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Instituto de Comunicação e Artes FIGUEIREDO, Bruno Henrique dos Santos PIRES, Carina Alves Análise Crítica

Instituto de Comunicação e Artes FIGUEIREDO, Bruno Henrique dos Santos PIRES, Carina Alves

Análise Crítica da Mídia: A TV nas manifestações.

Belo Horizonte

2013

Este artigo tem como objetivo principal analisar a atuação da televisão e da imprensa nas manifestações ocorridas no país nos últimos dias. Vamos também avaliar a transmissão da mesma para o povo brasileiro a partir da TV aberta, mais precisamente através da emissora Rede Globo de Televisão.

De acordo com o site Microfone¹ a televisão surgiu no Brasil em 1950, trazida

por Assis Chateaubriand, fundador do primeiro canal de televisão do país. A TV Tupi. A televisão cresceu no país e hoje representa um fator importante na cultura popular moderna da sociedade brasileira.

Fundada pelo jornalista Roberto Marinho, em 26 de abril de1965, surgia no canal 4 a TV Globo do Rio de Janeiro, dando inicio a formação da Rede Globo de Televisão. Ao longo dos anos outras emissoras da rede, em diversos estados do país entraram no ar e hoje ela é responsável pela cobertura de cerca de 98,44% dos municípios brasileiros, num total de 113 emissoras, sendo dentre elas afiliadas e geradoras.

A emissora foi precursora nas transmissões internacionais, via satélite e

na implantação da TV em cores no Brasil. Durante a Copa do Mundial de Futebol de 1966 permitiu aos brasileiros assistir a primeira transmissão ao vivo do evento. Sua operação em rede se iniciou com o Jornal Nacional, que se tornou um marco na historia da TV brasileira e em seguida a emissora contaria com uma programação nacional. Assistida por milhões de telespectadores diariamente, no Brasil e no exterior, a emissora é a maior produtora de programas próprios de televisão mundial e segunda maior rede de TV comercial do mundo.

O Brasil atualmente vive um momento de transformação. De acordo com fonte online², no dia 17 de Junho, cerca de um milhão e trezentas mil pessoas saíram as ruas, simultaneamente, em 12 capitais e diversas cidade do país para protestar. Tornando o movimento uma das maiores manifestações feitas pelo povo brasileiro a favor de uma melhor condição de vida. Os protestos, que se tornaram conhecidos como “primavera brasileira”, tiveram como fator inicial o aumento das passagens de transportes públicos, que sofreu um aumento de aproximadamente 20 centavos em todo pais.

A fonte afirmou que esta é a maior mobilização espontânea dos últimos 20 anos, promovida pela juventude brasileira. O mesmo ainda citou a repressão policial, que feriu 8 jornalistas e centenas de manifestantes, e os rótulos de “vândalos” e “grupelhos” impostos, inicialmente, pela mídia conservadora.

O movimento atingiu inclusive a mídia internacional e diversos países mostraram seu apoio ao Brasil. Atos foram organizados, centenas de brasileiros que moram no exterior se reuniram em diversas cidades, entre elas Berlin, Dublin e Toronto. Os encontros foram organizados através de redes sociais.

Em um breve histórico feito pelo Microfone¹ foi possível ver a importância das redes sociais na construção, e fortalecimento das manifestações. No mesmo passo que observamos que estas ajudaram a desbancar ditaduras como no Norte da África, enfrentar regimes repressivos como na Turquia e agora mostram no Brasil que são os veículos adequados de reivindicações sociais.

A Televisão permeia em paralelo as redes sociais, tentando trazer o peso

histórico do momento para dentro da casa dos brasileiros. Não em tempo real como na internet, mas em chamadas organizadas dentro da programação.

Nota-se ao observar a programação da grande emissora de TV no Brasil, que suas reportagens tentam transmitir uma imparcialidade, e uma cobertura transparente isso é reafirmado a todo momento pelos seus ancoras. Buscam a mesma reafirmar também os propósitos das manifestações: transporte de qualidade (os vagões da Central do Brasil tem quarenta anos)², saúde, educação, reforma política, segurança, saneamento básico.

A globo enfrente uma resistência das ruas ao realizar seu trabalho. Vale

lembrar que a emissora carioca se fortaleceu, e teve força para ter a grandiosidade

dos dias atuais, durante a ditadura militar, onde a mesma apoiava os militares, como

Muito Além do cidadão Kane:

4, emissora pública do Reino Unido. O documentário mostra as relações entre a mídia e o poder do Brasil, focando na análise da figura de Roberto Marinho. O que se nota é uma imensa dificuldade em acreditar no apoio da maior emissora nacional ao povo. Esta tem, e sempre terá uma dívida histórica com a democracia nacional.

foi reportado em:

Neste cenário e analisando a transmissão das manifestações na Globo foi possível ver no Jornal da Globo, a Avenida Paulista como pano de fundo, torre da FIESP iluminando a bandeira do Brasil e os “especialistas” num discurso uníssono de que o governo federal é corrupto, que perdeu o controle e repercutindo as análises internacionais.

Como também na Globo News, apenas um jornalista se insurgiu contra o incêndio de um carro de geração de imagens da Record, que os vândalos puseram fogo ao lado da prefeitura.

Antes, na mesma Globo News, imagens mostrando oportunistas depredando

o prédio da Prefeitura de São Paulo e perguntando, onde está o Haddad. Nada de polícia de São Paulo para reprimir os vândalos.

O

que a

população teme diante disso tudo é que a Globo

se aproprie

totalmente de um movimento digno, político, juvenil para objetivos só dela.

Como foi noticiado em uma crítica que analisou a mesma Globo e sua influência no governo Collor, notou-se a Globo como um monopólio midiático que apoiou e elegeu Collor. Difícil imaginar a Globo sendo favorável a democratização da mídia. Mas é só sintonizar a mesma e ver um discurso favorável e de apoio as manifestações. O que cresce é uma extrema e concisa dúvida sobre a integridade das informações geradas pela emissora carioca.

Anisamos em um primeiro momento, a mídia conservadora com a Rede Globo à frente, tratou de criminalizar a justa e oportuna manifestação em favor da redução da tarifa dos transportes públicos na capital paulista. Foi possível ver no Jornal da Globo, Arnaldo Jabor a demonizar o movimento reivindicatório do MPL Movimento Passe Livre, e se não bastasse, colocando no mesmo patamar a justa reivindicação e os atos de vandalismo praticados por elementos oportunistas.

De repente a Globo passou a incentivar direta e indiretamente a população a

ir às ruas protestar. Mas é possível passear na história e ver por parte da mesma a

negação da campanha das Diretas-Já, na década de 1980, que exigia eleição direta para presidente da República, o maior movimento de massas de toda a história brasileira.

No dia 25 de janeiro de 1984 foi realizada uma manifestação na Praça da Sé, em São Paulo, com centenas de milhares de pessoas, transmitida pelas demais emissoras, mas simplesmente ignorada pela Globo. O Jornal Nacional daquele dia noticiava que milhares de pessoas estavam nas ruas de São Paulo comemorando aniversário da cidade. Nenhuma palavra sobre a campanha das Diretas e muito menos sobre as lideranças que se reversavam no palanque: Lula, FHC, Franco Montoro, Ulisses Guimarães, Mário Covas, José Richa, Leonel Brizola, João Amazonas e muitos outros²

.

Na última quinta-feira a Globo fez uma coisa inédita desde a sua fundação:

deixou de levar ao ar a sua novela e passou mais de três horas, ininterruptas e sem comerciais, mostrando as manifestações em São Paulo, Rio de Janeiro e outras

capitais. Essa edição especial ancorada pelo William Bonner intercalava as imagens das manifestações do dia com as da campanha do Fora Collor em 1992, que resultou no impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello.

Mas a mesma insiste nos dois lados da moeda, uma insistência, maior que a vontade de ser transparente nas reportagens, em mostrar atos de vandalismo de um grupo oportunista que depreda monumentos, prédios e instituições públicas, as vezes a emissora passar até a impressão de que a manifestação está fora de controle.

É oportuno transcrever a nota do MPL publicada na sexta-feira, 20 - “O Movimento Passe Livre foi às ruas contra o aumento da tarifa. A manifestação de hoje faz parte dessa luta: além de comemoração da vitória popular pela revogação, reafirmamos que lutar não é crime e demonstramos apoio às mobilizações de outras cidades. Contudo, no ato de hoje presenciamos episódios isolados e lamentáveis de violência contra a participação de diversos grupos”. Diz ainda a nota: “O MPL luta por um transporte verdadeiramente público, que sirva às necessidades da população

e não ao lucro dos empresários. Assim, nos colocamos ao lado de todos que lutam

por um mundo para os de baixo e não para o lucro dos poucos que estão em cima. Essa é uma defesa histórica das organizações de esquerda, e é dessa história que o MPL faz parte e é fruto”.

E conclui a nota: “O MPL é um movimento social apartidário, mas não antipartidário. Repudiamos os atos de violência direcionados a essas organizações durante a manifestação de hoje, da mesma maneira que repudiamos a violência policial. Desde os primeiros protestos, essas organizações tomaram parte na mobilização. Oportunismo é tentar excluí-las da luta que construímos juntos. Toda força para quem luta por uma vida sem catracas”. MPL-SP.

O povo foi pra rua contra tudo e contra todos, contra ainda ao grande monopólio midiático presente no país e os frutos começam a ser alcançados. Quando as crescentes manifestações obrigaram o prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin a revogarem em São Paulo o aumento das tarifas dos

transportes coletivos ônibus, trens e metrô, o mesmo aconteceu no Rio de Janeiro

e em mais 15 cidades; o arquivamento pelo congresso da PEC 37; as propostas da

presidenta, que começam a ser dadas como resposta ao povo, e que pretendem melhorar educação, saúde, transporte; como ainda a aprovação da lei que torna corrupção crime hediondo. Mas o povo permanece nas ruas. Muitas áreas precisam ser revistas.

Em meio a um cenário muito duvidoso quando se trata da integridade e veracidade dos fatos se encontra a Rede Globo. Estra se encontra ainda diante da dívida, adquirida pela mesma durante a história política do país, com a democracia

nacional. Fica difícil dar credibilidade ao que é dito e reportado pela Globo. O medo

é que a Rede Globo continue apostando alto em um retrocesso histórico. Isso é

perceptível a cada vez que maior emissora de TV aberta do Brasil é questionada nas

ruas.