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1. Referencial Teórico 1.1 Pressão sanguínea A pressão sanguínea é a pressão exercida pelo sangue contra as paredes dos vasos.

O nome aplica-se à pressão arterial, capilar, e venosa (JACOB et al., 1984). 1.2 Pressão arterial A pressão arterial (PA) é a força exercida pelo sangue sobre as paredes dos vasos1. A pressão arterial, tradicionalmente referida em milímetros de mercúrio (mmHg), é um parâmetro fisiológico indispensável na investigação diagnóstica, e o registro dos níveis pressóricos faz parte obrigatória do exame clínico (ASSIS et al., 2003). A preocupação médica com o pulso perde-se no tempo. Coube a dois médicos de Alexandria, que tiveram forte influência da medicina grega de Hipócrates (460 a.C.), a descrição do pulso arterial. Herófilo (300 a.C.) descreveu com exatidão as pulsações, correlacionou a sístole e a diástole com sons musicais, e considerou ser o pulso um fenômeno que ocorre dentro dos vasos. Seu contemporâneo, Erasistrato (310 a.C.) considerou que o coração dá origem ao espírito vital que é levado pelas artérias a todas as partes do corpo. Apesar do interesse pelo vascular ser muito antigo, a medida da pressão arterial só foi conseguida no ano de 1733 em Middlessex, na Inglaterra, por Stephen Hales. Hales realizou a medida da pressão em uma égua, inserindo uma cânula conectada a um tubo de vidro na artéria crural, observando que o sangue elevou-se a 2,5m no tubo. O método utilizado foi a medida direta, intraarterial da pressão, que é até hoje o padrão ouro neste procedimento, apesar dos inconvenientes para executá-lo. As pesquisas para medir a PA, de uma maneira não invasiva, evoluíam rapidamente. Em 1855, Karl Vierodt (18141884) postulou que, para se medir a PA, de forma indireta e não invasiva, era necessário que a pulsação cessasse. Em dezembro de 1896, Riva-Rocci (1863-1937) apresentou seu modelo de esfigmomanômetro, que se assemelha ao equipamento que usamos atualmente. Nesta época, utilizava-se somente o método palpatório, que permite obter apenas a pressão sistólica (PS). Então definida a medição da PS, as pesquisas clínicas concentraram-se na medida da pressão diastólica (PD). A detecção definitiva da PD foi feita por Nicolai 1

da resistência periférica e da duração da diástole. Reconheceu as várias fases que levam o seu nome. e é determinada fundamentalmente pelo volume sistólico do ventrículo esquerdo. 1984). 1. Os dois últimos fatores são os que influenciam de forma mais significativa: as variações da resistência periférica se acompanham de reações paralelas da pressão arterial diastólica. Esta queda da pressão arterial depende da pressão alcançada durante a sístole.. 1984). 2003). 1984). as modificações do intervalo diastólico provocam alterações inversas na pressão diastólica.5 Pressão arterial diferencial ou pressão de pulso Denomina-se assim a diferença entre a pressão sistólica ou máxima e a sistólica ou mínima.4 Pressão arterial diastólica ou mínima Deve-se ao esvaziamento do conteúdo da árvore arterial para a rede capilar durante a diástole ventricular (HOUSSAY et al. já que favorecem ou dificultam. portanto pelos mesmos fatores que aumentam ou diminuem estas pressões (HOUSSAY et al. abaixo do manguito do esfigmomanômetro. o prolongamento daquele produz uma diminuição da tensão. 1984). sua descoberta do método auscultatório do pulso. por outro lado.. pela velocidade de ejeção e pelo grau de distensibilidade das paredes aórticas (HOUSSAY et al. Korotkoff apresentou. Ele teve a idéia de colocar o estetoscópio na fossa antecubital. o fenômeno oposto (HOUSSAY et al. 1. A partir daí tornou-se possível a determinação das pressões sistólica e diastólica. (ASSIS et al.Segeivich Korotkoff (1874-1920).. em 1904. com o que pôde perceber o aparecimento de sons à medida que desinflava o manguito.3 Pressão arterial sistólica ou máxima É a que se desenvolve durante a ejeção do sangue. e seu encurtamento. 1. o escape do sangue para o território capilar.. 2 . segundo o sentido no qual se realizem.. As variações de pressão de pulso estão determinadas.

6 Pressão arterial média A pressão oscila entre valores máximos e mínimos durante todo ciclo cardíaco. 1984).1. ou seja: (HOUSSAY et al. Quando o esfigmomanômetro é esvaziado. o sangue passa com cada sístole.Mn 3 1.. nestes casos. e.. tornando o sangue capaz de pasar tanto durante a sístole como a diástole (GOLDBERG et al. certamente nenhum som é ouvido. 1984). é determinada por integração eletrônica (HOUSSAY et al.. O ponto de desaparecimento dos sons é a pressão diastólica. A pressão média também pode ser calculada aproximadamente somando-se à pressão diastólica ou mínima (Mn) um terço da pressão diferencial ou pressão de pulso (Mx – Mn). Pode-se defini-la como o valor médio dos infinitos valores que a pressão vai adquirindo no infinito número de instantes que compõem o intervalo considerado. Esta flutuação de fluxo sanguíneo gera os sons de Korotkoff. pois o sangue poderá passar pela artéria braquial. Habitualmente é obtida nos traçados de pressão registrados mediante punção ou cateterismo arterial. 3 . a pressão média representa o valor constante capaz de assegurar o mesmo rendimento da pressão flutuante. ouvidos durante o registro da pressão arterial. mas a artéria colapsa novamente durante a diástole. a pressão onde o primeiro som de Korotkoff aparece é a pressão sistólica. o ponto no qual a pressão diastólica se iguala à pressão do esfigmomanômetro. a pressão sanguínea é medida pela insuflação do esfigmomanômetro em torno do braço com um estetoscópio sobre a artéria braquial na fossa braquial. Pressão Média = Mn + Mx . Quando o esfigmomanômetro é insuflado acima da pressão sistólica. Quando o esfigmomanômetro é lentamente esvaziado para pouco abaixo da pressão sistólica.7 Determinação da pressão arterial Usualmente. 1997). através de um transdutor apropriado.

Os três mecanismos que apresentam respostas em segundos incluem o mecanismo de feedback dos baroceptores. eles são divididos em: 1. 1997).1.8.8 Regulação da pressão arterial Diversos sistemas contribuem para a regulação arterial. a fim de impedir o fluxo de sangue para fora das arteríolas. causar aumento da freqüência e aumento da contratilidade cardíaca e proporcionar maiôs capacidade de bombeamento pelo coração.. e produzir constrição das arteríolas.. Esses mecanismos não apenas começam a reagir dentro de poucos segundos. 1997).1 Mecanismos de controle da pressão de ação rápida atuando em segundos ou minutos Os mecanismos de ação rápida para o controle da pressão consistem quase totalmente em reflexos nervosos agudos ou outras respostas nervosas. elevando novamente a pressão arterial a te uma faixa de sobrevivência (GUYTON et al. Todos esses efeitos ocorrem quase instantaneamente. o mecanismo isoquêmico do sistema nervoso central e o mecanismo quimiorreceptor. Quando a pressão aumenta subitamente até um nível demasiado elevado esses mesmos mecanismos atuam em direção inversa. Após qualquer queda aguda da pressão os mecanismos nervosos unem-se para produzir constrição das veias e proporcionar a transferência de sangue para o coração. 4 . fazendo a pressão retornar à sua faixa normal (GUYTON et al. como também são muito poderosos.

1. 1. sendo influenciado pelos aumentos da freqüência cardíaca.8. O mecanismo de controle da pressão pelo rim-volume sanguíneo demonstra que são necessárias algumas horas para que exiba uma resposta significativa. atreves das paredes capilares. e não apenas parcialmente ao nível de pressão que irá proporcionar a excreção normal de sal e água pelos rins (GUYTON et al.2 Mecanismos de controle da pressão que atuam dentro de um período de tempo indeterminado Vários mecanismos de controle de pressão só exibem resposta significativa depois de alguns minutos após a ocorrência da alteração aguda da pressão arterial. através do consumo de oxigênio do miocárdio estimado pelo duplo-produto (pressão arterial sistólica multiplicada pela freqüência cardíaca) (POLITO et al..A elevação aguda da pressão arterial perante o exercício é regulado pelo sistema nervoso simpático.. 1. o relaxamento por estresse da vasculatura e o desvio de líquido para fora da circulação.9 Níveis pressórios Os valores para a classificação da pressão. para ajustar o volume sanguíneo de acordo com as necessidades (GUYTON et al.. volume sanguíneo.8. 2003). 1997). Esse mecanismo faz com que a pressão retorne integralmente. Classificação da pressão arterial (≥ 18 anos) Classificação Pressão Sistólica (mmHg) < 120 < 130 130-139 Pressão Diastólica (mmHg) < 80 < 85 85-90 Ótima Normal Limítrofe 5 . 1997). normal ou baixa estão expressos na tabela abaixo: Tabela 1. são eles: o mecanismo vasoconstritor da renina-angiotensina. como alta. volume de ejeção e aumento da resistência periférica.3 Mecanismos de regulação da pressão arterial a longo prazo Os rins fazem o controle da pressão arterial a longo prazo . A importância da medida da pressão arterial reside no fato de averiguar o relativo estresse cardiovascular.

café. não ingeriu bebidas alcoólicas. -Hipertensão limiar é definida como a pressão arterial entre 140/90 e 160/95 (JACOB et al. 2002. 2. Objetivo Aprender a medir a pressão arterial e verificar a medida da mesma em alunos voluntários. Realizou-se a medida da pressão pelo método auscultatório: Preparou-se o material separando o estetoscópio e esfigmomanômetro. 1984). não praticou exercícios físicos há 60-90 minutos..Hipertensão 140-159 Estágio 1 (leve) Estágio 2 (moderada) 160-179 ≥ 180 Estágio 3 (grave) ≥ 140 Sistólica Isolada Fonte: IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. A hipertensão pode ser: (JACOB et al.. -Hipertensão primária ou essencial é causada por fatores hereditários e geralmente suas causas são desconhecidas (JACOB et al. Material e Métodos . Certificou-se de que o paciente não estava com a bexiga cheia. chá.10 Hipertensão A pressão arterial acima de 140/90 é geralmente considerada anormal e está associada com grande incidência de apoplexia. entre as causas estão doenças renais e o estreitamento das artérias renais (JACOB et al. 1984)... -Esfigmomanômetro. 90-99 100-109 ≥ 110 < 90 1. -Hipertensão secundária está associada a órgãos específicos.Estetoscópio. 1984). 3. Verificou-se se o manguito estava desinsuflado antes de ser ajustado ao membro do paciente. -Hipertensão definida é referida como a pressão arterial acima de 160/95 (JACOB et al. chimarrão ou fumou até 30 minutos antes e não estava de 6 . 1984).. doenças cardíacas e insuficiência renal. 1984).

Medida da pressão arterial de alunos voluntários.5/70 100/70 110/70 5. Registrou-se os valores das pressões sistólica e diastólica. Determinou-se a pressão diastólica no desaparecimento do som. Escolheu-se o membro a ser aferido e colocou-se o manguito cerca de 2 a 3 cm acima da fossa antecubital. inflando rapidamente a bolsa até 70 mmHg e gradualmente aumente a pressão aplicada até que perceba o desaparecimento do pulso. anotou-se valores de sistólica/diastólica/zero.pernas cruzadas. deixou-o descansar por 5 a 10 minutos. com a palma da mão voltada para cima. Voluntários Aluno 1 Aluno 2 Aluno 3 Aluno 4 Aluno 5 Aluno 6 Pressão (mmHg) 100/60 90/70 100. 7 . com a mão dominante fechou-se a saída de ar. Discussão Como foi visto anteriormente. 4. Manteve-se o braço do paciente na altura do coração. determinar a pressão diastólica no abafamento dos sons. Informou-se o paciente sobre os valores obtidos e a possível necessidade de acompanhamento. complementando com a posição do paciente e o braço em que foi feita a medida.5/70 100. Explicou-se o procedimento ao paciente. observou-se no manômetro o ponto correspondente ao aparecimento do primeiro som. inflando 10 mmHg acima deste nível. Resultados Tabela 2. Inflou-se novamente o manguito. A pressão é diastólica ou mínima e sistólica ou máxima. Quando os batimentos persistirem até o nível zero. Para identificar a pressão sistólica. Com a mão "não dominante" palpou-se a artéria radial e simultaneamente. Esperou-se 1 a 2 minutos antes de iniciar nova medida. identificando pelo método palpatório a pressão arterial sistólica. Desinsuflouse o manguito lentamente. a pressão arterial é expressa pela força que o sangue exerce nas paredes das artérias.

Sabe-se que os níveis de pressão arterial ótima são menores que 120/80 mmHg.. então pessoas que estiverem com a pressão acima deste valor podem ser consideradas hipertensas. ROSAT. o método auscultatório. esse é considerado o caso gravíssimo da hipertensão. Com base nestes dados. conforme descrito na literatura. 1997. Renata. Lino Pinto de (Trad.). A pressão limítrofe é dada como 140/90. ou seja. Descomplicando. BITTENCOURT JUNIOR. Porto Alegre: Artes Médicas. A pressão considerada como normal estão abaixo de 130/85 mmHg. 8 . é eficiente para a verificação da pressão arterial. fisiologia. pois todos estão abaixo de 130/85 mmHg. Referências Bibliográficas GOLDBERG. abaixo de 120/80 mmHg e também normais. o estágio 2 corresponde a 160-179 de sistólica e 100-109 de pressão diastólica e o estágio 3 corresponde à níveis iguais ou superiores a 180 mmHg como pressão sistólica e igual ou acima de 110 mmHg como pressão diastólica. OLIVEIRA JUNIOR. 7. Paulo Ivo Homem de. Stephen. concluiu-se que o método para a medida da pressão realizado em aula.. Existe também a pressão sistólica isolada que corresponde a níveis pressórios sistólicos maiores ou iguais a 140 mmHg e diastólicos menores que 90. todos os alunos que realizaram a medida da pressão arterial têm níveis pressórios ótimos. ou seja. desde que seja realizado corretamente. Conclusão Por fim. 6. A hipertensão tem 3 estágios: estágio 1 corresponde a 140-159 de pressão sistólica e 90-99 de diastólica.

FRANCONE. Medida 002. 9. FOGLIA. Arthur C. 1997. Stanley W. 5. Anatomia e fisiologia humana. OLIVEIRA. Marcelle Morgana Vieira de.scielo. indireta da em pressão arterial: conhecimento teórico dos fisioterapeutas. ed. LEÃO. HALL. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Paulo de Tarso V. Júlia Barreto Bastos de. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Rio de Janeiro: Interamericana.GUYTON. RODRIGUES. <http://www. HOUSSAY. Niterói: Janeiro/Fevereiro 2003. ed. Virgilio G. 1984. LOSSOW. Disponível vol. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 9 no.br/scielo.br/hp/revista_saude/v16/artigo3.unifor. Revista Brasileira em Promoção da Saúde. Fisiologia humana. Walter J. Considerações sobre a medida da pressão arterial em exercícios contra-resistência. Clarice Ashworth. Bernardo A.). Marcos D. POLITO. 9 . 2003 vol.pdf Acessado em 30 de maio de 2010. José Antunes. 16 no. 1984.php?pid=S151786922003000100005&script=sci_arttext&tlng=es> Acessado em 28 de maio de 2010. Adelmo Carneiro (Trad. em 1. John E. 5. ASSIS. Tratado de fisiologia médica. ed. JACOB. Disponível http://www. FARINATTI.