Você está na página 1de 26

ORGANIZAÇÃO SETE DE SETEMBRO DE CULTURA E ENSINO - LTDA.

FACULDADE SETE DE SETEMBRO - FASETE CURSO DE BACHARELADO EM ADMINISTRAÇÃO

Mara Lúcia Gomes de Siqueira Torres

O ATENDIMENTO DO PROFISSIONAL ESPECIALIZADO NA SAÚDE: um estudo de caso da iniciativa pública e privada.

Paulo Afonso - BA Abril/2012

Mara Lúcia Gomes de Siqueira Torres

O ATENDIMENTO DO PROFISSIONAL ESPECIALIZADO NA SAÚDE: um estudo de caso de iniciativa pública e privada.

Projeto apresentado ao Curso de Administração de Empresas como requisito parcial ao desenvolvimento do Trabalho de Conclusão de Curso. Orientador: Prof. Salomão David Vergne Cardoso.

Paulo Afonso - BA Abril/2012

2 Definição do Problema 1.2 Gestão de Saúde 2. Metodologia 4.4 Objetivos 1.3 Justificativa 1.1 Atendimento 2.SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 1.4.4.1 Geral 1.3 Mão de obra especializada na saúde 3. REFERÊNCIAS 2121 4 6 6 6 6 7 7 7 6 10 16 19 21 21 21 .1 Considerações Iniciais 1.2 Específico 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.

26). De acordo com Sader (2000. neste estudo a organização do atendimento no setor da saúde pelo mercado. impedindo a radicalização de suas diretrizes no tocante a universalidade e equidade. entre nós. não só desqualificando o Estado. de modo que "a ética do cotidiano dos políticos e da população" acabou contaminando a formação social republicana.1) o processo histórico em que foram formadas as noções de público e privado. segundo o autor. considerando que o domínio privado subtrai a natureza pública do Estado e do SUS. Desse modo. p. ao discurso neoliberal nos anos 90. A opção por analisar o atendimento dos profissionais no setor público e privado foi inspirado no interesse de fazer o comparativo da satisfação dos clientes com o atendimento. na qual "encontra-se esta realidade da não-fusão entre o público e o estatal". "o interesse público é determinado imediatamente em relação e em contraste com o interesse privado e . O filósofo nota que o público. destacando que a noção de "público" foi construída durante séculos. sendo. inaugura-se acolhendo práticas patrimonialistas (a gestão da política como assunto de interesse particular). por isso. no contexto da relação contraditória público/privado. Essa ideologia foi incorporada. no contexto da luta entre o Estado e a vida privada. no qual foi marcante o papel desempenhado pela Igreja nas áreas sociais. por assim dizer. Segundo Roberto Romano citado por Ocke – Reis. recapitulando a história recente brasileira. Este trabalho tem como objetivo. mas corroendo a coisa pública. sublinha que a noção de estatal se misturou à ditadura militar. fácil "identificar o democrático com o privado e o civil". como o público e o privado são elementos contraditórios entre si. p. (2006.1 INTRODUÇÃO O presente estudo intenta uma reflexão sobre características do atendimento do profissional de saúde no setor público e privado procurando investigar se existe diferença na qualidade da assistência e levantar as dificuldades e facilidades em ambos setores através da avaliação do paciente. isto é.

para privatizar os serviços coletivos básicos. pois estes recomendam medidas que visam. 27) Ocke-Reis (2006. na seção que trata da saúde. de acordo com a autora. no contexto da elaboração das políticas governamentais.vice-versa". p. a um só tempo. nas experiências do orçamento participativo municipal e do assentamento dos trabalhadores rurais. tendo-se avançado "na direção da socialização da política e do poder. depreende-se que assistimos a uma fragilização do primado do "público". como contraponto à dinâmica de acumulação capitalista. é discutida a natureza privatizante da reforma do Estado. Nesse curso. assiste-se. no período 1995-2002. contemplado. capitaneada pelo Governo Federal. na Constituição de 1988. perdida conforme esta se converteu na negociação de interesses privados junto ao Estado e aos governos". p. sintetizado na sua incapacidade de regular o mercado. recuperando a dimensão 'pública' da política. . Sader (2000. paradoxalmente. ao movimento em direção "a um suposto setor público nãoestatal ('terceiro setor'). adiante. a fortalecer o mercado (subsídios à demanda) e atacar as políticas sociais universais (focalização). Em síntese afirma que esse tipo de "reforma" optou por não enfrentar o estrangulamento do padrão de financiamento público e por não reduzir as desigualdades mediante a implementação de "políticas de distribuição de renda e equalização do acesso a serviços públicos essenciais".2) desfere uma crítica contra os diagnósticos e propostas dos organismos internacionais na área social. nessa linha. Segundo a autora. essa práxis orientadora "têm sido acatada pelos governos brasileiros" e. Foi nesse caldo de cultura que se deu o crescimento do modelo médico-assistencial privatista na área da saúde. Embora o SUS tenha representado um alargamento do espaço público. isso se viu também. mas que deveriam ser subsidiados pelo Estado". que se responsabilizaria pela execução dos serviços que não envolvessem o exercício do 'poder do Estado'.

Chegamos ao seguinte problema de pesquisa: O profissional da saúde presta uma melhor assistência ao paciente no setor privado? Esta prestação de serviço é potencializada pela maior oferta de recurso viabilizadores das tarefas e um menor demanda de clientes? 1. neste estudo a organização do atendimento no setor da saúde pelo mercado. 2000). O acesso aos serviços de saúde dos vários segmentos populacionais reflete um grau de desigualdade social bastante elevado. Côrrea et AL.1. buscando-se saber se existe diferença de atendimento nos setores e quais são os aspectos que interferem neles.3 JUSTIFICATIVA Este estudo procura esclarecer e proporcionar uma visão geral em dimensões mais ampliadas sobre o atendimento dos profissionais de saúde no setor público e privado. e o cliente está cada vez mais esclarecido e exigente. O mercado de saúde está cada vez mais exigente. 1997.2 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA A crise na saúde tem causado a diminuição da qualidade no atendimento e o aumento das filas de espera. impedindo a radicalização de suas diretrizes no tocante a universalidade e equidade. . hospitalar e laboratorial como alternativa ao atendimento público que não satisfaz às suas necessidades. indo contra demanda dos pacientes por atendimento de alta qualidade (Motta. No setor saúde as pessoas há décadas usa os serviços privados de assistência médica. no contexto da relação contraditória público/privado. Passos. considerando que o domínio privado subtrai a natureza pública do Estado e do SUS.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS Este trabalho tem como objetivo. 1. A cobrança no atendimento é imensa. 1996. O sistema de saúde é caracterizado por longas filas de pacientes que são atendidos de forma desumana e por médicos que sofrem pressões do tempo e das condições ambientais. e a busca pela excelência de qualidade dos serviços prestados é incessante. Rocha.

Identificar a diferença do atendimento médico no setor público e privado através de respostas fornecidas pelos pacientes. O mercado de saúde está cada vez mais exigente. A cobrança no atendimento é imensa.De um lado. 1. 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2. Receber um serviço público de qualidade é um direito da cidadania e ainda não há uma consciência generalizada a respeito do mesmo.1 Geral Identificar as características que diferenciam a assistência do profissional especializado na saúde no setor público e privado. e do outro lado o SUS (Sistema Único de Saúde) oferecido a todos os cidadãos.4 OBJETIVOS 1.4. e o cliente está cada vez mais esclarecido e exigente.4. é utilizado predominantemente por aqueles que possuem menor poder aquisitivo . Coletar informações sobre a assistência dos profissionais especializados. há os planos de saúde que são acessíveis as classes mais remediadas financeiramente. Traçar um perfil sobre os profissionais médicos envolvidos na pesquisa. e a busca pela excelência de qualidade dos serviços prestados é incessante. 1. O cidadão tem que ter noção de que é um direito seu exigir serviços eficientes e de qualidade.1 ATENDIMENTO EM SAÚDE .2 Específico      Descrever a assistência do profissional de saúde no setor público e privado. Comparar o atendimento médico no setor público e no setor privado.

Considerando-se que os modelos de atendimento à saúde no Brasil evoluíram. notase que. observa-se que é uma área de formação e como campo de estudos. como um serviço em defesa da vida e da saúde das pessoas: "Pensar a gestão em saúde é pensar modos de produção comprometidos com a vida". Filho (1999. como uma instância administrativogerencial. principalmente pelos seus princípios gerais de organização. p. um olhar sobre o cotidiano das práticas de saúde revela facilmente a enorme contradição existente entre essas conquistas estabelecidas no plano legal e a realidade de crise vivenciada pelos usuários e profissionais do setor1. assim. constituiu-se tendo como objetivo a preparação de servidores públicos para a administração pública moderna. no plano legal. 10) Ao tratar do atendimento em saúde é imprescindível discutir a relação entre cuidar e gerir enfatizando as dimensões dos processos de trabalho que afirmam valores do bem comum. a partir de uma . como direito de cidadania e dever de Estado ". Estes princípios apontam para a garantia de acesso de toda e qualquer pessoa aos serviços de saúde. A disciplina se constituiu. 134) Em relação a administração pública utilizada no âmbito nacional para os atendimentos prestados. 62) Embora a saúde seja. pois. países como a Argentina chegam a 6% e os Estados Unidos a 12%. p. A saúde é ainda definida " como resultante de políticas sociais e econômicas. a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) representou um avanço. (2004. A realidade do atendimento dos profissionais de saúde no Brasil tem se mostrado bastante desafiadora quando se trata de uma qualidade na assistência do serviços pois enquanto o sistema público de saúde consome 3. e para a participação cidadã no processo de formulação de políticas públicas de saúde e do controle de sua execução.5% do Produto Interno Bruto(PIB). um direito constitucionalmente garantido. Infelizmente o SUS ainda é incapaz de oferecer a assistência adequada a todos. M Traverso – Yípez. O trabalho em saúde é entendido como uma atividade realizada através da união da gestão com o cuidado. Barros e Galli (2004. p. levando grande parte da população à demanda da saúde suplementar. por meio de serviços oferecidos pela iniciativa privada.

após a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS). A disciplina voltava-se à formação da burocracia governamental. O foco da disciplina era a preparação dos servidores para atividades-meio. em busca de um sistema alternativo de assistência com melhores condições do que as oferecidas pelo SUS. centrais à atuação do Executivo e à implementação de políticas públicas: orçamento. A administração científica concebia a administração pública como o espaço da execução. o setor público sempre foi majoritário no financiamento dos recursos destinados às ações de saúde. como uma ciência "livre de valores".das tradições de administração pública: a que. gestão de pessoal e organização. Farah (2011. . ser insulada.4 em 2011. A burocracia deveria atuar de forma apolítica e imparcial. assim. pelo Executivo. 2). atingindo o percentual de 24. revelou que a assistência hospitalar pública não apresentou crescimento em números absolutos no período e indicou que houve migração seletiva de pacientes para o sistema privado. com o crescimento expressivo do setor privado. No entanto. No Brasil. A análise da evolução da assistência hospitalar pública e privada de 1986 a 1996. A administração pública era vista. com base em uma sólida formação profissional. a tradição pragmática prevalecente na Inglaterra e a tradição dos países comunistas. cuja missão era contribuir para que a administração governamental "funcionasse" de forma eficiente e econômica. dominar "princípios científicos da administração" e obedecer a regras gerais de procedimentos. responsável pela execução ou pela implementação das políticas públicas. p. 30) Estatística recente apresentada pela Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) mostra que a taxa de cobertura de planos de saúde no ano de 2000 foi de 18. nesta perspectiva. Deveria. p. Tradições distintas caracterizaram a administração pública em outros países: a tradição do direito administrativo da Europa continental. Rocha (1999. a partir do final do século XIX e início do século XX.1% e revela crescimento constante nos anos subsequentes. consolidou-se nos EUA: a tradição "científica". de políticas definidas na esfera da política. este panorama vem apresentando modificações nos últimos 20 anos. isto é.

Com o intuito de verificar tais pressuposições. quer por mudanças administrativas e políticas frequentes. 20). Moreira (2000. especialmente a partir de fins da década de 1980. Hooijeberg e Choi (200. para esses autores. tal aspecto abrange a amplitude de atividades e o nível de autonomia de ação desses líderes. ainda. quer em função de limites de tempo no cargo. deveres. diferentes níveis de discricionariedade atribuídos aos gestores do setor público e privado resultariam em formas particulares de liderança. Na perspectiva de Hooijeberg e Choi. mais facilmente mensurável. p. com diferentes racionalidades e interesses. 5) Para Hooijberg e Choi (2010. Afinal. os líderes do setor privado tenderiam a ter objetivos mais claros. controles e regulamentações presentes na esfera pública. São alguns desses fatores inibidores: os cargos com funções demasiadamente explícitas e documentadas. no contexto de um movimento que vem sendo denominado de nova administração pública. conceitos de gestão bastante similares aos observados em grandes corporações empresariais do pós-ruptura do ciclo virtuoso do fordismo. p. 1) enquanto líderes públicos devem concatenar inúmeros objetivos. a administração pública brasileira passa a incorporar. Em suma. Sob a ótica dos liderados. p. podendo resultar em comportamentos inibidos e limitados. as leis.Embora pareçam evidentes as diferenças no que se refere às características requeridas à liderança nos setores público e privado. Ainda para esses autores. a estabilidade no emprego experimentada por grande parte — ou mesmo a totalidade — de seus liderados6. 30). realizaram estudo comparativo envolvendo instituições públicas e privadas visando investigar a relação entre comportamentos ou papéis do líder e a eficácia de sua atuação. encontram-se focados em um propósito central: o lucro. autoridade e prestação de contas codificadas e o reduzido controle e autonomia sobre os recursos. reduzem a discricionariedade de seus líderes. Os resultados . p. Além de dificuldades de se mensurar o desempenho dos líderes do setor público. Oliveira (2010. soma-se o turnover desses agentes. tais aspectos atuariam como substitutos da liderança. Agrega-se a isso. por meio de indicadores econômico-financeiros. início dos anos 1990.

Filho (2000. p. Tais estilos. p. Simonetta Zarrili (1999. por sinal. busca compreender tal realidade. 30). em comparação com agentes privados. 6) a partir de levantamento feito ao longo de quatro anos em diferentes países em desenvolvimento. Hooijeberg e Choi (2010. os gestores públicos percebem menor associação entre liderança orientada a tarefas e eficácia. p. sem dúvida. É evidente que a .300 hospitais. as dificuldades orçamentárias e o aumento dos custos estão levando a uma redução do papel dos governos e abrindo espaço para o setor privado‖. a ser financiado e garantido pelo Estado. percebida de forma positiva em órgãos públicos e negativa em ambientes privados 6. mais orientados para o ambiente interno das organizações. que uma política de regulamentação excessiva da saúde suplementar não irá melhorar o setor público. um avanço positivo para alcançar as metas da Constituição de 1988. contribuindo assim para a deterioração do sistema‖. o serviço público tem de prover total atendimento médico aos três terços restantes da população.indicam que. com menos de sete mil hospitais e cerca de 565 mil leitos (em sua maioria privados) e 70 mil médicos‖. a economista lembra que ―o fato de o sistema terse tornado universal. O comércio internacional em serviços de saúde: uma perspectiva de desenvolvimento. publicado em 1998. Por outro lado. conquanto represente. p. Para eles. e também àquelas pessoas que têm plano/seguro para tratamentos nãocobertos pelos planos privados. a eficácia apresentou-se mais associada a estilos de liderança de monitoração/facilitação. ainda. também. 130) afirma em um dos capítulos do trabalho. Merece destaque. mais de 370 mil leitos e 120 mil médicos. especialmente dedicado ao Brasil. a relação obtida entre eficácia e senioridade dos líderes. mas. colocou mais um encargo no orçamento da saúde pública. Ela revela que ―a disparidade entre os setores público e privado é impressionante: o setor privado – que só tem de servir a uma quarta parte da população – pode oferecer 4. 35) Estudo produzido pela ONU (1999. Fica evidente no minucioso estudo da ONU que as dificuldades da saúde pública não são exclusivas do Brasil. assinala que ―em países onde a saúde sempre foi vista como um direito de todos.

saúde suplementar no Brasil. conforme determina a legislação do SUS. como acontece em tantos países. p. 2. em benefício de todos. epidemiológicos e dos Planos de Saúde. (2000. Sem a participação da iniciativa privada. p. A área da Administração em Saúde tem uma visão e uma prática relativas à qualidade diferentes daquelas observadas na indústria. 26) a gestão é o ato de gerir. Rezende (2008. o Estado dificilmente suportará o atendimento às populações mais carentes e os pesados investimentos que precisam ser feitos numa medicina cada vez mais sofisticada. com controle e fiscalização pelos Conselhos de Saúde. a participação do setor privado seja estritamente complementar ao setor público. Malik (2001.1 RELAÇÃO ENTRE OS SETORES PÚBLICO E PRIVADO NA ÁREA DA SAÚDE Segundo o site do Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde devem observar os dispositivos constitucionais e da legislação complementar para a definição da relação com os serviços privados.2. 2. 2. A gestão do Sistema de Saúde seja sempre exercida pelo Poder Público. em geral introduzidas pela leitura de textos e pelo conhecimento da realidade norte-americana. assim como em todo o mundo.2 GESTÃO DE SAÚDE Segundo Maximiano. A discussão contemporânea na área de Administração em Saúde inclui aspectos referentes a competitividade. gerência e Administração são palavras que possuem o mesmo significado. A convivência é possível e desejável. alianças estratégicas. p. de tal forma que: 1. tem um papel fundamental a cumprir na questão da saúde em geral. . segundo dados de demanda. 30). a partir da impossibilidade do setor público em oferecer as ações necessárias aos Usuários. 205). parcerias e outras questões. Cabe à sociedade buscar o caminho dessa convivência.

. e serão reenquadrados como privados os que não cumprirem esse requisito. 4. o credenciamento e descredenciamento dos serviços privados seja aprovado pelos Conselhos de Saúde. proposta de Legislação revisando os critérios para emissão dos certificados de filantropia e a definição de entidades sem fins lucrativos e de utilidade pública. Cooperativas e Planos e Seguros Privados de Assistência à Saúde será retirada. no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias a contar da divulgação desse Relatório. Entre outros pontos deve constar que: O Ministério da Saúde. as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde e os Conselhos de Saúde devem ser os órgãos fiscalizadores do funcionamento dessas entidades na área da saúde. Os Serviços de Saúde para serem enquadrados como serviços filantrópicos. os serviços conveniados e contratados submetam-se à legislação do SUS. portanto parceiras preferenciais na construção local e regional do SUS quando da impossibilidade dos serviços públicos atenderem à demanda. as entidades filantrópicas e realmente sem fins lucrativos sejam reconhecidas e tratadas como públicas não-estatais. conforme preconiza o artigo 199 da Constituição Federal. para ser enviada ao Congresso Nacional.3. O Conselho Nacional de Saúde deve elaborar e encaminhar ao Congresso Nacional proposta de legislação e normas para o reconhecimento de estabelecimentos com atuação na área de saúde como entidades filantrópicas sem fins lucrativos ou de utilidade pública. O Conselho Nacional de Assistência Social junto com o Conselho Nacional de Saúde e o Conselho Federal de Educação devem elaborar. 5. A classificação de entidade filantrópica das Empresas. devem destinar no mínimo 60% de sua capacidade instalada ao SUS.

Os convênios com o setor filantrópico e as contratações com o setor privado devem ser definidos por instrumento individual específico. O Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde devem suspender as autorizações de credenciamento da rede conveniada/contratada até que os atuais serviços credenciados estejam funcionando satisfatoriamente. no prazo de 120 (cento e vinte) dias a contar da divulgação deste Relatório. convênio. .Os Gestores do SUS não devem admitir e implementar qualquer tipo de contrato. a critério dos Conselhos Municipais de Saúde. A punição aplicada deverá ser publicada no Diário Oficial pertinente e divulgada amplamente. O Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde devem realizar. transferências de recursos públicos. cobrança de honorários ou taxas para atendimento dos Usuários do SUS. de qualquer natureza e a qualquer título. Os Gestores do SUS devem garantir a prevalência do interesse público nos serviços conveniados ou contratados. no interesse público. no caso de discriminação. bem como aprovados pelos respectivos Conselhos de Saúde. desapropriação ou mesmo expropriação. Punição com advertência. suspensão ou descredenciamento. deliberações e encaminhamento de providências. que não seja dentro das normas e sob acompanhamento e aprovação do Conselho de Saúde correspondente. Os credenciamentos devem estar vinculados ao perfil epidemiológico da população e da área geográfica a ser abrangida. sob normas do direito público e sempre devem ser fiscalizados e controlados pelos Gestores e Conselhos de Saúde. um levantamento do patrimônio do SUS alocado em instituições filantrópicas e privadas prestadoras de serviços de saúde e encaminhá-lo aos respectivos Conselhos de Saúde para avaliação. através de: Legislação que viabilize a possibilidade de intervenção.

bem como os Conselhos de Saúde. para discussão e aprovação. no prazo de 180 (cento e oitenta) dias a partir da divulgação deste Relatório. O Conselho Nacional de Saúde deve fiscalizar a Associação das Pioneiras Sociais. Portanto. Os Gestores do SUS e os Conselhos de Saúde devem confrontar as alternativas privatizantes em curso. tecnológicos e humanos públicos por empresas privadas. devem rejeitar os modelos implantados com base no pronto-atendimento paliativo. financeiros. eqüidade. de forma a garantir qualidade. Para tanto. assegurando a universalidade e integralidade da atenção e o controle social no SUS. normas quanto às condições de funcionamento dos serviços privados de assistência à saúde. que ferem os princípios de integralidade e eqüidade do SUS. . universalidade. e 22 da Lei Federal nº 8080/90. coibindo o uso de recursos físicos. eficácia e eficiência nas ações oferecidas à população por esse setor. reafirmando a legislação do SUS e implantando a Atenção Integral à Saúde com qualidade e eficácia no atendimento dos Usuários. critérios e procedimentos nos Códigos de Saúde. materiais. bem como o ressarcimento dos investimentos realizados na rede privada de saúde. estabelecendo normas. inclusive nos serviços conveniados e contratados. inciso XI. conforme preceitua os artigos 15. O Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde. Os Gestores do SUS devem aprofundar a legislação que trata da participação complementar do setor privado e filantrópico no SUS. Fazer retornar ao gerenciamento público as Unidades de Saúde repassadas para a gestão privada.O Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde devem apresentar aos respectivos Conselhos de Saúde. entre outras iniciativas. devem reafirmar o modelo de gestão pública do SUS. devem: Rejeitar quaisquer iniciativas de "contratos de gestão". aprovados pelos Conselhos de Saúde e pelos Legislativos. no modelo Associação das Pioneiras Sociais. filantrópicas ou cooperativas profissionais.

cliente e mercado têm características. fazendo com que a satisfação dos clientes seja alcançada. Segundo Kotler (1992.que permitem melhor compreendê-los e que devem ser levados em consideração pelas empresas. Além disso mais do que em qualquer setor. 211) serviço é qualquer ato ou desempenho essencialmente intangivel que uma parte pode oferecer a outra que não tem como resultado a propriedade de algo. a necessidade de as empresas adicione um entendimento apurado sobre qualidade na prestação de serviços. a área de saúde deve proporcionar um excelente serviço aos clientes e usuários e isso significa adequar todas as facilidades possíveis. fazendo com que surja. ao elaborarem suas estratégias de atuação no mercado. inseparabilidade e perecebilidade . consciente de que assim procedendo terão possibilidades maiores de conseguirem bons resultados no curto e no longo prazo. No entanto os serviços tem tido uma grande importância no crescimento e participação das empresas no mercado. Este autor ainda afirma que os serviços possuem algumas características básicas . heterogeneidade. Nos serviços realizados na área de saúde. p. I – Apatia II – Automatismo III – Condescendência IV – Dispensa V – Frieza VI – Passeio VII – Livro de regras Quadro 01: os sete pecados dos serviços .2. Com a mudança que nos ultimos anos o mercado vem sofrendo.intangibilidade.2 Serviços Existem diversas definições a respeito de serviços. A ênfase em qualidade torna-se de extrema importância no setor de serviços. assim. cada vez mais a sociedade vai em busca dos serviços ou novos serviços.

de modo permanente. uma vez que as organizações de saúde vivem momentos de grande competitividade. mostra-se extremamente atual e oportuno. e sob as condições impostas unilateralmente pela própria Administração. 15) No entanto pode-se afirmar que a gestão de serviços públicos ou privados é algo essencialmente dependente do tipo de pessoa que o executa.2. Para Meirelles (1997. 2. Normalmente quem recompensa o prestador de serviços é o cliente. direta ou indiretamente. a satisfação de necessidades essenciais ou secundárias da sociedade. sob normas e controles estatais. contínuo e geral. Serviço Público é toda atividade que o Estado exerce. em geral se esquece que quem efetivamente paga a conta é o cidadão. Santos (2007. 1) 2.Fonte: Albrecht (1992. assim por lei considerado. para satisfazer necessidades essenciais ou secundárias da coletividade ou simples conveniência do Estado. p. De Diogo de Figueiredo Moreira Neto: Serviço Público é uma atividade de Administração que tem por fim assegurar. já nos serviços públicos quem paga é o governo. p. para satisfação das necessidades públicas mediante procedimento típico do Direito Público. Este tema. é buscar um equilíbrio entre a qualidade de atendimento e custos viáveis. de busca pela qualidade do atendimento aos clientes e de necessidade de incorporação de tecnológica de . 297) apresenta o conceito de serviço público como ― todo aquele prestado pela Administração ou por seus delegados. Alguns conceitos encontram-se na área jurídica e outros de autores da área de gestão. p.1 Serviços Públicos Fundamentado no conceito de serviço apresentado anteriormente faz-se necessário abordar o conceito de serviço público.3 MÃO DE OBRA ESPECIALIZADA NA SAÚDE Podemos dizer que o grande desafio da Saúde hoje.

Se o Brasil continuar nesse ritmo de crescimento será necessário realizar ações que possam prevenir o apagão de mão obra qualificada a médio e longo prazo. Além disso. No interior dos estados das regiões metropolitanas foram gerados 60. . Diante desta realidade. De acordo com estudos as empresas informaram não ter mecanismos para lidar com o problema. Muitas já estão fazendo. e ainda estabelecer diálogo com as empresas para oferecer cursos de acordo com suas necessidades. da diminuição do nível de renda dos pacientes particulares.208 postos. pois. não conseguem encontrar o profissional qualificado que corresponda ao perfil da empresa. para atender suas necessidades emergentes. as instituições públicas vivenciam dificuldades no repasse de verbas governamentais e as privadas enfrentam a adaptação à realidade dos convênios médicos além. Na área da saúde. 12 apontaram elevação do emprego.46%. Muitas empresas vão precisar desenvolver seu próprio programa de formação de mão de obra qualificada. enquanto que na área alimentícia o percentual foi de 20%.28%). Quanto ao poder público será necessário desenvolver programas educacionais que possa orientar os jovens e os desempregados que aguardam a oportunidade de um emprego.116 postos de trabalho (0. em novas áreas de atuação. 17% das empresas disseram não possuir qualquer forma de lidar internamente com a falta de trabalhador qualificado. com recorde no Amazonas. com a geração de 42. naquelas com mão de obra escassa. Houve expansão do emprego em oito das nove áreas metropolitanas. ou ainda. Este planejamento contribuirá para que não haja excesso de mão de obra em um setor e falta em outro. equivalentes ao crescimento de 0. Entre as 27 Unidades da Federação. planejar e atualizar novos cursos para que possam qualificar mão de obra de acordo a demanda existente.ponta. universidades e escolas técnicas devem sentar. O Brasil passa por um momento de grande crescimento na geração de empregos em alguns setores e regiões do país.

. Se as autoridades se sensibilizarem.As evidências são claras da falta de ações para suprir as deficiências da educação em relação à qualificação de mão de obra. Mas resta saber quando essas ações irão acontecer de fato e assim o Brasil poderá ter melhores condições para competir. de acordo com o crescimento do país. poderão realizar ações estratégicas que consigam resolver esse problema de forma eficaz. entendendo que esse é um assunto de interesse de todos.

Primeiramente os dados coletados serão feitos através de uma analise bibliográfica.pesquisa não-estruturada. artigos. Detectando erros e auxiliando as decisões do cientista. foi adquirido primeiro a escolha do tema e a forma prática e direta de transparecer esse objetivo e de descrever sobre os vários pensamentos e publicações de autores sobre o tema. Segundo Markoni e Lakatos (2010. exploratória. na internet em sites relacionados ao assunto . uma pesquisa quantitativa com o profissional na área da saúde. 1) a Pesquisa Quantitativa é apropriada para medir tanto opiniões.. Ela é especialmente projetada para gerar medidas precisas e confiáveis que permitam uma análise estatística. p.conhecimentos válidos e verdadeiros – traçando o caminho a ser seguido. . em livros. com maior segurança e economia. A primeira razão para se conduzir uma Pesquisa Quantitativa é descobrir quantas pessoas de uma determinada população compartilham uma característica ou um grupo de características. p.3.. 155) a pesquisa qualitativa é definida como uma técnica de ". permite alcançar o objetivo . 65) Método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que. que proporciona insights e compreensão do contexto do problema" que está sendo estudado. Será também realizada. A coleta de dados serão feita através de questionário estruturado com perguntas abertas e fechadas junto ao profissional da área da saúde. Para Gil (1999) a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado. baseada em pequenas amostras. de acordo com Malhotra (2001. E a pesquisa qualitativa com os pacientes. Segundo Zaytec Brasil (2012. constituído de livros e artigos científicos. p. atitudes e preferências como comportamentos. Metodologia De forma a desenvolver uma pesquisa cientifica. Sendo esse material utilizado como orientação a ser seguido pelo pesquisador exploratório do tema. bem como também será aplicado um questionário para alguns pacientes com a finalidade de coletar dados e analisá-los posteriormente para a obtenção de informações sobre a opinião dos pacientes em relação ao atendimento tanto no setor público como no setor privado.

Para Malhotra (2001). Pode ser múltipla escolha. As perguntas estruturadas mencionam o conjunto de respostas alternativas e o formato da resposta. As não estruturadas são compostas por perguntas abertas onde os entrevistados respondem com suas próprias palavras. os questionários podem ser de perguntas não estruturadas ou estruturadas. p. Por fim as informações coletadas serão abordadas qualitativamente. Segundo Malhotra (2001. que proporciona insights e compreensão do contexto do problema. . exploratória. Será realizada também uma pesquisa exploratória para facilitar o estudo dessa pesquisa. 155) pesquisa qualitativa é a metodologia de pesquisa não-estruturada. dicotômica ou escalonada. permitindo a liberdade para expressar qualquer ponto de vista. baseada em pequenas amostras.

ANEXOS .

APÊNDICES Questionário para o paciente Existe diferença no atendimento publico e privado? ( ) Sim ( ) Não O profissional dar a assistência necessária que você precisa? ( ) Sim ( ) Não O profissional sempre cumpre com a data marcada da consulta? ( ) Sim ( ) Não Há erros no diagnóstico? ( ) Sim ( ) Não As consultas atendem as expectativas esperadas? ( ) Sim ( ) Não O médico atende com simpatia? ( ) Sim ( ) Não O tempo da consulta é necessário para o médico avaliar o paciente? ( ) Sim ( ) Não O ambiente físico é agradável? ( ) Sim ( ) Não A sala do médico oferece boa estrutura para o atendimento? ( ) Sim ( ) Não .

Questionário para o profissional 1 – O espaço físico oferece recursos adequados para um bom atendimento? ( ) Sim ( ) Não Para desempenhar um bom atendimento é necessário a área de recursos humanos? ( ) Sim ( ) Não A demanda de pacientes é maior no setor público do que no privado? ( ) Sim ( ) Não Os pacientes reclamam da demora das consultas? ( ) Sim ( ) Não Você consegue desempenhar o atendimento adequado através dos recursos que são oferecidos pelo setor público? ( ) Sim ( ) Não .

59-67. Psicodegagoga. M. Características clínicas e gravidade de pacientes internados em UTIs públicas e privadas.3 FILHO. Karl. Ed. S. 7. São Paulo: Editora Atlas. LAKATOS. Adm. Iniciativa Privada e Saúde.enferm. Porto Alegre: Bookman. planejamento. 2012. Especialista em Educação e Gestão de Recursos Humanos E Presidente da Central de Voluntários do município de Presidente Prudente. Pesquisa de Marketing: uma orientação aplicada. K. e KOIKE. Administração pública e políticas públicas.45. 22ª Ed. implementação e controle. NOGUEIRA. K. São Paulo. PADILHA. Antonio Cesar Amaru. Revolução nos Serviços. Philip. M. 2000. 1992. Malheiros.S. São Paulo. vol.SP. C. 5. Ed. 2011. Administração de Marketing: analise. Ed.T. 1999 KLOTER. N. Estudos Avançados 13 (35). Atlas. K. MEIRELLES. Texto contexto . pp. SOUSA. HELY LOPES. Introdução a Administrção.1 [citado 2012-04-07]. 1997. MALHOTRA. Direito Administrativo Brasileiro. L. MARCONI. L. [online]. .G. São Paulo: Pioneira. Rev. ALBRECHT.21. Fundamentos de metodologia científica. M. Pública [online]. FARAH. 2010. Marina de Andrade. 3. F.5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Antonia Braz – Pedagoga.P. R. 2001. São Paulo: Atlas 1992. MAXIMIANO. Eva Maria. vol. n. ed. n.

br/cns/REL10/ATRIBUICAO. Disponível em: http://pt. 2010.T.12 OLIVEIRA. Fátima Bayma de. Ministério da Saúde. M.22.datasus. n.9.zaytecbrasil. YÉPEZ. Cad.6 Pesquisa Quantitativa. Disponível em: http://www. Samir Lofti. Rev.1 Rio de Janeiro jan. Liones. N. 2004. Reivindicando a subjetividade dos usuários da Rede Básica de Saúde: para uma humanização do atendimento. O conceito de serviços. saúde (Online) [online]. Liderança no contexto da nova administração pública: uma análise sob a perspectiva de gestores públicos de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Trab./fev. Saúde Pública v. SANT'ANNA. TRAJANO.shvoong.htm. Saúde Pública[online]. M.com/law-and-politics/1659614-conceito-servi%C3%A7op%C3%BAblico/#ixzz1rP4Ll1Vq.php?option=com_content&task=view&id=2&Ite mid=2 Acesso em: 15 de maio de 2012. 2011. Pública [online].20 n. 2011. A. Processo de trabalho no samu e humanização do sus do ponto de vista da atividade humana. vol.OCKE-REIS.br/index. 2006. Disponível em: http://www. vol. Acesso em 03 de março de 2012.A. Carlos Octávio. vol.R. SANTOS. Cad. MORAIS.C e CUNHA. .com.gov. Brasil. D. O público e o privado na saúde. n. educ. Adm.44. Anderson de Souza e VAZ.