Você está na página 1de 5

ANOS TRINTA E POLITICA: HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA *Tábatta Murielly de Medeiros Dantas Em outubro de 1930 iniciou-se o período em que Getúlio

foi figura predominante no cenário politico nacional. Para muitos esses são os anos “Vargas”, um período temporal constituiria uma totalidade marcada por essa forte presença politica e que por ela, em ultima estancia se explicaria. Com a reafirmação do papel do individuo na sociedade os historiadores da politica voltam a se preocupa com o papel que os grandes personagens tiveram na politica. Em fins de outubro de 1930 a figura de Getúlio Vargas ascendeu para o cenário político. a história política brasileira foi marcada por forte instabilidade e por vivo debate, marco dessa época é a ruptura institucional. Fato marcante de debates do período foi os muitos problemas estruturais. Outro fato foi "os laços inextricáveis entre essa forma de conhecimento e o poder, os laços entre uma história política vivida e uma história política escrita por memorialistas e historiadores", O traço continuo da história é suprimido, desfocando o traço singular da história como mestra e condutora da vida. A chamada revolução de trinta pelas conhecidas e atuais brigas entre República Nova e República Velha, República Primeira e República Segunda etc., entre as forças que conseguem se opor, não esquecendo o povo "verdadeiro" sempre a margem. O conceito de revolução primava todas as vozes angustiadas do meio político. Temas como questão social alinhava-se com revolução, os embates políticos eram constituídos nas mais diversas esferas de classe. O conceito de “revolução” colocava-se claramente coo central para todas as vozes envolvidas. O termo apareça não somente no sentido de senso comum, mais também no sentido de transformações estruturais para a sociedade brasileira. Esse conceito é apontado como tendo se tornado uma “entidade mítica” ou uma “palavra magica”. Oswaldo Aranha chegou a definir revolução como uma enteléquia. Ela não é militar nem civil, é ela mesma, a própria ditadura militar é uma expressão passageira da revolução. Atrás da luta pelo poder existia a luta pela legitimidade dita “revolucionaria”. O grande parceiro da revolução, em todas as falas apontado como seu legitimador, era o "povo", tanto no movimento militar como para as propostas futuras. O novo sempre traz ao povo a esperança de mudança, de prosperidade assim sendo o clamor pela mudança em qualquer época e sempre um chamariz interessante.

Propõe se a fazer um relato neutro de uma testemunha “que acompanhou de perto sucessos e conhece quase todos os seus atores”. em 33. de “anarquia”. O sentido do tenentismo. um reação do estado contra a centralização federal. da autoria de Virginio de Santa Rosa. pensando-se essas interpretações de uma forma global. como um percursor. publicado em 32. uma preocupação de delinear um processo histórico. em Brasil errado. numa frequentemente apontada situação de “crise”. . publica a sua a verdade sobre a revolução de outubro. de “desordem”. por vezes como um “circo”. criou a coleção Azul. Martins de Almeida. O que constituiria esse “ novo” destacava-se nos títulos das obras e era desenvolvido nas mais diversa vozes de ensaístas e memorialistas. como explicações objetivas. sucediam-se ai imagens de “confusão’. Isso fazia parte de um “velho”. Barbosa Lima Sobrinho. Um exemplo disso era o discurso oficial mostrando que foi iniciada uma “republica nova” opondo-se a “republica velha”. destaca-se uma tríade de livros numa polemica exemplar. a sociologia constituía-se na “arte de salvar rapidamente o Brasil”. A pratica politica era vista como “carcomida”.Após outubro de 1930. esses livros se propõem a explicitamente como livros de analise sociológica. perpassando ou não uma ideia de progresso a um dialogo com o marxismo. Surge em primeiro lugar A desordem: ensaio de interpretação do momento. e em seguida a contra-reposta do primeiro. Na ironia de Mario de Andrade. Augusto Frederico Schmit. de país esta a beira do abismo. existe além da visão de síntese de historia nacional. A revolução de 1930 como fruto e efetivada pelas aspirações politicas das classes medias contrapõe-se a interpretações ortodoxa do PCB: essa revolução seria o resultado da luta entre o capitalismo americano incipiente no Brasil e o inglês em decadência. de “turbilhão”. que provocou a replica de Alcindo Sodre: a gênese da desordem. De um ponto de vista da concepção histórica. de “erro. onde muitos procuravam contrapor um “novo” uma “revolução”. assevera que a revolução de 1930 se deu sob o peso do regionalismo. cuja finalidade explicita era apresentar o debate politico. A imagem do novo tem sido uma forte arma na luta politica.

esse período aparece como transição. na linha da documentação da época. As oligarquias entendidas como os grupos que estava no poder e o tenentismo. o que constituíra a intenção bastante bem-sucedida daqueles no poder. e que ocupavam então postos politico-administrativo. foi publicado Raízes do Brasil. em seu ultimo capitulo. o autor define sua ideia de processo revolucionário. que destaca uma ruptura. RUPTURA E PROCESSO o recorte feito partiu de minha própria experiência de ensino e pesquisa. como fenômeno pelo qual a geração mais jovem do exercito. na qual as ideias de continuidade e ruptura são fundamentais. são contribuições de historiadores brasileiros. Em geral. todos os envolvidos no debate mais amplo acreditavam que se estava construído a “Nação”. A ideia oposta interpreta o movimento de outubro de 1930 como uma simples troca de homens no poder. Nessa perspectiva a revolução de 1930 teve mais um sentido de ruptura do que de continuidade. José Maria Bello. É essa interpretação que se faz pressente posteriormente entre aqueles para quem as mudanças concretizadas não eram as desejadas. A primeira. A ideia de ruptura reina quase que soberana. Essa história politica tem sido marcada por duas interpretações que datam dessa época. contra o “tenentismo”.. de Sérgio Buarque de Holanda. intitulado “ Nossa Revolução”. É possível perceber uma forte imagem que atravessa essa historia politica brasileira: A imagem e/ou ideia da “revolução”. que acabou por constituir uma “historia oficial”. encontram uma explicação da luta politica mais direta através da oposição entre o que chamam de “oligarquia”. O então chamado “caso de São Paulo”. seria o exemplo maior desse confronto. pretende fazer uma “síntese de sessenta e cinco anos da vida brasileira”.Santa Rosa e Martins de Almeida. 1930 a 1934 – esse momento politico se explicaria fundamentalmente pela luta oligarquias versus tenentismo. . Em 1936. Uma primeira sistematização do período republicano foi a História da Republica. A História politica brasileira de 1930 a 1937 tem sido escrita em uma perspectiva linear. que se deu na vida universitária paulista.

Edgar Carone e Helio Silva podem ser vistos como os inventores da Republica os anos de 60. pretendia-se determinar quando e como o pais se tornou capitalista. Em 1945. impuseram-se pela qualidade de pesquisas que trazem a luz. O período de 30 e 34 explicar-se-ia. de Caio Prado Junior. uma revolução no plano politico. como expõe no prefacio da primeira edição. O Estado Novo é a segunda ditadura de Vargas. como por exemplo: Thomas Skidmore que ao analisa a “era varga” a revolução de 1930 foi para ele uma revolução de elite. reformas no sistema politico e nas estruturas administrativas sem mudanças na estrutura social. pois ela é considerada como marco de grandes transformações responsáveis pelo que depois se passou no país. desde o final da Segunda Guerra Mundial e do Estado Novo abriu-se um período fértil em reflexões sobre a sociedade brasileira com a produção de analises e a circulação de projetos. as reações da opinião publica. sobretudo pela luta entre as oligarquias e o . dentro dos pressupostos do “materialismo dialético” como teoria do conhecimento. as classes medias e o tenentismo. Revolução Constitucionalista de 1932 é chamada de contrarrevolução ou “insurreição”.Descreve as mudanças politico-administrativas. Em relação a historia politica o conceito mais empregado tanto para se trabalhar seus objetos quanto para classificar produção era o de ideologia. as atitudes das grandes figuras. Depois de 1964 e sobretudo em 1968. Não so os brasileiros estão interessados na situação do país. os historiadores procuram entender melhor a República e suas falhas. Um capitulo de Boris Fausto sobre “A revolução de 1930” discute as interpretações entre as facções burguesas não vinculadas ao café. Como no período pos-1930. descendo a uma analise sobre a conduta de Vargas e das elites. tal tendência see reverteu nas décadas seguintes. foi publicada a História econômica do brasil. ou seja. volta-se a revolução de 30 com muito vigor. A maior discursão entre os intelectuais marxistas era sobre a efetivação de uma revolução burguesa no Brasil. e surge uma grande produção de brasileiros. ou seja. O que distinguiu fortemente esse período da historiografia foi a influencia interdisciplinar. Assim se ate s anos 60 as relações entre historiadores e as camadas dominantes eram evidentes. Para ele quanto para Vargas.

houve “uma renovação geracional das elites politicas”. um conflito intraelites e com configuração marcante regional. por Edgard De Decca e Carlos A. 6. debates na mídia e publicações marcaram o cinquentenário da revolução de 1930. torna-se uma referencia obrigatória. 1932 e 1937. Pelo conjunto de sua obra. Alguns autores tratam da problemática de 1930 como ruptura ou continuidade de forma explicita. Luciano Martins conclui que não houve ruptura em 30. Em meados dos anos 70 os historiadores começaram a fazer a critica aos modelos. Gerson Moura vê uma clara continuidade na politica externa brasileira sem qualquer ruptura significativa. 2007. São Paulo: Contexto. ed. visto como único possível. em alguns encontros. procuraria construir corretamente o percursor de um “ processo” percorrido. A critica da problemática da natureza da revolução de 30 e de um percurso revolucionário posterior foi desenvolvido. pode-se dizer que a revolução de 30 é analisada como uma ruptura. de coletivo e marcada pela perspectiva oficial. a partir do que destacava-se a “indeterminação”. Vessentini. .tenentismo.: FREITAS. conclui que. CONCLUINDO: A critica aos modelos se agregou a já antiga critica aos finalismos. não foi a única preocupação teórico-metodológica que impulsionou o final da discussão em torno da revolução de 1930 como ruptura ou continuidade. Marcos César de (Org. tem sido responsável por uma revisão publicada em 1970. Bibliografia Anos trinta e política: história e historiografia. ainda nos anos 70. A retomada da “memoria dos vencidos”. Percebe-se que em Boris Fausto. ao historiador visto como um profeta do passado. A negação das classes e a visão do Estado Novo foram objetos de criticas acerbas. pensando a pesquisa e seus pontos de saída e de chegada. Por exemplo: Aspacia Camargo.). A perspectiva de uma retomada a “ memoria histórica” de 1930 de uma forma mais ampla. In. Em 1980. Historiografia Brasileira em Perspectiva.