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CONCURSO DE CREDORES I CONVOCAÇÃO DOS CREDORES 1. Função A fase do concurso de credores, no domínio da execução singular, é uma fase introdutória suplementar que tem por função chamar para o quadro da relação processual executiva, os credores que sejam titulares de direitos reais de garantia sobre os bens penhorados, como determina o artigo 864º, n.º 1 e 3, alíneas b), c) e d), do CPC. Destina-se ainda a chamar o cônjuge do executado, quando sejam penhorados bens comuns do casal e nos casos em que a penhora tenha recaído sobre bens imóveis ou estabelecimento comercial que o executado não possa alienar livremente, nos termos previstos no artigo 864º, nº 1 e 3, alínea a), do CPC. Diversamente do que sucedia no domínio do CPC de 1939, o nosso regime processual, em sede de execução singular, não acolheu o sistema do concurso geral de credores, mas circunscreve-se ao chamamento dos credores privilegiados com garantias reais sobre os bens penhorados e que disponham, em princípio, de título executivo bastante (art. 865º, n.º 1 e 2, do CPC). Assim, o chamamento dos credores privilegiados tem por finalidade proporcionar-lhes a satisfação dos seus créditos pelo produto da venda dos bens sobre que incidam as respectivas garantias reais e, nessa medida, viabilizar a transmissão livre e desonerada desses bens, nos termos do artigo 824º, n.º 2, do CC, sem detrimento dos direitos daqueles credores. A ocorrência tardia ou diferida desta fase introdutória decorre do facto de o universo dos interessados a convocar só ser definido com base nas penhoras efectuadas. 1 2. Oportunidade A convocação de credores inicia-se após a realização da última penhora, incumbindo ao agente de execução proceder, no prazo de cinco dias a contar dessa penhora, à citação dos interessados a convocar, nos termos do n.º 3 com referência ao n.º 2 do artigo 864º do CPC. De notar que, de acordo com o n.º 4 do artigo 838º do CPC, o registo meramente provisório da penhora não obsta a que a execução prossiga, não se fazendo, porém, a adjudicação dos bens, a consignação dos seus rendimentos ou a respectiva venda, sem que o registo se haja convertido em definitivo. Todavia, o juiz de execução pode, ponderados os motivos da provisoriedade, decidir que a execução não prossiga, se a questão lhe for suscitada – artigo 838º, n.º 4, última parte ( por quem: pelas partes, pelo agente de execução; e por terceiros interessados? ). Por exemplo, se a penhora for registada provisoriamente, por existir sobre os bens registo de aquisição ou reconhecimento de propriedade ou de mera posse a favor de pessoa diversa do executado ou do requerido, nos termos previstos no artigo 92º, n.º 2, alínea a) do Código do Registo Predial, a execução não poderá prosseguir, pelo menos quanto aos referidos bens, sem dar prévio cumprimento ao preceituado no artigo 119º do mesmo Código. De todo o modo, se qualquer das penhoras efectuadas estiver sujeita a registo, a fase da convocação não se inicia enquanto não forem juntos aos autos o certificado do registo da penhora e a certidão dos ónus, cujo envio ao agente de execução incumbe à Conservatória do Registo Predial (artigo 838º, n.º 2, do CPC). 2 3. Pessoas e entidades a citar: O agente de execução citará: A - O cônjuge do executado, nos termos da alínea a) do n.º 3 do artigo 864º e para os efeitos previstos no artigo 864º-A, ambos do CPC, quando: - a penhora recaia sobre bens comuns do casal (art. 1696º, n.º 1, do CC e artigo 825º do CPC); - a penhora recaia sobre bens imóveis ou estabelecimento comercial que o executado não possa alienar livremente (artigo 1682º-A do CC); B – Os credores que sejam titulares de direito real de garantia , registado ou conhecido, nos termos da alínea b) do n.º 3 do artigo 864º do CPC, para reclamarem os seus créditos, a saber: . o credor de consignação de rendimentos (arts. 656º a 665º do CC); . o credor pignoratício (arts. 666º a 685º do CC)1; . o credor hipotecário (arts. 686º a 732º do CC); . o credor que beneficie de privilégios creditórios (arts. 733º a 753º do CC); . o credor que seja titular de direito de retenção (arts. 754º a 761º do CC); . o credor que beneficie de penhora sobre os mesmos bens (art. 822º, n.º 1, do CC); 1 Legislação especial em matéria de penhor: penhor mercantil – arts. 397º a 407º do Cod.Com; penhor bancário – Decs.Leis n.º 29.833, de 17-8-1939 e n.º 32.032, de 22-5-1942; penhor sobre os direitos patrimoniais de autor – art. 46º do Código dos Direitos de Autor e Conexos, aprovado pelo Dec.Lei n.º (…); penhor no âmbito da actividade prestamista – Dec.Lei n.º 365/99, de 17-4. 3 . o credor que tenha obtido o arresto sobre os mesmos bens (arts. 622º e 822º, n.º 2, do CC). C – As entidades referidas nas leis fiscais , nos termos da alínea c) do n.º 3 do artigo 864º do CPC, com vista à defesa dos possíveis direitos da Fazenda Nacional, mormente no âmbito dos privilégios creditórios. Serão assim citados os dirigentes dos serviços centrais da administração tributária que procedam à liquidação de tributos e os serviços periféricos locais da área do domicílio ou sede do executado, dos seus estabelecimentos comerciais e industriais e da localização dos bens penhorados, nos termos e para os efeitos do artigo 80º, n.º 1, do Código de Procedimento e de Processo Tributário, aprovado pelo Dec.Lei n.º 433/99, de 26-10, republicado pela Lei n.º 15/2001, de 5-6. Para este efeito, importa ter presente que incumbe à Direcção-Geral de Impostos a liquidação dos seguintes impostos : a) - Imposto sobre o rendimento das pessoas singulares – art. 75º do CIRS; b) - Imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas, quando não deva ser objecto de auto-liquidação – art. 82º, al. b), do CIRC; c) - IVA, nos casos de liquidação oficiosa – art. 83º, nº 1, do CIVA; d) - Imposto municipal sobre imóveis (IMI) – art. 113º, nº 1, do CIMI. Aos serviços periféricos incumbe, além do mais, a liquidação do imposto municipal sobre a transmissão onerosa de imóveis – art. 19º, nº 2, do CIMTI. D – O Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, nos termos da alínea d) do n.º 3 do artigo 864º do CPC, com vista à defesa dos 4 direitos da segurança social, mormente no domínio dos privilégios creditórios de que goza. . Não há lugar à citação edital do cônjuge nem de credores (artigo 864º, n.º 1, do CPC). 4. Local da citação: . Os credores a favor de quem exista o registo de algum direito real de garantia sobre os bens penhorados são citados no domicílio que conste do registo, salvo se tiverem outro domicílio conhecido – artigo 864º, n.º 8, do CPC; . Os titulares de direito real de garantia sobre bens não sujeitos a registo são citados no domicílio que tenham indicado no acto da penhora ou que seja indicado pelo executado – artigo 864º, n.º 9, do CPC. De referir que o artigo 831º, n.º 2, do CPC prescreve que, no acto de apreensão de bens em poder de terceiro por via de penhor ou de direito de retenção, se anote o respectivo domicílio para efeito de posterior citação. 5. Efeitos da falta das citações prescritas (artigo 864, n.º 10, do CPC) A falta das citações prescritas tem o mesmo efeito da falta de citação do réu, com as necessárias adaptações, ou seja importa a anulação do processado posterior à penhora e a efectivação da citação em falta. Porém, não implica a anulação das vendas, adjudicações, remições ou pagamentos já efectuados de que o exequente não haja sido o exclusivo beneficiário, como ressalva o n.º10 do artigo 864º do CPC. E, segundo doutrina autorizada, o exequente só será exclusivo beneficiário quando seja 5 ele o comprador ou adjudicatário, sem que haja preferência ou remição, ou quando lhe toque em pagamento todo o preço da coisa adquirida2. Protege-se, desse modo, os terceiros adquirentes a quem não for imputável a falta de citação, não se anulando as vendas ou adjudicações que lhes forem feitas. Nestes casos, fica, no entanto, ressalvado o direito de indemnização da pessoa que deveria ter sido citada, direito este a ser exercido contra o exequente ou o credor pago em vez dela, segundo as regras do enriquecimento sem causa, sem prejuízo da responsabilidade civil, nos termos gerais, da pessoa a quem seja imputável a falta de citação – artigo 864º, n.º 10, 2.ª parte. 6 – Direito dos credores privilegiados não citados Os titulares de direitos reais de garantia que não tenham sido citados podem reclamar espontaneamente o seu crédito até à transmissão dos bens penhorados, como prevê o artigo 865º, n.º 3, do CPC; verificado o crédito reclamado, a sentença de graduação já proferida será refeita, por forma a incluir o crédito posteriormente reconhecido, nos termos do nº 6 do artigo 868º do CPC. 7 – Estatuto do cônjuge citado (artigo 864º-A do CPC) . O cônjuge do executado, citado nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 864º do CPC, goza do direito: a) – a deduzir oposição à execução ou à penhora, dentro do prazo facultado ao executado, respectivamente, nos termos dos artigos 813º e segs. e 863º-A e 863º-B do CPC; b) – a exercer, na fase do pagamento, todos os direitos que a lei processual confere ao executado; 2 Vide FERREIRA, Amâncio, Curso de Processo de Execução, 3 ed., p. 249. 6 . Por seu turno, em caso de penhora de bens comuns do casal , o cônjuge do executado citado nos termos e para os efeitos do artigo 825º do CPC goza: a) – do direito de requerer a separação dos bens do casal , nos termos dos artigos 825º, n.º 1, 5 e 7, pela forma prevista no artigo 1406º, ambos do CPC; b) – de recusar a comunicabilidade da dívida, nos casos e termos consignados no artigo 825º, n.º 2, do CPC 8. Estatuto dos credores reclamantes Os direitos que assistem aos credores reclamantes, no âmbito da execução, constam dos arts. 847º, n.º 3; 875º, n.º 2; 885º; 886º-A, n.º 1 e 2; 887º, n.º 1; 894º; 904º, al. a) e b); 906º, n.º 1, al. a), e 920º, n.º 2, todos do CPC. II 7 RECLAMAÇÃO, VERIFICAÇÃO E GRADUAÇÃO DE CRÉDITOS 1. Pressupostos . A reclamação de créditos, em sede de execução singular, pressupõe que o credor reclamante : a) – goze de um direito real de garantia sobre os bens penhorados para a satisfação do crédito reclamado (artigo 865º, n.º 1, do CPC): - consignação de rendimentos, penhor, hipoteca, privilégios creditórios, direito de retenção, penhora e arresto; b) – disponha de um título executivo que sirva de suporte do seu crédito (art. 865º, n.º 2); não obsta à reclamação o facto de o crédito reclamado ser incerto ou ilíquido, casos em que o reclamante terá de requerer os procedimentos preliminares previstos nos artigos 803º a 805º do CPC, com vista a tornar a obrigação certa ou líquida (art. 865º, n.º 7); note-se que, em caso de documento particular, a iliquidez da obrigação que não dependa de simples cálculo aritmético, importa a inexistência de título executivo, como se alcança do disposto na alínea c) do artigo 46º do CPC. c) – deduza a reclamação no prazo de 15 dias a contar da sua citação (art. 865º, n.º 3) ou, não tendo sido citado, reclame espontaneamente o seu crédito até à transmissão dos bens penhorados, ao abrigo do disposto no n.º 3 do artigo 865º. . Porém : a) – nos termos do artigo 865º, n.º 4 e 6, do CPC, a reclamação não é admitida nos casos em que o credor goze de privilégio geral, mobiliário ou imobiliário, ressalvados os privilégios creditórios dos trabalhadores, em qualquer das seguintes situações: 8 - quando a penhora tenha incidido sobre bem só parcialmente penhorável , nos termos do artigo 824º, renda, outro rendimento periódico, ou veículo automóvel; - quando o crédito do exequente seja inferior a 190 UC e a penhora tenha incidido sobre moeda corrente, nacional ou estrangeira, depósito bancário em dinheiro; - quando, sendo o crédito do exequente inferior a 190 UC, este requeira procedentemente a consignação de rendimentos, ou a adjudicação, em dação em cumprimento, do direito de crédito no qual a penhora tenha incidido, antes de convocados os credores. b) – Se não dispuser de título executivo, o credor pode, nos termos previstos no artigo 869º do CPC, dentro do prazo facultado para a reclamação, requerer que a graduação de créditos, relativamente aos bens abrangidos pela sua garantia, aguarde a obtenção do título em falta. Nesse caso, o agente de execução notificará o executado para, em 10 dias, se pronunciar sobre a existência do crédito invocado, face ao que: - se o executado reconhecer a existência da dívida ou nada disser – neste caso salvo se estiver pendente acção declarativa para a respectiva apreciação -, considera-se formado o título executivo e reclamado o crédito nos termos peticionados, sem prejuízo da subsequente impugnação pelo exequente e restantes credores – artigo 869º, n.º 3; - se o executado negar a existência da dívida ou já estiver pendente acção declarativa para apreciação do crédito, aguardar-se-á que o interessado obtenha o título na acção própria e venha reclamar o crédito na execução (artigo 865º, n.º 4); nessa acção, o exequente e os credores interessados serão réus, competindo ao requerente provocar a sua 9 intervenção principal, nos termos do artigo 325º e segs., quando a acção já esteja pendente à data do requerimento – artigo 865º, n.º 5. O requerimento do credor que não disponha de título, nos termos acima referidos, não obsta à venda ou adjudicação dos bens, nem à verificação dos créditos reclamados, mas o requerente será admitido a exercer no processo os mesmos direitos que competem ao credor cuja reclamação tenha sido admitida (porém não há despacho liminar de admissão das reclamações!). Todavia, os efeitos desse requerimento caducam nos termos prescritos no n.º 7 do artigo 869º do CPC. Obtido o título executivo e reclamado o crédito, com junção da respectiva certidão, dentro de 15 dias a contar do trânsito em julgado, será proferida sentença de graduação dos créditos. 2. Procedimento 2.1. Reclamação . A reclamação será deduzida em termos equiparados ao requerimento executivo, devendo o reclamante identificar o seu crédito com referência à origem, natureza e montante do crédito reclamado, bem como alegar os factos constitutivos da garantia real, podendo fazêlo por remissão para o título, mas deve expor, sucintamente, os factos complementares que fundamentam a pretensão e que não constem do referido título ou que sejam indispensáveis ao seu destaque. O reclamante juntará com a reclamação o título executivo e os documentos que titulam o direito real de garantia, quando indispensáveis à validade deste. As reclamações são autuadas num único apenso – artigo 865º, n.º 8 do CPC. 10 Com a reforma da acção executiva, deixou de haver despacho liminar de admissão dos créditos reclamados (casos problemáticos – artigos 865º, n.º 3, 869º, n.º 1 e 2, 920º). 2.2. Notificação do executado, exequente e credores reclamantes (artigo 866º, n.º1, CPC) Findo o prazo para as reclamações de créditos ou apresentada reclamação espontânea a que se refere o artigo 865º, n.º 3, do CPC, serão notificados o executado, o exequente e os credores reclamantes , sem necessidade de despacho de admissão liminar, nos termos do artigo 866º, n.º 1, do CPC. 2.3. Impugnação dos créditos reclamados e do crédito exequendo (art. 866º, n.º 2, 3,4 e 5) Quer o exequente quer o executado têm o direito de impugnar cada um dos créditos reclamados, no prazo de 15 dias a contar da respectiva notificação - art. 866º, nº 2, do CPC. De igual modo, em idêntico prazo, qualquer credor reclamante pode impugnar tanto o crédito exequendo como os créditos reclamados pelos demais credores que aleguem um direito real de garantia sobre os bens penhorados em relação aos quais o credor impugnante invoque também uma garantia real - art. 866º, nº 3, do CPC. A impugnação tanto pode incidir sobre os factos constitutivos do crédito impugnado, como pode consistir na alegação de factos impeditivos, modificativos ou extintivos desse crédito; pode ainda ter por objecto a constituição ou subsistência das garantias reais invocados , quer pelo exequente, quer pelos outros credores – art. 866º, nº 2 e 3, do CPC. 11 Todavia, se o crédito impugnado estiver reconhecido por sentença com força de caso julgado em relação ao impugnante, a respectiva impugnação só poderá basear-se em algum dos fundamentos mencionados nos artigos 814º e 815º do CPC, na parte aplicável – art. 866º, nº 5, do CPC. Ter-se-ão por reconhecidos os créditos e as respectivas garantias reais que não forem objecto de impugnação, sem prejuízo das excepções ao efeito cominatório da revelia estabelecidas para o processo declarativo ou do conhecimento das questões – mormente excepções dilatórias - que importem absolvição da instância do procedimento de reclamação – art. 868º, nº 4, do CPC. Assim, mesmo que não seja deduzida impugnação, por exemplo, quanto a uma garantia hipotecária, esta só pode ser reconhecida se tiver sido junto o documento comprovativo da sua constituição (certidão da escritura de constituição de hipoteca voluntária e certidão do respectivo registo); como também haverá lugar à absolvição do reclamado da instância do procedimento de reclamação, quando se verifique a falta ou insuficiência insuprível do título executivo ou quando ocorra ilegitimidade ou outra excepção dilatória. Quando a impugnação tenha por objecto um crédito de valor superior à alçada do tribunal de comarca, é obrigatória a constituição de advogado mas só a partir da referida impugnação – art. 60º, nº 2, do CPC. 2.4. Resposta (art. 867º do CPC) O credor, incluindo o exequente, cujo crédito haja sido impugnado mediante defesa por excepção pode deduzir resposta à essa matéria nos 10 dias seguintes à notificação das impugnações apresentadas. 12 2.5. Trâmites subsequentes . Findos os articulados do procedimento de reclamação, seguem-se os termos posteriores do processo sumário de declaração. Assim : a) - se nenhum dos créditos tiver sido impugnado ou se a verificação dos que foram impugnados não carecer de produção de prova, o juiz proferirá logo saneador-sentença, a considerar verificados os créditos recla-mados e a graduá-los com o crédito exequendo ; se, porém, ocorrer fundamento para absolvição da instância ou se a reclamação for improcedente, assim se decidirá; em caso de revelia inoperante, o processo terá de prosseguir para instrução e julgamento – art. 868º, nº 2 e 4, do CPC. b) – quando apenas alguns dos créditos tiverem sido impugnados ou devam ser considerados como tal (nos casos de revelia inoperante), ou quando a impugnação se circunscrever à matéria relativa às garantias reais, o juiz proferirá despacho saneador, quer reconhecendo os créditos que o possam ser, quer julgando improcedentes os que assim se apresentem, devendo os autos prosseguir para instrução e julgamento da matéria de facto impugnada, com organização da base instrutória, se não for dispensável; em qualquer dessas hipóteses, a graduação será relegada para a sentença final; c) – Todavia, o juiz poderá, ao abrigo do nº 5 do artigo 868º do CPC, determinar a suspensão dos termos do procedimento de reclamação posteriores aos articulados, até à realização da venda, quando considere provável que o produto desta não ultrapassará o valor das custas da própria execução, já que estas custas beneficiam de prioridade no pagamento (art. 455º do CPC); 13 d) – Produzida a prova em audiência final, será julgada a matéria de facto controvertida, nos termos previstas para o processo sumário de declaração. e) – Por fim, será proferida sentença final, em conformidade com o resultado da prova e com as normas legai aplicáveis, reconhecendo-se os créditos reclamados que o devam ser e procedendo-se à sua graduação com o crédito exequendo; f) – Se já depois da prolação da sentença, vier a ser verificado algum crédito que, depois dela, seja reclamado nos termos do nº 3 do artigo 865º do CPC, a graduação será refeita de forma a incluir o crédito verificado – art. 868º, nº 6, do CPC; g) – A decisão sobre a verificação e graduação dos créditos é impugnável por via de recurso de apelação, nos termos do disposto nos artigos 922º-A e 922-B, nº 1, alínea b), e nº 3, do CPC. . O procedimento de reclamação, verificação e graduação de créditos deverá ser julgado no prazo máximo de três meses a contar da dedução das reclamações - art. 809º, nº 1, al. b), do CPC. 2.6. Graduação com base em título obtido posteriormente (art. 869º do CPC) Nos casos em que um credor beneficie de garantia real sobre os bens penhorados, mas não disponha de título executivo, pode requerer, nos termos do artigo 869º do CPC, que a graduação de créditos aguarde a obtenção desse título, o que não obsta à verificação dos créditos reclamados nem à venda ou adjudicação dos bens penhorados (art. 869º, nº 6, do CPC); mas ao requerente assiste os mesmos direitos que competem aos credores cujas reclamações foram admitidas. Obtido esse título, o credor promoverá, dentro do prazo de 15 dias a contar do trânsito em julgado da decisão, que se proceda à graduação 14 suspensa, juntando a competente certidão, sob pena de caducidade – art. 869º, nº 7, alínea c), do CPC. Lisboa, Maio de 2008 Manuel Tomé Soares Gomes (Juiz Desembargador) 15 Alterações do CC: Artigo 735º 3 – Os privilégios imobiliários estabelecidos neste Código são sempre especiais: Artigo 749º 1---------------------2 – As leis do processo estabelecem limites ao objecto e à oponibilidade do privilégio geral ao exequente e à massa falida, bem como os casos em que ele não é invocável ou se extingue na execução ou perante a declaração de falência . Vide artigo 865º, n.º 4, do CPC Artigo 751º Os privilégios imobiliários especiais são oponíveis a terceiros que adquiram o prédio ou um direito real sobre ele e preferem à consignação de rendimentos, à hipoteca ou ao direito de retenção, ainda que estas garantias sejam anteriores. Lisboa, 15 de Maio de 2007 Manuel Tomé Soares Gomes 16