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10:00

10:15

PROGRAMA

Recepção dos participantes

Sessão de abertura

Plantas Aromáticas e Medicinais e Cultura Científica

Luís Mendonça de Carvalho - Escola Superior Agrária de Beja

10:35

Medicamentos

à

Base

de

Plantas

Medicinais

no

Século

XXI

António Proença da Cunha - Faculdade de Farmácia da Universidade Coimbra

10:55

Estruturas Secretoras em Plantas

Lia Ascensão - Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

11:15

11:35

Pausa para café

Potencialidades Farmacológicas da Flora Portuguesa

Elsa Teixeira Gomes - Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa

11:55

12:15

13:00

15:00

O Banco Português de Germoplasma Vegetal e a Conservação das Plantas Aromáticas e Medicinais

Ana Maria Barata & Rena Farias - Banco Português de Germoplasma Vegetal

The Millennium Seed Bank Project

Paul Smith - Royal Botanic Gardens, Kew

Almoço livre

Produção e Preparação de Plantas Aromáticas e Medicinais em Modo de Produção Biológico - a experiência da Ervital

Joaquim Morgado - ERVITAL - Plantas Aromáticas e Medicinais, Lda.

15:20

Monte

do

Vento

-

contributo

para

o

desenvolvimento

local

Joana Reis - Associação de Defesa do Património de Mértola

15:40

16:00

16:20

16:40

17:00

Natureza, Gastronomia e Lazer - um itinerário pelas ervas silvestres do Alentejo

Maria-Manuel Valagão & Joana Gomes da Silva - Instituto Nacional de Investigação Agrária e das Pescas & Escola Agrícola D. Carlos I

Pausa para café

Recolha de Informação em Etnobotânica - das gentes e da natureza

Amélia Frazão Moreira - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

Identificação e Gestão da Flora Medicinal e Aromática da Província do Alto Alentejo

Rute Caraça & Marízia Pereira- Centro de Estudos de Ecossistemas Mediterrânicos

Plantas

legislativo

aromáticas

e

medicinais

-

enquadramento

Paula Martins - Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento

17:20

Paula Martins - Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento 17:20 Conclusões e encerramento dos trabalhos

Conclusões e encerramento dos trabalhos

2006 | Plantas Aromáticas e Medicinais - Sua Utilização e Conservação

PLANTAS AROMÁTICAS E MEDICINAIS E CULTURA CIENTÍFICA

Luís Manuel Mendonça de Carvalho

Escola Superior Agrária de Beja - Instituto Politécnico de Beja Rua Pedro Soares s/n | 7801-908 Beja museu@esab.ipbeja.pt

Palavras-chave: museu botânico, cultura científica, plantas aromáticas e medicinais

Os museus botânicos são salas de maravilha onde narrativas sobre o uso das

plantas facilitam o desenvolvimento estruturado de capacidades cognitivas e afectivas. As plantas aromáticas e medicinais, exóticas e autóctones, são elementos presentes em todos os projectos de cultura científica desenvolvidos no Museu Botânico da Escola Superior Agrária de Beja; estes projectos alicerçam-se na unicidade do conhecimento científico.

O Museu Botânico foi inaugurado em 2002 e as suas reservas são

constituídas por cerca de 2000 itens: objectos naturais, matérias-primas e itens manufacturados a partir de matérias-primas vegetais. Recorrendo a exemplos, mostrar-se-á como as plantas aromáticas e medicinais das reservas do Museu Botânico têm sido utilizadas para elicitar a curiosidade e promover a cultura científica relativa a múltiplas áreas do conhecimento.

utilizadas para elicitar a curiosidade e promover a cultura científica relativa a múltiplas áreas do conhecimento.

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2006 | Plantas Aromáticas e Medicinais - Sua Utilização e Conservação

MEDICAMENTOS À BASE DE PLANTAS MEDICINAIS NO SÉCULO XXI

António Proença da Cunha

(Prof. Catedrático Jubilado) Faculdade de Farmácia - Universidade de Coimbra Rua do Norte | 3000-295 Coimbra pdacunha@ci.uc.pt | http://antoniopcunha.com.sapo.pt

Depois de breves considerações sobre o emprego das plantas medicinais ao longo do tempo, foca-se o interesse actual destas na terapêutica e evolução do seu emprego na elaboração de medicamentos à base de plantas.

Refere-se a problemática da cultura das plantas medicinais, o controlo da sua qualidade e a investigação nas plantas, no século XXI, de novas acções farmacológicas, em particular no tratamento do cancro, das doenças cardiovasculares, do sistema nervoso central (doenças de Alzheimer e de Parkinson), das infecções (microbianas, fúngicas e por vírus) e das doenças inflamatórias (asma, colite e neurodermatite/psoríase).

Em relação aos três parâmetros básicos dos medicamentos qualidade, eficácia e segurança, indicar-se-á a necessidade de um maior investimento nos parâmetros de qualidade (maior conhecimento da composição química, determinação qualitativa e quantitativa dos constituintes activos, outros ensaios químicos de qualidade, pesquisa de contaminantes, etc.), de mais estudos farmacológicos e clínicos com avaliação de eficácia por estudos de metanálise e, também, maior número de ensaios de toxicidade que possam aumentar a segurança dos medicamentos à base de plantas.

também, maior número de ensaios de toxicidade que possam aumentar a segurança dos medicamentos à base

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2006 | Plantas Aromáticas e Medicinais - Sua Utilização e Conservação

Aromáticas e Medicinais - Sua Utilização e Conservação E STRUTURAS S ECRETORAS EM P LANTAS Lia

ESTRUTURAS SECRETORAS EM PLANTAS

Lia Ascensão

Faculdade de Ciências - Universidade de Lisboa Campo Grande C2 | 1749-016 Lisboa

Palavras-chave: epidermes e tricomas glandulares, bolsas e canais secretores, ideoblastos,

laticíferos

As plantas produzem uma grande variedade de secreções, soluções aquosas ricas em sais ou em açúcares e misturas mais menos complexas constituídas por metabolitos primários e secundários. Em alguns secretados estão presentes centenas de compostos, alguns dos quais biologicamente activos, que constituem uma primeira linha de defesa contra microorganismos patogénicos e predadores, contribuindo para o sucesso evolutivo das espécies que os produzem.

As secreções vegetais são sintetizadas ou simplesmente acumuladas e eliminadas em células especializadas, que ocorrem isoladas (idioblastos secretores) ou que constituem estruturas glandulares altamente diferenciadas (tricomas, emergências, bolsas, canais e latinizemos). É extremamente vasta a diversidade morfológica de qualquer destas estruturas, não existindo geralmente nenhum tipo de relação entre a morfologia e a secreção produzida. Em alguns taxa, a presença ou ausência de estruturas secretoras e a sua morfologia particular são caracteres com valor taxonómico.

O crescente emprego dos produtos naturais, em especial de metabolitos secundários, como matéria-prima indispensável a uma indústria cada vez mais diversificada, e a procura de compostos anti-cancerígenos, anti- maláricos, antidiarreicos e de pesticidas naturais biodegradáveis levou, nas ultimas décadas, ao estudo pluridisciplinar de numerosas plantas aromáticas.

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2006 | Plantas Aromáticas e Medicinais - Sua Utilização e Conservação

As estruturas secretoras, fascinantes na sua diversidade estrutural, conduziram a numerosos estudos anatómicos, ultrastruturais e químicos, que contribuíram para o conhecimento da sua diferenciação e desenvolvimento, para a elucidação da compartimentação das principais vias de síntese dos metabolitos produzidos e para o esclarecimento das suas funções fisiológicas e ecológicas. Começam-se agora a dar os primeiros passos no que refere à análise genética e molecular dessas estruturas e ao desenvolvimento de estratégias biotecnológicas que modifiquem o seu metabolismo para a produção de compostos com valor comercial.

Apresentam-se nesta comunicação alguns aspectos referentes à morfologia, anatomia e histoquímica de estruturas glandulares que ocorrem frequentemente em plantas aromáticas e medicinais (PAM).

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2006 | Plantas Aromáticas e Medicinais - Sua Utilização e Conservação

POTENCIALIDADES FARMACOLÓGICAS DA FLORA PORTUGUESA

Elsa Teixeira Gomes

Faculdade de Farmácia - Universidade de Lisboa Av. Gama Pinto | 1649-019 Lisboa etgomes@ff.ul.pt

Palavras-chave:

plantas

medicinais,

endemismos,

actividade

farmacológica

A flora Portuguesa engloba espécies que no presente são objecto de

monografias nas Farmacopeias Europeia e Portuguesa mas contempla também outras espécies, algumas das quais constituem endemismos nacionais da Flora continental ou da Macaronésia, que se encontram pouco estudadas sob vários aspectos não permitindo assim uma avaliação correcta das suas potencialidades farmacológicas.

Na presente comunicação serão abordados exemplos das principais espécies endémicas que poderão constituir alternativas a espécies de uso medicinal já consagrado nos países Ocidentais nomeadamente, espécies dos géneros Hypericum; Asphodelus; Rhamnus; Frangula e Digitalis.

O desenvolvimento de estudos aprofundados sobre as espécies consideradas

poderão contribuir para uma valorização das mesmas permitindo o seu aproveitamento medicinal e contribuindo consequentemente para a sua preservação.

das mesmas permitindo o seu aproveitamento medicinal e contribuindo consequentemente para a sua preservação. 07

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2006 | Plantas Aromáticas e Medicinais - Sua Utilização e Conservação

O BANCO PORTUGUÊS DE GERMOPLASMA VEGETAL E A CONSERVAÇÃO DAS PLANTAS AROMÁTICAS E MEDICINAIS (PAM)

Ana Maria Barata & Rena Martins Farias

Banco Português de Germoplasma Vegetal - D. R. de Agricultura de Entre Douro e Minho Quinta de São José, São Pedro de Merelim | 4700-859 Braga

Palavras-chave: PAM, biodiversidade, conservação, utilização sustentável, BPGV

A evolução é a mudança no tempo, lenta ou rápida, positiva ou negativa. Os centros de biodiversidade estão a desaparecer de um modo acelerado, e toda esta riqueza espontânea ou a criada e usada pelo Homem necessita de ser urgentemente conservada. Estamos no momento certo de estabelecer uma acção concertada para a conservação e utilização sustentável das plantas medicinais, aromáticas e condimentares. Neste século XXI é responsabilidade dos conservadores e estudiosos desta área pressionarem os dirigentes da necessidade da conservação da biodiversidade e variabilidade genética, ao mesmo tempo que se torna necessário a consciencialização do público em geral. A Região Mediterrânica, rica em espécies aromáticas e medicinais, constitui um dos principais Centros de Diversidade identificado por Vavilov. É o local onde habitam cerca de 25000 espécies de plantas, predominante das Famílias - Labiatae, Umbelliferae eCompositae.

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onde habitam cerca de 25000 espécies de plantas, predominante das Famílias - Labiatae, Umbelliferae eCompositae. 08

2006 | Plantas Aromáticas e Medicinais - Sua Utilização e Conservação

Em 2001 o Banco Português de Germoplasma Vegetal (BPGV), consciente das difíceis e urgentes tarefas de preservar o património genético destas espécies e de promover a sua utilização sustentável, ampliou as suas actividades coordenando um projecto de âmbito nacional denominado:

"Etnobotânica, o homem, o uso e a gestão das plantas aromáticas e medicinais e a sua utilização sustentável como contributo para a valorização do meio rural" cuja realização permitiu a recolha e documentação de saberes tradicionais, a identificação e caracterização de algumas espécies, assim como o estudo de modos de propagação e conservação de forma a permitir a sua utilização sustentada.

Em 2004, na sequência do anterior, desenvolveu dois novos projectos, tendo no 1º caso, como objectivo a implementação de uma "Rede Nacional de Conservação e Utilização das plantas aromáticas e medicinais" e no 2º caso desenvolvido um "Programa de dinamização à introdução/produção de plantas aromáticas e medicinais no Entre Douro e Minho", envolvendo para tal os colectores desta Região.

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MILLENNIUM SEED BANK PROJECT

Paul P. Smith

Royal Botanic Gardens, Kew Wakehurst Place, Ardingly, Haywards Heath | West Sussex RH17 6TN, U.K. p.smith@kew.org

Key words: ex situ conservation, seed bank, sustainable use

The Millennium Seed Bank Project (MSBP) International Programme is a ten year global conservation programme (2000-2010), conceived and managed by the Seed Conservation Department at the Royal Botanic Gardens, Kew. The two principal aims of the Project are to:

- Collect and conserve 10% of the world's wild seed-bearing flora

(some 24000 species), principally from the drylands, by the year

2010.

- Develop bilateral research, training and capacity-building

relationships worldwide in order to support and to advance the seed conservation effort.

The MSBP currently works with partners in around 30 countries across five continents, and its main outputs and activities are: effective partnerships, high quality collections; researchable constraints removed; technology transfer and public awareness.

The progress of the MSBP thus far is summarised, and examples of country programmes that focus on the collection, conservation and sustainable use of utilitarian species, including medicinal plants, are given.

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PRODUÇÃO E PREPARAÇÃO DE PLANTAS AROMÁTICAS E MEDICINAIS EM MODO DE PRODUÇÃO BIOLÓGICO

A EXPERIÊNCIA DA ERVITAL

ODO DE P RODUÇÃO B IOLÓGICO A EXPERIÊNCIA DA ERVITAL Joaquim de Almeida Morgado ERVITAL -

Joaquim de Almeida Morgado

ERVITAL - Plantas Aromáticas e Medicinais, Lda. Rua Sto. António 31 | 3600-401 Mezio Castro Daire jmorgado@netc.pt

Palavras-chave: PAM, Montemuro

Em Portugal o uso das PAM (plantas aromáticas e medicinais) não tem a expressão que tem em outros países, muitas vezes classificados de "mais desenvolvidos" do que o nosso. No entanto, nos últimos anos, tem havido um acréscimo no uso deste tipo de culturas e seus derivados.

A larga maioria das PAM consumidas em Portugal são importadas ou

obtidas através da recolecção de plantas silvestres. A quantidade de PAM obtida através do seu cultivo em Portugal é ainda muito escassa.

A ERVITAL é uma pequena empresa, com sede e actividade na região do

Montemuro, cuja actividade principal é a produção, transformação e comercialização de PAM. Ao longo dos últimos 15 anos tem investido uma boa parte do seu tempo e recursos no estudo das exigências ecológicas das espécies e na sua capacidade de adaptação aos solos e clima da Região, assim como no processamento dos produtos.

Actualmente a empresa possui uma área de produção ao ar livre de cerca de 3,5 ha e 0,15 ha em estufa, onde cultiva algumas dezenas de espécies e tem em experimentação muitas outras. Os produtos são obtidos, preparados e comercializados de acordo com o regulamentado para o MPB (modo de produção biológico).

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2006 | Plantas Aromáticas e Medicinais - Sua Utilização e Conservação

Das espécies em cultivo, relevamos as três com maior procura: Hortelã, Pimenta, Lúcia Lima e Erva Príncipe. Como produtos comercializados, destaca-se a venda de material a granel para armazenistas e laboratórios farmacêuticos; material em embalagens com marca própria, de pesos e tamanhos variáveis, a utilizar em infusões e como condimentos e, ainda, plantas vivas, envasadas ou em raiz nua.

A comercialização dos produtos embalados é efectuada na loja da sede da

empresa, em lojas de produtos de agricultura biológica, lojas de artesanato

e produtos tradicionais de qualidade, lojas gourmet, e ervanárias, assim como através dos CTT e Internet para consumidores finais.

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MONTE DO VENTO

CONTRIBUTO PARA O DESENVOLVIMENTO LOCAL

Joana Reis

Associação de Defesa do Património de Mértola Largo Vasco da Gama s/n | 7750-328 Mértola

Palavras-chave: produção de plantas aromáticas e medicinais, alternativa de produção,

criação de emprego, demonstração, desenvolvimento sócio-económico da região, respeito pelas

características edafo-climáticas da região

A Associação de Defesa do Património de Mértola - ADPM foi constituída em

Dezembro de 1980, desenvolvendo desde então uma estratégia de actuação centrada na capacitação dos indivíduos e na promoção dos recursos endógenos.

A missão da ADPM prende-se fundamentalmente com o desenvolvimento

económico, social e cultural dos territórios onde intervém, partilhando estrategicamente com entidades públicas e privadas, mas igualmente com os cidadãos, a responsabilidade de participação activa nas dinâmicas dos seus próprios processos de desenvolvimento local.

No seguimento desta estratégia e objectivos foi criado o Centro de Estudos

e Sensibilização Ambiental do Monte do Vento (CESAMV), em 1993, numa

propriedade agro-silvo-pastoril, com cerca de 200 ha, localizada a Norte do Concelho de Mértola, no Parque Natural do Vale do Guadiana. Classificada como Sítio de Interesse Biológico, apresenta uma enorme diversidade de paisagens naturais, semi-naturais e humanizadas, de elevado interesse natural, cultural e paisagístico.

diversidade de paisagens naturais, semi-naturais e humanizadas, de elevado interesse natural, cultural e paisagístico. 13

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2006 | Plantas Aromáticas e Medicinais - Sua Utilização e Conservação

O CESAMV foi criado tendo como objectivo principal a experimentação e

demonstração de estudos e projectos que promovem uma correcta gestão

dos recursos naturais presentes e conciliam a conservação da natureza com

o desenvolvimento sustentado da região. Neste âmbito foram realizados

várias actividades e projectos relacionados com a diversificação das alternativas de produção de uma propriedade, valorização dos recursos

endógenos, investigação de modos de produção agrícola ecológicos, restauro da paisagem e combate à erosão do solo/desertificação, educação ambiental

e turismo rural.

Inserido neste rol de projectos encontra-se a produção de plantas aromáticas

e medicinais, em modo de produção biológico, funcionando como

demonstração de uma alternativa de rendimento numa herdade recorrendo

a recursos que se adaptam às características edafo-climáticas naturais da

região e consequentemente de fácil produção. No CESAMV foram criadas condições e infra-estruturas que possibilitam a produção das plantas, colheita, corte, secagem e embalamento para produção de condimentos culinários e chás, sendo vendidos no mercado como "Ervas do Monte". Todo este processo relacionado com a produção das plantas tem ainda o importante objectivo de criação de emprego dirigido essencialmente à população local tendo sido criada, para esse efeito, uma Empresa de Inserção, com o apoio do Instituto de Emprego e Formação Profissional, através da qual se encontram a laborar 6 pessoas a tempo inteiro.

A produção das plantas aromáticas funciona, nesta perspectiva, como um

contributo, de forma directa e por via demonstrativa, para o desenvolvimento social e económico da região respeitando as suas características ambientais.

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NATUREZA, GASTRONOMIA E LAZER

UM ITINERÁRIO PELAS ERVAS SILVESTRES ALIMENTARES DO

ALENTEJO

Maria-Manuel Valagão* & Joana Gomes da Silva**

*Instituto Nacional de Investigação Agrária e das Pescas; **Escola Agrícola D. Carlos I *Rua Barata Salgueiro 37 - 2º, 3º, 4º, 7º | 1250-042 Lisboa *mm.valagao@iniap.min-agricultura.pt; **atpdc@clix.pt

Palavras-chave: ervas silvestres alimentares, inovação das tradições alimentares, turismo

cultural e gastronómico

O futuro dos espaços rurais relaciona-se cada vez mais com a capacidade de conceber projectos ou estratégias de desenvolvimento multifuncionais e integradas, como, por exemplo, as que se centram na trilogia: Ambiente, Turismo e Gastronomia. Ora sendo as ervas aromáticas condimentares um dos produtos emblemáticos da gastronomia do Alentejo, o seu estudo e valorização são cruciais neste tipo de projectos. É nesta lógica que se inserem os dois projectos de Desenvolvimento Experimental e Demonstração que temos vindo a desenvolver no âmbito do Programa AGRO.

Um decorreu no concelho de Alcácer do Sal e foi em torno da inovação e da valorização das tradições alimentares, enquanto percursoras da conservação da natureza e do desenvolvimento local. Experimentaram-se formas de transformação de três produtos: "tomate seco", "plantas aromáticas condimentares" e "cogumelos silvestres secos".

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2006 | Plantas Aromáticas e Medicinais - Sua Utilização e Conservação

O outro projecto, está em curso e consiste na criação de um "Ecomuseu de

recursos florestais, com um horto pedagógico de plantas silvestres alimentares", para fins de turismo cultural e gastronómico, numa herdade da Fundação da Casa de Bragança, em Vendas Novas, herdade esta que era

a antiga coutada de caça do rei D. Carlos I. Situa-se numa zona do Alentejo

caracterizada por extensas áreas de montado de sobro e de pinheiro manso, onde despontam outros recursos silvestres, o que lhe confere, sob o ponto de vista museológico, um potencial paisagístico, florístico, florestal e patrimonial assinaláveis.

A

articulação entre natureza, gastronomia e lazer, numa estratégia integrada

e

multifuncional, pretende valorizar as componentes relativas à flora local,

aos recursos micológicos silvestres, aos recursos culturais e identitários, ao saber-fazer culinário e ao valor cénico da paisagem destas zonas do Alentejo. Para além do desenvolvimento de acções que conciliem percursos de lazer e de saber, este projecto pretende contribuir para a revitalização de outras actividades, numa perspectiva de fomentar o desenvolvimento e inovar a produção de sabores em torno das ervas silvestres alimentares.

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RECOLHA DE INFORMAÇÃO EM ETNOBOTÂNICA

DAS GENTES E DA NATUREZA

Amélia Frazão-Moreira

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa Av. de Berna 26-C | 1069-061 Lisboa amoreira@fcsh.unl.pt

Palavras-chave: etnobotânica, metodologia, cultura, práticas sociais

Os saberes sobre as plantas aromáticas e medicinais são componente dum corpo de conhecimentos partilhados por um grupo social e distribuídos de acordo com a diferenciação social baseada no género, na idade e na especialização. Fazem parte do entendimento da natureza, evocado pelas "gentes" nas suas memórias e práticas sociais. Esta comunicação pretende assim apresentar as metodologias inerentes à pesquisa desses saberes, clarificando as suas especificidades e equacionando os aspectos éticos inerentes à sua pesquisa.

Dar-se-á relevo às situações a que se aplicam os diferentes processos de recolher e tratar a informação etnobotânica, e serão objecto de descrição breve, em concreto, os seguintes os procedimentos metodológicos:

inquéritos etnobotânicos, entrevistas individuais e em grupo, observação- participante, trilhos de plantas e realização de herbários.

entrevistas individuais e em grupo, observação- participante, trilhos de plantas e realização de herbários. 17

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2006 | Plantas Aromáticas e Medicinais - Sua Utilização e Conservação

IDENTIFICAÇÃO E GESTÃO DA FLORA MEDICINAL E AROMÁTICA DA PROVÍNCIA DO ALTO ALENTEJO

Rute de Fátima Moleiro Caraça* & Marízia Menezes Dias Pereira**

Centro de Estudos de Ecossistemas Mediterrânicos - Universidade de Évora Colégio Luís António Verney, Rua Romão Ramalho 58 | 7000 Évora *rfmc@portugalmail.pt; **marizia_cmdp@hotmail.com

Palavras-chave: flora medicinal e aromática, conservação, biodiversidade, gestão, Alto

Alentejo

A província do Alto Alentejo apresenta elevado interesse florístico, devido às

especificidades geográficas e ecológicas, tais como, a diversidade pedológica

e macrobioclima mediterrânico (meso e termomediterrânico). O território

estudado, abrange os concelhos de Évora, Montemor-o-Novo, Vendas Novas, Alcácer do Sal, Viana do Alentejo, Estremoz e Ferreira do Alentejo que pertencem aos sectores Mariânico-Monchiquense e Ribatagano- Sadense.

No período de 1995 a 2006 foram efectuados vários levantamentos florísticos em que se estudou a flora e as comunidades vegetais naturais do Alto Alentejo. Em relação ao catálogo florístico foram identificados mais de 2000 espécimes dos quais foram seleccionados, de acordo com bibliografia especifica, os taxa com propriedades medicinais e aromáticas. A partir dessa selecção efectuou-se uma análise qualitativa e quantitativa tendo em conta, neste caso particular, os substratos pedológicos, bioclimáticos e biogeográficos.

Como exemplo apresentam-se algumas fichas de espécies seleccionadas com propriedades medicinais e/ou aromáticas. Nelas identificam-se as principais ameaças, caso existam, e são propostas algumas medidas de gestão para a espécie e respectivo habitat com vista à exploração sustentável destes recursos no ambiente natural.

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2006 | Plantas Aromáticas e Medicinais - Sua Utilização e Conservação

PLANTAS AROMÁTICAS E MEDICINAIS ENQUADRAMENTO LEGISLATIVO

Ana Paula Martins

Direcção de Medicamentos e Produtos de Saúde - Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento Parque de Saúde de Lisboa, Av. do Brasil 53 | 1749-004 Lisboa

Palavras-chave: museu botânico, cultura científica, plantas aromáticas e medicinais

Até há poucos anos, se se tiver em conta o lento desenvolvimento da terapêutica, as plantas foram a maior fonte de medicamentos para o tratamento das doenças humanas. Desde sempre as plantas medicinais estiveram ligadas ao progresso da medicina e ao exercício da profissão farmacêutica. No entanto, no início do séc. XX tem lugar o início do desenvolvimento da química de síntese, com uma desvalorização simultânea da fitoterapia.

A Organização Mundial da Saúde tem estimulado a utilização de plantas medicinais tendo elaborado diversos documentos técnicos acerca do assunto, incluindo normas e guias de conservação, investigação e avaliação de segurança e eficácia (WPRO 1993), controlo da qualidade (1992), selecção de plantas medicinais essenciais (EMRO 1995), normas de recomendação (1991) e 28 monografias publicadas em 1996 e 32 de publicação mais recente.

(EMRO 1995), normas de recomendação (1991) e 28 monografias publicadas em 1996 e 32 de publicação

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2006 | Plantas Aromáticas e Medicinais - Sua Utilização e Conservação

Não se pense que as plantas medicinais são um recurso importante somente para países em vias de desenvolvimento. Assiste-se actualmente a um retorno à fitoterapia e, mesmo a nível da União Europeia, países como a Alemanha, França e Inglaterra incluíram várias plantas medicinais nas respectivas farmacopeias.

Este quadro de grande expansão e desenvolvimento de mercado pode levar a que surjam no mercado produtos cuja qualidade, segurança e eficácia não foi comprovada ou avaliada. Assim, para os agentes deste sector, pode ser uma mais-valia importante o conhecimento da legislação aplicável às plantas aromáticas e medicinais (PAM) porque permitirá definir melhor as características do produto e realçar as vantagens que apresenta relativamente a outros produtos já existentes. Assim, serão brevemente abordados os aspectos legais relativos às PAM, enquanto matérias-primas para várias indústrias e enquanto componentes de produtos acabados, podendo estes ser tão variados como alimentos ou suplementos alimentares, produtos cosméticos e de higiene corporal, biocidas ou medicamentos, entre outros.

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