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Ano III • Nº 20 • Março 2001 • R$ 5,00

www.embalagemmarca.com.br

RECICLAGEM
PODE SER BOM NEGÓCIO
CAPA IMPRESSA EM PAPEL RECICLATO 180 g/m2 DA SUZANO PELA LAVEZZO

CARTÕES MAIS BRANCOS E BRILHANTES • ANÁLISE: HISPACK E BRASILPLAST


20editorial 27/03/01 19:41 Page 3

Carta do editor
Fundamental, imprescindível
O assunto já foi abor-
dado, por isso peço
desculpas antecipadas.
paço editorial em troca
de anúncios pagos e não
vende matéria jornalísti-
ma de divulgação “gra-
tuita” que são os veículos
de informação, precisam
Mas é preciso explicar ca. Felizmente, a maioria dar seu apoio concreto
sempre porque, na cober- das empresas com as para que eles se mante-
tura dos assuntos jorna- quais nos relacionamos nham e se fortaleçam.
lísticos, ocorre de algu- mantêm a mesma postu- Sim, aqui está se falando
mas empresas não serem ra ética. Sabem que o de anúncios. É com eles,
ouvidas. Uma razão é fato de veicularem anún- e só com eles, que EMBA-
que, muitas vezes, são cios na revista não lhes LAGEMMARCA se man-
procuradas e não respon- garante o “direito” de se- tém e tira os meios para
dem. Outras vezes, a re- rem objeto de reporta- consolidar-se cada vez
dação falha. Reitero aos gens. Da mesma forma, a mais como um veículo
que se queixam por e- simples existência de diferenciado pelo volu-
ventualmente terem fica- uma empresa, por maior me, pela diversidade e
do de fora em reporta- que seja, não lhe assegu- pela imparcialidade de
gens sobre seu segmento: ra inclusão nas pautas suas informações.
não temos interesse al- jornalísticas de EMBALA- Neste aspecto, agradeço
gum em prejudicar nin- GEMMARCA. às queixas às vezes enfe-
guém. Voltemos à, chamemos zadas de quem fica de
Ao contrário, EMBALA- assim, política de comu- fora de reportagens de
GEMMARCA empenha-se nicação das indigitadas EMBALAGEMMARCA: elas
para o fortalecimento do companhias. Relatórios demonstram que estar
setor e quer se firmar, de nosso departamento presente nas páginas da
cada vez mais, como u- comercial indicam que, revista é, realmente, fun-
ma publicação realmente quando procuradas para damental, indispensável,
importante e útil para os a compra de anúncios, imprescindível.
profissionais e as empre- não consideram a revista Muito obrigado. Até
sas nele atuantes. Reno- “prioritária”. Frases que abril.
vo a sugestão às empre- estão nos relatórios: Wilson Palhares
sas que tiverem informa- “Não é focada em nosso
ções relevantes para o mercado”, “não atinge
mercado: entrem em con- nosso target”, “não te- Em mais uma ação dife-
tato, encaminhem-nas à mos a política de anun- renciada que a caracteri-
redação. Elas serão anali- ciar”. No entanto, dessas za como o veículo mais
sadas por critérios exclu- mesmas empresas a reda- inovador da área de em-
sivamente jornalísticos e, ção ouve insistentemente balagem no Brasil, EM-
dentro deles, possivel- ser “fundamental”, “in- BALAGEMMARCA tem a
mente veiculadas. dispensável”, “impres- capa e o caderno central
Já que esporadicamente cindível” ter notícias so- desta edição, que traz a
temos sido questionados bre seus produtos ou ser- reportagem sobre reci-
por uma ou outra omis- viços veiculados na re- clagem, impressas no re-
são não intencional, dou- vista. Em poucas pala- cém-lançado papel Reci-
me o direito de discutir a vras, preferem obter “pu- clato, da Cia. Suzano,
coerência (ou sua falta) blicidade gratuita”. respectivamente nas gra-
da política de comunica- Aos adeptos dessa lógica maturas de 180g/m2 e
ção de certas empresas. oportunista, torna-se ne- 120g/m2. O serviço de
Como o mercado reco- cessário lembrar que, impressão foi realizado
nhece e atesta, EMBALA- para poderem continuar pela Lavezzo Gráfica e
GEMMARCA não cede es- desfrutando da platafor- Editora.
mar 2001 • EMBALAGEMMARCA – 3
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Espaço aberto
dústria de cosméticos e de perfumes, mero 19, com a capa “Luxo”. Não
nada mais justo que uma reportagem lembro de ter visto uma publicação
sobre frascos e tipos de materiais. (nacional ou estrangeira) com tama-
Chico Fernandes nho cuidado e qualidade. Ousadia,
Designer da L’Acqua di Fiori inovação e qualidade sempre devem
Água Santa, MG andar juntas.
Giovani Agnoletto
A capa da edição de fevereiro está
simplesmente linda. O que ratifica o
Consultor de Marketing
São Paulo, SP
título da matéria “O luxo está também
na simplicidade”.
Parabéns a todos.
Q uero parabenizar a equipe pela
edição de fevereiro de EMBALA-
Renata Maffeis GEMMARCA. A capa está realmente
G ostaria de parabenizá-los pela
edição de fevereiro da revista.
Holofote Assessoria
em Comunicação
um luxo, e o conteúdo da revista
(para usar uma palavra da moda)
Além de uma capa maravilhosa, as São Paulo, SP então nem se fala.
Patrícia Dantas
matérias estão ótimas. Com este
tipo de publicação vocês elevam o A edição de fevereiro de EMBA-
LAGEMMARCA está belíssima e ilus-
Expressão
São Paulo, SP
padrão editorial de um mercado
tra muito bem o valor de embala-
muito necessitado, aqui no Brasil,
colocando-o em um nível interna- gens diferenciadas e seu poder de
“sedução” na gôndola. Na verdade
A o ler a reportagem “Rotuladora:
como escolher a sua”, fui tomado de
cional. Meus sinceros parabéns.
Christiane Mandarano o “luxo” nada mais é do que o reco- grande frustração por não ter sido
Light Criação e Comunicação nhecimento do valor de uma emba- procurado, ouvido e incluído na ma-
São Paulo, SP lagem bem decorada, pois como téria. Não se trata de qualquer pre-
imagem permanente do produto ela tensão pessoal. Esse sentimento se
S implesmente brilhante a forma
como foi abordado o tema “Não é
espelha a qualidade do conteúdo,
daí a importância do design. EMBA-
deve ao fato de nossa empresa – já
há sete anos no mercado – ser repre-
coisa apenas para rico”, na Carta do LAGEMMARCA de fevereiro retrata sentante e agente exclusivo da Tro-
Editor e na reportagem de capa de fielmente o seu conteúdo. Parabéns nics International, um dos mais im-
EMBALAGEMMARCA de fevereiro. Izildinha Mana portantes e mais bem conceituados
Esta reflexão quanto ao uso de uma Gerente de marketing fabricantes de rotuladoras automáti-
bela embalagem ou rótulo vale a da Novelprint cas para rótulos auto-adesivos no
pena ser encarada como investi- São Paulo, SP mundo. Temos clientes de grande
porte em vários segmentos de mer-
mento, pois as embalagens trans-
cendem os atributos de um produto. P arabéns pela ultima edição da re-
vista. Realmente está um luxo. Não
cado, no Brasil e no exterior. Como
uma empresa com esse perfil de
A capa enobreceu o conteúdo.
Roberto Inson conheço ninguém que não goste de clientes e essa penetração global
Gerente de Marketing da ser bem tratado e de ter sempre os pode ter sido esquecida? Gostaria
Prakolar Rótulos Auto-Adesivos melhores produtos acondicionados muito de ver uma matéria sobre
São Paulo, SP nas melhores embalagens. nossos equipamentos em sua revis-
Mirella Lancellotti del ta, até para se fazer justiça, pois uma
G ostaria de parabenizar a revista
pela reportagem “O Luxo está tam-
Priore Fernandes
Engenheira de vendas da Alcan
revista líder em seu segmento preci-
sa mencionar o equipamento líder
bém na simplicidade” (fevereiro São Paulo, SP em tecnologia.
Paulo F. Aranha
2001). Há muito esperava uma re-
portagem sobre o tema. Como te- P arabéns a toda a equipe de
EMBALAGEMMARCA pela edição nú-
Label Fix Comércio e Serviços
São Paulo, SP
mos um crescimento no ramo da in-
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Espaço aberto
P ara nossa surpresa e decepção, em
fevereiro foi publicada extensa maté-
S ou leitora assídua de EMBALA-
GEMMARCA e gosto muito das infor-
E MBALAGEM MARCA é leitura
obrigatória para mim. Costumo de-
ria sobre rotuladoras sem nenhuma mações por ela veiculadas, pois não é dicar uma parcela do pouco tempo
menção a nossa empresa. A KHS é uma revista comercial de embala- disponível para leitura cuidadosa
pioneira no desenvolvimento de rotu- gem, e sim técnica e informativa. dos temas de maior interesse. Natu-
ladoras e outras máquinas com tecno- Daniela Simeonato Victor ralmente aproveito para dar uma
logia alemã para indústrias de bebi- Hanseatic Comércio e olhada nas novidades, curiosidades
das. Sentimos profundamente que Representações Ltda. e apreciar a qualidade gráfica da re-
nossos parceiros/clientes sejam omi- Jundiaí, SP vista. Na edição nº 19 foi apresenta-
tidos com a real visão dos fatos Não da uma informação que precisa ser
fomos procurados por EMBALAGEM-
MARCA. Esperamos que a revista re-
N a matéria “Guerra por Espaço”,
(EMBALAGEMMARCA nº 19), o nome
corrigida. Na matéria “Snapple: O
Retorno”, foi atribuída ao Grupo
flita sobre a sua forma de trabalho to- da nossa empresa foi publicado incor- Imperial, de Goiânia, a representa-
mando atitudes positivas, no sentido retamente. Erros como esse prejudi- ção “do grupo norte-americano
de evitar futuros constrangimentos. cam empresas emergentes e restrin- Cadbury Schweppes (Coca-Cola)
Buscando realmente as fontes cabí- gem suas possibilidades de negócios. no Brasil”. A The Coca-Cola Com-
veis para o desenvolvimento de maté- Mario Pallares pany adquiriu os produtos Schwep-
rias de alta qualidade e compatíveis Diretor de Desenho da pes e, para os países da América La-
com a realidade do mercado. Usina Escritório de Desenho tina, essa compra incluiu o direito
Lilian Oliveira São Paulo, SP do uso da marca Schweppes. A
Marketing - KHS Brasil Cadbury pode ter licenciado o Gru-
São Paulo, SP O leitor refere-se à mudança do de- po Imperial para produção e distri-
sign do rótulo do Gatorade, atribuída buição do Snapple, mas isso não
O objetivo da reportagem foi prestar por engano à Usyna Comunicação. tem relação com a marca Schwep-
um serviço a possíveis usuários de pes nem com o Sistema Coca-Cola.
rotuladoras de todos os portes. Sem Nilton Mattos
dúvida, com a ausência da KHS e da
Tronics, a matéria ficou incompleta.
A gradecemos pelo destaque dado
ao acordo assinado pela Polo com a
Gerente de Embalagens
Coca-Cola Indústrias Ltda.
Por isso, decidimos abordar nova- Exxon Mobil Films para a forneci- Rio de Janeiro, RJ
mente o assunto em edição futura. mento de filmes de BOPP.
Convidamos essas e outras empresas Davide Botton
que se sentiram excluídas a entrarem Gerente Comercial da
em contato com a redação. Reitera- Polo Indústria e Comércio
mos que estamos abertos para divul- São Paulo, SP
gar informações importantes à ca-
deia de embalagens, independente do
tamanho da empresa que as fornecer.
A Asterisco Artes Gráficas Ltda.,
atuando no mercado de etiquetas e ró-
tulos auto-adesivos desde 1980, obte-

G ostaria de parabenizá-los pela re-


portagem “O luxo também está na
ve a certificação ISO 9002, através do
BVQI — Bureau Veritas Quality In-
ternational (Selos Inmetro e RVA), Snapple: sem ligação com a Schweppes
simplicidade”. Apenas gostaria de fa- em novembro de 1999. Esta informa- ou com o Sistema Coca-Cola
zer alguns comentários: a linha de ção deve-se a que, na edição de feve-
maquiagem da Natura citada é produ- reiro de EMBALAGEMMARCA, foi noti- MENSAGENS PARA EMBALAGEMMARCA
Redação: Rua Arcílio Martins, 53
zida pelo Grupo Rexam na unidade ciado que uma empresa que atua no
CEP 04718-040 • São Paulo, SP
de Jundiaí (SP), e não na Rexam mesmo ramo é a primeira no Brasil
Tel: (11) 5181-6533
França. Temos uma unidade no Bra- neste segmento a receber esta certifi- Fax: (11) 5182-9463
sil em operação desde março de cação. Aproveitamos para parabeni-
redacao@embalagemmarca.com.br
1999. Nela também produzimos o zar nosso concorrente pela certifica-
batom da linha Faces de Natura, além ção, pois sabemos que somente em- As mensagens recebidas por carta, e-
de alguns itens da linha de maquia- presas que trabalham com seriedade e mail ou fax poderão ter trechos não es-
gem da Avon. responsabilidade conseguem atingir senciais eliminados, em função do es-
Paula Fróes esse objetivo. paço disponível, de modo a dar o maior
Gerente Comercial Roberto Ribeiro número possível de oportunidades aos
Rexam Beauty Diretor leitores. As mensagens poderão tam-
Packaging do Brasil Asterisco Artes Gráficas Ltda bém ser inseridas no site da revista
(www.embalagemmarca.com.br)
Jundiaí, SP São Paulo, SP

6 – EMBALAGEMMARCA • mar 2001


20sumario 29/03/01 16:10 Page 1

março 2001
Diretor de Redação
Wilson Palhares
palhares@embalagemmarca.com.br

ENTREVISTA:
10 36 HISPACK Reportagem
redacao@embalagemmarca.com.br
ANNA WIEDEMAN Produtos, serviços e Flávio Palhares
Diretora de marketing exemplos apresentados flavio@embalagemmarca.com.br
da Ipsos-Novaction na feira de Barcelona Guilherme Kamio
guma@embalagemmarca.com.br
mostra como a pesquisa que podem vir a ser Lara Martins
pode ajudar o design interessantes no Brasil lara@embalagemmarca.com.br
Thays Freitas
thays@embalagemmarca.com.br

REESTRUTURAÇÃO
16
Colaboradores
Diversas empresas Josué Machado
Luiz Antonio Maciel
do setor de
embalagem passam Diretor de Arte
por fusões e Carlos Gustavo Curado
mudanças estruturais Administração
Marcos Palhares (Diretor de Marketing)
Eunice Fruet (Diretora Financeira)

Departamento Comercial
comercial@embalagemmarca.com.br
Antonio Carlos Perreto e Wagner Ferreira

Circulação e Assinaturas
assinaturas@embalagemmarca.com.br
Cesar Torres

Assinatura anual (11 exemplares):


BRASILPLAST
40 Evento mostra
o estado da arte
R$ 50,00

Público-Alvo
em tecnologia EMBALAGEMMARCA é dirigida a profissionais que
ocupam cargos técnicos, de direção, gerência
e promove a e supervisão em empresas fornecedoras, con-
integração da vertedoras e usuárias de embalagens para ali-
indústria do plástico mentos, bebidas, cosméticos, medicamentos,
materiais de limpeza e home service, bem
como prestadores de serviços relacionados
com a cadeia de embalagem.

Tiragem desta edição


RECICLAGEM
23 Recuperar como
matéria-prima as
7 500 exemplares

Filiada ao
embalagens
descartadas é um
negócio cada vez
melhor até como EMBALAGEMMARCA
arma de marketing é uma publicação mensal da
Bloco de Comunicação Ltda.
Rua Arcílio Martins, 53 – Chácara Santo
Antonio - CEP 04718-040 - São Paulo, SP
PAPEL CARTÃO
32 Cresce a tendência
de uso de cartões
E MAIS
CARTA DO EDITOR ........................ 3
Tel. (11) 5181-6533 • Fax (11) 5182-9463

www.embalagemmarca.com.br
O conteúdo editorial de EMBALAGEMMARCA é
mais brancos ESPAÇO ABERTO ........................... 6
resguardado por direitos autorais. Não é permi-
e também sua BEBIDAS PRONTAS.......................20 tida a reprodução de matérias editoriais publi-
oferta no mercado cadas nesta revista sem autorização da Bloco
DISPLAY..........................................46 de Comunicação Ltda. Opiniões expressas em
brasileiro de matérias assinadas não refletem necessaria-
PANORAMA....................................48
embalagem mente a opinião da revista.
ALMANAQUE..................................50
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ENTREVISTA

Pesquisa, ferramenta de design dos profissionais envolvidos na


cadeia de embalagem. Sobretudo
para designers, Anna oferece duas
sugestões: 1) que considerem a
pesquisa antes como um recurso
do que como uma ameaça e 2) que
incorporem a pesquisa no planeja-
mento do projeto. A diretora de
marketing da Ipsos-Novaction
lembra também que “a coordena-
ção das atividades entre os envol-
vidos no projeto e as agências de
pesquisa desde o início dos traba-
lhos, visando alocar tempo para a
pesquisa nas propostas e nos cro-
nogramas do projeto, é fundamen-
tal para a utilização eficaz daque-
la ferramenta e para a maximiza-
ção de sua utilidade”.
Aqui, Anna Wiedemann explica
em detalhes porque é recomendá-
vel adotar determinados procedi-
mentos não muito habituais em
nosso país. Alguns exemplos: usar
MAURÍCIO CREMONINI

a pesquisa de mercado desde o


início, evitar “concursos de bele-
za” na avaliação de protótipos, as-
segurar-se de que os modelos se-
jam suficientemente realistas para
o campo dos produtos provocar respostas válidas, utili-

N
ANNA WIEDEMANN,
de consumo, a pesquisa zar várias medições e metodolo-
diretora de de mercado pode ser gias de pesquisa; e avaliar o de-
uma fonte de vantagens sign atual do produto e os da con-
marketing da competitivas. No en- corrência, junto com as novas pro-
firma especializada tanto, embora a maior postas. A entrevistada aproveita,
parte dos designers reconheça ser também, para explicar o funciona-
Ipsos-Novaction, útil e necessário saber o mais apro- mento da metodologia Eye Trac-
mostra como as ximadamente possível como os king de pesquisa, que acompanha,
consumidores vêem e o que espe- com uma câmara oculta, a manei-
pesquisas podem ram das embalagens dos produtos, ra como o consumidor observa
orientar a elaboração apenas algumas agências especia- embalagens, rótulos e outros itens
lizadas utilizam pesquisas de for- nos pontos-de-venda.
de bons projetos de ma sistemática para aquele fim. O
embalagem e quais tema é abordado nesta entrevista Tradicionalmente, os designers
por Anna Wiedemann, diretora de opõem certa resistência a pesqui-
os equívocos a ser marketing da Ipsos-Novaction. sas destinadas a orientar projetos
evitados no uso Entre outros aspectos instigantes, de embalagens. Por que, a seu
ela aponta alguns caminhos que ver, isso acontece? Essa postura
dessa ferramenta podem ser úteis para a reflexão está mudando?

10 – EMBALAGEMMARCA • mar 2001


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Para muitos designers, o termo produto. Esses elementos de equi- rem uma experiência “prática” aos
pesquisa traz à mente imagens de ty freqüentemente podem ser des- designers (através da sala de espe-
projetos seus sendo dissecados em cobertos pedindo-se aos compra- lho), além da flexibilidade de dis-
grupos de discussão, ou sendo en- dores que desenhem embalagens cutir muitas alternativas de design
terrados num mar atordoante de ou logotipos com base em lem- e questões relativas à comunicação
números e tabelas. Entretanto, branças. Ultimamente, algumas da marca. Por esses motivos, for-
como reconhecem o poder do de- empresas têm incorporado ainda mar grupos de discussão sempre
sign, os profissionais de marketing mais o uso de pesquisas de pré-de- será uma prática amplamente di-
querem ter certeza de que o design sign ao conduzir estudos desse fundida, principalmente quando os
de seus produtos está funcionando tipo para monitorar anualmente o profissionais de marketing tiverem
a seu favor. Esse desejo de verifi- desempenho do design e para um cronograma ou um orçamento
cação leva às pesquisas de consu- mensurar a sua contribuição às apertados. Contudo, os grupos de
mo. Por outro lado, muitos desig- discussão podem não ser adequa-
ners estão percebendo que a docu- dos, se forem utilizados para fazer
mentação do valor de seu trabalho, avaliações finais e tomar decisões
através do feedback dos consumi- Grupos de dis- definitivas sobre “prosseguir ou
dores, é essencial para ganhar o cussão podem apenas suspender” o desenvolvimento de
respeito, o reconhecimento e a ren- um novo design.
da que merecem. indicar se a embala-
gem poderá destacar- Por que?
Qual o principal equívoco que se Em primeiro lugar, os grupos de
comete no uso de pesquisas para o se dentre a poluição discussão abrangem um número li-
desenvolvimento do design de em- mitado de consumidores, demasia-
visual da publicidade
balagem? do pequeno para ser realmente re-
O que eu chamaria de erro número e ser vista, no brevís- presentativo. Em segundo, por de-
1 é a utilização da pesquisa apenas finição, os grupos de discussão
para prever grandes problemas.
simo tempo que as pressupõem uma exposição pro-
Freqüentemente, a pesquisa de pessoas dedicam longada e forçada a sistemas de
mercado é utilizada apenas como design fora do contexto no qual de
verificador de última hora, para
às compras fato poderão ser vistos, como ma-
detectar possíveis problemas antes las diretas, lojas à margem da es-
de investir no novo design, em vez trada e assim por diante. Portanto,
de fonte de conhecimento e orien- vendas através de modelos de ava- esses grupos podem dar somente
tação durante todo o processo de liação. O designer deve saudar e uma indicação se a embalagem po-
desenvolvimento. Constatamos incentivar essa tendência, pois ela derá destacar-se dentre a poluição
que a pesquisa mais útil é a que é ajuda a identificar as oportunida- visual da publicidade e ser vista,
realizada antes do trabalho criati- des e os projetos com maior proba- no brevíssimo tempo que as pes-
vo. Fornecendo melhor compreen- bilidade de ajudar seus clientes. soas dedicam às compras.
são das prioridades e dos padrões Mais importante ainda, destaca o
de compra dos consumidores – as- elevadíssimo retorno dos investi- Aliás, uma das críticas mais co-
sim como das forças e das limita- mentos em design eficaz. muns aos grupos de discussão é a
ções dos sistemas atuais de design de que neles existe a possibilidade
– a pesquisa pré-design pode es- Não é mais fácil utilizar o tradi- de uma pessoa dominar e influen-
clarecer objetivos e aumentar a cional sistema de grupos de dis- ciar a opinião dos outros. Como
probabilidade de um design eficaz. cussão? evitar isso?
Realmente é. Os grupos de discus- Ironicamente, é a crítica mais fácil
É possível explicar melhor? são podem ser muito difamados, de minimizar. Como? Através de
A pesquisa de pré-design também mas continuam sendo a maneira um planejamento e de uma mode-
pode ser útil na identificação dos mais rápida e economicamente efi- ração eficazes da discussão em
principais elementos visuais (sím- ciente de falar com os consumido- grupo. Por exemplo, quando se
bolos, cores, formas e assim por res. Estes grupos também apresen- pede às pessoas que anotem suas
diante) estreita e positivamente as- tam várias vantagens sobre as pes- reações iniciais aos sistemas de de-
sociados à marca ou à categoria de quisas quantitativas, por oferece- sign, antes de qualquer discussão

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em grupo, muito mais provavel- avaliação de cada design a seguir mulos façam justiça a seus concei-
mente expressarão e defenderão uma metodologia padronizada e a tos. Os achados e conhecimentos
suas próprias opiniões do que se conformar-se a um conjunto pre- mais corretos provêm dos estudos
deixarão levar pela “opinião do determinado de medições. monádicos.
grupo”. Além disso, às vezes as
discussões em grupo são substituí- Quais são os pontos-chave a con- Explique o que é isso, por favor.
das por entrevistas pessoais, indi- siderar? São estudos nos quais a cada en-
viduais, principalmente quando o A forma mais rápida de acabar trevistado é apresentada apenas
tema é delicado, como os cuidados com um bom projeto é mostrá-lo uma opção de design para um pro-
pessoais, ou quando o desafio para aos consumidores antes de ficar duto ou marca – e as respostas das
o design focaliza questões relacio- pronto. Devido às restrições de pessoas que viram o Design A pos-
nadas a funcionalidade ou com- tempo e orçamentárias, os desig- teriormente são comparadas com
preensão, como o design de um ners são forçados a apresentar es- as das pessoas que viram o Design
site na Internet. B ou Design C.

Então, quando é adequado recor- Seria então o contrário dos “con-


rer à técnica dos grupos de dis- Os ‘concursos de cursos de beleza”, em que várias
cussão e quando não é? opções de design são mostradas e
beleza’ geralmente
Os grupos são um excelente fórum comparadas lado a lado?
para entender melhor o comporta- proporcionam resulta- Esses “concursos” geralmente
mento de compra e o equity da proporcionam resultados engano-
marca, bem como para descartar
dos enganosos, pois
sos, pois inevitavelmente coloca-
os desenhos claramente desagra- inevitavelmente colo- se demasiada ênfase na estética e
dáveis ou inadequados. Portanto, se transforma os compradores em
são ideais para pesquisa de pré-de-
ca-se demasiada “diretores de arte”. Quando uma
sign e para a identificação das al- ênfase na estética, pessoa vê vários desenhos para a
ternativas “finalistas” de uma am- mesma marca, tende a perder seu
pla variedade de novas opções de transformando-se em olhar de consumidor avaliando
design. Deve-se evitar utilizá-los ‘diretores de arte’ os marcas e produtos. Ela simples-
para tomar decisões finais. Este é mente escolhe o design mais
o que podemos chamar de erro nú- compradores atraente. Infelizmente, o sistema
mero 2. de design mais atraente nem sem-
pre é o design mais eficaz, pois ele
Utilizam-se muito, também, pes- boços, no lugar de desenhos aca- pode não comunicar os benefícios
quisas quantitativas e qualitati- bados, em estudos quantitativos, do produto ou não remeter à ima-
vas. Estas, por sinal, parecem ser levando a resultados previsíveis, gem de marca desejada. Em quase
usadas em maior número. Qual isto é, negativos. Este aspecto é todos os casos, os designers preci-
delas é mais adequada para fins também um grande desafio para as sam trabalhar com um espaço li-
de design? pesquisas relacionadas a desenhos mitado, além de enfrentarem o de-
Para avaliar em profundidade um estruturais, já que o custo de fabri- safio de criar materiais que cha-
novo design antes de sua introdu- car protótipos funcionais ou de si- mem e mantenham a atenção dos
ção no mercado, a pesquisa quan- mular ambientes de venda a vare- consumidores.
titativa é muito mais apropriada. jo é freqüentemente proibitivo.
Dada a necessidade da pesquisa Embora as imagens digitais sejam O principal objetivo do design , do
quantitativa, o desafio é garantir promissoras neste sentido, os estí- ponto de vista de negócio, não é
que proporcione respostas preci- mulos de design baseados em ima- fazer o comprador potencial ob-
sas, reveladoras e aproveitáveis. gens por computador nem sempre servar o produto?
Certamente não há uma fórmula oferecem uma resolução ou fideli- Essa primeira fase – fazer o consu-
universal para fazer isso. Porém, dade cromática aceitáveis. Apesar midor observar o produto – não
os planos de pesquisa deveriam de não haver soluções fáceis, é deve ser tomada como certa.
ser adaptados para atingir os obje- importante que os designers traba- Constatamos em pesquisa que as
tivos específicos de design e co- lhem junto com clientes e pesqui- pessoas normalmente dedicam
mercialização, ao invés de forçar a sadores para garantir que os estí- menos de 10 segundos à observa-

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ção de uma mercadoria, na maio- dem, manter a atenção e comuni- tros, são vistos ou ignorados. Essa
ria dos casos – e normalmente não car mensagens-chave. Num estu- técnica já revelou que o layout,
vêem e, muito menos, observam do típico de embalagens, por seja de um rótulo, de uma mala
mais de um terço das marcas exemplo, esse sistema pode ser direta, ou de uma página da Inter-
numa determinada categoria. Para utilizado para mensurar a visibili- net, determina quais mensagens
ser eficaz, um design deve se des- dade e o destaque de um design de são vistas ou ignoradas.
tacar na prateleira abarrotada e embalagem numa prateleira. Os
manter a atenção do comprador o compradores podem ver várias ca- Esse sistema chega a que tipo de
tempo suficiente para fixar uma tegorias de produto, da mesma detalhes?
mensagem. Portanto, a pesquisa forma que na loja que costumam Permite perceber, por exemplo,
do design precisa incluir uma pes- freqüentar, dedicando o tempo que elementos visuais demasiado
quisa de comportamento. Forçar que quiserem na observação de fortes ou chamativos podem che-
as pessoas a observar um design e cada categoria. gar a impedir a leitura ou a lem-
perguntar sua opinião não é uma brança da identidade da marca.
situação capaz de reproduzir a Num estudo recente para um pe-
realidade de ver o produto numa tisco, a técnica de Eye-Tracking
prateleira comum. Capta só meta- É tentador, mas revelou que quase dois terços dos
de do processo de comunicação. é erro reduzir a compradores da categoria nunca
tinham lido a mensagem “um ter-
Para captar por inteiro, só acom- pesquisa do design ço a menos de gordura” inscrita
panhando o consumidor na hora a uma tabela de na embalagem, porque o fluxo do
da compra, não? Ou existem ins- design gráfico naturalmente afas-
trumentos que possam suprir essa avaliações numéricas tava o olhar dessa parte do rótulo.
necessidade. para padrões
Peço licença para falar de produ- O que a senhora recomendaria
tos da nossa empresa. Na área de predeterminados ou para estimular a interrelação en-
design e embalagens, a Ipsos-No- tre pesquisa e design?
substituir um estudo
vaction oferece o programa VEEP Talvez o mais importante seja a
(Visual Equitiy Evaluation Pro- abrangente por uma pesquisa contribuir para o êxito
gram) e os estudos Packtest. O do design, em vez de apenas ava-
compra simulada
primeiro, que combina estudos liá-lo. Assim, é erro reduzir a pes-
qualitativos pré e pós-design, é quisa do design a uma tabela de
um modelo holístico de avaliação avaliações numéricas para pa-
de equity da embalagem e de dire- drões de ação predeterminados ou
cionamento de desenvolvimento Qual é o sistema de funcionamen- substituir um estudo abrangente
de design. O Packtest consiste em to dessa metodologia? por uma “compra simulada”. Em-
estudos quantitativos com uso da Enquanto os consumidores obser- bora a tentação dos profissionais
metodologia Eye-Tracking para vam, uma câmera oculta registra de marketing de projetar aumen-
medir impacto de distintas alter- as coordenadas exatas do ponto de tos de vendas seja compreeensí-
nativas de embalagem, em con- focalização, à velocidade de ses- vel, uma abordagem baseada em
texto competitivo, combinado senta leituras por segundo. As lei- resultados financeiros com fre-
com aspectos atitudinais. turas revelam exatamente a forma qüência não é realista, já que os
www.embalagemmarca.com.br

como eles vêem cada categoria de benefícios e os riscos de atualizar


Fale um pouco do Eye-Tracking. produto e indicam quais sistemas marcas bem estabelecidas não são
É uma ferramenta de pesquisa que de embalagem constantemente se captados totalmente por mudan-
documenta exatamente o que as sobressaem e quais somem nas ças imediatas no nível de vendas.
pessoas enxergam ao observar prateleiras. A mesma tecnologia é Mais importante ainda, é impro-
embalagens, anúncios, sites na In- igualmente utilizada para docu- vável que fórmulas numéricas e
ternet e outras instâncias de mar- mentar como os compradores en- projeções volumétricas propor-
keting. É capaz de revelar o que as xergam e observam os rótulos – e cionem os achados mais revelado-
pessoas vêem e o que elas igno- para revelar quais elementos do res ou os conhecimentos necessá-
ram. Ela mede a capacidade do design e mensagens individuais, rios para melhorar o design em
design de sobressair-se da desor- como nome, marca, sabor e ou- questão.
mar 2001 • EMBALAGEMMARCA – 13
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REESTRUTURAÇÃO

O SETOR ESTÁ movime


Aquisições, fusões e reestruturações de empresas deverão influir na qual id

n os negócios, como na
vida, muitas vezes um

DIVULGAÇÃO
gesto tem significado
que vai além da ação em
si. É o caso da mudança da sede cor-
porativa da Rigesa Westvaco da ci-
dade de Valinhos (SP) para a vizi-
nha Campinas, em março deste ano.
“Para a Rigesa Westvaco essa mu-
dança é um símbolo a mais da am-
plitude que vem ganhando no mer-
cado nacional de embalagens e da
intenção de intensificar e fortalecer
o trabalho de crescente parceria que
desenvolve com os clientes”, diz
Paulo Tilkian, vice-presidente da
empresa.
Na verdade, caracterizada por mudar essa imagem. Como lembra balagens para os
uma postura discreta em seus 58 Tilkian, “muito mais do que uma grandes fabricantes de produ-
anos de existência, a Rigesa acabou empresa de produtos básicos a Ri- tos alimentícios, de higiene pessoal,
sendo vista primordialmente como gesa sempre foi uma fornecedora limpeza doméstica e de consumo
uma empresa fabricante e converte- de produtos diferenciados, empe- em geral”.
dora de papelão ondulado. Ela quer nhada em oferecer soluções em em- A empresa possui no Brasil sete

A CSN SE PREPARA PARA AVANÇAR EM NOVAS FRENTES


Desde março de 2001, a CSN opera um melhor atendimento aos clientes cada segmento de mercado, enxer-
com uma nova estrutura comercial. e agilizar o processo decisório, dei- gamos um grande potencial de
Subordinadas à Diretoria Executiva xando a empresa mais ágil”, diz Vas- crescimento no Brasil.” A CSN pla-
Comercial, comandada por Vasco co Dias Jr. neja defender a todo custo os mer-
Dias Jr., estão as chamadas Unida- Especificamente para a Unidade de cados atuais da embalagem de aço,
des de Mercado (grande rede, cons- Mercado Embalagem – cujo diretor e quer avançar em novas frentes. A
trução civil, automotivo, embalagem será anunciado em breve –, a CSN empresa pretende recuperar o espa-
e linha branca e O&M), as gerências anunciou investimentos de cerca de ço perdido para o PET no mercado
gerais (de exportação, de vendas 35 milhões de dólares para 2001 nas de óleos comestíveis, e está dispos-
especiais, de planejamento comer- linhas de acabamentos finais de fo- ta a entrar para valer no mercado de
cial e de atendimento técnico) e a lhas metálicas, a fim de garantir a bebidas. “Nesse segmento, o alumí-
Inal (braço de distribuição da CSN). melhoria da qualidade e da perfor- nio é um alvo natural”, anuncia o di-
Cada unidade de mercado terá mance dos produtos. retor-executivo comercial da empre-
áreas de marketing, de desenvolvi- “A embalagem de aço tem um mer- sa. “Mas nossa intenção é entrar
mento de produto e de assistência cado muito grande na Europa e nos para valer no mercado, e não impor-
técnica, além da própria força de Estados Unidos”, afirma Dias Jr. ta sobre qual material avançare-
vendas. “Essa mudança visa dar “Com uma pesquisa mais focada em mos”, completa.

16 – EMBALAGEMMARCA • mar 2001


20reestrutura 30/03/01 17:53 Page 17

mentado
al idade do suprimento de embalagens

A ALCAN ANUNCIA SEUS NOVOS NOMES


No final do ano passado foi formali- A Unidade de Embalagens Flexíveis
zada a fusão da Alcan Aluminium da Alcan, em Mauá (SP), passou a
Ltd. e da Alussuisse Group (algroup), chamar-se Lawson Mardon Brasil. A
concretizada com a troca de ações Alussuisse Lonza do Brasil, em Dia-
entre as empresas. A companhia re- dema (SP), por sua vez, mudou para
sultante recebeu o nome de Alcan Alcan Packaging Plastics Américas.
Inc., com matriz no Canadá e opera- As duas unidades atuarão de forma
ções em 37 países. A empresa pas- coordenada e manterão equipes de-
sou a ser um dos principais fornece- dicadas a cada linha de produtos.
dores mundiais para a indústria de Daisy Zakzuk Spaco, diretora de mar-
embalagens farmacêuticas, de bebi- keting e novos negócios da Plastics
das, de alimentos e de cosméticos. Americas, explica que a empresa
No Brasil, o efeito prático da aquisi- pretende ampliar sua atuação na
ção da algroup é que, além de emba- área de cosméticos. “Vamos nos de-
lagens flexíveis e de chapas para la- dicar a projetos especiais”, ela diz.
tas de bebida, a empresa passa a “Não pretendemos nos voltar para
oferecer embalagens plásticas. Nes- commodities.” Segundo a diretora,
sa movimentação, surgiu a Alcan até maio deve ser feito um processo
Packaging, com o objetivo de otimi- de climatização nas fábricas, e have-
zar os processos da empresa no se- rá investimentos na aquisição de no-
tor de embalagens. vas ferramentas.

unidades fabris, que operam com papel kraft, papelão ondulado e as


foco em embalagens de papelão on- caixas já impressas e prontas para
dulado e de papel cartão. Nesse as- acondicionar produtos.
pecto, destaca Tilkian, “é a única Sua atuação como convertedora
empresa no Brasil em condições de de embalagens de papel cartão é re-
oferecer a seus clientes sistemas lativamente recente: começou em
completos de embalagem na área de 1996, com a compra da unidade Va-
papel, ou seja, a embalagem primá- linhos da Impressora Paranaense.
ria, de papel cartão, e a de transpor- Mais tarde, com a aquisição de uma
te, de papelão”. máquina flexográfica de última ge-
Composta de três divisões – Flo- ração, o parque gráfico ganhou uma
restal, Papel e Embalagem – a Rige- nova alternativa de impressão. Em
sa Westvaco é o segundo maior pro- 2000 foi adquirida a Agaprint Em-
dutor de embalagens de papelão on- balagens, com um moderno conjun-
dulado no Brasil, depois da Klabin. to de off-set que inclui uma impres-
Na área de papelão, a empresa é to- sora Heidelberg Speedmaster para
talmente integrada, ou seja, domina sete cores mais verniz. “Isso a dife-
todo o ciclo para a produção de pa- rencia da maioria das convertedo-
pelão: madeira, polpa de celulose, ras, que normalmente operam ape-
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nas num desses dois sistemas ou em de embalagem”, além de investir na


rotogravura” observa Tilkian. O permanente atualização de sua in-
certo, ele diz, é que a Rigesa está ca- fra-estrutura e de seus recursos hu-
pacitada a imprimir e dar acaba- manos, segundo descreve seu vice-
mento a embalagens dos mais varia- presidente, a Rigesa Westvaco ofe-
dos tamanhos e tipos, como cartu- rece alguns serviços e parcerias que
chos, cartelas, bandejas e outros representam diferenciais. Dentre
produtos de cartão semi-rígido, eles destacam-se três. Um é a insta-
além de caixas de papelão. Aliás, o lação nas dependências do cliente,
modelo híbrido de Valinhos está em regime de comodato, de arma-
sendo adotado também na unidade doras/seladoras e equipamentos au-
de Manaus, a qual está sendo rees- xiliares para impressão de caracte-
truturada, podendo em breve produ- res ou paletização e arqueamento.
zir embalagens de papel cartão e de “O cliente quer a solução, neste
papelão microondulado. caso a caixa montada, e é isso que
Paulo Tilkian: “Mais completa”
oferecemos a ele”, diz Tilkian.
42 aquisições Atualmente há mais de quarenta li-
A aquisição da Agaprint se inclui na balagens. Integrada nessa rede, a Ri- nhas como essas funcionando nos
intensa movimentação global, entre gesa Westvaco brasileira (que fatu- mais diversos segmentos de merca-
1999 e 2000, do grupo americano rou 167 milhões de dólares em 2000 do no Brasil.
Westvaco Corporation, ao qual per- e espera passar de 200 milhões este Outro serviço oferecido é a dis-
tence a Rigesa desde 1953. Em tre- ano) é definida por seu vice-presi- ponibilização do Centro Técnico
ze meses, o grupo investiu 1,6 bi- dente como uma “empresa com ca- para o desenvolvimento de especi-
lhão de dólares em aquisições no pacidade global no mercado local”. ficações de materiais, suporte no di-
mundo inteiro, o que o levou a uma Entre outros exemplos em que, a mensionamento estrutural, empi-
grande diversificação na oferta de seu ver, isso se reflete, estão as cai- lhamento e manuseio das embala-
embalagens. Nessa movimentação, xas de papelão para frutas da marca gens para os clientes. Para comple-
assumiu a segunda posição como Plaform, fabricadas sob licença de tar, foi criada em janeiro último, a
produtor mundial de papel cartão, uma empresa espanhola, e as emba- Paxonix (www.paxonix.com), em-
através da aquisição da Evadale, no lagens de papel cartão ovenable, presa virtual destinada a dar supor-
Texas, Estados Unidos, situando-se produzidas com tecnologia da ma- te ao cliente para o lançamento de
atrás apenas da norte-americana In- triz americana para alimentos con- produtos em âmbito mundial em
ternational Paper. gelados que podem ir diretamente tempo recorde e mínimas possibili-
Em pouco mais de um ano fo- ao forno, como a linha Todo Sabor, dades de equívocos. Em resumo, no
ram adquiridas 42 plantas indus- da Sadia. modo de ver de seu vice-presidente,
triais em diferentes países e nas Dentro da política de “foco no “a Rigesa está melhor, porque está
mais variadas especialidades de em- cliente e solução de seus problemas mais completa”.

A SIG CENTRA SEU FOCO NA ÁREA DE EMBALAGENS


Outro gigante mundial da área para a aquisição de empresas Com a criação da SIG Plastics, re-
de embalagens que passa por atuantes nos segmentos-alvo do sultado da compra da fabricante
reestruturação é o grupo suíço grupo. Hoje, a companhia tem três de máquinas de enchimento Ham-
SIG. No decorrer do ano 2000 o grandes divisões: a SIG Plastics, de ba e da divisão de máquinas para
conglomerado comandado pela embalagens plásticas para bebidas plásticos da ThyssenKrupp, o gru-
holding SIG Swiss Industrial que responde por 21% das vendas po entrou para valer no crescente
Company se reposicionou, focando líquidas do grupo, a SIG Combibloc, mercado de PET.
o mercado de embalagens. Negó- de embalagens cartonadas e enche- A empresa está se empenhando
cios não considerados estratégi- doras para o mercado de bebidas, para crescer no mercado de emba-
cos, como automação e armamen- com 58% das vendas líquidas, e a lagens plásticas assépticas, con-
tos, foram desinvestidos. SIG Pack, de máquinas e sistemas solidando um movimento que,
Os recursos liberados nesse pro- de embalagem, respondendo por mundialmente, vem ganhando vi-
cesso estão sendo direcionados 20% das vendas líquidas. gor nos últimos tempos.

18 – EMBALAGEMMARCA • mar 2001


20smirnoff 30/03/01 17:47 Page 20

BEBIDAS PRONTAS

Guiness UDV quer estar presente em todas as situações de consumo

postar em novos 275ml, da qual pode ser consumi-


segmentos vem se da diretamente. Padronizada em
tornando, cada todos os países em que é comer-
vez mais, um dos cializada, a garrafa, fornecida no
principais recur- Brasil pela Cisper, recebeu so-
sos com que as empresas procu- mente pequenas alterações no ró-
ram aumentar sua participação tulo, como o idioma em que é im-
nos mercados em que atuam. A presso e a inclusão de exigências
companhia de bebidas Guiness legais. Os rótulos brasileiros são
UDV, que tem em seu portfólio fornecidos pela Gráfica 43. “Que-
marcas tradicionais e campeãs de remos criar consistência no mun-
vendas em suas categorias, como do inteiro, daí a uniformização
a vodca Smirnoff, o uísque John- das garrafas”, explica Marcelo
nie Walker e a tequila Jose Cuer- Marchiori, diretor de marketing
vo, acaba de adotar essa estraté- da marca Smirnoff.
gia, com um lançamento que seus
próprios executivos definem co- Público masculino
mo “o maior da empresa nas últi- A empresa lançou a bebida em
mas décadas”. Com respeitável 1999, na Inglaterra, e está trazen-
apoio publicitário, a Guiness do para o Brasil apostando no pú-
UDV colocou recentemente no blico masculino. Entretanto, Mar-
mercado brasileiro a Smirnoff Ice, chiori ressalva que essa é apenas
uma bebida de baixo teor alcóoli- uma definição estratégica. “A
co (5,5 graus) elaborada com vod- propaganda fala com os homens,
ca, água gaseificada e concentrado mas não aliena as mulheres”, ele
de limão. diz. A “exclusão” do público fe-
A palavra de ordem na estraté- minino seria motivada essencial-
gia mundial da Smirnoff é estar mente pela realidade dos núme-
disponível em todos os momentos ros. “Bebidas destiladas”, segun-
possíveis de consumo. Embalada do o diretor de marketing de
no vácuo da tradicional marca de Smirnoff, “são consumidas, em
vodca, que segundo o Instituto sua maioria, por homens.”
Nielsen lidera o mercado nacional Concorrente da soda alcoólica
na categoria, com participação de First One, da IRB, a expectativa da
23%, a empresa vê na versão “re- Guiness UDV é repetir no Brasil o
frescante” do produto uma oportu- sucesso das 240 milhões de garra-
nidade de adentrar um nicho inex- fas vendidas por ano nos catorze
plorado por ela – o de bebidas países onde a Smirnoff Ice está
prontas para beber, geladas. presente. Marchiori diz não ser o
Seguindo essas expectativas, a momenro para adiantar estimati-
Smirnoff Ice é comercializada em vas de vendas, pois a distribuição
garrafa de vidro long neck de está apenas sendo iniciada.

20 – EMBALAGEMMARCA • mar 2001


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RECICLAGEM

CADA VEZ MAIS,


RECICLAR
PODERÁ SER UM
BOM NEGÓCIO
Além de crescer como
atividade econômica, a
reciclagem vem ganhando
importância em dois
momentos críticos: a
escolha da embalagem
pelas empresas e a decisão
de compra do consumidor
Por Guilherme Kamio

S
e a sua empresa não trabalha com pro-
dutos acondicionados em embalagens
recicláveis, não apóia programas de
coleta seletiva e sequer se preocupa
com o chamado “marketing ecológico”, está
na hora de começar a pensar nisso – e de agir.
Se não o fizer por razões ambientais, em ge-
ral não prioritárias nas empresas, deve fazê-
lo, no mínimo, por aquilo que é seu objetivo
máximo: o lucro.
Figura emblemática da cultura de consu-
FOTOS: STUDIO AG - ANDRÉ GODOY

mo, a embalagem é alvo de idéias e trabalhos


que visam à melhora de sua fabricação e de
seu desempenho nas linhas de produção, no
transporte, nos pontos-de-venda, no momen-
to do consumo. O pós-consumo, porém, so-
mente em tempos relativamente recentes pas-
sou a gozar de tanta atenção. Tradicionalmen-

mar 2001 • ESPECIAL • EMBALAGEMMARCA – 1


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te, quando não reutilizadas, da vão) ocupar espaço nos demais locais impróprios.
as embalagens eram em gran- cada vez mais saturados ater- Assim, a embalagem ga-
de parte descartadas de qual- ros sanitários ou nos lixões. nhou a pecha de algoz do
quer jeito. Garrafas, potes, Quando não, terminam em meio ambiente, apesar de to-
sacos e cartuchos iam (e ain- ruas, rios, terrenos baldios e dos os seus atributos positi-

Uma atividade com mais de um século no Brasil


Reciclar faz parte do jogo na saltar o apelo do papel cartão
abrangente área de papéis. A como base da “embalagem
indústria brasileira do material amiga da natureza” é forte, atra-
iniciou suas atividades, há vés da Campanha Papelcartão,
mais de um século, justamen- promovida pela associação –
te reciclando material importa- foi até criado um selo para
do. Hoje, um dado do setor identificar o material.
chama a atenção. Dos 184 fa- Um grande problema que o pa-
bricantes de papel registrados pel reciclado enfrenta é o do
em 1999, 124 se enquadraram preconceito. Há a idéia de que
como fabricantes recicladores, o material não tem a mesma
conceito estabelecido pela qualidade do papel feito a partir
de matéria-prima virgem. Na
CELULÓSICAS

Bracelpa – Associação Brasi-


leira de Celulose e Papel para do material não cabem nas lixei- verdade, diversos fabricantes
definir as empresas que con- ras e nos sacos de lixo”, con- possuem tecnologia adequada
somem mais de 50% de pa- sidera Alberto Fabiano Pires, para produzir papéis reciclados
péis recicláveis como matéria- consultor de Assuntos de Reci- com as mesmas características
prima para sua produção. O clagem da Bracelpa. A fácil dos virgens. “Hoje é difícil iden-
mercado de papéis para emba- identificação ajuda os “carri- tificar o papel reciclado em mui-
lagem, subdividido nos seg- nheiros” (catadores de papel), tos casos”, diz Véssia Maria
mentos de papéis kraft, papel responsáveis pela coleta do ma- Cordaro, da área de marketing
cartão, papéis para ondulado e terial usado. da Papirus, uma das maiores
papéis para embalagem em Já o papel cartão, que igual- fornecedoras de papéis recicla-
geral, apresenta casos notá- mente pode levar em sua com- dos para embalagem no Brasil.
veis de reciclagem. posição material reciclado, tam- Ela ressalta ser comum encon-
O papelão ondulado, por bém é foco de esforços em reci- trar-se embalagens feitas com
exemplo, apresenta taxa de clagem. A meta da Bracelpa é papel reciclado, sem que se
71% de reciclagem de sua pro- aumentar o aproveitamento de note, como acontece com os
dução. Não bastasse o empre- embalagens descartadas após o cartuchos de cremes dentais.
go de material reciclado ser in- consumo, e para isso realizou Nessa categoria de produto,
trínseco na produção de no- recentemente campanha para 95% das embalagens são feitas
vas embalagens, no miolo en- coletar cartuchos junto à rede de material reaproveitado.
tre a capa e a contracapa das de varejo Carrefour. Em pouco De olho no potencial do merca-
caixas, o papelão se vale da mais de três meses, a ação con- do de reciclados, a Suzano está
“sorte” da logística de sua co- seguiu coletar mais de 136 tone- lançando o Reciclato, primeiro
leta pós-consumo ser menos ladas de embalagens pós-con- papel offset 100% reciclado na-
complicada, já que raramente sumo. Os 50 000 reais arrecada- cional produzido em escala in-
é misturado ao lixo orgânico dos com a venda dessas emba- dustrial. “As empresas preci-
no descarte. “Essa separação lagens descartadas pelo público sam estar atentas ao impacto fi-
não é motivada por consciên- seriam repassados para uma nal de seus produtos”, observa
cia da população, mas sim- entidade de assistência ao cân- Sérgio Alves, diretor superin-
plesmente porque as caixas cer infantil. O trabalho para res- tendente da Suzano Papel.

2 – EMBALAGEMMARCA • ESPECIAL • mar 2001


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vos. É desnecessário lembrar transformados em recipien- timo caso, é inevitável a lem-


o que isso pode significar em tes, têm mais visibilidade nos brança de garrafas de PET
termos de imagem para as aterros sanitários, nos es- boiando em rios. Não impor-
marcas de produtos ou mes- paços vazios das cidades e ta se a culpa é do fabricante,
mo para os materiais que, nos cursos de água. Neste úl- do usuário, do consumidor,
do poder público ou da lei de
gravidade.
Um pacote de atrativos a caminho Importa, sim, atentar para
Nem todos sabem, mas as em- o fato de que prejuízos de
balagens de vidro são 100% imagem em geral se transfor-
recicláveis. Um quilo de mate- mam em perdas de vendas.
rial usado, reprocessado a par- Da mesma forma, convém le-
tir de cacos, gera novamente
var em conta que a coleta or-
um quilo de produto, sem per-
ganizada e sistemática, como
das ao longo do processo.
ocorre em países desenvolvi-
Além disso, o emprego de ca-
cos na mistura de matérias-pri- dos, traz benefícios ambien-
mas, na proporção aproximada tais e reduz custos na produ-
de um terço do volume, como ciente o negócio da reciclagem ção, com economia de maté-
historicamente se consegue do vidro sob o ponto de vista rias-primas virgens e de ener-
no Brasil, resulta numa econo- da logística. “Cederemos aos gia. Porém, como nada no
mia de energia de cerca de empresários interessados um mundo é gratuito, isso tam-
20%, pois o caco necessita de pacote tecnológico, juntamen- bém tem seu preço, que aca-
menos calor que os minerais te com um kit de comunicação ba sendo pago pelo consumi-
in natura para fundir. Esses as- para atingir a região em torno dor final (ver o quadro “Uma
pectos serão ressaltados pela da usina”, informa o executivo,
nação de selecionadores”).
Abividro – Associação Brasilei- que espera elevar o atual índi-
Ele parece estar disposto a
ra das Indústrias automáticas ce de 40% de reciclagem do
pagar, ou talvez não tenha
de Vidro durante 2001. material. Ele ressalta a evolu-
“Vamos reforçar a comunica- ção das embalagens de vidro
saída se não fazê-lo.
ção destas vantagens ambien- na questão de redução no con-
tais”, diz Lucien Belmonte, su- sumo de matéria-prima nos úl- Ecoeficiência
perintendente da associação. timos anos, sua ampla reutili- Seja como for, cada vez
Parece haver razão para isso. zação – até mesmo como no- menos, naqueles países, as
Para citar um exemplo ao vas embalagens, em produtos empresas se arriscam a ver as
VIDRO

alcance da mão, na recente populares – e a possibilidade marcas de seus produtos


pesquisa sobre hábitos do de serem retornáveis, atributo fazendo o papel de vilãs am-
consumidor, feita pela Re- exclusivo do material. bientais. Só por isso, buscar
search International junto com Em campanhas para incentivar
ativamente o que se conven-
a Dil Consultores e publicada a reciclagem, Belmonte desta-
cionou chamar de ecoeficiên-
em EMBALAGEMMARCA nº 18, a ca o “Vidro é Comida”, da Cis-
cia passou a ser bom negócio.
embalagem de vidro aparece per, na qual embalagens são
atrás das plásticas, das metáli- trocadas pro alimentos, no
Entende-se por esse termo a
cas e das celulósicas na per- Morro da Mangueira (RJ), e o produção de bens e serviços
cepção do potencial para reci- “Pintou Limpeza”, uma iniciati- que, ao mesmo tempo, pro-
clagem. va em parceria com a Rádio El- porcionem satisfação e quali-
Além do reforço na comunica- dorado, de São Paulo, e pos- dade de vida ao consumidor e
ção, Belmonte revela que a en- tos de abastecimento, onde
tidade também lançará mão de estão sendo implantados Pos-
ações para incentivar a reci- tos de Entrega Voluntária
clagem do material através de (PEVs) para recolher embala-
um Plano Diretor. Um dos gens (além do setor vidreiro,
principais objetivos será participam da campanha a
apoiar a instalação de mini- Abepet, a Latasa e a Tetra
usinas recicladoras pelo país, Pak). O destino é a reciclagem
tornando mais atraente e efi- ou o descarte responsável.

mar 2001 • ESPECIAL • EMBALAGEMMARCA – 3


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reduzam a níveis coerentes a desleixo com os sistemas de um dos alvos mais visíveis
geração de poluentes e o uso coleta de resíduos nas cida- nesse fogo cruzado.
de recursos, considerando des, os fenômenos climáticos Multiplicam-se as iniciati-
todo o seu ciclo de vida. devastadores e o presságio do vas indicando que o poder pú-
No Brasil ainda não se esgotamento dos recursos na- blico em diferentes níveis,
chegou a esse ponto ideal, turais, ganha força também empresariado e organizações
mas a realidade está se in- aqui a consciência de que não governamentais estão
cumbindo de mudar o pano- melhorar a relação com o dispostos a discutir caminhos
rama. Com a evidente escas- meio é pauta que não se pode viáveis para o tão desejado
sez de espaço para o lixo, as mais empurrar com a barriga. desenvolvimento sustentável
trágicas conseqüências do Obviamente, a embalagem é e a tal de ecoeficiência. Enti-

Cada tipo de latinha tem um atrativo a explorar


Os catadores de latas de alumí- Já as embalagens de aço obti-
nio já se tornaram onipresentes veram índice de 38% de reci-
nas cidades brasileiras. Se há clagem em 2000. O setor espe-
pessoas bebendo, especial- ra chegar aos 40% em 2001, o
mente em eventos públicos, lá que equivale à cerca de
estão eles. Aliás, há sempre um 700 000 toneladas do material.
exército deles. Esse fenômeno Segundo Roberto Pinto, asses-
social ilustra a importância eco- sor do Prolata – Programa de
nômica da reciclagem dessas Valorização e Incentivo ao Uso
embalagens, um negócio que já da Embalagem Metálica, o se-
movimenta mais de 110 mi- tor está buscando formas de
lhões de dólares por ano no tornar mais eficiente a logísti-
país. Para cada quilo de alumí- ca da reciclagem de aço, “uma
nio reciclado – pelo qual paga- vez que o negócio não é tão
se, em média, R$ 1,50 – são atrativo economicamente
economizados 5 quilos de bau- como o do alumínio”.
METÁLICAS

xita, a matéria-prima do alumí- Roberto destaca que o aço


nio, e na formação de uma lata também possui características
a partir de sucata gastam-se que o favorecem nas questões
apenas 5% da energia consumi- ambientais. São a possibilida-
da no processo normal. de de o material ser separado
Esses números explicam o alto magneticamente do resto do
índice da reciclagem dessas nicho, além de estender o negó- lixo, com eletroímãs, e o fato
embalagens no Brasil. A ABAL cio à reciclagem de garrafas de de ser rapidamente degradá-
– Associação Brasileira do Alu- PET. “Outras empresas procu- vel, voltando a ser minério de
mínio, divulgou recentemente rarão o Brasil para investir nes- ferro no contato com a nature-
que o Brasil reciclou 78% de se ramo”, prevê José Roberto za. Ele afirma que “têm cresci-
sua produção de latinhas em Giosa, coordenador de Assun- do os apelos de reutilização do
2000. Dessa forma, o país de- tos de Reciclagem da ABAL. material em peças de arte e
pende apenas do anúncio ofi- Para incentivar ainda mais a ati- utensílios domésticos, como
cial do até agora campeão Ja- vidade no país, o setor do alu- vasos, potes e canecas, entre
pão, sobre seu índice de 2000, mínio deverá fazer campanhas outros”. O assessor do Prolata
para poder comemorar o posto sobre a importância da coleta também adianta que é possível
de maior reciclador mundial de seletiva e dos benefícios da re- esperar novidades no trabalho
latinhas. Reciclar alumínio é tão ciclagem ao meio ambiente. de reciclagem do aço em 2001,
interessante que já há empre- Vale também destacar iniciati- pois a CSN, única produtora
sas estrangeiras apostando no vas como o Projeto Escola, da de chapas metálicas para em-
potencial brasileiro. É o caso Latasa, em que instituições tro- balagem no Brasil, estará in-
da norueguesa Tomra, que atra- cam latinhas por eletrodomésti- vestindo em novidades tecno-
vés de uma joint-venture com a cos e têm palestras sobre edu- lógicas e de comunicação
Latasa, irá explorar por aqui o cação ambiental. nesse campo.

4 – EMBALAGEMMARCA • ESPECIAL • mar 2001


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dades ligadas a embalagem do, lançam mão de iniciativas em poucos exemplos, basta
trabalham junto ao Conselho apoiadas no já bem difundido lembrar do aliviamento signi-
Nacional do Meio Ambiente conceito dos três R – reduzir, ficativo de peso – de até
(Conama), órgão governa- reutilizar e reciclar. Dentro 40%, em alguns casos – em
mental que estuda resoluções destes parâmetros, a embala- recipientes metálicos, de vi-
sobre o descarte de embala- gem mostra dinamismo. dro e de PET conseguido nos
gens, enquanto o Congresso Na diminuição do consu- últimos anos.
discute Projetos de Lei para a mo de materiais para produ- No segundo R, crescem os
questão. Paralelamente, os zir embalagens, a chamada apelos de reutilização das
mais diversos setores indus- redução na fonte, os ganhos embalagens, nas mais diver-
triais, o de embalagem incluí- têm sido notáveis. Para ficar sas formas: como utensílio
doméstico, como decoração,
como objeto para colecionar.
“Uma nação de selecionadores” Fechando o círculo, a re-
“A União Européia tornou-se O conceito de responsabilidade
ciclagem vem se tornando
uma nação de ‘selecionadores do produtor se aplica a quem atividade econômica cada
na origem’. Somos exemplo em fabrica embalagens de qualquer vez mais atraente. O negócio,
seleção de resíduos para des- tipo de material. Os produtores que já faz girar cerca de 1,2
carte em coletores diferencia- têm a obrigação de providen- bilhão de reais por ano no
dos, contribuindo para reduzir ciar sistemas de coleta e elimi- país, promete ser impulsiona-
ao mínimo o desperdício, de- nação, sendo responsabilidade do com a entrada de novas
volver e reciclar o que for pos- dos consumidores separar as tecnologias, que abrem novos
sível. São dez os tipos de em- embalagens e depositá-las nos mercados, e a discussão de
balagem recicladas.” coletores públicos oficiais. políticas fiscais mais coeren-
Assim começa o capítulo sobre Para gerenciar com eficácia o
tes e estimulantes. A recicla-
reciclagem do Livro de Bolso sistema, os fabricantes têm
gem de plásticos, por exem-
do Acondicionamento e da Em- criado empresas com instala-
balagem, editado pela Assis- ções especializadas na coleta e
plo, pagava IPI 20% mais
graph – Associação Espanhola na reciclagem de materiais, alto que a produção a partir
de Artes Gráficas, Embalagem, bem como na sua transforma- de matéria-prima virgem até
Acondicionamento e Afins, sob ção em energia. Cada empresa meados do ano passado.
licença da Packsforck, entidade dedica-se a um tipo de material.
sueca similar. Aqui é reproduzi- Infelizmente, o custo da coleta Não arriscar
da a essência desse capítulo. e de tratamento dos materiais Para a indústria de embala-
para sua recuperação supera a gem, reciclar representa, en-
Desde 1994, na União Européia, receita procedente de sua ven- tre outros ganhos, economi-
uma lei dispõe sobre a “res- da. Para cobrir o déficit, as em- zar matérias-primas virgens,
ponsabilidade do produtor” de presas de tratamento têm de
poupar energia na produção,
embalagens, baseada em dire- cobrar uma taxa dos produto-
perspectiva de abertura de
triz que foi transformada em lei res, conhecida, na Espanha,
em cada país membro. Pela lei, como “Ponto Verde”, adminis-
novos negócios e reforço no
a responsabilidade de coletar e trada por entidades reconheci- apelo de seu material. Afinal,
reciclar é das empresas que fa- das pelo Estado. No entanto, os fabricantes de bens de
bricam, importam ou vendem essa taxa não é onerosa para o consumo estão atentos à exi-
embalagens (genéricas) ou pro- usuário, já que representa uma gência crescente do público
dutos acondicionados com pequena porcentagem sobre o por produtos ambientalmente
marca. As empresas devem fa- preço final do produto. Num amigáveis, apesar de no Bra-
cilitar a seleção de embalagens frasco de perfume de luxo com sil ela ainda não ser tão forte
usadas e garantir que sejam estojo de papel cartão, no valor quanto na Europa, no Japão e
reutilizadas ou que o material de 42 Euros, são 0,25 Euro. Já nos Estados Unidos. Mas,
ou a energia nelas contidos se- num saquinho de batatas fritas
como bem sabem os profis-
jam recuperados, por incinera- de 1 Euro no ponto-de-venda, a
sionais de marketing, é me-
ção ou biodegradação; ou que incidência proporcional seria
sejam tratadas de forma a be- maior, possivelmente uns 10
lhor não arriscar.
neficiar o meio ambiente. centavos de Euro. Pesquisa da Research In-
ternational e da DIL
mar 2001 • ESPECIAL • EMBALAGEMMARCA – 5
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Combatendo a imagem de vilão


No setor plástico, o estigma de são reciclados para se tornarem
agressor da natureza incomoda. novos artefatos plásticos, como
Merheg Cachum, presidente da sacos de lixo ou cobertura de ca-
Abiplast – Associação Brasileira bos elétricos. As embalagens de
da Indústria de Plásticos, acha plástico rígido, recicladas na for-
que 2001 será importante para ma de grânulos, também dão ori-
diminuir essa percepção. “O gem a novos artefatos, incluindo
plástico não pode continuar a embalagens, como as de água
ser visto como vilão do meio sanitária. Usando plástico reci-
ambiente”, diz, lembrando que o clado, é possível economizar até
material, apesar da visibilidade, 50% de energia na transforma- sas recicladoras de plásticos,
representa entre 5% e 10% do ção. Esse é um dos pontos dis- que faturam perto de 250 mi-
peso do lixo no Brasil, conforme cutidos no recém-lançado livro lhões de reais por ano e que ge-
a região. Na questão da recicla- Reciclagem Mecânica do PVC, do ram até 20 000 empregos dire-
gem, os plásticos enfrentavam o Instituto do PVC, que contém su- tos. Com os avanços técnicos
entrave da alíquota de IPI para o gestões de como estabelecer um da identificação e separação
negócio, que era maior do que a negócio na área. das resinas – cada plástico é
para a atividade com matéria-pri- A importância da separação é identificado por um número que
ma virgem – 12% contra 10%. maior no caso dos plásticos, acompanha o símbolo da reci-
Em meados do ano passado o pois na maioria das vezes a reci- clagem –, bem como equipa-
governo reviu a posição e bai- clagem tem de ser feita a partir mentos e tecnologias mais mo-
xou o tributo para 5%. Mas ainda de resinas específicas, sem mis- dernas de reprocessamento, no-
há bitributação, ou seja, o estado tura. Mas já existem tecnologias vos mercados tendem a se abrir
entende que a reciclagem é o iní- que permitem o processamento para os plásticos reciclados.
cio de um novo processo indus- de resinas misturadas. “A cha- É o que vem acontecendo, por
trial, e não a continuação de um mada madeira plástica, feita a exemplo, com o PET, que, além
ciclo anterior. As empresas do partir da reciclagem de vários de moda no mercado de refrige-
setor, evidentemente, não con- plásticos e usada para diversos rantes, começa a ser usado em
cordam com essa visão. fins, como na construção civil, é roupas. O material reciclado é
Somando os plásticos rígidos e uma dessas soluções tecnológi- utilizado na fabricação de fibras
os filmes, a taxa de reciclagem cas”, ilustra Luiz Briones, coor- de poliéster, que podem compor
anual bate na casa dos 15%, ou denador do Programa Plastivida, camisas, vestidos, camisetas
cerca de 200 000 toneladas. Se- da Abiquim. Há ainda a possibili- etc. Novidade nessa área é a fi-
gundo estimativa da Abremplast
– Associação Brasileira dos Re-
dade de reciclar o lixo plástico
através de aplicações químicas,
bra Alya-Eco, produzida pela
Rhodia-ster, obtida a partir da
PLÁSTICOS
cicladores de Materiais Plásti- fazendo-o voltar ao estágio quí- reciclagem feita pela Recipet,
cos, 60% desse total provêm de mico inicial, mas tal processo empresa que também integra o
resíduos industriais e 40% do não é comum no Brasil. grupo Rhodia e diz ser a maior
lixo urbano. Depois de separa- O Cempre calcula que existam recicladora do material na Amé-
dos do lixo, os filmes plásticos hoje no país cerca de 600 empre- rica Latina, segundo seu diretor,
Auri Marçon. A fibra pôde ser
Produção a partir de PET reciclado vista no recente evento São
Paulo Fashion Week, servindo
Fibra poliéster 41% como base para camisetas traja-
Não tecido 16%% das por modelos nas passare-
las. O material conseguiu 34%
Cordas 15%
de aumento em reciclagem no
Resina insaturada 10%
ano de 2000, com 24,6% das
Embalagens 9% embalagens reprocessadas,
Cerdas 5% conforme estimativas da Abepet
Fitas de arquear 3% – Associação Brasileira das In-
dústrias do PET. Seu presidente,
Outros 1%
Alfredo Sette, confirma que reci-
clar é uma das prioridades para
FONTE: ABEPET - 2000
os próximos anos.

6 – EMBALAGEMMARCA • ESPECIAL • mar 2001


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Consultores em Design, di- Ele adianta que se trata de


vulgada por EMBALAGEM- um fator de decisão de com-
MARCA nº 18, mostram estar pra que deve aumentar signi-
aumentando o número de ficativamente, pois as novas
consumidores que já deixa- gerações estariam muito
ram de comprar produtos por- mais conscientes de sua res-
que a embalagem não era re- ponsabilidade ambiental.
ciclável. A previsão dos mais Do lado do usuário da
diversos especialistas é de embalagem, essa preocupa-
que o marketing verde cres- ção também cresce. “Os
cerá no Brasil, como lá fora. clientes querem ficar a par de
A embalagem é o porta- tudo o que há de novidade
voz natural das virtudes am- em termos de desempenho
bientais, e tem todos os trun- ambiental de nossas embala-
fos para a exploração dessa gens”, conta Eduardo Giane-
onda que atrai cada vez mais se, diretor de excelência cor-
adeptos. “Hoje qualquer em- porativa da Tetra Pak.

FOTOS: DIVULGAÇÃO
presa precisa preocupar-se Além dos esforços da in-
em desenvolver produtos dústria, a complexa busca
com embalagens ecologica- por embalagens ambiental-
mente corretas, para sobrevi- mente mais corretas engloba
ver no mercado e criar ima- todos os elos da cadeia de Papel e PET para reciclagem
gem de marca forte”, sugere produção. Na indústria, pesa
José Roberto Giosa, coorde- a decisão de escolher emba- entidade, Luciana Pellegrino,
nador da Comissão de Reci- lagens adequadas ao tipo de a embalagem que se enqua-
clagem da ABAL – Associa- produto a ser acondicionado. draria nesse conceito é aque-
ção Brasileira do Alumínio. As áreas de pesquisa e desen- la na qual os materiais utili-
Alfredo Sette, presidente volvimento e os designers zados estão identificados,
da Abepet – Associação Bra- são orientados a preocupar-se não contém excessos – o
sileira das Indústrias de PET, com o desempenho ambien- overpackaging, ou mau di-
salienta que “o ecomarketing tal da embalagem. mensionamento – e é fácil de
é uma realidade irreversível”. desmontar e reciclar. Como
Mas deve ser feito com res- Ecodesign exemplo ela cita a embala-
ponsabilidade. “Para um pro- A ABRE – Associação Brasi- gem do açúcar orgânico Nati-
duto ostentar os símbolos de leira de Embalagem vem tra- ve, premiada no Prêmio Eco-
reciclagem, todo o circuito balhando na promoção do design da Fiesp, em 2000.
deve estar estabelecido”, ele conceito de ecodesign. Se- Mas a embalagem talvez
diz. “Não basta que o mate- gundo a diretora executiva da esteja sendo crucificada injus-
rial seja reciclável, ele preci-
sa ser, de fato, reciclado.” Composição do lixo urbano no Brasil
(peso)
Novas gerações
Material orgânico/outros 68,7%
André Vilhena, do Cempre –
Papel/papelão ondulado 24,5%
Compromisso Empresarial
para a Reciclagem, entidade Plásticos 2,9%

que busca estimular a adoção Metais 2,3%


de soluções ambientais nas Vidro 1,6%
empresas, observa que a pre-
ferência por produtos com
embalagens ambientalmente
FONTE: CEMPRE

amigáveis é ainda mais pre-


sente entre os consumidores
com alto poder aquisitivo.
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tamente pelos ambientalistas. Cetea – Centro de Tecnologia 135 possuem alguma expe-
Na verdade, os resíduos orgâ- de Embalagem de Alimentos. riência de coleta seletiva em
nicos têm maior participação Ela salienta que as embala- atividade. Sem coleta e sem
na composição do lixo brasi- gens, em sua maioria, são estímulo aos cidadãos fica di-
leiro – em peso, quase 70% inertes, não reagindo com o fícil expandir o negócio da
(ver gráfico “ Composição do ambiente. “Precisamos até de reciclagem e garantir que a
lixo urbano no Brasil”). mais embalagens, como for- embalagem não seja malvis-
ma de minimizar os desperdí- ta. “A reciclagem não é a so-
Uma aliada cios de alimentos, um dado lução para tudo”, destaca Al-
A rigor, a embalagem pode crítico se levarmos em conta a berto Fabiano Pires, consul-
ser vista como uma aliada em quantidade de pessoas que tor de Assuntos de Recicla-
potencial para minimizar os passam fome”, diz Eloísa. “O gem da Associação Brasileira
problemas com o lixo. “Os que não se pode é nomear bo- de Celulose e Papel – Bracel-
danos que a embalagem causa des expiatórios para simplifi- pa. “Mas se for atividade ren-
são de certa forma indiretos, car uma questão que depende tável, pode ajudar bastante”,
como é o caso de entupimen- de um choque cultural e de ele aposta. O certo é que os
to de bueiros, de assoreamen- responsabilidade integrada, consumidores estão entrando
to de rios, de acúmulo nos li- de todos.” cada vez mais na onda do
xões”, observa Eloísa Elena É um caminho longo. Dos ecologicamente correto. As
Garcia, pesquisadora especia- mais de 5 000 municípios empresas que não entrarem
lizada em meio ambiente do brasileiros, pouco mais de só terão a perder.

Novas tecnologias para eliminar velhos estigmas


Cada vez mais presentes em mento só não foi maior porque das cartonadas assépticas
diversos nichos, as embala- “a coleta seletiva ainda é um em três frentes. Primeiro, no

CARTONADAS
gens cartonadas assépticas, caminho crítico”, conta Eduar- transporte. As embalagens
ou longa vida, também vão do Gianese, diretor de exce- vão em bobinas para o clien-
ganhando mais soluções para lência corporativa da Tetra te, otimizando espaço. Do
seu uso pós-consumo. Pelo Pak, líder absoluta no forneci- cliente para o varejo também
fato de serem constituídas mento dessas embalagens. há maior aproveitamento,
por diversas camadas combi- Mesmo com os gargalos da pelo formato de paralelepípe-
nadas de papel, polietileno e separação doméstica do lixo e do das embalagens. “Menos
alumínio, a embalagem sem- da coleta seletiva, há diversas gás carbônico é emitido na
pre carregou a imagem de ser empresas trabalhando na re- atmosfera, ajudando a com-
de difícil separação e recicla- cuperação de embalagens as- bater o efeito estufa”, argu-
gem. Mas tecnologias e pos- sépticas cartonadas. Há basi- menta. Depois, por reterem
sibilidades surgiram para camente três maneiras de se menos resíduos, geram me-
acabar com esse estigma. reciclar essas embalagens: a nos lixo. “Esse foi um dos
Das 6 bilhões de embalagens recuperação das fibras, que motivos que cativaram os
cartonadas assépticas consu- possibilita o aproveitamento clientes do mercado de lei-
midas em 2000 no país, 15% de 65% do papel utilizado para tes”, conta Gianese.
foram recicladas. O aproveita- se fabricar papel toalha, papel Finalmente, por não necessi-
kraft e papelão ondulado; a fu- tarem de refrigeração e de
são do alumínio com o polieti- embalagens de proteção no
leno, para a produção de arte- transporte, há economia de
fatos como placas de “madei- recursos naturais. A Tetra
ra artificial”, canetas, réguas e Pak, aliás, vem promovendo
uma série de outras peças in- palestras e programas de
jetadas; e a incineração para a educação ambiental em esco-
geração de energia, processo las, “pois o trabalho a longo
comum na Europa. prazo garante resultados e
Além dessas possibilidades mostra a preocupação da ca-
em reciclagem, Gianese res- deia de embalagem com o
salta vantagens ambientais meio”, pontifica.

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MATERIAIS

visual

STUDIO AG - ANDRÉ GODOY


IMPACTO

e
Cresce a oferta de cartões mais brancos

stá ocorrendo, se não uma exigência muito maior do que


uma revolução, uma no Brasil de mais alvura (whiteness)
acentuada evolução na e brancura (brightness). Logo, o
área de papel cartão, mercado interno, habituado a con-
dentro da tendência de agregar valor sumir um cartão mais amarelo, tam-
aos produtos por meio das embala- bém se interessou pelo novo mate-
gens. No mundo inteiro cresceram a rial, que tem certificação ISO 9001. atendimento de demandas específi-
demanda e, em conseqüência, a “A indústria usuária de cartão pre- cas de cada segmento, explica o su-
oferta de cartões mais brancos, que mium, formada basicamente pelos pervisor de produto da empresa.
oferecem melhores possibilidades segmentos de cosmética, perfuma- Além disso, todos os produtos são
de criação, melhor imprimibilidade, ria e editorial (capas), adotou 100% revestidos com duas camadas de tin-
melhor desempenho na produção e o Alta Alvura”, recorda Paulo Man- ta couché na superfície.
maior impacto visual das embala- rique Garcia, gerente da divisão de
gens no ponto-de-venda. Para não vendas/embalagem da Suzano. RIPASA
perder o bonde, o setor brasileiro de Por ocasião do lançamento, re- Com capacidade produtiva de
papel tratou de investir. Hoje, três fa- corda Manrique, foram feitas algu- 400 000 toneladas de celulose, papel
bricantes oferecem papel cartão com mas ações dirigidas a determinados de imprimir e escrever, especiais e
alto teor de brancura no país: a Suza- segmentos, como o de sabonetes: o cartolina, a Ripasa, segunda produ-
no, a Ripasa e a Papirus. A Klabin cartão Supremo Fungi-Safe, tratado tora nacional de papel cartão, tem
fornece esse tipo de cartão essencial- com fungicidas, foi adotado pela duas fábricas dessa matéria-prima
mente para embalagens cartonadas Davene e pela Nivea, em suas li- para embalagens semi-rígidas, em
para leite, líquidos e pastosos. nhas premium. “A linha Fungi-Safe Embu e Limeira, no Estado de São
otimiza a produção, trazendo vanta- Paulo. A empresa está programando
SUZANO gens para a indústria gráfica, que para o primeiro semestre deste ano o
A Suzano saiu na frente, com o lan- fica liberada de aplicar fungicida, e lançamento de sua linha de papel
çamento do Supremo Alta Alvura, para o end user, que dispensa o uso cartão PE, já revestido por extrusão
composto de quatro camadas de ce- de saquinhos, cuja função, mais do com polietileno no verso ou dos dois
lulose branqueada e revestido com que enfeitar, é proteger”, ele diz. lados, dispensando plastificação ou
duas camadas de tinta couché. O Hoje, segundo André Luís de Mar- outros tratamentos. A principal ca-
produto inclui-se na categoria mun- co, “é comum ver embalagens de racterística do produto é a proteção
dial SBS (Solid Bleached Board), ou luxo, de perfumes franceses, por superficial contra umidade.
cartão sólido. “Em 1996, uma refor- exemplo, em cartão Alta Alvura da Segundo o fabricante, a linha PE
ma de máquina ampliou a capacida- Suzano”. Mais recentemente, a em- é adequada para produtos alimentí-
de de oferta para o mercado, de presa lançou o Supremo Duo De- cios congelados, refrigerados ou su-
150 000 toneladas/ano para sign, que pode ser impresso dos dois pergelados, cujas embalagens preci-
180 000”, conta André Luís de Mar- lados, diferencial significativo so- sam ter a superfície tratada. O papel
co, supervisor de produto da empre- bretudo nos segmentos de perfu- cartão Icecard, que já é tratado na
sa, maior fabricante brasileiro de pa- mes, cosméticos e bebidas finas. massa e possibilita baixíssima ab-
pel cartão. Foi um aumento de 20%, Toda a linha de papel cartão da sorção lateral de umidade, pode por
superior à capacidade de absorção Suzano é composta de quatro cama- exemplo ser fornecido com trata-
do mercado naquele momento. das de fibras celulósicas, o que au- mento PE. Para o convertedor gráfi-
A Suzano voltou-se então para o menta a flexibilidade de formulação co, uma vantagem: não necessita
mercado externo, onde detectou de cada produto, possibilitando o plastificar a superfície, reduzindo o

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Papel cartão:
brancura e brilho
para atrair o Mais alvejantes para o mercado
consumidor
Em resposta à crescente de- defesa do meio ambiente
manda por papel e papel cartão incluem na lista dos “venenos
com maior teor de brancura, a do planeta”.
Clariant reforçou no final do ano Além desse alvejante, a Clariant
passado, com a ampliação de iniciou a produção de outras li-
sua unidade de Resende (RJ), a nhas de produtos químicos es-
condição de maior fornecedora peciais para tratamento superfi-
de produtos químicos para a in- cial de papel e de cartão, direcio-
dústria de papel e celulose da nados a três diferentes áreas.
América Latina. A empresa in- Para rótulos de papel especial
vestiu 2 milhões de dólares na que exigem impressão muito ní-
instalação de quatro novos rea- tida a empresa oferece a linha
tores (que se somam a 31 já Cartabond, um agente para me-
existentes) e na modernização lhoria da resistência do substra-
tempo de execução dos tra- do processo produtivo. Com to, aprovada pelo FDA (Food and
balhos – e quando o PE é aplicado isso, diz José Chimara Filho, Drug Administration), a agência
na superfície frontal sobre a camada gerente da Unidade de Negócios reguladora americana, para em-
couché, há “ganho de brilho”. Papel para a América Latina, a balagens de produtos alimentí-
Clariant aumentará em 100% cios e de higiene. “O profissio-
PAPIRUS sua capacidade de produção de nal gráfico vai perceber as van-
Ao identificar a tendência de uso de alvejantes ópticos, carro-chefe tagens do Cartabond no rendi-
da unidade e insumo crucial mento das impressoras, na qua-
papel cartão com maior alvura, es-
para o atendimento da procura lidade da impressão, e na redu-
pecialmente na área de frigorifica-
de papel e cartão mais brancos. ção das paradas para limpeza
dos, a Papirus lançou uma variada
“A tendência de valorizar o pro- das máquinas”, garante Chimara.
linha de produtos com revestimen- duto pela embalagem vem se “Com esse produto, a impermea-
tos brancos. Segundo Véssia Corda- acentuando, daí o esforço para bilização do papel e a resistência
ro, assistente de marketing da em- melhorar o efeito de branco do a úmido aumentam”, ele diz. Fi-
presa, a Papirus está investindo em papel”, diz Chimara. Ele lembra nalmente, segundo o fabricante,
melhorias de equipamentos e de que, dentro dessa tendência, o Cartabond torna mais fácil a
processos que resultam em ganhos vem aumentando a demanda de reciclagem de papéis laminados
de brilho, de rigidez e de alvura. cartão colorido, para cuja pro- com polietileno.
Essas melhorias aparecem no re- dução é fundamental o bran- Já a linha Cartaseal, também
vestimento do cartão, que ganha em queamento. O branco, simples- aprovada pelo FDA, é específica
mente, valoriza a cor. No entan- para embalagens que exigem
brilho, e na rigidez, com o uso de fi-
to, para dar cor a papéis e car- alta resistência a úmido, como
bras longas. “Isso permitiu reduzir
tões a indústria cria um proble- as assépticas, e caixas para ex-
as gramaturas sem perda das carac-
ma ambiental: o uso de coran- portação de frutas. Impede, por
terísticas do cartão”, diz Véssia. As tes tinge muito os efluentes. exemplo, a formação de fungos,
reduções obtidas em g/m2 foram as Para resolver esse problema – causa de recusa de recebimento
seguintes: de 250 para 230, de 300 um entrave à exportação para nos portos de países importado-
para 280, de 350 para 330, de 400 países onde a legislação am- res. Chimara diz que essa linha
para 370 e de 450 parta 420. Assim, biental é rígida, e mesmo às tem tido grande interesse sobre-
a relação custo/benefício é otimiza- vendas no Brasil, onde cresce a tudo no Nordeste.
da, pois obtém-se maior metragem consciência preservacionista – Completando o leque, o produto
quadrada com menor quantidade em a Clariant lançou a linha Carta- mais recente é o Cartafluor, um
quilos. É ganho de custo, já que a sol, que segundo Chimara “fixa agente resistente a substâncias
bem a tinta, de modo que a graxas e óleo. Trata-se de um
quantidade de material diminuiu. A
água utilizada sai limpa”. Ade- produto aquoso à base de flúor,
redução da gramatura, observa Vés-
mais, ele ressalta, os alvejantes adequado para uso em embala-
sia, mascara a realidade de cresci-
produzidos pela empresa são gens de alimentos, como caixas
mento do mercado, pois o peso di- isentos de uréia, um agente po- de pizza e hambúrguer congela-
minuiu, mas a metragem não. “Na luidor que as organizações de dos, e rações para animais.
verdade, o mercado cresceu.”
(Ver tabela na próxima página)
mar 2001 • EMBALAGEMMARCA – 33
Document2 30/03/01 19:43 Page 34

Para todas as embalagens semi-rígidas


Principais tipos de papel cartão nacional disponíveis no mercado
SUZANO
PRODUTO TIPO CARACTERÍSTICAS GRAMATURAS (g/m2)
SUPREMO ALTA ALVURA Triplex Brancura diferenciada. Alta lisura 250, 275, 300, 325, 350
superficial
Aplicações: embalagens de cosméticos (principalmente), editorial e promocional

SUPREMO DUO DESIGN Triplex Permite impressões policrômicas com 250, 300, 350
alta qualidade também no verso
Aplicações: as mesmas do Supremo Alta Alvura, podendo substituir couchés importados de alta gramatura

SUPREMO FUNGI-SAFE Triplex Recebe tratamento adicional para 300


combate a fungos
Aplicações: embalagens de higiene e limpeza

TP HI-BULKY Triplex Mais encorpado, mais leve e mais rígido 250, 275, 300, 325, 350, 375
Aplicações: embalagens para chocolates, cosméticos, medicamentos, fast-food, gelatinas e caixas de bombom

SUPER 6 BULKY Duplex Para embalagens que exigem alto desem- 275, 330, 370, 440
EXTRACORPO penho em off-set, rotogravura e flexografia
Aplicações: embalagens de detergente em pó, medicamentos, gelatinas, cereais em pó ou em flocos, mistura para
bolos, caldos, biscoitos, cafés em pó, capas de livros

SUPER 6 QUARTZ Duplex Resistência de superfície, lisura, alvura 250 (demais gramaturas
e brancura na linha Super 6 Bulky)
Aplicações: idem

RIPASA
ROYAL Integral Revestido, com 100% de fibras virgens 250, 300, 350
Aplicações: embalagens de produtos alimentícios, cosméticos, higiene pessoal e perfumaria. Também para capas
de livros, cartões-postais e folhetos
ART PREMIUM Triplex Revestido, 65% de fibras virgens 250, 280, 330, 370, 410
Aplicações: idem
EXTRAKOT Duplex Revestido, 60% de fibras virgens 300, 350, 400, 450
Aplicações: as mesmas acima, mais embalagens de autopeças, brinquedos e calçados

PRINTKOT Duplex Revestido, 50% de fibras recicladas 250, 280, 330, 370, 410
Aplicações: embalagens de produtos alimentícios, brinquedos, calçados, farmacêuticos, higiene e limpeza
ECOPACK Duplex Revestido, 70% de fibras recicladas 230, 280, 330, 370, 410
Aplicações: embalagens de produtos alimentícios, brinquedos, calçados, farmacêuticos, higiene pessoal, têxteis e
laminações em microondulados
DUPLEX PACK Duplex Pardo, não revestido 250, 300
Aplicações: embalagens de produtos cosméticos, farmacêuticos e laminações em microondulado. Também para
pastas e capas de cadernos

ICECARD Duplex Revestido, com tratamento especial con- 300, 325, 350, 450
tra absorção lateral de umidade
Aplicações: embalagens de produtos alimentícios congelados e resfriados

PRINTKOT BARR Duplex Revestido, com tratamento especial que 370


retarda a penetração de óleos e gorduras
Aplicações: embalagens de produtos alimentícios e pet food

ROYAL BARR Triplex Idem 250


Aplicações: embalagens de pet food

34 – EMBALAGEMMARCA • mar 2001


20papéis 30/03/01 19:46 Page 35

PAPIRUS
PRODUTO TIPO CARACTERÍSTICAS GRAMATURAS (g/m2)
TBC B Triplex Composto por três camadas de fibras, com 230, 280, 330, 370, 420
forro branco, miolo marrom e suporte branco
Aplicações: embalagens de fast food, cosméticos, produtos de higiene pessoal, medicamentos, brinquedos, arti-
gos infantis, pilhas, chás, cigarros, chocolate, eletro-eletrônicos. Também cadernos, livros e álbuns fotográficos

DBF R Duplex Composto por três camadas de fibras, 210, 230, 250, 300, 350
com forro branco, miolo e suporte marrom
Aplicações: embalagens para bebidas (multipacks), displays promocionais, produtos de higiene e limpeza,
autopeças, calçados, sacolas, encartes e etiquetas têxteis
TBB B Triplex Composto por três camadas de fibras, com 230, 280, 330, 370, 420
forro branco, miolo marrom e suporte branco
Aplicações: cartelas blister e skin, embalagens de medicamentos, cosméticos, utensílios domésticos, pilhas e arti-
gos de cutelaria
TWR B Triplex Papel cartão com forro branco, miolo mar- 330, 370
rom e suporte banco
Aplicações: embalagens para produtos congelados (hambúrguer, pizza, pratos prontos), alimentos delivery e copos
DBC BULK Duplex Composto por três camadas de fibras, com 230, 280, 330, 370, 420
forro branco, miolo e suporte marrons
Aplicações: embalagens de gêneros alimentícios, farmacêuticos, cosméticos, produtos de higiene e limpeza, brin-
quedos, autopeças, calçados, papelaria, displays e peças promocionais
20hispack 30/03/01 20:09 Page 40

Feira

FOTOS: DIVULGAÇÃO
VALE A Auto-adesivos crescem 20% ao ano
Uma tecnologia de segurança com
enorme potencial, mostrada na feira,
Rótulo impresso

PENA IR
pela Germark,
foi a de aplicação de RFID (iniciais da com caracteres
expressão em inglês Radio Fre- em Braille
quency Identification) em etiquetas
Feira internacional é um
auto-adesivas impressas em bobi-
observatório de tendências nas. Segundo Iban Cid Juncosa, dire-
Por Wilson Palhares, de Barcelona tor geral da Germark, empresa líder

EMBALAGEMMARCA mostra aqui alguns no fornecimento desses rótulos na

produtos e serviços apresentados na Espanha, a procura por eles tem sido

11ª edição do Salão Internacional da muito grande. Lá como aqui, o pro-

Embalagem e do Acondicionamento blema é o preço. “Uma etiqueta com

– Hispack 2001, realizado de 5 a 9 RF (Radio-Freqüência), simplesmente auto-adesivos registra forte cresci-

de março em Barcelona, na Espa- antifurto, custa 5 pesetas (US$ mento na Espanha: 20% ao ano, em

nha, e propõe uma discussão sobre 0,025), enquanto uma com RFID cus- média, nos últimos cinco anos. Nes-

feiras de negócios. Prevalece hoje ta 1 dólar”, ele compara. O diretor ge- se crescimento se incluem, embora

uma dúvida em relação à participa- ral da Germark acredita que “não ha- com peso menor, rótulos impressos

ção em tais eventos, sobretudo verá aplicações comerciais para com caracteres em Braille, como o

quando se realizam em outros paí- RFID enquanto os fabricantes de pro- PX (Don Pedro Ximenez), lançados

ses, que se resume mais ou menos dutos, as empresas de logística e o pela Germark.

assim: “Se a economia está globali- varejo não chegarem a um acordo “Os nichos são um bom campo para

zada, as novidades e os avanços quanto à divisão de custos”. os auto-adesivos”, lembra o diretor

lançados num país chegarão pratica- A diferença básica entre os dois sis- geral da empresa, que acumula tam-

mente juntos a todos eles”. temas é que o RFID aceita dados va- bém os cargos de presidente da An-

Não é assim. Por mais que a econo- riáveis e possibilita, por exemplo, fa- fec, a associação nacional espanhola

mia esteja concentrada em poucas zer o check-out de um carrinho de de convertedores de etiquetas, e de

empresas em alguns setores, a con- compras numa única operação, ou vice-presidente em exercício da Finat,

corrência continua a existir. E nin- conferir a carga inteira de um cami- a entidade mundial representativa do

guém consegue se auto-abastecer nhão também de uma só vez. setor. Sid assumiu em fevereiro em

em todos os implementos e serviços Independentemente da implantação conseqüência da renúncia do presi-

necessários. Tanto é assim que não dessa tecnologia, que traz embutida dente, o francês Charles Bernard, que

se houve falar de feiras que não incríveis possibilidades em termos se desligou do segmento.

cresçam a cada edição. Isso aconte- de logística, segurança e administra- 34 934 75 14 00


ce porque a criatividade nos negó- ção de estoques, o segmento de infogk@germark.com
cios é interminável, e dela nascem
novos produtos, serviços, tecnologias Para abrir garrafas sem saca-rolhas
– e empresas.
Não importa a periodicidade às ve- A empresa francesa Les Bouchages dronizadas, lembra o acabamento tipo
zes curta, a similaridade temática Delage apresentou dois tipos de tam- Califórnia ( ou “flange”) das garrafas
com outras, muitas vezes próximas pas de cortiça com acabamentos que de vinho. O acabamento é feito em re-
no tempo e até na geografia, as fei- dispensam o uso de saca-rolhas na levo, podendo ter ou não aplicação de
ras de negócios são observatórios de abertura de garrafas de vinho. São as detalhes metálicos em hot-stamping. A
tendências futuras. A Hispack 2001, tampas Cabeça Lisa e Califórnia. A empresa fornece em medidas e cores
uma dessas, tornou-se a feira líder primeira, quando aplicada, harmoniza- especiais, sob encomenda.
do setor no país por ser uma fonte se com a boca da garrafa standard. A 33 (0) 5 45 36 38 40
de informação, um termômetro da outra, também aplicável a garrafas pa- bouchages.delage@wanadoo.fr
atividade e um ponto de encontro a
que não se pode faltar. “Desde sua
primeira edição, o salão é um ponto

40 – EMBALAGEMMARCA • mar 2001


20hispack 30/03/01 20:09 Page 41

Feira
de referência para o setor”, diz Mi- Solução médica
guel Heredia Lafita, presidente da Mais conhecida por seus produtos e
Hispack 2001. sistemas para o mercado de alimen-
Este ano a feira abrigou, em 48 000 tos, a Convenience Food Systems
metros quadrados de área de expo- focou esforços na divulgação do
sição, 785 estandes de 2 188 em- sistema Tiromat para embalar pro-
presas espanholas e de outros paí- dutos médicos e hospitalares com
ses, visitados por 36 783 visitantes, segurança. O Tiromat – também
3 301 deles estrangeiros. São visitas usado para alimentos – consiste
efetivas, já que a contagem é feita numa solução integrada que utiliza
apenas pelos formulários preenchi- máquinas form, fill & seal (FFS) para
dos pelos visitantes. O crescimento
da visitação este ano foi de 15,96%
Numa só fornada produzir blisters e outras formas de

O mercado de produtos panificados embalagens a partir de chapas dos


em relação à edição anterior, obser- mais diversos materiais. Periféricos
pede cada vez mais agilidade em suas
vando-se entre os estrangeiros a podem ser acoplados às máquinas,
linhas de embalagem. Entre as empre-
presença de 10% procedentes de para imprimir, codificar e inspecio-
sas que viabilizam soluções para esse
países latino-americanos. nar as embalagens num só ciclo, ga-
mercado, a produtora de máquinas
A participação brasileira foi ínfima, rantindo a esterilização dos produ-
Hartmann mostrou sistemas que inte-
segundo a Fira de Barcelona, que tos até a abertura da embalagem.
gram o acondicionamento dos produ-
organizou o evento, com apoio da (19) 3232-3636 – CFS Brasil
tos em sacos tipo wicket e fecham as
Graphispack, a associação espa-
embalagens com clipes plásticos. A em-
nhola de artes gráficas, embalagem
presa também fornece uma série de
e promoção em ponto-de-venda. É
equipamentos para fatiamento e unida-
outro aspecto para refletir. Se visitar
des só de fechamento dos saquinhos.
feiras é importante para informar-se
www.ghd.net / mailto@ghd.net
sobre novidades e para antecipar
tendências, ir a eventos europeus Ao gosto do cliente
talvez seja tão fundamental quanto Clara prova de que a sofisticação não
estar presente nos americanos ou está apenas nas coisas ditas “moder-
japoneses. Afinal, o volume de negó- nas”, como materiais sintéticos de últi-
cios externos realizado pelo Brasil ma geração, são as caixas de madeira
com países do Velho Continente trabalhada da marca L’Estoig, da Sha-
vem tendo aumentada sua já signifi- lom Taller. Próprias para o acondicio-
cativa expressão. namento de produtos como perfumes, Para serem vistos
Se necessário resumir em uma frase jóias e canetas, entre outros, as emba-
Ligada na competitividade crescente
a opinião sobre o evento, do ponto lagens são fabricadas ao gosto do
no mercado de alimentos, a Blibox
de vista brasileiro, pode-se dizer que cliente, que pode escolher o tipo de
Pack apresentou uma série de op-
ali havia oportunidades de negócios madeira, os acessórios e a decoração
ções para acondicionamento em ban-
para quem quer exportar, sobretudo mais adequada.
dejas e potes termoformados, com
máquinas de médio e pequeno por- 34 97 322-1788
variadas opções de decoração e de
te, e para quem quer nomear repre- www.paeria.es / shalom@paeria.es
desenhos. Entre o que foi apresenta-
sentantes para a Europa ou tornar-
do, destaque para o expositor “sanfo-
se um, de empresas espanholas,
nado” para frios e especialidades, que
aqui. Não foi possível obter a opinião
aumenta a visualização dos produtos
de autoridades que representassem
no ponto-de-venda.
os interesses comerciais do Brasil
blibox@abaforum.es
no evento, pois não havia nele regis-
34 93 770-4160
tro da presença de uma sequer.
Para um país cujo governo diz ser
prioritário incrementar as exporta-
ções, é uma ausência eloqüente.

mar 2001 • EMBALAGEMMARCA – 41


20hispack 30/03/01 20:09 Page 42

Feira

BOAS IDÉIAS Cinto inviolável


Para otimizar processos de expedição,
Em outro aspecto, a Hispack 2001
a Tesa, divisão do grupo Beiersdorf,
pode ser vista como uma fonte de
mostrou tesa 64007, cinta inviolável
idéias a adaptar em feiras similares
para caixas de transporte. Aplicada
aqui. O salão apresenta três iniciati-
como as fitas adesivas normais, em pro-
vas destinadas a estimular o desen-
cessos automáticos ou manuais, ela dei-
volvimento, os negócios e a cultura
xa impressa na embalagem um alerta
da embalagem no país.
de que foi violada quando é retirada
• Paralelamente ao evento, são rea-
pela primeira vez. O aviso permanece
lizadas conferências técnicas, entre Em suspensão visível mesmo que se tente colar a mes-
elas uma jornada dirigida a univer- Para potencializar a proteção de pro-
ma cinta no local. Tal “cinto de seguran-
sitários de toda a Espanha que este- dutos no transporte, a Sealed Air criou
ça” para embalagens promete incremen-
jam fazendo cursos de alguma forma a Korrvu, marca patenteada para suas
tar vendas e reduzir furtos e custos com
ligados à cadeia de embalagem. O embalagens em suspensão. A idéia é
assegurar a conservação do estado de
manipulação, seguros e reposições.
objetivo final é integrar os futuros
produtos frágeis ou de alto valor man- www.tesa.com
profissionais com o setor. A participa-
tendo-os “flutuando” em envoltórios tesa.ind@argentona.beiesdorf.com
ção é gratuita.
elásticos (filmes plásticos), organiza-
• Em todas as edições da Hispack
dos dentro de caixas de papelão ondu-
um júri composto por representantes
lado. O segredo da Korrvu é que o fil-
de diferentes segmentos do setor de
me tem resistência e aderência que
embalagem concede o prêmio Lider-
impedem danos aos produtos mesmo
pack (Concurso Nacional de Líderes em situações críticas. Ademais, a
da Embalagem e do Acondiciona- Korrvu permite a exposição direta dos
mento), com o objetivo de contribuir objetos transportados.
para a promoção do setor e da área 34 93 773-8325
de materiais promocionais no ponto-
de-venda. Além de diferentes catego- Força da fibra
rias nessas duas áreas, o Liderpack Em logística, chamaram a atenção os
contempla o “Design Jovem” e qua- paletes “monopeça” da Inka Palet, fa-
tro prêmios especiais (meio ambien- bricados a partir de uma combinação
te, institucional, meio de comunica- de fibras de madeira e resinas sintéticas
ção e protagonista). No total, são en- moldadas a alta temperatura e pressão.
tregues menos de trinta troféus, em Por terem encaixe perfeito e serem em-
cerimônia sem delongas. A Hispack pilháveis, reduzem espaço no armaze-
patrocina a inscrição dos ganhadores namento – é possível empilhar até seten-
no concurso internacional de embala- ta unidades ocupando 2 metros de altu-
gem World Stars for Packaging, da ra. Além disso, são esterilizados contra
WPO – World Packaging Association. microorganismos e permitidos para ex-
• A Hispack 2001 organizou a mos- portações a diversos países. A capaci-
tra 6 Coleções, terceira da série dade do palete é de 1 250 quilos.
“Pack: História, Memória e Cultura da 34 97 284-0194
Embalagem”. Partindo da constata- www.inka-palet.es / info@inka-palet.es
ção da importância do hábito de cole-
cionar embalagens, quase sempre Tambores compactados
iniciativa de pessoas ou entidades O representante da empresa belga Blagden Packaging apresentou um interes-
privadas, a exposição dividiu-se em sante equipamento de logística: tambores de aço de 200 litros, compactados.
seis âmbitos, referentes a seis cole- Impressos em litografia pelo sistema off-set, em até seis cores, são enfarda-
ções: tabacaria, farmácia, vinhos, dos de modo a caberem 140 unidades em cada palete. Dessa forma, num ca-
anis, laranja e perfumaria e cosméti- minhão cabem 3 080 tambores (22 paletes), em vez de 200, como é habitual.
cos. A mostra é reproduzida no livro Nas empresas usuárias, equipamentos instalados em comodato montam os
Seis Colecciones, de 84 páginas. tambores no formato final. O sistema é patenteado.
34 93 776 69 00 / saladrigas@femba.com

42 – EMBALAGEMMARCA • mar 2001


20brasilplast 30/03/01 20:27 Page 42

Feira
Resinas produtivas
PLÁSTICO A OPP Petroquímica utilizou a feira
para fazer a première de algumas

EM ALTA novidades em resinas termoplásticas,


algumas pertinentes ao mercado de
embalagens. Entre elas, o Norvic
Brasilplast reúne CS50/15SB, copolímero para calan-
tecnologia e integra o setor dragem de PVC, que pode ser em-
Por Guilherme Kamio pregado com vantagens em lamina-
dos rígidos para embalagem, segun- pro de frascos para óleos lubrifican-
Investir em tecnologias de ponta e
do o gerente de produtos e serviços tes, cosméticos e alimentos. As van-
dinamizar o relacionamento com to-
da unidade de PVC/Cloro-Soda da tagens desta última, brandidas por
dos os elos da cadeia, para melhorar
OPP, Luciano Nunes. Na área de po- Luís Fernando Cassinelli, gerente de
a produtividade e garantir qualidade
lipropileno, o destaque fica com o produtos e serviços da OPP, “são a
e capacidade para atender a novos
novo CP 191, direcionado à fabrica- resistência ao stress com alta rigidez,
movimentos de mercado. Estas pa-
ção de potes de alimentos e tampas que proporciona melhor armazena-
recem ser as maiores preocupações
para embalagens de sorvetes no pro- mento dos produtos, e a ausência de
da indústria de plásticos no Brasil,
cesso de injeção de ciclo rápido. Já a odores, não transferindo gosto aos
sensação reforçada pela movimenta-
resina HB 0454 HR, um polietileno alimentos”.
ção que ocorreu durante a 8ª edição
de alta densidade, é dedicada ao so- (11) 3443-9621 / www.opp.com.br
da Brasilplast – Feira Internacional
da Indústria do Plástico, que aconte-
ceu de 5 a 10 de março no Pavilhão
Tampografia em até três cores
de Exposições do Anhembi, em São Novas impressoras tampográficas foram
Paulo, e atraiu cerca de 57 000 visi- o destaque da Oscar Flues. A empresa
tantes. apresentou vários lançamentos, como a
Com as previsões otimistas de prati- Printflex 70 JR, que utiliza tinteiro com
camente todos os mercados consu- copo selado, o que evita a evaporação
midores para 2001, baseadas na re- e o ressecamento da tinta utilizada no
cuperação da renda média do brasi- processo de impressão. “Com isto ela
leiro e num fortalecimento econômi- se torna econômica e segura, pois não
co em âmbito geral, espera-se que a há evaporação de solventes no ambien-
demanda pelos plásticos só venha a te de trabalho”, explica Elizangela Mar-
aumentar, nas mais diversas ativida- tins, assistente da diretoria. Outros lan-
des industriais. Não só para produ- çamentos são as impressoras automáti-
tos de giro rápido, mas também para cas CS 100 JR, que permitem impres-
os de alto valor agregado. Aliás, o são bicolor, e as da série CS 200, que
ano passado já deu fortes indícios podem imprimir em até três cores.
desse esperado aquecimento. O fa- (11) 5514-6900
turamento do setor de transformação oscar.flues@uol.com.br
de plásticos cresceu 12,4% sobre
1999, chegando a 9,93 bilhões de
dólares, de acordo com os levanta-
Solda contínua para flexíveis
mentos da Abiplast – Associação Para a fabricação de embalagens flexíveis com solda no dorso, como as de

Brasileira da Indústria do Plástico. café ou erva-mate, a Maqplas lançou na Brasilplast a Pouch Light LGH 400.

Merheg Cachum, presidente da enti- A máquina propicia solda contínua, o que, segundo a empresa, proporciona

dade, prevê para este ano um cres- eficiência e qualidade de solda superior à feita de forma intermitente. Já

cimento de 10% no volume de pro- para atender à crescente demanda por embalagens tipo stand-up pouch, a
empresa lançou o Stand Up Shape, um equipamento com nova estrutura e
FOTOS: DIVULGAÇÃO

dução, que bateu na casa das 3,78


milhões de toneladas em 2000. totalmente modular que possibilita a fabricação dessas embalagens auto-

Mais que aguardar as boas perspec- estáveis.


(11) 3686-6198 / maqplas@maqplas.com.br

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20brasilplast 30/03/01 20:28 Page 43

Feira
tivas do consumo interno, o setor Nova geração brasileira
plástico também sabe que é preciso
se afinar com a intenção do governo A Rhodia-ster lançou na Brasilplast gerado no processo. Ou seja, a cadên-
de exportar mais. Nesse sentido, a sua mais nova marca de produtos, ba- cia do sopro das embalagens se man-
contribuição dos produtos transfor- tizada como Tecna. Ela será a chance- tém na capacidade máxima, enquanto
mados tem sido crescente. A Abi- la para resinas PET de uma nova gera- a potência do forno diminui. “De um
plast registrou aumento de 18,68% ção, “que trarão como aspecto primor- lado aumenta a produtividade, de ou-
em exportações do setor de 1999 dial significativas inovações tecnológi- tro reduz os custos”, argumenta Gui-
para 2000, um pulo de 428 milhões cas”, de acordo com Leandro Fraga marães, garantindo que “o ganho total
de dólares para 508 milhões de dó- Guimarães, gerente de marketing da é de no mínimo 30 dólares por tonela-
lares em faturamento. empresa. O primeiro produto dessa da de resina”.
Os números da Brasilplast também nova família, apresentado oficialmente Segundo Guimarães, além da natural
evidenciam o potencial de evolução durante a feira, é a resina S80SP, de- presença no mercado de refrigerantes,
da indústria plástica no país. Dos senvolvida no Brasil após três anos de espera-se que a S80SP também cative
1 057 expositores, 512 eram empre- pesquisa e pesados investimentos. os produtores de óleos comestíveis,
sas internacionais, de 32 países di- Segundo Guimarães, ela oferece van- águas minerais, condimentos e de hi-
ferentes. A Itália, por exemplo, atra- tagens claras no processo de sopro, giene e limpeza, por dois fatores. Pelo
vés da Assocomaplast, associação como aumento de produtividade de baixo teor de acetaldeído – o que não
de classe dos fabricantes de equi- 10% a 20% em relação aos grades con- altera o sabor dos produtos – e pela
pamentos para plásticos, ocupou vencionais, a redução no consumo de flexibilidade no trabalho com frascos e
uma área de 700 metros quadrados energia no forno da sopradora em até garrafas com design diferenciado.
na feira, onde estavam representa- 25%, facilidade nos ajustes (setup) das (11) 5502-1411
das, direta ou indiretamente, mais máquinas e baixo volume de refugo leandro.guimaraes@rhodia-ster.com.br
de cem empresas. Tal investimento
se justifica: o Brasil é o principal Novos grades de polipropileno
destino das exportações italianas de Seis novos grades da linha Prolen de polipropilenos foram mostrados pela Poli-
máquinas para plástico na América brasil. Entre os dedicados a embalagens estão o Prolen PMT 6970, para a fabri-
do Sul – as compras brasileiras em cação de baldes, caixas para hortifrutícolas e contêineres, o Prolen XM 6156 K,
2000 renderam mais de 38 milhões que proporciona tampas flip-top com maior maciez na abertura, o Prolen PMT
de dólares na balança comercial ita- 6190, desenvolvido para o segmento de extrusão/compressão de tampas para
liana, fazendo do país da bota o bebidas carbonatadas, e o Prolen PF 6140, para o mercado de filmes.
maior exportador de máquinas para (11) 4478-2051 / claudio.marcondes@polibrasil.com.br
a indústria nacional. Estiveram tam-
bém presentes na feira, com desta- Para estruturas compostas
que, empresas de Portugal e da
Divisão de especialidades do grupo pe-
Áustria, entre outros países.
troquímico Totalfina Elf, a Atofina mos-
Tanto por parte desses expositores
trou na Brasilplast sua nova linha de
internacionais, como dos 545 nacio-
adesivos para coextrusão, a Orevac
nais, a embalagem foi presença
PE, encontrada em quatro grades e vol-
marcante. Não poderia ser dife-
tada à produção de filmes multicamada
rente, pois a transformação de em-
e embalagens rígidas para alimentos.
balagens é mercado vital para o se-
“O papel do Orevac nessas estruturas
tor plástico. Boa parte dos 75 000
compostas de embalagens é garantir Enso para fechamento de potes de po-
metros quadrados do pavilhão des-
coesão entre a camada de barreira ao liestireno, polietileno, papelcartão ou
tacou novidades em resinas, pig-
oxigênio, geralmente uma poliamida polipropileno. Trata-se de uma membra-
mentos, serviços e equipamentos
ou EVOH, e as camadas de polietileno, na multicamada, cuja composição não
para extrusão, sopro, injeção e im-
que conferem as propriedades de sol- leva alumínio, e na qual a Atofina parti-
pressão de embalagens. “O desen-
da, rigidez e impermeabilidade”, expli- cipa através de seu copolímero Lotryl,
volvimento de embalagens me-
ca Sophie Guillot, relações-públicas da que serve como camada de selagem
lhores passa obrigatoriamente por
empresa. A empresa também esteve da tampa.
eventos como este”, diz Leandro
mostrando o Ensolid, desenvolvimento (11) 5051-0622
da empresa finlandesa de papéis Stora wilson.honda@atofina.com

mar 2001 • EMBALAGEMMARCA – 43


20brasilplast 30/03/01 20:28 Page 44

Feira
Fraga Guimarães, gerente de mar- Aditivos cheirosos
keting da Rhodia-ster.
A divisão de masterbatches da Cla-
A anteriormente citada necessidade
riant mostrou na feira masterbatches
de trazer à embalagem nacional o
com fragrâncias e aromas, como cou-
que há de mais moderno em termos
ro e morango. Segundo o gerente co-
mundiais pode ser medida pelo ba-
mercial da divisão, Walter Esmereles,
lanço feito ao final da feira. Nas má-
tais produtos estão sendo desenvolvi-
quinas injetoras, extrusoras e sopra-
dos localmente e são mais uma arma
doras, houve aumento de cerca de
para “se diferenciar da concorrência”.
60% das vendas em relação à últi-
Outro destaque da Clariant, apresen-
ma edição da feira, em 1999. Sinal
tado em primeira mão no Brasil, foi a
de que o parque industrial está sen-
do renovado, condição para susten-
linha de masterbatches Splash, que O plástico sumiu
conferem à resina efeitos especiais,
tar o esperado crescimento econô- Um produto que chamou a atenção
como rugosidade, aparência de már-
mico e a garantia de condições ade- durante demonstrações na feira foi
more, de madeira e outros. E esses
quadas para a exportação de produ- o filme plástico Claria. Fabricado
implementos visuais nas peças injeta-
tos com qualidade de ponta. com base em PVA pela japonesa
das, para atrair a atenção do consumi-
Nas outras áreas, a percepção de Kuraray, o filme é totalmente solú-
dor, não implicam em investimentos,
evolução da transformação de plás-
segundo Esmereles. “Os transforma- vel em água, se desintegrando pou-
ticos também foi latente. Os lança-
dores de plásticos podem continuar a co tempo após o contato. Destina-
mentos em resinas e sistemas de
utilizar os equipamentos de injeção e do a aplicações em embalagens de
impressão tiveram a marca do au-
moldagem que já possuem.” agroquímicos, defensivos agríco-
mento de produtividade, sob as pro-
(11) 3613 4800 las, hospitais, lavanderias, deter-
messas da diminuição de perdas e
masterbatches.brazil@clariant.com gentes e aberto a novos usos, o
de consumo energético nos proces-
Claria possui propriedades de bar-
sos. Já o campo dos aditivos para
reira, é antiestático e tem resistên-
plásticos, além desses pontos, bus-
cia mecânica e térmica, segundo
cou ressaltar a diferenciação, aspec-
Oliver Venezia, da Intermarketing
to observado principalmente na área
Brasil, empresa que está trazendo o
de masterbatches e pigmentos para
filme para o país.
transformação. “Nossos clientes es-
(11) 4195-4188
tão sempre buscando se diferenciar
ddinucci@intermarketingbra-
da concorrência”, afirma Walter Es-
sil.com.br
mereles, gerente comercial da divi-
são de masterbatches da Clariant.
Segundo a Alcantara Machado, or- Recolhimento conveniente
ganizadora do evento, a Brasilplast
Para embalagens flexíveis do tipo “wi- das pelos pinos wicket, “o que a dife-
já é a terceira feira mundial em sua
cketer”, a Hudson-Sharp está fabrican- rencia das demais máquinas de corte e
categoria, e a maior do hemisfério
do no país a MS 750W, máquina de solda”, segundo Simone Mendes, assis-
sul. “É uma feira onde realmente se
corte e solda que permite a produção tente executiva da Hudson-Sharp. O
fecham negócios”, comemora Guido
de saquinhos em diversos tamanhos – material da embalagem pode ser PEBD,
Pelizzari, diretor geral da Sandretto,
até 343 x 711 mm. A principal carac- PEBDL, PEAD e coextrudados – para
comerciante de máquinas injetoras.
terística da MS 750W é que assim que trabalhar com polipropileno são neces-
Mais do que a venda direta, há tam-
as embalagens são processadas (numa sárias algumas modificações opcionais.
bém o caráter de evento de oportu-
velocidade de até 280 embalagens por sales@hudsonsharp.com
nidades que a feira proporciona.
minuto), elas são recolhidas e empilha- (11) 5181-7935
“Além do faturamento durante o
evento, as empresas estão aqui
para fazer contatos para negócios
futuros”, salienta o diretor da Brasil-
plast, Evaristo Nascimento.

44 – EMBALAGEMMARCA • mar 2001


20brasilplast 30/03/01 20:28 Page 45

Feira

Corte limpo Moldes com troca rápida


Especializada na fabricação de moldes corpo interno com a cavidade deseja-
A Tidland lançou na Brasilplast o
para sopro e injeção de plásticos, a da, produz amostras reais. Isso facilita
sistema MSP de corte longitudi-
Moltec apresentou uma tecnologia de o lançamento de produtos em frascos
nal. Desenvolvido para cortar la-
troca rápida para moldes piloto para ex- plásticos, por dinamizar o desenvolvi-
minados, plásticos e papéis, o
trusão-sopro. O sistema, composto de mento e a definição da embalagem.
sistema consiste em um suporte
um corpo externo padrão que acopla o (11) 5523-4011 / mkt@moltec.com.br
pneumático adaptável a qualquer
máquina rebobinadeira ou corta-
deira. De acordo com Marcos Mi-
randa, gerente regional da em-
presa, as vantagens apresenta-
das pela máquina são a redução
de tempo no seu manuseio,
maior controle e precisão no cor-
te e maior vida útil da faca.
“Além disso”, diz Miranda, “a
máquina reduz a incidência de pó
em 80% no momento do corte,
garantia que outras máquinas
não dão”.
(11) 227-6566
tidland@tidland.com.br

EM20
20brasilplast 30/03/01 20:29 Page 46

Feira
Injetoras precisas e modulares PS e PE novos
Baseada na premissa de que com a são altamente precisas, têm baixo con- O Styron A-Tech 1250, poliestireno
globalização é preciso oferecer qualida- sumo energético e grande modularida- de alto impacto para embalagens de
de indiscutível em mercados competi- de de conjuntos”. Esta última caracte- alimentos, foi lançado pela Dow
tivos, a Sandretto, controlada pelo gru- rística, atenta Pelizzari, traz o diferen- Química no evento. Produzido nas
po italiano Cannon, lançou na feira a cial da alta flexibilidade, que permite fábricas da Dow no Brasil e na Co-
série SB Uno de máquinas para inje- melhor adequação aos processos com lômbia, o produto é adequado a em-
ção. Segundo Guido Pelizzari, diretor diferentes materiais plásticos. Outro balagens descartáveis em geral, co-
geral da empresa, “as novas injetoras ponto forte da SB Uno, de acordo com pos e bandejas termoformadas, as-
o diretor da empresa, é a unidade de sim como para chapas utilizadas no
controle sef 2000, que alia dois proces- processo de form, fill & seal (FFS).
sadores (um da Intel e outro da Motoro- “As vantagens do Styron A-Tech
la) a um software de controle desenvol- 1250 são significativas, uma vez
vido pela própria Sandretto. que a resina permite a fabricação
(11) 4655-3444 de embalagens com espessuras e
sales@sandretto.com.br peso mais baixos sem a perda de
tenacidade”, afirma Fernando Rodri-
Sopro flexível também para multicamadas guez, gerente de marketing e ven-
Para o mercado de bebidas, a Krones com 6, 8, 10, 13, 16, 20 ou 24 esta- das da Dow para a América Latina.
lançou a Contiform, sopradora que ções de sopro, o que permite produ- Na área de polietilenos, a Dow lan-
apresenta um conceito inovador: o car- ções entre 7 200 e 28 800 garrafas çou oficialmente a Dowlex NG 2085-
rossel de aquecimento e de sopro es- por hora. Ela produz tanto garrafas B, resina multiuso que atende a re-
tão posicionados um sobre o outro e one-way como retornáveis, em diver- quisitos de alto brilho da embala-
unidos por uma estrela de transferência sos formatos, podendo inclusive traba- gem, além de proporcionar qualida-
vertical. A máquina pode ser fornecida lhar com pré-formas multicamadas. de de impressão e outras caracte-
Todos os parâmetros são ajustados rísticas da família Dowlex, tais
numa interface touch-screen (tela sen- como resistência à perfuração, ve-
sível ao toque), e podem ser modifica- locidade de máquina e selagem efi-
dos durante a produção. Uma vez oti- ciente. Outra novidade na área de
mizados e gravados, os programas PE é a resina 35060L, utilizada para
podem ser selecionados a qualquer a produção de frascos soprados
momento no painel de comando. com maior resistência ao empilha-
(11) 4075-9504 mento.
marketing@krones.com.br (11) 5188-9000 / www.dow.com

Bandejas para pratos prontos e resina para garrafões


Para o cada vez maior mercado de no segmento de pratos prontos conge-
embalagens retornáveis de vinte litros lados nos Estados Unidos por terem de-
para águas minerais, a Eastman apre- sempenho superior às bandejas simila-
sentou a resina PJ002, que apresenta res com base no polipropileno”.
vantagens de produtividade nos pro- (11) 5506-9989
cessos por sopro. Já na divisão de es- www.eastman.com
pecialidades, a empresa anunciou o re-
forço na comercialização das bande-
jas termoformadas em C-PET para ali-
mentos VersaTray, que podem ir ao mi-
croondas ou ao freezer. Segundo
George Huber, gerente de comunica-
ções com o mercado para a América
Latina da Eastman, “a VersaTray já
está sendo utilizada em larga escala

46 – EMBALAGEMMARCA • mar 2001


20display 02/04/01 12:52 Page 1

Display
CORES E TEMAS NOS
OVOS DE PÁSCOA
DA VISCONTI

Gran Páscoa em lata e cartucho


Além dos tradicionais ovos de choco- chocolate. As duas versões podem
late, a Bauducco preparou algumas ser encontradas em lata de 500g, da
outras novidades para essa Páscoa. Metalgráfica Itaquá, em cartucho de
Uma opção é o kit que traz um Gran 500g e 750g ou, ainda, em cartu-
Páscoa Frutas de 500g e um ovo chos de 90g, ambos impressos pela
Clássico com 240g em uma embala- Brasilgráfica. O design da lata que
gem decorada pela Headeasing e acomoda o Gran Páscoa com frutas
impressa pela Lanzara. Outra opção é da A10 design e o da lata do Gran
oferecida pela empresa é o Gran Páscoa com gotas de chocolate da
Páscoa com frutas ou com gotas de Oz Design.

PLÁSTICO PARA QUEM NÃO É MAIS CRIANÇA


Querendo mostrar que a Páscoa não é
MÔNICA ZANON

somente para as crianças, a Brahma


está lançando uma edição limitada de
500 mil ovos recheados com...
cerveja. O ovo, na verdade um reci-
piente plástico fornecido pela Ingecom,
também serve para gelar o “recheio” –
seis latinhas de 350 ml. Balões da
campanha “Refresca até pensamento”
decoram o papel de presente, da Con-
A Visconti está preparando ovos verplast, que envolve o ovo.
de Páscoa com temas diversifica-
dos, a fim de atingir todas as ida- Arcor reformula visual de candies
des. Para as crianças, a marca Os confeitos Rocklets, da Arcor, ganha-
aposta em ovos de chocolate ao ram a versão chocolate branco e novo
leite de 200g com o tema Sandy design para as embalagens. O visual
& Júnior, que trazem pulseiras e foi desenvolvido pelo departamento de
pingentes como brinde. O Ovo design da Arcor Argentina, que man-
Belle Epoque, de 400g, vem em teve a identidade moderna e jovem do
embalagem alusiva à obra do pin- produto.
tor francês Toulouse Lautrec, As flow-packs, em BOPP, são fabri-
enquanto o Ovo com Trufas de cadas na Arcor Flexíveis, unidade de
280g é embalado em filmes trans- embalagem da matriz argentina.
parentes e dourados. As embala- Também reformulada, a linha de piruli-
gens das linhas tradicionais tam- tos Mister Pop’s traz novo pote dois-
bém foram alteradas, apresentan- em-um, importado da Argentina, que
do cores mais alegres. serve como display no ponto-de-venda.
Todas as embalagens são em
FOTOS: DIVULGAÇÃO

Para isso, o pote acompanha um aro,


BOPP, fornecidas pela Conver- onde são espetados os pirulitos. O
plast e com design da Crew Co- rótulo, fornecido pela Mack Color, foi
municação. desenhado internamente pela Arcor.

46 – EMBALAGEMMARCA • mar 2001


20display 02/04/01 12:52 Page 2

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Display 1
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P
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e
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B
Pernalonga e sua turma viram chiclete s
A Adams, divisão da Warner-Lambert, está es- a
tampando nas embalagens dos chicletes Ping b
Pong os personagens Looney Tunes (no Brasil, b
Turma do Pernalonga). Eles também estão nas v
figurinhas que acompanham o produto, e sua o
escolha se deve ao enorme conhecimento e à r
receptividade por parte das crianças e c
de muitos adultos, como foi comprova- g
do em pesquisas realizadas pela Adams e s
pela Warner Bros. As embalagens, fornecidas S
pela Inapel, têm design da Adag.
C
SOFISTICAÇÃO EM PAPEL METALIZADO
A modernidade Viva! é a nova fragrância dos sabonetes
é vermelha Vinólia, da Unilever, desen-
volvida especialmente para
O snack Pingo D’ouro, da Elma as mulheres. Sua embala-
Chips, mudou de cara após qua- gem de papel metalizado, cri-
se trinta anos com a mesma em- ada pela R234 e fornecida
balagem. O marrom da antiga pela Toga, apresenta sofistica-
apresentação foi substituído pelo ção e combina flores delicadas a
vermelho. A Pantani, agência cores vibrantes em tons de rosa, amarelo e lilás.
responsável pelo design, tam-
bém modernizou o logo, manten-
m
A
do a cor marrom em sua elipse
d
fo
para criar uma ligação com a an- O segredo das d
p
tiga embalagem. Os saquinhos
são impressos pela Itap e têm
saladas em sachês N
s
m

estrutura em BOPP, com acaba- A Knorr está lançando em São Pau-


mento metalizado. lo um novo tempero para saladas. É
o Segredo da Salada, um tempero
em pó para ser misturado a uma co-
lher de vinagre e azeite. A novidade
Alumínio para a Belco chega às prateleiras em sachês de
8g, fabricados pela Embalagens Fle-
A Cervejaria Belco lançou sua cerveja
sem álcool, em latas de alumínio forneci- xíveis Diadema, e com visual desen-
das pela Latasa, com design da Con- volvido pela Mazz Design. Os sabo-
cept Planejamento em Marketing e Co- res são alho e salsa, tomate seco,
municação. A Belco amplia, assim, sua cebola e salsa e italianos.
linha de produtos, a ser completada em
breve com uma água mineral.
O lançamento faz parte de uma série
de iniciativas da Belco para fixar sua
marca e ganhar mercado. No último
ano, a empresa remodelou a imagem
da linha de refrigerantes e investiu na n
FOTOS: DIVULGAÇÃO

construção da Belco NE (em Cabo, PE). c


Com suas duas unidades em operação
completa (a outra é em São Manuel,
SP), a Belco terá capacidade anual de
envase de 7,5 milhões de hectolitros.

mar 2001 • EMBALAGEMMARCA – 47


20panorama 30/03/01 18:15 Page 48

Panorama

Regionalização reforçada
A Willett International cados sofisticados como
Ltd. está reforçando sua o Brasil a natureza do
presença na América do negócio de codificação
Sul. Em meados de mar- está mudando”, diz Wil-
ço, Allan Willett, funda- lett. “Como o futuro está
dor da empresa, visitou nos serviços oferecidos
a filial brasileira, onde – tintas, softwares, tec-
reiterou a intenção de nologia –, pretendemos
que aqui sejam feitos os investir em inteligência,
Bandeira para atrair insumos consumíveis que tem maior valor

Como mais um imple- nhas promocionais, e fornecidos pela marca agregado e pode nos dar

mento para diferenciar o “pode ser multipágina, para toda a região. Se- uma vantagem competi-

produto no ponto-de-ven- permitindo a inserção de gundo ele, num primeiro tiva”, afirma. Ele citou

da, atraindo o olhar do dados sobre o produto momento a empresa pre- como exemplo dessa

consumidor, a Novelprint ou qualquer informação tende concentrar-se no tendência o software

está colocando no merca- que o fabricante dese- Mercosul, “um mercado Connector, lançado em

do a etiqueta Flag, siste- jar”, diz Marques. Con- de grande potencial”, 2000, que foi desenvolvi-

ma auto-adesivo que ocu- feccionadas em papel ou para depois fortalecer do pela equipe de enge-

pa espaço aéreo nas gôn- filme plástico, com di- sua posição no restante nharia da Willett brasilei-

dolas, “sem interferir no versas cores e formatos, do subcontinente. ra e hoje é comercializa-

design da embalagem”, as etiquetas são forneci- A empresa, que afirma do no mundo todo. Do

ressalva Martin Mato Mar- das em rolo e a Novel- ser líder no mercado Brasil, o empresário par-

ques, gerente de desen- print desenvolve o siste- brasileiro de codificação tiu para Montevidéu, no

volvimento da Novelprint. ma de aplicação adequa- contínua, com cerca de Uruguai, para inaugurar

A Flag (bandeira, em in- do à linha de produção 40% de participação, um centro de distribui-

glês) também é dedicada do cliente. (11) 3768-4111 pretende abocanhar fa- ção de produtos Willet.

à divulgação de campa- www.novelprint.com.br tias da concorrência. (11) 4195-3261


“Achamos que em mer- www.willett.com

PLASTIVIDA MAIS DINÂMICA


A comissão Plastivida, da da.org.br. Promovendo
COMPRAS MAIS FÁCEIS
Abiquim – Associação maior dinamismo na na- Grande distribuidora de resi- chas técnicas de todos os
Brasileira da Indústria vegação, o novo site traz nas termoplásticas e insu- produtos, respostas às per-
Química, que estimula a informações abrangentes mos, a Activas reformulou to- guntas mais freqüentes (FAQ)
discussão da integração sobre plásticos, como le- talmente seu site. Além da e assistência técnica online.
dos plásticos com o meio gislação, dúvidas mais mudança visual, a empresa Os convertedores de embala-
ambiente, está com pági- freqüentes, publicações, também está fortalecendo gens plásticas podem aces-
na reformulada na Inter- etc. Na área de recicla- seu canal de e-commerce, sar a Activas na Internet atra-
net, em www.plastivi- gem, destaque para a re- através da disposição de fi- vés de www.activas.com.br.
lação dos recicladores
nacionais de plásticos,
com acesso por tipo de
plástico, região e siste-
mas para atualização
permanente. A página
ainda trará capítulos dire-
cionados a órgãos muni-
cipais, professores, estu-
dantes e jornalistas.

48 – EMBALAGEMMARCA • mar 2001


20panorama 30/03/01 18:15 Page 49

Panorama

Curso prático Design, muito mais que desenho


Para quem quer se apro- A Abre – Associação Brasileira de Em- Mestriner, coordenador do Comitê de
fundar no universo do de- balagem está lançando o primeiro Prê- Design da entidade.
senho de embalagens, a mio Abre de Design de Embalagem. O Prêmio Abre de Design de Embala-
Makron Books está lançan- Aberto a empresas usuárias e fabrican- gem segue uma tendência que se con-
do Design de Embalagem
tes de embalagens, a estúdios de de- solida local e mundialmente, que é a
– Curso Básico, escrito por
sign e a estudantes, o concurso está di- valorização dos produtos através do
Fabio Mestriner, designer e
vidido em várias categorias. uso de embalagens mais apropriadas.
diretor da agência Packing
Design. “É o primeiro livro Na principal, os traba- No Brasil, essa tendência
no Brasil e no mundo que lhos inscritos concorrem é expressa pelo
ensina a metodologia com- nas subcategorias volta- Programa Brasileiro de
pleta nesta técnica”, afirma o au- das a cada mercado es- Design, do Ministério do
tor. Voltado principalmente a estu- pecífico – alimentos e be- Desenvolvimento,
dantes de artes gráficas, dese- bidas, higiene e limpeza, Indústria e Comércio,
nhistas e profissionais de embala- cosméticos, saúde, brico- que apóia a iniciativa da
gem e marketing, o curso traz lagem e eletrodomésti- Abre.
mais de 250 fotos coloridas e quer cos. Há ainda as catego- O Prêmio Abre de
se firmar como material didático
rias redesign, ecodesign, Design de Embalagem é
para os cursos que estão prolife-
tecnologia, design para uma das atividades da
rando na área.
exportação, case de em- associação que segue o
Makron Books: (11) 3845-6622
balagem, embalagem lema “O Brasil Precisa
promocional e uma cate- de Embalagem”, cam-
Objetos criados goria especial, que definirá a empresa panha lançada recentemente pela enti-
A Thermojet Solid Object Printer, da 3D usuária de embalagem do ano e a me- dade. Segundo Luciana Pellegrino,
Systems, tem a funcionalidade de uma lhor embalagem, escolhida por voto diretora executiva da Abre, “o objetivo
impressora comum, mas produz obje- popular. dessa campanha é despertar a cons-
tos “verdadeiros”, em três dimensões. Os trabalhos serão julgados pelos as- ciência dos diversos setores industriais
Essa é a novidade que a Robtec está pectos de layout, funcionalidade, quali- para as necessidades de utilização de
trazendo ao Brasil para a área de pro- dade, ergonomia, impressão e diferen- embalagens adequadas”.
totipagem rápida. O equipamento utili- ciais que agreguem valores ao consu- Mais informações sobre o Prêmio e as
za a tecnologia MJM (Multi Jet Mode- midor final. “A Abre quer valorizar não atividades da Abre podem ser conse-
ling), que vai construindo fisicamente apenas o desenho, mas tudo o que guidas no telefone (11) 3082-9722 ou
modelos matemáticos gerados em está envolvido no design”, diz Fábio no site www.abre.org.br.
CAD através da deposição minuciosa
de termopolímeros. “Tudo com um Outras iniciativas no Brasil
simples clique de mouse”, afirma Sér-
Outras iniciativas de destaque no design de embalagem. Há mais in-
gio Oberlander, diretor da Robtec. formações nos sites www.abi-
campo dos prêmios de design, tam-
Além de servir para a pré-validação de bém apoiadas pelo governo através plast.org.br ou www.mdic.gov.br.
produtos, como novas embalagens, a do Programa Brasileiro de Design, Já o Concurso Bahia Design Para
impressora pode servir como “fax tridi- são o Prêmio Abiplast de Design e o Estudantes entra neste ano em sua
mensional”, com a transmissão remota Concurso Bahia Design Para Estu- segunda edição. Voltado aos estu-
do modelo diretamente para a planta dantes. O primeiro, lançado pela Abi- dantes das universidades baianas,
do cliente. plast – Associação Brasileira da In- o concurso está dividido em sete
(11) 4232-9224 / www.robtec.com.br dústria do Plástico, surge para pro- categorias, sendo que há uma espe-
mover a criação de produtos de de- cífica para design de embalagem.
senho industrial com base nos plás- As inscrições começam no final de
ticos, e irá analisar aspectos de cria- março e a abertura do salão para a
tividade, tecnologia, funcionalidade, realização da mostra e para a pre-
FOTOS: DIVULGAÇÃO

forma técnica, ecologia e responsa- miação dos vencedores será em


bilidade social dos trabalhos de di- maio. Detalhes: (71) 343-1219 ou
versas categorias, entre elas a de www.fieb.org.br/bahiadesign.

mar 2001 • EMBALAGEMMARCA – 49


20almanaque 30/03/01 17:40 Page 1

Almanaque
O lírio da guerra Clássicos da indústria
Na edição de junho de publicitária não informa- Embalagens sofisticadas, para produtos
1966 de Seleções do Rea- va de que material era de massa, são produzidas no Brasil há
der’s Digest um anúncio feita a garrafa, mas não mais de 100 anos. No início do século
de página inteira do óleo seria necessário: só pode- passado, a Companhia Litographica Fer-
comestível Lírio, da An- ria ser de vidro, pois ain- reira Pinto, do Rio de Janeiro, conheci-
derson Clayton, apresen- da não existiam materiais da pela qualidade e pela pontualidade de
tava uma nova embala- concorrentes que apresen- seus serviços, já fazia litografia a co-
gem do produto, revolu- tassem boas barreiras e res e impressão em alto relevo.

cionária para a época alta transparência, como Principais clientes: as indústrias de


cigarros e de perfumes.
por ser transparente. Foi os plásticos modernos. O
um dos marcos iniciais da lançamento deve ter cau-
guerra de materiais que sado grande impacto, a Volta triunfal
se intensificaria alguns julgar pela expressão da Grande novidade no
anos mais tarde. A peça modelo do anúncio. Brasil, em 1920: em-
balagens de cigarros
com papel aluminiza-
do. A iniciativa foi da
Souza Cruz, com a
marca Odalisca, lança- marcas da empresa e
da no mercado em de concorrentes ado-
1915 e retirada logo taram o papel alumi-
depois. O retorno foi nizado, até hoje pre-
um sucesso. Outras sente na categoria.

Idéias na prateleira
Vale a pena uma visita ao consumir tudo de uma só
site da ANI – Associação vez, podendo retampar a
Nacional dos Inventores embalagem”. Outros obje-
(www.inventores.com.br). tos originais são um
Na seção “Classi-inven- “abridor para embalagens
tos” é possível encontrar Tetra Pak”, de Adelício
um sem-número de apetre- Cardoso, e um saco para
chos esperando uma opor- embalar roupas a vácuo,
tunidade de entrar no mer- de Mary Yamada. Alguma
cado – inclusive embala- empresa se interessa?
gens. Entre as idéias, algu-
mas engenhosas, outras
Vim, vi e venci nem tanto, está a de uma
lata metálica com tampa
No início da década de 60, ro: papelão ondulado com
uma nova alternativa de paredes superfinas. Assim de rosca, para dois litros
embalagem decorativa como nos demais países, de bebida. Segundo o au-
para garrafas de vinhos e tornou-se um êxito no Bra- tor do projeto, Alberto L.
bebidas alcoólicas agitava sil, onde é conhecido como Souza, “com esta embala-
mercados no mundo intei- papelão microondulado.
gem o usuário não precisa

50 – EMBALAGEMMARCA • mar 2001