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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SANTOS

ROBERTO PEREIRA DE LUCENA

A ADAPTAÇÃO COMENTADA DE

UNEQUALLY BOUND:

THE CONDITIONS OF SLAVE LIFE AND TREATMENT

IN SANTOS COUNTY, BRAZIL, 1822-1888

SANTOS – 2008

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ROBERTO PEREIRA DE LUCENA

A ADAPTAÇÃO COMENTADA DE

UNEQUALLY BOUND:

THE CONDITIONS OF SLAVE LIFE AND TREATMENT

IN SANTOS COUNTY, BRAZIL, 1822-1888

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


como exigência parcial para obtenção do grau de
Bacharel em Tradução e Interpretação, à
Universidade Católica de Santos.
Orientador: Prof. Me. José Martinho Gomes

SANTOS – 2008

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ROBERTO PEREIRA DE LUCENA

A ADAPTAÇÃO COMENTADA DE

UNEQUALLY BOUND:

THE CONDITIONS OF SLAVE LIFE AND TREATMENT

IN SANTOS COUNTY, BRAZIL, 1822-1888

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


como exigência parcial para obtenção do grau de
Bacharel em Tradução e Interpretação, à
Universidade Católica de Santos.
Orientador: Prof. Me. José Martinho Gomes

Banca Examinadora:

______________________________________________________________
Prof. Me. José Martinho Gomes, Universidade Católica de Santos

______________________________________________________________
Prof. Christian Ares Lapo, Universidade Católica de Santos

Data de aprovação: __________________________

SANTOS – 2008

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AGRADECIMENTOS

A José Martinho Gomes, meu orientador, que inspirou, deu alento, e


foi capaz de acompanhar com grande dedicação esta empreitada.

A todos os professores e funcionários da Universidade Católica de


Santos, com quem convivi nesses quatro anos, não só pela acolhida cordial,
mas, principalmente, por apoiarem com seus conhecimentos e seu trabalho
minha formação como aluno.

A meus colegas do curso de Tradução e Interpretação, pelo estímulo e


convivência fraternal.

E a Ana Priscilla, com quem, além de compartilhar o lar e a vida em


comum, pude contar como consultora especializada no assunto de que trata o
corpus deste trabalho.

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LUCENA, Roberto Pereira de. A Adaptação Comentada de Unequally Bound:
The Conditions of Slave Life and Treatment in Santos County, Brazil, 1822-
1888. Santos, 94p. (Trabalho de Conclusão de Curso) Universidade Católica
de Santos.

Este trabalho tem por objetivo demonstrar que as adaptações, ou seja,


traduções nas quais são buscadas soluções para atingir maior clareza para um
público-alvo específico, são elaboradas por meio do emprego sistemático de
procedimentos específicos, consagrados na literatura sobre os problemas da
tradução.

As principais fontes teóricas de pesquisas são as obras de John Milton, Lauro


Maia Amorim, Francis Aubert e Heloisa Gonçalves Barbosa.

Utilizamos, como exemplo de aplicações das teorias aqui citadas, um dos


capítulos de minha adaptação para o português da dissertação de doutorado
elaborada por Ian William Olivo Read para o Departamento de História da
Universidade de Stanford, do estado da Califórnia, EUA, que tem por título
Unequally bound: the conditions of slave life and treatment in Santos County,
Brazil, 1822-1888.

Palavras-chave: modalidades tradutórias, procedimentos tradutórios, tradução,


público-alvo, adaptação.

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LUCENA, Roberto Pereira de. A Adaptação Comentada de Unequally Bound:
The Conditions of Slave Life and Treatment in Santos County, Brazil, 1822-
1888. Santos, 94p. (Trabalho de Conclusão de Curso) Universidade Católica
de Santos.

The objective of this paper is to demonstrate that an adaptation, a kind of


translation in which solutions are used in order to achieve clarity for a specific
target reader, is made by means of the systematic use of specific procedures,
which have been established in literature based on translations difficulties.

The main theoretical sources for research are the works of John Milton, Lauro
Maia Amorim, Francis Aubert and Heloisa Gonçalves Barbosa.

As an example of the theories herein used, we will analyze my adaptation into


the Portuguese language of a dissertation for the degree of Doctor of
Philosophy made by Ian William Read, to the Stanford University of the State of
California, USA, called Unequally bound: the conditions of slave life and
treatment in Santos County, Brazil, 1822-1888.

Keywords: translation modalities, translation procedures, translation, target


reader, adaptation.

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Sumário

Introdução ................................................................................................... 07

I. Considerações teóricas ........................................................................... 09


1.1 A Tradução ....................................................................................... 09
1.2 O Texto original ................................................................................ 11
1.3 A Fidelidade ...................................................................................... 13
1.4. A Adaptação .................................................................................... 14

II. O corpus ................................................................................................. 17


2.1 Uma breve apresentaçao ................................................................ 17
2.2 O texto fonte e sua tradução adaptada ........................................ 18

III. Análise dos procedimentos tradutórios utilizados na tradução ............. 65


3.1 As adaptações preliminares ............................................................. 65
3.2 Omissões de tabelas ........................................................................ 67
3.3 Omissões de comentários ................................................................ 67
3.4 Omissões de parágrafos .................................................................. 67
3.5 Omissões de palavras ou expressões .............................................. 70
3.6 Acréscimos ...................................................................................... 74
3.7 Procedimentos tradutórios de Vinay e Darbelnet ............................. 76
3.8 Reconstruções de períodos de Newmark ........................................ 85
3.9 Transposições de categorias de Catford .......................................... 87

Considerações finais .................................................................................. 91


Referências Bibliográficas .......................................................................... 93
Bibliografia Consultada ............................................................................... 94

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Introdução

As traduções de textos escritos originalmente em língua estrangeira


envolvem necessariamente transformações outras além das lingüísticas: são
influenciadas pela época, pelo lugar, e principalmente pela cultura do público-
alvo a quem se destina. Quando algum desses fatores é muito distinto entre o
texto-fonte e o texto da tradução, o tradutor faz uso de alguns procedimentos
para guiar suas escolhas em relação à linguagem, de modo a manter o foco no
objetivo de seu trabalho. Um texto fonte, portanto, pode servir a mais de um
tipo de tradução, podendo ser moldado ao objetivo pretendido, o que
caracteriza uma adaptação desse texto.

Assim, o presente trabalho propõe um estudo da teoria em que estão


baseados os procedimentos usados para a elaboração de uma tradução
adaptada a um objetivo específico, e a análise de sua aplicação na prática.

Para tanto, como corpus deste trabalho, foi escolhido um capítulo da


dissertação de doutorado Unequally Bound: The Conditions of Slave Life and
Treatment in Santos, Brazil, 1822-1888 (READ, 2006), elaborada
originalmente em língua inglesa, por Ian William Olive Read, historiador da
Universidade de Stanford, EUA. A dissertação está sendo traduzida por mim
de forma adaptada para um texto didático com linguagem acessível para
estudantes e leitores em geral, interessados na história de Santos no século
XIX.

Esse trabalho será apresentado da seguinte forma:

No capítulo I, Considerações Teóricas, vamos abordar os estudos


elaborados por alguns teóricos com cujas obras tomamos contacto ao longo
desse nosso curso de Tradução e Interpretação. A partir da classificação que

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esses teóricos fazem das chamadas modalidades de tradução, vamos
exemplificar os procedimentos tradutórios que foram usados para atingir o
objetivo de fazer a tradução de um texto adaptado para um determinado
público leitor.

No capítulo II, Apresentação do Corpus, faremos uma breve explanação


a respeito do referido trabalho original de Ian Read, e introduziremos o capítulo
oito, que será apresentado em tabela ao lado da tradução adaptada para
permitir a comparação entre o texto de partida e a tradução.

O Capítulo III, Análise dos Procedimentos Teóricos Utilizados na


Adaptação, inicialmente expõe as modificações que foram levadas a efeito,
como, por exemplo, a divisão do capítulo em sub capítulos, a definição de
algumas palavras específicas da terminologia da época em que se situa o
texto, e alguns dados biográficos de historiadores citados. São também
exemplificados e analisados os cortes, acréscimos e demais procedimentos
tradutórios.

Por fim, seguem as nossas considerações finais, as referências


bibliográficas usadas neste trabalho, bem como a bibliografia consultada.

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I – Considerações teóricas

1.1 A Tradução

De acordo com o Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa, a origem


latina de tradução, traductione, significa “ação de levar em triunfo, de transferir
de uma ordem a outra” (HOUAISS, 2001).

Uma tradução que transfira o conteúdo mais completo possível do texto


de partida, mesmo que fazendo as mudanças necessárias para adequar a
forma do texto às características da língua de chegada, fará com que o leitor
seja transportado para o universo cultural do contexto em que o texto foi
produzido, e conheça algo sobre aquele universo, e não apenas o assunto
abordado.

A teorização entre os diferentes níveis de adaptação do texto traduzido


leva ao questionamento do que seria afinal uma tradução fiel ao original. E,
antes, o que é realmente uma tradução? O que é fidelidade? O que é um texto
original?

Heloisa Gonçalves Barbosa faz uma análise das categorizações dos


procedimentos técnicos encontrados na obra de diversos teóricos.

No modelo de Vinay e Darbelnet, publicado em 1977, dois eixos


principais abrangem os diferentes procedimentos: a tradução direta
compreende o empréstimo, o decalque e a tradução literal; integram a
tradução oblíqua a transposição, a modulação, a equivalência e a adaptação
(BARBOSA, 1990, p. 31).

No presente trabalho serão utilizadas as modalidades da tradução


oblíqua.

Assim, dá-se a transposição quando são realizados rearranjos


morfossintáticos para se adequar o texto de partida ao de chegada, seja por

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meio de fusões ou desdobramentos de palavras, alterações gramaticais ou da
ordem das palavras.

A modulação é considerada uma reestruturação semântica de


superfície, quando uma mudança estrutural é realizada, mantendo o mesmo
sentido.

A adaptação é a opção do tradutor pelo afastamento total do texto de


partida, como forma de tornar acessível seu sentido para o leitor a que se
destina, criando um texto equivalente dentro de outro aspecto cultural.

Ainda segundo Barbosa, Eugene A. Nida e Charles R. Taber classificam


a tradução em equivalência formal, centrada não apenas no conteúdo, mas na
forma do texto fonte, e que deve gerar, na língua de chegada, um texto que
corresponda aos mesmos elementos lingüísticos e extralingüísticos; e
equivalência dinâmica, que, em lugar de privilegiar os padrões culturais do
contexto da língua original, procura passar ao leitor a mesma mensagem
dentro dos elementos extralingüísticos presentes no universo dele, leitor. A
tradução literal, no entender de Nida & Taber, reproduz mecanicamente as
características da forma do texto-fonte, caracterizando a correspondência
formal, em oposição à equivalência dinâmica, em que o tradutor procura
reproduzir um efeito equivalente ao que teria sido criado pelo texto fonte,
privilegiando-se, entretanto,

os modos de comportamento relevantes no contexto de sua (do texto


de chegada) própria cultura, em vez de insistir que ele compreenda
os padrões culturais do contexto da língua-fonte. (BARBOSA, 1990, p.
31).

Gerardo Vazquez-Ayora considera que a tradução literal é um


procedimento único, e divide todos os outros procedimentos em duas
vertentes, que fazem parte da tradução oblíqua: os procedimentos principais
(transposição, modulação, equivalência e adaptação), e os complementares
(amplificação, explicitação, omissão e compensação) (ibid., p. 43).

Peter Newmark, em função do foco dado sobre o autor ou sobre o leitor,


considera o princípio do efeito equivalente aquele que aproxima o texto do
leitor, ao diminuir as diferenças estruturais e realidades extralingüísticas entre
os idiomas. Conclui que os procedimentos de tradução podem ser polarizados

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em dois extremos: a tradução semântica, focada sobre a língua e o autor
originais, e a tradução comunicativa, com foco na língua de chegada e no leitor
(BARBOSA, 1990, p. 49).

Para Catford, tradução é “a substituição de material textual numa língua


por material textual noutra língua” (apud BARBOSA, 1990, p. 35). A partir
dessa definição, ele considera os procedimentos técnicos como transposições,
que podem ser de ordem ou de categorias.

As transposições de ordem acontecem ao ocorrerem mudanças entre a


ordem gramatical e a ordem lexical quando da tradução.

As transposições de categorias são, segundo o autor, a perda de


correspondência formal, e estão divididas em transposição de estrutura, de
classe, de unidade e de intra-sistema (ibid., p. 35).

Barbosa conclui:

[...] no entanto, acredito que é na conceituação da teoria das


funções da linguagem, da tipologia dos textos e da finalidade das
traduções que está a chave para a solução da tensão entre a
tradução literal e não literal, que é, ao mesmo tempo, a tensão entre
o conteúdo e a forma. Isto porque é a definição destes fatores que
permitirá a decisão de qual modo de traduzir será adequado em
cada caso. Conforme o foco se deslocar ao longo desses elementos
será escolhido o modo de traduzir adequado, não dicotomicamente
entre tradução literal e não literal, mas passando por toda uma
gama de modos de traduzir variados que se encontram entre estes
dois pólos: mais literal se o foco recair sobre o autor, menos literal
se cair sobre o leitor, e assim por diante. (ibid., p. 109)

1.2 O texto original

Podemos afirmar que uma tradução é literal e outra pode ser livre, mas
é questionável afirmar que uma delas é fiel, e outra não, a um texto tido como
original. Até mesmo o conceito de originalidade de um texto é discutível, uma
vez que um autor ao escrever transforma em signos uma visão que ele tem de
uma idéia, real ou fictícia, mas anterior a seu texto. Esses signos dependem
de um leitor (ou um tradutor/leitor) que possa dar sentido a eles, de acordo

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com sua cultura específica, época em que vive, conceitos próprios e outras
variantes. Esse texto, a partir da leitura do qual um tradutor vai passar o que
ele entende como seu sentido, melhor seria chamado de texto-fonte, a partir
do qual seria criado um texto equivalente na língua de chegada.

Rosemary Arrojo (2002, p. 23), para demonstrar que o conjunto de


signos presentes em um texto não é uma representação fiel e estável de um
objeto que existiria fora do labirinto da linguagem, mas sim uma fonte de
significados em potencial, criou a imagem do palimpsesto, do grego
palimpsestos, que significa papiro ou pergaminho cujo texto primitivo foi
raspado, para dar lugar a outro.

Assim, a leitura/tradução de um texto, em cada comunidade cultural e


em cada época, é sempre uma forma de apagar o anterior para dar lugar a
uma nova leitura/interpretação. De acordo com o francês Roland Barthes,
“qualquer texto, por pertencer à linguagem, pode ser lido sem a ‘aprovação’ de
seu autor […], que passa a ser mais um elemento que utilizamos para
construir uma interpretação coerente do texto” (BARTHES, 1979, apud
ARROJO, 2002, p. 40).

Cristina Carneiro Rodrigues (2000, p. 202) observa que “a tradição


sempre considerou que teríamos pleno acesso à origem. Essa ilusão
manifesta-se, na literatura sobre tradução, pelo próprio uso do termo texto
original sinônimo de texto-fonte”. Na visão da autora, não se pode recuperar a
origem do texto-fonte.

Se a cultura não é a fonte das representações, mas seu efeito; se a


representação não domina nem oculta o referente, ela cria e
interpreta esse referente, sem oferecer um acesso imediato a ele, o
tradutor não lida com uma fonte, nem com uma origem fixa, mas
constrói uma interpretação que, por sua vez, também vai ser
movimento e desdobrar-se em outras interpretações.

Em uma análise, Arrojo nota que a tradução é muitas vezes associada à


noção de inferioridade, ou mesmo de traição, e que muitos consideram que o
tradutor deva ser invisível, reproduzindo o original, devido a uma concepção
clássica de signo como substituição de uma presença plena. De acordo com
Arrojo,

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as concepções de que a tradução é uma representação precária e
derivada teriam partido de uma tradição que escamoteia a noção de
que todo original com os signos que os constituem, é também
mediação e simulacro e, portanto, também provisório e secundário.
Toma-se o texto a ser traduzido – já secundário e provisório por sua
condição de signo – pela presença, pela coisa-em-si, pelo original,
por aquilo que supostamente poderia ser objetivamente reconhecido
e determinado. (ARROJO, 1993b, p. 73 apud RODRIGUES, 2000,
p. 204)

De acordo com a análise de Rodrigues, considerar o texto original uma


fonte transparente de significados o transformaria em uma representação
direta do referente, enquanto que

trata-se apenas de signo de signo, isto é, uma representação da


fala. Tudo que o fonocentrismo pensa ser característica da fala é,
por uma espécie de esquecimento, transposto para o texto-fonte; e
a secundariedade e a precariedade que caracterizariam a escritura
se atribuem à tradução. (RODRIGUES, 2000, p. 204)

1.3 A fidelidade

André Lefevere destaca que a assim chamada fidelidade pode ser


apenas uma estratégia tradutória, que além do viés poético pode também
carregar uma opção ideológica, sendo, por isso, utópico considerá-la como a
única estratégia aceitável de tradução.

De fato, longe de serem ‘objetivas’, ou ‘livres de julgamento’, como


seus defensores nos levariam a acreditar, ‘traduções fieis’ são
freqüentemente inspiradas por uma ideologia conservadora.
(LEFEVERE, 1992b, p. 51, apud RODRIGUES, 2000, p. 130)

Lauro Maia Amorim aponta também para a utopia de tradução fiel, já


que nem mesmo o autor do texto-fonte pode garantir que seu texto terá uma
leitura considerada verdadeira.

Não há como impedir que aquilo que ele tenha produzido seja, de
alguma forma, apropriado pelos leitores, já que essa apropriação é
um gesto constitutivo da interpretação. Todavia, diferentemente da
concepção de que a atividade tradutória, em geral, acarreta alguma
forma de violência, cristaliza-se a tradição que pressupõe a
possibilidade de traduções marcadas pela neutralidade. Para essa
tradição, o tradutor deve ser o menos visível possível, ou seja, deve

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produzir traduções que dêem, ao leitor, a impressão de estar lendo
o próprio original. (AMORIM, 2005, p. 35)

Rodrigues acrescenta que a literalidade não existe per se, não são
repetições neutras de textos em outras línguas.

É impossível repetir significados porque não se retorna ao idêntico:


novas situações, novos comentários, novas relações intertextuais e
interculturais sempre se instauram em uma leitura. A ‘literalidade’, a
‘servidão’, o ‘correspondente formal’ não são repetições neutras de
textos em outras línguas – passam pelo viés e pela interpretação do
tradutor. (RODRIGUES, 2000, p. 212)

Arrojo evidencia a utopia do projeto logocêntrico (a palavra como o


centro de qualquer texto ou discurso), já que a interpretação humana não é
constante ou imutável. Segundo ela,

é impossível encontrarmos um nível de apreensão neutra de


significados, que possa ocorrer fora de um contexto e
independentemente da interferência de um sujeito. [...] Desse modo,
o que se supõe ser a ‘essência’ ou a ‘verdade’ de um texto é uma
interpretação dele, feita por um sujeito situado em um tempo e
lugar. (ARROJO,1992a, p. 70, apud RODRIGUES, 2000, p. 213)

1.4 A Adaptação

O tradutor pode optar por uma forma de passar o sentido do que está
escrito no texto de partida, considerando principalmente o universo do leitor do
texto de chegada. Esse universo abrange uma cultura certamente diversa
daquela do autor e dos leitores do texto de partida, e que não pode ser perdida
de vista pelo tradutor. Além das diferenças gramaticais, a abordagem do
assunto passa a ser transferida para sua correspondente formal da língua e da
cultura do leitor que se deseja atingir.

Esse e outros modelos são abordados pelos estudiosos da tradução em


diferentes períodos históricos. No século XVIII, John Dryden (1956, apud
MILTON, 1998, p. 26) considerava três formas de tradução: a metáfrase, que
seria a mais literal, quando se traduziria um autor palavra por palavra e linha

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por linha, de uma língua para outra; a paráfrase, em que o tradutor mantém o
sentido do texto do autor, podendo até mesmo ampliá-lo, sem seguir
estritamente suas palavras, mas não alterá-lo; e a imitação, por meio da qual
o tradutor varia não somente as palavras, mas também o sentido do texto,
partindo da idéia geral do original, e fazendo as adaptações que julgar
necessárias.

A adaptação, segundo Lauro Maia Amorim, é considerada por certas


comunidades interpretativas uma transgressão, ou uma prática de agressão à
integridade de um texto, devendo por esses motivos ser desvinculada da
prática da tradução. Entretanto,

os limites que a separariam da tradução não são ‘naturais’ nem tão


nítidos como se supõe, e não há nenhuma unanimidade teórica
quanto à possibilidade de delimitação objetiva. (AMORIM, 2005, p.
40)

Susan Basnnett-McGuire vê também com restrições esse


estabelecimento de hierarquias com base na noção de ‘exatidão’, e para ela
um texto não pode ser percebido como

um objeto que somente pode produzir uma leitura única e invariante,


de forma que qualquer ‘desvio’, por parte do leitor/tradutor, é julgado
como uma transgressão. (BASNNET-MCGUIRE, 1980, p. 79, apud
AMORIM, ibid., p. 41)

No entender de Amorim, as adaptações mantêm certa semelhança com


as imitações citadas por Dryden, porém com a diferença de serem feitas com o
objetivo de atingir a um determinado público, enquanto que as imitações
seriam um verdadeiro ‘exercício estilístico’ do tradutor.

Francis Henrik Aubert apresenta em sua obra uma abordagem técnica


dos diferentes procedimentos de tradução, baseada em um modelo
apresentado por Vinay e Darbelnet em 1958. Esse modelo estava organizado
em uma escala que partia do ‘grau zero’ da tradução, o empréstimo, até o
outro extremo, que seria o procedimento mais distante do texto-fonte, a
adaptação. Francis Aubert criou um quadro comparativo baseado no modelo
de Vinay e Darbelnet, em que a adaptação é definida como uma modalidade
que

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denota uma assimilação cultural; ou seja, a solução tradutória
adotada para o segmento textual dado estabelece uma equivalência
parcial de sentido, tida por suficiente para os fins do ato tradutório
em questão, mediante uma intersecção de traços pertinentes de
sentido, mas abandona qualquer ilusão de equivalência perfeita.
(AUBERT, 1998, p. 108)

Um uso bastante comum da adaptação é a condensação de livros, na


qual o tradutor faz as modificações necessárias para reduzir o corpo do texto,
deixando-o com o número de palavras pedido pelo editor, de acordo com as
normas por este estabelecidas. John Milton (1998, p. 94) cita como um editor
da Reader’s Digest, John Bainbridge, descreve o processo de condensação da
revista:

No processo de corte, adjetivos e advérbios são as primeiras vítimas.


Palavras e frases descritivas e estilísticas são as próximas. Em um
parágrafo de exposição que resulta em uma sentença de conclusão,
talvez permaneça apenas a conclusão. Frases qualificativas são
apagadas. Muitas vezes, o material é reorganizado, e aqui e acolá se
adiciona um conectivo. No decurso dessa operação, a ênfase do
artigo pode ser modificada sensivelmente, mas, via de regra, o ponto
de vista permanece intacto.

Como vemos, uma adaptação, como opção de ato tradutório, pode ser
considerada, por alguns teóricos, uma opção pouco fiel e não representativa
do texto fonte; no entanto, o tradutor que mantiver o foco de seu trabalho
voltado para as expectativas de um público específico tem à sua disposição
uma série de procedimentos que lhe permitem fazer as modificações
necessárias, principalmente de ordem morfossintática, mantendo o sentido do
texto fonte, e ao mesmo tempo criando uma linguagem acessível ao leitor alvo.

Esse é o caso da adaptação que servirá de corpus para esse trabalho, e


que apresentaremos a seguir. Em relação a esse trabalho, vamos considerar o
termo ‘adaptação’ em seu sentido mais amplo, e não apenas significando uma
modalidade tradutória, como a proposta por Vinay e Darbelnet.

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II – O corpus

2.1 Uma breve apresentação

O trabalho de Ian William Olivo Read, Unequally bound: the conditions


of slave life and treatment in Santos County, Brazil, 1822-1888 (READ, 2006),
dá enfoque às evidências de que os escravos viviam em grupos estratificados,
em função do local onde viviam, suas ocupações e do nível sócio-cultural dos
senhores. Esses grupos de escravos dispunham de oportunidades diferentes
em relação a casamento, alfabetização, internamento em hospitais e,
principalmente, à conquista da liberdade.

Para realizar esse trabalho, Ian Read passou dois anos no Brasil, a
maior parte deles em Santos. Realizou pesquisas em cartórios, hospitais,
autarquias públicas e, durante grande parte do tempo, na Fundação Arquivo e
Memória de Santos (FAMS), onde são conservados os documentos oficiais da
cidade.

Depois de concluído seu trabalho de doutorado na Stanford University,


Ian Read ofereceu uma cópia para ser arquivada na FAMS, onde já havíamos
travado contacto pessoal. A partir de então, surgiu a idéia de fazer uma
adaptação do texto, nos moldes de um livro didático, com o aval do autor.
Atualmente, o projeto está em andamento.

O capítulo oito, Pathways to Freedom: Manumission and Runaways, foi


escolhido como forma de exemplificar os procedimentos de adaptações
necessários para tornar o texto de acordo com o objetivo proposto, ou seja,
acessível a um leitor leigo de língua portuguesa interessado na história da
cidade.

Esse capítulo aborda as chances que os escravos tinham de deixar a


escravidão: a alforria, ou a fuga. E também as conseqüências de sua escolha,

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desde o pagamento da alforria em dinheiro ou prestação de trabalho por
alguns anos, até a prisão e os castigos no caso de uma fuga malograda.

Para possibilitar uma visualização comparativa dos dois textos, o da


língua de partida e o da língua de chegada, ambos estão colocados lado a
lado na tabela abaixo.

2.2 O texto fonte e sua tradução adaptada

Unequally bound: the conditions of slave life and treatment in Santos CATIVEIROS
County, Brazil, 1822-1888
(READ, 2006)

CHAPTER EIGHT – Pathways to Freedom: Manumission and Runaways.

CAPÍTULO OIT

TANOEIRO(03)
Trabalhador es
componentes d
de Carga e Des

Late one Wednesday evening, 2 June 1858, under the cover of darkness, Tarde da noi
two slaves slipped away from their house in Santos and stole away from escuridão, do
town. The runaways, named Jacintho and Francisco, were from Africa. Santos, e fug
They worked for their owner by tapering, beveling, planning and hollowing Francisco, er
wood staves until they fit snugly within two or three stiff metal hoops. As chanfrar e ap
coopers, they knew that gaps too small to be seen by the naked eye could perfeitament
ruin a barrel. In this craft, skilled workers were hard to find and their work que pequena
took years to master, commanding respect when it was done well. arruinar uma
especializad
O trabalho, q
CARTA DE ALFOR

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A carta de alfor
rescindia dos s

Os dois afric
quanto temp
para ganhar
Ou haviam d
para sobrevi
The two Africans may have previously discussed how extra work might que era alto
bring savings for manumission letters. Or, they may have talked about the africana de M
ways they could use their skills and savings in order to survive on the run. mais jovem,
Jacintho was a tall man, from the port or nation of Mina, 30 years old, and portuguesa.
with lighter brown skin. Francisco was slightly younger and darker, had a esses homen
firmer grasp of Portuguese, and came from Congo. If they had never left línguas e háb
Africa, these men might have considered each other to have strange projeto de fu
customs and languages, but in Brazil and in the dimness of a waning moon, irmãos. (32)
they were compatriots and united in their risky pursuit.

Anúncio sob
Fonte: Revis

Advertisement of Jacintho and Francisco


Source: Revista Comercial (Santos) 6/1858

Duas seman
Silva Braga,

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ajudassem a
(quantia equ
não especial
pelas despes
acreditar que
davam conta
vezes, duran
Não há inform
mas Jacintho
soube sobre
relativa liberd
Como os fug
a carne e os
chibatadas. O
cadeia da cid
Apesar de Jo
contrariado c
Two weeks after their disappearance, their owner José Teixeira da atitudes que
Silva Braga posted an advertisement in the local newspaper asking readers Nas duas dé
to help him find his two slaves (Figure 8.1). He promised that he would cuidados) co
give 50 mil-reis (equivalent to more than a month of unskilled wages) to hospitalares
anyone who found his slaves, in addition to compensation for expenses talvez tenham
incurred during their capture and return. He had reason to believe that one Antes da alfo
of his townsmen could accomplish the task since he had heard rumors that casa de um r
the slaves had returned to Santos once or twice at night. In the end, para desemp
Jacintho made his way back to Braga either voluntarily or through capture. garantir a so
Less is known about Francisco, who may have found tenuous freedom. dos dois tano
Since slave runaways were often punished, Jacintho may have had the provavelmen
skin, tissue and muscles of his back severely cut by as many as 100-200
lashes of a whip. Or he may have served a week or more in stocks at the
city jail.
Os casos do
dois caminho
Francisco es
meio. A fuga
José Braga probably felt very angry and dismayed with Jacintho and os últimos ci
Francisco since he would later act in a way that might have stemmed from a considerávei
self-perception of benevolence. In the next two decades, he displayed a comunidades
form of compassion (or protective concern towards his assets) by habilidades q
occasionally paying the hospital fee for several of his slaves. He also senhores rico
manumitted two young women who may have known the two runaway contacto com
coopers when they were girls. Prior to manumission, those girls had been morrer duran

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trained to properly keep the house of a wealthy Portuguese businessman habilidades e
such as himself. The two young women were certainly skilled, but they did que poderia
not have the know-how required for a guild-craft like cooperage. Without
proper references, these women would have probably had more trouble
finding employment as fugitives.

PRETO FORRO
Assim era cham
legalmente em

Outro caminh
José Braga’s slaves show that there were two pathways to freedom domésticas d
available to adult slaves, manumission and flight. dadas gratui
partir daí cha
Jacintho and Francisco took the second pathway to freedom when they que os outro
“stole themselves” by running away. Escape was a manner of attaining pagar por su
freedom that was relatively rare until the last five years of slavery in Santos. pagamento o
I argue in this chapter that running away from owners not only carried não davam li
considerable risk and separated slaves from caring communities of families vantagens. A
and friends, but required resources and skills that most slaves did not have. estipulavam
Slaves of wealthy owners were more likely to take the risk of losing em condiçõe
connections to loved ones, violent punishment, and even death through senhor não p
flight because they were more likely to have marketable skills that they sido iniciado
could sell and enough education to help them navigate their way to safety. longos perío
contrato, pod
já eram cons
senhores nã
onerosa, ou
de comporta
demonstrass
ser forçados
as alforrias r

Apenas algu
The other pathway to freedom, that taken by Braga’s enslaved domestic possível obte
servants, was manumission. Some manumission letters were freely given optavam por
and once a copy of the letter was received, the former slave (preto forro) porque não q
had nearly every right as any other Brazilian citizen. Many other tinham como
manumissions allowed a slave to pay for their freedom or conditionally respeito das
stipulated a future payment or labor. These conditional letters often did not retornar ao te
give immediate freedom for slaves, they did provide some worthwhile condições de
benefits. The “onerous” manumission (alforrias onerosas), or those that

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were paid, usually stipulated high prices that may have left some former maneiras dis
slaves in precarious positions. However, slaves usually could not be sold Em Santos, a
once the process of an onerous manumission had begun. Conditional os adultos e
manumission locked most ex-slaves into a long period of service and if they de pagamen
did not fulfill their side of the deal, the manumission could be cancelled. It is (70) De 294 ca
important to note that the largest benefits were probably felt by manumitted liberdade tot
females whose children were almost always born free. But if owners did not (aparenteme
receive expected payments for an onerous manumission, or the slave did escravo a cu
not provide the stipulated labor or behavior of a conditional manumission, or de serviços p
if any manumitted slave displayed “ungrateful” behavior, these formerly escravo, um
enslaved men, women and children could be forced back into slavery. alforria. Se in
Overall, however, revoked manumissions were rare. cartas livres
escravos, ad
escravidão e
This chapter analyzes two sources that are logically connected:
três condiçõe
manumission letters and runaway advertisements. Only certain groups of
dinheiro sufic
slaves were in a position to gain a manumission letter. The men and
pagasse por
women who took an illegal route to freedom may have done so because
de prestação
they did not want to pay the high price for a manumission letter or were not
able to earn money for a letter. This, then, is a discussion of the two (05)

available pathways to freedom. In it, I will return to the overriding theme of


this book: slaves lived in unequal conditions and had different options
available and acted differently depending on those conditions.

In Santos, some slave infants were manumitted at baptism, but for enslaved
adults and children most manumission letters were purchased either
through a cash payment or with labor over an extended period of time. Of
the 294 letters written for enslaved adults and children, 22 percent were
given freely or listed no conditions. These were manumissions with no
(known) strings attached. But a larger share—27 percent—forced the slave
to comply with some condition, usually in the form of pressed labor over
many years. Another 34 percent of the letters allowed the slave, a family
member, or a third party to pay money for the manumission letter. With
free baptismal manumission letters included, the percentage of unpaid and
unconditional manumission letters increases slightly, to 38 percent (Table
8.1). Therefore, enslaved adults and children who wished to escape slavery
legally in Santos commonly had to meet one of three conditions: either they
had to be able to earn, save or borrow enough money to cover their own
price, they had to find someone else to pay, or they had to negotiate with
their owners a future exchange of labor for partial or full freedom.

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Table 8.1. Manumission Types (1810-1880)
Free Number Percent
Explicitly free18 5
No conditions mentioned 47 12
Purchased*1
Self-purchase 105 28
Family or third party purchase 21 6
Conditional*2
Serve until death of master 52 14
Serve a fixed time 7 2
Other 6 2
Unknown 13 3
Purchased and Conditional 25 7
Baptismal (07)

No payment mentioned 80 21
Purchased 5 1
Unknown 25 7
Total 379 100*3
Note: *1) Includes 25 letters that were purchased and had conditions; 2)
excludes all purchased letters; 3) These figures do not add to 100 percent
because “purchased” category includes “purchased and conditional” letters.
Source: Source: Cartas de alforria, 1800-1880, PCNS, SCNS, CCS, FAMS.

The relatively lower number of unconditional manumission letters in Santos


was similar to other parts of São Paulo during this time. For São
Sebastião, Rosangela Dias da Ressurreição found that conditional letters
were the most common. Eisenberg found a higher number of purchased
letters (onerosas) for slaves in Campinas: 60 percent of letters were of this
type between 1798 and 1885. Only after 1886, when slavery seemed fated
to end, did unpaid letters surpass purchased letters in Campinas. In this
respect, nineteenth-century São Paulo is unusual, since many other parts of
Brazil had proportionally more unpaid manumissions than paid.
Historians have often distinguished between the three types of
manumission letters, and have argued that they were largely separate but

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related systems of granting freedom (or the future possibility of freedom). I
believe this is true, but two comments must be made about the data
available on slave manumissions in Santos. First, among the Santos
manumission letters from the two notary offices, nearly a third of all
transcribed letters do not fit into one of the three types of letters. For
example, seven percent of the letters were both onerous and conditional
(Table 8.1). In these cases, in addition to the conditions attached to the
manumission letter, the slave or someone else had paid (or vowed to pay) a
sum of money. Another 16 percent of the letters neither explicitly said that
they were “free” (gratuita) nor if there were conditions attached. These
“ambivalently free” manumission letters became increasingly common after
1860 when the notary officers composed shorter, more formulaic, and less
detailed letters.
Second, slaves who paid or found a third-party payer were sometimes given
a separately contracted “lease” on their labor (locatário). These “leases”
were nothing other than indenture contracts and while they were written
separately from the manumission letters, they were also closely connected
to them.

In one example, Juliana, a slave, was manumitted by Anna Luisa in 1864


in a letter that only mentions a 400 mil-reis payment but no payer. The
notary office holds another document dated to that same year and for the Alguns escra
same amount, contracting Juliana to serve Joaquim Soares Gomes for four cartas de alfo
years. Evidently, at the request of Juliana, Gomes initiated the process “arrendamen
and paid Anna Luisa the amount of Juliana’s manumission. He then Esses arrend
entered the former slave into indentured service in a contract that was do escravo, q
written separately from the manumission letter. alforria.
Juliana, por e
constando de
In another case, Luis paid his mistress, Virginia Maria Nebias, 800 mil-reis
não o nome
to purchase his freedom. The letter also documented that Virginia’s
outro docum
husband, Captain José Raggio Nobrega, had paid an additional 700 mil-
contratada p
reis. The notary office holds an indenture contract, written on behalf of José
anos. Fica as
Raggio Nobrega, stipulating that Luis (now Luis Andrade) would give eight
deu entrada
years and four months (100 months) of his labor for 400 mil-reis. Clearly
Em seguida,
Luis did not have enough funds to pay his purchase price and offered an
indenture for the monies. Why the locátorio is 300 mil-reis less than the Há também o
amount listed in the manumission letter is not given. Maria Nébias
está registra
When approaching manumission letters, then, we should keep in mind that
pagou um va
some letters were unclear if they were free or conditional, others were both
também um
onerous and conditional, and a few were onerous but excluded information
Capitão Nób
on conditional indenture service contracts written separately in the notary
Andrade) (30)

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office. Nevertheless, the different manumission categories can be portanto) de
discerned for many of the letters, but only if we include a few additional preço de sua
categories that do not hide the ambivalence of the data. valor.(17)
Among the conditional letters, two-thirds stipulated that the contract would
end with the death of the former owner. A conditionally manumitted slave
resembled a slave in many ways, and some were sold before they met the
terms of the contract or when masters died. Some contracts ran until the
ex-slaves reached adulthood or were married; others carried specific
periods of time that ranged between two and ten years. Of 17
manumissions in 1866, the second year of a difficult five-year war against
Paraguay, eight slaves were “freed” so they could be conscripted into the
war effort. They were donated by families to serve as substitutes for eight (08)
family members. Over the century, the proportion of “free,” “paid,” and
conditional manumissions remained fairly steady.

Entre as cart
terminariam
Conditionally freed slaves occupied complicated positions somewhere alforriado era
between slavery and freedom, a nuanced condition that was not always alguns eram
captured by township government and notary officials. Some of the senhor faleci
conditionally manumitted slaves in Santos were listed as slaves in other Alguns contr
documents years later. For example, Clemente and Domingos were ou se casass
conditionally manumitted four and eight years earlier respectively, but both tempo, que v
are listed as “slaves” in the 1817 nominal list. Or there is Urçula who o segundo d
appears in the nominal list in 1817 as a young slave owned by Antonio escravos fora
Joaquim de Figueredo. Urçula was manumitted by Figueredo three na guerra. Fo
decades later, but then sold as a slave a short time after. oito membro
This sale was different from the indenture contracts (locátorio) mentioned livres, pagas
earlier. Os escravos
The meia-siza (tax) record in which she appears for the third time was posição com
exclusively for the transferal of slave ownership, while a sale of an nuances que
indentured labor contract could have only taken place in the notary office. funcionários
relacionados
Among the onerous manumissions (Table 8.2), those purchased by a family
Clemente e D
member or a third party were less common than “self-purchase” but this
quatro e oito
may have been because the letters did not have to mention who paid for the
como escrav
manumission. For example, eighteen out of 58 letters manumitting slave
nominal de 1
children involved purchased freedom between 1811 and 1880, but none
de Figueired
gave information on a parent, relative or third-party. It is inconceivable that
tarde, mas fo
a child would be able to save the price for their own manumission, yet for a
third of these letters, there is no mention of anyone paying. Manumission
letters of children were certainly not the only ones missing information on

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who paid. It appears likely that among the “self-purchase” manumission (09)

letters, some slaves received money from friends, family members or


people, some who wished to use them as indentured servants.

Table 8.2 Purchased Manumissions by Type and Decade Entre as alfo


Decade Self-purchase Family or third party purchase All terceiros era
manumissions pode ser que
mencionar q
1811-1820 4 5 30 cartas alforri
1821-1830 10 2 34 diziam sobre
criança pude
1831-1840 nd nd Nd
das cartas nã
1841-1850 23 9 60
As cartas de
1851-1860 17 9 58 omitiam quem
1861-1870 11 14 66 pagaram por
membros da
1871-1880 16 6 46
serviçais.
Total 81 45 294
Source: Cartas de alforria, 1800-1880, PCNS, SCNS, CCS, FAMS.

Slave females and males were fairly evenly divided between all types
of letters, although males are slightly higher in among purchased letters.
This fits findings from other parts of Brazil, and gives more evidence that
male slaves may have had better earning power. Too many of the letters
are missing information on birthplace to come to any strong conclusions, yet
it does seem that African slaves were more likely to have purchased their
manumission, while Brazilian born slaves were granted more conditional
manumissions. Slaves of working age were the most commonly
manumitted slave in purchased and conditional letters, but children more
frequently appeared among the freely given letters perhaps because their
lower prices made it easier for family members or a third party to pay.

Table 8.3 Slave Manumissions by Type, Slave Gender, Slave Age, Slave
Birthplace, and Owner Information

As cartas de
Slave genderFree*1 Purchased Conditional Purchased and escravas, ha
Conditional Baptismal entre as cart

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Male 32 66 38 13 44 pesquisas fe
maior poder
Female 33 60 40 12 41
de nascimen
Slave age que a origem
Child 13 20 20 2 85 enquanto qu
condicionais
Working age 16 35 27 6 0
alforriados p
Elderly 7 10 4 17 0 crianças apa
Unknown 29 61 27 0 devido ao fat
terceiros faze
Slave Birthplace
Brazil 18 35 25 6 85
Africa 11 38 12 6 0
Unknown 36 53 41 13 0
Owner information
Male 44 76 36 16 39*3
Female 18 42 40 9 44
Couple 3 4 2 0 0
Carmalite Church 0 4 0 0 0
Total (N=65) (N=126) (N=78) (N=25) (N=85)
Notes: *1) “Free” includes both letters that are explicitly free and those
without conditions mentioned; *2) the gender of two slaves is unknown.
Source: Cartas de alforria, 1800-1880, PCNS, SCNS, CCS, FAMS.

Except for conditional manumission letters, male owners were most


frequently involved in the manumission process. Perhaps masters placed
more emphasis on the financial return of slaves, while mistresses were
more concerned with the future labor that they would receive. As was
discussed in chapter five, male owners were more likely to be involved in
commercial ventures and businesses, while female owners were more likely
to have slaves tending their plantations or farms. These different
occupations may have influenced the ways that owners and their slaves
approached manumission. A handful of couples manumitted their slaves
jointly, usually favoring free manumission. If this was a “gift,” then owners
probably wanted to include their spouses when bestowing letters that
carried no obligations or collected no money. The officials from the
Carmalite Convent also went to the notary office to write letters of
manumission, but they may have been forced to do so by slaves who began
a process of coartação.

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This discussion of free, onerous, and conditional manumission has
excluded many letters that either had missing data or were manumissions
granted during baptism.

Using the wider set of manumission gives us more information on the


gender of the slaves who received all types of manumission, the gender of
the owner, and sheds light on baptismal manumissions. Unfortunately, this
wider set does not help us further distinguish between the types of letters
that were written in the notary office.

COARTAÇÃO
Considering this wider set of manumissions, Brazilian born female slaves in
Era um process
Santos were most likely to get any type of manumission letter. This
liberdade; o esc
conforms to every other systematic study of manumission in Brazil (Table aos poucos; en
8.4). Historians have found that native born females received the most
letters even though African males vastly outnumbered Brazilian females
until late in slavery’s existence. Se não cons
escravos est
Before the last two decades of slavery, African males appear as the
Talvez os se
majority among slaves in most historical sources from Santos including
que as senho
census lists, inheritance records, bills of sale, civil legal proceedings, and
que pudesse
hospital records.
mais envolvi
das senhora
Table 8.4. Studies of Manumission by Location and Period fazendas. Es
donos e seus
Location PeriodGroups most likely to be manumitted escravos em
(percent of manumissions) tratava de um
esposas qua
Female Black Native-born Adults*1
que não ang
Salvador, Bahia 1684-1745 67
Por fim, os fu
54 lavrar cartas
69 55 escravos que

Salvador, Bahia 1779-1850 62 77 51 89


(10)
Salvador, Bahia 1808-1884 57 nd 53 nd
Paraty, Rio de Janeiro 1789-1822 66 62 84 54

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Rio de Janeiro (capital) 1807-1831 64 69 59 45
Santos, São Paulo 1800-1871 54 nd 68 46
São Paulo (capital) 1800-1888 58 nd 69 nd
Campinas, São Paulo 1798-1888 52 58 76 66*2
Note: *1) Adults were defined as 16 years and older except Salvador
(1684-1745) where adults were defined as 15 years or older; *2) slaves over
ten years of age
Source: Salvador 1684-1745 (Schwartz, “The Manumission of Slaves in
Colonial Brazil: Bahia, 1684-1745,”), Salvador 1779-1850 (Mattoso, “A
propósito de cartas de alforria na Bahia, 1779-1850,”), Salvador 1808-1884
(Nishida, Meiko. “Manumission and Ethncicity in Urban Slavery: Salvador,
CRIOULO
Brazil, 1808-1888” HAHR 73:3 (Aug.), 361-391), Paraty (Kiernan, The
Manumission of Slaves in Colonial Brazil : Paraty, 1789-1822, 1984), Rio de Era o termo us
sido trazidos da
Janeiro (Karasch, Slave Life in Rio De Janeiro, 1808-1850, 1987),
Campinas (Eisenberg, “Ficando livre: as alforrias em Campinas no século
XIX; Karasch, Slave Life in Rio De Janeiro, 1808-1850. 1987) Uma pesquis
Within the literature on the topic there are two answers for why native born as escravas
females were favored; often both are given equal weight. On the one hand, tipo de alforr
since female slaves were more likely than males to work domestic jobs, Historiadores
they are assumed to have been more integrated into the families of their das cartas de
owners. Women played important roles in raising their mistresses’ children serem muito
and keeping up the home; the concomitant affection and ties this developed fim da escrav
made their owners more conducive to partially freeing them. Some have
taken this a step further to posit that girls and women often entered into
sexual or amorous relations with free men and could place pressure on their
partners for greater benefits. Some have seen this in negative terms,
believing that free men and women gave manumission in exchange for
greater “social control” by cultivating a sense of gratitude in their slaves that
could translate into lifelong service. The “gratitude” or sense of
indebtedness they fostered might have been formed as a result of coercive (06)

or willing sexual ties.

In this discussion, we must consider the different types of manumissions.


Excluding the paid manumission letters, males and females were fairly
evenly divided. Thus, it seems more reasonable to consider the sex
differences in terms of different economic opportunities and strategies,
rather than affectional or sexual motivations.

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In Table 8.5, a few more characteristics of the wider set of manumitted
slaves are listed. All types of manumission have been included here in one
broad category, and while this places three very different systems of
manumission (free, purchase, and conditional) together in one category, it
still provides some information on the broader trends, especially in regard to
the gender of slaves. Since this study has included baptism records, the
number of infants is higher than most studies of manumission

Table 8.5. Characteristics of manumitted slaves, 1800-1877 (percent)

Manumitted slaves
Years of source All years 1800-1850 1851-1877
Gender
Male 47 46 47
Female 54 54 53
Expected Male*1 39
Expected Female 61
Age (years, average) (A=22) (A=22) (A=21)
Age females (years, average) (A=22) (A=23) (A=22)
Age males (years, average) (A=20) (A=22) (A=20)
Children 38 39 37
Place of birth
Location listed 28 21 41
Africa 46 493 43
Brazil 55 51 58
Santos 5 6 4
Race
Race listed 24 14 41
Preto 34 28 39
Pardo 42 28 51
Mulatto 21 45 5
Total number(N=551) (N=354) (N=197)
Na literatura

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Notes: *1) This is the expected percentage of manumitted males adjusted igualmente r
for the changing sex ratios (between 1825 and 1872). It assumes a escravas des
counterfactual world in which sex ratios changed, but rates of manumission fossem mais
did not. tinham um p
manutenção
Source: Cartas de alforria, 1800-1880, PCNS, SCNS, CCS, FAMS.
senhores ma
Historians have found that in the first half of the nineteenth-century
Por outro lad
more women than men manumitted slaves; in the second half of the century
mencionar q
the counts were reversed. Enidelce Bertin, who confirmed this for post-
amoroso com
1850 São Paulo letters, suggests that this is because there were more
obter benefíc
married couples manumitting and they were represented solely by the
acreditando
husband. When considering the characteristics of owners, the archive
maior “contro
does not permit a strict division between the types manumission. (18) More
que poderia
men manumitted their slaves by the second half of the century in Santos as
“gratidão”, ou
well (Table 8.6), and this accompanied an increased number of married
poderiam tam
owners. The majority of these owners were quite old for their day and they
manumitted their slaves when they only expected to live for a short time Se considera
more. The average age of the owners increased over the century as life exclusão das
expectancies lengthened slightly and slaves became more expensive (and divididos. (67)
thus less affordable to younger individuals). relação a esc
oportunidade
Owners who manumitted slaves tended to be about five to ten years older
afetivas ou s
than those who bought and sold slaves, but both groups would have been
considered fairly old for their day. In terms of civil status, there was a
considerable shift during the century. Before 1850, single, married and
widowed owners were fairly evenly divided; after 1850, nearly two-thirds of
the owners who manumitted their slaves were married. This is probably a
consequence of the steep rise in slave prices, since married men and
women typically were wealthier than single and widowed individuals.

Among owners who manumitted most were white but there were a
surprisingly high number of men and women of color. Bills of sale and tax
records present a sharp contrast: only a handful of slave buyers and sellers
were listed in other documents as mulatto or black. Beyond gender
differences, racial diversity is another clue that there might have been a
difference in economic status between the group of owners who
manumitted slaves and those who purchased and sold slaves.
Another hint is their birthplace: during a period of time when only 16
percent of slave buyers declared Santos as their birthplace, nearly half of
the manumission owners were Santista. There were also much higher
levels of Brazilians than Portuguese; the latter were the majority among of

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Portuguese found in the buyers and sellers.
Table 8.6. Profile of Slaveholders who manumitted slaves, 1800-1871
(percent)
1800-1850 1850-1871 1800-1871
Gender
Men 43 58 48
Women 54 38 48
Couples or business partners 3 2 2
Commercial or religious associations 1 2 1
Age (average) (A=55) (A=59) (A=56)
Civil status
Single 36 18 30
Married 28 64 41
Widowed 36 18 30
Race
White 78 nd 80
Of Color 22 nd 20
Birthplace
Portugal 33 44 40
Brazil (including Santos) 67 50 56
Santos 48 24 33
Europe 0 7 4
Occupation
Business 44 42 43 ENIDELCE BER
Public Office 10 28 20
Church 18 6 11
Farming 15 4 8 A historiadora
Letras e Ciênci
Army 5 6 5 emitidas na cid
mesmo tempo,
Liberal profession 0 8 5
Em sua di
Other 10 6 8 conquista escra
feitas a partir d
Country landowners 25 22 24
fica no bairro d
Total number of documents (N=343) (N=179) (N=522)

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Total number of owners (N=238) (N=134) (N=372)
Total number of cross-listed individuals (N=94) (N=86) (N=180)
Source: Cartas de alforria, 1800-1871, PCNS, SCNS, CCS, FAMS. Os estudioso
século XIX, m
Note: “Documents” are both manumission letters and baptisms. The “total
segunda me
number of owners” may have included repeating individuals. The “total
sustenta que
number of cross-listed individuals” included those who were found in other
Paulo a parti
historical sources (see chapter one for a description and discussion of those
nome do ma
sources).
Em Santos ta
Businessmen were more likely to buy or sell a slave than to manumit one.
homens, com
There were relatively more church officials among owners who manumitted
than among the buyers and sellers, and more slaveholders in liberal Esses senho
professions such as law, education and medicine. acabavam po
restava mais
Coffee commissioners and men who ran import and export businesses
aumentando
during the coffee boom of the second half of the century seldom
tornando ma
manumitted their slaves, preferring instead to buy and sell them. Nearly five
tornando sua
percent of the 331 individuals who appeared in the slave market records,
and for whom we have occupational data, were involved in the lucrative Os senhores
business of coffee or general imports and exports. In contrast, less than anos mais ve
two percent of the 211 men found in the manumission records were grupos pode
involved in these occupations. Mid- to large sized comerciantes bought and relação ao e
sold 55 slaves but manumitted only five. These businessmen were more século (13). A
likely to be of higher status and wealth than businessmen or women with solteiros, cas
shops or who worked as vendors or peddlers. cerca de dois
casados. (45)
preço dos es
Overall, fewer men in the manumitting group had high status symbols such um modo ge
as titles of nobility, educational degrees, or prestigious club associations. os solteiros e
On the other hand, there were more individuals who manumitted that were
Esses senho
medium or high ranking military officers or who worked for one of the foreign
surpreenden
consulates in town. Twelve individuals who wrote up manumission letters
venda e nos
or who requested manumission at baptism were also found in the
marcante dif
inheritance records; all except one were small or medium wealthholders.
escravos est
Além do sex
Clearly, the chances of a manumission letter not only rested the de que have
slaves’ earning power and market price but also on the demographic and que alforriav
occupation background of the owners. We should not go too far, though,
since men and women of a wide spectrum of wealth, status, and occupation
bought, sold, and manumitted slaves. The evidence presented here,
however, shows that those who typically manumitted slaves had a bit less
wealth, more diverse jobs, and were far less involved with coffee, the port’s
signature trade after 1850.

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This discussion of manumission letters gives another set of clues that
certain slaves had more privileges than other slaves. For example,
Brazilian born infants and children were in a particularly strong position to
receive a letter of manumission because their price was still low.
Furthermore, male slaves were more likely to be manumitted by paying their
price or by finding someone who would pay for them. Particular groups of
slaves, which included an even number of males and females, earned
enough money (or found someone who was willing to pay) for their
manumission. While buying oneself or finding a buyer were certainly
“onerous,” as this category was properly called, these slaves were in a
better position compared to those who could not earn money or knew no
one who would sponsor them. Many slaves gained rights when manumitted
and if they were not immediately free, a good number had much greater
potential for eventually attaining full freedom. These letters also reveal the
active role that slaves played in the manumission process, and the fact that
some were much better situated than others in this unequal society.

When manumission was not a good option, slaves may have


considered running away. Running away carried enormous risks of
punishment and often permanently separated slaves from the communities
within which they lived and worked. In the nineteenth-century and even

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perhaps before, runaways mostly sought non-isolated places where they
could live under the false pretense that they were legally free. Or they
looked for other runaways that had banded together in quilombos (maroon
communities) that were places with people who scraped by on the fringes of
society. In the eyes of the law, slaves were “stealing” themselves, taking
property that could be worth more than a year’s saved wages for some
owners. Punishment for such acts was often severe: violence meted out in
the form whippings or beatings, or confinement to prison for weeks or
months while shackled to the wall with iron chains. Owners occasionally
mandated that slaves who had run away permanently wear iron collars,
chains and heavy weights as a measure to prevent future flight. An
unknown number of slaves were killed during this punishment or through
attempts to escape capture.
Despite the risks, some slaves who had previously attempted to flee tried
again. The jail registers carried notices to owners of unknown slaves who
were found without papers but with the marks of previous whippings or the
scars of iron shackles and chains. When slaves ran away and were not COMISSÁRIOS D
immediately caught, some owners placed a notice in the newspapers that Eram homens d
carried a description of the slave, his or her clothing, mannerisms, and os compradore
occupations or skills. Some notices are filled with minute details about the mesmo financia
shape of a slave’s scar or length of their beards; others are brief and época. Eram a
general. When these notices are collected they begin to give a portrait of
the slaves who took considerable chances to escape slavery. The slaves
Os homens d
who chose to escape slavery illegally differed from the typical slave who
escravos ma
bargained for his or her legal escape through manumission. These
igreja entre o
differences reflect the stratified world of slavery and the opportunities
compradores
available for slaves and owners based on their position within a hierarchy of
wealth and status. Os comissár
durante o au
século, raram
Cerca de 5%
Between 1851 and 1871, there were 110 notices for 139 individuals registros do
who, in groups or on their own, had escaped from plantations, small farms negócios do
or their urban homes. Only a small number of these slaves were from de 2% dos 2
Santos; the others worked and lived in towns and rural areas scattered envolvidos c
throughout the state of São Paulo. Santos was a common destination for Os médios e
many slaves, partly because many had passed through the city when they escravos, e a
were transported from other provinces within the Brazilian Empire or from status e rique
Africa. As the city expanded, driven by the growing business of coffee, caixeiros ou
fugitives learned that Santos had such a need for workers that some
De um modo
employers might turn a blind eye to the history of a stranger. This was
possuíam sím
especially true by the late 1870s and 1880s when Santos attracted larger
eram sócios
numbers of fugitive slaves and abolitionists battled police in order to shelter
funcionários

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and protect them. Many owners placed notices for the same slaves in registros com
multiple town and city newspapers, with the hope of increasing their exceção, pos
chances at recovery. A notice in Santos’s Jornal do Comercio, therefore,
did not necessarily imply that the owner knew the slave was destined for the
port town.

The slave that chose to run away was not a typical slave. First of all, Fica evidente
nine of every ten runaways were men (see table 8.7), but a slightly higher dependiam n
percent of females fled in the 1860s than the 1850s. escravos, ma
senhores.
Tanto entre o
seus escravo
Second, the runaways were on average a few years older than a slave who status. No en
was purchased or manumitted. The average age was 26 in the 1850s and que em gera
a few years older in the 1860s. profissões m
Third, a little less than two-thirds of the fugitives were native-born, but the café, que car
percentage of Africans actually increased slightly, bucking the demographic O estu
trend brought about by the end of the international slave trade in 1850. Of escravos era
the eleven slaves from a northeastern or a northern province, half do not e crianças cr
give us details on whether that was their birthplace or if they landed there seu valor era
from Africa. We can find a greater proportion of slaves from Bahia, propensos q
Pernambuco, Maranhão, or Pará (all northern or northeastern provinces) pagasse por
than slaves bought and sold on the local market during these two decades. algum terceir
Most notices described slaves with lighter skin, although darker colored o nome, mas
slaves may have simply received less notice because they were the largest comparados
group. In today’s race conscious world, it is surprising that only 25 of the não conhece
110 notices mentioned the race or ancestry of the slave. Far more obtinham dir
advertisements described the shape of their faces or size of their bodies imediatamen
than the color of their skin. obter a liberd
os escravos
muitos estav
Table 8.7. Profiles of runaways, 1851-1872 (percent) desigual.

Gender
Males 91
Females 9 QUILOMBO
Age (years, average) (A=28) A palavra “quilo
(Umbundo), pre
Birthplace Bantus que hab
apenas um luga

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With information 53 posteriormente
que faziam o c
Africa 32
Foi no Brasil qu
Brazil 60 escravos fugitiv

From the North or Northeast (birthplace or previous home) 8


Race Quando a alf
em considera
Notices with race information 22
punição, e ge
Preto 33 comunidades
Mulatto 23 talvez mesm
onde poderia
Fulo 20
a outros fugi
Pardo 13
Aos olhos da
Negro 7 roubando um
Cabra 3 para alguns
era aplicada
Total (N=139) prisão por se
Source: Jornal do Commercio (Santos), Diário de Santos, CCS, FAMS, obrigavam o
HS. correntes e p
desconhecid
Thus, like the slaves who were manumitted, the runaways had
tentativa de s
particular characteristics that made them different from the general
population of slaves. They were on average older, a higher proportion were
African or from the Northeast, and many had skills that they could use or Apesar dos r
sell when they established a new life. Of the notices that gave information novamente.
on jobs, most slaves worked skilled trades that included carpentry, eram encont
cooperage, tailoring, or tile making (Table 8.8). Farmers and herders were cicatrizes de
the next largest group, yet those who drove animals may have had more era imediata
opportunities for escape. Other fugitives worked jobs that allowed them to no jornal, com
travel and have a great deal of independence. There were muleteers and habilidades.
timber men, both knowledgeable about the road system and regional de alguma ci
geography. Three fugitive slaves likely hoped to use their sailing skills as sucintos e ge
part of a ship’s crew. Compared to slaves who were sold and manumitted, podemos for
men and women involved in domestic tasks such as cleaning, cooking or considerávei
sewing were noticeably absent. Only one domestic servant and two cooks escapar pela
were listed in these records. In contrast, domestic service was the largest sua liberdade
occupation group among the many slave sales. estratificado
senhores, ba
e status.
Table 8.8. Occupations of Runaways, 1851 – 1871
Entre 1851 e
grupos ou so
Occupation Frequency ou de casas
os outros tra

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Mason 8 pela provínci
pelos escrav
Carpenter 6
cidade quand
Cooper 5 Com o cresc
Farm worker 5 escravos sab
alguns empr
Herdsman 5
forasteiro. (56
Sailor 4 década de 1
Tailor 4 os abolicioni
Muitos senho
Baker 3 esperança d
Cobbler 3 Comércio de
proprietário s
Muleteer 3 (57)

Timber man/sawyer3 Nove em cad


Cook 2 ligeiramente
de 1850. O
Railroad worker 2
eram negoci
“Jack-of-all-trades” 1 1850, e um p
Bread vendor 1
Coach driver 1
House servant 1
Mason and cook 1
Tailor and farm worker 1
Team driver 1
Tile maker 1
Tobacco roller 1 (11)

Total 62
Source: Revista do Commercio (Santos), Diário de Santos, CCS, FAMS,
HS.

Slaves who worked within the home of their owner were more likely
to be manumitted than to run away. As already discussed, the price
differences between the expensive farm or skilled male workers and the
lower priced female domestic servants was a crucial element of
manumission rates. We might also attribute this to the greater surveillance
of the family and neighbors over domestic servant slaves or to the stronger
connections to a community of people who were part of the house.
Domestic servants might have had a much smaller incentive to try escaping

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because of their limited experience in the world beyond the few blocks or
few kilometers of countryside that they traveled for their daily chores.
Furthermore, owners were probably less likely to take a domestic servant
into their house that had an unknown or hidden past. Thus, they may have
had fewer chances to make a living when they escaped. Slaves with skills
or trades that were in demand and who could work and live apart from the
house probably did not need as many personal references to find
employment. Finally, owners that placed notices for missing slaves who
were domestic servants may have excluded the occupational information
because it did not reflect well on their own “duty” of benevolence and
patriarchy within their household.

Runaway slaves were among the highest priced in the Santos slave
market because of their age, gender, and skills. In 1865, an African slave
carpenter in his upper twenties would have been priced between 1,500 and
2,000 mil-reis. In comparison, a native-born female domestic servant, in the
group most likely to bargain for manumission, would have been sold for
about 1000 mil-reis. These are coastal prices; near the recently planted
coffee plantations in the São Paulo interior, prices for working-age males
could be as much as 50 percent higher. It is no wonder, then, that owners
often placed rewards in amounts between 50 and 200 mil-reis on top of a
repayment for any expenses accrued in capture and return. On the other
hand, owners did not have to offer a reward, and the 10 to 20 mil-reis
expense of placing notices in multiple newspapers for a week would have
been a small price to pay for the recovery of a female or an older slave that
had been purchased for 500 mil-reis some time before.

OLEIROS
São os trabalha
jarros e outros

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Assim como
característica
Because of the great amount of detail in these notices, far more can
(24) Eram em
be said about the men and women who fled. In Escravos nos anuncios
ou oriundos
(1979), Gilberto Freyre describes many of the unusual characteristics that
ou vender qu
appeared in these advertisements. He was particularly interested in finding
anúncios que
traces of African customs such as filed teeth or tribal scarring. Beyond the
especializad
particular and surprising, Freyre was less interested in general
e vaqueiros e
characteristics. He did notice, however, that “no one suffered more in Brazil
chances de f
than the slave of the poor owner.” He based this argument on a great
facilitavam a
range of clothing, marks and scars of punishment, illness and disabilities,
conhecedore
and mannerisms that he attributed to the economic backgrounds of different
que provave
slaves. Since there is little information about owners who placed these
marinharia p
advertisements, it is difficult to tell if Freyre was right. One way to get at this
os escravos
is to look at the few additional bits of evidence included in the
envolvidos e
advertisements. For example, the bigger slaveholders may have been
Apenas um d
more likely to list one of the town’s big commission houses as their local
Em contraste
contact. Among the runaways of these owners, there were higher rewards,
escravos ven
more groups of runaway slaves and only one female—all indicating that
these slaves probably had worked at the larger plantations. The slaves of
this group did have a slightly smaller percentage of afflictions or disabilities
than the rest, adding some credence to Freyre’s argument (and to the
argument of this book).

The most common description of runaways focused on their bodies.


Notices often began in general terms by specifying the height or weight of a
slave. Tall and fat slaves, for example, appeared more often than short and
skinny slaves. Some slaves had “good” or “regular builds” others were
“very robust” or with “proportionate bodies.” Faces were the next most
commonly described feature. Slaves had thin or round faces, long or short
foreheads, deeply set or big eyes, sharp chins, thick or thin mouths, or wide
or fine noses. Descriptions of hair, particularly of beards, took up many
words. Slave men did or did not have facial hair, and the beards
themselves were “slight” “full” or “wild.” Since teeth were often a common
distinguishing feature, owners recalled when slaves were missing their front
teeth, had gaps or “good denditure.” Four slaves had teeth that were filed
(dentes limados), as was meaningful in some African traditions.
Interestingly, only one with this distinctive feature was listed as African; the
other three were from the Northeast and two were listed as native-born.
Finally, legs, feet, and hands were described, especially when the slave
was disabled. Owners (or former owners) described hands and feet as
possessing a variety of ailments and disabilities, but a few were simply “in
good shape.”

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Advertisements listed nearly one in every three runaways with some
sort of affliction, disability or with marks from earlier diseases or wounds. If
we include broken or missing teeth, the number rises to one in every two.
Most of these were scars, either from smallpox or other diseases, or were
marks left after an injury. Eleven slaves were scarred from whippings,
mostly on the back and chest, but one on the buttocks and another on the
legs. Some slaves had other injuries that may or may not have been
accidental. Firmino ran in 1864 marked by a scar due to a big hook that
had cut his neck, while another unnamed slave had an old bullet wound on
his hip. Owners left their marks on slave bodies in other ways, sometimes
branding them as they did their cattle. Marks and scars on the face were a
common point of description. There were pockmarked noses and
foreheads, eczema, small tumors and cists. Some slaves escaped with
Os es
open wounds, such as Francisco who had a festering wound next to his left
eram mais p
eye that “continuously discharges liquid.”
mencionado,
trabalhavam
elemento cru
Podemos tam
exerciam sob
com a comun
domésticos p
seus conhec
Owners concentrated on physical aspects of their runaway slaves, but they
quadras da c
also left us a picture of personality, manners, and habits. We might expect
deslocavam
slaves to be depicted in mostly negative terms since, after all, owners as
propensos a
their runaway slaves as thieves and bandits who (by running away) had
passado des
created a significant financial and personal problem for their owners. A
sobreviver ca
master, who was likely to view himself as a stern but “caring” father,
dominassem
probably disappointment and a sense of wounded pride when his slave
e viver fora d
broke an arrangement of “trust.” Sure enough, slaves are described as
referências p
“untrustworthy” and “shrewd,” or “unpleasant” and “rude.” Other slaves are
publicavam a
described in terms of power that society meant them to lack. Several had
poderiam ter
“downcast eyes” and one “always seems frightened.”
deixaria uma
paternalismo
Os escravos
Santos, devi
africano carp
But contrary to expectations, more notices carried fairly positive descriptions 1500 e 2000
of personalities or manners. One slave had “manners that are gentle and

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kind;” another was “intelligent and quick.” Some were “very polite” or Brasil, portan
“friendly.” Owners described quirks and habits of their slaves and these sua alforria,
descriptions show that these owners (or informants) knew the slave better são valores d
than the majority of owners who could offer only laundry lists of scars or São Paulo, o
types of facial hair. Emilio, who disappeared in 1861, “walks quickly,” ser até 50%
“shakes his arms when he walks,” and often “shrugs his shoulders.” Or, an oferecessem
unnamed slave from Mogy das Cruzes “has the habit of kicking one foot in despesas pe
front of the other while talking to a white man, resting his weight on his back senhores nã
leg.” 10 ou 20 mil
semana seria
idoso que ter

Speech and education were mentioned in the notices. We cannot


assume that the African runaways were listed with greater difficulties with
speech. Native-born and African slaves were almost equally categorized by
their owners as speaking well, poorly or with an accent. With the great GILBERTO FREY
expanse of the Brazilian Empire, there were many regional accents and
Gilberto de Me
vernaculars, and the “rough” speech of a native-born Bahian might not have foi um sociólog
sounded any worse or better than an African accent. Slaves had particular
accents that owners assumed newspaper readers would be familiar, such
as the Angolan accent or the speech of slaves from Matto Grosso. One Devido à gra
slave, Emilio, spoke Portuguese so well that “he almost doesn’t seem to be possível sab
black.” Two African slaves spoke Portuguese well enough that the owner Anúncios, Gi
warned that they might be mistaken as native-born slaves. These were aparecem no
“ladino” slaves, a term used for acculturated Africans and occasionally encontrar tra
paired with speaking ability. Beyond vocabulary and language marcas triba
construction, some slaves spoke softly, “in a pleasing manner,” “roughly,” or assim, perce
they stammered. pertencentes
número de c
hábitos que e
poucas inform
One in six slaves was partly or fully literate in these notices, a remarkably é difícil dizer
high number. Historians can only guess at literacy rates of Brazilian slaves, coisa sobre i
but the rate among these Paulista runaways was probably much higher than nos anúncios
that among general population of slaves. There was a range of levels of propensos a
literacy among these slaves. Emilio, the slave who spoke Portuguese “as if local de cont
he doesn’t seem to be black” also knew some of the letters of the alphabet. eram maiore
Vicente, who disappeared in 1861, not only could read and write, but could apenas uma
help conduct mass. Although Paulino could read and write Portuguese em grandes
“poorly,” he escaped carrying papers and a lesson book (cartilha). porcentagem
o que vem a
(58)

As descriçõe

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Slaves carried a range of other items and these possessions give a geralmente c
clue to their backgrounds. Many escaped with mules or horses and the do escravo. A
accoutrements they needed for long rides. Some carried bags or purses magros. Algu
with weapons hidden inside. Ignacio carried a sharp knife with a bone “muito robus
handle inside his red goatskin bag. Two other slaves had firearms. outro traço m
Valeriano was armed with a Laporte Pistol while Simião tied a bundle of his ou redondo,
clothing to the end of his rifle and slung it over his shoulder. One slave pontudo, láb
escaped with a manumission letter that had been written for a slave cabelos, e pr
belonging to his master’s father, while two slaves carried money or items of ou não barba
value. Francisco brought 600 mil-reis in cash, possibly his manumission dentes eram
savings (peculio). One can better imagine this hierarchical society after quando algu
reading that Luis carried a new umbrella and a “fine English watch” when he Quatro escra
made his escape. tradições afr
anunciado co
nordeste, e d
pernas, pés
Os senhores
uma varieda
simplesment
Os an
possuíam alg
cicatrizes. S
aumenta par
causadas pe
Clothing also demonstrated the range of changing styles and the ways that escravos era
some slaves used their appearance to mark their positions of rank and nas nádegas
status. Luis, the slave with the umbrella and English watch, also wore a ser ou não a
richly colored felt hat and slightly used cashmere pants. These were Firmino fugiu
unusually fine trappings for a slave. Most other slaves only wore the few gancho que
items of clothing that they were given or had to buy on their plantation. This desconhecid
could include a pair of rough homespun cotton pants and a thin white shirt. senhores de
Two slaves had large numbers stamped onto their shirts, probably to help marcando-os
owners identify them in the fields. Runaways usually carried more than one uma forma c
change of clothing, a blanket and a jacket or coat of some kind. Masters varíola, ecze
warned that their runaways might try to trade their extra clothing for other abertas, com
pants and shirts that would better conceal their identity. Runaways faced olho esquerd
many days in the rain, especially during the winter months in São Paulo and
they brought clothing that would protect them. Ponchos were more
commonly listed during the 1850s, but they were largely replaced by
overcoats by the 1860s. Clothing was fairly standard among the runaways,
Os senhores
but slaves may have distinguished themselves and their personalities with
escravos fug
their hats. There were a surprising variety of hats, including straw hats,
personalidad
large brimmed caps with hare-tail tassels, “chile” hats. The headwear,
descritos, de

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furthermore, was constructed with a wide range of different materials. senhores ach
virtude da fu
significativo p
severo, poré
ferido quand
Certamente
The clothing and possessions that slaves carried indicate that they often
confiança, ‘la
prepared for long journeys. If in fact they were heading to Santos, the
como despre
number of kilometers that they had to travel could have been considerable.
abatidos” e u
In Figure 8.4, the former homes of the runaways have been placed into a
regional map. Slaves escaped from farms that spread along a Northwest- Mas, a
Southeast axis that reflected the inward growth of the coffee business. The registrava de
farthest town, Piraçununga, was 245 kilometers away in a straight line, but modos. Um e
double that distance over roads. If we consider these notices to be “inteligente e
evidence of a communication network between planters and traders, the senhores de
region that it covered was larger than the network region of the buyers and as descriçõe
sellers in the bills of sale. escravo melh
fornecer long
desapareceu
anda”, e con
I found no instance of owners of a runaways assuming that runaways had das Cruzes “
escaped by boat along the coast. For example, no owners who lived in conversando
neighboring coastal towns, even the most proximate towns like Itanhaem or que está atrá
São Sebastião, had posted a runaway advertisement in a Santos
A fala
newspaper. The small and medium sized sailboats that took passengers to
dizer que os
Rio de Janeiro or down to Porto Alegre daily probably had strict
dificuldades
requirements for passports and papers, especially for individuals of color
eram tidos p
and with accents. Yet there was a busy network of canoes that departed
sotaque. Com
Santos and traveled to neighboring communities and the men who paddled
sotaques e r
these boats in order to sell their aguardente or manioc flour (many who
soar pior ou
were slaves themselves) would probably have been less curious about the
sotaques esp
identity or history of a passenger if he or she was willing to pay a little more
jornais achar
that the normal cost of passage. Moreover, several slaves escaped while
escravos do
aboard ships within the Santos harbor, and some runaways who had been
português tã
on plantations in the interior were described as having sailing skills. Why
escravos, afr
owners did not believe their slaves capable of following the same maritime
avisasse que
routes that they had traveled when they had arrived remains a puzzle.
empregada p
eventualmen
vocabulário e
suavemente,
Um em
alfabetizado
Historiadores

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Former home and number of slave runaways, 1851-1871 dos escravos
em São Pau
Source: Jornal do Comercio, 1851-1867, FAMS, HS.
escravos do
escravos. Em
ser negro” ta
desapareceu
missas. E Pa
papéis e uma
Os escravos
dar uma pist
cavalos e a t
ou bolsas co
cabo de osso
levavam arm
amarrou uma
ombros. Um
escrita para
levavam dinh
dinheiro, pos
essa socieda
guarda-chuv

CAXEMIRA
Tecido feito a p
CHAPÉU-CHILE
Chapéu mascu
Conclusion América do Su

This chapter has examined slaves who sought freedom from their Tamb
servitude. These were men and women who followed the only two maneira com
pathways to freedom, manumission and flight. Besides shared motives, the posição e sta
two groups were also vastly different. Certain slaves belonging to certain usava també
owners had more or less chances to either receive a free or conditional caxemira sem
letter or to compel an owner to “sell themselves to themselves” (via maioria deles
coartação or onerous manumissions). I have included baptism records, a ganhavam o
dataset that is not often included in studies of manumission even though calça de algo
this was a frequent manner of granting manumission. escravos ost
provavelmen
Some slaves who could not (or choose not to) buy their manumission
fugitivos gera
letters, perhaps found illegal escape a more promising option. Studies of
algum tipo de
manumission and runaways have never been discussed side-by-side in the
trocar suas r
literature, but there are underlying characteristics that explicate both.
ocultar suas
Slaves had different options for attaining freedom depending on their price,
principalmen

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the amount that they earned, or whether their owners were inclined to write levar roupas
conditional manumission letters. If these circumstances limited a slave’s durante os a
chances for a letter or meant that the slave had to make a very high na década d
payment for a letter, the slave may have opted for illegal escape. fugitivos, ma
Runaways were typically of an age and with skills that made them the most por meio de
valuable in terms of the market prices that they could command. The fact chapéus, inc
that some owners mentioned that their runaways carried a good deal of coelho, e cha
money adds evidence that these slaves may have preferred to take their os chapéus.
manumission savings on the run. As roupas e
em geral pre
indo para Sa
The few possessions that slaves carried with them on their journey
considerávei
and the type of clothing they wore indicate that many slaves had prepared
longo de um
for the trip. Preparation was simplified for those with jobs that required long
que mostra o
periods of outdoor activities or travel. Nonetheless, the risks to runaways
mais distante
were very high as they faced dangers on the road and the likelihood of
as estradas p
severe punishment if they were captured. These were not journeys that
most slaves were willing or prepared to undertake. Thus, as we have seen,
the runaways tended to be of an age to be strong physically yet have
knowledge of the world to survive. Like Jacintho and Francisco, they had
FLOTILHA
skills that they could transfer to a fugitive life, they were often educated, and
they brought items that they could use in their journey. In 1888, a third and É um conjunto
ultimate “pathway to freedom” suddenly opened for all slaves. Many steps Não fo
had been taken to move Brazil toward emancipation and, as we will see in achassem qu
the next chapter, some believed that increasing manumission for slaves Nenhum sen
was one of those steps. mais próxima
anúncios sob
médios, que
ou para Port
rigorosa de d
que falassem
de canoas qu
os homens q
farinha de m
seriam meno
passageiro q
normal da pa
navios que e
fazendas do
Os motivos d
capazes de s
permanece s

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Locais de pr
Fonte; Jorna

Este c
libertarem de
duas únicas
grupos busca
escravos, qu
obter uma ca
seus donos a
uma alforria

Outros, que
escolhiam a
fugas nunca

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III - Análise dos procedimentos tradutórios
utilizados na adaptação

Passamos agora a abordar as diversas alterações levadas a efeito na


adaptação em questão. Assim, iniciamos com as adaptações preliminares
realizadas em um momento anterior à tradução propriamente dita. Os demais
procedimentos, especificados nas notas que se seguem, foram os cortes de
gráficos com tabelas contendo dados estatísticos, cortes de parágrafos com
detalhamentos técnicos, omissão de palavras, acréscimos de frases com
informações necessárias para maior esclarecimento de assuntos abordados,
acréscimo de palavras por motivo de rearranjo sintático ou morfológico, ou de
complementação de informações, além de recursos técnicos de tradução,
como modulações, omissões, transposições, explicitações, implicitações,
adaptações, reconstruções de períodos e transposições de categorias.

3.1 As adaptações preliminares

A adaptação feita a partir da dissertação de Ian William Olivo Read,


com o intuito de transformar o texto técnico característico de uma monografia
em um texto de livro didático e de leitura acessível para o leitor que não
detenha conhecimentos científicos a respeito da história do país em geral, e da
história dos últimos escravos que havia na região do litoral paulista antes da
abolição da escravidão em particular, foi baseada em uma série de
procedimentos tradutórios, necessários para a obtenção do resultado
almejado.

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A primeira adaptação deu-se no título do trabalho: Unequally bound: the
conditions of slave life and treatment in Santos County, Brazil, 1822-1888. O
título está de acordo com a finalidade do trabalho acadêmico a que se destina,
mas não com o objetivo da tradução adaptada. A solução escolhida,
‘Cativeiros Desiguais’(01), implicou na elipse do subtítulo original, de modo a
criar um título mais simples e de assimilação mais fácil a um público não
especializado, mas mesmo assim mantendo a informação sobre a hierarquia
existente entre os escravos. Para maior clareza, foi realizada a transposição
dos dois termos: o adjetivo bound passou a ser o substantivo ‘cativeiros’, e o
advérbio unequally deu lugar ao adjetivo ‘desiguais’.

O capítulo oito do texto fonte, usado como corpus deste trabalho, foi
dividido na tradução em nove subtítulos (02) (incluindo a conclusão), que se vão
sucedendo à medida que o autor apresenta novos argumentos, tornando a
leitura mais adequada à finalidade do texto adaptado. Esta, por si só, é uma
grande mudança estrutural levada a efeito tendo em vista o objetivo de criar
um texto destinado a um público-alvo específico.

Termos pouco conhecidos, ou que caíram em desuso, foram definidos


em “manchas de textos”. São eles: tanoeiro (03), carta de alforria, preto forro,
coartação, crioulo, quilombo, oleiro, chapéu-chile, caxemira, flotilha e
comissários de café. Essas definições foram usadas na adaptação para que o
leitor seja informado a respeito de como eram conhecidos alguns objetos,
profissões, processos etc., mencionados quase que exclusivamente em obras
didáticas ou literárias cuja temática se situa no século XIX.

Também não constam do texto-fonte os dados biográficos que foram


acrescentados aos nomes dos pesquisadores citados no texto, Gilberto
Freyre(04) e Enidelce Bertin. Esses acréscimos são relevantes na medida em
que proporcionam ao público-alvo desta adaptação informações sobre os dois
importantes pesquisadores.

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3.2 Omissões de tabelas

O texto fonte deste capítulo contém oito tabelas (05), elaboradas a partir
de pesquisas em documentos encontrados em cartórios e arquivos históricos;
fazem comparações entre os escravos, seus senhores, suas profissões,
posição social dos senhores, locais onde trabalhavam, idade, sexo,
nacionalidade, estado civil, e outros elementos comparativos, com o objetivo
de ilustrar os argumentos apresentados pelo autor. Essas tabelas foram
omitidas, uma vez que resumem dados que são desenvolvidos ao longo do
capítulo, tendo sido as explanações detalhadas priorizadas na tradução, de
acordo com o objetivo desta adaptação, que é apresentar um texto didático e
de leitura acessível a um público leigo.

3.3 Omissões de comentários

As tabelas 8.1, 8.4, 8.5, 8.6, contém pequenos comentários (06) que
estão diretamente relacionados aos dados estatísticos apresentados. Assim
como as próprias tabelas, e por também estarem especificados de maneira
mais abrangente ao longo do texto, esses comentários não foram traduzidos.

3.4 Omissões de parágrafos

Alguns parágrafos ou orações não foram traduzidos. Esses casos estão


relacionados a seguir, bem como os motivos de terem sido omitidos:

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The relatively lower number of unconditional manumission letters in
Santos was similar to other parts of São Paulo during this time. For
São Sebastião, Rosangela Dias da Ressurreição found that
conditional letters were the most common. Eisenberg found a
higher number of purchased letters (onerosas) for slaves in
Campinas: 60 percent of letters were of this type between 1798 and
1885. Only after 1886, when slavery seemed fated to end, did
unpaid letters surpass purchased letters in Campinas. In this
respect, nineteenth-century São Paulo is unusual, since many other
parts of Brazil had proportionally more unpaid manumissions than
paid.
Historians have often distinguished between the three types of
manumission letters, and have argued that they were largely
separate but related systems of granting freedom (or the future
possibility of freedom). I believe this is true, but two comments must
be made about the data available on slave manumissions in Santos.
First, among the Santos manumission letters from the two notary
offices, nearly a third of all transcribed letters do not fit into one of the
three types of letters. For example, seven percent of the letters were
both onerous and conditional (Table 8.1). In these cases, in addition
to the conditions attached to the manumission letter, the slave or
someone else had paid (or vowed to pay) a sum of money. Another
16 percent of the letters neither explicitly said that they were “free”
(gratuita) nor if there were conditions attached. These “ambivalently
free” manumission letters became increasingly common after 1860
when the notary officers composed shorter, more formulaic, and less
detailed letters (07)

Baseando-se na tabela 8.1, e também em documentos relativos a


alforrias lavradas em cartórios de Santos e de outras regiões, o autor faz
comparações entre dados estatísticos e entre diferentes formas de
escrituração de alforrias. São detalhes técnicos importantes para o trabalho
original, mas que foram omitidos na tradução, uma vez que o assunto volta a
ser abordado mais adiante tanto no original como na tradução de forma
argumentativa, mais de acordo com o objetivo didático desta adaptação.

When approaching manumission letters, then, we should keep in


mind that some letters were unclear if they were free or conditional,
others were both onerous and conditional, and a few were onerous
but excluded information on conditional indenture service contracts
written separately in the notary office. Nevertheless, the different
manumission categories can be discerned for many of the letters,
but only if we include a few additional categories that do not hide the
ambivalence of the data. (08)

Comentários técnicos feitos pelo autor a respeito da análise de algumas


fontes em que nem todas as informações disponíveis estão explícitas, e sobre

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qual foi o procedimento do autor em relação a elas. A tradução desses
comentários nada acrescenta ao objetivo da adaptação, uma vez que se trata
de argumentação teórica e não de uma exposição objetiva dos fatos históricos.

This sale was different from the indenture contracts (locátorio)


mentioned earlier. The meia-siza (tax) record in which she appears
for the third time was exclusively for the transferal of slave ownership,
while a sale of an indentured labor contract could have only taken
place in the notary office. (09)

Parágrafo não traduzido por se tratar de argumentação lógica a partir de


análise técnica de documentos, característica do tipo de trabalho do texto-
fonte, mas não da adaptação.

This discussion of free, onerous, and conditional manumission has


excluded many letters that either had missing data or were
manumissions granted during baptism. Using the wider set of
manumission gives us more information on the gender of the slaves
who received all types of manumission, the gender of the owner, and
sheds light on baptismal manumissions. Unfortunately, this wider set
does not help us further distinguish between the types of letters that
were written in the notary office. (10)

Parágrafo em que o autor comenta a exclusão de algumas fontes em


que faltam dados que poderiam ser úteis para o trabalho original, não sendo
relevante para o objetivo da adaptação que está sendo feita.

Second, the runaways were on average a few years older than a


slave who was purchased or manumitted. The average age was 26
in the 1850s and a few years older in the 1860s. Third, A little less
than two-thirds of the fugitives were native-born, but the percentage
of Africans actually increased slightly, bucking the demographic trend
brought about by the end of the international slave trade in 1850. Of
the eleven slaves from a northeastern or a northern province, half do
not give us details on whether that was their birthplace or if they
landed there from Africa. We can find a greater proportion of slaves
from Bahia, Pernambuco, Maranhão, or Pará (all northern or
northeastern provinces) than slaves bought and sold on the local
market during these two decades. Most notices described slaves
with lighter skin, although darker colored slaves may have simply
received less notice because they were the largest group. In today’s
race conscious world, it is surprising that only 25 of the 110 notices
mentioned the race or ancestry of the slave. Far more
advertisements described the shape of their faces or size of their
bodies than the color of their skin. (11)

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Não foi traduzido o parágrafo que faz referência ao perfil dos fugitivos
de acordo com os anúncios publicados nos periódicos Jornal do Commercio,
destacando sexo, idade, nacionalidade e raça. Essas informações são
desenvolvidas no decorrer do texto, de forma mais abrangente e em
linguagem descritiva, mais de acordo com o estilo desta adaptação.

This chapter analyzes two sources that are logically connected:


manumission letters and runaway advertisements. (12)

Esta frase não foi traduzida por se tratar de uma informação técnica,
importante para o trabalho acadêmico original, mas não para este projeto de
criar um texto didático a partir da tradução dos comentários do autor baseados
em suas análises.

3.5 Omissões de palavras ou expressões

Owners who manumitted slaves tended to be about five to ten years


older than those who bought and sold slaves, but both groups would
have been considered fairly old for their day. In terms of civil status,
there was a considerable shift during the century. Before 1850,
single, married and widowed owners were fairly evenly divided;
‘Os senhores que alforriavam seus escravos eram em geral de cinco
a dez anos mais velhos que aqueles que os vendiam ou compravam,
mas os dois grupos poderiam ser considerados de idade avançada
para a época. Em relação ao estado civil, houve uma mudança
considerável ao longo do século’ Antes de 1850, havia um número
relativamente semelhante de solteiros, casados e viúvos. (13)

A tradução de owners na última oração foi elipsada, uma vez que a


palavra já foi citada no início do período.

Escape was a manner of attaining freedom that was relatively rare


until the last five years of slavery in Santos. I argue in this chapter
that running away from owners not only carried considerable risk and
separated slaves from caring communities of families and friends, but
required resources and skills that most slaves did not have.
‘A fuga era uma maneira de obter a liberdade relativamente rara até
os últimos cinco anos de escravidão em Santos; não apenas trazia
riscos consideráveis, além de afastar os escravos dos cuidados de

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suas comunidades de família e amigos, como também requeria
recursos e habilidades que a maioria não possuía’. (14)

Foi omitido o fragamento I argue in this chapter, eliminando, na


tradução, a figura do autor em frases na primeira pessoa, uma vez que o texto
fonte, em que o autor comenta seu próprio trabalho, foi transformado em um
texto narrativo na adaptação.

Second, slaves who paid or found a third-party payer were


sometimes given a separately contracted “lease” on their labor
(locatário).
‘Alguns escravos, que de algum modo conseguiam pagar por suas
cartas de alforria, tinham que cumprir também um contrato de
“arrendamento” de sua mão de obra, lavrado em separado da carta’.
(15)

Não foi traduzida a palavra “second”, que foi usada pelo autor para dar
seqüência ao parágrafo anterior, também não traduzido.

Evidently, at the request of Juliana, Gomes initiated the process and


paid Anna Luisa the amount of Juliana’s manumission. He then
entered the former slave into indentured service in a contract that
was written separately from the manumission letter.
‘Fica assim evidenciado que o Sr. Gomes, a pedido de Juliana, deu
entrada ao processo e pagou o valor da alforria para Dona Ana
Luisa. Em seguida, lavrou o contrato de prestação de serviços em
separado’. (16)

Foram omitidas as traduções de the former slave e de from the


manumision letter por serem informações redundantes, que já constam do
período anterior.

The notary office holds an indenture contract, written on behalf of


José Raggio Nobrega, stipulating that Luis (now Luis Andrade) would
give eight years and four months (100 months) of his labor for 400
mil-reis. Clearly Luis did not have enough funds to pay his purchase
price and offered an indenture for the monies. Why the locátorio is
300 mil-reis less than the amount listed in the manumission letter is
not given.
‘No mesmo cartório foi lavrado também um contrato de
arrendamento de mão de obra, em nome do Capitão Andrade,
estipulando que Luis (agora já com o nome de Luis Andrade) deveria
prestar oito anos e quatro meses (cem meses, portanto) de trabalho,
por 400 mil-réis. Luis, que não teria como pagar o preço de sua
carta, vendeu seu trabalho para conseguir uma parte do valor’. (17)

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Omitida a tradução da última oração, uma vez que se trata do
comentário do autor a respeito do fato de não ter sido encontrada certa
informação, não se tratando, portanto, do assunto que está sendo traduzido de
forma objetiva.

When considering the characteristics of owners, the archive does not


permit a strict division between the types manumission. (18)

Trata-se de uma informação técnica especificando detalhes sobre as


fontes de informações; importante para o trabalho original do autor, mas sem
relevância para esta adaptação.

These businessmen were more likely to be of higher status and


wealth than businessmen or women with shops or who worked as
vendors or peddlers.
‘Eram em geral pessoas de maior status e riqueza que os
negociantes que possuíam comércio ou que eram caixeiros ou
ambulantes’. (19)

A elipse do sujeito these businessmen foi feita em virtude de a frase


anterior já o citar.

Twelve individuals who wrote up manumission letters or who


requested manumission at baptism were also found in the inheritance
records;
‘Doze constam dos registros como sendo beneficiários de herança; e
com apenas uma exceção, possuíam alguns bens’. (20)

[...] individuals who wrote up manumission letters or who requested


manumission at baptism foi suprimido na adaptação, uma vez que as frases
anteriores já deixam claro a quem o autor se refere nesse comentário, sendo,
portanto, possível a elipse.

Furthermore, male slaves were more likely to be manumitted by


paying their price or by finding someone who would pay for them.
Particular groups of slaves, which included an even number of males
and females, earned enough money (or found someone who was
willing to pay) for their manumission.

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‘Vemos também que os escravos eram mais propensos que as
escravas a pagar por suas alforrias, ou a encontrar quem pagasse
por eles’. (21)

A frase Particular groups of slaves, which included an even number of


males and females, earned enough money (or found someone who was willing
to pay) for their manumission foi suprimida da adaptação, por se tratar de uma
informação adicional que não é relevante para a adaptação, além de causar
algum conflito de sentidos com a frase anterior.

Many slaves gained rights when manumitted and if they were not
immediately free, a good number had much greater potential for
eventually attaining full freedom.
‘Os escravos obtinham direitos quando eram alforriados, e mesmo
que não fossem imediatamente libertados, um grande número deles
tinha possibilidades de obter a liberdade completa’. (22)

A palavra many não foi traduzida, uma vez que se supõe que todos os
escravos alforriados obtinham alguns direitos.

The slave that chose to run away was not a typical slave. First of all,
nine of every ten runaways were men (see table 8.7), but a slightly
higher percent of females fled in the 1860s than the 1850s.
‘Nove em cada dez fugitivos eram homens, mas uma porcentagem
ligeiramente maior de escravas tentou a fuga na década de 1860 do
que na de 1850. O fugitivo típico era um pouco mais velho que os
escravos que eram negociados ou alforriados. A idade média era de
26 anos nos anos 1850, e um pouco maior na década de 1860’. (23)

A frase The slave that chose to run away was not a typical slave não foi
traduzida por ser uma introdução à tabela 8.7 que está na seqüência do texto
fonte, mas não consta da tradução.

Neste parágrafo, a expressão First of all também não foi traduzida, uma
vez que o parágrafo seguinte, iniciado por second, foi omitido.

Thus, like the slaves who were manumitted, the runaways had
particular characteristics that made them different from the general
population of slaves.
‘Assim como os escravos que eram alforriados, os fugitivos tinham
características que os tornavam distintos da população geral de
escravos’. (24)

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A conjunção thus remete à tabela anterior, que foi omitida na tradução,
não tendo sido traduzida por esse motivo.

He was particularly interested in finding traces of African customs


such as filed teeth or tribal scarring. Beyond the particular and
surprising, Freyre was less interested in general characteristics.
‘Ele estava particularmente interessado em encontrar traços de
costumes africanos, tais como dentes limados ou marcas tribais, não
tendo interesse em outras características’. (25)

A expressão Beyond the particular and surprising não foi traduzida,


assim como a repetição do nome Freyre, que já havia sido citado. Desta
forma, apenas uma oração foi suficiente para manter o sentido do texto fonte,
resultando em uma adaptação de acordo com o propósito deste trabalho.

3.6 Acréscimos

Feitos a partir de informações obtidas por meio de pesquisas e do


conhecimento do assunto por parte do tradutor, os acréscimos têm por
finalidade contribuir para a adaptação do tipo de narrativa acadêmica do texto
fonte, transformando-o em uma narrativa didática.

The two Africans may have previously discussed how extra work
might bring savings for manumission letters.
‘Os dois africanos provavelmente já haviam feito as contas, e
avaliado por quanto tempo teriam que fazer trabalho extra, nas
poucas horas de folga, para ganhar o dinheiro suficiente para
comprar suas Cartas de Alforria’. (26)

O acréscimo da informação de que os escravos tinham poucas horas de


folga é importante para a avaliação, por parte do leitor-alvo desta adaptação,
da grande dificuldade que teriam os escravos de ganhar dinheiro fazendo
horas extras.

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Or, they may have talked about the ways they could use their skills
and savings in order to survive on the run.
‘Ou haviam discutido como usar suas economias e destreza no
trabalho para sobreviver em uma fuga e trabalhar como homens
livres’. (27)

Foi acrescentada a frase ‘e trabalhar como homens livres’ para deixar


claro que a habilidade dos dois escravos como tanoeiros seria importante para
sua sobrevivência não somente durante o ato da fuga, mas também depois
que se estabelecessem em outro local.

The two young women were certainly skilled, but they did not have
the know-how required for a guild-craft like cooperage.
‘A habilidade para desempenhar essa função, no entanto, não seria
suficiente para garantir a sobrevivência das moças no caso de uma
fuga, como era o caso dos dois tanoeiros’. (28)

Foi explicitado que a habilidade das moças não seria suficiente para
garantir sua sobrevivência, como era o caso dos tanoeiros, para maior clareza.

Some manumission letters were freely given and once a copy of the
letter was received, the former slave (preto forro) had nearly every
right as any other Brazilian citizen.
‘Algumas cartas de alforria eram dadas gratuitamente e, uma vez de
posse de uma cópia, o ex-escravo, a partir daí chamado de preto
forro, obtinha quase que os mesmos direitos que os outros cidadãos
brasileiros’ (29)

Foi feita, por motivos didáticos, uma explicação mais clara a respeito da
expressão ‘preto forro’, que consta apenas entre parênteses no texto fonte.

The notary office holds an indenture contract, written on behalf of


José Raggio Nobrega, stipulating that Luis (now Luis Andrade) would
give eight years and four months (100 months) of his labor for 400
mil-reis. Clearly Luis did not have enough funds to pay his purchase
price and offered an indenture for the monies. Why the locátorio is
300 mil-reis less than the amount listed in the manumission letter is
not given.
‘No mesmo cartório foi lavrado também um contrato de
arrendamento de mão de obra, em nome do Capitão Nóbrega,
estipulando que Luis (agora já com o nome de Luis Andrade) deveria
prestar oito anos e quatro meses (cem meses, portanto) de trabalho,

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por 400 mil-réis. Luis, que não teria como pagar o preço de sua
carta, vendeu seu trabalho para conseguir uma parte do valor’. (30)

Foi feita a explicitação ‘agora já com o nome de Luis Nóbrega’ para


traduzir now Luis Andrade, para tornar mais clara a informação, obtida por
meio de pesquisa, de que os escravos não tinham direito a um sobrenome
enquanto não fossem considerados homens livres.

This is probably a consequence of the steep rise in slave prices,


since married men and women typically were wealthier than single
and widowed individuals.
‘Isso se deu, provavelmente, em razão do grande aumento do preço
dos escravos decorrente da proibição do tráfego negreiro, já que, de
um modo geral, os homens e mulheres casados tinham mais posses
que os solteiros e viúvos’. (31)

O trabalho de pesquisa e o conhecimento do assunto permitiram que


fosse feita a explicitação sobre o motivo do aumento do preço dos escravos,
para melhor entendimento do público a que se destina a adaptação.

3.7 Procedimentos tradutórios de Vinay e Darbelnet

If they had never left Africa, these men might have considered each
other to have strange customs and languages, but in Brazil and in the
dimness of a waning moon, they were compatriots and united in their
risky pursuit.
‘Se nunca houvessem sido forçados a deixar sua África natal, esses
homens considerariam um ao outro estrangeiros, possuidores de
línguas e hábitos estranhos. No Brasil, no entanto, unidos por seu
arriscado projeto de fuga sob a pouca luz de uma lua minguante,
sentiam-se como irmãos’. (32)

A tradução de compatriots para ‘irmãos’ é uma modulação que não


muda o sentido do texto e evita o uso de termo pouco comum para expressar
o sentimento de solidariedade dos fugitivos.

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In the end, Jacintho made his way back to Braga either voluntarily or
through capture. Less is known about Francisco, who may have
found tenuous freedom.
‘Não há informações sobre se voluntariamente ou devido à sua
captura, mas Jacintho voltou a trabalhar como escravo do Sr. Braga.
Nada mais se soube sobre Francisco, que pode ter permanecido o
resto da vida em relativa liberdade’. (33)

As expressões either...or e less is known, típicas da língua inglesa,


foram substituídas por meio de modulação por construções mais comuns em
português.

Only certain groups of slaves were in a position to gain a


manumission letter.
‘Apenas alguns grupos de escravos viviam em uma condição que
tornava possível obter uma carta de alforria’. (34)

A expressão ‘viviam em uma condição que’ é uma modulação do


original were in a position to, já que a tradução ao pé da letra (‘estavam em
uma posição de’) resultaria em uma forma pouco comum em português.

In it, I will return to the overriding theme of this book:


‘Nela vamos retornar ao tema básico deste trabalho: ’ (35)

A mudança do narrador da primeira pessoa do singular para a primeira


pessoa do plural é uma modulação que torna mais impessoal a narrativa, o
que corresponde ao estilo desta adaptação.

A opção por ‘(aparentemente) sem restrições’ para a tradução de no


(known) strings é uma modulação para um tipo de construção que não é usada
em português.

But a larger share—27 percent—forced the slave to comply with


some condition, usually in the form of pressed labor over many years.
‘Mas uma grande parte, 27%, forçava o escravo a cumprir alguma
condição, normalmente na forma de prestação de serviços por
muitos anos’. (36)

Pressed labor foi traduzido por meio de modulação por ‘prestação de


serviços’, uma vez que os escravos alforriados por essa condição eram
obrigados a prestar trabalho por algum tempo para seus senhores, em função

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de um contrato, em troca da sua liberdade; mas não eram prisioneiros, como
daria a entender a expressão ‘trabalhos forçados’.

Second, slaves who paid or found a third-party payer were


sometimes given a separately contracted “lease” on their labor
(locatário).
‘Alguns escravos, que de algum modo conseguiam pagar por suas
cartas de alforria, tinham que cumprir também um contrato de
“arrendamento” de sua mão de obra, lavrado em separado da carta’.
(37)

A expressão were sometimes given não encontra equivalente em


português para sua tradução literal, tendo sido traduzida, como modulação,
para ‘tinham que cumprir’.

Também foi eliminado, para maior clareza, o advérbio sometimes. O


sentido da frase foi mantido por meio de uma modulação, iniciando-se a
oração com ‘alguns escravos’.

Evidently, at the request of Juliana, Gomes initiated the process and


paid Anna Luisa the amount of Juliana’s manumission. He then
entered the former slave into indentured service in a contract that
was written separately from the manumission letter.
‘Fica assim evidenciado que o Sr. Gomes, a pedido de Juliana, deu
entrada ao processo e pagou o valor da alforria para Dona Ana
Luisa. Em seguida, lavrou o contrato de prestação de serviços em
separado’. (38)

Traduzir evidently por ‘evidentemente’ causaria alguma ambigüidade,


podendo significar ‘logicamente’, enquanto que a intenção do autor parece ter
sido a de dizer que ‘os argumentos levam à conclusão de que’; daí a
transposição para ‘fica assim evidenciado’.

He entered ... into indentured service in a contract that was written foi
traduzido, por meio de modulação, por ‘lavrou o contrato de prestação de
serviços’, de acordo com o tipo de construção usado em português.

In another case, Luis paid his mistress, Virginia Maria Nebias, 800
mil-reis to purchase his freedom.
‘Há também o caso do escravo Luis, que pagou para sua dona,
Virginia Maria Nébias, 800 mil-réis pela sua liberdade’. (39)

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In another case não seria uma expressão de uso comum em português
se traduzida literalmente, ou seja, ‘em outro caso’. ‘Há também o caso’ é uma
modulação que permite solução de uso corrente.

Among the onerous manumissions (Table 8.2), those purchased by a


family member or a third party were less common than “self-
purchase” but this may have been because the letters did not have to
mention who paid for the manumission.
‘Entre as alforrias onerosas, as pagas por um membro da família ou
por terceiros eram menos comuns que as pagas pelo próprio
alforriado, mas pode ser que isso se deva ao fato de que as cartas
não precisavam mencionar quem efetivamente havia pagado’. (40)

[...] this may have been because foi traduzido por meio de modulação
para ‘pode ser que isso se deva ao fato de que’, uma vez que a tradução literal
resultaria em uma linguagem informal em relação ao padrão usado nesta
adaptação.

For example, eighteen out of 58 letters manumitting slave children


involved purchased freedom between 1811 and 1880, but none gave
information on a parent, relative or third-party.
‘Por exemplo, 18 de 58 cartas alforriando crianças eram onerosas
entre 1811 e 1880, mas nada diziam sobre pais, parentes ou
terceiros’. (41)

A modulação de but none gave information on a parent por ‘mas nada


diziam sobre pais’ é uma opção por uma construção mais comum na língua
portuguesa do que seria a tradução literal.

Historians have found that native born females received the most
letters even though African males vastly outnumbered Brazilian
females until late in slavery’s existence.
‘Historiadores descobriram que as escravas crioulas recebiam a
maior parte das cartas de alforria, apesar de os escravos africanos
do sexo masculino serem muito mais numerosos que as escravas
brasileiras até próximo do fim da escravidão’. (42)

Native born female foi traduzido por meio de modulação para ‘crioulas’,
termo que era usado para designar as pessoas nascidas no Brasil, mas

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descendentes de estrangeiros, incluindo os escravos. A pesquisa sobre
terminologia histórica tornou possível essa modulação.

Within the literature on the topic there are two answers for why native
born females were favored; often both are given equal weight.
‘Na literatura a respeito, encontramos duas razões para isso, ambas
em geral consideradas igualmente relevantes: ’ (43)

A oração often both are given equal weight, além de ser introduzida, na
tradução, por uma vírgula, como é mais comum em português, e não por ponto
e vírgula como no original, foi traduzida por meio de uma modulação de forma
a se adequar ao uso de nossa língua, para ‘ambas igualmente relevantes’.

On the one hand, since female slaves were more likely than males to
work domestic jobs, they are assumed to have been more integrated
into the families of their owners.
‘: por um lado, como era mais comum que escravas
desempenhassem trabalhos domésticos, presume-se que elas
fossem mais integradas às famílias de seus senhores’. (44)

Na tradução esse período é introduzido por dois pontos, por estar


especificando uma das razões citadas no parágrafo anterior.

They are assumed não encontra correspondência literal em português,


tendo sido traduzido por meio de transposição para ‘presume-se’.

After 1850, nearly two-thirds of the owners who manumitted their


slaves were married.
‘Na segunda metade daquele século, cerca de dois terços dos
senhores que alforriavam seus escravos eram casados’. (45)
After 1850 foi traduzido por ‘na segunda metade daquele século’, para
evitar, com essa modulação, a repetição do numeral 1850, que já havia sido
citado na frase anterior.

Coffee commissioners and men who ran import and export


businesses during the coffee boom of the second half of the century
seldom manumitted their slaves, preferring instead to buy and sell
them.

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‘Os comissários de café e os importadores e exportadores que
atuavam durante o auge dos negócios com café, durante a segunda
metade do século, raramente alforriavam seus escravos, preferindo
negociá-los’. (46)

A expressão to buy and to sell them foi traduzida como modulação para
‘negociá-los’, uma expressão mais de acordo com o estilo desta adaptação.

These businessmen were more likely to be of higher status and


wealth than businessmen or women with shops or who worked as
vendors or peddlers.
‘Eram em geral pessoas de maior status e riqueza que os
negociantes que possuíam comércio ou que eram caixeiros ou
ambulantes’. (47)

A expressão were more likely to be foi modulada para ‘eram em geral’


por se tratar de um tipo de construção que não encontra correspondente em
português.

Clearly, the chances of a manumission letter not only rested the


slaves’ earning power and market price but also on the demographic
and occupation background of the owners.
‘Fica evidente que as chances de conseguir uma carta de alforria
dependiam não apenas do poder de ganho e do valor de mercado
dos escravos, mas também do local onde viviam e da ocupação de
seus senhores’. (48)

Clearly foi traduzido por ‘fica evidente que’, uma modulação que permite
o uso de uma expressão mais comum em português.

Demographic and occupation background não encontra correspondente


em português para uma tradução literal, sendo ‘local onde viviam e [...]
ocupação’ uma transposição que permite expressar o mesmo sentido de uma
forma mais comum em nossa língua.

For example, Brazilian born infants and children were in a particularly


strong position to receive a letter of manumission because their price
was still low.
‘Por exemplo, recém-nascidos e crianças crioulos tinham grandes
chances de receberam alforria porque seu valor era ainda baixo’. (49)

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Were in a particularly strong position foi traduzido por meio de
modulação para ‘tinham grandes chances’, uma forma mais comum em
português e mais condizente com esta adaptação.

When manumission was not a good option, slaves may have


considered running away.
‘Quando a alforria não era uma opção possível, os escravos podiam
levar em consideração a fuga’. (50)

A expressão was not a good option foi traduzida de forma modulada


para ‘não era uma opção possível’, uma vez que o adjetivo good foi
certamente usado pelo autor com o sentido de algo que ‘valesse a pena para
alguns escravos’.

Running away carried enormous risks of punishment and often


permanently separated slaves from the communities within which
they lived and worked.
‘Essa opção carregava grandes riscos de punição, e geralmente
separava permanentemente os escravos das comunidades dentro
das quais trabalhavam e viviam’. (51)

‘Essa opção’ foi usada para evitar a repetição da tradução de running


away, que já consta da frase anterior.

In the eyes of the law, slaves were “stealing” themselves, taking


property that could be worth more than a year’s saved wages for
some owners.
‘Aos olhos da lei, os fugitivos estavam roubando a si mesmos, ou
seja, roubando um patrimônio que podia valer mais de um ano de
economias para alguns senhores’. (52)

A year’s saved wages foi traduzido por ‘um ano de economias’, uma
modulação necessária para adequar a expressão a uma estrutura mais
comum na língua portuguesa.

Owners occasionally mandated that slaves who had run away


permanently wear iron collars, chains and heavy weights as a
measure to prevent future flight.

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‘Alguns senhores obrigavam os capturados a usarem
permanentemente colares de ferro, correntes e pesos, como
prevenção contra fugas futuras’. (53)

A tradução literal de owners occasionaly mandated passaria a idéia de


que todos os donos em algumas ocasiões aplicavam tais punições; a
modulação para ‘alguns senhores obrigavam’ deixa claro que alguns não o
faziam.

the others worked and lived in towns and rural areas scattered
throughout the state of São Paulo.
os outros trabalhavam e viviam em cidades ou áreas rurais
espalhadas pela Província de São Paulo. (54)

State of São Paulo foi traduzido para “Província de São Paulo”, como
era chamado o estado no período. Esta modulação é uma conseqüência de
pesquisa feita pelo tradutor.

Santos was a common destination for many slaves, partly because


many had passed through the city when they were transported from
other provinces within the Brazilian Empire or from Africa.
‘Santos era um destino bastante procurado pelos escravos, em parte
porque muitos deles já haviam passado pela cidade quando trazidos
de outras províncias do Império, ou da África’. (55)

Para manter o estilo que está caracterizando esta adaptação, were


transported from foi modulado para ‘eram trazidos de’, forma consagrada em
português.

As the city expanded, driven by the growing business of coffee,


fugitives learned that Santos had such a need for workers that some
employers might turn a blind eye to the history of a stranger.
‘Com o crescimento da cidade devido à expansão dos negócios do
café, os escravos sabiam que havia uma demanda tão grande de
trabalhadores que alguns empresários poderiam fazer vista grossa
sobre a origem de um forasteiro’. (56)

A modulação na tradução de As the city expanded, driven by por ‘Com o


crescimento da cidade devido à’ deve-se ao uso de uma construção mais

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comum em nossa língua, portanto mais de acordo com a linguagem usada
nesta adaptação,

A tradução de turn a blind eye por ‘fazer vista grossa’ é um exemplo de


uso de equivalência. As modulações de history por ‘origem’ e stranger por
‘forasteiro’, por serem palavras de uso mais comum nesse contexto, deixam
mais claro o sentido da frase.

A notice in Santos’s Jornal do Comercio, therefore, did not


necessarily imply that the owner knew the slave was destined for the
port town.
‘Um anúncio no Jornal do Comércio de Santos, portanto, não queria
necessariamente dizer que o proprietário sabia que seu escravo
tinha como destino a cidade portuária’. (57)

A transposição de was destined for para ‘tinha como destino’ é


necessária porque a tradução literal da frase na voz passiva não seria uma
construção de uso comum em português.

The slaves of this group did have a slightly smaller percentage of


afflictions or disabilities than the rest, adding some credence to
Freyre’s argument (and to the argument of this book).
‘Os escravos desse grupo apresentavam uma porcentagem um
pouco menor de doenças ou incapacitação que os outros, o que vem
ao encontro do argumento de Freyre (e também ao deste livro)’. (58)

[...] adding some credence to foi traduzido por ‘o que vem ao encontro
do’, tendo sido esta opção pela modulação motivada pelo fato da tradução
literal não ser um tipo de construção comum na língua portuguesa.

Slave men did or did not have facial hair, and the beards themselves
were “slight” “full” or “wild.”
‘Os escravos possuíam ou não barba, e essas eram ralas, cerradas
ou crescidas’. (59)

Os termos slight, full or wild foram modulados na tradução para os


termos correspondentes em uso no português neste contexto, ‘ralas, cerradas
ou crescidas’.

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Sure enough, slaves are described as “untrustworthy” and “shrewd,”
or “unpleasant” and “rude.”
‘Certamente muitos escravos eram descritos como sendo “indignos
de confiança”, “ladinos”, “desagradáveis” e “rudes”’. (60)

Na tradução de shrewd foi usado, por modulação, o termo ‘ladino’, por


se tratar da forma usada na época da escravidão para designar o escravo tido
como malandro, conforme pesquisa realizada pelo tradutor.

Emilio, who disappeared in 1861, “walks quickly,” “shakes his arms


when he walks,” and often “shrugs his shoulders.”
‘Emílio, que desapareceu em 1861, “caminha rápido”, “balança os
braços enquanto anda”, e constantemente “dá de ombros”’. (61)

A tradução de shrugs his shoulders por ‘dá de ombros’ é um caso típico


de modulação obrigatória de uma expressão de uso corrente em uma língua
pela expressão que tem o mesmo sentido em outra, por meio de equivalência.

3.8 Reconstruções de períodos de Newmark

Os trechos a seguir, que foram traduzidos por meio de adaptações


sintáticas, estão mais bem enquadrados como um tipo de procedimento
denominado por Newmark reconstrução de período.

As coopers, they knew that gaps too small to be seen by the naked
eye could ruin a barrel.
‘Eram tanoeiros, e sabiam que pequenas falhas no corte da madeira,
invisíveis a olho nu, poderiam arruinar uma barrica’. (62)

A tradução literal (‘como tanoeiros, sabiam que’) resultaria em uma


estrutura que, em português, passaria a impressão de que a profissão da
dupla já havia sido citada antes. A explicitação, por meio do uso de duas
orações coordenadas deixa claro que há duas informações novas para o leitor,

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tornando o texto mais de acordo com a natureza didática da publicação na
língua de chegada.

In this craft, skilled workers were hard to find and their work took
years to master, commanding respect when it was done well.
‘Era muito difícil encontrar trabalhadores especializados nessa
função, que levava muito tempo para ser aprendida. O trabalho,
quando bem feito, causava admiração e respeito’. (63)

A informação sobre o respeito causado pelo trabalho bem feito foi


colocada em uma oração separada da que menciona a dificuldade de se
encontrar trabalhadores especializados nessa função, e do tempo que levava
para ser aprendida, tornando mais simples a linguagem e mais claro o sentido
do texto adaptado.

Of the 294 letters written for enslaved adults and children, 22 percent
were given freely or listed no conditions. These were manumissions
with no (known) strings attached.
‘De 294 cartas lavradas para escravos adultos e crianças, 22%
davam liberdade total, ou não estabeleciam condições: eram alforrias
(aparentemente) sem restrições’. (64)

A opção por separar a última oração por dois pontos e não por ponto,
como no original, deve-se ao fato de estar sendo acrescentada mais uma
informação para reforçar o mesmo argumento. O verbo ‘lavrar’ foi escolhido
para traduzir written como modulação, por se referir a documentos escritos em
cartórios, portanto ‘lavrados’. A adaptação se fez necessária por se tratar de
um verbo hiperônimo na língua inglesa, que foi traduzido por um hipônimo na
língua portuguesa.

Considering this wider set of manumissions, Brazilian born female


slaves in Santos were most likely to get any type of manumission
letter. This conforms to every other systematic study of manumission
in Brazil.
‘Uma pesquisa em uma grande quantidade de cartas de alforria
mostra que as escravas nascidas no Brasil eram mais propensas a
conseguir algum tipo de alforria, tanto em Santos como em outros
locais do país’. (65)

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A locução adverbial ‘tanto em Santos como em todo o país’ veio
substituir a tradução literal de uma oração completa, This conforms to every
other systematic study of manumission in Brazil, tendo esta modulação tornado
a linguagem mais simples e objetiva.

Within the literature on the topic there are two answers for why native
born females were favored; often both are given equal weight.
‘Na literatura a respeito, encontramos duas razões para isso, ambas
em geral consideradas igualmente relevantes:’ (66)

A omissão da tabela anterior tornou mais próxima ao trecho anterior, na


tradução, a informação de que as escravas eram as mais beneficiadas com a
alforria, podendo assim o pronome ‘isso’ substituir a tradução de native born
females were favored.

In this discussion, we must consider the different types of


manumissions. Excluding the paid manumission letters, males and
females were fairly evenly divided.
‘Se considerarmos, no entanto, todos os diferentes tipos de alforrias,
com exclusão das onerosas, escravos e escravas estão
relativamente bem divididos’. (67)

De maneira a manter o estilo mais fluente da adaptação, os dois


períodos do texto fonte foram transformados em apenas um período
composto. Dessa forma, a expressão in this discussion foi suprimida, e we
must consider foi traduzido por meio de transposição pela condicional ‘se
considerarmos’.

3.9. Transposições de categorias de Catford

Mais específicos que a modalidade correspondente de Vinay e


Darbelnet, tais procedimentos concebidos por J. C. Catford se fazem
necessários à particularidade dos exemplos a seguir, principalmente no que

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concerne às mudanças morfológicas entre substantivos, adjetivos e advérbios,
por exemplo.

Many other manumissions allowed a slave to pay for their freedom or


conditionally stipulated a future payment or labor.
‘Outras autorizavam o escravo a pagar por sua liberdade, ou
estipulavam a condição de um futuro pagamento ou trabalho’. (68)

‘Estipulavam a condição de um’ é uma transposição de categoria em


que a inversão do plano sintático cria uma expressão mais comum em
português que a tradução literal (‘condicionalmente estipulavam um’).

But if owners did not receive expected payments for an onerous


manumission, or the slave did not provide the stipulated labor or
behavior of a conditional manumission, or if any manumitted slave
displayed “ungrateful” behavior, these formerly enslaved men,
women and children could be forced back into slavery.
‘No entanto, se os senhores não recebessem os pagamentos
esperados por uma alforria onerosa, ou se o escravo não cumprisse
com o compromisso de trabalho e de comportamento de uma alforria
condicional, ou mesmo se o alforriado demonstrasse “ingratidão”,
esses ex-escravos, escravas e crianças podiam ser forçados a voltar
à escravidão’. (69)

Foi feita a adaptação por meio da transposição, também de categoria,


de um substantivo adjetivado, ungrateful behavior, por um substantivo,
‘ingratidão’, uma vez que ‘demonstrar ingratidão’ é uma expressão mais
característica em português do que seria a tradução literal, ‘apresentar
comportamento ingrato’.

In Santos, some slave infants were manumitted at baptism, but for


enslaved adults and children most manumission letters were
purchased either through a cash payment or with labor over an
extended period of time.
‘Em Santos, alguns bebês escravos eram alforriados no batismo,
mas para os adultos e crianças muitas cartas de alforria eram
compradas, por meio de pagamento em dinheiro ou de trabalho
prestado por um grande período’. (70)

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A inclusão do particípio ‘prestado’ em relação a ‘trabalho’, na tradução
de ‘labor’ é uma transposição que torna mais claro o sentido da locução
adverbial de tempo ‘por um longo período’.

With free baptismal manumission letters included, the percentage of


unpaid and unconditional manumission letters increases slightly, to
38 percent.
‘Se incluirmos as cartas de alforria batismal, a porcentagem de
cartas livres e incondicionais cresce um pouco, para 38%’. (71)

A transposição de with ... include para ‘se incluirmos’... foi usada para
evitar um tipo de construção comum em língua inglesa, mas que pareceria
estranha na tradução literal para o português.

Manumission letters of children were certainly not the only ones


missing information on who paid.
‘As cartas de alforria de crianças não eram certamente as únicas que
omitiam quem era o pagante’. (72)

Neste caso a transposição, trocando um verbo por um substantivo, foi


uma solução para outro tipo de construção da língua inglesa que não encontra
equivalente em português.

The officials from the Carmalite Convent also went to the notary
office to write letters of manumission, but they may have been forced
to do so by slaves who began a process of coartação.
‘Por fim, os funcionários do Convento do Carmo também iam ao
cartório lavrar cartas de alforria, mas talvez tenham sido forçados a
isso por escravos que iniciaram processos de coartação’. (73)

A escolha de ‘Convento do Carmo’ para a tradução de Carmelite


Convent deve-se à tradição dessa forma em português, ao invés de “Convento
Carmelita”, daí a necessidade da transposição.

Before 1850, single, married and widowed owners were fairly evenly
divided;
‘Antes de 1850, havia um número relativamente semelhante de
solteiros, casados e viúvos;’ (74)

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A tradução literal resultaria em uma construção fora do padrão usado
em português.

Compared to slaves who were sold and manumitted, men and


women involved in domestic tasks such as cleaning, cooking or
sewing were noticeably absent.
‘Em comparação com os escravos que eram vendidos ou alforriados,
havia poucos fugitivos envolvidos em tarefas domésticas, como
limpeza, cozinha ou costura’. (75)

Em lugar de were noticeably absent a modulação ‘havia poucos


fugitivos envolvidos’ foi escolhida por estar mais de acordo com o uso da
língua portuguesa.

In contrast, domestic service was the largest occupation group


among the many slave sales.
‘Em contraste, os serviçais domésticos eram o maior grupo
ocupacional entre os muitos escravos vendidos’. (76)

Para se adequarem aos tipos de construções usadas em português,


foram feitas duas transposições: domestic service por ‘escravos domésticos’, e
slave sales por ‘escravos vendidos’.

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Considerações finais

No início desse trabalho, destacamos os conceitos de tradução, assim


como os differentes níveis de adaptações que são usadas no ato tradutório.
Abordamos também o questionamento das definições de originalidade de um
texto e fidelidade na tradução.

Realçamos, também, a importância do uso criterioso de procedimentos


tradutórios específicos para cada dificuldade surgida ao longo de um trabalho
de adaptação de um texto.

Neste caso, tratava-se de transformar um texto acadêmico, elaborado


dentro do rigor científico e formal necessários para o fim a que se destina, em
um texto mais leve e acessível a um público que poderia ser, por exemplo,
formado por estudantes do nível de ensino médio.

Falamos em ‘transformar’, porque, mesmo dentro da própria língua


original, o texto teria que ser adaptado caso o objetivo fosse atingir esse
mesmo nível de alunos, caracterizando, assim, uma tradução intralingüística.

Alguns teóricos consideram a adaptação um ato pouco fiel e não


representativo do texto fonte. No entanto, fazendo uso de alguns
procedimentos consagrados na teoria da tradução, é possível manter o foco de
seu trabalho voltado para as expectativas de um público específico mantendo
o sentido do texto fonte, e ao mesmo tempo criando uma linguagem acessível
ao leitor alvo.

Consideramos, portanto, que foi realizado, ao mesmo tempo, um


trabalho de tradução e um de adaptação morfossintática.

Os procedimentos usados também foram analisados e serviram de


exemplo de aplicação de teorias de tradução. Alguns teóricos, como John
Dryden, Vinay e Darbelnet, Eugene A. Nida e Charles R. Taber, Gerardo

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Vazquez-Ayora, Peter Newmark, Susan Basnnett-McGuire, André Lefevere e
John C. Catford, foram relacionados, tendo seus trabalhos servido de base
para as análises que foram feitas.

Foram também citadas as considerações sobre os estudos desses


teóricos, encontradas nas publicações de autores como John Milton, Heloisa
Gonçalves Barbosa, Rosemary Arrojo, Cristina Rodrigues, Lauro Maia Amorim
e Francis Henrik Aubert.

Com este trabalho, procuramos demonstrar a possibilidade de adaptar


um texto criado em um contexto específico e com objetivo definido, em outra
ou até mesmo na mesma língua, destinado a um público leitor de um universo
distinto daquele ao qual o texto de partida se destinava.

Procuramos demonstrar que os procedimentos necessários para o


cumprimento dessa tarefa encontram registros nos estudos encontrados na
literatura a respeito, e são fundamentados na teoria de conhecidos estudiosos
de lingüística na área da tradução.

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