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Condutividade de Eletrólitos

INTRODUÇÃO
A condutividade elétrica é usada para especificar o caráter elétrico de um material, ou seja, é
indicativa da facilidade com a qual um material é capaz de conduzir uma corrente elétrica.
Sobre corrente elétrica em soluções aquosas, Arrhenius (1887) realizou numerosas experiências com a
passagem de passagem elétrica, através de solução aquosa, e formulou a hipótese de que algumas substâncias
continham partículas carregadas, os íons. De Acordo com Arrhenius, determinadas substâncias quando
dissolvidas em meio aquoso sofriam separação de íons preexistentes, o que tornava a substância condutora de
eletricidade.
Portanto, pode-se diferenciar as soluções pela sua capacidade de conduzir ou não eletricidade. Elas são
chamadas, respectivamente de soluções eletrolíticas e de soluções não-eletrolíticas.
Um eletrólito é toda a substância que se dissocia ou ioniza originando íons positivos (cátions) e íons
negativos (ânions) pela adição de um solvente ou aquecimento. Desta forma torna-se um condutor de
eletricidade.
Alguns eletrólitos produzem soluções altamente condutoras, outras, porém, soluções com
condutividade relativamente baixa. Em vista disso, podem ser classificados em:
a) Eletrólitos fortes.
b) Eletrólitos fracos.
Um eletrólito é caracterizado por uma grandeza elétrica denominada de resistência específica ou
resistividade (ρ). A resistência R de um condutor uniforme com uma seção transversal é proporcional ao
comprimento l e inversamente proporcional a seção transversal da área A do condutor, sendo expressa pela
equação 1.

Equação 1

A constante da substância µ é conhecida como resistência específica, k é a condutância específica ou
condutividade e L a condutância. Normalmente usa-se µ para condutores metálicos e k para eletrólitos.
Desta forma a condutividade para uma solução de eletrólitos é dada pela Equação 2, onde k tem
dimensões: O
-1
cm
-1
. No sistema SI o símbolo para condutância é S (siemens) e a unidade de condutividade é
siemes por metro (Sm
-1
). Onde 1S = 1O
-1
.
L
A
l
A
l
R
= =
1
k
ou
l
A
L k =
Equação 2

Então, de posse da constante da célula pode-se calcular a condutividade de diversas soluções. A
constante da célula a ser usada normalmente já foi determinada pelo fabricante e pode ser encontrada no
manual do aparelho. Contudo com o tempo a constante da célula pode mudar, portanto, deve ser verificada
L A
l
A
l
R
1
.
. = = =
k
µ
sempre que for usada. Essa determinação da constante da célula é realizada usando soluções de KCl de
condutividade conhecidas.
A condutividade da solução de um eletrólito é apresentada em função da concentração deste. As
figuras 1a e 1b mostram a dependência da concentração com a condutividade determinada para o KCl e o
ácido acético.








Figura 1: (a) Condutividade da solução de KCl x concentração. (b) Condutividade da solução de
ácido acético x concentração.
Quando examinamos a dependência da concentração na condutividade de eletrólitos observamos que
a condutividade basicamente aumenta com o aumento da concentração devido ao aumento do número de
cargas (íons) em solução.
Uma análise cuidadosa das figuras nos permite afirmar que a condutividade não é a melhor grandeza
para se comparar os eletrólitos devido a sua forte dependência em relação à concentração (mais acentuada no
caso dos eletrólitos fortes). Para comparar as condutividades das soluções que contenham o mesmo numero de
cargas é conveniente trabalhar com a condutividade molar (A
m
) pela equação 3:

= = A
c
m
k 1000

1 2 1 1 2
3
1 3
) (
) ( 10
÷ ÷ ÷
÷
÷
O = =
|
|
.
|

\
|
= A mol cm mol Scm
molcm c
Scm
m
k
Equação 3
Tanto para eletrólitos fortes ou fracos, à medida que a solução torna-se mais diluída, a condutividade
molar se aproxima de um valor limite chamado de condutividade molar a diluição infinita (A
m 0
).
O aumento da condutividade molar dos eletrólitos fracos, com a diluição é determinado pelo aumento
do grau de ionização. Já o aumento da condutividade molar dos eletrólitos fortes com a diluição deve-se a um
aumento da velocidade dos íons. Em soluções diluídas, os íons se encontram mais afastados uns dos outros e
as influências recíprocas são diminutas, porém, com o aumento da concentração aumentam-se as interações
interiônicas, e consequentemente, diminui a velocidade dos íons.
Os eletrólitos fortes são substâncias totalmente ionizadas em solução, compreendem os sais iônicos e
os ácidos fortes. Em virtude da ionização completa, a concentração dos íons em solução é proporcional à
concentração do eletrólito forte. Na condição de diluição infinita, qualquer eletrólito se encontra totalmente
dissociado e as forças de interação entre os íons são intensamente fracas, os íons atuam independemente uns
do outros, e cada um contribui com sua parte na condutividade total.

0
500
0
120
0.00
0.10 0.00 0.10
k
µ S/cm
KCl mol/L
C ,
k
µ S/cm
mol/L C ,
HA
(a) (b)
No século XIX, Friedrich Kohlrausch mostrou que em concentrações baixas, as condutividades
molares dos eletrólitos variam linearmente com a raiz quadrada da concentração (Eq. 4):

c k
m
÷ A = A
·
Equação 4
Esta expressão é a lei de Kohlrausch (lei da migração independente dos íons). A constante A
m 0
é a
condutividade molar no limite da concentração nula, ou seja, quando os íons estão infinitamente separados uns
dos outros e não interagem mutualmente.
De acordo com essa lei, que é valida para baixas diluições, se fizermos um gráfico da condutividade
molar do KCl versus a raiz quadrada da concentração e ajustarmos uma reta aos dados experimentais
relacionados às soluções com grande diluição, podemos determinar (λ
0
) pelo coeficiente linear e a partir do
coeficiente angular o valor de (k) (figura 2).








Fig. 2: Condutividade molar do KCl x a raiz quadrada da concentração.

As condutividades iônicas limites são uma constante para cada espécie iônica, para um dado solvente e
para uma temperatura específica.
Os eletrólitos fracos não são completamente ionizados em solução. De acordo com a lei de diluição de
Ostwald, eletrólitos fracos não se dissociam completamente e possuem condutividade menor do que eletrólitos
fortes. Entre eles contam os ácidos fracos de Brønsted e bases fracas de Brønsted.
Com o aumento da concentração o equilíbrio de dissociação é deslocado na direção das moléculas não
dissociadas.
O grau de dissociação o de eletrólitos fracos é o quociente da condutividade molar dividido pela
condutividade molar a diluição infinita (Eq. 5).

·
A
A
=
m
o
Equação 5

A lei de diluição de Ostwald é valida para eletrólitos fracos, permitindo desta forma calcular a constante
de dissociação (k).

· ·
A A ÷ A
A
=
÷
=
) (
.
1
.
2 2
m
m
c c
K
o
o
Equação 6


100
150
0.00
0.35
mol/L
C
Scm
2
/mol
m
O valor limite da condutividade molar de eletrólitos fracos a diluição infinita é alcançada a
concentrações extremamente baixas não sendo possível, portanto, fazer-se medidas exatas nestas
concentrações. Em conseqüência, A
·
não pode ser obtido pelas curvas extrapoladas a partir de A
m
/\c, para
eletrólitos fracos. A Equação 7 é derivada para resolver a lei de diluição de Ostwald para estes casos;

2
) .(
. 1 1
· ·
A
A
+
A
=
A K
c
m
m
Equação 7

Da equação 7 pode ser observado que existe uma relação linear entre o inverso da condutividade, o
produto da condutividade molar e a concentração de eletrólitos fracos. A Figura 3 mostra esta relação para o
ácido acético. Ainda a lei de diluição de Ostwald mostra que a condutividade molar a diluição infinita pode ser
obtida da intersecção com a ordenada 1/A
m
sobre c.A
m
.










Fig. 3: Inverso da condutividade molar do ác. acético versus o produto da cond. molar e a concentração.

OBJETIVOS
- Utilizar adequadamente um condutivímetro;
- Medir a condutividade de eletrólitos fracos e fortes;
- Calcular o grau de dissociação e a constante de dissociação de eletrólitos fracos.

MATERIAIS E MÉTODOS
Vidraria: balões volumétricos de 100 mL, pipetas volumétricas, béqueres.
Acessórios: espátula
Equipamentos: condutivímetro
Reagentes: Solução padrão de KCl e soluções de Ácido acético

PROCEDIMENTO
Calibração do condutivímetro
O aparelho de medida consiste da célula, do condutivímetro e do eletrodo, ambos acoplados a um
agitador magnético com um magneto para agitar a solução.
a) Ligou-se o condutivímetro e deixou-o estabilizar no intervalo de uma hora.
0.00
0.20
0.0
0.5
m
m.C
1
1
o o
b) Lavou-se cuidadosamente as células de condutividade com água destilada;
c) Colocou-se em um béquer de 200 mL, 100 mL da solução padrão de KCl. Esta solução padrão
vem juntamente com o aparelho; Verificou-se se o aparelho estava medindo em mS ou µS.
d) Imergiu-se a célula de condutividade na solução de calibração. Esta prática foi realizada com o
auxílio de um agitador magnético, com velocidade moderada durante as medidas.
e) Esperou-se a estabilização da leitura, que foi de 147 μS cm
-1
.
OBS:
- A calibração do equipamento foi previamente realizada pelos monitores do laboratório sob
coordenação do professor responsável, a fim de ajudar os alunos a observarem as leituras que seriam realizada
em aula.

Preparação das soluções de Ácido Acético
Preparou-se 100 mL das solução de ácido acético nas concentrações abaixo a partir da diluição de uma
solução concentrada (1 mol/L).
Solução 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Conc. (mol/L) 0,10 0,050 0,010 0,0075 0,0050 0,0025 0,0010 0,00075 0,00050

a) Preparou-se a solução 1 ( 0,1 mol/L ) transferindo 10 mL da solução estoque 1 mol/L para um balão
de 100 mL e completou-se o volume com água. Usou-se para tal, a relação M
1
V
1
= M
2
V
2
.
b) Numerou-se os balões para não se misturar as soluções.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Para preparação da solução de Ácido Acético com concentração de 1 mol/L e demais concentrações,
foram calculadas a massa do composto e posteriormente, o volume a ser utilizado para a solução e diluições.
Estes valores foram calculados segundo as equações:



Primeiramente, calculou-se o volume a ser usado para a preparação de 1 mol/l do ácido acético para
balão de 100 mL, com base nas equações I, II e III. (Dados: MM
ácido acético
= 60,05; Densidade = 1,05 g/cm
3
)

_ m_
1 = _ 60,05_ = 6,005 g 1,05 = 6,005 = 5,71 mL
v v




(I) M = η (II) η = m (III) d = m (IV) M
1
V
1
= M
2
V
2
.
v MM v


Para preparação das soluções diluídas em balão de 100 ml, calculou-se os volumes a serem usados
com base na equação IV.
Solução:
1) 1 x v1 = 0,1 x 100 = 10 mL
2) 1 x v1 = 0, 05 x 100 = 5 mL
3) 1 x v1 = 0, 0,01 x 100 = 1 mL
4) 0,05 x v1 = 0, 0075 x 100 = 15 mL
5) 0,05 x v1 = 0, 005 x 100 = 10 mL
6) 0,05 x v1 = 0, 0025 x 100 = 5 mL
7) 0,05 x v1 = 0,0010 x 100 = 2 mL
8) 0,05 x v1 = 0, 0005 x 100 = 5 mL
9) Não foi realizada a nona diluição.

Por falta de atenção dos grupos da turma “A” não foram realizados os procedimentos que dariam
continuidade ao experiemento.
As diluições do KCL (cloreto de potássio) não foram realizadas. As leituras de condutividade das
soluções também não foram realizadas, portanto, não se pode calculadar as condutividades molares, as
diluições infinitas dos dois tipos de solução e, tampouco expressar todos esses valorem em gráficos.
Ainda não puderam ser calculas as contantes de dissociação e grau de dissociação das soluções de
ácido acético. E não se discutiu o comportamento das reações quanto as leis de Kohlrausch e de Ostwald para
eletrólitos fortes e fracos.
Ou seja, todas as informações necessárias para a prática e o sucesso desta não foram obtidas. As
conclusões tiradas do experiemento são feitas somente a partir de literatura.
CONCLUSÃO
A condutometria mede a condutância elétrica de soluções iônicas, a condutância de uma solução
depende do número de íons presentes em solução, da carga e da mobilidade desses íons.
Através de medidas de condutividade específica pode-se determinar: a condutividade molar e a
diluição infinita, o grau de dissociação e a constante de dissociação. Além de odecerem a duas leis
(Kohlrausch e de Ostwald) quando verificados a intensidade dos eletrólitos em conduzir corrente elétrica.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Castelan, G. W. 2008. Fundamentos de Físico-Química. Editora LTC, Rio de Janeiro.
Atkins, P.W.; Físico-Química. Vol. 1, Editora LTC, Rio de Janeiro.
Moore, W.J.; Físico-Química. Vol. 2 Ed. Edgard Blucher, SP,