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UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA

DEPARTAMENTO DE SOLOS

SOL 640

FÍSICA DO SOLO

MÉTODOS DE ANÁLISES

FÍSICAS DO SOLO

Professor Hugo A. Ruiz

2004

SOL 640 – Física do Solo – UFV/DPS Métodos de Análises Físicas do Solo

1. Módulo 1

1.1. Amostragem do solo

CONTEÚDO

1.1.1. Retirada de amostra com anel volumétrico

1.1.2. Retirada de amostra para determinação da densidade do solo pelo método do torrão parafinado

1.1.3. Retirada de amostra para determinação da distribuição do tamanho dos agregados

1.1.4. Retirada de amostra desestruturada

1.2. Determinações preliminares

1.2.1. Umidade atual

1.2.2. Umidade residual e fator f

2. Módulo 2

2.1. Condutividade hidráulica em meio saturado

2.2. Microporosidade

2.3. Densidade do solo (método do anel volumétrico)

2.4. Densidade de partículas (método do balão volumétrico)

2.5. Porosidade total

2.6. Macroporosidade

2.7. Métodos adicionais para determinar a densidade do solo

2.7.1. Método do torrão parafinado

2.7.2. Método da proveta

3. Módulo 3

3.1. Análise granulométrica

3.2. Argila dispersa em água

3.3. Índice de dispersão e índice de floculação

3.4. Relação silte/argila

4. Módulo 4

4.1. Curva característica da água do solo

4.2. Equivalente de umidade

4.3. Capacidade de campo de Latossolos e Neossolos Quartzarênicos

5. Módulo 5

5.1. Estabilidade e distribuição do tamanho dos agregados

5.1.1. Separação de agregados por via seca

5.1.2. Separação de agregados por via úmida

6. Literatura consultada

SOL 640 – Física do Solo – UFV/DPS Métodos de Análises Físicas do Solo

MÓDULO 1

1.1. Amostragem do solo

Dependendo da análise que será executada, as amostras retiradas do campo devem preservar a estrutura natural do solo. Essa é uma exigência daquelas determinações que levam em consideração o volume total do solo ou o volume do seu espaço poroso, como, por exemplo, a densidade do solo, a porosidade total, a macro e microporosidade, a umidade à base de volume, etc. Essas amostras também serão utilizadas na estimativa da distribuição do tamanho dos agregados.

Outras determinações são realizadas com amostras desestruturadas, destacando-se a análise granulométrica, a densidade de partículas, a retenção de água em baixos potenciais (elevadas tensões), a superfície específica, etc.

A terra fina seca ao ar (TFSA) é a fração de solo utilizada, normalmente, nas análises físicas e químicas. Consiste na parte da amostra de solo que passa através da peneira de 2 mm de malha, após ter sido deixada até completa dessecação ao ar. É importante que a totalidade da amostra retirada do campo seja peneirada, para assegurar a representatividade do solo submetido à análise.

1.1.1. Retirada de amostra com anel volumétrico

A amostra pode ser utilizada, seqüencialmente, na determinação da condutividade hidráulica em meio saturado, da microporosidade, da densidade do solo e, por último, após peneiramento, da densidade de partículas. Com esses dados serão calculadas, também, a porosidade total e a macroporosidade.

Procedimento:

a) No laboratório

Identificar e pesar dois anéis volumétricos, com aproximação de 0,01 g;

determinar as dimensões dos cilindros, com paquímetro, e calcular seu volume (V T ):

V

T

= π

r

2

L =

π d

2

L

4

(1.1)

em que r é o raio (cm); d, o diâmetro (cm); e L, a altura do cilindro (cm).

b) No campo

Limpar a área a ser amostrada removendo a serapilheira e retirar a amostra com estrutura indeformada utilizando o anel volumétrico. Remover o excesso de solo nas extremidades do anel, de forma a ocupar exatamente o volume total do cilindro, com o auxílio de faca ou canivete, evitando a compactação da amostra;

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se houver compactação ou perda parcial de solo nas extremidades do cilindro, realizar nova amostragem;

tomar as devidas precauções com o transporte para evitar perdas do material recolhido no anel.

1.1.2. Retirada de amostra para determinação da densidade do solo pelo método do torrão parafinado

Procedimento:

Em

local próximo ao da amostragem com anel volumétrico, retirar seis a oito torrões de

solo, com dimensão de aproximadamente 5 cm cada um;

no laboratório, deixá-los em local ventilado e seco até completa dessecação ao ar.

1.1.3. Retirada de amostra para determinação da distribuição do tamanho dos agregados

Procedimento:

Em

local próximo ao da amostragem com anel volumétrico, retirar bloco de solo de

aproximadamente 30 x 20 x 15 cm e deixar secar ao ar;

destorroá-lo com as mãos cuidadosamente, quebrando os agregados maiores;

passar a amostra em peneira de 4 mm de malha, separando o material retido na de 2 mm.

Nas determinações, utilizar-se-ão os agregados com tamanho entre 4 e 2 mm.

1.1.4. Retirada de amostra desestruturada

Procedimento:

Em local próximo ao da amostragem com anel volumétrico, retirar aproximadamente 1 kg de amostra desestruturada, até a profundidade de trabalho previamente estabelecida;

no laboratório, destorroar manualmente, passar a totalidade da amostra por peneira de 2

mm de malha e deixá-la em local ventilado e seco até completa dessecação ao ar.

1.2. Determinações preliminares

1.2.1. Umidade atual

A umidade atual (U Atual ) é o conteúdo de água do solo quando da retirada da amostra no campo.

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Procedimento:

Ainda no campo retirar amostra de solo de aproximadamente 30 g e, imediatamente, colocá- la em recipiente vedado com tampa, previamente tarado com aproximação de 0,01 g (M R ). No laboratório, pesar o conjunto com aproximação de 0,01 g [M (R+Solo+Água) ];

levar à estufa a 100-105 o C, durante 48 h. Retirar, colocar em dessecador, deixar atingir a temperatura ambiente e pesar com aproximação de 0,01 g [M (R+Solo) ].

Cálculos:

U

Atual

=

M

(

R

+

Solo

+

Água

)

M

(

R

+

Solo

)

M

(

R

+

Solo

)

M

R

=

1.2.2. Umidade residual e fator f

M

Água

M

Solo

(1.2)

A umidade residual (U R ) é a máxima quantidade de água que o solo é capaz de

adsorver da atmosfera, em forma de vapor, para manter-se em equilíbrio com o ambiente.

O fator f é um fator de correção dos resultados de análises de solo feitas em terra fina

seca ao ar (TFSA) para expressá-los em terra fina seca em estufa (TFSE).

Procedimento:

Pesar aproximadamente 20 g de terra fina seca ao ar, com aproximação de 0,0001 g [M (R+TFSA) ], em recipiente previamente tarado também com aproximação de 0,0001 g (M R );

levar à estufa a 100-105 o C, durante 24 h. Retirar, colocar em dessecador, deixar atingir a temperatura ambiente e pesar com aproximação de 0,0001 g [M (R+TFSE) ].

Cálculos:

U

R

=

M

(R

+

TFSA)

M

(R

+

TFSE)

 

M

(R

+

TFSE)

M

R

f =

M

TFSA

M

TFSE

=

M

TFSA

M

M TFSE

TFSE

(1.3)

(1.4)

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MÓDULO 2

A apresentação das determinações deste módulo corresponde à seqüência com que

serão realizadas as análises que utilizam amostras retiradas com anel volumétrico. Observe que uma única amostra permite determinar a condutividade hidráulica em meio saturado, a microporosidade, a densidade do solo (método do anel volumétrico) e a densidade de

partículas; esta última, após peneiramento em malha de 2 mm. Com os dados apropriados, serão calculadas, também, a porosidade total e a macroporosidade.

2.1. Condutividade hidráulica em meio saturado

A condutividade hidráulica do solo, em determinado conteúdo de água, é o quociente

entre o fluxo de água que atravessa o solo e o gradiente hidráulico. Qualitativamente, a condutividade hidráulica é importante para caracterizar os meios porosos em permeáveis ou condutivos (baixa resistência à passagem de água), semipermeáveis (media resistência) e pouco permeáveis (alta resistência hidráulica).

Procedimento:

Antes da determinação, cada anel volumétrico receberá um fragmento de tecido na extremidade inferior e um segmento de tubo de igual diâmetro, de aproximadamente 5 cm de altura, na parte superior, que serão fixados por meio de anel de borracha ou fita adesiva impermeável;

a amostra contida no anel será saturada, de baixo para cima, para eliminar as bolhas de ar presas nos poros do solo. A saturação será alcançada colocando-se a coluna dentro de um recipiente com água até aproximadamente 4/5 da altura do cilindro (L), por um período de 48 horas. Para um solo rico em minerais de argila de elevada atividade e média a elevada saturação por sódio, é recomendável usar solução diluída de um sal de cálcio como, por exemplo, cloreto de cálcio. Após a saturação, a superfície do solo no anel será coberta por fina camada de lã de vidro, que protegerá o solo do impacto da água utilizada no ensaio;

transferir o conjunto para a estrutura exemplificada na Figura 2.1. Seguidamente, uma lâmina de água de espessura l igual a 3 cm será aplicada, utilizando-se o sistema de frasco de Mariotte para manutenção de carga constante. Um funil, também preso ao suporte por uma garra, recolhe a água percolada para uma proveta;

nivelar o tubo do frasco de Mariotte com o nível da lâmina desejada sobre o solo;

tão logo o escoamento permanente tenha-se estabelecido cronometra-se o tempo (t) para o recolhimento de um volume de água na proveta (V). Considerar-se-ão adequados os valores de V e t que apresentarem reprodutibilidade em cinco determinações sucessivas;

finalizado o ensaio, depois da retirada do segmento de tubo fixado na extremidade superior e da lã de vidro, o anel volumétrico será imediatamente transferido à mesa de tensão para determinar a microporosidade.

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Cálculos:

A condutividade hidráulica em meio saturado na temperatura de trabalho (K e , cm/s) é calculada pela expressão:

q

(2.1)

em que q é o fluxo (cm/s) e i, o gradiente hidráulico (cm/cm). Numerador e denominador da

Equação 2.1 são calculados utilizando as expressões:

(2.2)

K e = −

V

i

4V

=

At

π d

2

t

q =

i =− ⎜

L ⎟=− ⎞ ⎜ +

l

+

l

L

L

1

(2.3)

em que A é a área transversal da coluna de solo (cm 2 ) de diâmetro d (cm).

O valor de K e , determinado nas condições ambientais, será recalculado para a temperatura de referência de 20 o C (K 0 ) por meio da expressão:

(2.4)

K

η

e

e

η

20

K

0

=

em que η e e η 20 são a viscosidade dinâmica da água na temperatura ambiente e a 20 o C, respectivamente (centipoise).

ambiente e a 20 o C, respectivamente (centipoise). Figura 2.1. Esquema de um permeâmetro de coluna

Figura 2.1. Esquema de um permeâmetro de coluna vertical e carga constante (Ferreira, 2002).

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2.2. Microporosidade

Refere-se aos pequenos poros que permanecem preenchidos com água em uma amostra de solo, após saturação e posterior submissão a tensão equivalente a 60 cm de coluna de água.

Procedimento:

Após a determinação da condutividade hidráulica em meio saturado, transferir o anel volumétrico para a mesa de tensão, preparada para trabalhar com tensão de 60 cm de coluna de água;

após 48 h, retirar o cilindro da mesa de tensão, retirar o pano e o elástico e transferir a totalidade da amostra úmida para recipiente com tampa, previamente tarado. Pesar o conjunto com aproximação de 0,01 g;

levar à estufa a 100-105 o C, por 48 h. Retirar o conjunto, colocar a tampa, deixar atingir a temperatura ambiente e pesar com aproximação de 0,01 g.

Cálculos:

P Micro

=

V

Água

(

60cm

)

V

T

=

M

(

R

+

Solo

+

Água

)

M

(

R

+

Solo

)

4

D

Água

π d

2

L

(2.5)

em que D Água , a densidade da água, é sempre considerada igual a 1,00 g/cm 3 .

2.3. Densidade do solo (Método do anel volumétrico)

A densidade do solo (D S ) corresponde à massa de solo seco por unidade de volume, ou seja, o volume do solo ao natural, incluindo o espaço poroso, que ocupa a totalidade do anel volumétrico

Cálculos:

D

S

=

M

Solo

V

T

=

[

4 M

(

R

+

Solo

)

M

(

R

)

]

π d

2

L

(2.6)

2.4. Densidade de partículas (Método do balão volumétrico)

A densidade de partículas (D P ) corresponde à massa por unidade de volume de partículas de solo seco. Considera-se somente o espaço ocupado pela matéria sólida do solo, independente da estrutura e compactação. A maioria dos constituintes minerais do solo apresenta densidade de partículas na faixa de 2,4 a 2,8 g/cm 3 . Valores maiores, da ordem de 4,0 a 5,0 g/cm 3 , verificam-se para os óxidos de ferro. A densidade de partículas da matéria orgânica do solo aproxima-se de 1,5 g/cm 3 .

Procedimento:

Destorroar a amostra de solo retirada do anel volumétrico, após secagem em estufa a 100-105 o C, triturá-la em gral de porcelana e passá-la integralmente por peneira de 2 mm;

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aferir um balão volumétrico de 50 mL, de forma a determinar exatamente seu volume até 0,05 mL (V B );

transferir, para o balão volumétrico, aproximadamente 20 g da amostra peneirada, pesando com aproximação de 0,01 g (M S );

adicionar, ao balão, volume conhecido de álcool etílico, de forma a cobrir a amostra de solo (aproximadamente 1 cm) e agitar cuidadosamente para eliminar as bolhas de ar que ocupam o sistema poroso;

tampar o balão volumétrico com papel de alumínio ou rolha;

deixar aproximadamente 30 min em repouso e agitar, periódica e vagarosamente, para eliminar possíveis bolhas de ar remanescente nos próximos 30 min. Completar o volume do balão, registrando o volume total de álcool gasto (V G );

realizar as mesmas operações, utilizando água deionizada em substituição do álcool etílico, para comparar os valores resultantes do uso de líquidos de diferente polaridade.

Cálculos:

D

P

=

M

S M

S

=

V

S

V

B

V

G

em que V S é o volume das partículas de solo (cm 3 ).

(2.7)

2.5. Porosidade total

É a proporção do volume do solo não ocupado por partículas sólidas. A denominação de porosidade total (P Total ), ou simplesmente porosidade, reserva-se para indicar a totalidade do volume de vazios, sem diferenciação quanto a seu tamanho e geometria.

Cálculos:

P

Total

=

V

Poros

D

S

= −

1

V

T

D

P

(2.8)

2.6. Macroporosidade

Refere-se aos grandes poros que perdem água em uma amostra de solo, que, após saturação, foi submetida a uma tensão equivalente a 60 cm de coluna de água.

Cálculos:

P

Macro

= P

Total

P

Micro

(2.9)

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2.7. Métodos adicionais para determinar a densidade do solo

2.7.1. Método do torrão parafinado

É baseado na impermeabilização de um torrão, feita com parafina fundida ou resina SARAN, de maneira a permitir mergulhá-lo em água e determinar seu volume.

Procedimento:

Pesar o torrão seco ao ar, de aproximadamente 4 cm de diâmetro, com aproximação de

0,01 g [M (Torrão + UR) ];

mergulhar o torrão em parafina fundida até que se obtenha uma perfeita impermeabilização. Esta etapa é crítica. Para conseguir valores adequados de densidade do solo, a parafina deve encontrar-se em temperatura muito próxima daquela de fusão/solidificação. O torrão deve ser mergulhado repetidamente, por brevíssimos períodos, até sua completa impermeabilização. Assim, evita-se a penetração da parafina no interior do torrão, através dos grandes poros;

pesar o torrão parafinado, com aproximação de 0,01 g [M (Torrão + UR + Par) ];

aferir béquer de 50 mL, utilizando bureta do mesmo volume. Deve-se tomar a precaução de colocar o béquer na base do suporte da bureta, sempre na mesma posição, e acrescentar água deionizada, até que se elimine a primeira gota pelo bico do béquer (V B );

secar o béquer, colocar o torrão parafinado, localizar o béquer na posição de trabalho e despejar água deionizada até completar seu volume, registrando esse valor (V G );

determinar o volume da parafina (V Par ), considerando que sua densidade (D Par ) é de 0,90 g/cm 3 ;

utilizar outro torrão da mesma amostra, mantido em condições semelhantes às do torrão parafinado, para determinar o fator f, conforme indicado no Módulo 1.

Cálculos:

V

T

=

V

B

V

G

V

Par

2.7.2. Método da proveta

D

S

M Solo

=

V

T

M

(

Torrão

+

UR

)

=

V

B

V

f

M

(

M Solo

=

Torrão + UR

+

Par

)

M

(

Torrão + UR

)

G

D Par

(2.10)

(2.11)

(2.12)

Este método é utilizado na determinação da densidade de solos muito pouco estruturados, com dificuldade de retirada de amostras com anel volumétrico ou de torrões do perfil.

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Procedimento:

Pesar uma proveta de 100 mL, com aproximação de 0,1 g (M Proveta );

acrescentar aproximadamente 30-35 cm 3 de TFSA, deixando cair de uma só vez, e, em seguida, compactar o solo batendo a proveta cinco vezes sobre superfície de borracha, com distância de queda de aproximadamente 5 cm;

repetir esta operação por mais duas vezes, até que o nível da amostra fique nivelado com o traço do aferimento da proveta. Pesar a proveta com a mostra, com aproximação de 0,1 g

[M (TFSA + Proveta) ].

Cálculos:

D

S

M Solo

=

V

T

=

[

M

(

TFSA

+ Pr oveta

)

M

Pr oveta

]

]

1

f

V

Pr oveta

(2.13)

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MÓDULO 3

3.1. Análise granulométrica

A análise granulométrica é realizada em três etapas: aplicação de pré-tratamentos para

remoção de agentes cimentantes e floculantes, dispersão da amostra de solo e quantificação das frações texturais.

A primeira etapa, normalmente pouco utilizada nas análises de rotina, visa a remoção

de matéria orgânica, óxidos de ferro, carbonatos e sais solúveis. Considerando especificamente os óxidos de ferro, o tratamento com solução de ditionito-citrato-bicarbonato de sódio, proposto por Mehra & Jackson (1960), deve ser evitada em solos característicos de regiões tropicais e úmidas. Esse pré-tratamento pode dissolver partículas de óxidos de ferro do tamanho das argilas, influenciando os resultados da análise textural. Nesses solos, sugere- se a realização de pré-tratamentos menos drásticos, como o que utiliza solução de ácido clorídrico a 0,05 mol/L (Barreto, 1986).

A dispersão da amostra de solos é fundamental na análise textural. Esta etapa é realizada mediante a utilização de uma combinação de processos químicos e desagregação mecânica. A dispersão química é baseada, fundamentalmente, no incremento da repulsão das partículas em resposta à elevação do seu potencial zeta. Este processo é normalmente realizado pela saturação do complexo de troca catiônica com sódio, pelo incremento das cargas negativas em resposta ao aumento do pH e pela diminuição da concentração de eletrólitos na solução, provocando a precipitação de compostos de alumínio ou cálcio, segundo o cátion predominante no complexo de troca - esta última característica leva à escolha do dispersante químico a ser utilizado: hidróxido de sódio ou hexametafosfato de sódio, respectivamente. Por sua vez, a dispersão física pode ser realizada por agitação rápida, agitação lenta ou ultra-som.

Para quantificar as frações texturais, há necessidade de separá-las previamente. Dependendo do tamanho, utilizam-se o peneiramento, para as partículas de areia grossa e de areia fina, e a sedimentação, para as partículas de silte e de argila. Em se tratando da estimativa do tempo de sedimentação do silte, restringindo a porção superior da suspensão às partículas de argila, utiliza-se a Lei de Stokes, com algumas aproximações que permitem sua utilização para o caso específico das partículas de solo. A separação por peneiramento leva a resultados de maior confiabilidade, porém a separação por sedimentação se impõe na diferenciação de silte e argila, por não haver peneiras de 0,002 mm.

Procedimento:

Pesar aproximadamente 10 g de terra fina seca ao ar, com aproximação de 0,01 g, em béquer de 250 mL;

acrescentar 50 mL de solução de NaOH 0,1 mol/L e 150 mL de água deionizada; agitar com bastão de vidro e deixar em repouso por um período mínimo de 6 h;

dependendo do tipo de dispersão mecânica indicada, agitar durante 15 min, a 12.000 rpm, ou durante 16 h, a 50 rpm;

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passar a suspensão para proveta de 500 mL através de peneira de malha de 0,053 mm, forçando a passagem do material (silte + argila) com jatos de água (pisseta). Completar o volume da proveta até o aferimento, com o auxílio da pisseta;

agitar a suspensão durante 20 s com um bastão e, imediatamente, coletar um volume de 25 mL utilizando pipeta aferida. Colocar a suspensão (silte + argila) em béquer de 50 mL, previamente tarado com aproximação de 0,0001 g, e levar à estufa a 100-105 o C, durante 48 h. Retirar, colocar em dessecador, deixar atingir a temperatura ambiente e pesar com aproximação de 0,0001 g;

determinar a temperatura da suspensão remanescente (475 mL) e, por meio da Lei de Stokes, calcular o tempo necessário para a sedimentação do silte nos 5 cm superiores da proveta, utilizando o valor da densidade de partículas determinada com álcool. Agitar a suspensão durante 20 s com um bastão e deixar em repouso;

decorrido o tempo calculado, introduzir cuidadosamente uma pipeta aferida de 25 mL, até a profundidade de 5 cm, e coletar a suspensão (argila). Transferir para béquer de 50 mL, previamente tarado com aproximação de 0,0001 g, e levar à estufa a 100-105 o C, durante 48 h. Retirar, colocar em dessecador, deixar atingir a temperatura ambiente e pesar com aproximação de 0,0001 g;

Passar, com auxílio de jato de água, o material retido na peneira de malha de 0,053 mm (areia) através de peneira de malha de 0,210 mm, separando a areia grossa (2,00-0,210 mm) da areia fina (0,210-0,053 mm). Transferir cada uma dessas frações para béquer previamente tarado com aproximação de 0,01 g, e levar à estufa a 100-105 o C, durante 48 h. Retirar, colocar em dessecador, deixar atingir a temperatura ambiente e pesar com aproximação de 0,01 g.

Cálculos:

As proporções de areia grossa (AG), areia fina (AF), argila (Arg) e silte (S) (x i ), em kg/kg, são calculadas utilizando as expressões:

x

(S Arg)

+

x

Arg

=

=

x

AG

=

M

x

AF

=

M

[

M

[

M

(

(

S

+

Arg

+

Arg D

+

)

AG

AF

D

)

1

M

TFSA

1

M

TFSA

f

f

M

D

]

V

T

1

V

C

M

TFSA

M

D

]

V

T

1

V

C

M

TFSA

f

x

S

= x

(S Arg)

+

x

Arg

 

(3.1)

(3.2)

f

(3.3)

(3.4)

(3.5)

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em que M é a massa (g) das frações texturais, da terra final seca ao ar (TFSA) e do dispersante (D); V T , o volume total da dispersão (mL); e V C , o volume coletado (mL). Como as proporções calculadas devem levar em consideração a umidade residual da TFSA, os resultados obtidos são multiplicados pelo fator f de modo a referi-los à TFSE.

A somatória das proporções de todos os componentes de um sistema deve ser, necessariamente, igual à unidade (Σx i = 1). No entanto, por diversas razões, o valor exato é dificilmente alcançado. Consideram-se aceitáveis as determinações nas quais a soma dessas proporções se localiza no intervalo 0,92 ≤ Σx i 1,02. Assim, recalculam-se as proporções de forma a atingir o valor unitário, utilizando as expressões:

(3.6)

x'

S

Arg

=

=

=

=

x AG

Σ x

i

x

AF

Σ

x

x

S

i

Σ x

i

x Arg

Σ x

i

AG

x'

AF

x'

x'

(3.7)

(3.8)

(3.9)

3.2. Argila dispersa em água

É aquela determinada em análise granulométrica, utilizando-se apenas a água como dispersante.

Procedimento:

Pesar aproximadamente 10 g de terra fina seca ao ar, com aproximação de 0,01 g, em béquer de 250 mL;

acrescentar 200 mL de água deionizada, agitar com bastão de vidro e deixar em repouso por um período mínimo de 6 h;

dependendo do tipo de dispersão mecânica indicada, agitar durante 15 min, a 12.000 rpm, ou durante 16 h, a 50 rpm;

passar a suspensão para proveta de 500 mL e completar o volume da proveta até o aferimento, com o auxílio de uma pisseta;

determinar a temperatura da suspensão e, por meio da Lei de Stokes, calcular o tempo necessário para a sedimentação do silte nos 5 cm superiores da proveta, utilizando o valor da densidade de partículas determinada com álcool. Agitar a suspensão durante 20 s com um bastão e deixar em repouso;

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decorrido o tempo calculado, introduzir cuidadosamente uma pipeta aferida de 25 mL, até a profundidade de 5 cm, e coletar a suspensão (argila). Transferir para béquer de 50 mL, previamente tarado com aproximação de 0,0001 g, e levar à estufa a 100-105 o C, durante 48 h. Retirar, colocar em dessecador, deixar atingir a temperatura ambiente e pesar com aproximação de 0,0001 g.

Cálculos:

A proporção da argila dispersa em água (x ADA ), em kg/kg, é calculada utilizando a

expressão:

x

ADA

=

M

ADA

V

T

1

V

C

M

TFSA

f

(3.10)

3.3. Índice de dispersão e índice de floculação

O índice de dispersão (ID) é a proporção da argila dispersa em água em relação à

argila total. O índice de floculação (IF), seu complemento, representa a proporção de argila naturalmente floculada em relação à argila total.

Cálculos:

IF =

ID =

x

ADA

x'

Arg

x'

Arg

x

ADA

x'

Arg

= −

1

ID

(3.11)

(3.12)

3.4. Relação silte/argila

É utilizada como indicativo do grau de intemperismo do solo e da movimentação eventual de argila no perfil.

Cálculos:

Re lação(silte / arg ila) =

x'

S

x'

Arg

(3.13)

SOL 640 – Física do Solo – UFV/DPS Métodos de Análises Físicas do Solo

MÓDULO 4

4.1. Curva característica da água do solo

Aplicando-se uma pequena sucção (também denominada tensão ou pressão subatmosférica) à água num solo inicialmente saturado, esvaziar-se-ão os poros maiores. Incrementando a tensão, o solo perderá mais água, correspondendo àquela que ocupava os grandes poros, incapazes de retê-la contra a sucção aplicada.

Um incremento gradual na tensão provocará o esvaziamento de poros cada vez menores até que, com valores elevados de tensão (valores baixos de potencial), somente os poros muito pequenos tenham água. Paralelamente, com o incremento da tensão, diminuirá a espessura do filme de água em torno da superfície das partículas do solo.

A quantidade de água retida pelo solo (θ), em equilíbrio com determinado potencial,

é função do tamanho e volume dos poros e da superfície específica das partículas da fase sólida, isto é, função do potencial matricial (ψ m ). Essa função é denominada curva

característica da água do solo e representada por uma destas duas formas:

ψ =

m

f(

θ

θ = ψ

f(

m

)

(4.1)

)

(4.2)

Não existe uma teoria satisfatória para predizer a relação entre o potencial matricial e

o conteúdo de água, baseando-se nas propriedades básicas do solo. Os efeitos de adsorção e

geometria dos poros são, freqüentemente, de complexidade excessiva para serem descritos por

um modelo matemático simples. Assim, as funções representadas pelas Equações 4.1 ou 4.2 são geralmente determinadas de forma experimental, utilizando extratores de placa ou membrana porosa.

A água retida a valores relativamente elevados de potencial (intervalo entre 0 e -100 kPa)

depende da geometria da amostra, isto é, do arranjo e das dimensões dos poros. Nesta faixa de potencial, o efeito capilar é proporcionalmente mais importante.

Pelo contrário, a retenção de água a baixos valores de potencial responde fundamentalmente à adsorção e, em conseqüência, praticamente independe de fatores geométricos, sendo a densidade do solo e a porosidade de pouca importância. Nesta faixa predomina o efeito de adsorção, associado à textura e superfície específica dos constituintes sólidos do solo.

Essas colocações indicam a conveniência de utilizar amostras com estrutura preservada para valores de potencial elevados e amostras desestruturadas para baixos valores de potencial. Porém, pela dificuldade de obtenção das amostras com estrutura natural, normalmente, na rotina, trabalha-se com amostras peneiradas em todo o intervalo analisado. Essa aproximação não interfere nas curvas características da água do solo daqueles materiais naturalmente pouco estruturados e dos Latossolos quando se considera a umidade à base de peso, como mostrado por Gomes et al. (1994).

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Procedimento:

Na determinação, deve-se escolher, dentre as placas disponíveis, aquela que apresenta pressão de borbulhamento mais próxima da pressão de trabalho. Assim, a amostra atingirá o equilíbrio com a pressão aplicada com menos tempo de permanência no extrator. O trabalho será executado de acordo com esta seqüência:

distribuir os anéis de borracha na placa porosa e colocar, por duplicado, amostra peneirada por malha de 2 mm. Adicionar água na placa de pressão até que o nível fique próximo da borda superior do anel e deixar por um período mínimo de 12 h, para permitir a saturação da placa e da amostra de solo;

fechar o extrator e abrir os reguladores de pressão, acompanhando as instruções específicas do manual do extrator até atingir a pressão de trabalho;

deixar nessas condições durante 72 h, observando ausência de drenagem proveniente das amostras no extrator;

descarregar a pressão, abrir o extrator, retirar as placas e transferir cada amostra para recipiente com tampa previamente tarado, com aproximação de 0,01 g (M R ). Pesar o conjunto com aproximação de 0,01 g [M (R+Solo+Água) ];

levar à estufa a 100-105 o C, durante 48 h. Retirar, colocar em dessecador, deixar atingir a temperatura ambiente e pesar com aproximação de 0,01 g [M (R+Solo) ];

as pressões de trabalho serão estabelecidas segundo cada caso específico. Sugere-se trabalhar, como rotina, com extrações aos valores de potencial de -10, -30, -60, -100, -800 e -1.500 kPa.

Cálculos:

U

=

M

(

R

+

Solo

+

Água

)

M

)

(

R

+

Solo

 

M

(

R

+

Solo

)

M

R

 

θ= U

D

S

D Água

=

M Água

M Solo

H(cm Água)10P(kPa)

pF

= log

H
H

=

log

τ

(4.3)

(4.4)

(4.5)

(4.6)

A curva característica da água do solo será construída representando graficamente os diferentes pontos experimentais. Esses pontos devem ser acrescidos do conteúdo de água no estado de referência. Para o potencial matricial zero:

(4.7)

D

S

D

P

θ

ψ=

0

= P

=1

Total

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4.2. Equivalente de umidade

Por este método, amostras de TFSA, previamente saturadas com água, são submetidas a uma força centrífuga de mil vezes a gravidade, durante 30 min. Essa força, em centrífuga com rotor específico, equivale a um valor de potencial de -33 kPa.

A quantidade de água retida no solo determinada pelo equivalente de umidade aproxima-se da capacidade de campo em solos de regiões temperadas, com presença predominante de argilas de atividade alta.

Procedimento:

O Laboratório de Física do Solo do DPS/UFV possui uma centrífuga marca International, modelo M.E, com rotor específico, para a determinação do equivalente de umidade. As amostras de solo, peneiradas em peneira de malha de 2 mm, serão colocadas em caixas específicas, próprias do equipamento. Essas caixas possuem fina tela de arame numa extremidade, para permitir a retirada de água da amostra. Na determinação executar-se-ão os seguintes passos:

recobrir a tela da caixa com papel de filtro e, sobre este, colocar uma camada de solo de aproximadamente 1 cm de espessura;

saturar as amostras por um período mínimo de 6 h e colocá-las no rotor para centrifugar, a 2.440 rpm, por 30 min;

transferir

cada

aproximação

de

[M (R+Solo+Água) ];

amostra

0,01

g

para (M R ).

recipiente

Pesar

o

com

tampa

conjunto

com

previamente

aproximação

tarado,

de

com

g

0,01

levar à estufa a 100-105 o C, durante 48 h. Retirar, colocar em dessecador, deixar atingir a temperatura ambiente e pesar com aproximação de 0,01 g [M (R+Solo) ].

Cálculos:

U

=

M

(

R

+

Solo

+

Água

)

M

)

(

R

+

Solo

 

M

(

R

+

Solo

)

M

R

 

M Água

=

M Solo

(4.8)

4.3. Capacidade de campo de Latossolos e Neossolos Quartzarênicos

A capacidade de campo pode ser definida como a máxima quantidade de água que um solo é capaz de reter, em condições normais, quando diminui significativamente a ação gravitacional. Como conseqüência do dinamismo do sistema e da dependência de diversos fatores, a capacidade de campo deveria ser considerada uma característica do solo devendo ser determinada no campo.

Entretanto, testes de laboratório apresentam valores próximos aos dos medidos no campo, quando essa característica é avaliada em Latossolos e Neossolos Quartzarênicos. Ruiz et al. (2003) propuseram equação para estimar a capacidade de campo (CC) desses solos pela

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determinação do equivalente de umidade (EU). Quando as variáveis são expressas em kg/kg, utiliza-se a relação:

(4.9)

CC

= 0,081 + 0,888EU

R 2 = 0,910

O intercepto da equação, diferente de zero e positivo, confirma que nos Latossolos e Neossolos Quartzarênicos o critério clássico, que fixa o potencial matricial da capacidade de campo em -33 kPa deve ser alterado. Nesses solos, a capacidade de campo situa-se, normalmente, na faixa de -10 a -6 kPa. Assim, a determinação do equivalente de umidade exige a utilização da equação apresentada na estimativa da capacidade de campo.

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MÓDULO 5

5.1. Estabilidade e distribuição do tamanho dos agregados

A agregação pode ser conceituada como a união de partículas primárias do solo (areia, silte e argila) para formar partículas secundárias ou agregadas. Em conseqüência, o agregado pode ser definido como um conjunto coerente de partículas primárias, caracterizado por apresentar forças de coesão diferenciadas, maiores entre suas partículas constitutivas que aquelas que as ligam às partículas adjacentes.

Por essa razão, a desintegração de uma massa de solo em agregados exige a imposição de uma força para separá-los. A estabilidade dos agregados indica a capacidade de resistência diante da força imposta, isto é, avalia a força de coesão entre as partículas.

Para comparar a distribuição do tamanho ou a estabilidade dos agregados do solo, é necessário aplicar uma força-padrão. Para essa medida apresentar resultados de maior aplicabilidade, as forças que provocam a desintegração deveriam assemelhar-se àquelas esperadas no campo. No Brasil, em geral, utilizam-se métodos padronizados para solos característicos de regiões temperadas. Intentos para adequá-los às condições dos solos brasileiros são pouco freqüentes, devendo destacar-se, entre outros, trabalhos realizados no DPS/UFV (Jucksch, 1987).

5.1.1. Separação de agregados por via seca

Este método tende a reproduzir a desintegração de agregados provocada por ação do vento sobre a superfície do solo seco. O vento tem condições de separar, somente, proporção pequena de partículas que, naturalmente, apresentam-se muito soltas, isto é, com forças de coesão muito fracas.Essas partículas, porém, uma vez movimentadas, sofrem aceleração, com substancial incremento da sua energia cinética. Ao colidir novamente com a superfície do solo, a abrasão provoca a separação de novas partículas, multiplicando o processo.

Procedimento:

Pesar 100 g de agregados de 4-2 mm de diâmetro, com aproximação de 0,01 g;

colocar os agregados em peneira de malha de 2 mm, integrante de um conjunto que inclui peneiras de 1; 0,5; 0,25; e 0,105 mm. Colocar o conjunto em agitador tipo Rotap, de velocidade controlada e movimentos rotatórios com vibração, durante 15 min;

transferir os agregados retidos em cada peneira e no fundo do conjunto para recipientes previamente tarados, com aproximação de 0,01 g. Levar à estufa a 100-105 o C, durante 24 h. Retirar, colocar em dessecador, deixar atingir a temperatura ambiente e pesar com aproximação de 0,01 g.

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Cálculos:

A proporção de agregados de cada uma das seis classes (x i ) será calculada pela expressão:

(5.1)

em que M i é a massa de agregados da classe i (g).

M

i

x

i

=

Σ

M

i

Com os valores das proporções de agregados, calcular-se-ão o diâmetro médio ponderado (DMP) e o diâmetro médio geométrico (DMG) utilizando as expressões:

(5.2)

DMP = Σx DM

i

i

10 Σ

em que DM i é o diâmetro médio da classe i (mm).

DMG

=

(

x log DM

i

i

)

(5.3)

5.1.2. Separação de agregados por via úmida

Este método tende a reproduzir a desintegração de agregados provocada por ação da chuva sobre a superfície do solo. O processo de umedecimento pode ser marcadamente destrutivo. A hidratação de íons, a expansão de alguns constituintes do solo e o escape sob pressão, de forma repentina, do ar aprisionado quando ocorre o umedecimento rápido do solo podem levar à implosão dos agregados. Esses efeitos são mais significativos quanto menor for a umidade inicial do solo.

Procedimento:

Pesar duas amostras de 25 g de agregados de 4-2 mm de diâmetro, com aproximação de 0,01 g; umedecê-las por meio de atomizador sobre vidro de relógio e deixá-las em repouso por 2 h;

colocar os agregados em peneira de malha de 2 mm, integrante de um conjunto que inclui peneiras de 1; 0,5; 0,25; e 0,105 mm. Colocar o conjunto em agitador de Yoder, regulado com movimento de oscilação vertical de 5 cm de amplitude e 26 oscilações/min, durante 15 min;

transferir os agregados retidos em cada peneira para recipientes previamente tarados, com aproximação de 0,01 g; levar à estufa a 100-105 o C, durante 48 h. Retirar, colocar em dessecador, deixar atingir a temperatura ambiente e pesar, com aproximação de 0,01 g.

Cálculos:

As proporções dos agregados de 4-2; 2-1; 1-0,5; 0,5-0,25; e 0,25-0,105 mm serão calculadas de conformidade com a Equação 5.1, com a ΣM i calculada pela expressão:

(5.4)

em que M Agregados é a massa de agregados secos ao ar (g).

M Agregados

i

=

f

Σ

M

A proporção de agregados da classe <0,105 mm será calculada pela expressão:

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x

<

0,105

= −

1

(

x

4

2

+

x

2

1

+

x

1

0,5

+

x

0,5 0,25

+

x

0,25 0,105

)

(5.5)

Com os valores das proporções de agregados calcular o diâmetro médio ponderado (DMP) e o diâmetro médio geométrico (DMG) utilizando as Equações 5.2 e 5.3, respectivamente.

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LITERATURA CONSULTADA

BARRETO, W. Eletroquímica de solos tropicais de carga variável: capacidade da dupla camada elétrica. Itaguaí, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 1986. 273p. (Tese de Doutorado)

CURI, N.; LARACH, J.O.I.; KÄMPF, N.; MONIZ, A.C. & FONTES, L.E.F. Vocabulário de ciência do solo. Campinas, Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 1993. 89p.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA - EMBRAPA. Manual de métodos de análise de solo. Rio de Janeiro, Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos, 1979. não paginado.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA - EMBRAPA. Manual de

métodos de análise de solo. 2.ed. Rio de Janeiro, Centro Nacional de Pesquisa de Solos,

1997. 212p.

FERREIRA, P.A. Drenagem de terras agrícolas. Viçosa, Departamento de Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Viçosa, 2002. 211p.

FORSYTHE, W. Física de suelos. Manual de laboratorio. San José, Instituto Interamericano de Ciencias Agrícolas, 1975. 212p.

GOMES, T.C.A.; DE MUNER, L.H. & RUIZ, H.A. Retenção de água até -100 kPa em amostras indeformadas e deformadas do horizonte B de um LV e de um PV. In:

REUNIÃO BRASILEIRA DE MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO E DA ÁGUA, 10., Florianópolis, 1994. Resumos. Florianópolis, Sociedade Brasileira de Ciência do Solo,

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JUCKSCH, I. Calagem e dispersão de argila em amostra de um Latossolo Vermelho-Escuro. Viçosa, Universidade Federal de Viçosa, 1987. 37p. (Tese de Mestrado)

KLUTE, A., ed. Methods of soil analysis. Part 1. Physical and mineralogical methods. 2.ed. Madison, American Society of Agronomy, Soil Science Society of America, 1986. 1188p. (Agronomy Series, 9)

McKEAGUE, J.A., ed. Manual on soil sampling and methods of analysis. 2.ed. Ottawa, Canadian Society of Soil Science, 1978. 212p.

MEHRA, O.P. & JACKSON, M.L. Iron oxide removal from clays by dithionite-citrate-

bicarbonate system buffered with sodium bicarbonate. Clays Clay Miner., 7:.317-327,

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RUIZ, H.A.; FERREIRA, G.B. & PEREIRA, J.B. Estimativa da capacidade de campo de Latossolos e Neossolos Quartzarênicos pela determinação do equivalente de umidade. R. Bras. Ci. Solo, 27:389-393, 2003.

VETTORI, L. Métodos de análise de solo. Rio de Janeiro, Equipe de Pedologia e Fertilidade do Solo do Ministério da Agricultura, 1969. 24p. (Boletim Técnico, 7)