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DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO I

Juliana Ribeiro

c) Exclusividade: A eficácia territorial das ordens jurídicas é absoluta. b) Surge o conflito de leis no espaço. O conflito surge do contrato entre ordens jurídicas diferentes.2Características das ordens jurídicas independentes: a) Independência: Não há ordem jurídica superior às ordens jurídicas independentes. Direito Econômico. As ordens jurídicas independentes não são derivadas de outras ordens jurídicas (monismo com primado no direito nacional).. casos com participação de estrangeiro nos âmbitos do Direito Civil e do Direito Empresarial. Direito de Concorrência. § 4º).DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO PARTE GERAL 1 – Âmbito de incidência do Direito Internacional Privado 1. Ex: todas as regras que não possuam elemento estrangeiro que podem ter a indicação de uma lei aplicável. Por exemplo. pois depende de algumas condições. como normas de Direito Tributário. O Tribunal Pleno Internacional. são órgãos jurisdicionais em âmbito internacional. . ou seja. 1.1– Definição: É o ramo do Direito que estuda a solução de casos jusprivatistas com presença de elemento estrangeiro. que é o objeto do Direito Internacional Privado.Delimitação: a) Delimitação Positiva: . COROLÁRIO: (conseqüência) = solucionar o conflito.Não trata de normas diretas. pois suas normas defendem o interesse público. pois ele apenas indica a norma a ser aplicada de acordo com cada caso concreto em que se envolva um estrangeiro. a homologação da sentença estrangeira feita pelo STF. b) Relatividade: Não há valores jurídicos universais. por exemplo. . O Direito Internacional Privado soluciona o conflito de forma indireta. 2. b) Delimitação negativa: .1Postulados: a) O mundo é composto de ordens jurídicas independentes. pois não há órgãos de justiça internacional cuja vinculação dos países seja obrigatória. como: a lei brasileira é sempre aplicada nos consulados. ou seja. há condições para que a lei brasileira seja aplicada no exterior. 2.Apostila de Direito Internacional Privado I 2 1 . só são vinculados a esses órgãos os países signatários.. que é um caso da lei estrangeira aplicada no Brasil. mas a vinculação a eles não é obrigatória.Casos jusprivatistas: o Direito Internacional Privado.Ramo do Direito Público. cuida de casos de Direito Privado. embora um ramo de Direito Público. 2 – CONCEITO DE DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO: 2.2 . O que para um sistema jurídico pode ser correto. para outro pode não ser. a Corte Internacional de Justiça e a OMC.Soluções: o Direito Internacional Privado é um método de raciocínio para que se possa determinar a lei aplicável. Ex: a pena de morte. Ex: o juiz brasileiro em determinados casos pode aplicar lei estrangeira aqui no Brasil (vide LICC art 7º.Não trata de normas jurídicas de Direito Público.3– Centro normativo do sistema jurídico: .Presença de elemento estrangeiro: Contato com outra ordem jurídica independente. . . que desejam que os conflitos sejam apreciados por essas cortes. Já a eficácia extraterritorial é relativa.

. . 5. que ainda é muito utilizada nos países de língua inglesa (“Conflit of Laws”).O centro do sistema jurídico continua sendo alei. ex: LICC Tribunais nacionais mediante arbitragem Casos jusprivatistas com presença de estrangeiro DIP De Direito Internacional Privado Tratados Internacional Regular a conduta 5 – FUNDAMENTOS DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO 5. não é que nem no Brasil que os elementos de conexão são fixos como. Angola.O DIPr tem normas com natureza de direito público. Coréia do Norte. 3 –OBJETO DO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO: 3. DIPr SUJEITOS FONTES SOLUÇÃO DE CONTROVÉRSIAS FINALIDADE De direito privado Internas. como o caso do divórcio por repudia.O DIPr não é um ramo do Direito Internacional Público . . b) Família do Direito Socialista: China. direitos adquiridos. 4 – DENOMINAÇÃO DO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO: A mais antiga denominação é “Conflito de Leis”. Juliana Ribeiro 3 a) Família do Direito Islâmico: o centro normativo é o alcorão. Ex: a nacionalidade é estudada pelo Direito Constitucional. ? Então. conflito de jurisdição. .. conclui-se que o objeto do DIPr é o conflito de leis. nacionalidade e condição jurídica do estrangeiro. por esses critérios. b) Escola Anglo-americana: Para essa escola o DIPr só possui um objeto que é o conflito de leis. pois indicam o direito aplicável. vem do Direito Francês (“Droit International Prive”). E indiretas.1– Escola Estatutária : (Século XI ao XVII) .Escola holandesa: “Gomitas Gontium”.A natureza do DIPr faz parte do direito interno = normas de direito privado e natureza de direito público. não é necessário o estudo pelo DIPr. b) Normológico: O DIPr estuda normas indicativas e indiretas. Crítica à denominação: . Cuba.Escola francesa: Dumoulin.2 – Escola Anglo-americana: Story – Elementos de conexão flexíveis “A melhor lei para o contrato”. logo. por exemplo. pois resolvem indiretamente o caso concreto.Profa. por isso que o Brasil adota a teoria da Escola Ítalo-Germânica.Escola italiana: Bartolus de Saxoferrato.1– Escolas: a) Escola Francesa: Diz que o DIPr possui cinco objetos: conflito de leis. só muda no plano material (Direito Privado). A atual denominação que é “Direito Internacional Privado”. Essa corrente é que é adotada pelo Brasil. não deve ser estudada pelo DIPr.2– Crít icas: Há dois critérios: a) Metodológico: Exaustividade – se determinada matéria é exaustivamente tratada em algum ramo do Direito. Indicativas. Há casos que o Brasil não homologa sentença. aplica a lei brasileira para os contratos (“Better Law Aproach”) . 3.

(9º) L. Obrig. Brasil) Formalidades casamento Obrigações Contratos D. da situação do bem L.2– Quanto à estrutura: As normas jurídicas em geral compreendem: Se “A” é (hipótese de incidência) “B” deve ser (conseqüência jurídica). são normas de estrutura. local celebração (7º §2º) L. Por isso que as normas de DIPr quanto a sua estrutura são flexíveis. e a sanção é indireta (indicar a lei aplicável). local const. .Justapostas: Há duas normas. .2– Espécies: NOME DO ELEMENTO Lex Patriae Lex Loci Domicili Lex Loci Celebrationis Lex Loci Obligacionis Lex Loci Contractus Lex Rei Sitae Mobília Sequntum Persona Lex Sucessionis RAMO Estatuto Pessoal Personalidade) Estatuto pessoal (D.1– Quanto à redação ou técnica legislativa: . domicílio falecido (10º) CRITÉRIO (Útil.1– Conceito: “São os elementos técnico-jurídicos que indicam a lei aplicável (“centro de interesses”) em um caso jusprivatista com presença de elemento estrangeiro”. Ex: Código Civil Argentino e Código Civil Francês. Ex: art 7º § 1º da LICC (quando o casamento for celebrado no Brasil. conclui-se que para o casamento realizado no exterior. e outra sobre o Direito estrangeiro. pois não é o DIPr que resolve o caso concreto. reais – bens imóveis Bens móveis Sucessões . normas de conduta onde se descreve uma determinada conduta e a essa conduta é auferida uma sanção direta. 6 – NATUREZA DAS NORMAS DE DIPR: 6. ou seja. ou seja. domicílio do proprietário L. Já as normas do DIPr. Ex: art 7º § 1º da LICC. A esses meios técnicos.Bilateralizada: Interpretação para completar a norma unilateral.Bilaterais: A norma dispõe sobre a aplicação do Direito nacional e Direito estrangeiro. (9º) L. uma sobre o Direito nacional. que versam sobre conceitos.3– Escola italiana: Século XIX – Mancini – Elemento de conexão = Nacionalidade. Cont.Unilaterais: A norma dispõe sobre a aplicação do Direito nacional. a redação fala das duas possibilidades.Apostila de Direito Internacional Privado I 4 5. denominados elementos de conexão. 7. de Família e X Lei Domicílio (LICC art 7º) L. aplica-se a lei brasileira). quanto à sua estrutura. Para alcançar a lei aplicável. se aplica as regras do Direito estrangeiro. mas sim o Direito nacional ou estrangeiro. da aplicação de normas de Direito nacional e estrangeiro. . usados pela norma indireta para solucionar os conflitos de leis. 7 – ELEMENTOS DE CONEXÃO 7. local const. serve-se o Direito Internacional Privado de elementos técnicos prefixados. Ex: art 7º da LICC. que funcionam como base na ação solucionadora do conflito. 6. a contrario sensu.

Sendo assim. o ônus da prova incumbe a quem alegou (CPC art.1 – Fato: O direito estrangeiro é considerado como fato. o juiz deve procurar se há algum instituto similar. o CDC é ferido. direito estrangeiro que fere a ordem pública pode até ser válido. ou seja.1 – Princípio de ordem pública: São os princípios estruturantes do direito privado. ao aplicar o DIPr de outro país (normas de conflito). Ex: Troca de domicílio (para fugir da aplicação da lei tributária). A fraude à lei implica em ineficácia do ato. 337 – No Brasil o direito estrangeiro é considerado como direito.4– Remissão normativa: (Reenvio) ? Conceito: Ocorre o reenvio quando o DIPr de um país. e havendo.3 – Instituições desconhecidas: São institutos desconhecidos no ordenamento jurídico brasileiro. como. o “Trust ”. 8.Profa. se a parte não alega direito estrangeiro.2 – Direito: (Brasil) – CPC art. o juiz ou o tribunal poderá solicitar de ofício. 9 – LIMITES DE APLICAÇÃO DO DIREITO ESTRANGEIRO: 9. Se a parte alegar direito estrangeiro. Então. 337). . ele deve ser aplicado. por via diplomática. O Código de Bustamante disciplina a matéria nos arts. logo. 9. ele não deve ser aplicado. Se a parte não alegar. deve-se aplicar esse instituto similar. mas é ineficaz no Brasil (LICC art. por exemplo. pois fere a ordem pública. 9. o juiz pode pedir a colaboração das partes (auxílio na prova do teor e vigência do direito).Alteração dolosa de elemento de conexão afim de fugir da aplicação da lei. servindo como mera matéria probatória. CIDIP art 6º . 408 a 411.2– Fraude à Lei: CIDIP – Convenção Interamericana ratificada pelo Brasil. Nesses casos. permite a remissão normativa para o direito de um terceiro país. que estabelece normas gerais de DIPr. vigência e sentido do direito aplicável. a eleição do foro no exterior. pois segundo o mesmo o foro privilegiado é o do consumidor. Como é feita a prova? Através de certidão consular ou parecer de dois advogados estrangeiros. afasta-se a aplicação do direito estrangeiro e aplica-se o direito nacional. tem força de lei ordinária. Ex 4: Dívida de jogo: As decisões têm sido no sentido de que a dívida de jogo contraída no exterior (em países que o jogo é lícito). Ex 1: Divórcio islâmico: Dá-se pela repudia. logo. Diz o código que a parte que alega lei estrangeira poderá provar sua vigência e sentido através de uma certidão devidamente legalizada. e os demais são ineficazes para o ordenamento jurídico brasileiro. todos eles são princípios de ordem pública. O STF não homologa esse tipo de sentença. Esses princípios estão na Constituição Federal. Ex 3: Casamento de pessoas do mesmo sexo. antes de decidir que o Estado de cuja legislação se trata forneça certidão sobre o texto. Ex 5: Direito do consumidor: Contratos celebrados na Internet e contratos de “ Time Sharing”. Se a parte não puder provar ou houver insuficiência de provas. Não havendo um instituto similar no ordenamento jurídico brasileiro. de dois advogados em exercício no país de cuja legislação se trata. 17). o juiz deve saber de ofício. Juliana Ribeiro 5 8 – APLICAÇÃO DE DIREITO ESTRANGEIRO: 8. que aí sim viria a ferir a ordem pública. 9. Ex 2: Casamento poligâmico: Vale o primeiro casame nto. logo. pois se entendeu que se está executando uma obrigação e não instituindo a prática do jogo no Brasil. alteração de nacionalidade.

7º e art 10.Execução do contrato no Brasil – Lex Loci Executionis (art 9º §1º).5 – Questões prévias: São questões preliminares que resolvem a questão principal (questão de fundo). Ex: Contrato: Questões prévias = Requisitos de Validade .QUALIFICAÇÕES 4º . É.Objeto lícito – ordem pública (LICC art. . ? PASSOS PARA A RESOLUÇÃO DE CASOS DE DIPr: 1º . Cada legislação estabelece seus próprios critérios de qualificação.6 – Qualificações: Qualificar é atribuir existência jurídica. que surgir no decorrer de uma determinada lide que exige solução própria antes que prossiga o processamento da ação original.QUESTÕES PRÉVIAS 3º . mas só o reenvio do primeiro grau. e a lei de DIPr da França remete para a aplicação da lei alemã. 9. resultando daí diversidade no enquadramento das instituições. contudo. No Brasil não há reenvio. conceitos e relações de direito nos diferentes ordenamentos jurídicos. 7º). como a França. tanto no campo do direito material. em um processo sucessório em que é contestada a legitimidade dos filhos ou em uma ação de alimentos em que se contesta a validade do casamento. nas divergências encontradas entre direitos materiais dos Estados que se acha o núcleo do problema. O projeto da nova LICC prevê o reenvio. . As questões prévias do DIPr são todas aquelas cuja solução condiciona a da ação original que forma o tema principal do pleito. ? Religioso obrigatório: Utilizado em países como o Irã e Grécia. . .Capacidade – Lex Loci Domicili (LICC art. 9º). sucessões e societário. 17). 9. Assim ocorre.FORO COMPETENTE (# lei aplicável) 2º .Forma – Execução do contrato no exterior – Lex Loci Actus (LICC art 9º) .Lex Causae: Lei da causa do ato ou negócio jurídico – utiliza-se para os casos que envolvam bens (LICC art. A solução vai se dar por um dos elementos de conexão abaixo: .1– Tipos de casamento: ? Civil obrigatório: Há países. ocorre o desmembramento ( Depèçage). 8º) e obrigações (LICC art. Toda vez que se tem que aplicar a lei de vários países num mesmo caso. II – utiliza-se no Direito de Família. por exemplo. Na área dos elementos de conexão é típico o conflito em matéria de domicílio. QUALIFICAR = conceituar + classificar Ex: Domicílio = Brasil – Residência + Animus Alemanha – Registro Pode ocorrer o conflito de qualificações quando um sistema classifica um mesmo instituto de maneiras distintas. é definir de acordo com a técnica jurídica de uma legislação.LEI APLICÁVEL (questões de fundo) 5º .LIMITES A APLICAÇÃO DO DIREITO ESTRANGEIRO PARTE ESPECIAL: 1 – O Direito de Família: 1.Apostila de Direito Internacional Privado I 6 ? LICC art. Toda questão. Esses conflitos podem surgir tanto na área dos elementos de conexão do DIPr. é uma questão prévia. Ex: O Brasil diz que a lei aplicável é a francesa. simplesmente aplica-se o direito material estrangeiro e não as normas de conflito. portanto.Lex Fiori: Lei do foro – LICC art. que só aceitam como válido o casamento civil. 16: Esse artigo estabelece limites ao reenvio. que podem reenviar para a aplicação de um terceiro país.

1544 .O casamento realizado no exterior no consulado brasileiro deve ser registrado no Brasil no prazo de 180 dias. tanto o casamento civil como o casamento religioso são aceitos como válidos.3 – Casamento realizado por autoridade incompetente: Casamento realizado perante autoridade consular. sustenta que a lei de registros não permite. então. ou seja. deve-se levar o casamento a registro no prazo de 180 dias. 226 § 2º). ou quando um deles retorna. porém com o art.Realizado por autoridade incompetente. 1527 – Deve-se dar publicidade do casamento por editais na imprensa local. mas para o nubente estrangeiro depende da corrente que se adota: A corrente que sustenta que sim. utilizados em alguns estados americanos. O máximo que pode acontecer como sanção ao não registro é multa administrativa. defende que é para a garantia da segurança jurídica. .Profa. por força do art. 1. 1560.Entre brasileiro e estrangeiro: Não pode ser realizado no consulado. sendo sanável o vício ele é. o casamento não será nulo. 7º § 2º). II. Essa regra é válida para casamentos entre brasileiros e para casamentos entre estrangeiros realizados no Brasil. nulo ou anulável? Pelo CC/1916 poderia ser inexistente. 1550. Os brasileiros casados no exterior perante a autoridade consular brasileira quando voltam ao Brasil. pois não há lei que regule essa multa.4– Proclamas: (Publicidade) CC/02 art. que na prática não é aplicada. esse será convalidado. a corrente que sustenta que não. para ser anulado necessita de processo que requisite a sua nulidade.pode ser civil ou religioso. Pode ser realizado também no consulado. e a corrente mais aceita diz que depende do que dispõe a lei estrangeira. nulo ou anulável. 1. VI CC/02. . anulável. Se é anulável é porque tem vício sanável. Sistema consensual: Não necessita de formalidades. sim.Objeto ilícito ou impossível. .5– Prova do casamento consular: CC/02 art.Entre brasileiro e estrangeiro: Somente no civil ou religioso conforme a lei brasileira (CF/88 art.Entre brasileiros: LICC art 17 – não pode ferir a ordem pública LICC art 7º § 1º LICC art 18 – consulado. 1. . pois foi celebrado por autoridade competente. 226 § 2º . . a ação anulatória prescreve em 2 anos.6– Invalidade do casamento: (LICC art 7º § 3º) Motivos de invalidade: . 1. 1. mas deve ser o consulado da nacionalidade de ambos o s nubentes (LICC art. . 226 § 2º). se não tiver pedido de anulação do casamento no prazo previsto. Não respeitando o prazo de 180 dias. o casamento realizado por autoridade incompetente é ANULÁVEL.Agente incapaz. ou seja. Juliana Ribeiro 7 ? ? Sistema misto: Utilizado pelo Brasil (CF/88 art.Entre brasileiros: CF/88 art. conforme a lei brasileira. CC/02 art. ambos terão efeito perante a lei brasileira.Haver impedimento. Se o casamento (realizado no Brasil) é entre brasileiro e estrangeiro residente no exterior.Entre estrangeiros: Também pode ser civil ou religioso. civil ou religiosa incompetente é inexistente.2– Autoridade competente: Casamento realizado no Brasil: . é necessária a publicação de proclamas no país de origem do estrangeiro? Para o brasileiro os proclamas são obrigatórios. . 18 da LICC. Casamento realizado no exterior: .

Contratos inter ausentes: 2. 9º . (CPC art. A competência do Judiciário brasileiro nesses casos é relativa. 88. As partes entra m em contato por fax. Só se tiver bens no Brasil.8– Dissolução do vínculo: ? Divórcio: (CPC arts. . que não é questão de fundo. é aquele que faz a oferta. não interessando o que diz a lei de outro país. 12) . CPC art. 88. 1. . 17 (ordem pública). Absl. aplica-se o art. Caso não haja essa cláusula. Se outro país não aceita o casamento por procuração mesmo assim será válido o casamento. 7º). Assim. que são reguladas pela lei do local da celebração... ou seja. 2. 1542) Somente no cível. Havendo uma cadeia de propostas. mas o conceito de proponente é variável de acordo com a legislação de cada país..Agente (capacidade) – Lex Loci Domicili (LICC art.7– Casamento por procuração: ( CC/02 art. pela legislação brasileira. é considerada a última proposta válida. . teleconferência. I. a lei aplicável a esse negócio é a lei do domicílio do proponente. Sim. I e II. 89). conforme o art. Questão de fundo: LICC art. nesses casos considera-se que o contrato foi realizado no domicílio do proponente do negócio. Sim. . Comp. 12 da LICC.O STF diz que é inaplicável.Forma – Lex Loci Contractud (LICC art 9º).Apostila de Direito Internacional Privado I 8 LICC art 7º § 3º . pois trata-se de mero requisito de forma. 88. Comp. Assim é que se vai definir qual a legislação aplicável ao negócio. 88. e-mail. pois pode ser afastada pela estipulação da cláusula de eleição de foro. 1. Domicílio atual Brasil Estrangeiro Estrangeiro Brasil Celebração Estrangeiro Brasil Estrangeiro Estrangeiro Primeiro domicílio Estrangeiro Estrangeiro Estrangeiro Estrangeiro Pode o divórcio ocorrer no Brasil? Sim. CPC art. telefone.É possível que haja cláusula de eleição de foro para a resolução de controvérsias. 89). 88. 88 – competência relativa CPC art. Brasil não distingue nacionais e estrangeiros no exercício de direitos. a autoridade judiciária brasileira é competente quando o réu for domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação.2 – Foro competente: (LICC art. 89 e 90). § 1º da LICC (lei do local da celebração). sendo correta a aplicação do art 7º. 89 – competência absoluta 2 – Contratos internacionais: Contratos inter presentes: = regra vista anteriormente.Não havendo cláusula de eleição de foro. BR BR BR BR BR BR Est Est – – – - Est Est Estrangeiro Estrangeiro Estrangeiro CPC art.1 – Lei aplicável: (LICC art 9º). a proposta que contiver a última alteração substancial. CPC art. III Só se tiver bens no Brasil (CPC art. 12 da LICC ou o CPC art.Objeto – LICC art. que.Lex Loci Contractus Questões prévias: . Absl.

EXW (Ex Works) – o comprador vai buscar a mercadoria no estabelecimento do vendedor. São cláusulas padronizadas que trazem um conjunto de obrigações que vão regular os contratos de compra e venda internacional.Profa. deve-se analisar se eles não ferem a ordem pública. Daí o comprador pode fazer seguro para possíveis perdas. quem perde é o comprador. . Agora: CC/02 . considera-se que a mercadoria foi embarcada. 11. como a demora na descarrega ou na aduana. ela é nula. por isso. . O comprador é o responsável pelo seguro e pelo frete. não valendo. 9º da LICC que diz que o direito aplicado deverá ser o do local da assinatura do contrato. a sede da administração ou a sede das decisões (assembléias). Juliana Ribeiro 9 2. Insurance and Freight) – o vendedor embarca a mercadoria. mas agora com o CC/02. 2. no domicílio do proponente. 11 – Incorporação (local do registro).Sociedade estrangeira: A EC nº 6/95 revogou todo o art. por exemplo.1 – Regra geral: Antes: .3 – Cláusula de direito aplicável: O Brasil não aceita a estipulação dessa cláusula. Se constar no contrato será como se ela não existisse.Contratos de propriedade intelectual (marcas e patentes). 1134 – sociedade estrangeira – a que tem registro ou sede fora do Brasil (ou os dois) CF/88 art. Assim.Exceção: S. pois quaisquer danos ou deteriorações na mercadoria. mas essa tem que chegar ao porto de destino. voltando a valer a regra da LICC art. Controle: = onde de fato a empresa é gerida. saindo do pátio da fábrica a mercadoria já se encontra sob a responsabilidade do comprador. 171 da CF. 171: . 3 – Sociedades internacionais : O que se quer definir? A nacionalidade da empresa (se é nacional ou estrangeira).Contratos de investimento. Se a mercadoria se perder.5 – Contratos com observância da ordem pública: .Contratos de relação de consumo.2 – Três formas para definir a nacionalidade das empresas: Incorporação: = registro Sede: = pode ser estatutária (local onde está inscrito o contrato social). Há uma espécie de linha imaginária no navio. por exemplo. Só servem para contratos de compra e venda internacional. pois o vendedor exime-se de sua responsabilidade com a saída da mercadoria de seu estabelecimento. passando essa linha.CC art. . não havendo mais responsabilidade do vendedor. 2.Sociedade brasileira: sede + registro . aplica-se o art. não se responsabilizando pelo desembarque da mercadoria. ou seja. pois o vendedor é responsável até a chegada no porto. O comprador paga somente os custos até o porto. .CIF (Cost.4 – Incoterms: “International Commercial Terms” São cláusulas padronizadas do comércio internacional. 3. na aduana.CC art. vale a mesma regra que antes era expressa pelo art.A – para ser brasileira era necessário além do registro no Brasil ter também sede aqui. . Após o embarque o vendedor não é mais responsável. 171 da CF.LICC art.FOB (Free on Board) – o vendedor pega a mercadoria e a embarca. para contratos de franquia. isto é. . 3. . São contratos cuja realização é muito comum entre ausentes. ou seja. 1126 – sociedade brasileira – registro + sede no Brasil .

pois as leis penais têm eficácia apenas territorial. 4. mas comete ato contrário à ordem social e política. . salvo se posteriormente o mesmo editar um decreto revogando o decreto de expulsão. Tudo depende da infração que o estrangeiro cometeu. A subsidiária e a filial fazem parte do mesmo grupo econômico. . muito embora tenha ele entrado de forma regular. É um procedimento administrativo que é realizado perante o Ministério da Justiça. 1098): Quando a holding detém o controle de outra empresa (decisões e eleições de administradores). .Societária (“Corporate”): Lex Loci Societatis. pois se deve analisar caso a caso para saber se a expulsão é devida ou não. e segue as regras do país de origem da empresa. Ex: não deve o estrangeiro participar de manifestações contra o governo.Contratual (“Equity”): Parceria – aplica-se a lei contratual. Holding: Empresa que tem participação no capital de outras empresas. Não tem ação contra a negativa de entrada de estrangeiro em um determinado país. O país onde foi cometido o crime pede a extradição para julgar o crime. independente da nacionalidade do criminoso. Não podem ser expulsos os nacionais e os naturalizados que têm esposa e/ou filhos brasileiros. É também definida por critérios discricionários e políticos. Consórcios: (“Joint – ventures”) . salvo se a critério de autoridades brasileiras publique-se um decreto revogando a deportação. Uma vez expulso. Os critérios para ingresso no país. nos casos em que cessou o motivo para permanecer em território brasileiro. dizem respeito à segurança nacional de cada país.2 – Expulsão: O estrangeiro. . 2031 – Estabelece prazo de 1 ano como período de transição para se adaptar ao novo CC. 1099 do CC. estando o estrangeiro em situação irregular no Brasil.Simples participação: (CC art. pois não tem personalidade jurídica própria. O local de funcionamento no Brasil deve ser registrado na Junta Comercial. está regular no país. Retorna-se antes disso. 1100): A matriz participa com menos de 10% do capital de outras empresas. Vide art. constitui crime previsto no art. nesse caso. coligada é sinônimo de afiliada.Controlada: (CC art. A regra é de que uma vez sendo deportado.Apostila de Direito Internacional Privado I 10 3. Possuem personalidade jurídica própria e não têm dependência econômica. 1097). Conforme o art. em regra.Coligada: A holding participa com 10 % ou mais no capital de outra empresa. A expulsão também se dá mediante um processo administrativo perante o Ministério da Justiça. As subsidiárias seguem as regras do país em que foi constituída. visto que cada país pode estabelecer seus próprios critérios para ingresso em seu território.3 – Extradição: Um indivíduo é enviado a outro país onde cometeu um crime. poderá ser expulso se a deixá-la. o estrangeiro não poderá mais retornar ao Brasil. . Precisa de autorização da matriz. 4. ficando a critério da discricionariedade de cada país estabelecer critérios para ingresso de estrangeiros em seu país. CC art.1 – Deportação: O motivo da entrada no Brasil é irregular. o que cabe às autoridades decidir.3 – Sociedade estrangeira: Filial: Tem autonomia tributária. controlada ou de simples participação (CC art. Subsidiária: Constituição sob as leis do país onde está instalada. 977 do CC – Sociedades limitadas – conjugues – regime de bens. 338 do Código Penal. nesses casos ela pode ser coligada. 4 – Expulsão. Na hipótese da esposa. Ex: GM (EUA) – filial = GM/ subsidiária = GM do Brasil. conforme o entendimento da ONU. extradição e deportação: Lei 6815/80 – Estatuto do Estrangeiro 4. não se pode mais retornar ao Brasil.

. mas se casou após o cometimento do crime pode sim. deve-se ter tratado entre os países. quando o Brasil pede a extradição a outro país. o outro país deve declarar reciprocidade. mas nada impede que se cumpra a pena no país de origem. extraditar um brasileiro criminoso que por ventura encontre-se em seu território. em regra.Profa. por exemplo. podendo ter esse pedido negado. quando é requisitado ao Brasil algum brasileiro ou estrangeiro que cometeu crime em outro país. Nesse caso. desde que tenha ele cometido crime no exterior. Juliana Ribeiro 11 Ex: Um argentino comete crime no Paraguai e se esconde no Brasil.Fase administrativa: Perante o Ministério da Justiça. 102. como. ou seja.Fase judicial: Perante o STF (CF art. por exemplo. O criminoso deve ser julgado no local onde cometeu o crime. o Brasil pode também negar o pedido. Para que ocorra a extradição. pois as leis penais são. A extradição pode ser ativa. O Brasil nega pedido de extradição de brasileiro se a pena no país onde ele cometeu o crime é de morte. não tendo. Não enseja a extradição a prática de crimes políticos e de opinião. o Paraguai pode pedir a extradição ao Brasil para julgar o crime cometido pelo argentino. O processo de extradição dá-se em 3 fases: . territoriais. pode ser também passiva. nos casos que a pena no exterior é de morte ou se a pena cominada em outro país é maior que a do Brasil. II “g”). O brasileiro pode sim ser extraditado. . Não pode ser extraditado quem tiver filho ou cônjuge brasileiro antes do crime. .Fase final: Entrega do extraditando via Ministério das Relações Exteriores.