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Responsabilidade

Civil

Teoria Geral da Respon- hipóteses de responsa­bilidade objetiva se biparte. Ela tem uma fase em que
sabilidade Civil bastante abrangentes no atual CC. São é literalmente objetiva, onde não há
as do art. 927, parágrafo único, que adota que se falar em culpa, e pode ter uma
1. Introdução: Os conceitos básicos a Teoria do Risco-Pro­veito, dispondo que segunda parte que consiste numa
de estruturação da responsabilidade os danos causados por atividade de risco ação regressiva, que só será julgada
civil são extensíveis a toda disciplina. dão ensejo a responsabilidade independen- procedente se veri­ficada a existência
A culpa vai ser culpa em todo cânone, temente de culpa, e do art. 931, que dispõe da culpa.
não interessa onde esteja situada. O o mesmo para as atividades de circulação
dano e o nexo de causalidade, também. de produtos. 3. Responsabilidade Civil Contratual:
O que certamente vai se modificar é o é aquela decorrente da violação de um
fato social. O papel dessa fase inicial Classificação da Responsa- pre­ceito previamente combinado entre
de estudo da responsa­bilidade civil é bilidade Civil as partes. Para sua configuração são
precisar os conceitos, é dizer o que é neces­sários dois requisitos, a saber:
a responsabilidade civil nos termos de 1. Responsabilidade Civil Subjetiva: o 3.1. a existência de um vínculo anterior;
sua estrutura científica. A ca­suística vai que caracteriza a responsabilidade civil 3.2. o descumprimento de um dever de
ficar a critério de cada um ao lidar com subjetiva é a presença de todos os ele­ conduta previsto no contrato ou próprio
esse tipo de situação. Isso não quer mentos fundamentais acima referidos, ou daquele ti­po de contrato.
dizer que se pode passar a defender seja, a existência de conduta, de culpa, de
qualquer tipo de tese. Há que se guiar dano e de nexo de causalidade (entre a 4. Responsabilidade Civil Extracontra­
pela estrutura científica, apesar de ser conduta e o dano). tual: é aquela decorrente da violação
inegável a grande influência da casuís- de um preceito genérico previsto em lei,
tica nesse campo do Direito. 2. Responsabilidade Civil Objetiva: nes­ consistente no dever que as pessoas
ta não há a aferição da culpa. É suficiente têm de não causar dano aos outros.
2. Elementos Essenciais: a Teoria a existência de conduta, dano e vínculo Também chamada de responsabilidade
Geral da Responsabilidade Civil tra- (nexo da causalidade). Agora é preciso ter civil aqui­liana. Como se percebe, na
balha com quatro elementos funda- cuidado com essa exclusão da culpa, pois responsa­bilidade extracontratual, não
mentais: ação ou omissão (conduta, ela é só “a priori”. É errada a afirmativa se tem vín­culo jurídico anterior. Essa
fato social), culpa, dano e nexo de segundo a qual na responsa­bilidade civil responsabi­lidade é também conhecida
causalidade (entre a conduta e o dano). objetiva não há culpa. O que a lei dispõe como respon­sabilidade delituosa. Não
Apesar de ter crescido o número de é que não é necessária a sua existência há obrigato­riamente, com a violação
hipóteses legais em que o elemento para haver responsabilidade civil inicial. É da norma, a con­figuração de um delito,
culpa é desnecessário para a configu­ possível até que o agente atue com culpa, mas todas aquelas provenientes da prá-
ração da responsabilidade civil, o atual mas isso não será rele­vante para que seja tica de um delito são extracontratuais,
Código mantém como regra geral a responsabilizado. Todavia, numa eventual são aquilianas.
responsabilidade subjetiva, ou seja, ação regressiva, pode-se discutir o elemen-
a responsabilidade dependente da to culpa para que seja julgada procedente. 5. Responsabilidades Civis Espe­
exis­tência de culpa (intencional ou por Por exem­plo: quando um funcionário pú- ciais: como responsabilidade especial
impru­dência, negligência ou imperícia). blico age e causa um dano a alguém, na tem-se a por fato de terceiros, que
Essa regra geral encontra-se no art. ação que a vítima moverá contra o Estado é a que tem os binômios empregado/
186 do CC: “aquele que, por ação ou não se discutirá culpa, pois este responde empregador, pais/filhos, curadores/
omissão vo­luntária, negligência ou im- obje­tivamente. Mas, na ação regressiva curatelados e tu­tores/tutelados. Nes-
prudência, vio­lar direito e causar dano que o Estado mover contra seu funcionário, ses casos uma pes­soa responde pela
a outrem, ainda que exclusivamente a culpa será discutida, pois os funcionários conduta de outra. Tem-se também a
moral, comete ato ilícito”. De qualquer públicos respondem subjetivamente. Em responsabilidade por fato da coisa.
forma, é bom ressaltar que há duas verdade, a responsabilidade civil objetiva Aqui, uma pessoa responde por fatos de

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coisas ou de animais que estão sob sua de menos). E uma pessoa que é médica culpa neste tipo de responsabi­lidade.
responsabilidade. Há também outros e deixa de respeitar regra básica de um Entretanto, pode ser que o causa­dor
casos particulares, em que há re­gras procedimen­to cirúrgico, por exemplo, age do dano, efetivamente, não tenha agido
específicas acerca da responsabi­lidade, com impe­rícia. com culpa alguma, mas, mesmo assim,
tais como de advogados, médicos, A culpa em sentido amplo é gênero. O dolo terá que responder, o que caracte­rizaria
construtores etc. é uma de suas espécies. As outras espé­ uma responsabilidade por ato lícito. O
Link Acadêmico 1 cies (imprudência, negligência e impe­rícia) atual Código Civil traz uma série de
são chamadas de culpa em sentido estrito. si­tuações de responsabilidade indepen­
Elementos Essenciais da Para o Direito Privado não importa se os dentemente de culpa, tais como as dos
Responsabilidade Civil atos foram cometidos com dolo ou com arts. 927, parágrafo único, e 931.
culpa. Normalmente não existe a grada- 2.3. Classificação da culpa.
1. Ação ou Omissão. Trata-se da ção do ato para verificar se haverá ou não 2.3.1.“in eligendo”: é a  derivada de
conduta, ou seja, da atividade (humana) responsabilidade (há uma exce­ção no que uma má escolha de alguém, sendo
exteriori­zada de alguma forma. Mesmo se refere aos contratos bené­ficos - art. 392, comum en­tre as pessoas jurídicas e
quando há responsabilidade por fato da CC). O que importa para o Direito Civil é a seus prepostos.
coisa, es­tá-se diante de uma presumida indenização, e esta corres­ponde, como re- 2.3.2.“in vigilando”:  é  a derivada
conduta da pessoa responsável. Por gra, à extensão do dano, e não à extensão da fal­ta de cumprimento do dever de
exemplo, se o cachorro de alguém da culpa. Existem a inde­nização propria- vigilân­cia.
acaba por machu­car uma pessoa, e mente dita e a indeniza­ção-compensação. 2.3.3.“in omitendo”: é a derivada da
seu dono não provar culpa exclusiva da Só que há outras for­mas de indenização. inação, da omissão.
vítima ou força maior, ele responderá, Há a indenização com­pensatória, que é 2.3.4.“in comitendo”: é a  derivada
presumindo-se uma conduta culposa de aquela em que jamais se conseguirá voltar da comissão, da ação, da atuação
sua parte. É impor­tante ressaltar que ao “status quo” anterior, como no caso dos positiva.
não é só uma ação (conduta comissiva) danos morais, os quais, em verdade, não 2.3.5.“in custodiendo”: é a derivada
que pode gerar res­ponsabilidade. Uma são indenizá­veis; eles são compensáveis. A do  dever de vigilância, mas não em
omissão, preenchi­dos outros requisitos, compen­sação é uma espécie de indeniza- rela­ção a pessoas,  mas a animais e
também pode fazer configurá-la. ção. Um exemplo disso é o dano estético, a coisas.
porque jamais aquela pessoa vai voltar a 2.4. Gradação da culpa
2. Culpa. ter a aparência anterior; então, estaremos A culpa também pode ser dividida
2.1. Conceito: é um fato subjetivo gera- diante de uma compensação, que é uma em gra­ve (ou lata), leve e levíssima.
dor de conseqüências jurídicas, consis- forma de indenizar, e que poderá levar Como regra, essa classificação não
tente na intenção (dolo), na negligência, em conta o grau de culpa, como meio de faz diferença, vez que o art. 944 do CC
na im­perícia ou na imprudência. desestimular o autor do dano a cometê-lo estabelece que “a indenização mede-se
Dolo é intenção. Imprudência é uma novamente. pela extensão do dano”, e não pelo grau
ação exagerada, sem cautela (é um 2.2. Ato ilícito. Como se viu, o art. 186 da culpa. Todavia, o atual CC dispõe
agir de mais). Negligência é uma falta, dis­põe que a conduta que gera um dano que “se houver excessiva desproporção
é um atuar descuidado (é um agir de e que é culposa, ou seja, praticada com entre a gravidade da culpa e o dano,
menos). Já a Imperícia é um atuar dolo, imprudência, negligência ou im­ poderá o juiz reduzir, eqüitativa­mente,
sem o cumpri­mento das regras de uma perícia, é definida como um ato ilícito. Já a indenização” (art. 944, parágrafo úni-
profissão ou ofício. Ela se configurará o art. 927 complementa a disposição para co). Há também outra exceção, no que
se a pessoa é perita na realização dizer que quem comete ato ilícito deverá se refere ao incapaz, que, apesar de
daquele ato e, por acaso, equivoca-se, reparar o dano. Assim, como regra, a res­ responder pelos prejuízos que causar,
deixando de cumprir regra básica de ponsabilidade civil só existe se houver um preenchidos determinados requisitos, a
sua atividade. Assim, uma pessoa que ato ilícito. O abuso de direito, por exemplo, in­denização que deverá suportar deve
dirige um veículo e atropela outra de é considerado ato ilícito e, portanto, gera ser “eqüitativa” (art. 928).
propósito age com dolo. Uma pessoa o dever de indenizar (art. 187). Todavia, 2.5. Culpa concorrente
que está em alta velocidade e atropela há situações nas quais, embora não haja A culpa concorrente é aquela em que
alguém age com imprudência (cuidado: o cometimento de ato ilícito (ato com dolo dois ou mais agentes atuam culposa-
quem participa de “racha” e ma­chuca ou culpa em sentido estrito), mesmo assim mente num dado evento que caracterize
alguém está agindo com dolo even­tual, quem pratica o ato deverá responder por ato ilícito. Nesse caso, a indenização
que é aquela situação em que a pes­ ele. Trata-se da responsabilidade por atos pelos danos causados aos agentes
soa aceita o risco de prejudicar outra). lícitos. Um exemplo é o Estado, que, ape­ será comparti­lhada. Todavia, se apenas
Uma pessoa que não troca o pneu do sar de agir licitamente ao desapropriar uma um dos agentes culpados for vítima, a
carro, já muito careca, e/ou não troca área, responderá pela indenização corres- sua indenização será fixada tendo-se
o flui­do do freio, e não consegue frenar pondente perante o proprietário do imóvel. em conta a gravidade de sua culpa em
a tempo o veículo, machucando uma Outro exemplo é o da responsa­bilidade confronto com a do autor do dano (art.
pes­soa, age com negligência (agiu objetiva. Como se sabe, não se discute 945, CC).

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2.6.Culpa contratual e culpa extracon­ de que não é qualquer atitude que confi- de ambas é celebrar o contrato, e não
tratual gura dano moral indenizável, porque nem cometer uma ruptura abrupta e injus­
Como se viu, a responsabilidade toda atitu­de causa esta mácula ao espírito tificada.
contratual ocorre no contexto em que humano, seja a reputação que se tem pe- 3.2.6. Liquidação de danos: a indeni­
previamente existe um vínculo contra- rante a sociedade (honra objetiva), seja zação mede-se pela extensão do dano,
tual entre as pes­soas, ao passo que a a auto-es­tima (honra subjetiva). No caso devendo ser integral,ainda que se
extracontratual ocor­re num contexto em da pes­soa jurídica, só há falar em honra trate de culpa levíssima. Em princípio
que não há vínculo jurídico prévio entre objetiva, que diz respeito à imagem da pes- o grau da cul­pa não repercute no valor
vítima e causador do dano. Importa ago- soa perante o mercado. Tal entendimento da indeni­zação, porém o art. 944 CC
ra saber como se de­senvolve a “culpa” ge­rou a Súmula 227 do STJ, segundo a expeciona essa regra e autoriza o juiz
contratual e a extracon­tratual. No caso qual “a pessoa jurídica pode sofrer dano reduzir equi­tativamente a indenização
da primeira, o descumpri­mento de uma moral”. Também cabe pedir indenização por caso haja excessiva desproporção en-
cláusula contratual pre­sume a culpa. Ou danos morais em caso de violação a direito tre a gravidade da culpa e o dano.
seja, se alguém não pa­gar a prestação de personalidade de pessoa já falecida, Sobre a quantificação do dano moral,
de um contrato em dia, presume-se que tais como sua honra, sua voz (gravada), são dois os sistemas de indenização, o
o fez culposamente, sen­do desneces- sua imagem (fotografada ou fil­mada). A aber­to (o valor da indenização é fixado
sária a prova de uma conduta culposa indenização reverterá, em regra, para as pelo juiz) e o tarifado (a lei fixa um teto
em juízo. Já, se alguém esbarrar em pessoas a que faz referência os arts. 12 máximo de indenização). Deve prevale-
outra pessoa na rua e esta vier a sofrer e 20 do CC. cer o sistema aberto sob pena de violar
danos, como não há vínculo anterior 3.2.3. Dano Estético: é o decorre do o princípio da proporcionalidade entre a
(ques­tão extracontratual), há de se pro- pre­juízo aparente e duradouro ao corpo ofensa e o da­no (art. 5º,V,CF), qualquer
var em juízo a culpa de quem esbarrou de uma pessoa. O dano estético mescla lei que fixe teto indenizatório deve ser
na ví­tima para que o primeiro responda o da­no material e o dano moral. Detalhe: tida como incons­titucional.
ci­vilmente. não é toda vez que o dano estético vai Na fixação do valor da indenização o
gerar esse tipo de situação, até porque o juiz deve levar em conta a compensa-
3. Dano. dano estético, via de regra, gera afetação ção do le­sado e o sancionamento do
3.1. Conceito: é um prejuízo a um moral. lesante.
bem jurídico de uma pessoa. Esse 3.2.4. Dano Ambiental: é o que ofende
bem jurídico pode ser tanto material bens jurídicos relacionados ao meio am­ 4. Nexo de Causalidade
(prejuízo econô­mico) como imaterial biente. Há duas diferenças aqui. A primeira 4.1. Conceito: é o liame, o vínculo
(prejuízo moral). O estudo do dano é é que a reparação do dano ambiental, de entre a conduta (ação ou omissão) e
importante, pois nosso sistema jurídico acordo com a Lei 9.605/98, deve ser es­ o dano.
é voltado para acepção do dano, quer pecífica, ou seja, deve importar em efetivo 4.2.Teorias
dizer, nossas indenizações, em regra, retorno da coisa ao estado anterior, salvo 4.2.1. Teoria da equivalência das
são graduadas pela extensão do dano, impossibilidade, hipótese em que a repa­ cau­sas: é a que afirma que é causa de
e não pela violência da culpa. ração se limitará a indenizações e condu­ um dano toda ação ou omissão sem a
3.2. Espécies: tas compensatórias. A segunda é que o qual o resultado não teria ocorrido. As-
3.2.1. Dano Material: é o prejuízo titular do direito à não causação de dano sim, todas as pessoas que, de alguma
econô­mico sofrido pela vítima. Há as ambiental é toda a coletividade (interesse forma, concor­rem para a geração do
seguintes subespécies: difuso), e não só uma pessoa, de modo dano, devem ser acionadas. Por essa
a) danos emergentes: são os que que há várias pessoas que podem pedir teoria, a família de uma pessoa que é
decor­rem imediatamente do evento a re­paração de um dano ambiental, o que levada a um hospital em virtude de um
danoso. Envolve tudo o que efetiva- poderá ser feito pela propositura de ação pequeno acidente de trânsito e que, na
mente será gasto para voltar ao estado popular (art. 5, LXXIII, CF) clínica, acaba sofrendo uma infecção
anterior. 3.2.5. Dano Pré-negocial: é vinculado a em virtude de erro grave do médico,
b) lucros cessantes: são os que a uma expectativa de direito quanto à cele­ pode acionar o motorista que cau­sou o
vítima deixa de receber por conta do bração de um negócio jurídico. Ele não é acidente originário. Essa teoria não se
evento danoso. Por exemplo, no caso aquiliano, porque no dano pré-negocial aplica ao Direito brasileiro, justa­mente
de um profissional liberal, os honorários se está com a intenção de contratar, mas pelo fato de o nosso Direito não per­mitir
que dei­xa de ganhar com o fato de ficar acontece algum problema e o contrato não a indenização do dano indireto.
internado ou em repouso, sem poder se efetiva. Há de se tomar cuidado com a 4.2.2. Teoria da causalidade ade­
trabalhar. mera negociação. Esta não tem o condão quada: é a que afirma que a causa é
3.2.2. Dano Moral: é a mácula ao espí- de gerar responsabilidade pré-con­tratual. apenas o comportamento adequado a
rito humano, um ofender à honra objeti- O dano pré-negocial é típico daquelas produzir o resultado, segundo a análise
va ou subjetiva do ser. A CF assegura a situações em que as partes já têm um de um ho­mem de mediana prudência
indeni­zação por danos morais (art. 5º, pré-contrato ou nível de negocia­ção tão e discerni­mento. Para essa teoria não
V e X). É preciso a justa compreensão avançado que está claro que o objetivo basta que com a eliminação mental

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se exclua a pro­dução do resultado, que al­guém atua nos estritos termos do ou de força maior, num con­trato de
é preciso que a con­duta seja idônea que o próprio Direito autoriza, ainda que transporte, por exemplo. E também há
para produzir esse re­sultado. Por ela o cau­sando prejuízo a alguém. Por exem- casos em que a própria ordem jurídica
julgador teria que ver qual das causas plo, um credor que protesta o título de um estabelece responsabilidade com risco
existentes do dano seria a mais perti- devedor, apesar de causar um prejuízo à integral, como aquela do empreendedor
nente à reparação. imagem deste, está agindo no exercício que trabalha com material radioativo,
4.2.3. Teoria dos danos diretos e de um di­reito que tem e, portanto, não que, mesmo que demonstre que o dano
ime­diatos: de acordo com essa teoria responde pe­los prejuízos morais causados que causar tem origem numa dessas
so­mente serão indenizáveis os danos ao de­vedor. exclu­dentes, responderá civilmente por
cau­sados diretamente pela conduta O exercício regular de direito é o ato pra­ todos os danos causados. Por fim, vale
do agente, portanto os danos remotos ticado fundamentado na estrutura legal. No ressaltar que o caso fortuito e o de força
não são inde­nizáveis, o CC adotou âmbito civil, não estão compreendidos só maior excluem a próprio nexo causal,
essa teoria no art. 403 quando dispõe: o exercício normal de nossos direitos, mas elemento essencial da responsabilidade
“Ainda que a ine­xecução resulte de também os determinados pelas auto­ridades civil. Há si­tuações especiais que devem
dolo do devedor, as perdas e danos competentes. E isso serve para a estrutura ser anali­sadas com cuidado.
só incluem os prejuízos efetivos e os administrativa, para uma vigilân­cia sanitá- 5.5.1. Cláusula de não-indenizar: é
lucros cessantes por efeito dela direto ria realizada pelo órgão compe­tente que o acordo entre as partes em que se
e imediato, sem prejuízo do dis­posto na determina que se feche um res­taurante ou estipula a exclusão da responsabilidade
lei processual.” algo equivalente. de inde­nizar sobre eventuais danos
Link Acadêmico 2 5.4 Do estado de necessidade: é aque­la causados. Essa cláusula somente é vá-
situação em que alguém prejudica uma lida no negó­cios jurídicos regidos pelo
5. Excludentes da Responsabilida­ pessoa para proteger um bem jurídico Direito Civil em função do princípio da
de pró­prio ou de terceiro em perigo atual, autonomia da von­tade (nas relações de
Importa em verificar nos casos per- cujo sacrifício não era razoável exigir. Para consumo são abu­sivas tais cláusulas).
tinentes de responsabilidade civil a configuração do instituto o agente não pode 5.6. Culpa exclusiva da vítima: nesse
existência de eventuais causas (fatos) ter sido o causador do perigo, nem pode se ca­s o não haverá responsabilidade
geradoras de uma dada incongruência tratar de alguém que é obrigado a enfrentar do causador do dano. Por exemplo,
entre o fato, no mais das vezes a “mens” aquela situação. O Código Civil não usa a quando alguém se joga na frente de
culposa, e evi­dentemente o dano. Tais expressão estado de neces­sidade, mas um carro, que acaba atropelando essa
incongruências podem excluir a res- dispõe que não constitui ato ilícito situação pessoa.
ponsabilidade. equivalente, no caso “a de­terioração ou 5.7. Fato de terceiro: em atitudes
O art. 188 do CC estabelece esta real destruição da coisa alheia, ou a lesão a obvia­mente evidenciadas por outrem,
con­dição, quando, de forma exem- pessoa, a fim de remover o perigo”. Assim, onde não houve a mínima participação
plificativa, vincula as excludentes de se uma pessoa deixar o ferro ligado e for da pessoa causadora do dano, temos
responsabi­lidade em tipos específicos, viajar e seu vizinho arrom­bar a porta da sua o fato de tercei­ro, que também quebra
a saber: casa (causando prejuí­zos) para desligar o a relação de nexo de causalidade, im-
5.1.Introdução ferro e conter um in­cêndio, o vizinho estará pedindo assim quais­quer indenizações
Eventualmente podem surgir “fatos” numa situação de estado de necessidade, ao suposto agente cau­sador.
que rompem o nexo causal entre a que constitui ato ilícito e não dá direito de 5.8. Furto ou desapossamento: o furto
conduta e o resultado causador de um indenização ao dono do imóvel. É bom sa- ou desapossamento apresentam dadas
dano, exclu­indo, consequentemente, a lientar que, caso a pessoa lesada não seja peculiaridades com as quais temos que
responsabili­dade do agente. culpada pelo perigo, deverá ser indenizada ter toda atenção. Via de regra, não se
O art. 188 CC traz, exemplificadamente, pelo prejuízo que sofrer. Por exemplo, se o con­cebe tais fatos como excludentes de
as hipóteses em que se exclue o dever mesmo vizi­nho arrombar a casa do outro res­ponsabilidade. Por exemplo, se uma
de indenizar. para se esconder de um ladrão. Nesse pes­soa tem um celular vinculado à ope-
5.2. Legítima Defesa: é aquela situa- caso, ape­sar de cometer ato lícito, deverá radora X e ele é furtado ou, até mesmo,
ção em que uma pessoa repele injusta indenizar o dono do imóvel, vez que este roubado, essa pessoa não tem como
agres­são de outra pessoa a direito nada tem a ver com o perigo. se eximir do pagamento do aparelho.
seu ou de terceiro. Para configuração 5.5. Do caso fortuito e da força maior: Nesse tipo de relação contratual não é
da legítima de­fesa é necessário que a naturais excludentes de responsabilidade, considerado excludente de responsa-
agressão seja atual ou iminente, não caracterizados por situações do mero aca­ bilidade o furto ou o desapossamento,
podendo ser uma ameaça de agressão so (caso fortuito) ou de causas natu­rais, por qualquer motivo que seja, devido
futura. Outro requi­sito é que na defesa fenômenos da natureza etc (força maior). à freqüência com que ocorre esse
se use moderada­mente dos meios ne- O homem não poderia ser apena­do por tais fato. Em linhas contratuais, o furto ou
cessários para impe­dir a agressão. fatos. É bom salientar que é possível que, o desapossamento não é consi­derado
5.3. Exercício Regular do Direito por contrato, alguém assuma a responsa- excludente de responsabilidade.
Reco­nhecido: é aquela situação em bilidade mesmo em caso de caso fortuito No contrato de transporte, por sua na­

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tureza, tem uma cláusula chamada de ela legal ou contratual, que é o caso, por cípios da responsabilidade patrimonial
incolumidade. Significa que tanto a pes­ exemplo, da obrigação dos hotéis e dos do Estado.
soa como a carga têm que chegar incó­ estabe­lecimentos de ensino de ze­lar pela 2.3. Da Responsabilidade dos empre­
lume ao destino . Mas a especialidade segu­rança e pela vigilância, res­pondendo gadores ou comitentes
é na questão do pagamento do seguro, por atos cometidos por seus funcionários. O art. 932, III, do CC dispõe que o em-
por­que quanto ao fato de se chegar ao Nes­se tipo de responsa­bilidade estamos pregador ou comitente responde pelos
destino é posto, não existe a condição diante, quase sempre, da culpa “in vigilan- danos que seus empregados, serviçais
de exclu­dência de responsabilidade do”. A responsabili­dade por fato de outrem é e prepostos causarem a terceiros. O
dentro dos contratos de transporte. Isso objetiva. O art. 933 do CC dogmatizou esse detalhe é que essa responsabilidade só
se aplica tan­to ao remetente quanto ao enten­dimento. Assim, pouco importa se os existe no que diz respeito ao exercício
passageiro. A empresa não pode ale- pais ou o empregador agiram com culpa ou do trabalho dos empregados ou em
gar que, por exem­plo, num transporte não. Por outro lado, há de se verificar se o razão deste tra­balho. Assim, se um
aéreo, um urubu en­trou na turbina e causador do dano (o filho, o em­pre­gado) motorista de uma em­presa atropelar
o avião caiu por causa do animal. agiu com culpa, sal­vo exce­ções previstas alguém, agindo de modo culposo, a
Isso não é motivo de excludência de no Código do Consumi­dor. empresa responderá, pouco importan-
responsabilidade para que a empresa do se ela agiu ou não culposa­mente.
possa dizer que não vai pagar as indeni­ 2. Sistema de Responsabilidade Civil do Nesse caso temos um dano cau­sado no
zações às famílias que perderam seus fato de outrem. exercício do trabalho. Já um segu­rança
entes queridos. Assim, num contrato de 2.1. Da Responsabilidade dos pais por de uma empresa que estiver portan­do
transporte, não se pode, como regra, atos dos filhos menores uma arma de propriedade desta e,
ale­gar excludentes de responsabilida- A responsabilidade objetiva independe da de­pois do expediente, após envolver-
de. O STJ, todavia, vem entendendo estruturação da culpa. Não se quer saber se nu­ma briga de trânsito, acaba por
que deter­minados roubos, em que não se os pais concorreram para a culpa do causar um dano a alguém, a empresa
é possível atuação defensiva por parte filho ou não, eles são obrigados a respon­ responderá pelo ato, pois o funcionário
do transpor­tador, excluem a reponsabi- der pelos atos deles. Não se questiona só tem aquela arma porque a empresa a
lidade deste, configurando verdadeira se a educação dos pais foi negligente, ele cedeu em razão deste trabalho.
situação de força maior. impe­rita ou imprudente, se eles foram Link Acadêmico 5
Link Acadêmico 3 desaten­ciosos, se eles foram omissos ou
não, por­que aí estaríamos a aferir a culpa Responsabilidade Objeti-
va no Código Civil
6. Do efeito da sentença absolutória deles para poder responsabilizá-los. Não é
pe­nal no âmbito da Responsabilida­ o caso. Então ela é objetiva, porque vincula O atual CC, rompendo a tradição do
de Civil. a pessoa responsável pela proteção. Co­ CC anterior, criou duas hipóteses
Há apenas duas situações em que a mo vimos, não interessa saber se os pais bem abran­gentes de responsabilidade
sen­tença no processo criminal reper- contribuíram ou não para se chegar àque­la objetiva, ou seja, de responsabilidade
cute no âmbito do processo civil de situação, interessa que a responsabi­lidade independente­m ente de culpa. São
reparação de danos: 6.1. absolvição é direta dos pais. Agora, evidente­mente elas:
criminal em que o juiz afirma textual- que, no caso concreto, aquele me­nor só 1. Por atividade de risco: “haverá obri­
mente que o fato não existiu (absolvição vai gerar a responsabilidade obje­tiva do pai gação de reparar o dano, independente­
por inexistência mate­rial do fato); 6.2. se a atitude dele foi culposa. Além disso, mente de culpa, nos casos especifi-
absolvição criminal em que o juiz decla- os filhos têm de ser menores e estar sob a cados em lei, ou quando a atividade
ra que o acusado não co­meteu o fato autoridade e na companhia dos pais. normal­mente desenvolvida pelo autor
(absolvição por negativa de autoria). Cuidado: o STJ vem entendendo que a do dano im­plicar, por sua natureza,
Todas as outras formas de absol­vição emancipação dos filhos pelos pais não risco para os direitos de outrem” (art.
ou extinção do processo penal não os exime de responder por atos ilícitos 927, parágrafo único). Essa modalidade
repercutem no processo de reparação da­queles. Já a emancipação legal e a de responsabi­lização é fruto da adoção
de danos. Assim, a absolvição por falta judicial excluem a responsabilidade dos da Teoria do Risco-Proveito, que parte
de pro­vas no processo criminal em nada pais ou tutores. do princípio de que quem prejudica
inter­fere no processo civil. 2.2. Da Responsabilidade de tutores e alguém a partir de uma atividade de
Link Acadêmico 4 curadores risco, ou seja, quem tira proveito de uma
O art. 933 c/c o art. 932, I e II, do CC leva atividade de risco e acaba causando
Responsabilidade à conclusão de que os tutores e curadores dano a alguém deve responder objeti-
por Fato de Outrem respondem nas mesmas condições que os vamente por esse dano, até porque o
pais, ou seja, independentemente de culpa, prejudicado nada está ganhando com
1. Introdução. O fato de outrem é desde que estejam sob a autoridade e em aquela atividade. Um exemplo é a em­
justa­mente a situação jurídica causada companhia deles. De qualquer forma, por presa que faz fundações para obras e,
por uma terceira pessoa, com a qual se se tratar de um “munus” público, é possível, com essa atividade, acaba prejudicando
tenha um vínculo, uma obrigação, seja em face do Poder Público, in­vocar os prin- imóveis vizinhos. Sua responsabilidade

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é objetiva, não sendo necessário que os in­denizatória, cujo prazo é de 5 anos, no as pessoas de direito público (União,
vi­zinhos comprovem que tal empresa CDC, e de 3 anos, no CC. Es­tados, DF, Municípios, Autarquias e
agiu com dolo ou culpa. Outra diferença são os regimes. No CDC, Fun­dações Públicas), vale também para
a regra é a responsabilidade objetiva, ao as pessoas de direito privado prestado-
2. Por circulação de bens: “ressal- passo que no CC a regra é a responsa­ ras de serviço público (concessionárias
vados outros casos previstos em lei bilidade subjetiva. Mas há exceções. No de ser­viço público, por exemplo).
especial, os empresários individuais e CDC, o profissional liberal responde subje­ 3.2. Responsabilidade subjetiva
as empresas respondem independente- tivamente, ou seja, mediante a comprova­ do Es­tado: parte da doutrina ensina
mente de culpa pelos danos causados ção de culpa ou dolo. É o caso do arqui­teto, que, por condutas omissivas, o Estado
pelos produtos postos em circulação” do engenheiro, do marceneiro, do médico responde objetivamente; por exemplo,
(art. 931). A regra em questão é muito (salvo o cirurgião plástico, que tem obri- quando al­guém quebrar o carro por ter
parecida com a pre­vista no CDC. A di- gação de resultado, e, portanto, responde passado num buraco na rua, há de se
ferença é que lá existe a mesma regra objetivamente). Por outro lado, no CC há verificar se o Esta­do agiu com culpa
também para serviços, e não só para casos de responsabilidade objetiva, como ou não; se o buraco for muito recente,
bens ou produtos. vimos acima (atividade de risco e circula­ção não estaremos diante de uma omissão
Link Acadêmico 6 de produtos). culposa, não respondendo o Estado; já,
Link Acadêmico 7 se o buraco for antigo, esta­remos diante
Da Responsabilidade por de uma omissão culposa, e nesse caso
Vício de Produtos Responsabilidade haverá responsabilidade do Estado.
Civil do Estado Link Acadêmico 8
Essa matéria é estudada em três dis­
ciplinas: Direito Civil (contratos), Direito 1. Introdução.
Empresarial e Direito do Consumidor. Versar sobre a responsabilidade civil
De qualquer forma, é bom salientar que do Estado sempre foi matéria de suma
uma coisa pode apresentar dois tipos im­p ortância na doutrina e no próprio
de problema. Há o problema intrínse- desen­volvimento do que se convencionou
A coleção Guia Acadêmico é o ponto de partida
co, que o CDC denomina de “vício”. cha­mar de Estado Democrático de Direito. dos estudos das disciplinas dos cursos de
Exemplo: uma televisão ou um vidro A responsabilidade civil é um mecanismo graduação, devendo ser complementada com o
material disponível nos Links e com a leitura de
elétrico de um carro que não funcionam. inegável de controle social e, em suas livros didáticos.
É um problema inter­no, apenas. E há bases filosóficas, reside a pacificação
Direito Civil - Responsabilidade Civil – 3ª edi-
o problema extrínseco, que o CDC social, com o fito de sempre proporcionar, ção - 2009
denomina de “defeito” ou de “fato do no máximo possível, a reparação de da­
Coordenador:
produto ou do serviço” ou de “acidente nos; é indubitavelmente um instrumento Carlos Eduardo Brocanella Witter, Professor
de consumo”. Por exemplo: uma tele- que se presta a evitar-se o caos. A base universitário e de cursos preparatórios há mais
visão que dá choque em alguém ou legal da responsabilidade civil estatal está de 10 anos, Especialista em Direito Empresarial;
Mestre em Educação e Semiótica Jurídica; Mem-
um carro novo cujo freio não funciona no art. 37, § 6º, da nossa CF. Ali residem bro da Associação Brasileira para o Progresso
e causa um acidente com vítima. Além os dogmas inspirados na teoria da respon­ da Ciência; Palestrante; Advogado e Autor de
obras jurídicas.
do problema interno nesses produtos, sabilidade conhecida modernamente co­mo Autor:
per­ceba que ele causa um problema Teoria do Risco Administrativo Dionísio Paulo, Advogado, Mestre em Direito e
Professor de Direito Civil.
externo, afetando a nossa segurança,
a nossa saúde. 2. Teorias Fundamentadoras da Res­ A coleção Guia Acadêmico é uma publicação
É importante saber a diferença entre ponsabilidade Civil Estatal. da Memes Tecnologia Educacional Ltda. São
Paulo-SP.
um vício e um defeito, pois o primeiro 2.1. Teoria do risco integral: o Estado res- Endereço eletrônico: www.memesjuridico.com.br
dá ensejo a um prazo para requerer a ponde independentemente de culpa e não Todos os direitos reservados. É terminantemente
proibida a reprodução total ou parcial desta
substituição do produto, o seu conserto há excludentes de sua responsabi­lidade; publicação, por qualquer meio ou processo, sem
ou a devolução das quantia paga, de 2.2. Teoria do risco administrativo: o a expressa autorização do autor e da editora. A
violação dos direitos autorais caracteriza crime,
acordo com o regime (se do CDC ou do Estado responde independentemente de sem prejuízo das sanções civis cabíveis.
CC); e o segundo dá en­sejo ao ingresso culpa, pelo risco de administrar, mas exis­
de uma ação indeni­zatória diretamente. tem excludentes de sua responsabilidade;
No caso dos vícios, os prazos costu- é a teoria adotada no nosso sistema.
mam ser curtos. No CDC, é de 90 dias 2.3. Teoria eclética: resulta da mistura das
para reclamar o conserto, se o produto duas anteriores.
ou o serviço for durável, e de 30 dias,
se o produto for não-durável. No CC, o 3. Espécies de responsabilidade no âm­
prazo é de 30 dias, se se tratar de mó- bito estatal:
vel, e de 1 ano, se de imóvel. Já quando 3.1. Responsabilidade objetiva do Es­
se tem um defeito, a ação cabível é a tado: essa é a regra; ela vale não só para

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