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355). Hoje, de fato, está bem claro que a concepção 2 de E., tal como foi expressa, com uma uniformidade impressionante, de Parmênides até nós, não passa de imagem reduzida do tempo: é o tempo reduzido a uma de suas determinações, a simultaneidade (o totumsimut), que, como hoje todos sabem, é não só temporalidade, mas temporalidade mensurável. Quanto à concepção da E. como aevum, ou seja, como duração temporal indefinida, choca-se com as objeções já expostas por Kant em sua crítica à cosmologia racional do séc. XVIII (v. COSMOLOGIA).

ÉTICA (gr. xò rjGiKá; lat. Ethica; in. Ethics; fr. Éthique, ai. Ethik, it. Eticà). Em geral, ciência da conduta. Existem duas concepções fundamentais dessa ciência: 1- a que a considera como ciência do /zm para o qual a conduta dos homens deve ser orientada e dos meios para atingir tal fim, deduzindo tanto o fim quanto os meios da natureza do homem; 2- a que a considera como a ciência do móvel da conduta humana e procura determinar tal móvel com vistas a dirigir ou disciplinar essa conduta. Essas duas concepções, que se entremesclaram de várias maneiras na Antigüidade e no mundo moderno, são profundamente diferentes e falam duas línguas diversas. A primeira fala a língua do ideal para o qual o homem se dirige por sua natureza e, por conseguinte, da "natureza", "essência" ou "substância" do homem. Já a segunda fala dos "motivos" ou "causas" da conduta humana, ou das "forças" que a determinam, pretendendo ater-se ao conhecimento dos fatos. A confusão entre ambos os pontos de vista heterogêneos foi possibilitada pelo fato de que ambas costumam apresentar-se com definições aparentemente idênticas do bem. Mas a análise da noção de bem (v.) logo mostra a ambigüidade que ela oculta, já que bem pode significar ou o que é (pelo fato de que é) ou o que é objeto de desejo, de aspiração, etc, e estes dois significados correspondem exatamente às duas concepções de É. acima distintas. De fato, é característica da concepção Ia a noção de bem como realidade perfeita ou perfeição real, ao passo que na concepção 2- encontra-se a noção de bem como objeto de apetição. Por isso, quando se afirma que "o bem é a felicidade", a palavra "bem" tem um significado completamente diferente daquele que se encontra na afirmação "o bem é o prazer". A primeira asserção (no sentido em que é feita, p. ex., por Aristóteles e por S. To-

más), significa: "a felicidade é o fim da conduta humana, dedutível da natureza racional do homem", ao passo que a segunda asserção significa "o prazer é o móvel habitual e constante da conduta humana". Como o significado e o alcance das duas asserções são, portanto, completamente diferentes, sempre se deve ter em mente a distinção entre ética do fim e ética do móvel, nas discussões sobre ética. Tal distinção, ao mesmo tempo que divide a história da E., permite ver como são irrelevantes muitas das discussões a que deu ensejo e que outra causa não têm senão a confusão entre os dois significados propostos. l2 Ambas as doutrinas éticas elaboradas por Platão, quais sejam, a que se encontra expressa em A República e a que está expressa em Filebo, pertencem à primeira das concepções que distinguimos. A É. exposta em A República é uma E. das virtudes, e as virtudes são funções da alma (Rep., I, 353 b) determinadas pela natureza da alma e pela divisão das suas partes (Jbid., IV, 434 e). O paralelismo entre as partes do Estado e as partes da alma permite a Platão determinar e definir as virtudes particulares, bem como a virtude que compreende todas elas: a justiça como cumprimento de cada parte à sua função (Jbid, 443 d). Analogamente, a É. de Filebo começa definindo o bem como forma de vida que mescla inteligência e prazer e sabe determinar a medida dessa mistura (Fil., 27 d). A É. de Aristóteles é, aliás, o protótipo dessa concepção. Aristóteles determina o propósito da conduta humana (a felicidade), a partir da natureza racional do homem (Et. nic, I, 7), e depois determina as virtudes que são condição da felicidade. Por sua vez, a É. dos estóicos, com a sua máxima fundamental de "viver segundo a razão", deduz as normas de conduta da natureza racional e perfeita da realidade (J,
STOBEO, Ecl., II, 76, 3; DIÓG. L, VII, 87). 0

misticismo neoplatônico colocou como propósito da conduta humana o retorno do homem ao seu princípio criador e sua integração com ele. Segundo Plotino, esse retorno é "o fim da viagem" do homem, é o afastamento de todas as coisas exteriores, "a fuga de um só para um só", ou seja, do homem em seu isolamento para a Unidade divina (Enn., VI, 9,11). Por mais diferentes que sejam as doutrinas mencionadas, em suas articulações internas as formulações são idênticas, pois: a) determinam a natureza necessária do homem, b) deduzem de tal natureza o fim para o qual sua

n. Segundo Green. A filosofia romântica deu forma mais radical a essa concepção ética... de Hegel.. a moralidade que ganha corpo e substância nas instituições históricas que a garantem. é a Realidade enquanto verdadeiramente real. I. ab aetemo. § 258.ÉTICA 381 ÉTICA conduta deve orientar-se. corresponde ao que é o instinto em certas sociedades animais. insistem no caráter inato das idéias morais. Th. p. mas o universal "é o Espírito. se uma realidade assim concebida for perpétuo desenvolvimento. q. 1890. diz Bergson. é. d. em Werke. querer a Consciência absoluta. de tal modo que a máxima fundamental da conduta pode ser assim formulada: "Querer ou amar o ser onde quer que seja este conhecido. que é o objeto da boa vontade humana. "Suponhamos por um instante". pois seu propósito é conservar a sociedade. esse recurso ao arbítrio divino é resultado do reconhecimento da impossibilidade de deduzir da natureza do homem o fim último de sua conduta (Op. é filosofia do direito. In Sent. a estrutura das doutrinas morais que entendem inferir a moral de seu objetivo mostram grande uniformidade de procedimentos e conclusões.portanto. II. 198.. tradicional que (como a de Platão. é a Vida apreendida em sua profundidade como unidade. Deus que se realizou no mundo (Fil. do qual se infere a doutrina da felicidade e a da virtude. cf. quer se defina como Espírito ou Consciência. II. Intr. 1909. Segundo Hegel. para Hegel. em geral. ao passo que a "moralidade" (Moralítãt) por si mesma é simplesmente intenção ou vontade subjetiva do bem. quer se defina a realidade como Ser. toda a É. a É. a Consciência infinita. o objetivo final e absoluto do mundo" (Ibid. Green) não se distingue da É. que seria a única "natural" (Op. 1. 4. assumi-lo como um Fim: formulação essa que (assim como a de Fichte. a natureza tenha desejado obter sociedades em que fosse permi- . III. S. Agir moralmente significa.. q. O Estado é o ápice daquilo que Hegel chama de "eticidade" (Sittlichkeii). ou então. § 9). Moral fechada é aquilo que se entende comumente por esse termo. bem como. portanto. nacional. procurar realizar o que está presente nela. The True Intell.310). o objetivo da conduta humana. 149). que é ao mesmo tempo a realidade em que tal conduta encontra integração e perfeição. medieval mantém-se fiel a esse esquema. Por isso. criação. a É. Uma forma mais complexa e moderna da É. "a liberdade realizada. 1679. ou seja. Toda a É. Do mesmo modo. progresso" (Filosofia delia pratica. o Bem ou Fim supremo. por sua vez. Fichte exige que toda a doutrina moral seja deduzida da "autodeterminação do Eu" (Sittenlehre.. 5 H). No mundo humano. delia scienza morale. A É. pode-se dizer que. O conceito de Estado é o ponto de partida e o ponto de chegada da É. pp. diferente da linha do instinto]. Consideremos. Com efeito. 43. 2. Tomás e Rosmini) recorre à Realidade ou ao Ser. de todas as idéias gerais ou diretivas de que o homem dispõe (CUDWORTH. Na filosofia moderna. tudo o que o homem tem a possibilidade de vir a ser. a moralidade é a intenção ou a vontade subjetiva de realizar o que se acha realizado no Estado. §§ 139-42). portanto. é a Liberdade. OCKHAM. Ox. que distinguiu a moral fechada da moral aberta. para Croce a atividade ética é "volição do universal". q. p. dodir. Mas. . 3a ed. p. vê como objetivo da moral a adequação do eu empírico ao Eu infinito. Por isso. é o Estado. enquanto unidade de pensamento e vontade. à razão cabe a tarefa de concebê-lo e de colocá-lo como fundamento de sua lei (Prolegomena to Ethics. MORE. segundo ele o bem identifica-se com o ser. na outra ponta da linha [na ponta da linha evolutiva da inteligência. 214). q. d. "que. para Hegel. III). o próprio Estado. XIV: as normas morais fundam-se pura e simplesmente no mandamento divino. 2. 78). II. Tomás é deduzida do princípio de que "Deus é o último fim do homem" (S. 37. System. com exceção da norma que impõe obedecer a Deus. na filosofia contemporânea.. O Estado é "a totalidade ética". p. de Green e a de Croce. o bem é "a essência da vontade em sua substancialidade e universalidade". Assim. Zusatz). Ox. p. Mas nem por isso se abriu uma alternativa à indagação ética. do fim pode ser vista na doutrina de Bergson. ex. segundo a ordem que ele apresenta à inteligência" (Princ. 8). a. de S. ou seja... a liberação progressiva do eu empírico de suas limitações (Ibid. Pode-se entrever uma crítica contra essa formulação em Duns Scot e em muitos escolásticos do séc. 1678. Deus. IV. 32). Enchiridion. ed.. essa adequação nunca é completa e por isso provoca um progresso ad infinitum. tradicional.. isto é. Querer o bem significa. Hegel. Aristóteles. 1. os neoplatônicos de Cambridge retomam a concepção estóica de ordem do universo que também vale para dirigir a conduta do homem. de Rosmini conforma-se à É. ex. querer o Espírito infinito. Mas. 27. Assim.

mesmo os morais. p. I. desejo e deliberação voluntária. em linhas gerais. mas excepcionalmente capazes de transfigurá-la graças a indivíduos que. portanto. inventada ou sonhada. Os fins da apetição podem tornar-se propósitos da vontade quando representados e escolhidos. dos seus componentes axiológicos". agiria de tal modo que. vale dizer.. contra o relativismo a que conduz a É. Scheler diz: "De fato. Com efeito. material dos valores" justamente com o fim de imunizar a É. não se funda na noção de bem nem na de fins imediatamente presentes à aspiração ou em propósitos deliberadamente almejados. do mesmo modo que uma qualidade sensível elementar. têm estreito parentesco com as doutrinas éticas tradicionais do fim. ou seja. normalmente dedicadas à conservação. p. representam um esforço de evolução criadora" (Ibid. da forma social característica da espécie humana desde a origem. p. as apetições (aspirações. trad. imediata e infalível dos valores e das suas relações hierárquicas. Do outro lado. 32). ao passo que as doutrinas que reconhecem a problematicidade do valor são estreitamente aparentadas com as doutrinas éticas da motivação. portanto. do fim e É. subsistindo ao lado da esfera ôntica real e da esfera gnosiológica atual" (Ethik. a inteligência obteria resultados comparáveis aos do instinto na outra ponta da linha: teria recorrido a hábitos. podemos preferir ou pospor um valor a outro. O valor possui modo de ser objetivo. terá uma força comparável à do instinto tanto em intensidade quanto em regularidade" (Deux sources. a É. essa dualidade de forças fundamenta a moral: "Pressão social e impulso de amorsão duas manifestações complementares da vida. ou seja. Esta última é a alternativa que. tornando-se assim um dever-ser real. assim como o surgimento de uma nova espécie. sua absolutidade. o valor subtrai-se à alternativa própria da noção de bem. mas na intuição emotiva. que podem ser chamados de 'morais'. a antiga alternativa entre É. O "serem si" dos valores ressalta que eles não dependem . não construída. as doutrinas que reconhecem a necessidade do valor. contemporâneo ou anterior. sua hierarquia. graças à qual é indefinível e indescritível. isto é. 101). ao mesmo tempo. a noção de valor (v. no sentido de que pode ser entendido ou apreendido independentemente da apetição. 23). no âmbito da noção de valor. termos de uma experiência objetiva. p. sem com isso optar entre aspirações voltadas para esses valores. será contingente. b) simplicidade.) começou a substituir a de bem. por estar na base das sociedades. substitui a alternativa entre subjetividade e ob- jetividade. Em outros termos. na compreensão dos outros. da motivação assumiu nova forma. impulsos ou desejos) têm seus fins em si mesmas. assim como do conceito de "sociedade fechada" deduziu a noção de moral corrente. na filosofia contemporânea. mas.. um autêntico 'mundo inteligível' que está além da realidade e além da consciência.. sendo também dadas independentemente de tais fins e propósitos as preferências dos valores. do fim. sem que eles se transformem em objeto de aspiração ou sejam imanentes a uma aspiração. que pode ser interpretada ou em sentido objetivo (como realidade) ou em sentido subjetivo (como termo de apetição). 1926. está a moral dos profetas e dos inovadores. As doutrinas de Scheler e Hartmann estão entre as que afirmam a necessidade do valor. é dado em certa forma de experiência específica. Segundo Scheler. intuição é base de qualquer aspiração. etc. ou seja. clara e eficaz essa mesma concepção de ética: "Existe um reino de valores subsistente em si mesmo. Assim. do ideal de renovação moral. material do bem. c) necessidade ou problematicidade. o hábito de contrair hábitos. 156). Scheler elaborou sua "É. it. Segundo Bergson. é constantemente reconhecido como dotado de três caracteres: d) objetividade. dos místicos e dos santos. no entusiasmo: moral que é impulso de renovação coincidente com o próprio impulso criador da vida. sua eternidade. Ora. De modo semelhante. Mas os valores são dados anterior e independentemente tanto em relação aos fins quanto em relação aos propósitos. Essa é a moral em movimento. mas efetivamente existente e apreensível no fenômeno do sentimento axiológico. obedece à clássica formulação da É. Hartmann expressou de forma mais didática. que vê no bem simples objeto de apetição. mas seu conjunto. Quando. podemos sentir os valores. fundada na emoção. Sua É. no instinto. Cada um desses hábitos. "no sentimento. porém. O valor. típica da noção de bem. Todos os valores podem ser dados e preferidos sem nenhuma aspiração" (Formalismus. uma esfera ideal ética. em termos de regularidade.ÉTICA 382 ÉTICA tida certa amplitude à opção individual: nessas sociedades. Bergson deduziu a existência de uma força destinada a promover essa renovação.

ou aquilo que se conforma à norma em que ele se exprime. as belas aptidões. segundo Aristóteles. a sociedade fechada ou aberta. Em tais formulações. A estrutura de sua doutrina não é. eternizá-la e divinizá-la" (Ibid. que o leva a criticar a moral corrente e ver nela formas camufladas de egoísmo e hipocrisia. trad.. os homens procuram o prazer sem vontade deliberada e. toda escolha é pressuposta pela escolha. Assim.ÉTICA da mesma intuição axiológica em que são dados e. é de todo independente da escolha humana. 139). o amor sexual. Do mesmo modo. assim como os próprios valores. Protágoras aspira a uma E. define-se como bem aquilo a que se tende em virtude desse móvel. essa hierarquia. diferente da estrutura de muitas outras que. utilizando o mesmo processo. i. é simplesmente a proposta de uma nova tábua de valores. Essa também é a crença de Nietzsche. Nietzsche deduziu a tábua de valores morais que deveriam dirigir o homem para a realização da vontade de potência num mundo de super-homens. o homem conforma-se a tais regras e não pode agir de outro modo. E a obra conhecida com o nome de Anônimo de Jâmblico reafirma esse ponto de vista. quer recompensar a vida.. 322 c). Dizia: "Se quiseres que os deuses te sejam benévolos. Esse é o sentido do mito de Prometeu. a veneração.Jâmbi. pois de outro modo não poderia resistir" (Anôn. a inimizade e a guerra. quer esta se conforme ou não a ela. insensível. mas só como objeto da vontade humana ou das regras que a dirigem. a normas que ele de fato obedece. deves venerar os deuses. de Hartmann e. Memor. a vontade de potência. Para Scheler e Hartmann. portanto. ou seja. 383 ÉTICA 2° A segunda concepção fundamental da É. tendem a conservar e justificar as tábuas de valores tradicionais. Se desejares ser honrado por uma cidade deves ser útil à cidade. a vontade forte. quem poderia duvidar deles? Mas retiremos esses valores de sua posição e mudaremos todos os valores: inverteremos o princípio da sua hierarquia precedente" (Wille zur Macht. deduzindo-as da natureza do homem ou da estrutura do ser. quando Pródico formulava sua moral em proposições condicionais ou imperativos hipotéticos. o que. etc). na preeminência do espírito dionisíaco. O imoralismo de Nietzsche. Bianquis. A característica dessa concepção é que nela o bem não é definido com base na sua realidade ou perfeição. porque também se funda em uma hierarquia absoluta de valores. II. a vontade de potência. segundo Bergson. fortalecendo-os e utilizando sua força por eles e em favor deles.. o móvel da conduta humana é o desejo ou a vontade de sobreviver. do móvel quando reconhece que o respeito mútuo e a justiça são as condições para a sobrevivência do homem. Se quiseres ser amado pelos amigos. portanto. é a que se configura como uma doutrina do móvel da conduta.. não procuram . É por esse motivo que Nietzsche pretende substituir as virtudes da moral tradicional pelas novas virtudes em que se exprime a vontade de potência. enquanto na primeira concepção as normas derivam do ideal que se assume como próprio do homem (a perfeição da vida racional. fundada no princípio de aceitação entusiástica da vida. só aliando-se às leis e ao direito. como pretendia Hartmann. deves beneficiar os amigos. 3). para Nietzsche. e via a confirmação disso no fato de que. Assim. da É. Nessas formulações. daquilo que considerou a natureza do homem. estava criando uma das primeiras É. (XENOF. 6. Em outras formulações do mesmo gênero. o que se costuma evidenciar é o mecanismo dos móveis que fundam as normas do direito e da moral: para sobreviver. Assim. tradicional do fim. Aristipo afirmava que só o prazer é desejado por si mesmo. 503). o "relativismo axiológico de Nietzsche" tem a mesma estrutura formal. 5 479). No entanto. 28). esse móvel é o prazer. poderia salvar-se. desde a infância. as boas maneiras. a disciplina da intelectualidade superior. na segunda concepção procura-se em primeiro lugar determinar o móvel Ao homem. que Protágoras expõe no diálogo homônimo de Platão (Prot. quando o alcançam. dourá-la. são necessários e absolutos. do móvel. o Estado. dos valores em que se encarna a Vontade de Poder: "Até hoje os valores morais ocuparam posição superior. o reconhecimento para com a terra e para com a vida: tudo o que é rico e quer dar. a mesma elaboração da E. É virtude toda paixão que diz sim à vida e ao mundo: "a altivez. deveria conter o avanço do "relativismo axiológico de Nietzsche" (Ibid. III. a alegria e a saúde. com corpo e alma de aço. fr. seu "relativismo axiológico". portanto.. deves esforçar-te por fazer bem à Grécia". Só que. ou seja. em geral. "Mesmo que houvesse (mas não há) um homem invulnerável. segundo Hegel. Se aspiras a ser admirado por toda a Grécia. essa hierarquia é diferente: é a hierarquia dos valores vitais. p. aliás. etc.

I). de modo absoluto. porém. mas também recomendá-las aos outros. a natureza proveu a que todos desejem o próprio bem. II. não é de surpreender que todos não só queiram aprovar essas normas. I. opiniões e tempos. 40). XI. X. reconhecia como fundamento da moral o princípio de "adotar a alegria e evitar a tristeza". 88). 1725. à É. afirmando que o prazer é o único fim da atividade humana e que a virtude consiste em escolher o prazer (De vol. na verdade. no que estiver a seu alcance. Nessa tendência à autoconservação e. mas. extraindo as normas da É. 2). Spinoza viu a ação necessitante da Substância divina: "A razão nada exige contra a natureza. que procure aquilo que seja realmente útil para si. Hume diz: "Há uma controvérsia surgida recentemente. Com rigor e sistemaüzação. Como se vê. de fato. mas exige por si mesma.. que deseje tudo o que conduz o homem à perfeição maior e. que cada um se esforce.ÉTICA 384 ÉTICA outra coisa. e a utilidade agrada porque corresponde a uma necessidade ou tendência natural: a que inclina o homem a promover a felicidade dos seus semelhantes . III. Telésio reapresenta a outra alternativa tradicional da mesma concepção (De rer. especificação no homem do princípio de harmonia que regula o universo (Características de homens. Já Hutchinson interpretava o sentido moral como tendência a realizar "a maior felicidade possível do maior número possível de homens" (Indagação sobre as idéias de beleza e de virtude. ou seja. para conservar o próprio ser. à consecução de tudo o que é útil. Cone. considerando-o. II. em sua formulação tradicional que se encontra em Platão. esteve ausente durante toda a Idade Média e só é retomada no Renascimento. que é uma espécie de instinto natural ou divino. O princípio da É. Locke e Leibniz concordavam quanto ao fundamento da ética. Essa concepção de É. por sua vez. se chegamos ao conhecimento deles por meio de uma seqüência de argumentos e de induções ou por meio de um sentimento imediato e de um sutil sentido interno" (Inq. O que é necessariamente tão verdadeiro quanto é verdadeiro que o todo é maior que a parte" (Et. A característica fundamental da filosofia moral inglesa do séc. Lorenzo Valia foi o primeiro a reapresentá-la em De voluptate. auferirão vantagens para si mesmos" (Ensaio. se não for previsto seu fim próximo.. 18. L. Com efeito. 8). de Epicuro tem o mesmo significado de reconhecimento daquilo que. especialmente se acompanhada de sofrimento. do desejo de conservação que existe em cada ser. I. 6). scol. XVTII. o primeiro é a morte. L. opõe-se radicalmente à É.. dos sécs. 1711). Shaftesbury falou de um sentido moral. Foi Hume quem encontrou a palavra que exprimia essa nova tendência: o fundamento da moral é a utilidade. mas para que possam ser capazes disso é necessário que desejem a vida. já que o próprio prazer não passa de indicador emocional das situações favoráveis à conservação (v.). 2. já que estão convencidos de que. que é o seu oposto (DIÓG. XVII e XVIII tem alto grau de uniformidade: não só ela é uma doutrina do móvel como também a oscilação que apresenta entre "tendência à conservação" e "tendência ao prazer" como base da moral não implica uma diferença radical. em Aristóteles e na Escolástica. levarão a incluir a morte entre os bens" {De bom. De todos os males. do móvel e a É. uma favorável e outra contrária. fórmula que será adotada por Beccaria e por Bentham. ess. 34). consiste em evidenciar e assumir como tema principal de discussão precisamente a oposição entre a É. a saúde e a maior segurança possível dessas coisas para o futuro. que cada um ame a si mesmo. Hume afirma que o primeiro a aperceber-se dessa distinção foi Lord Shaftesbury. é o móvel da conduta humana: "Prazer e dor são as duas afeições que se encontram em todo animal. IV. em geral. maneiras. tomando a prática da virtude necessária à conservação da sociedade humana e visivelmente vantajosa para todos os que precisam tratar com as pessoas de bem. nat. através das quais se julga o que se deve escolher e o que se deve evitar" (DIÓG. E Leibniz. 2. 1). se as observarem. que é muito mais digna de exame e que gira em torno dos fundamentos gerais da moral: se eles derivam da razão ou do sentimento. a É. mais relacionado com o instinto do que com a razão (Nouv. porém. Hobbes via nesse mesmo princípio o fundamento da moral e do direito: "O principal dos bens é a autoconservação. Semelhante É. Locke dizia: "Uma vez que Deus estabeleceu um laço entre a virtude e a felicidade pública. Morais. do fim. que tem importância particular na história da E. IX. acima de tudo. EMOÇÃO). que pareceu idêntica à oposição existente entre razão e sentimento. como os males da vida podem ser tantos. ao passo que evitam a dor. é boa a ação que proporciona "felicidade e satisfação" à sociedade. do fim.. Em outros termos. 6).

é a exigência de agir segundo princípios que os outros podem adotar. V. Portanto.ÉTICA 385 ÉTICA (lnq. não passa de outra expressão dessa mesma exigência. abrir caminho para a utilização das análises kantianas com vistas à formulação da É. sempre como fim e nunca como meio. § 7). Mas. Alguns anos mais tarde. 1. está claro que deve ser inserida nessa tradição. não só na formulação fundamental como também nos resultados. o caráter absoluto de comando graças ao qual ela se distingue dos imperativos hipotéticos de técnicas e prudência. kantiana sem dúvida compartilha com a concepção (1) da É. que se subtraia a tais alternativas e a veja no quadro da É. entre a É. Kant transferiu o móvel da conduta do "sentimento" para a "razão".. da consciência da liberdade". III. Ap. "a razão nos instrui sobre as diversas direções da ação. 1). deixando de lado essa preocupação absolutista (que deve ser explicada pelo "rigorismo" kantiano). a evolução sofrida pela filosofia moral de Kant a partir de Fichte teve como ponto de partida mais freqüente o seu arsenal dogmático e absolutista do que suas colocações fundamentais e a substância de seus ensinamentos morais. 3). setecentista. quis garantir a categoricidade da norma moral. XIX. de Kant tem grande afinidade com a É. Isto quer dizer que Kant compartilha a concepção (2) do bem. ou seja. com a diretriz moral do iluminismo. ex. a tendência a ter prazer pela felicidade do próximo. Essa oposição ingressa na doutrina de Kant a partir do arsenal absolutista de sua É. era a tendência à felicidade do próximo. R. Para Hume. como p. ou seja. Em primeiro lugar. segundo Hume. Pode. 2). é o fundamento da moral. Kant considera a lei moral como um fato (Factum). portanto. razão e sentimento constituem igualmente a moral. Cone. os últimos para condená-la como baluarte das ilusões metafísicas no campo moral. O imperativo kantiano de tratar a humanidade. porque "não pode ser deduzida de dados precedentes da razão.. a É. Conquanto essa fórmula possa parecer mais rigorosa e mais abstrata que as empregadas pelos filósofos ingleses. os primeiros para exaltá-la como ancoradouro seguro de todas as certezas referentes à vida moral. § 8. de Kant vêem nela exclusivamente esse aspecto. utilizando o outro lado do dilema proposto pelos moralistas ingleses. ao mesmo tempo em que pretendeu fundamentá-la com necessidade rigorosa. em pretexto para inumeráveis (e inoperantes) perquirições a respeito do caráter absoluto do dever. O que ambas pretendem sugerir como princípio ou móvel da conduta é o reconhecimento da existência de outros homens (ou. I). nota 2). Pelo fato de a concepção moral de Kant corresponder às características fundamentais da doutrina do móvel. Em terceiro lugar.. que corresponde à É. Tanto esses ensinamentos quanto a postura de que dependem estão de acordo com a É. setecentista. XVIII (pelos quais. mas se impõe por si mesma como um sic volo. à qual Kant recorre. sem nenhuma relação com a realidade fenomênica e condicionada da natureza. é justamente com base nos móveis (Bestimmungsgründê) que Kant classifica as diferentes concepções fundamentais do princípio da moralidade (Ibid. o móvel fundamental da conduta humana. Infelizmente. Em segundo lugar. a humanidade nos faz estabelecer a distinção em favor daquelas que são úteis e benéficas" (Ibid. aliás. mas com esta não se coaduna a contraposição estabelecida por Kant entre o mundo moral e o mundo natural e. a razão. Se o sentimento. Desse modo. Ainda hoje. 1. nas obras iniciais Kant não escondeu sua simpatia).. que os moralistas ingleses chamavam de "sentido moral" ou "sentido de humanidade". 1759. e a ciência da natureza. bem como do acesso que ele permitiria a uma Realidade superior e incondicionada (a do "númeno"). a É. a preocupação básica de ancorar a norma de conduta na substância racional do homem. o sentimento de humanidade. I. ou seja. Em vista dessa exigência. Prática. muitas vezes amigos e adversários da É. ao qual recorriam os moralistas ingleses. como técnica da con- . sic iubeo (Ibid. dos moralistas ingleses do séc. Mas uma consideração dessa É. Com isso. efetivamente. cuja postura compartilhou. a partir do aspecto que a transformou em menina dos olhos dos metafísicos moralistas do séc. tanto na primeira pessoa quanto na pessoa do próximo. talvez permita apreciá-la mais adequadamente. Adam Smith chamará de simpatia esse sentimento do espectador imparcial que olha e julga a sua conduta e a dos outros (lhe Theory of Moral Sentiments. seu significado é o mesmo. Kant julga que "o conceito do bem e do mal não deve ser determinado antes da lei moral (cujo fundamento aparentemente deveria ser). como queria Kant. Morais. do móvel. de outros seres racionais") e a exigência de comportar-se em face deles com base nesse reconhecimento. mas depois dela e através dela" (Crít. I.

Mas está claro que essa posição é contraditória: se a É. Na realidade. Helvétius dizia: "Acredito que se deve tratar a moral como todas as outras ciências e fazer uma moral como se faz uma física experimental" {De Vesprit. segundo a qual os juízos éticos expressam tão-somente "os sentimentos de quem fala. 108. mas também simples e. biológica de Spencer adota essas teses. embora seja muito mais intricada e ampla (Jntroduction to the Principies of Morais and Legíslation. Desse ponto de vista. obviamente. Nesse ínterim. faltam motivos ou critérios para que um deles prevaleça sobre os outros. a antítese entre egoísmo e altruísmo não terá mais sentido {Data ofEthics. foi justamente a esse ponto de vista tão mutilado que se filiou a concepção de É. O que o indivíduo enxerga como dever ou obrigação moral é resultado de experiências repetidas e acumuladas através de inúmeras gerações: é o ensinamento que essas experiências propiciaram ao homem em sua tentativa de adaptar-se cada vez mais às suas condições vitais. cujo arauto é Comte e cujo princípio é: "viver para os outros". do evolucionismo não passa da expressão. fundada no princípio da autoconservação que Telésio e Hobbes reintroduziram no mundo moderno. portanto. p. O que. também fica por conta de instintos simpáticos que. das alternativas possíveis de conduta. p. a obra de Bentham inspirou a ação reformadora do liberalismo inglês e ainda hoje seus princípios estão incorporados na doutrina do liberalismo político. sendo portanto impossível encontrar um critério para determinar a sua validade" (AYER. Russell acha que é possível influir nos próprios desejos. em Works. 1758. encabeçado por Bentham. inglesa tradicional: a exigência do cálculo de tipo benthamiano. em termos de otimismo positivista. ou melhor. do móvel tinha a pretensão de valer como ciência exata da conduta. afirmando que "a É. STEVENSON. Na filosofia contemporânea. Pode-se dizer que a É. 1852. ou seja. 20). p. 1936). p. 1. os únicos fatos de que se pode partir no domínio moral são os prazeres e as dores. podem ser gradualmente desenvolvidos pela educação. cf. necessárias ao desenvolvimento harmônico da vida. A conduta do homem é determinada pela expectativa de prazer ou de dor. 4). os valores são qualidades . indefiníveis. Contudo. Spencer prevê ainda uma fase em que as ações mais elevadas. da disciplina na escolha dos desejos. Bertrand Russell limitou-se a repropô-la na forma mais simples e grosseira. até que dominem os instintos egoístas (Catéchismepositíviste. cálculo cujos princípios Bentham quis estabelecer fornecendo a tábua completa dos móveis de ação. Dizer que alguma coisa é um bem ou um valor positivo é outro modo de dizer "agrada-me" e dizer que algo é mau significa exprimir igualmente uma atitude pessoal e subjetiva. Spencer vê na moral a adaptação progressiva do homem às suas condições de vida. de Russell. I. No entanto. e não um avanço em sua compreensão. mas consiste em desejos de certa espécie geral" (Religion and Science. predominante no positivismo lógico. e esse é o único motivo possível de ação. § 46). Dewey tem em comum com boa parte da filosofia do valor(y. para quem a É. independente de pressupostos metafísicos. Ethics and Language. a É. E julga também que isso deve ser feito por quem almejar a felicidade ou o equilíbrio da vida. são conceitos fictícios ou "não-entidades". O positivismo inspirou-se no mesmo ponto de vista: a realização da moral do altruísmo. Com estes fundamentos a ciência da moral torna-se tão exata quanto a matemática. cuja É. A realidade que tais conceitos ocultam é o calculo dos prazeres e das dores em que repousa o comportamento moral do homem. é o ponto de vista de Russell. obrigação moral. essa concepção de É. trata de desejos e não de asserções verdadeiras ou falsas. mas não a crença de que eles são absolutos ou necessários. serão tão comuns quanto hoje o são as ações inferiores a que somos impelidos pelo desejo. A É. 1789. 48). Mas essa pretensão caracteriza sobretudo o utilitarismo do séc. Para Dewey. Language.) a crença de que os valores são não só objetivos. se vincula à noção de valor. portanto. consciência. Mostra-se mais frutífero o ponto de vista de Dewey. é um ponto de vista que marca a renúncia à compreensão dos fenômenos morais. não contém afirmações verdadeiras ou falsas. Na E. não sofreu mudanças nem apresentou progressos substanciais. p. V). nessa fase. Truth and Logic. perdeu-se um dos aspectos fundamentais da É.ÉTICA 386 ÉTICA duta. O utilitarismo de James Mill e de John Stuart Mill não passa de defesa e ilustração das teses fundamentais de Bentham. Segundo ele. que deveria servir de guia para as legislações futuras. XIX. da É. reforçando alguns e reprimindo ou destruindo outros. segundo Comte. em clima positivista. sentido moral. nada tem a ver com desejos.

"Abandonar a busca da realidade e do valor absoluto e imutável pode parecer um sacrifício. Foram enunciadas por Nicolai Hartmann do seguinte modo: ls a ética está radicada nesta existência. mansidão. 3a ed. portanto. mas nunca se especificam como relações de heterogeneidade ou independência recíprocas. temperança. ou vice-versa. Na busca dos valores que podem ser garantidos e compartilhados por todos. àperaí. Etiology. e em segundo lugar. Mas poderia (e deveria) utilizar amplamente a É... 1949. enquanto a religião tende a uma existência radicada além desta. são: coragem.. II. uma teoria geral da moral não partiria de compromisso prévio com determinada tábua de valores. 2S a ética está voltada para o homem. MEIO) entre dois extremos. além de infinitamente diferentes em suas qualidades.).. Virtú eticbé). 1926. esta última é a maior de todas (Ibid. são as virtudes que correspondem à parte apetitiva da alma. só foi repetida entre os seguidores da escola hegeliana. 811-17). ít. das condições formais ou gerais de tal constituição. liberalidade. lat. como técnica de conduta à primeira vista parece mais ampla que o direito como técnica de coexistência. dos quais um é vicioso por excesso.. nos homens de boa vontade" (The Questfor Certainty. III-V). fr. mas coadjutores. se possível. Ethical Virtues. pp. I. ou seja.. Essas considerações de Dewey certamente circunscrevem o quadro em que a investigação ética contemporânea deve mover-se. ÉTICAS.ÉTICA 387 ETIOLOGIA imediatas sobre as quais. § 146). que é a realização do bem em realidades históricas ou institucionais. Ainda falta na É. Sittlichkeit). do séc. 4a a ética funda-se na liberdade humana. nic. contemporânea uma teoria geral da moral que corresponda à teoria geral do direito (v.. porque constituem uma realidade "necessária e interna" (Ibid. Virtutes morales. 39 a ética afirma a autonomia dos valores. como "crítica das críticas". que é a vontade subjetiva. que se tornou mundo existente e natureza da autoconsciência" (EU. 394 ss. e que consistem no justo meio (v. a filosofia não encontrará rivais. a religião transfere toda iniciativa a Deus (Ethik. 1102 b 16). ÊTICO-RELIGIOSAS. porque vinculados aos fundamentos da vida social. Pesquisa ou determinação das causas de um fenômeno. "A E. ETICIDADE (ai. diz Hegel. é Deus. As virtudes É. in. o de renovar o significado dos valores (Experience andNature. que são a família. it. Essa tarefa da filosofia é condicionada pela renúncia à crença na realidade necessária e no valor absoluto. Antíteses em que se expressa o conflito entre o ponto de vista ético e o ponto de vista religioso. o outro por deficiência (Ibid. Mas essa renúncia é a condição para o empenho numa vocação mais vital. A É. Obviamente. Daí a importância da filosofia. logo veremos que a distinção dos dois campos é apenas circunstancial. em geral. ai. ETTOLOGIA (in. que ingressou no mundo. com vistas a delimitar problemas particulares. com a descoberta. negativos e positivos. ANTINOMIAS (ai. ii0iKai. na medida em que esta é moderada ou guiada pela razão (Et. grupos de problemas ou campos específicos de consideração e estudo. a religião os subordina à vontade de Deus. do bem. a É. A propósito das relações entre moral e direito. Ethísche Tugenden-. apresentando-se como a continuação dessa concepção. magnanimidade. os verbetes respectivos. Aetiologie. a religião para Deus. VIRTUDES (gr. individual ou pessoal. Hegel fez uma distinção entre moralidade. Vertus morales. 1107 a 1). Esse . o Estado. Mas eles são fugazes e precários. 13. XVIII e. seu compromisso seria simplesmente com a consideração da constituição das tábuas dos valores que se oferecem ao estudo histórico e sociológico da vida moral. mas não lhe oferecem instrumentos eficazes. cabe aqui reafirmar o que se disse a propósito do direito. "é o conceito de liberdade. um "Deus real" (Ibid. ou seja. fr. Etisch-religiose Antinomien). que. cf. 1939. do dir. e a E.. Etiologid).. franqueza e justiça. 295). mas se refletirmos que toda espécie ou forma de conduta é uma forma ou espécie de coexistência. Étiologies. pp. p 13). As instituições éticas têm uma realidade superior à da natureza. p. nada há a dizer. uma teoria que considere a moral como técnica de conduta e se dedique a considerar as características dessa técnica e as modalidades com que ela se realiza em grupos sociais diferentes. Zusatz). só em virtude de um procedimento crítico e reflexivo é que podem ser preferidos ou preteridos (Theory ofValuation.).". a sociedade civil e o Estado. da motivação. ai. que tais relações podem configurar-se de varias maneiras. Segundo Aristóteles. § 142). Essa distinção entre moralidade e E. § 258. em primeiro lugar tem o objetivo de interpretar acontecimentos para deles fazer instrumentos e meios da realização dos valores. 6. A mais elevada manifestação da E.

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