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AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

Olá pessoal!

Vamos começar a nossa nona aula de macroeconomia.

Queria dizer a vocês que as matérias iniciais são as que mais caem nas provas. Exatamente por esse motivo, existe um número bem maior de questões a serem resolvidas.

Lembro que as críticas ou sugestões poderão ser enviadas para:

cesar.frade@pontodosconcursos.com.br.

Prof. César Frade

MAIO/2012

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

20. Regimes Cambiais

Essa é uma parte não muito simples de macroeconomia.

A taxa de câmbio é o preço a ser pago em determinada moeda para adquirir

uma segunda moeda. Ou seja, o preço a ser pago para a aquisição de uma

moeda estrangeira.

Quando dizemos que a taxa de câmbio do dólar é de R$ 2,00, estamos falando que precisamos de R$ 2,00 para adquirir um único dólar norte-americano. Portanto, vemos que a taxa é o preço para se adquirir uma unidade da outra moeda.

Vou tentar explicar esse assunto fazendo uma comparação com outros produtos quaisquer, com o intuito de mostrar que negociar moeda ou qualquer outra mercadoria é semelhante.

Observe que quando falamos que a batata custa R$ 2,00, estamos dizendo que precisamos de R$ 2,00 para comprar um quilo de batata. Dessa forma, conseguimos visualizar que ao invés de ficar pensando na moeda norte- americana podemos pensar na batata 1 (pois é mais fácil de raciocinar) e estender o raciocínio para o dólar.

No entanto, antes de começarmos a explicação acerca da moeda estrangeira precisarei explicar a diferença entre uma variável real e uma variável nominal 2 . Se uma pessoa tem um salário de R$ 1.000,00 por mês e nessa economia em que vive existe apenas um bem que custa R$ 1,00, com o salário, consegue comprar 1.000 unidades desse bem.

Se a pessoa tiver um aumento de 50% e passar a ganhar R$ 1.500,00 por mês

e ao mesmo tempo o preço deste bem for majorado em 20%, passando a custar R$ 1,20, ela poderá comprar 1.250 unidades.

1 Certa vez recebi um mail de uma garota dizendo que não estava entendendo, mas que talvez se eu mudasse para chocolate ficaria mais fácil. Não irei trocar, mas se você sentir a mesma dificuldade é só fazer essa troca.

2 A ideia é muito parecida com aquela que foi desenvolvida em produto.

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MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE Dessa forma, como seu salário passou de R$ 1.000,00 para R$ 1.500,00 por

mês, ela teve um aumento de 50% no seu salário nominal. Enquanto isso, com

esse mesmo aumento ela deixou de comprar 1.000 unidades do bem único e

passou a comprar 1.250 unidades, tendo um aumento de 25% no salário real.

Logo, o salário nominal é o valor auferido em unidades monetárias e o salário

real é quantas unidades do bem aquele salário nominal consegue adquirir.

Sendo assim, imagine a situação em que uma pessoa tenha R$ 1.000,00 e

essa economia possui apenas um bem, batata, ao preço de R$ 1,00 por quilo.

Ela pode adquirir 1.000 quilos desse bem, utilizando toda a sua renda. Se o

preço da batata aumentar para R$ 1,25, ela poderá adquirir somente 800

quilos com a mesma quantidade monetária (sem variação nominal).

Dessa forma, o dinheiro que essa pessoa possui acabou perdendo valor, se

desvalorizando, pois ele não consegue mais adquirir a mesma quantidade de

batata com R$ 1.000,00.

Raciocínio análogo pode ser feito com a moeda estrangeira. Quando a taxa de

câmbio do dólar passar de R$ 1,00 para R$ 1,25, a moeda nacional acabou se

desvalorizando, uma vez que a mesma quantidade de reais adquirirá menos

dólares. Se ocorrer uma redução no preço do câmbio (taxa de câmbio) a

moeda nacional terá se valorizado.

Outra situação não menos importante de ser compreendida acerca do tema

refere-se à valorização/desvalorização nominal e/ou real. Tentemos construir

um exemplo simples que possa esclarecer esse assunto. Suponha que uma

unidade de moeda nacional consiga adquirir uma unidade de dólar norte-

americano, ou seja, que a taxa de câmbio seja igual a 1,00.

Da mesma forma, existe apenas um bem em cada um dos países e esse bem é

idêntico nas duas nações. Logo, uma pessoa que esteja no Brasil e ganha R$

1.000,00 consegue comprar 1.000 unidades do bem caso ele custe apenas R$

1,00 e compraria também 1.000 unidades do bem existente nos Estados

Unidos dado que o preço dele é igual a US$ 1,00.

Entretanto, houve uma inflação no Brasil de 32% em 5 anos e nos Estados

Unidos de apenas 20% no mesmo período. Supondo que o salário dessa

pessoa que mora no Brasil foi corrigido pelo mesmo valor da inflação, ela

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MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE passou a receber R$ 1.320,00 ao mês, tendo obtido um aumento nominal de

32% em seu salário, mas não havendo nenhum ganho real uma vez que

continua comprando 1.000 unidades do bem disponível.

, 1 , ela passaria

a ser de R$ 1,10 para cada unidade de dólar. E, dessa forma, o agente

brasileiro passaria a adquirir US$ 1.200,00 com os seus recursos e, continuaria

comprando nos Estados Unidos a mesma quantidade do bem em questão,

dado que agora custa US$ 1,20. Dessa forma, podemos ver houve uma

desvalorização nominal do câmbio, pois passou de R$ 1,00 para R$ 1,10, mas

No entanto, se a taxa de câmbio se desvalorizar em 10% ,

não houve alteração real uma vez que continua adquirindo a mesma

quantidade do bem.

Por outro lado, se a taxa de câmbio se desvalorizar menos que 10% e passar a

ser negociada por R$ 1,05, a pessoa que ganha R$ 1.320,00 no Brasil

continuará adquirindo, internamente, 1.000 unidades do bem em questão. No

entanto, com esse mesmo recurso poderá adquirir US$ 1.257,00 e, portanto,

aumentar o consumo do bem comprado nos Estados Unidos para 1.047

unidades. Veja que é preferível comprar os dólares e efetuar a compra do

produto em território americano.

Mas você deve estar se perguntando o porque disto, certo? Simples, porque

como a taxa de câmbio nominal se desvalorizou menos do que deveria, a

moeda nacional acabou passando a valer mais, se valorizando, e com isto,

conseguindo adquirir mais produtos no mercado internacional. Com o raciocínio

análogo, podemos ver que se a taxa nominal de câmbio se desvalorizasse mais

do que 10%, o brasileiro não conseguiria adquirir US$ 1.200,00 e, portanto,

compraria menos do que 1.000 unidades, pois a moeda nacional teria perdido

valor, teria se desvalorizado.

Sendo assim, se a desvalorização nominal for menor do que a razão entre as

inflações externas e internas haverá uma valorização da moeda nacional, caso

contrário uma desvalorização.

Matematicamente, temos:

â â ·

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Sendo:

Π interna – taxa de inflação interna

Π externa – taxa de inflação externa

Equação análoga deve ser usada quando falamos de taxa de juros. Veja:

â â ·

Sendo:

i interna – taxa de juros interna i externa – taxa de juros externa

Dessa forma, o câmbio futuro é o câmbio à vista aplicado pelo diferencial de taxa de juros interna e externa. Da mesma forma que o câmbio nominal, caso

a taxa de câmbio seja negociada a outro valor, haverá um processo de arbitragem até que o equilíbrio seja restabelecido.

20.1. Câmbio Fixo

Quando é aplicado o regime de câmbio fixo, a autoridade monetária (no Brasil,

o Banco Central do Brasil) define qual é o valor da taxa de câmbio e deverá honrar esse patamar estabelecido.

Se a quantidade demandada de moeda estrangeira for maior do que a ofertada haverá uma tendência desvalorização da moeda nacional, ou melhor, um aumento da taxa de câmbio. Com o intuito de manter a taxa de câmbio no patamar fixo estabelecido pela autoridade monetária, o Governo deverá efetuar a oferta faltante para que seja estabelecido um equilíbrio entre oferta e demanda. Somente dessa forma, a taxa de câmbio continuará sendo fixa.

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20.2. Câmbio Flutuante

Quando é escolhido o regime de câmbio flutuante, em tese, o Banco Central não deverá influenciar ou controlar o mercado. Pressões de oferta e demanda por moeda estrangeira definirão o patamar da taxa de câmbio.

Atualmente, no Brasil, o regime de taxa de câmbio flutuante é o vigente. Sei que irão questionar a respeito das intervenções do Banco Central, mas a autoridade monetária funciona como se fosse mais um participante qualquer do mercado. Claro que é um participante enorme, mas não tem, em primeira instância, intenção de controlar a taxa de câmbio.

Quero que entendam que esta é a parte teórica. Se isso é feito ou não no País, é outra história. Entretanto, a taxa de câmbio é, realmente, flutuante.

20.3. Flutuação Suja

O outro regime possível é o regime de flutuação suja. Neste regime, a autoridade monetária define um teto e um piso para a taxa de câmbio e enquanto as forças de oferta e demanda não indicarem que a taxa de câmbio sairá fora desse patamar, a autoridade monetária não tomará nenhuma atitude.

Caso a oferta de moeda estrangeira supere a demanda de tal forma que a taxa de câmbio tenha uma tendência de ficar abaixo do piso, a autoridade monetária deverá comprar o excesso de moeda ofertada para que a taxa não caia a um patamar inferior ao piso estabelecido.

De forma análoga, se a demanda por moeda estrangeira for maior e houver uma tendência da taxa ficar acima do teto, caberá à autoridade monetária vender moeda estrangeira com o intuito de manter a taxa de câmbio dentro da faixa de flutuação.

Esse tipo de regime cambial foi utilizado no Brasil quando da implantação do Plano Real, sendo que inicialmente a taxa não tinha piso apenas teto. Alguns meses depois, a taxa de câmbio passou a ter teto e piso e tal fato perdurou até janeiro de 1999.

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21. Economia Aberta

O modelo IS-LM pode ser colocado em uma economia aberta para determinar

a renda de equilíbrio de uma economia. Interessante é que o Modelo de

Mundell-Fleming é uma situação dentre as várias possíveis no modelo de determinação de renda de uma economia aberta.

Para efetuarmos as análises necessárias devemos combinar a política adotada pelo Governo (Fiscal ou Monetária) com a taxa de câmbio vigente (Fixo ou Flutuante) em cada uma das situações de mobilidade de capital. Ou seja, se uma economia tem mobilidade perfeita de capital devemos fazer as análises combinando câmbio fixo e flutuante com política monetária e fiscal. E, posteriormente, efetuar a análise para uma economia sem mobilidade de capital.

21.1. Economia com Mobilidade Perfeita de Capital

Uma economia tem mobilidade perfeita de capital quando os recursos podem transitar entre as mais diversas regiões sem maiores problemas. Ou seja, considerando as economias dos países, quando um País tem mobilidade perfeita, os recursos financeiros tanto ingressam como saem desse local em uma velocidade grande. Os recursos financeiros irão procurar os lugares que oferecerem as maiores taxas de juros.

Dessa forma, os recursos irão para os locais que possuem a maior taxa de juros. Portanto, se dois países possuem taxas de juros distintas, o capital irá para aquele local que tiver taxa de juros mais alta.

Importante lembrar que enquanto as taxas de juros forem diferentes haverá movimentação de capital. Logo, a condição de equilíbrio, em qualquer situação, é a igualdade entre a taxa de juros interna e a taxa de juros externa.

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21.1.1. Política Monetária

a) Câmbio Fixo

Imaginemos que a taxa de juros nos dois países em questão seja igual 3 (r in t = r ext ). Se o Governo de um dos países optar por adotar uma política monetária expansionista, tal fato fará com que haja um deslocamento da curva LM para LM 1 para LM 2 . Com isso, a curva LM irá cortar a IS em um ponto mais baixo, induzindo a um equilíbrio de taxa de juros interna inferior ao patamar anterior

e um aumento no produto.

inferior ao patamar anterior e um aumento no produto. Após a aplicação de uma política monetária

Após a aplicação de uma política monetária expansionista, a taxa de juros externa passa a ser maior que a taxa de juros interna. Com uma taxa de juros mais baixa, o capital perde o incentivo de continuar investindo nesse País, e assim, haverá uma fuga de capitais.

Como a taxa de câmbio é fixa, a autoridade monetária tem a obrigação (a

menos que desvalorize a taxa de câmbio) de vender a moeda estrangeira para que ocorra a fuga dos capitais. Quando ocorre a venda da moeda estrangeira,

o comprador da moeda entrega a moeda nacional para a autoridade monetária

e, portanto, haverá uma redução da moeda nacional em circulação. Essa

3 Essa é a condição de equilíbrio tendo em vista a mobilidade de capital existente.

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MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE redução provoca um deslocamento para cima e para a esquerda da LM. Tal

ciclo irá continuar até o momento em que a LM retornar para ponto inicial, pois

assim, as taxas de juros interna e externa voltam a se igualar.

Sendo assim, podemos verificar que a política monetária expansionista em

uma economia com mobilidade perfeita de capital e taxa de câmbio fixa é

inócua uma vez que não há alteração nem da taxa de juros nem da renda.

b) Câmbio Flexível

Se o Governo adotar uma medida de política econômica com taxa de câmbio

flexível em uma economia com mobilidade perfeita de capital, temos o caso do

modelo chamado de Mundell-Fleming.

Importante ressaltar, então, que o Modelo de Mundell-Fleming não é sinônimo

de modelo IS-LM em uma economia aberta. Na verdade, esse é um dos casos

existentes do modelo IS-LM em uma economia aberta.

Segundo Lopes & Vasconcellos:

“Considerando um sistema de taxa de câmbio flutuante, vejamos o

impacto das políticas econômicas. Esse caso, com livre mobilidade de

capital e taxa de câmbio flutuante, dentro do modelo IS-LM, é o

chamado Modelo Mundell-Fleming.”

Partindo da condição de equilíbrio onde a taxa de juros interna é igual à taxa

de juros externa, a partir do momento em que o Governo opta por uma política

monetária expansionista há um deslocamento da curva LM para a direita e

para baixo (de LM 1 para LM 2 ).

Com esse deslocamento da LM, a taxa de juros externa passa a ficar maior que

a taxa de juros interna e, portanto, haverá uma fuga de capital. O investidor

estrangeiro está aplicado em moeda nacional e deverá comprar a moeda

estrangeira para sair do País. Dessa forma, há um aumento na demanda por

moeda estrangeira provocando uma desvalorização da moeda nacional.

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MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE Essa desvalorização da moeda nacional faz com que os produtos produzidos

internamente fiquem mais competitivos no mercado internacional. Portanto,

haverá um aumento das exportações e tal fato provoca um deslocamento da

curva IS para cima e para a direita (de IS 1 para IS 2 ).

IS para cima e para a direita (de IS 1 para IS 2 ). Dessa forma,

Dessa forma, vemos que em uma economia com mobilidade perfeita de capital

quando o governo adota uma política monetária expansionista em um regime

de câmbio flexível, há um aumento da renda e a taxa de juros continua

constante.

21.1.2. Política Fiscal

a) Câmbio Fixo

Se o Governo adotar uma política fiscal expansionista com o regime de câmbio

fixo em uma economia com livre mobilidade de recursos, ele irá provocar um

deslocamento da curva IS para cima e para a direita (de IS 1 para IS 2 ).

Com o deslocamento da curva IS para a direita, a taxa de juros interna fica

maior que a taxa de juros externa. Dessa forma, como o capital procura o local

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que

estrangeiros.

possui a

taxa

de

juros mais

alta, haverá um ingresso de capitais

Como a taxa de câmbio em questão é fixa, a autoridade monetária é obrigada

a comprar a moeda estrangeira, efetuando o pagamento em moeda nacional.

Sendo assim, há um aumento da quantidade de moeda nacional em circulação,

deslocando a curva LM para baixo e para a direita (de LM 1 para LM 2 ).

LM para baixo e para a direita (de LM 1 para LM 2 ). Dessa forma,

Dessa forma, a adoção de uma política fiscal expansionista com um câmbio

fixo em uma economia com mobilidade perfeita de capital provoca um

aumento na renda de equilíbrio mas mantém a taxa de juros em equilíbrio.

b) Câmbio Flexível 4

Lembre-se que o Modelo de Mundell-Fleming incorpora também mudanças na

política fiscal e, portanto, esse também é um caso desse modelo. Ele mostra

as situações em uma economia com mobilidade perfeita de capital e câmbio

flexível.

4 Não irei fazer o desenho nesse item. No entanto, sugiro que vocês façam para poder acompanhar o raciocínio.

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Se o Governo adotar uma política fiscal expansionista com um câmbio flexível,

ele irá provocar um deslocamento da curva IS para cima e para a direita. Esse

deslocamento da curva IS faz com que a taxa interna fique maior do que

externa e, portanto, há um ingresso de capital estrangeiro. Esse ingresso

provoca um aumento da oferta de moeda estrangeira e como a taxa de câmbio

é flexível, o resultado é uma valorização da moeda nacional.

A valorização da moeda nacional faz com que os produtos produzidos

internamente fiquem, relativamente, mais baratos se comparados ao resto do

mundo. Tal fato, faz com que as exportações aumentem e assim haverá um

deslocamento da curva IS para baixo e para a esquerda.

Portanto, em uma economia com livre mobilidade de recursos, se o Governo

optar por uma política fiscal expansionista e um regime de câmbio flexível, o

resultado é inócuo pois nem a taxa de juros nem a renda são alteradas.

21.2. Quadro Resumo

Vocês viram que não é possível lembrar de todos esses passos no momento da

prova. No entanto, o examinador está muito mais preocupado com o resultado

final da renda e da taxa de juros do que com qualquer outra coisa.

Sendo assim, vou fazer um quadro resumo com os resultados para cada tipo

de taxa de câmbio, política econômica adotada pelo Governo e mobilidade de

capital adotada.

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Política Monetária Expansionista

Política

Expansionista

Fiscal

Livre

de Capital

Mobilidade

Câmbio Fixo

Câmbio Flexível

Sem

de Capital

Mobilidade

Câmbio Fixo

 

Câmbio Flexível

Mobilidade Imperfeita de Capital

Câmbio Fixo

Câmbio Flexível

22. INFLAÇÃO

A inflação é definida como sendo uma alta no nível geral de preços. Tal fato reduzirá o poder aquisitivo, o poder de compra das pessoas. Por outro lado, se houver uma redução no nível de compras, no poder aquisitivo das pessoas por causa de uma redução generalizada nos níveis de preço, teremos uma deflação.

O dicionário de Finanças da BMF&BOVESPA define inflação como sendo:

“1) Processo de elevação generalizada e persistente de preços. 2) movimento de preços para cima, irreversível e que se sustenta a si mesmo. 3) descontrole no sistema de preços, que pode ser reprimido pelo racionamento de mercadorias, pelo tabelamento de preços ou subsídios a produtores ou consumidores. 4) descontrole no sistema de preços, que pode ser reprimido ou alimentado por instrumentos fiscais, cambiais, políticas salariais, administração de taxa de juros ou instrumentos monetários, e emissão de moeda sem lastro, entre outros.”

Ao contrário do que a grande maioria das pessoas pensa, uma deflação pode ser um processo muito mais doloroso do que a inflação.

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Segundo Mankiw:

“No século XIX, houve longos períodos nos quais os preços caíram – um fenômeno chamado de deflação. Em 1896, o nível médio de preços, nos Estados Unidos, era 23% menor do quem 1880, e esta deflação foi um dos temas relevantes na eleição presidencial de 1896. Os agricultores, que haviam acumulado grandes dívidas, sofreram quando a queda nos preços das lavouras reduziu sua renda e, portanto, sua capacidade de pagar as dívidas. Eles defenderam políticas destinadas a reverter a deflação.”

Muitas vezes escutamos falar nos noticiários que a inflação teve uma alta de um mês para o outro. Observe que o fato de os preços subirem já estaria configurando uma inflação. No entanto, quando é dito que a inflação está subindo, isto mostra que está ocorrendo uma inflação mais alta que a inflação do período anterior, ou seja, os preços estão cada vez subindo mais.

Segundo Mankiw:

“Os dados internacionais registram uma série de experiências inflacionárias ainda maiores. A Alemanha experimentou, logo após a Primeira Guerra Mundial, uma inflação espetacular. O preço de um jornal aumentou de 0,3 marco, em janeiro de 1921, para 70 milhões marcos em menos de dois anos. Outros preços aumentaram na mesma proporção. Uma taxa de inflação dessa ordem é chamada de hiperinflação. A hiperinflação alemã teve um efeito tão adverso sobre a economia que muitos a consideram uma das causas do nazismo e, em conseqüência, da Segunda Guerra Mundial.”

Nos anos 80, vários países da América Latina, em especial, da América do Sul passaram por processos semelhantes em que não se conseguia controlar a inflação em patamares razoáveis.

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22.1. Índices de Inflação

Entretanto, antes de começarmos a discutir os tipos de inflação, acredito que seja interessante mostrar alguns aspectos acerca de sua construção. A inflação é a medida da variação dos preços conjuntos dos bens que são consumidos pelas famílias, empresas, Governo.

Seu cálculo é efetuado após a coleta de informações acerca das cestas de consumos dos mais diferentes agentes. Portanto, há a formação de uma cesta base e, em seguida, o cálculo período de um número índice para determinar o valor da variação de preços.

Cabe salientar que existem vários índices de inflação 5 e cada um deles captura um tipo diferente de grupo de consumidores.

Entre os índices de inflação mais utilizados no País, podemos citar:

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA;

Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC;

Índice Geral de Preços de Mercado – IGPM;

Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna – IGP-DI;

Índice de Preços ao Consumidor – IPC;

Índice Nacional da Construção Civil – INCC, entre outros.

Os índices IPCA e INPC são calculados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e os preços utilizados são coletados nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, Brasília e município de Goiânia. Essa coleta ocorre, em ambos os casos, geralmente, do dia 01 a 30 do mês de referência.

O IPCA é o índice utilizado pelo BANCO CENTRAL para perseguir a meta de inflação e tem como base assalariados que recebem entre 1 e 40 salários- mínimos mensais.

5 Até recentemente, eu não acreditava que esse tipo de informação seria importante para uma aula de macroeconomia para concurso. Entretanto, em um concurso realizado em 2011, o examinador cobrou sobre as metodologias de cálculo de alguns índices. A partir daí, achei melhor colocar essas informações na aula.

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O INPC 6 tem como base assalariados que recebem entre 1 e 6 salários-

mínimos mensais.

Segundo o IBGE:

“O Sistema Nacional de Preços ao Consumidor – SNIPC efetua a

produção contínua e sistemática de índices de preços ao consumidor,

tendo como unidade de coleta estabelecimentos comerciais e de

prestação de serviços, concessionária de serviços públicos e

domicílios (para levantamento de aluguel e condomínio). O período

de coleta do INPC e do IPCA estende-se, em geral, do dia 01 a 30 do

mês de referência. A população-objetivo do INPC abrange as famílias

com rendimentos mensais compreendidos entre 1(hum) e 6(seis)

salários mínimos, cujo chefe é assalariado em sua ocupação principal

e residente nas áreas urbanas das regiões; a do IPCA abrange as

famílias com rendimentos mensais compreendidos entre 1(hum) e

40(quarenta) salários-mínimos, qualquer que seja a fonte de

rendimentos, e residentes nas áreas urbanas das regiões.”

O Índice Geral de Preços é calculado pela Fundação Getúlio Vargas e consiste

na média aritmética ponderada de três outros índices de preços. Enquanto a

coleta do IGP-M ocorre entre os dias 21 de um mês e 20 do mês subseqüente,

o IGP-DI obedece o calendário mensal, ou seja, sua coleta é organizada entre

os

dias 1 e 30 do mesmo mês. Ambos são ponderados da seguinte forma:

60 % para o Índice de Preços ao Produtor Amplo – IPA;

30% para o Índice de Preços ao Consumidor – IPC; e

10% para o Índice Nacional da Construção Civil – INCC.

O

Índice de Preços ao Produtor Amplo tem como objetivo registrar as variações

de preços de produtos agropecuários e industriais nas transações entre as

empresas, ou seja, nos estágios anteriores ao consumo final.

O índice de Preços ao Consumidor – IPC mede a variação de preços de um

conjunto fixo de bens e serviços componentes de despesas habituais de

33 salários mínimos

famílias que possuam um

nível

de

renda entre

1

e

6 Tomem cuidado com esse índice, pois algumas fontes confiáveis na internet colocam que o INPC representa a coleta de preços de famílias que recebem entre 1 e 8 salários-mínimos.

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MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE mensais. Essa pesquisa é feita diariamente em sete capitais brasileiras, quais

sejam: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto

Alegre e Brasília. Seu cálculo é feito com base nas despesas de consumo

obtidas através de uma pesquisa realizada no biênio 2002/2003. Abrange

setores de alimentação, habitação, vestuário, saúde e cuidados pessoais,

educação, leitura e recreação, transportes e despesas diversas.

O Índice Nacional da Construção Civil – INCC tem como objetivo medir a

evolução dos cursos de construções habitacionais e é formado pelos preços

coletados, atualmente, em 7 capitais, quais sejam: São Paulo, Rio de Janeiro,

Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília.

O Índice de Preços ao Consumidor – FIPE é um dos índices mais antigos do

País, tendo começado a ser calculado em 1939. No entanto, ele mede o Índice

de Preços ao Consumidor do Município de São Paulo.

22.2. Tipos de Inflação

Podemos distribuir as inflações em alguns tipos, conforme a sua origem, ou

seja, conforme o motivo que está ocasionando a inflação. A inflação pode ser:

Inflação de Demanda, Inflação de Custos, Inflação Inercial e Inflação

Monetária.

A inflação de demanda ocorre quando houver um excesso de demanda sobre

a quantidade ofertada. Imaginemos uma situação em que o mercado esteja

equilibrado e por um determinado motivo as pessoas começaram a demandar

mais produtos. Temos duas alternativas.

A primeira delas é uma resposta dos produtores com um aumento da

quantidade ofertada dos bens sem que seja necessário aumentar os preços. Se

o nível de utilização da capacidade instalada estiver baixo, isso significa que a

relação entre o volume efetivamente produzido e aquele que poderia ser

produzido está pequeno, o produtor poderá sem muitos ajustes aumentar a

produção como medida de resposta ao aumento da demanda.

Por outro lado, a alternativa ocorreria no caso de a capacidade instalada estar

sendo plenamente utilizada. Com isso, um aumento na demanda não poderia

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MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE ser respondido com um aumento na produção e, portanto, a solução seria o

aumento dos preços até que houvesse um reequilíbrio entre quantidade

ofertada e demandada.

Segundo Vasconcellos 7 :

“A inflação de demanda, considerada o tipo mais “clássico” de

inflação, diz respeito ao excesso de demanda agregada em relação à

produção disponível de bens e serviços.

Parece claro que a probabilidade de inflação de demanda aumenta,

quanto mais a economia estiver próxima do pleno emprego de

recursos. Afinal, se houver desemprego em larga escala na economia,

é de se esperar que um aumento de demanda agregada deve

corresponder a um aumento na produção de bens e serviços, pela

maior utilização de recursos antes desempregados, sem que

necessariamente ocorra aumento generalizado de preços.

(

)

Como esse tipo de inflação está associado ao excesso de demanda

a política preconizada para combatê-la assenta-se em

instrumentos que provocam redução da procura agregada por bens e

agregada (

)

serviços.”

A inflação de custos ocorre quando há uma elevação nos preços dos

insumos. Essa elevação nos preços dos insumos faz com que os produtores

tenham uma intenção de reduzir a oferta agregada, ofertando uma quantidade

menor de produto. Além disso, haverá um aumento do nível de preços.

Também chamada de inflação de oferta.

Um insumo que, em geral, provoca aumento no preço do bem é o trabalho. Ou

seja, aumentos de salários tendem a impactar o preço final do produto e,

portanto, gerar inflação. Entretanto, nesse caso específico, se o aumento de

salário vier seguido de um aumento de produtividade, não há a necessidade de

se repassar esse aumento de custo para o preço.

7 O pleno emprego de recursos ocorre quando os recursos disponíveis na economia estiverem totalmente empregados, não havendo capacidade ociosa nem trabalhadores desempregados.

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Imagine a situação em que um empregado ganha R$1.000,00 e consegue produzir mensalmente 100 unidades de um produto final no mês. Logo, cada unidade de produto terá como custo o valor de R$10,00 de trabalho. Entretanto, se o funcionário conseguir um aumento real de 10%, ou seja, um aumento de 10% acima da inflação, seu salário passará para R$1.100,00 e o valor de trabalho gasto em cada unidade de produto passará a ser R$11,00. Entretanto, se esse funcionário aprender a ser mais produtivo e conseguir um aumento de produtividade da ordem de 10%, ele passará a produzir 1.100 unidades e, portanto, não haverá inflação pois cada bem estará tendo R$10,00 de custo de trabalho.

Segundo Vasconcellos:

“A inflação de custos pode ser associada a uma inflação tipicamente de oferta. O nível de demanda permanece o mesmo, mas os custos de certos insumos importantes aumentam e eles são repassados aos preços dos produtos.

) (

Sua natureza geral é a seguinte: o preço de um bem ou serviço tende a ser bastante relacionado a seus custos de produção. Se o último aumento, mais cedo ou mais tarde o preço do bem provavelmente aumentará. Uma razão freqüente para um aumento dos custos seriam os aumentos salariais. Um aumento das taxas de salários, entretanto, não necessariamente significa que os custos de produzir um bem aumentaram. Se a produtividade da mão-de-obra empregada aumenta na mesma proporção dos salários reais médios, os custos unitários de produto não são afetados.

) (

A inflação de custos também está associada ao fato de que algumas empresas, com elevado poder de monopólio ou oligopólio, têm condições de elevar seus lucros acima da elevação dos custos de produção.”

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE Outro fator também deve ser discutido nesse tema. Esse tipo de inflação acaba

proporcionando um fator extremamente complicado que é a estagflação. A

estagflação consiste em inflação sem crescimento ou com recessão. O maior

problema ocorre porque boa parte das medidas com o intuito de retomar o

crescimento podem ocasionar inflação.

Segundo Dornbusch & Fischer:

A estagflação ocorre quando a inflação aumenta enquanto a

produção está ou caindo ou no mínimo não aumentando.”

A inflação inercial ocorre quando o movimento de preços apresenta certa

inércia. Este fato deriva de algum tipo de indexação da economia.

Segundo Vasconcellos:

Inflação inercial: inflação decorrente dos reajustes de preços e

salários provocada pelo mecanismo de indexação ou de correção

monetária.”

Na década de 1980, era bastante comum os empresários reajustarem seus

preços baseados na inflação passada. Ou seja, quando chegava o dia primeiro

de cada mês, eles costumavam olhar para a inflação do mês anterior e

reajustar seus preços no mesmo patamar dessa inflação ou um pouco acima.

Este fato, de saída, provocava no mês vigente uma inflação idêntica ao mês

anterior e, dessa forma, essa inflação nunca poderia ser paralisada pois se

movimentava de maneira inercial.

Outra forma importante de inflação que existiu no Brasil por um longo tempo é

aquela advinda do processo de senhoriagem. Ou seja, o Banco Central emitia

moeda para que o Governo pagasse suas contas. Com isso, havia um excesso

de moeda e isso gerava um aumento no nível geral de preços.

Segundo Froyen:

“Os Bancos Centrais monopolizam o direito de emissão da moeda

nacional de seus países. Essa posição privilegiada lhes permite

fabricar um produto bastante peculiar, a moeda, cujo valor de face é,

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE usualmente, extremamente superior a seu custo de fabricação. As

renda auferidas em decorrência desse monopólio na cunhagem de

moedas e cédulas são denominadas receitas de seinhoriagem ou

seignorage.”

Em outra parte do livro Froyen diz que:

“A taxa de senhoriagem, porém, também tem seus custos, uma vez

que, quanto mais rápida for a taxa de crescimento da oferta de

moeda, mais alta será a taxa de inflação.”

Esse tipo de inflação ocasionada pela emissão de moeda acaba gerando o que

chamamos de imposto inflacionário. O imposto inflacionário é a perda do poder

de compra dos recursos que estão em posse das pessoas.

Imagine que nesta economia exista apenas um bem e que esse bem custe

R$1,00. Se você tem R$100,00 no bolso poderá adquirir 100 unidades deste

produto. Entretanto, se o governo aumenta em 25% a oferta de moeda,

devemos esperar uma inflação 25% e que o preço deste produto passe para

R$1,25. Com isso, você passaria a ter condição de adquirir apenas 80 unidades

do produto com R$100,00.

Observe que o Governo, com a sua emissão, reduziu o seu poder de compra. O

resultado é semelhante à cobrança de um imposto. Na verdade, podemos

considerar que o Governo acabou cobrando o imposto quando colocou mais

moeda em circulação e provocou a inflação. Essa perda do poder de compra é

chamada de imposto inflacionário.

Segundo Vasconcellos:

“O imposto inflacionário representa uma receita para o governo,

devido ao monopólio que possui sobre as emissões. O governo

praticamente não é afetado pela perda do valor do estoque de

moeda, pois, para pagar seus compromissos, basta emitir mais

moeda. O imposto inflacionário é justamente a receita que o Banco

Central obtém ao emitir moeda a custo zero.”

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

23. Desemprego

O desemprego é amplamente estudado pelos economistas com o intuito de

identificar suas causas e auxiliar nas políticas públicas que afetam os agentes

desempregados. A classe política necessita bastante dessa variável para poder conseguir êxito na condução de seus mandatos.

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE é o órgão responsável pela coleta e divulgação dos dados acerca do nível de emprego. Esses dados são divulgados mensalmente e as pesquisas são efetuadas nas regiões metropolitanas das cidades de Recife, Belo Horizonte, Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

O IBGE define como população economicamente ativa a parcela da população

que na semana de referência 8 é classificada como ocupada ou desocupada.

Segundo a metodologia de trabalho do IBGE:

“A população ocupada na semana de referência compreende as pessoas que exerceram trabalho, remunerado ou sem remuneração, durante pelo menos uma hora completa na semana de referência ou que tinham trabalho remunerado do qual estavam temporariamente afastadas nessa semana.

A população desocupada na semana de referência compreende as pessoas sem trabalho na semana de referência, mas que estavam disponíveis para assumir um trabalho nessa semana e que tomaram alguma providência efetiva para conseguir trabalho no período de referência de 30 dias, sem terem tido qualquer trabalho ou após terem saído do último trabalho que tiveram nesse período.”

Além dessa definição, temos que tratar das pessoas que não são economicamente ativas. A população não economicamente ativa na semana de referência é constituída pelas pessoas em idade ativa que não foram classificadas como ocupadas nem como desocupadas na semana de referência.

8 Por definição do IBGE, semana de referência é a semana, de domingo a sábado, a semana definida como de entrevista para a unidade familiar.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE Por fim, considera-se que uma pessoa com 10 anos ou mais está com idade

ativa.

Aposto que não conseguiram entender exatamente onde estamos trabalhando,

não é mesmo? Vou fazer um resumo das definições.

O IBGE faz diversas entrevistas sobre emprego, com diversas pessoas.

Somente são consideradas pessoas com mais de 10 anos e elas são divididas

em dois grandes grupos. O primeiro grande grupo é aquele constituído pelas

pessoas economicamente ativas, ou seja, pessoas que possuem capacidade e

interesse em produzir algo para a sua família, que possui interesse em

trabalhar. Essas pessoas podem estar ocupadas ou desocupadas. Uma pessoa

é considerada ocupada se tiver trabalhado pelo menos uma hora na semana

anterior à semana da entrevista e considerada desocupada quando procurou

algum tipo de trabalho nos últimos 30 dias não obtendo sucesso com isso. As

pessoas que não procuraram emprego nos últimos 30 dias são consideradas

fora daquelas economicamente ativas.

Mais uma definição é fundamental, a do que seria, especificamente, a procura

de trabalho por parte de uma pessoa pois é tal fato que a coloca ou afasta

daquelas consideradas economicamente ativas. Por exemplo, vamos supor que

você tenha pedido demissão do seu trabalho para se dedicar a estudar para

concurso público. Se tal fato tiver ocorrido há mais de 30 dias, você saiu

daquelas consideradas economicamente ativas? Ou será que estudar para

concurso público é considerado como procurar emprego? Concordam que esse

tipo de definição deve ser clara para que possamos definir exatamente o que

significa nível de desemprego no Brasil?

O IBGE define procura de trabalho como:

“Entendeu-se por procura de trabalho a tomada de alguma

providência efetiva para conseguir trabalho, ou seja, o contato

estabelecido com empregadores; a prestação de concurso; a inscrição

em concurso; a consulta a agência de emprego, sindicato ou órgão

similar; a resposta a anúncio de emprego; a solicitação de trabalho a

parente, amigo, colega ou por meio de anúncio; a tomada de medida

para iniciar negócio; etc”

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE Observe que da forma como é calculado o nível de desemprego exposto acima,

o fato de ele diminuir não significa, necessariamente, que a Economia está

passando por um momento mais tranqüilo e que o nível de emprego aumento.

Uma redução nesse índice pode também significar a falta esperança por parte

do trabalhador que passa a não mais procurar emprego e, portanto, sai da

massa de pessoas considerada economicamente ativa.

Portanto, no Brasil, o nível de desemprego que, nesse caso, é chamado de

taxa de desocupação mede, dentre a população economicamente ativa qual o

percentual que é considerado desocupado, ou seja, que procurou emprego nos

últimos 30 dias mas não conseguiu trabalhar sequer uma hora.

Já foi falado como é calculado o índice de desemprego no caso brasileiro,

entretanto, ainda não discutimos quais são as causas que levam ao

desemprego.

Com a divisão de tarefas cada vez mais marcante no mundo moderno, as

pessoas possuem diferentes habilidades e, consequentemente, são mais

produtivas em determinada tarefa e menos produtivas em outra. É exatamente

isso que estamos vendo nesse curso. Só faz sentido eu aceitar lecionar um

curso como esse para vocês se a minha capacidade de escrever um texto for

relativamente grande e também a minha rapidez com a digitação. Se eu

tivesse dificuldades com digitação, talvez o meu custo de oportunidade (nesse

caso, representado pelo número de horas necessárias para a preparação da

aula) se tornasse muito alto e a remuneração inviabilizasse a preparação do

curso. É claro que você possui outras habilidades e desenvolve outros projetos

que eu não me sinto apto a fazer. Exatamente por isso, tivemos essa

constante especialização nas funções.

Esse é um dos vários fatores que fazem com que haja um desemprego

friccional. No mundo ideal, uma pessoa sairia de uma empresa na mesma

velocidade que encontraria outra para produzir seu trabalho. No entanto, essa

recolocação não é instantânea por diversos motivos como as habilidades

individuais, o fator geográfico, as informações acerca das empresas e pessoas

que efetuam cada tipo de trabalho, entre outras.

Segundo Mankiw:

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE “Uma das razões para o desemprego é o tempo que se leva para

ajustar trabalhadores e empregos. O modelo de equilíbrio do mercado

supõe que todos os trabalhadores e todos

de trabalho agregado (

os empregos são iguais e, portanto, que todos os trabalhadores são

igualmente aptos para todos os empregos. Se isto fosse verdade e o

mercado de trabalho estivesse em equilíbrio, a perda de um emprego

não causaria desemprego – um trabalhador demitido encontraria

)

imediatamente um emprego ao salário de mercado.

Contudo, os trabalhadores têm diferentes preferências e habilidades e

os empregos têm atributos diferenciados. É necessário considerar,

ainda, que o fluxo de informações relativas a vagas e a candidatos é

imperfeito, e que a mobilidade geográfica dos trabalhadores não é

instantânea. A busca de um emprego adequado exige tempo e

esforço. De fato, como os diferentes postos de trabalho exigem

habilitações diferentes e, pagam salários diferentes, os

desempregados nem sempre aceitam a primeira oportunidade

oferecida. O desemprego gerado pelo intervalo necessário à

compatibilização de trabalhadores e empregos é chamado de

desemprego friccional.”

As diversas variações tanto na demanda de trabalho por parte das

empresas quanto na oferta por parte dos trabalhadores contribuem para a

continuação da existência do desemprego friccional.

De um lado as empresas podem parar de necessitar de certa habilidade,

podem vir a falir ou ainda considerar que o desempenho de determinado

trabalhador é insuficiente. Tal fato a levará a demitir o funcionário.

Por outro lado, o trabalhador pode optar por mudar de profissão ou se

mudar para outro local e isto acaba gerando um pedido de demissão.

Portanto, o desemprego friccional é algo que continuará existindo

enquanto houver oscilações na demanda e na oferta de trabalho.

Em Brasília (e isso não deve ser diferente em outras grandes cidades), o

Governo criou agências ligadas à Secretaria do Trabalho com o intuito de

divulgar as vagas existentes no mercado e, assim, reduzir esse tipo de

desemprego. Ações como essas agem diretamente no nível de

AULA 09

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de

desemprego

também auxiliam nessa tarefa uma vez que auxiliam na capacitação das

pessoas e, assim, propiciam a elas

a opção de mudar de ramo de

de trabalhadores

friccional.

Programas

capacitação

trabalho.

Por outro lado, o seguro-desemprego apesar de ter o lado social de

auxiliar aquelas famílias que estão passando por um momento de

dificuldade, acaba aumentando o nível de desemprego friccional. Isto

ocorre porque o trabalhador pode, ao invés de procurar um emprego

assim que perdeu o seu, optar por receber o seu seguro e ficar em casa

fazendo alguns “bicos” ou mesmo descansando e somente quando o

seguro estiver no fim, correr atrás de outro emprego. Isto acaba

induzindo a um aumento no tempo de espera de outro emprego. É

importante salientar que apesar de aumentar o nível de desemprego, tal

política pública não é algo indesejável.

23.1. Rigidez dos Salários

Outro fator importante e que pode afetar o nível de emprego é a rigidez dos

salários. Os salários não são, necessariamente, flexíveis, ou seja, a legislação

não deixa com que eles flutuem conforme a oferta e demanda de trabalho. Tal

fato é compreensível por causa do grande poder de barganha que as empresas

teriam sobre os seus empregados. Em economia, nos referimos a esse fato

como sendo a rigidez dos salários.

Na verdade, no Brasil, não é possível a redução salarial, exceto em casos

excepcionais (até onde sei) e desde que homologado pela Justiça do Trabalho 9 .

Imagine uma situação em que a oferta de trabalho é infinitamente inelástica,

ou seja, uma curva vertical. Isso significa que o trabalhador coloca à

disposição das empresas um determinado número de horas

independentemente do nível de salário (isto até ocorre porque ele sabe da

rigidez do mesmo).

9 Essa informação carece de confirmação. No entanto, em geral, os salários não podem ser reduzidos.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

É claro que a empresa contratará mais funcionários quanto menor for o salário

do mesmo, pois assim, seu custo será reduzido e, portanto, o lucro majorado.

Antes de continuarmos essa explicação, acho importante esclarecer que o

número de horas de trabalho que uma pessoa disponibiliza ao mercado de

trabalho depende do salário que lhe é oferecido. Entretanto, não depende do

salário nominal, mas sim do salário real.

Pense da seguinte forma. Esse é um exemplo que eu sempre falo em sala de

aula. Suponha que você esteja desempregado e que eu tenha conseguido uma

vaga para você. O trabalho a ser realizado é legal, lícito e você possui

habilidade para o mesmo. É claro que a primeira coisa que irá me perguntar é

o nível de salário que irá perceber por um mês de trabalho, certo?

Assim que você me pergunta, eu te respondo que o salário a ser pago é de

100.000,00. Em geral, na sala de aula, quando questionam os alunos o que

eles fariam, eles me falam que querem saber quando começam. Mas isso não

está correto, pois eles ficaram felizes com o salário nominal.

Observe que eu falei o valor do salário mas não disse qual a moeda do

pagamento. Eu falei que seria 100.000 de salário, mas não disse que seriam

Concorda?

R$100.000,00 e se você entendeu assim, foi porque quis

Portanto, o valor do salário, o número representativo do salário é o chamado

salário nominal.

Aí, sempre completo que serão 100.000 dinares e a primeira pergunta é: “Que

diabo é isso?”. Dinar é a moeda do Iraque e completo dizendo 10 que uma coca-

cola custa 10.000 dinares.

É óbvio que ninguém mais quer esse emprego. Por quê? Porque não interessa

qual o valor do salário (salário nominal), mas sim o quanto esse salário

percebido consegue adquirir em bens (salário real). Portanto, o número de

horas que uma pessoa estará disposta a trabalhar depende da quantidade de

bens que ela conseguirá adquirir com o salário recebido. Tudo bem?

10 Esse valor do preço da coca-cola não é real e serve apenas para ilustrar a diferença entre o salário nominal e o salário real.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE Vamos voltar à explicação. Como os salário são rígidos, mesmo quanto

estamos em um momento de dificuldade da economia, eles não podem ser

reduzidos mas como as empresas acabam tendo dificuldades em vender os

seus produtos, a demanda por trabalho cai e aí surge o desemprego.

Outro fator pode advir de um aumento de produtividade de um determinado

País (pensando em uma economia globalizada) ou um subsídio de um

determinado Governo com a empresa nacional ou, ainda, da proliferação de

um trabalho considerado como de semi-escravidão por outros países.

Tal fato faz com que haja uma redução significativa no salário real daquela

localidade para a produção do bem em questão e, portanto, para que o preço

do produto produzido em outro país seja competitivo, há a necessidade de

redução do salário real. Como há a rigidez dos salários, o empregador opta por

demandar menos trabalho àquele nível de salário real (houve um

deslocamento da curva de demanda por trabalho em decorrência de mudanças

externas) e, assim, haverá um desemprego.

de mudanças externas) e, assim, haverá um desemprego. Prof. César de Oliveira Frade

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

Segundo Mankiw:

“Quando o salário real se situa acima do nível que equilibra a oferta e a demanda, a quantidade de trabalho oferecida excede a quantidade demandada. As empresas devem racionar de alguma forma os empregos escassos entre os trabalhadores. A rigidez do salário real reduz a taxa de obtenção de emprego e aumenta o nível de desemprego.

O desemprego resultante da rigidez salarial e do racionamento de postos de trabalho é chamado de desemprego de espera. Os trabalhadores estão desempregados não por estarem buscando ativamente o emprego que melhor convém a suas habilidades específicas, mas porque, com o salário vigente, a oferta de mão-de- obra excede a demanda. Esses trabalhadores estão simplesmente esperando que surjam empregos.”

24. Demanda Agregada

A curva de demanda agregada representa o modelo IS-LM tanto do ponto de vista monetário quanto real da economia sendo, portanto, derivada do modelo IS-LM. Usamos o modelo IS-LM para explicar a renda no curto prazo quando o nível de preços é constante. No entanto, com algumas mudanças, podemos verificar o que ocorre no modelo IS-LM quando há variações nos preços.

Inicialmente devemos compreender o motivo pelo qual a curva de demanda agregada é negativamente inclinada. Em princípio, todos podem pensar que isso se deve ao fato de que um aumento no nível de preços pode fazer com que as pessoas reduzam a sua capacidade de aquisição dos bens e, portanto, haveria uma redução da renda. Entretanto, é importante ressaltar que a partir do momento que há um aumento no nível de preços, a renda das pessoas também aumenta e, portanto, esse raciocínio simplista colocado acima apresenta erros e não pode ser considerado.

Na verdade, devemos supor que a economia está praticando um nível de

preços P 1 . O Banco Central oferta uma quantidade

M

de

moeda e esta

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

quantidade

determina o nível de renda da economia. Ou seja, a oferta real de moeda (

determina o nível de renda Y 1 da economia.

consegue

adquirir

certa

gama

de

produtos,

bens

e

assim,

)

Imagine uma situação em que o nível de preços se modifique para P 2 . Essa

modificação pode ser tanto um aumento quanto uma redução no nível geral de

preços. Caso não haja nenhuma alteração por parte da autoridade monetária

na oferta nominal (M) de moeda, ocorrerá uma alteração na oferta real de

moeda e, portanto, um deslocamento da curva LM, ocasionando uma alteração

na renda de equilíbrio.

Graficamente, temos:

alteração na renda de equilíbrio. Graficamente, temos: Prof. César de Oliveira Frade

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE Observe que a partir do momento em que o nível de preços suba de P 1 para P 2 ,

a curva LM deslocar-se-á para a esquerda, reduzindo assim o nível de renda de

equilíbrio. Logo, com o novo nível de preços, há uma alteração no nível de

renda e dessa forma, temos a formação da curva de demanda agregada e esta

é negativamente inclinada no plano Preço x Renda.

Segundo o Mankiw:

“Uma forma de entender esta relação inversa entre P e Y é considerar

o elo entre moeda e transações. Como consideramos que a

velocidade da moeda é constante, a oferta de moeda determina o

valor em dólares de todas as transações efetivadas na economia. Se

o nível de preços aumenta, de modo que cada transação exija uma

quantidade maior de dólares, a quantidade de transações e, por

conseguinte, a quantidade de bens e serviços adquiridos devem cair.”

Cabe ressaltar que um deslocamento da curva de demanda agregada ocorrerá

quando houver para um dado nível de preços, uma mudança da renda e vice-

versa. Tal fato ocorre sempre que for alterada a quantidade ofertada de

moeda.

25. Oferta Agregada

A oferta agregada é a relação entre a quantidade de bens e serviços e o nível

de preços.

Devemos fazer a distinção entre as curvas de oferta agregada de curto e de

longo prazo. Um dos motivos é que os preços são rígidos no curto prazo e

flexíveis no longo prazo e, portanto, qualquer tipo de análise dependerá do

horizonte temporal disponível.

Segundo Blanchard:

“A relação de oferta agregada capta os efeitos do produto sobre o

nível de preços. Ela é deduzida do equilíbrio do mercado de trabalho.”

Segundo Mankiw:

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

“No longo prazo os preços são flexíveis, e a curva de oferta agregada

é vertical. Uma curva de oferta agregada vertical indica que os

deslocamentos da curva de demanda agregada afetam o nível de

preços, mas não afetam o produto agregado, que permanece ao nível

correspondente à sua taxa natural. No curto prazo, contudo, os

preços são rígidos e a curva de oferta agregada não é vertical.”

Apresentaremos abaixo, alguns modelos que explicam o motivo pelo qual a

curva de oferta agregada de curto prazo não é horizontal e, em todos eles, a

justificativa é de que há alguma imperfeição no mercado e, em conseqüência

disso, deslocamentos da curva de demanda agregada desviam o produto,

temporariamente, da sua taxa natural.

Todos os modelos que serão tratados sugerem uma mesma equação da oferta

agregada. Essa equação tem o formato de uma equação da reta com

intercepto e coeficiente angular. O intercepto é a taxa natural do produto

enquanto que o coeficiente angular (inclinação da reta) multiplica o desvio do

nível de preços para o nível de preços esperado. O coeficiente angular, nesse

caso, indica o grau de mudança no produto provocado por uma alteração

inesperada no nível de preços.

A equação é a seguinte 11 :

Onde:

– Produto Natural;

– coeficiente angular;

P – Nível de Preços vigente;

– Nível de Preços Esperado

Na verdade, todos os modelos usarão esta mesma equação matemática com o

intuito de justificar a alteração no nível de produto e, portanto, inclinar a curva

de oferta agregada. Portanto, serão quatro modelos distintos porque apesar de

usarem a mesma equação, cada um deles trás à tona uma justificativa

diferente para essa inclinação da curva.

11 Essa é a curva de oferta conhecida como Curva de Lucas e desenvolvida em 1973 por Robert Lucas.

AULA 09

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25.1. Modelo dos Salários Rígidos

O comportamento pouco flexível dos salários nominais é a justificativa para que a curva de oferta seja positivamente inclinada. Na verdade, quando o nível de preços sobe, tendo em vista o fato de o salário nominal estar fixado, há uma redução do salário real do trabalhador. Dessa forma, o trabalho fica mais barato para as empresas e os indivíduos passam a ter uma pré-disposição menor em ofertar trabalho.

Segundo Sachs:

“Entre as várias características do mercado real de trabalho que

contribuem para a rigidez dos salários nominais, uma dá o exemplo mais direto: os contratos de trabalho de longo prazo. Os sindicatos normalmente negociam os contratos com os empregadores a

Esses contratos de longo prazo

geralmente estipulam um nível de salário nominal para o período do

contrato ou uma fórmula predefinida de ajustamento do salário nominal durante o contrato.”

intervalos de tempo regulares. (

)

Com a redução do salário real, ou seja, com o fato de as empresas precisarem vender um número menor de seus produtos para efetuar o pagamento dos salários dos funcionários, elas optam por aumentar o nível de trabalho empregado, contratando mais pessoas, mais horas de trabalho de seus funcionários.

Ao contratar mais pessoas, as empresas passam a empregar uma quantidade maior de trabalho no processo de produção e, portanto, haverá um aumento do produto.

Com isso, vemos que um aumento inesperado no nível de preços afasta o salário real daquele pretendido, influindo na quantidade de trabalho demandado e, portanto, na quantidade produzida.

Dessa forma, a curva de oferta agregada se inclina positivamente no espaço trabalho x salário real.

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25.2. Modelo da Percepção Equivocada do Trabalhador

Nesse outro modelo desenvolvido para explicar a curva de oferta de curto prazo, os salários podem variar de tal forma que há uma hipótese de equilíbrio entre a oferta e a demanda. Entretanto, sua ideia básica está no fato de os trabalhadores se confundirem temporariamente entre os salários nominais e reais.

Apesar de a quantidade de trabalho a ser ofertada pelos trabalhadores depender do seu salário real esperado, eles conhecem o salário nominal mas não conhecem o nível geral de preços. No momento em que optam por ofertar uma quantidade de trabalho, eles consideram o salário real esperado uma vez que não conhecem o nível de preços mas pressupõem uma expectativa para ele.

Traduzindo do economês.

Quando um trabalhador decide quanto de seu tempo irá dispor ao trabalho, ele está interessado em saber quanto conseguirá comprar com os recursos que serão auferidos. Entretanto, ele deve fazer uma proposta de salário nominal para x horas de trabalho, e ele não conhece qual é a inflação futura. Lembre- se que ele faz a proposta de salário hoje mas somente irá receber esse salário no futuro. Logo, para saber qual o poder de compra desse salário no futuro, o trabalhador deverá incorporar aos seus cálculos a expectativa de elevação futura nos preços.

Se o trabalhador tiver tido uma percepção equivocada do nível futuro de preços, o salário real futuro será diferente daquele imaginado no momento da proposta e tal fato fará com que a curva de oferta agregada se incline. Na equação padrão isso pode ser facilmente verificado, pois o termo entre parênteses será diferente de zero 12 , pois a expectativa de preços será diversa do nível de preços ocorrido.

12 0

AULA 09

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25.3. Modelo da Informação Imperfeita

Segundo Mankiw:

“O modelo da informação imperfeita, também considera que os mercados se ajustam automaticamente e que o curto prazo e o longo prazo diferem devido a percepções equivocadas, no curto prazo, em relação aos preços. Mas, ao contrário do modelo de percepção equivocada do trabalhador, não considera que as empresas sejam mais bem informadas que seus trabalhadores. Em sua forma mais simples, o modelo não faz qualquer distinção entre empresas e trabalhadores.”

Esse modelo parte do pressuposto que a economia possui um número bastante grande de produtos, sendo que cada ofertante produz um único bem mas consome vários bens existentes.

Tendo em vista o vasto número de bens existentes no mercado, o ofertante não consegue observar o preço de todos os bens o tempo todo e confunde a mudança do nível geral de preços que seria uma mudança generalizada no nível de preços dos produtos com a mudança relativa de preços de alguns produtos.

Traduzindo. Como existem vários bens no mercado, o ofertando não consegue enxergar a movimentação de todos os bens. No entanto, enxerga claramente as mudanças relativas entre o preço do bem que produz e alguns outros bens que consome. Ele acaba confundindo a variação no nível geral de preços com as mudanças entre as relações de preços dos produtos que consome.

Tal fato faz com que ocorra uma mudança nas expectativas do nível de preços e, portanto, a curva de oferta de curto prazo acaba se inclinando.

25.4. Modelo dos Preços Rígidos

Segundo Mankiw:

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE “O modelo dos preços rígidos, põe em evidência que as empresas não

ajustam instantaneamente os preços às mudanças registradas na

demanda. Às vezes, os preços são determinados por contratos de

longo prazo entre a empresa e seus clientes. Mesmo sem acordos

formais, as empresas podem manter seus preços .“

AULA 09

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QUESTÕES PROPOSTAS

Questão 85

(Cesgranrio - Petrobrás Biocombustível – Economista Júnior – 2010) – Uma crise financeira e econômica nos Estados Unidos, que se espalhe pelo mundo, reduz a demanda externa pelos produtos e serviços brasileiros e também diminui a entrada líquida de capital financeiro externo (ou mesmo provoca a saída líquida de capitais). Em consequência, se não houver nenhuma política compensatória pelo governo brasileiro, a curto prazo, tende a acontecer

a) desvalorização do real em relação ao dólar, caso o regime cambial brasileiro

seja de câmbio flutuante.

b) valorização do real em relação ao dólar, caso o regime cambial brasileiro

seja de câmbio fixo.

c) valorização das ações das empresas brasileiras.

d) forte expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, devido à maior

demanda externa.

e) aumento do superavit comercial do balanço de pagamentos brasileiros.

Questão 86

(ESAF – AFC – STN – 2005) – Considere um regime de câmbio fixo. Seja a taxa de câmbio representada pela letra “e” e considere o conceito de taxa de câmbio utilizada no Brasil. Suponha que o Banco Central fixe a taxa de câmbio em “e1”. Com base nessas informações, é correto afirmar que:

a) o Banco Central é obrigado a comprar qualquer demanda por moeda

estrangeira no mercado à taxa e1, mas pode vender moeda estrangeira a uma taxa menor do que e1.

b) não é possível utilizar a política fiscal.

c) se existem pressões no mercado de câmbio para uma taxa maior do que e1,

o Banco Central deverá vender a moeda estrangeira à taxa e1.

d) o Banco Central não precisa intervir no mercado cambial uma vez que o

regime de câmbio fixo é determinado por lei.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

e) se o mercado sinaliza para uma taxa maior do que e1, o Banco Central deve

emitir moeda para manter a taxa fixa.

Questão 87

(ESAF – Gestor – 2003) – Considere que as exportações brasileiras dependam

da taxa de câmbio real calculada a partir da relação entre o real e o dólar e

considerando as taxas de inflação no Brasil e Estados Unidos da América. É

então correto afirmar que:

a) a inflação americana tende a desestimular as exportações brasileiras.

b) tudo mais constante, a inflação brasileira tende a estimular as exportações

brasileiras.

c) tudo mais constante, uma desvalorização do dólar frente ao real tende a

estimular as exportações brasileiras.

d) tudo mais constante, uma desvalorização do real frente ao dólar tende a

desestimular as exportações brasileiras.

e) tudo mais constante, a inflação americana tende a estimular as exportações

brasileiras.

Questão 88

(ESAF – APO – 2005) – Considerando “E” = taxa real de câmbio calculada

considerando os índices de preços interno e no estrangeiro e “e” = taxa

nominal de câmbio segundo conceito utilizado no Brasil, é incorreto afirmar

que

a) uma valorização da moeda nacional em relação à moeda estrangeira

significa uma redução no valor de “e”.

b) uma elevação no nível de preços no estrangeiro maior do que a elevação no

nível de preços internos tende a reduzir o valor de “E”.

c) a inflação doméstica tende a reduzir o valor de “E”.

d) é possível uma queda de “e” junto com uma elevação em “E”.

e) é possível uma elevação de “e” junto com uma queda em “E”.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE Enunciado para as questões 89 a 91

Acerca de macroeconomia aberta, câmbio e balanço de pagamentos, julgue os

itens subseqüentes.

Questão 89

(CESPE – BASA - Economista – 2010) – Em uma economia aberta com cambio

fixo e livre mobilidade de capitais, uma política monetária expansionista levará

à fuga massiva de capitais dessa economia.

Questão 90

(CESPE – BASA - Economista – 2010) – Uma economia com câmbio flutuante e

política fiscal expansionista terá como resultado final um impacto nulo sobre o

produto dessa economia.

Questão 91

(CESPE – BASA - Economista – 2010) – Em uma economia com livre

mobilidade de capitais e câmbio flutuante, uma política monetária

expansionista levará à desvalorização cambial dessa economia, porém com

redução da renda nacional.

Enunciado para a questão 92

Com relação à macroeconomia, julgue os itens.

Questão 92

(CESPE – Ministério da Saúde – Economista – 2009) – Manter um regime

cambial com taxas de câmbio flexíveis exige que a autoridade monetária tenha

bom nível de reservas cambiais.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

Questão 93

(FGV – FISCAL ICMS RJ – 2009) – A respeito do efeito de eventos sobre a curva de demanda agregada, que relaciona os preços com o PIB real de uma economia, assinale a afirmativa incorreta.

A) A expectativa de aumento da receita devido à produção de petróleo nos

próximos anos implica um deslocamento da curva de demanda agregada para a direita.

B) A queda vertiginosa no valor dos imóveis desloca a curva de demanda

agregada para a esquerda.

C) As políticas fiscais afetam a demanda agregada diretamente por meio das

compras governamentais e indiretamente devido às mudanças nos tributos e nas transferências governamentais.

D) A política monetária afeta indiretamente a demanda agregada por meio de

mudanças na taxa de juros. E) A expectativa de um mercado de trabalho fraco no próximo ano implica um deslocamento da curva de demanda agregada para a direita.

Questão 94

(FGV – FISCAL ICMS RJ – 2008) – A inflação no país B está acelerando. Caso esse país queira reduzi-la sem ter grande impacto no produto, a combinação de políticas adotada deve ser:

A) política monetária e fiscal contracionista.

B) política monetária e fiscal expansionistas.

C) política monetária contracionista e fiscal expansionista.

D) política monetária expansionista e fiscal contracionista.

E) somente uma política fiscal contracionista.

Enunciado para a questão 95

Julgue os itens subsequentes acerca dos agregados monetários, das contas do sistema monetário, da política monetária e da relação entre taxas de juros, inflação e resultado fiscal.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

Questão 95

(CESPE – MPU - Economista – 2010) – Efeito Fischer é o ajuste da taxa de juros real à taxa de inflação.

Enunciado para a questão 96 Julgue os próximos itens, a respeito da inflação, sua meta, déficit público e senhoriagem.

Questão 96

(CESPE – SEFAZ – ES – Economista – 2010) – No regime de metas de inflação, não se pode atribuir à política monetária metas adicionais, como câmbio e crescimento econômico.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

QUESTÕES RESOLVIDAS

Questão 85

(Cesgranrio – Petrobrás Biocombustível – Economista Júnior – 2010) – Uma crise financeira e econômica nos Estados Unidos, que se espalhe pelo mundo, reduz a demanda externa pelos produtos e serviços brasileiros e também diminui a entrada líquida de capital financeiro externo (ou mesmo provoca a saída líquida de capitais). Em consequência, se não houver nenhuma política compensatória pelo governo brasileiro, a curto prazo, tende a acontecer

a) desvalorização do real em relação ao dólar, caso o regime cambial brasileiro

seja de câmbio flutuante.

b) valorização do real em relação ao dólar, caso o regime cambial brasileiro

seja de câmbio fixo.

c) valorização das ações das empresas brasileiras.

d) forte expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, devido à maior

demanda externa.

e) aumento do superavit comercial do balanço de pagamentos brasileiros.

Resolução:

Se há uma redução da entrada de recursos externos, ocorrerá uma diminuição na oferta de moeda estrangeira. Isto ocorre porque o investidor estrangeiro quando chega ao Brasil, terá que vender sua moeda e comprar reais uma vez que há o curso forçado de nossa moeda em nosso país. Ou seja, no Brasil, todos os produtos só podem ser transacionados em reais.

Com essa redução da oferta, haverá um excesso de demanda em relação à oferta e, portanto, o preço irá aumentar. Esse aumento do preço da moeda estrangeira é uma desvalorização da moeda nacional. Entretanto, isso é válido somente se o regime cambial brasileiro for o câmbio flutuante. Caso o Brasil adote o câmbio fixo, não haverá nenhuma mudança na taxa de câmbio.

Sendo assim, o gabarito é a letra A.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

Gabarito: A

Questão 86

(ESAF – AFC – STN – 2005) – Considere um regime de câmbio fixo. Seja a taxa de câmbio representada pela letra “e” e considere o conceito de taxa de câmbio utilizada no Brasil. Suponha que o Banco Central fixe a taxa de câmbio em “e1”. Com base nessas informações, é correto afirmar que:

a) o Banco Central é obrigado a comprar qualquer demanda por moeda estrangeira no mercado à taxa e1, mas pode vender moeda estrangeira a uma taxa menor do que e1.

b) não é possível utilizar a política fiscal.

c) se existem pressões no mercado de câmbio para uma taxa maior do que e1,

o Banco Central deverá vender a moeda estrangeira à taxa e1.

d) o Banco Central não precisa intervir no mercado cambial uma vez que o

regime de câmbio fixo é determinado por lei.

e) se o mercado sinaliza para uma taxa maior do que e1, o Banco Central deve

emitir moeda para manter a taxa fixa.

Resolução:

Em um regime de câmbio fixo, a autoridade monetária (Banco Central) deverá “honrar” o que está prometendo, ou seja, deverá cumprir e fazer cumprir a taxa por ele estipulada.

Se a quantidade demandada de moeda estiver acima da ofertada, caberá ao Banco Central criar uma oferta da autoridade monetária com o objetivo de equilibrar novamente a quantidade ofertada e a demandada.

Se a oferta estiver maior, a autoridade monetária deverá criar uma demanda que equilibrará o mercado, não deixando o preço ser alterado.

Portanto, se existir alguma pressão no mercado de câmbio para uma taxa maior do que e 1 , isto significa que a demanda está maior do que a oferta e por isto a tendência do preço é de alta. Caberá ao Banco Central equilibrar este

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3

PROFESSOR: CÉSAR FRADE mercado colocando à disposição do público uma

monetária, ou seja, vender moeda estrangeira à taxa e 1 .

oferta

da

autoridade

Importante salientar que, se o câmbio for fixo, qualquer intervenção do Banco

Central no mercado deverá ser feita à taxa fixa previamente estabelecida e

com o objetivo de igualar a oferta e a demanda por moeda.

Sendo assim, o gabarito é a letra C.

Gabarito: C

Questão 87

(ESAF – Gestor – 2003) – Considere que as exportações brasileiras dependam

da taxa de câmbio real calculada a partir da relação entre o real e o dólar e

considerando as taxas de inflação no Brasil e Estados Unidos da América. É

então correto afirmar que:

a) a inflação americana tende a desestimular as exportações brasileiras.

b) tudo mais constante, a inflação brasileira tende a estimular as exportações

brasileiras.

c) tudo mais constante, uma desvalorização do dólar frente ao real tende a

estimular as exportações brasileiras.

d) tudo mais constante, uma desvalorização do real frente ao dólar tende a

desestimular as exportações brasileiras.

e) tudo mais constante, a inflação americana tende a estimular as exportações

brasileiras.

Resolução:

Observe que os itens “b” e “e” possuem significados opostos. Como a inflação

dos países é fator fundamental para as exportações, a resposta da questão

deverá ser uma das duas letras.

Uma alta na inflação americana fará com que os preços dos produtos

americanos que competiriam com os produtos que seriam exportados pelos

brasileiros seja majorado. Como a análise está mantendo todo o resto

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE constante, ou seja, inflação brasileira e taxa de câmbio nominal, o produto

brasileiro encontrará menos barreiras para penetrar no mercado americano,

pois em dólares ele estará custando o mesmo valor enquanto que o produto

americano aumentou de preço. Portanto, isso facilitaria as exportações

brasileiras para o mercado americano.

Sendo assim, o gabarito é a letra E.

Gabarito: E

Questão 88

(ESAF – APO – 2005) – Considerando “E” = taxa real de câmbio calculada

considerando os índices de preços interno e no estrangeiro e “e” = taxa

nominal de câmbio segundo conceito utilizado no Brasil, é incorreto afirmar

que

a) uma valorização da moeda nacional em relação à moeda estrangeira

significa uma redução no valor de “e”.

b) uma elevação no nível de preços no estrangeiro maior do que a elevação no

nível de preços internos tende a reduzir o valor de “E”.

c) a inflação doméstica tende a reduzir o valor de “E”.

d) é possível uma queda de “e” junto com uma elevação em “E”.

e) é possível uma elevação de “e” junto com uma queda em “E”.

Resolução:

Vamos utilizar uma das equações tradicionais do mercado de câmbio para nos

auxiliar na questão.

â â ·

·

1

1

1

1

Se falarmos em valorização da moeda nacional, estamos falando em queda do

preço do câmbio e, portanto, queda no valor de “e”.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

Se a inflação no mercado externo for maior que a inflação no mercado interno,

mantendo a taxa nominal constante, a taxa de câmbio real deverá ser

majorada.

· Gabarito: B
·
Gabarito: B

Enunciado para as questões 89 a 91

Acerca de macroeconomia aberta, câmbio e balanço de pagamentos, julgue os itens subseqüentes.

Questão 89

(CESPE – BASA - Economista – 2010) – Em uma economia aberta com cambio fixo e livre mobilidade de capitais, uma política monetária expansionista levará à fuga massiva de capitais dessa economia.

Resolução:

A questão versa sobre o modelo de Mundell-Fleming. Esse exercício

especificamente versa sobre uma Economia com Mobilidade Perfeita de Capitais e o questionamento é acerca da fuga ou chegada de recursos do exterior quando da aplicação de uma política monetária expansionista.

Se essa economia possui mobilidade perfeita, isso significa que os recursos

podem entrar e sair livremente e, portanto, eles estarão nos lugares onde a

taxa de juros forem mais altas.

Partindo do pressuposto que o dinheiro pode circular livremente, o equilíbrio somente irá ocorrer quando o país em questão tiver uma taxa de juros similar às dos outros países. Logo, a premissa básica é que, de início, a taxa de juros interna é igual à taxa de juros externa.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

A introdução de uma política monetária expansionista provoca um deslocamento da curva LM para baixo e para a direita, dando origem à curva LM 2 mostrada abaixo.

a direita, dando origem à curva LM 2 mostrada abaixo. Dessa forma o novo equilíbrio ocorrerá

Dessa forma o novo equilíbrio ocorrerá a um nível menor de taxa de juros. Isso significa que quando esse país adotar uma política monetária expansionista, introduzindo recursos financeiros na economia, esses recursos ficarão abundantes e o seu preço, que é a taxa de juros, será reduzida.

Desse modo, como há uma livre mobilidade de recursos, o capital sempre irá procurar aqueles locais em que há a mais alta taxa de juros, e, portanto, se constatará uma fuga de capitais.

Lembre-se que a taxa de juros praticada pelo país em questão é fixa. Assim, o investidor tentará sair do país e, para isso, será obrigado a trocar a moeda nacional que detinha pela moeda estrangeira. Isso acarretará um excesso de oferta de moeda nacional, fato que pressionará a taxa de câmbio. No entanto, como a autoridade monetária mantém a taxa fixa, ela deverá assumir todo esse excesso de oferta, vendendo a moeda estrangeira com o intuito de manter a taxa de câmbio no mesmo patamar.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE A partir do momento em que ela vende a moeda estrangeira e recebe como

pagamento a moeda nacional que estava em circulação, haverá uma contração

dos recursos disponíveis para a sociedade, provocando um deslocamento da

LM para cima e para a esquerda.

Tal fato irá ocorrer até que volte o equilíbrio entre a taxa de juros interna e a

taxa de juros externa, conforme mostrado na figura abaixo.

a taxa de juros externa, conforme mostrado na figura abaixo. Observe que a aplicação de uma

Observe que a aplicação de uma política monetária expansionista em uma

economia com mobilidade perfeita de capital e que utiliza a taxa de câmbio

fixa não irá proporcionar qualquer tipo de mudança na renda de equilíbrio.

Portanto, nesse caso, a POLÍTICA MONETÁRIA É INEFICAZ.

Abaixo, descrevo de forma esquemática o raciocínio utilizado.

Política

Monetária

Expansiva

Desloca

LM para

baixo

r ext > r int

Retorno

ao Y

inicial

Fuga de

Capitais

Autoridade

monetária vende moeda estrangeira

Desloca LM

Redução da

para cima

moeda nacional

em circulação

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

De cara, a idéia inicial era marcar a questão como CERTA, pois haverá uma fuga de capitais até que a taxa de juros interna volte ao patamar da taxa de juros externa. No entanto, o gabarito da questão é ERRADO. E a única forma de tentar explicar isso, apesar de eu não concordar, é que após uma fuga inicial, haverá uma paralisação pois a autoridade monetária ao ter que vender a moeda estrangeira, inundou o mercado de moeda nacional. Para que não haja uma inflação ela deverá tomar uma medida de contração na política monetária, retornando a taxa de juros interna ao patamar da externa e, portanto, cessando a fuga de capitais.

No entanto, houve a fuga e o questionamento passa a ser sobre a palavra massiva, pois ela cessa. Eu, particularmente, acho que não se pode fazer uma questão dessa forma, pois nunca saberemos onde devemos parar o raciocínio. E observem o que é dito no Manual de Macroeconomia:

“Supondo então o câmbio fixo, e livre mobilidade de capital, qual será o impacto da política monetária? Consideremos o caso de uma expansão monetária. O impacto inicial será o deslocamento na curva LM para a direita, pressionando a taxa de juros para baixo. Com perfeita mobilidade de capital, isso induzirá uma fuga massiva de capitais do país, ou seja, um profundo déficit no Balanço de Pagamento.”

Consultei novamente o gabarito final e ele foi dado com ERRADO. Infelizmente não posso concordar com ele. Talvez a explicação seja que, inicialmente, a questão tenha sido dada como CERTA, mas depois com um recurso similar aos argumentos apresentados acima, o examinador mudou o gabarito para ERRADO.

Talvez, essa seja a explicação mais plausível pois a questão seguinte da prova (a seguinte também nessa lista) foi anulada.

Gabarito: E

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

Questão 90

(CESPE – BASA - Economista – 2010) – Uma economia com câmbio flutuante e política fiscal expansionista terá como resultado final um impacto nulo sobre o produto dessa economia.

Resolução:

Observe que a questão não informa se há ou não mobilidade perfeita de capitais.

Por esse motivo, para podermos marcar o resultado, vamos considerar as duas hipóteses.

Primeiro, pensemos em uma economia com mobilidade perfeita de capitais. Neste caso, uma política monetária expansionista provoca um deslocamento da curva LM para baixo. A curva vai de LM 1 para LM 2 como apresentado no desenho. Como há livre mobilidade de capitais, o recurso financeiro fica no país que possui a maior taxa de juros. Quando o Governo pratica uma política monetária expansionista, a taxa interna de juros cai e fica menor que a taxa externa.

a taxa interna de juros cai e fica menor que a taxa externa. Prof. César de

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

Dessa forma, haverá uma fuga de capitais. Para que o investidor estrangeiro possa conduzir seus recursos para fora do país, ele deverá trocar a moeda nacional que possui por moeda estrangeira. Como o câmbio é flexível, ele simplesmente efetuará compra de moeda estrangeira no mercado. Quando isso ocorre, há um aumento da demanda por moeda estrangeira e, portanto, uma desvalorização da moeda nacional.

Essa desvalorização da moeda nacional provoca um aumento na competitividade dos produtos nacionais, que ficam, relativamente, mais baratos que os estrangeiros. Dessa forma, há um aumento das exportações e, portanto, um deslocamento da curva IS para baixo e para a direita. Portanto, a curva vai de IS 1 para IS 2 .

a direita. Portanto, a curva vai de IS 1 para IS 2 . Com isso, vamos

Com isso, vamos que há um aumento na renda agregada de Y* para Y 3 *.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

Política

Monetária

Expansiva

Desloca

LM para

baixo

r ext > r int

Fuga de

Capitais

Aumenta

Aumento da

demanda por

moeda

estrangeira

Desloca IS

Y para a

direita

Desvalorização

da moeda

nacional

Aumento das

exportações

Agora, pensemos em uma economia sem mobilidade perfeita de capitais. Neste caso, uma política monetária expansionista desloca a curva LM para a direita. A curva sai de LM 1 para LM 2 como apresentado no desenho abaixo. Como não há livre mobilidade de recurso, a política monetária expansionista provocará uma redução na taxa de juros e, conseqüente, aumento da renda agregada.

na taxa de juros e, conseqüente, aumento da renda agregada. Com o aumento da renda agregada,

Com o aumento da renda agregada, os consumidores acabam aumentando as importações. Com isso, há a necessidade desses importadores adquirirem moeda estrangeira para efetuar o pagamento e, portanto, há a desvalorização da moeda nacional. Essa desvalorização provoca um deslocamento da curva IS para cima e para a direita, provocando um aumento na renda agregada e mantendo a taxa de juros no nível inicial.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE Política Monetária Expansiva ⇒ Desloca LM para

Política

Monetária

Expansiva

Desloca

LM

para

baixo

Redução

de r e aumento de Y

Aumento

das

importações

Desvalorização

da moeda

nacional

Desloca

as curvas BP e IS

para a

direita

Aumento de Y

e

manutenção

de r

Com isso, podemos ver que, independentemente de haver ou não mobilidade de capitais, uma política monetária expansionista provoca um aumento da renda agregada caso a taxa de câmbio seja flexível.

A questão deveria ter sido considerada CORRETA, mas o gabarito que possuo mostra que ela foi ANULADA.

Segundo o Manual de Macroeconomia:

“Considerando um sistema de taxa de câmbio flutuante 13 , vejamos o impacto das políticas econômicas.

13 Nessa parte do texto, o autor fala sobre uma economia com mobilidade perfeita de recursos.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE Uma expansão monetária nesse modelo terá os seguintes impactos:

inicialmente, a LM se desloca para a direita, gerando pressões no

sentido de redução da taxa de juros, o que provocará um aumento na

demanda de moeda estrangeira pra remeter capital ao exterior. Essa

maior procura por moeda estrangeira provocará a desvalorização da

moeda nacional ampliando as exportações e deslocando a IS para a

direita. A taxa de câmbio se desvalorizará até que a IS intercepte a

LM ao nível da taxa de juros internacional, quando cessa a pressão

pela desvalorização. Nesse caso, a política monetária é plenamente

eficaz, pois ao induzir a desvalorização da moeda nacional, melhora o

saldo em Transações Correntes, ampliando a demanda por produto

doméstico e portanto ampliando a renda.”

Gabarito: Anulada

Questão 91

(CESPE – BASA - Economista – 2010) – Em uma economia com livre

mobilidade de capitais e câmbio flutuante, uma política monetária

expansionista levará à desvalorização cambial dessa economia, porém com

redução da renda nacional.

Resolução:

Novamente, a análise passa por uma política monetária expansionista em uma

economia com livre mobilidade de capitais e câmbio flutuante. O examinador

acabou repetindo na mesma prova, a mesma análise. Vamos a ela.

Neste caso, uma política monetária expansionista provoca um deslocamento da

curva LM para baixo. A curva vai de LM 1 para LM 2 como apresentado no

desenho. Como há livre mobilidade de capitais, o recurso financeiro fica no

país que possui a maior taxa de juros. Quando o Governo pratica uma política

monetária expansionista, a taxa interna de juros cai e fica menor que a taxa

externa.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE Dessa forma, haverá uma fuga de capitais.

Dessa forma, haverá uma fuga de capitais. Para que o investidor estrangeiro possa conduzir seus recursos para fora do país, ele deverá trocar a moeda nacional que possui por moeda estrangeira. Como o câmbio é flexível, ele simplesmente efetuará compra de moeda estrangeira no mercado. Quando isso ocorre, há um aumento da demanda por moeda estrangeira e, portanto, uma desvalorização da moeda nacional.

Essa desvalorização da moeda nacional provoca um aumento na competitividade dos produtos nacionais, que ficam, relativamente, mais baratos que os estrangeiros. Dessa forma, há um aumento das exportações e, portanto, um deslocamento da curva IS para baixo e para a direita. Portanto, a curva vai de IS 1 para IS 2 .

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE Com isso, vamos que há um aumento

Com isso, vamos que há um aumento na renda agregada de Y* para Y 3 *.

Sendo assim, a questão está ERRADA.

Gabarito: E

Enunciado para a questão 92

Com relação à macroeconomia, julgue os itens.

Questão 92

(CESPE – Ministério da Saúde – Economista – 2009) – Manter um regime cambial com taxas de câmbio flexíveis exige que a autoridade monetária tenha bom nível de reservas cambiais.

Resolução:

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE Em um regime de taxas de câmbio flexíveis, em tese, a autoridade monetária

não influenciará na cotação da moeda, deixando isso a cargo das forças de

oferta e demanda do mercado.

Por outro lado, no regime de câmbio fixo a autoridade monetária deverá

determinar a taxa de câmbio e interferir no mercado para que esta taxa se

mantenha no patamar por ela determinado. Ela deverá comprar ou vender a

moeda excedente, para que a taxa de câmbio se mantenha no patamar. Para

isso, tem a necessidade de manter um bom nível de reservas para fazer face a

um possível excesso de demanda de moeda estrangeira por parte dos

investidores.

Segundo o Manual de Macroeconomia:

“A taxa de câmbio mostra qual é a relação de troca entre duas unidades

monetárias diferentes, ou seja, o preço relativo entre diferentes moedas.”

Em outro ponto do livro, o autor diz:

“No regime de câmbio fixo, o Banco Central determina o valor da taxa

de câmbio, e se compromete a comprar e vender divisas à taxa

estipulada. Notemos que, para este regime poder funcionar, o Banco

Central deve possuir moeda estrangeira em quantidade suficiente

para atender a uma situação de excesso de demanda por esta moeda

(uma situação de déficit no Balanço de Pagamentos) à taxa

estabelecida, bem como deve aceitar a perda de graus de liberdade

na condução da política monetária, adquirindo qualquer excesso de

oferta de moeda estrangeira (superávit do Balanço de Pagamentos).

Notemos que, uma vez fixada a taxa de câmbio, a atuação do Banco

Central faz-se no sentido de garantir essa taxa.

Quanto ao regime de taxas flutuantes de câmbio, sua característica

básica é que a taxa de câmbio deve ajustar-se de modo a equilibrar o

mercado de divisas. Em uma situação de excesso de demanda por

moeda estrangeira, esta terá seu preço elevado, ou seja, a moeda

nacional se desvalorizará. Quando houver um excesso de oferta de

moeda estrangeira, seu preço cairá, isto é, a moeda nacional se

valorizará. Notemos que o princípio básico do regime de câmbio

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE flutuante é um mercado de divisas do tipo concorrência perfeita, sem

intervenções do Banco Central, de modo que qualquer desequilíbrio

seja prontamente eliminado pelo mecanismo de preço (alteração da

taxa de câmbio).”

Tendo em vista os argumentos apresentados, vemos que a questão está

ERRADA.

Gabarito: E

Questão 93

(FGV – FISCAL ICMS RJ – 2009) – A respeito do efeito de eventos sobre a

curva de demanda agregada, que relaciona os preços com o PIB real de uma

economia, assinale a afirmativa incorreta.

A) A expectativa de aumento da receita devido à produção de petróleo nos

próximos anos implica um deslocamento da curva de demanda agregada para

a direita.

B) A queda vertiginosa no valor dos imóveis desloca a curva de demanda

agregada para a esquerda.

C) As políticas fiscais afetam a demanda agregada diretamente por meio das

compras governamentais e indiretamente devido às mudanças nos tributos e

nas transferências governamentais.

D) A política monetária afeta indiretamente a demanda agregada por meio de

mudanças na taxa de juros.

E) A expectativa de um mercado de trabalho fraco no próximo ano implica um

deslocamento da curva de demanda agregada para a direita.

Resolução:

O aumento das receitas com a produção de petróleo, provoca um aumento no

produto e, portanto, a curva de demanda é deslocada para cima e para a

direita.

Observe que se o evento provocar um aumento no produto, a curva de

demanda deverá ser deslocada para a direita. Se provocar uma redução no

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE produto, ela será deslocada para a esquerda. Uma redução no valor dos

imóveis reduz o produto e desloca a demanda agregada para a esquerda.

Políticas fiscais e monetárias provocam mudanças na curva de demanda

agregada.

Se o mercado de trabalho for fraco, haverá uma redução na demanda

agregada e, dessa forma, a curva será deslocada para a esquerda.

Sendo assim, o item errado é a letra E.

Gabarito: E

Questão 94

(FGV – FISCAL ICMS RJ – 2008) – A inflação no país B está acelerando. Caso

esse país queira reduzi-la sem ter grande impacto no produto, a combinação

de políticas adotada deve ser:

A) política monetária e fiscal contracionista.

B) política monetária e fiscal expansionistas.

C) política monetária contracionista e fiscal expansionista.

D) política monetária expansionista e fiscal contracionista.

E) somente uma política fiscal contracionista.

Resolução:

Se a inflação acelera, o Governo deverá tomar medidas antagônicas nas

políticas monetária e fiscal, pois somente dessa forma, ele conseguirá deslocar

a demanda agregada em uma direção e fazer ela retornar.

Observe que políticas contracionistas deslocam a demanda agregada para a

esquerda, enquanto que políticas expansionistas deslocam a curva para a

direita.

Com isso, vemos que as duas únicas respostas possíveis são as letras C e D.

Entretanto, para que possamos reduzir a taxa de inflação, devemos reduzir a

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

quantidade

monetária contracionista.

de

moeda

em

circulação

e,

portanto,

Sendo assim, o gabarito é a letra C.

Gabarito: C

Enunciado para a questão 95

praticar

uma

política

Julgue os itens subsequentes acerca dos agregados monetários, das contas do

sistema monetário, da política monetária e da relação entre taxas de juros,

inflação e resultado fiscal.

Questão 95

(CESPE – MPU - Economista – 2010) – Efeito Fischer é o ajuste da taxa de

juros real à taxa de inflação.

Resolução:

A taxa de juros que conseguimos receber dos bancos ou nos fundos de

investimento quando aplicamos nossos recursos é a taxa de juros nominal.

Nominal porque os nossos recursos aumentam na proporção em que foram

aplicados mas nosso poder aquisitivo não aumenta na mesma proporção dado

que uma parcela dos recursos é consumida pela inflação.

Para que possamos ter o ganho real no poder aquisitivo devemos tirar da taxa

nominal recebida a inflação.

Esse é o EFEITO FISCHER, ou seja, o ajuste da taxa nominal à taxa de

inflação.

Interessante notar que, matematicamente, ele “pode” ser representado de

duas formas, apesar de apenas uma estar correta. Explico.

Em geral, livros estrangeiros, traduzidos no Brasil, trazem o Efeito Fischer

como uma operação de soma ou subtração, como mostrado abaixo:

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

sendo:

i = r + ΠΠΠ

i

– taxa de juros nominal;

r

– taxa de juros real;

Π – inflação

Essa forma acaba tendo um resultado próximo do verdadeiro e funciona, nesse caso, como uma boa “proxy” se as taxas de juros e inflação forem relativamente baixas. Esse fato é muito comum nos Estados Unidos, por exemplo.

Por outro lado, a equação correta (e que já foi cobrada em prova uma vez, pela ESAF) é a divisão. Portanto, o EFEITO FISCHER pode ser também representado da seguinte forma:

1+ i =(1+ r)(1+π)

Sendo assim, o gabarito está ERRADO.

Gabarito: E

Enunciado para a questão 96 Julgue os próximos itens, a respeito da inflação, sua meta, déficit público e senhoriagem.

Questão 96

(CESPE – SEFAZ – ES – Economista – 2010) – No regime de metas de inflação, não se pode atribuir à política monetária metas adicionais, como câmbio e crescimento econômico.

Resolução:

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE Quando um país opta por ter um regime de metas de inflação, ele está fazendo

a escolha de perder alguns graus de liberdade na condução da política

monetária com o objetivo final de controlar a taxa de inflação.

Dessa forma, fica muito complicado a tentativa de fazer um controle adicional

direto, exigindo-se outras metas para outras variáveis macroeconômicas como

o câmbio e o crescimento econômico.

Na verdade, há a possibilidade de tentar induzir essas variáveis para um

determinado patamar conforme a taxa de juros aplicada, mas não é possível

se obter êxito ao optar por valores muito diferentes dos aplicados.

O dicionário da BOVESPA diz:

“O CMN – Conselho Monetário Nacional – fixa periodicamente a taxa

básica da meta de inflação e o intervalo de variação admitido pela

estratégia governamental

A diferença entre o topo e o fundo da meta de inflação - chamada de

intervalo de variação - é função de algumas variáveis fundamentais.

Oscilações nos mercados cambiais, nos preços de commodities

agrícolas e nas cotações internacionais de petróleo são fatores que

determinam a amplitude desse intervalo de variação.

No caso brasileiro, a autoridade monetária pode aumentar o intervalo

de variação da meta de inflação porque não expurga nenhum tipo de

preço no índice de referência (o IPCA, calculado pelo IBGE nas

principais regiões metropolitanas).

Em alguns países, é prática comum expurgar preços muito voláteis

dos indicadores de inflação.”

Em princípio, deveríamos marcar que a questão está ERRADA. No entanto, se

as metas forem bem realistas e dentro de um limite de variação conforme

indicado pelo modelo de metas de inflação, poderia ser possível admitir metas

adicionais. Dessa forma, o examinador foi levado a ANULAR a questão.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

Gabarito: Anulada

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

Bibliografia

Abreu, Marcelo de Paiva (org.); Marcelo de Paiva Abreu et all – A ordem do progresso: cem anos de política econômica republicana, 1889-1989, Editora Campus, 1990.

Blanchard, Olivier – Macroeconomia: Teoria e Política Econômica, Editora Campus, 1999.

Byrns, R.T. & Stone, G.W. – Macroeconomia, Editora Makron Books, 5ª Edição,

1995.

Froyen, Richard T. – Macroeconomia, Editora Saraiva – Tradução da 5ª Edição,

2001.

Gremaud, A.P, Vasconcellos, M.A.S. & Toneto Júnior, R. – Economia Brasileira Contemporânea, Editora Atlas, 5ª Edição, 2004.

Lacerda, A.C. et all. – Economia Brasileira, Editora Saraiva, 1ª Edição, 2000.

Lopes,L.M & Vasconcellos, M.A.S. – Manual de Macroeconomia: Básico e Intermediário, Editora Atlas, 2 a Edição, 2000.

Mankiw, N. Gregory – Macroeconomia, Editora LTC – 3ª Edição, 1998.

Sachs & Larrain – Macroeconomia, Editora Makron Books – 2000.

Simonsen, M.H. & Cysne R.P. – Macroeconomia, Editora Atlas – 2 a Edição,

1995.

AULA 09

MACROECONOMIA PARA RECEITA FEDERAL – TURMA 3 PROFESSOR: CÉSAR FRADE

GABARITO

85- A

86- C

87- E

88- B

89- E

90- Anulada

91- E

92- E

93- E

94- C

95- E

96- Anulada

Galera,

Terminamos mais uma aula de macroeconomia.

Abraços,

César Frade