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Polícia Federal

Sindicato diz que maior parte das vagas será para agente
administrativo
23/04/2009
Entre os concursos previstos para a Polícia Federal (PF), o que deve acarretar em mudanças mais
significativas no órgão é o da área administrativa. Além da criação das 3 mil vagas a serem oferecidas,
será necessária a prévia reestruturação dos cargos, com a unificação em apenas dois, um de nível médio e
outro de nível superior, divididos em especialidades.

Em entrevista à FOLHA DIRIGIDA, a presidente do Sindicato dos Servidores do Plano Especial de


Cargos da PF (Sinpecpf) e membro da comissão responsável pela reestruturação dos cargos da área
administrativa, Hélia Cassemiro, deu detalhes das mudanças que deverão ser realizadas e falou sobre os
próximos passos até a abertura do concurso.

Segundo ela, a função de agente administrativo, que exige apenas o nível médio, deverá concentrar a
maior parte das vagas, devido à sua multifuncionalidade. "É um dos cargos em que temos maior
necessidade de efetivo. Sugerimos que tenhamos que chegar a pelo menos cerca de mil para agente
administrativo", avaliou.

1. A senhora faz parte da comissão formada para elaborar o projeto de lei que que cria 3 mil
vagas na área administrativa da PF e re-estrutura o plano de cargos da categoria. Em qual
etapa encontra-se esse processo?

Hélia Cassemiro - Nós vamos ter este mês a primeira reunião deste grupo de trabalho, que inclui, além
de outros membros do nosso sindicato, representantes do Ministério do Planejamento e do Ministério da
Justiça, mas já recebemos alguns subsídios relativos à racionalização e agrupamento dos cargos. Isso
porque nós temos dois níveis, o intermediário que é o nível médio, e o nível superior. E cada nível é
composto por diversos cargos. O médio é composto por agente administrativo, programador, técnico de
comunicação, agente de telecomunicação e eletricidade, entre outros. Da mesma forma é o nível superior,
que abrange administrador, arquiteto, bibliotecário, médico, psicólogo e outros. E hoje no serviço público
está se criando dois cargos, um em cada nível, e a seleção é feita por especialidade. Então, recruta-se, por
exemplo, analista nas especialidades de engenheiro, médico, administrador e assim por diante. Os cargos
ficam agrupados em analista e técnico, com suas devidas especializações. Nosso trabalho é esse:
modernizar os cargos da Polícia Federal, que ainda estão segundo aqueles modelo de 1970 do Plano de
Classificação de Cargos.

2. E que subsídios são esses que foram recebidos?

Jurisprudências, que dão conforto jurídico para esta racionalização, como também o modelo do INSS, que
é um órgão dentro do executivo que já procedeu esse agrupamento de cargos e nós estamos adequando
esse modelo às peculiaridades da PF. Nós já vamos levar a nossa proposta à reunião em abril para agilizar
esse processo, até porque nós já ficamos mais de seis dias na mesa do Ministério do Planejamento, com a
participação de uma equipe de Recursos Humanos da Polícia Federal, e inclusive a área de RH da PF hoje
é formada basicamente por delegados por falta de técnicos da área. Então, eles participaram, levaram
também todos os insumos relativos ao Departamento de Polícia Federal, no que diz respeito à missão do
órgão, às atribuições exercidas efetivamente por esses servidores, apesar de não terem ainda elas
definidas. Nós já temos bastante material para dar agilidade a este trabalho.

3. E quanto à criação das vagas?

Nós iremos levar nosso modelo nessa primeira reunião e estamos otimistas em fazer isso com muita
rapidez. Em uma entrevista, o diretor-geral da PF, afirmou que já tem essas 3 mil vagas autorizadas no
orçamento, mas em virtude da grande evasão de servidores no último concurso, mais de 60%, ele se dizia
preocupado em avançar com esse processo. Só que ele passa ao largo do problema por não se preocupar
com o motivo real da evasão, que foi a falta desta reestruturação e de falta de expectativa destes
servidores em crescer dentro do órgão. Esse problema tem que ser enfrentado e o próprio governo está se
mostrando preocupado, até pelo grande desvio de função que está a cada dia aumentando na PF, com
servidores da área policial assumindo nossas atividades pelo fato da direção-geral não dar prioridade a
esse processo.

4. O ideal então é que o concurso aconteça após essa reestruturação?

Exatamente. Para que não volte a acontecer as evasões e, em conseqüência, para que o ingresso dos novos
servidores libere os policiais para as suas atividades. Os policiais têm um salário muito mais alto que o
dos servidores administrativos e na área de apoio eles ficam desempenhando atividades técnicas para as
quais eles não foram capacitados. Então esta reestruturação vai proporcionar um salto de qualidade na PF
em termos de recursos humanos, da otimização do orçamento, e vai tornar o órgão mais profissional.

5. A senhora já havia informado anteriormente que haveria chance das vagas serem criadas por
meio de medida provisória, como aconteceu com as vagas da área policial no ano passado.
Ainda há essa possibilidade?

Há chance porque ela atender os requisitos para constar em uma medida provisória, que são a urgência e
relevância. É urgente possibilitar o retorno dos policiais aos seus postos - nas fronteiras, por exemplo, há
uma carência imensa, com postos quase sem servidores - e é relevância diz respeito à essa redução de
custo na área administrativa como já falamos.

6. Caso seja então por medida provisória, quando o sindicato espera que isso possa acontecer?

Até o meio do ano, no máximo. Com uma boa vontade do governo, até julho já há condições de se criar
os cargos por meio da medida provisória e já dar encaminhamento à autorização do concurso.

7. Quanto às especialidades previstas, a de agente administrativo, que requer apenas o nível


médio, estará incluída?

Com certeza. É um dos cargos em que temos maior necessidade de efetivo. Sugerimos que tenhamos que
chegar a pelo menos cerca de mil para agente administrativo, porque é um dos cargos mais
multifuncionais, que alcança mais atividades, é um curinga. É o que estamos propondo.

8. Após a reestruturação haverá mudança na remuneração?

Nós ainda temos parcelas a receber do reajuste que foi negociado com o governo. A partir de julho deste
ano, os valores passam a ser de R$2.988,44 para o nível médio e de R$3.356,89 para o superior, para uma
avaliação em 100% na gratificação de desempenho. E em maio de 2010 o nível médio passa para
R$3.114,17 e o superior para R$3.875,72. Nós estamos pedindo ainda uma gratificação de qualificação
nesse grupo de trabalho de reestruturação, porque a maioria dos servidores de nível médio já possuem o
nível superior e já utilizam esse conhecimento nas suas atividades. Mas nós ainda estamos discutindo os
valores.

9. Atualmente PF conta com pouco mais de 3 mil servidores na área administrativa.


Qual seria hoje o quantitativo ideal?

Na visão do sindicato tem que haver uma relação com a área policial. Para retirar todos os policiais da
área administrativa, mantendo apenas servidores administrativos, teríamos que chegar, por baixo, a uns 10
mil servidores.

10. A área administrativa da PF também vem sofrendo a terceirização. Quantos terceirizados há


atualmente no órgão?

Nós temos vários terceirizados, porque a medida que os servidores vão saindo lança-se mão da
terceirização, sob a justificativa de que o órgão não pode parar. Então a terceirização continua de uma
forma velada, mas avançando dentro da PF. Não teria como estimar uma quantidade, isso não é muito
transparente.

11. É uma reivindicação do sindicato a substituição destes terceirizados?


É sim. E é também uma promessa do órgão que a medida que esses concursos ocorreram serão
substituídos os terceirizados irregulares.