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Ortografia e reflexão- construindo e reconstruindo a escrita

RESUMO Tentando promover a valorização e o desenvolvimento da escrita ortográfica por parte dos alunos, o trabalho apresenta propostas voltadas para a análise e reflexão dos erros cometidos pelos mesmos nas produções espontâneas, buscando transformar estes erros em um processo de construção e reconstrução de conhecimentos. Por meio de uma atividade chamada de Pronto Socorro das Palavras, o professor observará e registrará os erros cometidos pelos alunos individualmente, tendo assim possibilidades de reconhecer as reais dificuldades de cada criança. De posse dos registros, das palavras que as crianças erraram nas produções, é que professor conduzirá a aula de ortografia. As aulas deverão ser pautadas de momentos de interação aluno-professor e aluno-aluno, de reflexões quanto a aplicação das regras ortográficas na escrita e de atividades que realmente tenham significado para os alunos.

Palavras-chave- produção espontânea - erro construtivo - reflexão - aquisição da língua escrita – produção de significados

INTRODUÇÃO Observando a crescente dificuldade dos alunos das séries iniciais em relação à língua escrita ortograficamente correta, decidimos pesquisar uma prática pedagógica que realmente ajudasse os alunos a atingirem um nível ortográfico de escrita. Optamos em criar uma linha de trabalho baseada em algumas orientações e princípios citados por Arthur Gomes de Morais, em algumas de suas publicações:  mostrar ao aluno a importância e o que é a ortografia;  conhecer as regularidades e irregularidades da língua escrita para mostrar às crianças o que elas devem compreender e o que devem memorizar;  criar situações de reflexão sobre a ortografia buscando com que o aprendiz “saiba fazer” (a escrita correta da palavra), “saiba o porquê” e “saiba explicar”;  não ficar esperando que os alunos descubram sozinhos a escrita correta das palavras e sim, ajudá-los neste processo;

análise e reflexão. mas desconhece a norma ortográfica. transformá-los em erros construtivos. Partindo de nossas inquietações. -Transformar a discussão a respeito da representação escrita da linguagem uma prática dentro da sala de aula substituindo. .Buscar com que os alunos “saibam fazer” a escrita correta da palavra. sentimos a necessidade de reinventar e inovar a maneira de trabalhar o aprendizado da ortografia. de reestruturação de pensamento e livre de preconceitos. . Morais (2009) afirma que assim que a criança atinge o nível alfabético e consegue escrever seus primeiros textos. assim. . Cabe então.Viabilizar a compreensão e o desenvolvimento da escrita ortográfica tendo como ponto de referência a análise e a reflexão dos erros das crianças. para que saibam o que devem compreender e o que devem memorizar e.Mostrar que a linguagem escrita deve ser bem mais elaborada que a linguagem oral. ajudá-los na tarefa de aprender a escrever dentro das normas. os erros cometidos pelos alunos em suas produções individuais OBJETIVOS Geral.Transformar o erro do aluno num processo construtivo . “saibam o porquê” e também “saibam explicar”.Mostrar aos alunos que as regras ortográficas fazem parte de uma padronização da escrita e que devem ser seguidas por todos. . ela já aprendeu o sistema de escrita alfabética. .Mostrar aos alunos o que é regular e o que é irregular na norma ortográfica. assim. o treino da ortografia pela reflexão. buscando atividades escolares que terão como objeto de estudo.Levar os alunos a conhecerem e valorizarem os usos e funções da escrita na sociedade e na cultura escolar. Específicos . . reduzam os erros nas produções escritas. aos professores. não ignorar os erros das crianças e tratá-los sem preconceitos.

2009) De acordo com Morais (2000). Ele chegou a lamentar o fato de que a escrita é ensinada como um conjunto de habilidades mecânicas e técnicas e não como uma atividade cultural complexa. Constatei que era uma turma heterogênea.1996) afirmava que o ensino da escrita deveria ser organizado de tal forma que ler e escrever se mostrassem necessários para alguma coisa. Pesquisamos vários portadores de textos.T e D. que foram criadas para a padronização da escrita das palavras e que devem ser seguidas por todos. Nesta aula mostrei aos alunos que na língua escrita existem regras ortográficas. Moll (1996) disse que muitas crianças adquirem uma visão limitada e restrita da escrita. pois escrevia errado trocando as letrinhas. ou ainda pelo elemento que a segue.Regularidades ortográficas diretas e contextuais Produção de texto com gêneros variados Língua portuguesa. Luis C.Estudo e interpretação de textos Desenvolvimento Antes de iniciar minha sequência didática realizei algumas atividades visando diagnosticar o perfil da turma. tais como os que compõem os pares mínimos: P e B. Iniciei a aplicação projeto realizando um debate sobre importância da escrita na sociedade em que os alunos deveriam reconhecer o valor da mesma. Durante todo o ano. o professor precisa definir metas ou expectativas para o rendimento ortográfico de seus alunos ao longo da escolaridade. que minha meta seria buscar estratégias que levassem os alunos a avançar seus conhecimentos sobre a língua escrita. que fosse algo relevante para a vida do aprendiz. o assunto foi relembrado. Observei que as crianças ainda cometiam muitos erros com regularidades diretas pois ainda não dominavam as articulações e emissão dos fonemas com sons muito parecidos. principalmente no que diz respeito às regularidades ortográficas: regularidades diretas – um só grafema representa o fonema. Realizamos a leitura do livro “Escrevendo Abobrinhas” que conta a história de uma criança que se metia em confusões. vista como um conjunto de técnicas escolares desligadas de suas necessidades e interesses.CONTEÚDOS CURRICULARES Ortografia. então. com alunos no nível pré-silábico. regularidades contextuais. Trabalhamos também um texto falando sobre os usos e a função social da escrita. Estabeleci. (Artur Gomes de Morais. silábico alfabético e alfabético. . Que ele deveria escrever sempre abobrinhas e não “abobinhas”. reforçando esta valorização. Vygotsky (citado por Moll.a previsibilidade é determinada pela posição da unidade gráfica ou da unidade sonora na sílaba ou na palavra.

o avanço de toda a turma. os alunos realizavam uma produção de texto onde os erros eram observados. identificados e por mim registrados. assim. Depois. É o que busquei em minhas aulas. Após análise e identificação das palavras escritas incorretamente. as mesmas eram marcadas nos textos dos alunos com o símbolo do PSP. trabalhamos várias dificuldades ortográficas atendendo. percebia claramente quais eram as dificuldades de cada aluno podendo. explicar dúvidas sobre a escrita e mostrar o que ela fez e o que precisa corrigir. Não ficamos presos no treino de um só grupo o que pouco favorece as crianças. A questão da importância de escrever de acordo com as regras ortográficas foi relembrada em vários momentos no decorrer do ano.Socorro das Palavras (PSP) . No primeiro momento as crianças identificavam onde estavam os erros e reescreviam as palavras corretamente. No decorrer de uma semana. conduzir o sujeito a buscar comparações que o faça avançar. Palavras socorridas carapato gomeu amdar Problemas encontrados r/ rr g/c m/n Palavras recuperadas carrapato comeu andar Segundo Ferreiro (2001) não devemos nos limitar a explicar a solução correta. O trabalho com o Pronto-Socorro das Palavras partia dos erros cometidos pelos próprios alunos em produções espontâneas de textos variados. Mostrei aos alunos que a escrita correta das palavras é uma exigência da sociedade e que é necessário estarmos atentos e buscarmos. assim. De posse dos registros realizados semanalmente. Em todos os instantes. junto dos alunos. planejar minhas ações de acordo com as necessidades individuais. a compreensão das regras da ortografia. Abandonando as atividades comuns de treino ortográfico e buscando uma maneira de promover uma construção significativa da escrita ortograficamente correta. sobre os erros cometidos. Montamos um álbum que ficou na caixa de leitura da sala de aula. trabalhado da seguinte maneira: Cada criança recebeu seu PSP encadernado e reproduzimos um PSP grande que foi fixado na sala de aula.Levei para a sala de aula fotos de várias placas com erros ortográficos onde as crianças tinham que identificar os erros e fazer as correções necessárias. Por meio das observações e anotações. tão pouco ignorar o erro mas sim. já combinado com a turma. Em uma só aula. conferíamos coletivamente no quadro. analisamos e refletimos sobre a escrita ortograficamente correta. criei o Pronto. as palavras eram anotadas no cartaz do PSP da sala de aula e no PSP individual dos alunos. De acordo com Cagliari (1999). com orientação de professores. as individualidades dos alunos. sobre o que erraram e por que erraram. . o professor precisa ficar atento à produção espontânea da criança e a partir dela.

nessa aula e durante vários momentos de reflexão com as palavras do PSP . Busquei em todos os instantes fazer com que os alunos refletissem sobre os erros que cometeram. comecei a cobrar mais o uso dos sinais de pontuação. fazem parte do processo de construção do conhecimento e que se todos nós já soubéssemos tudo. Em vários momentos utilizei. Confeccionei. Depois de refazer coletivamente as palavras com os erros. com a correção das palavras encaminhadas para o PSP e com o uso de letra maiúscula e minúscula. p. da maneira que falamos. Preocupei-me. o dicionário como ferramenta de consulta da escrita correta de palavras. primeiramente. Não fiquei angustiada querendo corrigir tudo. Em agosto. . que não podemos escrever as palavras reduzidas. que tivesse uma regra. meus alunos realizaram o processo de construção e reconstrução da escrita transformando os erros num processo construtivo. dentro da sala de aula. Piaget afirmava que o conhecimento é um processo de fazer e refazer.” (Holffman 1997. o que permite que a criança entenda que o texto escrito por ela precisa ser compreendido por outras pessoas. a criança revisará a ortografia com mais atenção. sempre. Estas palavras reduzidas também passaram a fazer parte das palavras marcadas para serem encaminhadas ao PSP. Exemplos. Ferreiro (2001) afirma que a questão central da ortografia é fazer com que o professor ensine o aluno a ser revisor do próprio texto. as falhas que cometem. As palavras com irregularidades ortográficas eram marcadas e comentávamos sobre aquelas que eram de uso mais constante. Relembrávamos que deveriam memorizá-las. Fazíamos as produções escritas explorando vários gêneros textuais.“vo.79) Trabalhei a diferença entre a língua falada e a escrita e concluímos que a língua escrita deve ser mais elaborada. seriam aquelas que o uso da letra fosse previsível. Quando trabalhávamos com gêneros desconhecidos. conforme as marcas que eu faria. mas no sentido de construção e compreensão. Assim. pois o texto deixará de ser um texto privado e passará a ser um texto público. mostrando a elas que. Combinamos que as palavras que eu iria marcar em suas produções para serem encaminhadas para o Pronto-Socorro das Palavras. andano. Não um fazer e refazer no sentido da cópia. Trabalhei os erros das crianças sem punição e preconceitos . Queria incentivar esta pratica. “ O erro só é construtivo quando a criança tem que reestruturar seu pensamento. assim.Acredito que. Ressaltei. junto dos alunos. Fizemos a transcrição da fala do personagem Chico Bento para a norma culta. pautas de revisão textual para eles próprios realizarem a correção de suas produções. faze. realizávamos anteriormente algumas atividades de interpretação e de estudo da estrutura deste determinado gênero. as produções eram entregues para que as crianças conferissem se alguma palavra que escreveram foi para o PSP e que fizessem a revisão e correção do texto de acordo com as marcas. não precisaríamos de escola e nem de estudar. correno”.

pelo menos. partiu.” Começamos a colocar no PSP algumas palavras de uso mais frequente e que apresentavam erros de segmentação.de pois Estabelecemos mais uma nova regra para o envio de palavras para o PSP: Tudo que indica algo que foi feito. etc.pufavor. correu. seja por hipo ou hipersegmentação. uma ação realizada. no final da aula.  Trabalhamos também algumas atividades com dicas fonológicas quanto a transcrição fonemas/grafemas. visando um melhor desenvolvimento dos alunos com necessidades especiais e também de toda a turma.  Bingo de sílabas. Os kits foram trabalhados durante o ano todo. As crianças podiam levar os kits para casa para brincarem. Comecei então a trabalhar. que eram compostos com caça-palavras. de consciência de sílabas.  Fazíamos a revisão coletiva de frases e textos que eles escreviam. com alguns jogos sugeridos no livro:  Jogos de escuta.  Trabalhamos as palavras do PSP. ficávamos em círculo com um rolo de . com atividades de relacionar palavras com a mesma regra ortográfica. com os mesmos erros cometidos. Em princípio. As produções e as palavras escritas no PSP eram a matéria-prima das aulas de ortografia que também aconteciam. de rima. cruzadinhas e outras atividades que envolviam os grupos com as regularidades ortográficas já citadas. adaptei uma sugestão do livro e acabei criando uma das melhores intervenções que realizei utilizando as palavras do PSP.com migo. Na brincadeira. No decorrer do projeto. falou.de baixo.derrepente.hipossegmentação. no caderno de ortografia.Sempre pedia para que os alunos lessem o que escreveram e explicassem porque escreveram daquela maneira. Elaborava minhas aulas e minhas intervenções baseada nas dificuldades da turma e utilizando as palavras do PSP. Exemplos. Procurava encaminhar o kit para grupos de alunos que estivem necessitando trabalhar com a dificuldade apresentada em cada um deles. realizei a leitura do livro: Consciência Fonológica em Crianças Pequenas. Em agosto. Jogo: Soletrando e construindo a teia da aranha.  Os alunos identificavam palavras com erros em frases. Por exemplo: “João” e “Pedro” estavam trocando o F com V. e não com lExemplos: andou. Arthur Gomes de Morais diz: “Quem não cria oportunidades de reflexão sobre as dificuldades ortográficas do idioma não pode nunca exigir que o aluno escreva certo. de fonemas.encima hipersegmentação. tem a terminação com u. trabalhei das seguintes formas:  Confeccionei algumas caixas denominadas “Kits de Emergência”. então eles iriam brincar com o kit do F/V. uma vez na semana.  Explorávamos sílabas em diversas posições nas palavras.

Todas as crianças progrediram do ponto em que estavam no início do ano. no decorrer do projeto. a dinâmica das interações constituem a base para a elaboração das significações na produção do conhecimento. busquei nesta atividade mostrar também a via do certo ao errado. segundo James Wertsch (citado por Nunes 2002). como estratégia de construção. acontecia a interanimação de diferentes vozes. Se alguém não conseguisse soletrar a palavra. tinha que soletrar uma palavra do PSP. Foi muito bom ver. Os alunos compreenderam sobre as regras da ortografia. Realizamos a brincadeira. Exemplo: colocar ss na palavra mesa. O meu papel junto deles era de mediadora da relação ensinoaprendizagem onde . E chegamos ao final de um ano de muitas descobertas e crescimento dos alunos e da professora. até o final do ano.morto. tínhamos que desfazer a teia. pois todos participavam com igualdade. Durante a brincadeira as crianças refletiam antes de soletrarem as palavras e realizavam o processo de construção mental e de abstração.barbante e íamos jogando uns para os outros construindo assim uma teia. pela primeira vez em 16 anos de trabalho. substituindo os termos por: em cima. As nossas aulas foram sempre pautadas por momentos de verdadeira interação em que estabelecíamos uma relação dialógica. Elas colocavam em prática tudo que comentávamos nas atividades com o PSP. as dicas que dávamos quanto à articulação e emissão de determinados fonemas. Umas mais e outras menos. Segundo Socorro Nunes (2002). de acordo com as dificuldades que apresentavam. . que era por mim escolhida. brincávamos um pouco com o esquema corporal onde ficávamos de pé com a teia e trabalhávamos no esquema vivo. Depois que construíamos a teia. as crianças interagindo com os outros colegas e comigo em busca do conhecimento. o que nunca aconteceu. Buscando não trabalhar apenas a via do errado ao certo. As crianças se esforçavam ao máximo e promovemos efetivamente a inclusão. sabiam que deviam seguilas e buscavam colocar em prática as reflexões que fazíamos nas aulas com o PSP quanto ao uso destas regras. Por várias vezes observamos alguns alunos utilizando. comentando com os alunos o que aconteceria com as palavras se eu fizesse algumas trocas. que considerei muito importante para a evolução das crianças. Avaliação Afirmo seguramente que. pois a turma era heterogênea e as crianças possuíam suas particularidades. uma vez por semana. minha turma evoluiu consideravelmente na escrita ortográfica. Quem recebia o barbante. As crianças nunca se cansaram. embaixo e no meio.

Eles se encontram em processo de construção e tenho plena convicção de que se continuarem estimulados a refletirem. era um processo natural. com o objetivo de observar se eles tinham conhecimentos das regras que estavam violando fazendo. assim. a turma conseguia identificá-los e corrigi-los rapidamente. o que mostrou que tinham consciência do que estavam errando. em que apresentamos palavras reais e inventadas. Muitas usavam como estratégias as dicas que dávamos sobre a emissão dos fonemas nas aulas de ortografia.O erros foram trabalhados sem preconceitos e as crianças compreenderam que faziam parte de um processo de construção sendo. discutidos e transformados em processo de construção e reconstrução de conhecimentos. por acaso não tínhamos aula. aproveitados. Conseguimos transformar a aula de ortografia em uma aula agradável e que as crianças gostavam. nossas aulas eram dadas na segunda-feira e se. Em nossa rotina semanal. o índice das crianças que compreenderam as regras e conseguiram usá-las corretamente na escrita foi o seguinte: Compreensão das regras quanto ao uso do R Compreensão das regras quanto ao uso do S De 32% para 72% De 24% para 64% As crianças passaram a refletir na hora da escrita. em breve atingirão o nível alfabético ortográfico. No início do ano. eram os que estavam ligados à correspondência letra-som e de uso da letra maiúscula. tinha que transferi-la para outro dia da semana. mesmo os com mais dificuldades. assim. a transgressão. não dominando assim o uso do R e do S entre vogais. Os alunos. passaram a construir textos maiores e bem elaborados. constatei que muitas crianças escreviam pasado e carapato. Em nenhum instante as crianças se sentiam desconfortáveis em escrever por medo de errarem e terem a palavra encaminha ao PSP. O desempenho dos 25 alunos avaliados foi o seguinte: Número de alunos que realizaram as transgressões com conhecimento de regras Número de alunos que realizaram as transgressões com conhecimento parcial de regras 1 Número de alunos que realizaram as transgressões aleatoriamente 21 3 . em muitos casos sabiam identificar o que erraram e dizer o porquê do erro. Em um ditado realizado em fevereiro e outro em novembro. pedi aos alunos que reescrevessem frases com erros propositais. Percebi que. Percebi que os subdomínios que associaram como erros. Crianças que no início do ano escreviam apenas algumas linhas. Seguindo uma proposta sugerida por Morais (2009). mesmo cometendo erros na hora da escrita. Os erros com as regularidades ortográficas reduziram muito. baseado nos estudos de Morais (2007).

Realizei um pré-teste mais complexo. Espero que os bons resultados promovam mudanças positivas em todas as turmas da escola. que me abriu novos caminhos e me mostrou uma nova concepção do ensino da ortografia. o que me frustrava muito. Tentava ajudá-los. Durante todo o ano. vejo as dificuldades de cada um e consigo trabalhá-las nas aulas de ortografia por meio das reflexões com as palavras do Pronto-Socorro. muitas vezes não são compartilhadas por todas as professoras. outra em julho e uma em dezembro.A evolução da produção escrita das crianças foi registrada com uma avaliação no início do ano. a equipe pedagógica optou em estudar algumas referências citadas no projeto. o que pouco ajudava. o mesmo aplicado no final de 2010. Neste ano de 2010 senti-me realizada. Número de alunos que realizaram as transgressões com conhecimento de regras Número de alunos que realizaram as transgressões com conhecimento parcial de regras Número de alunos que realizaram as transgressões aleatoriamente . No ano de 2011 vãopromover vários grupos de estudo entre os professores em busca de mudanças na maneira de trabalhar a ortografia. Hoje consigo enxergar os alunos de maneira individualizada. O gráfico em anexo representa esta evolução. Lendo. tenho como aliado um outro projeto que foi desenvolvido. Por envolver uma série de ideias e concepções que. Além dos benefícios citados. O resultado foi o seguinte. partindo das sugestões de Morais. com ditados de palavras reais e inventadas e com exercício de transgressão para observar o conhecimento de regras ortográficas. Paralelo a este trabalho. dando treinos de grupos ortográficos iguais para a turma toda. voltado ao incentivo à leitura pois acredito que se a criança tem contato com textos escritos que seguem a norma. a leitura ajuda a criança a desenvolver várias outras capacidades as quais não me prenderei no momento. Enxergava a minha turma como um todo e me sentia impotente diante de tantas dificuldades e particularidades. Neste ano de 2011 estou tentando acompanhar mais de perto o momento em que os alunos estão fazendo a revisão e as correções de seus textos de acordo com as pautas. ela se apropriará mais facilmente da escrita. a criança estará adquirindo conhecimentos e modelos para suas produções espontâneas. nunca obtive resultados satisfatórios quanto ao desenvolvimento da escrita ortográfica. pois acredito que encontrei o caminho certo para o ensino da língua escrita. Auto Avaliação e ações iniciadas em 2011 Durante todos os anos que trabalhei no Ensino Fundamental. realizei um processo de auto-formação.

Monitoramento e Avaliação da Alfabetização (Coleção Instrumentos da Alfabetização. Criei um espaço dentro da sala de aula para colocar algumas palavras com irregularidades ortográficas retiradas das produções espontâneas da turma e que são de uso frequente. 2003 BATISTA. BATISTA.Belo Horizonte: Ceale/ FaE/ UFMG.1) . Antônio Augusto Gomes. Adap.5) . Antônio Augusto Gomes at al. buscarei melhorá-lo. Rio de Janeiro: Zahar. Consciência Fonológica em Crianças Pequenas. Revista Nova Escola. Antônio Augusto Gomes at al. A cada ano que o projeto for realizado. Regina R. ARAÚJO. em benefício dos alunos. 2005. BATISTA. Antônio Augusto Gomes at al. . Marilyn Jager at al.Belo Horizonte: Ceale/ FaE/ UFMG. 2005. PIAGET. Paulo. Capacidades da Alfabetização (Coleção Instrumentos da Alfabetização. Costa. Adriana C. BATISTA. 1976.Belo Horizonte: Ceale/ FaE/ UFMG. Planejamento da Alfabetização (Coleção Instrumentos da Alfabetização. Lampreght.3). Organização da Alfabetização no Ensino Fundamental de 9 anos (Coleção Instrumentos da Alfabetização. 2005. 2005. Avaliação Diagnóstica da Alfabetização (Coleção Instrumentos da Alfabetização. Janeiro.Belo Horizonte: Ceale/ FaE/ UFMG. Antônio Augusto Gomes at al.0 2 16 No final de 2011 vou realizar o pós-teste. A Equilibração das estruturas cognitivas: problema central do desenvolvimento. 2005.2). BATISTA. Referências Bibliográficas: ADAMS.Belo Horizonte: Ceale/ FaE/ UFMG.4). propondo aos alunos que as memorizem. É hora de escrever certo. Jean.

Ortografia: objeto de aprendizagem baseada na reflexão. Beatriz. Porto Alegre: Artes Médicas. Ortografia: ensinar e aprender. Jussara Maria Lerch. 2010. Segmento. Trad. 2009 MORAIS. FERREIRO. São Paulo: Scipione. Artur Gomes de. 1985 FERREIRO.(org). 1985. 1993 MOLL. Belo Horizonte: Formato Editorial. Belo Horizonte: Autêntica. Artur Gomes de. O aprendizado da ortografia. Avaliação Mediadora: uma prática em construção da pré-escola até á universidade: Porto Alegre: Educação e Realidade.São Paulo: Editora Ática. MORAIS. São Paulo: Cortez. Trajetória Cultural. Socorro. NUNES. Vygostsky e a educação: implicações pedagógicas da psicologia sócio histórica. Luiz Carlos. 1997 CARDOSO. Revista Educação. Artur Gomes de. Ana. Porto Alegre: Artes Médicas. HOFFMAN. Reflexões sobre alfabetização. TEBEROSKY. Emília. 1996. Ana. Por Fani A Tesseler.Guia da Alfabetização. 2000 MORAIS. Reflexões sobre o ensino da leitura e da escrita. Emília.CAGLIARI. 1990. Luis C. Ensino da ortografia: uma prática interativa na sala de aula. Alfabetização e Lingüística. TEBEROSKY. Psicogênese da língua escrita. .

4=70/79%. 5=+ de 80% 2010 Avaliação feita em fevereiro Avaliação feita em junho Avaliação feita em dezembro . 3=60/69%.Evolução na produção escrita 12 10 8 6 4 2 0 1 2 3 4 5 1=-50%. 2=50/59%.