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ARGUMENTOS

EM FAVOR DO
DIREITO AO
ABORTO

29/4/2009 Direitos Humanos e Cidadania

O reconhecimento da competência ética das


mulheres para decidir sobre sua sexualidade e
reprodução é o princípio dos direitos humanos e da
cidadania que substancia os direitos sexuais e
Argumentos em favor do direito ao aborto

reprodutivos.

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Argumentos em favor do direito ao aborto

Argumentos em favor do
direito ao aborto
DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA

1. É uma questão de direitos humanos e cidadania


O reconhecimento da competência ética das mulheres para decidir sobre
sua sexualidade e reprodução é o princípio dos direitos humanos e da
cidadania que substancia os direitos sexuais e reprodutivos.

Isto significa a possibilidade de que as mulheres exerçam a sexualidade livre


de discriminação, coerção e violência, e tenham garantidos os direitos à
concepção, à proteção da maternidade, à anticoncepção, e à interrupção de
uma gravidez não desejada ou não planejada.

Este fundamento coincide com os princípios constitucionais de direito à


liberdade e privacidade. Mas os direitos sexuais e reprodutivos não são
apenas prerrogativas negativas, ou seja, que restringem a ingerência do
Estado sobre a liberdade e privacidade individuais. São também direitos
sociais, em especial no que se refere ao princípio constitucional de direito à
saúde. Isto significa que cabe ao Estado oferecer as condições necessárias
para que eles sejam exercidos plenamente.
A imposição de que as mulheres levem adiante a gravidez indesejada e a
criminalização da sua interrupção, com eventual condenação à prisão
quando recorrem ao aborto, desrespeita sua capacidade de decisão
autônoma como pessoa e infringe seus direitos à liberdade, privacidade e
bem-estar.

2. O Estado é laico

Desde a proclamação da República, no século 19, o Estado brasileiro é laico.


O princípio de laicidade garante o respeito à livre associação religiosa, mas
não autoriza qualquer denominação religiosa a impor concepções morais
sobre as leis e políticas públicas.

Nos países democráticos em que o aborto é legal esse direito é estendido a


todas as cidadãs, independente de sua adesão ou não a qualquer credo
religioso. Já as legislações restritivas, como a brasileira, impedem que
mulheres exerçam seu direito de escolha.

3. O Estado é democrático

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Argumentos em favor do direito ao aborto

Os princípios constitucionais e a laicidade do Estado são pressupostos da


democracia. Além disso, a teoria jurídica contemporânea levanta
questionamentos severos quanto à justiça e eficácia da lei penal como
instrumento de proteção da sociedade ou de qualquer bem jurídico.

A criminalização do aborto é uma das ilustrações mais contundentes desta


ineficácia. É irracional supor que milhares de mulheres que recorrem ao
aborto ilegal a cada ano no Brasil sejam condenadas e encarceradas. Ao
contrário do que sugerem as posições dogmáticas, a criminalização não
protege a vida do feto e, sobretudo, implica riscos e danos para as mulheres.
Nesse sentido, desrespeita seu direito a uma vida digna e plena.

4. É uma questão de justiça social

Os efeitos da criminalização do aborto se distribuem de modo desigual na


sociedade brasileira. A pobreza representa maior vulnerabilidade para as
mulheres que recorrem ao aborto clandestino, sem condições de buscar
procedimentos seguros. A desigualdade atinge especialmente as mulheres
muito pobres, negras e jovens. A pobreza representa também maior
vulnerabilidade às denúncias, punições, humilhações e abusos quando
recorrem aos serviços públicos de saúde com abortamento incompleto. Por
medo, muitas evitam chegar aos serviços.

5. É uma questão de igualdade e eqüidade de gênero

A desigualdade entre gêneros está presente na prática sexual. Nem sempre


as mulheres podem negociar o sexo, ou seja, dizer sim ou não. Muitas vezes
a gravidez indesejada resulta desta incapacidade.

As mulheres não engravidam sozinhas, mas a criminalização do aborto


isenta os homens de responsabilidade. Isto significa desrespeito aos
princípios de igualdade entre homens e mulheres.

O aborto é um procedimento médico que responde a uma necessidade de


saúde específica das mulheres. Ao negar este acesso, os Estados infringem
o princípio de não discriminação em razão do gênero.

6. É uma questão de saúde pública


O aborto inseguro é um grave problema de saúde pública que contribui para
os altos índices de mortalidade e morbidade materna.

Realizado em condições inseguras nas clínicas clandestinas, o procedimento


oferece às mulheres graves riscos à sua saúde, como a perfuração do útero.
Sofrem seqüelas permanentes, como infertilidade e histerectomia (retirada
do útero) – sendo esta última a 5ª causa de internação hospitalar de
mulheres no Sistema Único de Saúde.

O abortamento inseguro representa a 4ª causa de morte materna no país e


responde por 9% dos óbitos maternos na rede pública de saúde.

Na perspectiva da saúde pública a legalização do aborto não pode ser

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adotada como medida isolada. Precisa ser acompanhada de políticas amplas


e efetivas de saúde reprodutiva que garantam acesso ao pré-natal, parto,
puerpério, assistência à anticoncepção, prevenção de doenças sexualmente
transmissíveis – inclusive HIV e Aids – e outras necessidades de mulheres (e
de homens) relativas a este campo da saúde.

7. Há limites na contracepção

A gravidez indesejada não decorre apenas do sexo forçado ou


“irresponsável”, como se costuma dizer. A tecnologia contraceptiva
atualmente disponível tem efeitos colaterais e ainda apresenta limites no
que se refere à eficácia. Excetuando a esterilização, os métodos
anticoncepcionais falham muito mais do que sugerem os discursos
biomédicos.

8. É uma questão de liberdade sexual


A criminalização do aborto busca forçar todas as mulheres que engravidam
a levar a gestação a termo. É uma medida de “maternidade compulsória”
cuja lógica é fortemente influenciada pela doutrina Católica, que só admite o
sexo para a procriação. Prega não apenas a condenação criminal do aborto
como a interdição do uso de qualquer método anticoncepcional, exceto os
considerados “naturais”. A criminalização sistemática do aborto é uma
estratégia moral e legal de controle da sexualidade das mulheres, já que
apenas elas engravidam nas relações sexuais.

No imaginário religioso e social acerca do aborto ainda predomina a idéia


equivocada de que as mulheres abortam para se livrar de gestações que
resultam de relações sexuais “irresponsáveis”: fora do casamento ou em
situação de adultério.

Ao observar que em vários países, como no Brasil, o aborto é permitido no


caso do estupro confirma-se este traço de controle. Na origem, esta exceção
não tem como objetivo proteger a integridade das mulheres, mas evitar o
nascimento de uma criança cuja existência poderia ameaçar a “honra” e o
patrimônio de seus pais, maridos e irmãos.

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Argumentos em favor do direito ao aborto

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