Revista Brasil. Bot., V.32, n.2, p.283-297, abr.-jun.

2009

Florística e estrutura da comunidade arbórea em fragmentos de floresta aluvial em São Sebastião da Bela Vista, Minas Gerais, Brasil
ANA CAROLINA DA SILVA1,5, EDUARDO VAN DEN BERG2, PEDRO HIGUCHI1, ARY TEIXEIRA DE OLIVEIRA-FILHO3, JOÃO JOSÉ GRANATE DE SÁ E MELO MARQUES4, VIVETTE APPOLINÁRIO3, DANIEL SALGADO PIFANO3, LEONARDO MASSAMITSU OGUSUKU3 e MATHEUS HENRIQUE NUNES3
(recebido: 17 de janeiro de 2008; aceito: 5 de março de 2009)

ABSTRACT – (Tree community floristic and structure of alluvial forest fragments in São Sebastião da Bela Vista, Minas Gerais, Brazil). Fragments of alluvial forest in the South of Minas Gerais, Brazil, were studied in order to assess the vegetation structure, tree diversity and the most influential environmental variables on vegetation variations. The environment and vegetation data (dbh ≥ 5 cm) were collected in 54, 20 × 10 m, permanents plots allocated in a riverine forest and in five fragments of alluvial forests. In the plots, the survey totalled 2,064 tree individuals, distributed in 51 species. The canonical correspondence analysis detected a tree composition gradient in the first axis, related to Mg, organic matter and H + Al soil content, sand and clay percentage and soil water table level. The CCA second axis was associated with canopy coverage and soil silte percentage. Theses variables caused a plot group formation related to species distribution. Key words - phytosociology, tree component, wetlands RESUMO – (Florística e estrutura da comunidade arbórea em fragmentos de floresta aluvial em São Sebastião da Bela Vista, Minas Gerais, Brasil). O presente estudo avaliou a diversidade e estrutura da vegetação de fragmentos de floresta aluvial no Município de São Sebastião da Bela Vista, MG, e as principais variáveis ambientais que influenciam essa vegetação. Os estudos das variáveis ambientais (dados de amostras superficiais dos solos, nível freático no solo, cobertura do dossel e impactos ambientais) e da composição e estrutura da vegetação arbórea (DAP ≥ 5 cm) foram conduzidos em 54 parcelas de 200 m2, alocadas em floresta ciliar com influência aluvial e em cinco fragmentos de floresta aluvial. Nas parcelas, foram registrados 2.064 indivíduos pertencentes a 51 espécies. A análise de correspondência canônica detectou gradiente de distribuição das espécies arbóreas no eixo 1, de acordo com os valores no solo de: profundidade do nível freático, porcentagem de areia e argila e teores de Mg, matéria orgânica e H + Al. O eixo 2 esteve correlacionado com as variáveis cobertura do dossel e porcentagem de silte no solo. Estas variáveis ambientais ocasionaram a formação de grupos de parcelas, de acordo com a distribuição das espécies. Palavras-chave - áreas inundáveis, componente arbóreo, fitossociologia

Introdução
Dentre os fatores que podem causar a fragmentação natural de hábitats estão incluídos os processos hidrogeológicos, que produzem áreas com inundação temporária ou permanente (MMA 2003), mescladas com áreas mais elevadas, com conseqüente menor saturação hídrica. Nas áreas mais baixas e saturadas, na maioria das vezes, há o impedimento de formação de vegetação
1. Universidade do Estado de Santa Catarina, Centro de Ciências Agroveterinárias, Departamento de Engenharia Florestal, Av. Luiz de Camões, 2090. B. Conta Dinheiro. 88520-000 Lages, SC, Brasil. Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, 37200-000 Lavras, MG, Brasil. Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, 37200-000 Lavras, MG, Brasil. Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências do Solo, 37200-000 Lavras, MG, Brasil. Autor para correspondência: carol_sil4@yahoo.com.br

2. 3. 4. 5.

arbórea, predominando uma vegetação herbácea adaptada, enquanto que nas elevações, há o desenvolvimento do estrato arbóreo, formando fragmentos florestais naturais que, durante a estação chuvosa, podem ser alagados. Além destas áreas, que normalmente estão em planícies associadas a cursos de água, existem as florestas ciliares sobre os diques, margeando o curso de água, que também podem estar sujeitas às inundações sazonais. Devido à intensidade e à freqüência das inundações, às mudanças graduais no curso da água e à dinâmica de remoção e deposição de sedimentos, a comunidade biótica das áreas sujeitas às inundações, denominada de floresta aluvial, está em constante instabilidade e reorganização, pois seu estabelecimento, crescimento e reprodução são influenciados pelos níveis da água (Salo & Räsänem 1990). Apesar de serem consideradas áreas de preservação permanente pela Lei número 4.771, de 15/09/1965, do

com dois a três meses secos ao ano. A região Sul mineira enquadra-se em zona de influência dos domínios vegetacionais do Cerrado e da Floresta Atlântica (Rizzini 1997) e as formações florestais são classificadas como Florestas Estacionais Semideciduais Aluviais (IBGE 1992). além de servirem como corredores ecológicos e hábitat para a flora e a fauna (Barrella et al. Variáveis ambientais – Os solos de cada parcela foram classificados. dentre os quais se destacam os realizados na bacia do Rio Grande (Botrel et al. e entre elas as florestas aluviais. bacia do Rio Doce (Meira Neto et al. silte e argila nos solos. totalizando 1. ii) o componente arbóreo dos fragmentos estudados apresenta variações florísticas e estruturais que refletem a heterogeneidade ambiental definida pelas variações na profundidade de nível freático e características físico-químicas no solo. Pereira et al. cálcio (Ca).08 ha de área amostrada. Foram quantificados pH. Para verificar a cobertura do dossel. Ivanauskas 2002). existem vários fragmentos florestais naturais e antropizados. essenciais para a manutenção dos recursos hídricos. é nos primeiros metros que os efeitos são mais intensos. Na mata ciliar. com relevo predominante entre o plano e o suave ondulado. potássio (K). Foi considerada como borda a área localizada nos primeiros 15 m para o interior da floresta. Vilela et al. A região está localizada na bacia hidrográfica do Rio Sapucaí. além da mata ciliar. Nas partes mais elevadas do relevo. com exceção do fragmento 5. assim como a escassez de estudos nestas florestas. durante um ano. Material e métodos Descrição das áreas de estudo e desenho amostral – Foram estudados um fragmento de mata ciliar e cinco fragmentos florestais na planície aluvial após o dique da mata ciliar (figura 1) localizados no Município de São Sebastião da Bela Vista. 2003) e na bacia do Rio Paranaíba (Schiavini 1992). A borda ao lado do rio está mais propensa ao alagamento sazonal e possui o terreno mais baixo. enquadrado no tipo Cwb (temperatura média do mês mais frio inferior a 18 ° C e do mês mais quente não ultrapassa 22 °C) (Brasil 1992). por meio da instalação de poços de observação de um metro de profundidade (Barddal et al. 2000. estão entre as mais ameaçadas. assim. que vai se tornando mais alto. as matas ciliares. nove parcelas na borda junto à matriz de campo circundante. Minas Gerais. e seis parcelas no interior da mata ciliar. C. 2006). oriundas de três coletas realizadas no perfil de 0 a 20 cm. Murcia 1995). em cada fragmento. a proteção de cursos de água. cobertura do dossel e na intensidade dos impactos ambientais. Os estudos das variáveis ambientais e da composição e estrutura da vegetação arbórea foram conduzidos em 54 parcelas de 200 m2 (10 × 20 m). fragmentos em meio a áreas mais saturadas. As parcelas foram distribuídas nas áreas. O fato de a mata ciliar ser muito estreita em alguns trechos explica a menor quantidade de parcelas no seu interior. 2004.284 A.: Florística e estrutura de fragmentos aluviais formando. A altura do nível freático no solo de cada parcela foi mensurada uma vez a cada dois meses. Embora alguns autores considerarem que o efeito borda possa ocorrer em distâncias maiores (e. pois são sistemas complexos (Rodrigues & Nave 2000) e frágeis ao impacto antrópico (van den Berg & OliveiraFilho 2000). Foram alocadas 24 parcelas na mata ciliar e seis em cada um dos cinco fragmentos aluviais estudados. poucos estudos fitossociológicos têm sido realizados em florestas aluviais. Na sub-bacia do Rio Sapucaí. não foi encontrado nenhum estudo. pertencente à bacia do Rio Grande.5” W. 2000. no campo. 2002. de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos (Embrapa 1999) até o quarto grupo categórico e suas propriedades físico-químicas obtidas por meio de amostras compostas em cada parcela. o grau de saturação hídrica diminui e há o estabelecimento do componente arbóreo. 2006.g. formando um dique. devido ao seu tamanho reduzido e formato alongado. à medida que se aproxima do interior da mata. van den Berg et al. fósforo (P). onde todas as parcelas foram alocadas na borda ou próxima a esta. Considerando a importância das áreas aluviais. Em Minas Gerais. estão também fragmentadas. sido alocadas três parcelas nas bordas e três no interior do fragmento. 1997. Lino & Dias 2003). Meira Neto et al. foram alocadas nove parcelas na borda junto ao rio. As hipóteses foram: i) áreas aluviais possuem baixa diversidade e elevada dominância ecológica. que integra a bacia do Rio Grande. Muitas destas florestas. matéria orgânica (MO) e teores de areia. no Sul do Estado de Minas Gerais e ii) identificar as principais variáveis ambientais que influenciam essa vegetação. tendo. com as formas planas sujeitas às inundações periódicas. Segundo a classificação de Köppen. que estão localizados em matriz de vegetação herbácea associada a solos com condições de saturação hídrica inviáveis ao estabelecimento da vegetação arbórea. foram feitas observações da luminosidade no centro de cada parcela e Código Florestal (Milaré 1991). a 809 m de altitude. o clima predominante na região é mesotérmico úmido. os objetivos deste trabalho foram: i) conhecer a diversidade e a estrutura da vegetação de fragmentos de floresta aluvial no Médio Sapucaí. nas coordenadas geográficas limites de latitude 22°05’57” S a 22°07’22. e também calculado o índice H + Al. Já os fragmentos florestais estão localizados na planície aluvial (figura 1). magnésio (Mg). devido às ações antrópicas. Junto ao Rio Sapucaí.5” S e longitude 45°48’05” W a 45°48’53. . Silva et al. de forma a amostrar adequadamente as suas variações ambientais. As análises foram realizadas nos Laboratórios de Fertilidade e de Física de Solos da Universidade Federal de Lavras (UFLA). devido às pequenas dimensões dos fragmentos e pequena largura da mata ciliar. seguindo o protocolo da Embrapa (1997).

conforme a seguir: Classe 1. A estrutura do componente arbóreo foi descrita a partir do cálculo.. os fragmentos florestais presentes na área estão em cinza e. calculados pelo programa R (R Development Core Team 2005). n. junto com o teste de permutação de Monte Carlo. Mata ciliar (MC) e fragmentos florestais estudados no Município de São Sebastião da Bela Vista. foram empregados intervalos de classe com amplitudes exponencial crescentes para compensar o decréscimo da densidade nas classes de tamanho maiores. in white. A avaliação dos impactos ambientais foi feita por meio da observação de presença de trilhas. freqüência absoluta e relativa. p. A distribuição diamétrica foi representada para: i) as três espécies com maior VI. Riparian forest (MC) and alluvial forest fragments studied in the municipality of São Sebastião da Bela Vista. the non-forest matrix. As espécies foram classificadas nas famílias reconhecidas pelo sistema APG II (2003) e as grafias dos nomes dos autores foram uniformizadas. (2001). abr. Para o estudo das interações entre espécies ( ≥ 5 indivíduos) e variáveis ambientais. a representação do Rio Sapucaí. dominância absoluta e relativa e valor de importância (VI). à literatura e herbários. típico da distribuição J-invertido. Figure 1. A diversidade foi avaliada pelo índice de ShannonWiener (H’). Brasil. sendo zero para a ausência de impacto observável. is the representation of Rio Sapucaí. V. the forest fragments in the area are represented in gray and. de 17 a 32. em que zero correspondeu à menor abertura observada e cinco à maior abertura observada. de 9 a 16. seguindo a padronização proposta por Brummitt & Powell (1992). As identificações foram realizadas por meio de consultas a especialistas. Classe 3.2. foram eliminadas as variáveis com correlações fracas com os dois primeiros eixos de ordenação (r < 0. Minas Gerais.5). Classe 4. de 33 a 64. estes intervalos permitem melhor representação das classes diamétricas maiores e de baixa densidade.-jun. acima de 65 cm. foi empregada a Análise de Correspondência Canônica (CCA) (ter Braak 1987). De acordo com os mesmos autores. Foram atribuídas notas de zero a cinco. de impactos 285 causados pelo gado e do corte seletivo de árvores dentro das parcelas.9 cm. e iii) a comunidade de cada fragmento e da mata ciliar. de 5 a 8.9 cm. dos parâmetros quantitativos (Mueller-Dombois & Ellenberg 1974): densidade absoluta e relativa. Minas Gerais. Como sugerido por Oliveira-Filho et al. em branco. Em preto. .Revista Brasil.32. para a comparação entre as classes de solo encontradas em termos das médias das variáveis químicas. no programa PC-ORD versão 4. o que é desejável em comparações gráficas. Classe 2. Bot. As classes de distribuição de diâmetro foram definidas de forma a ajustarem-se aos números de indivíduos encontrados e à amplitude da variação do diâmetro na área. Figura 1. Brazil. Composição e estrutura da vegetação arbórea – Todos os indivíduos arbóreos vivos que apresentaram diâmetro medido a 1. para a verificação das significâncias. ii) a comunidade da área total.283-297. Após análises preliminares. In black. 2009 atribuídas notas de zero a cinco. Indivíduos com caules múltiplos foram medidos quando a soma das áreas basais das secções dos caules correspondia a uma área basal igual ou maior que a de um caule único com 5 cm de DAP. Os espécimes coletados foram depositados no Herbário ESAL (UFLA).14 (McCune & Mefford 1999). equabilidade de Pielou (J’) (Brower & Zar 1984) e o estimador de riqueza Jackknife de primeira e segunda ordem (Heltsche & Forrester 1983). para cada espécie. no programa Statistica (StatSoft 2001).9 cm e Classe 5. texturais e de nível freático no solo. a matriz não florestal. Análise dos dados – Foram realizadas análises usando o teste de Kruskal-Wallis.9 cm.30 m de altura (DAP) igual ou superior a 5 cm foram identificados e mensurados (DAP e altura total).

Mg.61 -06.88 -00.: Florística e estrutura de fragmentos aluviais Resultados e discussão Variáveis edáficas – Foram identificadas quatro classes de solos: Neossolos Flúvicos Tb distróficos câmbicos (RUbd). que é um solo mais saturado. Os Gleissolos. As famílias com maior número de espécies foram Myrtaceae. os Cambissolos foram solos intermediários entre os Neossolos e Gleissolos. nesse fragmento. Cambissolos e Gleissolos).62 -09. e Gleissolos Melânicos distróficos típicos (GMdt). situados nos fragmentos 3 e 4 (parcelas 37 a 48). Silva et al.62 -49.58 01.0019 0. The values represent the means of n samples from each of three soils types. apresentando maior porcentagem de areia e menor de argila no perfil superficial. Ca. Variáveis químicas e texturais do perfil superficial dos solos (0-20 cm) e nível freático observados em 54 parcelas amostradas na mata ciliar e em cinco fragmentos de floresta aluvial em São Sebastião da Bela Vista.59 -64.00 < -100.46 38. resultando em menor acúmulo de matéria orgânica. Porém. Em diversos Tabela 1. MG.01 50. MG. ambientes com nível freático próximo à superfície do solo a alagados no período de maior pluviosidade.79 -00. nos poços de observação. Variáveis pH em H2O P – Mehlich (mg dm-3) K+ (mg dm-3) Ca++ (cmolc dm-3) Mg++ (cmolc dm-3) H++ + Al+++ (cmolc dm-3) Matéria orgânica (dag kg-1) Areia (%) Silte (%) Argila (%) Prof. Os Neossolos.82 -14. parcelas menos saturadas deste fragmento. com sete espécies. mínima do nível freático (cm) Neossolos (n = 24) 04. enquanto que as parcelas de interior apresentaram menor influência da água. obtendo também. valores intermediários das outras variáveis mensuradas (tabela 1).06 04. duas parcelas de interior (28 e 30) obtiveram o solo CHd. No fragmento 1. algumas vezes. Florística.90 -06.286 A.25 -70. na maioria das parcelas do fragmento 1 (25 a 27 e 29) e nas parcelas 49 e 51 a 53 do fragmento 5. Teste de Kruskal-Wallis entre os tipos de solos. resultando em grande quantidade de P e H + Al disponível.0002 < 10-4 < 10-4 < 10-4 < 10-4 < 10-4 < 10-4 < 10-4 . tipo de solo encontrado na área de mata ciliar. média do nível freático (cm) Prof.65 -18. P.42 < -100. situados na mata ciliar (parcelas 1 a 24). com nível freático mais próximo à superfície. situados no fragmento 2 (parcelas 31 a 36) e em duas parcelas do fragmento 1 (28 e 30). Os valores são médias das n amostras de cada um dos três tipos de solos.70 -28. Chemical and textural variables of surface soil profile (0-20 cm) and water table level observed in 54 plots sampled in riparian and five alluvial forest fragments in São Sebastião da Bela Vista. juntas.23 00. localizados nas parcelas 50 e 54 do fragmento 5.25 -20.41 -00. respondem por 43. Neste solo.58 09. Cambissolos Húmicos Tb distróficos gleicos (CHd). assim como as variáveis texturais porcentagem de areia.50 -90.03 28.15 -76.65 P 0.16 -07.48 -09. silte e argila e o nível freático no solo (tabela 1). Kruskal-Wallis test between the soils types.13 33.1436 0. não foi registrada água a 1 m de profundidade. obtiveram maior acúmulo de matéria orgânica. que foram os solos mais saturados.55 Gleissolos (n = 22) -04. Valores de P indicam sua significância.68 -42. C.38 -14. em todos os meses. as parcelas próximas da borda estão em um nível do terreno mais baixo. pH e MO foram significativamente diferentes entre os tipos de solos (Neossolos. Isso ocorreu porque. com 17 espécies. Em um gradiente de saturação hídrica.9% da riqueza. seguida por Fabaceae com 12 espécies e Lauraceae. com menor saturação hídrica. com nível freático próximo à superfície do solo. estrutura e diversidade do componente arbóreo – Foram identificadas 82 espécies.29 -12. Table 1. P-values indicate its significance. Gleissolos Melânicos distróficos hísticos (GMdh).88 09.0226 < 10-4 0.34 -41. houve predominância do solo GMdh. ambientes mais secos entre os fragmentos. pertencentes a 62 gêneros e a 34 famílias botânicas nas áreas aluviais estudadas (tabela 2). ao contrário dos outros tipos de solos. são solos mais bem drenados que os solos dos fragmentos.00 Cambissolos (n = 8) -04. que. H + Al.87 -00.

pertencentes a 51 espécies. Sebastiania commersoniana (Baill. juntos.531 * 20.2. * = no collection. MG. MG. Myrtaceae é também uma das maiores famílias da flora brasileira (Souza & Lorenzi 2005).528 20. V.) Table 2. foram amostrados 2. 40 gêneros e 23 Tabela 2. 2009 287 estudos. (P = espécies amostradas nas parcelas.) L.) Stellfeld Machaerium nyctitans (Vell. ex Benth. APOCYNACEAE Aspidosperma cylindrocarpon Müll. foi encontrado Myrtaceae como a família mais abundante. Hymenaea courbaril L. Arg. F = espécies registradas na florística. ANNONACEAE Duguetia lanceolata A.495 20. indicando ser uma família com espécies adaptadas à saturação hídrica. Nas 54 parcelas.524 20.483 20.) Benth. Espécies arbustivo-arbóreas encontradas na mata ciliar e nos fragmentos de floresta aluvial localizados no Município de São Sebastião da Bela Vista. representam 24. abr. with their registry number in ESAL Herbarium. Rollinia emarginata Schltdl.) Blume CELASTRACEAE Maytenus salicifolia Reissek EUPHORBIACEAE Alchornea triplinervia (Spreng.283-297. Bot.) Az. B.-jun.32.) Müll. Brazil. (2004). Arg.485 20.523 20.) Famílias/Espécies ANACARDIACEAE Tapirira guianensis Aubl. Sm. Machaerium villosum Vogel Platycyamus regnellii Benth. como Loures (2006).489 20.4% do total das espécies.522 20.486 20.520 20.532 continua .) Glassman BORAGINACEAE Cordia magnoliifolia Cham.. & Downs FABACEAE (CAESALPINIOIDEAE) Copaifera langsdorffii Desf. (P = species sampled in plots. Os gêneros com maior número de espécies foram Myrcia (6). Nectandra (3) e Ocotea (3) que. Machaerium (3). FABACEAE (FABOIDEAE) Andira fraxinifolia Benth.498 20. n.Revista Brasil. com seus respectivos números de registro no Herbário ESAL. C.490 20492 20. ARECACEAE Syagrus romanzoffiana (Cham.504 20. Lima Machaerium hirtum (Vell. Eugenia (5).484 20. Tree species found in the riparian and alluvial fragments forest located in the municipality of São Sebastião da Bela Vista. Andira vermifuga Mart.064 indivíduos. p.497 20. sendo encontrada em diferentes ecossistemas.487 20. F = species registered in the floristic. St. em floresta aluvial. Arg. Tozzi & H.526 20. em mata paludosa e Araujo et al. Croton urucurana Baill.-Hil. CANELLACEAE Capsicodendron dinisii (Schwacke) Occhioni CANNABACEAE Trema micrantha (L. Gymnanthes concolor (Spreng. Erythrina falcata Benth.) Müll.529 20.500 20. Lonchocarpus cultratus (Vell. * = sem coleta. Ocorrência F P P F P F P F P P P F P P F P P P F F F F F Número de registro 20.

Eugenia blastantha (O. Lanj.571 20.) D.) Miq.541 20.) DC.568 20. MELASTOMATACEAE Leandra gardneriana Cogn.517 20.556 20.534 20.550 20. C.562 20.) Mart. DC. Maclura tinctoria (L.C.548 20. Eugenia cf myrciariifolia Soares-Silva & Sobral Eugenia sp. MONIMIACEAE Mollinedia widgrenii A.542 20.555 20.519 * 20. MYRTACEAE Calycorectes psidiiflorus (O.574 20. & Wess.514 20. Miconia paulensis Naud. MORACEAE Ficus luschnathiana (Miq. Legrand Eugenia dodonaeaefolia Cambess. Inga vera Willd. Myrcia oblongata DC. Silva et al.518 20.570 20. LACISTEMATACEAE Lacistema hasslerianum Chodat LAMIACEAE Vitex megapotamica (Spreng.505 20.508 20. Nectandra oppositifolia Nees & Mart. MALVACEAE Ceiba speciosa (A. Burger.) Mez Nectandra nitidula Nees & Mart. Sorocea bonplandii (Baill. Myrcia multiflora (Lam.585 20.583 20.590 continua FABACEAE (MIMOSOIDEAE) Acacia polyphylla DC. Trichilia pallida Sw.563 20.560 20.513 20.566 20.586 20. .288 continuação Famílias/Espécies A.533 20.-Hil.561 20.) Ravenna Luehea candicans Mart.559 20.) W. Boer MYRSINACEAE Myrsine gardneriana A. MELIACEAE Guarea macrophylla Vahl Trichilia catigua A. Berg) Sobral Calyptranthes widgreniana O. Berg Campomanesia guaviroba (DC.) Moldenke LAURACEAE Cryptocarya saligna Mez Nectandra megapotamica (Spreng.: Florística e estrutura de fragmentos aluviais Ocorrência F P P P P P P F F P F F F F F F P P F P F P F P P P P P P P P P P P P P Número de registro 20. Ocotea elegans Mez Ocotea indecora (Schott) Mez Ocotea velutina (Nees) Rohwer LECYTHIDACEAE Cariniana estrellensis (Raddi) Kuntze LOGANIACEAE Strychnos brasiliensis (Spreng.600 20.575 20. DC.543 20. Don ex Steud.506 20.) Kiaersk.544 20. Eugenia florida DC.Berg) D. Juss. St.515 20. Myrcia laruotteana Cambess.

como no dique de origem antrópica que atravessa o fragmento 4. Sebastiania commersoniana (VI = 28. essas três espécies representam 53.606 20. Berg Plinia cauliflora (DC.612 20. inclusive em locais relativamente mais secos. O valor de H’ obtido para a área foi considerado baixo: 2.633 20. Inga vera possuiu menor densidade absoluta (200 ind ha-1). SALICACEAE Casearia sylvestris Sw.2% da riqueza esperada pelos estimadores Jackknife de primeira e segunda ordem. as 51 espécies encontradas dentro das parcelas representam 82. Bot. o que justifica seu maior VI.283-297.626 20. Br. o número de espécies foi de 82. St. o que explica o baixo valor de J (0.620 20.E.) Turcz. Juntas. com 791.-Hil.Revista Brasil.601). Myrcia tomentosa (Aubl.-jun. Xylosma venosa N. abr.9%) foram as espécies que mais se destacaram na amostragem (tabela 3). n. Ocorrência P F P P P F P F F P P P P P F P F P P P P F F 289 Número de registro 20. 31 espécies (37.624 20. THYMELAEACEAE Daphnopsis fasciculata (Meisn. 4.32. superando o número de espécies esperado pelos estimadores Jackknife. SAPINDACEAE Cupania ludowigii Somner & Ferrucci Cupania vernalis Cambess. PIPERACEAE Piper gaudichaudianum Kunth RUBIACEAE Faramea multiflora A.) DC. que tiveram valores de 59.632 20. porém. Rich. & Schltdl. respectivamente.9% do VI total da área. Guettarda viburnoides Cham.621 20.615 20.613 20.611 20.608 20. Inga vera (VI = 13.634 20.80%) foram registradas fora das parcelas. Berg) Kiaersk.628 20.04 ind ha-1.) Radlk. SOLANACEAE Solanum pseudoquina A.4% a 85.623 20.4%).2.67 ind ha-1 presentes em 52 das 54 parcelas.598 20. . SYMPLOCACEAE Symplocos tetrandra Mart. No levantamento florístico. Xylosma prockia (Turcz. ex DC.) Kausel Psidium guajava L.596 20. VOCHYSIACEAE Vochysia magnifica Warm. V.98 m2 ha-1).607 20. PICRAMNIACEAE Picramnia sellowii Planch. 2009 continuação Famílias/Espécies Myrcia pulchra (O.77 m2 ha-1) do que Guarea macrophylla (262.) Nevling URTICACEAE Cecropia pachystachya Trécul VERBENACEAE Citharexylum myrianthum Cham.597 20.36 nats ind-1..635 famílias botânicas (tabela 3).9 e 61.6%) e Guarea macrophylla (VI = 11.618 20. Berg Myrciaria tenella (DC. Porém. SAPOTACEAE Pouteria gardneriana (A. Myrcia undulata O.) O.614 20. maior dominância absoluta (8.603 20. Symplocos uniflora (Pohl) Benth. p.9 espécies. DC. ou seja.

211 0.36 13.35 1.15 DoR 32.52 2.24 0.70 27.65 1. Tree species (DAP ≥ 5 cm) sampled in 54 plots allocated in the alluvial fragments forest and riparian forests in the municipality of São Sebastião da Bela Vista.11 0. Symplocos tetrandra Eugenia dodonaeaefolia Myrsine gardneriana Symplocos uniflora Calyptranthes widgreniana Myrcia pulchra Maytenus salicifolia Cupania ludowigii Myrcia oblongata Myrciaria tenella Xylosma venosa Duguetia lanceolata Andira vermifuga Syagrus romanzoffiana Abrev.09 0.56 11. 2000).73 0.16 0.09 0. FR = relative frequency (%).22 3.00 262.57 2.13 4.63 6.555 5.32 2.727 3.88 4.11 11.87 1.07 0.63 21.774 0.00 5.51 1.87 0.30 23.337 21.09 0.55 1.171 0.41 1.20 2.44 18.96 9. MG.60 3.52 1.30 1.09 1.56 9.56 0. MG. Brazil.04 12.48 0.78 1.58 0.78 0.48 4.92 0.39 3. para a Mata Atlântica.62 11.19 0.88 0.13 3.26 5.45).114 0. 2005.67 11.09 0. Seba com Inga ver Guar mac Case syl Alch tri Nect nit Pout gar Euge flo Copa lan Vite meg Roll ema Nect meg Crot uru Picr sel Tric pal Euge sp Symp tet Euge dod Myrs gar Symp uni Caly wid Myrc pul Mayt sal Cupa lud Myrc obl Myrc ten Xylo ven Dugu lan Andi ver Syag rom H 17 25 17 15 20 11 18 20 25 20 12 14 15 7 15 7 18 16 15 10 8 9 12 15 11 7 9 20 11 15 DA 791.83 2.434 0.19 27.49 0.78 17.30 9.215 0.56 5.081 0. DR = densidade relativa (%).04 86.47 13.56 FR 11. considerou que.33 66.34 DoA 13.311 0. (H = altura máxima de cada espécie (m).56 6.03 0.07. FA = absolute frequency (%).71 4.50 1.13 0.29 0.91 0.11 12.14 1.07 15. VI = valor de importância (%). ranked by VI.96 1.78 26. está concentrada nas Classes 2 e Tabela 3. com base em diversos trabalhos.09 0.41 9. (H = Maximum height of each species (m).86 0.673 1. Vilela et al.387 0.78 44. C.462 0.11 5.10 0.52 1.864 4.29 0.32 0.93 nats ind-1) e uma alta dominância de Salix humboldtiana e Inga vera (J de 0. Vilela et al.233 0. DA = densidade absoluta (ind ha-1).30 1.43 0.15 28.16 0. ordenadas pelo VI.05 1.07 24. o H’ varia entre 3.26 9. van den Berg et al.02 1.26 7. VI = importance value (%).19 2.35 0. 2006. (2000) também observaram baixa diversidade de espécies (H’ de 0.59 14.42 10.48 DR 41.45 1.511 0.) Espécie Sebastiania commersoniana Inga vera Guarea macrophylla Casearia sylvestris Alchornea triplinervia Nectandra nitidula Pouteria gardneriana Eugenia florida Copaifera langsdorffii Vitex megapotamica Rollinia emarginata Nectandra megapotamica Croton urucurana Picramnia sellowii Trichilia pallida Eugenia sp.26 21.00 4.49 0.96 16.35 10.26 4.17 2.67 19.45 0.58 0.87 0.11 12.48 8.19 42.81 24.98 1.29 1.03 0.96 12. Silva et al.22 2.63 85.: Florística e estrutura de fragmentos aluviais Martins (1993). DoA = absolute dominance (m2 ha-1). DoR = dominância relativa (%).07 0.45 continua .78 0.84 0.44 29.31 1.48 1.223 0.290 A.56 0.) Table 3.36 0.094 0.83 2. DR = relative density (%). FA = freqüência absoluta (%).52 1.59 35.26 0. favorecendo poucas espécies adaptadas a estas condições (Rocha et al.29 0.51 3.65 VI 28.09 1.17 1.21 1.49 1.96 24.361 FA 96.52 11. FR = freqüência relativa (%).19 35.30 79. em florestas não inundáveis. Em um estudo em área aluvial no Município de Madre de Deus de Minas. Verifica-se que a maioria dos indivíduos de Inga vera.051 11.88 2. DoA = dominância absoluta (m2 ha-1).11 1.17 3.03 0. ao contrário de Sebastiania commersoniana e Guarea macrophylla.09 0.21 0.85 27. DA = absolute density (ind ha-1).67 9.11 5.82 0.69 1.74 9.34 0.26 5.26 11.385 0. Essa alta dominância e baixa diversidade estão associadas ao ambiente restritivo e seletivo.47 0.58 0.78 1.30 1.05 3. MG. DoR = relative dominance (%).04 0.26 5.04 0.77 4.61 e 4.143 3.67 200.627 2.06 2. Espécies arbóreas (DAP ≥ 5 cm) encontradas nas 54 parcelas alocadas nos fragmentos de floresta aluvial e na mata ciliar no Município de São Sebastião da Bela Vista.427 2.07 18.30 16.11 58.828 0.101 0.162 0.940 3.50 1.78 37.52 27.081 0.52 18.

41 5. que pode ser característica da espécie ou.5 25 DA 10.63 3.85 1.24 0. Vitex megapotamica .11 DR 0.85 1.19 0.10 0.127 0.05 0. poucos indivíduos jovens podem indicar que a população está em declínio.85 1.026 0.15 0. que o grande número de indivíduos nas classes inferiores de diâmetro nem sempre é um indicativo de que a espécie irá manter uma população viável.05 100.21 0. pois houve menos indivíduos de menores diâmetros.10 0.32. como as de Sebastiania commersoniana e Inga vera.01 0. em seus estudos.41 0.05 0. Andira fraxinifolia.85 1. Considerando a distribuição diamétrica da comunidade. 2006).43 0. Guettarda viburnoides.464 0.43 0.02 0.5 7 17 8 10 8 10 6 6 15 12 10 8 6 2. abr. Duguetia lanceolata e Copaifera langsdorffii (tabela 3).85 1.033 0.65 0.01 0.93 0. porém.43 0.18 0. entre as espécies estudadas. o que pode ser devido à característica ecológica da espécie ou à fatores ambientais.296 0.19 0. não sendo um J invertido típico. pode-se concluir que a distribuição diamétrica reflete as características autoecológicas das espécies (Schaaf et al.037 0.0 3 de diâmetro.010 0. Em populações importantes dentro da comunidade. Quando há grande número de indivíduos jovens em relação a indivíduos adultos.70 3. Porém.56 1.00 0. devido à competição.10 0. Myrcia multiflora.5 16 11 5 7 9. Bot.43 0. (2006) concluíram.85 1.01 0. Schaaf et al.65 0.70 3.014 0.01 0.93 0.05 0. Inga vera é também.63 2.43 0.10 0.93 0. Assim.01 0. Lacistema hasslerianum e Ficus luschnathiana.22 0.93 0. pois não há regeneração natural suficiente.93 0.85 3.70 3.22 0.44 0.24 0.78 1.03 0.93 1911. Apenas .56 4.-jun.9 cm).78 0. Myrc und Cecr pac Euge myr Guet vib Euge bla Cary psi Myrc mul Eryt fal Daph fas Ocot ind Xylo pro Caps din Plin cau Myrc lar Camp gua Cryp sal Soro bon Mico pau Andi fra Laci has Ficu lus H 9.85 851.084 0.24 0. não foi observada esta estrutura.12 0.057 0.31 0.87 0.22 0.00 0. Myrciaria tenella..93 0. p.27 0.5 5..2.85 1.00 DoA 0.85 1.87 0. além de Inga vera. a que possuiu mais indivíduos na Classe 4 de diâmetro (17 a 32.02 0.70 1. como já demonstrado pela área basal (tabela 3).10 0.29 0.56 5.70 3.02 0.085 0. 2009 continuação Espécie Myrcia undulata Cecropia pachystachya Eugenia cf myrciariifolia Guettarda viburnoides Eugenia blastantha Calycorectes psidiiflorus Myrcia multiflora Erythrina falcata Daphnopsis fasciculata Ocotea indecora Xylosma prockia Capsicodendron dinisii Plinia cauliflora Myrcia laruotteana Campomanesia guaviroba Cryptocarya saligna Sorocea bonplandii Miconia paulensis Andira fraxinifolia Lacistema hasslerianum Ficus luschnathiana Total Abrev.40 0. indicando indivíduos maiores na área.22 0.19 0.09 0.015 0. mas com pequena probabilidade de morrer devido à competição.007 100. Plinia cauliflora.85 0.93 2. n.38 0. Uma espécie com poucos indivíduos nas classes inferiores de diâmetro.18 0. a população está estável e provavelmente crescendo.22 0.Revista Brasil. necessita apresentar uma grande freqüência nas classes diamétricas inferiores para ter alguma chance de sobreviver na comunidade.85 1.37 0.67 DoR 0. influência da intervenção antrópica (Condit et al.19 0. Em toda área. V. 1998).01 0.09 100.19 5.43 0.19 0. Eugenia florida .65 0.56 5.70 4.41 7.70 3.05 0. provavelmente se manterá na floresta.41 7. constatou-se tendência ao padrão J invertido (figura 2). Myrcia laruotteana.026 0.22 0. As espécies que ocorrem somente no sub-bosque (h < 8 m) são: Picramnia sellowii.22 100.65 0.05 0.283-297.53 0.075 0.040 0.00 41.85 FR 0.56 7.01 0.00 FA 5.018 0.15 0.0 291 VI 0. Eugenia sp.029 0.11 0.03 0.010 0.9 cm.09 0. entre os diâmetros de 9 a 32.012 0. como muitas vezes ocorre.05 0. as outras espécies que ocupam o estrato superior do dossel (h ≥ 20 m) são: Alchornea triplinervia . provavelmente devido ao aumento crescente dos intervalos de diâmetro abrangidos pelas classes.09 0.87 0.70 3. tendo distribuição próxima da normal (figura 2).050 0.21 0.04 0.01 0.05 0.05 0.02 0.09 0. enquanto que uma espécie com grande parte dos indivíduos sujeitos a morrer.85 1.10 0.22 0. Eugenia blastantha.

908.815. MG. mesmo porque os três primeiros eixos de ordenação obtiveram altas correlações de Pearson (0. a regeneração natural pode ser menor. dentre as espécies com maior VI. Estrutura diamétrica da amostragem total (A) e das três espécies com maior dominância – Sebastiania commersoniana (B). Os três primeiros eixos explicaram apenas 23.270 (eixo 1). 0. a inundação ocorrente na faixa ciliar é instrumento natural de perturbação da vegetação.113 (eixo 3). tendendo à distribuição de normal (figura 3). apresentou população com tendência ao J invertido (figura 2). eixo 3) e o teste de permutação de Monte Carlo indicou correlações significativas para os três eixos Figura 2. Diameter structure for the total sample (A) and for the three most dominant species – Sebastiania commersoniana (B). indicando grande variância remanescente não explicada pelas variáveis ambientais utilizadas. porém. Brazil. Porém. dificultando a regeneração natural. C. pois. Distribuição das espécies – Os autovalores da CCA para os três primeiros eixos de ordenação foram de 0.9 cm). Inga vera contribuiu pouco para a tendência à distribuição normal.6%. Nesses locais. o que. com baixa substituição de espécies entre extremos e predominância de variações na abundância das espécies. onde o processo de sedimentação e a grande velocidade do rio dificultam o estabelecimento de plântulas. provavelmente. a mata ciliar possui o mesmo padrão de dominância ecológica de toda área. Na mata ciliar.221 (eixo 2) e 0. com mais indivíduos de Sebastiania commersoniana. Inga vera (C) e Guarea macrophylla (D) – in 54 plots allocated in the riparian forest and in the five alluvial forest fragments in the municipality of São Sebastião da Bela Vista.292 A.7% da variância dos dados (eixo 1 = 10. o nível freático ficou abaixo de 1 m de profundidade do solo durante todas as medições nos poços de observação. na mata ciliar. Além disso. porém. é uma das causas da menor ocorrência de indivíduos de pequeno porte. eixo 1. Figure 2. que os menores indivíduos avaliados neste estudo possuem 5 cm de DAP. estes representam apenas 63 dos 650 indivíduos presentes na área. houve distribuição diamétrica com maior número de indivíduos nas Classes 2 e 3 de diâmetro (932. apesar de a mata ciliar possuir grandes indivíduos desta espécie.4%). Inga vera (C) e Guarea macrophylla (D) – nas 54 parcelas alocadas em uma mata ciliar e em cinco fragmentos de floresta aluvial localizados no Município de São Sebastião da Bela Vista. há evidências de alagamentos temporários provocados por enchentes. pois o extravasamento do rio provoca o soterramento ou remoção periódica da serapilheira.: Florística e estrutura de fragmentos aluviais Guarea macrophylla. Verifica-se a tendência de padrão J invertido no componente arbóreo de alguns fragmentos. MG. 0. ressaltando-se. Segundo Rodrigues & Shepherd (2000). No entanto.5 sensu ter Braak 1995) indicam a existência de gradiente curto. . Silva et al. eixo 2 e 0. isso é comum em dados de vegetação e não prejudica a significância das relações espécie-ambiente (ter Braak 1987). como a presença de sedimentos sobre plântulas durante a época de maior pluviosidade. seguida por Guarea macrophylla.7% e eixo 3 = 4. eixo 2 = 8. Autovalores baixos (< 0. do banco de sementes e mortalidade de plântulas. ao contrário dos fragmentos.795.

4 (E) e 5 (F) de floresta aluvial localizados no Município de São Sebastião da Bela Vista.283-297. H + Al e MO. 2 (C). porcentagem de areia. 2 (C). p. 3 (D). Brazil. altura máxima do nível freático e teor de argila (tabela 4). A variável ambiental mais correlacionada com o segundo eixo foi cobertura do dossel. . silte e argila no solo. Foram altas e positivas as correlações ponderadas entre teor de matéria orgânica. nível freático no mês de maior encharcamento e cobertura do dossel.2. Figure 3.01) entre abundância das espécies e variáveis ambientais. não explicaram de forma significativa a distribuição das espécies na área. 4 (E) and 5 (F) of alluvial forest located in the municipality of São Sebastião da Bela Vista. Isso ocorreu devido à presença de dois extremos ambientais ocasionados pelos processos geomorfológicos Figura 3. MG. As variáveis com correlações fracas com os dois primeiros eixos da CCA. 3 (D). teores de H + Al.-jun. As variáveis mais correlacionadas com o primeiro eixo foram teores de matéria orgânica. abr. n. Estrutura diamétrica da amostragem do componente arbóreo da mata ciliar (A) e dos fragmentos 1 (B). Diameter structure for the tree component sampled in the riparian forest (A) and in fragments 1 (B).32. V. profundidade do nível freático no solo e porcentagem de argila (tabela 4). As variáveis ambientais mantidas na CCA por possuírem correlações altas com os dois primeiros eixos de ordenação (r < 0. Já o teor de areia teve correlação negativa com todas essas variáveis.. como o impacto ambiental.5) foram: teores de Mg. Bot.Revista Brasil. teores de H + Al. MG. 2009 293 (P = 0.

não proporcionando sua retenção e nem a acumulação de matéria orgânica. Symplocos tetrandra.782 -0.445 0. onde estão localizados os fragmentos.809 -0. pode ocorrer seu extravasamento e sedimentos são depositados na mata ciliar ou levados a distâncias maiores.029 0.: Florística e estrutura de fragmentos aluviais Tabela 4. Com a baixa disponibilidade de oxigênio nestes solos.307 H + Al – – 0. Sebastiania commersoniana e Inga vera. 29. mais arenosos em comparação com os dos fragmentos. Os sedimentos maiores e mais pesados (predominantemente arenosos) são depositados mais próximo do rio. com maior saturação hídrica (figura 4B). Em relação ao primeiro eixo. 37 a 54). Eugenia sp. Correlation with absolute values > 0. possuem maior eficiência da infiltração de água. MG. Os resultados encontrados confirmam este padrão. houve o aumento dos valores de teor de Mg. associados à maior saturação hídrica e.068 0.402 -0.5 estão indicadas em negrito. A maior porcentagem de argila no solo dificulta a infiltração de água. na CCA.291 0. Casearia sylvestris .219 0. Sul de Minas Gerais. os solos da mata ciliar. Vitex megapotamica. a uma distância maior do rio (fragmentos na planície aluvial) (Ab’Saber 2000). a separação de grupos de parcelas de acordo com a distribuição das espécies. – – – -0.776 0. Pouteria gardneriana e Eugenia florida ocorreram mais freqüentemente nos ambientes mais bem drenados.755 0.461 0.871 0.852 -0.873 -0. no dique marginal da mata ciliar.768 -0.401 Nível freático – – – – – – – -0.467 -0. Myrciaria tenella.586 -0.030 Argila – – – – – – 0. pelas águas das cheias.614 0. Canonical correspondence analysis (CCA): internal correlation (‘intraset’) in the first three ordination axes and weighed correlation matrix for the environmental variables measured in 54 plots allocated in riparian and alluvial forest fragments in the municipality of São Sebastião da Bela Vista. a textura do solo foi também um importante fator condicionante da distribuição das espécies na floresta aluvial localizada na bacia do Rio Preto (pertencente à bacia do Rio Grande). H + Al e argila.338 0. associada ao ambiente no qual se encontram (figura 4). não há suficiente decomposição da matéria orgânica.431 0. Table 4.865 -0. enquanto que os sedimentos mais finos e leves (predominantemente argilosos) são carregados.052 0.905 -0. Durante as cheias do rio.602 -0. Myrsine gardneriana. Foi possível constatar. nos Neossolos e Cambissolos. Myrcia oblongata. Ao contrário.563 Mat.5 or < -0. Cecropia pachystachya.665 -0. porcentagem de areia e profundidade do nível freático (redução do nível freático) e diminuição dos teores de MO.486 -0.5 ou < -0. 30 e 31 a 36).5 are indicated in bold. da esquerda para a direita do gráfico. C. como os encontrados nos fragmentos.479 Silte – – – – – -0. À esquerda predominaram parcelas com Gleissolos Melânicos (parcelas 25 a 27. como o de van den Berg et al.509 Eixo 2 0. à direita.119 -0. Guarea macrophylla. parcelas com Neossolos Flúvicos (parcelas 1 a 24) e Cambissolos (parcelas 28.666 Variáveis ambientais Mg H + Al Matéria orgânica Areia Silte Argila Nível freático Cobertura do dossel Eixo 1 0. (2006).009 -0. Em outros estudos. ocorrendo seu acúmulo e ocasionando o aumento da acidez do solo (maior disponibilidade de H). Brazil.984 0. Análise de correspondência canônica (CCA): correlações internas (‘intraset’) nos três primeiros eixos de ordenação e matriz de correlações ponderadas para as variáveis ambientais mensuradas em 54 parcelas alocadas em uma mata ciliar e em cinco fragmentos de floresta aluvial no Município de São Sebastião da Bela Vista. Correlações com valores absolutos > 0.294 A.630 da dinâmica de sedimentação da área.517 Areia – – – – 0.435 0. Symplocos uniflora. Correlações ponderadas Mg – -0. MG. pois foram encontrados solos mais argilosos nos fragmentos e solos mais arenosos na mata ciliar (tabela 1). que são mais bem drenados (figura 4A). Myrcia pulchra. Silva et al..542 -0.576 -0.659 -0. Alchornea triplinervia . Nectandra megapotamica . Croton urucurana e Xylosma venosa ocorreram com maior freqüência nos Gleissolos. Org. colaborando para a sua retenção e formando solos saturados. espécies muito comuns em toda a área.499 -0. ocorreram tanto em ambientes mais como em menos .692 0. na planície após o trecho de mata.

The variables used were: percentage of clay (Argila).0%. neste estudo. juntamente com Nectandra megapotamica que. (2000) encontraram Inga vera e Botrel et al. Distribution of the studied plots (A) and species (B) in the canonical correspondence analysis (CCA) conducted for the 54 plots allocated in the riparian forest and in the five alluvial forest fragments in the municipality of São Sebastião da Bela Vista. teores de hidrogênio e alumínio (H + Al). Figure 4. nível freático no solo (Nive. + = Cambissolos Húmicos Tb distróficos gleicos. neste estudo. A deficiência Figura 4. (Solos: = Neossolos Flúvicos Tb distróficos câmbicos. Casearia sylvestris também foi descrita por Araujo et al. p. o que pode estar ocasionando maior deciduidade das folhas. MG. species abbreviaton are in table 3. MG. (2002) encontraram-na mais freqüentemente em ambiente com maior saturação hídrica. (2002) e Pereira et al.. + = Cambisols Humic Tb dystrophic gley. porcentagem da areia (Areia). parcelas alocadas nos Cambissolos (28. content of organic matter (MO). (2004).2. um dos fatores que ocasionaram a separação das parcelas dos dois tipos de Gleissolos (GMdh e GMdt) no eixo 2 da CCA (figura 4A). Em relação ao segundo eixo da CCA.-jun. 30 e 31 a 36) e nos Gleissolos Melânicos Distróficos Típicos (50 e 54) ficaram abaixo no gráfico. hydrogen and aluminum (H + Al). A vegetação das parcelas alocadas nos Gleissolos possui dossel mais aberto.283-297.dos).Revista Brasil. separadas das demais. Croton urucurana foi também encontrado em ambientes com maior saturação hídrica por Vilela et al. abr. o que pode ser explicado pelas duas variáveis mais importantes do eixo 2: cobertura do dossel e porcentagem de silte (figura 4A).59% (tabela 1). (2006). De cima para baixo no eixo 2 do gráfico de ordenação. = Gleysols Melanic dystrophic histic. Porém. e Vitex megapotamica por Pereira et al. soil water table level (Nive. (2002). magnesium (Mg). confirmando os resultados deste estudo.15% de silte e GMdt 23.fre) e cobertura do dossel (Cober. = Gleissolos Melânicos distróficos hísticos. teor de magnésio (Mg). sendo que GMdh possui 29. abreviatura das espécies estão na tabela 3. Botrel et al. outros autores encontram estas espécies em ambientes com maior saturação hídrica: Vilela et al. Os dosséis com maior cobertura foram o da mata ciliar (Neossolos) e os das parcelas alocadas em Cambissolos. provavelmente devido à maior saturação hídrica do solo. confirmando os resultados encontrados na CCA.32. = Gleissolos Melânicos distróficos típicos. V.fre) and canopy coverage (Cober. n. As variáveis utilizadas foram: porcentagem de argila (Argila). porcentagem de silte (Silte). Bot. foi mais freqüente em ambiente com menor saturação hídrica. (Soils: = Neosols Fluvic Tb dystrophic cambic. (2006) encontraram Sebastiania commersoniana. . ocorre a diminuição da porcentagem de silte e aumento da cobertura do dossel (figura 4). Brazil. como espécie mais comum em locais com nível freático mais profundo. porém. 2009 295 inundados. A porcentagem de silte nos Gleissolos é de 28. teor de matéria orgânica (MO). Nas parcelas de Cambissolos houve menor porcentagem de silte (tabela 1).dos). (2000) e Botrel et al. = Gleysols Melanic dystrophic typic. Distribuição das parcelas estudadas (A) e das espécies (B) na análise de correspondência canônica (CCA) realizada para as 54 parcelas alocadas em uma mata ciliar e em cinco fragmentos de floresta aluvial no Município de São Sebastião da Bela Vista. sand (Areia) and silt (Silte).

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