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AULA 02 – DIREITO PENAL – PROF.

ROGÉRIO SANCHES 3 de fevereiro de 2012

MATÉRIA

Interpretação da lei penal Este assunto é bastante exigido em concursos público. Vamos iniciar pelas formas de interpretação, são elas:    quanto ao sujeito que interpreta; quanto ao modo de interpretação; e quanto ao resultado do processo interpretativo (é a mais importante).

I - QUANTO AO SUJEITO (origem), a interpretação poderá ser: Autêntica ou legislativa quando dada pela própria lei. É a lei interpretando-se a si mesmo, como por exemplo, o art. 327, do CP, vejamos:
Funcionário público Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. (...)

O dispositivo acima referido dá o conceito de funcionário público para efeitos penais. A interpretação doutrinária ou científica ocorrerá quando feita pelos estudiosos do direito. Assim, por exemplo, um livro de doutrina forma de interpretação doutrinária da lei, dada por um jurisconsulto. E, por fim, a interpretação será jurisprudencial quando fruto das decisões reiteradas dos nossos tribunais. Atualmente, pode esta interpretação jurisprudencial ter caráter vinculante, basta lembrar da possibilidade de edição das Súmulas Vinculantes, pelo STF. Diante do exposto, pergunta-se: A exposição de motivos do Código Penal é qual espécie de interpretação dentro da classificação quanto à origem? Sabemos de plano que não poderá ser jurisprudencial. Não será, igualmente, legislativa. Será doutrinária, pois a exposição de motivos não é propriamente texto de lei, trata-se de esclarecimento dos doutos que trabalharam no projeto de lei, sendo, portanto, interpretação doutrinária ou científica.

II – QUANTO AO MODO a interpretação poderá ser: Gramatical que leva em consideração no processo interpretativo o sentido literal do texto legal, ou seja, a literalidade das palavras. Poderá ser teleológica, ao interpretar tendo em vista a vontade objetivada na lei. Poderá, ainda, ser histórica, ao se procurar a origem da lei. Poderá, ainda, ser sistemática, ao levar em consideração o conjunto da legislação ou, até mesmo, os princípios gerais de direito.

RICARDO S. TORQUES

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em casos excepcionais. restringindo sua liberdade. etc.. (.se há o concurso de duas ou mais pessoas. por qualquer meio. ROGÉRIO SANCHES 3 de fevereiro de 2012 Por fim. essa segunda corrente ganhou um reforço com o art. a interpretação extensiva contra o réu.388/02. o legislador disse menos do que queria dizer. 2ª corrente: aplicando-se o princípio in dubio pro reo. Vejamos o art. IV . poderá ser restritiva quando se reduz o alcance das palavras. mediante grave ameaça ou violência a pessoa. só cabe interpretação extensiva maléficas ao réu em normas não incriminadoras (utilizar para aplicar em provas de Defensoria Pública).) § 2º . pergunta-se: Qual desses modos é mais utilizado? É romântica a ideia de que o juiz escolhe um modo de interpretação.se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. Na prática. ao levar em consideração na interpretação a realidade com o avanço da ciência (seja ela médica. Além disso. para que corresponda à vontade do texto. A previsão de um crime será estabelecida de forma precisa e não será permitido o recurso à analogia. A interpretação poderá ser extensiva quando se amplia o alcance das palavras da lei para que corresponda à vontade do texto. acusada ou condenada.) 2. III – QUANTO AO RESULTADO a interpretação poderá ser: A interpretação será declarativa quando a lei da lei corresponder exatamente àquilo que o legislador quis dizer. Diante disso. Esta corrente é adotada por Zaffaroni. II . o juiz escolhe o resultado. que criou o Tribunal Penal Internacional. 157 . reduzido à impossibilidade de resistência: Pena . exposta a teoria.AULA 02 – DIREITO PENAL – PROF. Por fim. nº 4. §2º. Diante do dispositivo supracitado. de quatro a dez anos. pergunta-se: O que se entende por arma? Para uma primeira corrente arma é todo instrumento com ou sem finalidade bélica mais que serve para realizar o tipo..Subtrair coisa móvel alheia. §2º. 157.reclusão. poderá ser progressiva. será interpretada a favor da pessoa objeto de inquérito.se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância. É uma corrente intermediária. para depois adaptar o modo pelo qual ele interpretará para se chegar ao resultado pretendido. nada sendo suprimido. Esta corrente utiliza arma no RICARDO S. Novamente. quando a aplicação restritiva resulta em escândalo por sua notória irracionalidade. V . nada sendo adicionado. assim dispõe: Artigo 22 Nullum crimen sine leqe (.). do Estatuto de Roma. pergunta-se: é possível interpretação extensiva contra o réu? Existem diversas correntes sobre o assunto: 1ª corrente: diferentemente de outros países (como o Equador) o Brasil não proíbe expressamente. e multa.se o agente mantém a vítima em seu poder. 22. Na prática.se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma. ou depois de havê-la. 3ª corrente: admite. seja de tecnologia. TORQUES 2 . do CP: Art. Em caso de ambigüidade.. para si ou para outrem. III .A pena aumenta-se de um terço até metade: I .. também conhecida por adaptativa ou evolutiva. internalizado pelo Dec.

Mas como não há como antever todos os casos em que o crime poderá ocorrer torpeza. fogo. atribui-se ao juiz o poder de interpretar analogicamente. explosivo. 306. O mesmo vale para o inciso III do dispositivo supracitado. não se confundem com analogia. ao contrário da intepretação extensiva e interpretação analógica. as hipóteses de interpretação extensiva e de interpretação analógica. multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. ROGÉRIO SANCHES 3 de fevereiro de 2012 sentido próprio e no sentido impróprio. seringa. é caso de interpretação extensiva ou analógica? É caso de interpretação analógica. conforme o caso. Assim. Vejamos o art. lâmina de barbear. Vamos trabalhar a matéria com detalhes. para além da arma de fogo propriamente. partimos do pressuposto de que não existe uma lei a ser aplicada ao caso em concreto. Na interpretação analógica temos exemplos e o próprio legislador utiliza fórmula genérica de encerramento. §2º.detenção. 121. ou de que possa resultar perigo comum (destaques nossos). pergunta-se: quais os requisitos para que exista a analogia no direito penal? Vejamos: RICARDO S. (. Pergunta-se: em relação ao termo “outra substância psicoativa”. permitindo a o juiz encontrar outros casos. são.. para a teoria defendida pelo jurista Zaffaroni ao se analisar o caso em concreto. toma-se uma palavra a amplia o seu alcance. Parágrafo único. Na analogia. Atentemos que na jurisprudência prevalece a primeira corrente. estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas. ou por outro motivo torpe.AULA 02 – DIREITO PENAL – PROF.503/97 – Código de Trânsito Brasileiro: Art. Assim. restringe-se ou amplia-se o conceito de ampla para a configuração do tipo penal. na via pública.com emprego de veneno. mas forma de integração. O Poder Executivo federal estipulará a equivalência entre distintos testes de alcoolemia. deste que a situação seja semelhante à prevista em lei. o significado que se busca é extraído do próprio dispositivo. Analogia não é forma de interpretação. na interpretação extensiva. Na interpretação analógica. para a primeira corrente: faca. asfixia. Além disso. Já para a segunda corrente arma é somente o instrumento fabricado com finalidade bélica. da Lei nº 9. diante da repercussão social gerada pelo caso. consiste em mecanismo para suprir lacuna legal. Conduzir veículo automotor..mediante paga ou promessa de recompensa. arma. vejamos o rt. ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência: Penas . para efeito de caracterização do crime tipificado neste artigo. Por fim. faca de cozinha como não fabricada com finalidade bélica não será considerada arma. Desta forma.. levando-se em contas expressões genéricas e abertas utilizadas pelo legislador. não podemos confundir interpretação extensiva com interpretação analógica. do CP: Homicídio qualificado § 2° Se o homicídio é cometido: I . tortura ou outro meio insidioso ou cruel. 306.) O legislador deu dois exemplos de torpeza.) III . (. motivo pelo qual se socorre daquilo que o legislador previu para outro similar .. Vejamos. TORQUES 3 . Em termos práticos. de seis meses a três anos.

dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena. § 3º Em caso de sentença condenatória. o juiz decidirá fundamentadamente se o réu poderá apelar em liberdade. do CP. § 1º A pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime fechado. 121. nesse sentido. sobre a qual dispõe a Lei no 7.fiança. 181. 2º. Vejamos como exemplo de integração por analogia. CÁLCULO. não Depois de exemplos. nos crimes previstos neste artigo.).. semelhantes. a lei encerra o Trata-se da criação de nova norma a importando no surgimento de texto de forma genérica. não cabe analogia para abrangê-lo. TORQUES 4 Há lei prévia criada para o caso (INTERPRETAÇÃO) . expressão “arma”.É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título. o crime de associação para o tráfico não integra a listagem legal de crimes equiparados a hediondos. da Lei 8. e relações de união estável. Nesse sentido vejamos a emenda do HC nº 177. Finalizamos o assunto interpretação da lei penal. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de: I .anistia. aplicável para casos norma nova. 2º Os crimes hediondos. existência de uma efetiva lacuna legal a ser preenchida. na constância da sociedade conjugal.072/90 – Lei de Crimes Hediondos: Art. fala em cônjuge. ROGÉRIO SANCHES 3 de fevereiro de 2012 1. Impossível analogia in malam partem com o fito de considerá-lo crime dessa natureza (destaque nosso) (. II . ORDEM CONCEDIDA. em prejuízo: I . EXECUÇÃO PENAL. se o apenado for primário. AGRAVO EM EXECUÇÃO.do cônjuge. § 4º A prisão temporária. terá o prazo de 30 (trinta) dias. CRIME CONSIDERADO NÃO HEDIONDO. O crime de associação para o tráfico não integra a listagem legal de crimes equiparados a hediondos. amplia-se o alcance de alcançar outras hipóteses. DECISÃO HOMOLOGATÓRIA DO CÁLCULO CASSADA. LISTAGEM TAXATIVA DOS CRIMES EQUIPARADOS A HEDIONDOS. se reincidente. Nesta situação. Vejamos.960. do CP: mas empresta-se este dispositivo às  arma própria. prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade. do CP o art. O doutrinado Assis Toledo alerta que a analogia pressupõe falha. de 21 de dezembro de 1989. por desdobramento lógico do princípio da legalidade. permitindo partir de outra. CONSTRANGIMENTO ILEGAL CONFIGURADO.220/RJ: HABEAS CORPUS. ainda que in bonam partem. 2.AULA 02 – DIREITO PENAL – PROF. IMPOSSIBILIDADE. expressão de lei que já existe. 1. Impossível. certeza de que sua aplicação é favorável ao réu (in bonam partem). prevista no art. o art. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. portanto. graça e indulto. PROGRESSÃO DE REGIME. omissão involuntária do legislador. 157. art. RICARDO S. no caso dos condenados aos crimes previstos neste artigo. §2º.  arma imprópria. a analogia (in malam partem) com o fito de considerá-lo crime de natureza hedionda. § 2º A progressão de regime. 1. I. 2. para o qual estendemos ao conceito de união estável: Art. a prática da tortura. pergunta-se? E a associação para o tráfico. III e IV.. Porque se a intenção do legislador é não abranger determinada situação. 181 . e de 3/5 (três quintos). ANALOGIA. também é equiparado a hediondo? De acordo com o STJ. Façamos um quadro para diferenciar os assuntos acima analisados: INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA ANALOGIA Não há lei prévia para o caso (por isso que não é interpretação é INTEGRAÇÃO) Ampliação de um conceito legal.

Este princípio impede que o Estado utilize o direito penal par a proteção de bens ilegítimos. dentre outros. dentre outros. quanto a este princípio:  subsidiariedade. o direito penal passa a caminhar para o lado dos bens jurídicos difusos e coletivos. o direito penal observa somente os casos de relevante lesão ou perigo de lesão ao bem juridicamente tutelado. princípios relacionados com o fato do agente. ou seja. parcela da doutrina critica a inadequada expansão da tutela penal na proteção de bens jurídicos de caráter difuso ou coletivo. Entretanto.AULA 02 – DIREITO PENAL – PROF. princípios relacionados com o agente do fato. II – Princípio da Intervenção Mínima O direito penal somente deverá ser aplicado quando estritamente necessário. portanto. Além disso. a honra. Pergunta-se: deve proteger determinada religião? Não. Além disso. São duas. o sistema financeiro. não sendo imprescindível para a convivência harmônica entre os homens. como a liberdade sexual. e princípios relacionados com a pena. assim como. Argumenta-se que tais bens são formulados de modo vago e impreciso. as características que chamam a atenção. a ordem tributária. Assim. ensejando a denominada desmaterialização. I – Princípio da exclusiva proteção de bens jurídicos Nenhuma criminalização é legítima se não busca evitar a lesão ou perigo de lesão a um bem juridicamente determinável. a opção sexual. espiritualização ou liquefação do bem jurídico. Critica-se o este posicionamento. da análise dos princípios constitucionais da lei penal. pois temos a liberdade de crença. e  fragmentariedade. quais sejam:     princípios relacionados com a missão fundamental do direito penal. em verdade. a escolha de uma religião determinada. o direito penal é fragmentário. a sua intervenção fica condicionada ao fracasso dos demais ramos do direito. Vamos reuni-los em quatros grupos com intentos didáticos. pergunta-se: no que consiste a espiritualização de bens jurídicos? Até a pouco tempo. estávamos acostumados com o direito penal protegendo direito individuais determinados. mantando-se subsidiário. etc. porque o direito penal acaba por proteger bens jurídicos não palpáveis. ou seja. a saúde pública. tais como. RICARDO S. Vamos iniciar com os PRINCÍPIOS RELACIONADOS COM A MISSÃO FUNDAMENTAL DO DIREITO PENAL. ROGÉRIO SANCHES 3 de fevereiro de 2012 Princípios Gerais do Direito Penal Trata-se. TORQUES 5 .

temos decisões não admitindo a aplicação do referido princípio. Do ponto de vista técnico. temos julgados admitindo. Pergunta-se: aplica-se o princípio da insignificância para agente reincidente? Os Tribunais Superiores ainda não consolidaram a questão. como. A natureza jurídica do princípio da insignificância é causa de exclusão da tipicidade material. ou seja. são maneiras diferentes de dizer a mesma coisa. aplica-se! Outro questionamento: Aplica-se o princípio da insignificância nos crimes contra a fé pública. aplica-se o princípio da insignificância? Apesar de divergente. Frisemos. mas tem julgado aplicando no furto. o que está tipificando meu comportamento não é a conduta prevista no tipo penal. a moralidade administrativa. por exemplo. aplica-se o princípio da insignificância. 2. havendo decisões nos dois sentidos. o crime de furto. Estamos diante de uma redundância. Finalmente. A este contexto. conforme previsão em lei específica). Na realidade. aplica-se o princípio da insignificância no delito de descaminho tipificado no art. uma conduta indesejada. Além disso. questiona-se: Aplica-se o princípio da insignificância no crime de roubo? Tanto o STF quanto o STJ não aplicam. Isso é direito penal do autor. de acordo com STF e o STJ. exigem para a sua configuração quatro requisitos: 1. Seguindo. 4. TORQUES 6 . Pergunta-se: e aos delitos previdenciários. os requisitos andam em círculos. o débito tributário com valor inferior a R$ 10. Entretanto. O princípio da insignificância. ROGÉRIO SANCHES 3 de fevereiro de 2012 Pergunta-se: o princípio da insignificância decorre da característica da subsidiariedade ou da característica da fragmentariedade? Decorre do princípio da fragmentariedade. não direito penal do fato como devemos trabalhar. Consiste num comportamento que não pode ser combatido pelos demais ramos do direito. aplica-se o princípio aos reincidentes. moeda falsa? Tanto para o STF. reduzido grau de reprovabilidade do comportamento. RICARDO S. não se quer dizer que todas as condutas furtivas levaram à movimentação do direito penal. mínima ofensividade da conduta do agente. mesmo que qualificado. e inexpressividade da lesão jurídica provocada. por exemplo. apreensão de todos os produtos objetos do crime. do CP? Apesar de divergente.AULA 02 – DIREITO PENAL – PROF. pois o crime atinge bens jurídicos de caráter supraindividual. pergunta-se novamente: aplica-se o princípio da insignificância nos delitos contra a Administração Pública? De acordo com o STJ não se deve aplicar em razão do bem jurídico tutelado. 334. 3. Para o STF. é. pois em se tratando de delito contra a Fé Pública é inviável a afirmação do desinteresse estatal na sua repressão. obviamente. De acordo com Paulo Queiroz. Vejamos. qual seja.000. por outro lado. desde que: 1. quanto para o STJ não se aplicam.00 (valor mínimo para a Procuradoria da Fazenda promova a execução fiscal do débito. nenhuma periculosidade social da ação. e 2.

60. A aquisição superveniente de renda. ROGÉRIO SANCHES 3 de fevereiro de 2012 Vamos. 59 . III . de quinze dias a três meses. IV . bem como ao comportamento da vítima.a quantidade de pena aplicável. 59. Parágrafo único. Por exemplo. Parágrafo único. Vejamos o dispositivo: Art. à personalidade do agente. Vejamos o art. Este é um exemplo de punição da pessoa não pelo que ela faz. Ninguém pode ser castigado por seus pensamentos. 60. 59. Assis Toledo afirma que o direito penal brasileiro segue o sistema do direito penal do fato que considera o autor. busca impedir o direito penal do autor.a substituição da pena privativa da liberdade aplicada.AULA 02 – DIREITO PENAL – PROF. Mendigar. pelo que pensa. 59. c) em companhia de alienado ou de menor de dezoito anos. II .as penas aplicáveis dentre as cominadas. deveria ter sido revogado o art. IV – Princípio da Legalidade RICARDO S. às circunstâncias e conseqüências do crime. mas o que você faz. por meras cogitações ou estilo de vida. isto é. sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência. TORQUES 7 . sendo válido para o trabalho. agora. do DL nº 3. considera as condições pessoas do agente Da leitura do art. conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime: I . Aumenta-se a pena de um sexto a um terço.O juiz. se a contravenção é praticada: a) de modo vexatório. fatos. por outra espécie de pena. direito penal do fato Este princípio serviu para nosso legislador desaparecer com infrações penais que desconsideravam este mandamento. de quinze dias a três meses. estabelecerá.688/41. aos antecedentes. ameaçador ou fraudulento.o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade. III – Princípio da Exteriorização (ou materialização do fato) Significa que o Estado somente poderá incriminar condutas humanas. Façamos uma tabela: direito penal do autor direito penal do fato que considera o autor punição de pessoas que não somente devem ser incriminados apesar de o Estado só poder praticaram qualquer conduta fatos humanos incriminar fato.983/09. aos motivos. b) mediante simulação de moléstia ou deformidade. já revogado. a mendicância. extingue a pena. à conduta social. ou prover à própria subsistência mediante ocupação ilícita: Pena – prisão simples. se cabível. Este é um exemplo de direito penal do autor. do CP. analisar os PRINCÍPIOS RELACIONADOS COM O FATO DO AGENTE. Vamos analisar os seguintes sistemas: direito penal do autor. mas pelo seu estilo de vida. Entretanto. Entregar-se alguem habitualmente à ociosidade. até meados de 2009 era punida como contravenção penal. Vejamos: Art. um direito que te pune não pelo que você. da referida lei. Esta contravenção penal foi revogada pela Lei nº 11. Lei de Contravenções Penais: Art. que assegure ao condenado meios bastantes de subsistência. direito penal do fato e direito penal do fato que considera o autor. atendendo à culpabilidade. Em síntese. por ociosidade ou cupidez: Pena – prisão simples. dentro dos limites previstos.

Em razão deste princípio. aplicável na embriaguez não acidental completa. Vamos. Vamos recordar o assunto: os delitos de perigo. só podendo ser responsabilizado se o fato for querido. é absolutamente presumido por lei. aceito ou previsível. questiona-se a existência dos chamados delitos abstratos. abstrato: quanto o perigo resultado da conduta. em que a responsabilidade penal será objetiva1. V – Princípio da Responsabilidade Penal Proíbe-se o castigo penal pelo fato de outrem. ou 2. não existe no direito penal responsabilidade penal coletiva. apesar da Corte Suprema ter adotado a segunda corrente quando decidiu que porte de arma desmuniciada não é crime (entendimento ainda não consolidado). independentemente de se saber quem foi o autor da lesão grave ou da morte. concreto: quando o perigo resultado da conduta deve ser efetivamente comprovado. não há responsabilidade penal sem dolo ou culpa. para que ocorra o delito é imprescindível que ocorra a efetiva lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. O STF. RICARDO S. recentemente adotou a primeira corrente ao decidir que a embriaguez ao volante é delito de perigo abstrato (entendimento também não consolidado). Trata-se de opção política que visa antecipar a proteção ao bem jurídico tutelado. Diante disso. nessa discussão. agora. Vejamos. considerando-se o fato e o agente. TORQUES 8 . conforme previsão no Código Penal. Existem exceções. 2ª corrente: viola a Constituição Federal. Em resumo. pergunta-se: os crimes de perigo abstratos violam a Constituição Federal? São duas correntes: 1ª corrente: não violam a Constituição Federal. quando houver lesão grave ou morte. passar à análise dos PRINCÍPIOS RELACIONADOS AO AGENTE DO FATO. se dividem em: 1. A responsabilidade penal deve ser sempre individualizada. pois se pune alguém sem prova de lesão ou risco de lesão ao bem jurídico. vejamos:  actio libera in causa. VI – Princípio da responsabilidade subjetiva Não basta que o fato seja materialmente causado pelo agente. adiante. e  rixa qualificada. ROGÉRIO SANCHES 3 de fevereiro de 2012 (próxima aula) V – Princípio da Ofensividade (ou da lesividade) Segundo este princípio.AULA 02 – DIREITO PENAL – PROF. 1 O assunto será melhor explorado.

Por exemplo. Atenção. e não formal. a igualdade a que nos referimos é a igualdade material. substituindo a sua pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. VIII – Princípio da igualdade Todos são iguais perante a lei. aplicando o princípio da isonomia. redução de pena em razão da idade. conforme prevê este princípio. A Primeira Turma do STF. somente poderá o Estado punir agente imputável. concedeu habeas corpus em favor de estrangeiro em situação irregular no país. quando dele exigível conduta adversa. com potencial consciência da ilicitude. ROGÉRIO SANCHES 3 de fevereiro de 2012 VII – Princípio da culpabilidade Por este princípio.AULA 02 – DIREITO PENAL – PROF. TORQUES 9 . RICARDO S. sendo possível distinções justificadas.

Min. SEGUNDA TURMA.016/SP. . Julgamento: 07. SEGUNDA TURMA. impede que o condenado não nacional pelo crime de tráfico ilícito de entorpecentes seja privado da concessão do benefício da substituição da pena privativa por restritiva de direitos quando atende aos requisitos objetivos e subjetivos do art.2011 EMENTA: PENAL E PROCESSO PENAL. Órgão Julgador: Sexta Turma. ESTRANGEIRO. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. I. LEI Nº 6.O súdito estrangeiro. Relator: Ministro Luiz Fux. PRIMEIRA TURMA. 1. Ministro JOAQUIM BARBOSA. Ministro JOAQUIM BARBOSA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL CONFIGURADO. Rel. SUBSTITUIÇÃO DE PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS. por parte do Estado.072/1990) por pena restritiva de direitos. para que seja restabelecido o cálculo efetuado pelo juízo da execução criminal.). de que também é titular. o dever de assegurar.368/76. PRIMEIRA TURMA. ao Judiciário. Maria Thereza De Assis Moura. REQUISITOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS DO ART. Ministro GILMAR MENDES. PROGRESSÃO DE REGIME. sendo que essa substituição deve atender. mercê de equiparado ao crime hediondo. Rel. 3. Relatora: Min.AULA 02 – DIREITO PENAL – PROF. mesmo ao réu estrangeiro sem domicílio no Brasil.06. É cediço na Corte que: “O SÚDITO ESTRANGEIRO.A condição jurídica de não nacional do Brasil e a circunstância de o réu estrangeiro não possuir domicílio em nosso país não legitimam a adoção. TEM DIREITO A TODAS AS PRERROGATIVAS BÁSICAS QUE LHE ASSEGUREM A PRESERVAÇÃO DO "STATUS LIBERTATIS" E QUE LHE GARANTAM A OBSERVÂNCIA. 2. Luiz Regis . AGRAVO EM EXECUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. HC 91600/RS. ORDEM CONCEDIDA. DJe 28/09/2007. PELO PODER PÚBLICO. Julgamento: 02. desde que cabível” (in Prado. 1. Rel. DJe 21/02/2011. . Ministro GILMAR MENDES. HC 84715. admite o benefício na forma da doutrina clássica do tema que assenta: “É possível a substituição da pena privativa de liberdade no caso de crime hediondo (Lei 8. à observância e ao integral respeito.2011 EMENTA: HABEAS CORPUS. HC 96011/RS. Ministra ELLEN GRACIE. 2. Rel. TORQUES 10 . HC 103093/RS. O tráfico. O crime de associação para o tráfico não integra a listagem legal de crimes equiparados a hediondos. LISTAGEM TAXATIVA DOS CRIMES EQUIPARADOS A HEDIONDOS. Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE. DJ 29/06/2007). v. nas hipóteses de persecução penal. (Precedentes: HC 85894. TRIBUNAL PLENO. ANALOGIA. mesmo o não domiciliado no Brasil.g. Ordem concedida. DJe 01/10/2010. DJe 10/09/2010. à garantia do contraditório. O Princípio da Isonomia. . DECISÃO HOMOLOGATÓRIA DO CÁLCULO CASSADA. Órgão Julgador: Primeira Turma. 44 do CP. Impossível analogia in malam partem com o fito de considerá-lo crime dessa natureza. aos requisitos objetivos e subjetivos listados no art. Rel. concomitantemente. SEGUNDA TURMA. Revista dos Tribunais. Rel. HC 103068/MG. das prerrogativas que compõem e dão significado à cláusula do devido processo legal. DJe 24/04/2009. de qualquer tratamento arbitrário ou discriminatório. TRIBUNAL PLENO. HABEAS CORPUS. POSSIBILIDADE. notadamente as prerrogativas inerentes à garantia da ampla defesa. à igualdade entre as partes perante o juiz natural e à garantia de imparcialidade RICARDO S. o direito subjetivo. HC 89976/RJ. acolhido o parecer ministerial. DA CLÁUSULA CONSTITUCIONAL DO "DUE PROCESS". Rel. CELSO DE MELLO. Rel.Comentários ao Código Penal. DJ 06/09/2007. HC 103311. 4ª Edição. CÁLCULO. tem plena legitimidade para impetrar o remédio constitucional do "habeas corpus". 44 DO CÓDIGO PENAL PRESENTES. Precedentes (HC 94. Ministro GILMAR MENDES. garantia pétrea constitucional extensível aos estrangeiros. ORDEM CONCEDIDA. os direitos básicos que resultam do postulado do devido processo legal. DJe 10/09/2010. Ministro DIAS TOFFOLI. que considerou o crime previsto no artigo 35 da Lei nº 11. ARTIGOS 12 E 18. Rel. ROGÉRIO SANCHES 3 de fevereiro de 2012 JURISPRUDÊNCIA CORRELATA HC 177220/RJ. em ordem a tornar efetivo. SEGUNDA TURMA. HC 96923/SP. MESMO AQUELE SEM DOMICÍLIO NO BRASIL. EXECUÇÃO PENAL. CRIME CONSIDERADO NÃO HEDIONDO. 210).06. p. TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES. contra tal acusado. 44 do Código Penal. 2. 1. O rótulo do delito como “hediondo” não figura como empecilho à substituição.343/06 como não equiparado à hediondo.Impõe-se.

fundamentada. em estrita obediência ao disposto no mencionado texto legal. in verbis: “Desse modo. a decisão que lhe impôs o regime inicial fechado para o cumprimento da pena há de ser reformada para adequar-se à individualização da sanção criminal.AULA 02 – DIREITO PENAL – PROF. § 2. SEGUNDA TURMA.” 6. máxime porque (i) a ele foi fixado o regime aberto para iniciar o cumprimento da pena.. cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro)anos. In casu. ROGÉRIO SANCHES 3 de fevereiro de 2012 do magistrado processante (. Essa valoração deve ter em mira a repressão e prevenção do delito. Rel. fixada a pena-base no mínimo legal. p. Ministro Celso de Mello. DJe 20/08/2010). preenche os requisitos do art. e (iii) na visão das instâncias inferiores. como declarou o Superior Tribunal de Justiça. 44. É preciso que se faça um juízo de valor sobre a ‘suficiência’ da resposta alternativa ao delito. não é legítimo agravar o regime de cumprimento da pena.)”.º. cumpri-la em regime aberto". poderá.. “O legislador deixou por conta dos operadores jurídicos a tarefa de individualizar o instituto alternativo da substituição em cada caso concreto. alínea c. 5. Portanto. (HC 102041/SP. Luiz Flávio .º do Código Penal. isto é. sendo o agente primário e inexistindo circunstâncias judiciais desfavoráveis. para se possibilitar o seu democrático controle” (in Gomes. 4. 596/597). É sempre importante enfatizar que essa valoração deve ser objetiva e descritiva. TORQUES 11 . Ordem concedida. Parecer do parquet pela concessão da ordem. desde o início. que dispõe que "o condenado não reincidente. RICARDO S. restou comprovado o direito do estrangeiro ao benefício. e § 3.Penas e Medidas Alternativas à Prisão. a teor do disposto no artigo 33. (ii) inexiste decreto de expulsão em seu desfavor. Revista dos Tribunais.

responder pelo mesmo crime. E) segundo a sistemática adotada pelo art. são exemplos típicos de normas penais em branco. para a hipótese legal em que um dos colaboradores tenha desejado participar de delito menos grave. 16. segundo a qual todos os indivíduos que colaboraram para a prática delitiva devem. 33). o valor consolidado igual ou inferior a R$ 7. as condutas anteriormente definidas como crime de ato libidinoso continuam a ser punidas pelo direito penal brasileiro.AULA 02 – DIREITO PENAL – PROF. art. a) Quanto ao concurso de pessoas. d) A citação válida. 38. caso em que deverá ser aplicada a pena deste. como parâmetro. art. segundo a atual legislação.605/98. D) os crimes de tráfico de drogas (Lei 11. QUESTÃO 02 – (CESPE-2011-DELEGADO DE POLÍCIA SUBSTITUTO-ES) Considerando os princípios constitucionais penais e o disposto no direito penal brasileiro. as leis excepcionais e temporárias não possuem ultra-atividade. julgue os itens subsecutivos. c) Por incidência do princípio da continuidade normativo-típica. por exemplo. Tal situação pode ser. C) o princípio da insignificância está diretamente relacionado ao princípio da lesividade e sua aplicação exclui a própria culpabilidade. caput). TORQUES 12 . Gabarito QUESTÃO 01 – D QUESTÃO 02 – CERTO/ERRADO/CERTO/ERRADO RICARDO S.826/03.(MPE/PN . B) a proibição da retroatividade da lei penal. é correto afirmar que. como regra geral. 3º do Código Penal brasileiro. é possível a aplicação do princípio da insignificância para crimes de descaminho. a denominação adequada para tal conduta é a de crime de estupro. de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (Lei 10. em causas de justificação. todavia. com a ressalva de que. causas de exculpação e situações de extinção ou redução da punibilidade. por aplicação do princípio da intranscendência das penas. assinale a alternativa correta: A) a analogia in bonam partem não possui restrições em matéria penal. é causa interruptiva da prescrição penal. sendo admissível. caput) e de destruição de floresta considerada de preservação permanente (Lei 9.2011-Promotor substituto) Sobre a teoria da lei penal. por constituir garantia decorrente do devido processo legal. não admite exceções. art. no âmbito dos delitos contra a dignidade sexual. o direito penal brasileiro acolhe a teoria monista. como um dos fundamentos do princípio constitucional da legalidade.500.00. e a analogia in malan partem possui menor nível de aceitabilidade em matéria penal. sendo admissível apenas em hipóteses excepcionais. afastada. ROGÉRIO SANCHES 3 de fevereiro de 2012 QUESTÕES QUESTÃO 01 .343/06. devendo-se considerar. b) Segundo a jurisprudência do STF.

jurisprudencial gramatical interpretação dada pelo sentido literal do texto interpretação dada pela vontade objetivada na lei interpretação dada pela análise dos conjunto da legislação interpretação que considerada arelação com o avanço da ciência teleológica quanto ao modo histórica progressiva RICARDO S. ROGÉRIO SANCHES 3 de fevereiro de 2012 QUADROS Interpretação da lei penal autêntica interpretação dada pela própria lei quanto ao sujeito doutrinária interpretação feita pelos próprios estudiosos do direito interpretação fruto das decisões reiteradas dos tribunais. TORQUES 13 .AULA 02 – DIREITO PENAL – PROF.

 arma imprópria. aplicável para casos norma nova. restritiva Interpretação extensiva contra o réu: predomina a corrente de que o não há vedação à interpretação extensiva maléfica ao réu. e relações de união estável. III e IV. prevista no art. TORQUES 14 .AULA 02 – DIREITO PENAL – PROF. não Depois de exemplos. 157. amplia-se o alcance de alcançar outras hipóteses. Excepcionalmente. 181. 121. admite-se a interpretação extensiva maléfica ao réu. aplicando-se dispositivo similar INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA ANALOGIA Não há lei prévia para o caso (por isso que não é interpretação é INTEGRAÇÃO) Ampliação de um conceito legal. Há lei prévia criada para o caso (INTERPRETAÇÃO) PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PENAL PRINCÍPIOS RELACIONADOS COM A MISSÃO FUNDAMENTAL DO DIREITO PENAL RICARDO S. art. fala em cônjuge. Outras correntes: Somente cabe a interpretação extensiva maléfica ao réu em normas não incriminadoras. I. a lei encerra o Trata-se da criação de nova norma a importando no surgimento de texto de forma genérica. partindo-se do caso em concreto. Interpretação Extensiva toma-se uma a palavra e amplia-se seu alcance quadro prático para distinção Interpretação Analógica o significado que se busca é extraído da própria lei. semelhantes. do CP. permitindo partir de outra. §2º. quando a aplicação restritiva resultar em escândalo por sua notória irracionalidade. expressão “arma”. levando em consideração expressões genéricas e abertas utilizadas pelo legislador Analogia (forma de integração) parte-se do pressuposto de que inexiste lei a ser aplicada. do CP: mas empresta-se este dispositivo às  arma própria. ROGÉRIO SANCHES 3 de fevereiro de 2012 declarativa corresponde exatamente àquilo que o legilslador quis dizer quanto ao resultado extensiva amplia o alcance das palavras da lei para que corresponda à vontade do texto reduz o alcance das palavras. expressão de lei que já existe. do CP o art.

isto é. para o STJ. e 4. 2. segundo STF e STJ. Princípio da Insignificância é causa de exclusão da tipicidade material requisitos: 1. nenhuma periculosidade social da ação. ROGÉRIO SANCHES 3 de fevereiro de 2012 Princípio da exclusiva proteção de bens jurídicos • nenhuma criminalizaçao é legítima se não busca evitar a lesão ou perigo de lesão a um bem juridicamente determinável. 3.  aplica-se ao crime de descaminho. pelo aspecto técnico (há dissensão doutrinária). fatos * sistemas direito penal do autor punição de pessoas que praticaram qualquer conduta direito penal do fato que considera o autor não somente devem ser incriminados apesar de o Estado só poder fatos humanos incriminar fato.000. inexpressividade da lesão jurídica provocada.  não se aplica aos crimes tributário (há dissensão doutrinária). reduzido grau de reprovabilidade do comportamento. • caracteriza-se por ser subsidiário e fragmentário * o princípio da insignificância decorre do principio da intervenção mínima. quando estritamente necessário. e  não se aplica ao crime de roubo. considera as condições pessoas do agente direito penal do fato Princípio da Legalidade RICARDO S.  não aplica-se aos crimes contra a fé pública. mínima ofensividade da conduta do agente. mas não se aplica. para o STF. especificidades:  aplica-se aos casos de reincidência. PRINCÍPIOS RELACIONADOS COM O FATO DO AGENTE Princípio da Exteriorização • Estado somente poderá incriminar condutas humanas. Princípio da intervenção mínima • O direito penal somente deverá ser aplicado.  aplica-se aos crimes contra a Administração Pública.00 e haja apreensão de todos os objetos apreendidos.AULA 02 – DIREITO PENAL – PROF. desde que o débito tributário decorrente seja inferior a R$ 10. TORQUES 15 .

a posição de que este tipo de delito de perigo é inconstitucional porque se pune alguém sem prova de lesão ou risco de lesão ao bem jurídico. •exceções: actio libera in causa na embriaguez não acidental completa e rixa qualificada. ROGÉRIO SANCHES 3 de fevereiro de 2012 Princípio da Ofensividade (ou lesividade) •para que ocorra o delito é imprescindível que ocorra a efetiva lesão ou perido de lesão ao bem jurídico tutelado * em razão deste princípio.AULA 02 – DIREITO PENAL – PROF. Princípio da Igualdade • todos são iguais perante a lei RICARDO S. prevalece. questiona-se a constitucionalidade dos delitos de perigo abstrato. sendo aqueles cujo perigo de resultado é presumido por lei. no STF. TORQUES 16 . visando atencipar a proteção ao bem jurídico. Contudo. há decisões no sentido da constitucionalidade sob o argumento de que se trata de opção política. acieto ou previsível. Princípio da Responsabilidade Social • proíbe-se o castigo penal pelo fato de outrem Princípio da Responsabilidade Subjetiva •Só podendo ser responsabilizado se o fato for querido. Todavia.