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Tenho o direito de ser feliz...


Vivo para ser feliz! Eu quero ser feliz!
Foi o que pensou um jovem ao aproximar-se de Jesus:
“Mestre, que hei-de fazer para ter a vida eterna?” Que hei-de fazer para ser feliz?
- “Se queres mesmo ser feliz, deixa tudo e segue-Me!” – respondeu Jesus.
O jovem retirou-se pesaroso, pois tinha muitos bens (Cfr. Mt 19,16-22).
Todos procuramos a felicidade. O problema está no que significa realmente a felicidade e
onde a podemos encontrar, se anda tanta gente à sua procura e são tão poucos os que a
encontram.
Há quem diga que a felicidade já está dentro de nós. Não adianta andar a escavar aqui e ali
para a encontrar. É aquela história que diz que Deus ao criar o homem e a mulher, ficou muito
contente, mas decidiu tirar-lhes a felicidade assim nua e crua, para não caírem na tentação de
se pensarem ao nível de Deus e passarem, assim, sem Ele. Além disso, se lhe desse logo a
felicidade, a vida não teria uma meta a atingir, um objectivo a alcançar. O problema era onde
escondê-la. Não podia ser num sítio fácil, para não confundir felicidade com facilidade.
Depois de muito pensar, Deus decidiu escondê-la no coração do homem. Sim, disse Deus,
estarão tão preocupados buscando-a fora, que nunca a descobrirão. E assim aconteceu. Basta
escavar bem no interior de nós para a encontrarmos. É aí que ela se encontra, não como um
fruto acabado, mas como uma semente que desabrocha e dá muito fruto para os que se
aproximam de mim. É como uma pérola de grande valor que estou chamado a descobrir
dentro de mim: não para satisfazer os meus caprichos, mas para a fazer render em favor dos
outros. É como a parábola dos talentos. Já estão em mim, não para os guardar para mim, mas
para os fazer render.
Estou a lembrar-me daquela história dos poços. A felicidade está lá no fundo do poço. Mas
nós, em vez de irmos lá ao fundo do poço, para a encontrarmos, enchemos o nosso poço de
muitas coisas, coisas e mais coisas, ansiosos por nos enchermos de felicidade. Mas
descobrimos que estamos vazios, com tantas coisas... Temos de ir ao fundo do nosso poço. Só
aí encontramos aquela semente que Cristo lá semeou para nos fazer felizes de verdade.
Como o jovem rico também nós pensamos que são as riquezas, as nossas muitas coisas que
nos dão a felicidade.
A verdadeira felicidade é Cristo. É a mensagem da parábola da pérola de grande valor de
Mt 13,45-46. Aquele que a encontra, fica tão contente que vai, vende tudo o que possui e a
compra.
É o que Cristo propõe àquele jovem: Vai, vende tudo o que tens, depois vem e segue-Me. É o
mesmo que dizer: deixa tudo por mim que sou a pérola preciosa que traz a verdadeira
felicidade a quem a encontra.
A felicidade está em saber fazer felizes os outros. Dizemos muitas vezes: a minha felicidade
é o que eu mais quero! E somos capazes de pensar muito pouco na felicidade dos outros.
Quem descobre Cristo dentro de si encontra a verdadeira felicidade. Quem olha para os
irmãos mais necessitados, encontra o lugar para realizar a sua felicidade.
Hoje muitos irmãos nossos reclamam a sua felicidade. Como dizia R. Follereau, não tenho o
direito de ser feliz sozinho. A maior felicidade consiste em procurar a felicidade dos outros
ou, pelo menos aliviar a sua infelicidade. Amar os infelizes é ser feliz por excelência.
Se eu, ao menos, pensasse nisto, quando idealizo o meu futuro! Se a situação de miséria de
tantas pessoas no mundo passasse constantemente no écran das minhas opções!
A opção pela vida missionária é um caminho de felicidade...

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