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D e s d e 1 9 2 1    U M J

D e s d e 1 9 2 1

  

U M J O R N A L A S E R V I Ç O D O B R A S I L

f o l h a . c o m . b r

D I R E T O R D E R E D A Ç Ã O : O T AV I O F R I A S F I L H O

A N O 93 H D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3 H N O 3 0. 762

E D I Ç Ã O S Ã O P A U L O H C O N C L U Í D A À S 2 2 H 0 6 H R $ 5 , 0 0

S é r g i o L i m a - 2 0 . j
S é r g i o L i m a - 2 0 . j u n . 2 0 1 3 / F o l h a p r e s s
TV FOLHA + sãopaulo + ILUSTRADA +
Ativistas e acadêmicos comparam atos
Movimento chancela violência, afirma
professora de direito da USP Ilustríssima pág. 4
em SP, Espanha e EUA Ilustríssima pág. 6
A SEMANA
em que o Brasil
Estética da manifestação vai de marca
de uísque ao ‘curtir’ das redes I lustrada E1
Confira o que mudou nos protestos do
país nas últimas décadas sãopaulo pág. 2 6
A RDEU
especial
TV CULTURA
19h30, reprise às 23h
INTERNET
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da Folha e pelo UOL
Congresso, na
quinta-feira

Estaleiro de Eike Batista dá calote e tenta evitar falência

A OSX, estaleiro de Eike

Batista, deu calote em ao me- nos um fornecedor e é pres- sionada por bancos a honrar ou renegociar R$ 2 bilhões em dívidas de curto pr azo, informa Raquel Landim.

A empresa deixou de pa-

gar cerca de R$ 500 milhões à construtora espanhola Ac- c i o n a . A dvo ga d o s d e E i k e

tentam evitar a recuperação judicial ou até a falência do estaleiro. A OSX diz que o ca- so é confidencial. Mercado B1

Para responder a protestos, Dilma resgata ‘fa xina’

A p r e s i d e n t e D i l m a t e r á

de responder aos protestos pelo país sem dinheiro em caixa par a anunciar novos investimentos. Com a falta de recur sos, Dilma tentará resgatar a imagem de que é intransigente com a corrup- ção em seu governo. Poder A4

E L IO G A S PA R I

Barbosa pode v ir a ser a peça que fecha o quebra-cabeças

Poder A18

E D I T O R I A I S Opinião A2

Leia “Mensagem bem- vinda”, a respeito de pro- nunciamento de Dilma so- bre os protestos, e “Mine- ração competitiva”, acer- ca de nova lei para o setor.

ração competitiva” , acer- ca de nova lei para o setor. Ricardo Nogueira/Folhapress FOLHA NA COPA

Ricardo Nogueira/Folhapress

FOLHA NA COPA fa miglia SCOLARI Brasil faz 4 a 2 na Itália e passa
FOLHA NA COPA
fa miglia
SCOLARI
Brasil faz 4 a 2 na
Itália e passa em
1º à semifinal
Pág. D1
Ney ma r e O sc ar
f estejam Fre d

C O T I DI A NO 2

‘Bunda-pintada’ que ficou nua contra FHC

volta vestida Pág. 6

M Ô N I C A B E R G A M O

Silvio Santos diz não vender horário religioso pois SBT é ‘casa judaica’ E2

Silvio Santos no cabeleireiro Jassa Moac yr Lopes Junior/Folhapress
Silvio Santos no
cabeleireiro Jassa
Moac yr Lopes Junior/Folhapress
C arl a dos S antos , 33, c om fot o de s eu
C arl a dos
S antos , 33,
c om fot o de
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Daniel Marenco/Folhapress

Daniel Marenco/Folhapress

343.908 exemplares

F A L E C O M A F O L H A

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AT M O S F E R A Cotidiano C2 Temperatura amena e chuvas fracas

Mínima 12ºC Máxima 20ºC

Maioria dos paulistanos defende mais atos nas ruas

Em Belo Horizonte, confronto próximo

ao estádio do Mineirão deixa 19 feridos

Dois a cada três morado- res da cidade de São Paulo a p r o v a m a c o n t i n u i d a d e das manifestações, mesmo depois da redução das tari- f a s d e t r a n s p o r t e p ú b l i c o , aponta pesquisa Datafolha. Das 606 pessoas ouvidas na sexta pelo instituto, 72% apoiam protestos na Paulis- ta —ontem, 30 mil for am à avenida contr a a PEC 37—; 88% condenam a invasão de p r é d i o s p ú b l i c o s e 4 3 % acham a PM muito violenta.

Investigação vê desvios em receita de tarifa de ônibus de SP

Uma investigação do Mi- nistério Público aponta indí- cios de desvio da receita ge- rada pela tarifa em empresas de ônibus em São Paulo.

O foco é o Consórcio Leste

4, que atua na zona leste, on- de está o serviço de pior qua- lidade, segundo a SPTrans.

O advogado do consórcio

diz que as acusações são in-

fundadas. Cotidiano 2 pág.1

l é m d e S ã o P au l o , o u -

nove capitais registr a-

r a m p r o t e s t o s . N o p a í s, o

ú m e r o d e a t o s d i m i n u i u

em relação aos últimos dias. Em B elo Horizonte houve

c

parte dos 66 mil manifestan- tes que rumaram do centro da cidade em direção ao Mi- neirão. O estádio recebia Ja- pão e México pela Copa das

o n f e d e r a ç õ e s . N a c o n f u -

C

h o q u e s e n t r e p o l i c i a i s e

n

tr

A

as

ã o , 19 f i c a r a m f e r i d o s , 4 com gravidade. Cotidiano 1 e 2

s

ANÁ LISE ALENCAR IZIDORO

Licitação para novas v iações t raz chance de mudança

É preciso apostar em cor-

r e d o r e s d e ô n i b u s, o p ç ã o mais barata e factível. A lici- tação da Prefeitura de SP que selecionará novas viações é

a chance par a assinar con-

tratos com novos parâmetros de qualidade. Cotidiano 1 C3

mundo A 23

EU A pedem extradição de delator de espionagem

tratos com novos parâmetros de qualidade. Cotidiano 1 C3 mundo A 23 EU A pedem extradição

A2 opinião

H H H D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

ab

ab

U M J O R N A L A S E R V I Ç O D O B R A S I L

P U B L I C A D O D E S D E 1 9 2 1 - P R O P R I E D A D E D A E M P R E S A F O L H A D A M A N H Ã S . A .

P re sidente : LU I Z F R I A S Dire tor Editorial: OTAV I O F R I A S F I LH O Superintendentes: A N TO N I O M A N U E L T E I X E I R A M E N D E S E JU D I T H B R I TO Editor- executivo: S É R G I O DÁV I L A Conselho Editorial: RO G É R I O C E Z A R D E C E RQ U E I R A L E I T E , M A RC E LO C O E LH O, JA N I O D E F R E I TA S, G I L B E R TO D I M E N S T E I N, C LÓV I S R O SS I , C A R LO S H E I TO R C O N Y, C E LS O P I N TO, A N TO N I O M A N U E L T E I X E I R A M E N D E S, LU I Z F R I A S E OTAV I O F R I A S F I L H O (secretá rio) Direto ria- exe cutiva: A N TO N I O C A R LO S D E M O U R A (comercial), MURILO BUSSAB (circulação), MARCELO MACHADO GONÇALVES (financeiro) E E D UA R D O A LC A R O ( planejamento e novos negócios)

EDITORIAIS

editoriais@uol.com.br

Mensagem bem-v i nda

P reside nte re age e m tom conc i l i ador aos protestos, m a s f i r me no repúd io à v iolê nc i a; promess a s s e r ão objeto de u m v ago “pac to”

A presidente Dilma Rousseff de-

monstrou discernimento e equilí- brio ao extrair lições dos protestos que se espalharam pelo país. Foi categórica ao explicitar que ouviu

a voz das ruas e que pretende agir para lhe dar consequência.

A presidente, que já via sua po-

pularidade em queda antes das manifestações, era quem mais ti-

nha a perder. Governadores e pre- feitos de alguma forma estancaram

a sangria de prestígio com o recuo

no reajuste das tarifas de transpor-

te. Como os distúrbios prossegui- ram e a pauta de demandas se des- dobrou, o alvo primário passou a ser o governo federal. Dilma disse o que precisava ser dito e o fez no momento em que a mobilização entrava em refluxo. Enfatizou a manutenção da lei e da ordem como condição do conví- vio democrático, criticando o flan- co mais vulnerável do movimento. Cidadãos isolados e grupos mi- noritários produzir am episódios de violência selvagem —e é digno de nota que o Movimento Passe Li- vre não tenha repudiado de forma inequívoca, até aqui, o vandalismo que tem irrompido nas marchas. Aos atos de saque, depredação

subjacente, retomou o tom e a pro- messa de intransigência do início de seu governo. Nada anunciou de concreto a respeito, mas indicou a intenção de aumentar a transpa- rência das instituições e os meca- nismos de controle público.

Dilma também se preocupou em dar respostas à revolta com os pés-

simos serviços públicos. No que to-

ca ao tema da reivindicação inicial

dos protestos, prometeu um plano

nacional de mobilidade urbana. Para as áreas de educação e saú-

de, repetiu propostas conhecidas:

destinar 100% dos royalties do pré- sal à primeira e reforçar a segunda com médicos estrangeiros. Sobre os questionamentos à Co-

pa do Mundo, disse que os gastos

federais são financiamentos que serão ressarcidos. Conclamou to- dos a restabelecer o clima de hos- pitalidade e a abandonar a vio- lência “que envergonha o Brasil”.

A lé m d e c o nv i d a r l í d er e s d as

manifestações para uma reunião, Dilma prometeu conclamar chefes dos demais Poderes, governado- res e prefeitos para um pacto por mudanças. Muito mais precisaria ser dito e feito, mas não foi desta vez que a presidente se comprometeu com metas mais ambiciosas, como de- sempacar a reforma tributária. Fa- lou em reforma política, mas não

sobre qual seria ela. Providências de impacto simbólico, por exem- plo quanto ao notório inchaço de

e

agressão física a agentes públi-

cargos de confiança e ministérios,

e

disposição para melhorar. Que

cos nenhuma democracia pode res- ponder senão com intervenção po- licial e responsabilização civil e pe- nal de seus autores. Dilma reafir-

também ficaram de fora. Em suma, a presidente reagiu ao inconformismo geral com firmeza

mou esse princípio basilar.

o

sistema político, sacudido pela

Ciente de que o tema da corrup- ção tende a canalizar a insatisfação

estridência das ruas, saiba seguir seu exemplo.

M i neração compet it iva

Com o propósito de tornar a mi- neração mais competitiva e atraen-

te aos investimentos privados, o go-

verno federal enviou nesta sema- na ao Congresso um novo marco

regulatório para o setor.

O texto pretende iniciar a ne -

cessária modernização desse seg- mento da economia —a minera - ção, principalmente de ferro, res-

jeto propõe implementar uma taxa por ocupação e exigir investimen-

to mínimo em regiões de explora-

ção de recursos minerais. Há alteração também na cobran- ça dos chamados royalties da mi-

neração. A alíquota máxima pas-

sará de 3% para 4% e terá por ba-

se a receita bruta das empresas, e

não mais o faturamento líquido.

ponde por 4% do PIB e 23,5% das exportações brasileiras. Uma das principais novidades diz respeito à concessão de áreas

Estima-se que a arrecadação au- mente de R$ 1,8 bilhão para R$ 4,2 bilhões por ano. Os recursos são repar tidos entre União, Estados

para exploração. Segundo o Códi-

e

municípios. Vale destacar que

go de Mineração atual, de 1967, a

a

lei

atual deixa o Brasil com um

empresa que fizer o primeiro pe- dido para explorar uma jazida ga- rante prioridade na sua outorga.

dos menores percentuais de tribu- tação para o setor de minérios, na comparação com grandes produto-

A legislação em vigor, na prática,

permite que o local seja explora- do continuamente, até esgotar-se.

A proposta do governo estimu-

la maior concorrência ao exigir li-

citações para áreas de mineração,

a exemplo do que ocorre com pe-

tróleo e gás. Outra mudança nes- se sentido é a fixação de um prazo de 40 anos para pesquisa e explo - ração de lavras, com a possibilida- de de renovação por mais 20 anos. Para combater a especulação im- produtiva, ainda recorrente, o pro-

res, como Canadá, Chile e Rússia.

O temor de que o novo marco le-

gal alterasse a situação de jazidas

em fase de estudo ou exploração,

gerando insegurança jurídica, foi

afastado com a garantia de respei-

to aos contratos atuais. Ainda as-

sim, cerca de R$ 20 bilhões em in- vestimentos e mais de 5.000 pro-

jetos ficaram congelados, à espe-

ra da nova regulamentação. Surpreende que o governo te -

nha demorado tanto para enviar

a proposta ao Congresso.

te - nha demorado tanto para enviar a proposta ao Congresso. H É L I O

H É L I O S C H W A R T S M A N

O dono do nome

SÃO PAULO - Num de meus muitos defeitos de fabricação, nasci sem o software do nacionalismo. Não acre- dito em excepcionalismos nem con- sigo entender por que alguém deve- ria julgar o país em que calhou de ter nascido como intrinsecamente melhor ou detentor de mais direitos do que qualquer outra nação. Dada essa preliminar, só posso considerar meio descabido o protes-

to que o governo brasileiro ensaia

contra a Icann, a entidade que geren- cia o sistema de nomes da internet , que pretende disponibilizar comer- cialmente domínios que remetem a topônimos como “.amazon”, “.pa- tagonia” e “.shenzhen”. Se entendi bem a objeção oficial, exposta no ar- tigo de Virgilio Almeida, do Ministé- rio da Ciência e Tecnologia, e de Be- nedicto Fonseca Filho, do Itamara- ty, que a Folha publicou na quinta, o Brasil e outros países reclamam direi- tos especiais sobre esses nomes, que não poderiam ser concedidos a em- presas privadas sem sua autorização. Não sou sócio da amazon.com,

mas não vejo por que o Brasil deve- ria ter mais legitimidade do que a li- vraria americana para usar o domí- nio. Para começar, o termo vem do grego “amazónes”, que é o substan- tivo pelo qual se designavam as inte- grantes de uma tribo mítica de guer- reiras que viviam sem homens. Nós, ou melhor, o explorador espanhol Francisco de Orellana é que se apro- priou de uma palavra do léxico gre- go para dar nome à região. Ele teria ficado chocado ao constatar que mu- lheres de uma etnia amazônica com- batiam ao lado dos homens.

A n a l o ga m e n t e , “ p a t ag o n i a ” é

uma criação politicamente incorreta do português Fernão de Magalhães, que teria ficado impressionado com

o tamanho das “patas” dos índios te- huelches que viviam na área.

A grande verdade é que línguas,

incluindo seus topônimos e antro- pônimos, são patrimônio comum da humanidade e não deveriam admitir nenhum tipo de exclusividade, seja ela detida por empresas ou países.

h e l i o@ u o l. co m . b r

E L I A N E C A N T A N H Ê D E

A revoluç ão do tomate

BRASÍLIA - O grande ausente das manifestações, vamos convir, foi o tomate. O confronto entre o aumen-

to de preços e a corrupção foi a go-

ta d’água que empurrou as pessoas

às ruas e às portas dos palácios. Como bem explicitou a Folha, os protestos são contra “tudo”. Logo, não são contra a presidente Dilma

Rousseff. Mas são também contra ela

e o que representa, tanto que a mar-

ca da quinta-feira foi que os mani- festantes chegaram perigosamente perto do Palácio do Planalto. Dilma demorou demais a falar, de-

monstrou fraqueza ao correr para o

colo de Lula e o pronunciamento de

sexta-feira foi mais do mesmo quan- do presidentes se sentem sob pres- são, em apuros. Convocou um pacto nacional, pro- meteu reforma política, elogiou as manifestações democráticas, con- denou os excessos e anunciou me- didas que levam anos para ter resul- tados. Só faltou criar uma comissão. A reação não resolve um grande

problema de Dilma neste momento:

a falta de discurso político. Internamente, ela perde uma das principais armas para enfrentar o pibinho, a inflação, o aumento dos

juros, a Bolsa despencando e o dó- lar insolente: os bons índices de em- prego. Em meio à crise, passou qua- se despercebida a notícia de que a criação de vagas formais em maio é

a menor em 21 anos. Isso, apesar de

previsível, é demolidor sob o ponto de vista econômico e político. E x t e r n a m e n t e , D i l m a t a m b é m perde a chance de repetir em futu- ras viagens internacionais, princi- palmente a Washington, em outu- bro, a arrogância de dizer que EUA, Alemanha e África do Sul, por exem- plo, deveriam seguir a política eco- nômica brasileira. Isso já era. Falta muito tempo para a eleição, os aliados não têm saída e a oposição parece invisível. Mas não é à toa que manifestantes optam pelo voto qui- mera em Joaquim Barbosa. No fim das contas, Dilma continua favorita, mas ser reeleita só por exclusão não parece nada alvissareiro.

C A R L O S H E I T O R C O N Y

O bolo e a sopa

RIO DE JANEIRO - Concordo com o cronista Antonio Pr ata quando dis- se, em coluna nesta Folha, que pre- cisamos admitir uma verdade: nin- guém está entendendo nada. Exem-

plo: muita gente, sobretudo no go-

verno, acreditou que os protestos

nas ruas de todo o Brasil for am mo- tivados pelo aumento de 20 centa- vos nos transportes públicos. Por causa disso, manifestantes em Br asília depredam o Itamar a-

vido a convocação dos Estados Ge- rais (nobreza, clero e povo) e os en- ciclopedistas, tudo estava pronto pa-

ra um Robespierre inaugurar o terror

com a tecnologia da época forneci- da pelo dr. Guillotin.

Espero que esteja exager ando, mas essas coisas costumam acon-

tecer. Principalmente quando não há uma liderança visível, uma causa es- pecífica para provocar um tumulto.

O normal seria que, de um la -

ty, no Rio atacam a prefeitura, em

do, houvesse um grupo responsá-

Ribeirão Preto um r apaz é morto, ônib us e carros são incendi ados em várias cidades. Eisenstein, em seu “Encouraça- do Potemkin”, fez a revolução rus-

vel pelos protestos e, de outro lado, um grupo par a negociar ou abrir um caminho para a normalização da vida pública. Seria o caso de a presidente Dilma

sa começar no cais de Odessa, com

não apenas lamentar a indignação

o

corpo de um marinheiro assassi-

popular, mas fazer por onde. Na se-

nado “por causa de uma sopa”. Pa- ra início de história, não estava erra-

mana passada, o senador Cristovam Buarque acentuou a falta de uma li-

do. A Revolução Francesa não come-

derança na crise que atravessamos.

çou com Maria Antonieta mandan- do o povo comer bolos.

Sem ironia, disse que só há um no- me forte no atual panorama nacio-

 

Antes da tomada da Bastilha, da-

nal: é de um cidadão suíço, Joseph

ta

oficial do movimento, já tinha ha-

Blatter, presidente da Fifa.

H E N R I Q U E M E I R E L L E S

Caminho da

transformação

Há uma sensação de mal-es- tar difuso e gener alizado no país. Muitos associam as ma- nifestações a esse sentimen-

to. Existem explicações diver- sas para isso, que passam pe-

la piora da economia, a rejei-

o de pr á t i c as p o l í ti ca s, os

gastos com a Copa. Eu g o s t a r i a d e f o c a r h o j e questão da qualidade de vi- da da população. Vemos a irritação das pes- soas com o trânsito, o mau fun- cionamento dos telefones, a superlotação dos aeroportos,

a

çã

a

e

mau uso dos recursos públi -

cos são frequentes.

M a s o p r ob l e m a va i a l é m

dos serviços públicos. Um ami- go que está reformando sua casa me relatou, com grande

indignação, que nenhum de

s e u s f o r n e c e d o r e s e n t r eg o u serviços e produtos no prazo

nem deu qualquer satisfação.

Não há dúvidas de que vive- mos uma crise de produtivida- de no país, e isso está longe de ser mero conceito econômico

teórico. É algo que atinge a to-

dos diariamente. Quando discutimos a neces- sidade de aumentar a produ- tividade com licitações de por- tos, rodovias, aeroportos e fer- rovias, por exemplo, debate- mos algo que terá impacto na vida de cada um e nos preços

dos produtos. A demanda mui-

to maior por produtos e servi-

ços, fruto do desenvolvimen-

to econômico da última déca-

d a , d eve s e r a c o m p a n h a d a

por investimentos.

Já o desemprego muito bai-

xo reduz a preocupação com

a m a n u t e n ç ã o d o e m p r e g o

e a exigência de qualificação.

precariedade dos hospitais

d o s s e r v i ç o s . N o t í c i a s d e

I s s o , p o r u m l a d o , é m u i t o bom, porque dá mais seguran- ça às pessoas em relação ao emprego, e toda teoria econô- mica existe, em última análi-

s e , p a r a e l eva r o b e m - e s t a r dos cidadãos.

O problema é como, nesse

ambiente, motivar as organi- zações privadas e os governos

a i nve s t i r n a q u a l i d a d e d o s seus produtos e serviços e em

treinamento. E também como

motivar as pessoas a fazer um bom trabalho, a prestar bom serviço e a seguir a lei.

M a i s i m p o r t a n t e a i n d a , é

preciso consolidar os valores

d e u m t r ab a l h o b e m ex e c u -

t a d o . E l e s d eve m e s t a r p r e -

s e n t e s d a es c o la fu nd a m e n -

t a l à u n ive r s i d a d e e s e gu i r

no governo, na empresa e no terceiro setor. Portanto, o grande desafio do país é voltarmos a recupe- rar o orgulho de um trabalho

bem-feito em todos os níveis.

A

Em minha experiência pro- fissional, no setor público e na área privada, vi como as pes- soas podem se orgulhar de um serviço bem-feito, de uma ins- tituição que funcione bem, do bom uso dos recursos.

Pr e c i s a m o s r e f o r ç a r e s s e s

valores e tr abalhar par a que

prevaleçam cada vez mais. É

ética, nesse movimento, se- fundamental.

um caminho eficiente para a transformação tão claramen-

te desejada pela população.

HENRIQUE MEIRELLES escreve aos domingos nesta coluna.

ab

D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

H H H opinião A3

TENDÊNCIAS / DEBATES

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

debates@uol.com.br

tendências do pensamento contemporâneo debates@uol.com.br twitter.com/Folhadebate P R O T E ST O S E M

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P R O T E ST O S E M Q U E ST Ã O

Q ue juvent ude é essa?

De modo inesperado, tomaram as ruas os netos da Marcha da Família com Deus pela Liberdade de 1964 e da Passeata dos Cem Mil de 1968. Os filhos dos que apoiaram a eleição de Collor em 1982 e dos que se manifes- taram por seu impeachment em 1992. Todos contraditoriamente juntos. Claro, em outro contexto. Diversi- dade de insatisfações com sinais ideológicos misturados, que se ex- pressam também nas várias interpre- tações, cada qual identificando no movimento a realização dos próprios desejos e tentando influenciá-lo. Setores de esquerda encantaram- se com o que lhes pareceu o início de uma revolução espontânea, mas ficaram embasbacados com as hos- tilidades sofridas, não por parte da polícia, mas de alguns anticomu- nistas. Adeptos do PT, percebendo que o movimento redunda em ques- tionamentos variados a seus gover- nos, tendem a reduzi-lo ao caráter fascista de certos manifestantes.

Os conservadores —inclusive na i m p r e n s a , s ob r e t u d o t e l ev i s iva — ressaltam os protestos ordeiros con- tra a corrupção, tentando restringir

o movimento a um aspecto pontual,

como se todas as mazelas da ordem

constituída se devessem à malver- sação das verbas públicas pelo PT. Por sua vez, os defensores de cau- sas como a tarifa zero sonham que

a multidão está envolvida numa no-

va democracia horizontal e plebis- citária, pacificamente movida a in- ternet , mas também se assustaram com a ferocidade de alguns grupos. Em todos os pontos de vista, há

algo de verdade e mistificação. O enigma começa a ser resolvido com

a pergunta: quem se lança às ruas?

Ao que tudo indica até o momento, são principalmente setores da juven- tude, até há pouco tida como despo-

litizada, e que não deixa de expres- sar as contradições da sociedade. Parece tratar-se de uma juventu- de sobretudo das camadas médias, beneficiadas por mudanças nos ní- veis de escolaridade, mas inseguras diante de suas consequências e com pouca formação política. Dados do M EC apontam que há hoje cerca de 7 milhões de univer- sitários. O acesso ao ensino supe- rior praticamente dobrou em uma década. Em 2000, eram admitidos anualmente 900 mil calouros. Em 2011, quase 1,7 milhão. Dois terços no ensino privado.

A título de comparação, tome-se

a década das manifestações estudan-

tis. Em 1960, havia 35.909 vagas dis- poníveis no ensino superior, núme-

ro que saltou para 57.342 em 1964,

ano do golpe de Estado, chegando a 89.582 no tempo das revoltas de 1968,

a maioria no ensino público. Em ter-

M A R C E L O R I D E N T I

Marcelo Cipis
Marcelo Cipis

Diversidade de insat isfações com sinais ideológicos misturados, cada qual ident if icando no mov imento a realização dos própr ios desejos

mos absolutos, a evolução foi enor- me. Não obstante, apenas 15% dos brasileiros com idade para estar na faculdade cursam o ensino superior. Quanto à origem dos universitá- rios, muitos compõem a primeir a geração familiar com acesso ao en- sino superior. Outros são de famí- lias com capital cultural e/ou eco-

nômico elevado, atônitos com a am- pliação do meio universitário. No que se refere às expectativas, parece haver o temor de alguns de não poder manter o padrão de vida da família e de outros de não ver rea- lizada sua esperada ascensão social. Produziu-se uma massa de jovens escolarizados, com expectativas ele- vadas e incertezas quanto ao futu-

ro, sem encontrar pleno reconheci-

mento no mercado de trabalho nem tampouco na política. Ademais, de- tecta-se insatisfação com o indivi- dualismo exacerbado. Em suma, um meio social efer- vescente em busca de causas na era

d a i ( n c ) l u s ã o p e l o c o n s u m o , e m

meio à degr adação da vida urbana.

E por onde andam os 70% de jo-

vens de 18 a 24 anos que não estão na escola? Alguns, no mercado de trabalho precarizado. Outros com- põem o chamado “nem nem”, nem escola nem trabalho. Massa ressen- tida que em parte também integra as manifestações. No ano que vem, completam-se os 50 anos do golpe de 1964, cuja bandeira ideológica era o combate aos políticos e à corrupção. O risco e s t á d a d o n o va m e n t e ? Po r s o r t e , as manifestações tr azem também reivindicações por liberdades de - m o c r á t i c a s, b u s c a d e r e c o n h e c i - mento e respeito, tocando num as- pecto centr al: a luta pelo investi- mento em transporte, saúde e edu- cação, contra a apropriação priva- da do fundo público. Chegaram ao limite as possibili- d a d e s d e m u d a n ç a d e n t r o d a s e s t r u t u r a s s o c i a i s c o n s o l i d a d a s no tempo da ditadura e que não fo- ram tocadas após a redemocratiza- ção? Será possível aperfeiçoar a de- m o c r a c i a p o l í t i c a , t a m b é m n u m sentido social? Abre-se um tempo de incertezas.

MARCELO RIDENTI, 54, é professor titular de sociologia na Universidade Estadual de Campinas e autor de “O Fantasma da Revolução Brasileira”

E agora, São Pau lo?

A L E X A N D R E F E R R E I R A , C A T A R I N A D E M O R A E S E G I U L I O P R O I E T T I

São Paulo e as principais capitais brasileiras vivem cenas que ainda não tinham passado pelos olhos da geração mais jovem: ruas tomadas por centenas de milhares de pes- soas que defendem, em essência, a revogação do aumento das tarifas do transporte público e um sistema de mobilidade urbana mais demo-

A Paulista ocupada pela tropa

de choque e por suas sirenes,

abafando palavras de ordem, foi

o estopim para a rearticulação das entidades estudantis

balas de borracha, bombas de efei-

crático e de qualidade, entre outras reivindicações.

to

“moral” e gás de pimenta. O desfecho foi a avenida Paulis-

Depois de ser duramente reprimi-

ta

ocupada pela tropa de choque e

da pela ação policial, a mobilização em São Paulo conseguiu o primeiro avanço com a redução da tarifa e fez com que os estudantes voltassem a reivindicar o direito de ocupar a rua.

por sirenes que abafaram as pala- vras de ordem. Esse foi o estopim para a rearticulação das entidades estudantis de São Paulo. Reunidas em torno da liberdade de manifes-

A massa de estudantes que não

ia às ruas há mais de 20 anos sen- tiu na pele o drama vivido por mo- vimentos sociais e pela população periférica das cidades: o desprepa- ro da polícia brasileira. Incapaz de lidar com demandas que transbordam o espaço univer- sitário e das mídias sociais, as ações policiais expõem a sua latente ima- turidade democrática, que ganhou notoriedade em 13 de junho último, quando uma manifestação pacífica foi reprimida de forma despropor- cional, num espetáculo macabro de

tação e da redução da tarifa, têm

agora a chance de continuar a mo- bilização e buscar respostas sobre

o significado desses 20 centavos. Quem vai pagar essa conta e o que

vai mudar no longo prazo são ques- t õ e s e s se nc ia is p a r a a s p r óx i m a s movimentações, seja nas universi- dades, seja na rua. O município es- tá licitando a concessão do trans- porte público para os próximos 15 anos e ainda não tem mecanismo permanente direcionado à consul-

ta da população. Saber usar essa janela de oportu-

nidade de forma democrática dá voz ao movimento estudantil para que deixe novamente sua marca no de-

bate público. Os estudantes já estão

na rua. As insatisfações continuam. E agora? Podemos dar mais um pas- so e alcançar dois objetivos perti- nentes a essa mobilização.

O primeiro é a reforma da política

de mobilidade urbana, com transpa-

rência nas contas públicas e partici-

pação direta da população. O segun- do, a defesa da liberdade de expres- são e manifestação, responsabilizan- do-se os abusos policiais e garantin- do a tolerância às bandeiras de par- tidos e movimentos. Restam, portan- to, duas contas a pagar: a do vintém e a do vinagre. Os estudantes de São

Paulo, novamente reunidos e em sin-

tonia com a sociedade, voltaram a ser capazes de cobrar, quando e de quem for devido.

ALEXANDRE FERREIRA, 22, é presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo

CATARINA DE MORAES, 24, é presidente do Centro Acadêmico João Mendes Júnior, da Faculdade de Direito do Mackenzie

GIULIO PROIETTI, 21, é presidente do Centro

Acadêmico 22 de Agosto, da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica

PAINEL DO LEITOR

A seção recebe mensagens por e-mail (leitor@uol.com.br), fax (0/xx/11/3223-1644) e correio (al. Barão de Limeira, 425, São Paulo, CEP 01202-900). A Folha se reserva o direito de publicar trechos.

P rotestos pelo Brasil

Participei do protesto no últi- mo dia 18 e considero muito jus- tas e honestas as reivindicações destinadas aos “nossos” repre- sentantes. Que a partir de agora eles sejam mais sensíveis às ne- cessidades da população. Cabe- rá a nós continuarmos cobran- do transparência na gestão dos recursos públicos, saúde, trans- porte e educação de qualidade — além de melhores e mais igualitá- rias condições de trabalho.

BRUNO SWINERD REGIANI HUMAIRE (São Paulo, SP)

a

O Datafolha divulgado ontem

comprova que os manifestantes

das ruas querem uma ditadura! Não permitem a participação dos partidos, mas dão 30% dos votos

a Joaquim Barbosa, que hipote-

ticamente não tem partido, mas tem sua ideologia. Os meninos que foram às ruas não têm noção do que seja uma ditadura, pois não viveram os anos de chumbo.

GILBERTO A. GIUSEPONE (São Paulo, SP)

ASSUNTOS MAIS COMENTADOS DA SEMANA

PROTE STOS NO BR A SIL(São Paulo, SP) ASSUNTOS MAIS COMENTADOS DA SEMANA COPA DA S CONFEDER AÇÕES “CUR A GAY”

COPA DA S CONFEDER AÇÕESASSUNTOS MAIS COMENTADOS DA SEMANA PROTE STOS NO BR A SIL “CUR A GAY” Ä %

“CUR A GAY”DA SEMANA PROTE STOS NO BR A SIL COPA DA S CONFEDER AÇÕES Ä % ,

% %

, % , %

, % , %

TOTAL*: . mensagens

*Soma das mensagen s env iadas para a Folha

Editorial

O editorial “Destravar São Pau-

lo” (“Opinião”, 22/6) parece se- guir a cartilha da engenharia de

transportes. Porém é preciso en-

tender que mobilidade urbana é

muito mais do que engenharia de transportes: ela precisa fazer par-

te de uma política de desenvol-

vimento urbano e social. Investir em transporte incentivando ape- nas o movimento pendular peri- feria/centro é como enxugar gelo.

a LINCOLN PAIVA (São Paulo, SP)

Centenas de pessoas com ma- las espalhadas pelo chão espe- rando táxis, pessoas arrastan- do malas entre os carros, pes- soas que perderam voos e cone- xões. Eis o resultado da ideia do gênio da manifestação —de fa- zer um protesto bloqueando a ro- dovia que dá acesso ao aeroporto de Guarulhos. Deve ser uma nova forma de angariar apoio à causa.

MICHAEL ROUBICEK (São Paulo, SP)

a

Tem razão o ministro Gilber- to Carvalho quando diz que sem partido não há democracia. Só que ele se esqueceu de que no Brasil não há partidos, uma vez que todos se venderam aos do-

nos do poder para obter benesses

e se esqueceram do povo. Eles

não representam a sociedade, mas a si mesmos. Hoje, sob o no- me de democracia, vivemos nu- ma oligarquia que comanda a na- ção. Por isso o povo está na rua.

JURANDIR PENHA (Sorocaba, SP)

Ato Médico

O projeto de lei nº 268/2002,

que dispõe sobre o exercício da

medicina, aprovado em 18 de ju- nho pelo Senado, fere a auto- nomia da psicologia e de outras

profissões que serão diretamente afetadas por sua implementação

e todo o paradigma que o Bra-

sil conquistou na construção do SUS. Isso porque impede a orga- nização de especialidades mul-

tiprofissionais em saúde. Não há posicionamento contrário à regu- lamentação da medicina. Os mé- dicos podem e devem trabalhar para que a sociedade reconhe- ça as competências específicas desses profissionais. No entan- to, isso não pode ser feito em de-

trimento de qualquer outra pro-

fissão na área da saúde. Por isso as entidades da psicologia estão mobilizadas para que o projeto de lei do Ato Médico seja vetado pela líder do Poder Executivo.

CHRISTIANE GOMES, assessora do Conselho Regio- nal de Psicologia de São Paulo (São Paulo, SP)

a PEC 37

Em todo grupo que se forma em torno de um ideal há sempre os mais exaltados que se mani- festam de modo violento. Quem entrou em uma faculdade sabe que o trote violento era ministra- do por um pequeno grupo. Os ar- ruaceiros que destoam nas pas- seatas, colocando em risco o va- lor delas, são esses que carregam dentro de si ódios e frustrações.

JOUBERT TREFFIS (Rio de Janeiro, RJ)

a

A escolha do Brasil como sede

da Copa-2014 foi divulgada em outubro de 2007. Muitos que ho-

je

nidas protestando contra o even- to são os mesmos que estavam nas mesmas ruas, praças e ave- nidas celebrando a escolha. E em 2007 a mobilidade urbana, a saú- de, o transporte e a educação não eram melhores do que são hoje.

ROBERTO GONÇALVES SIQUEIRA (São Paulo, SP)

enchem as ruas, praças e ave-

A respeito do que foi dito pe-

lo procurador aposentado José

Carlos de Oliveira Robaldo (Pai- nel do Leitor, 21/6), acho oportu- no esclarecer que a PEC 37 não retira do Ministério Público qual- quer poder, já que, de acordo com o artigo 129 da Constituição, não cabe ao mencionado órgão a investigação de infrações penais. Referidas investigações, de acor- do com o artigo 144, competem

às polícias. A matéria está defini-

da claramente na Constituição.

Ocorre que o Ministério Público vem usurpando a função da po- lícia. Esse é o objetivo da PEC 37:

realçar o que já está na Lei Maior.

VANDERLEY PIMENTA (Indaiatuba, SP)

Médicos cubanos

Os médicos daqui se recusam

a ir para o interior porque não há

a mínima condição para lá exer-

cer a profissão. Falta tudo. De um hospital razoável até esparadra-

a po. Há locais que pagariam até

salários bem maiores do que o

Após acompanhar a barbárie que se estabeleceu no Centro Cí- vico de Curitiba, qualquer apoio que eu poderia dar ao movimen-

que eles ganham aqui, mas o iso- lamento e até as cobranças dos atendidos são empecilhos pon- deráveis. De outro lado, se até

É

tapar o sol com uma peneira,

to que tomou as ruas deixa de

nós não entendemos bem a fala

existir. É inadmissível que movi- mentos que visem mudar a rea- lidade da cidade destruam a re- gião mais importante da capital.

dos interioranos, como os que fa- lam espanhol vão se comunicar?

bem no estilo do governo.

ROBERT ZAWADZKI PFANN (Curitiba, PR)

GERALDO SIFFERT JUNIOR (Rio de Janeiro, RJ)

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ERRAMOS

erramos@uol.com.br

ILUSTRADA (17.JUN, PÁG. E1) O gráfi- co que acompanhou o texto “Vio- lência no ar” informou incorreta- mente a idade do jornalista Marce-

lo Rezende. Ele tem 58 anos. Além

disso, o texto disse que a média atual de audiência do progr ama “Cidade Alerta”, da TV Record, é de 9 pontos, quando o correto é 8,2

pontos, como indicava o gráfico.

EF D O M I N G O , 2 3 D E J U
EF
D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3 A4
E
N T R E V I STA
T
U C A N O S
poder
‘Ativismo autoral’
está nas ruas,
diz Marina sobre
manifestações
PSDB chega aos
25 anos de olho
em refundação e
em meio a tabus
Pág. A8 h
Pág. A10 h
PAINEL
V E R A M A G A L H Ã E S
painel@uol.com.br
Sem verba, Dilma reinventa
faxina em resposta às ruas
Na contramão

A despeito de Dilma Rousseff ter prometido, em seu pronunciamento sobre a onda de protestos, uma nova agenda legislativa, a pauta do Congresso está rechea- da de propostas que aumentam gastos e benefícios corporativos. Entre esses projetos estão o Estatuto do Judiciário, que atrela os salários de servidores do Po- der em todo o país aos da Justiça Federal, a proposta de autonomia financeira da Defensoria Pública e vá- rias iniciativas de criação de novos municípios no país.

Sinal dos Os líderes do

governo foram alertados pela oposição sobre o risco fiscal das propostas. Um deles res- pondeu que falta no Executi- vo alguém com cor agem pa-

ra barrar esse tipo de matéria,

como Antonio Palocci fazia.

tempos O mesmo go- vernista fez um diagnóstico

W .O. Diante do recuo no

Agenda que inflou popularidade vira arma contra desgaste com manifestações

Falta de recursos para atender pauta dos protestos leva petista a prometer mais rigor contra a corrupção

VERA MAGALHÃES

EDI TO R A D O ‘ ‘ PA INEL’ ’

ANDRÉIA SADI

D O ‘ ‘ PA INEL’ ’, EM B R A SÍL I A

ANDRÉIA SADI D O ‘ ‘ PA INEL’ ’, EM B R A SÍL I A

capitais, pleito já em fase de discussão na Fazenda. Outra medida será desbu- rocratizar as linhas de finan- ciamento do BNDES para mu- n i c í p i o s, q u e r e c l a m a m d a

tos, Dilma terá de lidar, nos próximos dias, com o ressur- g i m e n t o , n o P T, d e s e t o r e s que pregam a volta de Luiz I n á c i o Lu l a d a S i lva c o m o candidato em 2014.

mana passada para políticos que ele promoveu ajudaram a engrossar o caldo do ‘‘que- remismo’’ petista. No governo há quem de - fenda que ela afaste os minis-

demor a de quase um ano pa- ra liberação de verbas. Ao mesmo tempo em que tenta responder aos protes-

A viagem da presidente a São Paulo par a consultar o antecessor e a sequência de reuniões e telefonemas na se-

tros mais próximos do ex-pre- sidente, como Gilber to Car- valho (Secretaria-Geral), pa- ra calar essas especulações.

aumento das tarifas e do cla- mor das ruas por abrir a “cai-

Dilma Rousseff inicia nes-

a p r e t a’ ’ d a s e m p r e s a s d e ônibus da cidade, represen- tantes da Prefeitur a de São

x

ta semana ofensiva para res- ponder aos protestos que pi- pocam em todo o país sem di-

Paulo avaliam que é gr ande

nheiro em caixa para anun-

o

risco de não haver interes-

ciar novos investimentos que

fusa pauta de reivindicações.

sados na licitação do siste - ma, cujo edital sai em julho.

contemplem a extensa e di-

Na semana passada, com a

de

que o colégio de líderes da

C

au t e l a O P T va i f a z e r

escalada de violência e ade-

Câmara é composto majorita-

uma série de pesquisas an-

são às passeatas, o Ministério

riamente por deputados vol-

tes de definir o candidato a

da Fazenda fez à presidente

tados a interesses paroquiais.

g

o ve r n a d o r e m S ã o P au l o .

avaliação pessimista. O sinal

A

l é m d e m e d i r o í n d i c e d e

de que os estímulos federais

do Mantega, que vetou pleito

DR Lula e Fernando Had - dad (PT) conversaram na tar- de de sexta-feir a em um ho-

votos de Alexandre Padilha, José Eduardo Cardozo e Aloi- zio Mercadante, quer auferir

se esgotaram foi dado por Gui-

do prefeito Fernando Haddad

tel de São Paulo. A relação

o

desgaste de Dilma, Alckmin

por mais desonerações fiscais.

da dupla estava estremecida

e

Haddad com as passeatas.

 

Com o caixa baixo, a presi-

desde que o prefeito foi pres -

 

d

e n t e va i t e n t a r r e sga t a r a

s

i o n a d o p e l o ex - p r e s i d e n t e

Na pressão

O PMDB reú-

imagem que ajudou a inflar

a

reduzir a tarifa de ônibus.

ne a Executiva Nacional na

sua popularidade: a de que é

 

t

e r ç a - f e i r a p a r a d i s c u t i r a s

intransigente com a corrup-

alianças estaduais, de olho ção e com o “malfeito’’.

alianças estaduais, de olho

ção e com o “malfeito’’.

 

A

dificuldade será conci -

na eleição de 2014. Serão de- batidas crises que podem res-

liar esse discur so, que teve

destaque em sua fala em re-

pingar em Dilma na B ahia, no Rio, em Minas e no Ceará.

de nacional de TV, com os es-

O

vice-presidente, Michel Te-

forços par a montar a maior

mer, deve comparecer.

aliança possível para a reelei- ção, levando de volta ao pri-

pivô A reunião foi ar-

ticulada pelo vice-presidente

da Caixa Econômica Federal,

O

meiro escalão os “faxinados’’

PR e PDT. Ela também recor-

 

R ot a n a r ua? Paulo Ma-

Geddel Vieira Lima, que cole-

reu a Antonio Palocci, demi- tido após a Folha revelar seus

luf (PP) alega que o governo de Ger aldo Alckmin (PSDB)

tou assinatur as de um terço dos membros do colegiado e,

negócios em consultoria, co- mo conselheiro na crise.

errou ao não ser firme com

com base no estatuto, forçou

No

Congresso, já há aliados

baderneiros” que foram aos

protestos. “Se eu fosse gover- nador, não teria 10 ou 20 pre-

presidente da legenda, Val- dir Raupp, a marcá-la.

o

que defendem que ela abr a mão de algumas siglas e faça uma coalizão à esquerda.

sos. Colocaria 200 na cadeia.”

Fu

n i l A l i a d o s d e A é c i o

No campo da transparên-

N

e ve s e E d u a r d o C a m p o s

cia, outro clamor das passea-

 

For a do ar O PT acredita

c o n t a m c o m u m f a t o r p a r a

tas a que Dilma se referiu na

que, diante de um movimen-

a t r a i r p a r t i d o s d a b a s e d i l -

TV, está em estudo no Planal-

to

gestado nas redes sociais,

mista no ano que vem: com

o

governo se verá obrigado a

apenas uma vaga em disputa

m

e l h o r a r s u a c o m u n i c a ç ã o

para o Senado, muitos poten-

na internet , ampliando a di- vulgação das ações par a ten- tar alcançar o público jovem.

ciais candidatos serão excluí- dos das chapas nos Estados.

 

U m b ig o O p r ó p r i o p a r -

Em c as a Aéc io dar á e m 1 2 d e julh o a largada à s ua

t

i

d o , p o r é m , p r o m o v e u a

c am panha pre si denc ial n o

h

a s h t a g # Ta m o Ju n t o D i l m a

R i o . E l e e s c a l o u a e c o n o -

a

p ó s a f a l a d a p r e s i d e n t e .

m i s t a E l e n a L a n d au p a r a

M

a s d e p o i s d e 4 0 m i n u t o s

comandar o Instituto Teotô-

n

o t o p o d o s a s s u n t o s m a i s

nio Vilela no Estado e recru-

comentados do Twitter, a fra- se perdeu a posição par a a

t ar ‘ ‘c ab eç as’ ’ c arioca s p a- r a a tu ar n a f or mula çã o de

etiqueta #CalaAB ocaDilma.

s eu progr a ma de g ove rno.

d com ANDRÉIA SADI e BRUNO BOGHOSSIAN

a ma de g ove rno. d com ANDRÉIA SADI e BRUNO BOGHOSSIAN As pa sseata

As pa sseata s vão pa ssar de uma exigência a outra. Se forem atender a toda s, municípios, Estados e o país se tornarão ingovernáveis.

DO DEPUTADO ESTADUAL CAMPOS MACHADO (PTB-SP), sobre a pauta difusa dos protestos e governantes terem cedido no reajuste de tarifas de transporte.

terem cedido no reajuste de tarifas de transporte. Movimento dos Sem Café to o recuo na

Movimento dos Sem Café

to o recuo na medida recém-

baixada de sigilo nos gastos

das viagens presidenciais.

O governo estuda, ainda,

reduzir cargos de confiança na administração direta e re- forçar atribuições da Contro- ladoria-Geral da União, para

que possa punir servidores

acusados de desvios.

A orientação é que minis-

tros repisem que as obras da

Copa têm poucos investimen- tos diretos do Tesouro.

A falta de recursos para no-

vas ideias levou estrategistas de Dilma a recorrer a um arti- fício conhecido quando um governo está acuado: o cha- mamento a um pacto político. Na reunião amanhã com governadores e prefeitos de grandes cidades, a petista de- ve enumerar investimentos já feitos em Estados e municí-

p i o s . Ta m b é m d eve a c e n a r com a renegociação do inde-

xador e a redução nas alíquo- tas das dívidas de Estados e

A ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) foi até o comi-

Aéc io c r it ic a fa la de D i l ma, de aud iê nc ia de Copa

de imprensa do Planalto na semana passada explicar

D E S ÃO PAU LO

mil domicílios na Grande São Paulo. O share (número de te-

da pelo senador tucano Aé- c i o N e ve s ( M G) , p o t e n c i a l

o que está acontecendo”. O tucano disse que Dilma “falou no seu compromisso com a transparência” ao mes- mo tempo em que “proíbe a d iv u l ga ç ã o d o s ga s t o s d a s suas viagens ao exterior” e mantém no governo “pessoas que ela mesma havia afasta- do sob suspeita de desvios”.

a

jornalistas um estudo do governo federal sobre o im-

pacto das desonerações federais sobre tarifas de ônibus.

O

pronunciamento da pre-

levisores ligados) foi de 61%.

candidato a presidente. Para

Após a explanação, uma repórter brincou:

s

i de nt e D i l m a Ro u s se ff a n -

Os 44 pontos correspondem a uma média calculada a par- tir da audiência das emisso- r a s ab e r t a s n a G r a n d e S ã o

ele, a presidente “escolheu fazer um discurso que repro- duz o tradicional jeitinho de fazer política no Brasil: em-

—A senhora pode vir aqui mais vezes que a gente não morde, ministra! —Mas vocês nem me serviram um cafezinho Uma outra repórter arrematou:

teontem sobre os protestos te- ve au d i ê n c i a p r é v i a d e 4 4 pontos no horário, próxima

dos jogos do Brasil na últi- ma Copa, de 48 pontos. Cada ponto equivale a 62

à

Paulo. Essa faixa costuma re- gistrar de 40 a 42 pontos. A fala de Dilma foi critica-

purrando os problemas para debaixo do tapete, fingindo que não tem nada a ver com

—Mas a gente não tem cafeteira aqui. Vamos ter que inscrever o comitê no Minha Casa Melhor!

ab

D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

H H H poder A5

a b D O M I N G O , 2 3 D E J U
a b D O M I N G O , 2 3 D E J U

A6 poder

H H H D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

ab

A6 poder H H H D O M I N G O , 2 3 D
A6 poder H H H D O M I N G O , 2 3 D

ab

D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

H H H poder A7

a b D O M I N G O , 2 3 D E J U
a b D O M I N G O , 2 3 D E J U

A8 poder

H H H D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

OMBUDSMAN SUZANA SINGER ombudsman@uol.com.br @folha_ombudsman facebook.com/folha.ombudsman Bicho de sete cabeças
OMBUDSMAN
SUZANA SINGER ombudsman@uol.com.br
@folha_ombudsman
facebook.com/folha.ombudsman
Bicho de sete cabeças

Se os jovens ‘caras-pintadas’ eram vistos com simpatia, os ‘rebeldes do asfalto’ assustam e ainda precisam ser decifrados

o que está acontecendo no país, com

a maior objetividade possível. Não é tarefa simples. Como resu- mir manifestações com reivindica- ções caleidoscópicas? Como anali- sar esse mal-estar urbano que nin- guém percebeu que existia? Q uem entrevistar, se são milhares e não há

ab

A MULTIDÃO que tomou as ruas das

capitais do país deixou desnortea- dos não apenas os políticos e inte- lectuais mas também a imprensa. Com uma força inesperada, o mo- vimento conseguiu dobrar prefeitos

e governadores, le vou a presidente

a desfiar promessas e impôs, por um

bom tempo, o tom da cobertura. Se os primeiros protestos, meno- res mas ruidosos, foram descritos com as cores do vandalismo, o dis-

curso mudou depois de uma enxur- rada de críticas nas redes sociais. O que se via na semana passada, prin- cipalmente na tele visão, era uma

pr eocupação obs es si va em subl i -

nhar que as passeatas são “pacífi- cas” e que apenas um “pequeno gru- po” aparece no final de cada ato pa- ra depredar, pichar e saquear. Mesmo assim, os repórteres sen- tiram nas ruas a animosidade fo- mentada no mundo virtual. Jorna- listas da Rede Globo foram hostili- zados, carros da Record e do SBT foram queimados, repórteres não conseguiam entrar ao vivo do meio das passeatas. No “Jornal Nacional” de quinta- feira, W illiam B onner precisou di- zer que o “trabalho da imprensa é exatamente para dar voz às reivin- dicações de todos os manifestan-

tes” e lamentou que “minorias [ ]

tentem intimidar o trabalho da im- prensa, que está fazendo um ser vi- ço de utilidade pública”. Não é mais verdade que os mani- festantes precisem da mídia para lhes dar voz. Isso mudou com a in- ternet, mas Bonner tem razão em fa- lar de “utilidade pública”. Cabe ao jornalismo explicar aos 192 milhões de brasileiros que não foram às ruas

ERAM MAIS DE 65 MIL

O cálculo de que havia 65 mil pes-

soas no protesto de segunda-feira

em São Paulo provocou uma grita nas redes sociais. Q uem este ve lá garante que passavam de 100 mil manifestantes.

O Datafolha, que fez a conta-

gem, explica que essa estimativa

era apenas do público que estava concentrado no largo da Batata antes de começar a passeata.

 

O

instituto não conseguiu medir

a

m

a n i f e s ta ç ã o e m m o v i m e n t o,

porque o percurso não foi definido com antecedência, como aconte-

ceu com a Parada Gay ou a Mar-

cha para Jesus. Não entra na con-

ta dos 65 mil quem aderiu à mar-

cha enquanto ela passava por di-

ferentes pontos da cidade. Faltou

à edição deixar isso claro. Em meio a tantas incertezas, o

D ataf ol ha t em j ogado l u z s obr e

quem são esses manifestantes.

líderes? Esse tsunami popular en-

A vida era bem mais fácil no sé-

Pa

u l o e d e d e z e n a s d e c i d a d e s e m

trará para a história ou ficará res-

culo passado, quando os simpáti-

t o d o o t e r r i t ó r i o b ra s i l e i ro ” , co me-

trito à vitória dos 20 centavos?

cos caras-pintadas queriam derru-

m

o

ra

va o e d i t o r i a l “ O a l e r t a d a s

Enquanto não se decifra a insa-

bar Fernando Collor de Mello.

ruas”, de 26 de a gosto de 1992, que

tisfação que tomou o asfalto, a co-

Como hoje, os estudantes recha-

fa

l

a va d a “ i n d i g n a ç ã o d o s [ a d o -

bertura se re veza em um “morde-

çavam a participação de partidos

l e s c e n t e s ] q u e n ã o p e r d e ra m a c a -

assopra”, dependendo do grau de

políticos, mas, na época, havia uma

p

a

c i d a d e d e s e r e v o l t a r c o m o e s -

vandalismo dos protestos. Na quin-

b a n d e i ra c l a ra e d i g e r í ve l ( o i m -

p

e

t á c u l o d e a f ro n t a a o i n t e r e s s e

ta-feira, a Folha fez uma capa em tom triunfalista, que anunciava que “PROTESTOS DE RUA DERRUBAM

peachment de um presidente envol- vido em denúncias de corrupção). N ã o t i n h a m i n ve n t a d o a w eb e

b l i c o ” . As re voltas urbanas de hoje são mais difíceis de classificar e, se for

p

ú

TARIFAS”, escrito assim, tudo em

o clima com a imprensa era de con-

o

caso, de abraçar. Porque, como

letras maiúsculas. No dia seguinte,

g r a ç a m e n t o . N o s a t o s , n a d a d e

bem definiu Gilberto Gil, elas mes-

o destaque era a violência se espa- lhando pelo país.

vandalismo. “Uma explosão de cor t o m o u o n t e m o c o r a ç ã o d e S ã o

clam a festa com o banditismo. É a “rave-arrastão”.

clam a festa com o banditismo. É a “rave-arrastão”. Ombudsman tem mandato de 1 ano, renovável

Ombudsman tem mandato de 1 ano, renovável por mais 3,2, para criticar o jornal, ouvir os leitores e comentar, aos domingos, o noticiário da mídia. Fale com a Ombudsman: ombudsman@uol.com.br / tel.: 0800 015 9000 (2ª f a 6ª f, das 14h às 18h) / Fax: 0/xx /11/3224-3895

‘Querem faturar com protestos’, diz Marina

Ex-ministra critica quem ‘surfa na onda’ das manifestações, mas afirma que aliados estão ‘legitimamente’ nas ruas

Potencial candidata à Presidência condena repressão policial e acusa governo de tentar sufocar sua nova sigla

DIÓGENES CAMPANHA

D E S ÃO PAULO

Enquanto conversava com

a Folha por telefone, na quin-

ta-feira passada, a ex-minis- t r a M a r i n a S i lv a a c o m p a - nhou, pela TV, as imagens da

manifestação que transcorria

e m B r a s í l i a n a q u e l a n o i t e . “Meu Deus, a polícia está ba- tendo nas pessoas. Deve es- tar cheio de gente que eu co- nheço”, afirmou. Ela disse que se colocava

n o l uga r d a s m ã e s “ d e s s e s

meninos”. Jovens que, segun- do ela, colocar am em prática

um “ativismo autoral” sobre

o qual vem falando “há mais

de três anos”, e que é uma das

bandeiras da Rede Sustenta-

b i l i d a d e , p a r t i d o q u e t e n t a

criar para voltar a disputar a

Presidência em 2014. Veja trechos da entrevista.

H

F o l h a - A s r a . ve m f a l a n d o sobre um “ativismo autoral” presente nas manifestações. Sente-se satisfeita com elas? Marina Silva - Isso é tão

grande que seria pretensioso [dizer isso]. Falando com vo- cê, estou emocionada. Poxa vida, eu queria muito que o Chico Mendes estivesse vi- vo, ele entenderia como nin- guém o que estou sentindo agora, de poder ter pensado nisso [antes]. E uma deman- da que eu vejo oculta é a de um realinhamento político por uma agenda para o Bra- sil. Parar de o PT querer go- vernar sozinho pegando o que há de pior no PMDB, e a

Zanone Fraissat - 15.jun.2013/Folhapress
Zanone Fraissat - 15.jun.2013/Folhapress

Marina Silva em ato que celebrou o número de 500 mil assinaturas para criação de seu partido, a Rede Sustentabilidade

mesma coisa o PSDB. Se con- tinuar no mesmo discurso,

n es s as hor as”, també m n ão pode ser criticada?

vamos continuar indignos dessas manifestações.

Podem até dizer, porque o movimento é tão grande que as pessoas não têm a obri-

O

que achou de partidos terem

gação de saber que estamos

se

manifestado após a revoga-

nisso desde sempre. Não re-

seria injusto com os milhares

milhares da Rede. A gente

ção dos reajustes das tarifas, capitalizando os resultados?

É difícil falar. Me descul-

e

gistrar que foi uma vitória

pe, mas é ridículo. Você tem a água cavando seu leito na terra e, quando ela transbor- da depois desse esforço, vê aqueles que querem surfar na onda. Não entenderam nada,

nunca levou camisa, bandei- ra. Todo mundo da Rede que está aí legitimamente opera nessas manifestações, mas ela é multicêntrica. Se você vir as velhas bandeiras que-

não aprenderam nada.

rendo surfar, faturar, a Rede

é

completamente diferente.

A

Rede, que divulgou comu-

nicado dizendo que seus ati- vistas continuarão “presentes

Qual acredita ser o seu papel diante desse movimento?

É difícil falar. Me desculpe, mas é ridículo. Você tem a

água cavando seu

leito na terra e, quando ela trans- borda depois desse esforço, vê aqueles que querem surfar na onda. Não enten- deram nada, não aprenderam nada

M A R I N A S I LVA sobre o fato de partidos, entre eles o PT, conclamarem seus militantes a irem às ruas só após a revogação dos reajustes das tar ifas de transporte

Meu papel é de mais um. A água que cava seu leito faz is- so se misturando com a terra. Eu sou mais um nessa mistu- ra de água e terra.

política. Não é contr aditório formar um partido?

A Rede é um cavalo de

Troia. Estamos antecipando

o que seria essa nova institu-

cionalidade política. Em vez de ser um partido para que os movimentos fiquem a serviço dele, somos um partido a ser-

viço desses movimentos.

Como a Rede pode atrair es- ses movimentos, já que cau- sas ambientais não aparecem com veemência nos protestos?

um erro querer instru-

mentalizar esse movimento. Seria contraditório com tudo

o que tenho dito. A juventude

não é atraída por ninguém. Ela é que se atrai e acha ri- dículo pessoas cheias de ca- coetes querendo parecer com eles. Aqueles que têm mais experiência, em lugar de

quererem ser donos da ação, deveriam se colocar no lugar de mantenedores de utopias.

É

Que similaridades vê entre a Rede e esses movimentos?

A Rede tenta ajudar com a

atualização do processo polí- tico. Nosso esforço está sendo tolhido agora no Congresso. Em vez de os partidos se re-

pensarem, tentam nos sufo- car. É muito difícil, porque a característica da estagnação

é que as pessoas não veem

que estão na estagnação.

Mas também é uma liderança

 

a ri s m á ti c a c ap a z d e ju n t a r pessoas em torno de uma cau-

c

A votação do projeto que inibe novos partidos pode ser prote-

sa, inclusive a de poder voltar

lada no Senado, para não dar

a

disputar a P residência

tempo de questionamento de

É uma injustiça, mas espe-

Tenho dito que quero usar meu carisma para convencer

construção de todos nós.

sua constitucionalidade?

as pessoas de que não de- pendam do carisma, que não acreditem que tem salvado- res da pátria. A pátria é uma

ro que comecem a entender que o país está mudando. A democracia não é um valor pra ser usado quando algo me beneficia. A base do governo está fazendo com a gente o

A

Rede defende a quebra do

que tentaram fazer com o PT

m

o n o p ó l i o d o s p a r t i d o s n a

e

a gente reclamava tanto.

ab

D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

H H H poder A9

a b D O M I N G O , 2 3 D E J U
a b D O M I N G O , 2 3 D E J U
a b D O M I N G O , 2 3 D E J U
a b D O M I N G O , 2 3 D E J U
a b D O M I N G O , 2 3 D E J U
a b D O M I N G O , 2 3 D E J U
a b D O M I N G O , 2 3 D E J U
a b D O M I N G O , 2 3 D E J U
a b D O M I N G O , 2 3 D E J U
a b D O M I N G O , 2 3 D E J U

A10 poder

H H H D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

ab

Luciano Andrade - 24.jun.1988/Folhapress
Luciano Andrade - 24.jun.1988/Folhapress
Ormuzd Alves - 1º.jan.1995/Folhapress
Ormuzd Alves - 1º.jan.1995/Folhapress

À esq., Franco Montoro, Fernando Henrique C ardoso e Mario Covas no ato de fundação do PSDB, em 1988; à dir., FHC toma posse para seu primeiro mandato como presidente, em 1995

Aos 25 anos, PSDB mira refundação e encara tabus

Menos paulista, partido revê discurso para superar o desgaste de expoentes

Consenso antecipado em torno de Aécio é trunfo dos tucanos; legado de FHC entra na agenda para 2014

seff venceu a disputa.

P a r a 2 0 1 4 , h á m u d a n ç a s

importantes. Depois de qua- tro candidatos com trajetória em São Paulo, o mineiro Aé- cio Neves já é tido como can- didato —antecedência inédi- ta na era pós-poder.

FABIANO MAISONNAVE

O

tucano aparece com 14%

D E S ÃO PAULO

das intenções de voto na pes-

quisa Datafolha realizada no

O

Partido da Social Demo-

início do mês. Está tecnica- mente empatado com Mari- na Silva (16%), enquanto Dil-

cracia Brasileira (PSDB) com-

pleta 25 anos na terça prestes

a

lançar seu primeiro candi-

ma lidera com 51%. Embora a antecipação do consenso em torno de Aécio seja motivo de celebração en- tre os tucanos, o engajamen-

dato com tr ajetória política fora de São Paulo à Presidên- cia e como a principal força

de oposição. Mas ainda sofre

o m d iv i s õ e s i n t e r n a s e n - quanto afina um discurso pa-

c

to dos colegas paulistas na campanha ainda é uma incóg-

ra

enfrentar o favorito PT nas

nita. Tanto José Serra quanto Geraldo Alckmin se ressentem com a falta de empenho de Aé-

c i o du r a n t e as c a m p an h a s

eleições de 2014. Os dez anos longe do Pla- nalto contrastam com o iní-

i o m e t e ó r i c o d o s t u c a n o s . Criado como um “partido de qu ad r o s ” po r i n t eg r a n t e s à esquerda do PMDB insatisfei- tos com a falta de espaço, o PSDB chegou à Presidência

c

presidenciais de 2006 e 2010.

O

d e sga s t e m a i o r é c o m

Serr a, que vem ameaçando deixar o partido por falta de espaço. Uma eventual candi- datura em 2014 teria poten-

ap

ó s s o m e n t e s e i s a n o s d e

cial para tirar votos de Aécio.

x i s t ê n c i a , c o m F e r n a n d o

e

Henrique Cardoso.

DI

S C U R S O

“Fomos para o poder pre-

A

pouco mais de um ano

cocemente”, diz o deputado federal Marcus Pestana (MG), 53, fundador do partido. Para ele, a vitória foi fruto de “eventos acidentais da his- tória”: a queda de Fernando Collor, a nomeação de FHC para ministro da Fazenda de Itamar Franco e finalmente o bem-sucedido Plano Real.

da eleição presidencial, ou- tro desafio tucano é achar um discurso capaz de fazer fren- te aos petistas. “O PSDB tem muito con - teúdo, mas ainda não conse- gu i u, no s úl t i m o s a n o s, al - guém que pudesse transfor- mar esse conteúdo em pala- vras de ordem e bandeiras e

 

A

campanha vitoriosa fi-

que pudessem ser percebidas

cou marcada ainda pela con -

com mais facilidade pela po-

troversa aliança com o PFL (atual DE M), que empurrou os tucanos para o centro no

pulação. Esse é o grande de- safio”, diz Christiano. Para Pestana, outro ajuste

espectro político-partidário. Foi em 1994 também que começou a polarização com

é a defesa mais veemente do governo FHC, que ele chama de “transformador” em áreas

o

PT, enterrando a aproxima-

como estabilidade econômi-

ção de 1989, quando os tuca- nos apoiaram Lula no segun- do turno, contra Collor. “Aquela reação do PT no início do governo, de ‘For a FHC’, foi uma pisada na bo- la”, afirma o dirigente paulis-

ca e telecomunicações. “Ficamos equivocadamen- te acuados com alguns temas, como a privatização. Era fácil enfrentar: nós saímos de 500 mil celulares para 200 milhões de celulares, e a população en-

ta e fundador Raul Christia- no, 54. “Hoje, nada nos rea- proxima, cada um tem seu ca- minho estratégico.” Com a vitória de Lula, em 2002, o PSDB passou a ser a principal força de oposição. Perdeu no segundo turno de novo para Lula, em 2006, e em 2010, quando Dilma Rous-

tenderia isso”, diz o deputa- do, fiel aliado de Aécio. Pestana afirma ainda que a construção de um discurso en- frenta um novo desafio com as manifestações dos últimos dias pelo país. “Cabe ao PSDB, sob a liderança do Aécio e da nova executiva, fazer a leitura correta desse novo momento.”

OS MESMOS CANDIDATOS

Forte em São Paulo, PSDB lança poucos nomes às eleições majoritárias

% de votos º turno º turno - Colocação do candidato PRESIDENTE º º FHC
% de votos
º turno
º turno
-
Colocação do candidato
PRESIDENTE
º
º
FHC
FHC
º
º
º
Serra
Alckmin
Serra
,
,
,
,
º
Covas
,
,
,
,
,
GOVERNADOR DE SP º º º º º Covas Covas Alckmin Serra Alckmin º Covas
GOVERNADOR DE SP
º º
º
º
º
Covas
Covas
Alckmin
Serra
Alckmin
º
Covas
,
,
 ,
,
,
,
,
,
,
PREFEITO DE SP º Serra º Serra º º º Serra Alckmin Alckmin º º
PREFEITO DE SP
º
Serra
º
Serra
º
º
º
Serra
Alckmin
Alckmin
º
º
Serra
Feldmann
,
,
,
,
,
,
,
,
,
A FORÇA DO PSDB NOS ESTADOS Par tido tem sua pr incipal base no centro
A FORÇA DO PSDB NOS ESTADOS
Par tido tem sua pr incipal base no centro -sul
RR
A P
M
A
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Eleições para presidente
por Estado
E
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SP
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PSDB venceu no
º turno de e
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PSDB venceu no º turno
de , mas não em
S
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PT venceu no º turno
de e
R
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DESEMPENHO NA S ELEIÇÕES Governadores
DESEMPENHO
NA S ELEIÇÕES
Governadores

Estabilidade foi ‘ imenso mérito’,

diz cientista político

D E S ÃO PAU LO

E s p e c i a l i s t a e m A m é r i c a

L a t i n a d a U n ive r s i d a d e d e

Notre Dame (EUA), o cientis- ta político nor te-americano

S c o t t M a i n w a r i n g e n t e n d e

que o PSDB valoriza pouco seu papel na conquista da es-

t ab i l i d a d e e c o n ô m i c a . L e i a trechos de entrevista:

H

Folha - Quais as principais ca- racterísticas do P SDB e como o sr. vê o partido hoje? Scott Mainwaring - O PSDB

surgiu como de centro-es- querda e mudou, em 1994, com a coalizão com o PFL. É quase de centro-direita. PT e PSDB se tornaram os partidos realmente importan-

tes da democr acia br asileir a.

O PSDB teve um imenso mé-

rito no governo FHC ao esta- bilizar a economia. Isto é pou-

co valorizado: a estabilidade econômica foi um grande fa- tor para a estabilidade políti - ca no Brasil. PT e PSDB são os heróis da

d e m o c r a t i z a ç ã o b r a s i l e i r a .

Transformaram um processo precário em outro com mui- ta estabilidade e grandes con- quistas nos últimos 20 anos.

O P SDB encontrou um discur- so de oposição ao P T?

Há algumas diferenças im- por tantes entre os par tidos com relação ao papel relati- vo do mercado e do Estado no desenvolvimento econômico. E, embora não seja um con- traste extremo, o PSDB é mais orientado em relação ao mer- cado, enquanto o PT é mais orientado ao Estado.

É também correto dizer que

o PT é de alguma forma orien-

t a d o p a r a r e s u l t a d o s m a i s igualitários, e o PSDB, para investimento e eficiência. Os dois par tidos não são radicalmente opostos nessas dimensões, mas são contras- tes perceptíveis para muitos br asileiros. Certamente, pa- ra as elites cultural e econô- mica, esses contrastes estão muito claros, assim como pa- ra a maioria dos brasileiros.

Os dez anos longe do poder p r o d u z i r a m u m a c r i s e d e identidade?

O que ocorreu no Brasil foi

um processo muito salutar, no qual o PT conquistou o po-

Deputados federais der depois de diversas tenta- tivas fracassadas. Teve êxitos muito importantes, incluin- do
Deputados federais
der depois de diversas tenta-
tivas fracassadas. Teve êxitos
muito importantes, incluin-
do a redução da pobreza, e
conduziu uma crescente con-
fiança no Brasil, tanto inter-
na quanto no exterior.
O fato de o PT ganhar três
vezes consecutivas não é ra-

Prefeitos
Prefeitos

zão suficiente para o partido

experimentar uma crise.

O PSDB chegou ao segun-

do turno, tem sido competiti-

vo e m E stados imp or t ante s nas campanhas para gover-

nador e, embora não seja um

partido realmente grande no Congresso, é o principal par-

tido de oposição.

ab

D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

H H H poder A11

O

TIP O é bem conhecido. É aque-

le

que anda em bandos para criar

brigas ferozes, não raro mortais, a

caminho dos estádios e depois nas

arquibancadas. E arma brigas, não raro mortais, nas casas noturnas da pesada. E agride gays, e sempre em bando destrói partes de ônibus e

de metrô, arrebenta nas ruas o que

puder. A indumentária de todos é igual, o aspecto de suor e sujeira

é igual em todos, a linguagem co-

mum a todos é um dialeto da pobre-

za mental. São os exemplares mais

completos da falta de civilidade. Esses são aos autores dos ataques,

a prédios oficiais e outros alvos, que

se diz decorrerem da “insatisfação

generalizada” da população. E ex- primirem o repúdio geral aos políti- cos, aos partidos e aos governos. Uma semana antes da sociedade aproveitar a rejeição das novas pas- sagens para mostrar sua “insatisfa- ç ã o g e n e ra l i z a d a ” , o D a t a f o l h a mostrava Dilma Rousseff capaz de vencer no primeiro turno qualquer combinação de adversários, apesar d a p e r d a d e o i t o p o n t o s e m s u a aprovação. Na véspera daquela ma-

Ent re bader na e polít ica

J A N I O D E F R E I T A S

não ocorresse o inimaginável na noi-

te bárbara de quinta-feira. As três,

apesar de bastante agredidas, fo- ram capazes de manter o autocon-

trole, com erros apenas individuais

e que não diminuem o mérito.

n i f e s ta ç ã o, o I b o p e co n s ta ta va o mesmo, com igual perda, mas com

maior aprovação.

Q ue uma das pesquisas errasse,

seria admissível. Não as duas, com

indicações tão equivalentes e dife- renças cabíveis nas margens de er-

ro. Nelas não aparece a “insatisfa- ção generalizada”, mas cabem ain- da os efeitos do B olsa Família, dos ganhos do salário mínimo, do de-

semprego em um dos níveis mais baixos do mundo (os Estados Uni- dos comemoram seus 7,6%, aqui é de 5,8 % e estabilizado), ganho real

na massa de salários, e outros fato- res que fazem uma re viravolta de melhorias em dezenas de milhões de famílias.

A ideia de “insatisfação genera-

lizada” facilitou aos que, perplexos com a grandiosidade das manifes- tações, ainda assim precisávamos dar pretensas explicações dos fatos.

A atribuição desmedida de caráter político às passeatas

deu forte contribuição

às tensões propagadas

“Análises”, dizem. Mas quais são

as indicações con vincentes de ta- manha e tão disseminada insatis- fação, isso não foi sequer sugerido. A ser sugestiva de alguma coisa,

a variedade temática dos cartazes (relativamente pouco numerosos)

tal vez confirme a regra de que não

há, em lugar algum do mundo, clas- se social que não tenha do que se

queixar ou reivindicar. E aqui temos de sobra, não é o caso de desprezar

a oportunidade oferecida por uma

iniciativa simpática e sem atrela - mento partidário. Generalizante, entre nós, com to- da a certeza, é a repulsa aos con- gressistas. Mas nem isso faz o ata-

E m o u t ro p l a n o, m a s n a m e s m a

l i n h a d e m a t u r i d a d e e b o m s e n s o, foi a aliança decisória do governa -

d o r G e ra l d o A l c k m i n e d o p r e f e i t o

Fernando Haddad. Estão sendo ca-

para o seu ataque ao Ministério de p a z e s d a ra ra g ra n d e z a d e s i t u a r

o i n t e r e s s e p ú b l i co e s i t u a r - s e a c i -

m a d o i n t e r e s s e p o l í t i co e p a r t i d á -

r i o . O o p o s t o d o o p o r t u n i s m o b a -

ra t o d e Ru i Fa l c ã o, p r e s i d e n t e d o

P T, a o co n c l a m a r à p ro vo c a d o ra

p a r t i d a r i z a ç ã o p e t i s ta d a p a s s e a -

ta a p a r t i d á r i a .

A atribuição desmedida de cará-

ter político às passeatas, feita nos

meios de comunicação e oriundos de universidades, deu forte contri- buição às tensões propagadas e às dificuldades de decisão, antes e ago- ra, dos poderes públicos. Venha o

que vier por aí, nas ruas, seria mui-

to proveitoso não confundir bader-

neiros com radicais e falta de civili-

dade com protesto político.

a que os meios de comunicação pre-

feriram não dar a devida atenção,

exceto a TV Bandeirantes e, em par-

culares. Atos semelhantes em tantas cidades, e, em São Paulo, os saques

Terreirão do Samba, de quase cem luminosos de trânsito, carros parti-

dação, no Rio, do sambódromo e do

que ao Congresso ter mais do que as características, todas, de mera arruaça. Se a baderna dos delin- quentes tivesse sentido político, ha- veria razões políticas, por exemplo,

Relações Exteriores. E não consta que alguém fizesse o prodígio de en- contrar alguma, uma que fosse.

O mesmo se pode dizer da depre-

te, a TV Record. Saquear toda uma joalheria de bom tamanho, a ponto de não deixar nem uma só peça, nem

é mais baderna desatinada.

A propósito, de ve-se às PMs do

Rio, de São Paulo e de Brasília que

mercado em cima da hora

Agê nc ia brasi le i ra leva prê m io ma is i mpor t a nte e m Ca n nes

Ogilvy & Mather Brasil vence a categoria Titanium com ‘Retratos de Real B eleza’, além de ser escolhida a agência do ano do festival

MARIANA BARBOSA

 

Por três anos na última dé-

te anos fazendo retrato fala- do para o FBI desenha cada uma das mulheres, sem vê-

acontece”, afirmou o presi- dente do júri, o publicitário Dan Wieden, da agência Wie-

EN V I A DA E SPEC I A L A C A NNE S

cada não houve vencedor de GP de Titanium. O Brasil nun-

A

campanha “Retratos de

ca

havia ficado nem entre os

las, a partir da descrição que elas fazem de si mesmas. Num segundo momento, o

den +Kennedy. Par a a jur ada Susan Cr a- d l e , d i r e t o r a d e c r i a ç ã o d a

R e a l B e l e z a ” , c r i a d a p e l a agência Ogilvy & Mather Bra- sil para a marca Dove, da Uni-

finalistas. O filme trata de autoestima

e

p a r t i u d a c o n s t a t a ç ã o d e

desenhista faz um novo retra- to da mesma mulher, a partir da descrição de uma terceira pessoa. Em todos os casos, as mulheres ficaram mais boni-

Leo Burnett nos EUA, a cam- p a n h a s e d e s t a c o u p o r t e r conseguido levar valor para as pessoas. “Fa l am os mu i t o s obr e o valor que os produtos devem ter na vida das pessoas. Essa campanha mostra que a co-

lever, venceu ontem o mais importante prêmio do festival de publicidade de Cannes: o Grand Prix de Titanium.

que apenas 4% das mulheres estão satisfeitas com a pró- pria beleza. Usando a linguagem de do-

categoria Titanium exis-

te há dez anos. Diferentemen- t e d a s o u t r a s, s ã o p o u c o s leões e o Grand Prix é dado com ainda mais parcimônia.

A

c u m e n t á r i o s , o c o m e r c i a l apresenta mulheres reais que são chamadas a se descrever

tas no segundo retrato. “É um trabalho que faz vo- cê pensar. Não existe receita

d

e t a l h a d a m e n t e . Um d e s e -

de bolo para fazer um comer- cial assim. Ele simplesmente

municação também tem que ter valor.”

nhista que trabalhou duran-

“Retratos de Real B eleza” já é o vídeo de propaganda mais visto da história da in- ternet. São mais de 163 mi- lhões de acessos.

B R A SI L B AT E R E COR DE

A publicidade brasileira le- va p a r a c a s a 1 1 4 l e õ e s, i n - cluindo o Grand Prix de Tita- nium. Trata-se do melhor de- sempenho do país na histó- ria do festival. F o r a m d o i s G r a n d P r i x —Titanium e Promoção & Ati- vação—, ambos vencidos pe-

l a O g i lv y B r a s i l , p o r du a s campanhas distintas. Além de “Retratos de Real B e l e z a ” , a ag ê n c i a ga n h o u p o r “ T o rc e d o r e s I m o r t a i s ” , uma campanha de doação de órgãos em associação com o clube Sport , de Recife. A Ogilvy Brasil também foi escolhida a agência do ano no festival.

Brasil também foi escolhida a agência do ano no festival. Veja a campanha da Ogilv y

Veja a campanha da Ogilv y para a Doce

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H I PE R CO O P M AUÁ

45 4 4 - 8111

H I PER WA L M A R T I N D I A N Ó P O L IS

2 576 -19 69

S

H O PPI N G B O U R B O N

38 92- 6 8 6 8

H I PE R D´AVÓ O R ATÓ R I O

2 261-38 78

S

H O PPI N G I B I R A P U ER A ( PI S O J U RU P IS )

210 8 -35 0 0

A L F O NS O B OV ER O

38 03 - 9272

2143 - 6 20 0

H O R TO FLO R E S TA L

S

H O P PI N G JA R D I M S U L

2 24 6 - 0 4 4 4

A L PH AV I L L E

4191- 919 8

H I PER D´AVÓ S ÃO M I G U EL

205 8 -16 57

I TAQ UA

4753 -335 0

S

H O P PI N G M A R K E T PL AC E

2135 - 07 7 7

AV E N I DA AC L I M AÇ ÃO

3271-716 0

H I PER E X T R A C I DA D E D U T R A

5 6 6 2-2 270

L I B E R DA D E

32 0 9 - 0 9 0 9

S

H O P PI N G M E T R Ó P O L E

2191-35 0 0

CC S L A PA C EN E S P

43 0 6 - 8 8 51 3747-712 2

H I PER E X T R A I TA I M H I PE R E X T R A S ÃO M AT H EUS

3078 - 6 4 43 2013 - 92 20

P O Á P O S TO C A N Á R I O M O E M A

4 639 -20 0 0 5 0 51-2031

S

H O P PI N G M O G I DA S C R UZ E S

479 9 -216 6

E X T R A M O G I L A R

479 0 -205 0

H I PE R E X T R A V I L A LUZ I TA

4 451-5 031

PR AÇ A DA Á R VO R E

2

5 7 7- 05 07

SH O P PI N G M O R U M B I ( PIS O S U PER I O R )

214 6 -72 0 0

4330 - 0 9 6 6

S

H O PPI N G PL A Z A S U L

2105 -76 0 0

G R A N D PL A Z A SH O PPI N G

4979 -5 0 0 6

H I PE R LO PE S TA B OÃO GUA R U L H O S

20 8 8 - 492 9

S ÃO B E R N A R D O D O C A M P O

3636

-3 45 0

S

H O PPIN G S A N TA N A PA R Q U E

2 2 0 8 -2470

H I PER C A R R EF O U R C A S A V ER D E H I PER C A R R EF O U R O R ATÓ R I O

3 8 5 8 -5335 49 97- 6 8 8 0

H I PER N E G R EI R O S V I L A F O R M O S A H I PER PÃO D E AÇÚ C A R M O R U M B I

2 216 -7 76 6 37 2 3 -52 52

S ÃO C A E TA N O D O S U L S H O P PI N G A N Á L I A FR A N CO

210 8 -530 0

TAT UA P É A PU C A R A N A

2 0 93 -20 93

c v c . c o m . b r
c v c . c o m . b r

P r e z a d o c l i e n t e : o s p r e ç o s s ã o p u b l i c a d o s p o r p e s s o a e m a p a r t a m e n t o d u p l o c o m s a í d a s d e S ã o P a u l o . P r e ç o s , d a t a s d e s a í d a e c o n d i ç õ e s d e p a g a m e n t o s u j e i t o s a r e a j u s t e e d i s p o n i b i l i d a d e . O f e r t a s v á l i d a s a t é u m d i a a p ó s a p u b l i c a ç ã o d e s t e a n ú n c i o . C o n d i ç õ e s d e p a g a m e n t o : p a r c e l a m e n t o 0 + 1 0 v e z e s s e m j u r o s n o c a r t ã o d e c r é d i t o . T a x a s d e e m b a r q u e c o b r a d a s p e l o s a e r o p o r t o s n ã o e s t ã o i n c l u í d a s n o s p r e ç o s e d e v e r ã o s e r p a g a s p o r t o d o s o s p a s s a g e i r o s . P r e ç o s v á l i d o s p a r a s a í d a 3 0 / j u l h o .

A12 poder

H H H D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

ab

O F l e u r y t e m u m c o r
O
F l e u r y t e m u m c o r p o
m
é d i c o a l t a m e n t e
q
u a l i f i c a d o ; e n t r e s e u s
p
r o f i s s i o n a i s , d i v e r s o s
c o m d o u t o r a d o
e
m e s t r a d o . S ã o m a i s
d
e 6 0 0 e s p e c i a l i s t a s
n
a s p r i n c i p a i s á r e a s
d a
m e d i c i n a . P o r i s s o n o s s o
c
o n h e c i m e n t o é t ã o
c
o m p l e t o n o c a m p o
d a

ab

D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

H H H poder A13

a b D O M I N G O , 2 3 D E J U

A14 poder

H H H D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

ab

O F l e u r y é u m c e n t r
O F l e u r y é u m c e n t r o
d e m e d i c i n a d i a g n ó s t i c a
c o m p l e t o . O f e r e c e s e r v i ç o s
d
e i m a g e m m o d e r n o s ;
a
l g u n s , i n c l u s i v e , p o d e m
s
e r r e a l i z a d o s n a s u a c a s a .
T u d o p a r a s e u m é d i c o
d
a r
d i a g n ó s t i c o s m a i s
p
r e c i s o s n o c a m p o d a

ab

D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

H H H poder A15

a b D O M I N G O , 2 3 D E J U

A16 poder

H H H D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

ab

O F l e u r y s e d e d i c a
O F l e u r y s e d e d i c a a co n h e ce r t u d o s o b re v o cê . F a z e x a m e s q u e n i n g u é m m a i s f a z .
P o s s u i u m c o r p o m é d i c o
a l t a m e n t e
q u a l i f i c a d o , d i p l o m a d o a q u i e n o e x t e r i o r ,
e u t i l i z a t é c n i c a s e e q u i p a m e n t o s d e p o n t a . E , a c i m a d e t u d o , t e m o p r a z e r e m
r e c e b e r v o c ê c o m t o d o o c a r i n h o e s e m p r e c o m u m s o r r i s o n o r o s t o .
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ab

D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

H H H poder A17

F l e u r y. U m ce n t ro d e r
F l e u r y.
U m ce n t ro
d e r e f e r ê n c i a
e m v o cê .

A18 poder

H H H D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

ab

DRAGÃO DE BIOMBO

Do prefeito Fernando Haddad,

n a t e r ç a - f e i ra, d e p o i s d e r ec eb e r

a turma do Passe Livre, coisa que se recusara a fazer antes de ir para

Paris:

“Vo u fa z e r u m a r e f l ex ã o s ob r e os números, sobre o que ou vi [na

r e u n i ã o ] e vo u d a r u m a r e s p o s ta para o movimento e pronto”.

B l á - b l á - b l á d e d r a g ã o d e

biombo. No dia seguinte baixou a tarifa porque ficou com medo da rua.

QUEIXA

O comissário Gilberto Car valho,

q u e d e s d e 2 0 0 3 g e r e a s r e l a ç õ e s

d o g o v e r n o ( e d o P T ) c o m o s

m o v i m e n t o s s o c i a i s , q u e i xo u - s e

de que o ronco das ruas não tinha comando único.

S e t i v e s s e , m u i t a c o i s a s e r i a possível. Inclusive a criação de uma

discreta Bolsa Comando.

POESIA NA RUA

Aqui vai o agradecimento a uma jovem que estava na passeata de

terça-feira em São Paulo, com uma

b l u s a b ra n c a d e m a n ga s c u r t a s, car r egando um poema em f or ma de cartaz. Dizia só isso:

“Cidade muda não muda”.

E c o o u n a s u a c r i a t i v i d a d e u m

cartaz de 1968, quando um tiro da PM matou Edson Lima Souto:

“Bala mata fome?”

SONHO DE VANDA

E m 1 97 0, q u a n d o a Va n d a d a

Vanguarda Popular Revolucionária estava no presídio Tiradentes, em

São Paulo, talvez sonhasse com um dia em que 1 milhão de brasileiros

f o s s e m p a ra a s r u a s, c e rc a n d o o Palácio do Planalto.

N a q u i n t a - f e i r a h a v i a g e n t e

querendo fazer isso, mas a doutora só saiu do palácio, protegido pela tropa do Exército, às 20h.

Juliana Freire
Juliana Freire

Um exercício de fantasia f uturológica

E L I O G A S P A R I

NUMA TARDE de Brasília, o Supre- mo Tribunal Federal reúne-se para julgar os recursos dos mensaleiros,

re voga as condenações por forma-

ção de quadrilha e livra-os do cárce-

re. Joaquim Barbosa, o presidente da

corte que relatara o processo, joga a

toga sobre a bancada, faz um bre- ve discurso, renuncia ao cargo, sai

do prédio e chama um táxi. Dias de-

pois, seu nome é lançado como can- didato à Presidência da República. Há fantasia nesse cenário, mas o gesto da renúncia é uma possibilida- de real. Se Joaquim Barbosa será can- didato, trata-se de pura futurologia. Q uem duvida dessa possibilida-

de apresenta o que seria um obstá-

culo intransponível: a falta de base p o l í t i c a . A l g u é m co n h ec e p e s s o a que votará no candidato que for in-

dicado pelo PMDB? Ter base parti-

dária é mais uma carga do que um impulso, mesmo no caso do PT. Pa- ra a campanha da doutora Dilma será bom negócio esquecer a estre- linha vermelha, fechando o foco na personalização de seu governo. O

PT decidiu confundir-se com os men- saleiros. Problema dele. Dos cinco presidentes eleitos nos últimos 60 anos, três prevaleceram sem que devessem qualquer coisa às

bases partidárias. Fernando Henri- que Cardoso foi eleito pelo Plano Real.

Se dependesse da força do PSDB, se- ria candidato a deputado federal. Ele foi eleito porque o real ficou de pé. De- pois do fracasso do Plano Cruzado,

O STF livra os mensaleiros da prisão, Joaquim B arbosa joga a toga sobre a mesa e vira candidato a presidente

houve sete ministros da Fazenda e só ele teve futuro político. Fernando Collor passou por três grandes partidos, mas elegeu-se pe- lo microscópico PRN, que não exis- te mais. Recuando-se aos anos 60, Jânio Q uadros elegeu-se governa- dor de São Paulo pelo irrele vante P T N e e m 19 5 8 f o i e n go l i d o p e l a União Democrática Nacional num lance puramente oportunista. Partido, quem te ve foi Lula. To- dos brincam de cubos, formando a l i a n ç a s f i s i o l ó g i c a s l u b r i f i c a d a s pelos métodos que desembocam em mensalões. Olhando-se para a rua cheia de gente contra-isso-que-está-aí, vê-se um quebra-cabeça onde falta uma peça. Aécio Ne ves tem nas costas o doutor Eduardo Azeredo, com seu mensalão mineiro. Eduardo Cam- pos não entendeu nada, disse que baixou as tarifas de transportes em um ato “unilateral”, como se fosse um coronel do semiárido falando aos peões de sua fazenda. Joaquim Barbosa pode vir a ser a peça que fecha o quebra-cabeças. S e i s s o a co n t ec e r á , n ã o s e s ab e . Também não se sabe que resulta- dos trará. Os dois exemplos de avul- sos que chegaram a presidente, Jâ-

nio e Collor, terminaram em catás- trofes. No caso de Jânio, numa ca- tástrofe que levou as instituições de- mocráticas para a beira do precipí- cio no qual elas cairiam três anos depois, em 1964. Barbosa defende grandes causas, mas é chegado a pitis e construções inquietantes, co- mo a sua denúncia das “taras an- tropológicas” que a sociedade bra- sileira carrega. Descontrola-se e jus- tifica-se atribuindo sua conduta a dores de coluna. Se todas as pes- soas que têm esse tipo de padeci- mento perdessem o controle quan- do viajam em trens lotados na hora do rush, as tardes brasileiras teriam pancadarias diárias. Há nele uma misteriosa predisposição imperial. Talvez esse exercício de futurologia tenha o valor de uma leitura de car- tas. Sobretudo se o PT perceber que a ida dos mensaleiros para a prisão, ainda este ano, deixará de ser um pe- so nas suas costas. Afinal, depois que Fernando Haddad e Geraldo Alckmin acordaram o monstro, é difícil saber como levar a rua para casa, mas é cer- to que o monstro sairá de casa se os mensaleiros forem poupados. Às 19h de quinta-feira, os mani- festantes que estavam na avenida Paulista em frente ao prédio da Ga- zeta mandaram que as bandeiras vermelhas fossem abaixadas: “O po- vo unido não precisa de partido”. Minutos depois, queimaram algu- mas. Há 12 anos elas estavam lá, glo- riosas, festejando a eleição de Lula.

PECULIARIDADE 1

N e n h u m a m a n i f e s t a ç ã o t e v e discurso.

PECULIARIDADE 2

Q u a l q u e r c o m p a r a ç ã o c o m o movimento das multidões destes dias com as da campanha das Diretas-Já, dos anos 80, tem um vício de origem. N a s D i r e t a s o s g o v e r n a d o r e s

o p o s i c i o n i s t a s d o R i o e d e S ã o

Pa u l o c a c i fa ra m a i n f ra e s t r u t u ra

d o s co m í c i o s, co m m e t r ô s g r á t i s,

palanques, som e até mesmo ônibus. Agora, pelo menos na mobilização,

a Viúva não gastou um ceitil.

PECULIARIDADE 3

A r u a d e 2 0 1 3 n ã o t e v e

celebridades. P a r a s e t e r u m a i d e i a d a

m e g a l o m a n i a d e m ó f o b a d o s

governantes que acordaram a rua,

e m d e z e m b r o d o a n o p a s s a d o o doutor Sérgio Cabral convocou uma passeata contra o projeto de redivisão

d o s r o y a l t i e s d o p e t r ó l e o . N e l a

havia um cercadinho para os VIPs,

que recebiam pulseirinhas verdes e tinham a proteção de seguranças.

Na semana passada o governador

Cabral ficou no cercadinho do palácio.

P EC 37

presidente da Câmara, Henrique

Alves, marcou a votação da PEC 37

p a ra a p r ó x i m a q u a r ta - f e i ra . É a emenda constitucional que inibe as investigações de roubalheiras pelo

Ministério Público.

Na semana passada ele anunciou

sua disposição de adiar a decisão. A

menos que possa citar outro motivo

para o adiamento, teve a ideia por causa da ida do monstro às ruas.

Ele pode pensar que a manobra

ajuda a esfriar os ânimos. E stará

a p e n a s m a r c a n d o a d a t a d a próxima manifestação: 3 de julho.

Se Alves marcar a votação para as

primeiras horas da tarde de quarta- feira, tira o Congresso do caminho do monstro. Ou arrosta.

O

“T V Fol ha” t ra z espec ia l sobre protestos

Especialistas e ativistas debatem as características das manifestações que tomaram conta do país na semana passada

Folhacóptero faz uma reconstituição dos movimentos de rua ocorridos no país desde as Diretas-Já, em 1984

D E S ÃO PAULO

“TV Folha” deste domin-

go —que vai ao ar na TV Cul- tura às 19h30, com reprise às 23h— traz edição especial so- bre os protestos da semana passada que resultar am na

queda no preço das passagens de tr ansportes coletivos em dezenas de cidades do país. As manifestações também

levaram à depredação de pré- dios públicos, como as sedes

da Prefeitura de São Paulo e d o M i n i s t é r i o d a s R e l a ç õ e s Exteriores, em Brasília. Houve ainda tentativas de invasão do Palácio do Planal- to e do Congresso Nacional, reprimidas pela polícia.

L o j a s t a m b é m f o r a m s a - queadas e vandalizadas por manifestantes em São Paulo, no Rio e em outras cidades.

O p r o g r a m a — c o m i m a -

gens gravadas a partir de um drone (espécie de helicópte- ro não tripulado), usado pa- ra captar os protestos em São Paulo do alto— traz a opinião de vários manifestantes.

O

E mostra que muitos não

têm ideia do que realmente reivindicam com os protes - tos.

Na Redação da Folha, a co-

lunista Mônica Bergamo, um

d o s l í d e r e s d o M o v i m e n t o

Passe Livre (MPL), Lucas Mon-

t e ir o , e o c i e n t i st a p o l í t i co

Leonardo Sakamoto comen-

am os p ossíve is m otivo s e também os resultados das ma- nifestações.

sexta, o MPL anunciou

suspensão dos protestos na

cidade, por considerar que a reivindicação do movimento foi atendida. À noite, porém,

grupo recuou e prometeu novos atos.

programa traz a opinião

de jornalistas veter anos na cobertura de manifestações,

o m o o s c o l u n i s t a s C l ó v i s Rossi e Janio de Freitas, que cita outros episódios de gran- des protestos organizados ra-

c

o

a

t

Na

O

i d a m e n t e m e s m o s e m a existência das redes sociais.

O “ T V F o l h a ” t a m b é m

m o s t r a i m ag e n s exc l u s iva s

das manifestações e discute

o que pode ocorrer nos pró-

ximos dias.

o Folhacóptero, ferr a-

menta de visualização de da- dos da Folha, traz histórico das principais manifestações

p

no país desde o movimento Diretas-Já, em 1984.

Lalo de Almeida - 17.jun.2013/Folhapress
Lalo de Almeida - 17.jun.2013/Folhapress

Manifestantes no largo da B atata, na zona oeste de São Paulo, na última segunda-feira

atata, na zona oeste de São Paulo, na última segunda-feira T V CULTUR A > Canal

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> No site da Folha

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> No UOL (noticias.uol.com.br/ ao-vivo)

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É a primeira vez que ideias de sucesso no país vizinho vêm para cá; governo brasileiro, porém, nega ‘inspiração’

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D E S ÃO PAU LO

“Toda mulher que lava a roupa no tanque sabe como isso é importante, como uma lavadora automática melho-

ra a vida no dia a dia, não é?”,

i s s e a p r e s i d e n t e D i l m a

Rousseff em seu programa de rádio na última segunda.

Foi mais uma oportunida-

e p a r a p r o m o ve r o M i n h a

a s a M e l h o r, p r o g r a m a d e venda facilitada de eletrodo-

é s t i c o s e m ó ve i s l a n ç a d o

pelo governo no dia 12 como

tentativa de turbinar a econo- mia pelo consumo num mo- mento de queda de populari- dade de Dilma —antes mes- mo de a onda de protestos vi- rar uma crise política grave. Na locução, Dilma sugere ainda que as famílias do pro-

ama “Minha Casa, Minha

Vida”, que têm direito ao be-

n e f í c i o , t r o q u e m a T V p o r “uma digital novinha, dessas

bem modernas, para assistir aos jogos da Copa”.

A estreia da presidente na

retórica de garota-propagan- da de eletrodomésticos e mó- veis, a pouco mais de um ano das eleições, tem um antece-

d e n t e d e p e s o e n t r e a v i z i-

nhança: Hugo Chávez. Em 2010, o então presiden-

t e ve n e z u e l a n o , m o r t o e m

m a r ç o p a s s a d o , u t i l i z o u o

mês que antecedia as cruciais eleições legislativas daquele ano par a lançar o “Mi Casa Bien Equipada” —programa de venda subsidiada (e mui- tas vezes distribuição gratui-

ta) de itens da linha branca importados da China e TVs. “Tremenda máquina de la- var. Gr andíssima, bar ata!”, promovia Chávez, em trans- missões televisivas. Para ele, o ponto não era aquecer a economia ou incen- tivar a produção local, mas aumentar o acesso da popu- lação mais pobre e mostr ar que o consumo na “revolução socialista” valia mais que no “capitalismo”.

gr

m

C

d

d

N U NC A A N T E S

Além da escolha de perío-

dos politicamente sensíveis par a o lançamento, os pro - gramas de lá e de cá têm ou- tras semelhanças: há compra

a prazo vinculada a bancos

estatais, com juros bem abai-

xo do mercado, e um cartão

estatais, com juros bem abai- xo do mercado, e um cartão no chavista. “Esse é um
estatais, com juros bem abai- xo do mercado, e um cartão no chavista. “Esse é um

estatais, com juros bem abai- xo do mercado, e um cartão no chavista. “Esse é um

no chavista. “Esse é um pro- grama de retorno muito rápi- do e que deu um rendimento

político favorável ao governo Chávez”, afirma. Na Venezuela, o programa foi uma bandeira na campa- nha de Chávez e, depois, de Maduro —o logo do progra- ma leva agora uma imagem estilizada do mentor esquer-

d i s t a . S e gu n d o o g o ve r n o ,

940 mil famílias já foram be-

neficiadas desde 2010. No Brasil, a presidente tem comemor ado publicamente

a rápida aceitação do progra-

ma —foram 18,7 mil adesões em cinco dias—, mas não es- tá previsto que ela fale na TV sobre o tema.

mas não es- tá previsto que ela fale na TV sobre o tema. específico para fazê-lo.

específico para fazê-lo.

Venezuela de Chávez e

do atual presidente Nicolás Maduro se orgulha de ter uma intensa ligação com o gover- no do Brasil e o maior núme- ro de agências de cooperação brasileiras em Caracas —uma d a s p r i n c i p a i s i n i c i a t iva s é

manter lá um posto da Caixa, que transmite, por exemplo, práticas de bancarização de

A

população de baixa renda.

Os ve n ez ue l a n o s j á leva - ram daqui ideias e técnicos do Minha Casa, Minha Vida para ajudar a desenvolver lá programas do setor, como o “Gran Misión Vivienda”, lan- çado em 2011. L eva r a m t a m b é m o m a r -

queteiro de Dilma e Lula, João Santana —que batizou o Mi- nha Casa, Minha Vida e o Mi-

nha Casa Melhor no governo

brasileiro— para trabalhar na c a m p a n h a p r e s i d e n c i a l d e Chávez de 2012. Usar am em propagandas n a T V n a Ve n e z u e l a u m a adaptação do bordão do ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Esto nunca se ha- bía visto en este país”. Agora, o caminho parece ser o inverso. Com o programa de

vendas de móveis e linha bran- ca de Dilma, é a primeira vez que ideias usadas com suces- so primeiro no país vizinho es- tão sendo aplicadas no Brasil, guardadas as proporções. Para o especialista Leonar- d o Ve r a , d a U n ive r s i d a d e Central da Venezuela, o “Mi Casa Bien Equipada” foi um “exitoso instrumento de mar- keting político” para o gover-

S E M ‘ I N S P I R AÇ ÃO ’

Q u e s t i o n a d o s e a ve r s ã o venezuelana tinha sido uma referência para o governo Dil- ma, o Ministério das Cidades, responsável pelo Minha Ca- sa Melhor, disse “não ter in- formação neste sentido”. Segundo a Folha apurou com uma fonte ligada ao te- ma, o lançamento de uma li- nha de crédito para eletrodo- mésticos e móveis ligada ao Minha Casa, Minha Vida era estudada desde o governo Lu- la e não houve “inspiração” venezuelana. A iniciativa só não teria si-

o a n u n c i a d a e m 2 0 1 0, n o

d

ano da eleição de Dilma, por- que não estava claro que ga- rantia orçamentária teria. O embaixador da Venezue- la no Brasil, Maximilien Sán- chez Arvelaiz —entusiasta da cooperação bilateral em ha- bitação—, disse não ter sido consultado pelo Brasil sobre

ex p e r i ê n c i a d o “ M i C a s a Bien Equipada”.

a

Ação de Ca racas ref lete pa rcer ia com Ch ina

D E S ÃO PAULO

dos por meio do progr ama.

com a China —ao menos US$ 36 bilhões, o maior montan- te concedido por Pequim a um país no mundo. “No fim, não é um bom ne- gócio para o nosso país endi- vidar-se com a China, porque estamos pagando essa dívida com quase 300 mil barris de

Se, na essência, os progra- mas de crédito subsidiado pa- ra compra de eletrodomésti- cos no Brasil e na Venezuela são parecidos, o papel deles dentro da política econômi- ca de cada governo é bastan- te diferente. Na Venezuela, o “Mi Casa

Os chineses abriram uma lo- ja da marca na Venezuela. No caso brasileiro, o pro- grama faz parte das iniciati- vas para estimular a ativida- de econômica por meio do fo- mento do consumo e do estí- mulo à produção industrial.

O

financiamento, inicial-

petróleo diários”, afirma. Para a agência Moody ’s, o

mente de R$ 8 bilhões, virá

B

i e n E q u i p a d a ” é m a i s um

do Tesouro e será repassado

Minha Casa Melhor pode ter efeito negativo para a Caixa, c o m ch a n c e s m a i o r e s d e o banco ter problemas com a qualidade de seus ativos.

elemento da profunda parce- ria do país com a China e par- te da meta chavista de am - pliar o acesso dos mais po-

à Caixa. Os produtos não são limitados a marcas específi- cas, mas a compra precisa ser feita em lojas cadastradas.

bres a bens de consumo.

“É

preciso ver se esse tipo

“ O p r o g r a m a a m p l i a r á a

 

O

país usou par te de um

de programa resulta ou não em benefícios”, diz Leonardo Ver a, da Universidade Cen- tral da Venezuela. Como ou-

exposição do banco a toma- dores com baixa renda, que f i n a n c i a r ã o a a q u i s i ç ã o d e bens a taxas de juros subsi-

plano de financiamento fe - chado com Pequim para com-

prar os eletrodomésticos chi-

n

e s e s — e m s u a m a i o r i a d a

tros economistas, Vera é crí- t i c o d o a l t o e n div i d a m e n t o

diadas por períodos mais lon- gos”, diz a agência. ( F M E I F )

marca Haier— que são vendi-

Jorge Silva - 21.set.2010/Reuters
Jorge Silva - 21.set.2010/Reuters

M ul he r obser va g el ad eira d o p rograma “ Mi C as a Bie n E quip ada” em loja e m C aracas

ab

D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

H H H mundo A21

a b D O M I N G O , 2 3 D E J U

A22 mundo

H H H D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

ab

ALGUÉM JÁ disse que ou o líder po- lítico sai à cabeça da massa ou a massa sai com a sua cabeça.

O p r o n u n c i a m e n t o d e D i l m a

Rousseff na sexta-feira segue a ló- gica dessa frase: Dilma assumiu, sa- biamente, a pauta da rua.

promessa de trabalhar por um

plano abrangente de mobilidade ur- bana, o problema que estava na ori- gem das manifestações, à necessi- dade de mais instrumentos de com- bate à corrupção.

De mais recursos para a educa-

ção e mais médicos (estrangeiros) para a saúde à promessa de “oxige-

nação do sistema político”.

É cedo, no momento em que es-

crevo (manhã do sábado), para ava- liar a reação da rua ao discurso da presidente. Não dá para saber, depois do ven- daval que sacudiu o país nos últi- mos dez dias, se o desgaste dos po-

Da

Dilma assume a pauta da r ua

C L Ó V I S R O S S I

líticos em geral, inclusive da presi- dente, é de tal ordem que o pessoal vai dizer: “Por que não fez antes tu- do o que agora promete, se está na Presidência faz dois anos e meio e há dez no governo, como ministra

de Minas e Energia primeiro e che- fe da Casa Civil depois?”. Ou, então, a reserva de confiabili- dade ainda é suficiente para que se

dê a Dilma um crédito para que arme todo o circo de “mudanças”, neces- sariamente demoradas e complexas. Mais que educação, saúde, ser vi- ços públicos em geral, corrupção, mobilidade urbana, creio que a cha- ve da situação está na tal “oxigena-

É uma posição prudente, mas resta saber se ganha um crédito de confiança da massa ressabiada

ção do sistema político”. Foi este que entupiu, a ponto de o senador Cristovam Buarque (PDT- DF) ter proposto na sexta-feira a ex- tinção de todos os partidos. “Não refletem mais o que o povo precisa de seus representantes, nem do ponto de vista do conteúdo nem do ponto de vista da forma”, decre- tou Cristovam. Não esteve só. Marina Silva, em

sua coluna da Folha, defendeu a “democratização da democracia”, a partir do pressuposto de que “as pes- soas não querem ser meros especta- dores, lugar em que foram colocadas pelos partidos que detêm o monopó- lio da política. Querem ser protago- nistas, reconectar-se com a potência transformadora do ato político”. Se os partidos brasileiros não ti- vessem se demitido da tarefa essen- cial de fazer a intermediação entre as demandas da sociedade e o po- der público, teriam, por exemplo, es- tudado há tempos a questão do pas- se livre, de sua viabilidade e de seu custo, o que dispensaria ir às ruas

para conseguir não o passe livre mas um “passe” algo menos caro. O outro foco do discurso —o da

lei e da ordem— era previsível e ine-

vitável. As manifestações abriram, con- tra a vontade da maioria, espaço para a baderna —e baderna é anti- democrática por definição. Agora, é esperar que as manifes-

tações refluam, o que daria a Dilma

o tempo que necessita para tentar

avançar na agenda de mudanças que a rua lhe impôs. Não é fácil. Tal vez valha para o

futuro a obser vação sobre o passa- do do editorial de sexta do “Ne w York Times”: “Há uma imensa bre- cha entre as promessas dos políti- cos de esquerda no governo e a du-

ra realidade da vida cotidiana fora

da elite política e econômica”.

c r os s i @ u ol .c o m . b r

COLUNISTA DA SEMANA segunda: Luiz Carlos Bresser-Pereira, terça: Clóvis Rossi, quarta: Julia Sweig, quinta: Clóvis Rossi, sexta: Moisés Naím, sábado: Alexandre Vidal Porto, domingo: Clóvis Rossi

 
Diogo Bercito/Folhapress
Diogo Bercito/Folhapress

Q ana f B adi , 65, s e dedica à tarefa d e tira r do lixo

cópias d o A lc or ão

 

DIOGO BERCITO

De repente, senti que tinha de fazer isso. O Alcorão é um livro sagrado, então deveria estar em um lugar limpo

EN V I A D O E SPEC I A L A S A N A A ( IÊMEN)

Qanaf B adi, 65 , cam in ha por um corredor empoeirado, pisa em uma cadeira, passa por um buraco rasgado na pa- rede e sobe uma escada. Che- ga, por fim, a seu tesouro: um amontoado de cópias do Al- corão recolhidas do lixo. Trabalhador fabril aposen- tado e pai de oito filhos, esse iemenita passa seus dias pe- rambulando pela capital, Sa- naa, à procura de exempla- res do livro sagrado do isla- mismo descartados por seus antigos donos. Para muçulmanos, o Alco- rão é a revelação de Deus a Maomé e deve, por isso, ser tratado com deferência. Não

[

]

Essa é a palavra

de Deus. É mais importante do que minha própria vida

Q A N A F B A DI , 6 5, aposentado que tem mais de 3.000 li- vros sagrados guardados em casa

procurando por suas edições preferidas do livro, Badi mos- tra cartas trocadas com auto- ridades locais a respeito de sua tarefa. Ele quer ajuda do governo e das mesquitas, mas por enquanto não obteve res- postas positivas. “Eu disse a eles que são os responsáveis pela palavra de Deus.” “Tudo o que posso fazer é deixar os livros aqui. É o úni- co lugar que tenho. Quando chove, eu os cubro com plás- tico. É claro que vai molhar, mas estou fazendo meu me- lhor”, continua. A insistência de B adi em recolher os exemplares do Al- corão, porém, já fez com que esse iemenita fosse chamado de “ maj nu n” por s eus v iz i - nhos —aquele tomado por gê- nios, “jinn”, ou simplesmen- te “louco”. “Tenho problemas com a minha família”, diz. “Eles me dizem que eu deveria quei- mar os livros, já que não te- mos espaço em casa.”

“ A s p e s s o a s a n d a m t ã o

p

o d e , p a r a c o n s e r va d o r e s,

ser jogado no lixo —daí a mis- são que, para Qanaf Badi, é sagrada. Ele mantém em seu telha- do mais de 3.000 livros, sem

c

O CATA-ALCORÃO

Na capital do Iêmen, aposentado com oito filhos dedica a vida a retirar

o n t a r f o l h e t o s e c a r t a z e s que, por trazerem o nome de Deus, também ganharam es- paço nesse refúgio embaixo do forte sol iemenita. Badi começou a recolher o Alcorão em 2008, após uma

revelação. “De repente, sen-

que tinha de fazer isso. O

Alcorão é um livro sagrado, então deveria estar em um lu- gar limpo.” Ap ó s a p r i m e i r a r e z a d o dia, de manhã, ele deixa sua casa e revira os lixos da re- gião. Às vezes, diz, vê em so- nhos onde estão os livros que precisam ser resgatados.

ti

S ON H A R COM M AOM É

do lixo o livro sagr ado do islamismo e papéis com a palavr a “Deus”; sem apoio do governo ou da família, ele já foi chamado de louco

um dia vou vê-lo também.” B a d i , n a s c i d o e m u m I ê- me n g o ve r n a d o p o r l í de re s muçulmanos, aprendeu a ler

sob a sombra de árvores, em

hoje não sabem como é terrí- vel jogar o livro sagrado nas ruas”, diz. A maior parte de sua biblioteca vem de edições

escolares do Alcorão descar-

pois o jogam fora.” Para Badi, qualquer peda- ço de papel com o nome de Deus escrito deve ser manti-

do. Ele conta à reportagem a história de um homem que

depois, pelo profeta. “Fico especialmente deso - lado quando encontro exem- plares sujos de fezes no lixo”,

diz. “Essa é a palavra de Deus. É mais importante do que mi-

“Mas ainda quero sonhar com o profeta Maomé”, afir- ma, referindo-se a uma tradi-

escolas religiosas. Ele man - tém uma consciência religio- sa que, aos poucos, tem dimi- nuído no país.

tadas após os exames finais. “Mesmo os professores es- tão errados. Eles obrigam os alunos a escrever versos do

e r i a r e c o l h i d o u m a f o l h a com o nome de Allah (Deus, em árabe) e a perfumado —

t

nha própria vida.”

p

r e o c u p a d a s c o m a v i d a ” ,

afirma Badi. “Só que não es-

cional recompensa dada aos

 

L OUCO ’

tão preocupadas com o signi-

p

i o s n o i s l a m i s m o . “ O x a l á

“Infelizmente, as pessoas

livro como um exercício e de-

s

e n d o v i s i t a d o e m s o n h o s,

Em cima de seu telhado,

ficado da vida.”

c FO CO

 

Santi Carner i -21.jun.13/Efe

Inspirados em protestos no Brasil, pa ragua ios vão às r uas c protesto teve

Inspirados em protestos no Brasil, pa ragua ios vão às r uas

c

protesto teve origem em São Paulo por conta de uma cau- sa ligada ao transporte públi-

o , o au m e n t o d a t a r i f a d e ônibus em R$ 0,20. Entre 2.000 e 3.000 mani-

DA S AGÊN C I A S D E N OT ÍC I A S

mais os anseios populares.

f

e s t a n t e s, s egu n d o a m í d i a

González afirmou que há i n f l u ê n c i a e m s e u p a í s d a s m a n i f e s t a ç õ e s n o B r a s i l . “Acho que o exemplo dos bra-

p

a r agu a i a , s e r e u n i r a m n a

Milhares de paraguaios fo- ram às ruas de Assunção, na sexta-feira, 21, em manifesta-

pr aça das Armas, a poucos

metros do Congresso, e cami- nharam rumo ao Panteão dos

ç

ã o “ p o r u m P a r agu a i m e -

sileiros nos influenciou, por que eles sim e nós não?” O chamado ao protesto cri- t i c av a o r e c e n t e au m e n t o ap r o va d o p e l o s d e p u t a d o s das próprias aposentadorias, assim como o adiamento da

H

e r ó i s Na c i o n a i s . Po l i c i a i s

lhor”. O ato, de caráter pací- fico, foi convocado por meio das redes sociais. Kattia González, presiden- te da Coordenação dos Advo- gados do Paraguai, uma das

acompanharam toda a movi- mentação, sem confrontos. Muitos jovens, a exemplo do que ocorreu no Brasil, fo- ram à marcha usando a más- cara do filme “V de Vingan-

o rga n i z a ç õ e s r e s p o n s á ve i s

votação de um projeto relati-

ça” que faz alusão a Guy Faw-

p e l a m a n i f e s t a ç ã o , d i z q u e

vo ao transporte público pa- ra a cidade de Assunção.

kes, um britânico católico do século 17 que tentou explodir

um dos objetivos é exigir que

Manifestantes paraguaios saem às ruas com máscaras inspiradas no filme “V de Vingança”

a

agenda parlamentar ouça

No Brasil, a atual onda de

o

Parlamento da Inglaterra.

ab

D O M I N G O , 2 3 D E J U N H O D E 2 0 1 3

H H H mundo A23

Mohammed Dabbous/Reuters
Mohammed Dabbous/Reuters

O secretário de Estado americano, Joh n K err y, participa d e e ncon tr o s ob re a gu erra c ivil s íria e m D oh a, cap ita l do Q ata r

Pa ís es i r ão prove r ajud a m i l it a r a rebe ldes sí r ios

Grupo fecha acordo para enviar com urgência equipamentos para rebeldes

Após reunião em Doha, ministros criticam participação do movimento Hizbullah e do Irã no conflito

DA S AGÊN C I A S D E N OT ÍC I A S

Onze países que fazem par- te do Grupo de Amigos da Sí- ria, de apoio à oposição do país, anunciaram ontem um acordo para enviar ajuda mi- litar urgente aos rebeldes que desde 2011 tentam derrubar o ditador Bashar al-Assad. Após uma reunião em Do- ha (Qatar), o grupo disse em comunicado que havia con- cordado em “prover urgente- m e n t e t o d o o m a t e r i a l e o equipamento necessários pa- ra a oposição síria em solo”. A nota não informa se to- dos os países vão enviar ar-

mas. Cada um vai contribuir “a seu modo”.

retomada da cidade de Qu- sair, até então sob domínio