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Universidade Federal de Santa Catarina Curso de Graduação em Engenharia Sanitária e Ambiental

PROPOSTA DE UM PROJETO PARA O APROVEITAMENTO DE ÁGUAS PLUVIAIS NA INDÚSTRIA

Elson Evaristo de Souza

FLORIANÓPOLIS, (SC) JULHO/2005

Universidade Federal de Santa Catarina Curso de Graduação em Engenharia Sanitária e Ambiental

PROPOSTA DE UM PROJETO PARA O APROVEITAMENTO DE ÁGUAS PLUVIAIS NA INDÚSTRIA

Elson Evaristo de Souza

Trabalho apresentado à Universidade Federal de Santa Catarina para Conclusão do Curso de Graduação em Engenharia Sanitária e Ambiental

Orientador Prof. Dr. César Augusto Pompêo

FLORIANÓPOLIS, (SC) JULHO/2005

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Masato Kobiyama (Membro da Banca) FLORIANÓPOLIS. Dr. Dr. Henrique de Melo Lisboa (Membro da Banca) ___________________________ Prof. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO TECNOLÓGICO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL PROPOSTA DE UM PROJETO PARA O APROVEITAMENTO DE ÁGUAS PLUVIAIS NA INDÚSTRIA ELSON EVARISTO DE SOUZA Trabalho submetido à Banca Examinadora como parte dos requisitos para Conclusão do Curso de Graduação em Engenharia Sanitária e Ambiental–TCC II BANCA EXAMINADORA: ___________________________ Prof. (SC) JULHO/2005 . César Augusto Pompêo (Orientador) ___________________________ Prof.

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A. pela compreensão e pela ajuda prestada no momento propicio. o Antônio Carlos (Carlos). um agradecimento especial para a Grasiela (Grasi) não só pelas caronas de todos os dias. por ter me esforçado. principalmente aos operadores da ETE. Felipe e Bruna.AGRADECIMENTOS Gostaria de prestar um agradecimento todo especial aos meus pais. e a cidade de Joinville que me receberam de portas abertas. Agradeço também a todos os professores que de alguma forma deram o suporte necessário para a elaboração deste trabalho. Agradeço a todos os meus amigos pelos momentos de descontração e lazer. Para finalizar agradeço a mim mesmo por não ter desanimado. Agradeço aos meus irmãos. por terem me proporcionado à vida. Agradeço a Schirlene por ter me contratado como estagiário. por terem me dado todo o suporte necessário para que eu chegasse até aqui. que me ajudou em momentos de dificuldade não só na elaboração deste trabalho. por ter pensado duas vezes antes de tomar certas decisões. por ter chego até aqui. pela ajuda na coleta de informações. mas também antes dele. Pela realização deste trabalho quero agradecer a empresa Schulz S. especialmente ao Professor César Augusto Pompêo que me orientou. o Fabio e o Marco Antônio (Marcos) pela amizade e companheirismo. Evaristo e Doraci. enfim quero agradecer a todos os colaborados da empresa que de alguma forma contribuíram para a realização deste projeto e para meu crescimento profissional e pessoal. obrigado pelo apoio. . as minhas cunhadas Andréia e Karen. ao meu cunhado Sandro e a essas crianças maravilhosas que são meus sobrinhos Eduardo. pelas conversas e momentos de descontração. me dedicado. Edson. Vanessa. enfim agradeço a toda minha família em geral por ter acreditado em meu potencial. Eliana e Emerson. pelo incentivo e pela amizade. mas também pelas informações prestadas. ao pessoal do setor de qualidade e meio ambiente.

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assim como contempla a elaboração de uma proposta de projeto para o uso da água da chuva como manancial de abastecimento podendo assim após um tratamento prévio ser utilizada para fins potáveis. determinação da qualidade da água da chuva. Proposta esta que contempla desde as fases iniciais de análise de dados pluviométricos. O estudo foi realizado na cidade de Joinville-SC. the same way as it shows the preparation of a project for the use of the water of the rain as fountain of provide it can so after a treatment to be used to potable ends. que possui um dos mais altos índices pluviométricos do Brasil. until the elaboration of the project with dimention of new pluvial places. sendo o projeto proposto para uma indústria do setor metal-mecânico sediada na cidade. até a elaboração do projeto propriamente dito com dimensionamento de novas galerias pluviais. The study was realized in Joinville – SC. uso para fins potáveis. comprovando a viabilidade econômica do projeto. indústria. industry. levantamento das características da empresa em termos de áreas de coleta. locais para armazenamento da água e realização da desinfecção.RESUMO No intuito de popularizar e incentivar cada vez mais o aproveitamento das águas pluviais realizou-se este trabalho que apresenta toda uma teoria voltada para o assunto. Para finalizar realizou-se uma breve análise de custos. qualidade da água da chuva. Quality of rain water. filtros. it was realized a project that shows every theory about the subject. filters. that has one of the most higher pluviometer index of Brazil the project was proposed to a industry of the sector mechanic metal in the city of Joinville that show since the beginning levels of the analyzed of data pluviometer. it use to the potables. determination of the quality of the water of the rain lifting the caracteristic of the company in terms of the area of the collection to use the water between others. PALAVRAS-CHAVE: Aproveitamento de água da chuva. sustentabilidade. sustain. . consumo de água entre outras. places to store the water and realization of the disinfection to end it was realized if it was viable to develop the project. KEYS WORD: utilization of rain. ABSTRACT With the intention to popularize and estimulate more the good use of the pluvial water.

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................2 ABASTECIMENTO DE ÁGUA E ESGOTO .............................................................3..1..........................6..............................1.........4......................................................2 Intensidade da chuva (I) ...................................1 Legislações Municipais..............................2..............................................6............................2........ 10 2. 16 2..................................................................................2 Captação através da parede...........1 Coeficiente de deflúvio (C) ....6.5 Santo André ..........1 Captação através de um toldo ...........1................................ 7 2..............................................3 Captação convencional através do telhado ...................................................................................... 8 2.......1 Estado de São Paulo................6 NORMALIZAÇÃO ............................. 6 2.......................3.SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO....... 30 4..........................1..........2 Armazenamento ..1 ABNT.4 Guarulhos -SP .................................3 Aproveitamento e uso da água da chuva .....................................................................2 Rio de Janeiro .............1 Formas de se armazenar água da chuva.............3.........................................1 Alemanha ..............................................2 A ÁGUA DA CHUVA ........................... 23 2...1 Aproveitamento da água da chuva na indústria ....................... 22 2........................................................1 Abastecimento de água ...........................................................................1 A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA ..................... 24 2........ 26 2..........................4............................................2 Coleta de Esgoto......... 27 2.................3. 13 2.......... 3 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................... 31 4...1......... 30 4..............6..................... 32 ...................... 29 2......................... 25 2...........2...................................6............................................... ARMAZENAMENTO E APROVEITAMENTO DA ÁGUA DA CHUVA................1.................3..................... 23 2.1 São Paulo ..........3..............................................1 Captação......................6.........5 ESTIMATIVA DE VAZÕES MÁXIMAS: MÉTODO RACIONAL .................2 Legislações Estaduais.......................6................ 27 2....................................................................................6..........................................................1......... 31 4........................... 27 2......................................2 Estado do Mato Grosso.........1 BREVE CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE JOINVILLE ..........4..... 20 2...................... 29 2.....5........6......................................2.........6........ 4 2..........................6.................................................................................................................... 17 2.......................1 Determinação da área de coleta............... 4 2.4 Legislações Estrangeiras................................1....................................... 25 2.... 29 3 METODOLOGIA.............3 Curitiba .................... 29 4 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO................... 27 2.............................................3........... 28 2..3..............3 Legislações Federais ..........................................................................6......................................6............................2..........................................................1...............3 CAPTAÇÃO.....1 Determinação do volume do reservatório .................... 28 2................... 19 2................................. 20 2...........3................................................................4 TEORIA PARA O DIMENSIONAMENTO DE UM SISTEMA DE APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA ...... 8 2................4 Sistema comercial para aproveitamento de águas pluviais ..............................3. 5 2........ 25 2............................. 29 2....5.......................6 Outras Cidades que pretendem criar suas legislações .............3...6....... 5 2............................................. 5 2.......

........................................ 32 4.................. 52 11........................... ................3.... 55 12 BREVE ANÁLISE DE CUSTOS ...2 4...................................... 61 .......... 47 11..................................................................1 GALERIAS ........................................................................................................................................................................................................ 40 8 DETERMINAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA DA CHUVA ....................................................................................................2 Setor Usinagem Automotiva ............3 BREVE CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA SCHULZ S........A.......................................................... 33 4..................................... 58 ANEXOS.................................................3 LAGOA DE RESERVAÇÃO .3............. 45 10 DIMENSIONAMENTO DOS RESERVATÓRIOS ...................4 FILTRAÇÃO .... 51 11.............2.......2 TANQUE DE RETENÇÃO E DESCARTE...............................................................1 Pintura.............4 Setor Compressores ....................................... 42 9 DETERMINAÇÃO DOS USOS DA ÁGUA DA CHUVA ............................1 Setor Fundição..................................6 DESINFECÇÃO ............................ 57 14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................... 55 11......................................................................3 PRÉ-FILTRAÇÃO ............. 45 11 ELABORAÇÃO DO PROJETO DO SISTEMA................ ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO................................. 38 7 LEVANTAMENTO DA DEMADA DE ÁGUA NA EMPRESA ...............3....................................... 34 4................ 34 4............3......................................................................................................... 35 5 LEVANTAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS PLUVIOMÉTRICOS............................................ 6 DETERMINAÇÃO DAS ÁREAS DE COLETA................................... 55 13 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............ 48 11......................................................5 RESERVATÓRIO SUPERIOR ... 35 5......................................................................... 53 11.. 50 11.......1 ESTUDO ESTATÍSTICO PARA DETERMINAÇÃO DO PERÍODO DE SECA .........................

armazenamento e aproveitamento da água da chuva caminha em passos largos. onde o respeito pelo meio ambiente por parte das indústrias acaba sendo um fator indispensável na conquista de novos mercados. Tendo em vista a necessidade da preservação dos recursos hídricos. que faço este estudo e proponho a utilização da água da chuva principalmente na indústria. Chegamos a um ponto onde o crescimento desordenado das cidades levou a degradação das matas. Cada vez mais os legisladores brasileiros estão tomando consciência desta realidade e criando leis em nível municipal e até mesmo estadual que regulamentariam principalmente a captação e o armazenamento da água da chuva. devendo ser preservado para que não venha a faltar num futuro bem próximo. um bem público que precisa ser preservado por todos. Em muitos países o aproveitamento da água da chuva já é uma realidade. Outro fator que contribui para a realização deste projeto é o fato da empresa já possuir instalado todo o sistema de captação de águas pluviais e estar em andamento com um projeto que visa o reuso da água tratada proveniente da estação de tratamento de efluentes da empresa. No entanto há uma tendência pela criação de leis mais restringentes que incorporem o lado ecológico-ambiental e obriguem também o aproveitamento da água da chuva. Este objetivo encontra-se detalhado nos seguintes objetivos específicos: . preservando assim os recursos hídricos e promovendo a racionalização da água. Já houve um estudo semelhante feito por Pereira (2004). Este trabalho consiste na formulação de uma proposta de aproveitamento da água da chuva numa indústria metalúrgica. promovendo a proliferação de doenças e causando transtornos para toda uma população. redução de custos na produção industrial e a adequação a esta nova tendência mundial de desenvolvimento ecologicamente correto. A idéia de propor o aproveitamento da água da chuva vem ao encontro da política da qualidade e do meio ambiente da empresa que visa à melhoria continua e incentiva a realização de trabalhos que visem à redução de custos e impactos ao meio ambiente. escasso. onde será realizado um estudo de caso. no entanto foi proposto o aproveitamento da água da chuva em apenas um pavilhão da empresa. no que diz respeito a utilização desta água para fins não potáveis em residências e indústrias. mas que também pode ser aplicado para edifícios e residências. onde a população tem plena consciência de que a água é um bem finito. Neste trabalho se pretende algo maior inclusive com o tratamento da água coletada. O controle de enxurradas há muito tempo deixou de ser um problema qualquer se tornando um problema de saúde pública e bem estar social que deve ser combatido. principalmente nos mais desenvolvidos da Europa. combate ao desperdício de água tratada. Em virtude disto. o objetivo geral do presente trabalho é elaborar uma proposta para o aproveitamento da água da chuva numa indústria do setor metal-mecânico. localizada no município de Joinville. apresentando bons resultados.3 1 INTRODUÇÃO A água é um recurso natural finito. como já aconteceu num passado em épocas de guerra. norte de Santa Catarina. Desta forma. dos rios e a impermeabilização do solo causando a diminuição da infiltração da água da chuva e conseqüentemente aumentando a possibilidade de enchentes e/ou alagamentos. nestas regiões a tecnologia para a efetivação de um sistema de captação.

A proteção da água potável deve ser assegurada para garantir que ela não se torne num futuro próximo um produto de luxo (AQUASTOCK. escovar os dentes). Três quartos da superfície terrestre são ocupados pela água. 80% de toda esta água doce está congelada nas calotas polares ou geleiras. principalmente nos grandes centros urbanos mais ao sul do país. 2003). armazenamento e aproveitamento de águas de chuva. com objetivo de dar base e fundamento ao estudo proposto. beber). e declarasse o ano de 2003 como sendo o Ano Internacional da Água. o desperdício e a poluição dos rios e lençóis freáticos ameaçam o abastecimento e aumentam o custo da água tratada da rede pública. 2004. em seu alerta sobre degradação ambiental no planeta a ONU enfatiza que a água é o recurso natural mais degradado pelo homem. 2004. A escassez e o mau uso dos recursos hídricos fizeram com que a ONU Organização das Nações Unidas considerasse a água o principal tema do século 21. sendo 43% para o uso domestico. Em apenas 12% do território nacional correspondente a região do semi-árido nordestino. ou em lençóis subterrâneos muito profundos. 2. • Verificar qual a estrutura existente na empresa a respeito de captação de água de chuva. 12% lavagem de roupa. Como podemos ver o Brasil é um dos poucos países do mundo onde existe água doce em abundância na maioria de suas regiões. GNADLINGER. o mau uso. em todas as outras regiões este valor é superior (AQUASTOCK. GNADLINGER. . a situação é agravada pelo problema da impermeabilização do solo. O destino da água nas residências dos brasileiros. ou seja. No entanto. no entanto somente 3% deste total são de água doce. 25% higiene (banho. 17% na indústria e 40% na agricultura. é utilizada da seguinte forma: 27% para o consumo (cozinhar.1 A importância da água A água é um recurso natural limitado e precioso. GNADLINGER. no entanto apenas 1% desta quantidade é utilizada. 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Apresentação da teoria relacionada ao assunto baseado na literatura existente. isso equivale a 17% de toda a água doce existente no mundo. O Brasil possui a sua disposição 6950 km3/ano de água doce. apenas 20% de todo o volume de água doce do planeta está acessível de forma imediata ao consumo humano. 2003). cerca de 200 litros diários por habitante. 3% outros (lavagem de carro) e finalmente 33% descarga de banheiro. 2004. • Estudar as possibilidades para utilização desta água. 2003). Neles. causa ainda problemas de enchentes em épocas de chuva intensa (AQUASTOCK. A distribuição desigual da água pelas diferentes regiões do planeta faz ainda com que haja escassez do recurso em vários países (AQUASTOCK. 2004. há uma precipitação média anual inferior a 1000 mm/ano.4 • Apresentar a teoria sobre a captação. • Elaborar um projeto do sistema proposto. Porém. GNADLINGER. que além de diminuir a recarga dos aqüíferos. 2003).

O aproveitamento da água de chuva está sendo realizado por indústrias. para promover a recarga dos subsolos que são a principal fonte de abastecimento de água nestes países (RAINDROPS GROUP. pois não tem onde se infiltrar devido às ruas.3 Captação. O ciclo da água promove a renovação desta. Um meio de se evitar que a água da chuva escoe toda para os rios. A captação da água da chuva muitas vezes é realizada principalmente em residências cujos telhados possuem platibanda. postos de gasolina. o qual propõe o uso dos recursos naturais de maneira equilibrada e sem prejuízos para as futuras gerações. é armazenar esta água no próprio local e utilizá-la em atividades que não necessitam de água tratada. 2002. 2.2 A água da chuva É notório que a água é a principal fonte de vida e que este líquido é finito e único. armazenamento e aproveitamento da água da chuva Será apresentado nesta seção uma revisão teórica a respeito da captação. o aproveitamento da água ganhou espaço em função do risco de escassez e. onde a água proveniente do mesmo . 2004). em grande parte. no uso da área de cobertura (telhado ou laje) para captar a água da chuva e. como o lixo que é jogado nos rios. o estreitamento do leito dos rios e outros tipos de agressões ao meio ambiente.3. escolas. Na Alemanha e no Japão. Muitos são os fatores responsáveis pelas inundações. o que a torna um recurso natural finito. basicamente. a dessalinização da água do mar. escoa toda para o rio.1 Captação O sistema consiste. O gerenciamento do uso da água e a procura por novas alternativas de abastecimento como o aproveitamento das águas pluviais. a degradação das encostas. o processo de captação da água de chuva começou visando à retenção das águas pluviais como medida preventiva no combate a enchentes urbanas.5 2. porém a quantidade de água existente é sempre a mesma e o seu consumo aumenta todos os dias. por exemplo. após passar por um filtro ou mecanismo de retenção de impurezas.2). estarem cobertas por asfalto e as edificações e pátios impermeabilizados. “A água da chuva pode ser utilizada em diversos processos. A busca por novas fontes de abastecimento de água faz-se urgente em todo o planeta. p. pois representa uma economia no consumo de água tratada e conseqüentemente redução de despesas. armazenamento e aproveitamento da água da chuva. conduzi-la a um reservatório onde será armazenada para fins não potáveis (IDHEA. 2. pois não se tem conhecimento de outro material com as mesmas propriedades na natureza. a reposição das águas subterrâneas e o reuso da água estão inseridos no contexto do desenvolvimento sustentável. enfim em atividades que consomem um volume elevado de água para fins não potáveis. 2004). GIACCHINI. A água da chuva por sua vez. também. é uma ótima fonte de água e de tecnologia relativamente simples e econômica. A captação da água de chuva é um processo antigo usado pelas primeiras civilizações” (GIACCHINI. 2004. no decorrer do tempo. Desta forma.

em todos esses casos há um sistema de coleta e direcionamento da água da chuva. a qual fixa exigências e critérios necessários aos projetos das instalações de drenagem de águas pluviais.3. higiene. que seria o reaproveitamento da mesma para o abastecimento das peças de uso de água não potável numa edificação.6 deve ser encaminhada para um ponto de saída para que esta não se acumule na laje de cobertura e venha a causar infiltrações. para cada caso. 2002). A captação pode ser feita de diversas maneiras possíveis como é exemplificado pelo GROUP RAINDROPS (2002) do Japão e que será visto a seguir. só que na maioria deles está água é simplesmente captada e lançada diretamente no solo. Logo. comerciais e prédios industriais. 2002). 2. A captação da água da chuva é feita normalmente a partir do telhado das edificações através de tubulações (calhas). na qual todos os engenheiros seguem ao elaborar seus projetos. conforto. segurança. ou em processos industriais de forma direta ou após tratamento prévio. unindo um tubo flexível a ela.1. Nos edifícios residenciais. toldos móveis.1 Captação através de um toldo O toldo de uma sacada foi transformado em um captor de água de chuva. na rede pluvial ou de esgotos. como se verifica na Figura 1 (GROUP RAINDROPS. Em outros casos as calhas de captação são colocadas para evitar que o gotejamento da água proveniente dos telhados venha a danificar o piso com o passar do tempo ou para diminuir o escoamento da água pelo pátio do terreno. no entanto a captação desta água pode ser feita também a partir de pisos e pátios livres ou de estacionamento. Ainda são poucos os casos em que se realiza a captação da água da chuva com o objetivo de um fim mais nobre. Figura 1 – Captação de água da chuva através de um toldo (GROUP RAINDROPS.Tudo o que se tem a fazer é fixar uma calha no toldo. além da própria parede de um prédio ou residência. durabilidade e economia em uma edificação. visando garantir níveis de funcionalidade. a captação normalmente é realizada tendo em vista que há uma norma da ABNT (NBR 611/81). .

Mesmo considerando apenas 7% do total. Figura 3 – Captação de água da chuva através da parede de um edifício (GROUP RAINDROPS. a quantidade de água da chuva coletada em uma superfície vertical seria grande. 2002).2 Captação através da parede A água de chuva também pode ser coletada das superfícies verticais dos edifícios.1. 2002). fato pelo qual as paredes de um edifício devem ser impermeabilizadas e as janelas vedadas. . pois a chuva normalmente não cai exatamente na vertical. A quantidade de água de chuva coletada da superfície vertical de um edifício é considerada como sendo em torno de 50% da quantidade da superfície horizontal do mesmo tamanho.3. pois uma parede de um edifício tem várias vezes o tamanho de sua cobertura e há muitos edifícios altos em áreas urbanas (GROUP RAINDROPS.7 2. Figura 2 – Captação de água da chuva através da parede de uma residência (GROUP RAINDROPS. 2002). mas há um relatório que mediu 7% de fato. Nas Figuras 2 e 3 apresenta-se dois exemplos propostos pelo GROUP RAINDROPS (2002) de como pode ser feita a captação da água da chuva proveniente das paredes dos edifícios.

Estas cisternas tinham um diâmetro de aproximadamente 5 metros e eram escavadas no subsolo de calcário. Aliás.000 a 45. o México em si.000 litros. no entanto a água não é aproveitada ela é simplesmente lançada no pátio. datadas da época dos Aztecas e Mayas.3 Captação convencional através do telhado Na Figura 4 pode-se visualizar como é feita a captação da água do telhado de forma convencional através de calhas. . desperdiçando assim uma grande quantidade de água que poderia ser reaproveitada. existia na região mexicana uma agricultura baseada na utilização de água de chuva. 2. Foi usado e difundido especialmente em regiões onde as chuvas ocorrem somente durante poucos meses e em locais diferentes. O povo Maya na península de Yucatan.2 Armazenamento O armazenamento da água de chuva tem sido realizado em muitas partes do mundo e em diferentes continentes há milhares de anos. No século X.3. As pessoas viviam nas encostas e sua água potável era fornecida por cisternas com capacidade de 20.8 2. Acima delas havia uma área de captação de 100 a 200 m2.3. onde hoje está localizado o México já fazia o armazenamento da água da chuva. na Província Ganzu na China já existiam cacimbas e tanques para água de chuva há dois mil anos. Este exemplo é de uma edificação onde é feita a captação. revestidas com reboco impermeável. Figura 4 – Captação de água da chuva através de calhas (Foto do Autor). chamadas Chultuns (Figura 5). especialmente em regiões áridas e semi-áridas que correspondem a mais ou menos 30% da superfície terrestre. mas. é um país rico em antigas e tradicionais tecnologias de coleta de água de chuva.1. Como por exemplo.

(pequenos reservatórios artificiais para 100 a 50.2000).000 litros). 2000). que eram enormes reservatórios de água de chuva escavados artificialmente que tinham capacidade de 10 a 150 milhões de litros. Figura 5 – Antigos reservatórios Mexicano denominado Chultuns(GNADLINGER. No Irã são utilizadas cisternas denominadas Abanbars (Figura 6). As Aguadas e Aquaditas eram usadas para irrigar árvores frutíferas e/ou bosques além de fornecer água para o plantio de verduras e milho em pequenas áreas. Isto é um exemplo de manejo integrado de água. Exemplos como este e muitos outros pode-se encontrar ao redor do mundo. que fazem parte do tradicional sistema de captação de água de chuva comunitário existente naquele país (GNADLINGER. .9 Nos vales mexicanos eram usados outros sistemas de armazenamento de água de chuva. e as Aquaditas. garantindo-a até durante períodos de seca inesperados. Muita água era armazenada. como as Aguadas.

ou seja. Tanques maiores. a cisterna subterrânea. material inoxidável. A vantagem dessas formas de armazenagem é a eliminação da infiltração e evaporação e a manutenção da potabilidade da água. jarros de água. ou podem ser construídos em concreto reforçado (GROUP RAINDROPS. tanto quanto a forma. podendo armazenar água tratada e própria para o consumo humano (EMBRAPA. 2000). Desde muito tempo. baldes ou barris vêm sendo usados como tanque para armazenar água. containeres e cisternas com paredes impermeabilizadas e cobertas. 2. capacidade de armazenamento e local de instalação. 2002). Tanques para o próprio armazenamento da água da chuva também vêm sendo comercializados. Sem luz e calor. Com essas formas de armazenamento não é possível manter a potabilidade da água. sistema de filtragem e um reservatório de armazenamento (EMBRAPA. acima de 500 L. As cisternas são formadas por um conjunto de estruturas composto pelo sistema de captação. ao material ou a estrutura. são montados utilizando aço. As cisternas servem para captar e armazenar as águas da chuva que escorrem de telhados ou de áreas que podem ser usadas para captação. Existem diferentes tipos de tanques de armazenamento. VIDAL (2002) apresenta em seu livro algumas maneiras de se fazer o armazenamento da água da chuva desde a forma mais barata e simples até uma forma . Uma maneira é através da construção de açudes e lagoas que por não serem impermeabilizados não mantém o volume de água devido à infiltração e evaporação. menores que 500 L. vêm sendo utilizados.2. 2005). tambores e recipientes plásticos ou de fibra de pequenas capacidades. Os tipos dependem do uso. Outra forma de armazenamento são as caixas d’água.10 Figura 6 – Abanbars .1 Formas de se armazenar água da chuva Várias são as formas de armazenamento das águas superficiais. propósito da instalação. 2005). pois existe o risco de introdução de matéria orgânica e poeiras. retarda-se a ação das bactérias. Recentemente.tradicional cisterna iraquiana (GNADLINGER. estilo das construções.3. A melhor forma de armazenamento da água de chuva é como no caso da água potável.

Outro tipo é uma cisterna subterrânea feita com massa de cal e tijolos que relembra os Abanbars do Irã e os Chultuns do México (Figura 8). pois esta é a fonte mais segura e confiável para o abastecimento de água naquela região. 2000). a tensão da água pode causar rachaduras.11 mais sofisticada. há anos vem-se fazendo o armazenamento da água da chuva. por onde a água pode vazar. Dentre muitos exemplos pode-se citar alguns como a cisterna de placa de concreto com tela de arame (Figura 7). Por este motivo foram desenvolvidos na região diferentes tipos de cisternas para resolver o problema da água potável. Figura 8 – Cisterna subterrânea de massa cal e tijolos (GNADLINGER. 60 cm de comprimento e 3 cm de espessura. fortificado com arame galvanizado de aço Nº 12 e rebocada por dentro e por fora. Se aderência entre as placas de concreto ficar fraca. que possui 50 cm de largura. isto raramente acontece. melhor será a qualidade da água ali depositada. . No nordeste brasileiro no intuito de escapar da seca e garantir água para a população e para os animais durante as épocas de estiagem. Figura 7 – cisterna de placa de concreto com tela de arame (GNADLINGER. Claro que maior a sofisticação do sistema de armazenamento. 2000). 2000). poderá ser facilmente consertada (GNADLINGER. mais se acontecer.

Existem também as barragens subterrâneas (Figura 10) que servem para armazenam a água do escoamento subsuperficial. 2000). porém. 2000). . 2000). Figura 9 – foto de um Caxio. 2000). cisterna cavada manualmente na rocha (GNADLINGER. em direção ao subsolo cristalino impermeável. Sua água é geralmente usada para os animais. uma barreira de terra ou pedras é construída e coberta com uma folha de PVC do lado de onde vem a água para evitar vazamentos. No solo encharcado com água pode-se plantar culturas anuais ou árvores frutíferas. Estas são feitas da seguinte forma: a parede da barragem é cavada para baixo da superfície do chão em solo raso. Figura 10 – foto exemplo de Barragem Subterrânea (GNADLINGER. Em seguida.12 Em algumas partes da região semi-árida ainda podem ser encontrados os caxios que são cisternas cavadas manualmente na rocha. depois de filtrada. pode ser usada também para consumo humano (Figura 9) (GNADLINGER. Além disso pode-se colocar quase sempre uma cisterna subterrânea para poder usar a água para consumo humano ou animal ou para irrigação (GNADLINGER.

A água coletada pode ser utilizada na descarga dos banheiros e na lavagem de roupas. 2004). Uma iniciativa simples seria implantação de um sistema de aproveitamento de água da chuva em escolas públicas. que há 30 anos capta. 2002). Além disso.o que nos centros urbanos é responsável por grande parte do consumo de água. e permite a utilização de menor quantidade de detergentes para lavar a roupa. em virtude da falta de uma outra opção. Raros são os casos como o de uma lavanderia industrial. Por usar encanamento e reservatório distintos do abastecimento convencional. O uso da água da chuva permite explorar menos o lençol freático. os banheiros. Isto pode ser feito em qualquer prédio que tenha telhado com boa área de captação (acima de 100 m2). Hoje em dia a água da chuva ainda é um recurso natural absurdamente desperdiçado. sem grandes obras e custos (CORTEZ. por uma empresa que comercializa produtos para o aproveitamento de águas pluviais. Primeiramente para a obtenção de dados reais a respeito do consumo. Na prática ela pode ser utilizada para qualquer atividade que não exija a potabilidade da água tratada.3 Aproveitamento e uso da água da chuva Aproveitar a água de chuva não é uma invenção nova. O aproveitamento da água da chuva não deve ser restrito apenas às áreas rurais. Apresenta-se agora um estudo realizado em março de 2002. pois na maioria delas existem telhados com grande capacidade de captação. e assim verter uma água menos contaminante (VIDAL. . usou-se e continuase usando a água da chuva. que analisou a viabilidade de se implantar um sistema de aproveitamento da água da chuva em escolas públicas estaduais localizadas na região da grande Florianópolis. foi realizada uma pesquisa junto a algumas escolas. etc. É absurdo usar água tratada e cara para regar jardins. não há a mistura das águas. poderá ser aproveitada para encher piscinas . Dependendo do perfil de consumo. Recebendo um tratamento adicional. essa técnica pode ser utilizada para ampliar o abastecimento. Em ilhas como Fernando de Noronha e em todos os lugares aonde ou não existe uma rede de abastecimento ou esta ainda não supre a demanda integralmente. da área de captação e dos níveis de precipitação. processa e utiliza a água de chuva nos seus processos de lavagem. escolas e fábricas (COSTA.13 2. que forneceram os dados apresentados na Quadro 1. lavar carro ou calçada. 2002). sem compostos calcareos. Em condições adversas como estas a água da chuva sempre foi muito utilizada. localizada no município de São Paulo. Dependendo da localização geográfica e da época do ano uma escola pode captar mais de 15 mil litros com facilidade. a água da chuva é naturalmente doce. Nas áreas urbanas. pisos e veículos.3. tais como para lavar o chão. Basta desviar o escape da calha para uma cisterna de apoio que irá coletar a água da chuva para atividades secundárias. a água da chuva poderá substituir 30% a 50% do total consumido nos domicílios.

servidores. Administração Consumo de água: (média de 6 meses:) Consumo/estudante (período integral)/dia Nº de salas: Nº de turnos: Nº de Alunos: 26 3 2200.14 Quadro 1 – Levantamento de dados das escolas Escola 1: Escola Básica Aníbal Nunes Pires Nº de salas: Nº de turnos: Nº de Alunos: Professores.2 m3/mês (média de 6 meses:) (Mar a Ago/2001) Consumo/estudante 36.6 litros (considerando (período integral)/dia 22 dias por mês) Escola 3: Escola de Educação Básica Jornalista Jaime Calado 6 Nº de salas: 2 Nº de turnos: Nº de Alunos: 400. equivalendo 253 por período Professores.5 m3/mês (Jul a Dez/2001) 8. servidores. servidores. . 50 Administração Consumo de água: 204.Os dados gerados são apresentados no Quadro 2.7 litros (considerando (período integral)/dia 22 dias por mês) Fonte: Bella Calha (2002) Baseando-se no estudo realizado chegou-se a uma média para o consumo real de 30 litros/aluno (período integral)/dia e elaborou-se uma nova fonte de dados considerando-a com padrão para as diversas escolas localizadas na região da grande Florianópolis. equivalendo 200 por período Professores. de forma a uniformizar o estudo e realizar uma análise mais ampla e geral. 30 Administração Consumo de água: 130.8 litros (considerando 22 dias por mês) Escola 2: Escola Básica Pero Vaz de Caminha 11 3 760. equivalendo 733 por período 120 141.8 m3/mês (média de 6 meses:) (Mar a Ago/2001) Consumo/estudante 29.

e no volume sugerido exclusivamente para captação de água da chuva. cujo destino deveria ser exclusivamente para usos não potáveis. • Caixa d`água superior para água da chuva. Para implementar o projeto em questão a empresa sugeriu que fossem realizadas algumas modificações na obra em relação aos projetos atuais e adquiridos alguns equipamentos como: • Cisterna inferior com maior capacidade. por período Professores. servidores. equivalendo 420. • Rede de água da chuva independente da rede de água potável. suficiente para 10 dias de estiagem. foi aconselhada pela empresa a utilização de uma cisterna de 90 m3.2 m3/mês previsto: Índice Pluviométrico: 1. • Implantação de equipamentos de filtragem antes de a água chegar na cisterna.600 mm/ano Capacidade de 1. em períodos de estiagem. 70 Administração Consumo de água 277.15 Quadro 2 – Fonte de dados padrão Escola Analisada (projeto):Padrão Nº de salas: Nº de turnos: Nº previsto de Alunos: 12 3 1200. O investimento financeiro previsto para a implantação do sistema de aproveitamento de água da chuva numa escola pública da grande Florianópolis foi descriminado pela empresa da seguinte forma: (Ver Quadro 3) . houver necessidade. bem como equipamentos auxiliares – freio d’água. • Alimentação do sistema de água de chuva com água da rede quando. Para o consumo em questão. sifão-ladrão e bomba de recalque. conjunto bóia-mangueira.589 m3/ ano Captação Média mensal 132 m3 atualizada: Fonte: Bella Calha (2002) A partir dos dados padrão conclui-se que a captação de água da chuva teria capacidade de atender a 48% do volume total da água usada na escola.

00 Portanto. todo o volume captado pode ser utilizado.000. O aproveitamento da água da chuva na indústria pode trazer os seguintes benefícios: Benefícios Ambientais: • Redução da captação de águas superficiais e subterrâneas. 2. aos custos atuais da água. 2004). em geral. o investimento se paga em 5. possibilitando uma situação ecológica mais equilibrada. Um tempo razoavelmente pequeno.589 m3 • Preço por m3 R$ 2.00 Total OBS. é a seguinte: • Volume anual de água da chuva: 1.154. considerando todos os benefícios proporcionados pela implantação de um sistema como este. ao reservar e utilizar águas pluviais há uma redução do consumo de água de qualidade mais nobre (SAUTCHÚK ET AL.000 l) Custos R$ 479.00 Filtro e demais acessórios R$ 23.:Valores referentes a Março de 2002. Conforme menciona SAUTCHÚK ET AL (2004) no Manual de Conservação e Reuso de Água para a Indústria.1 Aproveitamento da água da chuva na indústria Uma das possíveis alternativas para compor o abastecimento de água de uma indústria são as águas pluviais. Para o aproveitamento de águas pluviais é necessário um projeto específico para dimensionamento dos reservatórios. considerando a demanda a ser atendida por esta fonte de água e as características pluviométricas locais.63 • Economia Anual R$ 4.00 R$ 175.00 Construção da cisterna subterrânea R$ 16.00 Bomba de recalque (1 CV) R$ 5. • Tubos e conexões (rede exclusiva). Fonte: Bella Calha(2002) Fazendo uma análise custo x beneficio chegou-se a seguinte conclusão: Nas escolas. a água não necessita de tratamento avançado.16 Quadro 3 – Análise de custos Equipamentos / Obras Reservatório Superior (3.00 Tubulações extras R$ 800.700. • By pass para entrada de água de outra fonte para eventual suprimento do sistema.179. bem como dos demais componentes do sistema. • Filtros separadores de sólidos e líquidos. Desta forma.3. sendo que a economia anual prevista. composto por: • Reservatórios • Sistema de pressurização (para abastecimento direto dos pontos de consumo) ou sistema de recalque.Um sistema de aproveitamento de águas pluviais é.5 anos. .3. Quando utilizada para fins menos nobres.

e em toda a cadeia produtiva. hospitalar.17 • Aumento da disponibilidade de água para usos mais exigente. • Aumento da competitividade do setor. • Melhoria da imagem do setor produtivo junto à sociedade. a água se mantém livre de bactérias e algas. Onde não se quer ou não for possível mexer nas instalações existentes. lavar carros. que são dirigidas para um filtro autolimpante e encaminhadas para uma cisterna subterrânea. é possível aproveitar a água de chuva para jardins.Depois é só soltar dois parafusos e lavar a tela com água (BELLA CALHA. O sistema de aproveitamento de água da chuva que eles propõe para uma residência é composto pelos seguintes equipamentos: . Basicamente. 2004). • Redução dos custos de produção. Em obras em construção pode se prever em projeto um sistema paralelo ao de abastecimento de água potável e direcionar a água da chuva para o abastecimento de peças que não requeiram de água tratada. Um desses sistemas consiste na utilização dos telhados das edificações e de calhas para fazer a captação das águas pluviais. Benefícios Econômicos: • Conformidade ambiental em relação a padrões e normas ambientais estabelecidos.4 Sistema comercial para aproveitamento de águas pluviais Há no mercado brasileiro produtos que foram desenvolvidos especialmente para se fazer o aproveitamento das águas pluviais.No intuito de proporcionar uma água de melhor qualidade foi desenvolvida uma canalização que encaminha a água até o fundo da cisterna lançando-a num equipamento denominado de “freio d’água” que retira a pressão da água impedindo que se criem ondulações. consiste em fazer de duas a quatro vistorias anuais no filtro. torneiras de jardins. • Mudanças nos padrões de produção e consumo. limpeza de calçadas. O sistema pode ser implementado tanto em edificações em construção como em obras já concluídas. Benefícios Sociais: • Ampliação da oportunidade de negócios para as empresas fornecedoras de serviços e equipamentos. como abastecimento público. abrindo a tampa do mesmo e retirando o miolo de aço inox para verificar se a tela está suja. caso quiser se aproveitar todas as vantagens proporcionadas pelo sistema. Uma outra parte do sistema cuida de sugar a água armazenada de pontos logo abaixo da superfície. A manutenção do equipamento é bem simples. Estocada ao abrigo da luz e do calor. evitando assim que a sedimentação do fundo da cisterna se misture com a água. possibilitando melhor inserção dos produtos brasileiros nos mercados internacionais.3. etc. • Habilitação para receber incentivos e coeficientes redutores dos fatores da cobrança pelo uso da água. etc. para não movimentar eventuais resíduos. piscina. Em obras já concluídas será necessário fazer uma reforma para adaptar o sistema a edificação. entre outros usos. como vasos sanitários. 2. • Ampliação na geração de empregos diretos e indiretos. com reconhecimento de empresas socialmente responsáveis. a utilização destes produtos em conjunto denominou-se sistema de aproveitamento de água da chuva.

Em resumo o sistema funciona da seguinte forma.Responsável por remover folhas e outros detritos que por ventura venham junto com a água captada. esta água excedente será lançada diretamente na rede pluvial. uma proveniente da cisterna de água pluvial e outra do reservatório superior de água tratada que só entrará em funcionamento quando não houver água de chuva suficiente para abastecer as peças de utilização na qual esta está conectada.Filtro VF1 (BELLA CALHA. que assim não revolve a sedimentação do fundo da cisterna.Na Figura 11 que é auto explicativa. podemos conferir como funciona este filtro. . filtrada e lançada na cisterna que possui duas saídas. As entradas serão.18 • Filtro . A saída irá abastecer as peças de utilização. O reservatório superior possuirá duas entradas e uma saída. A Figura 12 nos mostra de forma esquemática como funciona o sistema de aproveitamento de águas pluviais proposto. • Sifão Ladrão – Retira as impurezas da superfície da água. Figura 11 . • Freio d’água – Retira a pressão da água. 2004). • Mangueira Bóia – faz com que sempre a água mais limpa seja bombeada para a caixa d'água. a água é captada. bloqueia odores vindos da galeria e impede a entrada de roedores. • Cisterna – Responsável pelo armazenamento da água proveniente do filtro. e outra que serve como extravasor que irá funcionar quando houver excesso de água na cisterna. uma que vai receber a canalização que alimenta o reservatório superior através de uma bomba.

3 → Sifão ladrão 4 → Filtro residencial. 1 → Freio d’água. para lançar a água da cisterna para o reservatório superior.4 Teoria para o dimensionamento de um sistema de aproveitamento de água de chuva Para se dimensionar um sistema de aproveitamento de águas pluviais deve-se realizar as seguintes etapas: .19 Figura 12 – Esquema de funcionamento do sistema (BELLA CALHA. para quando houver déficit de água de chuva. para armazenamento de águas pluviais. Itens relacionados na figura: A → Realimentação com água potável. 2. D → Bomba de Recalque. alterado pelo autor). 2 → Conjunto flutuante de sucção. G → Cisterna subterrânea. E → Tubulação de descarte de água para a rede pluvial. C → Alimentação dos pontos de utilização de água não potável com água de chuva. B → Calhas e tubulação para captação de águas pluviais. mangueira bóia. F → Entrada de água da chuva no filtro.

No entanto para se determinar o volume máximo aproveitável de água de chuva não se pode considerar que toda a água da chuva que cai no telhado ou no pátio será armazenada. outros recomendam um valor em torno de 70%.Dimensionamento das instalações hidráulicas e de bombeamento para o sistema de distribuição de água de chuva. Conforme menciona HANSEN (1996) em seu trabalho. 2. chama este volume de água perdida de coeficiente de escoamento superficial. aquele mesmo utilizado na hidrologia para cálculo da vazão máxima de uma bacia hidrográfica de pequeno porte que varia em função da natureza da superfície e que considera para telhado um valor variando entre 70% e 95%.Determinação do volume do reservatório.20 1º . deve-se realizar um estudo estatístico a partir dos dados de precipitação diária para a obtenção do período de estiagem da região em estudo.1 Determinação do volume do reservatório Para uma determinação mais precisa do volume do reservatório. Neste trabalho prefiro chamar este coeficiente de coeficiente de coleta de água de chuva (C) e adotar um valor igual a 80% (C=0. Para a determinação do volume máximo mensal aproveitável de águas pluviais utiliza-se a seguinte equação: V=CxPxA (1) Onde: V = Volume máximo aproveitável de águas pluviais (m3) C = Coeficiente de Coleta de Água de Chuva (adimensional) P = Precipitação média mensal (m) A = Área de coleta de águas pluviais (m2) 2. 2º . considerando que os dois autores citados acima também adotaram este valor em seus respectivos estudos. existem dois métodos para a análise de períodos de seca: • Método 1 – Uso da Seca máxima Anual Procedimento: 1º) Conta-se o número máximo de dias consecutivos sem chuva em cada ano. no entanto eles consideram que 80% da chuva coletada pode ser armazenada com eficiência. o número de dias consecutivos sem chuva. Já GIACCHINI (2004).80).4. pois normalmente utiliza-se de construções já existentes para implementar o sistema ou quando está se projetando uma edificação já se prevê qual será a área de coleta. que são regulamentados pela norma NBR 5626 – Instalações prediais de água fria elaborada pela ABNT em 1982. 1996). 2º)Ordena-se em ordem decrescente os valores e estima-se a freqüência pelo método Califórnia utilizando-se da seguinte equação: . ou seja.1 Determinação da área de coleta Geralmente a área de coleta é fixa. Logo não há necessidade de se abordar este tópico em trabalhos desta natureza (HANSEN.4. 3º . é preciso considerar o volume de água perdida por evaporação e absorção. Segundo CHECCHIA e SILVA (2004) há autores que citam um percentual de 50% de coleta de água de chuva em um sistema razoável de coleta. A terceira etapa é dimensionada de forma idêntica aos sistemas de instalações hidráulico-prediais.Determinação da área de coletada de água da chuva.

0 mm são dias sem precipitação. Para todos os métodos é razoável considerar que os dias com precipitação inferior a 1. levando em conta a . montando a curva do número máximo de dias consecutivos sem chuva x tempo de retorno.21 f = m / (n + 1) (2) Onde: f = Freqüência ou probabilidade m = número acumulado n = número total E o tempo de recorrência. 2º)Ordena-se em ordem decrescente os valores e estima-se a freqüência pelo método Califórnia utilizando-se da equação 2 e o tempo de recorrência. Por exemplo. transformando a probabilidade em uma variável reduzida através da equação 4. montando a curva do número máximo de dias consecutivos sem chuva x tempo de retorno. o que pode tornar o projeto antieconômico. pode-se tentar um ajuste das freqüências com a lei de Gauss ou utilizar diretamente o gráfico. ou tempo de retorno. Verifica-se a ocorrência de ajuste a lei de Gumbel. Verifica-se a ocorrência de ajuste a lei de Gumbel. será determinado pela equação: Tr = 1/ f (3) Onde: Tr = Tempo de Retorno f = Freqüência 3º) Plotam-se os pontos. geralmente superdimensiona o reservatório. no entanto este método sugerido por Azevedo Netto citado por HANSEN (1996). escolhendo-se a média dos três mais secos. Para séries de dados pluviométricos inferiores há 10 anos podem-se utilizar tabelas simplificadas com número de dias secos por mês. 3º) Plotam-se os pontos. transformando a probabilidade em uma variável reduzida através da seguinte equação: X = .ln [ ln (1 / (1-P)] (4) Onde: X= É a variável reduzida P = Probabilidade de ocorrência (mesmo que f ) 4º) Caso ocorra o ajuste pela lei de Gumbel. caso o objetivo seja para a utilização desta água para o abastecimento de água potável o volume do reservatório a ser construído deverá ser determinando considerando os seguintes fatores: a) O consumo necessário de água para abastecer os usos propostos durante um período determinado (ano. 4º) Pode-se tentar um ajuste das freqüências com a lei de Gauss. • Método 2 – Uso da Análise total Procedimento: 1º) Conta-se o número de eventos de dias consecutivos sem chuva em cada ano. ou tempo de retorno. semanas. no entanto para que seja efetivo de fato é necessário que se possua uma série de precipitações anuais de no mínimo 40 anos (preferencialmente mais de 50 anos). Depois de identificada a seca de projeto. Conforme menciona PEREIRA (2004) citando uma outra fonte. deve-se calcular o volume total de reservação multiplicando o consumo diário pelo número de dias sem chuva. Este método é indicado quando se possui uma série histórica de dados pluviométricos de no mínimo 10 anos. meses. Este método possui um fundamento teórico bastante consistente. o dimensionamento do reservatório irá depender de sua utilização. dias). utilizando-se da equação 3.

recebem depósitos trazidos pelo vento como folhas. areia grossa. nascente. b) A quantidade de água de chuva capaz de ser captada e armazenada durante este mesmo período. Para evitar este tipo de contaminação é aconselhável evitar a entrada das primeiras águas escoadas proporcionando assim a “lavagem" das áreas de contribuição. 2004). terrenos impermeabilizados. tipo de superfície (telhado. 2. dispostas numa caixa que deverá ser instalada numa posição acima da tampa de entrada do reservatório de captação. O reservatório de captação deve ser locado de forma que possa receber por gravidade a água escoada de todas as áreas de captação. evitando a contaminação pelo armazenamento é aconselhado à colocação de um clorador por difusão (PEREIRA. etc) em que é captada. Um tanque de decantação permite a separação dos resíduos que tenham permanecido mesmo depois da pré-lavagem da água de entrada. durante o qual os resíduos poderão decantar. poeira. Para garantir uma água de boa qualidade para o consumo humano. É fato que a contaminação da água pode ocorrer antes mesmo de chegar ao reservatório. com volume variando entre 50 e 200 litros de reservação onde a água ficará um certo tempo. pois as áreas de captação como telhados e afins. etc) e de material (cerâmica. mina.1) Regime Pluviométrico da região (quantidade de chuva). O tempo de "lavagem" das áreas irá depender da intensidade da chuva (PEREIRA. Outro dispositivo que pode ser usado para a proporcionar a água da chuva uma maior qualidade é o filtro de areia. amianto. Esta caixa deverá ser limpa regularmente. I = Intensidade média da Chuva (mm/h). A escolha do local para a construção do reservatório de captação deve ser feita considerando os seguintes aspectos: 1. asfalto. 3. Manter distância mínima de 10 a 15 metros de fossas. 2003). cisterna). areia fina e carvão.5 Estimativa de Vazões Máximas: Método Racional O método racional é largamente utilizado na determinação da vazão máxima de projeto para bacias com área inferior a 5 km2 (KOBIYAMA.6 (5) 3 Onde: Q = Vazão de Projeto (m /s). A = Área da Bacia (Km2). este fator irá depender dos seguintes subfatores: b. 2.22 existência de outras fontes de água no local (poço. lixo.2) Área disponível para a captação. C = Coeficiente de Escoamento superficial (ou deflúvio). cujas raízes possam provocar rachaduras e conseqüentemente vazamentos. Dê preferência para locais onde não haja muitas árvores ou arbustos. b. Este tanque de decantação pode ser construído dentro do próprio reservatório ou fora deste. PVC. além de poder ser também local de passagem e/ou pouso de animais. A equação do modelo é a seguinte: Q = (C x I x A) / 3. que é composto por sucessivas camadas de brita. depósitos de lixo e outros locais que possam vir a contaminar a água armazenada. . 2004). papel.

jardins. cobertura.85 a 0. tempo de retorno e intensidade da precipitação.15 a 0. Este valor depende de algumas características com solo.90 0. terreno ondulado Matas decíduas.23 2.20 Fonte: Manual de Técnicas de bueiro e Drenos da ARMCO por KOBIYAMA (2003).60 25 . campinas.30 Fonte: KOBIYAMA (2003).5.1 Coeficiente de deflúvio (C) O coeficiente de deflúvio é definido como sendo a relação entre a quantidade de chuva que escoa superficialmente e a quantidade total de chuva que cai na bacia. exemplos Tabelas 1 e 2.60 0.70 0.70 40 . folhagem permanente Pomares Terrenos cultivados em zonas altas Terrenos cultivados em vales C em % 90 . tipo de ocupação. ladrilhos ou blocos de madeira com juntas bem tomadas.90 60 .95 80 .2 Intensidade da chuva (I) A intensidade da chuva está diretamente ligada ao tempo de duração e a freqüência de ocorrência do fato.10 a 0. folhagem caduca Matas coníferas.50 a 0.40 10 . 2004). Para determiná-la foram realizados estudos em diversas cidades brasileiras que deram origem a equações de intensidade de chuvas .50 0. Tabela 1 – Valores do Coeficiente de Deflúvio (C) Natureza da Superfície Telhados perfeitos. Tabela 2 – Valores do Coeficiente de Deflúvio (C) . Superfícies asfaltadas e em bom estado Pavimentações de paralelepípedos.25 a 0.80 50 .85 0. 2003. dependendo da declividade do solo e natureza do subsolo Valores de C 0.70 a 0.40 15 . sem folga.95 0.65 35 . 2.75 a 0. Para as superfícies anteriores sem juntas tomadas Pavimentações de blocos inferiores sem as juntas tomadas Estradas macadamizadas Estradas e passeios de pedregulho Superfícies não revestidas. Para a determinação deste coeficiente há uma enormidade de tabelas. pátios de estrada de ferro e terrenos descampados.30 0.40 a 0. gramados e campinas. que mostram a relação entre a ocupação do solo e o valor de C correspondente (KOBIYAMA. Parques. PEREIRA.5.2º opção Características da bacia Superfícies impermeáveis Terreno estéril montanhoso Terreno estéril ondulado Terreno estéril plano Prados.50 15 .01 a 0.30 0.

74 • Equação para São Paulo-SP – i = 3462.4 100.15 / (td + 20)0.5 22. ou simplesmente arrastadas mecanicamente.7 88.1 157.3 11.2 144.9 97.9 109.2 293.7 18.3 22. além de propiciar ganho econômico para a população.25 / (td – 1.RJ – i = 99.4 10.9 9.6 233.4 191.8 81.8 143.7 226.2 131.217 / (td + 26)1. suspensas.7 175.7 x T0.3 176.0 21.5 6.7 13.4 15.9 162.172 / (td + 22)1. t = tempo de duração em minutos.15 Sendo que para todas as equações temos: i = intensidade máxima média em mm/h.2 15.4 9. T = período de retorno em anos.3 165. pois ela usualmente vai dos telhados.4 262.7 10. Tabela 3 – Intensidade da Chuva para a cidade de Joinville-SC Intensidade da chuva (mm/h) para Joinville-SC Duração 5 minutos 10 minutos 15 minutos 20 minutos 25 minutos 30 minutos 1 hora 6 horas 8 horas 10 horas 12 horas 24 horas Tempo de Retorno 5 anos 10 anos 20 anos 50 anos 100 anos 166.5 16. Na Tabela 3 apresentamos esses dados referentes à cidade de Joinville-SC.154 x T0. • Equação para Florianópolis-SC – i = 145 x T0.0 67.6 Normalização As águas de chuva.0 140.9 55.4 129. estaduais ou federais.4 5.1 204.24 para estas localidades.8 15.34 • Equação para Curitiba-PR – i = 1239 x T0.4 18.4 13.6 25. os legisladores estão cada vez mais se dando conta que a água proveniente da chuva possui boa qualidade e pode ser aproveitada nas próprias residências evitando assim problemas urbanos e ambientais.2 12. no entanto MEDEIROS et al (2002) realizaram um estudo onde determinaram a intensidade da chuva para alguns tempos de duração com tempos de retorno préfixados para cada uma das cidades do estado de Santa Catarina. No entanto esta mentalidade esta começando a mudar.8 27. e dos pisos para as bocas de lobo aonde vai carreando todo tipo de impurezas. dissolvidas. até o presente momento não se tem conhecimento da existência de uma equação de intensidade de chuvas para a cidade. para um córrego que vai acabar dando num rio que por sua vez vai acabar suprindo uma captação para tratamento de água potável.5 241.7 79.7 7.7 19.1 196.4 109. na maioria das legislações sejam elas nacionais.5 201. .1 161. Abaixo apresentamos algumas equações utilizadas para determinar a intensidade da chuva.9 330. Para a cidade de Joinville-SC.8 31.6 98.18)0.9 Fonte: MEDEIROS et al (2002) 2.9 121.6 19.2 114.2 118. são encaradas como esgoto.025 • Equação para Rio de Janeiro.

25 2. caixa de armazenamento e distribuidores para água da chuva.2004).1 São Paulo Publicado no Diário Oficial da Prefeitura municipal de São Paulo do dia 5 de janeiro de 2002.Conhecida com a “Lei das Piscininhas”. edificados ou não. A lei parte do princípio de que a crescente impermeabilização do solo agrava os problemas urbanos provocados pelas chuvas e que o responsável pela obra deve aumentar a capacidade de retenção da água da chuva em dias de temporal. Dados da ANA .1. assim como indica sua utilização para fins não potáveis. existentes e futuros. é suficiente para abastecer uma família de quatro pessoas durante seis meses (TRIGUEIRO. criou o decreto que torna obrigatório. por causa dos “piscinões” é o ponto de partida para o uso racional da água da chuva na maior cidade do Brasil.6.A água contida pelo reservatório deverá preferencialmente infiltrar-se no solo. 2.§ 2º . O tamanho dos reservatórios varia de acordo com as dimensões da obra.6.Os estacionamentos em terrenos autorizados. que tenham área impermeabilizada superior a 500m”.6.Agência Nacional de Água .1. a adoção de reservatórios que permitam o retardo do escoamento das águas pluviais. Art. 04 De Janeiro De 2002. 2º . César Maia. nos projetos de empreendimentos residenciais que .1 Legislações Municipais É pensando na qualidade de vida da população que várias cidades brasileiras já criaram ou estão com propostas para a criação de leis que regulamentam e incentivam o armazenamento e o uso da água da chuva nas edificações. são: Art.2 Rio de Janeiro No dia 02 de Fevereiro de 2004 o prefeito da cidade do Rio de Janeiro. podendo ser despejada na rede pública de drenagem após uma hora de chuva ou ser conduzida para outro reservatório para ser utilizada para finalidades não potáveis. A lei na integra pode ser conferida no anexo 1. no município.O projeto de lei obriga as empresas de projetos e construção civil a prover coletores. 2.dizem que a quantidade de chuva que cai durante um ano sobre um telhado de 100 metros quadrados em São Paulo. o decreto lei que estabeleceu no município de São Paulo a obrigatoriedade para todos proprietários de imóveis com área impermeabilizada superior a 500 m2 que queiram fazer reformas ou novas construções devam providenciar cisternas que ajudem a reter a água da chuva.276. que “torna obrigatória a execução de reservatório para as águas coletadas por coberturas e pavimentos nos lotes..Nos lotes edificados ou não que tenham área impermeabilizada superior a 500m" deverão ser executados reservatórios para acumulação das águas pluviais. Veremos agora algumas cidades onde já existem essas leis. 1º . Os principais pontos da Lei nº 13.. deverão ter 30% (trinta por cento) de sua área com piso drenante ou com área naturalmente permeável. 3º . Art.. Como podemos ver esta lei deixa bem clara a exigência de se fazer a captação e o armazenamento da água da chuva na cidade de São Paulo.

A essência desta lei não se restringe em apenas evitar alagamentos. uso racional e utilização de fontes alternativas para captação de água nas novas . o armazenamento e a utilização da água da chuva para múltiplos usos em substituição à cada vez mais cara água tratada.que “Cria no Município de Curitiba o Programa de Conservação e Uso Racional da Água nas Edificações . A lei carioca. pelo menos. podendo ser despejada. cinqüenta ou mais unidades. Os principais pontos da lei nº 10. 2.A água contida pelo reservatório deverá. O objetivo é fazer com que a água armazenada seja utilizada em tarefas domésticas secundárias.”Esta lei obriga entre outras coisas que todos os novos condomínios residenciais incorporem no projeto de construção a captação.1. atendidas as normas sanitárias vigentes e as condições técnicas específicas estabelecidas pelo órgão municipal responsável pela Vigilância Sanitária. a lei que “Cria no Município de Curitiba o Programa de Conservação e Uso Racional da Água nas Edificações . sendo a capacidade mínima do reservatório de reúso calculada somente em relação às águas captadas do telhado. chuveiros ou banheiras para abastecer as descargas de vasos sanitários entre outros itens que visem o uso racional da água (TRIGUEIRO. 2004). O Programa de Conservação e Uso Racional da Água nas Edificações .785 de 18 de setembro de 2003. por gravidade ou através de bombas. comerciais ou mistas que apresentem área do pavimento de telhado superior a quinhentos metros quadrados e. são: Art. e publicada no Diário Oficial do Município em 18 de Setembro de 2003. 3º No caso de novas edificações residenciais multifamiliares. a construção de reservatórios que retardem o escoamentos das águas pluviais para a rede de drenagem. 2º § 3º .3 Curitiba Sancionada pelo então prefeito de Curitiba. Os principais pontos do Decreto Municipal RJ nº 23940/2004. ela também torna obrigatória a reutilização de águas usadas na lavagem de roupas. Mais esta lei não se restringe a apenas isto. na rede pública de drenagem após uma hora de chuva ou ser conduzida para outro reservatório para ser utilizada para finalidades não potáveis.6.2004). esta já torna obrigatório. indústriais. talvez por ser mais recente. tem como objetivo instituir medidas que induzam à conservação. mas também se preocupa em preservar a água e o meio ambiente em geral. como muitas outras. 1° Fica obrigatória. como lavagem de automóveis. 1º. Art. A lei na integra pode ser conferida no anexo 2.PURAE. é bem mais completa que a paulistana. no caso de residenciais multifamiliares. será obrigatória a existência do reservatório objetivando o reuso da água pluvial para finalidades não potáveis e. e não apenas indica como a outra. limpeza de banheiros e irrigação de jardins (PMRJ.PURAE. Art. Cassio Taniguchi. infiltrar-se no solo.”. um ponto de água destinado a este reuso. a se fazer o aproveitamento da água da chuva para fins não potáveis em pelo menos um ponto de utilização em novos empreendimentos. são: Art.PURAE. salvo nos casos indicados pelo órgão municipal responsável pelo sistema de drenagem.26 abriguem mais de 50 famílias ou com mais que 500 m2 de área construída. nos empreendimentos que tenham área impermeabilizada superior a quinhentos metros quadrados.

armazenamento e aproveitamento da água da chuva. calçadas e carros (TRIGUEIRO 2004).6 Outras Cidades que pretendem criar suas legislações Na câmara municipal de Goiânia esta tramitando um projeto semelhante ao de Curitiba que obrigaria o uso de forma inteligente da água da chuva no município. armazenamento e aproveitamento da água da chuva. Art. é a Lei nº 5617 de 09 de Novembro de 2000. A água das chuvas será captada na cobertura das edificações e encaminhada a uma cisterna ou tanque. de 23 de Dezembro de 1997.1. ela institui e regulamenta uma taxa de drenagem de águas pluviais. d) lavagem de vidros.6. . armazenamento e utilização de água proveniente das chuvas e. b) lavagem de roupa. 2. a cidade de Guarulhos no estado de São Paulo também possui uma lei que regulamentaria a captação.Outro projeto do mesmo autor sugere a aplicação de sanções aos que forem flagrados desperdiçando água no uso de mangueiras para lavagem de ruas. 2. calçadas e pisos.5 Santo André Conforme MAESTRE (2003).6. As ações de Utilização de Fontes Alternativas compreendem: I . A lei na integra pode ser conferida no anexo 3. c) lavagem de veículos. Realmente esta é uma lei completa que busca antes de qualquer coisa a preservação ambiental e a valorização da água como precioso bem. 2. a cidade de Santo André no estado de São Paulo possui uma lei que faz com que o usuário indiretamente dê uma destinação alternativa e adequada para águas advindas de sua propriedade. 6º. pois além de obrigar que seja feito o aproveitamento das águas pluviais. Art.a captação e armazenamento e utilização de águas servidas.6. 2. 7º.1. II . aproveitando-a ou não. no seu capítulo XII que trata do escoamento das águas.27 edificações.4 Guarulhos -SP Conforme mencionando por MAESTRE (2003). não regulamenta a captação. A lei de Curitiba é ainda mais abrangente que a do Rio de Janeiro. também obriga que seja feita a reutilização de águas servidas. para ser utilizada em atividades que não requeiram o uso de água tratada.a captação.E determina que a população deve economizar água das mais diversas formas possíveis.1.6. tais como: a) rega de jardins e hortas. proveniente da Rede Pública de Abastecimento. bem como a conscientização dos usuários sobre a importância da conservação da água.2 Legislações Estaduais Veremos a seguir algumas legislações de âmbito estadual relacionadas a utilização da água de chuva. A Lei nº 7606.

olhardireto. Os principais pontos do Decreto Nº 48. a obrigatoriedade do emprego de tecnologia que possibilite redução e uso racional da água potável. “A meta é que a água captada da chuva seja utilizada para o abastecimento secundário..no dia 05 de Novembro de 2004. e da aquisição de novos equipamentos e metais hidráulicos/sanitários economizadores.138. tais como. construções em imóveis próprios ou de terceiros.138. a instalação de caixas de armazenamento de águas da chuva nos empreendimentos residenciais que abriguem mais de 50 unidades habitacionais. 2.6.6.. De 7 De Outubro De 2003..CPOS e a Fundação para o Desenvolvimento da Educação . poços cuja água seja certificada de não contaminação por metais pesados ou agentes bacteriológicos. .. Artigo 8º . pisos frios e áreas de lazer:.As entidades a que se refere o artigo 1º deste decreto. O projeto prevê que o reservatório de água da chuva seja proporcional ao número de unidades habitacionais e deverá ser separado do reservatório de água potável... mas é primeira lei a nível estadual a mencionar e indicar o aproveitamento de águas pluviais.2 Estado do Mato Grosso Noticia vinculado no site .28 2.2003.http://www.2.” .. das fundações instituídas ou mantidas pelo Poder Público e das empresas em cujo capital o Estado tenha participação majoritária.publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo de 08. dá conta que tramita na assembléia legislativa do Estado do Mato Grosso o projeto do deputado Gilmar Fabris (PFL) que deve obrigar empresas projetistas de construção civil a prover os imóveis residenciais e comerciais de dispositivos para a captação das águas da chuva.Da utilização da água nas áreas externas da edificação: 1.1 Estado de São Paulo O governo do estado de São Paulo.. calçadas. em especial a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo CDHU..10. bem como as demais entidades por ele controladas direta ou indiretamente. muito pelo contrário faz apenas citações..br . a Companhia Paulista de Obras e Serviços . que instituiu medidas de redução de consumo e racionalização do uso de água no Estado de São Paulo.com... e naquelas com finalidade comercial com mais de 50 m2 de área construída.FDE. Poder Executivo. reformas. nos termos deste decreto. deverão implantar. são: Artigo 1º . na pessoa do então Governador. Este decreto não trata exclusivamente da água da chuva. promover e articular ações objetivando a redução e a utilização racional e eficiente da água.. das autarquias. Geraldo Alckmin. praças. ruas. Seção I. § 1º .Os órgãos da administração pública direta... sancionou em 8 de Outubro de 2003 o decreto nº 48. b) permitida lavagem somente com água de reuso ou outras fontes (águas de chuva. também só trata de instituições públicas do estado.2. os quais deverão apresentar melhor desempenho sob o ponto de vista de eficiência no consumo da água potável. nos quais a água potável não seja obrigatoriamente necessária. citando no mesmo a utilização da água da chuva para o uso não potável. O projeto tem como objetivo o uso racional da água e prevê que farão parte de todos os projetos de construção civil no estado do Mato Grosso. minas e outros). farão constar dos editais para contratações de obras e serviços.

1 ABNT Conforme MAESTRE 2003. A metodologia desenvolvida para a elaboração deste projeto compreende a análise e/ou desenvolvimento dos seguintes tópicos: • Caracterização da área de estudo – Tem como objetivo apresentar a região onde será desenvolvido o projeto.6. 3 METODOLOGIA Este trabalho tem como objetivo central à elaboração de um projeto de aproveitamento da água da chuva para uma indústria do setor metalúrgico. • Levantamento e análise dos dados Pluviométricos – Tem por objetivo apresentar o potencial de chuva da região e servir de base para o dimensionamento do projeto. Este fato representa um importante estímulo financeiro para os usuários. para que haja a possibilidade de vir a ser implementado num futuro próximo.6. que podem economizar esta taxa implantando projetos de captação de água de chuva (AMBRUCH. . • Determinação das áreas de coleta – Tem como objetivo determinar a quantidade de água de chuva que pode ser aproveitada no complexo industrial da empresa. 2. assim como a empresa. utilizando o máximo possível à estrutura existente. 2. 2.3 Legislações Federais Veremos a seguir o que se tem em âmbito nacional a respeito de legislações relacionadas à utilização da água de chuva.3. Há em algumas cidades alemãs. como por exemplo.6. em Berlim esta lei vigora desde o ano 2000. leis que instituem que os usuários devam pagar taxas pela introdução da precipitação no sistema de esgoto.29 Se for aprovado este será o primeiro projeto a nível estadual a regulamentar efetivamente o aproveitamento da água da chuva. a vegetação em telhados. 2. • Levantamento da demanda de água na empresa – Com o objetivo de verificar a quantidade de água gasta na empresa e o quanto o aproveitamento da água da chuva pode suprir desta demanda. vem desde o ano 2000.1 Alemanha Na Alemanha existe a lei nacional de Conservação da Natureza que reduz o impacto ambiental ao definir medidas descentralizadas.6.4 Legislações Estrangeiras Veremos a seguir o que se tem em âmbito internacional a respeito de legislações relacionadas à utilização da água de chuva. mas também do ponto de vista econômico. desenvolvendo estudos visando uma norma que possa vir a dar diretrizes para a captação e o uso das águas pluviais. a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.4. 2001). de tal forma que este se torne atrativo não só do ponto de vista ecológico.

No inverno entre 13. Joinville figura entre os quinze maiores arrecadadores de tributos e taxas municipais. químico e farmacêutico. • Dimensionamento dos reservatórios – Determinar o volume e a área que cada reservatório deve ter. 4. Quanto à hidrografia o município possui rios de pequena extensão.6º C e 29. onde se . plástico.810 indústrias e emprega 58 mil pessoas. há uma área de sedimentação costeira. segundo Koeppen.000 habitantes e o município mais industrializado de Santa Catarina.9º C. A região de planície. É a maior cidade catarinense com aproximadamente 500. na microrregião Nordeste do Estado de Santa Catarina (ver figuras 13 e 14).3 mm.9º C e 20. estaduais e federais. • Elaboração do projeto do sistema – Determinar o que deve ser realizado para adequar a estrutura existente ao que se propõe. 2005) O Município de Joinville possui uma área de 1. • Determinação dos usos da água da chuva – Determinar os locais que serão abastecidos com água de chuva.325 metros na região oeste do município. O clima do município. a uma distância de 180 km de Florianópolis. mas de grande vazão. como é o caso do rio Cachoeira que passa pelo centro da cidade e desemboca na baía da Babitonga. caso do morro Pelado. 2005). em torno de US$ 8. O Produto Interno Bruto per capita de Joinville também é um dos maiores do país. Oficialmente a cidade de Joinville foi fundada em 9 de março de 1851 quando chegou a primeira leva de imigrantes europeus (PMJ. conta com 1.1 Breve caracterização do município de Joinville Localizada entre as coordenadas geográficas de 26o 18' 05'' de latitude sul e 48o 50' 38'' de longitude oeste. Cubatão. em meados do século XIV. têxtil. 2005) O parque fabril do município. As temperaturas médias no verão variam entre 23.456/ano (PMJ. Joinville teve origem numa história que envolveu a família real brasileira. detém 25% do PIB industrial catarinense (PMJ. classifica-se como Mesotérmico Úmido a Superúmido. Cachoeira e as Bacias Independentes da Região Leste. A cidade é em geral plana. na Serra Queimada. metalúrgico. o relevo se desenvolve sobre terrenos cristalinos da Serra do Mar com montanhas alcançando altitudes de até 1.45 km2 na área rural. Predominam 4 bacias hidrográficas: Rio Itapocu.135. 4 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO Neste item apresentaremos as características da cidade e da empresa onde será realizado o estudo. devido às características geomorfológicas.6 km2 na área urbana e 922. com pouco ou nenhum déficit de água. recortada por manguezais.6º C. A cidade concentra grande parte da atividade econômica na indústria com destaque para os setores metal-mecânico. A precipitação média anual é de 2491.05 km2 sendo 212. apresentando três subclasses diferentes. No leste. conforme dados da estação pluviométrica localizada no distrito de Pirabeiraba. Terceiro pólo industrial da região Sul.30 • Determinação da qualidade da água da chuva – Tem por objetivo fazer a análise da água da chuva que cai na empresa e comparar com a qualidade requerida nos processos produtivos da empresa.

2. 2005).404 consumidores e 440. de 04 de Junho de 2001. criada pela lei municipal nº 4341.1 Abastecimento de água Atualmente. Figura 13 – Localização de Joinville no Nordeste Catarinense (PMJ. totalizando assim uma vazão de 1. 4. 2005 e WIKIPEDIA.31 desenvolve a ocupação urbana.850 l/s. com capacidade nominal de tratamento de 1. o sistema de abastecimento de água de Joinville é composto pelas unidades de tratamento do Piraí com capacidade nominal de tratamento de 550 l/s e do Cubatão. 4.300 l/s.2 Abastecimento de Água e Esgoto O abastecimento de água do município de Joinville é de responsabilidade da CASAN – Companhia Catarinense de Água e Saneamento.Agência Municipal de águas e Esgotos de Joinville-SC.730 . em conjunto com a AMAE . Figura 14 – Foto do centro da cidade de Joinville (PMJ. 2005). Sendo atendidos 140. é coberta por morros que mantém intactas áreas da mata atlântica (PMJ. 2005).

A partir de 1983 inicia suas atividades internacionais exportando sua linha de compressores de ar para toda América Latina. Em janeiro de 2005 é aberto mais um escritório no exterior agora em Gutemburgo na Suécia. Inc. O consumo médio mensal é de 4. 2005 e PMJ. Fundada em 12 de Junho 1963 como Metalúrgica Schulz (Figura 15). Ao todo são 11 reservatórios dispostos na área urbana da cidade.000 habitantes. Geórgia – Estados Unidos. Em 1979 a empresa começa a produzir peças para o setor automotivo. 4. O sistema de distribuição de água de Joinville é formado por sub-adutoras. CASAN. transporte e tratamento de esgotos sanitários de Joinville contemplam apenas uma parcela da população urbana do município. da Schulz of América. No fim da década de 90 inicia-se a expansão global da empresa com a fundação. com 75 mil m² de área construída e 319 mil m² de área total.3 Breve caracterização da Empresa Schulz S.Os efluentes sanitários coletados são encaminhados para duas estações de tratamento de esgotos (ETE’s). A empresa possui as certificações ISO 9001 e ISO 9002. uma usinagem que produz componentes para as indústrias automotivas. ETE Jarivatuba e ETE Profipo (AMAE. reservatórios e redes de distribuição.830.32 habitantes. em julho de 1999. é uma empresa de capital aberto.2.331 Km de extensão (CASAN. e durante a realização deste trabalho conquistou a certificação ISO 14001 (SCHULZ. 2005. Em 1993 a empresa começa a oferecer serviços de usinagem.600 metros de extensão (AMAE.300.090. . 4. 2005).2 Coleta de Esgoto Atualmente o sistema de coleta.A.000 litros e uma rede de distribuição com 1. América Central e Estados unidos. ambas com aproximadamente 9. 2005). com capacidade para reservar 37. Hoje a Schulz.Conta com aproximadamente 1700 colaboradores que desenvolvem suas atividades num complexo industrial (figura 16). aproximadamente 98% da população do município.000 m3 (AMAE. sediada em Atlanta. A adução da água tratada até o sistema de distribuição é realizada por duas linhas adutoras. a área de abrangência da rede é de apenas 14 km². 2005). além de uma fábrica de compressores de ar. representando 16% da população urbana. 2005). aproximadamente 70. 2005 e PMJ. 2005). Inicialmente a empresa contava com apenas 26 colaboradores e com o passar dos anos decidiu investiu na diversificação e passou a produzir compressores de ar a partir de 1972. uma pequena fundição que produzia inicialmente produtos destinados ao setor agrícola e comércio. com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). onde há uma fundição de ferro nodular e cinzento.

de compressão hidráulica e máquinas pneumáticas de impacto e compressão.0%. Figura 16 – Instalações atuais da empresa Schulz S. 4.33 Figura 15 – Antigas instalações da empresa Schulz S. umidade máxima de 0. A capacidade de produção é de 50. inchamento de no mínimo 30 ml/2g. 2005). empregando em seus métodos modelos. ponto de fusão mínimo de 1400ºC.5%. partículas grossas . teor de finos de no máximo 1. Argila AFS máximo de 0.000 toneladas de peças acabadas por ano. 2005). ARGILA (Bentonita) – Umidade entre 8% e 12%.A (SCHULZ. 2005) AREIA – Módulo de finura deve estar entre 50 e 70 AFS. O processo de moldagem em areia verde consiste na confecção de moldes utilizando uma mistura preparada com areia.1 Setor Fundição O setor de fundição é responsável pela produção de peças para a industria automotiva e para abastecer a unidade de compressores da própria empresa.A (SCHULZ. Essas matérias primas devem possuir as seguintes características: (ABIFA.5% para a areia seca. pH entre 5 e 7. moldes e machos que determinam a forma de cada peça. Na produção das peças é utilizado o processo de areia verde com máquinas de moldagem.retidas na peneira (#) 40 igual a 0% - . Veremos a seguir quais são os setores da empresa e uma breve descrição dos dois principais processos que consomem mais água dentro da empresa.3. temperatura máxima de 40ºC. teor de sílica de no mínimo 98%. argila e água.

moldagem. ou pelo menos. • Refinação – Etapa que condiciona a superfície das peças para obtenção de uma camada de fosfato uniforme. 4.3. fusão. densa e micro-cristalina. Na2SO3 e Na2SO4 (ABIFA. 4. cujo prédio não possui instalado sistema de calhas para captação de águas pluviais (figura 17). pH ente 6 e 8. sulfatos máximo de 25 ppm. O processo global para a produção de uma peça fundida consiste na execução das etapas de modelação. Figura 17 – Vista do Prédio do setor de fundição (Foto do Autor). NaOH. sólidos totais dissolvidos máximo de 300 ppm.1 Pintura Nos Sistemas de Pintura Automotiva. quebra de canal e Acabamento. ÁGUA – É recomendado a utilização de água potável. . • Enxágüe I – Onde ocorre a remoção de resíduos da superfície das peças proveniente do estágio de desengraxe (óleo emulsionado e resíduos alcalinos).7 e 0.9 kg/l. entre outras. CaCl2.34 retidas na peneira (#) 200 máximo de 10%. 2005). macharia. No enxágüe é utilizada água deionizada. com produtos denominados desengraxantes. com as seguintes características: cloretos máximo de 25 ppm. o escoamento da água da chuva é feito apenas através de bocas de lobo existentes nos arredores do pavilhão. Na2CO3. evitando a contaminação dos estágios subseqüentes.2 Setor Usinagem Automotiva O processo de usinagem em si consiste em dar um acabamento adequado a peça utilizando-se de máquinas e equipamentos capazes de cortar e/ou regularizar arestas.2. água com ausência ou teores insignificantes de K2CO3.3. O setor de fundição ocupa um pavilhão com 13. cada peça passa pelos seguintes estágios de tratamento superficial: • Desengraxe – Onde ocorre a remoção de óleo e sujeita da superfície. desmoldagem.densidade aparente entre 0.803 m2 de área.

referentes à estação pluviométrica do distrito de Pirabeiraba que possui o código nº 2648033. • Secagem – Nesta etapa as peças são encaminhadas para uma estufa de secagem com aquecimento a gás natural. localizada entre as coordenadas geográficas de 26º10’48” de latitude sul e 48º56’22” de longitude oeste. Todos têm em comum a mesma função de deslocar um volume de ar e reduzi-lo.35 • Fosfatização tricatiônica – Etapa onde as peças recebem uma camada de fosfatos metálicos flexíveis. que tem um funcionamento muito simples. para que sejam asseguradas as características de resistência à corrosão e química que as peças devem ter. sendo que os principais e mais utilizados em todo mundo são: Compressores alternativos de diafragma. compressão e descarga. Iniciamos nossa análise pela determinação do índice pluviométrico da região e como podemos verificar através da Tabela 4 o índice pluviométrico desta região de Joinville é um dos mais altos do Brasil. • Passivação – Serve para selar as porosidades existentes na camada de fosfato. pintura e embalagem. Seu mecanismo é uma ação em três tempos: admissão. • Enxágüe II – Realizado para remover sais residuais. isto equivale a uma distância de aproximadamente 3 km. aumentando a resistência a corrosão e a aderência do revestimento. que transformam um tipo de energia (normalmente elétrica) em energia pneumática. com uma boa quantidade de chuva durante . Posteriormente as peças passam por um resfriador líquido (cooler). com base poliéster. 5 LEVANTAMENTO PLUVIOMÉTRICOS E ANÁLISE DOS DADOS O levantamento e a análise dos dados pluviométricos foram feitas a partir de informações retiradas do site hidroweb da Agência Nacional das Águas (ANA). evitando assim a contaminação das etapas posteriores. O processo de produção dos compressores Schulz compreende as etapas de fabricação dos reservatórios de ar. Existem várias formas de construção destes mecanismos.3. A escolha por esta estação pluviométrica se deu devido a proximidade que a mesma está da empresa cuja localização está compreendida entre coordenadas geográficas de 26º12’24” de latitude sul e 48º57’30” de longitude oeste. • Pintura Primer Epóxi – Nesta fase as peças recebem uma cobertura de primer epóxi. • Pintura Eletrostática a pó – Nesta etapa as peças recebem a última camada: a pintura eletrostática a pó. Esta estação possui uma série de dados históricos de precipitação diária desde maio de 1987 até setembro de 2004. alternativos de pistão e rotativos de parafuso. montagem. O tipo de compressor mais utilizado em todo o mundo é o alternativo de pistão.4 Setor Compressores Compressores de ar são equipamentos que realizam a compressão do ar ambiente.A água utilizada deve ter as mesmas características do enxágüe I. seguido de polimerização em estufa. subprodutos de reação e acidez proveniente da etapa anterior. 4.

mas com uma quantidade de precipitação considerável.30 170.95 218. Tabela 4– Dados de Precipitação Anual para a região norte da cidade de Joinville-SC Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Ano 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 Média Precipitação anual total (mm) 2319. Mês Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Média Média Diária Pluviométrica (mm) (mm) 391.90 2966.28 4.21 137.04 132.07 185. já o outono e o inverno são de meses mais secos.00 2094.80 2894.90 58.64 11.90 3056.66 66.66 47. como nos mostra a Tabela 5.80 51.40 2411.04 Máxima Diária já registrada (mm) 175.36 todos os meses do ano.70 2617.80 2166.22 280.90 322.90 117.60 2839.2 7.70 103. esta afirmação também é confirmada em se considerando os demais dados apresentados na tabela 5.22 12.62 136.20 100. principalmente nos meses compreendidos entre as estações de primavera e verão.45 46.59 77.99 41.22 29.60 Média Máxima Diária (mm) 83.90 2401.38 36.50 2620.10 131.78 6.13 39.10 1978.9 6.00 123.32 207.50 2708.01 210.70 69.74 50.66 125.00 2178.04 4.50 87.57 4.30 1990.77 Média de dias com chuva 23 21 20 16 13 12 14 11 19 20 18 20 Fonte: Autor .19 4.30 81.41 3.80 2491.41 9.33 6.90 2614.20 85.50 95.26 Fonte: Autor Tabela 5 – Dados médios de precipitação para a região norte da cidade de Joinville-SC no período de Maio de 1987 a Setembro de 2004.30 111.

Numa segunda etapa ordenou-se em ordem decrescente os valores e estimou-se a freqüência ou probabilidade pelo método Califórnia utilizando-se da equação (2) e o tempo de retorno.07% 3.4.04% 2.01 Fonte: Autor .54% 84.19 6.48% Variável Reduzida (X) 5.4321 1.5643 3.34% 46.24% 23.89% 72. utilizaremos o método 2 .1. Com os dados da probabilidade transformou-se a em uma variável reduzida.11% 53.4.8531 1.1611 1.11% 3.50 48.06 1.20 3.4808 0. Tabela 6 – Dados da análise estatística para determinação do período de seca Nº de dias consecutivos sem chuva 22 20 18 16 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 QTD 1 1 2 2 1 7 7 7 13 5 13 15 15 15 36 24 18 10 Nº Probabilidade acumulado (P) 1 2 4 6 7 14 21 28 41 46 59 74 89 104 140 164 182 192 0.0525 -1.7266 0.18 1.30% 99.17 27.25 32.2601 4. há a necessidade da realização de um estudo estatístico que nos dê a quantidade de dias sem chuva no ano.4552 3. considerando apenas o maior período em cada mês.88% 14.63% 7.2561 -0.83% 30.00 96.Uso da Análise total.71 4.51% 21.97% 94.86 1.6394 -1.2565 -0.52% 1.27 2. este ajuste linear pode ser verificado através do Gráfico 1.1 deste trabalho.17 1.89 4. utilizando-se da equação (3). assim como dias com precipitação menor que 1 mm foi considerado dias sem chuva.8659 3.79 9.0083 0. Assim sendo.3010 1.6606 Tempo de retorno (Tr) 193.38 1. através da lei de Gumbel utilizando-se da equação (4). para verificar a existência de alguma relação linear entre o número de dias sem chuva e a variável reduzida.57% 38. para a determinação do período de seca.37 5. para que se possa realizar o dimensionamento do reservatório de forma mais precisa.2984 2.25% 10. com os dados diários relativos aos meses compreendidos entre Janeiro de 1988 e Dezembro de 2003 elaborou-se a Tabela 6 onde se determinou o número de eventos de dias consecutivos sem chuva em cada ano.57 13. descrito no item 2.61 2. Como nossa estação pluviométrica possui dados de apenas 16 anos de precipitação diária.5862 2.1 Estudo estatístico para determinação do período de seca Como apresentado no item 2.

o Sistema 4 cobre boa parte do setor de fundição e a área norte do terreno que faz divisa com as terras do Grêmio Multibrás. que trata das instalações prediais de águas pluviais. Dos três galpões apenas o do setor da fundição não possui sistema de captação de água instalado.9931 4. o que me garante um ajuste linear da ordem de 99.0692 (6) Onde: Y é o número de dias consecutivos sem chuva x é o valor da variável reduzida 6 DETERMINAÇÃO DAS ÁREAS DE COLETA O complexo industrial da empresa é composto por três galpões de grande porte onde ficam localizados as unidades produtivas de compressores. áreas de apoio 1 e 2 entre outros. além de prédios de menor porte como prédio do setor de manutenção.Verificação do ajuste Linear 24 22 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 -3.9942x + 6.9931.38 Gráfico 1 . De posse do projeto da rede de drenagem interna da empresa (Anexo 4) identificou-se a existência de quatro sistemas independentes de drenagem pluvial.0 -1.0 3. . pois o coeficiente de correlação linear (R2) encontrado foi igual a 0.0 Nº de dias consecutivos sem chuva y = 2. usinagem automotiva e fundição.0 2. talvez por ser o mais antigo dos três e por ter sido construído antes da criação da NBR 611/81.31% de certeza.9942x + 6.0 0. Este último sistema coleta basicamente águas provenientes do escoamento superficial com uma quantidade elevada de material particulado gerado principalmente no setor de fundição.0 1. o Sistema 3 compreende a região onde estão locados vários prédios de menor porte como setor de manutenção e etc.0 6.0 5. outro cobre a região do prédio do setor de usinagem automotiva que denominamos Sistema 2.0 Váriavel Reduzida Dados Linear (Dados) Fonte: Autor O ajuste linear foi verificado. devido a este fator iremos manter este sistema como está e não vamos considerar o aproveitamento desta água neste trabalho. A equação do sistema obtida foi: Y = 2. sendo que um deles cobre a região do prédio do setor de compressores que neste estudo chamaremos de Sistema 1.0 -2..A maioria dos prédios possui sistema de captação de águas pluviais com calhas e condutores que foram dimensionados de acordo com a NBR 611/81.0692 R2 = 0.A empresa possui também sistema de galerias pluviais que direcionam as águas da chuva para um córrego que passa no lado externo da fábrica.

060 4.052 790 623 617 190 4. .170 7. pois não se tem à planta de cobertura dos prédios e in loco verificasse que as áreas são semelhantes. Na Tabela 7 apresentamos os resultados obtidos para cada sistema individualmente e o volume total de água da chuva aproveitável em toda a fábrica mensalmente.39 A proposta é fazer o aproveitamento da água da chuva proveniente dos sistemas 1. desconsiderando áreas de terra e jardim devido sua alta permeabilidade.2 e 3 considerando como área de coleta a área do prédio em planta baixa. Também serão considerados as áreas das ruas internas e pátios como área de coleta.490 m2 12.442 m2 m2 m2 m2 m2 m2 m2 Fonte: Autor Com os dados relativos a média pluviométrica mensal (Tabela 5) e área de coleta (Quadro 4) podemos calcular o volume máximo de água que poderá ser captado.191 m2 1. utilizando-se da Equação (1) V = C x P x A. As áreas consideradas em cada um dos sistemas estão detalhados na Quadro 4.701 m2 Sistema 2 2.295 m2 m2 Sistema 1 26. Quadro 4 – Quadro de Áreas de Coleta Área do Prédio de Compressores Área de pátio e vias internas Área Total Área do Prédio da usinagem automotiva (incluindo a ampliação concluída em Abril de 2005) Área de pátio e vias internas Área Total Área do Prédio da Manutenção Área de Apoio 1 Área de Apoio 2 Sistema 3 Área do Prédio do Tratamento Térmico Área do Prédio da Informática Área de pátio e vias internas Área Total 22.355 m2 9.

90 2.08 0.21 5.041.18 733.17 84.49 27.193.27 405.84 137.38 2.19 81.65 276.31 0.78 72.03 3.46 2.88 1.95 4.289.56 273.76 3.11 3.99 156.55 Sistema 3 (m3/dia) 44.52 843.11 0.501.979.01 Volume total (m3) 10.90 801.55 24.26 358.00 288.71 486.97 359.71 357.50 3.063.84 2.24 3.514.025.496.24 75.20 287.86 2.76 167.003.67 2.946.39 25.89 84.14 2.13 328.57 1.029.59 347.96 3.85 168.24 119.24 226.17 0.72 270.33 269.47 Fonte: Autor Considerando a quantidade média de dias com chuva em cada mês.90 33.452.70 150.21 2.53 Sistema 3 (m3) 1.551.03 28.693.47 79.17 Sistema 1 (m3) 6.40 Tabela 7 .66 22.630.042.59 40.319.36 541. As quantidades .03 248.500.730.17 0.61 Fonte: Autor 7 LEVANTAMENTO DA DEMADA DE ÁGUA NA EMPRESA Atualmente a empresa é abastecida parte com água fornecida pelo sistema CASAN .15 0.24 4.71 549.68 88.62 Volume total (m3/dia) 450.984.356.52 80.56 81.322.470.62 258.47 370.33 302.50 3.20 5.Volume Diário aproveitável de água de chuva empresa Meses Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Média Total Nº dias no mês (m3/m2) 23 21 20 16 13 12 14 11 19 20 18 20 Sistema 1 (m3/dia) 273.44 246.066.606.32 1.03 489.658.505.63 3.371.50 1.128.51 27.388. Tabela 8 .26 0.170.93 Sistema 2 (m3) 3.92 5.41 26.11 0.11 0.22 0.79 175.199.73 66.766.45 163.68 15.17 3.70 27.51 974.410.205.Volume mensal aproveitável de água de chuva na empresa Meses Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Média Total Volume unitário (m3/m2) 0.060.621.53 4.82 1.79 7.39 5. foi possível determinar a quantidade média de chuva que cai em um dia em cada um dos meses do ano nas áreas onde propomos a realização da coleta.913.08 108.19 8.82 5.67 1.631.15 36.174.56 165.404.24 224.54 1.76 1.92 277.AMAE e parte com água proveniente de dois poços.443.44 Sistema 2 (m3/dia) 132.14 1.55 29. Os resultados são apresentados na tabela 8.10 183.58 28.60 571.612.73 174.79 2.89 1.41 54.015.10 0.

528 7.128 8.715 8. Tabela 10 .528 7.362 2.939 4.181 9. são apresentados na Tabela 9.Consumo de água por áreas de trabalho Mês Hidrômetro 3 geral (m ) Consumo Fundição (m3) Consumo Compressores (m3) Consumo Automotiva (m3) Consumo Área de Apoio (m3) Consumo Refeitório (m3) Consumo Pintura Pó (m3) fev/04 mar/04 abr/04 mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 8.699 7.766 6.766 8.446 9.573 Consumo de água de poço (m3) 3.236 10.776 4.574 4.229 9.358 3.516 4. isto ocorreu devido à instalação de um novo hidrômetro que separou a medição do consumo da divisão de pintura automotiva. do geral consumido pelo setor. proveniente da concessionária de abastecimento público.012 2. .347 4.829 6.608 Fonte: Autor O consumo de água tratada na empresa.406 4.128 8.423 4.643 8.016 1.034 4.656 7.699 7.880 2.678 2.561 4.761 Consumo de água Casan (m3) 5.740 600 578 497 647 531 711 810 803 784 753 624 609 1. Tabela 9 .637 3.230 6.41 mensais consumidas relativo aos dois sistemas independentemente.621 2.664 5.519 5.723 3.995 2.908 9.704 4. referente ao período compreendido entre Fevereiro de 2004 e Janeiro de 2005.291 5.735 5.505 4.493 2.715 8.471 2.028 2.163 3.036 1. vem aumentando de forma considerável a cada ano.299 1. Verifica-se que o consumo do setor automotivo diminuiu a partir de Janeiro de 2005. assim como somados.206 4.181 9.665 3.662 5.247 3.229 9.937 1.517 3.236 10.726 1.424 3.809 5.656 7.769 4.Consumo de água na empresa Consumo de água total (m3) 8.213 5.188 Meses fev/04 mar/04 abr/04 mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 Consumo médio mensal Fonte: Autor Na Tabela 10 encontramos a divisão de consumo geral por área dentro da empresa.895 589 409 492 480 327 356 333 356 392 366 465 389 484 131 190 208 524 762 853 200 873 880 975 786 1.446 9.608 7.643 8.908 9.822 4.

000 150. assim como a relação entre esses dois fatores.000 75.998 31.25 52.265 21.94 55.29 Ano 2001 2002 2003 2004 Fonte: Autor Gráfico 2 .13 21. Tabela 11 – Evolução do consumo e do custo de água tratada na empresa Consumo (m3) 21. tendo em vista que no período compreendido entre os anos de 2001 e 2004 o consumo de água na empresa cresceu em 135.55 36.11 85. Esta relação entre consumo e custo é verificada com maior clareza através do Gráfico 2.000 50.265 38.439.17 110.328.595.998 85.37 -23. A primeira coleta ocorreu na manhã do dia 19/05/2005. outras foram feitas em laboratório terceirizado que possui convênio com a empresa. Algumas análises foram realizadas na própria empresa.00 Aumento no consumo (%) -42.59 34.000 110.823 Custo (R$) 56.654.63%.328.004 171.11 31.06 28. após uma madrugada de chuva com uma intensidade razoável.000 0 2001 2002 Consumo m3/ano 2003 Custo R$/ano 2004 56.595.42 proporcionando um aumento de custo ainda maior.Evolução Consumo X Custo (2001/2004) 200.004 51.823 38.58 % enquanto os custos cresceram em 204.17 51.439. neste dia foram coletadas águas provenientes apenas das calhas .82 171.36 Aumento Aumento de nos custos custos em relação (%) a consumo(%) -52. As coletas foram realizadas em dois dias distintos de chuva.000 25.000 125. Na Tabela 11 é possível verificar o quanto foi consumido e o quanto foi gasto com água tratada na empresa no período de 2001 a 2004.000 175.82 100.00 Fonte: Autor 8 DETERMINAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA DA CHUVA Para a determinação da qualidade da água da chuva foi realizada a coleta de água em cinco pontos distintos do complexo industrial da empresa e feita a análise laboratorial.654.

para o sabor da água. • Alcalinidade Total – A alcalinidade da água é uma medida de sua capacidade em reagir com ácidos fortes para atingir determinado valor de pH. causando efeito laxativo. A dissolução de eletrólitos em água aumenta a sua condutividade e. Dureza. A segunda coleta ocorreu no dia 24/05/2005 também numa manhã após uma madrugada de chuva intensa. dependendo da concentração de eletrólitos totais dissolvidos. também. • Condutividade – Pode-se definir condutividade como a capacidade de uma substância em conduzir corrente elétrica.43 dos galpões dos setores de compressores e usinagem automotiva. sódio e potássio. após sua calibração. principalmente perfurado na zona litorânea. analisou os parâmetros de Alcalinidade total. Cloretos. Os parâmetros analisados internamente foram pH. Sólidos totais dissolvidos e Sulfato. • Cloretos – São sais encontrados nas águas. Métodos e equipamentos utilizados apresentados no laudo da análise (anexo 5). já as externas foram realizadas algumas horas após no caso da coleta do dia 19/05 e uma semana depois no caso da coleta do dia 24/05. em suspensão finamente diluído ou em estado coloidal e de microorganismos. a alcalinidade contribui. magnésio. • Turbidez – A turbidez de uma água é decorrente da presença de sólidos. A água pura é uma substância má condutora de corrente elétrica em função de sua fraca ionização. na qual se planeja captar a água para o reaproveitamento. Na água potável. onde foram captadas amostras provenientes das tubulações finais dos sistemas de drenagem pluvial interna da empresa que deságuam no corpo receptor no lado externo da fábrica. 2 e 3. Em geral o efeito nocivo ocorre quanto está associado ao cálcio. Esses pontos de coleta foram determinados a partir da análise do projeto de drenagem interna onde identificamos os pontos finais das redes dos sistemas 1. A alcalinidade da água natural é. Para a determinação da turbidez utilizou-se de um turbidímetro modelo AP2000 da PoliControl que realiza a leitura automática da turbidez. tipicamente. A seguir é apresentada a descrição de cada um desses parâmetros. • pH – A determinação do pH é importante para determinar a acidez ou a alcalinidade de uma água. Nas águas distribuídas nas grandes cidades apresenta teor muito baixo. cujo diâmetro varia desde as mais grosseiras suspensões as mais finas dispersões coloidais. Para a determinação do pH utilizou-se de um pHmetro modelo MP 120 que realiza a leitura automática do pH. uma combinação de íons bicarbonato (HCO3-). turbidez e condutividade. Níveis muito . já as analises externas que foram realizados pela empresa Acquaplant química do Brasil Ltda. que em altos níveis podem afetar a saúde do homem e dos animais. pode conferir ao meio características eletroquímicas que o tornam altamente corrosivo. orgânicos e inorgânicos.. Sílica. Para a determinação da condutividade utilizou-se de um condutimetro que realiza a leitura automática da condutividade. É a característica que apresentam certas águas de resistirem a passagem de luz através de uma massa. após sua calibração.. A partir do momento que se verifica se uma água é acida ou básica pode-se realizar diversas analises a respeito de fatores que causam isto na água. íons carbonato (CO32-) e hidroxilas (OH-). devida a matéria em suspensão em seu seio. o que já não acontece em alguns casos de poços. As análises internas foram realizadas imediatamente após a coleta. após sua calibração. resistência essa.

a presença de alta concentração destes sólidos. normalmente encontrados.muito dura. Uma classificação genérica que pode ser tomada como base para água bruta é a seguinte: Dureza total (mg/l CaCO3) menor que 15 . . etc. correspondem respectivamente a coleta na calha do prédio de compressores. quando estão sob ação do calor pode ocorrer à formação de carbonatos. ferro.muito branda. de 100 a 200 . bicarbonatos. tais como: cálcio. Métodos e equipamentos utilizados apresentados no laudo da análise (anexo 5). provocando incrustações em chaleiras. magnésio.automotiva. Métodos e equipamentos utilizados apresentados no laudo da análise (anexo 5). tubulação final do sistema 1. Os lados oficiais das análises realizadas pela Acquaplante Química do Brasil Ltda podem ser conferidos no anexo 5. de 15 a 50 . a dureza é um dos parâmetros de qualidade da água mais analisados. • Dureza – Originariamente descrita como a capacidade da água em precipitar sabão. A prática atualmente estabelecida é assumir a dureza total como referência apenas às concentrações de cálcio e magnésio. Por estas características.44 altos caracterizam a presença de esgotos sanitários ou matéria orgânica.branda. talvez maiores dos que acima mencionado. indica que deverá ser realizada uma análise mais detalhada para verificação dos elementos constituintes mais críticos e/ou perigosos. Métodos e equipamentos utilizados apresentados no laudo da análise (anexo 5). aumentando o poder de corrosão da água. fosfatos e possivelmente nitratos de cálcio. • Sólidos totais dissolvidos – São constituídos principalmente por carbonatos. A água contendo sais de dureza não espuma em presença de uma solução de sabão. manganês e outras substâncias. pois os sais formam precipitados com os ânions da solução de sabão. e dá outras providências. saída externa tubulação de concreto automotiva e saída tubulação externa PVC.dura e maior que 200 . porém sabe-se que na vida aquática. Ainda não se demonstrou a existência de efeitos adversos ou benéficos da dureza sobre a saúde humana. de 25 de Março de 2004 do Ministério da Saúde. que estabelece os procedimentos e responsabilidades relativas ao controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. bário. uma boa relação entre dureza e alcalinidade pode diminuir a toxicidade da Amônia e do pH. amostra 02 . estrôncio. potássio. amostra 01 . calha do prédio da usinagem automotiva. magnésio. mesmo dentro dos limites tolerados. estão na faixa de 3 a 50 mg/l como SiO2. além disso. Os resultados das análises realizadas são apresentados na Tabela 12. sulfatos. Dureza é a denominação genérica dada à soma das concentrações dos íons polivalentes presentes na água. Métodos e equipamentos utilizados apresentados no laudo da análise (anexo 5). pequenas quantidades de ferro. tubulação final do sistema 2 e tubulação final do sistema 3. • Sílica –É um constituinte de todas as águas naturais. Métodos e equipamentos utilizados apresentados no laudo da análise (anexo 5). cloretos. Independente da fonte de água os valores de sílica. os pontos de coleta mencionados nos laudos como sendo. • Sulfatos – Podem originar-se de numerosas descargas industriais.compressores. onde são comparadas com os padrões de potabilidade estabelecidos pela portaria Nº518. entupimentos em chuveiros e tubulações de água quente. saída externa de concreto lavação. Águas altamente alcalinas podem em certas ocasiões apresentar valores. As águas com altos níveis de sulfatos podem apresentar efeito laxativo característico do sulfato de sódio e de magnésio. de 50 a 100 moderadamente branda.

0 9.5 2. como se verificou no caso da coleta diretamente da calha do prédio em questão. se propõe que seja realizado um tratamento simplificado tornando assim esta uma água própria para o abastecimento da empresa em conjunto com a água dos poços.45 Tabela 12 . ou até mesmo eliminando este gasto em determinados meses.6 3.0 -21. esta área não foi considerada como área de coleta e deverá ser isolada através de uma pequena mureta e um sistema de drenagem independente que não será aproveitado.0 13.8 21.3 < 25 6.6 27.8 21. 9 DETERMINAÇÃO DOS USOS DA ÁGUA DA CHUVA Considerando as análises realizadas e a excelente qualidade encontrada.6 4.0 5. fazendo com que se reduza consideravelmente à quantidade de água adquirida da concessionária.9 < 5.6 19.3 26.6 6.0 51. pode-se dizer que é uma água de qualidade de manancial classe 1 em quase todos os pontos.7 5.0 8. 10 DIMENSIONAMENTO DOS RESERVATÓRIOS Para o dimensionamento do reservatório.0 -< 1000.4 7.4 21.: A alta turbidez apresentada na água proveniente do sistema 2 está diretamente relacionada com o escoamento de água na encosta do morro que fica atrás do prédio da usinagem automotiva.3 5.0 29.0 -11.1 7.0 17.0 . um valor para a .8 32.8 < 25 5. Logo a quantidade de chuva a ser coleta dependerá exclusivamente da capacidade de coleta e reservação.8 < 25 6.Resultado das Análises da água da chuva Pontos de Coleta Calha Calha Saída Saída Saída Padrão de Compressores Usinagem Sistema Sistema Sistema Potabilidade 1 2 3 Portaria Nº518 MS 8.0 Parâmetros PH Turbidez (UT) Condutividade (ms/cm) Alcalinidade Total (mg/l CaCO3) Cloretos (mg/l Cl) Dureza (mg/l CaCO3) Silica (mg/l SiO2) Sólidos totais dissolvidos (mg/l) Sulfato (mg/l (SO4)-2) Fonte: Autor Baseando-se nos resultados apresentados concluí-se que a água da chuva que cai na empresa é de muito boa qualidade e que pode ser utilizada para os mais diversos fins.5 7.5 < 25 < 250.8 < 25 6.6 13.8 30. conforme parâmetros constantes na resolução CONAMA Nº20 de 18 de junho de 1986.0 < 500.7 0.8 4. adotaremos um tempo de retorno de 5 anos (60 meses). Faz com que esta água tenha uma qualidade semelhante às outras.7 56.9.6 28. assim sendo teremos. Considerando apenas os parâmetros analisados.0 43.0 1.6 9.3 23.0 < 250.3 94. partindo da tabela 6. Obs.

30.01 m3 b) Volume a ser armazenado no reservatório superior: Vrs1 = 10 % de Vt1 Vrs1 = 0.79 m3/dia x 19 dias Vt1 = 3. Temos então: • Volume de reservação para o sistema 1: a) Volume total de reservação sistema 1: Vt1 = Volume diário aproveitável médio x n. multiplicado pelo número de dias consecutivos sem chuva.87 m3 .88 m3/dia x 19 dias Vt2 = 1. A proposta inicial seria a de se fazer à construção de três cisternas.1 x Vt1 Vrs1 = 0.20 m3 c) Volume da cisterna 1: Vc1 = Vt1 . para onde seriam enviadas as águas pluviais após a sua desinfecção.01 – 349.492. Os volumes das cisternas foram calculados considerando a média anual diária de chuva que cai na área de abrangência.086).688. iremos então considerar o número de dias sem chuva igual a 19.20 Vc1 = 3.81 m3 • Volume de reservação para o sistema 2 : a) Volume total de reservação sistema 2 : Vt2 = 88. considerando que já existe na empresa um reservatório superior construído com capacidade para armazenar aproximadamente 520 m3 de água. além de um novo reservatório superior exclusivo para águas pluviais com capacidade equivalente a 10% da capacidade total.0167.46 probabilidade (P) igual a um sobre sessenta (P=1/60).72 Vrs2 = 168. já considerados os 20% de perda (ver Tabela 8). Determinado o valor de x e substituindo na equação (6) temos Y = 18.º de dias sem chuva Vt1 = 183. ou seja 0.492.01 Vrs1 = 349.Vrs1 Vc1 = 3.492.086 (x = 4. e para a variável reduzida x um valor igual a 4.1 x Vt2 Vrs2 = 0.1 x 1688.142.72 m3 b) Volume a ser armazenado no reservatório superior: Vrs2 = 0.1 x 3. uma para cada sistema de coleta.

11 ELABORAÇÃO DO PROJETO DO SISTEMA O projeto consiste em direcionar as águas pluviais provenientes dos três sistemas independentes de captação através de galerias que farão a união dos sistemas e direcionarão para uma lagoa de reservação no ponto mais baixo do terreno da empresa ao lado do estacionamento.97 m3/dia x 19 dias Vt1 = 569.94 m3 c) Volume da cisterna 3: Vc1 = Vt1 .82 m3 • Volume de reservação para o sistema 3: a) Volume total de reservação sistema 3: Vt1 = 29. No entanto antes de chegar na lagoa à água captada passará por um tanque bem menor onde ficarão retidas as primeiras águas coletadas e em seguida por uma pré-filtração com um filtro de camada única de brita que terá como objetivo a retenção de partículas em suspensão presentes na água.94 Vc1 = 512. no entanto sua capacidade será determinada em função da disponibilidade deste comercialmente.1 x Vt1 Vrs1 = 0.87 + 56. O reservatório superior continua nos planos.Vrs2 Vc2 = 1. .1 x 569.519.49 m3 • Volume do reservatório superior: Vrst = Vrs1 + Vrs2 Vrst = 349.43 m3 b) Volume a ser armazenado no reservatório superior: Vrs1 = 0.43 – 56.20 + 168.72 – 168.01 m3 No entanto após a realização dos cálculos.87 Vc2 = 1. garantindo uma autonomia de aproximadamente 11 dias de consumo de água na empresa.43 Vrs1 = 56.Vrs1 Vc1 = 569.47 c) Volume da cisterna 2: Vc2 = Vt2 . verificou-se que seria muito oneroso construir três cisternas com tal capacidade de reservação e partiu-se para uma segunda alternativa que consiste na construção de uma lagoa de reservação de águas pluviais capaz de armazenar parte da água proveniente dos três sistemas.688.94 Vrst = 575.

foram desenvolvidos todos os cálculos. Se optarmos em cobrir será utilizado material semelhante ao utilizado para a confecção de estufas na agricultura. adotou-se um novo diâmetro para a tubulação das galerias e verificaram-se novamente as velocidades. Após a lagoa a água passará por um filtro capaz de tratar uma vazão de aproximadamente 20 m3/h.Determinou-se o diâmetro dos tubos e a velocidade do escoamento utilizando a fórmula de Manning.Determinou-se a Vazão de cada trecho utilizando o método racional. na saída deste reservatório será feita à desinfecção da água através de UV ou cloração e esta será encaminhada para o reservatório superior de água potável existente na empresa com capacidade de 520 m3 de onde será distribuída para o consumo. para o dimensionamento das tubulações. 3º . podendo ou não ser coberta.48 A lagoa será confeccionada através da escavação do solo e impermeabilização com geomembranas de PVC. 11. Baseando-se na proposta de projeto apresentado na Figura 18. .1 Galerias O sistema de galerias de drenagem para coleta da água das três redes internas foi calculado conforme as regras para o dimensionamento de redes de drenagem pluviais da seguinte forma: 1º .Considerando o diâmetro das tubulações existentes. que não seja transparente. reservatório pronto de maior volume encontrado no comercio atualmente. descritos a seguir. 2º . Do filtro a água será bombeada para um reservatório superior com capacidade de 100 m3. A localização em planta do projeto proposto pode ser verificado no anexo 4.

55m 14. Está diretamente ligado com a rugosidade da superfície.65m I = 0. onde se adotou um coeficiente de deflúvio (C) igual a 80%. possibilitando-nos assim a somar as vazões em cada ponto.0033 m/m 70 m m m/ 7 01 0.015 m/m 12.50m 75 m 11.Para a determinação da intensidade da chuva foi considerado um tempo de duração de 10 minutos com tempo de retorno igual a 5 anos. A área de drenagem da bacia foi considerada a área de cada um dos sistemas propostos.0 Tr 11. no entanto veremos que isto não fará diferença pois as tubulações existentes possuem diâmetros bem superiores aos calculados.0086 m/m I = 0. As vazões foram determinadas através do método racional. .69m 145 m I = 0. o que pode acarretar no superdimensionando do projeto. que através da Tabela 3 nos forneceu um valor de 131. Na falta de dados mais preciso a respeito do calculo da intensidade da chuva considerou-se o tempo de concentração igual em todos os pontos.05m vai para o rio 0. determinado em função da superfície de escoamento.9 mm/h.40m pa S2 Φ 120 mm S3 Caixa de descarte 1º chuva Φ 80 mm S1 Φ 120 mm i va m 88 I= 11. no qual devemos adequar nosso dimensionamento. utilizando-se da equação (5). Para a determinação dos diâmetros e das velocidades foram utilizadas fórmulas rearranjadas partindo da fórmula de Manning original: Q = A x R2/3 x I1/2 / n (7) Onde: Q = Vazão ( m3/s) A = Área molhada (m2) R = Raio Hidráulico (m) I = Declividade (m/m) n = Número de Manning (m-1/3.00m Figura 18 – Proposta para execução das galerias de drenagem (Autor).90m 11. através de tabelas.49 ão aç r t l fi rép ra 11.s).

84 1.0 m/s em todos os trechos.10 1.007 0.397 x ( D )2/3 x ( I )1/2 / n Para a realização dos cálculos adotou-se n = 0. evitando assim alguns problemas com sedimentação de materiais. chegou-se as seguintes expressões para a determinação de diâmetros (D) e velocidades (V): D = 1.35 0.77 1.0017 0. Tabela 13 – Planilha de Dimensionamento Trecho Sistema Área (Km2) Vazão Diâmetro Velocidade Diâmetro Velocidade Vazão Declividade acumulada calculado calculada adotado adotada 3 Q (m /s) I (m/m) Vc (m/s) D (m) V (m/s) Qac (m3/s) Dc (m) 1 2 3 4 S2 .58 1.26 Fonte: Autor 11.35 0.55 [ n x Q / ( I ) 1/2]3/8 .50 3. A declividade foi determinada em função da topografia do terreno em cada trecho. então se propõe que seja feito um tanque capaz de reter dois metros cúbicos (2 m3) de água. Os valores referentes ao dimensionamento das tubulações são apresentados na Tabela 13.22 0.20 1.2 Tanque de retenção e descarte O tanque de retenção e descarte (Figura 19) servirá para coletar a água das primeiras chuvas responsáveis pela lavagem da superfície de captação.65 1. Os diâmetros calculados foram redimensionados em virtude da existência de tubulações com diâmetro superior a montante do trecho dimensionado. etc.67 1. considerando a área de coleta e o montante a ser coletado este volume deve ser suficiente para fazer o refinamento da água captada.43 1. que no presente momento não há necessidade de está detalhando como foi realizada.Tr Tr . No fundo do taque haverá uma tubulação provida de um registro que servirá para o descarte da água armazenada após o termino da chuva e para a limpeza do tanque. .35 1.60 m/s e 5.20 1. cuja superfície não é muito lisa. obstrução de tubulações. Para um sistema de galerias bem dimensionado as velocidades de escoamento devem estar compreendidas entre 0. V = 0.36 0.0086 0.24 1.75 2.81 1. Não foi encontrado nada na literatura que estabelecesse parâmetros para o dimensionamento deste tanque.20 1.026 0. Este tanque terá um aparato em frente à tubulação de entrada para frear a água possibilitando assim que ocorra a sedimentação das maiores partículas no tanque mesmo em caso de chuva intensa.Pf 0.046 0.50 Após a reorganização da equação 7.50 0. considerando uma tubulação de concreto.012 0.36 0.11 1.76 1.0150 0.S3 S3 . 017. alagamentos a jusante.S1 S1 .0033 0.

pois ele retém as impurezas contidas na água.05 m 2 .55 m m 11 . . sendo necessária a realização da manutenção periódica de limpeza do pré-filtro.51 11.00 m vai para o rio Tubulação de lim peza e descarte Figura 19 – tanque de descarte das primeiras águas (Autor). PVC.0 0m RG 2. possuindo no seu interior uma camada de brita ou cascalho rolado. fibra de vidro ou alvenaria. Na Figura 20.65 11. A instalação do pré-filtro é indispensável para uma pré-limpeza.3 Pré-filtração O pré-filtro é uma estrutura que pode ser construída em concreto. pode-se observar o esquema de um pré-filtro. tendo como função principal a limpeza das partículas em suspensão presentes no escoamento da água da chuva. 11.

7 5m .00 m • Inclinação do talude = 1. • Comprimento interno = 37 m • Profundidade = 2.3 Lagoa de reservação A lagoa de reservação será feita através da escavação do solo que será revestida com uma manta impermeabilizante de PVC apropriada para a confecção de grandes tanques de armazenamento.0 x 41.000 m3 de água.50 m • área da Lagoa = 41. 11.0 m Figura 20 – Pré-filtro (Autor).00 m Limpeza filtro vai para o rio 1.0 m Pré-Filtro (Brita) 6. a largura e o comprimento do tanque e este nos fornecia o volume do tanque e a área de manta necessária assim como as inclinações das paredes.050 m3 O projeto desta lagoa pode ser conferido na figura 21. A lagoa foi dimensionada para ter a capacidade de armazenar no mínimo 3. O resultado de nossa consulta de dimensionamento no site da empresa RECOLAST (2005) foi o seguinte: • Largura interna = 37 m. 1.52 Lagoa de Armazenamento 3.298.21 m2 • volume de armazenamento = 3. o dimensionamento foi feito a partir do site de um fabricante destas mantas impermeabilizantes.0 • área da manta = 2. onde apenas se fornecia a profundidade.50 m 0.50 • ancoragem = 1.

em termos de custo. O cartucho pode ser lavado e reutilizado diversas vezes a partir do grau de retenção de 5 micra. confiabilidade e opções de micragem.0 m 37. para proporcionar uma vedação efetiva. tamanho. Foi projetado especificamente para trabalhar com um cartucho plissado. neste projeto se propõe que seja realizada a compra de um filtro comercial compacto recomendado para a filtração de águas superficiais. Sua construção robusta permite operação até 10 bar (150psi). A opção de cartucho carregado com carvão ativado granulado permite sua utilização como declorador e desodorizador da água.050 m3 37. Um dos modelos que pode ser adotado é o filtro central tipo Big-Bubba (Figura 22) fabricado pela empresa Springway.4 Filtração Para a realizar a filtração. A ampla gama de micragens disponíveis permite a seleção do cartucho em função do grau de retenção necessário a cada aplicação. a custos reduzidos.0 m Pré-filtração Figura 21 – Lagoa de Reservação (Autor). A tampa superior do filtro é fixada com parafusos prisioneiros basculantes para facilitar sua manutenção. Especificações: . portanto não está sujeito a ferrugem. 11.53 Cerca de Isolameto 41. A capacidade de retenção dos cartuchos plissados é incomparavelmente superior à dos filtros carregados com areia.0 m Extravasor 41.0 m Lagoa de Reservação V = 3. cujas características apresentamos a seguir: Filtro central tipo Big-Bubba Este filtro é construído inteiramente em polipropileno reforçado. Essa combinação permite filtrar altas vazões de água com baixa perda de carga. indentações ou corrosão. com rosca no selo superior.

54 • Denominação : TFMBBH-150 • Vazão Máxima : 570 LPM ou 34. • Fácil de instalar. facilita a manutenção. • Sistema de fixação do cartucho permite instalações e manutenções rápidas. 2005) Figura 22 – Filtro central tipo Big-Bubba (SPRINGWAY./caixa : 41x41x99 cm • Conexão : 2” NPT Aplicações: • Podem fornecer água livre de cistos.8 kg • Dim. não sofre indentações. • Apropriado para filtrar água do mar. edifícios. 2005) . barro ou outros sedimentos. com grande vazão para residências. não é corroído. • Desenho compacto permite instalações duplex ou múltiplas. • Suporta pressões de até 10 bar (150psi). (SPRINGWAY. Execuções e benefícios: • Não enferruja.2 m3/h • Peso : 16. • Atua como pré filtro para sistemas de Osmose Reversa de grande porte. hotéis. O acesso as conexões é totalmente livre. indústrias e similares. escolas. quando se requer filtros sem componentes metálicos. • Sistema econômico para atender comércio e indústria em grandes vazões. • Sistema de fechamento da tampa com prisioneiros basculantes. • Vazão e graus de retenção oferecidos atendem aos requerimentos para filtração de água em geral. • Recomendado para a filtração de águas de superfície. e temperaturas de até 60ºC (125ºF).

cabo de aço. . fazendo com que o custo final em caso de execução não seja exatamente esse. para esta capacidade o reservatório possui diâmetro de 10. Outra possibilidade seria a desinfecção por raios ultravioleta com equipamento importado que foi orçado para fazer parte de um outro projeto que existe dentro da empresa o de reuso da água da estação de tratamento.57 m3. Neste reservatório será feita a desinfecção da água que irá abastecer o reservatório superior já existente na empresa que possui uma capacidade de armazenamento de aproximadamente 520 m3 (Figura 23).6 Desinfecção Para a desinfecção existem duas possibilidades.20 m de altura com capacidade real de 103. A composição dos preços baseia-se em alguns orçamentos feito diretamente com empresas fornecedoras dos produtos. além de consulta de preços em lojas que possuem site na Internet e planilhas de composição de preços da prefeitura de São Paulo no caso de custos com escavação e assentamento de tubulação. Neste caso o reservatório é fabricado com perfis de alumínio.47 m e 1.55 11. 12 BREVE ANÁLISE DE CUSTOS Para finalizarmos o projeto é preciso fazer uma previsão de quanto investimento será necessário para executá-lo.5 Reservatório Superior O reservatório superior terá capacidade para 100 m3 e poderá ser adquirido da empresa Recolast que fabrica reservatórios até esta capacidade com tampa. seu peso vazio é de 730 kg. no entanto não será muito fora destes valores. Figura 23 – Reservatório superior existente (Autor) 11. uma seria a aplicação de cloro. perfis de borracha e cobertura em sombrite. pois são valores praticados atualmente no mercado. Logo esses valores podem variar de região para região. que seria dosado convenientemente num tanque contato antes de sua entrada no reservatório superior existente e depois do reservatório exclusivo de água de chuva. para isso se elaborou uma planilha de custos que apresentamos na Tabela 14.

00 16.555.20 720. Sub-total 7 1 7.00 1 16.595.00 405.00 9.00 e a tendência é de aumento para 2005. um tempo para retorno de investimento bem atrativo do ponto de vista econômico.80 mm Instalador da manta Proteção mecânica manta Filtro central tipo BigBubba Reservatório pronto 100 m3 Tubulação em PVC filtro-reser. fazendo assim com que o projeto se pague em aproximadamente 2 anos.250.00 2.423.tanque de retenção 1º chuva Sub-total 1 un.00 25.82 72. Desinfecção por UV Equipamento U_VAP_AW 092 Unidade Quantidade m m 378 378 preço unitário (R$) 154.750.00 1 6.00 30.00 9.00 14.500.500.00 17.00 1.80 mm escavação Revestimento em manta PVC 0. 1 barra 6m 1 Sub-total 2 m3 18 m 3 18 30 m2 Sub-total 3 m3 3050 m2 dia m 2 9.00 62.023. 1 un.00 30.353. filtro un. Lagoa de reservação Sub-total 4 5. e com a execução do projeto só será necessário a compra de água da concessionária em épocas de grande estiagem ou aumento exorbitante do consumo.00 1.125.00 2298 3 246 4.02 pode-se economizar anualmente mais de R$ 100.50 custo total (R$) 58.00 16.00 considerando que em 2004 foram gasto com abastecimento de água R$ 171.56 Tabela 14 – Planilha de custos Etapa do Projeto 1 .353.058.00 180.00 1.00 17.000.212. barra 6m 100 Sub-total 6 un. .00 13.50 500.00 25.500.82 1.00 1.00 5.647.40 40. Sub-total 5 6.00 169.02 2.058.294.750.00 25.125. Galerias Item Tubos de concreto Assentamento de tubos Caixa de reservação registro Tubo PVC Escavação brita 3. sem falar no retorno em termo imagem e marketing da empresa ao se propor em realizar um projeto como este altamente ecológico.00 17.500. reservatório superior un.00 31. com um investimento de R$ 180.19 1.125.670.20 28.230. Pré-filtro Revestimento em manta PVC 0.435.00 6.00 38.058.40 13. desinfecção CUSTO TOTAL DO PROJETO Fonte: Autor Conforme observamos na planilha de custos o projeto é altamente rentável.

57 13 CONSIDERAÇÕES FINAIS Pode parecer ousado de mais propor a utilização da água da chuva para uso potável para uma empresa de grande porte. mais também no que se refere ao marketing que a empresa poderia fazer em cima disso. considerando que normalmente se propõe a utilização apenas para usos menos nobres. inclusive abrindo portas para novos investidores e novos mercados. . A execução deste projeto por parte da empresa poderia não somente trazer um ganho de receita referente aos custos com água potável. Outro ponto que nos levou a elaborar esta proposta foi à questão ecológica-econômica. sabendo trabalhar bem este lado o tempo de retorno relativo ao investimento inicial reduzira ainda mais. é um projeto que engloba estes dois fatores sendo atrativo em ambos os casos. No entanto o potencial de chuva e a qualidade da mesma foram tão significantes que utilizar esta água apenas em áreas menos nobres seria um desperdício muito grande deste bem natural. tendo em vista que o tratamento não requer tanta sofisticação. O lado ambiental de um projeto de aproveitamento de águas pluviais é incontestável e deveria ser mais difundido principalmente em regiões como a da cidade de Joinville onde quantidade de chuva é exorbitante e a qualidade da água é muito boa.

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61 ANEXOS .

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ANEXO 1 - Legislação do município de São Paulo DIÁRIO OFICIAL DO MUNICÍPIO. Ano 47 - Número 3 - São Paulo, sábado, 5 de janeiro de 2002 LEI Nº 13.276, 04 DE JANEIRO DE 2002 (Projeto de Lei nº 706/01, do Vereador Adriano Diogo - PT) Torna obrigatória a execução de reservatório para as águas coletadas por coberturas e pavimentos nos lotes, edificados ou não, que tenham área impermeabilizada superior a 500m". Art. 1º - Nos lotes edificados ou não que tenham área impermeabilizada superior a 500m" deverão ser executados reservatórios para acumulação das águas pluviais como condição para obtenção do Certificado de Conclusão ou Auto de Regularização previstos na Lei 11.228, de 26 de junho de 1992. Art. 2º - A capacidade do reservatório deverá ser calculada com base na seguinte equação: V = 0,15 x Ai x IP x t V = volume do reservatório (m3) Ai = área impermeabilizada (m2) IP = índice pluviométrico igual a 0,06 m/h t = tempo de duração da chuva igual a um hora. § 1º - Deverá ser instalado um sistema que conduza toda água captada por telhados, coberturas, terraços e pavimentos descobertos ao reservatório. § 2º - A água contida pelo reservatório deverá preferencialmente infiltrar-se no solo, podendo ser despejada na rede pública de drenagem após uma hora de chuva ou ser conduzida para outro reservatório para ser utilizada para finalidades não potáveis. Art. 3º - Os estacionamentos em terrenos autorizados, existentes e futuros, deverão ter 30% (trinta por cento) de sua área com piso drenante ou com área naturalmente permeável. § 1º - A adequação ao disposto neste artigo deverá ocorrer no prazo de 90 (noventa) dias. § 2º - Em caso de descumprimento ao disposto no "caput" deste artigo, o estabelecimento infrator não obterá a renovação do seu alvará de funcionamento. Art. 4º - O Poder Executivo deverá regulamentar a presente lei no prazo de 60 (sessenta) dias. Art. 5º - Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

ANEXO 2 - Legislação do município do Rio de Janeiro Decreto Municipal RJ - n. 23940/2004 – Captação de Água da Chuva Diário Oficial da Prefeitura do Município da Cidade do Rio de Janeiro de 02 de fevereiro de 2004 Art. 1° Fica obrigatória, nos empreendimentos que tenham área impermeabilizada superior a quinhentos metros quadrados, a construção de reservatórios que retardem o escoamentos das águas pluviais para a rede de drenagem. Art. 2º A capacidade do reservatório deverá ser calculada com base na seguinte equação: V = k x Ai x h, onde V = volume do reservatório em m3; k = coeficiente de abatimento, correspondente a 0,15; Ai = área impermeabilizada (m2) h = altura de chuva (metro), correspondente a 0,06m nas Áreas de Planejamento 1, 2 e 4 e a 0,07m nas Áreas de Planejamento 3 e 5. § 1º Os reservatórios deverão atender às normas sanitárias vigentes e à regulamentação técnica específica do órgão municipal responsável pelo sistema de drenagem, podendo ser abertos ou fechados, com ou sem revestimento, dependendo da altura do lençol freático no local. § 2º Deverá ser instalado um sistema que conduza toda água captada por telhados, coberturas, terraços e pavimentos descobertos ao reservatório. § 3º - A água contida pelo reservatório deverá, salvo nos casos indicados pelo órgão municipal responsável pelo sistema de drenagem, infiltrar-se no solo, podendo ser despejada, por gravidade ou através de bombas, na rede pública de drenagem após uma hora de chuva ou ser conduzida para outro reservatório para ser utilizada para finalidades não potáveis, atendidas as normas sanitárias vigentes e as condições técnicas específicas estabelecidas pelo órgão municipal responsável pela Vigilância Sanitária. § 4º A localização do reservatório, apresentado o cálculo do seu volume deverá estar indicada nos projetos e sua implantação será condição para a emissão do “habite-se”. § 5º No caso de opção por conduzir as águas pluviais para outro reservatório, objetivando o reuso da água para finalidades não potáveis, deverá ser indicada a localização desse reservatório e apresentado o cálculo do seu volume. Art. 3º No caso de novas edificações residenciais multifamiliares, indústriais, comerciais ou mistas que apresentem área do pavimento de telhado superior a quinhentos metros quadrados e, no caso de residenciais multifamiliares, cinqüenta ou mais unidades, será obrigatória a existência do reservatório objetivando o reuso da água pluvial para finalidades não potáveis e, pelo menos, um ponto de água destinado a este reuso, sendo a capacidade mínima do reservatório de reúso calculada somente em relação às águas captadas do telhado. Art. 4º Sempre que houver reúso das águas pluviais para finalidades não potáveis, inclusive quando destinado a lavagem de veículos ou de áreas externas, deverão ser atendidas as normas sanitárias vigentes e as condições técnicas específicas estabelecidas pelo órgão municipal responsável pela Vigilância Sanitária visando:

deverá ser apresentada declaração assinada pelo profissional responsável pela execução da obra e pelo proprietário. de que os reservatórios e as instalações prediais destinadas ao reuso da água para finalidades não potáveis. ainda. sendo terminantemente vedada qualquer comunicação entre este sistema e o sistema predial destinado a água não potável. definindo os dispositivos. quando previsto. Art. com descrição sucinta do sistema instalado e. a somatória das áreas acrescidas após a data de publicação deste decreto – for igual ou superior a cem metros quadrados e a somatória da área impermeabilizada existente e a construir resultar em área superior a quinhentos metros quadrados. 7º Nos casos enquadrados neste decreto. 6º Nas reformas. no caso de reformas sucessivas. . de que a edificação atende a este decreto. estão atendendo às normas sanitárias vigentes e às condições técnicas específicas estabelecidas pelo órgão municipal responsável pela Vigilância Sanitária. definindo sinalização de alerta padronizada a ser colocada em local visível junto ao ponto de água não potável e determinando os tipos de utilização admitidos para a água não potável. processos e tratamentos necessários para a manutenção desta qualidade. Art. Artº 5º Os locais descobertos para estacionamento ou guarda de veículos para fins comerciais deverão ter trinta por cento de sua área com piso drenante ou com área naturalmente permeável. sendo o reservatório calculado em relação à área impermeabilizada acrescida. por ocasião do pedido de habitese ou da aceitação de obras. o reservatório será exigido quando a área acrescida – ou. II – garantir padrões de qualidade de água apropriados ao tipo de utilização previsto.2 I – evitar o consumo indevido. 8º Este decreto entra em vigor na data da sua publicação. bem como à regulamentação técnica específica do órgão municipal responsável pelo sistema de drenagem. III – impedir a contaminação do sistema predial destinado a água potável proveniente da rede pública. Art.

PURAE.785 de 18 de setembro de 2003.” Art. . tem como objetivo instituir medidas que induzam à conservação. b) chuveiros e lavatórios de volumes fixos de descarga. são adotadas as seguintes definições: I – Conservação e Uso Racional da Água . Art. 2º. para ser utilizada em atividades que não requeiram o uso de água tratada. tais como: a) rega de jardins e hortas. Os sistemas hidráulico-sanitários das novas edificações. serão também instalados hidrômetros para medição individualizada do volume de água gasto por unidade. uso racional e utilização de fontes alternativas para captação de água nas novas edificações. bem como a conscientização dos usuários sobre a importância da conservação da água. Art. III .a captação e armazenamento e utilização de águas servidas. além dos dispositivos previstos nas alíneas “a”.Utilização de Fontes Alternativas – conjunto de ações que possibilitam o uso de outras fontes para captação de água que não o Sistema Público de Abastecimento. Art. IV . 4º. Para os efeitos desta lei e sua adequada aplicação. As ações de Utilização de Fontes Alternativas compreendem: I . c) torneiras dotadas de arejadores. 5º.ANEXO 3 .Águas Servidas – águas utilizadas no tanque ou máquina de lavar e no chuveiro ou banheira. II . serão utilizados aparelhos e dispositivos economizadores de água. Uso Racional e de Conservação da Água nas Edificações.800/00.a captação. 1º. Parágrafo único. Nas ações de Conservação. bem como a sustentabilidade dos recursos hídricos.Legislação do município de Curitiba LEI Nº 10. tais como: a) bacias sanitárias de volume reduzido de descarga. Art. “b” e “c” deste artigo. A água das chuvas será captada na cobertura das edificações e encaminhada a uma cisterna ou tanque. 7º. serão projetados visando o conforto e segurança dos usuários. Nas edificações em condomínio. “Cria no Município de Curitiba o Programa de Conservação e Uso Racional da Água nas Edificações . O Programa de Conservação e Uso Racional da Água nas Edificações PURAE. armazenamento e utilização de água proveniente das chuvas e. proveniente da Rede Pública de Abastecimento. Art. 6º. Art.conjunto de ações que propiciam a economia de água e o combate ao desperdício quantitativo nas edificações. II – Desperdício Quantitativo de Água – volume de água potável desperdiçado pelo uso abusivo. b) lavagem de roupa. definidas pela Lei nº 9802/00. As disposições desta lei serão observadas na elaboração e aprovação dos projetos de construção de novas edificações destinadas aos usos a que se refere a Lei nº 9. inclusive quando se tratar de habitações de interesse social. 3º.

estabelecendo os requisitos necessários à elaboração e aprovação dos projetos de construção. para as novas edificações. será descarregada na rede pública de esgotos. versando sobre o uso abusivo da água. entre outras.2 c) lavagem de veículos. abordagem do tema nas aulas ministradas nas escolas integrantes da Rede Pública Municipal e palestras. d) lavagem de vidros. Art. O Poder Executivo regulamentará a presente lei. instalação e dimensionamento dos aparelhos e dispositivos destinados à conservação e uso racional da água a que a mesma se refere. O não cumprimento das disposições da presente lei implica na negativa de concessão do alvará de construção. O combate ao Desperdício Quantitativo de Água. 8º. métodos de conservação e uso racional da mesma. As Águas Servidas serão direcionadas. compreende ações voltadas à conscientização da população através de campanhas educativas. 9º. 11. apenas após tal utilização. Art. Art. Art. a reservatório destinado a abastecer as descargas dos vasos sanitários e. calçadas e pisos. 12. Esta lei entra em vigor em 180 (cento e oitenta dias) contados da sua publicação. . 10. Art. através de encanamento próprio.

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