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INTRODUÇÃO AO FAROESTE Histórias de faroeste não são algo comum na Literatura Brasileira, afinal são histórias de uma outra

cultura bem diferente da nossa. Mas não posso deixar de lembrar como isso sempre foi algo presente na minha vida, de uma forma ou de outra, talvez por ser, de certo modo, algo bem mais popular.

Meu pai lia aqueles livrinhos de faroeste, de bolso, bem baratinhos, de leitura rápida e fácil, que infestavam as bancas a tempos atrás. Eu assistia aos filmes do Giuliano Gemma e Terence Hill ao lado de minha mãe que parecia gostar tanto quanto eu.

Quando me apaixonei por quadrinhos li, por muito tempo, apenas os superheróis, até que descobri, também, os quadrinhos italianos de faroeste – os fumetti - , como Tex e Zagor. E eu simplesmente os devorava.

Quando fiquei adulto o advento do DVD me fez rever (ou mesmo ver pela primeira vez) alguns clássicos do faroeste que eram difíceis de assistir na TV ou mesmo de conseguir no velho VHS.

Assistir Três Homens em Conflito, Era Uma Vez no Oeste, Rio Bravo, entre outros, me levava não só de volta ao passado, como também reacendia essa paixão que eu tinha – mesmo que eu nem percebesse – pelo Velho Oeste.

E Jerusalem Jones nisso tudo? Bom, Jerusalem Jones nasceu por acaso, e nem mesmo era para ter vivido além de um único conto. Mas, ao que parece, ele é mais forte do eu pensei.

Quando escrevo no meu blog – o Rapadura Açucarada – eu sempre o uso como um laboratório, onde faço minhas experiências de escrita. Algumas dão certo, outras não, e algumas até explodem na minha cara. Quando estava, um dia, tentando encontrar uma idéia para um conto, pensei que podia escrever um que se passasse no Velho Oeste. Sim, era isso mesmo que eu ia fazer, restava agora, encontrar um nome para o personagem central.

Eu nem mesmo tinha uma história, mas precisava de um nome. Meu cérebro começou a girar em busca de alguma coisas em suas “pastas e sub-pastas”. Um nome estalou em minha mente: Jericho Jones. Isso soava bem. Mas eu não

queria algo que corresse o risco de já existir, então fiz uma busca rápida no Google. Sim, existia, parecia ser o nome de uma banda obscura qualquer. Então desisti de Jericho Jones.

Continuei a pensar e vi que Israel tinha mais nomes interessantes para cowboys com nomes surreais, e pensei, bem se não posso usar Jericó, vou usar Jerusalém. E, mantendo Jones, resultou no nascimento de Jerusalem Jones.

Assim, escrevi o conto que abre esta coletânea – Ouro de Tolo – na intenção de que fosse apenas mais um conto, entre tantos que eu escrevia no blog.

Alguns dias depois me peguei pensando que deveria escrever só mais um com o Jerusalém Jones. E assim foi. A aceitação dos leitores do blog estava sendo grande e isso, junto com meu próprio entusiasmo, me deu a certeza de que eu deveria transformar o J.J. (como os leitores começaram a chamá-lo) em um personagem fixo.

Mesmo depois de escrever um conto de ficção-científica, eu acabei por fazer uma ligação da próxima história do J.J com o conto de FC e estava pronta a “confusão”.

J.J. pode viajar no tempo, é quase um zumbi, luta com bandidos comuns, as vezes É um bandido comum (ou não tão comum), encontra fantasmas, alienígenas, versões diferentes dele mesmo, as vezes entra em combate com (na realidade geralmente apanha de) ícones da literatura, quadrinhos e sabe-se lá de onde mais.

Talvez J.J. viva em um Velho Oeste que nunca existiu, ou talvez apenas, nós é que não chegamos a conhecê-lo. Quem sabe seja apenas um universo paralelo, e eu tenho que agradecer aos universos paralelos. O que eu faria sem eles?

Fora Jerusalem quem lhe dera o carinhoso apelido de "Sem Pescoço". Era porque ele . mesmo que. No entanto. que Billy aceitou prontamente. Assim sendo. depois de os dois rolarem no chão.. Sério. 13 de Junho de 2007 EPISÓDIO 01 – OURO DE TOLO Aqueles eram dias estranhos. com Billy. Jerusalem admite que levou uma bela surra.. se proteja das balas e boa leitura! Eudes Honorato. Não. às vezes elas assustem um pouco (de uma maneira ou de outra). E ficou mais chateado ainda de ter que abrir uma saída de ar na sua cabeça. Rio de Janeiro City. Chateado mesmo. saiba que tudo por aqui é inesperado. "diferente". numa briga que deve ter durado umas três horas. Afinal eles eram amigos de infância. pois ganhara "honestamente" todo o ouro de Billy "Sem Pescoço". mas era tarde demais. Billy continuou "Sem Pescoço". Jerusalem não era homem de guardar rancores. Jerusalem Jones estava feliz. Jerusalem ficou realmente chateado quando Billy tentou atirar nele. que cada um que se atreva a ler este eBook.. hmmm. O que ele podia fazer se Billy era tão bronco? Achava que jogar cartas era uma diversão como outra qualquer.O que sei é que as histórias de Jerusalém Jones são para divertir.. e não foi por causa disso que jogara cartas de forma é.

propôs logo um joguinho de pôquer. e não entendeu.era desonesto mesmo. E ao ver Billy com aquela "montanha" de ouro. Mineiro coisa nenhuma. Diacho! Ele nem mesmo sabia que Billy tinha se tornado mineiro. com o sol forte batendo em seu rosto. e nem fez questão de entender.O senhor está com algo que me pertence. Foi nessa hora que viu as iniciais P. finalmente. as histórias acabaram junto com o ouro. E continuava o mesmo bronco que era quando criança. para sua felicidade. as quais ele devia engarrafar e vender como xarope contra insônia. morto na mesa e para ele. Billy contava suas aventuras em busca de ouro. bordadas. Jerusalem suspirou. em resposta. Billy.disse o homem apoiando a mão sobre o cabo do revólver mais reluzente que Jerusalem já vira em sua vida. ajeitou o chapéu e foi em direção a seu cavalo. Legítima defesa. . para guardar a pequena sacola de ouro. Foi aí que Billy lembrou que tinha uma arma. Mas.S. Até que. Se bem que seria um fracasso de venda. o desgraçado. E ainda inventando histórias enfadonhas sobre sua vida nas minas. Estava em seu sangue. O que fazer? O que fazer? . Jones. Mas deveria. Quando ia montar. Jerusalem olhou para trás e percebeu que o homem pedia informações e que o barman apontava para Billy. passou por ele e entrou no bar de onde acabara de sair. Seu entusiasmo em contar suas histórias ia diminuindo ao passo que ia perdendo mais e mais do ouro que tinha consigo. Quando Jerusalem saiu para a rua. Deveria ser escritor. ele se tornara sim.Peter Shepherd . Pensou em montar e desaparecer. mas sentiu um frio na espinha ao ver que o homem já estava praticamente em frente a ele. Sr. um homem vestido bem até demais para o estilo decadente de Bether City. Por alguns segundos ele amaldiçoou o "Sem Pescoço" em sua mente.Qual seria sua graça? . . Apenas um ladrãozinho de merda. Péssima idéia.

pois os homens do xerife não estavam nem aí para vinganças pessoais e caíram em cima dele. sem mover um músculo da face. Como diabos o "Sem Pescoço" conseguiu roubar esse cara? Isso tudo era uma confirmação de que os dias andavam muito estranhos. E depois matou.Homem do revólver reluzente estuprou filha de Pássaro Triste.O homem tinha um olhar congelante. Quando o homem tomou a pequena sacola com ouro. .Eu ganhei isso num jogo honesto. Uma faca enorme estava cravada em suas costas e ele estrebuchava no chão. Pássaro Triste agra. e parecia bem inofensivo. . segurou a mão de Jerusalem e entregou-lhe o ouro. Em pé atrás dele estava um índio. Que para alguns gananciosos poderia ser pouco. não vamos exagerar. prendendo-o. Como se as coisas estivessem fora do lugar. Jerusalem lembrava de tê-lo visto perambulando pela cidade. Quando por fim ele parou de se mover.mas Pássaro Triste não terminou a frase. Em seguida tombou para a frente quase caindo em cima de Jerusalem que se desviou. mas que para Jerusalem poderia significar o fim de uma vida desonesta. com todo aquele ouro que ele nunca vira em toda sua vida. .tentou Jerusalem. soltou e deixou cair. dizendo: . O índio estava como se fosse em transe olhando o corpo de Shepherd que dava suas últimas estrebuchadas. Homem feio ajudou a distrair homem de revólver reluzente. numa última tentativa. então ouro seu.Sim. Pelo menos até agora. Jerusalem estendeu a sacola.. o índio pegou a sacola do chão. Sr. Bom. mesmo assim Jerusalem sentiu o sarcasmo.disse o homem.. ganhou . . .

o bêbado se mijou.Fica felisshh! Eu esshhhcutei que elesshhh iam pegar era vochê. Homem feio é o cacete! Não sou tão feio assim.. HAHAHAHAHAHAHA! . olhando para Jerusalem. Sem pensar duas vezes. Pensava consigo mesmo Jerusalem.. O saco era o mesmo. Ainda rindo o bêbado apontou para trás do saloon. EPISÓDIO 02 – O DESERTO TE CHAMA Jerusalem Jones estava num daqueles dias em que nada dava certo para ele.e. pensou Jerusalem. Nada mais que pedras. Quando ia guardar novamente a sacola no seu alforje. e Jerusalem foi olhar e só viu a poeira dos cavalos do índio e dos supostos ajudantes do xerife. um velho bêbado ria de se mijar. Depois de ter perdido todo aquele ouro para um maldito pelevermelha.Homem feio. Odeio gente desonesta. Jerusalem percebeu que havia algo errado. o que ele menos queria na vida era ver outro índio pela frente. abriu-o. E o bêbado disse: . meteu a mão e puxou. pedras. E montou em seu cavalo. rindo. massshhh o almofadinha chegou e elessh mudaru o prano. . As iniciais sumiram. Nada mesmo. Já iam longe. claro que era. Num canto do saloon.

faziam um círculo perfeito em volta dos corpos. Estava para fazer isso. é a sua maldita curiosidade. mas alguma coisa não estava certa. passou com cuidado entre uma das carroças que pegava fogo e começou a andar entre a tragédia. Ele só não entendia o que. Nem mesmo a forma brutal com que foram mortas. era óbvio que a cena era muito mais aterradora: corpos de pessoas espalhados para todo lado. chegando mais perto. Logo percebeu que era uma caravana que havia sido atacada. Montou no cavalo. algumas até mesmo decapitadas. comer alguma coisa e dormir. Aquilo fez um arrepio percorrer todo o seu corpo. Estava na hora de apear. O clarão era do fogo que vinha das carroças incendiadas. que estava lá a frente. fez Jerusalem sentir tanto incômodo ou. e disparou naquela direção. Mas ele precisava ver o que era o clarão. Invariavelmente ela o coloca em alguma espécie de enrascada. A noite já estava avançada e ele não ia querer atravessar o deserto à noite. Foi quando percebeu que as pessoas no chão. mas com a cabeça ainda junto ao corpo. medo. Quando se aproximava. E era pensando nisso que Jerusalem cavalgava em direção ao Norte. Jerusalem desceu de seu cavalo. Enquanto examinava os corpos. logo percebeu que a coisa não era nada agradável. E um defeito que Jerusalem Jones detesta em si mesmo.Provavelmente ele atiraria no primeiro que aparecesse. Porém. Naquela escuridão da noite o espetáculo era algo assustadoramente hipnótico. percebeu que as carroças pegando fogo. Poderia ser uma manobra para se proteger do ataque. Sua mente gananciosa só pensava em encontrar alguma coisa de valor que tivesse ficado para trás. como ele não queria admitir para si mesmo. fazer uma fogueira. também estavam dispostas em uma ordem. só para tentar fazer passar a raiva que sentia. . quando viu um clarão mais adiante. sentindo o calor das chamas que parecia não diminuir nunca. todas mortas. para Birconal City.

Jerusalem não queria saber como aquelas pessoas foram massacradas. Foi quando Jesrusalem Jones ouviu o grito mais aterrador de toda sua vida. Jerusalem levantou olhou mais uma vez para a estrela e depois para os corpos espalhados no chão e levou um susto. Uma estrela de cinco pontas. Olhou ao redor e viu uma elevação. e era de ouro. Ele se abaixou e puxou com força e era um cordão com um pingente estranho. que mesmo minúsculos dava para ver que era coisas que pareciam ter saído do inferno. Se foram ladões. com várias algumas inscrições em uma língua que. E índios também não foram. Bom. o que importava era que aquele cordão era pesado. E estranho terem apenas estripado e degolado aquelas pessoas que pareciam não fazer mal a uma mosca. não conhecia. Provavelmente fora algum bando de saqueadores sádicos. Correu na direção dela e subiu até seu topo. sentindo o vento da noite ficar mais frio. Jerusalem escutou um uivo de lobo bem distante. da elevação dava para ver os corpos todos dentro do círculo flamejante. que fora degolada. com certeza ele. Como se mil demônios gritassem numa única voz. Os corpos. que era quase analfabeto. Por sorte. Mesmo assim outro arrepio percorreu seu corpo. O que era comum naquelas paradas. sobrepôs à imagem dos corpos. já que não havia sinal de tiros. Como se as portas do . Estava pra sair quando o luar fez reluzir algo dourado embaixo do corpo de uma menininha loira. pois não havia uma flecha sequer por ali. Chegou mesmo a se engasgar com a própria saliva.Parece que estava na hora de Jerusalem Jones deixar o local. não havia nada. fechando um olho. Ele levantou a estrela e. estranho terem deixado o cordão para trás. Jerusalem tremia. No reverso haviam desenhos bizarros. Também seria bom cavalgar mais para longe e descansar em outro lugar. eles estavam dispostos no mesmo formato da estrela de ouro. Tossindo ele saiu do meio das carroças em chamas. pois de valor ali. Sim.

Um grito que rasgava a alma em tiras. para longe dela. Seu sorriso desaparecera. Jerusalem não sabia o que fazer. Jerusalem quase riu daquilo. Sua ganância superava seu medo. Conseguiu o máximo de pedras que . as carroças estavam apagadas. Nessa hora a menina deu um grito gutural ensurdecedor e pulou na direção de Jerusalém. Olhava para Jerusalem caído ao chão. com seu vestidinho branco. que segurou a estrela com força e acertou a cabeça da menina com uma das pontas. Não estava mais degolada. Quando olhou para cima. A menina apontou novamente para a estrela na mão dele e fez sinal de que a queria de volta. no lugar onde antes havia uma menininha. Ele nem havia notado. Quando terminou. caindo lá embaixo. Jerusalem se desequilibrou e rolou da elevação. tanto que Jerusalem Jones tapou os ouvidos pois parecia que iriam endurdecêlo. Ela estendia uma das mãos e apontava para a estrela. Estrume seco e fumegante. aos pés de alguém. Ela apontou mais uma vez para a estrela e fez sinal com a mão para que ele a devolvesse. Sem perceber. soltando gritos terríveis. Ele viu pequenos pés descalços e brancos como neve. o que restou foi um monte de estrume seco. Jerusalem fez que não com a cabeça. com seus olhinhos de criança e um sorriso incômodo. mais tarde. Jerusalem sentia algo estranho dentro de si.inferno se abrissem. e acabou fazendo algo que nem ele mesmo acreditou depois que parou pra pensar. devagar. Jerusalem hesitava em entregar. Sentado no chão ele começou a se arrastar para trás. Quando olhou na direção do massacre. Ela a queria de volta. Seu rosto se transfoformara numa máscara de fúria contida. mas o dia estava amanhecendo. Medo esse que não era pouco. era a menina da qual ele tirou o cordão de debaixo do corpo. Parecia estar preparada para ser posta na cama. Ela caiu e começou a entrar em convulsões violentas. Ele meteu a mão nele e puxou a estrela de ouro. A menina andava calmamente em sua direção. nem mesmo suja de sangue. restando muito pouco delas. A menina loira.

De preferência antes da meia-noite. Até mesmo os erros do projetos não foram surpresas. A chuva cairia em breve. e resolveram se arriscar. mais pesado. Ele queria apenas chegar o mais rápido possível em Birconal City e se livrar daquele cordão pelo melhor preço que ele pudesse conseguir. Quase se sentia honesto. Tudo foi planejado. nem fazia questão de saber. Ele não sabia o que aconteceu ali. contando com o estrume que um dia foi a menininha. O dia estava escuro e ainda era o meio da tarde. e sentia uma angústia na alma. Armou cruzes e fincou em cada um dos montes de pedras. afinal de contas eu sabia tudo que devia fazer. Nada do que acontecera fora por acaso. a perder de vista. Eu olhava para o deserto adiante. Treze pessoas no total. Sentia como se a estrela esquisita de ouro fosse seu pagamento por aquilo tudo. e deu um enterro cristão àquelas pessoas. angústia essa que eu não conseguia identificar exatamente a causa. em algum lugar do futuro. sabendo que os benefícios poderiam ser infinitos para a humanidade. e tudo aquilo tornava aquele dia mais sinistro.. Todos sabiam o que estava em jogo. INTERLÚDIO – PROTOCOLO BETA 77 Enquanto isso. Eu ouvia alguns trovões ao longe. Nesse ..podia.

"Benefícios para a humanidade". Disso eles sabiam. para nos tornamos amigos e amantes. e volto a encostar a cabeça na vidraça que dá para o deserto. eu quase solto uma gargalhada... como se fosse um presságio das coisas que ainda estão por vir. Que bando de ingênuos. melhor esquecer isso.. deixamos de ser apenas um par de colegas. enterrado. Mas não consegui eliminar Tanya. os militares virão com tudo para cá e. e matei todos os outros. É Tanya. Vou te dizer. Não tive coragem. provavelmente bombardearão o laboratório. ai. Tanya de quem agora escuto os grunhidos vindos do freezer... Depois que as coisas ficaram mais sérias entre nós. Injetei a única unidade de antídoto em mim mesmo. como estava previsto nas projeções. Quando tudo deu errado.HAHAHAHA. porra. ah. e segundos depois.ponto. Eu escuto o som a que me acostumei. eu consegui fazer aquilo para o qual fui treinado caso tudo desse errado. Todos estavam ávidos de enriquecer tanto quanto eu. vindo do freezer... foi muito bom estourar a cabeça do Paul Bryan. Ou quase. antes que tudo passasse da linha-limite.. muito longe ainda. ouço a resposta de um trovão.. e que os animais que usamos para testes eram nada menos que um showzinho para distraí-los. ai. Tomo um gole do café frio que tenho comigo. Uma ironia e tanto. Não consigo. que eram tão descartáveis quanto se provaram ser. nos últimos dias... Esse assunto está morto e . A droga não fazia o efeito desejado neles..hahaha. Um clarão de luz atravessa as nuvens negras. depois daquelas piadinhas infames sobre meu.. e só depois farão as perguntas. Os cientistas envolvidos não sabiam que eles mesmos eram as cobaias. já que nosso projeto não estava nem aí para os humanos envolvidos. . Depois que o prazo final para nos comunicarmos chegar ao fim. Eu já devia ter me mandado daqui. Ela fora desenvolvida para seres humanos. Mas eu não consigo deixar Tanya.AHAHAHAHAHAHA..

Devo acabar com seu sofrimento e partir. e ouço um "entendido" do outro lado da linha. pelo menos para eles. Alguém com uma voz muito impessoal atende. Não há salvação para a mulher que amo. O cheiro de terra molhada atravessa as paredes. Sou tão descartável para eles quanto todos os outros. Bom. aqui não seria diferente. As tentativas que fiz de reproduzir o antídoto foram em vão. Eu aceitei porque. Preciso ver Tanya uma última vez. Que devo fazer? Sentar e morrer? . seguido por gorgolejos horríveis. melhor parar de protelar e fazer a ligação para os militares. A chuva começa a cair pesada. acabar com o sofrimento de Tanya e partir desse cemitério no meio do deserto. lá no freezer. É sinal de que ela está se alimentando. mas eu devo isso a tudo pelo que passamos. Que diabos! Eu não sabia desse procedimento. Pego meu celular e teclo um número secreto. O laboratório está sendo lacrado. Desligo o celular e levo um susto quando vejo que a o laboratório está escurecendo e não é por causa do tempo lá fora. eles disseram que teria aplicações humanitárias também. Aprendi coisas que eu não aprenderia em 100 anos. além da fama e fortuna. Mas tudo aqui foi patrocinado pelo governo e as experiências tinham um objetivo prático. tudo valeu a pena. Mas tudo tem seu preço.Sou despertado para a realidade por um grito mais agudo de Tanya. Não sou tão ingênuo assim. Eu preciso ir embora. Acho que ela já consumiu quase todo "alimento" que deixei no freezer junto com ela. Mas. Informar aos militares para que limpem a área. e não só militares. As gotas parecem bombas quando atingem o chão. eu digo apenas "Protocolo Beta 77". Se tudo aqui fosse ilegal. ou se apenas quis acreditar que era verdade. Malditos! Fui ingênuo em achar que eles deixariam alguma testemunha. Não sei se acreditei. excetuando-se o caso da minha querida amada. literalmente falando. seria um bom modo de eliminar as provas. Sei que não deve ser uma visão das mais agradáveis.

meu deus. em meio a tempestade que cai.. que sonho estranho. Hã. EPISÓDIO 03 – A TEMPESTADE ...... Sinto uma dor imensa na perna direita e tudo escurece... e que cheiro horroroso.. Luz.. há um temporizador na porta.. aaaaaaaaaaaahhhhhhHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!! Ao longe uma bola de fogo se forma no deserto... que. Tanya? Oh..O laboratório é lacrado completamente.. Que diacho? Onde estou? Não é a cama. enfim. mantido a baixa temperatura. onde estamos? Que há com você? Porque estamos no freezer? O que você está comendo? Isso é uma perna.. querida.... Engraçado. Deve ser questão de minutos até que os bombardeiros cheguem. você está aí? Tá escuro aqui e frio. hã. Hã. To congelando! Parece que tô no free. droga um interruptor. Tânya. está aberta?! Desde quando? Diacho.. Nossa! É isso! O freezer! Existe material explosivo dentro do freezer. Estava marcado para abrir automaticamente. *** Que.. estou tentando lembrar algo importante. que. a porta do freezer. minh.. Tanya. Acho que posso usar para escapar. Foi usado em algumas experiências de outro bloco. Logo tudo ali vai ser mandado pelos ares.

De volta ao presente...

Jerusalem Jones acordou, como se saísse de um poço de areia movediça. Olhou para o lado, na cama, e fez uma careta. Era sempre assim quando ele bebia demais, acabava na cama com uma mulher que poderia muito bem sair no tapa com um urso... e vencer.

Procurou, então, sair de fininho, mas o barulho do ronco era tão alto, que ele nem mesmo precisou de muito esforço. Tremia ao imaginar o que ele teria feito para que ela dormisse com tanta satisfação e com aquele sorriso - onde faltavam vários dentes - estampado na cara. Jerusalem espantou esses pensamentos da cabeça e resolveu ir embora. Estava no bordel que sempre frequentava e, se acabara com aquilo lá na cama, devia ser mais uma peça que Betina, a dona do local, lhe pregara. Ela adorava fazer esse tipo de coisa com ele.

Quando desceu as escadas, as poucas garotas que já estavam acordadas ficaram dando risinhos e cochichando entre si. Ele procurou não dar atenção e foi ao bar, pedindo alguma bebida, para curar a ressaca. Betina estava servindo, e apenas sorriu para Jerusalem, como quem dizia que ele mereceu tudo pelo que passou. Depois de beber, mandou pendurar - coisa com que Betina já estava acostumada - e saiu.

Jerusalem tinha alguns negócios em Battle City, e estava querendo apenas resolvê-los, pegar a grana e se deitar com a mulher mais gostosa que ele conseguisse, para pode esquecer de vez o episódio desta noite. Montou em seu cavalo e foi em direção ao norte à toda velocidade, mesmo com sua cabeça explodindo devido à ressaca.

Viajaria de dia mesmo, sem paradas e sem esperar que a noite chegasse, pois os últimos acontecimentos, lá no deserto, ainda estavam frescos em sua mente. Rezava - sabe-se lá para quem - para que nada de estranho acontecesse desta

vez. Mas, parece que seus pedidos não iam ser atendidos, pois uma tempestade parecia estar se formando, e era das grandes. Ele tinha de se apressar. Já bastava a dor de cabeça, ficar ensopado seria mais uma coisa para irritá-lo.

Jerusalem Jones cavalgava e sentia que a tempestade que iria desabar a qualquer momento, adquiria um aspecto muito estranho. O céu estava ficando num tom meio avermelhado, e os relâmpagos parecia emitir um som estranhíssimo, como o de metal sendo raspado por metal. Aquilo estava deixando-o louco. Chegou a pensar se não era coisa de sua imaginação, ou simplesmente da ressaca que ainda não estava curada.

Olhou para trás e a cidade de onde acabara de sair estava com o céu límpido sobre ela. Aquilo quase o fez cair do cavalo. Jerusalem Jones começou a pensar se ele não atraía esse tipo de coisa. Sua mente vagueou e começou a lembrar de quando era garoto e presenciava as coisas mais estranhas, ou simplesmente estava no meio delas. Lembrou de quando sua mãe saiu correndo para fazer o parto de Patty O'Malley e ele foi junto. Quando chegaram por lá, era tarde demais, a criança já havia nascido. Ou melhor, algo havia nascido. Aos pés de Joe O'Malley estava algo que parecia ter saído do próprio inferno, com um ancinho fincado no meio do peito. Ele vomitou tanto nesse dia, que parecia que ia colocar as tripas para fora. Alguns dias depois, Patty e Joe se suicidaram.

Um relâmpago mais forte faz com que o cavalo de Jerusalem quase o derrubasse. Assim, ele acha que o melhor a fazer é parar por ali e procurar um abrigo. Logo encontrou uma caverna não muito funda , na qual entrou e colocou seu cavalo. A chuva começou a cair forte logo em seguida. parecia que o mundo estava ganhando outro dilúvio. Foi quando Jerusalem escutou um som de explosão. Olhou na direção do som e viu, ao longe, uma bola de fogo se formando no deserto, em meio a tempestade que caía.

Era uma explosão, obviamente, mas uma que Jerusalem nunca tinha visto. A chuva foi diminuindo e a curiosidade de Jerusalem Jones aumentando. Logo ele se pôs a cavalgar na direção de onde ele avistou a bola de fogo. Jerusalem se sentia estranhamente vivo. Cavalgava com rapidez e logo pôde ver escombros de algo que ele, tinha certeza, nunca vira por aquelas bandas antes. Quando se aproximou mais, viu algo bem estranho. Um homem com roupas estranhas vinha em sua direção, usando algo como bengala, pois lhe faltava uma perna. Aliás, ele tinha feito um torniquete bem esquisito nela. Jerusalem vendo o homem naquele estado sabia que não precisava temê-lo, assim pensava ele. Quando este chegou mais perto, começou a falar como um louco: . - A explosão... o laboratório... a tempestade! Um vórtex temporal. Criou um vórtex temporal. Em que ano estou... em que ano estou. Você é um cowboy? Estou no Velho Oeste? Em que ano estou? A tempestade criou um vórtex temporal e a explosão me lançou para o passado, junto com tudo mais. Eu consegui escapar dela.... consegui escapar dela... dela...

- Hmmm... é... dela quem, meu camaradinha? - Perguntou Jerusalem, sem ter certeza se queria mesmo saber.

Então, o homem apontou para adiante e disse:

- Tanya!!!

Jerusalem olhou e viu uma mulher com uma roupa parecida com a do homem, com sangue na boca, parada a alguns metros deles. Dava para ver que ela não era uma mulher comum. Jerusalem lembrou do bebê dos O'Malley e seus estômago embrulhou.

Ela olhava para eles dois, e respirava como se estivesse cansada. Parecia estar tomando uma decisão. Ela olhou para longe, na direção da cidade que, na

. ela. dizendo isso. Esporou seu cavalo e saiu galopando a toda. e entendeu como ele a perdeu. na direção contrária. Foi nessa hora que ele sentiu o que devia fazer.. Shamus respirou fundo. cof..Perguntou Jerusalem Jones ao estranho.. está com . descansando depois de trabalhar . começou a correr na direção da cidade. ela está com fome! E. cof. Lembrou de quando perguntou ao seu pai por que diabos ele escolhera esse nome. meu camaradinha? . e sua mente começou a vaguear para o passado. Jerusalem. Jerusalem olhou a coisa correndo na direção da cidade. Jerusalem olhou para a perna do estranho.. Ela cheirou o ar..O que é aquilo e o que ela está fazendo. E entendeu também o que ia acontecer na cidade. o estranho desabou na lama. sentado à mesa... . soltou uns grunhidos horrendos e.. mas ela estava olhando na direção correta. Parecia estar morto por perda de sangue. EPISÓDIO 04 – MEU NOME É JERUSALEM JONES Jerusalem Jones estava lavando o rosto à beira de um rio..verdade. Provavelmente corria mais que seu cavalo. de repente. como ele nunca vira algo correr. quando era um garoto ainda. A chuva já havia parado por completo. . não dava mais para ser vista dali de onde estavam.E-ela. e fez.

pois a gente vinha tentando há muito tempo. que minhas preces iam ser atendidas e eu ia ganhar um garoto forte e sadio. "Meu filho". sei lá.eu fiz uma promessa pra Deus. E seu nome seria Jerusalem. perguntando logo o que diabos ele tava querendo dizer com aquilo. e nada de a gente ter nosso herdeiro. Ele disse que meu filho ia ser grande e que eu escolhera bem o seu nome.. Jerusalem suspeitava que ele estava apenas ganhando tempo. uns revólver reluzente. uma noite. Ganhava uma miséria. Daí. Então. Sua mãE e eu não tínhamos mais esperança de ter filhos. mas era o que tinha para sustentar seu filho e sua mulher. começou a me acompanhar. Eu saltei pro lado e agarrei o colarinho dele. Na minha promessa eu disse que se a gente tivesse um bebê. da Terra Santa. ou mesmo herdeira. e do nada.como já te expliquei antes. Só sei que depois disso eu prestei mais atenção no que ele dizia. eu não era exigente. Jerusalem McMurray Jones. nos deitarmos pra fazer amor . "Quando ele falou aquilo eu quase caí pra trás. e os Jones iam se orgulhar de . branca. começou ele. Ele foi puxando conversa. eu daria o nome a ele. Eu não entendia como a roupa dele conseguia ser tão branquinha nesse lugar tão poeirento.. Um anjo. foi um verdadeiro milagre na Terra. ele segurou minha mão e disse para eu ficar calmo. Jerusalem. aquela história das abelhinha . Suspirou fundo mais uma vez. Eu quase perguntei que sabão que ele usava pra deixar a roupa com aquele branco radiante. "No dia seguinte. quando eu fui trabalhar.muito na construção de uma nova ferrovia. Shamus McMurray Jones tinha essa mania. O troço devia ser algum tipo de coisa divina. querubim. um homem que eu nunca vi na cidade. antes de sua mãe e eu trep. Que ele ia ser lembrado pelos seus feitos. ele disse que a Beth tava prenha. Ele tinha uma roupa bonita. parecia de prata. ou outra coisa dessas que o padre Caffey falava nas missa. "quando você nasceu. Como isso habitualmente era sempre logo após a alguma pergunta.

gargalhou de novo. tudo bem. mesmo não estando muito bem. Só que no caminho eu parei para te mostrar pros amigos. e conversa vai. Eu disse. Tomou um gole de seu café que tinha esfriado. tua mãe queria te chamar de Jerome. Mas aí eu pensei. Deixava todo mundo passar. e fui te registrar. e eu fui. eu. bateu na perna. depois de um pequeno arroto. conversa vem. como vou dizer isso. quando você nasceu. e ficou em silêncio alguns segundos. e disse. mas não conseguia. eu senti o sol me ofuscar. e bateu na perna.. ainda sob efeito da maldita. pra ir ao cartório comigo. então eu te peguei. branco que nem neve. que acho que ele percebeu. daquelas que só ele sabia dar. fala sério. sem saber que nome que eu ia te dar. . tu é danado de esperto. E. digamos. Nove meses depois você nasceu. pra poder lembrar o raio do teu nome. deu uma fungada. em um estado meio interessante". eu disse "Jerusalem McMurray Jones. e ele sumiu. do tabelião. Eu tinha toda certeza do mundo. Ela não podia levantar ainda. Shamus olhava para Jerusalem com uma cara engraçada e. e cheguei ao cartório. eu tomei umas e outras. Pra tentar a sorte. enquanto ele escutava a história que seu pai contara.. então. Depois. "tá certo. sua mãe te pegou do meu colo. ele tirou aquele chapéu dele. poxa!" Shamus deu uma gargalhada. Eu só sabia que começava com J. Minha sorte é que a gente sempre teve pouca coisa." Jerusalem Jones olhou para o pai. E depois de dizer isso. 'David?! Rei dos Judeus?! Cidade Santa?! Jerusalem! Era esse o nome que A Beth falou. colocou no berço com cuidado. eu esqueci o nome que sua mãe falou. tá certo. eu perguntei qual era o nome dele. fez um cumprimento. mais nada. Jerusalem disse: "Pai. Eu fiz uma cara feia.serem lembrados através dele. O tabelião me chamou. ela jogou quase tudo que tinha na casa em cima de mim. Eu estava sem saber o que fazer. "Quando cheguei em casa. Você é meu filho mesmo! Pra dizer a verdade. pode escrever aí. garoto. "Eu esperei pra ser o último. e dizendo isso. Ele disse que era David. "então.

como você bem sabe. e em uma mulher que comeu a perna de um estranho que saiu do centro da tal explosão. mas só te chama de Jerry até hoje. depis que viu aquela aberração indo na direção dela."Com o tempo ela me perdoou. ainda mais contando uma história daquelas. era um desejo genuíno.. provavelmente corria mais que um cavalo. Jerusalem sorriu ao lembrar do pai e de como ele era bom com histórias. Quem iria acreditar que ela. Jerusalem lembrou das palavras que o estranho da lorota que seu pai contou. a qual ele dera as costas. afinal era impossível levar seu pai a sério. Para desencargo de consciência ele relatou o caso ao xerife de Battle City que. Mas ele sabia que as palavras que seu pai disse. Mas ele não nascera para ser herói. meu filho?" Jerusalem sorriu. Eu prefiro Jerusalem Jones.. as únicas pessoas que valiam alguma coisa naquela cidade inteira. ele devia ter omitido. pelo menos essa parte. disse: " ele ia ser lembrado pelos seus feitos". Quem iria acreditar em explosões após tempestades esquisitas. Jerusalem bufou. Nunca fez mal a ninguém. mesmo que a história não fosse verdadeira. Nesses dois dias ele só pensava em Betina e nas garotas do bordel. Sua mãe que o diga. né não. Mas que fazer? Provavelmente o que tinha de acontecer. Jerusalem podia não ter muita consciência. meio puto consigo mesmo. montou seu cavalo e disparou em direção a Terence Falls . acabou ficando bonitão. Jerusalem pensava nisto a dois dias. Jerusalem enxugou o rosto. riu na sua cara. Jerusalem não era muito digno de crédito por aquelas bandas. já havia acontecido. Aquela. que gostava de tomar umas e outras de vez em quando. Tanya. Ele sentiu que. Ele era um homem honesto e trabalhador. mas ele sabia o que era amizade. é claro. e viu o mesmo refletido nas águas que corriam na direção de Terence Falls City.

alguém observou sua partida. . que deixou os dois ali e correu em direção à Candace Falls. Jerusalem Jones parecia sentir em suas entranhas que acontecera o pior. numa velocidade que Jerusalem nunca vira um ser humano correr. Ou talvez não. EPISÓDIO 05 – SALVAÇÃO Jerusalem Jones estava a caminho de Candace Falls City. com olhar faminto. ele logo deduziu. provavelmente. Pelas marcas de dentes que viu no que restou da perna do estranho. Aquele homem estranho com roupas esquisitas. saindo dos escombros de uma construção que nunca estivera naquela área e. logo em seguida. Sem Jerusalem saber. sem uma das pernas. a tal de Tanya já deveria estar morta e enterrada a essa altura. aquela mulher com aspecto quase demoníaco. Relembrando agora parecia apenas um sonho ruim. Elas eram sacanas.City. aquela louca comia gente. Ou vai ver ele estava com problemas intestinais e não sabia. Jerusalem Jones tinha resolvido deixar aquele assunto para as autoridades de Candace Falls e. mas pelo menos era no bom sentido. Ele precisava saber como estava Betina e as garotas. Mas foi com essas dúvidas na cabeça que ele resolveu voltar à cidade e ver se estava tudo bem com Betina e as meninas do bordel.

e era tudo uma brincadeira inofensiva. Era quase um amigo. Senti seu espírito pesado.Você sabe que é com carinho. e estava sempre vendo "espíritos pesados" por toda parte. é Búfalo Pequeno! Será que você nunca vai esquecer esse maldito apelido? .Já te falei Jones. mesmo se eu acreditasse. Resolveu ver quem seria o intrometido. achava realmente que era alguma espécie de feiticeiro. Eu apenas vi você saindo da cidade e resolvi te seguir.Então era você. Traseiro? Você sabe que não acredito nisso e. guardou as armas. Jones. mas sinto que o Grande Espírito me compeliu a seguir seus passos por algum bom motivo. Saiu de seu esconderijo e emparelhou com o pele-vermelha: . que terminava sempre com ele levando um balde d'água na cabeça. e achei que. Outra coisa que Búfalo Pequeno tinha de peculiar. Quando bebia fazia a dança da chuva. Fora que só assim ele tomava um banho. eu pudesse ser de ajuda.Desde que partira ele sentia que estava sendo seguido. . Traseiro Pelado? Quer morrer. o pessoal gostava dele. . . desgraçado? . não acreditaria que você pudesse ter competência pra ser um deles. assim que o conheceu.Dinheiro emprestado? .Jerusalem gostava de ver como Traseiro Pelado falava melhor que muito branco que ele conhecia. que faz me seguindo? Alguém te contratou pra me matar com seus peidos? . talvez..Nada. Este estava com os fundilhos da calça que vestia rasgados e sem mais nada por baixo. . Ele sorriu para si mesmo e lembrou como detestava índios. mas para "Traseiro Pelado" ele abria uma excessão. No fundo. Lembrava de como ele deu esse apelido ao índio. Jerusalem Jones na mesma hora cunhou o apelido que o índio tanto detestava.Você vai começar com isso de xamã.. Era apenas "Traseiro Pelado".hahahahahahahah! E aí. Disparou e se escondeu atrás de uma rocha mais proeminente.Pode rir. Quando viu o sujeito passando..

Jones? . ao passar bem no local onde ele deixou o cadáver. .Não faço a mínima idéia. Jones. Búfalo Pequeno olhou aquilo e agitou seus amuletos que trazia no pescoço. . Nessas horas ele sempre entrava em transe. .Cinco dólares e eu não te perturbo mais. Até que Búfalo Pequeno quebrou o silêncio: . Não estranhou quando viu que não havia mais sinal de nada. Jerusalem Jones sentiu um calafrio estranho. me falou de ter visto algo parecido. Trasei. Passaram o resto do caminho calados.. E foi assim que entraram à cidade. deixava claro que alguém estivera ali.Então você acredita nisso tudo? . nem do homem. já vi coisas mais estranhas que isso. como se voltasse àquele dia. Mas. Traseiro Pelado ouvia tudo sem interromper e ao final suspirou tentando dar uma de sábio feiticeiro: .Cadê todo mundo. ele repetia o feitiço que usou para escapar. feiticeiro poderoso de nossa tribo. Sempre que contava a história. Demônios que comiam gente. Pareciam não saber muito o que dizer.. Nesse momento estava chegando onde encontrou o homem estranho e onde ele caíra morto. Disse que os viu atacar.Eu sou índio. e que escapou por pouco. pôde ver que não era delírio seu.E os dois caíram na gargalhada. Jerusalem Jones contou tudo o que acontecera e os motivos de estar voltando a Candace Falls.Búfalo Pequeno.. um contorno negro de um corpo. pois no chão uma marca. . como que espantando maus espíritos.Meu avô. nem dos escombros da construção de onde ele saíra.

No altar. Mas como? . assim como ela mesma. Era o meio da tarde e não havia viva alma em lugar algum. mas Jerusalem Jones nem podia culpá-los. Os dois ficaram sem entender. Mas isso não era tudo. Casas com janelas e portas abertas. Quando os dois apearam dos cavalos e iam amarrá-los. empinaram e se puseram em disparada. Búfalo Pequeno o seguiu. aquele cheiro estava insuportável. Eles tinham de salvar. O cheiro não vinha deles. Jerusalem Jones foi na direção da igreja que ficava logo adiante. A porta da igreja estava semi-aberta. Um cheiro de carne podre que fez Jerusalem e Búfalo Pequeno sentirem náuseas: . umas duas garotas do bordel com ela. o saloon silencioso. os animais relicharam. atentos para qualquer surpresa. E havia aquele cheiro que o vento trouxe de repente. todas tão monstruosas quanto Tanya. mas da carne humana que ocupava toda a igreja. várias pessoas da cidade.Qua diabos é isso. Pedaços de pessoas apodrecendo por todo o canto. O cheiro parecia vir de lá. eram os que se deleitavam com aquele banquete macabro. Era como uma despensa. Era um silêncio assustador. Mesmo que aquelas coisas só se preocupassem em comer. Jones e Búfalo sacaram as armas. espalhados por toda a igreja. e não havia cavalos. e foram empurrando a porta lentamente. Jerusalem Jones tentou olhar com mais cuidado e pôde divisar em um canto Betina. como se fosse alguma espécie de líder. logo se arrependeram. sentada em uma cadeira. Betina. era melhor não abusar. E os seguidores de Tanya.Parecia que estavam em uma cidade-fantasma. Os dois se seguravam para não vomitar e para não fazer barulho. nenhum deles. e parecessem não prestar atenção em mais nada. estava Tanya. Quando puderam ver o interior do recinto. Jones? Que cheiro desgraçado é esse? Sem saber bem o porque. e mais uns três moradores da cidade. pelo menos. para fora da cidade. Provavelmente os últimos sobreviventes e a última refeição daquela horda.

pelos ares. Você só joga depois de contar até cinco após ouvir a minha explosão. onde Betina e as outras pessoas estão. Abro um buraco e entro. suas dinamites vão mandar a igreja e os que estiverem lá dentro. Certo? Búfalo Pequeno acenou que sim. Parecem estar meio fracos. Vou tentar explodir o mais próximo possível. Devem estar sendo guardadas para serem comidas quando o estoque do que tá espalhado pela igreja acabar. digamos.Acho que essas pessoas aí dentro não tem mais salvação. . eu acho que não vamos conseguir.Jerusalem Jones puxou Búfalo Pequeno para longe da igreja e disse: . Sei onde tem dinamite suficiente para acabar com todos eles. amarradas. normais. Agora era esperar a explosão. Búfalo se postou na porta e Jerusalem correu para a parede esquerda da Igreja. mas vão conseguir andar. Búfalo Pequeno viu ele sumir e acendeu o pavio principal. vamos diminuir a contagem. sem explodi-las junto no processo. Já você fica na porta onde estávamos. Mas eu sei como tirá-las daí.Eu vou explodir a parede esquerda. acende o pavio principal assim que eu for na direção da parede esquerda.Jones. Quando eu sair. entendeu? Isso deve dar tempo para eu entrar e tirar o pessoal. você viu aquilo lá? Parece o inferno. Jerusalem Jones leva Búfalo Pequeno até a delegacia. . Vai dar tempo de eu explodir. Foram na direção da igreja e logo saberiam se o plano ia dar certo ou não. contar até cinco e jogar. mas com a garganta seca. com essas dez dinamites aqui. e lá procura as bananas de dinamite que precisa e delineia o plano: . . Até cinco. Aquelas coisas são muitas e nós somos só dois. que não estão amarrados mesmo. a não ser as que ainda estão.Exato.

. Ele entrou sem pensar muito nelas. Sua mão tremia. Ele agarrou Betina pelo vestido. . Ninguém se mexia.. aparentemente. . Búfalo Pequeno ia mandar todos ali pelos ares. Abriu um rombo na lateral da igreja. O fogo já havia passado do pavio principal para os pavios individuais. e começava a escorregar. com medo. já já. A explosão foi quase imediata..VAMOS! VAMOS!!! VENHAM POR AQUI! Búfalo Pequeno começou a contar..Jerusalem Jones tentou lembrar onde vira Betina e os outros e calculou aproximadamente onde ele deveria explodir.. Jerusalem Jones colocou a dinamite no chão e se distanciou o suficiente. Que se danem todos. Jerusalem Jones sabia que a confusão daquelas coisas ia durar pouco e que. Búfalo Pequeno estava preocupado... Ele estava atrás da porta e era apenas empurrá-la e jogar. Jerusalem cortou o pavio o mais curto possível de apenas uma dinamite e acendeu. três. Pareciam não ter se dado conta da explosão.. cansados.. Ele entrou correndo com a fumaça atrapalhando um pouco. Ele trocou a dinamite de mão. sentados e. que inferno! Ninguém parecia querer ser salvo. Suava muito.. Betina era a primeira pelo modo como estavam perfilados. dois. Lá dentro as coisas se alvoroçavam confusas. um. viu Betina encostada à parede e os outros logo após ela. Se Jones demorasse ele a jogaria de qualquer modo.

Betina! Conseguimos!!!. ou ao menos era o que parecia: . Tudo dera certo. mas seus olhos estavam mortos..NA CABEÇA! ATIRA NA CABEÇA! . Arrastou Betina pelo buraco afora e sentiu uma mão agarrar sua camisa por trás... Jones. ... claro.. Quando olhou Betina. De longe Búfalo Pequeno gritou: . muito infeccionada. Ele conseguiu empurrar Tanya para dentro e puxar Betina. Por instinto Jerusalem Jones sacou da arma e atirou várias vezes em Betina.Betina. tô com fome . De repente Jerusalem Jones notou uma mordida profunda em seu pulso. Jerusalem Jones segurou Betina de modo a protegê-la.. Ela parecia normal. sentiu um vazio estranho em seus olhos.Notou que Tanya já se refazia da confusão. Viu Búfalo Pequeno correndo em sua direção...disse Betina. e avançou no pescoço dele. correndo para longe da Igreja. e continuava avançando. quatro. BUUUUUUUUMMMMMMMMMMMMMMMMMM!!!! Pedaços de madeira voaram para todos os lados e. Mas Betina não morria.Fome.. cinco.. pedaços de pessoas vieram junto.

respondeu. Jerusalem Jones coçou o ferimento no pescoço. se é que você me entende. . . Traseiro Pelado.Eu não sei dizer. apenas para ter certeza. Jerusalem Jones levou a mão ao pescoço e sentiu que Betina conseguira cravar os dentes. Betina. Betina estrebuchou e caiu. aquela tal de Tanya não apenas comia as pessoas. Traseiro? .Pelo que você me contou.Diacho. Sentiu a área coçar e pensou que precisava de um curativo urgente.Eu não sabia. . olhando na direção da igreja.Mas. estava pra fazer parte dele. Acho que eu estou com um problema do tamanho de um trem.Será que todos eles estavam na igreja. e nem mesmo vou me dar ao trabalho de procurar. Pelo que vimos. Jones? . ela parecia estar formando algum tipo de exército. o qual havia feito um curativo apressado. .Perguntou Búfalo Pequeno.Mordeu sim. não foi? . . Jones e Búfalo enterraram Betina: . . . mesmo que não profundamente. só achei que era uma opção mais viável.Afinal o que aconteceu aqui. como passava a maldição dela para quem sobrevivia.Peguntou Búfalo Pequeno.Ela te mordeu.Como você sabia disso? . . pega mais um bocado de dinamite e joga nessa porcaria de igreja. detesto quando você quer aparecer falando difícil. sei lá.E foi o que Jerusalem Jones fez. Depois de destroçar o que restava da igreja. Acho que sua amiga.

com um caixão dentro dela. Quando escutou a quantia que o velho disse.Continua. dentro dela. O velho deu-lhe o nome da cidade e o nome da pessoa a quem ele devia entregar o caixão. Primeiro ele foi contatado por um velho esquisito que lhe ofereceu uma grana alta para que ele fizesse uma entrega. um caixão. Transportar um morto até que não era algo tão ruim assim. Jerusalem não estava em posição de recusar nada. Suas finanças andavam de mal a pior. não podia ser algo simples. Nem mesmo quis saber quem enganou àquele velho dizendo que ele fazia entregas. Jerusalem sabia que por tanto dinheiro. Tudo parecia bem tranquilo. Mas. . conduzindo aquela carroça coberta.. Lá entregariam o restante do dinheiro a ele. O velho o levou até um grande galpão. EPISÓDIO 06 – ENTREGA ESPECIAL Jerusalem Jones recapitulava mentalmente como foi parar ali.. Jerusalem se controlou para não deixar transparecer sua surpresa. Quando recebeu metade da quantia combinada. onde havia uma carroça coberta e. Tranquilo até demais. Jerusalem pensou consigo mesmo que por tanto entregaria até o garfo do diabo no próprio Inferno.

O velho deu-lhe uma última recomendação. Jerusalem deveria empurrar para baixo uma pequena alavanca que ficava no lado direito.Vamos logo com isso.Só queremos o caixão. Ele logo começou a pensar que as coisas nunca eram fáceis para ele. Foi aí que um pandemônio teve início. índios ou seja lá o que fosse que pusesse a entrega do caixão em perigo. na verdade. A tampa do caixote pulou uns dois metros. Mas também se perguntou quem diabos poderia fazer questão deste cadáver. Um deles puxou o revólver. Porém. Não adianta tentar ir ao xerife. Jerusalem pensou consigo mesmo que. existiam duas alavancas. para sua surpresa. nada mais.Jerusalem desistiu de tentar lembrar e apertou qualquer uma das duas. não há alavanca que o salve. de dentro do caixão. e o velho desgraçado não mostrou isso. E. Saia daí que um dos homens vai assumir a carroça. um homem se levantou e passou a disparar com seus dois revólveres . Os homens se aproximaram. na altura de onde estariam os pés do morto. . ele viu que. grupo de bandidos. já pensando em abaixar a tal alavanca. e começou a se virar para descer da carroça. Você pode refazer o caminho a pé mesmo. quando alguém quer realmente algo. . não somos conhecidos por essas bandas. Jerusalem Jones fez que concordava. Fez isso e pulou da carroça. nunca. como se tivesse sido cuspida. Foi pensando em tudo isso que Jerusalem Jones estava prestes a obter sua resposta ao ver que cinco homens a cavalo vinha justamente em sua direção. Para piorar ele não lembrava qual das duas era para abaixar. Se fosse atacado por algum bandoleiro. apontou para Jerusalem Jones e disse: . Jerusalem perguntou de que adiantaria isso e o velho disse que selaria o caixão por dentro e ninguém conseguiria abri-lo para violar o cadáver em seu interior.

era irritante.Notável coincidência.. Os tambores giravam loucamente e as balas simplesmente não acabavam. Parecia o barulho de aço sendo arranhado. a pele do sujeito estava refletindo o sol e segundo. O senhor estava me levando para onde eu seria totalmente indexado. . enquanto estava em estado suspenso dentro do recipiente... olhou para Jerusalem e disse: . Os revólveres do defunto eram do capeta.como se fossem duas pequenas metralhadoras. Jerusalem se jogou ao chão. mas fez uma verdadeira peneira de seus corpos.Ameaça dirimida. o fulano era Jesse James!!! E ele estava estendendo a mão para que Jerusalem Jones subisse na carroça.De que diabos ele estava falando? . .É. .Minhas referências não estão completas. Quando. não.Qual o seu nome. Jerusalem notou duas coisas. Mas os cinco não tiveram a mínima chance. tive tempo de reformular alguns . ou coisa do tipo? Jerusalem atraía esse tipo de esquisitice. temos. para que não acabasse indo pro Inferno no meio daquele tiroteio. menos morto. Será que ele estava falando com um morto-vivo. . não era bem assustadora. sim. Jerusalem levantou devagar e bateu a poeira da roupa. . Temos as mesmas iniciais replicadas. Senhor Jones. parceiro? . Porém. Ele não apenas matou os cinco bandoleiros. O som das balas saindo de suas armas era ensurdecedor.. não.Perguntou Jesse James naquela voz que fazia os dentes de Jerusalem Jones trincarem.. Primeiro..Jerusalem Jones. Ao olhar o indíviduo mais de perto e com mais atenção. . parceiro! O homem podia estar tudo.Jerusalém não conseguia tirar os olhos daquela pele estranha. travou as armas.. por fim.. o homem viu que não restava mais ninguém vivo. Algo estava muito errado. era algo assust. Mas a sua voz era.

. estou agradecido pelo que fez.conceitos pré-indexados. Aliás. . não vão gostar de ver que o senhor perdeu a mercadoria.. um andar muito estranho.? Sem mais nada dizer. .C-como assim mercadoria? E meu dinheiro. sem água.. ou o que quer que aquilo fosse. EPISÓDIO 07 – XERIFE WAYNE "Algo me diz que não devo entrar nessa cidade". Senhor Jones. Ainda não desenvolvi todos os padrões de elementos sensitivos que propõe sentimentos. pelos meus cálculos. mas como era de dia ainda isso não fez diferença. sem cavalo. o que parecia ser o xerife daquele lugar. Jesse James. pensou Jerusalem Jones ao ver. pendurado na árvore diante dele. não vá a cidade onde pretendia fazer a entrega deste que vos fala.. Heyá!!! Ao longe um coiote uivou. apenas andando. diga-se de passagem. . desceu da carroça e partiu em direção ao horizonte. mesmo assim. Jerusalem lembrou que ainda tinha metade do pagamento. Fim da transmissão.. mas quero que saiba que.Jerusalem olhava-o hipnotizado. apenas jogou o que restou do caixão fora e pôs a carroça em movimento.Resolvi eu mesmo adquirir referências teóricas e práticas de acordo com o tempo-energia de que disponho que. Não procurou entender muito bem o que aconteceu ali. e que já era uma boa grana. devem ser uns 50 anos antes de eu ter de me preocupar com isso novamente. Um conselho.

Antes.Olhando aquilo. acho que vou acatar seu aviso silencioso e dar meia-volta. na entrada dela como um sinistro aviso de que ninguém que entrasse ali deveria enfrentar a "autoridade" dos bandidos que tomaram conta do lugar. Jerusalem sentiu um vento seco. vou levar sua estrela de xerife. Mas Wayne acreditava na justiça. e ela estava de volta ao seu peito. como se fosse o mais baixo dos criminosos. Tudo porque ele já estava prestes a expulsar Zed Smith e seus dois únicos amigos sobreviventes. é óbvio. era uma boa cidade. até a chegada de Zedediah Smith e seu bando. Wayne estava de volta uma última vez para consertar isso. como recordação desse nosso infeliz encontro". Quando fixou a estrela em sua camisa. como seu pai lhe ensinara. Sua estrela de xerife era sua autoridade. Na verdade. e apagou.. apenas um amontoado de foragidos que ele resolvera liderar. puxando então a estrela do falecido xerife. eram a linha de frente de Badland. Wayne e seus dois assistentes. e resolveu experimentar. Mas. Lustrou-a em sua camisa. Apesar do nome. "É meu camarada pendurado. Jerusalem Jones se aproximou e se pôs em pé no cavalo.. coisa que nunca iria acontecer. O xerife Wayne olhou seu corpo balançando tristemente na árvore à sua frente. . uma voz em sua cabeça. A guerra durou vários dias e houve baixa dos dois lados. ele calculava o quanto as coisas poderiam estar ruins nesta cidadezinha. Acreditou até o momento que se viu pendurado em uma árvore. que ele não soube de onde vinha. Sua vida de xerife era tranquila na pequena Badland City. porém. para ver como ele ficaria de xerife. se até o xerife acabara enforcado e colocado. ele só não sabia o que. Então algo deu errado. mais alguns homens da cidade (e até mesmo Verona. Os dias em Badland foram difíceis desde então. a jovem esposa de Wayne). mesmo que não literalmente. As coisas saíram tão erradas quanto possível. e uma verdadeira guerra se travou para que se expulsasse aqueles assassinos.

. Calvalgando o cavalo e o corpo de outra pessoa. e reconhecer algo na voz de Jerusalem Jones. de todas as formas. Bastou esse momento de espanto de Zed.Perguntou Zed? . não recolhera suas armas do balcão. Wayne ainda conseguia sorrir. apesar de tudo. já pegando as armas. Wayne sentiu Zed retesar o corpo. Wayne se aproximou do Saloon onde.Perguntou Wayne .Lembrança? Lembrança do que ou de quem? . Wayne rangeu os dentes.Posso saber quem é você? .. a não ser essa estrela no seu peito e suas armas que eu pediria que deixasse com o meu amigo barman . Verona e outras mulheres da cidade haviam sido obrigadas a servir a Zed e os seus. onde mantinham a cidade sob o domínio do medo (Wayne sorriu pensando em como aquela frase final daria um bom título de um livro). também armado. . Estavam no Saloon. distraído com a conversa.Uma lembrança de quem é a lei em Badland City.Wayne entrou na cidade que havia sido feita refém de três imbecis que mal sabiam falar. ele sabia.Perguntou Zed rindo para o outro capanga sentado com ele à mesa.Zed se referia a um de seus capangas sobreviventes que sorria mostrando os dois dentes que restavam-lhe.A estrela. Isso o preocupava. .Você é o xerife da cidade? . Ele não via Verona por perto. saltou do cavalo e entrou no saloon: . Wayne pulou para trás do balcão. E você.Zed falava apontando a arma para Wayne.Pode-se dizer que sim.Nenhum. Wayne notou que . Algum problema? . O tiroteio começou antes mesmo dele aterrisar do outro lado. .Meu nome é Jerusalem Jones. para que Wayne puxasse uma faca da bota de Jerusalem Jones e enfiasse na mão do "barman" que. pode me dizer onde conseguiu essa estrela? Bem se vê que você não é nem nunca foi xerife . é uma lembrança. . O "barman" foi atingido sem dó nem piedade. mesmo depois deste ter entregue as suas.

lentamente levando a mão à estrela para entregar a Zed. Wayne estava no corpo de Zed agora. a madeira.Gritou Wayne . "Merda.Disse Wayne. e vindo na direção de Wayne acreditando que este não se exporia.Quê? Esse filho da mãe está vivo? Wayne se levantou sob a mira de Zed e seu capanga. eles estavam atirando na bancada. contei errado". Wayne já estava morto. Zed olhou para seu parceiro.Creio que essa estrela pertence a vocês? . ele fez o impensável. ou no mínimo ferido mortalmente. Wayne arrancou a estrela de seu próprio peito e cravou no peito de Zed.Que pensa que está fazendo? Eu já estou cansado de você! . por estar em desvantagem numérica. pegou a arma em cima do balcão. Wayne colocou suas armas novamente sobre o balcão. acertando o ombro de Wayne. . Os dois atiravam frenéticamente contra a parte inferior do balcão. apontou para a cabeça dele. melhor ainda. e atirou. realmente. Estavam tão furiosos que não notavam que as balas não vazavam. . Wayne sabia que eles eram burros o suficiente para estarem atirando sem se protegerem. onde Wayne estava logo atrás. Quando Wayne. pensou Wayne e Jerusalem Jones caiu. sentiu que as balas acabaram. no susto.Disse Zed engatilhando. E. Eram apenas ele.todo mundo que estava ali contra a vontade aproveitou para se mandar ou se proteger. . e que eles estavam sobre o balcão.Eu me rendo!!!! . . Zed e o único capanga restante. sem se darem conta de que esta fora construída para suportar esse tipo de incoveniente. que disparou. Acreditavam piamente que do outro lado.

Já bastava de eu viver nessa cidadezinha com um xerife caipira. mesmo já estando morto. Ele largou as armas.... Verona deu um grito e correu. Eu posso fazer melhor". escondida. Foi até o balcão e procurou uma faca bem amolada.. meu amor! Claro. Seu "parceiro" estava caído no chão. fosse se matar. Ele tinha . vidrados em Wayne. no corpo de Zed. Wayne não sabia se ele estava desmaiado pelo susto. Mas tudo indicava que ele ficaria bem.Eu sabia.(música de suspense!) ... Wayne achou engraçado que a única coisa que lhe viesse a cabeça.Quando disse isso. A bala só passara de raspão..Graças a Deus você escapou. ou pela súbita saída sua de seu corpo. . Verona observava assustada e chorando a todo os acontecimentos. correu para os braços de Wayne.. se apagaram.. Os olhos brilhantes. não se assuste! . enrolou e pôs na boca. para a cabeça de Zed e aper.Então você sabe? Você consegue me ver? . Zed! .. Antes Wayne precisava encontrar Verona e se despedir. você ia morrer pelas mãos desse fracassado. Quando se levantou Wayne viu que. Quando nos encontramos sem que Wayne soubesse e você me contou sobre tudo que poderíamos ter juntos. sem perspectiva de uma vida melhor..Claro. A mais amolada que ele pudesse encontrar. naquele instante. Ele precisava fazer isso.Dizia Verona cheia de paixão! . meu amor.sabia que você conseguiria. eu arrisquei tudo dopando Wayne e entregando el. .O quê?! . Pensei que depois de tudo que passamos para nos livrar do Wayne. no alto da escada. eu sabia... . pensou Wayne.. Um buraco fora aberto ao lado de sua cabeça. mesmo que fosse ali.V-verona.Um tiro interrompeu Verona. Pegou um pano. Apontou o revólver para sua cabeça. Só precisava de um curativo. fazendo um gesto de que estava sem mais nenhuma arma e disse: .Wayne no corpo de Zed foi ao outro lado do balcão. "Não.

em suas casas. no qual estava dentro. Zed caiu desacordado. mais que isso. Abriu a calça de Zed e puxou para fora o bem de Zed mais precioso. e foi embora. Nesta hora. Jerusalem Jones bambeou um pouco. mas não caiu. Antes de ir. agora de volta ao corpo de Jerusalem Jones. arrancou a estrela de seu peito. da camisa de Zed. A dor. As pessoas estavam bem longe do saloon.todo o tempo e privacidade do mundo. Wayne juntou o corpo morto de Verona ao de Zed. Wayne colocou a faca na mão de Verona. Porém. Preciso ficar. O grito de alguém que parecia ter pedido a própria alma ou. não conseguiu evitar de vomitar. quem sabe. Por um prazer mórbido. Mas só naquele momento. "Lúcido. Wayne foi até Jerusalem Jones. Ficou zonzo de dor.. Sangrando e segurando a "jóia" de Zed. Wayne sentou o corpo de Zed. tirou a estrela do peito e jogou sobre sua cova. com toda a raiva que Wayne sentia. como se fossem um lindo casal. sem saber o porque. Mas fez de tudo pra manter-se acordado. Jerusalem Jones ouviu um grito pavoroso vindo da cidade. quem sentiria era Wayne. fechou os olhos e. Wayne levantou. Sentiu um calafrio e resolveu não se fazer muitas perguntas. e viu árvore sem o corpo. lúcido e terminar isso". desacordado. a estrela sobre ela. e apenas ir embora dali sem levar nada. cortou fora! Wayne quase desmaiou. Quando montou em seu cavalo e estava se preparando para partir. retirou-o e deu a si mesmo um enterro decente.. se aproximou da porta e jogou para alguns cães que estavam por perto. Colocou a faca bem no talo. . Foi até onde seu corpo estava pendurado. Viu a cova. numa cadeira. com medo e esperando aquilo tudo terminar. e a colocou de volta em Jerusalem Jones. naquele momento.

Ela ainda teve tempo de contar toda a verdade sobre quem realmente era o seu pai. e sua mãe aos 13. Tim perdeu seu pai adotivo aos 10 anos. Tim Harris iria matar o seu pai.EPISÓDIO 08 – METALINGUAGEM Tim Harris cavalgava decidido para um menino de 15 anos. O Sr. Tim pensou consigo mesmo. Ele tinha uma missão e ia cumpri-la. Jerusalem Jones. "você vai virar um espírito. Martha não podia partir e deixar seu filho sem saber a verdade. mesmo que não em sua plenitude. Tim sabia se cuidar e conseguia emprego dos mais variados.assim que sua mãe fechou os olhos. o cigano Alanmohr. Cavalgava com uma meta. Acabou se juntando a um bando de ciganos que não tinham parada certa. o tinha como um filho e o deixava dormir por ali mesmo. Porém. Tim logo deixou esse lugar seguro para continuar em busca de seu pai. trabalhando até mesmo em um pequeno jornal. O chefe da tribo. Jonathan Harris aceitou Martha e seu filho e o criou como se fosse seu próprio. lhe . Os ciganos ensinaram muito a Tim. para uma doença incurável. Contou-lhe tudo e disse que seu pai verdadeiro a abandonou assim que soube que ela estava grávida. até mesmo que vingança nem sempre implica em morte. dono do jornal. quando esta sofreu um acidente trabalhando em uma fazenda. Mesmo ainda tão jovem. isso você vai. como entregador. Mas. Jerusalem Jones. os Parkers. Gaiman. Jerusalem Jones disse que era um espírito livre. Tim provou ser um rapaz de confiança e as artes arcanas dos ciganos foram ensinadas a ele." Tim logo fugiu da casa dos parentes distantes que ficaram de cuidar dele.

. o garoto pega uma sacola pequena. Tim deixava sua breve vida de cigano para trás e cavalgava ao encontro de seu pai.Eu perguntei pela cidade e me disseram que você é Jerusalem Jones . Recitou algumas palavras no ouvido de Tim. tentando esquecer os azares de sua vida. Jerusalem Jones logo arregala os olhos.Sabe o que é isso. Tim Harris sopra o pó sobre o rosto de Jerusalem Jones. Pediu que Tim estendesse a mão e colocou sobre ela um pequeno saco de pano. moço? . quando este encontrasse seu pai. e treinando as artes místicas que fariam com que seu pai sofresse algo pior que a própria morte.Sim. Nesse ponto é onde encontramos Jerusalem Jones bebendo no Saloon TopTen. Jerusalem Jones olha pra ele curioso.pergunta o garoto aproximando mais de Jerusalem. que o encara. que diz desconsolado: . para fazê-lo pagar pelo que fez à sua mãe. em que cidade estava Jerusalem Jones. ouro em pó. para este poder ver mais de perto.diz o moleque com uma certa firmeza na voz. O garoto coloca um pó brilhante sobre a palma da mão.Nem faço idéia garoto. . Fica ali até a noite.mostrou algo que serviria a Tim. fechou os olhos e disse a Tim. E saiu de seu transe. sou eu mesmo. dá de cara com um moleque na rua. pouco comum para um garoto da sua idade. . guri. . Deixa ver aqui na minha mão. Ao dizer isso. parece ouro. Apesar de bem fino. Quando Jerusalem se aproxima. sempre parando e descansando. se divertindo e quando se dirige para a estalagem Four Reasons. Tim cavalgou por alguns dias.

tipo. me veio essa idéia à cabeça. Essa é apenas a principal. .. Eudes Honorato.. Ele coloca seu chapéu no chão e me olha sem saber o que dizer.. Está no mundo de seu criador.. O Tim Harris. eu sou o cara que criou você.disse Jerusalem emburrado. sabe. Você não existe de verdade. . .. sei. me criou? . . você tá copiando dos outros...Ah. não! De novo não! .Hmmm. . Você que não existe! Disse Jerusalem Jones consternado e sentando no chão.. e com uma especie de tábua sobre o colo ao qual ele cutuca com os dedos.. Ele se apóia na máquina de lavar roupa. Jerusalem Jones está no mundo real agora. encostado à máquina de lavar. agora virou crítico literário? Se trata de uma homenagem. eu entendi .Você é um personagem de vários contos que escrevo sobre faroeste.. mas há outras em toda esse conto. .Tipo. enquanto eu estava no banheiro.. Eu apenas estava sem idéia para seu próximo conto. um livro ilustrado. meio zonzo. Você é um pesadelo meu. Eu resolvi.Chamam a isso de metalinguagem.Eu estou tendo um pesadelo. seu filho. sei. cara! .. Jerusalem Jones abre os olhos e vê. . .Ei..Como assim. . Grant Morrison. homenagear uma história muito boa que li uma vez em um gib. o que Jerusalem vê? Um cara sem camisa.. não é nada pessoal. com as pernas em cima de uma mesa.. Me ajude. é claro. O cara olha para uma caixa iluminada à sua frente.. Então. por causa do pó. Se chamava Homem-Animal e o herói (o Homem-Animal) se encontrava com seu criador..Q-quem é você? Que lugar é esse? Cadê aquele maldito fedelho? Tem pó de sei-lá-o-que entupindo meu nariz.Sei.

. como eu estava dizendo. hmmm.. .É. meu nome é muito bom mesmo. você não lembra ainda. foi. até mais.O que foi tudo aquilo? .Você ainda está aqui? Quem diabos é você e o que fez comigo? ... vou fazer seu jogo e fingir que tudo isso aqui é verdade: que porra de história de filho é essa?! Eu não me lembro de ter emprenhado ninguém. não foi? . Só um feitiço cigano passageiro. Por falar nisso..Ok.. . você me obrigou a dizer isso.. Jerusalem.Ah.... Eudes. ..Certo.. Mas me senti vingado ao passar a noite te vendo tremer e gemer como uma garotinha... Jerusalem.É. . mas como seu nome ficou maneiro. que história interessante. mas ainda não sei como vou terminar a história sobre seu filho. já que estou aqui.Ser sarcástico não ajuda em nada. hmmm. .Oi.Aaaaahhhhhh . . .Gritou Jerusalem Jones ao acordar no dia seguinte . Você devia dar graças a Deus por existir..Nada demais. . e mais um.. pois eu não escrevi a parte em que você se recorda de ter transado com Martha Harris..Nossaaaaa.Que história é essa de pai? .. mas acho que é porque eu coloquei muita coisa de mim em você.... . .. Tim Harris também é uma homenagem a um personagem de.. Certo. pai? .Você é um cara extraordinário. mas o Harris é uma homenagem a uma amiga.Martha Harris. vou te mandar de volta para seu mundo.. . isso tenho que concordar. você não é uma boa companhia.. .. ela era minha mãe. pai. bom. Ah droga. como eu acordo desse sonho maluco? .... livros ilustrados. Era pra você ter sido personagem de apenas um conto. Até mais.. .. eu decidi escrever mais um e mais um. Vou decidir na hora.

e construir minha vida.. Não podia pagar por algo do passado. Ele disse. como que bordadas. Você não parece ser um cara tão ruim. Mas enquanto passei a noite aqui e vi como o feitiço te deixou. .Hmmm. Sim." Vou voltar para morar com os Parkers. para beber mais algumas.. mas ele era jovem demais.O que quer? Que eu acabe de te criar? . R e A."Eu sou um espírito livre". Pegou-o e viu que na frente havia duas letras grandes escritas. sem entender realmente o que aconteceu ali. Não podia ter essa pedra no sapato pro resto de sua vida. Achou que devia ser alguma piada do tal Tim Harris. procurando seu chapéu. Estava jogado em um canto perto dos cavalos. lembrei do ensinamento do cigano Alanmorh.. na verdade eu ia te matar. . quer dizer que. Olhou em volta. ele lembrava. . apertou a mão de Jerusalem. EPISÓDIO 09 – ENCONTRO COM BLACK GODDARD . Bateu a poeira da roupa e sentiu um calafrio ao olhar aquelas letras. pai. mata a alma e envenena. Jogou o chapéu fora e voltou para o Saloon TopTen..e dizendo isso. "Tim. quando me disse onde você estava. te lembra alguma coisa? Jerusalem Jones ficou sem saber o que dizer. Jerusalem coçou a cabeça. montou seu cavalo e se foi. Ele não lembrava como aquilo foi parar ali. a vingança nunca é plena.Não..

e muita coisa sinistra que acontecia na cidade era encoberta. O prefeito e o xerife da cidade praticamente respondiam às ordens de Goddard. de modo estranho. mas não fazia idéia. por assim dizer. os efeitos daquela maldita mordida pareciam realmente ter sido obliterados para sempre. chega na cidade Jerusalem Jones. Sua base de operações. Era evidente para todos que Goddard gostava do poder. em pouco tempo. ora por outro.. vinha pensando em alçar vôos mais altos.. Jerusalem Jones tentou lembrar como diabos aprendera aquela palavra. Deve ter sido em algum folhetim que andou lendo. um negócio. ingênuo não era bem a palavra. na verdade. fosse um imóvel. querendo sempre mais. ora por um. Parecia uma erva daninha. Neville City não era mais próspera por causa disso. onde passava os dias sempre conversando com pessoas estranhas. Porém. Devia ser por causa do calor. Seu vocabulário não era dos melhores. para levar adiante seu plano mais recente. era o Salloon Goddard. se tornou dono de metade dela. Goddard se tornava dono de mais um pedaço da cidade. que não eram habitantes do lugarejo. ou mesmo uma vida. nos últimos dias. Enquanto isso. Black Goddard. E sempre que essas pessoas sumiam. Onde iria aterrisar só Deus poderia saber. Na verdade. Black Goddard pensava consigo mesmo que. "obliterado". crescendo sempre mais. Fora isso. teria que ser alguém bem. Veio à Neville City apenas para descansar até seguir para Fawcett Town. foi tomando conta do lugar. A cicatriz no seu pescoço coçava mais que o normal. precisaria de alguém ingênuo o bastante para que tal plano desse certo. . nunca mais fora a mesma depois que Black Goddard apareceu e.Ninguém fazia idéia da origem de Black Goddard. sabiam apenas que ele apareceu na cidade e.

e não qualquer um. ao mesmo tempo. Smitheson. . disse: .Bem-vindo. . meu camarada. já que saíra do sol escaldante lá de fora. mas você bem que podia evitar ficar bem na entrada do saloon. o que o traz à Neville City? . . hein? O homem fulminou Jerusalem com um olhar e preparava-se para dar-lhe um belo soco.. Sentiu uma pontada na cicatriz.. Goddard quase levou um banho de cerveja e.Por conta da casa. Então.. quando Black Goddard segurou seu braço e disse-lhe: . Coçava de novo.. me chamo Black Goddard. mas foi para a mesa indicada. Quem sabe agora parava.? . Pode entrar e se sentir a vontade em meu estabelecimento. bom. não entendia o motivo das risadas de Jones. Sente naquela mesa e já me junto ao senhor.Jones. afinal era Black Goddard quem pedia. O estranho que parecia ser o dono do saloon chegou com duas canecas de cerveja e depositou-as em cima da mesa.IMBECIL! Olha por onde anda! .Calma.e Smitheson se acalmou.. Quando este conseguiu falar. forasteiro.Hmmm.Minhas pernas . É assim que você trata os visitantes? ..Prazer. . senhor. Começou a tossir e a rir ao mesmo tempo. Jerusalem Jones.Ei! Desculpa.disse Jerusalem Jones e soltou uma gargalhada solitária. De repente Jerusalem Jones se engasgou com a cerveja. fora o seu bom humor. Empurrou uma para Jerusalem Jones.gritava um homem enorme em quem Jerusalem Jones esbarrara ao entrar no Saloon .. num ataque desconcertante. Jerusalem Jones nada entendeu. veio tratar de algum negócio em particular na cidade.

em um morto-vivo. Se controlando para não atirar no desgraçado ali mesmo. As pessoas no saloon. Que diabo de nome é esse? . quanto o nome daquele cara? Ele não conseguia se conter. Infectado e com o risco de se transformar em um morto-vivo. a cicatriz foi provocada pela mordida de uma morta-viva. sem querer. Para quem não lembra.. Goddard só pensava em uma coisa: matá-lo. .Eu o desafio para um duelo! . ele mesmo. a cicatriz agora estava coçando tanto? E por que ele estava rindo de algo tão bobo. estavam ouvindo a conversa e.disse Jerusalem Jones explodindo em outra gargalhada. mas tem bem mais estilo. estava até mesmo perdendo ar de tanto rir. E metade do saloon ria junto com ele. Neste momento Black Goddard já havia desistido de usar aquele fracassado para qualquer plano seu. Jerusalem Jones aceitou a ajuda de um feiticeiro índio e conseguiu escapar da sina de se transformar. estavam sendo contagiadas pelas risadas histéricas de Jerusalem Jones. pelo menos não da sua cor .Você não tá falando sério. aquelas pessoas que não estavam conseguindo se segurar.Certo. sem querer. era amiga de Jerusalem Jones. seu pai chegou e disse "põe aí Black. então. bom.disse Goddard tentando controlar a antipatia que começava a sentir pelo forasteiro. Goddard gritou: . que elas não estavam conseguindo se conter. No seu caso.Jerusalem Jones também não é um nome lá muito comum . Por que. Ele precisava parar. meu filho vai se chamar Black"? Ou isso é um tipo de nome de guerra? Seja sincero. começavam a pagar sua conta e sair do saloon. que quando era apenas viva. A cicatriz do pescoço de Jones estava coçando miseravelmente. mas o estranho ria tão descontroladamente de algo tão banal quanto um nome. Tentavam segurar o riso. se me permite dizer. não se vê muitos Blacks por aí. Sabendo como Black Goddard podia ser cruel às vezes.

. O forasteiro se pôs de pé e olhou na direção de Black Goddard..hahahaha.. Goddard só estava fazendo aquilo. ahehauehauheua... Goddard designou seu barman como juíz do duelo e que ele apontasse o momento de disparar. a cicatriz.. dentro da lei. vou. menos Jerusalem Jones.. Estava sem ar de tanto rir. Contou vinte passos de onde Jones estava e virou de frente para ele.. e essa estava... Quando o barman foi virá-lo. não conseguia parar de rir e nem de coçar a cicatriz no pescoço.. Ele não estava entendendo o que havia com ele. A piada já perdera a graça a muito tempo.? hauehaue . que estava estupefato...... hahahah. Agora queimava..M. e.. eu.. Não havia sangue.. Goddard agarrou o tal Jones pela gola da camisa e o levou para fora. - C. O forasteiro estava caído de costas.. e não conseguia. Jerusalem Jones girou e caiu. Jerusalem estava praticamente em convulsões por causa da crise de riso. notou que havia uma cicatriz em seu pescoço. mas.. haiuaiaiahiehai..hhihihihihih... o que dia. como. Jerusalem Jones se pôs de pé com dificuldade. até mesmo esquecendo que .. ati.... A multidão soltou um "ooooh" em conjunto..... porque estava vendo que o idiota não ia parar de rir e ele o mataria ali. conseguir... ela estava...pulsando?! O pobre barman só sentiu seu corpo ser arremessado pra longe. eu. atirar assim? Goddard não deu a mínima para o apelo de Jones. na frente de todos..... A multidão ficou em silêncio. fiz.. por um Jerusalem Jones ensandecido. O barman disse que ia contar até três.. O barman se aproximou de Jerusalem Jones para constatar sua morte. O barman gritou "TRÊS" e um estampido se ouviu vindo da arma de Black Goodard.. Agora todos haviam parado de rir..Jerusalem Jones estava desesperado. Jerusalem tentava ao menos colocar a mão sobre a sua arma. m..hauhuahhahaha. O barman estava no "dois". eu...hhihih.

observaram como ele corria. . Uma velocidade inumana. Estava chegando ajuda para Goddard. ou que alguém atirasse no desgraçado. Foi quando Jerusalem sentiu um disparo passar rente à sua cabeça. Não lembra de mais nada depois disso. num movimento rápido. Demorou muito tempo para que Jerusalem Jones acordasse. nem mesmo parecia existir. Goddard entrou em pânico. assim como um Goddard sem orelha. Antes que pudesse ser morto. ensanguentado. ordenando que Jerusalem Jones saísse de cima dele. arrancou a orelha esquerda de Black Goddard.. Goddard gritava todos os palavrões do mundo. Seu grito foi ensurdecedor. Quando Goddard xingou a mãe de Jerusalem de nomes que aqui não caberiam. A única coisa de que lembrava era de Goddard atirando e o tiro passando rente ao seu braço. de agora em diante. Goddard levantou-se e sabia que.. Ele só queria esquecer que conhecera alguém chamado Black . O que teria acontecido? Jerusalem não queria saber. por causa da cicatriz era tanta. Mas as pessoas estavam ou correndo. que desmaiou. e o xerife e seus ajudantes. que perdeu sua arma na queda. Talvez não atirassem com medo de acertar Goddard.. Quando ele viu que Jones estava saboreando sua orelha.. Lembra que a dor no pescoço. ou acha que desmaiou. Ele não estava entendo o que estava acontecendo.. Em seguida desmaiou. ou sem saber o que fazer. era tarde demais. tinha um novo objetivo em sua vida: caça e matar Jerusalem Jones. . Jerusalem Jones disparou rumo à saída da cidade. Quando este lembrou que podia atirar. Caiu em cima de Black Goddard. este soltou um rugido gutural e. Estava sem seu cavalo e teria de andar bastante até conseguir um. A cicatriz estava quieta. Jerusalem Jones deu salto que nenhum homem normal poderia dar. e ele caindo.. .estava com uma arma na mão.

mas não tanto tempo a ponto de surgir uma cidade naquele lugar. EPISÓDIO 10 – A CIDADE FANTASMA Ilustração por Óqui Há alguns anos atrás. Gantua sabia que não lhe restava mais nada. e sentiu um gosto estranhíssimo na boca. e as montanhas pareciam se fechar sobre a cidadezinha recém-aparecidado-nada. Fazia tempo que Jerusalem Jones não fazia aquele percurso. Depois que sua nave sofreu uma avaria no inter-espaço. Seria uma miragem? O sol até que estava bem forte. Jerusalem Jones olhou em volta. Mas uma cidade inteira.. contudo. De repente. sabendo que isso não seria. sua salvação. Jerusalem Jones soltou um arroto. Se fosse uma pequena vila. lavou o rosto num córrego próximo. Bateu a poeira da roupa e se pôs a andar. Mas era melhor do que explodir junto . a única coisa que pôde fazer foi se teleportar para o planeta mais próximo.Goddard. mas ele se sentia muito bem. Ele coçou a cabeça e tentou entender o que poderia ter acontecido. Levantou.. Não lembrava de ter comido nada. e não estava nem com sede. tudo bem.

se tornava mais forte. O lugar onde caíra era deserto. .. pois lembrava-lhe um pouco o lugar de onde veio. O saloon ficava logo à sua frente. Ninguém se abalou. Jerusalem Jones encheu os pulmões e soltou o palavrão mais cabeludo que conhecia tão alto que chegou a doer seus próprios ouvidos. árido. Ao entrar. quem sabe aprender. para não desistir. Na verdade. outros nem mesmo notavam sua presença. parecia faltar algo a elas. As pessoas. no entanto. Gantua até mesmo se acostumara àquele lugar deserto e árido. De repente uma idéia louca passou pela cabeça de Jerusalem Jones.com a nave. Aparentemente a atmosfera do lugar a ajudava. havia toda aquela aura de uma cidade comum. seria apenas uma última aventura. Ninguém notou. A guerra para Gantua chegara ao fim ali. Jerusalem Jones entrou. Viver mais um pouco. e explorar o território onde caiu. Isso era um imprevisto. ressabiado. quem sabe. Gantua só podia esperar morrer dentro de alguns dias. na cidade. se Gantua não tivesse vindo de um planeta ainda pior. Jerusalem Jones desceu de seu cavalo e levou-o até onde o animal pudesse se refrescar. se ela conseguisse respirar na nova atmosfera. O calor seria sufocante. talvez Gantua pudesse esperar um pouco mais. pediu uma bebida. faltava algo. Sem grandes meios de locomoção. Parecia que a atmosfera lhe provia até mesmo uma certa fonte de nutrientes. enquanto olhava ao redor. Gantua já estava há uns dias no planeta e em vez de morrer. Claro. Elas conversavam entre si. Sem pensar muito. aquele aspecto de normalidade que a cidade tinha o incomodou mais ainda. Uma coisa interessante é que ela não vinha sentindo fome. Gantua se materializou acima do solo e sofreu uma queda feia. Olhava como as pessoas agiam normalmente. Alguns cumprimentavam-lhe. com pessoas de todos os tipos e. em um lugar totalmente estranho. Porém. mas que não fez com que sofresse nada mais grave. e Jones pensou em fazer o mesmo. Era uma cidade normal. com pessoas normais. Jerusalem Jones tomou sua bebida com calma. e levar consigo um pouco mais de conhecimento. Tentando deixar essa sensação estranha de lado.. Ou. antes de morrer.

O animal empinou e derrubou-o. . Ele saltou sobre um cavalo que estava em seu caminho e disparou na direção da cidade. Jerusalem Jones sacou de seu revólver e apontou para o pequeno grupo de pessoas que avançava para ele. Eram vazias. tudo acabasse. lentamente. não era isso. Jerusalem Jones levantou-se e já estava tomando seu rumo novamente. quando percebeu que o cavalo começou a levá-lo em outra direção. deduziu que se as pessoas eram esquisitas. soube que ele estava ali. As pessoas caíam e se transformavam em pó. Talvez fosse tudo uma ilusão e ao deixá-la para trás. Sem almas. Ela não era a única de outro mundo a estar ali. pois não estava muito a fim de descobrir. Jerusalem Jones estava atirando para todos os lados e correndo. subiu em uma elevação e viu que adiante de onde estava. Ele resolveu que sairia dali o mais rápido possível. quem sabe. Gantua correu. e que ele não era um deles. Gantua tinha mais ou menos uma idéia do que poderia fazer. O homem segurou a cabeça de Jones e ia começar a torcê-la quando de repente caiu e virou pó. O problema é que ele não sabia o que era. Segurou-o com uma força imensa. percebeu que. Aquele pensamento deu-lhe arrepios. existia um povoado. com aqueles olhos vazios.Gantua tinha que fazer algo para matar o tempo. E. e mais um. Ia pisoteá-lo se ele não sai de lado. por mais burro que pudesse ser. e mais um. Seria uma cidade-fantasma? Não. Jerusalem Jones entendeu então o que vinha incomodando-lhe. seus inimigos. os animais também deviam ser. já que sabia muito pouco sobre o planeta. quando foi agarrado por um dos habitantes da cidade. quando ouviu um estampido. quase quebrando seu braço. sabe-se lá porque. aquelas pessoas eram apenas cascas. Quando saiu para a rua. quem quer que fosse o reponsável pela construção da cidade. Talvez devesse construir algo. Gantua correu. chegaram primeiro. Mas não estava certa se seria algo de bom gosto. enquanto não encontrava uma solução para o que faria nesse planeta. Gantua porém conseguiu definir alguns padrões que conseguiram assustá-la. Estava para tentar algo usando o mínimo que sabia.

e pior. Gantua esqueceu que sua aparência devia ser horrenda para aquele habitante. Onde estava eles estão? Gantua percebeu agitação de um lado da cidade. Ele estava hipnotizado olhando aquilo. mas tinha que ir lá saber do que se tratava. A única coisa que Jerusalem Jones reconhecia era algo parecido com peitos de mulher. antes de o matarem. Quando entrou no povoado viu que os habitantes eram apenas cópias-térmicas. Fizeram uma cópia-térmica de seu filho. correndo em velocidade beta. O habitante estava estático olhando para ela. correu e viu que uma cópia-térmica tentava matar um habitante do planeta e a impediu. afinal a coisa o salvara. que estava naquela cópia que devia ser a cópia-térmica-matriz. De algum modo uma unidade replicadora caíra no planeta e replicara tudo o que captou em kilômetros. mas ele não podia. assim como ele era bem feio para ela. Jerusalem Jones viu aquela coisa se afastar e resolveu que também iria tomar o seu rumo. Gantua viu o que o habitante pegou e entendeu tudo.Gantua não sabia o que eles poderiam estar tentando montando um símile do que ela deduzia ser um povoado do planeta. e sim as cópias-térmicas. com aquela espécie de arma na mão apontada para ela. uma língua que parecia querer agarrá-lo. não sabia como ia desativar tudo aquilo. antes que mais alguém da cidade-fantasma tentasse matá-lo. Aquilo na mão do habitante era a unidade replicadora. Gantua deu meia-volta antes que as coisas piorassem. Jerusalem Jones teve um choque ao ver o que o salvou. Aquilo tudo não foi o inimigo quem fez. E ia . Era tão aterrador que a única coisa que ele pensou foi em atirar. Estava apitando ou algo assim. Era uma tática dos inimigos que ela bem conhecia. Mas o que diabos era aquilo? Um troço com uma cauda enorme. Morrer pelas mãos deles era o menor dos problemas. Foi quando notou que havia algo entre o pó que sobrou do troço que tentou matálo. Chegou ao povoado em poucos minutos. Gantua não sabia como os inimigos construiram aquele povoado e porque. Abaixou e pegou aquela coisa esquisita.

Um sentimento de gratidão estranho o invadiu. Jerusalem Jones entendeu o que a coisa quis dizer e correu o mais rápido que pôde. saber como iria morrer. enforcado. nem escombros. sinalizando que ele saísse dalí. Jerusalem Jones morreu ao pôr-do-sol. EPISÓDIO 11 – THE END Ilustração por P. . Jerusalem Jones viu seu cavalo correndo adiante. até que levantou e olhou para trás. sentiu a explosão lançá-lo para a frente. ou pelo menos não eram sempre justas. Gantua ia ficar e ter certeza de que a unidade não iria se auto-replicar antes de se destruir.C. então correu para alcançá-lo. e da cidade não restara nada.se auto-destruir. Ficou um bom tempo caído. E sabia também que seria de forma injusta. Quando estava quase a uma boa distância. Gantua correu e agarrou a unidade replicadora do habitante. Enforcado em uma árvore com aspecto miserável. Era esquisito sentir-se grato a algo que ele sentiu tanta repulsa. Gantua agora estava em casa. Nem mesmo da criatura que o salvou por duas vezes. As coisas sempre eram injustas para Jerusalem Jones. Apontou para frente. Era hora de ir para casa. Estranho isso. Ele sempre soube que morreria assim. mais assustado que ele.

e de como aquilo se tornou uma benção e uma maldição em sua vida. um dia isso tinha que acontecer. se é que vocês me entendem. Afinal. A única coisa em que ele conseguia pensar era na maldita mordida que levou no pescoço. era tudo lorota. E. pois ele não pretendia se estabelecer na cidade. Geralmente Jones acabava jogando cartas com eles. mas isso parecia ter um preço: às vezes sentia uma fome irracional. Mas porque Jerusalem Jones foi morto afinal? E por quem? Bom. com um tapa efusivo nas costas de Jerusalem Jones. por carne que não era. de que toda a nossa vida passa diante de nossos olhos quando estamos morrendo. enfiou uma estrela em seu peito. Chegava a ser um trabalho divertido. Jerusalem Jones ia acabar na ponta de uma corda. O trabalho de Jones era apenas recolher bêbados problemáticos. Como estava precisando de grana Jerusalem Jones aceitou. as sequelas foram inevitáveis. Jerusalem Jones chegou a conclusão de que aquela história. uma fome insana e imoral. Os dias se seguiram tranquilos. O xerige Moonaghan aceitou de bom grado e. dentro da cela. Se metendo sempre com quem não devia. aquela mordida que Jerusalem Jones recebeu era de alguém que estava com fome de Jerusalem Jones. . digamos. Jerusalem escapou de muitas enrascadas graças aos estranhos poderes que aquela mordida acabou lhe concedendo. carne comum. Foi quando recebeu a proposta do xerife de ser seu assistente. quase perfurando seu coração. assim que eles "acordavam" da bebedeira. mesmo tendo sido ajudado para que não virasse uma daquelas coisa. O caso foi que Jones estava morando há um tempo em Dobstownville. longe de encrencas. Não acontecia muita coisa em Dobstownville. avisando que seria temporário. e fazê-los passar um dia ou dois na cadeia.Minutos antes de parar de respirar.

que Jerusalem Jones conhecia tão bem. apenas um representante. O xerife disse que Jerusalem Jones seria enforcado imediatamente. a mulher de joelhos. Como a cidade era muito pequena. Esta estava aberta. Matar o representante e sua esposa. e rumou em direção à sua casa. Era aquele silêncio que precede coisas ruins. Jerusalem Jones amaldiçoou o representante por acabar com seu sossego. estirado à sua frente e.Tudo ia muito bem. sem mais nem menos. e havia um silêncio sepulcral lá dentro.ter cometido aquele hediondo assassinato duplo. E lá estava. O xerife disse à Jones que não entendeu os motivos dele . O xerife comandava a turba que queria o sangue de Jerusalem Jones. contínuo. até que o xerife precisou se ausentar e a coisa toda desandou. Quando viu Jerusalem Jones a mulher correu alucinada em sua direção. e a mulher estava ajoelhada dentro de um circulo desenhado no chão. totalmente estripado. antes mesmo de abrir a porta. Sem saber como. Havia velas e ao redor dele. Ao acordar. de qualquer forma. ofegante. com apenas o branco dos olhos à mostra. algo como um gorgolejo. . Entrou devagar. ou algo assim. e o esbofeteou tão forte que Jerusalem Jones foi a nocaute na mesma hora. Um garoto entrou às pressas e. o sr. A porta também estava aberta e o tal gorgolejo mais alto e incessante. Estava para ser enforcado. Um som de arrepiar os cabelos da nuca. todo ensanguentado. Vinha do que ele imaginava ser o quarto do casal. uma faca na mão e o corpo do representante Douglas. Jones chegou e bateu à porta.Jerusalem Jones . disse que havia problemas na casa do representante da cidade. Jerusalem Jones estava todo amarrado sobre um cavalo e com uma corda amarrada ao pescoço. pois o povo da cidade estava indignado e. não havia prefeito. Jerusalem Jones teve uma visão exata do que veria. com um vestido branco. e ouviu um som vindo do andar de cima. O garoto disse que ele estava batendo na mulher. Subiu as escadas e foi ver o que era. Douglas.

xerife Douglas. Mas se a mulher do representante se matou.. isso nunca era admitido abertamente por ninguém. Na hora Jerusalem Jones achou apenas que o xerife gostava de livros exóticos. apertando-o. Quer dizer.. Sendo que apenas um detalhe. .. porque então ele faria aquilo tudo? Com que objetivo? Enquanto se preparavam para enforcar Jerusalem Jones. a multidão gritava que o novo representante da cidade seria o herói. como o xerife falou em duplo assassinato? A mulher também morrera. Ah. sobre feitiçaria. Ele foi enforcado fora da cidade e o deixaram lá. Jones começou a colocar a cabeça pra funcionar e lembrar de algumas coisas. tinha a ligeira desconfiança que isso teria a ver com sua cicatriz. para depois ficarem juntos. Mas se os dois planejaram matar o representante e jogar a culpa em alguém. . então era por isso. sem nem mesmo um enterro decente.. pra dizer a verdade. Como por exemplo. ele disparou e a corda puxou seu pescoço. e coisas como controle da mente através de magia negra. O xerife piscou um olho matreiro para Jerusalem Jones. . Alguém deu uma palmada no cavalo onde Jerusalem Jones estava. Nem mesmo sabia porque não estava morto.. que havia um boato na cidade de que o xerife e a mulher do representante teriam um caso.ele seria linchado mesmo. o galho quebrou. até que Jones era só um corpo balançando na árvore. Jones se sentia bem. Mas. deixando-o sem ar. que descobriu e prendeu o assassino. Jerusalem tinha certeza que não a matara.. Porém. . Foi quando Jerusalem Jones lembrou de um livro que achou na gaveta do xerife. Jerusalem Jones não sabe quanto tempo ficou ali pendurado. que antes lhe incomodava. Poder.

esporou o bicho e tentou correr o máximo que podia. ele dormia pelos desertos. e ele pretendia saciá-la na cidade. Mas era tarde. na verdade. só parecia não querer levantar de onde estava. Entre uma cidade e outra. Ele se . Ele ficou ali.agora ele sentia que seria bem útil: ele estava com fome. ele se levantou e viu que o cavalo estava mais ou menos bem. uma aventura e outra. Tossindo. como se estivesse muito cansado de tudo aquilo que passava ao lado (quer dizer. EPISÓDIO 12 – OLHE LÁ NO CÉU! Jerusalem Jones gostava do deserto. Jones bateu a poeira da roupa e olhou na direção da cratera aberta pela tal "estrela". um lugar solitário e esquisito. ele percebeu que a estrela estava. olhando as estrelas e pensando em sua estranha vida. almoçando com o novo representante dela. Jerusalem Jones "acordou" e saiu correndo em direção ao cavalo. vindo em sua direção. e lançou ele e o cavalo metros a frente. assim como ele mesmo. apoiado a uma pedra. Pequenas chamas rodeavam o local e havia algo dentro dela. embaixo) de Jerusalem Jones. Suspirou e deitou a cabeça. à luz de uma fogueira. olhando aquilo. quando ele notou que uma das estrelas começou a aumentar de tamanho de repente. estava Jerusalem Jones fazendo exatamente isso. Era incrível. deitado. mas a estrela estava aumentando cada vez mais. Apenas quando já era tarde demais. Pedra e poeira caíram sobre ele. O que quer que fosse aquilo. com as mãos atrás da cabeça. Aquela outra fome. Pulou na sela. paralisado. atingiu o chão perto de Jones. Pois bem.

tentando não pensar que aquilo era uma criança mas. que adotaria como seu.. só que mais enfeitada. e aquilo fez a espinha de Jones congelar. Jones não sabia. ele começou a. como se esperasse que alguém aparecesse para explicar tudo aquilo. O moleque assou o seu ombro esquerdo. Depois de sair muita fumaça de dentro . sacou de sua arma. Jones sentiu uma coisa estranha dentro de si. Sem saber o que pensar ou fazer sobre aquilo tudo.. Atirou de novo. Jones deu um grito tão alto. Logo em seguida. O moleque riu de novo. apenas disparou outro feixe de calor que por pouco não acerta a cabeça de Jones. dessa vez descarregando as armas no filho da mãe.deu para ver que havia dentro. flutuar! O desgraçado estava voando! Quando Jones viu os olhos do bastardinho ficarem vermelhos de novo. algo que nunca sentira antes.aproximou cauteloso e viu que era uma coisa ovalada.. O bebê parecia bastante saudável para quem acabara de sofrer uma queda daquela dimensão. O moleque soltou uma risadinha de bebê que soou extremamente diabólica. uma cria do Capeta. . sim. Ele erguia os braços na direção de Jerusalem Jones e fazia aqueles barulhos engraçadinhos que bebês costumam fazer. seus olhos começaram a marejar sem ele saber porque.uma fumaça estremamente fria . Jones achou que tinha errado. isso não ia acontecer. Jones já estava para pegar seu cavalo e ir embora. vindo dos olhos do garoto. recebeu uma espécie de raio vermelho bem no ombro. Queimou como o inferno. Parecia quase como uma bala de canhão. pois o trocinho nem se mexeu. ele era à prova de balas. um bebê! Um bebê? Jerusalem Jones olhou ao redor. Então Jones percebeu. mas ele estava sendo sensível. quando ouviu um chiado forte e a coisa começou a abrir uma portinhola na parte de cima. Quando disparou. mas tão alto que o eco durou alguns segundo para dissipar pelo deserto. Pena que não duraria. mas. é claro.. Quando já estava até pensando em um nome para o filho das estrelas.

O garoto estava em cima do peito dele. Em pouco tempo só restou o esqueleto. mas quase. Ele ia fritar seu cérebro e nada podia ser feito quanto a isso. Provavelmente era o fim de tudo. em suas costas e foi derrubado. parecia que o corninho tinha uma espécie de capa. Mas não por muito tempo. Jones pensou em como tudo aquilo era ridículo. verdes. com um pavor e um nojo inesquecíveis. Não desmaiou. Mas pouco adiantava estar acordado. E mirava a cabeça de Jones. Ou quase nada. onde poderia se esconder. O trocinho começou a voar na direção de Jones e colocou um punho esticado para a frente. para Jerusalem Jones. Uma delas atravessou as costas do moleque. Os panos de bunda que o envolviam eram vermelhos e azuis e estavam enrolados nele. antes dele. nem precisa ver para saber. sentiu um rajada forte de vento. Os olhos estavam de um verde vivo e parecia que ele vasculhava algo dentro de Jones. A coisa começou a meio que a derreter. quando seus olhos voltaram ao normal. Começaram a ficar vermelhos de novo. Ele sabia que tinha sido ele. enquanto voava. Ah. Jones viu o céu ficar pontilhado de luzinhas verdes e de repente uma chuva bizarra teve início. Jerusalem Jones rodopiou e caiu. O grito que que a criança deu foi macabro. em cima de Jerusalem Jones. Eram pedras pontiagudas. quando sentiu um vento no pé da orelha e viu que o moleque já estava lá. Quando deus as costas para o bebê. e ele só tinha uma coisa a fazer. o punho estendido era pra isso. a pele se desfazendo. olhou na direção de umas pedras mais a frente. olhando na direção de sua cabeça. Que tirou de cima de si. A chuva foi rápida e Jones deu graças a Deus de não ter sido .. e ia correr na direção delas. Ele deu aquela risadinha irritante. correr e muito. mas quando ele começou a voar nessa posição. Levantou antes que ele pudesse chegar em cima dele.Ele começou a flutuar em direção a Jones. As coisas não iam bem.. Foi quando recebeu um soco no queixo.

enterrando-o. Ele olhou pro chão e viu um anel verde. na hora da chuva. ele não estava mais curioso e não queria mais saber de adotar ninguém que viesse do céu. Seu cavalo. Jesusalem Jones foi na direção dele. Melhor assim. Colocou em seu dedo e viu que cabia. Pelo jeito só afetava o bacurinho mesmo. não foi bobo e se escondeu. quando algo pequeno deu uma pancada forte em sua cabeça. ele viu que uma das pedras maiores atingiu o objeto em cheio. INTERVALO – TEXTOS REJEITADOS Ilustração por Óqui De Volta Para O Exterminador do Futuro: . nem que fosse Jesus Cristo.atingido por nenhuma das pedras. Ele não sentia nada perto delas. Ficou vendo se acontecia algo e nada. mesmo que algumas estivessem bem perto dele. Olhando em direção ao troço de onde o moleque saíra. Esperou mais um pouco e nada. Sem que Jerusalem Jones visse uma luz verde havia formado um dedo médio apontando para cima. tirou e atirou para trás com um palavrão. Sem querer guardar lembranças. Pegou e viu que tinha um desenho de algo que lembrava uma lamparina. Sabe-se lá porquê.

Sentado em sua casinha recém-adquirida de cerca branca. não perca o respeito por ele. Não que ele saiba como é o gosto de ozônio. uma mulher aparece ali no meio do nada e vai em direção a um Jersusalem Jones estupefato: . Murdock. Os nazistas estão enviando um robô exterminador para que o senhor não gere um filho. para que seu cão de estimação. o futuro depende de sua salvação! .. se sua letra não fosse tão horrível que nem ele mesmo consegue ler os recados que deixa para sí.Venha comigo Senhor Jones. Mas um homem nos deu a esperança. porque acha que fui enviada pelada?! ------------------------------------------------------- O Ataque dos Tomates Verdes Fritos: Jerusalem Jones fecha o livro que acabara de comprar e ler. Tanto sabe que não se espanta quando vai até sua plantação . Ele escreveria um livro. Tudo corre tranquilo na vida de um Jerusalem Jones aposentado. onde o mundo é dominado pelos nazistas desde 1938. Jones vê uma bola de fogo branco se formar quase que à sua frente.Meu nome é Sarah Connor..Mas pera lá. Eu nem mulher tenho! .Senhor Jones. ele nem sabe exatamente o que é ozônio. as coisas não costumam ficar tranquilas para ele. fui enviada de 1987. Indiana Jones! . passa os dias a ler romances água com açucar e fingir que não está chorando. Acordado no meio da noite. e ele é seu filho. de seu sono no deserto. na verdade.De que diabos a madame tá falando? Quem raios é você? . mas é o que acontece. mesmo aposentado. o nosso salvador. Jerusalem Jones sabe que. Depois de todo misancéne (não sei como se escreve isso). que viveu tantas aventuras.Jerusalem Jones sente o ar do deserto crepitar e um gosto de ozônio se instala em sua boca.

... Olhou Para os Dois Lados e Atravessou: O eclipse estava assombrando a todos na cidade de Deckard Town.Venha comigo Senhor Jones. e mais outro. quem precisava deles. uma mulher o agarrou: . O pouco que tinha não dava nem para pagar mais uma bebida. Eclipses.. Jones se levantou... Todos olhavam para cima.Venha comigo Senhor Jones. o futuro depende de sua salvação! . enquanto Jerusalem Jones bocejava em uma mesa do Saloon Goldmine. tem coisa errada. boquiabertos. Tudo e todos estavam impassíveis. Foi pensando nisso que Jones sentiu uma sensação estranha.Ah. o futuro depende de sua salvação! . e mais outro! Jerusalem Jones sai em desabalada quando dá um encontrão em uma mulher: . imexíveis. até ver um tomate quicando à sua frente. Jerusalem Jones precisava de dinheiro urgentemente.Peraí. bah. chega disso! . E mais outro.de tomates e leva uma mordida que não sabe de onde vem.. empurrou a mulher para longe que cambaleou atônita sem entender nada. Literalmente.E dizendo isso. Olhou para frente e viu que tudo estava parado demais. Por que você tá pelada? ----------------------------------------------------- O Dia em Que a Terra Parou. saiu do saloon e quando pôs os pés para fora. .

Quando meteu a mão no bolso do primeiro transeunte ouviu um grito em uníssono: . era sempre um custo para me livrar deste bando de urubus que caíam em cima de mim como abutres.PEGADINHAAAAAAAA!!!!!! EPISÓDIO 13 – O CAÇADOR DE RECOMPENSAS Eu detestava quando isso acontecia. . que trabalhava devagar. entendeu que aquilo era um sinal dos céus. Qualquer um pode dizer que é o Bufallo Bill. De tempos em tempos eu era confundido com algum bandido. Era um verdadeiro pé no saco. como a gente sabe que o Buffalo Bill é o Buffalo Bill? Só por causa daquele cavanhaque brega? Qualquer um pode ter um cavanhaque idiota daqueles. mas quando você estiver lendo isso. Você já reparou que nós que vivemos no velho oeste (quer dizer. Era para que ele pudesse recolher a grana dos incautos paralisados. Para não ser injusto deixaria os doces das criancinhas intocados. ele ainda é novo. Assim sendo. pé-rapado ou não. por mais que eu dissesse que meu nome era Jerusalém Jones. Somente então é que sua mente.Jones andou mais um pouco e via que as pessoas realmente estavam estáticas. o desgraçado do caçador de recompensas não acreditava. O pior de tudo é que eu nem tinha como provar que eu era eu mesmo. ele será velho) nunca temos um documento de identificação? Tipo. E. que estivesse sendo procurado.

Me levantei e encarei o china bem dentro dos olhos. eu nunca sei). MEU NOME É JERUSALEM JONES!". olhei para o desgraçado parado a minha frente. senti um pé no meu queixo. eu apenas gritei: "EU NÃO SOU QUEM VOCÊ ESTÁ PENSANDO. Ele deu outro sorrizinho e disse: . tipo. Não demorou muito pro amarelo me alcançar e ele saltou sem nem mesmo pôr as mãos no cavalo. desta vez. Afinal eu estava bem arranhado por conta da queda. se um dia eu for escritor vou colocar essa frase pro texto ficar mais. é japonês ou chinês que come peixe cru. Eu me levantei grogue. eu teria escutado um assovio melodioso. ter minha cabeça posta a prêmio e por uma ninharia. saindo em disparada. Me dei conta de que ele devia ter parte com o demo. rodopiei três vezes e caí no mesmo lugar de onde havia terminado de levantar. Minha vontade era sacar e encher o boneco de balas. cheguei!). sorrindo. Mas. E. já que eu não lembro de ter visto ele se mexer. Não que eu realmente estivesse com medo daquele amarelo. Devia ser o sol que estava me fazendo ver coisas. e o suor que caía nos arranhões não me faziam ficar mais feliz. Lá ia eu galopando o vento quando meu cavalo se assustou com alguma coisa (uma cobra eu acho) e me derrubou. realmente. Eu corria apenas porquê não queria ter de matar um filho da mãe e depois ter. E mais. me deixando sozinho a mercê do comedor de peixe cru (peraí.O fato é que. o que seria mais vergonhoso. me olhando com aqueles olhos que eu não tinha certeza se estavam mesmo abertos. Se tudo aquilo tivesse um fundo musical. minha cabeça posta a prêmio. Assim sendo eu galopava o vento (nossa. Por um momento eu achei que o nanico tinha voado da cela. era um maldito de um chinês que estava no meu encalço. Eu fugia pelo deserto como o gato foge de água molhada. o desgraçado nem mesmo tinha armas. em vez disso. antes que eu me desse conta. SEU CHINEZINHO DE MERDA.

e eu vou levar você "pureso" e "pegá" a "lecompensa"! . ele disse. Claro. Eu meio que vi o china flutuar. então girar no ar. O Padre Crowns disse que uma vez. E pra completar. O china deu um pulo no ar. Foi coisa de segundos. já que não se via nada. EU NÃO SOU TÃO FEIO ASSIM!!!! Vê se abre mais esse olho. estava em um clube de lutas proibido quando aceitaram um desses amarelos numa luta onde valia tudo. o padre Crowns sempre bebeu demais e sempre viu coisas demais. O padre disse que foi um massacre. ou algo assim. E aquele china tava tentando me matar. e que Dwight. Se existisse cinema nessa época eu diria que a cena toda ficou em câmera lenta. Paul McCallister? Como alguém pode me confundir com aquele troncho do Paul McCallister? O cara é uma mistura de Corcunda de Notre Dame com Frankenstein. todo cheio de confiança: . a não ser seus olhos fechados) de "eu sou o maioral". assim seria apenas legítima defesa. com um olhar (pelo menos eu deduzia que fosse um olhar. Saquei as armas e.. com aquela roupa rídicula de cowboy que não combinava com ele. Ele jurava que quando esteve pelas bandas de .ser comparado com o Paul McCallister foi demais pra minha beleza..Ou vem "poro" bem. china desgraçado . e daí seus pés acertaram meus dois revólveres. mas o viadinho voou! Quando ele aterrisou seus pés se enterraram no chão.Peraí. eu já tinha ouvido historinhas sobre esses chineses. ou vem "poro" mal! Diacho..Meu nome é Pe Bo Lim! Você não "Zerusarem" Jones! Você Paul "Macarister". Ele voou! Eu juro que o china voou. mas muito longe. Ele olhou de volta para mim. Bung Fu. jogando-os muito. e que eles tinham umas técnicas de luta conhecidas como Funde Ku. e nada. ficou aleijado. o peso-pesado mais assassino de todos os tempos.

assim sendo eu não acreditei em nada do que ele disse. o que bastou para que ele me desse um chute na cara. Agora as moscas (de onde vinha tanta mosca?) estavam na minha cara aos montes. Mas agora. ele se assustou e ficou em posição de ataque.. Uma mosca quase entrou em meu nariz e eu fiz um gesto mais brusco.. eu suava tanto que um bando de moscas se juntava em mim. foi quando ao tentar afugentar as moscas eu . Me levantei e fiquei de frente para o chinês. PORRA!!! Esse chinês é maluco??!! Meu nariz sangrava. Eu precisava dar uns pipocos no rabo desse chinês e pôr ele pra correr.Roswell viu um "pires voador". Pra piorar. iam rir de minha cara por ser capturado por aquele toco de gente.. pois mesmo não sendo eu o bandido. Olhei para o chinês metidinho e. Eu dei um grito de raiva e o chinês pulou com a perna esticada pra me acertar de novo. Eu corri como nunca corri em minha vida. e senti uma pancada nas costas. Fazia uns barulhos esquisitos. por causa do suor e dos meus arranhões que devia estar uma beleza de podres. Se eu corresse ele me enchia de porrada. e aquele amarelo não ia me levar a lugar nenhum. Quando eu espantei uma mosca da cara. uns gritinhos meio afeminados demais para o meu gosto. Eu escutei um barulho de tecido ao vento. O viadinho me acertou de novo. Era isso que eu fazia na maioria das vezes que me confundiam com procurados. atrás de mim. com as mãos em frente ao rosto. Eu pensei que ia ter de enfrentá-lo e isso não seria muito bom.. Eu não estava nem um pouco a fim de ser preso no lugar do McCallister. Pelo menos até agora.. Eu até podia deixar ele me levar e ver a cara de idiota que ele ia ficar quando o xerife dissesse que não era eu que estavam procurando. Agora eram o chinês e as moscas que me irritavam. disparei na direção delas. pra mim. Olhei na direção das minhas muito distantes armas. Eu não sabia bem o que fazer. se eu ficasse ele me levava preso e o vexame seria maior. agora eu estava puto..

é um chinês que lute Fung Su. e nem eu. ou eu ia colocá-lo para trabalhar em uma pastelaria. .. Zung Fu. As moscas nessa hora. com mais ou menos metro e meio e pensei que não existia lutador perfeito. ele ia ganhar. eu tentava pegar uma mosca ali bem na hora e acabei por pegar o tornozelo do china. Estava sem saber o que fazer com o chinês desacordado. claro. Acabei por me defender de todos os seus golpes. a cada vez que ele tentava. pois as moscas me perturbavam. se dispersaram. sabendo que tudo que se precisa para ganhar dinheiro na vida. sei lá. e se era dinheiro que o amarelo queria. Quando ele tentou me acertar a orelha com um golpe do pé. né? Olhei para aquele corpo estendido no chão. começando a tentar me acertar golpes com as mãos. foram embora. ou das moscas. Acho que ele não esperava isso. Não entendi muito bem. mas ia ter de dividir comigo. (que. Ele se levantou estupefacto. Chamei meu cavalo de volta. Ou isso. só que não tinha tempo pra isso. e fui na direção do pôr do sol. e golpes meus. amarrei bem amarrado) quando me lembrei do que o Padre Crowns disse sobre o clube de lutas clandestino. e que tudo dependia da sorte. O chinês estava furioso por ter sido derrubado.. joguei o china amarrado no dele. Eu sabia onde tinha um. Sem pensar duas vezes rodopiei o cabra pelo tornozelo e acertei a cabeça do disgramado numa pedra que estava ao meu lado. eu o impedia sem querer. O chinês apagou na hora. enquanto tentava me livrar das moscas que zuniam na minha frente.acertei o pé dele e o derrubei no chão. deu um grito e avançou pra mim. de cá. sem querer. Na verdade eu também estava. Era golpe do chinês de lá.

. Perdi toda a grana e ainda tive de empenhar minhas armas. sim. isso é um fato. Eu vinha de Start City e ia na direção de Ending City. Convenci o pai do Bob de que eu poderia levar o dinheiro em segurança e resgatar o garoto. não me olhem desse jeito. (argh. Certo. Talvez no fundo eu goste de coisas estranhas e inesperadas. atravessando o deserto. que havia sido sequestrado há 12 dias pelos tais irmãos. É incrível como as pessoas acreditam em qualquer um hoje em dia.. Certo. Outro fato no entanto. Sim. rai rô. eu achava que estava com sorte e resolvi usar o dinheiro do resgate do pequeno Bob Laughton. Como exatamente eu iria fazer isso. podre essa!) EPISÓDIO 14 – ENCONTRO INSÓLITO Eu gosto do deserto. De certa forma eu tinha intenção de resgatá-lo sim.Rai rô. mandando os irmãos McNeill para o inferno. um pagamento que fui incumbido de fazer aos irmãos McNeill. já que o dinheiro não era meu e. não chores por mim. no caminho eu ia decidir. vou voltar pro Alabama tocando Pe Bo Lim.... é que é no deserto que me acontecem as coisas mais estranhas e inesperadas. Ó suzana.. estou tocando nesse ponto porque esses dias aconteceu mais um desses estranhos casos que parecem me perseguir aqui pelo deserto. O pobre Bob estava em maus lençóis. mas ficaria com o dinheiro. Eu apenas sou fraco quando se trata de jogatina. e não estava nada contente por ter perdido dinheiro no jogo. . Estava chateado por mais de um motivo. Talvez o mais estranho de todos.

.. E o seu? Eu não podia acreditar..Quem é o garoto com você. eu acabo de resgatá-lo e estou levando o garoto e o dinheiro de volta para o pai dele. não sei o motivo. honesto. . eu quase caí do cavalo de susto: O DESGRAÇADO ERA A MINHA CARA!!! Acho que ele passou tão rápido que não me notou. Bom. Parecia com bastante pressa. era algum tipo de brincadeira. Não pude deixar de notar que ele carregava alguém junto. eu.M-meu nome é Jerusalem Jones. eu passava pelo deserto. posso saber? . sabia que era outro Jerusalem Jones. mas como eu ia dizendo.Como nada disso saiu como planejado. Ficamos meio que estupefactos por um tempo. Minha cabeça estava doendo demais. mais. Quando ele disse essas coisas é que notei que haviam algumas diferenças entre nós dois: ele parecia mais.Cara. até as nossas vozes são idênticas. foi que ele se deu conta da semelhança que havia entre nós e parou.. não haveria quem me salvasse. Resolvi ir atrás e quando o alcancei. eu não sei o que está acontecendo aqui. quando eu vi um caveleiro ao longe se aproximando rápido. Já ia comentar sobre isso quando olhamos os dois para um outro cavaleiro que se aproximava e eu. Se o pai do Bob me pegasse. E não deu outra. até que um dos dois resolveu falar.Somos irmãos que se perderam ou algo assim? Qual é seu nome? . O garoto se chama Bob Laughton. O que estava acontecendo afinal? . fui atravessando o deserto indo para bem longe. no caso: . Alguém pequeno. Espero que os dois consigam reconstruir suas vidas depois desse pequeno constrangimento. nessa travessia que costumo fazer em tantos outros desertos e que já me renderam algumas aventuras bizarras. Quando ele ia passar por mim à toda velocidade.

... se parecia comigo também. tinha um olhar insano.Ele se aproximou de nós dois. e disse: . é. Pena que não consegui me controlar e deixar o garoto vivo.. esfaqueado. só que um pequeno detalhe: o garoto estava morto. .E aí.. Mas isso durou pouco. Ele não parecia ver nenhum problema em estar diante de mais dois parecidos com ele. Eu me senti tonto. só não disse como o entregaria! Heheheheheeheh. e o primeiro que rir do meu nome. O meu eu psicopata perguntou: . Ele disse que se eu fizesse isso eu salvaria o mundo e ganharia a simpatia dele.. Ah..Porque diabos você matou o garoto? . estava vestida como uma pistoleira e. O novo Jerusalem Jones estava coberto de sangue.Perguntou meu eu mais honesto. Tenho que entregar essa encomenda ao velho Paul Laughton. leva chumbo. claro.Reunião de família? Hehehehehe? Hein? Reunião. . quando um quarto cavalo vinha se aproximando e.Meu nome é Jerusalena Jones. Ver meu rosto emoldurado por cabelos compridos e com batom não foi nada animador. Respirei mais aliviado ao constatar isso. hehehehehe.. O meu eu mais honesto ia retirar o revólver do coldre. .Porque o Demônio das Sete Chaves ocultas falou comigo enquanto eu cagava em Barrows City. e porque eu estava sem fazer nada. e estava com o mesmo garoto na garupa.Disse ele babando. havia alguém sobre ele. .. hehehehehe... Mas dessa vez parecia ser uma mulher. heheheheeh. Eu disse que resgatava o filho dele. vocês precisavam ver o que fiz aos irmãos McNeill. querida? Você também é da família? Qual seu nominho? . pois quando a mulher se aproximou.

Eu estava com pressa e não queria mais pensar em cópias alteradas de mim mesmo. quando meu eu honesto se meteu na frente e levou o balaço. . e levar o filho dele de volta. mas o garoto ficou.Roberta Laughton.. nem faço muita questão de saber. Eu não sei o que aconteceu ali. menos eu e. um outro cavaleiro passou por mim.Vem. Vi que os corpos tremeluziram e foram desaparecendo. Eu estava querendo apenas continuar meu caminho e deixar aquelas cópias de mim mesmo. mas não escapou de levar um tiro bem na cabeça. Mas parecia ter participado de algum tipo de luta. Quando dei sinal de que ia partir. A garota Jerusalena sacou da arma e atirou no doido. Todo mundo morto. filha de Paula Laughton. Apenas segui em frente. e eu nem podia culpá-lo. em meio àquela carnificina. Quando estava de volta para a cidade. .. o garoto. Me veio a idéia de que eu devia compensar o fato de ter perdido o dinheiro do Paul Laughton. Vou te levar pra seu pai. só que era negro. . pois parecia bem machucada. eu perguntei: .Ele subiu na garupa e partimos de volta para Start City. Mas consegui dar cabo nos assassinos. Por curiosidade.Ela não tinha ninguém na garupa. Talvez por estar vivo. como se estivesse vendo fantasmas. porque todos somos tão parecidos e porque diabos esse maluco está com um garoto idêntico ao que está vivo na garupa ali do outro? Foi quando ela disse isso que vi que o garoto que ainda estava vivo olhava para todos nós de boca aberta. Eu fiquei ali. afinal o original já deveria estar morto a essa altura. para trás. Mesmo que não fosse exatamente o mesmo. meu eu insano sacou da arma para atirar em mim. bem no peito. garoto. achei que ele parecia muito comigo. Mas o que diabos significa isso tudo. Cheguei tarde demais. não sei.Você estava tentando resgatar alguém? .

EPISÓDIO 15 – O NATAL DE JERUSALEM JONES Então não havia muito o que festejar. passando o Natal todo quebrado. tentanto subir no telhado da casa. Seu Natal sempre foi o de uma criança normal. Jerusalem Jones nunca entendeu qual era a da barba branca e da roupa vermelha. Jerusalem Jones. Jerusalem Jones nunca acreditou em Papai Noel e. Além de estar sempre duro. certa vez que seu pai foi cair na besteira de brincar com isso. e enchia a cara pelas mesmas razões. Pena que ele nunca foi uma criança normal. não que sua infância tenha sido um desastre. e começou a atirar em sua direção. É.. e ele nunca tenha ganho nada. Jerusalem Jones apenas detestava isso de espírito natalino. Sua mãe só fazia rir de tudo aquilo. afinal ele dizia odiar a Páscoa também. Na verdade. acho que era isso mesmo. deslizou pelo telhado e caiu no chão. Jerusalem Jones estava bêbado como um gambá alcóolatra. Queria apenas esquecer que era Natal. Foi pensando nisso tudo. meditando na vida ao sabor do álcool . que rolou. Não. Ou era apenas mais um desculpa para se entupir de bebida. pegou o revólver do pai. Ele detestava o Natal apenas por detestar.. lá com seus 8 anos de idade. provavelmente daria algo que não seria do agrado da pessoal. Ele dava graças a Deus de não ter parentes ou mesmo amigos a quem tivesse que dar presentes. ou falta delas.

Tinha que segui-los. apesar de não parecer. Jerusalem Jones entrou em desespero. e a Gangue do Papai Noel parece ter achado a oportunidade ideal para limpar o banco. pois todos estavam em volta de suas árvores de Natal. Cada um com um saco mais cheio do que o outro. Mas Jones estava sóbrio agora. Havia duas coisas que deixavam Jerusalem Jones sóbrio por mais bêbado que estivesse: cheio de mulher gostosa e cheio de dinheiro. E ele estava sentido o cheiro de muitas notas naquele momento. Não conseguiu. que os sacos não deviam estar cheios de brinquedos. Tentou novamente. podiam ser abordados por aí e diriam que eram mais um dos tantos Papais Noel que andavam circulando pela cidade. O jeito foi gritar: . quatro Papais Noel saindo de um dos bancos da cidade. que já tinha um cocheiro à espera. CAVALO DE UMA PORRA?! O cavalo apareceu dobrando a esquina e correu em sua direção. Jones sabia. A rua estava deserta. àquela hora da noite. Jones seguiu a quadrilha a uma certa distância.CADÊ VOCÊ. Só saía baba. Jerusalem Jones foi notado por todos eles. Jones pulou na cela do jeito que dava e disparou na direção da carruagem.destilado. Enfiou dois dedos embaixo da língua e tentou assoviar para chamar seu cavalo. Entraram todos os quatro e a carruagem partiu a toda. que Jerusalem Jones viu. Ele mais escutava a carruagem do que propriamente a via. que depois de um . não deram a mínima importância e seguiram em frente. Seguiu mantendo uma boa distância até. A noite estava um breu e a lua mal iluminava o caminho. mas vendo o estado alcoolizado dele. que olharam em sua direção. por algum motivo. Ele ainda tinha efeito do álcool agindo sobre ele. Eles estava indo na direção de uma carruagem. E. com aquele disfarce. Mantendo o aspecto de bêbado.

Ou talvez até soubessem. Uma daquelas coisas que costumam acontecer com ele quase sempre. o silêncio voltou a reinar sobre o deserto. devagar. Havia pedaço de Papai Noel para todo lado.longo tempo. afinal? Nessas horas é que ele queria que algo de estranho acontecesse. se preparando para fazer algo que ele nem sabia mesmo o que era. Estavam todos eles no meio do deserto. Ele suspirou. ou era morrer tentando tomar a grana daquele pessoal. conseguiu entender mais ou menos o que acontecera. Jerusalem Jones não entendia o que podia ter atiçado a ira desses espíritos para tanto. Quando. mas levantaram seu acampamento bem no centro de um cemitério indígena de animais. Morrer. O que fazer. não com essa escuridão. esperou e esperou até o dia amanhecer. Com certeza iam dormir. nem pensar. até o local onde os bandidos estavam acampados. ele não pensou em nenhum plano para enfrentar quatro Papais Noel armados. o rebuliço parou. Mesmo assim. Roupa . Jerusalem Jones esperou. Uma coisa que ele tinha notado agora. Os sons eram horríveis demais. Sua espinha tinha virado uma trilha de gelo em suas costas. viu que eles decidiram parar. para seguir viagem de dia. Jones achava que nunca mais conseguiria dormir. Qaundo o sol nasceu. tossiu. mas não estavam nem aí. tremular no meio da escuridão. que eles acenderam. Ele tirou seus revólveres da cartucheira. Mas ir lá ver o que era. segurou bem rente ao rosto. Foi quando ele começou a escutar gritos horrendos e barulho de ossos sendo quebrados. Ouviu grunhidos e gritos de dor lancinantes. talvez. despedaçados. Ele precisava de ajuda! Ou isso. Eles não viram. Jerusalem Jones via a fogueira. sem ele saber o motivo. Quando chegou bem perto. e quase morreu com o próprio bafo de cachaça. por não ter conseguido dormir. Jones sentia dores horríveis pelo corpo. Foi andando. enfim. Jerusalem Jones saltou e tentou pensar no que ia fazer. sem pregar os olhos.

por pessoas que não eram seu pai.vermelha. Vendo o que restava dos ossos. Você fez um bom trabalho. Jerusalem Jones se apressou em juntar os quatro sacos. parado. segurando quatro sacos vermelhos. meu filho. Jones viu que era o tumulo de cão bem grande. Ele fungou. Feliz Natal para o senhor e sua família. que eram marcados por pedras empilhadas. Passe as sacolas. não. Vou conseiderar esse massacre . quando ouviu um barulho às suas costas. pensando em como ele odiava ser chamado de "filho". filho. e não acreditou no que viu. até que decidiu entregar as sacolas e disse: -É.Pra você também. Jerusalem Jones ficou ali. Que péssima idéia esse cara teve.que não faço idéia de como cometeu . pensativo. Sorriu feliz da vida. devido ao Natal. vendo todos os estranhos túmulos de animais mais adiante.Jones! Foi você mesmo quem fez isso. mas nunca pensei que fosse dado a heroísmos. Era o xerife e seus ajudantes: . Viu que uma das covas estava remexida. tudo pelas criancinhas. meu filho. Um dos bandidos abriu o que pensou ser apenas um buraco e cagou dentro. Pelo jeito você sabia que esse dinheiro era para obras de caridade de quatro cidades. sem que vissem o dedo que Jerusalem Jones mostrava para eles. Jones olhou ao redor e viu os sacos de dinheiro intactos. xerife. Devia ser de algum chefe da aldeia. doados pelo governador e conhecidos seus. . Olhou mais em volta. meu filho?! Eu sempre achei que você era um vagabundo insolente. E o xerife deu as costas e se foi com seus ajudantes em seu encalço.como legítima defesa. Estava meio perdido em seus pensamento. cheios de dólares. Ah. barba branca e pedaços de gente enterrados no chão. .

ainda com a barba branca (na verdade a barba parecia verdadeira). mas o maldito Bernie conseguia. um de seus braços estava mais adiante. O corpo de um dos bandidos estava destroçado atrás dela. Papai Noel! Eu adoro o NATAL! E se mandou para a cidade mais próxima.Obrigado. segurando um maço de notas. Outro coisa chata era como ele me agarrava e começava a delirar. Isso implicava em ter de chegar perto dele. e eu detestava isso. onde iria comprar alguns presentes para si mesmo! EPISÓDIO 16 – CRISE NO VELHO OESTE Jeremiah Bernstein me devia uma grana e eu precisava ir até a casa dele cobrar. O idiota deve ter tentado subornar a assombração. Olhou para onde estava a cabeça do bandido. Tudo bem. e como ele estava sempre terminando uma e começando outra. ele nunca tomava banho enquanto não as terminasse. e disse: . mas hoje não era um dia em que eu estava de bom humor.Já estava indo embora quando viu um é atrás de uma grande pedra. Ele era um velho que teimava que era cientista e. fora o cheiro insuportável. Que coisa mais imbecil. algumas vezes eu dava boas risadas dessas histórias loucas do Bernie. . contando como inventou o trem a vapor e a caneta-tinteiro e de como essas patentes foram roubadas dele por pessoas inescrupulosas. Até mesmo eu não conseguia ficar sem banho tanto tempo. isso significava não tomar banho nunca. em função de suas muitas invenções "revolucionárias. Jones pegou o maço de notas e viu que tinha uma grana considerável.

Em vez de dois ponteiros. eu acordei. O homem devia ter uns 40 anos.. Uma fumaça espessa vinha de outro cômodo da casa. E estava muito.. mas muito quente... como quem estivesse se arrastando. e um relógio esquisito estava conectado a vários canos que davam para o centro no alto da estranha máquina. Acho que o Bernie realmente estava precisando de um banho. Olhei de um lado dela. . eu não conseguia entender o que era tudo aquilo. como se estivesse resfolegando. Mas o pior é que não era todo o Bernie.. onde eu mesmo nunca estive. tentando entender o que havia acontecido. . saindo de uma espécie de máquina. Quando consegui ver com clareza. senti uma pancada forte na cabeça. saindo dela. urgente. Ele nunca havia me dito que tinha um filho. levando seu corpo da cintura para baixo. fui abrindo os olhos e divisando as coisas ao meu redor.Quando me aproximei da casa. ... Xingando a mãe de todo maldito traiçoeiro que ataca pelas costas. Estranhamente sua metade estava bem em cima da linha da entrada daquela máquina estranha. A máquina continuava a emitir um som. Quando fui até lá. mas apenas metade dele. ele parecia estar marcando certas datas. o relógio tinha uns cinco. Eu o rodeei. como um velho trem que se prepara para partir da estação. Quando eu entrei um cheiro forte de putrefação invadiu meu nariz que eu quase desmaiei. olhando diretamente para mim. a visão de tudo me deixou enjoado.. e bati na porta. No chão. Fiquei pasmo ao perceber que ele se parecia muito com o Bernie. mas com uma porta na frente. algo parecido com uma enorme caldeira. percebi um cara olhando diretamente para mim. o rosto em desespero. e apaguei. Será que ele tá achando que eu matei o pai dele? . Porém. Em vez de marcar as horas. estava o Bernie. ela se abriu sozinha. Quando me aproximei mais do relógio.. . Algo o rasgou pelo meio.

. . Acho que não é todo dia que alguém vê como vai morrer.. e foi com isso que eles ficaram..Eu sou ele.. certo. que vai morrer daquela forma ali.. Sabe. Mas porque me acertou na cabeça? . apontando para o corpo do seu . eu não acreditei. exatamente nesta mesma hora. quando esse velho maluco me procurou dizendo que eu devia tomar cuidado com quem eu me associava. assim como você não está acreditando agora. Ele não parecia querer responder a minha pergunta. . mas quando ele a acionou.He he he he he!!!! A risada dele parecia estranha.. longínquo. . amigo.supunha eu ..pai. Quando eu cheguei aqui você já estava desmaiado aí no chão.Não fui eu.Hmmmm. Sou Jeremiah Bernstein.Sim.Você é Jerusalem Jones? Ele me disse que eu devia procurá-lo se algo desse errado.Disse o suposto filho de Bernie. que agarrou uma espécie de caixa com uma pequena alavanca. os homens o agarraram pelas pernas. Não acreditei até que alguns estranhos invadiram minha casa. Talvez estivesse tentando sentir alguma coisa por aquele velho que não via há tantos anos e não conseguia.. e parece que deu. Talvez Bernie o tivesse abandod. ao mesmo tempo melancólica e com um certo tom de apavoramento. Ficou olhando para o corpo de Bernie com um olhar estranho. Metade do corpo dele. .. para não perder patentes de importantes invenções minha. Você é filho do Bernie? . e foram na direção do velho. bom. sou eu. .

de dentro daquela máquina. Antes de fechar a porta. de boca aberta. Saí por aquela porta. sem conseguir dizer uma palavra. e não faço idéia de como vou voltar para minha época.. pois pelo que pude perceber. eu a acionei. saiu. apertou uma alavanca perto do mesmo.A caixa com a alavanca acabou ficando na sala. com certeza... A porta se fechou com um estrondo. sentado ali no chão. um maluco tão doido quanto o pai e. Meu eu mais jovem mexeu nos ponteiros do relógio estranho. sabe-se lá o que poderia fazer se eu começasse a rir de sua história ridícula. O cara era jovem e já estava tão louco quando o pai que jazia morto ali.. EU. Foi até o cara que eu achava que era o filho do Bernstein. se apertando junto com o outro. Talvez um novo tipo de máquina para retirar o fedor de meses sem tomar banho.. Eu tentava não rir. olhou para mim. não sumiu com a outra metade do corpo do velho. que constrói essa máquina aí que parece poder transportar as pessoas através do tempo. e disse: .. não cair na gargalhada. eu viajei para o futuro. mas não falou nada. e correu para dentro da máquina. afinal o cara era. estupefato. O futuro do meu eu idoso. Eu fiquei sentado olhando para o homem... 20 anos mais moço!!! Meu eu u mais jovem olhou para mim mesmo. e sem parar para pensar... evidentemente. pegou-o pelo braço e enfiou-o dentro da máquina. Foi pensando em tudo isso que eu escutei a máquina chiar alto. para o filho do Bernie. Os homens ainda estavam tentando entender o que aconteceu quando eu peguei a caixinha. a porta se abriu e de dentro da máquina saiu. saí. quase jogando o corpo do Bernie do outro lado da sala. era alguma invenção estúpida do Bernie que deu errada. Quando tudo parou. Um silvo alto quase ensurdeceu a nós dois e o vapor preencheu a sala. saindo de dentro daquela coisa que. deu um sorriso maroto. e aqui estou.

Quando saí da casa. para não voltar a ver o Bernie tão cedo. soltou uma gargalhada.Cara. era o Bernie. O corpo havia sumido. Ouvi passos vindo de outro cômodo.. Não que que você seja muito honesto . e era. quando vi uma caneta-tinteiro na mesa do Bernie. .Bernie.Não sei. e um estrondo deu a entender que os dois foram embora. Acho que o dia hoje está estranho demais pro meu gosto. Pensei que fosse um ladrão ou algo assim.. tudo bem. e para piorar. A casa estava limpa e não fedia mais.Me levantei e ia saindo. agora. Jones. trazendo um copo d'água: . não. Na verdade. tocou a aba do chapéu num cumprimento e fechou a porta. .. era bem maior que antes. Ao lado dela estava escrito Bernstein Inc. . a própria máquina também sumira. Com uma baita dor de cabeça. E mais. Quando tudo terminou.Aqui está a grana que eu estava te devendo. . . mas acordei hoje com uma sensação de dèja vu que não quer ir embora por nada. o que diabos aconteceu aqui?! . o Bernie estava limpo.Não. os anos não vão ser nada gentis comigo. e isso foi a gota d'água. e a fumaça de vapor se dispersou.Bernie me pagou integralmente. . Jones. .. Era tudo estranho demais. sem barba e parecia gente de verdade. com uma estranha sentimento de que estou com uma dívida enorme com você.E dizendo isso.Desculpa ter te acertado.. pude ver que ela.E dizendo isso. bom. A máquina chiou e apitou de novo. montei no meu pangaré fui embora.. Bernie não estava mais na sala.

que cuidava de toda essa parte. atirando. Tudo ia muito bem. Só podem ser bandidos.. ele acabou de sair com mais uma leva de dinheiro. MacTargget sabendo que está em maus lençóis.Sim. cavalgando um cavalo branco e por um índio que o acompanha. a ponto de ser descoberto pelos banqueiros para os quais trabalha. até que esses dois se puseram em meu encalço. No Banco de Pennsilville o Sr. sem mais nem menos. As autoridades . . Sabendo do meu caráter. resolveu jogar a culpa em cima de alguém. Então me pus a caminho. levando a grana comigo. por uma pequena comissão. isso mesmo Sr. esse alguém sendo Jerusalém Jones.. digamos. Nada que eu já não tivesse feito antes para ele. E nada que fosse realmente crime. para entregar ao outro sócio de MacTargget. maléavel MacTargget sabia que podia confiar em mim. no pleno sentido da palavra.. Ou pelo menos eu pensava que sabia. MacTargget do Banco de Pennsilville resolveu me confiar uma tarefa meio que secreta: desvio de dinheiro. Cavaleiro Solitário. Tudo começou quando o Sr.. já que MacTargget sabia o que estava fazendo.EPISÓDIO 17 – O HOMEM MASCARADO Até agora não entendi porque diabos estou sendo perseguido por um mascarado. o qual vem sistematicamente arrancando do banco. Enquanto isso. para a cidade vizinha.

? Quando olho para trás. e eu que sou tonto? . e o mascarado eu acertei no estômago. pois estou preocupado demais em conseguir manter distância deles.. era Tonto!! Cof.. imbecil! O. eu não sou nenhum rei do gatilho. Depois que atiro. nome dele.locais nada conseguiram fazer para capturá-lo.C-c-cavaleiro s-solitário. né? Achou que ia levar a grana fácil.. não vai viver muito tempo. muitas aventuras juntos! . Será que. afinal? .. E foi assim que... Eu os acertei de primeira?! Como? Resolvo voltar lá só mesmo para ter certeza do que fiz. como você poderia se autointitular Cavaleiro Solitário? No máximo poderia ser o Cavaleiro do Parceiro Indígena.N-não.. era o meu parceiro. vejo os dois estatelados no chão. mas peraí. cof. se ele era seu parceiro. . o índio está morto com um tiro no meio da testa. Cof! Tivemos. meu caro senhor. nós capturaremos o meliante... Eles vão acabar me acertando..Ok. ficando apenas o galopar do meu pangaré.. sem nem mesmo olhar..Se deu mal..T-tonto! . ... Quando chego perto..... mas parece que a sorte está do meu lado às vezes. O jeito é revidar. Tudo bem.Hmmm.. . e esse é. . assim sendo resolvi recorrer ao senhor e a seu amigo índio.. você que tem o apelido estranho. Totalmente sem jeito eu saco a arma e dou dois tiros para trás. Seus cavalos galopando sem rumo. um silêncio toma conta de tudo..Fique tranquilo. Quem são vocês.. cof.

. s-seu a-animal..... Quando abro o tambor. eu me exal. mas dá no mesmo.Cê tá falando de cannabis? . podem se úteis..roubava...cof.. de um deles. . Me perseguir atirando.. assim. cof cof. Gostei da máscara e dos revólveres. ... P-Pennsilville.... e-esquece a p-porra do índio.... mas tinha um certo estilo... Merece até ser enterrado decentemente.. Cof..bem. tá. e meio esquisito. cara? É o mínimo que posso fazer... E-eu.... disse..... elas af-afetaram m-minhas d-decisões... COF. quase honesto... Quem de nós dois usa máscara aqui? Eu estou de cara limpa e fazendo um trabalho honesto.... Sabe..... cof. deu seu último suspiro. Estou com pressa. na verdade.S-S-SEU LADRÃOZINHO ESTÚPIDO! DO QUE ... . você sim tava me perseguindo pra me roubar.. tá.Mas e o ín. q. merda! J-já ouviu.Peraí!!! Peraêeeee. .. você... É.COF..çado! . obrigado.... infelizmente..Cof.cof.Ohhh. isso.Sim..cof. . ladrãozinho é a mãe....o.tei.cof.T-tá. ffalar em licença p-poética alguma vez.! Um Ranger Solitá. DIABOS VOCÊ ESTÁ FALANDO? .. o gerente.Aventuras..E-ERVAS M-M-MEDICINAIS. banco de. do. o cara pode ser azarado. .Não sei porque tá irritado. sei. mas não por mim. Peguei-os para mim. entendi! É. E você. cof. quer que eu limpe esse sangue da sua boca.....E-e-eu sou um Ranger. . vejo que as balas são de prata. . ... cof.. sem se identificar. s-seu desgra.... cof. E dizendo isso... em alguns Estados mais radicais isso dá até pena de morte... Ac-acabei fumando um pouco das eervas que Tonto s-sempre t-trás consigo e... DROGA! T-t-totalmente legalizad.que.. não é uma atitude muito digna de um Ranger. o Cavaleiro Solitário que andava acompanhado......

. oh. Ele não se lembrava mais exatamente o que fora fazer nesta cidade. escondido entre os becos escuros. como agora. Ele entrou na cidade e atacou sorrateiramente os moradores. ÔOOOOOOO. então o chamo: . algo no fundo de sua memória embotada pela fome. Uma mulher se aproximava.. Silver. A cidade era familiar. Deve ser o nome do bicho. que nem olha pra mim. Ele estava a espera de mais uma vítima. EPISÓDIO 18 – TERRORES DA NOITE Jerusalem Jones estava completamente louco. SILVEEEEER!!!! . só serviram para evitar que ele se tornasse um cadáver ambulante.E ele vem. Jerusalem Jones ia continuar sua refeição quando percebeu que conhecia a mulher... com uma única dentada. Talvez encontrar uma pessoa. não! . O choque a impediu até mesmo de gritar. Assovio para ele. sim. Quando ela passou por onde ele estava.. Mas a fome. Escutou passos. A maldição que adquirira ao ser mordido por uma morta-viva. Por perto só vejo o cavalo branco do mascarado. agarrou-a e a mordeu arrancando um naco de sua face.. não lembrava.. Reparo nas esporas um nome gravado.AÍ.Mãe?! . Mesmo os feitiços de um velho índio. voltara com força total. avô de um amigo seu. que aliás tinha sido sua melhor amiga.. a fome por carne humana o atacava de tempos em tempos. saciando sua fome.Merda! Meu cavalo sumiu.

Jerusalem Jones acordou de um pulo, suado, tremendo. Um pesadelo horrível. Fazia muitos anos que não via sua mãe. Depois que seu pai morreu, ele ganhou um padrasto, e então decidiu que, estando sua mãe com alguém, era hora dele ganhar o mundo e viver sua própria vida. Ainda estava tremendo, relembrando o sonho horrível. O mais estranho era que não sentia nada na maldita cicatriz em seu pescoço. Parecia nem mesmo existir.

Logo ele percebeu que ainda era noite lá fora. Estranhou, pois parecia que tinha dormido muito tempo, e que já deveria ser manhã. Chegara em Dodgeville apenas para descansar e partir na manhã seguinte. E agora estava sem sono. Mesmo que quisesse não conseguiria dormir, depois de um pesadelo desses.

Desceu as escadas da pensão e saiu para a rua deserta. Uma brisa incômoda trazia um cheiro esquisito que ele não conseguia definir o que poderia ser.

Acendeu um cigarro e continuou andando, sem rumo. De repente, escutou o barulho de bater de asas e ao olhar para trás, um homem vestido com uma espécie de uma batina preta estava postado exatamente atrás dele. Jerusalem Jones levou um susto, mas não teve tempo suficiente para reagir, quando foi agarrado e o estranho enfiou os dentes em seu pescoço.

Porém, ao engolir o sangue de Jerusalem Jones, o estranho deu um grito horrível, e e seu corpo começou a literalmente evaporar, exalando um fedor indescritível. Logo restava apenas um monte de cinzas no chão, junto ao manto estranho que ele vestia, e um anel com um "D" enorme.

Acostumado com as bizarrices em sua vida, Jerusalem Jones apenas continuou andando. Na verdade, ele achava que tudo não passara de alucinação. Estava pensando nisso quando de uma casa de dois andares, próxima, pulou um

enorme bicho peludo, que ele viu com o canto do olho. Só deu tempo de amortecer a queda.

Os dois rolaram pelo chão. O bicho que parecia um cachorro enorme, ou um lobo, sei lá, rosnava e babava sobre o rosto de Jones, que tentava manter suas presas longe de sua cara. Em meio a isso tudo, Jones pensava porquê ninguém acordava com todo aquele barulho.

O bicho já se preparava para arrancar sua cabeça quando alguma coisa o puxou de cima do J.J. Ele quase não acreditou no que via: um homem nu, de uns dois metros e meio de altura, com costuras por todo o corpo, inclusive no rosto, agarrara o bicho, que se debatia.

Jones sacou sua arma (que na verdade era a arma, que tinha balas de prata, do mascarado que ele matara no deserto) e atirou no cachorro gigante. O bicho estrebuchou no chão e... nossa... começou a diminuir, perder pêlo, até que se transformou em um homem franzino... que estava bem morto, agora.

O homem costurado olhou para Jones, e o agarrou da mesma forma que fez com o homem-cachorro, começando a apertá-lo, quase quabrando sua espinha. Jones conseguiu colocar o revólver na barriga do dito cujo, e descarregar. Os dois caíram.

O que estava acontecendo afinal? O que era tudo aquilo? Porque ninguém acordava na cidade, com todo aquele alvoroço?

Jones escuta um grito vindo de uma das casas à frente. Um grito humano. Corre para tentar ver quem é essa pessoa que parece ser a única da cidade.

Ao localizar de que casa vem o grito, arromba a porta, corre para o quarto de onde parece vir o som, e encontra um monstro com barbatanas nas costas,

atacando um velho deitado. Era do velho o grito. Jones saca um dos revólveres que ainda está carregado de balas de prata, e atira, matando o bicho.

Jones se aproxima da cama do velho e vê que ele segura um livro. Pega e lê a capa onde está escrito "Histórias de Terror - Monstros e Pesadelos". Pesadelo, hein, pensa Jerusalem Jones. Ele suspira, olhando para o velho de olhos abertos, vidrados, mas que ao mesmo tempo parece estar dormindo.

Lá fora um barulho ensurdecedor de passos faz com que Jones pegue o livro e veja onde o velho parou de ler... é o capítulo "A Legião do Inferno".

Jerusalem Jones coçou a barba por fazer, e tentou raciocinar. O barulho lá fora aumentava e o cheiro de enxofre dava ânsias de vômito. Logo eles estariam ali, e ele não tinha mais balas. Apenas uma, na verdade.

Jones lembrou de seu sonho, com sua mãe, e de como aquilo pareceu real. O velho, ele estava sonhando. Sonhos bem reais, depois de ter lido aquele livro de terror. Mas porquê só ele estava vendo as coisas que o velho sonhava? .... Oh, é isso. Por algum motivo, que ele não fazia a mínima idéia de qual era, Jones estava nos sonhos daquele velho.

As coisas já estavam dentro da casa. Jones não teve muito tempo para pensar. Tentou acordar o velho e não conseguiu. Era como se ele estivesse em coma. Sem muito tempo, ele só conseguiu pensar em uma saída. Atirar na cabeça do coroa, para ver se conseguia sair daquele sonho. Será que ele iria morrer na vida real? Aliás, será que Jones ia sobreviver também?

Os monstros do Inferno apareceram na porta, e Jones não teve mais o que pensar, encostou o cano na cabeça do velho, pediu perdão pelo que ia fazer, e atirou... BLAM!

no sonho. pensou Jones. Soltando vapor por todos os lados. Nem conseguiu acreditar. Mas o monstro queria mesmo era a mim. no Armazém do Grabbie. comprando todo tipo de parafuso e metal que o Grabbie possuía. Tudo começou com uma piada inocente feita a um oriental. Outro maldito sonho.."JONESYYYY!!!" Tudo bem. portanto. adeus. estava vivo.J. Já com 74 anos. Maldição. me mijei de novo. depois de ter tomado umas .. quando eu. Ele estava lá. Estava velho demais para essas coisas. sendo que Billy Boas Maneiras estava atrás das grades... EPISÓDIO 19 – O MONSTRO DE FERRO O monstro de ferro amassou a delegacia de Village Old Town City. seu coração parecia que ia sair pela boca.Jerusalem Jones abriu os olhos. Parecia conhecido. Jurou que não ia mais ler livros de terror. não conseguia lembrar quem poderia ser. Ele só não sabia quem diabos era o cara que. Estava acordado. mas o velho J. e apenas o xerife Wild Gruppy escapou. o bicho de mais de 20 metros gritava: . Billy. atirara em sua cabeça sem a mínima piedade. ele devia saber que seu coração não aguentaria esses pesadelos. a culpa foi minha.

"Jonesy".ops. Me diga. pênis! Nessa hora eu vi o japa ficar vermelho como um tomate. Ele pareceu estar paralisado. Provavelmente disparava grãos de arroz: .Hmmm. Mas tudo bem. Apenas já me alertaram contra a sua pessoa. Mr. . china.Tá certo. pra quê tanto parafuso e placas de metal? .Não. sou japonês. mas logo vi que não. mas muito pequeno? . ..Diga logo. puxei conversa: . já me conhecem até na China. que negócio? Eu não sou comerciante. Só queria fazer uma pergunta. "Jerusarem Jonesy".Isso foi injusto. Não tenho o dia todo livre como certas pessoas..E aí. com "negócio". "Jonesy".. ou mais até. . . tô ficando famoso. quando ele meteu a mão no bolso e puxou a arma mais minúscula que eu já tinha visto em toda minha vida. Japão. bilau. vá com Deus). Mr. tenho pressa. e apontou para minha cabeça.Negócio. Mr. .no Salloon do Arnold Backinsale (que agora não existe mais. -Uau.Eu não sou chinês. pinto. Pensei que ele fosse explodir. ou numa linguagem mais coloquial. é verdade o que dizem sobre o "negócio" do japonês ser muito. eu quero dizer braúlio. estrovenga. Algo que sempre comentam acerca dos homens orientais.

.E dito isso. ou algo semelhante a isso.E foi embora levando seus parafusos e placas de metal. eu não estava entendendo até ele dar um sorriso maroto de dentro da cabine e puxar uma alavanca. . ao meio-dia. "Jonesy". deixando toda a cidade em polvorosa. Um trem que estacionou bem em frente ao Saloon.. como os outros trens comuns . eu acho que os boatos sobre as coisas miúdas "made in japan" são verdadeiras! . E ele veio..É. ficou pior ainda. O trem começou a se transformar em outra coisa. Esteja amanhã ao meio-dia em frente ao "Saroon" de Mr. Ele ainda possuía mais dois vagões.. Eu não estava entendendo porque o japa estava ali num trem.Mr. a honra é algo muito importante em meu país. A arma do japa engasgou. Plec.Kyosama Tenchigui! . ele disparou. Venha com uma arma maior. Com muito ruído e muita fumaça . plec. afinal. ali não havia trilhos e a estação ficava do outro lado da cidade. Claro. e sim o modo como se usa". Bom. Ele chegou de trem. plec. "Jonesy".. Se a coisa já estava esquisita. e em seguida explodiu em sua mão. Arnold "Backinsare" para um duelo até a morte.Mr. . Claro. eu não pude manter minha boca fechada.Não vou faltar. Mr.pois ele parecia funcionar a vapor. vendo essa ironia do destino: .. .ele começou a ficar de pé! Se transformou em uma espécie de monstro de ferro. no meu país existe um velho ditado que diz: "Não é o tamanho que importa.

O monstro de ferro levantou um pé enorme e já ia me esmagar. mas agora aquilo ia me alcançar em questão de minutos.. como um dragão. Provavelmente o deserto ia acabar com o japonês e suas reservas de carvão. não conseguiria andar tão rápido. Eu tentava ficar o mais longe possível. hã. Eu consegui montar em um cavalo qualquer e disparar na direção da saída da cidade e ir a toda para o deserto. vindo na minhha direção.. mas muitas ainda permaneciam para saber no que aquilo ia dar. Até lá eu já estaria long. mas acho que isso já havia sido usado demais.. esmagava tudo que estava à sua frente. Bem que isso poderia ser apenas um sonho e eu acordar. Olhei para trás e suspirei aliviado. como? Como pode ser? O monstro VOA?! Todo aquele peso? Como pode? Não podia acreditar. A coisa não conseguia andar direito e ao tentar vir em minha direção.. Quando o bicho aterrisou. Pra ficar mais excitante. O japonês estava tentando me esmagar como um inseto. pois aquela máquina estava destruindo toda a cidade tentando me capturar. O saloon do pobre Arnold foi o primeiro a ser destruído. o barulho fez com que meu cavalo se assustasse e me derrubasse. Não havia outra saída.As maioria das pessoas corriam com medo e gritando. O barulho das engrenagens que o faziam andar era ensurdecedor. Aquilo devia estar consumindo carvão de uma forma absurda. Eu ficava me perguntando como essa história ia terminar. . Eu precisava me livrar daquilo de alguma forma. o troço soltava fogo. Imaginei que como aquilo era bem pesado. pois a máquina estava saindo da cidade. ou dos lados. O bicho era tão grande que eu entendi mais ou menos a ironia da coisa toda. mas correr só piorava as coisas.

. realmente os boatos. .. Me encostei na pedra e esperei um bom tempo. Quando todo aquele barulho de luta ensurdecedor parou. E. Pude constatar que ele estava respirando apesar de estar muito mal.. pelo menos no caso dele. Corri como pude para longe do que parecia ser uma batalha entre o monstro de ferro e alguma outra coisa que parecia só saber gritar "HUÁC". aquele maldito.De novo.e desmaiou. que tem demais? Conferi os documentos do japonês e.. japa? .... e senti que algo foi embora. jogado para o outro lado.. hmmm. é. Coloquei-o sobre o cavalo para entregar ao Xerife..quando eu vi o brilho de uma espécie de estrela bem sobre ele. As pessoas de Massina City (nunca entendi o porquê desse nome) estavam vindo . até que minha cegueira provocada pelo clarão foi embora. são bem verdadeiros. Estávamos sendo invadidos. Fui até lá para ver se o idiota ainda estava vivo. Minúsculamente verdadeiros. EPISÓDIO 20 – O POVO DE MASSINA O sino da igreja começou a tocar. Dei um chute no lado do desgraçado. . eu só escutei o som de ferro sendo amassado e depois um último "HUÁC". Era o sinal... cof. e eu não consegui ver o que estava acontecendo. Me escondi em uma pedras. isso porque eu não sou de guardar rancor.O que aconteceu... descendo. Ultr. ainda cego. Só havia uma gigantesca bola de ferro retorcido e o corpo do japonês totalmente nu. Um clarão mais forte me cegou completamente.. Consegui enxergar e olhei para onde tudo aconteceu..

.. pois assim que o Louco chegou. Tudo teve início quando o "Louco" chegou à cidade. Ninguém. Pagar bebida para alguém era contra a minha religião. entende? Ninguém pode entrar na minha cabeça. Eu estava morando em Down River já há algum tempo. Ouvi quando eles disseram "conseguimos Massina.com tudo para cima da gente aqui. . Era hora de revidar. Você está babando nela.Certo. disparado por uma velha de uns 90 anos. louco. Agora.Eles estão vindo.. Ainda assim eu não fazia idéia do que ele estava tentando dizer. Ele falou por horas do que aconteceu ao povo de Massina City.Eu até imagino o motivo . para alguém como eu. descansando um pouco das loucuras pelas quais passei. em Down River. Se você deitar e rolar eu te jogo um osso.. amigo. eu estava mesmo vivendo bons dias. Eu me senti incomodado com a conversa do Louco. tão. Ele falava sobre demônios e espíritos maus. mas o cara . .. Arrastei-o para o saloon para ver se ele se acalmava tomando uma birita. pois coisas muito piores já haviam acontecido comigo. ele correu na minha direção e agarrou minha camisa. Tentaram me pegar. em sua maioria pacíficas estavam armadas e prontas para matar. pode largar a minha camisa. Falava algo sobre dominação mundial e portas abertas do inferno. levou um tiro certeiro na cabeça.O próximo passo é Down River. É. pois eu nem mesmo podia dizer que era bobagem o que ele estava dizendo. que estava logo ao meu lado. Mas até que estava demorando acontecer algo. Eu só acreditei quando ouvi o primeiro estampido e o Carl "leprechaun" Dobney.Amigo. Não era algo difícil de se acreditar. amigo!!! Eu sou amigo!!!! . Mas tudo que ele disse era tão desencontrado. o próximo passo é Down River". Mas o Louco tava precisando. Não dava para acreditar que aquelas pessoas. mas eu sou mais esperto.

para logo em seguida ter o coração arrancado pelo coroinha que veio logo depois. Parecia brincadeira. o açougueiro. Se acalmem. Devia ter sido expulso por ter abusado da filha de algum fazendeiro. sem que ninguém pudesse acreditar. De repente todo mundo começou a pegar em armas e a avisar toda a cidade sobre a invasão que sofreríamos vinda da cidade de Massina. o Louco bêbado desapareceu num clarão de luz tão forte que quase me cegou. escutando as histórias do Louco.não que isso fosse problemas para certos conhecidos meus. Eu atirei em um garoto que veio pra cima de mim com duas 38 disparando como louco. Eu vi o Billy Bob Joe. matando pessoas que conhecíamos e alguns matando até mesmo parentes . se formara uma multidão. sua roupa foi sendo como que queimada e. . antes que ele me matasse. mas ao meu redor. Adeus. .disse eu.. O corpo do pobre coitado começou a brilhar.J-jerusalem.Elesh vão invadir Down River amanhã. Acertei entre os olhos. Billy. E aqui estávamos.era apenas o "louco da vila". . .. Só conseguiu dizer: .Era o Vince apontando para o Louco na mesa. O cara deve ter sido expulso da cidade. isso tudo é besteira. .o-olha .Pessoal.E desmaiou. Era uma guerra entre duas cidades. acertar um cutelo no meio da testa de um padre. Quando me dei conta ele estava tão bêbado que não falava nada mais com nada.

está prestes a quebrar... a dona do saloon. ou algo parecido. Sei. balas prateadas..Que diabos é isso?! Você não tinha morrido. me achou. Ela agarra meu pescoço com força. Agora. Como eu ia saber quem era o cabeça da coisa toda. . Me protegi atrás do Bubby Conwell.. douradas). cabeça. Até já imaginava. isso iria deter a todos.. Isso me lembrou algo. Lá vou eu então Entrei no meio do tiroteio. antes de ser morto? Cabeça? Que estranho. Mary Kate.arkkh. porquê o diabo do Louco não me disse quem era o líder? Merda! Mesmo sendo fantasma ele ainda é o idiota da vila. que levou um tiro logo em seguida. Um deles já tinha conseguido me machucar.. Eu devia acertar o líder da invasão que. Será tão óbvio assim? Não lembro de ter visto mais ninguém com sinal. ou sei-lá-oquê? .E sumiu bem na minha frente. Um tiro só.Tome. a acertou. provavelmente. Onde estava ela? Arrrrkk.. Cabeça. Me escondi um pouco para recarregar as armas e quase morri de susto quando vi a porra do Louco bem na minha frente. É quando um tiro corta o ar e ela cai ao chão com a cabeça com um rombo enorme. Um tiro só. Eu havia visto no meio da multidão de Massina.Os cavalos dos habitantes de Massina também pareciam insanos e eu me ocupava de derrubá-los logo que podia. No mínimo não quer que eu fique sem pagar minha conta. acho que ela. uma mulher com cabelos vermelhos e uma estrela na testa. E dizendo isso ele me deu uma bala de ouro (nossa.. . eu já podia fazer uma coleção. Nem precisa dizer muita coisa.. A coisa tava feia.

Imagino que seja seu pai . Não. lembra uma espécie de parto sendo feito no Inferno. ele.. Essa foi a única cidade que não me pôs pra fora em menos de 3 horas. e parece sentir que o fim está próximo. Apenas se parece com ele. e tento ver algo que me chame atenção. a guerra acabou. Mas apenas por um instante. e eu desperdiçar? Tenho de parar esse massacre.. Estamos perdendo. tenho de ser rápido. não é ela. ele mira . Quando me levanto.todos miram . que me olha. Vou na direção do corpo do Louco e vejo que. Eu caio. o Louco? Não penso duas vezes. Tudo acabou. Por um instante sinto uma espécie de paz. não. ou morrer tentando. eu atiro. O pessoal de Down River os detêm por precaução. Eu descarrego minha munição no homem. É quando olho pro meio da multidão invasora e vejo meio que tomando a frente de todos e causando o maior número de mortes. Melhor eu ajudar com os feridos e enterrar alguns mortos. Eu volto para a guerra. Não sei exatamente porquê. sem saber o que fazem ali. com a bala de ouro? E se não for ela.. só que mais velho. Abro sua camisa e ele está cheio de estranhas tatuagens. eu miro. Me joguei no chão. Será que preciso acertá-la. miro na direção dele. mesmo morta..Só que nada parou... apenas o faço. Uma saraivada de balas passa rente a minhas costas e pára.na minha direção. Ainda vou ficar um bom tempo por aqui. eles também. EPISÓDIO 21 – A INSÓLITA AVENTURA DE JACK TRIPPLECOLT .. Os sobreviventes de Massina estão parados. não é ele. sendo que uma delas..

Olha só essa edição que acabei de comprar no velho Gorgie: "Um Túmulo Para Jack". Então eu comecei a falar: .Presta atenção.. cara.Era um daqueles dias em que fico filosófico. é. for apenas o que as palavras de alguém em algum lugar... bebendo umas e outras e acho que tinha lido livrinhos demais nesse dia.. Vou ler pra você. . BOOOOB!!! . mas estava melhor que ele... mãe. né? Eu penso nisso porque as histórias do Jack Triplecolt são tão reais às vezes. eu não podia falar muito... mas ainda assim o Triplecolt era só um personagem em um livretos de 10 centavos. coisas que eu nem mesmo poderia. aqui... e de como o cara só se metia em cada aventura maluca. vou ler pra você: . Bob. Já estava bêbado fazia um bom tempo. deitado na própria baba. for apenas o fruto da imaginação de outra pessoa? E se nada disso aqui existir e se você. lendo as aventuras do Jack Triplecolt eu parei pra pensar por um instante e me veio à cabeça: e se nós.. quero leite e páprica no meu pão.. Estava no saloon. hã.Hã. ei. e tudo isso ao nosso redor. estiver descrevendo? Doido. pois já tinha bebido bastante. Eu adorava as histórias do Jack Triplecolt. bom. mesmo sabendo que ele não ouvia mais nada. Eu conversava com ele. O Bob Calhoun bebia comigo.E. bêbado aí. Eu também não estava muito bem.

"Jack Triplecolt estava entre a vida e a morte depois de salvar a filha do rancheiro. Jack sentia que estava morrendo. E a escuridão do túmulo começou a criar garras negras e puxá-lo com força para dentro do alémvida. que na verdade era o além-morte. e ao olhar para dentro do túmulo. Viu a si mesmo cavando seu túmulo. nem de seu nome. mas daquela alucinação que estava sendo perturbadora demais. Mas morreria como sempre quis. e de perigos muito piores que esse que enfrentou. talvez causadas pela perda de sangue. Era como se ele estivesse expiando seus pecados. Jack pensou em apressar a morte colocando o cano da arma na boca. Mas não foi bem assim. de uma escuridão pastosa e assustadora. na morte. Via a si mesmo cavar com vigor. nem de seus feitos. onde ninguém se lembraria dele. mas de repente começou a ter alucinações. e conseguiu matar a todos. colocando-a num cavalo e dando cobertura para que fosse embora. o frio tomando conta de seu corpo. mas estava sentindo medo agora. sem nem mesmo parar para descansar. Ele conseguiu fazer com que ela escapasse. Sentia que era o fim. sua sepultura num lugar ermo. O fim. Não medo da morte em si. depois de tantas aventuras. ainda assim era vida. viu o que parecia um abismo sem fim. Jack estava sangrando e agonizando. Jack nunca sentiu medo na vida. como se tivesse que passar por aquilo para poder morrer em paz. Quando abriu os . mas não sem sair mortalmente ferido. Teve de enfrentar todo o bando. Jack foi sugado para dentro do túmulo e já estava achando que estaria no inferno quando chegasse ao fundo. O gosto do metal fez com que ele se lembrasse que mesmo alguns minutos de vida. tendo lutado até o fim.

Lia para um bêbado que estava quase desacordado. Quem.. rada... ele continuava indo para onde parecia que seus pés o levavam.Disse Bob em um momento de lucidez incoveniente.. e viu que se tratava do saloon da cidade.. Agora deixa eu continuar.. hic....Errr. isso não está escrito aí." .. e ao mesmo tempo algo dentro dele parecia o guiar para um lugar específico.he he he.. hic.. Mas era ali que estava a resposta para sua busca.. você não sabe ler. um homem estava lendo um livreto em voz alta. pára de inventar vai. Eu também comecei a duvidar do que eu estava lendo.. onde parece que o tempo parou.hic... escreveu isso? . Um lugarzinho simples infestado de homens comuns que queriam apenas beber para esquecer da vida simplória que levavam.. dessas tranquilas. essa história é uma grandess. Numa das mesas do canto.. Jerusa. .Je-Jerusa. Não pode querer dar uma de crítico.... Ele entrou na cidade sem saber exatamente o porquê de estar ali.. uma merda.. "Logo se via que Jack não era da cidade e as pessoas o notavam...." .... grandessízi. com a cabeça apoiada na mesa. cama. Como se ele conhecesse muito mais do mundo do que eles. E assim.. Mas a próxima frase fez com que eu levantasse a cabeça e olhasse para a entrada do saloon: . Mesmo sendo amistosas elas viam que havia algo de diferente naquele homem..Bob.isso.olhos estava à entrada de uma cidadezinha que ele nunca vira antes.hic.

O que estava acontecendo afinal? Com muito esforço eu voltei minha atenção para o livro para tentar ler o que ia acontecer em seguida." Olhei para a porta e Triplecolt não estava mais lá. "Quando Jack estava para perguntar algo ao estranho homem com o livro ele voltou a ler o livro e ele.. e contou de como conseguiram salvá-lo da morte certa. . o que dizer. senhorita? .Claro. a última frase: . levando um médico. pois esperava que se recuperasse logo. Não era apenas coincidência. e que ela ficou ali lendo para ele todo esse tempo. Eu não sabia o que fazer.Nossa. Queria continuar lendo. Eu fiquei aqui lendo mesmo sem saber se ouvia. Certo.As Aventuras de Doc Fletchwood. Voltei a ler.Posso ver o título desse livro. Eu estava paralisado. Ela disse-lhe tudo que aconteceu. O homem parado na porta olhando pra mim era como os livretos anteriores o descreviam. pois lembrava que na sua alucinação achava que tinha visto seu nome na capa do livro do estranho no saloon. Sr. . não conseguia entender nada." Fiquei confuso. . Jack respirou aliviado. acordou."O homem com o livro levantou a cabeça e olhou na direção de Jack. Disse também que Jack ficou desacordado por três dias. Triplecolt. Despreocupadamente ele folheou o livro e foi ler a última página.. mas o Jack Triplecolt estava na minha frente. sem saber o que fazer. Como seu pai voltou com ajuda. A filha do rancheiro cuidava dele. "Jack estava em uma cama.

e nos seus sonhos não haviam mais túmulos. Olhou em volta.'Doc.com/ .blogspot. como se tentasse enxergar algo que estava invisível a seus olhos. Detestava coisas que não conseguia entender. jogou o livro no chão e pôs fogo. não se desespere. se recostou o voltou a dormir. Saiu do saloon. entregou-lhe o livro.rapaduradoeudes.' Jack não entendeu a frase. Olhou para cima. Somo apenas o fruto da imaginação de outra pessoa. FIM DO VOLUME I Para novas histórias de Jerusalém Jones acesse: http://www." Jerusalem Jones sentiu-se estranho ao terminar de ler o livro. e decidiu que agora só ia ler o jornal e olhe lá. suspirou. apenas sorriu para a moça.