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21º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental

II-017 – PRINCIPAIS SISTEMAS DE TRATAMENTO DE ESGOTOS SANITÁRIOS EM MATO GROSSO DO SULESTUDO DE CASO: ETE – MIRANDA/MS

Márcia Pereira da Mata Salles (1) Engenheira Química pelas Faculdades Oswaldo Cruz. Especialista em Saneamento Básico e Ambiental pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Mestranda em Tecnologias Ambientais pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Gestor Ambiental da Fundação Estadual de Meio Ambiente Pantanal.

Endereço (1) : Rua Náutico, 254 – Bloco B1 apto. 21 – Campo Grande - MS - CEP: 79.112-200 - Brasil - Tel: (67) 782-5058 - e-mail: marciamata@hotmail.com

- Tel: (67) 782-5058 - e-mail: marciamata@hotmail.com RESUMO O presente trabalho tem como objetivo catalogar os
- Tel: (67) 782-5058 - e-mail: marciamata@hotmail.com RESUMO O presente trabalho tem como objetivo catalogar os

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo catalogar os diferentes tipos de sistema de tratamento de esgotos

sanitários existentes em Mato Grosso do Sul, implantados e/ou operados pela empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul S/A - SANESUL ou pelo SAAE - Sistema Autônomo de Água e Esgoto, como é o caso

de São Gabriel do Oeste, sendo que alguns municípios optam por realizar a manutenção de seus sistemas de

tratamento. Dos 77 municípios do Estado de Mato Grosso do Sul, apenas 30 municípios possuem sistemas municipais de tratamento de esgotos, sendo que destes, 24 são operados pela SANESUL, e 6 são operados pela SAAE ou pela própria Prefeitura. A população atual atendida por sistemas coletivos, representa apenas 9,76% da população urbana. Uma parcela dos municípios da Bacia do Alto Paraguai (BAP), terá implantado sistemas de tratamento de esgoto sanitário, com recursos do BID. O restante da parcela da população urbana (residencial ou não residencial), ou utilizam os sistemas convencionais tanque séptico/sumidouro, ou lançam seus esgotos in natura, nos cursos d'água. Foi realizada a avaliação da eficiência do sistema implantado no Município de Miranda/MS, pela Empresa PROACQUA - Processos de Saneamento de Efluentes e Comércio Ltda., e monitorada pela Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul - SANESUL. Para avaliação da eficiência da ETE - Miranda utilizou-se o Índice de Qualidade dos Efluentes (IQE) desenvolvido pela SANESUL, o qual é utilizado para avaliação dos sistemas de tratamento de efluentes implantados e/ou operados pela mesma. Obteve-se um resultado ótimo, para a ETE - Miranda. Foi constatado, no período avaliado, que a ETE - Miranda, apresentou remoções da DBO 5 de 94,9%, da DQO de 90,7%, do SS de 98,9%, da Turbidez de 91,2%, dos Coliformes fecais de 99,7460% e dos Coliformes totais de 99,7480%. Entretanto, em relação aos percentuais apresentados para DBO 5 , Coliformes fecais e totais, não podemos realizar uma avaliação da eficiência na remoção destes parâmetros, pois os mesmos não foram analisados em todas as amostragens efetuadas, desde que iniciado o monitoramento da ETE.

PALAVRAS-CHAVE: Sistemas de Tratamento; Esgoto Sanitário; Mato Grosso do Sul; ETE-MIRANDA;

IQE

INTRODUÇÃO

O esgoto, quando não tratado, pode contaminar a água utilizada no abastecimento, os alimentos, os utensílios

domésticos ou podem ser transportados por vetores provocando assim nova infecção. Outro aspecto importante é a preservação do meio ambiente, pois as substâncias presentes nos esgotos exercem a ação

deletéria nos corpos d'água, onde a matéria orgânica ocasiona o consumo do oxigênio dissolvido, provocando assim a morte de peixes e outros organismos aquáticos, além de causar o escurecimento da água e a geração

de maus odores.

Nos Estados da região Centro-Oeste, em 1970, Mato Grosso e Goiás, apresentavam apenas cerca de 10% de seus domicílios servidos com rede geral de esgoto/fossa séptica, sendo que o Distrito Federal, já registrava

 

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46%. As capitais estaduais dessa região também exibiam grau de cobertura superior às médias de seus respectivos estados, destacando-se Goiânia, com 44%, e Brasília, com 61%. Em 1980, o Distrito Federal

 

atingiria 78% de domicílios servidos de rede geral/fossa séptica, enquanto os demais Estados, situavam-se em torno de 20% a 30% de domicílios nessa condição. Os Estados do Centro-Oeste continuaram a registrar, em 1991, proporções elevadas de domicílios com outra forma de escoadouro, particularmente Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, com mais de 70% de seus domicílios nessa situação.

 

A implementação dos serviços de saneamento básico no Estado sob regime de concessão, é de

responsabilidade da Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul S/A - SANESUL, com índices de atendimento de 96% da população urbana com água tratada e 18% com coleta de esgoto.

A degradação dos recursos hídricos no Estado é uma realidade, no entanto, é difícil estabelecer o seu real

dimensionamento diante da ausência de uma série histórica de dados. As condições inadequadas da ocupação e manejo do solo urbano, têm sido fatores determinantes para a progressiva deterioração da qualidade das águas e o comprometimento da quantidade disponível para fins de abastecimento público, bem como, a preservação de nossa flora e fauna aquática. Nos anos setenta, no Brasil, como de resto na América Latina em geral, o Estado seguiu praticamente a única instância de liberação de recursos e financiamento de programas de saúde e saneamento, embora não alcançasse a meta de 1% do PNB (Produto Nacional Bruto) previsto para o final da década, como no PLANASA. A despeito da aparente evolução da qualidade de vida dos brasileiros na época, não havia uma

política de promoção de espaços onde se expressassem as variedades de interesses e perspectivas dos diversos fatores sociais, e a definição dos rumos a seguir, ficando na dependência de ações de políticos, que nem sempre com conhecimentos adequados no assunto, à realização dos projetos elaborados. Enquanto a população crescia, o atendimento com os serviços de esgotamento, nunca chegou a crescer o suficiente para diminuir o número de brasileiros sem este benefício no mesmo período, fazendo com que o déficit aumentasse a cada ano. Hoje, no Brasil, os dados referentes ao esgotamento sanitário são alarmantes, indicando índices de cobertura

da população, por redes coletoras, de apenas 30%, e em percentual de município que possuem estações de

tratamento inferior a 10%. Mesmo nos municípios que se incluem nesta pequena parcela, em geral as

estações de tratamento atendem a apenas uma parte da população, muitas vezes as eficiências são reduzidas e problemas operacionais são freqüentes (BARROS et al.,1995).

No Estado de Mato Grosso do Sul a situação não é diferente da existente nas demais regiões do Brasil, com

exceção do Distrito Federal (78,95%) e região Sudeste (55,36%), considerando que apenas 9,76 % (Dados:

CABES 96) da população é atendida com rede coletora de esgotos em relação à população total.

SISTEMAS DE TRATAMENTO DE ESGOTOS SANITÁRIOS IMPLANTADOS EM MATO GROSSO DO SUL

O

tratamento de esgotos sanitários implantados no Estado é por Lagoas de Estabilização, Reator Anaeróbio

de

Manta de Lodo, Contator Rotativo Biológico (BIODRUM ), Sistema de Aplicação no Solo e Tanques

Imhoff, sendo que os sistemas mais utilizados são os RALFs, representando cerca de 77%, seguido de RALFs mais BIODRUM . Isso nos demonstra, que na maioria dos sistemas implantados, é necessário um tratamento complementar, para atendimento aos padrões de lançamento de efluentes, de acordo com a Resolução CONAMA N o 20/86, ou a Deliberação CECA N o 003/97.

A Tabela 1, apresenta os dados referentes à situação dos sistemas de tratamento de esgoto em Mato Grosso do

Sul e população atendida. A Tabela 2, traz a relação dos municípios que possuem Estações de Tratamento de

Esgotos.

Tabela 1: Situação dos sistemas de tratamento de esgoto em Mato Grosso do Sul e população atendida - ano de 1999.

Capacidade nominal total das ETEs

N°° de ligações reais

N°° de ligações possíveis

População

População atendida possíveis

atendida

1.203 L/s

68.681

156.390

288.460

656.838

   

População atendida no Estado

 

9,76 %

 
 

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Tabela 2: Municípios em Mato Grosso do Sul onde existem Sistemas de Tratamento de Esgotos Sanitários.

Localidade Cidade / ETE

Tipo de Sistema

Capacidade

N°° de ligações

Nominal (L/s)

Campo Grande

     

- ETE - Cabreúva

RALF

100

1.980

- ETE - Salgado Filho

RALF

400

34.597

- ETE - Aero Rancho

RALF

40

1.200

- ETE - Conjunto União

IMHOFF

10

950

- ETE - Coophatrabalho

IMHOFF

5

1.150

Dourados

- ETE - Guachinin

RALF

120

8.104

- ETE - Água Boa

RALF

40

1.985

- ETE - Aquidauana

RALF RALF + BIODRUM RALF BIODRUM RALF + Gramíneas RALF BIODRUM RALF RALF RALF RALF RALF IMHOFF RALF RALF RALF + BIODRUM Lagoas de Estabilização RALF RALF Lagoas de Estabilização RALF RALF RALF RALF Lagoas de Estabilização Lagoas de Estabilização Lagoas de Estabilização

40

1.139

- ETE - Miranda

16

891

- ETE - Bodoquena

5

95

- ETE - Anastácio

16

381

- ETE - Bonito

40

700

- ETE - Nioaque

5

250

- ETE - Fátima do Sul

16

220

- ETE - Itaporã

5

50

- ETE - Maracaju

10

65

- ETE - Rio Brilhante

10

310

- ETE - Três Lagoas

100

3.169

- ETE - Brasilândia

7

- ETE - BNH Coxim

5

146

- ETE - Pedro Gomes

5

160

- ETE - Rio Verde

10

297

- ETE - Camapuã

16

305

- ETE - Naviraí

45

491

- ETE - Amambaí

25

1.800

- ETE - Angélica

5

- ETE - Caarapó (em fase de implantação)

5

- ETE - Douradina

5

- ETE - Juti

5

- ETE - Ribas do Rio Pardo

5

- ETE - Vicentina

13,5

- ETE - Tacuru

- ETE - São Gabriel do Oeste

- ETE - Costa Rica

 

Fonte: Depto. de Engenharia - SANESUL

- Costa Rica   Fonte: Depto. de Engenharia - SANESUL A seguir são apresentadas as principais

A seguir são apresentadas as principais características de funcionamento desses sistemas.

LAGOAS DE ESTABILIZAÇÃO

Os sistemas de lagoas de estabilização constituem-se na forma mais simples para o tratamento dos esgotos. Há diversas variantes dos sistemas de lagoas de estabilização, com diferentes níveis de simplicidade operacional e requisitos de área. No nosso caso, iremos abordar somente o seguinte sistema adotado em nosso Estado: lagoas anaeróbias seguidas por lagoas facultativas.

   

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A

DBO 5 afluente é em torno de 50% estabilizada na lagoa anaeróbia (mais profunda e com menor volume),

 

enquanto a DBO 5 remanescente é removida na lagoa facultativa. O sistema ocupa uma área inferior ao de uma lagoa facultativa única. Abaixo apresentamos na Tabela 3, as características do sistema de lagoas anaeróbias/facultativas, para a remoção da DBO 5 e demais parâmetros.

 

Tabela 3: Características do sistema de Lagoa Anaeróbia/Facultativa, para a remoção da DBO 5 e demais parâmetros.

 

DBO 5 (%) Nitrogênio (%) Fósforo (%) Coliformes (%)

70

- 90

30

- 50

Eficiências

20

- 60

60 - 99,9

 

Área (m 2 /hab) Potência (W/hab.)

1,5 - 3,5

Requisitos

 

0

Custos

Implantação (US$/hab.)

10

- 25

Fonte: VON SPERLING, 1996

As lagoas de estabilização são bastante indicadas para as condições brasileiras, devido aos seguintes aspectos:

- suficiente disponibilidade de área em um grande número de localidades;

- clima favorável (temperatura e insolação elevadas);

- operação e manutenção simples;

- necessidade de pouco ou nenhum equipamento.

As lagoas anaeróbias constituem-se em uma forma alternativa de tratamento, onde a existência de condições estritamente anaeróbias é essencial. Tal é alcançado, através do lançamento de uma grande carga de DBO 5 por unidade de volume da lagoa, fazendo com que a taxa de consumo de oxigênio seja várias vezes superior à

taxa de produção. No balanço de oxigênio, a produção pela fotossíntese e pela reaeração atmosféricas é neste caso, desprezíveis.

A estabilização em condições anaeróbias é lenta, pelo fato das bactérias anaeróbias se reproduzirem numa

vagarosa taxa. Isto, por seu lado, é advindo de que as reações anaeróbias geram menos energia do que as reações aeróbias de estabilização da matéria orgânica. A temperatura do meio tem uma grande influência nas

taxas de reprodução e estabilização, o que faz com que locais de clima favorável (temperatura elevada), como no Mato Grosso do Sul, se tornem propiciosa este tipo de lagoa. As lagoas anaeróbias são usualmente profundas, da ordem de 4 a 5 m. A profundidade é importante, no sentido de reduzir a possibilidade da penetração do oxigênio produzido na superfície, para as demais camadas. Pelo fato das lagoas serem mais profundas, a área requerida é correspondentemente menor. As lagoas anaeróbias não requerem qualquer equipamento especial, e tem um consumo de energia praticamente desprezível.

A eficiência de remoção de DBO 5 nas lagoas anaeróbias é da ordem de 50 a 60%. A DBO 5 efluente é ainda

elevada, implicando na necessidade de uma unidade posterior de tratamento. As unidades mais utilizadas para tal, são as lagoas facultativas, compondo o sistema de lagoas anaeróbias seguidas por lagoas facultativas, também denominadas de sistema australiano.

A remoção de DBO 5 na lagoa anaeróbia proporciona uma substancial economia de área, fazendo com que o

requisito de área total (lagoa anaeróbia + facultativa) seja em torno de 2/3 do requisito de uma lagoa facultativa única.

A existência de uma etapa anaeróbia é sempre uma causa de preocupação, devido à possibilidade da geração

de maus odores. Caso o sistema esteja bem equilibrado, a geração de mau cheiro não deve ocorrer, mas eventuais problemas operacionais podem conduzir à liberação de gás sulfídrico, responsável por odores fétidos. Por essa razão, o sistema australiano é normalmente localizado, onde é possível haver um grande afastamento das residências (durante todo o período de operação das lagoas). Abaixo relacionamos na Tabela 4. vantagens e desvantagens do Sistema de Lagoas Anaeróbias/Facultativas

 

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Tabela 4: Vantagens e Desvantagens do Sistema de Lagoas Anaeróbias/Facultativas.

Vantagens

Desvantagens

- Satisfatória eficiência na remoção de DBO;

- Elevados requisitos de área;

- Eficiente na remoção de patogênicos;

- Dificuldades em satisfazer padrões de lançamento bem restritivo;

- Construção, operação e manutenção simples;

- Reduzidos custos de implantação e operação;

- A simplicidade operacional pode trazer o descaso na manutenção (crescimento de vegetação);

- Ausência de equipamentos mecânicos;

- Requisitos energéticos praticamente nulos;

- Possível necessidade de remoção de algas do efluente para o cumprimento de padrões rigorosos;

- Satisfatória resistência a variações de carga;

- Remoção de lodo necessária apenas após períodos superiores há 20 anos;

- Performance variável com as condições climáticas (temperatura e insolação);

- Requisitos de área inferiores aos das lagoas facultativas únicas.

- Possibilidade de crescimento de insetos;

- Possibilidade de maus odores na lagoa anaeróbia;

 

- Eventual necessidade de elevatórias de recirculação do efluente, para controle de maus odores;

- Necessidade de um afastamento razoável às residências circunvizinhas.

Fonte: VON SPERLING, 1996

às residências circunvizinhas. Fonte: VON SPERLING, 1996 REATOR ANAERÓBIO DE MANTA DE LODO Embora com várias

REATOR ANAERÓBIO DE MANTA DE LODO

Embora com várias denominações no Brasil (RAFA, DAFA, RAFAALL, RALF, etc.), que tem servido para confundir o público, este reator se consagrou no mundo todo como UASB (Upflow Anaerobic Sludge Blanket Reactor), nomenclatura original dada em inglês por um de seus pioneiros na Holanda (LETTINGA et al., 1980), que passou a ser adotada também aqui, apesar de nos serem divulgada novas terminologias para a

identificação deste tipo de reator. Há uma certa semelhança com o filtro anaeróbio ascendente, tendo este inclusive servido como modelo inicial do desenvolvimento que se seguiu.

A diferença primária é que o UASB não possui qualquer material de enchimento para servir de suporte para

a biomassa. A imobilização dos microrganismos ocorre por meio de auto-adesão, formando flocos ou

grânulos densos suspensos, que se dispõem em camadas de lodo a partir do fundo do reator, sendo que o reator apresenta um separador diferente, para os sólidos suspensos e para o gás (LETTINGA et al., 1980). Algumas modificações do reator de manta de lodo têm sido estudadas e aplicadas para diferentes situações, havendo alguns reatores denominados de UASB modificados e outros com nomes próprios. Assim como

qualquer reator anaeróbio, cada um desses tem algumas particularidades próprias e vantagens e desvantagens para aplicação prática. Os implantados em Mato Grosso do Sul, é uma variante do UASB, desenvolvida pela SANEPAR, no qual foi omitido o separador de fases para reduzir os custos de construção, sendo denominado de RALF (Reator Anaeróbio de Leito Fluidizado), conforme o nome dado pelos seus criadores (GOMES, 1985; VAN HAANDEL & LETTINGA, 1994).

O Reator Anaeróbio de Leito Expandido ou Fluidificado, que embora com duas denominações, esse dois

reatores têm configurações bem semelhantes, ficando a diferença básica no grau de expansão do leito de lodo, que na realidade é mais bem representado pelo grau de fluidificação. O termo fluidificação é caracterizado pelas condições hidrodinâmicas no reator, que na prática pode ser traduzido pela relação linear entre a perda de carga e a velocidade ascensional do líquido aplicada ao reator. À medida que a velocidade ascensional aumenta, o leito de lodo vai gradativamente se expandindo. A partir de um certo valor de velocidade ascensional, geralmente elevado, a perda de carga no reator se torna constante e alcança a fluidificação do leito de lodo. Nesse ponto, o peso de uma partícula do leito se iguala à força de arraste, devido à velocidade ascensional e o seu movimento é considerado livre em relação às demais. Utiliza-se comumente o termo reator de leito expandido para aquele que não atingiu o estágio da fluidificação, embora seja uma questão de terminologia, uma vez que o reator de leito fluidificado é necessariamente um reator com o seu leito de lodo também expandido. Alguns autores se referem ao reator como de leito expandido quando se atinge um grau de expansão de cerca de 20 a 30%; quando a expansão é maior, consideram o leito fluidificado. O grau de expansão é medido em relação à altura do leito, quando estacionário. Para efeito de comparação, o reator UASB tem um grau de expansão pequeno, uma vez que as velocidades ascensionais não ultrapassam 1,5 m/h, ao passo que os reatores de leito expandido e fluidificado podem atingir até 10 m/h ou mais. A questão da velocidade ascensional a ser aplicada, depende da geometria do

 

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reator (relação altura e diâmetro, no caso de reatores de base circular, o que é mais comum para esses reatores). Altas velocidades ascensionais podem ser obtidas com o uso de recirculação do efluente, por exemplo, embora não necessariamente na prática, reatores de leito expandido e fluidificado, dependendo das condições hidrodinâmicas, se aproximam dos reatores ideais de mistura completa. Desde que seja provido de um sistema adequado de retenção do lodo, na prática, esses dois reatores podem reduzir substancialmente o tempo de detenção hidráulica, havendo, portanto, diminuição do volume necessário para o tratamento. O Reator UASB, de certa forma revolucionou a área de tratamento de efluentes, pois passou a oferecer muitas vantagens que até então não se tinha, como baixo custo operacional, baixo consumo de energia, maior estabilidade do processo, entre outras (HIDRATA et al., 1986). No entanto, alguns problemas podem surgir, como a dificuldade de retenção de lodo em seu interior, quando há problemas na formação de lodo granular, dependendo da composição do efluente a ser tratado e das condições de operação. No que pesem as grandes vantagens dos sistemas anaeróbios, os mesmos tem dificuldades em produzir um efluente que se enquadre nos padrões estabelecidos pela legislação ambiental. Na Tabela 5, apresentamos algumas vantagens e desvantagens do Reator Anaeróbio de Manta de Lodo:

 

Tabela 5: Vantagens e Desvantagens do Reator Anaeróbio de Manta de Lodo.

Vantagens

Desvantagens

- Satisfatória eficiência na remoção de DBO;

- Dificuldades em satisfazer padrões de lançamento muito restritivos;

- Baixos requisitos de área (de 0,05 a 0,5 m 2 /habitante);

- Baixos custos de implantação e operação;

- Remoção de N e P insatisfatória;

- Reduzido consumo de energia;

- Possibilidade de geração de maus odores, se o sistema não for bem controlado;

- Não necessita de meio suporte;

- Construção, operação e manutenção simples;

- Baixíssima produção de lodo, com estabilização do lodo no próprio reator;

- A partida do processo é geralmente lenta;

- Rápido reinicio após períodos de paralisação;

- Sensível a variação de carga.

- Necessidade apenas da disposição final do lodo.

Fonte: VON SPERLING, 1996

Para dimensionamento do reator RALF, emprega-se os seguintes parâmetros:

A)

CARGA ORGÂNICA APLICADA:

-

Para despejos concentrados, valor máximo de 6 a 8 kg DQO/m 3 .dia

-

Para despejos com baixa concentração, em torno de 1,5 kg DQO/m 3 .dia

B)

TRH - TEMPO DE RETENÇÃO HIDRÁULICO:

-

Para despejos concentrados, emprega-se o parâmetro carga orgânica

-

Para despejos com baixa concentração, de 8 a 16 horas

C)

ALTURA DO REATOR:

-

Para despejos concentrados: máxima altura de 5 a 6 m

-

Para despejos com baixa concentração: de 3 a 4 m

D)

DISTRIBUIÇÃO DE FUNDO DO REATOR DEVE SER A MAIS UNIFORME, ASSIM:

-

Para despejos concentrados 1 ponto para 7 a 10 m 2

-

Para despejos com baixa concentração1 ponto para 1 a 3 m 2

 

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E) SAÍDA DO LÍQUIDO:

- A saída do líquido ocorre pela parte superior, fluxo ascendente e deve ser a mais uniforme possível. Recomenda-se vertedores reguláveis para o ajuste do fluxo líquido.

vertedores reguláveis para o ajuste do fluxo líquido. BIODRUM â â O BIODRUM ‚ consiste de

BIODRUM ââ

O BIODRUM consiste de vários tubos plásticos corrugados, enrolados como um carretel, onde as bactérias

empregadas para o tratamento de esgoto sanitário se aderem.

O carretel fica instalado dentro de um tanque, com aproximadamente 95% submerso no líquido. Assim,

durante a rotação, as extremidades externas das espiras se emergem e capturam uma quantidade de ar, que fica aprisionado, formando bolsões. Com o movimento de rotação, o ar é conduzido para as espiras mais internas, sendo então liberado após várias voltas e assim sucessivamente. Com o movimento de rotação contínuo, a matéria orgânica e os nutrientes são transferidos para o filme biológico, aderido nas paredes internas e externas dos tubos, que promove o tratamento dos efluentes. Os espaços vazios nos tubos garantem um contato contínuo entre os microrganismos, aderidos no filme biológico, com o efluente proporcionando uma boa utilização do oxigênio fornecido.

O fornecimento de oxigênio necessário para o tratamento dos efluentes, é obtido através da captação de ar

pelos tubos durante a rotação. Uma pequena quantidade de ar é fornecida para girar o carretel, através de um compressor, e também promove a agitação, mantendo em suspensão parte dos sólidos, melhorando assim o processo biológico, principalmente por ser uma fonte adicional de oxigênio.

No sistema aeróbio com reator rotativo, com disco ou carretel, ocorre o crescimento de bactérias que formam o lodo, tornando-se necessário à remoção, através de decantadores.

O

decantador tem a função de separar os flocos de bactérias (lodo), do líquido clarificado.

O

lodo retido no fundo do decantador é retirado através do sistema air-lift, retornando parte para o tanque do

reator rotativo e parte para o biodigestor, onde será digerido biologicamente.

SISTEMA DE APLICAÇÃO NO SOLO

Os sistemas de aplicação no solo são processos controlados de aplicação de águas residuárias ao solo, com o objetivo de atingir determinado grau de tratamento, o que ocorre através de processos físicos, químicos e biológicos. A aplicação ao solo, também pode ser uma disposição final de efluentes líquidos. O fluxo hidráulico depende do método de aplicação, podendo ocorrer desde a infiltração, percolação, escoamento superficial e evapotranspiração. Os mais conhecidos processos de aplicação ao solo são:

- infiltração lenta: os esgotos são aplicados ao solo, fornecendo água e nutrientes necessários para o crescimento das plantas. Parte do líquido é evaporada, parte percola no solo, e a maior parte são absorvidas pelas plantas. As taxas de aplicação no terreno são bem baixas. O líquido pode ser aplicado segundo os métodos da aspersão, do alagamento, e da crista e vala;

- infiltração rápida: os esgotos são dispostos em bacias rasas. O líquido passa pelo fundo poroso e percola pelo solo. A perda por evaporação é menor, face às maiores taxas de aplicação. A aplicação é intermitente, proporcionando um período de descanso para o solo. Os tipos mais comuns são: percolação para a água subterrânea, recuperação por drenagem subsuperficial e recuperação por poços freáticos;

- infiltração subsuperficial: o esgoto pré-decantado é aplicado abaixo do nível do solo. Os locais de infiltração são preenchidos com um meio poroso, no qual ocorre o tratamento. Os tipos mais comuns são as valas de infiltração e os sumidouros;

- escoamento superficial: os esgotos são distribuídos na parte superior de terrenos com uma certa declividade, através do qual escoam, até serem coletados por valas na parte inferior. A aplicação é intermitente. Os tipos de aplicação são: aspersores de alta pressão, aspersores de baixa pressão e tubulações ou canais de distribuição com aberturas intercaladas.

Os mecanismos da remoção dos constituintes dos esgotos são essencialmente similares ao dos reatores biológicos em tanques artificiais, embora em meio completamente distinto. Predominam a sedimentação e a

 

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filtração e, naturalmente, as reações para a oxidação da matéria orgânica, com formação de biomassa fixa no solo (e plantas), com remoção de sólidos suspensos e DBO. Há ainda casos de remoção com boa eficiência de nitrogênio e fósforo. Diversas culturas vegetais podem ser utilizadas intencionalmente para o aproveitamento da água e nutrientes, sendo muitas vezes a disposição de esgoto no solo associada ao aproveitamento agrícola ou ao reuso de efluentes. Muitas das práticas de irrigação são também utilizadas nesses métodos, observando-se alguns cuidados no manejo da água. Embora haja também certos receios no aspecto de saúde pública e proteção ambiental, ocorrendo até algum preconceito quanto a esses métodos, as preocupações são válidas para qualquer sistema de tratamento, no caso de esgoto doméstico. Entretanto, como nos demais sistemas e bastante difundido para os sistemas de disposição de esgoto no solo, os riscos mencionados são controláveis pelo respeito a determinados critérios estabelecidos. O sistema de aplicação no solo, apesar do seu grande potencial e elenco de vantagens, no Brasil, há ainda uma difusão limitada dessa tecnologia, embora já se tenha alguma experiência prática e esteja em fase de maior disseminação, tanto para o tratamento, como para pós-tratamento ou disposição final. Em Mato Grosso do Sul, somente dois municípios; Bonito e Aparecida do Taboado; optaram pelo tratamento através de baias com cobertura vegetal, tipo infiltração lenta, com base na experiência da SABESP, tendo sido realizada pela SANESUL análises e visita a unidade piloto da cidade de Populina, cuja operação iniciou-se em 1.984. Em Bonito, devido à dificuldade em produzir um efluente que se enquadre nos padrões estabelecidos pela legislação ambiental, optaram por implantar um RALF, sendo que a disposição do efluente nas baias com cobertura vegetal é feita após o tratamento do esgoto doméstico pelo RALF. Na Tabela 6, apresentamos as vantagens e desvantagens do Sistema de Disposição no Solo.

 

Tabela 6: Vantagens e Desvantagens do Sistema de Disposição no Solo.

Vantagens

Desvantagens

- Elevada eficiência na remoção de DBO e de coliformes;

- Elevados requisitos de área;

- Possibilidade de maus odores, insetos e vermes;

- Satisfatória eficiência na remoção de N e P;

- Relativamente dependente do clima e dos requisitos de nutrientes dos vegetais;

- Dependente das características do solo;

- Método de tratamento e disposição final combinado;

- Requisitos energéticos praticamente nulos;

- Risco de contaminação de vegetais a serem consumidos, caso seja aplicado indiscriminadamente;

- Construção, operação e manutenção simples;

- Reduzidos custos de implantação e operação;

- Boa resistência a variações de carga;

- Possibilidade de contaminação dos trabalhadores na agricultura (na aplicação por aspersão);

- Não há lodo a ser tratado;

- Proporciona a fertilização e condicionamento do solo;

- Possibilidade de efeitos químicos no solo, vegetais e água subterrânea (no caso de haver despejos industriais);

- Difícil fiscalização e controle com relação aos vegetais irrigados;

- Retorno financeiro na irrigação de áreas agricultáveis;

- Recarga do lençol subterrâneo.

- A aplicação deve ser suspensa ou reduzida nos períodos chuvosos.

Fonte: VON SPERLING (1994)

Para desenvolvimento de um projeto, são considerados os seguintes parâmetros:

- volume a ser tratado;

- temperatura média, máxima e mínima da região;

- índice de precipitação pluviométrica;

- área disponível para o tratamento;

- qualidade e vazão do corpo receptor;

- qualidade do efluente final tratado;

- condição sócio-econômica da comunidade;

- condição sanitária e ambiental da comunidade.

 

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TANQUES IMHOFF

Os Tanques Imhoff ou decanto-digestores são unidades compactas, possuindo em um mesmo tanque as unidades de sedimentação e digestão do lodo. O sistema consiste em dotar os esgotos afluentes com as mesmas condições impostas em um decantador convencional. O lodo sedimentado é naturalmente encaminhado para um compartimento destinado a digerí-lo convenientemente, de onde é removido para unidades de secagem ou qualquer outro tipo de disposição final criteriosamente selecionado. Os Tanques Imhoff são considerados como um melhoramento, baseado no funcionamento das fossas sépticas, nas quais a eficiência do processo é afetada pela condição da sedimentação e digestão em uma mesma câmara. Este desenvolvimento deve-se ao famoso técnico alemão Karl Imhoff, do qual recebeu o seu nome, e por ele denominado como tanque "Emscher", devido à região do rio Emscher (Alemanha), onde foi aplicada pela primeira vez esta unidade. As finalidades dos Tanques Imhoff são idênticas às finalidades de um sistema de tratamento primário, observando-se, no entanto, a vantagem de possuir em um mesmo tanque as principais unidades daquele tratamento, permitindo que a operação de remoção de lodo do decantador se processe normalmente sem

interferência de qualquer dispositivo de transporte de lodo, o qual é secado facilmente em leitos de secagem. Os Tanques Imhoff, por conjugar dois processos de tratamento, exigem que as suas características obedeçam

a inúmeras condições, com finalidades vinculadas a cada unidade de tratamento, de modo que um processo

(decantação), não interfira no outro processo (digestão). Estas unidades podem ser construídas na mesma

forma e características adotadas para os decantadores e digestores, condicionadas, no entanto, à perfeita adaptação que caracteriza as unidades compactas.

O seu funcionamento pode ser descrito como a seguir:

O seu funcionamento pode ser descrito como a seguir: - os sólidos sedimentáveis presentes no esgoto

- os sólidos sedimentáveis presentes no esgoto afluente vão ao fundo do tanque, passando a constituir uma camada de lodo;

- os óleos e graxas e outros materiais mais leves presentes no esgoto afluente, flutuam até a superfície do tanque, vindo a formar uma camada de escuma;

- os esgoto, livre dos materiais sedimentáveis e flutuantes, flui entre as camadas de lodo e de escuma, deixando o tanque em sua extremidade oposta, de onde é encaminhado a uma unidade de pós-tratamento ou de disposição final;

- o material orgânico retido no fundo do tanque sofre uma decomposição facultativa e anaeróbia, sendo convertido em compostos mais estáveis como CO 2 , CH 4 e H 2 S. Embora o H 2 S seja produzido nos Tanques Imhoff, problemas de odor não são usualmente observados, uma vez que este se combina com metais acumulados no lodo, vindo a formar sulfetos metálicos insolúveis;

- a decomposição anaeróbia proporciona uma redução contínua do volume de lodo depositado no fundo do tanque, mas há sempre uma acumulação ao longo dos meses de operação do Tanque Imhoff. Como conseqüência, a acumulação de lodo e de escuma leva a uma redução do volume útil do tanque, demandando a remoção periódica desses materiais.

Evidentemente, o funcionamento dos processos de tratamento adotados nos Tanques Imhoff, se realiza como

se as unidades estivessem construídas separadamente.

No entanto, a digestão é afetada devido à aplicação de lodo cru de modo incontrolado, aumentando sensivelmente o período de digestão, principalmente pela influência da temperatura, da ausência de homogeneização, e elevado teor de umidade. Os Tanques Imhoff, devido aos inúmeros fenômenos característicos de cada unidade de tratamento, podem ter seus compartimentos ou dispositivos classificados das seguintes maneiras:

-

Zona de decantação;

-

Zona de digestão;

-

Zona de escuma;

-

Dispositivo de remoção de lodo;

-

Dispositivo de remoção de gás.

O

Tanque Imhoff apresenta grande vantagem sobre as fossas sépticas, devido à ausência de partículas de lodo

no efluente, a não ser em operações anormais.

   

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Esta condição produz um lodo com umidade em torno de 90 a 95% e com boas características de secagem.

 

O

efluente líquido apresenta, normalmente, eficiência variando com as seguintes reduções:

 

Sólidos em Suspensão: 50 a 70%

 

Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO 5 ): 30 a 50%

 

O SISTEMA DE TRATAMENTO DE ESGOTO SANITÁRIO IMPLANTADO NO MUNICÍPIO DE MIRANDA/MS

LOCALIZAÇÃO E CONDIÇÕES SANITÁRIAS

O município de Miranda foi fundado em 16 de julho de 1778, sendo desmembrado do município de

Corumbá, no dia 17 de outubro de 1871, está situado às margens do rio Miranda, possui uma área de 5.494,5

km 2 e está localizado a 194 km da capital do Estado. Localiza-se na microrregião geográfica Aquidauana,

sua altitude é de 126 m acima do nível do mar, situa-se na intersecção das coordenadas geográficas: Latitude:

20 14' 26" e Longitude: 56 22' 42".

A hidrografia do município é privilegiada, com presença abundante de águas superficiais correntes,

destacando-se os rios Betione e Salobra, afluentes do rio Miranda pela esquerda, sendo este o mais volumoso que banha a sede do município, além do córrego Vilas Boas, e é o principal manancial de água para abastecimento da cidade, com água bruta de boa qualidade e a vazão mínima é de 7,3 m 3 /s. Destaca-se também o rio Agachi, afluente do rio Aquidauana pela margem esquerda.

O sistema de esgotamento sanitário da cidade, encontra-se em parte implantado, tendo sido iniciada sua

operação em outubro de 1998, com 891 ligações ativas, conforme dados atuais, o número de ligações previsto para ser atendido por este sistema é de 1.819 ligações, de acordo com os 16.342 metros de rede coletora.

O esgoto sanitário da cidade de Miranda é tratado por processo biológico. Inicialmente por digestão

anaeróbia seguida de processo aeróbio com leito fixo de microrganismos. A ETE está situada na Av. João Pedro Pedrossian.

COMPOSIÇÃO DO SISTEMA DE TRATAMENTO

O sistema completo de tratamento é composto pelas seguintes unidades (Fotos 1 a 4, em anexo):

- Rede coletora - a extensão da rede coletora executada é de 16.342 m, sendo em manilha de barro vitrificado com diâmetros variando de 100 a 150 mm. Na maioria dos casos, a rede foi executada no terço mais baixo da rua coletando os efluentes das residências nos dois lados da rua. A ETE foi construída para atender a uma vazão de 15 L/s, o equivalente a 7.200 habitantes, praticamente 50% da população atual.

- Estações Elevatórias - possuem sistema de gradeamento, sendo elas:

EEE 001 - situada na Rua Belo Horizonte e recalca os efluentes das sub-bacias A1 e G até a ETE.

- Vazão projetada: 19,36 L/s

EEE 002 - situada na Rua Municipal, antes do córrego Vilas Boas, e recalca os efluentes das sub-bacias B, I e

H até a EEE - 004.

- Vazão projetada: 6,02 L/s

EEE 003 - situada na Rua Tiradentes e recalca os efluentes das sub-bacias D, F, K, J e parte da E até a ETE.

- Vazão projetada: 13,76 L/s

EEE 004 - situada junto a ETE e recalca os efluentes da EEE - 002 e parte da sub-bacia E.

- Vazão projetada: 9,38 L/s

 

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- Gradeamento - o esgoto proveniente da elevatória, o qual já passou por um gradeamento existente na EEE antes da bomba, passa novamente por uma grade grossa instalada para proteção das bombas, também aqui instaladas. No canal estão instaladas duas grades, sendo a primeira com abertura entre barras com 3,0 cm, e a segunda com abertura entre barras de 2,0 cm.

- Remoção de areia (Desarenador - dois canais em paralelo), aonde ocorre à separação das partículas sólidas sedimentáveis de elevado peso específico, e aqueles com dimensões superiores a 0,20 mm. Evita- se o arraste das partículas de maior peso específico para as bombas e para dentro do Reator, o que melhora a performance do Sistema de Tratamento e evita prejuízos nos equipamentos;

- Leito de secagem

- Dimensões dos leitos de secagem:

- Número de leitos = 2

- Área = 64,8 m 2

- Medidor de vazão - Tipo Calha Parshall, instalada após o desarenador, tipo analógico, que é aferido constantemente pelo operador da estação;

- Sistema Anaeróbio (RALF) - o esgoto tratado sai do reator por tubulações instaladas na parte superior e por gravidade entra no reator aeróbio.

- Sistema Aeróbio - (BIODRUM ) - o lodo retido no fundo do decantador é retirado através do sistema air-lift, retornando parte para o BIODRUM , e parte para o RALF, onde será estabilizado biologicamente.

CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

Os critérios básicos adotados foram os seguintes:

K1 = 1,2 K2 = 1,5 Coeficiente de retorno = 0,8 Consumo per capita = 120 L/hab.dia Taxa de ocupação = 4,02 hab/economia Infiltração = 0,2 L/km.s

de ocupação = 4,02 hab/economia Infiltração = 0,2 L/km.s As instalações não residenciais tiveram critérios

As instalações não residenciais tiveram critérios particulares de dimensionamento. Foram cadastrados durante a visita de campo, e foi solicitada a SANESUL, o cadastro de água dos grandes consumidores.

MEMORIAL DE CÁLCULO DO SISTEMA

PARÂMETROS DE PROJETO:

Vazão diária = 1.296 m 3 /dia Concentração da DBO 5 = 300 mg O 2 /L Carga orgânica total = 388,8 kg DBO 5 /dia Vazão média = 54 m 3 /h Vazão de pico = 81 m 3 /h

GRADEAMENTO:

Dimensões do canal da grade:

Comprimento: 1,0 m Largura: 0,4 m Grade média: abertura entre barras de 3,0 cm Grade fina: abertura entre barras de 2,0 cm

 

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DIMENSÕES DO DESARENADOR

 

Comprimento: 3,1 m Largura: 0,4 m

 

O esgoto após o gradeamento e remoção de areia é enviado, por gravidade, para o tratamento primário a

seguir.

CARACTERÍSTICAS DO REATOR ANAERÓBIO:

Tipo: RALF - Reator Anaeróbio de Fluxo Ascendente com leito de lodo Eficiência (de projeto): 60 % Carga orgânica afluente: 388,8 kg DBO 5 /dia Carga orgânica removida: 233,2 kg DBO 5 /dia Carga orgânica residual: 155,0 kg DBO 5 /dia

O esgoto, após passar pelas grades e caixa de areia, é enviado para o reator anaeróbio através de um

distribuidor de vazão, dividindo assim a vazão de entrada em quatro correntes, em seguida cada corrente é subdividida em mais dez correntes menores. No total, a vazão de entrada de esgoto é dividida em 40 correntes menores, e através de tubulação apropriada é enviada ao fundo do reator anaeróbio.

DIMENSÕES DO REATOR ANAERÓBIO

Volume total: 395 m 3 Área superficial: 94 m 2 Carga orgânica aplicada: 1,08 kg DBO 5 /m 3 .dia Tempo de Retenção Hidráulico: 6,6 horas

DECANTADOR INTERNO

O esgoto penetrando pela abertura da parte inferior, alcança os vertedores de superfície, com uma velocidade

ascensional adequada para a sedimentação dos sólidos e flocos, os quais retornam pela abertura das paredes para a zona de transição e de digestão.

TUBOS VERTEDORES DE SAÍDA DE EFLUENTE

Quantidade de tubos: 8

SAÍDA DE GÁS

Geração de biogás: 12 L/0,54 kg DBO 5 /dia

Produção diária máxima de biogás: 86,4 m 3 /dia Vazão média (máxima): 3,6 m 3 /h Quantidade de saídas: 1 tubo

O biogás produzido é queimado.

PRODUÇÃO DE LODO

Produção de lodo (média): 0,15 kg SS/kg DQO (alim.) Produção estimada de lodo/mês: 2.625 kg de ST Volume de lodo produzido/mês: 38 m 3 (com 70 g ST/L)

 

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Na teoria deveria ser prevista uma retirada a cada 15 dias, podendo chegar a freqüência de até 3 meses, entretanto até a presente data (Abril/2.001), não ocorreu nenhuma retirada, possivelmente pelo fato do sistema estar operando com uma vazão aquém para a qual foi dimensionado. O lodo, futuramente descartado, será secado nos leitos de secagem existentes na área da ETE.

secado nos leitos de secagem existentes na área da ETE. DRENAGEM DE ESCUMA 10 tampas de

DRENAGEM DE ESCUMA

10 tampas de visita localizadas na superfície do tanque, permitem a retirada de escuma acumulada no topo do decantador.

AMOSTRAGEM

Estão instalados lateralmente, três registros, de forma a possibilitar a retirada de amostra do reator anaeróbio, respectivamente 1, 2 e 3 metros de altura em relação ao fundo.

REATOR AERÓBIO

O efluente do reator anaeróbio é enviado para o BIODRUM composto por um tanque com:

Volume de líquido: 96,1 m 3 TRH (na vazão média): 1,8 hora

No tanque estão instalados dois reatores rotativos (duas rodas), que funcionam como aerador, mas principalmente como suporte para a fixação das bactérias na forma de biofilme.

Material

Parte metálica: Inox 304 Parte plástica: Tubos de polipropileno Carga Aplicada no Reator Rotativo N 1 Eficiência mínima (de projeto): 50 % Carga orgânica afluente: 155,5 kg DBO 5 /dia Concentração da DBO 5 (afluente): 120 mg O 2 /L

Carga orgânica de saída: 77,7 kg DBO 5 /dia (máxima) Concentração da DBO 5 (efluente): (máxima) Carga orgânica aplicada: 20,4 g DBO 5 /m 2 .dia Capacidade de Aeração

O volume de ar necessário para:

Girar uma roda: 60 m 3 /h Girar duas rodas: 120 m 3 /h

PARA AGITAÇÃO

1 m 3 de ar/m 3 de tanque: 31 m 3 /h Vazão de ar para air-lift: 40 m 3 /h Vazão total necessária de ar: 191 m 3 /h Verifica-se que existe um excesso de ar fornecido pelos sopradores. Este é utilizado para agitar o líquido no tanque. Capacidade de aeração (oxigênio fornecido) = 220 m 3 /h x 0,21 (%O 2 ) x 0,04 (5% de transferência x 1,209) = 2,79 kg O 2 /h = 67 kg O 2 /dia. Volume de Ar Captado pelas Rodas Ao girar 1 rpm, cada espira da roda capta 40 L/min. Como são 26 espiras, a roda capta 1,04 m 3 /min, ou seja, 62,4 m 3 /h. Assim, a capacidade de aeração da roda é:

62,4 m 3 /h x 0,21 x 0,15 (15%) x 1,209 = 2,37 kg O 2 /h Como são 2 rodas, temos 2 x 2,37 kg O 2 /h x 24 = 114,1 kg O 2 /dia

 

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Portanto, o total de oxigênio fornecido será:

 

67 kg O 2 /dia + 114,1 kg O 2 /dia = 181,1 kg O 2 /dia Considerando-se a carga removida no sistema aeróbio:

 

(DBO 5 afluente - DBO 5 efluente = 155,5 -77,7) = 77,7 kg DBO 5 removida Assim, estamos fornecendo (181,1/77,7) = 2,33 kg O 2 /kg DBO 5 (removido) Assim, o oxigênio fornecido é suficiente para promover a oxidação da matéria orgânica.

 

DIMENSÕES DO DECANTADOR FINAL

Taxa de aplicação superficial: 36 m 3 /m 2 .dia Área necessária: 35,8 m 2

Existem instalados dois sistemas de remoção de lodo por air-lift, em cada poço do decantador.A vazão de retorno de lodo é da ordem de 10% da vazão média tratada na ETE. A regulagem da vazão de lodo retornado é realizada nos registros de ar, localizado na saída do soprador. Como neste sistema não é importante o retorno de lodo, aproximadamente metade do lodo retirado do decantador é conduzida para o biodigestor anaeróbio para ser estabilizado, e o restante recirculado para o tanque aeróbio com BIODRUM .

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS

SOPRADORES DE AR

Vazão de ar (considerando-se perda de carga): 220 m 3 /h Potência do motor (dependendo do tipo de soprador): de 3 a 10 CV Quantidade: 1

COMANDO ELÉTRICO

Quadro elétrico para operação automático/manual através de indicadores, incluindo chave seletora para reverter os sopradores, assim como temporizador para programação de tempo parado e de funcionamento.

TUBULAÇÕES

Para a interligação das unidades (tubos de passagem), foram utilizados tubos de PVC.

A tubulação da admissão, tubos e conexões do soprador (compressor radial), foram construídos em ferro

galvanizado, e a tubulação de escape em PVC marrom. As válvulas utilizadas são em bronze com sede em latão.

MANUAL DE OPERAÇÃO

A seguir é apresentada uma síntese do manual de operação da ETE – Miranda

GRADE DE BARRAS

A grade de barras tem a função de reter os sólidos grosseiros contidos no fluxo. Esta deve ser inspecionada e

limpa diariamente pelo operador da ETE. A operação de limpeza é feita com auxílio de um rastelo manual, removendo-se os resíduos para a caixa coletora anexa, e daí, enviada para o serviço municipal de coleta de lixo (resíduo classe II).

 

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DESARENADOR E MEDIDOR DE VAZÃO

A retirada manual deve ser efetuada pelo operador, com uma freqüência semanal. O material removido deve

ser enviado para o serviço de coleta de lixo urbano.

A vazão do afluente pôde ser verificada, através de um medidor de vazão do tipo PARSHALL, instalado após

o desarenador.

SISTEMA BIOLÓGICO

RALF

instalado após o desarenador. SISTEMA BIOLÓGICO RALF A alimentação do esgoto neste reator, ocorre por

A alimentação do esgoto neste reator, ocorre por gravidade. Após o gradeamento e a remoção da areia e

gordura o efluente é subdividido em correntes iguais, e levado ao fundo do tanque por tubos de PVC com diâmetro de 2". Nesta etapa, o único cuidado é a verificação de que o líquido está fluindo em cada um dos tubos. Caso ocorra entupimento, torna-se necessário proceder ao desentupimento, usando um simples pedaço de arame ou aplicação de jato d'água. Como o princípio deste reator é o de reter lodo, assim periodicamente, deverá se proceder à retirada de lodo, que deve ser enviado para o leito de secagem.

BIODRUM ââ

O

efluente do reator anaeróbio por gravidade é conduzido para o tanque de aeração com o reator rotativo.

O

controle de rotação das rodas é feito pela regulagem dos registros (válvula gaveta), na casa de máquina,

que permite controlar a vazão de ar, de forma a manter uma rotação por minuto em cada uma das rodas. Assim, deve-se observar diariamente a rotação das rodas, e se necessário, corrigí-las.

O efluente do reator aeróbio é conduzido por gravidade para o decantador, que efetua a separação dos

sólidos.

DECANTADOR

O decantador é responsável pela separação das fases líquida/sólida. O líquido sobrenadante constitui o esgoto

tratado, sendo lançado no corpo receptor.

O lodo sedimentado no fundo do decantador é retirado através do sistema de air-lift, retornando

continuamente para o reator de aeração (BIODRUM ), e para o reator anaeróbio (RALF), onde é digerido biologicamente. No caso de mau funcionamento provocado pelo entupimento do sistema de air-lift, deve-se efetuar a desobstrução pela parte superior do tubo de reciclo, onde foi previsto um local apropriado para este fim, com auxílio de um arame flexível.

CASA DE MÁQUINAS

A casa de máquinas é um abrigo em alvenaria com porta, janela e pia, onde está instalado o sistema de

ventilação forçada, utilizado para a rotação das rodas, aeração dos tanques e reciclo de lodo (air-lift). Através das válvulas do tipo gaveta (registro), consegue-se regular o sistema de ventilação que é composto por dois compressores radiais com silenciador e válvula de retenção, interligados e funcionando alternadamente.

ÍNDICE DE QUALIDADE DE EFLUENTES (IQE) DA ETE - MIRANDA

Para avaliação da eficiência da ETE - Miranda utilizou-se o Índice de Qualidade dos Efluentes (IQE) desenvolvido pela SANESUL, o qual é utilizado para avaliação dos sistemas de tratamento de efluentes implantados e/ou operados pela mesma. Entretanto, o IQE atual, de acordo com informações fornecidas pela

 

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GECSA/SANESUL, sofrerá alterações, tendo em vista a inclusão de novos parâmetros, e por conseqüência novos pesos serão atribuídos no cálculo, mudando os resultados.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

SISTEMAS DE TRATAMENTO DE ESGOTOS SANITÁRIOS EM MATO GROSSO DO SUL

Dos 77 municípios do Estado de Mato Grosso do Sul, apenas 30 municípios possuem sistemas municipais de tratamento de esgotos, sendo que destes, 24 são operados pela SANESUL, e 6 são operados pela SAAE. (Sistema Autônomo de Água e Esgoto) ou pela própria Prefeitura, através da Secretaria de Obras. A população atual atendida por sistemas coletivos, representa apenas 9,76% da população urbana. Uma parcela dos municípios da Bacia do Alto Paraguai (BAP), terá implantado sistemas de tratamento, com recursos do BID. O restante da parcela da população urbana (residencial ou não residencial), ou utilizam os sistemas convencionais tanque séptico/sumidouro, ou lançam seus esgotos in natura, nos cursos d'água.

ETE - MIRANDA

As Tabelas 7 e 8, apresentam os valores médios, obtidos dos boletins de análise fornecidos pela SANESUL. Os dados referem-se ao período de monitoramento de 01/Junho/99 a 21/Novembro/00. No referido período, foram realizadas nove campanhas de coleta, sendo coletadas amostras simples. De acordo com os boletins de análise do afluente e do efluente da ETE - Miranda, pode-se verificar que houve uma redução da DBO 5 de 94,9%, da DQO de 90,7%, do SS de 98,9%, da Turbidez de 91,2%, dos Coliformes Fecais de 99,7460% e dos Coliformes totais de 99,7480%. Entretanto, em relação aos percentuais apresentados para DBO 5 , Coliformes fecais e totais, não podemos realizar uma avaliação da eficiência na remoção destes parâmetros, pois os mesmos não foram analisados em todos os boletins de análise efetuados, desde que iniciado o monitoramento da ETE.

Tabela 7: Valores de entrada no sistema.

Parâmetros

Unidades

Valor mínimo

Valor máximo

Valor médio

DBO 5

mg O 2 /L

186

4.000

1.184

DQO

mg O 2 /L

289

1.830

678

Sólidos Sedimentáveis

mL/L

0,3

20,0

3,5

pH

-

6,9

7,9

7,10

Turbidez

NTU

153

1.015

363

Coliformes Fecais

NMP/100mL

8,0 x 10 6

1,3 x 10 7

10,5 x 10 6

Coliformes Totais

NMP/100mL

1,7 x 10 7

5,0 x 10 7

3,35 x 10 7

Tabela 8: Valores de saída do sistema.

Parâmetros

Unidades

Valor mínimo

Valor máximo

Valor médio

DBO 5

mg O 2 /L

2,6

159

60

DQO

mg O 2 /L

36,0

110,0

63

Sólidos Sedimentáveis

mL/L

0,0

0,1

0,04

pH

-

7,2

7,8

7,50

Turbidez

NTU

12,0

62,0

31,9

Coliformes Fecais

NMP/100mL

1,3 x 10 4

5,0 x 10 4

3,15 x 10 4

Coliformes Totais

NMP/100mL

8,0 x 10 4

8,0 x 10 4

8,0 x 10 4

Além da análise da DBO 5 , dos Coliformes fecais e totais, é de fundamental importância que seja realizada a análise dos seguintes parâmetros químicos para o efluente tratado: Alcalinidade, Óleos e Graxas, Amônia e Fósforo Total.

 

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CÁLCULO DO IQE DA ETE - MIRANDA

Para cálculo do Índice, foram utilizados os seguintes parâmetros: DQO, Sólidos Sedimentáveis, pH e Turbidez. Para cada parâmetro, foi atribuído um peso de acordo com a Tabela 9, abaixo.

Tabela 9: Parâmetros e pesos atribuídos

Parâmetros

Peso

DQO

29

Sólidos Sedimentáveis

10

pH

10

Turbidez

4

Total

53

10 pH 10 Turbidez 4 Total 53 Para cada parâmetro é considerada uma faixa de valores,

Para cada parâmetro é considerada uma faixa de valores, que determina seus resultados de eficiência em percentual (Tabelas 10 a 13).

Tabela 10: pH.

 

Faixa

< 5,0

5,0 - 6,4

6,4 - 6,7

6,8 - 7,2

7,3 - 7,5

7,6 -9,0

>9,0

Eficiência

0

 

25

75

100

75

25

0

Tabela 11: Turbidez (NTU).

 

Faixa

0 - 30

31 -70

71 - 100

101 – 150

 

>150

Eficiência

100

 

80

50

30

 

0

Tabela 12: Sólidos Sedimentáveis (mL/L).

Faixa

0,0 - 0,1

0,2 - 0,4

0,5 - 0,8

0,8 - 1,0

 

>1,0

Eficiência

100

 

80

50

30

 

0

Tabela 13: DQO (mg/L).

 

Faixa

0 - 60

61 - 100

101 - 140

141 - 180

181 - 220

221 - 250

>250

Eficiência

100

95

90

70

 

50

30

0

A Tabela 14 traz a classificação de acordo com este IQE, que define as condições do sistema em questão.

Tabela 14: Classificação do IQE.

Sistema

Ótimo

Bom

Regular

Precário

RALF

80

75

70

<70

BIODRUM

85

80

75

<75

Lagoas

85

80

75

<75

RALF + Gramíneas

90

85

80

<80

A Tabela 15 apresenta os resultados das análises físico/químicas realizadas, nas amostras de efluentes do

BIODRUM , em diferentes meses.

                     

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Tabela 15: Dados dos boletins de análise, na saída do BIODRUM ââ .

         

Parâmetros

Unidades

618/99

677/99

693/99

010/00

077/00

108/00

266/00

291/00

376/00

 

DQO

mg O 2 /L

52,0

96,0

52,0

36,0

66,0

28,0

64,0

110,0

N.D.

 

SS

mL/L

0,0

0,1

0,0

0,0

0,0

0,2

0,0

0,0

0,1

 

pH

-

7,3

7,2

7,4

7,5

7,4

7,5

7,8

7,8

7,3

 

Turbidez

UNT

33,0

28,0

23,0

12,0

33,0

18,0

24,0

62,0

54,0

 

Com base nos valores obtidos (Tabela 15), verificou-se em que percentual encontra-se cada parâmetro analisado (Tabelas 10 a 13). Após, estes percentuais são multiplicados pelo peso correspondente a cada parâmetro (Tabela 9). O valor do IQE é determinado, realizando-se a soma dos resultados obtidos para cada parâmetro e dividindo-se pelo peso total (53). Consultando a Tabela 14, a ETE - Miranda foi classificada como ótima. Entretanto, o Índice de Qualidade de Efluentes utilizado, não considera alguns parâmetros importantes para realmente ser feita uma análise da eficiência do sistema, além do fato do sistema estar operando com uma capacidade aquém da qual foi dimensionado, pois conforme dados fornecidos pela SANESUL, o número de ligações previsto para ser atendido por este sistema é de 1.819 ligações, e atualmente está operando com aproximadamente 891 ligações.

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

De acordo com os resultados obtidos, pode-se concluir que:

- Há necessidade de serem realizados maiores estudos preliminares para a elaboração de Projetos de Estações de Tratamento de Esgotos em Mato Grosso do Sul, tendo em vista que tal etapa é de grande importância, sendo que a opção a ser adotada, será fruto de todas as considerações e estudos efetuados nessa fase. Portanto, deve-se buscar sempre a maior precisão e confiabilidade possíveis, para os dados obtidos, visto que o sucesso técnico e a viabilidade econômica da alternativa eleita, dependem em grande parte desta análise inicial.

- Na maioria dos sistemas implantados, o efluente final não atende à Resolução CONAMA Nº 20/86, em seu artigo 21 e à Deliberação CECA Nº 003/97, sendo necessário um pós-tratamento;

- Seja realizado o monitoramento mais freqüente;

- Na maioria dos sistemas em operação, não há uma pessoa tecnicamente habilitada para a operação e manutenção da ETE;

- Para a ETE - Miranda, além da análise da DBO, dos Coliformes fecais e totais, é de fundamental importância que seja realizada a análise dos seguintes parâmetros químicos para o efluente tratado:

Alcalinidade, Óleos e Graxas, Amônia e Fósforo Total, dentre outros parâmetros de controle;

- O Índice de Qualidade de Efluentes utilizado, não considera alguns parâmetros importantes para realmente ser feita uma análise da eficiência do sistema.

Recomenda-se:

- Realizar maiores estudos preliminares para a elaboração de Projetos de Estações de Tratamento de Esgotos em Mato Grosso do Sul;

- Implantação de pós-tratamento nos sistemas de tratamento de esgoto, que não atendem a Resolução CONAMA Nº 20/86, em seu artigo 21;

- A elaboração de um plano de monitoramento para cada ETE, sendo que neste plano devem ser contempladas análises mais freqüentes, acrescentar outros parâmetros químicos e microbiológicos, determinados de acordo com cada tipo de sistema de tratamento existente, (ex. DBO 5 , Coliformes fecais e totais, Alcalinidade, Óleos e Graxas, Amônia, Fósforo Total), bem como a realização de amostragem composta, para que se possa fazer uma avaliação mais precisa da eficiência do sistema;

- Implantação de laboratórios equipados em outros municípios do Estado, além de Campo Grande, para a realização de análises físicas, químicas e bacteriológicas de água e esgoto;

- Um técnico responsável pela operação e manutenção da ETE, o qual deve ser treinado para tal;

- Reavaliar o IQE utilizado;

 

21º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental

- Desenvolver campanhas educativas, voltadas para esclarecimento da população, em relação aos objetivos das Estações de Tratamento de Esgoto Sanitário.

FOTOS DA ETE - MIRANDA

de Tratamento de Esgoto Sanitário. FOTOS DA ETE - MIRANDA Foto 1: Estação elevatória. Foto 3:

Foto 1: Estação elevatória.

FOTOS DA ETE - MIRANDA Foto 1: Estação elevatória. Foto 3: Vista geral da Estação. Foto

Foto 3: Vista geral da Estação.

1: Estação elevatória. Foto 3: Vista geral da Estação. Foto 2: Sistema de pré-tratamento. Foto 4:

Foto 2: Sistema de pré-tratamento.

geral da Estação. Foto 2: Sistema de pré-tratamento. Foto 4: Efluente do BIODRUM ® . AGRADECIMENTOS

Foto 4: Efluente do BIODRUM ® .

de pré-tratamento. Foto 4: Efluente do BIODRUM ® . AGRADECIMENTOS Ao Prof. Carlos Nobuyoshi Ide, da

AGRADECIMENTOS

Ao Prof. Carlos Nobuyoshi Ide, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul; ao acadêmico Carlos Afonso Salles, do curso de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul; ao Sr. Elso Vitoratto, Diretor da Empresa PROACQUA - Processos de Saneamento de Efluentes e Comércio Ltda.; ao Engº Mário Augusto Loureiro Leites, Gerente de Operações e Tecnologias da Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul S/A - SANESUL; e ao Biólogo Lázaro Godoy, Diretor de Administração e Finanças da Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul S/A - SANESUL.

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anaeróbio

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reator

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fluxo

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21º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental

 

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