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A sociedade grega: formação da polis; a Democracia I

Profa. Madalena Dias

formação da polis ; a Democracia I Profa. Madalena Dias Temístocles (524-459 a.C.), general e governante

Temístocles (524-459 a.C.), general e governante grego:

“arconte”

Objetivos:

Analisar a formação da cultura grega, com ênfase na formação da polis, da democracia e o

sistema ateniense. Pensar o conceito de democracia na Grécia antiga e na atualidade. Conhecer a organização das cidades gregas.

na atualidade. Conhecer a organização das cidades gregas. Bibliografia: ARANHA, Maria Lúcia Arruda. História da

Bibliografia:

ARANHA, Maria Lúcia Arruda. História da Educação e da Pedagogia. 3ª ed. São Paulo Moderna, 2006

DE POLIGNAC, F. Cults, Territory, and the origins of the Greek City-State. Janet Lloyd (trad.). Chicago, University of Chicago Press, 1995: vii - xiv; 1- 10. (tradução: Elaine F. V. Hirata; revisão Labeca ) FINLEY, Moses. A Política no mundo antigo. Rio de Janeiro: Zahar, 1953 FINLEY, Moses. Os Gregos Antigos. Lisboa, Edições 70, 2002. FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. 2. Ed., São Paulo: Contexto, 2002.

HATZFELD, Jean. História da Grécia Antiga. Lisboa: Publicações Europa-América, s/d MARTIN, R. 1956. L’Urbanisme dans la Grèce Antique. Paris, A. J. Picard, 1956 (Pp. 275-290; tradução:

Silvana Trombetta; revisão NEL Labeca) MOSSE, Claude. Dicionário da civilização grega. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2004. ROBERT, Fernand. A Literatura Grega. São Paulo: Martins Fontes, 1987

ROSTOVTZEFF, M. História da Grécia. 3ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986

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Séculos obscuros (ou “Tempos Homéricos”: c. 1000 a 600 a.C.)

ou

o que restou da civilização “creto-micênica” (cretenses e aqueus + alguns dórios)

Período conhecido pelos poucos vestígios arqueológicos, sem documentos escritos

População possivelmente reduzida numericamente e empobrecida

Sem grandes construções, sem escribas

Sociedade tribal (Tribo união de fratrias união de clãs), tribos espalhadas, mas com unidade cultural básica

Poesias recitadas publicamente pelos aedos/rapsodos

Continuidade de técnicas anteriores, no fabrico de cerâmicas, cultivo da terra, algumas construções

Continuidade religiosa

Ferro, trazido pelos invasores dórios substitui Bronze

Menor hierarquização social, sem palácios: camponeses e guerreiros

Nova civilização ressurge; retorno da escrita por volta do anos 800 a.C., com a adoção/adaptação do alfabeto de origem fenícia

Criação de novas teias comerciais com povos do Mediterrâneo

Poemas Homéricos (séc. VIII a.C.) trazem referencias desse período e também do período

creto-micênico.

Questões fundamentais para discussão/reflexão em sala:

1. Qual o papel dos aedos/rapsodos nessa sociedade?

A Civilização grega propriamente dita (sécs. VIII-VI a.C) e o “Período

Arcaico” (c. 600-500 a.C)

Acomodação de várias populações na Península Balcânica: remanescentes dos aqueus-

cretenses, jônios, eólios, dórios. São considerados proto-gregos pelos idiomas, que formariam depois o grego clássico. A primeira diáspora grega, ou aquéia”, ocorre neste

momento de invasões, e a Ásia menor é colonizada por aqueus e jônios em fuga. É um

processo de mais de três séculos.

Papiros egípcios também relatam incursões saqueadoras de “povos do mar” sobre as ilhas e a península balcânica, assim como sobre outros povos/regiões, nesse período

Os historiadores e arqueólogos tem dificuldades para entender como as pólis gregas surgiram até o séc VIII, pela pouca documentação restante. Como essas populações teriam se agregado em pólis?

Sabe-se que antes das pólis havia, no período homérico, existiram as fratrias, uma antiga forma de agrupamento social, protegidas pelos deuses patronos, reunindo vários genos (clãs). Os genos agrupavam famílias descendentes do mesmo ancestral.

As tribos, reunindo as fratrias, tinham como líderes os phylobassileus, que reconheciam as cerimônias religiosas, justiça e organizações militares das fratrias dentro da tribo.

Mais tarde, quando as pólis se formaram, as tribos estavam dentro delas, e eram a base do recrutamento primitivo dos magistrados, das assembleias, dos soldados (“hoplitas”).

Nas tribos os filobasileus, monarcas, estavam cercados por um conselho de anciãos (gerusia), e de uma assembleia popular formada por guerreiros. A monarquia era uma

instituição fraca, na medida em que os chefes dos genos tinham grande poder político, uma vez que eram senhores de grandes porções de terras, dispunham de cavalos, equipamento de guerra, servidores e agregados.

As grandes famílias dominavam a gerusia e distribuíam a justiça de acordo com os

pactos familiares, e também dominavam os cultos religiosos. Com o tempo, as tribos gregas foram se convertendo em regimes de governo aristocráticos ou oligárquicos, e os filobasileus tenderam a ser apenas mais um magistrado. Isso continuou nas polis.

No século VI a.C., as polis eram muito diferentes entre si, do ponto de vista político.

Havia aquelas que mantiveram o regime oligárquico-aristocrático como Esparta e

aquelas que se deram à experiência de diferentes regimes políticos, como Atenas.

Várias cidades, como Atenas, viveram governos de indivíduos autoritários e contrários às famílias poderosas da aristocracia. Eram os Tiranos (“senhores”, em grego). Estes redigiram as leis retirando dos oligarcas o poder de manipular o direito

consuetudinário e ampliaram o direito político dos moradores das pólis. Essa

experiência ocorreu nas cidades marítimas, mais voltadas ao comércio, e às referências estrangeiras. Em algumas delas, esse processo evoluiu para a democracia.

ESPARTA

Planície da Lacônia, a sudeste da Península do Peloponeso, cortada pelo Rio Eurotas, cercada por montanhas e pântanos, longe do litoral: isolamento geográfico.

Terras muito férteis e propícias à criação de animais, montanhas próximas com

importantes depósitos de minerais.

Dórios invadem região no séc. IX, e até séc. VIII invadem também a vizinha Messênia,

muito fértil. Dominam todas as populações, que são reduzidas à servidão: são os hilotas (aprisionados, em grego).

Dórios: formaram o grupo dos espartanos ou esparciatas, aristocracia proprietária de

terras/animais. Eram proibidos de trabalhar, tinham de dedicar-se aos assuntos da cidade e às guerras, que normalmente ocorriam no verão. Hilotas: servidão por domínio de guerra, mas não escravidão. Os espartanos não podiam vendê-los, não eram seus

proprietários, mas podiam matá-los sem sofrer punições. Os hilotas não tinham direitos

legais. Cada lote de terras tinha muitas famílias hilotas cultivando, e normalmente

obrigados a dar a metade da colheita aos espartanos (como meeiros).

Hilotas se revoltavam. No séc. VII a.C., uma grande revolta durou muitos anos e ameaçou domínio espartano.

Apesar dos espartanos terem dominado territórios mais amplos, entrando em contato com vários povos dominados, resolveram abrir mão de certos territórios (devido à dificuldade em submeter tanta gente), e fecharam sua cidade às influencias estrangeiras quaisquer, a fim de manter sua ordem interna.

Governo espartano: gerúsia Conselho e Tribunal Supremo formado por dois reis de

Esparta (representantes das famílias rivais) + 28 anciãos, os gerontes, escolhidos entre as famílias da nobreza e aclamados pela Assembleia, com cargo vitalício. Éforos: cinco, eleitos pela Assembleia, eleitos com poderes executivos por um ano. Assembleia:

guerreiros espartanos. A Retra”, documento escrito, dava poderes decisórios à gerúsia e

reis.

Educação espartana: pedra fundamental na ordem social. Iniciava-se com uma política de eugenia. Aos sete anos as crianças da nobreza espartana saíam da guarda das mães, e recebiam uma educação pública obrigatória/gratuita. Viviam em comunidades supervisionadas pelos mais velhos; como todos os gregos, desenvolviam o canto e a dança coletiva. As meninas também aprendiam o salto, lançamento de disco, corrida, dança, e atividades duras que ensejassem a criação de resistência física; aos doze anos, retornavam aos lares para casar. Os meninos continuavam, e os rigores da aprendizagem se transformavam em treino militar. Eram chicoteados até aprender a suportar a dor, e deveriam matar hilotas para treinar. Os esportes eram voltados à guerra, valorizando-se a obediência aos mais velhos, o silêncio (“laconismo”), a aceitação dos castigos e a vida em comunidade. Aos vinte anos adquiriam direitos políticos; aos trinta se casavam e adquiriam mais direitos e certa independência; aos sessenta estariam liberados de suas obrigações militares para com o Estado.

Disciplina e exércitos eficazes, tornando-se uma potência; falta de criatividade, pobreza artística e produtiva. Menos conhecida pelos arqueólogos que Atenas devido às poucas fontes escritas.

ATENAS

Ática, sudeste da península central grega, na planície de Cefiso, protegida pela montanha da Acrópole. Região pobre em terras férteis, rodeada de montanhas calcárias (mármore), e perto de um bom sítio portuário, que originou o movimentadíssimo porto de Pireu.

Povoamento jônio com origem micênica, resistiu aos dórios invasores, preservando sua independência. No período homérico dominaram toda a Ática e populações que lá viviam.

Dos sécs. IX a VI a.C. Atenas viveu o regime aristocrático: a terra estava nas mãos dos poucos bem-nascidos, os “eupátridas”, pois a renda rural era o critério político e social. Os camponeses (thetas) dependiam dos grandes proprietários; muitos camponeses endividados, para evitar a escravidão por dívida, transformavam-se em rendeiros hereditários em suas próprias terras, e davam 5/6 de sua produção aos eupátridas credores: por isso eram chamados hectemoros.

Havia grande rigidez social em Atenas, a despeito de, no séc. VII, surgir uma classe de armadores, comerciantes, artesãos e marinheiros muito poderosa e dinâmica, os demiurgos; com o desenvolvimento da produção cerâmica e redes comerciais. tensões sociais; o demos (povo), encabeçado pelos comerciantes, pressiona os governantes por concessões políticas.

Os eupátridas também manejavam as leis orais de acordo com as suas necessidades. Substituíram os reis por “arcontes polemarcas(magistrados encarregados da guerra), e outros nove arcontes, encarregados de assuntos vários. Além destes, havia o Conselho do Areópago, com vários membros, que aplicava a justiça e exercia a administração.

Devido às lutas entre populares e a aristocracia, nomeou-se os legisladores, para escrever as leis e abrandar as tensões. Drácon (“serpente”, em grego), em c. 621 a.C. fez um código

de leis o que foi um avanço, pois tornou as leis públicas e aplicáveis a todos, embora não

acabasse com o domínio econômico e político dos aristocratas. Elas suprimiram o arbítrio

dos eupátridas, mas as ameaças de guerra civil continuaram.

Por isso outro legislador ateniense e arconte, Sólon fez novo código em 594 a.C

o desenvolvimento econômico da indústria e comércio, cancelou dívidas dos cidadãos

pobres (hectemoros), extinguiu a escravidão por dívidas, interditou a coerção física sobre

endividados, enfraqueceu os genos aristocráticos der uma série de maneiras, concedeu

mais poder à Assembleia popular dos cidadãos (Eclésia, logo abaixo do Areópago, na hierarquia política), vinculou os direitos políticos às fortunas, e não aos privilégios de sangue ou ligações familiares.

Se só os cidadãos muito ricos podiam tornar-se arcontes (pois os arcontes eram pesadamente tributados), todos cidadãos poderia, participar da Eclésia. Sólon também instituiu a Bulé, um novo conselho de cidadãos que contrabalanceava o poder do Areópago, e também o Helieu, um tribunal popular. Eram dados alguns passos que apontavam para a futura democracia, que seria montada sobre estas instituições; no séc V,

Favoreceu

a Bulé e o Helieu se tornariam mais importantes que o Areópago e os arcontes.

Contudo, as tensões prosseguiram, opondo camponeses a eupátridas, demiurgos a

eupátridas, devido à dinamização econômica ocorrida com o aumento das teias comerciais.

A solução passou pela instituição da tirania.

De 560 a 527 a.C., Pisístrato (originalmente um arconte polemarca) governou Atenas,

com grande apoio popular e uma Corte poderosa. Mexeu na ordem dos grandes

proprietários nobres da oposição, confiscando terras e fracionando-as entre os thetas. Ampliou o número de pequenos proprietários, favoreceu a exportação dos vinhos e azeites, a produção cerâmica, o comércio marítimo, principalmente por

conta da cunhagem de dracmas com a coruja (de prata minerada no Láurio).

Estabeleceu relações comerciais mais estreitas com Egito, Chipre, Etrúria (península itálica), etc. Reurbaniza Atenas, organiza as festas cívicas, constrói templos, gerando empregos e atraindo artistas.

Hípias, filho de Pisístrato, menos hábil, foi expulso de Atenas em 510 a.C., e assim

findou-se a tirania, retornando à velha formas aristocrática com novos legisladores.

O arconte e legislador Clístenes fez uma política de retirar mais poderes dos genos, reagrupando as tribos de Atenas de maneira a alterar o sistema de voto e representação política através de sua base. Antes a quatro tribos eram por tradição hereditária; agora, novas dez tribos se agrupavam por região geográfica da cidade, e a Bulé teve seu número de participantes populares aumentado de 400 para 500.

Também criou o ostracismo, um exílio de dez anos decidido por votação, caso um indivíduo fosse considerado uma ameaça à liberdade dos cidadãos. Essa medida evitou o ressurgimento das guerras civis e o poder concentrado nas mãos de uma pessoa ou um grupinho.

Desta forma, considera-se que, sob as leis de Clístenes, o regime

aristocrático/oligárquico ateniense se converteu na conhecida democracia. Ao mesmo

tempo que estas reformulações políticas ocorriam, Atenas estava em guerra contra os persas, liderando a Liga de Delos (491-485 a.C). A partir da vitória grega, Atenas tornou- se, por conta da hegemonia política e econômica que estabeleceu sobre as mais cidades,

a pólis mais importante e suntuosa da Grécia. Em 469 a.C., considera-se que a

democracia ateniense atinge seu auge, quando os cargos políticos tornaram-se legalmente acessíveis tanto aos cidadãos ricos como aos cidadãos pobres, e as palavras “justiça” e “liberdade” tornaram-se referenciais no imaginário ateniense. Entre 440 e 432 A.C., durante o governo de Péricles, Atenas tornou-se o centro artístico, econômico

e intelectual da Grécia.

A educação ateniense também tornou-se um padrão de educação grega, conhecida como “Paidéia”, o que significa “criação dos meninos” (paidós=criança), mas era um conceito que envolvia as ideias de civilização, cultura, tradição, literatura, educação, e volta-se aos cidadãos da pólis. Ao lado dos cuidados com a educação física, vem os com

a intelectual, de uma forma global.

A antiga educação para virtudes guerreiras, dos tempos homéricos (nos lembremos do papel dos aedos/rapsodos) cede lugar a uma educação que valoriza a beleza física, a

racionalidade, organização do pensamento, a retórica, qualidades desejáveis n um cidadão da pólis. Ao mesmo tempo, os trabalhos manuais eram desvalorizados, pois qualificavam os não-cidadãos, especialmente os escravos.

Segundo Tucídides, “Atenas é a escola de toda a Grécia”.

As meninas das elites ficavam sob a guarda das mães nos gineceus, onde aprendiam a

tecer, organizar as tarefas domésticas, comandar escravos, cantar e tocar; as mais

pobres simplesmente aprendiam a trabalhar, mas não tinham a cultura do isolamento

nos gineceus. Os meninos mais pobres, mas que poderiam ser cidadãos, tinham acesso a algum ensino básico; e os da elite, a uma variedade de atividades educativas, o que redundava numa diferença intelectual grande entre os sexos.

Os meninos eram conduzidos à palestra, após os sete anos, por um pedagogo (escravo

velho que os guiava, depois passou a designar professor). Lá, fazia exercícios físicos sob

a orientação dos pedótribas (corrida, salto, lançamento de dardo e disco, luta:

pentatlon). Esse aprendizado era acompanhado de orientações morais e estéticas.

Também tinham aulas com os citaristas (cítara, lira e flauta) e de canto coral, declamação de poesias e dança. Inicialmente, antes do período da democracia, os mestres de primeiras letras eram mal-pagos e menos renomados que os pedótribas. Mas, à medida que Atenas passou a contratar mercenários para seus exércitos, e a permitir a dispensa dos cidadãos, isso mudou.

Os mestres gramáticos ensinavam a leitura e escrita através do aprendizado de cor das poesias homéricas, de Hesíodo e fábulas de Esopo, com métodos difíceis de silabação, repetição, declamação; a escrita se fazia em tábuas enceradas, e a contagem em ábacos. Essa educação dita elementar ia até cerca de treze anos, quando os meninos das famílias mais ricas davam continuidade aos estudos nos ginásios. Lá, realizavam treinamentos físicos, discussões literárias, matemática, geometria, astronomia, filosofia, com bibliotecas.

Por um período, a efebia (serviço militar obrigatório de dois anos) foi exigida dos

cidadãos, mas depois, cedeu espaço às escolas filosofais. Com os sofistas (c. 450 a.C.), Sócrates (469-399 a.C.), Platão (428-347 a.C.), Isócrates (436-338 a.C.) e Aristóteles (384-332 a.C.), cria-se uma carreira de filósofo-professor. Os sofistas criaram um

currículo denominado “Sete Artes Liberais” (gramática, retórica, dialética, aritmética,

geometria, música e astronomia) que foi ensinado, com as devidas adaptações, até o século XVIII no ocidente cristão. Sócrates brigava com eles, por cobrarem por suas aulas; Platão fundou uma famosa escola-internato, a “Academia”; Isócrates também fundou uma escola, e Aristóteles passou vinte anos na Academia até mudar-se para a

Macedônia, onde tornou-se preceptor de Alexandre Magno.

Esses filósofos pensaram a educação de forma detalhada, e considera-se que fundaram o que hoje entendemos por “pedagogia”. Embora desprezassem o ensino técnico/manual, promoveram os estudos médicos, com éticas e regras de conduta. Mais tarde Alexandre Magno, ao promover a helenização do oriente, espalhou os

ginásios, mestres gramáticos, citaristas e mais professores, e bibliotecas pelo mundo

antigo. Fundou a Universidade de Atenas, que perdurou no período romano, e tornou Alexandria um polo de estudos significativo. Com o tempo, uma modalidade de ensino destacou-se: a retórica, para o cidadão político; ela seria a marca registrada do ensino romano.

Questões fundamentais para discussão/reflexão em sala:

1. De que forma a educação espartana e a educação ateniense ligavam-se aos sistemas sociais e políticos de suas cidades? Qual a função social delas?

A CIDADE GREGA: Construções urbanas nas pólis e a educação Trecho retirado de Martin, R. L´Urbanisme dans la Grèce Antique. Paris: Picard, 1956, Pp. 275 e ss) “Dois tipos de edifícios tornaram-se, tal qual os templos e a ágora, elementos essenciais da cidade grega: o ginásio e o teatro, pois eles são expressão de duas funções primordiais da cidade. Um dos traços mais originais da cultura grega é a importância da ginástica e do atletismo na formação e na vida do cidadão. Ginástica e música são, no século VI a.C., os

elementos fundamentais da educação ateniense e nos séculos seguintes a prática de esportes

torna-se um dos traços dominantes da vida dos gregos, que diferencia estes dos bárbaros. O esporte para os gregos não é somente um divertimento apreciado, é algo muito sério que se

liga a todo um conjunto de preocupações higiênicas e medicinais, estéticas e éticas. Assim, a educação física é um dos aspectos essenciais da iniciação à vida civilizada à educação. A

efebia, na qual o jovem ateniense adentra quando completa 18 anos, marca a perfeição desta

educação, assegurada quase que integralmente pelo Estado. Formação esportiva e militar, completada por uma educação política e, a partir do final do século V a.C., por uma cultura intelectual geral, a respeito da qual Isócrates formulou os fundamentos em seus diversos

tratados: este ciclo de estudos constitui a paidéia grega. As cidades não possuem escolas nem

universidades, são os ginásios que se tornam os centros de educação, locais onde, em épocas

remotas, se dava uma formação puramente esportiva e militar. Os mestres da juventude grega: sofistas e filósofos, ensinavam nos ginásios. As universidades da Grécia antiga se desenvolviam em torno das palestras. Isto é a tal ponto significativo que os nomes dos três

principais ginásios de Atenas foram associados aos das mais célebres escolas filosóficas do

século IV a.C: Platão e a Academia, relacionada ao ginásio de Academo; Antístenes e os

cínicos, ao de Cinosargo; Aristóteles e os peripatéticos, ao do Liceu.

Uma vez mais, se nos referirmos aos apelos modernos, nós encontraremos na cidade grega um conjunto comparável, por suas funções, a um elemento contemporâneo que nossos arquitetos urbanos tem em alta conta: os ginásios são a exata expressão destes “centros culturais” que se impõem nas cidades modernas e, a estrutura arquitetônica dos ginásios

foi determinada pelas necessidades daquela função cultural cuja complexidade aumenta no

decorrer dos séculos, seguindo a evolução da paidéia. Em seu estudo sobre os ginásios, J. Delorme distingue dois períodos na história no que

tange a relação entre ginásio e planejamento urbano. Até o final do século V a.C., os edifícios de ginástica se localizavam fora dos muros da cidade, separados da aglomeração,

mais comumente em um subúrbio. Era o caso dos três ginásios de Atenas: um se

encontrava nos jardins de Academo, no sudoeste da cidade; o Liceu era ao nordeste, nos arredores das fontes de Erídano; e o do Cinosargo estendia-se da parte sudoeste do subúrbio em direção a Ilissos. Em Tebas, em Corinto e em Élis acontecia o mesmo. Razões

práticas e religiosas explicam a localização primeira dos ginásios. Consagrados inicialmente

para as funções atléticas e militares, eles eram essencialmente um local para exercício e

treinamento; vastos espaços eram pois necessários para as evoluções dos batalhões militares. Seria possível enxergarmos um campo de manobras no interior de nossas cidades atuais? A paisagem urbana das cidades arcaicas não permitia muito tal tipo de estabelecimento. Muito densos, sem espaços livres, os locais de habitação não deixavam

espaços senão para a implantação de alguns templos; nas praças públicas existiam, muitas

vezes, somente uma encruzilhada. A água deveria ser fornecida em abundância para os ginásios e não é por acaso que os três ginásios de Atenas eram próximos de três rios.

Essas exigências materiais estavam de acordo com o caráter dos cultos associados aos ginásios: cultos heróicos e muitas vezes funerários, afastados dos locais residenciais, mas instalados em paisagens que igualmente convinham aos ginásios: bosques, fontes, jardins. A estrutura arquitetônica destes antigos ginásios era simples e correspondia ao contexto no

qual eles se instalavam e às funções que deveriam assumir. Pistas e locais de exercício eram

ao ar livre, entre as árvores e os bosques. O enriquecimento das funções dos ginásios em particular das funções intelectuais e a

evolução das cidades, modificam esta concepção no decorrer do século IV a.C. e fazem com que a localização dos edifícios de ginástica seja no interior das aglomerações urbanas; eles

se tornam cada vez mais estreitamente integrados ao plano urbano. Nas plantas jônicas, a

localização dos ginásios tem o mesmo peso que o da ágora. Mileto, Alexandria, Megalópolis dão a ele um local de destaque; o centro educativo formado pelo ginásio reúne os centros administrativos da cidade. Tornando-se centro da vida intelectual, desempenhando o papel de universidade,

estreitamente associado à vida pública, o ginásio não poderia ficar separado da cidade.

Artistas e pessoas letradas, filósofos, retóricos, médicos, garantem nos ginásios um verdadeiro ensinamento, ao mesmo tempo em que proporcionam recitais, conferências e leituras públicas; bibliotecas neles se instalam; Cós tinha uma biblioteca interligada ao ginásio, tal qual Teos10; aquela de Cós tinha seu catálogo metodológico; ao lado da

literatura, as obras científicas e técnicas constituíam um belo conjunto. Exames e concursos

tinham lugar nas salas do ginásio, um ginasiarca de Priene organizava as provas de um concurso “com base em matérias de ensinamento filosófico”. Se a ginástica continuava a ser a atividade essencial do ginásio, o ensinamento tinha suplantado os exercícios de ordem militar. O ginásio tornou-se um organismo essencial da vida urbana.

Considerações sobre as cidades gregas, a partir das discussões arqueológicas Fontes de época para discussão

Xenofonte: Ciropédia VIII.2.5

[tradução: Maria B. B. Florenzano. In: Martin, R. L’Urbanisme dans la Grèce antique. Paris:

Ed. A. & J. Picard & Cie., 1956; revisão Labeca]

“Nas póleis pequenas, a mesma pessoa fabrica uma cama, uma porta, um arado, uma mesa e, com frequência, a mesma pessoa constrói também casas e pode dar-se por

satisfeita se encontrar suficiente trabalho para poder ganhar a vida

suficiente para poder sustentar-se ter um ofício cada um, já que muitos precisam uma

coisa de cada. Com frequência é suficiente dominar uma parte de um ofício: por exemplo, alguém confecciona sapatos para homens, o outro para mulheres. Também existem póleis em que se pode viver apenas de consertar sapatos, apenas de cortá-los, apenas de costurá-los e, finalmente, de não fazer nada disto e de apenas juntar todas as peças.

Nas póleis grandes, é

Pausânias X.4.1 Conceito de Pólis

“Se podemos chamar pólis um lugar assim, que não possui edifícios oficiais, nem ginásio, nem um teatro, nem sequer água que flua de uma fonte e onde se mora em casas

semelhantes às cabanas das montanhas na beira do barranco. Apesar de tudo isso, eles

possuem suas fronteiras que os separam dos vizinhos e também enviam representantes à assembleia dos foceos.

Aristóteles: Política Livro I. 1252a-1253b

[tradução: Marta M. de Andrade. Rackham, H. (trad.). Loeb Classical Library, 1990; revisão Labeca] Com efeito, a pólis é primeira, por natureza, com relação à família e a cada um de modo

individual. Pois o todo é necessariamente primeiro com relação às partes; assim, se

porventura o todo é suprimido, nem pé nem mão existirão a não ser como homônimos, no sentido em que falamos de uma mão esculpida na pedra como sendo uma mão; de fato, uma mão em tais circunstâncias estará corrompida, considerando-se que todas as coisas são vistas por sua operação e por sua capacidade, de tal forma que se isto não é mais

possível não se deve dizer que são a mesma coisa, mas homônimos. Está claro portanto que

a pólis é, por natureza, primeira com relação a cada um; pois cada um, separadamente, não

é autárquico, da mesma forma como outras partes também existem para o todo e, assim, que aquele que não é capaz de comunizar-seou que é tão autárquico que não precise fazê-lo, não é parte da pólis e, portanto, é ou uma fera ou um deus.

Neste sentido, o ímpeto de formar uma tal comunidade existe em todos por natureza; mas

o primeiro que a organizou foi o causador do maior dos bens. Pois o homem é o melhor dos

animais quando atinge a sua plenitude, e o pior de todos eles quando separado do nomo e

da díke. Isto porque a falta de díke é mais perniciosa quando se possui as ferramentas e, o homem foi engendrado possuindo armas para a sabedoria e a virtude, passíveis de se

utilizar de forma completamente oposta. Deste modo, aquele desprovido de virtude é o

mais inescrupuloso e selvagem dos animais e, o pior no que se refere aos prazeres e à gula; por seu lado, a compleição justa é política; pois a díke, ou seja, a faculdade de distinguir o justo, é a ordem da comunidade política.