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SUMÁRIO

1.INTRODUÇÃO....................................................................................4 2.UM BREVE HISTÓRICO DO ENSINO JURÍDICO NO BRASIL. .................................................................................................................10 2.1.Reformas, a portaria nº 1.886/94 e a resolução nº 9/2004............13 3A REALIDADE DO ENSINO JURÍDICO NO BRASIL................17 3.1Estudo e análise sobre a qualidade do curso de Medicina e um comparativo com o curso de Direito....................................................19 4O ENSINO NA CONCEPÇÃO BANCÁRIA: UM GRANDE VILÃO....................................................................................................24 5O PROFESSOR: APRENDER E ENSINAR....................................29 6A TEORIA E A PRÁTICA JUNTAS – A NECESSIDADE DE NOVOS MÉTODOS.............................................................................34 6.1. Teoria e prática – a necessidade de novos métodos.....................39

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6.2. Metodologia da Aprendizagem por problemas...........................40 6.3.Método de sistematização coletiva do conhecimento:..................46 6.4. Muitas mudanças são possíveis sem a necessidade de grandes revoluções...............................................................................................48 7.SUGESTÕES PARA CONTRIBUIR COM A QUALIDADE DO ENSINO..................................................................................................49 7.1.A Motivação: O estudo de caso como instrumento de motivação. .................................................................................................................50 7.2. A internet e os recursos audiovisuais – fortes aliados.................54 7.3.O ensaio como alternativa de produção acadêmica.....................56 7.4.Reavaliando a avaliação..................................................................59 8.CONCLUSÃO.....................................................................................61

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1. INTRODUÇÃO

O ensino jurídico clama por mudanças, por evolução. A história acadêmica do estudante de Direito não pode mais traduzir-se em uma reprodução de conhecimento que limite o potencial crítico, criativo e reflexivo, que não prepare o aluo para o mundo que irá enfrentar em sua carreira profissional. Separar a teoria e prática é separar o corpo da alma: o ensino Jurídico no Brasil necessita de um sopro de vida que se materializa em mudanças de conceitos, de metodologias, de orientação pedagógica, de ajustes na grade curricular.

Horácio Wanderley Rodrigues. e modificar. disporem de instrumentos que construam uma abordagem mais prática através de uma nova metodologia aplicada no ensino jurídico. Sobre o assunto dispomos de fontes importantíssimas: a Portaria nº 1.5 A presente pesquisa abordou uma reflexão acerca de idéias para melhorar a qualidade do ensino nos cursos de Direito no Brasil. cabe investigar a relação do problema com cada uma das partes envolvidas: os alunos. quebrando as amarras do tradicionalismo tão incrustado. Dentro deste contexto.886/94. Exorto aqui quanto à necessidade de acreditar que é possível romper barreiras. instituições de ensino e o Estado. somos levados a analisar o que sinaliza a baixa qualidade do ensino jurídico. obras dos brilhantes Paulo Freire. acredito que chamar de utopia é uma tentativa de barrar os esforços de quem é capaz de superar e agir. porque é possível aplicar metodologias diferentes em uma sala de aula. e que se isso for uma utopia. John Passmore. . a Resolução nº9/2004. bem como sobre as causas dessa deficiência. e o presente trabalho de pesquisa apresentará essas possibilidades. além de outros autores cujas obras foram sustento e alicerce para a presente pesquisa. Considerando o crescimento exponencial do número de universidades que comportam o ensino jurídico em nosso país. Acreditamos na necessidade de outras abordagens que possibilitem ao suporte pedagógico das instituições de ensino e a equipe docente. professores. que atua com efeito anestésico à capacidade de percepção e desenvolvimento de todas as partes envolvidas no processo de ensino aprendizagem.

numa contabilidade deficitária para todos os envolvidos. ultrapassada e pouco funcional. que constrói um enorme abismo entre o aprendiz e a realidade jurídica. cabos. agilidade e perícia faziam parte do conteúdo programático. diretamente na área técnica de informática. já desgastada. montagem. Circuitos eletrônicos. e de tecnologias de computadores e redes: uma área que posso considerar um tanto complexa principalmente para os alunos iniciantes. precisão em soldagem de circuitos. Ocorre que o ensino jurídico. enfim. mas que no encaixe perfeito da teoria com a prática (obrigatórias em um curso profissionalizante) permitia que os alunos . que era ministrado em tempo relativamente curto. e tantas outras regras e técnicas que envolvem raciocínio. Durante doze anos trabalhei como professora de formação profissional. de forma geral. códigos de cores.6 Ainda acrescento que é mais fácil trabalhar com várias e refinadas ferramentas. Porém. mais especificamente no ramo de manutenção. e as soluções encontradas são bastante interessantes. e que tiveram pouca ou nenhuma oportunidade de contato com a área anteriormente ao curso. o que é possível adotar como soluções para esses problemas? São as respostas para este questionamento que buscamos no desenvolvimento de toda a nossa pesquisa. centenas de novas tecnologias lançadas em um curto espaço de tempo. o que torna todo o processo muito mais difícil tanto para o aluno quanto para o professor. apenas porque é a que ao longo dos anos mais se acostumou a usar. traz uma enorme deficiência no que se refere à pratica. porque implicam muito mais numa mudança de postura e de visão na maneira como o curso é ministrado e não só apenas na estrutura da grade curricular do curso de Direito. do que com apenas uma. eletrônica.

É demasiado pobre o ensino do Direito puramente teórico. . e a desmistificação que levava ao real aprendizado quando aquela teoria era aplicada na prática. a Sociologia. Nos cursos profissionalizantes que ministrei no passado. que eles mesmos solucionavam repetidas vezes em diferentes situações. em todas as matérias. a Antropologia. com meus passos ainda inseguros ao redigir uma peça ou acompanhar uma audiência com as advogadas. me deparei com a prática da profissão do Advogado. essa sensação de que falta algo importante para o aprendizado no curso de Direito acontece com quase todos que fazem parte desse contexto dentro da Universidade. e sobretudo por estar pautada em outras ciências como a Filosofia. tendo em vista que em sala de aula. e tantas outras. diariamente. pude observar quão rica e complexa é a ciência do Direito em si mesmo. a Psicologia. fica claro que essa angústia. diante dos equipamentos com defeitos reais. já desenvolviam atividades que reproduziam exatamente o que seria a prática do dia-a-dia daquele profissional. como a outra metade que faltava.7 concluíssem o curso com um alicerce de conhecimento que lhes dava segurança para ingressar no mercado de trabalho. e só então pude notar o universo que está do lado de fora da Universidade. eu observava a ansiedade dos alunos quando a teoria lhes era apresentada no quadro com um pincel. Como estudante do curso de Direito. de forma que não poderia ser menor a complexidade do ensino jurídico. Quando tive a oportunidade de estagiar em um escritório Jurídico. a riqueza do conhecimento que se alcança é incomparável. e ao levantar essa questão com colegas e professores. desligado da prática jurídica. a expressão mais serena quando vídeos sobre o assunto eram utilizados em sala de aula.

que de perto acompanhei por tantos anos. como poderíamos aqui citar. dando espaço para a verdadeira aprendizagem.8 inicialmente inseguros e sob minha orientação. consciente da grandeza do conhecimento dos mestres e doutores que fazem parte do corpo docente da Universidade Tiradentes e de tantas outras Universidades existentes no Brasil. partindo das generalizações para confirmar a negociações dos fatos. a teoria e a prática são aplicadas juntas. pautado em uma análise dos fatos e formulação de generalizações. inseparáveis. notícias. e depois já seguros e independentes. e toda a complexidade é dissolvida. SENAI. Para a produção desse trabalho que apresento. associada à pesquisa bibliográfica e documental. a técnica de pesquisa utilizada foi a exploratória. porque não poderia ocorrer no ensino superior? No presente trabalho. para a construção do conhecimento. doutrinas. O método de abordagem foi o hipotético-dedutivo. fazia pequenas observações. adotamos a comparativa observacional e experimental. percebo que meu conhecimento é imensamente menor. Desejo aqui mostrar que com a prática é que a teoria é fixada no entendimento do aluno. tais quais são ministrados por instituições de ensino como o SENAC. por tratar-se de pesquisa de campo com coleta de dados referindo-se a exemplos de experiências . porém sinto na vivência em sala de aula como aluna e até mesmo para os professores como é difícil alcançar o entendimento do aluno com tamanho volume de teoria separada de sua alma. Como metodologia auxiliar. sou aluna apenas. caro leitor. que é a prática. códigos. se em cursos profissionalizantes. com exploração de informações através de livros. enquanto eu apenas os elogiava e quando ainda necessário. leis e internet. Caríssimo leitor.

de práticas e idéias já observadas por outros estudiosos sobre o tema. O quinto capítulo apresenta uma abordagem sobre a importância do papel do professor no processo de ensino aprendizagem: suas dificuldades. e dentro desse contexto um estudo sobre soluções aplicáveis a este problema.9 ocorridas em outras instituições de ensino. e sobretudo pela Constituição Federal de 1988. Posteriormente. . portarias. e do curso de Direito. das metodologias que contribuem para essa indissolubilidade e dos prejuízos que essa separação pode trazer para a educação. A metodologia quanto aos objetivos foi a qualiquantitativa. O primeiro capítulo apresentará um breve histórico sobre o ensino jurídico no Brasil. No capítulo seguinte fizemos uma abordagem dos problemas que são entraves e que causam a deficiência qualitativa do ensino jurídico. resoluções. seguido das principais diretrizes e finalidades trazidas para os cursos de Direito através de reformas. sobre um amplo estudo dos principais entraves para que se alcance um ensino jurídico com maior qualidade nas Universidades Brasileiras. O sexto capítulo demonstra a indissolubilidade que devem ter a teoria e a prática no processo de aprendizagem do ensino superior. sua postura. traçando um paralelo com o ensino no curso de Direito. a necessidade do apoio pedagógico. sua capacidade transformadora. desenvolvemos considerações sobre o conceito de Educação Bancária Freireano.

no âmbito de sua qualidade.10 O último capítulo traz um conjunto de soluções e sugestões que visam contribuir para o trabalho dos professores. Entretanto. exige preliminarmente que seja feita uma análise dos contornos que envolveram o seu desenvolvimento no decorrer da História. UM BREVE HISTÓRICO DO ENSINO JURÍDICO NO BRASIL. trazendo novas idéias e metodologias. que clama por mudanças e esse clamor deve ser ouvido. investigar precioso tema. de modo a provocar uma postura ativa por parte de todos os envolvidos. eficiência e função. a fim de reverter o quadro caótico do ensino jurídico. 2. . instituições e equipe pedagógica. Trata-se de assunto de grande relevância discutir o Ensino Jurídico no Brasil.

o ensino jurídico surgiu no Brasil. e tal acontecimento deve-se muito aos brasileiros diplomados na Faculdade de Coimbra. Ensino jurídico e direitos fundamentais. a metrópole não tinha interesse em criar cursos superiores. São Paulo e Recife foram estrategicamente escolhidas para a implantação do curso de Direito por serem centros oligárquicos. p. e em Olinda no Mosteiro de São Bento. projeto pedagógico e outras questões pertinentes. localizados nas cidades de São Paulo no Convento de São Francisco. na época. e que influenciaram a instituição dos primeiros cursos jurídicos em nosso país. P. voltados exclusivamente para a elite e para a realização dos seus interesses 2. de seus institutos e de suas idéias sobre os cursos de Direito. 178. que possuíam uma formação de cunho liberalista. . haja vista que um dos mais fortes vínculos que mantinham a dependência de nossa colônia era a necessidade de ir estudar em Portugal. 2 BEZERRA. Segundo ensinamentos do professor Horácio Wanderlei Rodrigues1. Horácio Wanderlei. Pensando o Ensino do Direito no Século XXI: diretrizes curriculares. a Carta de Lei de 11 de agosto de 1827 instituiu os primeiros cursos de Direito no Brasil. 2005.11 No Brasil colonial. 2008. Somente após 327 anos de colonização portuguesa. Florianópolis: Fundação Boiteux. 1 RODRIGUES. sendo este posteriormente transferido para Recife. Ambos idealizados no cenário da primeira Constituição Brasileira. o que facilitava o acesso dos estudantes da classe política predominante. 65. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora. nessa fase inicial havia uma forte influência do sistema liberal. Roberta Teles.

p. latim. magistrados. 1997. Com a Carta de 1937. até mesmo como forma de garantia dos cidadãos. . a discussão da época acerca do ensino jurídico era pautada na finalidade social e institucional de formar bacharéis. filosofia (racional e moral) além de geometria. é provocada uma primeira transformação do Ensino Jurídico 3 GALDINO.12 Assim. Nesse cenário histórico. soubesse francês. Diante da hegemonia liberal. de forma que tais postos fossem preenchidos com pessoas de nível superior e. A República. e com o surgimento do Positivismo Codificador. traz algumas modificações importantes para a concepção do ensino jurídico nacional. A Ordem dos Advogados do Brasil na Reforma do Ensino Jurídico. e até mesmo o critério de seleção para a admissão nessas faculdades revelava um objeto de manipulação da elite dominante para permanecer no poder. paralelamente ao ideário político que embasava o Estado Novo. como observa Galdino3: "nasce o ensino jurídico pátrio: guardião dos ideais liberais do Estado constitucional. havia uma necessidade urgente de profissionalizar os quadros políticos brasileiros. mas objetivando fornecer quadros para o aparelho estatal – centralizador". que chega ao Brasil sob forte influência da filosofia positivista. 159. juristas. passou-se a incentivar o ensino de caráter profissionalizante. O próprio Conselho Federal fundamentou o espírito da época ao atribuir ao curso jurídico o objetivo de transmitir “cultura geral”. de burocratizar o aparelho governamental. Brasília: Conselho Federal da OAB. Exigia-se do candidato exigia-se que tivesse quinze anos de idade ou mais. o público alvo das faculdades de Direito era composto pelos filhos das classes mais ricas do país. Mais do que “apenas” formar advogados. Flávio. ainda. In: -Ensino Jurídico OAB 170 anos de cursos jurídicos no Brasil. Neste período. retórica.

Neste cenário de uma República recém-proclamada. perdurou nos Cursos de Direito um método de ensino desprovido de uma formação com ênfase no .13 Brasileiro. através da qual foi promulgado o Estatuto das Universidades. as pressões da sociedade civil sobre o Estado induziram a reformas educacionais do Ensino Jurídico. e apenas o doutorado formaria os futuros professores e pesquisadores. e situações que geravam transformações econômicas e novas demandas sociais. que ainda mantiveram-se na mesma linha. o período militar alcançando os dias atuais. Após a primeira guerra mundial e a crise econômica de 1929.1.886/94 e a resolução nº 9/2004. Reformas. a portaria nº 1. foram acompanhadas pelos cursos de ensino superior de uma forma geral. Durante todo o Estado Novo. As mudanças trazidas na referida reforma marcaram uma espécie de decadência da figura do bacharel. que vivia o sucesso da cafeicultura. limitando-o a um mero operador técnico do direito. A Reforma "Francisco Campos". em 1931. o Brasil passou por consideráveis mudanças que. foi uma reforma educacional de grande relevância. e especificamente pelos cursos de Direito. de modo que os cursos de Direito de São Paulo e Recife não atendiam mais às novas demandas e foram criadas as faculdades de Direito da Bahia (1891) e do Ceará (1903). no entanto. 2.

foram implantadas. Foi então que ocorreu a instauração de uma nova ordem política.. determinada pela Constituição de 1988. porém tal reforma não logrou muitos resultados. vejamos os artigos 205 e 206 da Constituição Federal de 1988 4. e ainda era forte a reprodução de recursos ligados à metodologia liberal dos períodos antigos. e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. Art. o caput e os incisos III e VII. 4 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. visando ao pleno desenvolvimento da pessoa. como se segue: Art. Nesse sentido. em uma idéia principiológica mais clara de educação. Art. atendidas as seguintes condições: I – cumprimento das normas gerais da educação nacional. Os programas muito tradicionais continuavam a ser seguidos. 206. que lhes possibilitasse a capacidade para lidar com os direitos e garantias introduzidas no ordenamento jurídico brasileiro. . O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: . que impôs aos profissionais do Direito uma nova formação.. será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. e neste último. numa visão mais humanista.. 205.. II – autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. . social e jurídica. reformas curriculares que tentavam estabelecer um "currículo mínimo". em 1961 e em 1972. Na tentativa de solucionar o tal problemas. direito de todos e dever do Estado e da família. 209 – O ensino é livre à iniciativa privada. A educação. Constituição. VII – garantia de padrão de qualidade.14 pensamento crítico. e o artigo 209. III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

serão destinados cinco a dez por cento da carga horária total para atividades complementares ajustadas entre o aluno e a direção ou coordenação do curso. Direito Penal. 1. Direito Tributário. doutrina e legislação.300 horas de atividades. fato que motivou o Ministério da Educação e a Ordem dos Advogados do Brasil a apresentarem novas reformas para os cursos de Direito. a obrigatoriedade de estágio de prática jurídica. [. 1º O curso jurídico será ministrado no mínimo de 3. um acervo jurídico mínimo de obras. além de periódicos de jurisprudência. seminários. cuja integralização se fará em pelo menos cinco e no máximo oito anos letivos. Direito Administrativo. Senão vejamos: Art. compreenderá as seguintes matérias que podem estar contidas em uma ou mais disciplinas do currículo pleno de cada curso: I . Direito . 6º O conteúdo mínimo do curso jurídico. dentre outras exigências e mudanças. com o fim de regulamentar as diretrizes curriculares mínimas para os cursos do Direito no Brasil tais como a exigência da carga horária. Art.. simpósios.886/94. II – Profissionalizantes: Direito Constitucional. crédito ou outro). a fim de atender a nova perspectiva constitucional. conferências. 4º Independentemente do regime acadêmico que adotar o curso (seriado. Filosofia (geral e jurídica. Art. Direito Civil. além do estágio. iniciação científica e disciplinas não previstas no currículo pleno. atividades como a monografia jurídica. 5º Cada curso jurídico manterá um acervo bibliográfico atualizado de no mínimo dez mil volumes de obras jurídicas e de referências as matérias do curso. Sociologia (geral e jurídica). monitoria. a Portaria nº.] Art.. Surge desse processo de evolução trazido pelas novidades da Constituição Brasileira 1988.Fundamentais: Introdução ao Direito. Economia e Ciência Política (com teoria do Estado). extensão. incluindo pesquisa. ética geral e profissional).15 Houve uma pressão por uma melhoria no ensino jurídico. congressos.

Art. trouxe principalmente o incentivo à pesquisa e à extensão. de acordo com suas peculiaridades e com observância de interdisciplinariedade. Direito Processual Penal.. como indispensável prolongamento da atividade de ensino e como instrumento para a 5 BERTASI. 9º Para conclusão do curso. o trabalho de curso como componente curricular obrigatório do curso. p 18. o estágio curricular supervisionado. § 2º As atividades de prática jurídica poderão ser complementadas mediante convênios com a Defensoria Pública outras entidades públicas judiciárias empresariais.] Art. com tema e orientador escolhidos pelo aluno. 9/2004. disporá instalações adequadas para treinamento das atividades de advocacia. ou em juizados especiais que venham a ser instalados em dependência da própria instituição de ensino superior. São Paulo: Lex Editora. competências e habilidades do aluno. magistratura. que trouxe novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Direito por meio de um Projeto Pedagógico que abrange o perfil. será obrigatório e integrante do currículo pleno. a duração do curso5.16 Processual Civil. O Projeto Pedagógico à partir dessa resolução. Direito do Trabalho. as atividades complementares. Maria Odete Duque. a referida portaria foi revogada pela Resolução nº. será obrigatória apresentação e defesa de monografia final. Direito Comercial e Direito Internacional. o sistema de avaliação. § 1º O núcleo de prática jurídica. Ensino Jurídico no Brasil. comunitárias e sindicais que possibilitem a participação dos alunos na prestação de serviços jurídicos e em assistência jurídica. em um total de 300 horas de atividades práticas simuladas e reais desenvolvidas pelo aluno sob controle e orientação do núcleo correspondente. demais profissões jurídicas e para atendimento ao público. O estágio de prática jurídica. As demais matérias e novos direitos serão incluídos nas disciplinas em que se desdobrar o currículo pleno de cada curso. supervisionado pela instituição de ensino superior. 10. Ministério Público. coordenado por professores do curso. 2008. [. No ano de 2004. o regime acadêmico de oferta. perante banca examinadora. Parágrafo único.. os conteúdos curriculares. .

professor.17 iniciação científica. aperfeiçoado pela Resolução nº9/2004 apresentam o que todos gostariam de contemplar na realidade não apenas do ensino jurídico. instituição de ensino e objetivos do curso de Direito definidos pela Portaria 1. bem como os conteúdos teóricos desenvolvidos nos eixos a e b. capacidade de argumentação. Enfatiza uma sólida formação geral. a concepção e composição das atividades complementares e inclusão obrigatória do Trabalho do Curso. porém ao confrontarmos este quadro com o . b) o eixo de formação profissional. A referida resolução determina que no projeto Pedagógico e estrutura curricular do curso de Direito esteja pautada sobre três eixos: a) o eixo de formação fundamental. cujo objetivo é estabelecer as relações do direito com outras áreas. 3 A REALIDADE DO ENSINO JURÍDICO NO BRASIL O modelo de um quadro que envolve aluno. que desenvolva a capacidade de análise. além de postura reflexiva e de visão crítica que incentive a aptidão para a aprendizagem autônoma e dinâmica. humanística e axiológica. a forma de implantação e a estrutura do Núcleo de Prática Jurídica. que objetiva a integração entre a teoria e prática. dentre outras competências. domínio de conceitos e da terminologia jurídica. c) o eixo de formação prática.886/94. que engloba o conhecimento e o estudo contextualizado do Direito. mas do ensino de uma forma geral no Brasil. interpretação e valorização dos fenômenos jurídicos e sociais.

7 Morin. citado por Morin 8: "mais vale uma cabeça bem-feita do que uma cabeça cheia". Epistemologia e didática: as concepções de conhecimento e inteligência e a prática docente. porque alcança desde o ensino infantil até todos os outros níveis. A cabeça bem-feita. ensinar a viver) e ensinar como se torna um cidadão". o problema abrange uma proporção muito maior. Reformar o pensamento. Nota-se que ao tratar do ensino jurídico. Edgar. contudo em cada sociedade essa crise se apresenta com características próprias e para cada cultura o problema possui suas causas peculiares. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. no Brasil. Cientistas de vários ramos do conhecimento e em todo o mundo discutem sobre a crise educacional. observamos um verdadeiro abismo entre o modelo definido e o resultado final. 2003. estão associadas a fatos notórios: a falta de recursos. "a educação deve contribuir para a autoformação da pessoa (ensinar a assumir a condição humana. ao mau funcionamento das escolas. e todo esse conjunto de problemas culmina no maior de todos eles: a uma perda qualidade e de valores que sofre a educação durante todos esses anos6. ao despreparo e à baixa remuneração dos professores. deve estar inserida nessa idéia como um todo uma perspectiva de ensino com qualidade. ed. 65. 8. Repensar a reforma. Nilson José. . É notório que o problema que se refere à deficiência na qualidade de ensino não se restringe ao ensino jurídico. descaso do Estado. ainda é muito dinâmica se comparada com os métodos 6 MACHADO. Cabe aqui relembrar Montaigne. 288. embora possua evolução defasada diante da velocidade com que ocorrem as mudanças sociais. 1995.18 que ocorre na realidade do resultado produzido pelo ensino jurídico. Como nos ensina Edgar Morin7. A ciência do Direito. p. 8 Op cit. Essas causas. São Paulo: Cortez. p.

criaram um grupo de trabalho. na expressão de uma preocupação que possui o mesmo viés da preocupação com o ensino jurídico apresentada no presente trabalho. que nos remete a uma reflexão sobre os métodos de ensino utilizados e de que maneira esses estão contribuindo efetivamente para o processo de aprendizagem dos alunos.207. Florianópolis. com o fim de avaliar a qualidade do ensino médico no Brasil. que ainda não são suficientes para estimular o raciocínio e a destreza necessários a um profissional operador do Direito 9. J. que é consumida em quase sua totalidade em um ciclo de memorizar conteúdos para as provas. A ousadia de um novo ensino jurídico: interdisciplinaridade e aprendizado por problemas. p. os problemas jurídicos que ocorrem na sociedade. a Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM) e o Conselho Federal de Medicina (CFM). 3. Uma das mais importantes tarefas desse profissional é resolver demandas. Fundação Boiteux. V.1 Estudo e análise sobre a qualidade do curso de Medicina e um comparativo com o curso de Direito. . No final da década de 90. em Cuiabá. 2004. In: ANUÁRIO DA ABEDi. na ocasião do XXVIII Congresso da ABEM.19 ultrapassados e engessados que são aplicados na realidade do ensino jurídico. 9 TAGLIAVINI. Resulta também dessa realidade a deficiência do ensino jurídico o alto índice de reprovação dos alunos no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). no entanto o aluno do curso de Direito pouco se depara com essa situação em sua vida acadêmica.

que assumiu. Foram promovidas várias reuniões. mesas redondas.COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL NACIONAL DE AVALIAÇÃO DO ENSINO MÉDICO. A análise resultante desse trabalho que durou 4 anos foi a seguinte12: 10 CURRICULAR. foi então criada. no Canadá.br/wordpress/um-longo-caminho- . administrativos e econômicos. Fortaleza. Os dados coletados nessa fase descrevem as condições das Escolas quanto a aspectos políticos. seu papel na assistência e na pesquisa e ainda. Imprensa Universitária 2001. Disponível em: <http://www. os recursos humanos e o médico formando 11. Foi feita também uma análise do modelo pedagógico. Criou-se então o PROJETO CINAEM do qual participaram 76 das 80 Escolas Médicas então existentes no País. Comissão de Reforma. contratado através do Programa de Professor Visitante Estrangeiro da CAPES. 12 CURRICULAR. ao grau de adequação do médico recém-formado às demandas sociais. com convidados locais e de outros Estados. visando sensibilizar os docentes.20 A partir dessa iniciativa.br/wordpress/um-longo-caminhopercorrido/historia/inicioatehoje/curriculo/ formatar>. Comissão de Reforma. ao modelo pedagógico adotado pela escola. 11Op cit. em 1991. Imprensa Universitária 2001. a CINAEM . quanto aos recursos humanos e materiais. Projeto pedagógico: currículo do Curso de Medicina. A atividade desses grupos de estudo foi subsidiada por vasta literatura e foram realizadas algumas visitas técnicas a escolas médicas no Brasil e no exterior sob o acompanhamento do Dr.fisfar. PhD em Antropologia pela Universidade de McMaster.ufc. Disponível em: <http://www. simpósios e seminários abordando temas relacionados à educação médica. um movimento em prol da reforma do ensino médico10. Andrea Caprara.ufc. conscientizá-los da necessidade das mudanças e estimulá-los a participarem do processo de transformação do currículo. Projeto pedagógico: currículo do Curso de Medicina. o papel de articular técnica e politicamente. Fortaleza.fisfar. em nível nacional. conferências. Acessado em: 05/11.

a ciência médica forma um percorrido/historia/inicioatehoje/curriculo/ formatar>. pouco criativas. nem mesmo dentro do mesmo semestre.21 a) O modelo pedagógico vigente. subutilizada. O sistema de avaliação do docente é inadequado e não existe avaliação do currículo. coerência ao Curso. o que não favorece o desenvolvimento. faltando. no futuro profissional. h) São poucas as oportunidades de treinamento em equipe. da criatividade e da responsabilidade pelo autodesenvolvimento. e o presente trabalho possui como objeto de estudo o ensino jurídico. com ênfase a aulas teóricas e aulas práticas. c) O Currículo está fragmentado numa série de disciplinas isoladas. b) A grade curricular apresenta incorreções na seqüência de disciplinas e a carga horária é mal distribuída e. analisado à partir do objetivo de formar o profissional com o perfil que a sociedade necessita. g) O aluno assume um papel totalmente passivo no processo de ensino-aprendizagem. muitas vezes. dentro do cenário mais provável para os próximos 20 anos.(Grifos nossos) Embora toda essa análise tenha sido feita no entorno dos cursos de Medicina. As fontes de informações dos alunos restringem-se praticamente ao professor e às anotações de aula. Acessado em: 05/11. . em geral. longe das comunidades. muitas vezes “teorizadas” e que ocorrem em condições inadequadas. da capacidade de análise e de decisão. Não há integração entre as disciplinas básicas e profissionalizantes. e) As metodologias educacionais utilizadas são. portanto. tornando-se descomprometida com a transformação da sociedade. d) As avaliações induzem à memorização e são descritas como muito estressantes. i) A formação do médico ocorre centrada nas figuras do Médico/Professor e do paciente. f) As turmas são numerosas e o problema é agravado por transferências de alunos de outras Escolas. foi considerado inadequado pela comunidade interna.

Disponível em: <http://www. explica-se a invocação dos deuses e espíritos para medicar o homem primitivo. Normas que atuam não apenas na esfera individual. Vejamos: 13 FREITAS.br/sodime/artigos/direito_medico_geraldo_artigo. uma vez que a situação se assemelha em vários aspectos. considerando ainda que ambas atuam na defesa da dignidade humana. sendo então responsável por aplicar uma solução eficaz para tal problema. Diante desse quadro. em muito se identificam com os dos cursos superiores de uma forma geral.htm>. e desses estudos feitos com base nos cursos de Medicina do Brasil. falhas e dificuldades e soluções encontrados no ensino da Medicina. Aqui ousamos comparar essa atuação à do operador do Direito. .com. podemos traçar um paralelo com os cursos de Direito. cuja dinâmica profissional será buscar a solução de problemas sociais.ibemol. estabelecendo critérios e normas reguladoras essenciais para a convivência e o equilíbrio sociais. e da necessidade de se buscar curas para os seus males corporais e espirituais. A Medicina surgiu com o aparecimento do primeiro homem neste planeta. José Geraldo.22 profissional que estará diante de problemas a serem identificados. Enquanto o Direito surgiu da necessidade de defender o homem contra toda a forma de qualquer violência. A necessidade da união da prática e da teoria na Medicina e no Direito é um dos pontos convergentes dessas duas ciências. analisados. Direito Médico. Acessado em: 10 de Novembro de 2012. mas também no âmbito institucional público e privado 13. Os problemas.

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a) O modelo pedagógico vigente no ensino superior, apoiado na metodologia tradicionalista com o excesso de aulas expositivas é o mesmo, de uma forma geral. b) A grade curricular separa as disciplinas práticas das teóricas, as práticas jurídicas são suprimidas e separadas, um exemplo é o fato de as disciplinas de Direito Processual Civil, Direito Processual Penal e Direito Processual do Trabalho estarem separadas das disciplinas de Prática jurídica (Estágio). c) As avaliações induzem à memorização e não são menos estressantes e da mesma forma, as fontes de informações dos alunos estão muito concentradas ao professor e às anotações de aula. d) As metodologias educacionais utilizadas são da mesma forma, pouco criativas de uma forma geral, com ênfase a aulas teóricas expositivas. e) O aluno assume na educação de uma forma geral, um papel totalmente passivo no processo de ensino-aprendizagem, o que não prejudica o seu desenvolvimento de forma geral, tal qual ocorre nos cursos de medicina. f) A formação do advogado também longe da realidade dos escritórios , dos tribunais, das delegacias, dos fóruns e das comunidades, de uma forma geral. Pensar em métodos de ensinos que, além de facilitar a aprendizagem, viabilizem a conexão entre teoria e prática de modo a facilitar a aprendizagem da própria teoria pela prática, permitindo ao aluno a compreensão de forma eficaz tornando-o de fato habilitado para sua futura

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atuação, é colaborar, sobretudo com uma sociedade que necessita desses bons profissionais e por fim, permitir que se concretize a função social do operador jurídico e do próprio Direito.

4 O ENSINO NA CONCEPÇÃO BANCÁRIA: UM GRANDE VILÃO

O critério de seleção para a contratação do corpo docente do curso de Direito desde que este fora implementado no Brasil, limitava-se à figura de um profissional operador jurídico com reconhecimento na sociedade, ou por estar entre os melhores práticos. Tal critério por ser mínimo tornou grande a oferta de mão-de-obra docente, o que contribuiu para o aumento do número de instituições que ofereciam o curso de Direito no Brasil. Atualmente os critérios são mais exigentes, visto que para compor o corpo docente de um curso de graduação, é necessário que o profissional possua no mínimo alguma especialização técnica. No entanto ministrar aulas sem conhecimento pedagógico e didático, torna-se um grande

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problema para um advogado, juiz, procurador, defensor público, ou seja qual for a sua especialidade na área jurídica, pois estará em uma sala de aula tendo diante de si as algumas das mais nobres tarefas da humanidade: ensinar, educar. Sem uma formação com bases em técnicas pedagógicas, o operador jurídico em sala de aula acabará por reproduzir a velha e ultrapassada metodologia com a qual foi ensinado em sua vida de estudante, limitando-se a aulas meramente expositivas, em um interminável depósito de informações que reproduzem conteúdos para serem memorizadas pelos alunos. Essa forma de ensinar, arcaica, e que se propaga por gerações, carrega em si uma pedagogia eminentemente tradicionalista, na qual a figura do professor é o sujeito central da aprendizagem em que se privilegia a memorização dos conteúdos, o que prejudica o verdadeiro conhecimento, o aluno não é estimulado a pensar e fazer reflexões, muitas das informações explanadas são descontextualizadas do cotidiano e da realidade em que vivem. Estamos assim diante de um grande vilão que muito contribui para crise pedagógica existente nos cursos de ensino superior, segundo o brilhante Paulo Freire 14 em sua concepção de educação bancária. O autor desse termo o explica da seguinte forma: “o educando recebe passivamente os conhecimentos, tornando-se um depósito do educador. Educa-se para arquivar o que se deposita.” Explica ainda o autor15 que essas aulas, entendidas como narradas ou dissertadas criam a figura do sujeito narrador, e dos objetos pacientes ouvintes: os educandos. Sendo assim o objeto paciente na educação bancária é o educando, sujeito passivo da aprendizagem, que recebe

14 FREIRE, Paulo. Educação e mudança. 12. ed. Campinas: Paz e Terra, 1979. p.20. 15 Op cit.

que segundo Paulo Freire16 resume-se em “narração de conteúdos que. o educador bancário utiliza-se demasiadamente das aulas expositivas. porém através da busca e da prática. E o melhor educando será aquele que maior quantidade de depósitos puder absorver. pois contribui com seu conhecimento e seus esforços para obter um acúmulo de informações. Vera. apenas mudar a metodologia não é o bastante. sendo assim estimulado. sejam valores ou dimensões concretas da realidade”. ocorrendo uma troca na qual o aprendizado se constrói. Por outro lado.ed São Paulo: Paz e Terra. Dessa maneira. Paulo. melhor será. 17 BARRETO. Faz-se necessário apresentar ao corpo docente um leque de outras opções em termos de métodos didáticos que sejam aplicados em suas aulas. de modo que o método expositivo deixe de ser seu único recurso. . 29. considerando aquilo que ele já sabe. o indivíduo na perspectiva de sujeito. O educando aqui é sujeito ativo no processo de aprendizagem. Paulo Freire para educadores. limitando assim o aprendizado que poderia ser adquirido até mesmo por informações soltas e muitas vezes desconectadas. e não objeto. por isto mesmo.66. p. Ocorre que não há como alcançar resultados melhores persistindo nos modelos educacionais do século XV. São Paulo: Arte & Ciência. O docente ainda encontra-se preso a uma grade curricular mal distribuída e que necessita ser cumprida dentro de 16 FREIRE. 1998. O método bancário nega ao aluno a educação e a aprendizagem como processos de busca. 2004 p.26 os depósitos realizados educador. No entendimento de Vera Barreto17. Quanto mais conteúdo para depositar possuir o educador. Pedagogia da Autonomia. traduzindo-se em um conhecimento vazio ou um não conhecimento. tendo como método de ensino apenas aulas expositivas. cansativas e sem atrativos. 57. atua com esforço próprio no processo de aprendizagem para construir o seu saber. tendem a petrificar-se ou a fazer-se algo quase morto.

Para que mudanças ocorram faz-se necessário que de uma forma geral : • distribuição da carga horária e das disciplinas favoreça a conexão da teoria com a prática. P.27 um número x de horas. no qual devem ser estabelecidas as metas e estratégias a serem alcançadas em um determinado espaço de tempo. esse se dá. Horácio Wanderley. 2004. II. 398-399. • os alunos sejam conscientizados e pela equipe pedagógica da instituição e pelo corpo docente das novas metodologias aplicadas e de sua importância no processo de aprendizagem. p. também. Florianópolis: Fundação Boiteux. 61) 19 RODRIGUES. Santa Catarina. em especial. cumprindo a exigência 18 WARAT. cumprindo o que dispõe a Constituição Federal (CF) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Luis Alberto. Vol. editar resoluções e orientações através do Conselho Nacional de Educação (CNE) e dos Conselhos Estaduais de Educação (CEEs). • as instituições capacitem o corpo docente para a prática pedagógica mediante o conhecimento de metodologias de ensino que favoreçam uma formação mais crítico-construtiva. 2011. estabelecer as normas gerais de educação e estruturar seus sistemas de ensino. FUNJAB. b) às Instituições de Ensino Superior (IES) cumprirem sua missão e desenvolverem suas atividades em atendimento às Normas Gerais da Educação Nacional e ao PNE. através do Plano Nacional de Educação (PNE). . Educação Jurídica. de forma a cumprir seu papel no campo específico da educação. Epistemologia e Ensino do Direito: o sonho acabou. Quanto à responsabilidade de cada parte envolvida nesse processo. em sentido próprio. em matéria de planejamento. grade esta que por si só já desconecta a teoria da prática dificultando a inovações e mudanças significativas na qualidade do ensino jurídico18. afirma Rodrigues que caberá: 19 a) ao Estado.

d) aos professores. geográfica e social. e a inclusão obrigatória do Trabalho de Curso. • incentivo à pesquisa e à extensão. os conteúdos curriculares. através do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). quando o Estado define os grandes princípios que irão nortear os seus sistemas educacionais já está planejando. as atividades complementares. quando houver. • cargas horárias das atividades didáticas e da integralização do curso. Pode-se afirmar. esse planejamento se dá. suas peculiaridades. • concepção e composição das atividades complementares. suas diferentes formas e condições de realização. e do Projeto Pedagógico Institucional (PPI). como necessário prolongamento da atividade de ensino e como instrumento para a iniciação científica. os seguintes elementos: • concepção e objetivos gerais do curso. • condições objetivas de oferta e a vocação do curso. • formas de avaliação do ensino e da aprendizagem. • modos da integração entre graduação e pósgraduação. se coloca o planejamento de cada disciplina específica. a duração do curso. contextualizados em relação às suas inserções institucional. bem como a forma de implantação e a estrutura do Núcleo de Prática Jurídica. o mesmo ocorre quando edita a LDB e demais normas gerais da educação nacional. para o Curso de Direito exige-se que o projeto pedagógico abranja o perfil do formando. o regime acadêmico de oferta. o sistema de avaliação. o trabalho de curso como componente curricular obrigatório. • concepção e composição das atividades de estágio curricular supervisionado. seu currículo pleno e sua operacionalização. que deve conter os objetivos e estratégias para um período de 5 anos. de certa forma.28 constitucional de manutenção e elevação de qualidade. o estágio curricular supervisionado. . e contenha. política. sem prejuízo de outros que o tornem consistente. • formas de realização da interdisciplinaridade. • modos de integração entre teoria e prática. as competências e habilidades. que deverão conter a clara concepção do curso. dentro desse contexto. que o primeiro planejamento é o que está inscrito na CF. e c) aos diversos cursos de cada IES estruturarem seus Projetos Pedagógicos de Cursos (PPCs). Sobre a liberdade de ensinar das Instituições de Ensino Superior ver em especial.

. etc. em um interminável depósito de informações que reproduzem . não significa necessariamente ser um bom professor. por advogados. Ser um bom juiz. juizes. porém demonstra que para cada atuação. por exemplo.. O prático operador do Direito se colocado à disposição do ensino superior sem conhecimentos pedagógicos necessários para uma atuação consciente e eficaz. limitando-se a aulas meramente expositivas. procuradores. defensores públicos. acabará por reproduzir as velhas e ultrapassada metodologia com as quais foram ensinados. ou procurador. Da mesma forma que um excelente professor pode ter grandes dificuldades de desempenhar algumas tarefas jurídicas práticas. conhecimentos específicos são necessários. E isso não desqualifica um nem outro. quase que em sua totalidade.29 5 O PROFESSOR: APRENDER E ENSINAR O corpo docente dos cursos de Direito é formado.

pp. 21 PASSMORE. p. qual a importância dessa cadeira na educação geral do aluno. Paz e Terra. O profissional do corpo docente da área jurídica deve ser conscientizado dessa realidade desde que é admitido como professor em uma instituição de ensino. A instituição deve colocar em prática a sua função de apoio pedagógico. defende que ao começar a ensinar uma cadeira. esse profissional correrá um grande risco ao ministrar aulas com graves erros de metodologia. dando a este o suporte de conhecimento didático para 20 FREIRE. in science. e flexibilizar seu modo de agir. reprint . como de forma irreverente comenta o grande filósofo australiano John Passmore. Explanation in everyday life. and in history. O professor reflexivo entende que aprender decorre do livre pensar e que essa liberdade estimula a aprendizagem. New York. . John.. se não teve em sua formação preparação de cunho pedagógico ou metodológico para o ensino. 26ª ed. como o conhecido modelo de concepção bancária tão condenada por Paulo Freire 20. P. pois estas poderão tornar-se “inaudíveis”. Ao contrário. e o que escrevem no quadro poderá tornar-se “invisível” para os alunos. sob quais critérios o fará. 1965. o professor deveria ser estimulado a pensar nela de modo especial. 22 Op cit. Rio de Janeiro. não está preparado ainda. 58. Deve ser orientado pela equipe pedagógica e ter consciência de que mesmo conhecendo profundamente a ciência jurídica. 1999.30 doutrinas para serem memorizadas pelos alunos. e promover a abertura docente para conhecer o inédito. Faz-se então necessário abrir mão de um formato engessado de tentativa de ensinar. a questionar-se quanto ao objetivo de ensiná-la. Pedagogia do oprimido. 105.21 Passmore22 afirma ainda que a formação de professores deveria ser estendida aos docentes universitários.

Não estamos mais na época em que o aluno dependia quase que totalmente do professor para que a informação pudesse alcançá-lo. que ainda sem técnica e sem parâmetros deverá ser trazido para discussão em sala de aula. fazer com que o aluno não mais espere conteúdos apenas explanados pelo professor. Uma transmissão autoritária do conhecimento gera como resposta a passiva memorização dos alunos. John. a realidade da vivência prática profissional da disciplina ou das disciplinas referentes. seja capaz de incentivar seus alunos a participarem de maneira diferente nesse processo. como lembra 23 DEWEY. Dicionário de filosofia da educação. GINGELL. Considerado o pai do pragmatismo americano. John. exercendo nessa discussão. nas apostilas. nos sites de pesquisa da internet. aplicando e aliando à prática as informações pesquisadas por seus alunos. . 183. O professor deve instigar o aluno a buscar esse conteúdo. Dewey23 define educação como a reconstrução ou reorganização das experiências que se somam ao significado de experimentar. a sua atuação docente. para que consciente disso. pois. O docente deve utilizar de forma positiva essa realidade. e o acesso a tudo isso é instantâneo. e que uma vez anotados em um caderno sejam depois memorizados para o dia da avaliação. A boa formação profissional também está associada ao exemplo do professor. de forma contextualizada com a realidade do aluno. Petrópolis: Vozes. como facilitador desse conhecimento: orientando. 1978. Christopher. selecionando. reflexiva e crítica. o bloqueio de sua capacidade criativa. Não é o professor o detentor de todo o conhecimento. Vida e educação.31 que compreenda a importância do seu papel no processo de ensino-aprendizagem. São Paulo: Contexto. 2007. In: WINCH. conteúdos estão prontos nos livros. e o experimentar é o que aumenta a capacidade de conduzir o curso de experiências subsequentes. P. corrigindo desvios.

Disponível em: <http://jus. agir. ditatorial. quando necessitei estudar essa disciplina novamente.32 Rubem Alves24. Campinas: Papirus. São Paulo: Larousse do Brasil. ano 7.com. Acesso em: 12 nov. 60. visto que o professor também é um líder. Jus Navigandi. é inerente do que possui esse direito ou poder. 25 DEWEY.ed. No dicionário. Autoridade é o direito ou poder de fazer-se obedecer. Dicionário Ilustrado da Língua Portuguesa. tomar decisões. 1 nov. 1978. prestígio. Teoria e técnicas didáticas propostas ao ensino de Direito . n. uma autoridade sem limites. e não como um ditador”.br/revista/texto/3519>. e acabará despertando o contrário26. 2004. o professor também interage com os estudantes através de uma linguagem não verbal. que todo líder deve trazer consigo. Conversas com quem gosta de ensinar. Rubem. a favor do princípio de submissão cega à autoridade27. 2012. e eu desenvolvi uma aversão a desenho técnico. o que me causou problemas em minha formação em eletrônica. de dar ordens. Quantos de nós nos lembramos de algum professor da escola que teve a incrível habilidade de despertar um pavor por alguma disciplina? O professor que tive na infância de desenho técnico gritava na sala. influência. Existe uma sutil diferença entre autoridade e autoritarismo. Autoritário é o que se firma numa autoridade forte. 2002 . . 9. e é necessário que o professor esteja consciente e atento ao que está sendo transmitido para os seus alunos através desta expressão física. e não se deve confundi-la com autoritarismo. Petrópolis: Vozes. mas dessa maneira dificilmente despertará no aluno o prazer pelo conhecimento. Azor Lopes da. ou seja. 26 SILVA JÚNIOR. Para Dewey25 o professor é um líder intelectual de seus alunos. Vida e educação. e como tal precisa agir “como um líder. impositivo. Eis o equilíbrio: a autoridade não pode ser vista como um bloqueio do pensar do outro. O professor autoritário imporá a disciplina. John. 2006. com 24 ALVES. dominador. Teresina. 27 LAROUSSE. revestido de autoritarismo.

. Nesse sentido. fazendo do aluno uma “máquina” que não possa expressar a sua individualidade. 29. porém realizada de forma eficaz.33 exagero. ensina Paulo Freire28: A autoridade. juízes. defensores. Mas é importante que ao entrar em sala de aula. a sua insatisfação ou angústia sobre um determinado assunto ou norma estabelecida. não é de toda errada e sim necessária. delegados. No corpo docente jurídico existem muitas personalidades que refletem enorme respeito perante a sociedade: grandes advogados. Pedagogia da Autonomia. sendo esse então capaz de adequar seu comportamento a determinadas regras. procuradores. Paulo. a indumentária social que trajam pela notoriedade de suas profissões seja substituída por outra.ed São Paulo:Paz e Terra. conduz o discente a se disciplinar. 2004. sendo um produto da relação professor-aluno. definidas por ele ou não. promotores. 28 FREIRE. que possui nobreza tão grande quanto: a de professor.

Alberto. p. P. Perspectiva. São Paulo. Das arcadas ao bacharelismo. Recomendava ainda e especialmente para os professores de Direito Processual. Porto Alegre. sem que folheiem um processo. 30 OLIVEIRA. que estes não se contentassem somente com a teoria.. 1977. mas também as de Direito Processual do Trabalho e Direito Processual Penal. que recomendavam que os Estatutos da Universidade de Coimbra não fossem adotados porque eram pouco voltados às decisões práticas. sem que o aluno redija uma peça processual. André Macedo. . Infelizmente. um Inquérito Policial. geralmente são ministradas sem que o aluno assista a uma audiência. 2ª ed. Discussões acerca da necessidade de conectar a teoria e prática no ensino jurídico repercutem na história desde que os cursos de Direito surgiram no Brasil.34 6 A TEORIA E A PRÁTICA JUNTAS – A NECESSIDADE DE NOVOS MÉTODOS. haja vista que a finalidade desta disciplina é exatamente a aplicação prática no foro29. porém não deixa de ser também teórica quanto ao modo de estudar e de saber. 357.1994. SAFE. Sendo 29 VENANCIO FILHO. Oliveira30 nos ensina que o Direito é uma ciência eminentemente prática quanto ao seu fim. Ensino jurídico: diálogo entre teoria e prática.184. não apenas as disciplinas de Direito Processual Civil. Na carta sancionada por Dom Pedro I em 11 de agosto de 1827 já apareciam citações dos estatutos de Visconde de Cachoeira.

Brasília. 1. Resolução nº. e nela três pontos centrais foram debatidos: a) a aptidão para resolver problemas.2004. embora tenha revogado a Portaria n. Diário Oficial da União. como não há vantagem alguma em se utilizar usar um método exclusivamente prático. realizada em Paris 1998. tampouco há vantagem em usar um método predominantemente teórico. c) aprendizagem interdisciplinar. p. n. A Portaria nº. Essas diretrizes na mesma linha da Lei nº. 01 de out. no qual sejam ensinados o fundamento e a aplicação fatídica.35 assim. 189. trouxe normas que enfatizam a necessidade de conexão da teoria com a prática no currículo do curso de Direito31. Percebe-se que a formação do profissional advogado ou operador jurídico deve estar amparada em uma atuação prática prévia. b) a orientação para a prática. no ensino jurídico.º 09 de setembro de 2004. 31 CNE. Na Conferência Mundial sobre o Ensino Superior.º 1886/94. A Resolução n. 18. . que instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Direito.886/94 do Ministério da Educação deu ênfase ao estágio curricular para o Curso de Direito e estabeleceu diretrizes para seu conteúdo.394/96 – LDB e apontam para uma atividade de estágio eficaz com condições de formar o profissional eficiente. o tema em destaque foi sobre as tendências da Educação Superior para o século XXI. O que portanto convém é um método misto teórico e prático. um método analítico-sintético. de 09 de setembro de 2004. 9. 09. estático e dinâmico.

problema semelhante aplica-se a cursos de outras áreas. de se reformular o ensino jurídico têm sido superficiais e dispersas pelos seguintes fatores: em primeiro lugar. aplicando técnicas pedagógicas. incentivando a participação dos alunos. 1996. em segundo lugar. porque as reformas sempre sofreram a resistências das elites tradicionais. otimizando e aprimorando suas aulas. trazemos as palavras de Bastos32: As recentes tentativas. pois em todo o tempo do curso essa conexão deve ocorrer. Basta que de uma forma geral os alunos. no caso que nos interessa diretamente. o estágio não pode ser o único elo entre a teoria e prática. Embora o estágio seja de fato o acontecimento da prática jurídica. P. que sempre viram nos 32 BASTOS. e subutilizam o todo o trabalho educacional. O Novo Currículo e as Tendências do Ensino Jurídico no Brasil. A prática transforma a teoria uma realidade palpável. A tecnologia e a quantidade de recursos que através dela o professor pode explorar. a integração entre ambas deveria ocorrer durante todo o Curso. que acrescentem vida às aulas expositivas que tanto cansam os professores e os alunos.294. Aurélio Wander. Todavia. DF. não se pode esperar que o aluno participe de aulas práticas somente no estágio. em função dos reflexos no exercício profissional dos futuros operadores do Direito. em nível de graduação.36 Ocorre que embora as atividades teóricas e práticas ganhem maior ênfase no estágio curricular obrigatório. . De fato a separação entre teoria e prática na formação universitária não é peculiar ao Direito. professores e instituições de ensino busquem uma nova forma de aprendizagem. porque reformular os currículos jurídicos implica. ou seja. Brasília. sempre e necessariamente. reformular as formas institucionais de se pensar a organização da produção e da convivência social. sem contar o que mais sua criatividade pode acrescentar.

37 currículos jurídicos fórmulas eficazes de acomodação social e. e até com privilégios concedidos historicamente a certos segmentos na sociedade brasileira. P. Por outro lado. levantamos um questionamento: se ocorresse uma possível mudança na grade curricular do curso de Direito. a grade curricular necessita ser revista. em terceiro lugar. quais 33 SINGER. profissão e estrutura social. porque as reformas nunca refletiram os resultados de estudos sistemáticos sobre as necessidades ou exigências de se adaptar o conhecimento jurídico ao processo de desenvolvimento e mudança social. Estamos diante de fortes vínculos entre uma tendência conservadora na estrutura e no funcionamento de nossa sociedade. 62. Paul. e indubitavelmente modificada. 2010. de reformas curriculares. que apresenta vínculos umbilicais com direitos e deveres. ou fica muito pequena. e as iniciativas sempre frustradas. fica tão clara. é tão óbvia. e com isso concorda Paul Singer 33 ao afirmar que: “A disfuncionalidade do que se ensina. em relação ao que se precisa. que promovesse a união da teoria com a prática.” Ocorre que para que a prática e a teoria estejam realmente juntas no curso de Direito. É de fato uma realidade desmotivadora. especialmente em uma área do conhecimento como a jurídica. . Diploma. É necessário que as instituições levantem esse questionamento junto ao MEC. como ocorreu no exemplo já apresentado em capítulo anterior pelos cursos de Medicina cuja grade curricular já sofre alterações em função dessa necessidade de mudança de metodologias e de maior aplicação da teoria juntamente com a prática. que a motivação desaparece.

A reforma curricular nos cursos jurídicos e a portaria n. CIDADANIA E MERCADO DE TRABALHO. Anais. vejamos o que diz Rodrigues34: Daí a crítica de que todas as reformas até hoje realizadas partiram do plano exógeno. com a finalidade de atingir o plano endógeno do curso. o remédio curricular. E se o ensino jurídico fosse presenteado nesse momento com uma alteração nesse sentido em sua grade curricular. O tipo do medicamento geralmente aplicado. ou seja. Faculdade de Direito.º 1. 1995. no entanto nenhuma delas resolveu o divórcio entre a teoria e a prática. In: I SEMINÁRIO NACIONAL DE ENSINO JURÍDICO. Nesse ciclo de reprodução histórica de um padrão nos cursos de Direito.Curitiba: UFPR. nunca se demonstrou ideal para a patologia em questão. estariam então professores. como se propunha com a Escola Nova. agora. pois o arquétipo liberal vem sendo mantido e. . (1995: Curitiba). alunos e instituições de ensino despreparados para essa nova realidade. Horácio Wanderlei.38 seriam os efeitos impactantes se as metodologias aplicadas em sala de aula permanecessem as mesmas? Neste sentido. o seu "ponto de produção" ainda não pôde ser atingido de dentro para fora. As alterações já feitas nas grades curriculares de fato se fazem numerosas ao longo de toda a história do curso de Direito no Brasil. 34 RODRIGUES. p. revigorado pela tendência do Estado Neoliberal.126.886/94MEC. na evolução do ensino jurídico no Brasil ainda não ocorreu uma reforma voltada para a construção de inovações pedagógicas dentro das salas de aula.

segundo evidencia Sérgio Rodrigo Martinez37. 17. mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”.1. CIDADANIA E MERCADO DE TRABALHO. A metodologia utilizada nos dos Cursos de Coimbra. ano 52. San Tiago.886/94MEC. P. ainda que a grade curricular do curso de Direito permaneça arcaica. 188. Curitiba: Juruá. 36 DANTAS. Ed. Manual da educação jurídica.Curitiba: UFPR. o resultado natural foi sua inclinação para a pedagogia tradicional". Revista Forense. uma nova metodologia. Uma nova metodologia é um grito que ecoa pelos corredores da academia.87. maio/jun. 2003. 2004. A educação jurídica e a crise brasileira. Teoria e prática – a necessidade de novos métodos.39 As mudanças necessitam ocorrer de fora para dentro e de dentro para fora. 37 MARTÍNEZ. e do corpo docente muito bem amparado por uma eficiente equipe pedagógica. Anais. 1995. 35 RODRIGUES. P.º 1.159. San Tiago Dantas36 já considerava como sendo a verdadeira educação jurídica aquela que estaria próxima da vida prática. "como foi insubsistente qualquer tentativa de avanço pedagógico. In: I SEMINÁRIO NACIONAL DE ENSINO JURÍDICO.126. e distante da didática tradicional baseada na “meditação em voz alta e na eloqüência”. Paulo. certamente trajaria o curso de Direito de “roupas novas”. uma atitude endógena como descreve Rodrigues35 por parte da instituição. P. (1995: Curitiba). Rio de Janeiro. v. 6. Faculdade de Direito. 1955. Sérgio Rodrigo. 38 FREIRE. Pedagogia da Autonomia. Paulo Freire38 ensina que o educador deve estar ciente de que “ensinar não é transferir conhecimento. p. 29. São Paulo: Paz e Terra. A reforma curricular nos cursos jurídicos e a portaria n. Horácio Wanderlei. .

sendo este o principal agente. Na tentativa de contribuir para o reparo dessa situação. Paulinas. transmitia este saber em aulas expositivas e pouco interativas. através de seus anos de experiência em áreas especificas. interagindo de maneira ativa. tornando-se o estudante um agente passivo. com informações repassadas pelo professor. 1998. Metodologia da Aprendizagem por problemas. nem espaço para que o aluno desenvolva o auto-aprendizado. Neste modelo não há incentivo. 16. São Paulo. que envolvem questões. onde o mestre.”39 (Moran 1998) 6. além de todas as dificuldades que a educação encontra de forma geral. José Manuel. Certamente não existe uma fórmula mágica. Mudanças na Comunicação pessoal. quando nos damos conta de que a metodologia predominante é tão limitada e arcaica. pedagógicas. “O importante é aprender e não impor um padrão único de ensinar. sociais. culturais. e entre elas a metodologia intitulada Aprendizagem Baseada em Problemas ou ABP que é reconhecida como o que há de mais 39 MORAN. várias propostas de modelos inovadores de ensino-aprendizagem surgiram. políticas. econômicas. Esse método tradicional possui como base a orientação cognitiva. P. é impossível conter o questionamento acerca de qual seria então a metodologia ideal. .40 Esta afirmação é contraria o tradicionalismo predominante nas escolas de ensino superior. e tantas outras.2. Ora. uma metodologia de ensino que por si só resolva todas as mazelas do ensino no Brasil.

Coelho. A sua propagação por outras Faculdades de Medicina ocorreu lentamente. exercitando assim o que se espera que ocorra no decorrer da vida profissional. Direito. Dídia. interpretação e produção de possíveis justificações e soluções.41 moderno no ensino superior que estabelece uma estratégia pedagógica centrada no aluno. João Paulo. sendo também adotado em algumas faculdades no ensino superior da Arquitetura. o problema é utilizado como estímulo à aquisição de conhecimento e compreensão de conceitos contextualizados e pouco estruturados e para os quais se empenham em encontrar soluções significativas permitindo desenvolver o pensamento crítico dos alunos e 40 Peixoto. em que os alunos aprendem a aprender e se preparam para resolver problemas relativos à sua futura profissão – ocorre a união da teoria com a prática. ou recomendações. A metodologia ABP surgiu entre as décadas de 60 e 70 nas Faculdades de Medicina da Universidade de McMaster. O propósito é criar hábitos de estudo e de pensamento através da experiência reflexiva. 2004. . Engenharia. no Canadá. Daniela. investigação. Mota. Manuel. Casos do IESF Estudo de Caso: O Método ABP Caso Home Concept. O professor estabelece grupos de trabalho e acompanha os alunos no processo. Negócios"40. no qual será feita a identificação do problema. resoluções. na Holanda. Ocorre aqui um ensino integrado e integrador dos conteúdos. e depois de forma mais acelerada alcançando outras áreas do saber. melhorando o desempenho escolar dos alunos e promovendo a autonomia de aprendizagem e de trabalho em equipe. onde se busca o desenvolvimento da autoaprendizagem. Teixeira. dos ciclos de estudo e das diferentes áreas envolvidas. Neste método. Moreira. Paulo Sergio. debates. A técnica aplicada ocorre pela exposição de casos para estudo. e depois na Universidade de Maastricht.

Ensino por problemas: uma abordagem para o desenvolvimento do aluno. além de corrigir possíveis falhas ou desvios. daí a importância de que o contexto seja real e relevante para sua vida profissional. pois o ideal é que estas não lhe sejam oferecidas prontas. Acesso em: 03/11/2012. o professor conduzirá uma discussão entre os grupos. sendo o trabalho de grupo essencial para este processo. In: FREITAS. Problem-based learning in medicine and beyond: a brief overview. H. soluções mais criativas e novos caminhos já que surgem do trabalho em conjunto. O aluno deverá buscar as fontes de informação. e ao final fará as observações necessárias a fim de aprimorar o conteúdo construido pelos alunos. de maneira que todos apresentem e discutam as soluções encontradas. Os trabalhos de Howard Barrows41. enquanto compartilha idéias e informação dentro de uma pequena equipe de colegas. S.br/scielo. . em conjunto. Disponível em: < http://www. sintetizam os princípios gerais dessa metodologia da seguinte forma: 1. Deste princípio decorre a concepção de que organizar o ensino significa criar oportunidades de aprendizagem para os 41 BARROWS. de forma que este se sinta envolvido no problema e que a colocação das questões iniciais seja orientada pelo professor. Para concluir. Raquel Aparecida marra da Madeira. Estimular o aluno nesse processo é fundamental.scielo. de forma que ele mesmo possa estruturar a sua aprendizagem.php?pid=S1517-97022012000200009&script=sci_arttext>.42 construir. Ensino centrado no aluno e visando fortemente ao seu processo de aprender.

A aprendizagem é experiencial e seu contexto é altamente específico. o hábito de colaboração em equipe. 7. 4. 2. Portanto. interativa. Os problemas ou casos contêm desafios. numa situação específica. 8. verificando a pertinência de sua aplicação ao problema em um contexto determinado. Ao abrir também ao aluno a decisão acerca do que é importante aprender. (Grifos nossos) . são analisados os problemas que ocorrem em contextos reais. para. a escuta criteriosa e respeitosa.43 alunos. consultor. tutor) é criar situações-problema e coordenar sua solução. As ações do professor envolvem: a) formulação de diferentes tipos de problemas e possíveis estratégias de sua solução. 6. Aprendizagem ativa. síntese e julgamento. A partir daí. Contextualização do ensino. b) questionamento dos alunos sobre seu processo de aprendizagem com perguntas metacognitivas. o problema prático sempre precede a teoria. Desenvolver habilidades de formular idéias e verbalizá-las adequadamente requer do aluno a participação ativa e com senso crítico no trabalho em grupo. mentor. A solução do problema depende da aquisição de conteúdos / informações. é indispensável que os professores tenham dados sobre as aquisições que o aluno já possui acerca do assunto. orientador. co-aprendiz. 5. mas também da habilidade para sua análise. associando a aplicação de conhecimentos ao uso de habilidades. Consideração de aprendizagens anteriores . O papel do professor é de facilitador. definirem-se os objetivos de aprendizagem. e colaborativa . A relevância é tida como motivador primário dos estudantes por lhes permitir experienciar dimensões da profissão. c) estímulo da reflexão dos alunos sobre sua aprendizagem e desempenho. A aprendizagem é indutiva. 3. Compreendendo que a aprendizagem anterior pode tanto ajudar como dificultar o processo de novas aprendizagens. O papel principal do professor (instrutor. situações extraídas de contextos relevantes e reais da profissão. Só então os estudantes buscam conhecimentos teóricos que fundamentem e expliquem cientificamente a solução a ser dada. Os alunos aprendem analisando e resolvendo problemas na forma de casos ou narrativas acerca de complexos desafios do mundo real envolvendo o conteúdo estudado. Primeiramente. Responsabilização do aluno por sua aprendizagem . em seguida. o professor torna-o explicitamente responsável também pela definição do conteúdo. O problema ou situação-problema sempre antecede a teoria . deduzem sua solução.

os alunos autoavaliam-se. sem saber o que fazer com elas. Se nos dessem uma mala imensa. 3. Encontrada a solução do problema. os alunos recebem um problema para examinar. 42 BARROWS. Os alunos ordenam as questões apontadas por prioridade. sem saber como utilizá-las. Todos tentam buscar a solução e compartilhar os achados com o grupo. 5. 4.44 Interessante observar que na vida geralmente buscamos as teorias na medida em que precisamos delas.br/scielo. In: FREITAS.php?pid=S1517-97022012000200009&script=sci_arttext>. Acesso em: 03/11/2012. Organizados em grupos. Problem-based learning in medicine and beyond: a brief overview. . Barrows42 descreve ainda os passos básicos principais que compõem o caminho seguindo pelos alunos nesse processo de aprendizagem: 1. Raquel Aparecida marra da Madeira. Associar as teorias apresentadas em sala de aula às suas aplicações práticas é no mínimo um estímulo para quem está aprendendo. Disponível em: < http://www. como indivíduos e como coletivo. partindo dos conhecimentos que já têm. O grupo retoma as questões iniciais e integra os novos conhecimentos ao contexto do problema. S.scielo. e dar ao aluno a oportunidade de utilizá-las para resolver problemas no processo de aprendizagem e permitir que o aluno seja parte ativa nesse processo. quando e onde elas serão investigadas. H. 2. como. talvez ficássemos meio perdidos. discutir e definir como solucioná-lo. planejam e determinam quem. Os alunos identificam aspectos ou dimensões do problema que não compreendem ou não sabem (questões). na mediada em que as situações do dia-a-dia nos estimulam a buscá-las. Ensino por problemas: uma abordagem para o desenvolvimento do aluno. cheia de teorias.

Regina Helena Petroni. contribui para formar hábitos de aprendizagem autônoma. O principal mérito é situar o conteúdo de aprendizagem contextualizada de exercício profissional. na qual os estudantes são desafiados a problematizar. dar significado e entender as 43 MENNIN. de soluções mais criativas e novos caminhos. de forma que a solução para o problema esteja associada ao tema que o professor planejou trabalhar com os alunos. existem muitas outras.45 Quando o aluno é colocado no centro do cenário de aprendizagem. Univesidade Federal de São Paulo. em conjunto.scribd. Logicamente esse método não será aplicado em todas as aulas. além da construção. uma vez que surgem do trabalho em conjunto. mas é necessário que se permita que o novo não esteja preso à teoria. Aprendizagem baseada em problemas –abp.com/doc/90049922/Position-Paper-1357-6283v16n1s17-713665182-port>. As aulas puramente expositivas não são a única alternativa. mas ele contribuirá em várias situações. A Aprendizagem Baseada em Problemas permite desenvolver o pensamento crítico dos alunos. Escola Paulista de Medicina. .Vejamos o que nos dizem Mennin e Majoor 43. pesquisar. Acessado em: 12/11/2012. Evidências indicam que a participação activa na aprendizagem é mais produtiva do que a transferência passiva de informações do professor ao estudante e que a aprendizagem activa incrementa a retenção e a recordação. Disponível em:< http://pt. A sugestão é que essa metodologia seja aplicada no decorrer das aulas. o método de aprendizagem é apenas uma delas. O ABP enfatiza a aprendizagem activa centrada no estudante. através do professor e do apoio da equipe pedagógica da instituição de ensino. iniciativa e capacidade resolutiva. e aconteça na prática em sala de aula. motivando o aluno e fazendo com que ele desenvolva senso de responsabilidade pela solução dos problemas. reflectir.

A expansão exponencial do conhecimento exige que os estudantes sejam capazes de formular perguntas bem elaboradas. através do ABP. mais próximo. recuperar informações refinadas e utilizar habilidades de avaliação. uma vez que desenvolvem abordagens para a solução de problemas específicos em um contexto relevante à futura carreira profissional. O ABP fornece condições para o desenvolvimento e a prática da aprendizagem auto-dirigida . 6. A idéia é que dessa forma. educador seja visto de maneira. de forma que as cadeiras ou carteiras fiquem dispostas. principalmente. em pequenos grupos (´elaboração´) promove a conexão de ideias e conceitos e favorece a cooperação em lugar de competição entre os estudantes. em semicírculos. a formulação de questões definidas em função do que precisam conhecer e a construção activa do significado através do diálogo e reflexão promovem a retenção a longo prazo das novas informações adquiridas.3. A discussão de um problema / caso. . pronto a ajudar. fazendo parte do círculo. A exploração do conhecimento prévio dos estudantes.46 ciências básicas. Método de sistematização coletiva do conhecimento: Essa nova metodologia requer uma alteração na estrutura da sala de aula. O professor estará em igualdade de condições com os alunos. numa exposição em forma de diálogo. quase que a maior parte do tempo. colocadas lado a lado e uma atrás da outra. ou no meio deste. como um amigo. A habilidade dos graduados. mais acessível e. de lidar com problemas e recuperar informações pode ser um importante indicador para a aprendizagem ao longo da vida. (Grifos do Autor). O ABP serve como um incentivo poderoso para a motivação intrínseca do estudante para aprender.

mas tão difícil de ser colocada em prática. pontuando as diferenças e as peculiaridades do raciocínio jurídico para determinado conteúdo. tornou-se uma espécie de padrão. muito recomendada pelos modernos pedagogos. Somente após esse processo o professor fará uma discussão geral sobre o assunto.47 Nesse ambiente ocorre uma relação de horizontalidade. O ambiente em que o professor fica em pé diante dos alunos. após prévia seleção de texto e leitura em casa. possam discutir e responder as indagações dos próprios colegas e elaborar resumos. porque durante a discussão ele participará com informações pessoais e experiências vividas. sendo neste processo. Estudo dirigido: é comum que os alunos sempre reclamem ao ler os textos previamente. apresentaremos como exemplos os painéis integrados e os estudos dirigidos: Painéis integrados: estimular os alunos a socializarem o conhecimento. inicia-se uma discussão sobre o tema. provocando a participação dos alunos a partir da experiência adquirida com a discussão em grupo. e parece enraizado na cultura da educação. mas no momento de discuti-los em grupo eles sempre se divertem. a contribuição do aluno muito importante. e depois o . que enriquecerão o decorrer da aprendizagem. para que. Nesse método são aplicadas as aulas expositivas dialógicas. Depois os grupos serão misturados e cada colega colocará para o novo grupo o que foi compreendido no grupo anterior. Para o desenvolvimento das aulas será necessário a seleção de textos e livros base que possam servir de orientação para os alunos e para o professor. Após uma prévia leitura. Nela são formados pequenos grupos. que sentados atuam como expectadores é próprio do tradicionalismo.

Sobre essa técnica nos ensina Veiga 44 que “pressupõe a diretividade por parte do professor. desenvolvendo no aluno a criticidade. a criatividade e a reflexão. Educar é um processo bem mais abrangente do que apenas ministrar aulas. O objetivo é provocar o aluno. se fundamenta na atividade do aluno e se efetiva na situação socioindividualizada em sala de aula ou fora dela.4. Exige do educador um conhecimento que vai além dos conteúdos de sua disciplina. seres humanos capazes. porque estabelece um diálogo entre educador e educando. 6. O professor irá elaborar um roteiro de estudo que deverá guiar a leitura crítica do texto por parte do aluno. A sistematização coletiva tem raízes na teoria pedagógica da libertação. Ilma Passos A.48 professor necessita ficar pedindo silêncio para conseguir retomar a atenção dos alunos. 1996. pois além de ser 44 VEIGA. mas sempre sob direção do professor”. O texto será sobre algum tema em voga nos noticiários.ed. cabeças pensantes. . sobre um assunto referente à realidade da vivência social no contexto em que os alunos estejam de alguma forma inseridos. Sua prática produz frutos admiráveis. busque uma relação entre o assunto do texto e o conteúdo didático teórico que está sendo trabalhado pelo professor. pp. Busca desenvolver indivíduos independentes e críticos. para que apresente sua opinião sobre o assunto. Técnicas de ensino: por que não? 4a. Campinas : Papirus. 67-88. Muitas mudanças são possíveis sem a necessidade de grandes revoluções. Ilma Passos A. Na sala de aula: o estudo dirigido. In: VEIGA.

“Nenhuma ação educativa pode prescindir de uma reflexão sobre o homem e de uma análise sobre suas condições”. cabe à equipe pedagógica apenas lapidar esse conhecimento e acrescentar ao mesmo novas técnicas e metodologias. sob a supervisão da equipe pedagógica para que haja toda uma preparação para o início dessa jornada que exige tamanha responsabilidade e habilidade. que serão novos instrumentos a serem utilizados nessa nobre tarefa.ed São Paulo: Paz e Terra.2004. 7. o professor precisa compreender o contexto de vivência de seus alunos e. pela necessidade de se cumprir um compromisso de educação com responsabilidade de formar um cidadão completo. 45 FREIRE. necessita recorrer a saberes da prática e da teoria. . Pedagogia da Autonomia. É importante reconhecer que o professor. Paulo. 29. A formação dos professores novatos se completa dentro da sala de aula. para contribuir para o processo de ensino aprendizagem eficaz.49 conhecedor da matéria. É preciso ajudar o professor a empregar as práticas apropriadas. O importante é que a equipe seja comprometida. todos colaborando para identificar os problemas. motivá-lo e fazer com que conheça suas deficiências. a prática vem sendo cada vez mais valorizada. e que estejam todos a remar na mesma direção. que já possuem larga experiência com a educação. No mundo do Direito. nos ensina o brilhante Paulo Freire45. ancorar os novos conhecimentos. com isso. definindo e dando foco às prioridades. SUGESTÕES PARA CONTRIBUIR COM A QUALIDADE DO ENSINO. resolvê-los e valorizar os sucessos. Aos professores que já atuam.

apenas tendo como diferença as matérias que serão estudadas. Ao ingressar no ensino superior. A postura passiva apresentada pela maioria dos alunos em relação ao ensino é causa de reclamação de muitos professores. citado por Débora Menegazzo46: 46 ALMEIDA. A Motivação: O estudo de caso como instrumento de motivação. responsáveis. Por outro lado. o professor também espera que os alunos que ingressam no ensino superior sejam mais maduros. Débora Menegazzo. Disponível: http://www.uel. nova. Acessado em 10/11/2012. já fazendo com que se sinta na mesma realidade da escola de onde veio. extraordinária. do método de ensino. reflexivos. O formato das salas de aula. Para Stipek. e até mesmo e reproduzam conteúdos e já saibam reconhecer os objetivos das disciplinas em particular e as do curso como um todo. mas o que ocorre é que aos poucos se dá conta de que quase nada mudou.pdf>. que chegara cheio de esperanças. o aluno muitas vezes cria uma expectativa de uma realidade diferente. Que valorizem mais o processo de aprendizagem. questionadores.br/pos/mestredu/images/stories/downloads/dissertacoes/2012/2012__ALMEIDA_Debora_Menegazzo_Sousa.50 7. A MOTIVAÇÃO DO ALUNO NO ENSINO SUPERIOR: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO. . mais participativos.1. o status de estudante universitário e responsabilidades que o aproximam do futuro profissional que se tornará. do sistema e da rotina que já existia na escola em nada se parece com o que imaginava ser extraordinário. Não se pode estranhar que esse choque de realidades acabe por criar uma situação decepcionante que contagia o aluno. motivados.

assim. mais complexos e profundos tenderá ser os problemas. sob diferentes pontos de vista. Disponível em: <http://www. de criar. em um artigo elaborado para a revista Veja. professores e alunos têm os mesmos comportamentos e explicações para os fenômenos [. Pedro Delgado. os alunos revidam dizendo que cabe aos professores e à escola a responsabilidade por motivá-los. Cada possível resposta traria uma parcela de contribuição.. Vejamos o depoimento de Stephen Kanitz citado por Pedro Delgado47. quanto mais avançadas as etapas escolares. Estamos tão acostumados aos métodos tradicionais que nem sempre nos damos contas de barreiras tão óbvias. por sua vez.].. 47 PAULA. Acessado em :09/11/2012. Repensando o Ensino Jurídico. No contexto do ensino superior.51 A motivação para aprender sofre uma diminuição considerável em razão dos níveis de estudo. e ao mesmo tempo tão invisíveis no processo de aprendizagem. . Até que ponto o aluno utiliza na vida acadêmica sua capacidade de pensar. Isso ocorre porque os problemas têm raízes nos anos iniciais e são influenciados pelas exigências dos diferentes tipos de disciplinas. de degustar o resultado de sua criação? Ocorre que ao se deparar com uma pergunta. o raciocínio do aluno imediatamente será delimitado. porque estará condicionado à resposta.pdf>.br/PRODUCAOCIENTIFICA/artigos/pedrodelgadorepensandoodireito. Na maioria das vezes a resposta já está pronta. pelas características evolutivas dos alunos.revistadir.mcampos. apenas precisava reproduzi-la. Mas o que então pode contribuir para que o fenômeno da motivação aconteça? Certamente existem várias respostas para essa pergunta. os professores fazem pesar sobre os alunos a responsabilidade pela falta de motivação. ele já a havia recebido essa resposta completa em uma aula expositiva. no qual ele narra sua experiência assim que iniciou seu mestrado em Harward: Um dos maiores choques de minha vida foi na noite anterior ao meu primeiro dia de pós-graduação em administração. mas existe uma que julgamos muito interessante.

como meus outros colegas brasileiros. e o caso terminava com uma análise do presidente sobre a situação. Ledo engano. Queria que nós descobríssemos as perguntas que precisam ser respondidas ao longo da vida. a carta em que me avisaram que fora aceito como aluno veio acompanhada de dois livros para serem lidos antes do início das aulas. e todos nós acreditávamos. Tínhamos de resolver naquela noite três estudos de caso de oitenta páginas cada um. Não havia nenhuma pergunta do professor a responder. observamos que a Universidade de Haward o recepcionou com um atividade que nada mais era do que um estudo de caso. Algo que nunca tinha me ocorrido nos dezoito anos de estudos no Brasil. O caso terminava ali. Certamente esse mérito possui explicações pautadas em resultados obtidos por procedimentos adotados pela instituição e sua equipe docente e pedagógica que buscam essencialmente a qualidade do ensino. No relato de Kanitz. Essas informações podem ser dadas antes. E literalmente lhe foi apresentado . (Grifos nossos). estávamos todos acostumados com testes de vestibular e perguntas do tipo "Quem descobriu o Brasil?". que Universidade de Harvard é respeitada e reconhecida no mundo todo pelo alto nível de formação de profissionais. Uma reviravolta e tanto. Lá não há aulas de inauguração. ingenuamente. que o difícil fora ter entrado em Harvard. e ponto final. Foi quando percebi que estava faltando algo. na qual o professor diz quem ele é e o que ensinará durante o ano. O que nós teríamos de fazer com aquele amontoado de palavras? Eu. Aliás. e que o mestrado em si seria sopa. Eu estava acostumado a professores que insistiam em que decorássemos as perguntas que provavelmente iriam cair no vestibular. O primeiro caso a ser resolvido naquela noite era de marketing. antes de conclusões sobre o narração apresentada. Harvard queria justamente o contrário. Vale ressaltar. matando assim o primeiro dia de aula. O estudo de caso era uma novidade para mim. esperava perguntas do tipo "Deve o presidente mudar de agência de propaganda ou demitir seu diretor de marketing?" Afinal. mas as vendas caíam ano após ano. em que a empresa gastava boas somas em propaganda. Havia comentários detalhados de cada diretor da companhia.52 Havia sido um dos quatro brasileiros escolhidos naquele ano. um culpando o outro.

nada pronto. Pedro Delgado. Pedro Delgado48 comenta o aspecto metodológico da experiência de Kanitz: Além disso. a elaboração das perguntas corretas e a solução para essas perguntas. exige-se do aluno os níveis mais altos de cognição da taxonomia de Bloom.br/PRODUCAOCIENTIFICA/artigos/pedrodelgadorepensandoodireito. Além do aspecto da motivação.revistadir.pdf>. principalmente a análise.mcampos. nada mais que isso. Acessado em: 09/11/2012. isso o motiva: porque pensar motiva. 48 PAULA. síntese e avaliação. e criando ele mesmo a solução. ou seja.53 apenas um caso. nada que condicionasse sua resposta. nenhuma pergunta sequer. c) a dedicação e o comprometimento fora da sala de aula é importantíssimo e exigido dos alunos. b) a utilização do tempo de aula é importantíssimo. e o desafio. Disponível em: <http://www. . desse depoimento pode se extrair alguns elementos importantes da metodologia de ensino da Universidade: a) a utilização da ferramenta de estudo de casos é importantíssima. d) exige-se do aluno não uma determinada resposta correta. E a medida que o aluno vai se envolvendo pelo problema. Motivar o aluno pode ser até mesmo às vezes fazê-lo descobrir "qual é a pergunta?". o novo foi para ele um elemento motivador. mas sim a análise da situação. e encontrando a resposta. e sentido-se capaz de fazê-lo. e percebendo que pode ir além. não se desperdiça aula e os momentos em sala de aula são utilizados para a análise dos casos. Repensando o Ensino Jurídico.

Através dela vídeos que podem ser acessados pelo professor e utilizados para enriquecer aulas cujo tema. . Essa integração horizontal entre professores e alunos e a superação de desafios. necessariamente visitasse pessoalmente uma penitenciária. como é o caso da disciplina de Execução Penal.2. possibilidades de apresentar para o aluno um pouco do que ocorre sem que o aluno. ou não se compromete com as atividades acadêmicas. todo um procedimento burocrático. documentários e entrevistas. A internet traz inúmeros recursos que são possíveis através dela. o que demandaria entre outras dificuldades.54 O aluno sem motivação compromete-se pouco. a dura realidade de “mundo paralelo”. depoimentos. e essa realidade gera uma situação que atrapalha o processo de ensino aprendizagem. seriam por exemplo. A internet e os recursos audiovisuais – fortes aliados. em uma sequência estimulante: contar com instrumentos que desenvolvam as diversas capacidades dos alunos fazendo com que ele se sinta mais confiantes a medida que descobrem suas potencialidades. enfim. como ocorre em um jogo no qual o aluno passa de uma fase para outra e vai sentido-se capaz. e que podem ser grandes aliados para a aplicação de atividades que auxiliem no processo de ensino aprendizagem. motivado a continuar o jogo. 7. na prática. ou simplesmente o aluno se limitaria apenas a ouvir narrações de seu professor. A vida no cárcere. tanto se distancia da realidade do aluno.

por exemplo. por exemplo. e usá-las como recursos aliados para enriquecer suas aulas. criam essa necessidade de que os alunos assistam a audiências. quadros sinópticos. utilizar as redes sociais para manter um diálogo mais informal com seus alunos e através dele criar um diálogo que se estende à sala de aula. no site Youtube. criar fóruns de discussão para que estejam em constante comunicação. que cabe dentro da sala de aula. a maioria acadêmica é composta por jovens. Através dela ainda o professor poderá disponibilizar. porque não utilizá-lo? Pode ser um mecanismo de incentivo e motivação aos alunos num estilo que eles dominam. No caso das aulas práticas de produção de peças jurídicas. comentários de provas. No entanto as disciplinas em que se estuda sobre processo como Processo Civil Trabalhista. dinâmica e ilustrada biblioteca. disponibilizados ao acesso da comunidade . e eles adoram esse canal vivo e dinâmico que é feito de informações instantâneas que é a internet. Os vídeos de audiências reais que podem ser acessadas. Outra estratégia é estimular o aluno a produzir textos científicos. experimentos e reflexões que poderão ser posteriormente publicados. e que res ao professor orientar esse acesso e filtrar com seus alunos as informações encontradas. estando a internet para o professor como uma imensa. são para o professor de grande potencial enriquecedor para suas aulas. e quando os alunos fazem as visitas técnicas. O fato é que elas não acontecem dentro da universidade. as audiências não podem ser interrompidas para explicações aos alunos iniciantes. apresentações em Power Point. numa riquíssima troca de informações. Penal. seus fichamentos de aulas. a internet dispõe de um arsenal de modelos. Ora.55 Outra necessidade é a de os alunos conhecerem a dinâmica das audiências e todos os tipos de audiências. e quando os alunos participarem de audiência simuladas o que ocorre em uma audiência não será mais um mistério.

a liberdade para redigir me permitiria produzir um texto mais agradável. Aqui ousarei comentar que se não houvesse um padrão tão exigente dentro do qual o presente trabalho deveria colocar-se. em formatos e padrões predefinidos que necessitam ser seguidos e toda a produção deve amoldar-se a esse formato. e porque não mais poético.3. Na produção científica acadêmica existe uma grande preocupação por parte de seus autores com relação a referências bibliográficas. e ao mesmo tempo elevando a auto estima do aluno ao contemplar seus textos publicados. mais irreverente. 7. formal. Por qual motivo o texto científico deve ser frio. O ensaio como alternativa de produção acadêmica.56 virtual. e de certa forma até mesmo desprovido de personalidade? . promovendo assim a construção de idéias e a articulação do uso da palavra. mais rico. Esse tipo de incentivo pode ser um convite para que muitos alunos sintam-se envolvidos e até mesmo se iniciaram na produção científica ao despertarem para suas habilidades para a pesquisa.

Acessado em 09/12/2012.educacao.pdf. e que no mesmo viés. desenvolver sua capacidade crítica. que permitiria ao estudante produzir. cujas produções científicas são no mínimo admiráveis. Para Anellice Ribeiro 49.pdf>. podemos encontrar uma atitude promissora e adequada à defesa de posições. em nossos tempos. com a fragmentação e historicidade de epistémes.” 49 RIBETTO. criar sem amarras.> Acessado em: 09/12/2012. Gabriela Maia.conpedi. no ensaio. 50 REBOUÇAS. O ENSAIO COMO REFLEXÃO METODOLÓGICA PARA O CAMPO JURÍDICO. provocada por colocações de Foulcalt e Adorno. . Disponível em: <http://www.br/SemanaEducacao2008/Trabalhos/arq014. Gabriela Maia Rebouças50.57 A escrita ensaística é defendida por alguns estudiosos envolvidos com a educação do ensino superior. assim.uerj. tolhido. Disponível em: <http://www. pensamento e experiência. EXPERIMENTAR A EDUCAÇÃO: Pesquisa ensaística e estudos do cotidiano. Anelice. sem sentir-se vigiado. Seria o ensaio uma forma não engessada. Considero essa a oportunidade para invocar as palavras da admirável professora da Universidade Tiradentes.br/manaus/arquivos/anais/salvador/gabriela_maia_reboucas. que lhe permitiria inventar e reinventar. com a pluralidade de ideologias. construtiva. sintonizando. na educação”. faz a seguinte observação sobre a escrita ensaística: “investigo as potencialidades desta idéia (que não deve ser nada nova) – a de que produzimos ensaios e.org. com a transformação de nós mesmos. o ensaio é “como um outro modo de pensar a Educação ou uma escritura exploratória que agite os modos de saber num contato intangível entre palavra e vida. para menos discursos instauradores de verdade e mais discursos propositores de idéias.

sem formatos prontos e possa assim o educando criar o seu próprio formato. Ricardo.pdf.br/SemanaEducacao2008/Trabalhos/arq014. buscando ele mesmo as respostas.58 Vale ainda salientar Forester. apenas. aos olhos de uma patrulha do conhecimento. O que ocorre é que não há porque fazer desse modelo o único a ser utilizado. não há que se discutir o óbvio quanto a necessidade de se utilizar como base na escrita as idéias. “La artesanía de la sospecha: el ensayo en las ciencias sociales”. 51 FORSTER. EXPERIMENTAR A EDUCAÇÃO: Pesquisa ensaística e estudos do cotidiano. Não se pretende em hipótese alguma no presente trabalho. em suspeito. não há porque bloquear adoção de um outro modelo que permita ao aluno criar e produzir sem freios.> Acessado em: 09/12/2012. de uma brincadeira da linguagem que desviava o verdadeiro eixo de toda pesquisa séria e rigorosa. o ensaio ficou relegado da “seriedade” acadêmica se convertendo. pensamentos. definir sua própria identidade. permitir que o autor que ainda se descobre. argumentar de forma inútil e sem razão pelo fim do modelo vigente de produção científica. em expressão. Anelice. não restam dúvidas. dogmas e doutrinas que alicerçam e compõem o conhecimento científico. .educacao. que acaba de nascer no mundo científico se desenvolva fazendo suas próprias perguntas. citado por Anellice Ribetto51: Por não renunciar ao risco de um pensar sem andadores. In: RIBETTO.uerj. Disponível em: <http://www.

em grupinhos. De fato. Os alunos na maioria das vezes estudam para isso: para fazer provas. todos respeitam a “prova” que acaba sendo o centro das atenções. Horácio Wanderlei. Reavaliando a avaliação. exames.59 7. O professor pede atenção dos alunos. . É difícil competir com uma exortação dessas. notebooks e apostilas – ESTUDANDO PARA AS PROVAS. sentados nos corredores. P.4. Basta pronunciar a palavra “prova” em uma sala de aula e todos se interessam. resultados). alunos. e nesse momento o silêncio é absoluto. nas salas de aula com cadernos. Eles estão na biblioteca. projeto pedagógico e outras questões pertinentes. levando a distorções no processo de ensino52 RODRIGUES. O foco do da aprendizagem é a prova. como explica o Professor Rodrigues52: A prática educativa passou a ser conduzida por uma pedagogia da avaliação: pais. privilegiando-o. professores e instituições de ensino focalizam suas atenções no processo de promoção (provas. Florianópolis: Fundação Boiteux. 285. Dentro do meio acadêmico é comum observar o burburinho e o stress dos alunos nos períodos de prova. porque o que ele vai dizer naquele momento “vai cair na prova”. livros. Pensando o Ensino do Direito no Século XXI: Diretrizes curriculares. 2005. Isso faz com que a avaliação mantenha um lugar de destaque no âmbito educativo. nas escadas.

melhora-se a qualidade da Educação. exclusivamente.gov. A avaliação deve ser melhorada sim. as próprias provas aplicadas no ensino superior pelas instituições e professores. mas dentro do conjunto das práticas educativas do qual ela faz parte. é parte do processo de aprendizagem. obviamente. por exemplo. avaliam o conteúdo que o aluno memorizou. Disponível: http://www. mas não podemos fazer o caminho inverso . deveria ser contínuo e abranger vários aspectos. pelos dos moldes do método tradicionalista. da explicação de Ana Maria Saul53: Porque a avaliação é intrinsecamente ligada ao processo pedagógico que nós estamos desenvolvendo.br/int_a. A avaliação educacional. se o método de ensino que com ele combina permanecer como é o caso. ou seja. Acessado em: 10/12/2012 . em sua maioria.ter a crença de que mudando o processo de avaliação. não tem sentido trabalhar especificamente sobre a avaliação. 53 SAUL. Sem isto. os concursos. Na vida profissional o aprendiz de hoje será constantemente avaliado. que não deveria concentrar-se em apenas um ou dois momentos.sp. servindo muitas vezes como instrumento de coerção.60 aprendizagem. visto que essas avaliações acabam por condicionar o aluno a estudar. Alguns estudiosos afirmam que não haverá mudança nenhuma se for alterado o método de avaliação. A prova da OAB. portanto não se justifica desprezar a avaliação do contexto da educação." O processo de avaliação.crmariocovas.php? t=019. é a hora de reproduzir o acúmulo do “depósito” do ensino bancário freireano. manipulação e controle. A avaliação faz parte desse processo. Ana Maria Avelar.

8. e essa capacidade acaba por transformar também o meio em que ele vive através de suas ações.61 O que ocorre é que a prova não pode ser o foco do ensino. porque o aprendiz é transformado a cada dia em um cidadão ainda mais capaz. O aprendizado não éa busca por uma avaliação. CONCLUSÃO. é uma busca pelo conhecimento no sentido de transformar todo o contexto social. .

É necessário um ajuste efetivamente para o problema da separação entre a teoria e a prática. Assim. dessa agonia. suprime a capacidade do pensar acadêmico. uma nova postura pedagógica. b) a separação da teoria e da prática no sistema de ensino jurídico.62 O Ensino Jurídico no Brasil clama por mudanças. demonstra que o atual modelo utilizado para ensinar Direito nas mais de setecentas faculdades de ciências jurídicas está em farrapos. e bem tenho consciência da pequenez da autora e do presente trabalho. que deve-se basicamente: a) a falta de preparação didática e técnico-metodológica do corpo docente. dentro desse escopo. estão por todos os lados. adoece o sistema superior de ensino. instituições de ensino. foram apresentadas várias sugestões com o intuito de contribuir para a solução. equipe pedagógica e alunos. O método tradicional de ensino utiliza técnicas extremamente cansativas para os professores. não permite esperar resultado por demais grandioso. essa separação é do corpo e da alma da educação. de aproveitar todo o conhecimento que pode ser extraído do Curso de Direito se este for renovado sob vários aspectos. c) a obsolescência do atual método didático-pedagógico. Cada Exame de Ordem dos Advogados do Brasil sinaliza esse problema. pois a limitações de uma aluna a sem especializações na área pedagógica. ou minimização desses problemas. professores. . uma nova forma de avaliar. extrai o mínimo de aproveitamento para os alunos. buscamos analisar alguns dos principais motivos para todo esse caos do ensino jurídico. que é no mínimo. por uma nova metodologia de aprendizagem. É necessário um trabalho em conjunto: Estado. gravíssimo. Ora não tenho aqui a pretensão de surpreender os doutores. A partir dessa análise. e os sinais dessa morte. desmotiva.

porque o mundo morre a cada dia em que se espera que mudanças aconteçam de fora para dentro. ficarei muito feliz se o convite ao desafio lançado inquietar os capazes de iniciar uma mudança independente dos acontecimentos externos. Saliento ainda que esse trabalho é um desafio. parte de quem escreve. e parte de quem lê. em cada palavra digitada. .63 Porém ao concluir. fica a confissão da angústia que é gerada pela sensibilidade à situação da qual somos todos vítimas em parte. a mudança parte de cada um. mas registro que não existem motivos para a passividade diante do problema. uma provocação intencional.