DIREITO PENAL ESPECIAL

CRIMES CONTRA A PESSOA
1) HOMICÍDIO Conceito: é a injusta morte de uma pessoa praticada por outrem. Nelson Hungria diz que homicídio “é o tipo central de crimes contra a vida e é o ponto culminante na orografia (montanha) dos crimes. É o crime por excelência”. Figuras típicas Art. 121, caput  homicídio doloso simples; §1º  homicídio doloso privilegiado; §2º  homicídio doloso qualificado; §3º  homicídio culposo; §4º  homicídio majorado; §5º  perdão judicial. O homicídio preterdoloso equivale à lesão corporal seguida de morte, prevista no art. 129, §3º. Como não há dolo na morte, não vai a Júri. a) Homicídio doloso simples Art 121. Matar alguem: Pena - reclusão, de seis a vinte anos. É uma infração penal de grande potencial ofensivo. Sujeito ativo - crime comum: pode ser praticado por qualquer pessoa; - crime monossubjetivo: pode ser pratico por pessoa isolada ou associada a outras (concurso eventual). OBS: a punição do homicídio praticado por irmão xifópago (gêmeos siameses), quando a separação cirúrgica é impraticável, causa polemica doutrinária.

1ªC (Manzini): o irmão homicida deve ser absolvido, pois, conflitando o interesse do Estado ou da sociedade com o da liberdade individual, esta é que tem de prevalecer. 2ªC (Flávio Monteiro de Barros): o irmão agente deve ser condenado, inviabilizando-se, porém, o cumprimento da reprimenda, tendo em vista o princípio da intransmissibilidade da pena.

Sujeito passivo - crime comum: pode ser praticado contra qualquer pessoa. OBS: no caso de homicídio contra irmãos xifópagos, quanto ao que se pretendia matar, há dolo de 1ª grau; já em relação ao que morreu por consequência, tem-se dolo de 2ª grau. O agente responde por dois homicídios em concurso formal impróprio. OBS2: homicídio contra Presidente da República (Senado, Câmara ou STF) pode ser enquadrado no art. 121 do CP ou art. 29 da Lei nº 7170/83 (crimes contra segurança nacional), a depender da motivação política. Para configurar o crime do art. 29, tem de estar presente a motivação política (princípio da especialização), então estaremos diante de um crime contra a segurança nacional e NÃO VAI A JÚRI. OBS3: homicídio contra índio não integrado observar o art. 59 da Lei nº 6001/73 (Estatuto do Índio), que prevê causa de aumento de 1/3 da pena.

Tipo objetivo A conduta punida é tirar a vida (extrauterina) de alguém. - Se a vida for intrauterina, haverá aborto; mas se for extrauterina pode configurar homicídio ou infanticídio. Quanto ao momento de início da vida extrauterina, temos três correntes: 1ªC: com o completo e total desprendimento do feto das entranhas maternas. 2ªC: desde as dores do parto. 3ªC: com a dilatação do colo do útero. - Trata-se de crime de execução livre, ou seja, pode ser praticado: por ação ou omissão; meios diretos ou indiretos; físicos, morais ou psíquicos (ex.: fazer o

apoplético – pessoa que perde o ar – rir até morrer, como narrou Monteiro Lobatto em uma de suas obras).

Tipo Subjetivo O crime é punido a título de dolo, que pode ser direto ou eventual. O tipo não exige finalidade específica animando o comportamento do agente, mas, a depender da finalidade especial, pode configurar qualificadora ou privilegiadora. OBS: raxa x embriaguês ao volente
Raxa (competição de veículo automotor Embriagues ao volante em via pública sem autorização) Resultado morte STF: viável dolo eventual (HC 101698) e STF: configura culpa consciente (HC 107801) pode ir a JURI.

Para o professor, deve ser analisado o caso concreto para saber se é dolo eventual ou culpa consciente.

Consumação e tentativa O crime consuma-se com a morte da vítima (crime material), que ocorre com a cessão da atividade encefálica (Lei nº 9434/97). Admite tentativa (crime plurissubsistente).

Crime Hediondo Pode ser crime hediondo, quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio (homicídio condicionado, pois presente uma condição para sua classificação como tal). A definição de grupo é discuta por três correntes. 1ªC: não se confunde com par (2 pessoas), nem com quadrilha (4 pessoas), portanto é preciso no mínimo 3 pessoas. 2ªC: não se confunde com par, porém, na falta de uma definição, podemos utilizar a definição de quadrilha, a esta equiparando. Então, no grupo é preciso no mínimo 4 pessoas. 3ªC: extrai o conceito de grupo da Convenção das Nações Unidas contra o crime organizado transnacional, segundo a qual bastam 3 pessoas.

Ex: eutanásia (citado como exemplo pela exposição de motivos). ou sob o domínio de violenta emoção. Não se confunde com influente de violenta emoção.Domínio de violenta emoção: deve ser intensa. 121. pois não existe autorização legal da ortotanásia. logo em seguida a injusta provocação da vítima. Ex: matar perigoso bandido que assusta a vizinhança. animal.Injusta provocação da vítima: a provocação pode ser indireta. ou seja. Segundo a jurisprudência. 65. que é atuante de pena prevista no art. até mesmo. encontramos três privilegiadoras:  O agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social (interesses de toda coletividade).b) Homicídio Privilegiado (art. a reação é imediata enquanto perdurar o domínio da violenta emoção. §1º) ortotanásia > não prolongamento artificial do processo de morte. Lendo o dispositivo. OBS: eutanásia > antecipação da morte natural (art. piedade ou misericórdia). matar traidor da pátria. embora haja algumas decisões na jurisprudência Distanásia > prolongamento artificial do processo de morte o O agente comete o crime sob domínio de violenta emoção logo em seguida a injusta provocação da vítima (homicídio emocional). §1º) § 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral. além do processo natural. homicídio emocional: . . dirigida contra terceira pessoa ou. é também crime. Ex.  O agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor moral (interesses particulares do agente.: pai mata São requisitos do . 121. É causa especial de diminuição de pena (minorante). . normalmente ligados aos sentimentos de compaixão. absorvente. ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.Reação imediata: logo em seguida à injusta provocação da vítima.

estuprados da filha; marido traído (legitima defesa da honra não é mais aceita).

O privilégio é comunicável aos concorrentes?

De acordo com o art. 30, não se comunicam as circunstancias subjetivas, salvo quando elementares do crime. Precisamos, portanto, saber se o privilégio é elementar ou circunstancia. Elementar é dado agregado ao tipo que modifica o crime. Circunstancia é um dado agregado ao tipo que altera a pena. Esses dados podem ser objetivos ou subjetivos. Os primeiros estão ligada ao meio ou modo de execução; os segundos, ao motivo ou estado anímico do agente. Conclui-se que o privilégio é circunstância subjetiva e, portanto, incomunicável.

Se os jurados reconhecem o privilégio, este passa a ser direito subjetivo do réu e o juiz fica obrigado a reduzia a pena, cuja discricionariedade está no quantum da redução (1/6 a 1/3).

c) Homicídio qualificado (art. 121, §2º) É sempre hediondo, não importando a qualificadora. § 2° Se o homicídio é cometido: I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; II - por motivo futil; III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime: Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

o Mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe.

Motivo torpe é o vil, ignóbil, repugnante, abjeto, quase sempre espelhando ganância por parte do agente. Ex.: homicídio mercenário, praticado mediante paga ou promessa de recompensa. Vemos, portanto, que o legislador da exemplos e depois encerra de forma genérica, possibilitando a interpretação analógica. Vingança pode ou não constituir motivo torpe, dependendo da causa que a originou. o Homicídio mercenário: praticado pelo matador de aluguel, chamado sicário (executor). Composto pelo mandante e pelo executor, ou seja, obrigatoriamente há concurso de pessoas  delito plurissubjetivo ou de concurso necessário. Nesse caso, a torpeza se comunica? 1ªC: tratando de elementar subjetiva, comunica-se ao mandante (prevalece na jurisprudência). 2ªC: tratando de circunstância subjetiva, não se comunica ao mandante (Rogério Greco). Prevalece que a paga ou recompensa deve ser de natureza econômica . Se for de natureza não econômica (sexual, por exemplo), deixa de ser mercenário, mas permanece torpe, pois cai no encerramento genérico.

o Motivo fútil É aquele pequeno demais para que na sua insignificância possa parecer capaz de explicar o crime que dele resulta (é a pequeneza do motivo). Motivo fútil não se confunde com motivo injusto. Injusto é elemento integrante do crime (todo homicídio é injusto). A ausência de motivos equipara-se a motivo fútil? - 1ªC (jurisprudência tende para essa corrente): equipara-se a motivo fútil, pois seria um contracenso conceber que o legislador punisse com pena mais grave aquele que mata por futilidade, permitindo ao que age sem qualquer motivo receba sanção mais branda. - 2ªC (CESPE, Cezar Roberto Bitencourt): ausente previsão legal, não se equipara a motivo fútil, em respeito ao princípio da reserva legal.

o Meio insidioso ou cruel ou de que possa resultar perigo comum Novamente o legislador inicia a qualificadora com exemplos e termina com fórmula genérica  interpretação analógica. o Emprego de veneno O homicídio praticado com veneno é chamado de veneficio. Veneno é toda substância, biológica ou química, animal, mineral ou vegetal, capaz de perturbar ou destruir as funções vitais do organismo humano. Magalhães Noronha alerta que pode ser considerado veneno o açúcar para o diabético.  É imprescindível que a vítima desconheça estar ingerindo a substância letal (meio insidioso). Dessa forma, caso o agente ameace a vítima com arma de fogo e a obrigue a tomar o veneno, não incidira essa qualificadora, mas a do inciso IV, por impossibilitar a defesa.

o Recurso que dificulta ou torna impossível a defesa do ofendido. Mais uma vez é utilizada fórmula que permite interpretação analógica. - Traição: é o ataque desleal, repentino e inesperado. Ex.: atirar pelas costas. - Emboscada: pressupõe ocultamento do agente, atacando a vítima com surpresa. Ex.: o agente, escondido no jardim de entrada da casa da vítima, ataca quando esta chegava. - Dissimulação: fingimento, disfarçando o agente a sua intenção criminosa. Ex.: convida a vítima para jantar, levando-a para lugar ermo onde ocorre o ataque fatal. Atenção: a premeditação não serve como qualificadora, mas pode ser considerada desfavorável.  A idade da vítima, por si só, não possibilita a aplicação da presente qualificadora, pois constitui característica da vítima e não recurso procurado pelo agente.  O STF, no HC 95136, decidiu que o dolo eventual é incompatível com a qualificadora do inciso em comento. na fixação da pena-base, como circunstancia judicial

Ex. Ex.Motivo fútil: utilizado como qualificadora. 2ªC (prevalece): deve ser utilizado como agravante (art. 121. 61). impunidade ou a vantagem de outro crime O art.: agente mata o segurança para estuprar a atriz. será qualificado por motivo torpe ou fútil. o que qualifica é a intenção do agente. §2º.Motivo de relevante valor moral. Pluralidade das circunstâncias qualificadoras Ex. não pelo inciso V. A conexão meramente ocasional (o agente mata por ocasião de outro crime).: matar por motivo fútil e mediante meio cruel . sem vínculo finalístico não qualifica o homicídio. Essa conexão pode ser: . Mas a qualificadora não depende da concretização do crime futuro. . 59).Motivo de relevante valor social.: o agente mata a testemunha de um estupro.Consequencial: o agente mata para assegurar a ocultação. Ocorrendo o crime futuro.Domínio de violenta emoção TODAS SÃO SUBJETIVAS . O crime futuro sequer precisa ter como autor o agente homicida. ocultação ou impunidade de contravenção penal. Quando o homicídio é praticado para assegurar vantagem. ocultação.Teleológica: o agente mata para assegurar a execução de um crime futuro. visando garantir a ocultação do crime e sua impunidade.Meio cruel 1ªC: deve ser utilizado como circunstancia judicial desfavorável (art. responderá pelos dois em concurso formal. Homicídio qualificado e privilegiado Temos 3 privilegiadoras: . O crime passado não precisa ter sido praticado pelo homicida. a vantagem ou impunidade de um crime passado. . pois há nexo entre o homicídio e outro crime. .o Assegurar a execução. . V trabalha com homicídio por conexão.

. ofício ou profissão) são formas de violação ao dever de cuidado. 89 da Lei nº 9099/95).. d) Homicídio Culposo (art. desde que as qualificadoras sejam de natureza objetiva (meio cruel e modo surpresa). prevalece a doutrina segundo a qual o homicídio privilegiado qualificado deixa de ser hediondo. de 1965) Pena . com sua conduta. uma vez que o privilégio (de índole subjetiva) prepondera sobre esta.Modo surpresa.Temos 5 qualificadoras: . Atenção: o homicídio culposo na direção de veículo automotor configura o art.Motivo torpe. Trata-se de infração penal de médio potencial ofensivo (admite suspensão condicional do processo – art. 121.Meio cruel. 67 do CP. Lembrando: imprudência (afoiteza – ação). negligência ou imperícia. Ocorre homicídio culposo quando o agente. 302 CTB . porém jamais aceito ou querido. uma vez que os jurados votam primeiro o privilégio. Fazendo uma analogia com o art.detenção. o resultado morte. previsto (culpa consciência) ou previsível (culpa inconsciente).Motivo fútil. a qualificadora subjetiva fica prejudicada. §3º Art. com manifesta imprudência. 121. de um a três anos. negligência (falta de precaução – omissão) e imperícia (falta de aptidão técnica para o exercício de arte. deixa de empregar a atenção ou diligência de que era capaz. provocando.Vínculo finalístico com outro crime  É SUBJETIVA SÃO SUBJETIVAS SÃO OBJETIVAS É perfeitamente possível a incidência de qualificadora e privilegiadora. . 302 do CTB (caso excepcional de restritiva de direitos cumulada com privativa de liberdade) Art. Primeiro é reconhecido o privilégio. §3º) § 3º Se o homicídio é culposo: (Vide Lei nº 4. .611. .

não o faz. também não incide. Ex. naquele o agente não domina a técnica. Prevalece que o desvalor da conduta (no trânsito. configuraria bis in idem. negligência profissional. STJ. o tratamento é diferenciado pelo CTB. primeira parte) . é mais perigosa) justifica a diferença de tratamento. 1ªC: não caracteriza (STF. não incide o aumento. podendo fazê-lo sem risco pessoal (não incide o art.: médico não se certifica se tirou do corpo da paciente todas as gazes depois da operação. e) Majorantes do homicídio culposo (art.Inobservância de regra técnica de profissão. Embora o resultado seja a mesma nos dois crimes. . No caso de morte instantânea. concluindo pela inutilidade da ajuda. na medida em que a inobservância de regra técnica se apresenta ao mesmo tempo como núcleo do tipo e majorante.Omissão de socorro O agente deixa de prestar socorro à vítima. 135 para evitar bis in idem).Pena de 1 a 3 anos Pena de 2 a 4 anos Infração de médio potencial ofensivo Infração de grande potencial ofensivo (admite processo) suspensão condicional do (não admite suspensão condicional do processo). Discute-se se essa causa de aumento. A majorante trabalha com a negligência no exercício da profissão. se o autor de crime. arte ou ofício (negligência no exercício da profissão). §4º. De acordo com o STF. HC 96078. pois neste caso o agente domina a técnica. que confere consequência mais gravosa ao crime de trânsito. 1ªC: caracteriza (STF. mas não a observa no caso concreto. apesar de reunir condições de socorrer a vítima.Não procurar diminuir as consequências do comportamento . não elide a majorante do art. HC 86969)  prevalece na doutrina. 121. Se a vítima é imediatamente socorrida por terceiros. pois não tem o quê socorrer. §4º. Resp 606170) . 121. A imperícia não se confunde com a majorante.

pois acaba obrigando o agente a produzir prova contra si mesmo. 2ªC (prevalece): sentença declaratória extintiva da punibilidade. 121.. pois já se insere na causa anterior. o preceito sancionador cabível. não interrompe a execução. Se adotada essa corrente. §5º) Conceito: é o instituto pelo qual o juiz. questiona a sua constitucionalidade. §4º. serve como título executivo.. Capez diz ainda que só cabe o perdão depois do devido processo legal. pouco importando a idade no resultado. no entanto. nas hipóteses taxativamente previstas em lei. O perdão judicial é causa de extinção da punibilidade. Mas a doutrina que . f) Majorante do homicídio doloso (art. há uma redundância aqui. deixa de lhe aplicar. Capez ensina que cabe em sede de Inquérito Policial. 121. pois o agente demonstra ausência de escrúpulo. prejudicando a investigação. não obstante a prática de um fato típico e antijurídico por um sujeito comprovadamente culpado. levando em consideração determinada circunstâncias que concorrem para o evento. Perdão judicial Ato unilateral (não precisa ser aceito) Cabe nas hipóteses previstas em lei Perdão do ofendido Ato bilateral (precisa ser aceito) Cabe nas ações penais de iniciativa privada Natureza jurídica da sentença concessiva do perdão judicial 1ªC: sentença condenatória. g) Perdão judicial (art. A análise da idade da vítima é analisada no momento da conduta. O é. interrompe a prescrição.De acordo com Heleno Fragoso. mas não se confunde com o perdão do ofendido. nem serve como título executivo.Foge para evitar a prisão em flagrante A maior parte da doutrina reconhece como válida a presente majorante. por conseguinte. portanto. o agente tem de saber a idade da vítima. O ESTADO PERDE O INTERESSE DE PUNIR. o é. Para incidir o aumento. . A minoria. segunda parte) A pena é aumentada de 1/3 se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 anos ou maior de 60.

Infração de grande potencial ofensivo (não admite suspensão condicional do processo. de dois a seis anos. autor 3ª Situação: Terceiro. Sujeito ativo É a mãe (parturiente) sob influência do estado puerperal. 123. 123. Os elementos do art.adota esse entendimento. Súmula 18/STJ: “A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade. auxiliada por terceiro. 123. 2) INFANTICÍDIO Art. mata o neonato . transação ou qualquer medida despenalizadora). há um conflito aparente de normas. 121 com o art.” O perdão judicial do CP aplica-se ao crime do CTB (razões do veto do perdão judicial previstos para o CTB). Comparando o art. 123. tempo e estado psíquico especial). sob a influência do estado puerperal. mata o neonato. o Admite concurso de agentes. auxiliado por parturiente. 123 . participe 2ª Situação: Parturiente e terceiro matam o neonato. que só é possível com o devido processo legal. O art. 123 são chamados de especializantes (elementares que tornam o crime especial em relação a outros). o próprio filho. que se resolve pelo princípio da especialidade (sujeito. não subsistindo qualquer efeito condenatório. durante o parto ou logo após: Pena . 1ª Situação: Parturiente.detenção. o Parturiente: art. 123 é uma forma especial de homicídio. o Parturiente: art. autora o Terceiro: art.Matar. não aceita que o perdão caiba na fase de inquérito policial. pois implica o reconhecimento de culpa. autora o Terceiro: art. chamado também de homicídio privilegiado pelo estado puerperal. 123.

não basta a presença do estado puerperal.  elemento cronológico.o Parturiente: de acordo com o CP.1ªC (Delmanto. pois assim a mãe seria punida mais severamente quando auxilia do que quando mata (falta proporcionalidade. mata filho de outra pessoa. Tipo Objetivo Matar alguém (filho nascente ou neonato). querendo matar o próprio filho  Continua respondendo por infanticídio. b) Tem de ocorrer durante ou logo após o parto (antes do parto é aborto. razoabilidade). Cuidado. . conforme entendimento jurisprudencial (pode ser provado por perícia). pois nem sempre ele produz perturbações psíquicas na parturiente (exposição de motivos do CP). Sujeito ativo + passivo especiais  Delito bipróprio. É preciso que haja uma relação de causa e efeito entre tal estado e o crime. Sujeito passivo Filho nascente ou neonato (acabou de nascer).  PREVALECE .2ªC (Bento de Faria e Frederico Marques): terceiro responde por homicídio e a parturiente por infanticídio. a) A morte pode ser causada de forma livre (ação/omissão. gerando profundas alterações psíquicas e físicas. o terceiro responde por homicídio. deixando a parturiente sem plenas condições de entender o que está fazendo. Noronha e Fragoso): parturiente e terceiro respondem por infanticídio. Estado puerperal é o estado que envolve a parturiente durante o parto. depois desse período. ela responde por homicídio como partícipe. o Terceiro: de acordo com o CP. Mas não se adota essa interpretação. o Erro sobre a pessoa Ocorre quando a mãe. é homicídio). meios diretos/indiretos). A doutrina se divide em duas correntes: . c) Sob estado puerperal  logo após o parte persiste enquanto presente a influência do estado puerperal. em estado puerperal.

Infanticídio (art. 123) Exposição de recém-nascido com resultado morte (art. §2º) Crime contra a vida A mãe age com dolo de dano A morte é dolosa Júri popular Crime de perigo A mãe age com dolo de perigo A morte é culposa. A mulher. o crime é preterdoloso Juiz singular Tipo subjetivo Punido a título de dolo: não se pune a modalidade culposa. 134. o estado puerperal pode caracterizar hipótese de inimputabilidade (por isso importante a perícia). Dependendo do grau de desequilíbrio psíquico e físico. sendo inviável a caracterização da culpa. nessas condições. culposamente mata o neonato pratica: 1ªC: fato atípico. 3) LESÃO CORPORAL Art.  Para Nucci. Consumação Se consuma com a morte do nascente ou neonato. 129. respondendo por homicídio culposo. sob influencia do estado puerperal. chamado homicídio preterdoloso. . perde a prudência esperada. sendo perfeitamente possível a tentativa. Puerpério: é o período que se estende do início do parto até a volta da mulher às condições pré-gravidez. A parturiente que. 2ªC (PREVALECE): o estado puerperal não retira da parturiente o dever de cuidado objetivo. trata-se de uma hipótese de semi-imputabilidade especial. caput  lesão dolosa leve §1º  lesão dolosa grave (admite preterdolo – dolo na lesão e culpa no resultado) §2º  lesão dolosa gravíssima (admite preterdolo) §3º  lesão corporal seguida de morte (necessariamente preterdoloso).

3ªC – pode configurar lesão corporal ou injúria real. quem o conduziu à autolesão responderá por lesão corporal na condição de autor mediato. IV (aceleração do parto) e §2º. 2ªC – configura injúria real. fisiológica e mental. Sujeito ativo Crime comum: o tipo não exige condição especial do agente Sujeito passivo Em regra é qualquer pessoa. incapaz de querer ou entender. desde que a ação provoque uma alteração desfavorável no aspecto exterior da vítima.§§4º e 5º  minorantes (causas de diminuição de pena) § 6º  lesão culposa §7º  majorantes (causas de aumento de pena) §8º  perdão judicial §§§9º. se esta meio eficaz para a prática de crime. Tipo objetivo . 10 e 11  violência doméstica e familiar Bem jurídico O bem jurídico tutelado é a incolumidade pessoal do indivíduo. .Ofender. conforme a exposição de motivos. a incolumidade pessoal de outrem. a depender do dolo que anima o agente. O Direito Penal não pune a autolesão. É causar ou agravar enfermidade que já existe. direta ou indiretamente. . Protege a saúde corporal. Nas hipóteses do §1º. o sujeito será punido por este.Cortas os cabelos da vítima contra sua vontade: 1ªC – crime de lesão corporal.  Se o inimputável. por determinação de outrem praticar em si mesmo uma lesão. V (lesão seguida do aborto) o sujeito passivo é a mulher gestante (sujeito passivo especial). A dor é dispensável.

: menor de idade que coloca piercing. Alguns consideram que seja roubo. não constituem lesão. . Consumação O crime se consuma com a ofensa à incolumidade pessoal da vítima (crime material). segundo a doutrina moderna.A incolumidade pessoal.Tem doutrina admitindo crime de furto quando o cabelo é cortado para fazer perucas. deve se dirigir a hospital devidamente autorizado. grave ameaça ou qualquer meio que impossibilite a resistência. .Contravenção penal de vias de fato x lesão corporal Não podemos confundir o crime de lesão corporal com a contravenção penal de vias de fato.A pluralidade de ferimentos no mesmo contexto fático não desnatura a unidade do crime. a) Lesão corporal dolosa leve (art. se houver emprego de violência. 129. . . desde que: (i) estejamos diante de um lesão leve. trata-se de bem relativamente disponível. caput) Art. que não é afastado pelo consentimento do ofendido. 129. o consentimento do ofendido excluir o crime. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: . puxão de cabelos). o crime de lesão corporal admite tentativa. Eritemas (rubor de beliscão) e a simples provocação de dor. Se ele realiza a cirurgia com médico não autorizado. a mãe que coloca brinco na orelha da filha. Nesses casos. por si só. pois nesta não existe (e sequer é a intenção do agente) qualquer dano à incolumidade pessoal da vítima (ex: mero empurrão. OBS: Equimoses (vermelhidão) e hematomas (roxidão) são consideradas lesões à integridade física da vítima. devendo ser considerada tal circunstância na fixação da pena-base.  O transexual.Tentativa Com exceção da modalidade culposa. Ex. este comete crime de lesão grave ou gravíssima. para fazer a cirurgia de ablação do seu órgão. (ii) não contrariar a moral e os bons costumes.

excluindo a tipicidade material do delito. de uma qualificadora. fica incapacitado de mamar por mais de 30 dias. III .  Bebê de tenra idade pode ser vítima de lesão grave.: vítima é prostituta). ainda que imoral (ex. II .Pena . devendo ser lícita. .reclusão. de um a cinco anos. .Estamos diante. isto é.Incapacidade para as ocupações habituais. na verdade. sentido ou função. de praticar as ocupações habituais não qualifica o crime. por exemplo. . . O resultado qualificador pode ser doloso ou culposo. é possível suspensão condicional do processo). por vergonha.  A relutância. o Incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias. não necessariamente ligada a trabalho ou ocupação lucrativa. art. §1º) § 1º Se resulta: I . 88 da Lei nº 9099/95).Infração penal de médio potencial ofensivo (apesar de não admitir transação penal. OBS: Tem doutrina (Pierangeli) aplicando o princípio da insignificância ao crime de lesão leve. Entende-se por ocupação habitual qualquer atividade corporal rotineira. de três meses a um ano. 129. não grave.: pequenas arranhaduras. Ex. gravíssima ou seguida de morte. Infração de menor potencial ofensivo (ação penal pública condicionada à representação da vítima.detenção.perigo de vida. IV .aceleração de parto: Pena .Ação pública incondicionada. b) Lesão corporal (dolosa ou preterdolosa) de natureza grave (art.debilidade permanente de membro. Conceito: o conceito é formulado por exclusão. por mais de trinta dias. quando.

. Aqui também o resultado pode ser doloso ou culposo. sendo imprescindível perícia. 168. o Debilidade permanente de membro.Permanente significa recuperação incerta e ou tempo indeterminado (não significa perpetuidade). o Perigo de vida A presente qualificadora só admite o preterdolo. . para constatar a permanência da incapacidade (exame complementar). será caso de homicídio tentado.Atenção: não importa que o enfraquecimento possa se atenuar ou reduzir com aparelhos de prótese. o Aceleração do parto . a presunção do perigo. Esse prazo é penal (computa-se o dia do início e exclui-se o dia do fim). logo após o prazo de 30 dias contatado da data do crime. pois se o agressor considerou a possibilidade de matar a vítima. sentido ou função . O exame pode ser suprido pela prova testemunhal – deve ser feita alguma prova. o segundo exame. por si.A perda do dedo segue o mesmo raciocínio da perda do dedo – vai depender de perícia. O primeiro exame é feito no dia do crime para constatar a incapacidade para as ocupações habituais.A perda do dente pode gerar debilidade permanente caso o dente seja essencial na função mastigatória. concreta e imediata do êxito letal.O art. .Debilidade é diminuição.. . sentido ou função. a região da lesão não justifica. Perícia vai atestar se houve ou não debilidade na função mastigatória para poder incidir a qualificadora. .O resultado qualificador pode ser doloso ou culposo. §2º do CPP exige a realização duas perícias a fim de demonstrar o tempo de incapacidade. devidamente comprovada por perícia. Conceito: Entende-se por perigo de vida a probabilidade séria. Cuidado. redução ou enfraquecimento da capacidade funcional de membro.

§. . A doutrina é que criou essa expressão para diferenciá-la na qualificadora do §1º. como ocorreu na lei de tortura (art.Trata-se de qualificadora. teremos o art. para incidir a qualificadora. §3º da Lei nº 9455/97).A lei não denomina como “gravíssima”. o Incapacidade permanente para o trabalho . o Enfermidade incurável .deformidade permanente. .. de dois a oito anos. 129.reclusão.aborto: Pena . V (lesão corporal de natureza gravíssima). V .Apesar de divergente. . 1º. em decorrência da lesão.Na aceleração do parto.  Em nenhuma das hipóteses. . Se o feto é expulso sem vida.Infração penal de grande potencial ofensivo (não admite suspensão condicional do processo).Para evitar responsabilidade penal objetiva. . IV . II .Incapacidade permanente para o trabalho. prevalece que. o feto é expulso com vida antes do tempo normal. III perda ou inutilização do membro.enfermidade incurável. é indispensável que o agente saiba ou pudesse saber que a vítima era mulher gestante.O resultado qualificador pode ser doloso ou culposo. foi adotada pelo legislador. a incapacidade deve ser para o exercício de qualquer espécie de trabalho (dificulta muito a incidência). . o agente não quer nem assume o risco do abortamento. Com o tempo. c) Lesão corporal (dolosa ou preterdolosa) de natureza gravíssima § 2° Se resulta: I . sentido ou função.Ação penal pública incondicionada.

previsto no art. Ex. o Perda ou inutilização de membro. . a lesão para ser gravíssima deve atingir ambos. . .Entende-se por enfermidade incurável a alteração permanente da saúde.  Na perda e na inutilização há a retirada a capacidade funcional. vasectomia comete lesão corporal gravíssima.O resultado qualificador pode ser doloso ou culposo. considerável.A transmissão intencional do vírus da AIDS configura qual crime? Havendo o dolo de matar.Perda: se da com a amputação ou mutilação.Inutilização: membro. irreparável pela própria força da natureza e capaz de provocar impressão vexatória (desconforto para quem olha e humilhação para a vítima). .: perda de 1 testiculo. a relação sexual dirigida à transmissão do vírus da AIDS é idônea para caracterizar tentativa de homicídio (STJ). gera debilidade (§1º. desclassificou a tentativa de homicídio para o crime de perigo de contágio de moléstia grave. o Deformidade permanente Consiste no dano estético. a vítima não está obrigada a submeter-se a intervenção cirúrgica arriscada a fim de curar-se da enfermidade. subsistindo a qualificadora.: a jurisprudência considera enfermidade incurável a transmissão intencional de chagas e deixar a vítima manca. Ex.A impotência generandi (no homem o na mulher) e a coeundi (instrumental) caracterizam a presente qualificadora.. sentido ou função inoperante. sentido ou função . . II) e não perda ou unitilização nos termos aqui exigidos.Segundo a jurisprudência.O resultado pode ser doloso ou culposo. 131. . aparente. olho. O STF. .: médica realiza laqueadura. a provocação de uma doença para a qual não existe cura no estágio atual da medicina.Tratando-se de órgãos duplos. Ex. rim. analisando comportamento do agente que omitiu da parceira ser portador do vírus HIV. .

. §2º. até mesmo no momento de maior intimidade. Ex. 59. desde que aparente. Pode ser em qualquer parte.Cuidado.reclusão. a idade.: a lesão provoca incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias (§1º. optando pela cirurgia plástica fica afastada a qualificadora (segundo alguns. Contudo. de quatro a doze anos. . .Homicídio preterdoloso (não vai a júri). a reconstituição autoriza até mesmo revisão criminal).Vitriolagem são lesões viscerais e cutâneas produzidas por substâncias cáusticas. IV)..: lança ácido na vítima. . não se pode exigir que a vítima procure cirurgia para encobrir os ferimentos. . Coexistência de qualificadoras Ex. .Não se confunde com o aborto qualificado pela lesão Art. 129.O Brasil não limita a qualificadora a uma lesão a determinada área do corpo. nem assumiu o risco de produzí-lo: Pena .  aplica-se a qualificadora mais grave e a menos grave é utilizada como circunstância judicial do art. V – lesão qualificada pelo grave Dolo: aborto Culpa: lesão aborto Dolo: lesão Culpa: aborto . o Aborto . o sexo e a condição social da vítima devem ser tomados em consideração no apreciar a deformidade.De acordo com Nelson Hungria.É necessariamente preterdolosa.É imprescindível que o agente saiba ou pudesse saber que a vítima é mulher grávida. I) e deformidade permanente (§2º. 127 – aborto qualificado pela lesão Art. d) Lesão corporal seguida de morte § 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quís o resultado.

Infração de grande potencial ofensivo.se as lesões são recíprocas. Elementos (serve para todo crime preterdoloso) o Conduta dolosa.se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior. g) Lesão corporal culposa . §2º §3º).. o Nexo entre a conduta e o resultado. f) Substituição de pena § 5° O juiz. ficando a contravenção absorvida. . . o Resultado culposo mais grave (morte). .  O caso fortuito ou a imprevisibilidade do resultado elimina a configuração do crime preterdoloso. o evento morte caracteriza homicídio culposo.Ação penal pública incondicionada.É possível no caso de lesão corporal leve: (i) privilegiada ou (ii) se as lesões são recíprocas. não sendo graves as lesões. pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa. de duzentos mil réis a dois contos de réis: I .  Se o antecedente doloso consiste numa simples vias de fato (contravenção penal). o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. logo em seguida a injusta provocação da vítima.É aplicado também nas figuras qualificadas. e) Lesão corporal privilegiada § 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção. . II . .Só se aplica para a lesão corporal leve (não aos §1º. buscando ofender a incolumidade pessoal da vítima. respondendo o agente somente por lesões corporais.Causa de diminuição de pena.

Art. e o grau do resultado é considerado na fixação da penabase. .detenção. A lesão dolosa leve tem pena variando de 3 meses a 1 ano . o que revela a ausência de razoabilidade e proporcionalidade da previsão. .340. 121.§ 6° Se a lesão é culposa: (Vide Lei nº 4. de dois meses a um ano. descendente.611. h) Aumento de pena § 7º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4o e 6o do art. de 1965) Pena . de coabitação ou de hospitalidade: (Redação dada pela Lei nº 11. 303 do CTB Pena varia de 6 meses a 2 anos  A maior punição é justificada pelo maior desvalor da conduta. ou com quem conviva ou tenha convivido. com pena menor do que o crime do CTB.Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. prevalecendose o agente das relações domésticas.Infração de menor potencial ofensivo.Seja a lesão leve. .A lesão culposa na direção de veículo automotor caracteriza o art. . ainda.Ação penal pública condicionada à representação da vítima. ou. ou seja. 303 do CTB (Lei nº 9503/97). quando ausente o dolo. 121 deste Código. cônjuge ou companheiro. grave ou gravíssima vai sempre configurar a lesão culposa. 129. j) Violência doméstica § 9º Se a lesão for praticada contra ascendente. de 2006) . Todavia. §6º Pena varia de 2 meses a 1 ano Art. que prevê o dobro da pena do CP. i) Perdão judicial § 8º . irmão.

o crime passa a ser de 3 meses a 3 anos (deixa de ser infração de menor potencial ofensivo. no controle concentrado de constitucionalidade.O §11 é uma causa de aumento do §9º. se as circunstâncias são as indicadas no § 9º deste artigo. pois a Lei nº 11340/06 veda a aplicação da Lei nº 9099/95. a lesão grave deixa de admitir suspensão do processo (grande potencial ofensivo). Com isso.A vítima não precisa ser mulher. descendente ou irmão.detenção. (Incluído pela Lei nº 10. tratando-se de violência doméstica e familiar contra a mulher.Mesmo na hipótese de lesão leve. . Na hipótese do § 9º deste artigo. apesar de lesão leve). de 2006) § 10. de 3 meses a 3 anos. de 3 (três) meses a 3 (três) anos. o Prevalecendo-se o agente das relações domésticas de coabitação ou hospitalidade. o Com quem o agente conviva ou tenha convivido.340. (Redação dada pela Lei nº 11. de 2006) . .O §9º é uma qualificadora do caput. A pena. a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência. Com violência doméstica.O §10 é uma causa de aumento de pena para a lesão grave (§1º). o Cônjuge ou companheiro. no caso de vítima portadora de necessidades especiais. gravíssima (§2º) e lesão corporal seguida de morte (§3º). As penas são aumentadas de 1/3 no caso de violência doméstica. (Incluído pela Lei nº 11. . Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo. que a ação penal é pública incondicionada. bastando o agente praticar o crime contra: o Ascendente.340. decidiu o STF.Pena . aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). . .886. de 2004) § 11. aumenta-se de 1/3.

o Aborto legal ou permitido Art. substância ou objeto para praticar aborto pratica a contravenção penal do art. sendo este o resultado e aquele a conduta criminosa. Temos duas correntes sobre o início da gravidez. o Aborto criminoso Previsto nos arts. 20 da Lei das Contravenções Penais. Aquele que anuncia processo. Protege-se a vida intrauterina (viabilidade da vida extrauterina). Usa-los como sinônimo seria o mesmo que dizer que homicídio é igual a cadáver. salvo se houver delito culposo contra a gestante). de modo que o legislador pune o abortamento. 124 a 127 do CP. 128 do CP.4) ABORTO Há uma corrente segundo a qual abortamento não se confunde com aborto. A primeira diz que a gravidez se inicia com a fecundação (encontro do zigoto com o óvulo). Aborto (abortamento) é a interrupção da gravidez com a destruição do produto da concepção. por problemas de saúde do feto ou da gestante (é um indiferente penal). o Aborto acidental Decorre de acidentes em geral (atípico. A segunda entende que ocorre com a nidação (fixação do embrião ao endométrio)  prevalece (com a primeira a pílula do dia seguinte seria aborto). o Aborto miserável ou ecônomo-social . Classificação doutrinária o Aborto natural Interrupção espontânea da gravidez.

Não admite suspensão do processo. processo. agente primário. 124. é partícipe do art.Sujeito ativo: gestante No caso do consentimento criminoso.Não cabe preventiva para gestante primária. tornando a vida extrauterina inviável. qual o crime praticado pelo terceiro provocador é o art.  É crime. do . transportando a gestante até clínica clandestina. o Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento . . processo. 126 Pune o terceiro provocador o Não há o consentimento da Há o consentimento válido gestante da gestante (responde pelo 124) Detenção de 1 a 3 anos Reclusão de 3 a 10 anos Infração de Reclusão de 1 a 4 anos .Infração de médio potencial ofensivo.Não admite preventiva para . Aborto Criminoso Todos são crimes dolosos contra a vida e vão a júri popular Art. 126 do CP (exceção pluralista à teoria monista). o Aborto eugênico ou eugenésico Praticado em face dos comprovados riscos de que o feto nasça com graves anomalias psíquicas ou físicas. o Aborto honoris causa Praticado para ocultar gravidez adulterina.Infração de médio potencial ofensivo. para o agente primário. Admite suspensão do potencial ofensivo. Admite suspensão grande . não está permitido ou tolerado. 124 Pune a gestante Consente autoaborto ou pratica Art. .  É crime. Atenção: o aborto do feto anencefálico é uma espécie de aborto eugênico.Cabe preventiva mesmo . 125 Pune o terceiro provocador Art. Namorado que induz a namorada a praticar aborto.Praticado por razões de miséria (incapacidade financeira de sustentar a vida futura).

Se. pois o feto não é titular de direitos. paga profissional para interromper a gravidez é partícipe do art. A tentativa de aborto fica absorvida de acordo com a maioria. o feto nasce com vida. sabendo-se grávida. .Sujeito passivo 1ªC: Estado.Sujeito ativo: terceiro provocador (crime comum).Tipo objetivo Consentimento criminoso: a gestante consente que outrem lho provoque o abortamento. após os atos abortivos. 125) . desde que decorrente das manobras abortivas.Consumação Trata-se de crime material consumando-se com a destruição do produto da concepção (morte do feto). . o aborto gera concurso formal impróprio de crimes. o Aborto sem o consentimento da gestante (art. salvo aqueles expressamente previstos na lei civil. 126 (crime mais grave). toma remédio abortivo é crime impossível (delito putativo por erro de tipo). direto ou eventual. Nelson Hungria da como exemplo do dolo eventual: mulher. .  Na gravidez de gêmeos. .Tipo subjetivo O crime é punido somente a título de dolo. imaginando-se grávida. Atenção: não importa se a morte do feto ocorreu dentro ou fora do ventre materno. Autoaborto: provocar em si mesma.Namorado que. 2ªC (prevalece): Feto. abrangendo todas as fases e etapas da vida intrauterina. OBS1: mulher. a nova execução recairá sobre vida extrauterina. tenta suicídio que gera o abortamento. depois de induzir a namorada a praticar aborto. . caracterizando homicídio (ou infanticídio se presentes os requisitos legais).

125 (3 a 10 anos) e não do art. se. trabalha com o dissenso ou não consentimento presumido e as penas serão do art.Tipo subjetivo: o crime é punido a título de dolo direto ou eventual. . 126 (1 a 4 anos). Causa de aumento de pena (majorante) do art.Tipo objetivo: interromper intencionalmente a gravidez. 127 .Sujeito passivo: apenas o feto. p. e são duplicadas. em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo. destruindo o produto da concepção sem o consentimento da gestante. . lhe sobrevém a morte. Admite tentativa. . o Aborto com o consentimento da gestante (art. a gestante sofre lesão corporal de natureza grave.Sujeito passivo: dupla subjetividade passiva..As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço. Atenção: art.Tipo objetivo: provocar aborto com o consentimento válido da gestante.Consumação: consuma-se com a morte do feto. se. por qualquer dessas causas. pois a primeira vítima é a gestante (não consente) e a segunda é o feto. 127 Art. .u. . Quem desfere violento pontapé no ventre de mulher sabidamente grávida pratica o crime de aborto. 126) Difere do crime anterior somente nos seguintes pontos: . Matar mulher que sabe estar grávida configura homicídio da gestante + abortamento sem consentimento da gestante em concurso formal impróprio (desígnios autônomos). 126.

O agente que.  Prevalece na doutrina Aborto legal ou permitido (art. o partícipe do art. 128 . trata-se de causa especial de exclusão da ilicitude. uma vez que o crime preterdoloso admite tentativa quando a parte frustrada do crime for a dolosa. em razão das manobras abortivas.Não se pune o aborto praticado por médico: Aborto necessário I . de seu representante legal.Esta majorante somente incide nos arts. culposamente mata a gestante sem matar o feto pratica: 1ªC: crime de aborto majorado consumado.  Preterdoloso. A aplicação desta causa de aumento dispensa a consumação do aborto. ainda que não se realize o agente a subtração de bens da vítima.Natureza jurídica “não se pune” ≠ exclusão da punibilidade De acordo com a maioria da doutrina. 128) Art. Assim. basta que dos meios empregados para provocá-lo. a gestante sofra lesão grave ou morte (resultados culposos – dolo no aborto). sob fundamento de que crime preterdoloso não admite tentativa. Inciso I  forma especial de estado de necessidade. . 124. quando o homicídio se consuma.se não há outro meio de salvar a vida da gestante.se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou. quando incapaz. 125 e 125. Adotada a tipicidade conglobante.” 2ªC: aborto majorado tentado. 124 não sofre a majorante. . Inciso II  forma especial de exercício regular de direito. jamais alcança o art. uma vez que o direito penal não pune a autolesão. Aborto no caso de gravidez resultante de estupro II . Aplica o mesmo raciocínio da Súmula 610/STF: “ Há crime de latrocínio. exclui a tipicidade penal.

Em resumo. Marco Aurélio. feto ou recém-nascido que. quando incapaz. resultante de defeito no fechamento do tubo neural durante a formação embrionária. “a anomalia consiste em malformação do tubo neural. há a prática de crime. humanitário ou ético Requisitos . pois não está no rol dos abortos permitidos. a exposição de motivos do CP anuncia ser crime. OBS1: se o aborto for praticado por terceiro. por malformação congênita. OBS2: dispensa consentimento da gestante e autorização judicial.Praticado por médico . OBS2: dispensa autorização judicial. caracterizando-se pela ausência parcial do encéfalo e do crânio.” 1ªC: aborto de anencéfalo é crime. OBS1: se o aborto for praticado por terceiro. mas não o especial do inciso I. tendo uma parcela do tronco encefálico.  Abrange o estupro de vulnerável. não possui uma parte do sistema nervoso central. nas palavras do Min. .Consentimento da gestante ou. o Aborto sentimental.o Aborto necessário ou terapêutico (inciso I) Requisitos 1) Praticado por médico 2) Para salvar a vida da gestante 3) Impossibilidade de uso de outro meio para salvá-la (inevitabilidade do comportamento abortivo). 24). o Aborto x feto anencefálico Feto anencéfalo é o embrião.Gravidez resultante de estupro . pode alegar estado de necessidade de terceiro (art. de seu representante legal. mas o médico deve ser o mais formalista possível para se resguardar (o STF já exigiu B. faltando-lhe os hemisférios cerebrais.O).

a pena de detenção. à autonomia. O Min. relator. à dignidade. b) Anomalia atestada em perícia médica c) Prova do dano psicológico da gestante  Não enfrentava qual a natureza jurídica dessa permissão. na ADPF 54. O STF. de quinze dias a dois meses. Marco Aurélio. 5) direito à saúde. à liberdade. uma vez que se trata de hipótese de inexigibilidade de conduta diversa. 128 do CP.detenção. 5) RIXA Art. pelo fato da participação na rixa. Não há que se aplicar o art. aplica-se. salvo para separar os contendores: Pena . A jurisprudência permitia essa modalidade de abortamento desde que: a) Anomalia que inviabiliza a vida extrauterina. incisos I e II.Se ocorre morte ou lesão corporal de natureza grave. trabalhou com cinco premissas: 1) Brasil é Estado laico. à privacidade da mulher. 2) o que é anencefalia.Participar de rixa. além da necessidade de preservação da sua dignidade (é traumático para a mãe levar até o fim a gestação de um natimorto). consignou que a antecipação terapêutica do parto de feto anencéfalo não é formalmente típico. em sessão plenária do dia 12/04/12. ou multa. 3) doação de órgãos de anencéfalos. Vejamos a ementa do Acórdão: FETO ANENCÉFALO – INTERRUPÇÃO DA GRAVIDEZ – MULHER – LIBERDADE SEXUAL E REPRODUTIVA – SAÚDE – DIGNIDADE – AUTODETERMINAÇÃO – DIREITOS FUNDAMENTAIS – CRIME – INEXISTÊNCIA. Mostra-se inconstitucional interpretação de a interrupção da gravidez de feto anencéfalo ser conduta tipificada nos artigos 124. 126 e 128.2ªC: a gestante não pratica crime. de seis meses a dois anos. uma vez que não há vida em potencial a ser protegida (vida pressupõe atividade cerebral e o feto anencéfalo não tem vida intrauterina). pois o fato carece de tipicidade penal. do Código Penal. Parágrafo único . . 137 . 4) direito à vida dos anencéfalos.

etc. Consumação Com o início do conflito. . Infração de menor potencial ofensivo (admite transação penal). . que pode ser de duas formas: .Participação moral (o agente. Tipo objetivo Participar de rixa. como. tiros. 1ªC: Trata-se de crime de perigo abstrato (ex. É possível rixa à distância. Conceito: trata-se de briga perigosa entre mais de duas pessoas. OBS: a troca de agressões verbais e generalizadas não configura rixa (é imprescindível vias de fato ou lesões corporais recíprocas). Sujeito passivo Os próprios briguentos. sem tomar parte na luta. instiga os contendores)  partícipe do crime de rixa (sequer precisa estar no local da briga). arremesso de objetos. Tipo subjetivo É o dolo de perigo  bem jurídicos em perigo são a ordem e a paz pública. É o tumulto generalizado. por exemplo.Participação material (o agente toma parte na luta)  partícipe da rixa.: tráfico de drogas). bem como eventuais terceiros atingidos pela luta são os ofendidos. Sujeito ativo Crime comum e plurissubjetivo (de concurso necessário – mínimo 3 pessoas) de condutas contrapostas. OBS: eventuais inimputáveis ou briguentos não identificados são computados no número mínimo de 3. Rogério Greco essa anota que nessa hipótese o sujeito é ativo e passivo ao mesmo tempo. acompanhada de vias de fato ou violências recíprocas. agindo cada uma por sua conta e risco.

lesionado gravemente. se ocorrer. Três teorias discutem as consequências neste caso. C e D.u. B. Apenas o causador da lesão grave ou morte. o qual. Exemplo1: rixa entre A. inclusive o que sofreu lesão grave ou morte.2ªC: crime de perigo concreto (doutrina moderna)  é imprescindível a demonstração do perigo. no p. Todos respondem por rixa qualificada. independentemente de se apurar quem foi o real responsável pelo resultado mais grave. somente qualificará o crime. que morre e o autor foi C. O crime de rixa admite tentativa? 1ªC: por ser crime unissubsistente. 2ªC: Nelson Hungria defende que é possível a tentativa na rixa previamente combinada. Exemplo 2: rixa entre A. que sofre lesão grave e o autor não foi identificado. .Teoria da cumplicidade correspectiva: não sendo apurado o autor do resultado mais grave. todos os briguentos respondem por lesão grave ou homicídio. é que responderá por este crime. . . porém com pena intermediária entre a sanção do autor e do partícipe do evento mais grave. pois qualifica o crime para todos sem saber quem foi o real autor da lesão grave. do art. se identificado. o Rixa qualificada É a rixa com resultado lesão grave ou morte.Teoria da autonomia: a rixa é punida por si mesma. não admite fracionamento da execução.  adotada pelo CP. B. 137.Teoria da solidariedade absoluta: todos os participantes respondem por lesão grave ou homicídio. C e D. chamada de ex proposito. Por isso alguns dizem que a rixa qualificada é um resquício de responsabilidade penal objetiva. inclusive D. A rixa é qualificada para todos porque a briga gerou maior perigo e todos os briguentos concorreram para o maior perigo. . independentemente do resultado lesão grave ou morte.

A > rixa qualificada. B. não foi identificado o autor da lesão. C e D. que dela toma parte para se defender liticitamente. B > rixa qualificada + lesão grave (art. C e D. D sofre lesão grave às 19:05. Quanto à responsabilização de C. por exemplo): é perfeitamente possível legítima defesa no caso de pessoa não participante da batalha. 2ªC: responderá por rixa simples em concurso material com homicídio (evitando-se o bis in idem). às 19:05. C > rixa qualificada. C abandona a rixa às 19h. temos duas correntes. 1ªC (prevalece): responderá por rixa qualificada (a briga foi mais perigosa) em concurso material com o delito de homicídio. D abandona a luta e E entra em seu lugar. porque de qualquer modo com seu comportamento concorreu para que a rixa ficasse mais perigosa. C sofre lesão grave. não existe bis in idem porque são circunstâncias distintas que estão servindo para qualificar (perigosa) e tipificar o homicídio (morte). . a depender da lesão). Exemplo 4: rixa entre A. A > rixa qualificada B > rixa qualificada C > rixa qualificada D > rixa qualificada E > rixa simples (não concorreu de qualquer modo para a briga ficar mais perigosa e gerar a lesão em C)  É possível legitima defesa no crime de rixa? Temos que diferenciar duas situações: . §1º ou §2º.Pessoa que não participa da luta (a luta está chegando perto de um casal. Às 19h. D > rixa qualificada.A e B respondem por rixa qualificada. Exemplo 3: rixa entre A. B. B foi o autor da lesão.

138 > calúnia Art. temos tipos especiais. Ex: “A” roubou as joias de “B”. Difamação (art. .Lei de imprensa (decadência de 3 meses)  a ADPF 130 julgou a lei de imprensa não recepcionada pela CF/88. . 139) Imputar criminoso. .  O art 41-B dp Estatuto do Torcedor prevê rixa em eventos esportivos (crime especial em relação ao do CP).. Imputar 138) determinado fato Honra ofendida previsto Honra objetiva (reputação – o que os outros pensam de você) como crime. os crime contra a honra por meio da imprensa ajustam-se às normas do CP.Lei de segurança nacional. dentro da briga.Código brasileiro de telecomunicações. . a agressão de um dos briguentos ultrapassar a medida dentro da qual se faz a contenda. 6) CRIMES CONTRA A HONRA Além os tipo penais do CP. 139 > difamação Art. Tal ocorrerá sempre que. assumindo cunho desproporcional (agressão extraordinária). CP: Art. por conseguinte.Código eleitoral (todos os crimes são de ação penal pública incondicionada). determinado porém fato não Honra objetiva não desonroso.Participante da briga (estão todos usando de murros e pontapés quando um deles saca uma arma): excepcionalmente. sabidamente falso. Tipos gerais Conduta Calúnia (art.Código penal militar. 140 > injúria Tipos especiais: .Estatuto do idoso. a legítima defesa pode socorrer um dos participantes da rixa. . .

e multa. são invioláveis nas suas opiniões e palavras (imunes).importando se verdadeiro ou falso. Ex: parlamentares.detenção. Injúria 140) (art. portanto. toda noite.Caluniar alguém. imputando-lhe falsamente DETERMINADO fato definido como crime: Pena . Ex: “A” é ladrão (não imputa fato decoro. sabendo falsa a imputação.  Infração penal de menor potencial ofensivo. de seis meses a dois anos. . OBS: pela teoria social da ação a contravenção do jogo do bicho foi revogado pelo costume.Na mesma pena incorre quem. pensa de você mesmo)  Se o ofendido apresentar queixa-crime de calúnia. Ex: “A” roda bolsina na esquina da X. o Sujeito Passivo Crime comum (qualquer pessoa pode ser vítima). o Sujeito Ativo Crime comum (pode ser praticado por qualquer pessoa). § 1º . 138 . não praticam crime. Determinadas pessoas. Advogado. sendo caso de difamação. não tem imunidade no crime de calúnia. no exercício da função. Calúnia (art. Atribuir qualidade negativa Honra subjetiva (dignidade. 138) Art. autoestima. o juiz pode recebê-la com aplicação da emendatio libeli. a propala ou divulga. Sua imunidade profissional abrange somente difamação e injúria. em razão das funções que exercem.É punível a calúnia contra os mortos. o que você determinado). § 2º .

apesar de ofensivo. do Senado. a pessoa jurídica não pode ser vítima de calúnia. o Conduta Imputar determinado fato definido como crime sabidamente falso.Haverá calúnia quando o fato imputado jamais ocorreu (falsidade que recai sobre fato) ou quando real o acontecimento não foi a pessoa apontada seu autor (falsidade que recai sobre a autoria do fato). .É punível a calúnia contra os mortos. etc).. pune o criador da calúnia. apesar de possuir honra objetiva. que não se confunde com imputar a prática de crime. escritos. . caput. 138. por motivação política. podem ser vítima.Ofender a honra do Presidente da República. 339) Crime contra a administração da justiça finalidade do agente é acionar A finalidade do agente é ofender a honra A objetiva da vítima inutilmente a máquina da administração da . OBS2: não confundir calúnia com denunciação caluniosa Calúnia Crime contra a honra Denunciação caluniosa (art. Logo. OBS1: imputar contravenção penal. mas de difamação. mas seus parentes é que serão vítimas. .O art. . o §1º pune quem propala ou divulga. enseja a aplicação da Lei de Segurança Nacional.A autocalúnia pode caracterizar o delito de autoacusação falta (art. da Câmara e do STF. mesmo assim os Tribunais não encontram exceções. caracteriza difamação. palavras.Prevalece no STJ e STF que. .Menores e loucos podem ser vítima do crime? 1ªC: considerando que menores e loucos não praticam crime. A honra é atributo dos vivos (o morto não é vítima de calúnia). . pois não pratica crime (será vítima de difamação). OBS: Essa posição deve ser repensada diante do crime ambiental da Lei nº 9605/98 praticado por pessoa jurídica. não são vítimas de calúnia. Trata-se de crime de execução livre (pode ser praticado por gestos. 2ªC (prevalece): caluniar é imputar fato definido como crime. 341 do CP – crime contra a administração da Justiça).

salvo: I . .Admite-se a prova da verdade. .justiça Calúnia é o fim Calúnia é o meio o Tipo subjetivo O crime é punido a título de dolo. 138. § 3º . já que a honra em questão é a objetiva. . No art. §3º) Admite-se o querelado (réu).Animus consulendi (espírito de aconselhamento). §1º. constituindo o fato imputado crime de ação privada. não admite tentativa.Animus narrandi (narrar fato.Animus defendendi (defender direito). salvo quando praticada a calúnia por escrito (carta caluniosa interceptada pela própria vítima). pune-se o dolo direito e eventual. 138. Cuidado com telegrama. . o Exceção da verdade (art. dispensando efetivo dano à reputação da vítima (basta a potencialidade lesiva). Não configuram o crime por ausência de animus de ofender a honra as seguintes hipóteses: . caput.Animus jocandi (brincadeira de mal gosto). como meio de defesa. 138. fazer prova da verdade (exceção da verdade) feita ao querelante. Em regra.se.Animus corrigendi (intenção de corrigir). pune-se somente o dolo direto (“sabendo falsa a imputação”). fonograma. o Consumação O crime se consuma quando terceiros tomam conhecimento da imputação criminosa feita contra a vítima. próprio da testemunha). Trata-se de crime formal. em que o crime se consuma quando a pessoa que materializa a mensagem toma conhecimento da imputação do crime. . No art. o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível.

II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141 (Presidente da República e chefe de governo); III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. A consequência da procedência da exceção da verdade (corre em autos apartados) é a absolvição do crime de calúnia, sob o fundamento da atipicidade do fato (na calúnia o fato deve ser falso). Temos três hipóteses em que a lei proíbe a exceção da verdade, são os incisos I, II e III, acima. - Inciso I > se o crime é de ação privada,a única pessoa que pode discutir em juízo o crime é a vítima deste (não o caluniador). Permitir ao caluniador provar a verdade dos fatos seria admitir a terceiro provar crime sobre o qual a própria vítima, real titular do direito de perseguir os fatos, preferiu o silêncio (havendo condenação definitiva, a exceção é possível). - Inciso II > razões políticas e diplomáticas fundamentam a vedação da prova da verdade. - Inciso III > proclamada a absolvição do réu, deve ser reconhecida a autoridade da coisa julgada. Não pode o caluniador querer desconstituir o que já restou absolvido pela justiça. Atenção: tem minoria doutrinária lecionando que, sendo a exceção da verdade meio de defesa, as hipóteses que proíbem esse meio não foram recepcionadas pelo princípio constitucional da ampla defesa. Passamos a ter presunção absoluta da falsidade. Exceção de notoriedade (art. 523 do CPP) Art. 523. Quando for oferecida a exceção da verdade ou da notoriedade do fato imputado, o querelante poderá contestar a exceção no prazo de dois dias, podendo ser inquiridas as testemunhas arroladas na queixa, ou outras indicadas naquele prazo, em substituição às primeiras, ou para completar o máximo legal.
Exceção da verdade Exceção de notoriedade

A finalidade é comprovar a verdade da Comprovar que o fato imputado é público e imputação A procedência da exceção gera atipicidade notório A procedência gera crime impossível, pois é

impossível ofender a reputação de uma pessoa que já está com sua reputação maculada pela publicidade e notoriedade do fato.

Difamação (art. 139) Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe DETERMINADO fato ofensivo à sua reputação: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.  Infração de menor potencial ofensivo (admite transação, suspensão condicional do processo e a competência é do juizado especial criminal). o Sujeito Ativo Crime comum (qualquer pessoa). - Pessoas que desfrutam de imunidade material não praticam o crime (deputados, senadores, vereadores no limite territorial da vereança, etc). - Advogado tem imunidade profissional na difamação (diferente da calúnia), conforme art. 7º, §2º da Lei nº 8906/94.

o Sujeito Passivo Crime comum. - Pessoa jurídica pode ser vítima de difamação, pois tem reputação a ser preservada. OBS: Mirabete discorda, pois considera que o CP somente protege a honra de pessoa física. - Difamação contra os mortos não é crime, por ausência de previsão legal (a Lei de Imprensa punia, mas não foi recepcionada).

o Tipo objetivo (conduta) Imputar fato desonroso, sem revestir de caráter criminoso.  imputar contravenção penal é difamação e não calúnia. - Trata-se de crime de execução livre (gestos, fala, escrito, etc).

- O art. 139 não contém a previsão de “propalar ou divulgar a difamação”, como faz o art. 138. De acordo com a maioria da doutrina, a omissão não significa que o fato é atípico. Todo aquele que propala ou divulga fato desonroso acaba também por praticar (nova) difamação.

o Tipo subjetivo O delito é punido a título de dolo, sendo imprescindível a intenção de ofender a reputação (animus diffamandi). Assim, o animus jocandi (brincadeira de mal gosto); animus consulendi (espírito de aconselhamento); animus narrandi (narrar fato, próprio da testemunha); animus corrigendi (intenção de corrigir) e animus defendendi afastam a tipicidade.

o Consumação O crime de difamação consuma-se quando terceiro toma conhecimento da imputação desonrosa. Trata-se de crime formal, segundo a maioria, não precisa de efetiva ofensa à honra objetiva (reputação), bastando a potencialidade lesiva. - Admite a tentativa na forma escrita (interceptação da carta escrita, sem que terceiro tenha conhecimento da imputação desonrosa).

o Exceção da verdade Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. Ao contrário da calúnia, a falsidade não é elementar do crime de difamação, por isso a exceção da verdade é aceita em apenas uma hipótese: se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções (se fora das suas funções, não é possível a exceção da verdade). Atenção, a Exposição de motivos do CP proíbe a exceção da verdade contra Presidente da República e Chefe de Governo estrangeiro. As razões políticas que norteiam a prova da verdade na calúnia estão presentes também na difamação.

. ou multa. 140) Art. é possível injuriar pessoa vivia ao denegria a imagem dos mortos (ex. o Sujeito Passivo Crime comum: pode figurar como vítima qualquer pessoa capaz de compreender a ofensa contra ela proferida.Os detentores de imunidade material não praticam injúria. . o agente que imputa à vítima fato genérico.Por não possuir honra subjetiva. Então. ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena . Ex. de um a seis meses.Em regra. Ao contrário da calúnia e difamação.Não se pude a injúria contra os mortos (somente a calúnia contra os mortos é punida). Todavia. . pois todos os cidadãos têm direito de fiscalizar a Administração Pública.A procedência da exceção da verdade gera absolvição do acusado por estar acobertado pelo exercício regular de direito (e não por atipicidade como na calúnia). pratica injúria (e não difamação ou calúnia). . . a autoinjúria obviamente não é crime.A difamação também admite a exceção da notoriedade. não se imputa à vítima fato determinado. . Injúria (art.detenção.: a falecida era cafetina das filhas – com isso chama as filhas de prostitutas).Advogado tem imunidade profissional da injúria (só não tem imunidade na calúnia). Por isso não é crime quando se xinga menor de tenra idade. 140 .  Infração de menor potencial ofensivo o Sujeito Ativo Crime comum. a pessoa jurídica não pode ser sujeito passivo de injúria. o Tipo Objetivo (conduta) Atribuir qualidade negativa.Injuriar alguém. .: sou um filho da puta. salvo quando a expressão ultrapassa a órbita da personalidade do individuo. indeterminado.

Inciso I > provocação seguida de injúria. . pois. Somente o que retribui a provocação com injúria é que pode ser perdoado. Provocação que não consista em injúria (ex: agressão física).Injúria absoluta: a expressão tem significado ofensivo não importando as circunstâncias de tempo.. parece possível quando a ofensa não chega ao conhecimento da vítima por circunstâncias alheias à vontade do agente (ex: a vítima morre e os familiares ingressam com a ação penal por injúria tentada). de forma reprovável. tem doutrina que não admite tentativa na injúria. lugar o modo de execução. o Não admite exceção da verdade. o Consumação A consumação ocorre quando a vítima toma conhecimento da expressão injuriosa.O juiz pode deixar de aplicar a pena: I . Os dois injuriadores podem ser perdoados. que consista em outra injúria.Trata-se de crime de execução livre.no caso de retorsão imediata. decoro) da vítima.quando o ofendido. §1º) § 1º . lugar ou modo de execução.Injúria relativa: a expressão tem significado ofensivo se proferida em determinadas circunstâncias de tempo. para apresentar a queixa-crime. II . 140. Inciso II > injúria seguida de injúria. sendo imprescindível a vontade de ofender a honra subjetiva (dignidade. nem de notoriedade o Hipóteses de perdão judicial (art. Por isso. . o Injúria real . o Tipo Subjetivo O crime é punido a título de dolo. provocou diretamente a injúria. Apesar de haver doutrina negando a possibilidade da tentativa. a vítima necessariamente tem de ter consciência da ofensa.

reclusão de um a três anos e multa. de 2003) Pena . da difamação ou da injúria (Internet. em razão de suas funções. Infração penal de médio potencial ofensivo (não admite transação penal. imprensa. o agente atribui à vítima qualidade negativa relacionada à raça. cor. busca-se atingir a alma. mas permite a suspensão condicional do processo). difamação e injúria Art. . II . o Injúria preconceito ou discriminação § 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça. Na injúria preconceito (afiançável e prescritível). e multa. se considerem aviltantes: Pena .na presença de várias pessoas. etnia. Ex: injúria real e lesão dolosa. se qualquer dos crimes é cometido: I . por isso. Disposições comuns aos crimes de calúnia. cor. Atenção: não se confunde com o delito de racismo. religião. religião. ou contra chefe de governo estrangeiro. mais do que o corpo. ocorre bis in idem. que.741.Se a injúria consiste em violência ou vias de fato.As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço. por sua natureza ou pelo meio empregado. etc).detenção.contra o Presidente da República. além da pena correspondente à violência. ou por meio que facilite a divulgação da calúnia. etnia.contra funcionário público. Se houver violência. origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº 10. Violência e vias de fato são o meio. III . no racismo (inafiançável e imprescritível). cor. 141 . ao responder pela violência como crime autônomo. etc. o agente segrega ou fomenta a segregação do ofendido em razão de sua raça. autofalante. A injúria real é injúria qualificada pela violência. Segundo Nelson Hungria. de três meses a um ano.§ 2º . a injúria é o fim. o agente responde por injúria real + crime violento praticado (a contravenção penal de vias de fato fica absorvida).

Inciso III > para Bento de Faria. Também não se computa a vítima na sua própria ofensa. exceto no caso de injúria. coautor. > ofender a honra de Chefe de Governo estrangeiro (ou Chefe de Estado) pode periclitar as relações diplomáticas brasileiras.741. indiretamente. . . . . se o agente ofende vários indivíduos. para Nelson Hungria. evitando responsabilidade penal objetiva. Imunidades Art. > Para incidir esse aumento. é imprescindível a presença de mais de duas pessoas (É A POSIÇÃO QUE PREVALECE).Inciso I > macular a honra do Presidente da República é macular. pela parte ou por seu procurador. cada um será terceiro em relação à ofensa a um deles.a opinião desfavorável da crítica literária. nos termos do art. . (calúnia. por isso não incide para o idoso. salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar. todos os cidadãos.Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa. II . 142 . difamação ou injúria mercenária) .Inciso II > discute-se se o aumento é aplicado quando o ofendido é funcionário público atípico. artística ou científica. 327. aplica-se a pena em dobro.O art.Não constituem injúria ou difamação punível: I . é imprescindível que o agente conheça a qualidade ou condição especial da vítima.a ofensa irrogada em juízo. a ser considerada na 3ª fase do cálculo trifásico. (Incluído pela Lei nº 10.Inciso IV > o Estatuto do Idoso tem uma injúria especial. na discussão da causa.  Não se computam nesse número o autor.IV – contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência. basta a presença de duas pessoas. emprego ou função em paraestatal ou concessionária). mas. Prevalece que incide. 141 prevê causa de aumento de pena (não é qualificadora).A calúnia com a pena majorada deixa de ser de menor potencial ofensivo. §1º (exerce cargo. . partícipe e pessoas que não podem compreender o caráter desonroso da expressão. de 2003) Parágrafo único .

 prevalece 2ªC (Noronha): causa de exclusão da punibilidade. responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade. em apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício. A imunidade do advogado está no art. a maioria abrange na ressalva os demais incisos. 143 . I e III.o conceito desfavorável emitido por funcionário público. Retratação Art. Logo. as imunidades não são absolutas. .III .Inciso I > imunidade judiciária abrange a parte ou seu procurador. 7º. 3ªC (Fragoso): causa de exclusão do elemento subjetivo (falta o animus ofendendi). . revelando que essa imunidade exclui a intenção de injuriar ou difamar. §2º da Lei nº 8906/94. por isso sua divulgação não é punida como nos casos dos incisos I e III.  Esta imunidade não alcança a calúnia.Apesar de apenas o inciso II ressalvar a existência de crime quando inequívoca a intenção de ofender a honra. O juiz está acobertado pela discriminante do estrito cumprimento do dever legal. inciso V da Lei nº 8625/93. uma vez que o inciso II diz “salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar”. fica isento de pena. Parágrafo único . . . havendo ainda doutrina segundo a qual as críticas do magistrado não configuram crime por ausência de dolo.Nos casos dos ns. artística ou científica. .Inciso II > imunidade literária. 41.Inciso III > imunidade funcional. somente a difamação e a injúria. se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação. antes da sentença.Natureza jurídica da imunidade 1ªC (Damásio): causa especial de exclusão da ilicitude.O querelado que. Retratação não se confunde com confissão. Está correta. . Retratar é retirar do mundo o que afirmou. . A imunidade do MP está no art.Parágrafo único > a publicidade é inerente à crítica literária. devolvendo a verdade.

da violência resulta lesão corporal. no caso do art. responde pela ofensa. se infere calúnia. 861 a 866 do CPC). Parágrafo único. e mediante representação do ofendido. . . 141 deste Código. § 2º. no caso do inciso I do caput do art. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça. pois o art. Pedido Explicações (resposta) .A retratação de um dos corréus não aproveita aos demais. 144 . em virtude dos termos empregados. O pedido de explicações é uma medida preparatória e facultativa para o oferecimento da queixa quando.Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa. difamação ou injúria.Atenção: a retratação é uma causa extintiva da punibilidade que só alcança a calúnia e a difamação. de referências. 145 . não as dá satisfatórias. alusões ou frases. a critério do juiz. OBS: a retratação no falso testemunho e falsa perícia é circunstância objetiva e se comunica. aplica-se o procedimento das justificações avulsas (arts. de modo que a retratação não extingue a punibilidade na fase recursal. sanável por HC). . para a pessoa se explicar é constrangimento ilegal.Facultativa (juiz marcar audiência decadencial). Pedido de explicações Art.Facultativo (não interrompe o prazo . quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou. não se mostra evidente a intenção de ofender a honra. 143 prevê circunstância subjetiva incomunicável (o “querelado” fica isento de pena).Se. Ação penal Art. . 2ªC: sentença transitada em julgado. 140.O termo final da retratação extintiva da punibilidade: 1ªC (prevalece): sentença de primeiro grau. salvo quando. não abrange a injúria.Rito do pedido de explicações: no silencio da lei.

7) SEQUESTRO E CÁRCERE PRIVADO Art. mediante queixa. prevendo direito de opção a ele.  O STF já decidiu que se o servidor optar pela representação. 140 deste Código. 148 . injúria real com vias de fato continua sendo de iniciativa privada.033/09) A regra é ação penal de iniciativa privada. Atenção.no caso do inciso II do mesmo artigo.Crime contra Presidente da República ou Chefe de Governo estrangeiro: ação penal pública mediante requisição do Ministro da Justiça. de um a três anos. mediante seqüestro ou cárcere privado: Pena .reclusão.” Se o servidor optar pela queixa. bem como no caso do § 3º do art.Privar alguém de sua liberdade.Injúria real com violência e lesão: ação penal pública incondicionada (mesmo na lesão leve). . (Alterado pela Lei nº 12. para a ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções. . admite-se perdão do ofendido e retratação do querelado e cabe perempção – o que não ocorre caso opte pela representação. não cabe preventiva para agente primário por ter pena máxima de 3 anos).Injúria preconceito: ação penal pública condicionada à representação da vítima (alteração trazida pela Lei nº 12. Súmula 714/STF: “É concorrente a legitimidade do ofendido.Crime contra funcionário público no exercício da função: ação penal pública condicionada à representação da vítima. fica-lhe preclusa a ação penal privada (HC 846599).033/09). Exceções: . 145 diz que a ação penal é pública condicionada à representação.  Infração de médio potencial ofensivo (admite suspensão condicional do processo. e do Ministério Público. .  Sujeito ativo . condicionada à representação do ofendido. mas o STF permite que o servidor apresente queixa-crime.  O art.

O cárcere privado gera maior sofrimento para a vítima.Crime comum (pode ser praticado por qualquer pessoa)  Sujeito passivo Crime comum (qualquer um pode ser vítima) . pode ser praticado por ação ou omissão (médico que não concede alta para paciente já curado – se for para reaver despesas do tratamento será exercício arbitrário das próprias razões). . Câmara ou STF. . 148. tetraplégicos) não estão protegidas pelo art. pode configurar crime do art. se a vítima consentir em ver sua liberdade privada o crime deixa de existir (ex: BBB). fraude ou qualquer outro meio.Trata-se de crime de execução livre: pode ser praticado por violência. grave ameaça. prevalece a corrente em sentido contrário.Atenção: a privação da liberdade não pressupõe que a vítima seja transportada de um local para o outro.Apesar de haver doutrina ensinando que pessoas sem capacidade de se movimentar sozinhas (como bebes. Senado.sequestro ≠ cárcere privado: o sequestro é uma privação sem confinamento (ex: privado de liberdade na fazenda). . se houver motivação política na atuação do agente – especializante. .  Tipo subjetivo .  Tipo objetivo (conduta) Privação da liberdade de locomoção da vítima. o que é considerado pelo juiz na fixação da pena-base. . o cárcere privado é uma privação com confinamento (ex: privado de liberdade no cômodo de uma casa). 28 da Lei nº 7170/83 (segurança nacional).O bem jurídico tutelado é disponível. A liberdade de movimento não deixa de existir quando se exerce à custa de aparelhos ou auxílio de outrem.Se a vítima for Presidente da República. mediante sequestro ou cárcere privado.

 Consumação Consuma-se com a privação da liberdade da vítima. V – se o crime é praticado com fins libidinosos.  Qualificadora do art. nem os parentes por afinidade.O tempo de privação da liberdade interfere na consumação? 1ªC (prevalece): é irrelevante o tempo de privação. cônjuge ou companheiro do agente ou maior de 60 (sessenta) anos.Admite tentativa. . . de modo que.  não abrange o irmão.se a privação da liberdade dura mais de quinze dias. (Incluído pela Lei nº 11. é imprescindível privação por tempo juridicamente relevante. .É um crime permanente.se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital. ex3: finalidade especial de torturar está previsto na Lei 9455/97). 148. ex2: finalidade especial de obter vantagem indevida configura extorsão mediante sequestro.106. descendente.  Atenção. de dois a cinco anos: I – se a vítima é ascendente. II . §1º § 1º .A pena é de reclusão. III . cabe preventiva para agente primário. privação da liberdade + finalidade especial pode caracterizar outro delito (ex1: finalidade especial de escravização da vítima passa a ser redução à condição análoga a de escravo – art. de 2005)  crime de grande potencial ofensivo (não admite suspensão condicional do processo. enquanto não cessada a privação da vítima. IV – se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos. . como a pena máxima passou a ser de 5 anos). a privação se protrai no tempo. 2ªC: para a consumação do crime. já que é delito plurissubsistente. 149.O crime é punido a título de dolo (dispensando finalidade especial a animar o agente).

148.  Qualificadora do art. 219 – rapto de 2 a 4 anos Ação penal de iniciativa privada Depois da Lei 11106/05 Art. perdão. mesmo que menor no início da execução. a referida Lei teve vigência sem que o inquérito policial fosse encerrado > a ação penal para os casos praticados antes da Lei 11106/05 deve continuar privada.Subtrair. 148. §1º. .Inciso II > internação simulada ou fraudulenta. Presentes as qualificadoras do §1º e do §2º.reclusão.reclusão. perempção e decadência). . de dois a oito anos.. pois a pena é maior. V com pena de 2 a 5 anos Ação penal pública incondicionada Princípio da continuidade normativo-típica (migração do conteúdo típico para outra norma) – não há retroatividade. coisa alheia móvel: Pena . Ex: antes da lei 11106/05. 155 . .Inciso III > traz maior sofrimento para a vítima. basta ser menor no início da execução. §2º § 2º .Se resulta à vítima. o juiz deve aplicar esta e utilizar aquele como circunstância judicial desfavorável na fixação da pena-base. para si ou para outrem. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO 1) FURTO Art.Inciso IV > a menoridade deve ser conhecida pelo agente. basta ser maior de 60 anos até o final da privação. em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção. . e multa. de um a quatro anos. pois raciocínio diferente subtrai do agente inúmeros institutos extintivos da punibilidade (renúncia.Inciso I > a idade da vítima deve ser conhecida. grave sofrimento físico ou moral: Pena . mesmo que maior no momento da liberdade. o idoso com exatos 60 anos (aniversário) não está abrangido. .Inciso V > privação da liberdade com fins libidinosos Antes da Lei 11106/05 Art. “A” privou “B” da liberdade com fins libidinosos.

pode ser praticado por qualquer pessoa. Crime de execução livre: pode ser apoderamento direto ou indireto (por meio de interposta pessoa ou animal).Aquele que subtrai coerdeiro.Qual o bem jurídico tutelado? 1ªC (Nelson Hungria): protege somente a propriedade. §1º). a posse e a detenção legítimas. Infração de médio potencial ofensivo (a pena mínima admite suspensão condicional do processo. possuidor ou detentor – pessoa física ou jurídica. 312. pois “B” não tinha posse ou detenção legítimas. para si ou para outrem.  “A” é furtado por “B”. 156  furto de menor potencial ofensivo. caso a subtração seja facilitada pela qualidade de servidor. . 346). e a ação é pública condicionada à representação da vítima. . 3ªC (prevalece): protege a propriedade. mas se não houver essa facilidade.O proprietário que subtrai coisa sua na legítima posse de terceiro (ex: subtrai relógio empenhado) pratica exercício arbitrário das próprias razões (art.  Sujeito passivo Proprietário.subtrair = apoderamento definitivo. responderá por furto comum. . previsto no art. 2ªC (Noronha): protege também a posse. .  Conduta Subtrair. coisa alheia móvel. .Funcionário público que subtrai coisa pública ou particular em poder da Administração pratica peculato-furto (art. 345) ou modalidade especial de exercício arbitrário das próprias razões (art. de competência do juizado especial. . salvo o proprietário. condômino ou sócio na coisa comum pratica furto de coisa comum. que é furtado por “C”  a vítima é “A”.  Sujeito ativo Crime comum Atenção. a pena máxima não admite preventiva para furtador primário).

 O cadáver. . oculta ou inutiliza por ocasião de incêndio. não pode ser objeto material de furto. apesar de a coisa ser alheia. ou outro desastre ou calamidade. ensinando que o caso gera apenas um dano moral que deve ser resolvido na esfera civil. etc. 257 prevê tipo subjetivo para quem subtrai. porque não são “alheias”. como por exemplo. ou impede ou dificulta serviço de tal natureza.  Tipo subjetivo O crime é punido a título de dolo. salvo quando destacado para alguma finalidade específica (ex: servir aos estudantes de medicina na aula de anatomia). Nucci (prevalece na jurisprudência) discorda. sendo imprescindível a vontade de apoderamento definitivo.. ii) coisa não consumível. inciso II do CP). água do mar e rio. pois. em princípio não pode ser objeto material de furto.  Para Nelson Hungria. inundação. .  Coisa abandonada e coisa de ninguém não são objeto de furto. o ar.u. em regra. p.coisa alheia móvel (objeto material do delito) = coisa é o bem economicamente apreciável. desde que: i) intenção desde o início de uso momentâneo da coisa. 169.O furto de uso é atípico.. de socorro ou salvamento.  Coisa pública de uso comum (que a todos pertence). aparelho.  Para o direito penal “móvel” é coisa que pode ser transportada de um local para outro sem perder a identidade.  Atenção. não existe subtração. material ou qualquer meio destinado a serviço de combate ao perigo. coisa de interesse moral ou sentimental (ex: fotografias) pode ser objeto de furto.  Apoderar-se de coisa perdida não configura furto. o art. mas apropriação. salvo quando destacada do local de origem para atender finalidade econômica de alguém. iii) sua restituição integral e imediata à vítima. naufrágio. Esta tipificada como apropriação de coisa achada (art.

68) c) Ablatio: a consumação ocorre quando o agente consegue transportar a coisa apoderada de um local para o outro. DJ 27. haverá crime de furto mesmo que a coisa apoderada permaneça no âmbito pessoal ou profissional da vítima (sob sua vigilância). p. pela perseguição imediata” (HC 89958-SP. este sim objeto material do crime. pois apesar de não consumível. o agente tenha tido a posse da “res furtiva“. Portanto.u. simples acessório da coisa principal visada. o critério da saída da coisa da chamada “esfera de vigilância da vítima” e se contenta com a verificação de que.04.. 03. temos o problema da gasolina. em seguida. ainda que retomada. rel. dispensa posse mansa e pacífica.2007. 2ªC (adotada pela doutrina moderna): trata-se de fato atípico. “A jurisprudência do STF dispensa. a exemplo da empregada doméstica que subtrai joias e esconde num cômodo da casa da vítima. v.  Consumação Teorias: a) Contrectatio: a consumação se da pelo simples contato entre o agente e a coisa alheia. De acordo com Nelson Hungria. pois quem usa carro não quer se apoderar de gasolina.A tentativa é perfeitamente possível. Sepúlveda Pertence. d) Illatio: a consumação se da quando a coisa é levada a local seguro (posse mansa e segura). b) Amotio ou apprehensio (adotada pelo STF e STJ): a consumação se da quando a coisa subtraída passa para o poder do agente e o proprietário perde a disponibilidade da coisa.04. para a consumação do furto ou do roubo. . cessada a clandestinidade ou a violência.O apoderamento momentâneo de veículo configura furto de uso? 1ªC: não. ..2007.

Não se trata de qualificadora e sim de causa de aumento de pena. a incidência da majorante depende de o crime ser praticado em local de moradia (local em que pessoas se recolhem costumeiramente para o descanso). deve ser observado o costume da comunidade (costume interpretativo). na interpretação do repouso noturno. para incidir a majorante. Atenção. prevalece que não incide a causa de aumento.  Majorante do repouso nortuno § 1º .De acordo com os Tribunais Superiores. entendeu que incide. . devendo ser analisado o caso concreto. por si só.OBS1: a vigilância eletrônica em estabelecimentos comerciais (física ou eletrônica) não torna. a majorante tem aplicação restrita ao furto simples (não incide no furto qualificado. .A pena aumenta-se de um terço. o crime impossível.Repouso noturno é o período em que a comunidade se recolhe para o descanso diário. Mas o STJ.Com o aumento de 1/3 da pena.  Furto privilegiado ou mínimo . a pela de 4 anos aumentada de 1/3 admite preventiva mesmo para o réu primário. mas será considerado como circunstância judicial desfavorável). prevalece nos Tribunais Superiores que.De acordo com a maioria.OBS: se o furto for de algum objeto fora da casa (ex: carro estacionado na rua). .  Apesar de Hungria escrever que sim.  Prevalece que não incide a majorante no furto de estabelecimento comercial. Além disso. não mais admitindo suspensão condicional do processo. o crime deixa de ser de médio potencial ofensivo e passa a ser de grande potencial ofensivo. não precisa que o imóvel esteja habitado com seus moradores repousando (a casa pode estar ocasionalmente desabitada). . . no HC 940245. . se o crime é praticado durante o repouso noturno.

. . e é de pequeno valor a coisa furtada. no HC 97261. ao passo que sinal de televisão não se gasta.Se o criminoso é primário. temos a posição de Nucci.De acordo com os Tribunais Superiores.A 2ªT do STF entendeu. iv) inexpressividade da lesão jurídica provocada. não suplanta 1 sm. térmica.Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico. segundo quem configura furto.Furto de energia elétrica x estelionato no consumo de energia elétrica Furto Estelionato Não existe contrato entre o agente e a Existe contrato autorizando o gasto de . Isto porque a energia se consome.  O mesmo raciocínio pode ser adotado para subtração de pulso telefônico. pois sinal de televisão é uma forma de energia. diminuí-la de um a dois terços.Reforça o entendimento que o objeto do furto precisa ter valor econômico. OBS: não se confunde com furto insignificante.pequeno valor da coisa furtada = de acordo com a jurisprudência. . radioatividade e genética (sêmen de animal).Qualquer outra = mecânica. ou aplicar somente a pena de multa. Em sentido contrário. iii) reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento. que pressupõe: i) mínima ofensividade da conduta do agente.primariedade = não reincidente (mesmo que tenha processos pretéritos). ii) nenhuma periculosidade da ação. seguindo a doutrina de Bitencourt. é possível furto qualificado privilegiado (da mesma forma que é possível homicídio qualificado privilegiado).§ 2º . se esgota. que subtração de sinal de TV a cabo não configura furto. . Requisitos: . o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção.  Cláusula de equiparação § 3º . não diminui. . .

quebrar o vidro de carro para furtálo não faria incidir a qualificadora. II . se a violação tivesse sido feita para subtração do próprio automóvel. mas para subtrair objeto dentro dele sim. Por questão de equidade. A violência empregada sobre a própria coisa a ser subtraída não qualifica o crime. pois a bolsa não é obstáculo.mediante concurso de duas ou mais pessoas. . O agente emprega fraude. HC 152833). alterando o medidor de energia para pagar menos do que consumiu Pena de 1 a 4 anos Pena de 1 a 5 anos  Furto Qualificado (§4º) § 4º .com emprego de chave falsa. Assim. o Inciso I > a ação do agente tem de recair sobre o obstáculo existente entre ele e a coisa visada.com abuso de confiança. escalada ou destreza. OBS2: Capez considera que violar a bolsa para subtrair carteira não qualifica o crime. É que. OBS1: subtrair automóvel desativando o alarme não faz incidir a qualificadora. se o crime é cometido: I .com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa. III . ou mediante fraude.A pena é de reclusão de dois a oito anos. Cuidado. e multa.concessionária. o furto seria simples (STJ. temos jurisprudência decidindo que o rompimento do vidro do veículo para subtração de objeto dentro do seu interior não caracteriza a qualificadora. pois o STF não concorda com este raciocínio. IV . Praticado mediante ligação clandestina energia. apenas objeto de transporte do item.  Infração de grande potencial ofensivo (a qualificadora consumada não admite suspensão condicional do processo – salvo se tentado).

coisa ao agente O bem é retirado sem que a vítima A posse do bem passa para o agente de perceba (a posse é alterada de forma forma bilateral (a vítima concorda) unilateral). facilitando a erro e entregar a posse desvigiada da subtração. Dolo é antecedente à posse outrem.Mediante fraude Furto mediante fraude Estelionato A fraude busca diminuir a vigilância da A fraude busca fazer a vítima incidir em vítima sobre a coisa. De acordo com Noronha.Abuso de confiança: o agente viola a confiança nele depositada. b) Agente que simula interesse na compra de veículo e. pode o criminoso captar propositadamente a confiança. como valer-se de confiança já existente. Dolo é superveniente à posse . apossa-se de seu cartão. Para incidir a qualificadora. o subtrai não mais retornando.o Inciso II . mas não a O agente exerce posse em nome de posse da coisa. Pena 2 a 8 anos Pena 1 a 5 anos OBS: configura furto mediante fraude (e não estelionato): a) Agente que. c) Agente que coloca aparelho de maior valor em embalagem de aparelho de menor valor.  Furto mediante abuso de confiança x apropriação indébita Furto Apropriação indébita O agente tem mero contato.  Situação . com pretexto de testá-lo. a jurisprudência exige que a subtração deva ser facilitada pela confiança depositada no agente.: agente entra na casa da vítima dizendo-se operador da TV a cabo e enquanto esta sai para conferir a antena o agente subtrai diversos bens. Ex. fraudando o pagamento no caixa. trocando-o por outro. a pretexto de auxiliar a vítima a operar caixa eletrônico.

diferente é substituir preços. com ou sem forma de chave.  Entende a maior que chave verdadeira obtida mediante fraude não caracteriza a qualificadora.  Qualificadora (§5º) . A jurisprudência condiciona a aplicação da qualificadora à vítima trazer o bem junto ao corpo.Escalada: uso de qualquer via anormal (até mesmo túnel) para ingressar no local em que se encontra a coisa visada (não é necessariamente subida). mas não é o que prevalece. destinado a abrir fechaduras. porque o agente leva o que a vítima viu. por isso. . . o Inciso III > chave falsa é todo instrumento. aplica-se a qualificadora mesmo que terceiros percebam a ação do agente (quem não pode perceber é a vítima). Mas de acordo com a maioria basta a presença de duas ou mais pessoas concorrendo para o crime (o partícipe é computado). não incide esta qualificadora para evita bis in idem. que é estelionato. Não há prevalência de um entendimento. Se o crime for praticado em quadrilha ou bando. o Inciso IV > Nelson Hungria ensina que a qualificadora pressupõe duas ou mais pessoas executando o crime (não considera os partícipes).Destreza: peculiar habilidade física ou manual praticando o crime sem que a vítima perceba que esta sendo despojada (ex: batedores de carteira – chamados de punguista). pois somente assim é possível avaliar a habilidade do agente. mas com preço adulterado. A minoria (Noronha) entende que sim. alguns entendem que a perícia é sempre necessária para atestar se houve esforço anormal. A jurisprudência exige que a escalada seja resultado de um esforço fora do comum. Discute-se se ligação direta em automóvel configura chave falsa ou rompimento de obstáculo. Atenção.

a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro. se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior.  Furto simples consumado. abrangendo o DF.§ 5º . foi preso em flagrante. reduzido à impossibilidade de resistência: Pena . Nasce da fusão de dois tipos penais (furto + constrangimento ilegal). § 1º . ou depois de havê-la. e multa. quando visava transportá -lo para outro Estado.  O conceito de veículo automotor está no CTB (não abrange embarcações nem aeronaves).  São duas modalidades de roubo simples. para si ou para outrem.  Sujeito ativo Crime comum (não exige qualidade ou condição especial do agente). sendo indispensável que o veículo ultrapasse os limites do Estado ou do país. todavia. não basta a intenção. de quatro a dez anos.  A maioria da doutrina entende que o termo “Estado” foi utilizado em sentido amplo para designar ente da federação. 157 .Subtrair coisa móvel alheia. do caput e do §1º  Bem jurídico: crime complexo. Ex: “A” subtrai o veículo de “B”. por qualquer meio. protegendo pluralidade de bens jurídicos (patrimônio + liberdade individual da vítima).Na mesma pena incorre quem. mediante grave ameaça ou violência a pessoa. logo depois de subtraída a coisa. Atenção: para incidir a qualificadora. emprega violência contra pessoa ou grave ameaça.reclusão. . 2) ROUBO Art. A minoria.A pena é de reclusão de três a oito anos. No dia seguinte. diz que a omissão exclui o DF. pois sua abrangência seria analogia in malam partem.

possuidor ou mero detentor da coisa. Ex2: agente.Casos Ex1: agente.Condutas antecedentes > violência. grave ameaça ou qualquer outro meio.Conduta subsequente > violência ou grave ameaça para assegurar a impunidade do crime ou detenção da coisa. como psicotrópico. §1º (roubo impróprio ou por aproximação). .  Os Tribunais Superiores não reconhecem o princípio da insignificância no delito de roubo.Conduta antecedente > subtração . . Ex3: agente.  Sujeito passivo É o proprietário. pessoa física ou jurídica. momento em que emprega violência para assegurar a impunidade do crime = roubo impróprio. Não existe violência imprópria.Pode ser praticado por qualquer pessoa. é surpreendido pelo proprietário. é surpreendido pelo proprietário. É um furto que se transforma de roubo. menor o proprietário do objeto (responde por exercício arbitrário das próprias razões). quando ia apoderar-se da coisa visada. depois de apoderar-se da coisa. mediante grave ameaça subtrai a carteira da vítima = roubo próprio. empregando violência para assegurar a impunidade = tentativa de furto + lesão corporal. bem como a pessoa contra quem se dirige a violência ou grave ameaça.Conduta subsequente > subtração.  Não se confunde com o roubo impróprio do §1º. .  Tipo objetivo Caput (roubo próprio) . . hipnose (violência imprópria). OBS: é indispensável o prévio apoderamento da coisa.

O STF. Tipo subjetivo Roubo próprio Dolo + fim específico (obtenção da coisa para si ou para outrem).  Roubo de uso é crime. após apoderar-se do bem. Admite tentativa. figurando como exemplo a hipótese em que o agente. segundo a doutrina majoritária e STJ e STF. caracterizando somente constrangimento ilegal. pois ou a violência é empregada e tem-se a consumação. Roubo impróprio Dolo + fim especial (assegurar a impunidade ou detenção da coisa subtraída). decidiu que o crime de roubo. ou não é empregada e será crime de furto.A pena aumenta-se de um terço até metade: . tenta empregar violência ou grave ameaça.  Consumação Roubo próprio Consuma-se com o apoderamento mediante violência ou grave ameaça (dispensando a posse mansa e pacífica). Tentativa: 1ªC (doutrina clássica) . fruta a consumação. Roubo impróprio A consumação ocorre com o apoderamento seguido de violência ou grave ameaça. no julgamento do HC 104593.é possível tentativa. 2ªC (doutrina moderna) . Uma segunda corrente (Rogério Greco) diz que não é crime de roubo. Tese inaplicável nas hipóteses em que a ação dos agentes é monitorada pela polícia que. obstando a possibilidade de fuga.não admite tentativa.  Causas de aumento (majorante) § 2º . independe da posse mansa da coisa. em regra.

apesar de gerar o mesmo temor da arma verdadeira. sendo insuficiente o simples portar. . IV . . II . arma de brinquedo configura roubo não majorado. deve ser adotada a interpretação mais favorável ao réu.É necessário o efetivo emprego da arma para caracterizar a majorante? 1ªC (Bitencourt): é necessário o emprego efetivo da arma. que permitia o aumento de pena no caso de arma de brinquedo. 22.se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância. Portanto. O cancelamento da súmula reforçou a tese de que arma desmuniciada também não majora a pena do roubo.se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. restringindo sua liberdade o Inciso I > emprego de arma .se o agente mantém a vítima em seu poder. . alcançando instrumento com ou sem finalidade bélica que sirva para o ataque.se há o concurso de duas ou mais pessoas. (Incluído pela Lei nº 9. Trabalha com interpretação restritiva do termo: como o termo é ambíguo.Conceito de arma 1ªC: toma a expressão “arma” no sentido próprio. 2ªC (prevalece no STJ e STF): toma a expressão “arma” no sentido impróprio. pois esta garante proteção eficiente e suficiente do Estado.426. nos termos do art. de 1996) V . abrangendo somente instrumento com finalidade bélica (faca e lamina não são arma).I .A Súmula 174 do STJ. foi cancelada pois a arma de brinquedo.se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma. §2º do Estatuto de Roma. Faz uma interpretação extensiva. III . 2ªC (Luiz Régis Prado): é suficiente para caracterização da majorante que o sujeito ativo porte arma ostensivamente. jamais transformará o perigo em dano.

§4º. o Inciso II > concurso de pessoas Ver os comentários ao art. bastando prova de que o agente empregou arma no roubo.“serviço” = prestando serviço para outrem. são computados para aplicar a majorante. pois são infrações independentes. o Inciso III > vítima em serviço de transporte de valores . pois são infrações independentes. .. . protegendo cada qual bens jurídicos próprios. Os partícipes.Firmou-se entendimento no STF de ser possível a cumulação da majorante do roubo mediante emprego de arma e a qualificadora da quadrilha armada. .Conceito de valores 1ªC: limita aos valores bancários. 2ªC (prevalece): qualquer transporte de valores. não incide a majorante quando a vítima está transportando valores próprios. . 155. 2ªC (prevalece nos Tribunais Superiores): a perícia é dispensável. não caracteriza bis in idem a condenação do réu pelos crimes de quadrilha e roubo majorado pelo concurso de pessoas. eventuais inimputáveis ou agentes não identificados.De acordo com o STF. só protegendo carro-forte. protegendo cada qual bens jurídicos próprios. o Inciso IV > transporte de veículo automotor para outro Estado ou país. Ex: roubo de carga. o Inciso V > restrição da liberdade da vítima .Para incidir a majorante é indispensável a apreensão e perícia da arma? 1ªC: é indispensável aferir o perigo de lesão.E o agente conhece tal circunstância  para evitar responsabilidade penal objetiva.

além da multa. se resulta morte.É necessário que o resultado decorra de violência empregada durante ( fator tempo) e em razão do assalto (fatos nexo). não haverá a qualificadora. Súmula 443/STJ: “O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo circunstanciado exige fundamentação concreta. aumenta-se a pena de 1/3 até ½ 1ªC: a pluralidade de majorantes faz com que o aumento se aproxime do máximo (quanto mais circunstancias.  Se resultar em morte (latrocínio) é hediondo. . de sete a quinze anos. não sendo suficiente para a sua exasperação a mera indicação do número de majorantes. Faltando um dos fatores. sem prejuízo da multa.”  Roubo qualificado § 3º Se da violência resulta lesão corporal grave. . mais próximo de ½). carro e conduzi-la horas pela cidade. a reclusão é de vinte a trinta anos. Ex: trancar a vítima num cômodo para Ex: colocar a vítima no porta-malas do garantir eficiente fuga. .Roubo majorado do inciso V Roubo em concurso com sequestro Restrição da liberdade necessária para Restrição da liberdade desnecessária. mais próximo de ½) 2ªC: a gravidade da majorante orienta o aumento (quanto mais grave o crime em razão da majorante.O resultado qualificador pode decorrer de dolo ou culpa (preterdoloso). perdurando apenas o tempo suficiente para isso.Utilizando a expressão “se da violência”. . não há qualificadora quando o resultado decorre do emprego de grave ameaça (neste caso teremos roubo + homicídio doloso ou culposo). Ex: duas semanas após o assalto. a pena é de reclusão. o sucesso da empreitada. o assaltante mata o gerente do estabelecimento vítima para garantir a impunidade do crime – responde por roubo não qualificado em concurso material com homicídio qualificado pela conexão consequencial (assegurar a impunidade do crime).  No §2º.

14. Subtração Tentada Consumada Consumada Tentada Morte Tentada Consumada Tentada Consumada Latrocínio = Tentado = Consumado = Tentado = Consumado Súmula 610/STF: “Há crime de latrocínio. I do CP. da competência do Tribunal do Júri. Súmula 603/STF: “A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz singular e não do Tribunal do Júri. sendo desrazoável aumentá-la ainda mais.Se a intenção do agente é a morte.”  Rogério Greco ensina que essa súmula não obseva o conceito do art.As causas de aumento do §2º não incidem no roubo qualificado. pois o dispositivo considera consumado o crime quando se reúnem todos os elementos do crime e..” . Consumação O latrocínio é crime complexo. ficou faltando um dos elementos (subtração). não será caso de latrocínio e sim homicídio seguido de furto. quando o homicídio se consuma. Isto porque a pena do roubo qualificado já é bastante elevada. o Latrocínio .É crime contra o patrimônio (fim) qualificado pela morte (meio). por isso não é julgado pelo Júri. no mesmo contexto fático desnatura a unidade do crime (o número de mortes serve apenas na fixação da pena). . ainda que não se realize o agente a subtração de bens da vítima.  Pluralidade de mortes e só subtração gera pluralidade de crimes? 1ªC (Bitencourt): a pluralidade de mortes. resolvendo depois atacar o patrimônio. apenas servem como circunstâncias judiciais desfavoráveis. formado por subtração + homicídio. nesse caso.

tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa: Pena .Diferença entre roubo e extorsão Roubo Ladrão subtrai Extorsão O extorsionário faz com que a vítima lhe entregue O agente busca vantagem imediata O agente busca vantagem mediata. 158 . Entre eles haverá concurso material de .  Sujeito ativo Crime comum  Sujeito passivo É tanto aquele que suposta a lesão patrimonial como também a pessoa contra quem se empregou a violência ou grave ameaça. e multa.2ªC (STJ): aplica-se o concurso formal impróprio entre os delitos de latrocínio quando ocorrem dois ou mais resultados mortes. 146) + fim especial (intuito de obter para si ou para outrem vantagem econômica indevida). de quatro a dez anos.Constranger alguém.  Delito pluriofensivo. a fazer. pois são espécies distintas de crime. 3) EXTORSÃO Art.  Conduta . ainda que uma só subtração (Resp 1164935). Formado pelo constrangimento ilegal (art. A colaboração da vitima é dispensável Ex: “passa a carteira” A colaboração da vítima é indispensável Ex: Atenção. e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica. mediante violência ou grave ameaça. não é possível continuidade delitiva entre roubo e extorsão.reclusão. futura. cujos bens jurídicos tutelados são: liberdade individual + patrimônio.

.” .Difere da majorante do roubo.  Tipo subjetivo Dolo + fim especial (obter indevida vantagem econômica). que fala em concurso de pessoas. § 2º . após roubar o carro da vítima.crimes.  Causas de aumento § 1º . . . a constrange a entregar o cartão bancário com a senha. pois aqui se fala em “cometido por duas ou mais pessoas”. ou com emprego de arma. Naquele computam-se os partícipes.A majorante do emprego de arma é igual a do roubo.  Igual ao roubo qualificado . Súmula 96/STJ: “O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da vantagem indevida.Se a vantagem for de natureza: a) Moral = constrangimento ilegal b) Sexual = estupro c) Devida = exercício arbitrário das próprias razões  Consumação 1ªC: crime material (consuma-se com a obtenção da indevida vantagem econômica) 2ªC (STJ): crime formal ou de consumação antecipada (consuma-se com a exigência violenta dispensando a obtenção da indevida vantagem).Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior. mas na extorsão os partícipes não são considerados (apenas os executores). Ex: o réu que.Cabe tentativa.Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas. aumenta-se a pena de um terço até metade.

se resulta lesão corporal grave ou morte. 159. e essa condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica. 159. Sem o §3º.Se resulta em lesão grave ou morte. 2ªC: o que fez o §3º foi especificar uma das várias formas de execução do delito de extorsão. aplicam-se as penas previstas no art. de 2009) .Seqüestrar pessoa com o fim de obter. Interpretação diversa gera proteção deficiente do Estado. o delito já era hediondo. . §3º com morte não é crime hediondo por falta de previsão legal. Extorsão qualificada § 3º Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima. I da Lei 8072/90). 158. Não criou delito novo. previsto no art. 1º. 4) EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO Art. . de 6 (seis) a 12 (doze) anos.Extorsão + restrição da liberdade Antes da lei 11923/09. respectivamente. . 1º. §§ 2º e 3º. de oito a quinze anos. além da multa. §§ 2º e 3º. b) Extorsão + morte = extorsão qualificada pela morte (hediondo. II da Lei 8072/90). seja na forma simples ou qualificada. c) Extorsão + restrição da liberdade + morte = ? (não houve alteração na Lei 8072/90 para incluir esse tipo legal). a pena é de reclusão. aplicam-se as penas do art. (Incluído pela Lei nº 11. previsto no art. 158 (4 a 10 anos) a restrição era apenas computada como circunstâncias na fixação da pena-base.Crime hediondo? a) Roubo + morte = latrocínio (hediondo. 159 . 158.923. para si ou para outrem.reclusão. §3º (6 a 12 anos). o agente era punido pelo art. Com a lei. a tipificação passou a ser do art. qualquer vantagem. como condição ou preço do resgate: Pena .  Sempre hediondo. 1ªC (maioria): o art.

sequestrando seu diretor. . o agente responderá por cárcere privado + exercício arbitrário das próprias razões.Se a vantagem tiver natureza sexual.  Consumação .  Conduta Constranger mediante sequestro. fraude ou qualquer outro meio. .A maioria entende que a vantagem deve ser indevida (elementar implícita). . 158) e não sequestro.Pessoa jurídica pode ser vítima do crime quando.Atenção: é dispensável que a vítima seja removida para outro local (a vítima pode permanecer em casa). . . Sujeito ativo Crime comum  Sujeito passivo Crime comum .A doutrina entende também que a vantagem deve ser economia.O legislador utilizou sequestro em sentido amplo.  Tipo subjetivo Dolo + fim específico . Se a vantagem for devida.Pode ser praticado mediante violência. já que o crime está inserido nos delitos contra o patrimônio. grave ameaça. é o patrimônio do ente coletivo que serve para o pagamento do resgate. por exemplo.Sequestrar animal e condicionar sua devolução a pagamento de resgate configura extorsão (art. o agente responde por sequestro + estupro. abrangendo cárcere privado. .

§ 3º . dispensando a obtenção da vantagem visada (mero exaurimento).Consuma-se com a privação da liberdade da vítima. O agente deve conhecer a condição etária da vítima. mesmo que o resgate tenha sido pago antes. . (iii) se houver lei nova durante a permanência. por conseguinte: (i) admite flagrante a qualquer tempo da permanência.Sequestrado menor de 18 anos > não importa se maior de 18 anos no fim do sequestro.  Sequestro qualificado a) §1º § 1º Se o sequestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas.Admite tentativa. . (ii) início do prazo prescricional somente se inicia depois de cessada a permanência.Mais de 24h com a vítima privada da liberdade de locomoção. de dezesseis a vinte e quatro anos. O agente deve conhecer a condição etária da vítima. 288 do CP para evitar bis in idem.reclusão.Se o crime é cometido por quadrilha ou bando > não incide do art. . . mesmo que mais grave (Súmula 701/STF).Trata-se de crime permanente (a consumação se protrai no tempo).Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena . ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha. para evitar responsabilidade penal objetiva.Se resulta a morte: .Sequestrado maior de 60 anos (60 anos + 1 dia) > não importa a idade no início do sequestro (se ele fizer 60 anos durante do sequestro já basta). O crime é formal.reclusão. para evitar responsabilidade penal objetiva. de doze a vinte anos. . se o sequestrado é menor de 18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos. . Pena . b) §§2º e 3º § 2º . mas sim que seja menor no início. esta será aplicada.

(iii) facilitando a libertação do sequestrado (delação eficaz). ainda que parcial. do resgate.  Crime qualificado pelo resultado lesão grave ou morte . 159 em concurso contra a pessoa. como em qualquer outra pessoa inserida no contexto do crime (como o policial). Atingindo terceira pessoa. Dizem que todas as disposições de delação premiada específicas foram revogadas por essa lei. terá sua pena reduzida de um a dois terços.O resultado deve atingir necessariamente a vítima do sequestro. ou pode atingir um policial. que permite até o perdão judicial na delação premiada. Requisitos (cumulativos): (i) crime cometido em concurso de pessoas. facilitando a libertação do seqüestrado.Os resultados podem decorrer de dolo ou culpa (preterdoloso). de vinte e quatro a trinta anos.reclusão.  Delação premiada § 4º . Atenção: no caso de pagamento.Pena . (ii) um dos concorrentes preste informações à autoridade. .  Alguns entendem que deve ser aplicada a delação premiada da Lei nº 9807/99. 2ªC: os resultados devem ser praticados necessariamente contra o sequestrado.Se o crime é cometido em concurso. 5) ESTELIONATO . por exemplo. sem limitar o crime. que invade o cativeiro? 1ªC: os resultados podem ser praticados tanto na vítima privada da sua liberdade. .A redução é diretamente proporcional ao maior ou menor auxilio prestado. o agente responde pelo art. o concorrente que o denunciar à autoridade. a lei não exige sua recuperação para a concessão do benefício da delação.

.qualquer outro meio: como o silencia para manter em erro. mediante artifício.artifício: uso de aparatos aptos a enganar (ex: disfarces.reclusão. quanto para manter a vítima em erro. que não admite suspensão condicional do processo). vantagem ilícita.  Infração de médio potencial ofensivo (cabe suspensão condicional do processo. 171 . é possível preventiva mesmo para o agente primário). bilhete premiado).A vítima deve ser capaz. ou qualquer outro meio fraudulento: Pena . induzindo ou mantendo alguém em erro. b) Vantagem ilícita Se devida. Meios utilizados pelo agente para induzir ou manter a vítima em erro: . de um a cinco anos.Art. o agente comete abuso de incapazes (art. o delito será de exercício arbitrário das próprias razões. Se a vítima for indeterminada.Obter. Induzir em erro = agente cria na vítima a falsa percepção da realidade.  Conduta Elementos estruturais a) Fraude > serve tanto para induzir. de quinhentos mil réis a dez contos de réis. para si ou para outrem. adulteração de bomba de combustível – adulteração de combustível é o art. o delito é contra a economia popular da Lei nº 1521/51 (ex: adulteração de taxímetro. Manter em erro = a vítima engana-se espontaneamente e o agente se aproveita da circunstância. . 1º da Lei 8176/91).  Sujeito Ativo Crime comum  Sujeito passivo Crime comum . ardil.ardil: conversa enganosa . . Se a vítima for incapaz. e multa.A vítima deve ser pessoa(s) certa(s) e determinada(s). 173 do CP. em prejuízo alheio.

Quando o agente. o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto no art.Fraude bilateral > vítima age com má-fé. . mediante fraude.  Estelionato privilegiado ou mínimo § 1º . Ex: agente não consegue se enriquecer.  Consumação Trata-se de crime de duplo resultado: precisa do enriquecimento ilícito + prejuízo alheio. Furto privilegiado Estelionato privilegiado . e é de pequeno valor o prejuízo. o crime deixa de existir. c) Prejuízo alheio . mas a vítima sofre prejuízo = estelionato tentado.Se o criminoso é primário.Se a finalidade é somente prejudicar a vítima.  Tipo subjetivo Dolo + fim especial (obter indevida vantagem econômica) . o crime está consumado. 155. 1ªC (prevalece): o tipo não faz qualquer referência à boa-fé da vítima. 2ªC (prevalece): enquanto o título não é convertido em valor material.Atenção. § 2º. não há efetivo proveito do agente. de acordo com a maioria. não podendo o direito amparar a má-fé da vítima. 2ªC (Hungria): em caso de fraude bilateral. razão pela qual a sua má-fé não exclui o crime. a vantagem deve ser necessariamente de natureza econômica. respondendo apenas por tentativa. consegue obter da vítima um título de crédito. tem-se crime consumado ou tentado? 1ªC: considerando que a obrigação assumida pela vítima já é um proveito adquirido pelo agente. não se caracteriza o delito de estelionato.

o CP não previa o instituto do arrependimento anterior.Frustração de seu pagamento (ex: emitir cheque e em seguida encerrar a conta. se apesar de pós-datado. Cuidado. .Emissão de cheque sem suficiente previsão de fundos. Condutas . a emissão do cheque foi fraudulenta (má-fé). Em ambos os casos é necessária a má-fé. deixando de ser ordem de pagamento à vista.emite cheque.  Reparação do dano após a emissão de cheque sem fundos Antes da Lei 7209/84. sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado.  Crime de conduta alternativa ou plurinuclear (duas maneiras de praticar o crime). pois tal prática desnatura o cheque. emitir cheque pós-datado sem fundos não configura crime. não obsta ao prosseguimento da ação penal. após o recebimento da denúncia.”   Emitir cheque de conta já encerrada (artifício) configura o crime do caput. ou lhe frustra o pagamento.Nas mesmas penas incorre quem: VI . sustar cheque). não se configura o crime de emissão de cheque sem fundos. revestindo-se das características de nota promissória (mera garantia do crédito). ou aplicar somente a pena de multa  Fraude no pagamento por meio de cheque § 2º . configura o estelionato do caput. Como consequência da Súmula. ”).Exige primariedade Pequeno valor da coisa subtraída Exige primariedade Pequeno valor do prejuízo O juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção. Em regra. . razão pela qual o STF editou a Súmula 554/STF para fraude no pagamento de cheque (“O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos. tinha-se o perdão judicial. diminuí-la de um a dois terços. Súmula 246/STF: “Comprovado não ter havido fraude.

mas a jurisprudência aplica a súmula também quando há frustração do pagamento .” Súmula 244/STJ: “Compete ao foro do local da recusa processar e julgar o crime de estelionato mediante cheque sem provisão de fundos. é o do local onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado. sob a modalidade da emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos. 70 do CPP. o CP passou a prever o instituto do arrependimento anterior com diminuição de pena. a competência seria de SP.  Cheque falsificado .  A súmula fala apenas em emissão dolosa de cheque e. Mesmo diante da nova legislação. conforme as Súmulas acima.” Ex: cheque de BH emitido em SP. não é toda jurisprudência que estende o entendimento para frustração do pagamento. .Depois da reforma de 84. Sujeito passivo Qualquer pessoa Competência Súmula 521/STF: “O foro competente para o processo e julgamento dos crimes de estelionato. que não emite o título de crédito (pode figurar como partícipe). 2ªC (Noronha): o endossante pode cometer o crime. pois a expressão “emitir cheque” deve ser tomada em sentido amplo. mas a competência é de BH.O endossante pode praticar o crime? 1ªC (Nucci): não se inclui o endossante.  A Súmula 554 só permite o perdão judicial para a emissão de cheques. o STF ratificou os termos da Súmula 554. Sujeito ativo É o emitente do cheque. abrangendo sua conduta. em SP ocorre o enriquecimento ilícito e o prejuízo > pela regra do art. aqui.

receba ou oculte: Pena . STJ > a questão não está consolidada. Quando praticado pelo beneficiário.” . 171 do Código Penal. quando a fraude for praticada por servidor público. a adquira. de boa-fé. no exercício de suas funções. 180 . já a 6ªTurma. delito instantâneo de efeitos permanentes.  Estelionato previdenciário (§3º) § 3º . 6) RECEPTAÇÃO Art.”  Tem-se decidido não configurar estelionato a emissão de cheques sem fundos para pagamento de dívidas de jogo (art.O crime de estelionato previdenciário é instantâneo de efeitos permanentes ou permanente? STF > quando praticado pelo próprio beneficiário das prestações. é instantâneo de efeitos permanentes. ou influir para que terceiro. Súmula 24/STJ: “Aplica-se ao crime de estelionato. coisa que sabe ser produto de crime. . a 5ª Tumra entende tratar-se de delito permanente. se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular. receber. a exemplo do que ocorre quando praticado por servidor público. é permenente. em que figure como vítima entidade autárquica da Previdência Social. em proveito próprio ou alheio. transportar. e multa. a qualificadora do § 3º do Art.A pena aumenta-se de um terço.Não se aplicam as súmulas acima.reclusão. de um a quatro anos. 814 do CC). mas a Súmula 48/STJ: “Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar e julgar crime de estelionato cometido mediante falsificação de cheque. conduzir ou ocultar. assistência social ou beneficência.Adquirir.

como. lavagem de dinheiro).  Conduta Receptação própria (1ª parte) Estão presentes as figuras do autor do crime antecedente e do receptador (quem adquire. O credor que recebe coisa que sabe ser produto de crime é receptador . favorecimento real. transporta. Não é necessário o ajuste entre o autor e o receptador.  Sujeito passivo Será a vítima do delito antecedente. Infração penal de médio potencial ofensivo (admite suspensão condicional do processo) e não cabe preventiva para receptador primário (pena máxima de 4 anos. que não precisa realmente acontecer. oculta). furto).Não pratica receptação o concorrente (autor.  Sujeito ativo Crime comum: pode ser praticado por qualquer pessoa. salvo quando o objeto adquirido (receptado) esteja na legítima posse de terceiro. . por exemplo. indivíduo que se apodera de objeto dispensado pelo ladrão em fuga.Nem sempre a receptação se da a título injusto. após este ter sido furtado. Quadrilha ou bando são principais. Atenção . conforme art. não existe de crime de receptação de coisa própria.Crimes acessórios > pressupõem outro para existirem (ex: receptação. pois a associação é para crime futuro. Ex: proprietário adquire objeto dado em garantia do credor.Crimes principais > não pressupõem outro para existirem (ex: homicídio. . favorecimento pessoal. 313 do CPP). . coautor ou partícipe) do crime pressuposto. . . Ex: advogado que recebe a título de honorário coisa produto de crime. sabendo que é produto de crime.Em regra.

Receptação imprópria (2ª parte) Temos a figura do autor do crime antecedente. . a “B”. conclusão extraída do significado léxico da expressão “pressupõe deslocamento” e dos núcleos do tipo. Questões comuns aos dois tipos de receptação  O delito antecedente na receptação. Ex: receptação de coisa produto de peculato (crime contra a Administração Pública). 2ªC (STF): o objeto material do crime só pode ser coisa móvel.  Seja a coisa genuína. .  É possível receptação de coisa imóvel? Ex: “A” vende imóvel. sabendo da origem do bem. 1ªC (Fragoso): o objeto material do crime pode ser qualquer coisa (móvel ou imóvel). sendo a receptação de ato infracional fato atípico. pois a lei não restringe. produto de estelionato.  Existe receptação de ato infracional? 1ªC: a lei se refere somente a crime. sua aquisição sabendo ser produto de crime configura a receptação. praticado por menor infrator. do adquirente de boa-fé e do intermediário entre eles (receptador). Noronha): a lei se refere a fato previsto como crime. 2ªC (prevalece. O ato infracional não deixa de ser um fato previsto como crime. própria ou imprópria.Quanto ao dolo eventual: 1ªC (prevalece): a expressar “sabe ser produto de crime” indica punição somente do dolo direto. A receptação de ato infracional é crime. que influencia este adquirir o produto do crime. responderá por receptação própria e o intermediário responderá também por receptação própria na condição de partícipe. .Se o adquirente estiver de má-fé. transformada ou alterada.  Tipo subjetivo Dolo direto. não é necessariamente contra o patrimônio.

montar. vender. qualquer forma de comércio irregular ou clandestino.reclusão.Admite tentativa (ex: tentar adquirir) Receptação imprópria Consuma-se com a influência sobre o terceiro de boa-fé (crime formal. receber. em proveito próprio ou alheio. . ou de qualquer forma utilizar. necessariamente.  Consumação Receptação própria Consuma-se com a prática dos núcleos (coisa incluída na esfera de disponibilidade do agente). sendo o dolo superveniente fato atípico. . desmontar. de três a oito anos.A maioria da doutrina não admite tentativa na receptação imprópria. conduzir. ocultar. de modo que a consumação se protrai no tempo. . para efeito do parágrafo anterior. no exercício de atividade comercial ou industrial. transportar. e multa. .Adquirir. inclusive o exercício em residência.  Infração de grande potencial ofensivo (3 anos) e cabe preventiva para o receptador primário (pena máxima maior de 4 anos). expor à venda.Alguns núcleos indicam crime permanente (ex: ocultar).O dolo deve.  Fundamento: crime praticado no exercício de atividade comercial ou industrial.  Receptação dolosa qualificada § 1º . remontar. § 2º .2ªC: abrange dolo direto e. ter em depósito. o dolo eventual. coisa que deve saber ser produto de crime: Pena . que facilita a aquisição por pessoas de boa-fé.Equipara-se à atividade comercial. ser contemporâneo a qualquer das condutas previstas no tipo. implicitamente. não precisa da efetiva aquisição). .

 Receptação culposa § 3º .Adquirir ou receber coisa que. Tipo subjetivo Dolo eventual. . ou seja.A receptação é punível. ou pela condição de quem a oferece. o dolo direto (mais grave) seria punido pelo caput (pena menor)  com isso. de um mês a um ano.  É indispensável nexo entre a receptação e a atividade comercial ou industrial exercida pelo agente. deve presumirse obtida por meio criminoso: Pena . ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa.  Infração de menor potencial ofensivo. Crime próprio: somente pode ser praticado por quem exerça atividade comercial ou industrial. Ex: comerciante de veículos que adquire relógio roubado não pratica receptação qualificada. mas simples. a pena do §1º viola o princípio da proporcionalidade.detenção.  Independência típica § 4º . a questão não está consolidada): 1ªC: “coisa que deve saber” abrange somente o dolo eventual. b) desproporção entre o valor e o preço. c) condição de quem oferece. ou multa. ou ambas as penas. 2ªC: abrange dolo direto e eventual (o dolo direto está implícito). por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço.Quanto ao dolo direto (os tribunais superiores têm decidido nos dois sentidos.  O legislador já anuncia os três comportamentos alternativos que indicam a negligência: a) natureza. .

Receptação dolosa .Requisitos: a) primariedade do agente. tendo em consideração as circunstâncias. .  Majorante por ser bem público § 6º . não importa o valor da coisa receptada. Município.Benefício: privilégio. . não se pune a receptação. por não constituir infração penal ou por existir circunstância que exclua o crime (causas excludentes da tipicidade ou ilicitude).  Benefícios § 5º . . Estado. diz apenas receptação dolosa. se o criminoso é primário. . na punição da receptação não é necessário que se comprove a autoria do crime pretérito. nem que seu autor seja punido.Requisitos: a) primariedade do agente. Na receptação dolosa aplica-se o disposto no § 2º do art.Tratando-se de bens e instalações do patrimônio da União. a pena prevista no caput deste artigo aplica-se em dobro. b) as circunstâncias indicarem a desnecessidade da pena (culpa levíssima). deixar de aplicar a pena. b) pequeno valor da coisa.Na hipótese do § 3º. Apesar de crime acessória (sua existência depende de outro crime). pois o §5º não restringe à receptação simples. OBS: de acordo com a maioria.Prevalece que é possível receptação qualificada privilegiada. pode o juiz. Atenção: se houver absolvição do crime antecedente pela sua inexistência.Benefício: perdão judicial. Receptação culposa . bastando prova da sua existência.  Somente se aplica à receptação simples. 155. empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista.

. 2ªC (prevalece): causa de extinção da punibilidade (o direito de punir que já existiu é extinto).É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título.de ascendente ou descendente. II permite a punição do partícipe.de tio ou sobrinho.do cônjuge desquitado ou judicialmente separado. Escusas relativas Art.Somente se procede mediante representação.Abrange a separação de fato.de irmão. com quem o agente coabita. na constância da sociedade conjugal. 183.A união estável está abrangida por analogia (in bonam partem e omissão involuntária).  Natureza jurídica: 1ªC: causa de exclusão da punibilidade (o direito de punir do Estado sequer existe). 181 .Não abrange o irmão. uma vez que art.741. III . b) Crime cometido em prejuízo do ascendente ou descendente . em prejuízo: (Vide Lei nº 10.  Hipóteses a) Crime cometido contra cônjuge na Constancia da sociedade conjugal . de 2003) I . 182 . pois não rompe o vinculo conjugal. de 2003) I .do cônjuge. seja o parentesco legítimo ou ilegítimo.DISPOSIÇÕES GERAIS DOS CRIMES PATRIMONIAIS Escusas absolutórias Art. II .741. legítimo ou ilegítimo. se o crime previsto neste título é cometido em prejuízo: (Vide Lei nº 10. . II . seja civil ou natural.

quando haja emprego de grave ameaça ou violência à pessoa. A ação penal deixa de ser pública incondicionada para ser pública condicionada. mas não significa que crime deva ser sob o teto da casa.se o crime é de roubo ou de extorsão. IV da Lei 11340/06) contra a mulher? 1ªC (Maria Berenice Dias): a partir da nova definição de violência doméstica e familiar contra a mulher. 181 e 182 do CP. não se aplicam. III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. c) Crime cometido em prejuízo de tio ou sobrinho com quem o agente coabita (tio que subtrai o sobrinho. Natureza jurídica: condição de procedibilidade. evitando-se analogia incriminadora. as escusas dos arts. 2ªC: por falta de vedação legal. ou. de 2003) .ao estranho que participa do crime. .Aplica-se a escusa no crime patrimonial (violência doméstica e familiar. sobrinho que subtrai o tio). no caso de mulher vítima. aplicam-se as escusas mesmo nas hipóteses de violência doméstica e familiar contra a mulher. nos termos do art. b) Crime cometido em prejuízo de irmão. (Incluído pela Lei nº 10. 183 . II .  Hipóteses: a) Crime cometido em prejuízo de cônjuge separado judicialmente (tendente a desaparecer com a EC do divórcio direto). Excludentes das escusas Art.741. 7º.Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores: I . em geral.

 Conjunção carnal violenta . É possível ainda interpretação sistemática com o art. Esta Lei atendeu um mandado constitucional de criminalização previsto no art. mesmo que o juiz rejeite a denúncia. 117.” A Lei nº 12650/12 inseriu inciso o inciso V ao art. dispondo: “nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes. 227. pois proposta significa ação viável. previstos neste Código ou em legislação especial. momento em que o fato deixa de estar oculto e o órgão estatal já acusa o sujeito. Pela 2ªC. segundo o qual o recebimento da denúncia interrompe a prescrição.  Crítica: se o importante é o conhecimento pelo órgão público. o legislador quer evitar a prescrição extraprocessual e o oferecimento da denúncia continua sendo extraprocessual. CRIMES SEXUAIS COM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA Antes da Lei 12015/09 Estupro (art. 213). Além disso. o termo iniciar-se-ia desde a instauração do inquérito.” 1ªC: ação proposta = ação oferecida. o termo só se inicia com o efetivo recebimento pelo magistrado. a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente. o que somente se revela com o recebimento. 111. §4º da CF: “A lei punirá severamente o abuso. o título era rotulado como “dos crimes contra os costumes” (costumes era entendido como moralidade sexual pública). Sujeito ativo: homem Sujeito passivo: mulher Depois da Lei Estupro + atentado violento ao pudor = estupro (art. a prescrição começaria a ocorrer.CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL O Título VI foi totalmente alterado pela Lei nº 12015/09.  Se adotada a 1ªC. 2ªC: ação proposta = ação recebida.Sujeito ativo: homem/mulher . prejudicando a vítima. 213)    Conjunção carnal violenta. I. da data em que a vítima completar 18 (dezoito) anos. numa interpretação teleológica. Antes da Lei. salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação penal. que cuida do termo inicial da prescrição.

preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tem autoridade sobre ela (interpretação analógica).Sujeito ativo: qualquer pessoa . companheiro. padrasto ou madrasta. cônjuge.reclusão. 213. 226.Sujeito passivo: qualquer pessoa 1) Estupro Art.  Conduta .  Sujeito ativo Conjunção carnal: homem ou mulher Demais atos libidinosos: homem ou mulher . a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: (Redação dada pela Lei nº 12.   Sujeito ativo: qualquer pessoa Sujeito passivo: qualquer pessoa  Crime bicomum atos libidinosos com  . §1º que qualifica o crime no caso de maior de 14 e menos de 18 anos com pena de reclusão de 8 a 12 anos. II que permite o aumento da pena até metade no caso de o agente ser ascendente. 213.Atenção para o art. 214)  Demais violência. ainda que o critério seja econômico. .A prostituta pode ser vítima de estupro. .Atenção para o art.  Sujeito passivo Conjunção carnal: homem ou mulher Demais atos libidinosos: homem ou mulher  Crime bicomum. de 2009) Pena .015. Constranger alguém. mediante violência ou grave ameaça.Sujeito passiva: mulher/homem Demais atos libidinosos com violência . de 6 (seis) a 10 (dez) anos. crime bipróprio Atentado violento ao pudor (art. curador. tio. que mantém o direito de eleger livremente seu parceiro. irmão. tutor.

b) Outro ato libidinoso Ex: sexo oral. Mirabete.  Tipo subjetivo O crime só é punido a título de dolo. Com essa corrente. quem estupra por amor ou ódio não cometeria crime. Não havendo esse contato. cita como exemplo obrigar a vítima a se masturbar. adotando essa corrente. como por exemplo.Quando uma ameaça pode ser considerada grave? 1ªC: a gravidade ou não da ameaça será extraída mediante o auxílio da figura do “homem médio”. a) Conjunção carnal É a cópula natural. 2ªC (Mirabete): a conjunção carnal e o ato libidinoso diverso constituem a finalidade especial que anima o constrangimento (dolo) 3ªC (jurisprudência minoritária): exige o fim especial de satisfazer a lascívia. . bem como o local e o horário do crime podem influenciar na gravidade do mal prometido).Constranger alguém mediante violência (efetivo emprego de força física) ou grave ameaça (coação moral grave. . 2ªC: a gravidade da ameaça será extraída da análise do caso concreto (idade.É possível estupro sem contato físico entre os envolvidos? 1ªC (MPSP): o contato físico entre os envolvidos é indispensável. não abrangendo o simples temor reverencial) a ter conjunção carnal ou praticar ou permitir que se pratique outro ato libidinoso. sexo anal e etc (abra caminho para interpretações desproporcionais).Exige do agente finalidade especial animando seu comportamento? 1ªC (Capez): dispensa finalidade especial. o constrangimento ilegal. sexo e o grau de instrução da vítima. 2ªC (TJSP): o contato físico é dispensável. . estará caracterizado outro crime.  Consumação .

devendo-se aplicar essa orientação aos delitos cometidos antes da vigência da Lei n. também diferenciando duas situações > (i) se entre a conjunção carnal e o ato libidinoso existe uma relação de progressão. a Quinta Turma desta Corte Superior de Justiça reconheceu.  Resultados qualificadores (art.Cabe tentativa quando o agente não consegue praticar o ato libidinoso por circunstâncias alheias à sua vontade.O crime consuma-se com a prática de ato de libidinagem visado pelo agente.  Adotado pelo STJ Após o julgamento do Habeas Corpus n. haverá concurso de crimes mesmo que praticados dentro do contexto fático único – ex: conjunção carnal e sexo anal.º 12.Conjunção carnal seguida de atos libidinosos: 1ªC: diferencia duas situações > (i) conjunção carnal + atos libidinosos no mesmo contexto fático não desnatura a unidade do crime (o juiz considera a pluralidade de núcleos na fixação da pena).º 205. (ii) conjunção carnal + atos libidinosos fora do mesmo contexto fático resulta em concurso de crimes (material ou continuado). por maioria de votos. (ii) se entre a conjunção carnal e o ato libidinoso não existe uma relação de progressão (um ato não dependia do outro). (HC 177764. num mesmo contexto fático. . §§1º e 2º) . em observância ao princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica. cujas espécies são conjunção carnal e outro ato diverso da conjunção (o agente constrange a vítima a praticar – comportamento ativo – ou permitir que nela se pratique o ato – comportamento passivo).015/2009. . pratica conjunção carnal e ato libidinoso diverso. a ocorrência de crime único quando o agente. 213. Dje 09/05/2013) 2ªC: analisa as circunstâncias do caso concreto. não desnatura a unidade do crime.873/RS. Ato de libidinagem é gênero.

 Sujeito ativo Homem ou mulher  Também incide a causa de aumento do art. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém. de 2009) Pena . CRIMES SEXUAIS MEDIANTE FRAUDE Antes da Lei 12015/09 Depois da Lei Posse sexual mediante fraude (art. Atos libidinosos com fraude.015. Sujeito passivo: mulher    Conjunção carnal com fraude.015. Sujeito passivo: qualquer pessoa 1) Violação sexual mediante fraude Art. descendente. 215): Violação sexual mediante fraude (art.reclusão. responderá por estupro + homicídio ou lesão corporal grave.) . irmão. de 2009) Pena . 215) conjunção carnal com fraude   Sujeito ativo: homem. quanto a morte devem ser culposas (delito qualificado preterdoloso). mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: (Redação dada pela Lei nº 12.015. Outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima (acrescentado pela Lei)   Sujeito ativo: Sujeito passivo: Atentado ao pudor mediante fraude (art. de 2 (dois) a 6 (seis) anos. de 8 (oito) a 12 (doze) anos. § 2º Se da conduta resulta morte: (Incluído pela Lei nº 12.  Tanto a lesão grave. 215. 216): atos libidinosos com fraude   Sujeito ativo: qualquer pessoa.reclusão. 226.§ 1º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: (Incluído pela Lei nº 12. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos  Conduta abrange violência ou grave ameaça (diferente do latrocínio).reclusão. Se o agente assume o risco da morte.. etc. II (crime praticado por ascendente. de 2009) Pena .

caso em que estará configurado o estupro de vulnerável (ex: boa noite cinderela). . Sujeito passivo Homem ou mulher .  Conduta Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso mediante: a) Fraude O agente pratica o ato sexual ocultando sua intenção ou real identidade. Por “outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima” a doutrina tem entendido como a simples ameaça. a pretexto de clinicar. b) Outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima (novidade introduzida pela Lei 12015/09) No Direito Civil. 224: Depois da Lei Art.Atenção: a fraude utilizada na execução do crime não pode anular a capacidade de resistência da vítima.É perfeitamente possível a prostituta figurar como vítima. 217-A: . está satisfazendo sua lascívia. Ex: o ginecologista. o temor reverencial e até mesmo embriaguez moderada. CRIMES SEXUAIS CONTRA VÍTIMA VULNERÁVEL VÍTIMA VULNERÁVEL Antes da Lei 12015/09 Art. os vícios da vontade são simulação e coação (configuraria estupro).  Tipo subjetivo Dolo  Consumação Consuma-se com a prática de ato de libidinagem visado pelo agente.

213 c/c art. 217-A). 226. 213 com pena Com ou sem violência real > art. 224 foi expressamente pena de 6 a 10 anos. tutor. descendente. No caso de adolescente. a vulnerabilidade é relativa. Não retroage  O agente. aumentada de até ½ pelo art. com o consentimento da jovem de 13 anos. com ela mantém conjunção carnal. podendo ser excluída mediante prova de que a jovem tinha capacidade para consentir. etc). 9º da Lei 8072/90. crime: 1ªC: o agente pratica estupro de vulnerável. 2ªC (Bitencourt): no caso de criança. Retroage Foi tacitamente revogado o art. II (ascendente. revogado. pois a vulnerabilidade é absoluta. .   Não maior de 14 anos Alienada mental Sem capacidade de resistência  Menor de 14 anos (não abrange o dia do 14º aniversário)   Alienada mental Sem capacidade de resistência ESTUPRO DE VULNERÁVEL Antes da Lei 12015/09 Depois da Lei 12015/09 Mediante violência real > art. 224 com 8072/90 e o art.  Sujeito ativo Crime comum  Sujeito passivo Crime próprio: Atenção: aplica-se a majorante do art. pena de 8 a 15 anos. a vulnerabilidade é absoluta (art.  Conduta Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso. 9º da Lei Sem violência > art. 217-A com de 6 a 10 anos.

213.reclusão. Vítima vulnerável: pública incondicionada. haverá erro de tipo. será fato atípico. configura o art. . (iii) se praticado sem violência.  Resultados lesão grave ou morte: publica incondicionada.015. AÇÃO PENAL Antes da Lei 12015/09 Regra: ação penal privada Exceções:   Vítima pobre: publica condicionada. Cosequências: (i) se praticado com violência ou grave ameaça. Tipo subjetivo Dolo (devendo o agente conhecer a condição de vulnerável da vítima).015. 215 – atipicidade relativa. configura estupro (art. Abuso de poder: publica  Depois da Lei Regra: ação penal pública condicionada Exceções:  Vítima menor de 18 anos: pública incondicionada. grave ameaça ou fraude. de 2009) Pena .015. . (ii) se praticado o fato mediante fraude.  Resultados qualificadores § 3º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: (Incluído pela Lei nº 12. incondicionada. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.reclusão. 213) – caso de atipicidade relativa.  Consumação Igual ao art. (Incluído pela Lei nº 12. de 2009) § 4º Se da conduta resulta morte: (Incluído pela Lei nº 12.  Conduta = violência ou grave ameaça  Resultados (lesão grave ou morte) são culposos.Se o agente desconhece que a vítima é pessoa vulnerável. de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. de 2009) Pena .

A segunda corrente. a ação penal é pública incondicionada. vindo a Lei 12015/09 transformá-la em pública incondicionada. aumentando o espectro punitivo do Estado (abolindo a decadência). equivocadamente. 1) Se o MP ainda não ofereceu a denúncia. Fundamentos: (i) interpretação diversa fere o princípio da dignidade da pessoa humana. pois piorou a situação do agente ao lhe retirar inúmeros institutos extintivos da punibilidade (ver art. 2) Se o MP já ofereceu a denúncia. A retroatividade também seria maléfica. em que pese o art.  Depois da Lei 12015/09 qual a ação penal no caso de lesão grave ou morte da vítima? 1ªC: a ação penal é pública incondicionada. Súmula estupro. 148 do CP). isto é. A nova Lei não deve retroagir. temos ato jurídico perfeito. vindo a Lei 12015/09 transformá-la em pública. a doutrina diverge: 1ªC: oferecida a denúncia. com a Lei nova vai depender de representação da vítima (retroatividade da lei mais benéfica). 225 não ser expresso. vindo a Lei 12015/09 transformá-la em pública condicionada. (ii) exigir representação da vítima ou seus sucessores viola o princípio da proteção eficiente. encara a . 608/STF: No crime de praticado mediante violência real. deve ser interpretada que a ação penal no caso é a regra prevista no capítulo.  Quando praticado o crime a ação penal era pública condicionada. não dependendo da vontade da vítima. 2ªC: diante do silêncio da lei. pública condicionada à representação. 2ªC: mesmo que já oferecida a denúncia.  Quando praticado o crime a ação penal era privada.  Quando praticado o crime a ação penal era pública incondicionada. a vítima deve ser chamada para manifestar sua vontade.

 Agente infiltrado é computado no número mínimo de 4 pessoas? 1ªC (Nucci): da mesma forma que se admite quadrilha ou bando com a presença de menor de 18 anos. 288 do CP.reclusão.representação como condição de prosseguibilidade (e não procedibilidade como realmente é).7. em quadrilha ou bando. CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA 1) Quadrilha ou bando Art. devem ser computados os menores ou outros inimputáveis e outros agentes não identificados. de 25. . 2ªC: agente infiltrado não pode ser considerado na caracterização do crime do art. embora não seja este culpável. Falta ao agente policial o animus associativo.  Sujeito ativo Crime comum. 288. . 288 .  O bem jurídico tutelado é a paz pública. (Vide Lei 8.072.Associarem-se mais de três pessoas. para o fim de cometer crimes: Pena . a presença do agente policial infiltrado. de um a três anos.  Sujeito passivo .No número mínimo de associados. para a concretização do art. bem como o caso se assemelha ao flagrante provocado.1990)  Infração penal de médio potencial ofensivo (admite suspensão condicional do processo da Lei 9099/95) e não cabe preventiva para quadrilheiro primário (pena máxima menor de 4 anos). é de se considerar válida.“Associarem-se mais de três pessoas” = delito de concurso necessário ou plurissubjetivo de condutas paralelas (umas auxiliando as outras).

“Associação” = sociedade criminosa. primeiro se delibera o(s) crime(s). hierarquizada. .  Tipo subjetivo Punido a título de dolo (imprescindível o animus de reunião criminosa) + fim especial (finalidade de cometer crimes). fica caracteriza a pluralidade de crimes. b) vinculação duradoura. . nem crimes culposos e preterdoloso. O que a lei pune é associar-se e se o agente. .  Pode alguém pertencer a mais de uma quadrilha. 2ªC: quadrilha não se confunde com bando.  Conduta . quanto à estrutura. OBS: crime oco = crime impossível. a quadrilha é urbana e bando é rural.“Para o fim de cometer crimes”  Não abrange contravenção. mais de uma vez. no concurso de agente.  Não precisa ser necessariamente crimes da mesma espécie. para depois ocorrer a reunião. primeiro ocorre a reunião (momento em que os crimes são indeterminados) e depois a deliberação (especificação) dos crimes. já bando é a associação sem hierarquia.Existe diferença entre quadrilha e bando? 1ªC: quadrilha é sinônimo de bando = associação criminosa.  Diferença entre quadrilha ou bando com concurso de agentes: na quadrilha. 3ªC: quadrilha não se confunde com bando.Coletividade (crime vago).“Pluralidade de pessoas” = mínimo 4. .  É dispensável que os membros da associação criminosa se conheçam. a quadrilha é uma associação organizada. se associa. quanto ao tempo. que tem como pressupostos: a) vinculação sólida.

De acordo com a jurisprudência dos Tribunais Superiores. quadrilha é crime autônomo. o crime se consuma com a adesão de cada qual.A doutrina entender ser impossível tentativa de quadrilha ou bando (a carta convite interceptada é encarada como mero ato preparatório). bem como iniciará a contagem do prazo prescricional para punir a quadrilha antes existente. a consumação se protrai no tempo). .É dispensável a busca por lucro. o crime se consuma no momento em que aperfeiçoada a convergência de vontades entre mais de três pessoas. . Requisito: .Quadrilha ou bando armado 1ªC: basta que 1 integrante esteja armado para gerar o aumento. não se cogitando se bis in idem na nova imputação.Se um dos 4 integrantes retirar-se.  Com a majorante. haverá concurso material com a quadrilha).Trata-se de crime permanente (enquanto não cessada a associação criminosa. a manutenção da associação criminosa após a condenação ou o oferecimento da denúncia constitui novo crime de quadrilha ou bando. Atenção: de acordo com o STF e STJ. Em relação àqueles que venham posteriormente integrar-se ao bando já formado..  Majorante Parágrafo único . cessará a permanência e a configuração do próprio delito. . se a quadrilha ou bando é armado. sendo possível preventiva para o agente primário. não dependendo da prática de delitos pela associação (ocorrendo os delitos. a infração passa a ser de grande potencial ofensivo (não mais admite suspensão condicional do processo).  Consumação Em relação aos fundadores.A pena aplica-se em dobro. . . apesar de ser o mais comum.

 delação premiada  Apesar de haver divergência. com pessoas físicas e jurídicas que forem autoras de infração à ordem econômica. tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo. 8º Será de três a seis anos de reclusão a pena prevista no art.2ªC: a majorante depende de a maioria dos integrantes estar armada. prevalece que a causa de diminuição incide somente sobre a pena do crime de quadrilha ou bando. não alcançando outros fatos criminosos praticados pela sociedade delituosa. e . nos termos deste artigo. 8º da Lei 8072/90 Art. 3ªC (prevalece): analisando o número de integrantes. 35 da Lei 11343/06: Pena: 1 a 3 anos. quando se tratar de crimes hediondos. 86. 288 do Código Penal. 86 da Lei 12529/11) Art. poderá celebrar acordo de leniência. possibilitando seu desmantelamento.  Qualificadora do art.a identificação dos demais envolvidos na infração. desde que colaborem efetivamente com as investigações e o processo administrativo e que dessa colaboração resulte: I . prática da tortura. O Cade. por intermédio da Superintendência-Geral. O participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha. Quadrilha + crimes Quadrilha + crimes Quadrilha + crime Quadrilha + tráfico comuns hediondos de tortura = Art. com a extinção da ação punitiva da administração pública ou a redução de 1 (um) a 2/3 (dois terços) da penalidade aplicável. o juiz concluirá pela incidência da majorante ou não. terá a pena reduzida de um a dois terços. bem como a natureza da arma usada. Pena: 3 a 6 anos salvo de armado (dobra) Pena: 3 a 6 anos basta 2 associados.  Acordo de leniência (art. Pena: 3 a 6 anos Parágrafo único.

Código Penal.  Associação criminosa: princípio da especialidade . tipificados na Lei no 8. 6º ou 7º da Lei 8037/90). e nos demais crimes diretamente relacionados à prática de cartel. e os tipificados no art.137. não a ordem econômica – não alcançava a apenas para os delitos contra a ordem quadrilha e os crimes de licitação. de 27 de dezembro de 1990. Nos crimes contra a ordem econômica. Art. usando em fraude em licitações (Lei 8666/93). determina a suspensão do curso do prazo prescricional e impede o oferecimento da denúncia com relação ao agente beneficiário da leniência. Cumprido o acordo de leniência pelo agente. 5º. a celebração de acordo de leniência. .  Cartel (arts.848.a obtenção de informações e documentos que comprovem a infração noticiada ou sob investigação.II . 288 do CP). de 21 de junho de 1993. extingue-se automaticamente a punibilidade dos crimes a que se refere o caput deste artigo. 87. de 7 de dezembro de 1940 .Acordo de leniência. nos termos desta Lei. econômica. tais como os tipificados na Lei no 8. Parágrafo único. consequências: Antes Lei 11529/11 Reduzia a pena ou extinguia Depois da Lei a Reduz a pena ou extingue a punibilidade somente dos delitos contra punibilidade para todos os crimes.666. praticado por quadrilha (art. 288 do Decreto-Lei nº 2.

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