errado são as razões que determinam a ocorrência de

um certo comportamento impróprio. As manifestações são as formas na qual o comportamento impróprio aparece. As causas podem ser subdivididas em internas (descrição do operador) e externas (descrição do sistema). As causas que descrevem um sistema podem modificar uma ação de um operador ou um evento aleatório que é considerado a razão do comportamento errado. Isso significa que, na taxonomia proposta, devem existir dois principais recursos do comportamento errado: (1) as ações que descrevem um operador; (2) os eventos aleatórios. De qualquer forma, o paradigma da cognição humana deve apontar para uma taxonomia na qual existem conexões entre as diferentes funções do MCS, que podem ser formuladas em termos de causas e manifestações (Figura 3).

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Causas Percepção Manifestações = Causas Outras Interpretação Causas Manifestações = Causas Outras
Causas
Percepção
Manifestações
=
Causas
Outras
Interpretação
Causas
Manifestações
=
Causas
Outras
Planejamento
Causas
Manifestações
=
Causas
Outras
Justificação
Causas
Manifestações
=
Causas
Outras
Ação
Causas

Manifestações

= Causas Outras Justificação Causas Manifestações = Causas Outras Ação Causas Manifestações

Figura 3 – Causas e manifestações do comportamento errôneo

Nessa estrutura, a seqüência de incidentes devidos ao comportamento errôneo de um operador pode originar cinco níveis no MCS e depender das causas que geram um comportamento impróprio. Essa situação cria as condições para capturar a essência dinâmica da Interação Homem-Máquina (IHM), cujo objetivo é evidenciar os fatores humanos mais importantes nessa interação.

3.3. A taxonomia e o ambiente de trabalho Três tabelas podem ser desenvolvidas numa análise detalhada de causas e manifestações do comportamento errôneo correspondente para as cinco funções do MCS (Figura 4).

co rrespondente para as cinco funções do MCS (Figura 4). Efeitos específicos Intenção-Objeto Causas Gerais *
Efeitos específicos Intenção-Objeto Causas Gerais * Normalizado Escolha incorreta de * Vizinho Objetivo um plano
Efeitos específicos
Intenção-Objeto
Causas Gerais
* Normalizado
Escolha incorreta de
* Vizinho
Objetivo
um plano de ação
* Similar
* Não conhecido
* Estabelecida
* Longe
* Direção
Curta
Evento aleatório
* Movimento errado
* Direção errada
Agente 1:
* Estabelecidos
Sistema assistente
* Ramificação
Escolha incorreta de
* Captura
Planos de ação
um plano de ação
* Intromissão
* Setor de uma pista
* Normal
* Omissão
Sequenciamento
Evento aleatório
* Repetição
* Inversão
* Normal
Ação cronometrada
Escolha incorreta de
* Omissão
um plano de ação
incorretamente
* Precipitação
Figura 4 – Modelo de um sistema assistente segundo a taxonomia

Em cada tabela, as causas gerais e os efeitos específicos são subdivididos segundo a intenção do operador no controle de uma situação. Em cada tabela a causa geral pode:

estar relacionada a uma específica causa, que está diretamente ligada a um evento;

estar relacionada a uma manifestação do comportamento errôneo num nível imediatamente

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precedente;

ser a causa direta do comportamento errôneo.

Outras tabelas da taxonomia com uma descrição mais detalhada podem ser encontradas (HOLLNAGEL, 1993). No nível de execução de uma ação, a Figura 4 mostra as ligações causais com os eventos aleatórios diretamente relacionados com as situações (variáveis) do sistema. Essa característica é consistente com as condições previamente expressas por operadores quando relacionam as causas e os eventos aleatórios de ações errôneas fortemente afetadas pela interação com a dinâmica do sistema físico.

Enquanto se aplica a taxonomia para um específico domínio de trabalho, duas importantes correlações devem ser identificadas e formuladas antes de se realizar a análise do desempenho do comportamento errôneo humano: (1) as correlações que descrevem uma conexão entre a representação da interação homem-máquina com a taxonomia; (2) as formas que descrevem as manifestações do comportamento humano, que ligam a taxonomia com a representação do IHM (Figura 4). Essas correlações representam a conexão na análise da IHM, o modo de comportamento do sistema e do operador e a taxonomia.

TAXONOMIA Percepção Causas Interpretação + Planejamento eventos aleatórios Justificação Planos deação
TAXONOMIA
Percepção
Causas
Interpretação
+ Planejamento
eventos aleatórios
Justificação
Planos deação
Causas descritas Manifestações errôneas pelosistema prováveis Percepção Interpretação Sistema Planejamento
Causas descritas
Manifestações errôneas
pelosistema
prováveis
Percepção
Interpretação
Sistema
Planejamento
Justificação
Planos deação
Interaçãohomem-máquina

Figura 4 – A correlação entre IHM e a taxonomia

3.4. Metodologia O operador XX do Núcleo de tecnologia mecânica foi submetido a dois testes com o objetivo de pesquisar suas habilidades e dificuldades na compreensão e resolução de problemas na programação e gestão de um processo automatizado. O primeiro teste é baseado no inventário analítico de habilidades de Whimbey para compreender e resolver problemas (WHIMBEY et al, 1986); o segundo é a sondagem da representação mental baseada na identificação, representação e construção de um modelo de atividade para um processo de fabricação de uma peça, conforme a Figura 6. O equipamento utilizado é uma máquina de controle numérico baseado em um PC.

Foram organizadas 15 sessões, distribuídas ao longo de seis meses, cada uma com duração aproximada de duas horas. A seqüência de operações permitiu identificar um conjunto de estratégias na programação e solução de um problema. As sessões do experimento foram realizadas como uma estrutura de exercício programado. Para direcionar as regiões do espaço de estados em que o operador pode raciocinar, a intenção do operador ou objetivo do problema sempre foram o ponto de partida na solução de um problema.

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A metodologia do trabalho foi orientada pela necessidade de conceber os modelos da

atividade sobre os fatos recolhidos em diversas situações de trabalho, apresentando um certo grau de realismo. A verbalização foi utilizada como instrumento para o estudo do

funcionamento cognitivo do operador. Assim, obteve-se um conjunto de conhecimentos e

estratégias com uma determinada significação. A pesquisa é dividida em duas etapas distintas,

a saber:

A primeira etapa da pesquisa é caracterizada por dois níveis de análises:

uma análise ergonômica da atividade do operador que realiza a programação e o controle de produção na máquina-ferramenta num contexto global;

uma análise fina dos mecanismos cognitivos desenvolvidos pelo operador na realização de sua atividade de controle e de resolução de problemas.

Realizam-se também quatro tipos de análises a priori para que se tenha uma maior visão do problema sob observação. Primeiro, realiza-se uma análise completa do sistema, isto é, uma descrição do ambiente do problema num nível terminológico que ajude a determinar o espaço do problema dentro do qual o operador trabalha (VERGARA, 1995). Segundo, faz-se uma análise das tarefas dos operadores, observando como eles reduzem suas discrepâncias entre um estado do problema e o estado objetivo.

Em terceiro lugar, faz-se uma análise da transferência de conhecimentos dos operadores ao sistema da máquina-ferramenta na sala de controle, os quais são estados, objetivos a atingir e planos de ação verificados mentalmente pelo operador na justificação de uma tarefa. Por último, a quarta análise do sistema mostra uma representação do possível conhecimento que o operador poderia ter.

3.5.Um simples modelo de aplicação

A taxonomia deve conter duas características para avaliar seu campo de aplicação:

o modo de como um evento dever ser explorado, isto é, a habilidade para desenvolver uma análise retrospectiva e prospectiva do comportamento do erro humano;

a adaptabilidade nos diferentes níveis de complexidade da análise, isto é, as diferentes formas que o comportamento humano adotado para o estudo dos fatores humanos.

A taxonomia deve ser hábil para ser utilizada numa análise expansiva e retrospectiva

de eventos passados. Neste caso, a seqüência IHM é revisada desde o início de suas manifestações e o sistema deve mostrar um conjunto de respostas para o nível de percepção de sinais ou de informações. Este tipo de análise demanda o uso de um modelo de simulação do comportamento humano e do sistema em controle, além do paradigma do modelo humano

e da resposta do sistema como resultado da evolução dinâmica de eventos; por ser baseado em acidentes acontecidos, é muito importante para a definição de um sistema que descreva as correlações e a definição de possíveis manifestações do comportamento.

Neste último caso, o estudo realizado começa com a fase de percepção da informação do modelo do comportamento humano e vai até a definição de possíveis ações de execução e respostas do sistema.

O segundo aspecto crucial da aplicação da taxonomia discutido acima refere-se ao

nível de complexidade do modelo humano adotado. Em adição, o paradigma MCS contém todas as possíveis conexões e feedback, que podem acontecer durante o processo de ação- decisão para atingir um objetivo. Na prática, a aplicação do MCS para a análise IHM pode ser descrito em três níveis: (1) Nível 0, o desempenho é correto, que corresponde a um usuário com conhecimento correto e atenção e capacidade infinitas; (2) Nível 2, o desempenho pode

XXV Encontro Nac. de Eng. de Produção – Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a 01 de nov de 2005ser expresso por meio de uma função contínua, tal como uma função de probabilidade, que

ser expresso por meio de uma função contínua, tal como uma função de probabilidade, que corresponde a um usuário que é influenciado pelas condições de trabalho e pelas variáveis independentes, que se relacionam com todas as condições externas, tais como o projeto de interface, estrutura dos procedimentos, demanda do trabalho etc.; (3) Nível 3, o desempenho pode ser expresso em termos de regras ou de heurísticas, que corresponde a um usuário que é influenciado pelas condições percebidas ou estados internos (estados cognitivos), por exemplo, intenções, assunções, tendências, etc.

Um exemplo de uma simulação gráfica é apresentado na Figura 6 e é implementado no software SmartCAD Advanced 3-D Machining. A lógica do processo (estrutura intencional gráfica) é explicada com o objetivo de se entender a seqüência de processos gráficos:

a)

é uma seqüência de ações atribuídas ao sistema e realizadas manualmente como

referência dos eixos inicialmente, material de trabalho, fixação do material de trabalho na mesa, de forma que a peça esteja aproximadamente centrada sobre a posição da ferramenta atual, selecionar e inserir o tipo de cortador no mandril e fixá-lo com o objetivo de determinar o zero no eixo Z etc. e p é um teste de ação;

b) Conf(i, p): p mostra sua confiabilidade; Ajuste(i, p): p mostra seus objetivos;

c) A_Obj(i, p): i procura atingir o objetivo de p; P_Obj(i ,p1): i é submetido a executar p;

d) Int(i, p): i entende que p deve ser feito; IntAct(i ,a): i entende que deve agir em a;

e) Acontece(i, a): indica que num determinado período de tempo uma ação deve acontecer e que i é somente um agente deste processo;

f) Fazer(i, a): especifica que num determinado período de tempo uma ação aconteceu e que i foi somente um agente deste processo;

[AA

ZZ]

3 4 5 2 7 6 8 1
3
4
5
2
7
6
8
1

POSIÇÃO DE INÍCIO/FIM

[AA ZZ] 3 4 5 2 7 6 8 1 POSIÇÃO DE INÍCIO/FIM Figura 6 –

Figura 6 – Simulação do processo de fabricação de uma peça

4. Conclusões e trabalhos futuros

Nesta pesquisa foi tratado e discutido o problema de representar o comportamento de erros humanos numa estrutura cognitiva intencional influenciada pelo modelo taylorista e pelos ergonomistas, que observam a função do operador como a de intervenção para compensar as inadequações do projeto e da tecnologia.

O modelo baseado nas habilidades fundamentou-se no papel do usuário quando existe alguma disfunção num sistema complexo, o que exige que os projetistas pensem nas habilidades humanas como algo que deve ser necessário num projeto IHM.

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O trabalho de modelagem, numa fase preliminar, mostra sua potencialidade porque tem como objetivo o estudo das características dinâmicas da interação do sistema homem- máquina. A análise qualitativa da intervenção psicopedagógica oriunda das entrevistas e relatórios individuais realizadas na sala de controle no módulo experimental complementam essa modelagem na obtenção de padrões que conduzem à resolução de problemas a partir das habilidades cognitivas.

No momento, dois projetos de expansão do método estão sendo realizados: (1) uma aplicação prática da estrutura taxonômica para uma análise retrospectiva de um acidente real no domínio do gerenciamento de uma máquina-ferramenta e (2) um exemplo de aplicação no controle e direção de um sistema de processo químico em condições normais e acidentais. Dessas duas pesquisas, a metodologia para a análise da interação homem-máquina é revisada, melhorada e redefinida.

Referências

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