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Mistérios Dolorosos

► Ambiente (sugestão)
Um Crucifixo de madeira, realçado (com panos vermelho-escuro de fundo), com algumas velas
pequeninas acesas em volta; uma imagem de Nossa Senhora, para colocar junto à Cruz; Cartaz
com a frase: “Eu venho Senhor, para fazer a Vossa vontade”; pode haver música ambiente
enquanto não se inicia a recitação do Terço.

► Introdução
Caros amigos:
Vamos recitar os Mistérios Dolorosos do Rosário. E vamos fazê-lo tendo presente os Ministérios e
Vocações. Será um tempo para reflectirmos no valor do sofrimento humano, presente
inevitavelmente no caminho da nossa vida, na Redenção que a Cruz de Jesus nos trouxe e ainda, no
chamamento universal à santidade que Deus dirige a todos os homens, vocação esta onde se
misturam a alegria e as lágrimas, a Cruz e a Ressurreição, a morte e a vida, a felicidade assente na
certeza de que Deus nunca nos abandona apesar de termos de passar pelo Calvário. Como dizia um
autor, não há Sexta-feira Santa sem Domingo da Ressurreição.
Deixemos o Espírito Santo rezar em nós, deixemo-nos envolver pelo mistério da Paixão do Senhor
Jesus e ofereçamos este momento pelas vocações consagradas.

► Cântico: “Ninguém Te ama como Eu”

► I – No 1º mistério da Paixão
Vamos contemplar a hora da Agonia de Jesus no Horto das Oliveiras.

- Dispostos a fazer a vontade do Pai


É noite. Um silêncio pesado envolve a Terra. O Filho de Deus prepara-se para concluir a Sua
Missão no meio dos Homens. Missão essa que começou muito antes, há 33 anos, ao nascer em
Belém. Toda a vida de Jesus foi um sacrifício entregue ao Pai pelos Homens, de quem se fez irmão.
Esse sacrifício diário, silencioso, fiel, feito de pequeninas coisas, preparou-o para a Grande Hora.
“Pai, se é possível…” Mas não, não é possível, porque o Amor infinito de Deus assim o exige.
“Então, Pai, que se faça a Tua vontade!...” E Jesus aceita a solidão do Gólgota, a traição, o
abandono.
Jesus, sem se perguntar se Lhe apetece, se deseja a Paixão, abandona-se à vontade do Pai, como
toda a vida fez. “Faça-se em Mim, segundo a tua palavra”, foi o grito da Mãe. “Não se faça a minha
vontade, mas a Tua!”, foi o grito do Filho. Haja o que houver, para o que Tu quiseres, Senhor,
passo-Te um cheque em branco da minha vida.

Jesus, ajuda-me a pagar com amor o sacrifício que Tu fizeste por mim,
e a repetir no dia-a-dia o Teu grito: “a Tua vontade, Pai, a Tua vontade!”

(Recitação do 1º mistério)

► Cântico: “Ninguém Te ama como Eu”


► II – No 2º mistério da Paixão
Vamos contemplar a Flagelação de Jesus no pretório de Pilatos.

- Entregamos a vida pelos irmãos


“Não se valeu da Sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a Si próprio”, diz S. Paulo. Não
tinha de ser assim. Não tinha. Mas Deus não se deixa vencer em generosidade, dá tudo. Dá sempre
tudo. Cego pelo amor que tem a cada homem, a ti e a mim, aceitou dar-se até ao fim. Jesus é a
prova de que Deus não nos dá apenas coisas. Deus dá-se a Si mesmo a cada um de nós. E enquanto
os homens O açoitam, rasgando o Seu Corpo sem piedade, Jesus vai repetindo: “é por ti, é por ti, é
por ti!...” Como dizia alguém, o coração tem razões que a razão desconhece. Que frustração, Jesus,
ver-te assim a ser tratado, Tu que não merecias, Tu que podias acabar com isso. A verdade é que não
precisas deste sacrifício para nada. Mas é o Teu amor, o Teu zelo pelos irmãos que Te leva a
semelhante entrega. E essa Tua dor, transformou-se em salvação para nós, de uma forma misteriosa,
que nunca entenderemos. Também a nossa dor, unida à Tua, pode ser alavanca que eleva o Mundo.

Jesus, ajuda-me a entregar a minha vida ao Pai, pelos irmãos


e a repetir em cada instante: “É por Ti Jesus, é por Ti Jesus!”

(Recitação do 2º mistério)

► Cântico: “Ninguém Te ama como Eu”

► III – No 3º mistério da Paixão


Vamos contemplar o momento em que a coroa de espinhos é cravada na cabeça de Jesus.

- Livres para seguir o Senhor


Em que pensariam os homens que teceram a coroa de espinhos para Jesus? Foram mãos
humanas, endurecidas pelo ódio, cegas pela vingança, que a construíram. Deus fez o homem Rei,
“de honra e glória o coroaste”. O Homem responde a este abismo de Amor com a coroa de
espinhos. Porquê Jesus? Eles não sabem que és Tu que aceitas e não eles que te impõem semelhante
sacrifício. E aqui está a verdadeira liberdade: escolher o que Tu nos pedes.
Às vezes pintamos a vontade de Deus de cor de rosa, pomos na Sua boca palavras que
correspondem aos nossos desejos, sonhamos com coisas grandiosas, visíveis, que os homens
possam admirar. Espantar-nos-íamos se Deus nos pedisse tão simplesmente que suportássemos a
coroa de espinhos. São os espinhos da incompreensão, da injustiça, da doença, da morte de alguém
querido, da solidão, do trabalho bem feito e invisível. E a verdadeira liberdade é esta: escolher,
Senhor, o que Tu nos pedes.

Jesus, ajuda-me a encontrar a liberdade autêntica


no seguimento fiel da vontade do Pai.

(Recitação do 3º mistério)

► Cântico: “Ninguém Te ama como Eu”


► IV – No 4º mistério da Paixão
Vamos contemplar o caminho que Jesus percorreu até ao Calvário.

- A Cruz é o caminho
A Paixão de Jesus continua. Desta vez, seguimo-Lo no meio da multidão furiosa, pelas ruas
de Jerusalém. Jesus sabe bem o caminho. Meditou nele muitas vezes. Preparou-o com toda a vida
passada. E eis que é chegada a hora derradeira. Aqueles que Jesus curou, com quem conversou,
aqueles que se tinham deixado fascinar pelas Suas palavras e pelos Seus gestos, são os mesmos que
agora, inexplicavelmente, o agridem de tantas formas. Quantas vezes não se passa o mesmo
connosco!... Quantas desilusões com os outros!… A tudo isto Jesus responde com um olhar de
misericórdia e de perdão. No meio do Seu caminho doloroso, Jesus perdoa, Jesus acolhe, Jesus
converte. “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei!”. Viver o mandamento de Jesus torna-se
para nós, caminho doloroso. Mas é este o que leva à Páscoa. Quem aceita seguir Jesus sabe que é
para o Calvário que O segue, porque é para lá que Ele vai. Qualquer vocação é caminho de
identificação com Jesus e este atinge a sua plenitude, a sua profundidade, quando fazemos da hora
de Jesus a nossa hora.

Jesus, ajuda-me a amar a Cruz como Tu a amast


e a reconhecê-la como o caminho que nos identifica conTigo.

(Recitação do 4º mistério)

► Cântico: “Ninguém Te ama como Eu”

► V – No 5º mistério da Paixão
Vamos contemplar a morte de Jesus na Cruz.

- A Redenção continua no sofrimento humano


Aproxima-se o desfecho da Paixão. E nestes últimos momentos observamos a imagem fiel
da Mãe de Jesus. Mãe e Filho unidos no mesmo sim até ao fim. Jesus já não tem nada. De tudo O
despojaram. Só não puderam tirar-Lhe o imenso amor pelos homens, mesmo por aqueles que
cravaram os pregos nas Suas mãos e nos Seus pés. “Perdoa-Lhes, Pai…”, sempre o perdão, sempre
a misericórdia, sempre o Amor. Jesus fala ao Pai, mas inexplicavelmente, parece que o Pai se
retirou. É impressionante o Seu silêncio. Onde está o Pai? Porque não Se manifesta, porque não
abrevia esta dor? “Se é o Filho de Deus, que desça da Cruz e acreditaremos Nele!”. Nada.
Silêncio… É a Redenção. Sem espectáculo, sem barulho. Num pontinho do Universo, chamado
Jerusalém, o Filho de Deus recupera a Humanidade pela Sua morte na Cruz. Foi esta a forma que
Deus escolheu para o fazer. Porquê? Não sabemos. É este o Mistério da nossa fé, que nos aproxima
de Deus e nos aproxima dos irmãos, porque todos temos que, inevitavelmente, passar pelo Calvário,
para chegar à luz gloriosa da Ressurreição. E é por ser o caminho de Jesus, que o sofrimento
humano tem valor e sentido.

Jesus, ajuda-me a contemplar a Tua Cruz para poder aceitar a minha


e ser sensível ao sofrimento dos meus irmãos.

(Recitação do 5º mistério)
► Cântico: “Ninguém Te ama como Eu”

► Três Ave-Marias…

► Conclusão:
Antes de partirmos, queremos Senhor, dirigir-Te um último apelo, por todos os nossos irmãos que
sofrem, por todos os que fogem à Cruz e por aqueles que ainda não Te encontraram no Seu caminho
doloroso. Faz-nos mais sensíveis à dor dos outros, Senhor. Ajuda-nos a viver em oferecimento e a
não termos medo de Te entregar a nossa vida num sim generoso à Tua vontade, para podermos
chegar um dia, conTigo, à Páscoa eterna. Ámen.