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Suspensão Condicional Condicional do Processo

da

Pena

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Suspensão

A suspensão condicional da pena (sursis) e a suspensão condicional do processo são institutos que apresentam diversas semelhanças. A primeira delas deriva dos próprios fundamentos, de política criminal, que motivaram a sua introdução dentro do ordenamento jurídico brasileiro. Afinal, tratam-se de institutos de caráter descarceirizante, que surgiram a partir da constatação do fracasso das penas privativas de liberdade, mormente no que toca às penas de curta duração. Assim, como um meio de evitar que delinqüentes primários, que cometeram infrações de menor gravidade, fossem enviados para as prisões, verdadeiras “escolas do crime”, foram desenvolvidas alternativas às penas privativas de liberdade, dentre as quais se destacam tanto a suspensão condicional do processo quanto a suspensão condicional da pena. Diz-se que ambas as suspensões são condicionais. Isso porque a extinção da punibilidade (suspensão condicional do processo), ou da pena privativa de liberdade (suspensão condicional da pena), somente será declarada se as condições impostas pelo poder público forem devidamente cumpridas pelo aceitante. Existe também uma semelhança flagrante na nomenclatura dos institutos estudados. Contudo, deve ser ressaltado que parte da doutrina entende ser incorreta a denominação sursis processual, utilizada por muitos autores para se referir à suspensão condicional do processo. Segundo Cezar Roberto Bittencourt, “a natureza, pressupostos e conseqüências, desautorizam qualquer comparação entre transação penal e suspensão condicional do processo ou entre qualquer destes e o sursis. Pelas mesmas razões, desaconselhamos o uso da expressão sursis processual”. (Bittencourt, 2002) Uma das conseqüências jurídicas advindas da aceitação da suspensão condicional do processo, bem como da suspensão condicional da pena, também é a mesma. Trata-se da não aplicação de pena privativa de liberdade, seja porque a marcha processual fica suspensa, seja porque a suspensão atinje a própria pena imposta na sentença com trânsito em julgado. Pode-se verificar ainda que os institutos em análise possuem requisitos de cabimento em comum. O art. 89 da Lei n° 9.099/95 prevê expressamente que a suspensão condicional do processo somente será cabível se presentes todas as condições que autorizam a concessão do sursis. Entretanto, se muitas são as semelhanças, grandes também são as diferenças existentes entre essas duas figuras penais. A primeira delas se encontra no próprio diploma legal em que se encontram previstas. O sursis está previsto no art. 77 do Código Penal Brasileiro, tendo sido introduzido no ordenamento jurídico nacional a partir da Reforma de 1984. A suspensão condicional do

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note-se que a sentença penal condenatória constitui título executivo judicial que. Apenas a execução da pena é quem fica suspensa. continua a ser considerado réu primário. Não é proferida uma sentença condenatória. O contrário. o réu aceita o benefício logo após o oferecimento da denúncia. Uma conseqüência prática da distinção apontada acima diz respeito aos antecedentes criminais. Por outro lado. Na suspensão condicional do processo. 2 . por não ter sido condenado pelo juízo criminal. Dessa forma. bem como possuidor de bons antecedentes. o réu que aceita a suspensão condicional da pena não tem seus dados criminais apagados após o período de prova. Por fim. Como o beneficiário da suspensão condicional do processo não foi condenado por sentença com trânsito em julgado. a instrução processual não chega a se desenrolar. que trata dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais. Não há que se falar. Ou seja.processo. se encontra no art. dispensa a propositura de ação de conhecimento. o réu é condenado por sentença com trânsito em julgado. a sentença homologatória não constitui título executivo passível de execução no juízo cível. 89 da Lei n° 9. ocorre com o sursis. contudo. Nesse último caso. Os efeitos secundários da mesma permanecem. A suspensão é o resultado entre um acordo de vontades entre as partes. o processo de desenvolve normalmente. portanto. 584 do Código Civil. O beneficiário da suspensão condicional do processo. Logo. e culmina com a prolação de uma sentença penal condenatória. a condenação em questão é hábil para determinar a reincidência ou os maus antecedentes.099/95. homologado pelo juiz. Apenas a execução da pena permanece suspensa. em condenação. que cumpre as condições do acordo. nos termos do art. por sua vez.