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AS ARTES

PLÁSTICAS (*)

Se nos perguntassem o que são as artes plásticas, a nossa resposta deveria partir - pelo menos pelo que à primeira vista parece - ou da definição das artes plásticas ou da sua enumeração; melhor ainda, das duas coisas ao mesmo tempo. Se, porém, assim procurássemos fazer, depressa veríamos que não é tão fácil como parece. A definição mais correcta, na nossa opinião, define as artes plásticas como sendo aquelas cujo material é constituído por corpos inanimados que actuam no espaço sem que tenha de se levar em conta o tempo. Esta definição, que delimita claramente as artes plásticas em relação à poesia, à música, ao teatro e à dança, podê provocar certas objecções - por exemplo, a arquitectura de jardins trabalha com um material vivo e a arte da iluminação, que é considerada como arte plástica, é, evidentemente, não apenas uma arte do espaço mas também do tempo. Também um teórico das artes plásticas tradicionais, no mais próprio sentido da palavra, poderia objectar que o decurso do tempo se manifesta nas artes plásticas sempre que nelas se faça a representação do movimento e que estas exigem para si o mesmo tempo real do seu espectador. Assim sucede, por exemplo, na arquitectura quando a forma de uma construção, ou do espaço circunvizinho a ela, obriga o espectador a dar uma volta ao edifício ou a atravessar várias zonas antes de nele poder entrar. a arquitecto, mediante tais recursos, determina a sequência temporal e a ordem de sucessão por que o receptor terá de perceber as várias partes da construção ou os seus aspectos particulares. Muitas objecções poderiam também surgir se
(*) Conferência pronunciada nal a 26 de Janeiro de 1944. no Instituto para a Educação Nacio-

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:a mais que um simples pedregulho toscamente desbastado. planícies. Com o que anteriormente dissemos. que a arquitectura não . sem dúvida. que ~s su~s formas descobrem uma única e determinada onentaçao. ao lado um do outro. Com esses muros e essas pedras da-se o . gest?s. e se não quiseres inventar uma cena.. um sujeito. ele nao nos parece um objecto da natureza. ver semelhanças com paisagens enfeitadas de montanhas. A diferença entre a obra de arte e o objecto natural não consiste. um objecto natural. a do homem pré-histórico. . Dír-me-ão: e claro. em substância. Escutemos as palavras de um especialista (K.de figuras. não apenas quanto àquilo que se deve considerar como arte plástica (por exemplo. quem considere a decoração como uma arte independente. evidencia-se tambem o eIXOvertical da figura humana.dlve~sa mistura. o atrito. Se a forma deste nos faz s~por. por isso. um sujeito genérico. de tal maneira.Leonardo da Vinci aconselhava os pintores mais Jov~ns: «Se deres atenção aos muros recobertos de manchas ou as pedras de . Apesar disso. não existir. intuir. erguido pelo ponto ond. em cujo toque encontraras todos os nomes e palavras imagináveis». a~tivos . vontade. Por outras palavras: aconselhava-os a conceber as linhas e manchas aparecidas casualmente na tela como esboços intencionais dos seus quadros. ao tomar este camlI~ho. não e.mana. também pode actuar sobre o espectad~r como uma o~ra salda das. A opinião vulgar é insuficiente. evidente que as analogIas. e sem se ter em conta o que está fora dela . irá pouco a pouco tom~ndo o aspect? de 1:lmvulg~r pedregulho. A primeira coisa que. à corporeid~de hu. Por outro lado. estátua já concluída mostra nas suas formas os contornos do bloco de onde foi tirada. Juntemos a isto uma pequen~ I?~s Importante observação: por vezes. etc. estreitamente ligadas à prática. Quero dizer que não vamos admitir hipóteses absolutas. rochedos. CUidado: as COIsas não são assim tão simples· um objecto natural. a obra de arte é produzida pela mao do homem. o arenito) e ficar exposta às inclemências do tempo.rasó_se ~anifeste 'em casos extremos. ou melhor. forças naturais.e esta contacta o solo». mas o correspondente h~ mem-auto~ e a sua vontade s. ~o levan~ar-se esse pedregulho. H. alguém.l de quem quer que seja -. emb<. por exemplo.ãopara nós inacessíveis e por vezes desconhecidos ~ podem ate. mas também a atitude ad?ptad~ pelo receptor perante ela. mas sim na própria constituição do objecto.sem se ter em conta portanto. a person~lidad~ rea. ASSIm. se a fotografia é ou não uma a~t~). faremos será a comparação de uma obra de arte plástica com. e!ltre o pedreg~lho e a estátua são numerosas e que a transição entre eles e quase imperceptível. poderás também ver batalhas dIversa~. poderas aI. tudo o que nos for nece. se a estátua for de material macio (como. sustentam. mas também no que respeita à classificação das artes tradicionalmente reconhecidas como tais. nos parece paradoxal. rostos de estranho aspecto. Dize~do com maior clareza: a obra de arte não se . e também se sabe que algumas correntes da teoria da arquitectura. árvores. nos. nao trabalhado. Por vezes. por exemplo. Há. _ portanto n~ origem do objecto ou na participaçao ou nao partícípação da mão e da vontade humanas no seu aparecimento. Não são dificuldades absolutamente insuperáveis mas. parecldc:s com estátuas. é uma arte. como a pintura e a escultura. colmas de formas variadas. afastámos é 253 . pelo raciocínio. Porém. pela sua. Por trás da obra de arte intuímos pOIS. revela mtencíonalídads. que determina se e~se obJec~o e ou não entendido pelo receptor como intencional. Há. mtencional. muitos aspectos em que ambos os objectos se assemelham.quiséssemos delinear uma caracterização geral das artes plásticas a partir da sua enumeração. Busse I 233): «A mera libertação do bloco de pedra da sua íntim~ ligação à superfície terrestre significa a sua primeira assimilação ao homem. grandes vales e. não é só a constItUIçao de um determinado objecto. e são mesmo mais do que à primeira vista parece: a estátua também já foi um bloco de pedra e não são raros os casos em que um escultor encontrou inspiração nas formas de um desses blocos. Podemos ir ainda mais longe: a mars antiga versao da mais primitiva estátua.ssário. cujas formas são resultado da erosão.dis'tingue do objecto natural pelo facto de haver um autor que a realizou mas SIm por se mamfestar como algo de acabado. ficando prontos para deduzir. uma estatua de pedra e um bloco de pedra da mesma quali~ade. rnaos humanas: são conhecidas rochas. como já vimos. Optemos então pelo caminho oposto. portanto. e a forma do objecto natural re~ulta de forçél:snaturais como a erosão. que a obra de arte em si. também uma. ao tentar eliminá-Ias pouco a pouco. Imaginemos. Depararíamos com estas dificuldades e com outras semelhantes se procurássemos caracterizar as artes plásticas a partir de uma sua definição e enumeração. DIzemos. a ~lif~rença entre uma o~ra d~ arte e um objecto da natureza e tao grande que a sua identi252 ficação. que' é penetrar na essência das artes plásticas. perderíamos de vista o nosso objectivo. só no-lo parece quando a sua forma age sobre nós como consequência mecaI?Ica das. vestídos e ínfínítas COIsasque a seguir poderás passar p~ra íntegra e boa forma.mesmo que com o som dos sinos. E.

casos. inclinado sobre uns achados. a fazemos depender da vontade do homem. não procura apenas obras de arte. Quando concebemos estas coisas como objectos de . parec~-~os que a menor modificação de qualquer das su~s cara~tenstIcas transformaria o objecto em qualquer COIsade diferente.'. por momentos. Quando o arqueólog .ada com o objecto natu~al. Mais. a cor). a modificaça? de qualquer das suas características ou partes. .. procura também os instrumentos do tr~balho do homem. efectuada no ~ItOde a adG~pt~rmelhor ao seu objectivo. ~utor decide da constituição da obra e o receptor percebe-a ja terminada e não pode modificar nada nessa constituição objectiva .u~o prático. E~ta diferença tem a validez de um princípio e é bem precisa: as transições e oscilações que s. concretamente: a mudança da forma do encosto de uma cadeira.porque eram úteis do ponto de VIsta pratico . concebida esta como instrumento para estar sentado. pode entendê-Ia de maneiras diversas. Por iss? podemos afirmar. por exemplo. o autor 1~ h muito deixou de existir.a transformação significaria uma mu ança. quando apreciamos a coisa por si propna. com esta última observação. procura entre os fragmentos d pedras aqueles que mostram vestígios. que a ?bra de arte em SI é criada intencionalmente e que um objecto da natureza. depois mesmo de. mediante o receptor. a constituição do objecto contmu a mostrar-se como intencionalaté quando já nem se sab para que fins ele servia originalmente.~I? .a essa fmalIdade.tcten~tIcas entram em relações recíprocas no interior do propno objecto e este aparecer-nos-á como se fosse formado por elas. J~ despendemos grande esforço para demonstrar que a cOnStlt~Ição e a organização da obra plástica não dependem necessanamente da vontade humana. como já assinalámos.ess. ao passo que a própria obra continua a existir.Ieanteriormente . e poderia agora parecer que. uma plaina de carpinteiro. de constituição intencional.lIga. e rnuíto provavel que nos não apercebamos da cor do cabo de um martelo. ~ às quais já várias vezes aludimos. em nada modifíca~Ia . serve e~capa à nossa observação. No entanto pode haver uma . Terminamos assim o primeiro parágrafo das nossas reflexões com um resultado que não é destituído de significação: aclarámos o conceito de intencionalidade ao verificar que s trata de uma questão inerente à constituição da própria obra. ou uma peça de mob iliár-io fabncada com estes instrumentos.martel?. seja ele. significaria apenas uma nova fase da gradual adaptação _à finalidade. Mas.ue: _dos.e. mas.dão na prática. Partiremos de um exemplo sugestivo.ctenstIcas em função da finalidade a que se destma o objecto.pelo menos segundo a nossa maneira de ver. Tendo sido privadas da relação com ~ f~nalidade. que se encontrava fora do objecto. Há que ter em conta que. todo ti criação humana: qualquer objecto que o homem crie ou transforme para alcançar os seus fins guardará para se~pr as marcas dessa intervenção.a obra de arte do homem-autor. ao contrário não tem intencionalidade e a sua constituição é casual. e a nossa atençao con~en~ra-se sobre estas em função dela: aquilo que par.nte~IOrment~~ porque não tinham nenhuma relação com a finalidade pratica .. do mais.eram omitidas ou até totalmente despercebidas (por ex~mplo. entre o autor e o receptor. ou prática. E perante essa finalidade que avaliamos a for~a e o material e todas as outras componentes. não há dúvida de que se trata de uma ConStItUl~ao intencional. O. apesar disso. Em qualq. De facto. como instrumentos. E.eram centro da nossa atenção aparecem agora noutra perspectiva. Suponhamos perante nós um instrument? de trabalho ou de qualquer actividade humana em geral. não modificam nada na validez do princípio geral. Mas tambem as caracte~IStIcas 9. aSSIm. o receptor é uma pessoa qualquer. estas ~arc. no caso de uma cadeira em que a transformaçae de um conjunto de características fosse codebIda por SI pr?pria. o que dissemos sobre a íntencionalidade é válido não só para a cri~ção artística mas para. ter consIder~do o ponto de vista do receptor. Nesse momento dar-se-à no objecto uma transformaçao estranha. . existe uma diferença fundamental: o autor é uma pessoa única e singular. apreciamos as ~uas cara. portanto. Quando a COIsae entendida do ponto de vista prático. far-se-ão valer também as características que a. Coloca-se-n . e em que consiste a diferença.das entre si num conjunto único e indivisível.no máximo. estamos a?nd longe de chegar à essência das artes plásticas e mesmo a d arte em geral. observando-o por ele ~esmo. Este resultado vai acompanhar-nos ao longo de todo o nosso estudo. No primeiro caso concebenamos a cadeira como instrumento que pode ser ·255 . da própna e~sencIa da cadeira. E esta sua concepção da obra só se manifesta num fogaz momento.mudança decisiva se começarmos a ver de outro modo o objecto que tem finalidade prática.a sua essencia. não. mesmo quando. a questão de saber se a intencionalidade não artí • 254 tica de algum modo se diferencia da intencionalidade não artística.. por mínimos que sejam. Antes. os instrumentos da sua vida de todos os dias. No entanto ao definir a obra de arte como intencional quando compa. aproximamo-Ia subitamente do homem-receptor .

também o instrumento de uso prático é criado de maneir especial se tiver de chamar a atenção do receptor sobre próprio. singular. mas é exactamente neste momento que começamos a ser assediados por perguntas que in~istentemente exigem resposta. No caso das obras de arte no s I tido próprio da palavra.em linhas gerais II1 dois grandes g~po~. de uso prático . que às vezes sao pr determinados. pela sua constituíçao. etc. liga-se amda mais estreitamente à sua fonte hum~na. tal como se manifesta na obra de arte. quer dizer. mstrument . se no for lícito dizer. arte. No caso de um instrumento da actividade prática. quando sabemos para que serve? O import~nte ate que ponto se pode trabalhar bem e com segurança com sse martelo. Os obje to do primeiro grupo podem ser designados. também vimos que a constituição do objecto não tem de act~~r de . . não 257 . .am?s nem pelo seu autor nem por quem o utiliza: que importãncía tem saber-se quem fabricou um martelo ou que~ o. que estao estreitamente ligados à própria essência da arte. Veremos então que. Não é difícil encontrar objecto deste tipo. id Conseguimos assim descobrir um limite muito n!-tl o entre a obra de arte e o objecto prático. uma pessoa que criou intencionalmente a obra ou que a percebe como intelectu~l. _e afirmam que. Acrescentemos ainda que toda uma arte p~as~lca muito Imp?rt~r:te se baseia ~irectamente nesta amb!gUldade de constítuíção. utiliza. mas para ser obras artí ticas «com o aspecto» de objectos utilizáveis na prática .. Será nisso ue consi~te a finalidade da arte? Alguns teóricos assim opiam. as fontes e cascat de cerâmica decorada. é necessária ao ome. Estamos a pensar n?s pr dutos da chamada indústria artística.:o. é totalmente evidente que a atitude do espectador perante (l objecto não depende do seu . Chegámos. na maioria dos caso'.. _Mas nós sabemos que a intencionalidade continuada a cnaçao humana. a arquítectura. de objectos que po~e~ ser concebidos. no conjunto d suas características e na sua organização interna e a n «I procurar uma finalidade exterior para a qual a obra po I servir. . cujas criações sao. pelo meno no momento em que os não utilizamos como tais e em qu não consideramos a finalidade que habitualmente têm: cad um de nós viveu já momentos de interesse ar-tís'tico por coisa. no sentido amplu da palavra com instrumentos. por exemplo quadros ou estátua . instrumentos (Le Corbusier disse meSITIO:máquinas) e obras de arte. No caso de um quadro ou de uma estátua questão da utilização não se coloca de modo nenhum e a tenção dirige-se necessariamente para o homem. como exemplo.que nessa ocasiao nao coíncídíam na nossa mente com a ideia do uso prático. Fizemo-Io servindo-nos. como obra's de arte. sem mudança nenhuma na sua constrtuiçao. ao mesmo tempo. não pode ser reproduzida. a obra de arte obriga o homem a adoptar uma atitude de mero receptor perante ela. como UI~a ou outra destas duas coisas. à conclusão de que os produtos actividade humana que na sua constituição possuem indící ) de intencionalidades se dividem . No entanto.liv:e_ arbítrio. Os do primeiro grupo ~ervem para \11 determinado objectivo: os do segundo destinam-se. a ter a finalidade em si própr'ios. a ?br~ faz :::parecer um sujeito.r_ante_ um ?o. ~om a si~gularidade. um móvel. provoca o espectad I. etc. determinada forma de constituição intencional: o instrumento insinua que se destina a servir. então.n. que. . sobre a sua constituição.nteress. os objectos do segundo grupu. perdendo a relação com o objectivo. Mas que utilidade tem uma obra de arte. pois quase todos os instrumentos práticos podem ser entendidos em si próprios e para si próprios. por isso. e portanto também nas obras de arte. São as segumtes: se tanto o mstrumento como a obra de arte são in~encionais.fabricado em quantidades ilimitadas e no segundo caso concebê-Ia-íamos como obra de arte. se relaciona a tendência p~ra a excluir do uso prático mesmo quando ela se adapta e convem a tal uso.por exemplo pe. embora possa ser imitada. porque é que a obra de arte se dirige a si própna? a palavra «intenção» implica já a ideia da orientação para um ponto diferente daquele em que no momento nos encontramos: mas é possível uma intenção que apenas se oriente par~ o seu ponto de partida? e outra pergunta: é claro que um objecto que serve tem uma utilidade.man~ira unívoca numa destas duas dírecções: pelo ~ontrano. não nos l. e bem entendido também com a exclusao da COIsa que conc~bemos como obra de arte. mas sim que \ própria obra. ao deixar de ter em consideração o objectivo exterior. Mas. Poderia parecer que tudo está agora esclarecido. natu~al: a in~encionalidade. temos de voltar a examinar cuidadosamente a íntencionalidade. é. se nós dizemos que não serve para na:ta? Par~ o esclarecimento de todos estes problemas. a obra de arte é simplesmente uma exbressao da personalidade e que. obrigando-o a concentrar a atençao nela. ha muitos casos em que o mesmo objecto pode ser SImultaneamente entendido e avaliado como instrumento e ~0I?0 obr~ de. não para ser usados. Cada um destes grupos se distingue p 11 256 uma.poi exemplo as taças de cristal trabalhadas. :E.

acerca da mercadoria.embora estas estejam representadas na obra -. convida-nos à prudência. a plástica. ou de maneira preponderante. Mas a questão é saber-se se o prazer estético constitui o próprio núcleo da nossa relação com a arte ou se é um mero componente dela. a começar por Kant. não consiste numa comunicação.tem. Mas também um quadro. precisamente. A palavra . da sua antítese. a significação da obra de arte. o retrato de uma pessoa ou uma paisagem.visto que na obra de arte não há objectivos exterioresmas mantido unicamente pela observação da obra. e no caso extremo (rochas que a erosão assimilou a estátuas) o autor até pode ser inexistente. não podemos adoptar uma atitude tão negativa como aquela que tomámos no caso anterior. uma determinada atitude do homem perante toda a realidade que o rodeia. temos de tomar consciência da diferença que existe entre o signo artístico e os signos linguísticos. não é «servil». isto é. logo que pronunciamos as palavras «signo» e «significação». a maioria das teorias estéticas s basear nesta premissa. E não sem razão. só é possível comunicar acerca de algo que esteja fora do próprio signo. de responder directamente à vontade pessoal e à personalidade do autor. tudo isso está fora da expressão linguística. cujas numerosas modalidades têm muito maior audiência que a anterior. ela é a característica fundamental da arte e o impulso fundamental da criação artística. mais precisamente. A obra de arte não tende. para nada que esteja fora dela. vê a finalidade da obra de arte na influência sobre o receptor. Foi criada tendo-se.por exemplo. qualquer coisa.serve para a comunicação. em conta o público. para que este adopte uma relação emocional com ela mas para que ele a compreenda: Não se dirige a um único aspecto do homem. Aqui. A obra de arte é. a obra de art serviria para provocar prazer no receptor. exactamente como obra de arte. quer dizer. antes a evoca directamente no receptor. E mais: não apela a um só indivíduo. seja só ideal e irrealizável na prática. Uma prova indirecta da aceitação desta opiniã é também o facto de. é algo extremamerite objectivo. pela relação entre esta e o receptor. Apesar disso. ocorre-nos o signo mais corrente e mais conhecido: a palavra.. não já como um assunto individual. e às vezes com grande precisão . mas um tipo especíal de prazer. aquilo que as palavras não poderiam descrever: são um complemento de comunicação verbal não inferior a esta. e o desejo do artista foi. não poético .por isso mesmo o próprio «conteúdo» artístico não pode ser expresso por palavras -. Assim.no seu uso normal. em geral. de um ponto de vista estrito. Não há. não é um instrumento. Apesar disso. para ser a expressão da personalidad do seu autor. B o chamado prazer estético. A obra de arte. E embora esta pretensão. não estamos dispostos a contentar-nos passivamente com tal opinião. etc. o desagrado. e ao mesmo tempo. não só perante aquela realidade que a obra descreve. nenhuma dúvida acerca da existência do prazer estético: cada um de nós o conhece pela sua própria experiência. que teriam com isso as outras pessoas. o 259 . que a obra contribuísse para a compreensão de que todos a entendessem da mesma ma258 neira. provocar no ouvinte um comportamento. bem entendido. E mais: se a obra de arte servisse exclusivamente. Não há nada que seja mais subjectivo e mais variável que a nossa relação emocional com as coisas. que foi o primeiro a pronunciar a opinião do «prazer desinteressado» proporcionado pela obra de arte. sendo. necessariamente. a linguagem. a multidão. portanto. ou exactamente por isso. exprimir um sentimento. mas ao homem inteiro. por exemplo um quadro. Não estabelece uma compreensão entre as pessoas quanto às coisas . um signo que deve possuir uma significação supra-individual. apesar disso. comunica. pois. a concebessem da mesma maneira. as imagens de uma tabela de preços ilustrada têm como objectivo comunicar. mas a toda a gente. Não se dirige ao receptor. a acção intensa de uma obra de arte costumar vir acompanhada não só do puro prazer mas também. mas como algo com dimensão mais geral. Essa atitude equivale à «significação» da obra só porque é dada objectivamente nela. geralmente. mas tudo isso ultrapassa a própria palavra. '0 signo artístico. Também uma obra plástica. não tende para nenhum objectivo exterior. ao contrário do signo comunicativo. uma vez que o seu material é a própria matéria. ou até um mero indício exterior de uma relação mais profunda. isto é. pode tender a comunicar algo e ser por isso um signo-instrumento. por exemplo. Tem um fim exterior: contar um acontecimento. acessível a toda a gente e sempre repetível. O facto de. pela sua contribuição. mas. Mas o que é que na obra determina essa atitude? Para encontrar a resposta. mas sim quanto a uma determinada atitude perante as coisas. Mas. necessariamente. descrever uma coisa. a todas as suas capacidades. E por isso a língua é um signo-instrumento que serve para um objectivo exterior. A obra de arte aparece. os receptores? Outra opinião. No entanto. que existe independentemente da variabilidade dos sentimentos. não desviado por nenhum interesse exterior . entendido como obra de arte. fundamentalmente. e. Mas a obra não comunica essa atitude . como já dissemos.

sem se considerar o que cada elemento concreto representa. mais a ideia de uma queda precipitada do que a da flutuação. um plano de fundo do quadro. cada um desses elementos. Se. firmeza. sem ter forma definida. Há. Os diversos elementos do quadro convertem-se. estes elementos. de meros recursos da representação. pormenorizada. antes de mais. Ela é.assim. por exemplo. finalmente. sobre ela. observaremos apenas uma das manchas de cor deste quadro. pelas suas propriedades. Os matizes significativos que desta maneira aparecem podem ser percebidos. na significação da própria cor. Mas ainda não esgotámos as significações que a mancha de cor pode ter no quadro. significaria talvez um movimento brusco. aparentemente. Uma mancha de cor no centro do quadro poderia significar. desperta sentimentos diferentes. levada na diagonal até ao canto. juntamente com esta significação «própria». de flutuação tranquila. há que considerar que. é. Não é possível. podem criar um certo primeiro plano ou. antes de mais. para a direita. deslocada verticalmente para cima. também. e que complexo é. para baixo. Também nisto os jogos significativos possíveis são muito complicados. como o vermelho. uma mancha vermelha sobre fundo verde. A mancha de cor pode adquirir outros matizes significativos quando é concebida em relação com aquilo que representa. pode por vezes ser tão forte que chegue a concretizar-se: o azul pode insinuar uma imagem inequívoca do céu ou da água. pode evocar a ideia de uma flor num prado. a alteração de um equilíbrio. em vários sentidos. tranquilidade. Queríamos somente indicar como é complexa a construção significativa de um quadro quando o concebemos como obra de arte. por exemplo. Esta característica das cores pode ser aproveitada de várias maneiras pelo pintor ao construir significativamente o quadro. No entanto estes matizes significativos influem conforme as várias localizações da mancha de cor sobre a superfície do quadro. uma mancha vermelha estiver sobre um fundo azul. mostram tendência para se destacar em primeiro plano. por si e em ligação com os outros. primeiramente. um choque. basta uma pequena amostra. Mencionamos todas estas possibilidades insistindo no facto de que. e nem sequer é preciso realizar agora. e a sua observação levar-nos-ia demasiado longe. más esse seria o caso extremo da concreção de uma significação em princípio totalmente abstracta. toda uma análise significativa. mas terminando em ponta. As cores ditas «quentes».melhor será fazer um esboço de análise directa da obra. portadora de uma significação em si própria:' a cor vermelha produz no receptor um efeito diferente daquele que produz. a mancha de cor colocada exactamente por cima do centro do quadro. do rectângulo . etc. conforme as circunstâncias. não adoptada de fora. de valor tonal. as palavras exprimem pobremente as significações que citámos e. o assunto não tem importância para nós. a cor é um facto r significativo também na sua relação com a superfície do quadro. podendo ser expressos por palavras. na diagonal. em significações independentes que codeterrni- 261 . para a esquerda. etc. sem significação própria. dá lugar a associações diferentes. mas actuam também no «sentido» da superfície pintada. terá um matiz significativo diferente para o receptor do que teria se a deslocássemos. poderia dar a ideia de elevação. no entanto. uma superfície delimitada por uma moldura e. na cor local. que considerar a relação da cor com a concreção das coisas representadas. mesmo quando utilizado como mera qualidade de cor e não para representar céu ou água. urna mesma cor recobre a parte fundamental do contorno de uma coisa. provavelmente. .neste momento. como signo artístico. mas não podem ser expressos verbalmente. de cada um dos elementos do quadro. por exemplo. por exemplo. por exemplo. uma explosão. equilíbrio. Mas. imobilidade. Também não vamos iniciar a análise dos outros elementos do quadro nem enumerar as suas mudanças e seus cambiantes significativos. Há que considerar também a sua relação com as outras manchas de cor do mesmo quadro e com a cor da zona circundante. de acordo com as circunstâncias. vão para o fundo do quadro. a mesma mancha de cor. como o azul. ou para algum dos lados. depois. o azul ou o verde. manchas e linhas de cor. Se. Quanto mais pequena é a parte do contorno da coisa representada que é recoberta pela cor tanto mais facilmente esta adquire a significação de luz. portador da significação e facto r criador dela. etc. ao contrário. Veremos. Recordo o conhecido fenómeno pelo qual as simples cores.para cima. Imaginemos um quadro que represente qualquer coisa . a mesma posição da mancha 260 de cor na superfície delimitada pode modificar a significação desta até chegar a exprimir exactamente o contrário . para um dos cantos. situada no centro desta superfície. mais perto do espectador. e não como 'signo comunicativo. o conjunto de significações! De facto. por exemplo. na realidade. De momento. apenas com grande dificuldade e de modo muito impreciso. enquanto que as cores «frias». Esta significação própria da cor. que. converte-se numa sua característica. evocará. parecerá não apenas opticamente mas também significativamente diferente de uma mancha igual sobre fundo verde. Que simples são. outras reacções motoras..

no homem. e com bastante frequência. racionalista que. ao comparar a obra de arte com um objecto natural ou com a produção artística. species mille). Não podemos proceder como atrás. e não só de todas as artes plásticas. também as artes plásticas se distinguem das outras por um limite nítido.ariabilidade ressalta na comparação com a poesia. e a t respeito recordo rapidamente: na arquitectura. que consiste em ir de comparaçõ . edifícios agrícolas. num signo não subordinado a nenhum objectjvo exterior mas independente e evocador. a sua inanimidade ressalta na comparação com a dança. aqui. pelo seu próprio carácter. representatividade. signo cujas características e cuja essência tentámos verificar ao longo desta reflexão. temos de ter em conta o facto de a união recíproca entre todas as artes. por uma antiga sentença que afirma que a arte é única mas. consistindo no facto de cada obra artística constituir um signo estético (artístico). este fez-nos v '\ a diferença entre uma obra de arte plástica e os outros pr dutos da actividade humana. Outra consequência da definição comum de todas as artes é a circunstância de haver livre passagem dos temas de umas artes para as outras. temos uma identidade básica de definições. tal como artes diferentes se combinam entre si (por exemplo. i r jas. mais amplas para comparações mais estreitas. cada arte tem qualquer coisa que a separa claramente das outras: é o seu material. ma I todas as artes em geral. a das obras plásticas com as obras das outras artes. o mesmo artista crie em várias artes ao mesmo tempo. Há até uma arte que. mas precisamente por meio da sua si II ficação artística inexprimível por palavras. pelo contrário. para mais. sublinhada. ' Mas o nosso método.excepções que se encontram em casos extremos -. não nos fez ainda chegar ao fim do caminho: falta ainda a comparaçã mais estreita de todas. E assim a obra de aI t I não pelo seu tema. Vamos agora resumir o segundo capítulo da nossa refi xão: enquanto o primeiro nos mostrou a diferença entre um \ obra de arte plástica e um objecto natural. palácios. e. e não só neste ramo a que chamamos artes plásticas.). cada um em sua arte. Lessing. por um lado.o tratado mais conhecido sobre ele é o de Lessing.! '.até mesmo na passagem de um receptor para outro. é capaz de ev no receptor uma atitude determinada. justamente. imóvel e relativamente invariável. pela mesma intencionalidade. arte que os I. que os receptores se especializem conforme as suas inclinações e capacidades. adquirem carácter artístico com maior facilida I e nitidez que as construções em que o aspecto significativo fica em segundo plano e onde se destaca principalmente CI serviço do objectivo exterior (construções de uso purament prático como fábricas. submetido a uma evolução que é relativamente rápida.nam a significação global do quadro. um problema antigo . faz que. e ~ sua inv. antes vamos procurar mostrar como este material corpór. E essa comum definição. do ano de 1766. Neste aspecto.é uma matéria inanimada. a diferença entre a arte e aquilo com que a comparávamos estava na essência. Ali. simplesmente. o Laoconte. mas também sofre pequenas alterações significativas .im~do e invariável actua sobre as artes cuja essencia constituí. ainda hoje. é muito estreita.e só o destas artes . a corporiedade do material das artes plásticas ressalta com maior evidência quando comparamos estas artes com a música. criada pelo complexo jogo daquelas. enquanto a intencionr lidade converte estes em coisas que servem para objectiv determinados. aplicável a cada r \I da de com que ele entra em contacto. sem que esta limitação signifique para eles unilateralidade empobrecedora. Apesar disso. edifícios públicos. é uma combinação de várias outras . Por exemplo. E essa significação bal. ficando ao mesmo tempo muito ligadas entre si. Mostrámos e provámos esta no: I afirmação apenas no caso da pintura.eo. Chegámos à conclusão de qu a obra plástica se distingue dos demais produtos da activ ~ade humana principalmente porque. por outro. pode-se observar um facto característico: justam nl as construções em que os elementos significativos (como no breza.). entre o serviço de um objectivo exterior e o carácter de si 1111 artístico. O seu material . etc.o teatro. inan. influencia a llIl neira pela qual o receptor que viveu autenticamente uma 011 I conceberá daí em diante a realidade e como daí em díanu actuará perante ela. mas não seria diííc I prová-Ia com exemplos de outras artes plásticas. etc. tem uma grande quantidade de géneros (em latim: ars una. Não vamos perder tempo a enumerar e explicar excepções quanto às características do material que mencionámos .) vêm a primeiro plano (isto é. cujo material. a obra de arte é transformada. Essa é. de uma determinada atitude perante a realidade. a palavra. Só depois de realizada essa comparaçã com o domínio mais próximo das artes plásticas ficará completamente respondida a pergunta inicial a chegará ao fim a nossa reflexão. significações ligadas à religião. a finalidade m I própria da arte. Ora bem: como se distinguem as artes plásticas das outras artes? O que é que as une umas às outras? 262 Antes de mais. no caso da ilustração de uma obra poética). em conformidade com a sua É 263 . não só se modifica.

quando a pintura se esforça por descrever temas episódicos. na realidade. portanto. acerca de uma estátua antiga. inclinando-se umas vezes para uma e outras vez para outra das demais. para uma mútua oposição frutuosa e. ruborizar-se. não há-d obrigar as palavras a actuar sobre a vista.artes plásticas . tudo isso representa não apenas as características do material como também as possibilidades criadoras do escultor. concebia também. Mas também as artes plásticas podem tentar. o poder luminoso do mármore. não d representar directamente.). E essa parente tão próximo da pintura. forem utilizado principalmente adjectivos. enquanto a poesia tem de descrever a n:esma COI I parte a parte. mostra-nos que cada arte se esforço continuamente por vencer a limitação imposta pelo material que utiliza. o que estático converte-se em acção. para a conformação. a macieza da madeira. o esforço pela riqueza do colorido dará. mas não podem chegar a identificar-se com elas. o brilho do metal. a fotografia.). diferente seria o p der-se alcançar semelhante libertação em relação aos condi cionamentos que decorrem das características do material. ele pensa que as artes que são limitadas pelo carácter d . conhecimentos que ainda hoje representam um benefício dur douro para a ciência da arte. se forem utilizados verbos (corar. Apesar de o tratado de Lessing conter muito. mas de significar a cor multiplicar-se-ão excessivamente no vocabulário do poeta e dar-lhe-ã um carácter especial. No entanto. como fazia antes da chegada do realismo. embora não pelo de uma regra fixa. a pintura nã pode representar a acção senão sob forma estática. tal como a poesia pode procurar competir directamente com a pintura. E. aproximadamente em meados do século passado. A história da arte.expresso agor por outro material. pois são :meros equivalentes verbais. não consiste em vigiar severamente as fronteiras que separam as várias artes mas sim em estimular a fantasia da arte. finalmente. e precisamente nas artes plásticas.por mais intenso que seja . Assim. são-no também outras características: a dureza ou a maleabilidade da pedra. O papel do material na arte. conhecemos casos de pintura atemática que manifestam abertamente essa ambição. Na poesia. estn questão como a de algo que deve ser de uma determínad maneira e não como a de uma mera verificação de um det minado estado de coisas. e nas artes plásticas. as significações das cores adquirirão carácter dinâmico. estas coisas não são simples verificações. as cores aparecerão como características permanentes das coisas. Produzir-se-á uma mudança sensível no vocabulário: os adjectivos. seguind o exemplo da pintura. etc. gradualmente. utiliza hoje. entendia os problemas da arte pelo ângulo da norm I. que era cópia de um original perdido: tão grande foi a influência do material 264 265 . mediante as suas características Iimitadoras e reguladoras. que tinha quadros desse tipo. sinédoques que nos mostram uma parte do objecto em vez do seu todo. Na história da arte não são raros os casos em que os historiadores puderam afirmar com certeza. Estas diferentes técnicas verbais podem corresponder a diversas maneiras de pintar. para exprimir as cores. etc. tos por eles. por exemplo. àquela poesia que procura alcançar certos traços da plasticidade típica das artes plásticas.têm d abordar e tratar os seus temas de uma forma diferente d \ da poesia . um resultado totalmente difcrente na poesia. sinédoques) que constituem privilégio da expressão poética . em que o material vem ao encontro do artista. a sua fragilidade em comparação com a ductilidade do metal. O que dissemos referia-se. precisamente. também a pintura nos pode mostrar tentativas de competir com a poesia. Já indicámos os casos em que a forma de um bloco de pedra predeterminou a forma da estátua que dele veio a sair. por exemplo. e de facto tentam. Também é possível outra distinção verbal do colorido: se. de facto. Assim. são orden . a sua ideia de base está actualmente ultrapassada. bem entendido.época. seus materiais não devem tentar ultrapassar os limites impo '. Mas não é decisiva unicamente a forma do material. em que a obra se alimenta do material. faz descrições coloridas. Há casos inumeráveis. Assim. correntemente. Par \ Lessing.vimo-lo há poucos anos em Praga na exposição de pintura chamada. que. no tempo. se forem utilizados substantivos que signifiquem os vários matizes coloridos. Bem entendido. por exemplo. outra possibilidade é a de a pintura querer captar as denominações figuradas (metáforas. meto nímias . «Poesia». também. um quadro pod oferecer ao espectador o aspecto de todo o objecto de ux:nn só vez. a cor manifestar-se-á como qualidade óptica abstracta (o azul. pois. o negro. Isso sucede. que um esforç . se a poesia. Por isso assinalava na sua dissert ção que a pintura e a escultura . substantivos e verbos capazes. soment evoluiu depois de Lessing.para se libertar das limitaçõc do material anule a sua própria essência: por isso todos os e . a pintura pode também sentir-se atraída pelo carácter abstracto (ou melhor: atemático) da música e inspirar-se no seu ritmo. ultrapassar os limites que as separam das outras artes. ao contrário. É evidente que é impossível. por exemplo.arte música. forços de uma determinada arte para imitar outra modífícarão necessariamente o seu sentido original .

antes de tudo. Podem ser.sobre a constituição original da obra que a transposição para outro material a não pôde ocultar. consiste na sua in fluência sobre a atitude do homem perante a realidade. Também são signo as obras de artes plásticas. até () instrumentos utilizados no trabalho quotidiano mais corrente. As suas diversas características. vir também para divulgação de ideias e de princípios e pod 111 desempenhar ainda outras funções. e ainda de animação do turismo. antes é quase um factor vivo que guia trabalho e intervém de maneira contínua . A obras de arte são. «nãu servis» no sentido que atrás dissemos. ou pelo menos insinuado: as artes plásticas podem servir. evidente que O material pelo qual as diversas artes se diferenciam umas da outras e pelo qual as artes plásticas. um ampl sentido global pelo qual a obra actuará sobre o receptor. O fundamental já foi dito. factor muito importante da economia. podem S'. \ sua acção fundamental. Uma tão grande influência impõe prudência quanto à seleccãu e à apreciação. signos autónomos. mas as obras ti· artes plásticas estão nas ruas. Um livro de poesia tem de ser aberto. e s r· vem. com elas. no seu conjunto.' demais pelo seu material. directa on indirectamente. E por isso. como dissemos acima. que delas faz. vemo-Ias nas paredes. E mais ainda: li artes plásticas desempenham esse papel fundamental da arte. outras artes. ao teatro ou a uma sala de concertos é preciso ir. genericamente considerada. quer para o mercado interno que para exportação.positiva ou negativamente . principalmente em certos períodos e em certos sítios. e sob I sua influência se encontram. como no. ao dizer que as artes plásticas se distinguem da. pois. se dístinguem das outras artes não é um mero fundamento inerte d trabalho artístico. Se algo está por dizer. ções artísticas elementares. ao entrar no âmbito da criação artística. apesar da sua materialidade. meros objectos. antes estamo. sem a qual os seus outros papéis !i(' reduzem a sombras ou se não realizam. de uma forma mais eficaz que . para deleitar a vista e os sentimentos e. um mero traço diferenciante. a tocar no próprio fundo da criação artística. E. podem representar um grande valor para a consciênci I e a representação nacionais. à primeira vista. não estamos a indicar. Termina aqui o nosso percurso. mas isso pertence já a outro capítulo . e costumam ser. são apenas uma curtas palavras acerca do papel das art fi plásticas na vida do homem. Apesar de tudo isso. e oferecem-se ao artista para que este configure.ao qu li dedicaremos uma conferência especial. juntamente coru isto. casos anteriores.nele. transformam-se em significa. a incluir neste ci '10 266 .

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