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CIENCIA, UNIVERSIDADE & IDEOLOGIA ‘APlitica de Conhecimento SIMON SCHWARTZMAN (© papel de ciéncia e os probleriae da porquia cientifica, a crime da Univarsidads 0 quosto da idnologis sto oxanninaios discu- tidos nase livo dentro da ume, perspoctiva unificndors de ume “politica do conhacimanto”. autor aio se restringe apenas & ‘woria, a0 final de eace eapitulo apresenta uma série de sugestas conerotar refarantes 20s problernas apontados MARXISMO E EDUCAGAD Abordagem Fenomanaligiea 6 Meenista da Educarso MADAN SARUP ‘Uma andlise das diverses porepectivas da foncmgnotagis ¢ do mar lara’ humanist Guo we aplican 2 educueso.-Oidutor fomeea uma deverigdo cas virtusos ¢ fraquezas cuss peraputtivas, moiando-20 fem vériag disciplinas a fim de explicar as contendesias dascritas, ‘Tratiem, portato, ce un gia extremamanta iE ara compe: ero do principsis quistoe 7 sacil2gie dt. aucano em noase “ange. i a . HUA REMTIORIES ii i 2 pow st TVNUaa ED BERNARD CHARLOT M\ wag | ‘ap , | REALIDADES SOCIAIS E PROCESSOS INEOLOGICOS NA TEORIA DA EDUCAGAO ZAHAR ae eoivoRes 2° edigho Edueagio € politica. A cultura veicula a kleologia do mminante. A escola serve os Interesses da. classe social que detém o poder. Estas tes ides eonstam com fre: fidnvia cada ver maior da literatura politica e peda- égiea contomparsnes. Como um prajeto pedagéale nista e apalitica pode veicular um idealogia de classe fe sorvir 20s intaresses da burguesia? Como 0 ideologia burguesa loyra innpregnar as concepgdes cultura, @ ropresentaco ds inféncia @ a pratieas esaalares? De ‘ue mocio se articular pedagogia e ideologia? Estas so as interrogagées fundamentals abordadas e diseti ‘das em profundilala em 4 Mistficagso Peciagdgica, aparentemante huma: A pedagagia apeosenta a cultura como um. feniimena individual, define o homem oa crianga por rafordncia 1 uma iia da noturdea humana, ¢ concebe a escola como um meio divorciado das realicadas econdmicas, soxcizis © politicas. A pecayogia substi’ assim a rele ado sobre a influgne'a educative das realiiadgs socials, Por um ciscurse sobra.o Hormam, a Crianga, a Cult fa, 2 Natureza ete, A essa postura ideol6giea uo peda gopia opée BERNARD GHAALOT uma cor ‘61 da exiueapio, "Uma pasdagoaia sect dave ajustarse 3 um projsto de saciedacle." Nurma sociedad em que raina a luta de classes, nenhuma pe: dayogia pode tar valor Unive ca de clasts im. pregna 2 wworia pacagigiea, tamo quanto influ atual mente em toda teoria social, "A pedagogie social € uma pedugogia socialist.” edlucagS ‘Apis analisar © significado politica de class cla ed engo como wansmissora de madolos sacias «cif Fa de idSiss potiticas; 0 funcionamente de ideotogia ppeviagégiea; a reduclo do problema social da £0 80 probleme de cufturs irdividual; 6 imagem da Infancia no pensamenta pedagdgico comum e nos sis amas pedagtwiens currents; os sigificados iduolig cos dia idéia die inféncis; @ natureza da escola como Nipertagdo ou alionagéo, somo meio fechado destin do a proteper = crianga ¢ como meio aducativo com (eantiua na 29 aba) DUCAGAO BERNARD CHARLOT n 0 OG | CLAS PALIDADES 80! E prot 508 TIEOLOSICOS Ben TEORIA DA BUUGAGA ‘segunda eae s | ZAHAR, EDYTORE! BARI de Janeiro Titulo original: La mystificntion pédagoginue “fradueTo autorizad da primeisa ediSo francess, publieada ‘em 1976 por Euitions Payot, de Paris, Peanga Copprigtr © Payot, Paris, 197 ‘Podos os diteltas reservados. A reprodugio ndo-autortexda esta publicagio, my todo ou em parte constitu vialago do vopysight. (Lei 5.988) Baigao para 0 Brasil Nao pode circular ert vairos palses. Prin edigaa brnsleiea: L979 Toads RUTH RISSIN JOSE yp. JANE sami [vrais ‘Biveitos paca 2 edigaa ballets adquiridos por ZAHAR EDITORES 5.. Caixa Postal 207 (20-00) Rio de Janeira que se reservar a propriedave desta versio Trapresso no Beast INDICE Cavinven 1 INTRODUGAG, EDVCAGAO B POLITICA Gy enveagio mae OMA exoRIFreAcka PoLinICN De classe A edueagan € polities, 11. A eauenyig transmile os mo- Gelos sorials, 18 — A edueagao fort -sonldade, 16 0” difunde ldbiee. polite: ‘A educaginn € Enearmn da escola. ins!itnicao social. 38, — A signitiracao iolilien, da ecueacaa © lustbrieamenie conbectda, 21. cA Eignitieueso We chisse ska eduenedo © historicamente: eonhe- ida, 28 1b)» Peoanocta ocuLTA & ENIFICACKD POLITICA UA HDVEAGIO FOR Paso & 29 mosino temo, culbira e integricde” s0- Ya pedagogia mega @ sentido cultural da edueagao fb masera (delogicarsente sua signifieagan pobitiea, e sobre tude saa signifieagas de elasse, 2 2: CULTURA © SDECLOGIA INODUERO: CoM FENEEEHA A MEOLOKIA MEDAGATEA? SIONTPT ‘cago MARRISTA Be PALAYEA IDEOLACIA 2 REDUGHO HO PROBLEMA SOCIAL DA RUUCAGRO. AO. PHOMLEAEA DA a) Andlise dessa reducio seat voelal e exrala eullussl, 33, —A'redugio ne dom, nig econamico, 33. —- A reduedo no dominio sociat « nolitico, 37. — A redugao apresentada como desvio, 38 by Canseyitincins Ideotéaieas dessa reducio 2) Exemplee Platue, 43. — Rousseau, 45. Apresentagio dessa definiedo, 48, — Exempios, 50. ~ Con Sequeneias; a cultura eomo fenbmeno seligioso, © ensino como apestalade, © professir come modelo, $5. a 8 8 30 3 «e a) » ° * ») » b B, 0 FUNcIONAMENTD DEOL earinoro 3: A. A IMAGEN RL GHEANGA. NO PENSAMMUBETO DEDAG 4 wrstiFroagéo PeDAcdaica D. A PepAcoaIA EA DEMNIGKO DK CULTUNA: A NATUREZA HoBtAwA A dela de matwreca humana ‘A naturent humana € Inallenével; desabrachamento, iMtuaulizagao do homem, aulo-educagio, 87. — A, natu rez humana € earompida; 9 destobramento dana toreza humana, 62, Natureca humana @ soviedude Corrupedo primeira e corrupeie segunda, 06. — Corrap- tibilidade Individual © corrupgao social, 68. — Natureza Tomana e socledade ideal: 0 desdobramento da sacle~ dade, 71 Exemplo: (exto de Kant Sionifleagtio t€coléglea do procedimento gerat da pe: aayogia Camutlagem ¢ Juslitteagio das desigualdades sovlats, 74 Mirunstormagia dos problemas socials em problemas HMiosotteos « étlvos "A pedagogia © as outras Iden ogi, 82, Signiplcagdo Weotigica dos @versos momentos do proce- timento pedagogtco a Bstruturas ¢ lutas soclats, responsailidade individual, 0 Modeles elleay e Meolopia, 35, -— Natureza humans fe realldadea soelals, a ettrnldade ba pedagogla, 36. ~ Harmonleagio dos contrarivs e unilieneat Proparagao parw a vida socla), 0, PF. poneLusto 09 caxiruno: mxkmrLos Porridre owls aeyian 4A IDBIA DE INFANCIA A idéia de iufanctu € um eonceito pedagdgico dertvadn A imugern da erianca como ser contruititério As contradicts da habureza infantil, 103, ~~ Natureza Intantll's relsgae foetal bllaterst udulto-crlanea, 104. -— A allloridade do adulto ea marginalizaeao social da nea, 109, 81 57 6 83 pe 9 0 9 wor sroice B.A SMAGENE GA CRIANGA Nos SISTEAEAS vEOAGSoIOOS: ENFANCIA E ATURERA HUMANA. ceetstisitetserinerstsitneenes a) A tdéta de tngéncta nos filbsofos .. b) Injariela e corrupgdo: pedagogia tradicional & pedago- gia nova : : Avpatureza dav erianga, 116.-""a crianga eo aduito, 119, Natureza infantit ¢ psleologia da erlanca, 128 ©) A idéia de infancia € as idélas de natureza, de tempo @ de origem Natuceu, natureza humana’ e descavolvimento able ral, 124, As ldélas de Lempo e de orlgem, 130. C. stonsrteagérs muoubareas DA Insta UE INPANCIA 8) A idéia de netureze infantil e a signifieacdo social da ingame 7 ‘A signifteagho econdmica e soelal a Intincla e a taéia Ge naturera Infantil, 181, — A ddéla de infanela eas Slgnifleneoes Ideolopicas dae adélas de exrtura e de na- tured humana, 13, ») Sipnieaydo theotalee de pedepopl tradcione ¢ da pedagonia tiova ...- . © Significagdo ideoiégtea da Wie pedagdgiea de tempo D. caneuvsio vo cairuue: exEMrLo Cwhrue 4: A ESCOLA: LIBERAGAO OU ALIENAGAO? A. rHTRODUGKO: A ¥SCOLA tA IOEIAS DE ADAFTAGKO F DE mHADAPDACKO B. A RScoLA COMO LEELO FECHADO DESTIRADO A FROTRORR A CHIANGA ©, A ws00rs oOxO MEO EDCATIVO DE FENALIDADRE CULTURAIS ®) A escola como lugar de instrugtio e coma meio edueativo b) A estrufura relactoue! da escola tradicional ©) A estrutura relacional da escola nova 4 Dipolarizacho da pedayople escolar; exemple: © inte- Posse €.0-08/0FE0 s.r. nes oe . ©) Q pupel educative do saner na escola» Na pecagogia tradicional, 174.—- Na pedlagogia nova, 177 D.\ 4 HScotA: UMA THSMTUIGK SocIAL QUE SE PENSA COMO \xI0 { eourunal Detrrsieestititennisteisatisnress a) Introdugda: problema da reinterpretagdo cultural dos fins sociais da escola ua na us = 124 131 131 aa a4 179 179 © A ursturzeacio Pepacéoxca b) A pedagogia tradictonat ¢ a idéia ae diploma fhierarquias natural, cultural, escolar esocim, 181. ‘As contradigoes avusis Ga ieela de diploma, 183. — Unie yersalldade cultural, cesigualdades sociais'e hierarqula eultural, 184, Teade, desigualdades soviais w hlerarqula escolar, 188 — A eltusura estelar ¢ uma clausura de tase, "189 6) A prdagogia nova e a tivia de eociedade em miniatura A escola caleada ua soeiedade, 191. — A escola como modelo soeial, 183. — O grupo de crlangas,e a socieda. de, 103, As entidades metatisieas da pedagoyia nova, 197, — Pedagogla ova, ética e Intersubjetividude, 201 Significagio ideoldgica de clausura excotur famento esoolar e idevlogia dominante, 203. ~ Con- solar, 206. I seqiénelas pedagogicas do isolamento by a idéia de supressdo da escola fs Wses da supressio da escola, 209. — Slienagdo socte Callenacho eseolan, 212, — A mediagdo eseolur, model Leos e mdelos sbeio-potiticns, 24 tvs &: | ESBOGO DE UMA PEDAGOGIA NAO-MDEOLSGICA amepugo: @ oasrriyp veste cheiruvo 4) & preciso determinar f ser fnalidades ie closse ba aslevlagin de ertanca nado po eduvacdo ©) Crilica a Dwrklicim ¢ 4 tdéia de sociedade Uy A determinagde dos fins sociais de educacdo: problemas Fodagoria votlal ¢ pedagofla burguosa, 281, — Os prite clpais pontas de desacordo para a determinagio dos na socials da ecueacao, 24 s eduestives; estes 96 podem le definir oa fins da ) Opedes yesso: A Bialétiea entre esses, 281 Opedie pedagoala politica, 288 Infancin ¢ dade adulta, 244. — Impotincia fistologica e poder soelal da eviunea, 246, — A relacao social enlte a Grianga eo adulto, 251," —. A cundigho hnfanuil, 252. — 0 problema da ‘soelatizagda da erianga, 258, 181 we 20s 208 209 236 2a D. e CULTUNA £ PERSONALIDADE SOCIAL a) Natureza humana e condigGo humuna A idéia de cultura e « detiniedo idenlgiea da eultura, 263, —~ Nao existe nabuceza humana, 267. — ‘Transtar Maguo da naturcza w integragad num munde soeal he mano, 269, —~ Diterenga entre eondicag huuiasa e Tae Feed Bamana, 272 b) a cultura pumana Definigio, 274. — Culliica’ de porsonalidade sock, 270. — Ar 20 papel cultural do sa ey a idéta ‘ae A PEDAGOCIA DOS MONELOS SScHO-POLITICOS & A uSCOKA 2) Importineia dos modelos séeio-politicos 4 transmissao dos modelos sacinis ¢ ineviiavel © sw sdria, 281. Modelos secio.politicos e modelos elie 24, Conseqilénclas motadoidgleas, 268 BW) Proviemas colocudos por umu pedagogia dos modelos sévio~politteos Normatizageo e totalitarisms, 200, ~.'O panel des eonts cimentes, 208.— A escola € nevessiria, 295, — A escala, € a formagio séciv-politien das criangas, 268 agouta ideoldgiea e pedagogia social, 408. — km dtrecto uma pedawoeta soclal? tecnicus Peeinict, pedagogia instita- ional, escola abertas, eseulas_paralolas, redes eduealivas, eclucaizn permanente, 305. -~ Pedawogia siete pedaxogta a, 308 inet com @ outro, 27 281 20 0a 00 carirvLo 1 INTRODUGAO EDUCACAO E POLITICA a A EDUCACAO TEM UMA SIGNIFICAGAO POLITICA DE CLASSE A educacdo & politica A educagio € politica, Esta atirmagaio, ha ainda poucos anos, passava por uma profissio de fé revoluciondria ¢ cat sava’ certo escandalo, Opunha-se a cla ® vocacdo laica da escola. Era emprestar aos fundadores da escoia laiea um anseio de neutralidade politica que estava longe de ser « ‘eu, Jules Ferry, a quem nao se pode negar a representati Vidade nesse dominio, deelarava aos professoves primarlos: ‘Eu nfo direl, e voeés ndo me deixariam dizer, que nao deve existir no’ ensino primario, no ensino de vocés, nenhum espirito, tenhuma tendéncia politica... Como voeés ndo amariam e nfo fariam amar no seu ensino a Revolugao ¢ a Republica 12"; as escolas “devem, desde a inféncia, pre- parar 0 consonso dos cidadios sob 0 regime da Revolucdo Francesa ¢ ca Reptiblica, que 6 0 seu coroamento definiti- vol", © problema politico colocado para a escola laica da ‘Tereeira Republica resume-se bem no tema proposto em 1905 aos candidates ao Certificado de Aptidio Pedagégiea no Departamento de Haute-Loire: “B recomendado 203 Profes- sores Primérios, por um lado, desprender-se dos ineidentes a vida politica colidiana ¢ loval, €, por outro lado, ensinar Kepiiblica ¢ a democraeia. # possivel, para eles, seguir esta voms, Pélagogie progressiste (vr, WL), B. 1 dupln diregao? Par que ¢ como 2?” No espirito dos func dores da escola laica, Iaicidade nao signifies, portanto, neu: tralidade pelitica, A’escola laica se quer fundamentalmente republicana, em oposigiio 2s upgdes monarquicas da escola eatdlica, Ela associa o engajamento republicano A recusa de toda, intervengao nas querelas partidarius e eleitorais. Rei- vindiear @ laicidade para apresentar a neutralidade politica como fundamento da escola € esquecer a origem dessa escola, Ela 86 @ newlra no quadro de uma concordancia previa a pelt de sua voeacao republicana. Ora, esse quadre é po- itieo, A neutralidade politica da escola sd se define, portan- to, em fungio de um postulado, ele proprio, politica, & consplidagdo da republiea burguesa eo desenvolvimento de sua escolt fizeriim, poweo a pouco, esqu: ea escola. Iaiea se queria investida de uma missio politica — “esquecimento’ que se assemelba fortemente a uma camuflagem, ela propria, politicamente significativa. Por isso, os tedricos e os mili tantes politicos que denunciaram coma burgues escolar provacaram, de inieio, a indigaagia vit os defensors desde 0 inicio do séevla, algumas vores se Ievantaram pars denunciar a orientacdo politica da eseaia latea: “4 se obri- gam as erlancas & submissao cega, & aceitacdo muda do que existe. A maior das virtudes énsinadas: a obediéncia. O maior erime: desubedecer, Um bom estudante, quer dizer a tals tarde, um vom operatio, um bom golcado, um bom eseravo, O ensino da laiea nio leva a outra coisa, Por toda, a parte as eanscieneias despertam, De todos og lados sessonm. os germes dis revollas racionais, A escola esta 14, murada, sombria, Inabalfvel na retina, ela bloqueia o future com seu perfil negro" (Le Libertnire, de 28 de abril de 1905) 4 Hoje, com excegia de alguns. cesquieios reacianarios (representadas aotadamente entre os professores pela U.N.I. ” geld SN.AL.C, * € pela Sociedade dos Agregadcs), euja virw iéneia politica confirma, allés, a tese que combatem, a afir- maciia de que a educacao @ politica esta em via de ornare sa de todas laicidade, Bra ignotar, ainda desta ver, que, 1 Ge Nowe tes arastres a'ecote, antobi Epegiar, apresentade. por dncies + Glusen yor Mone Ozeur, L'seate, £ TA Gatlay ION, pp. ad-261 Vent abseelatie de Voit Nationale dos tnstitutours (Onto Naionst Gea: Professanes Primgrigays 8 NA 1G ura (eset tional avstonoine ces Lyervs et Calegre owacsonal al aise Liceus e Coble) ON aa araphins aMinstitutewns de te Bette fF Jullisns, 1067>, p17, tise ef le Répubtiiue V1891-101 swuergio x pouintca 13 uma banalidade pedagogica. Mas a medalha tem seu rever- so: é tentador pensar que a andlise terminou quando se jun- tou a palavra “‘politien” 2 uma realidade pedagogic, Ora, dizer dz edueagko, ou da escola, ou dos programas, ow do controle pedagogico, ete., que so politicos, ‘néo € ainda dizer grande coisa, ‘Tudo’ € politica, pois a politica constitui uma certa forma de totalizacao co conjunto das experiéncias vividas numa sociedade determinada. Bleigoes, uma greve, a aposta em corrida de cavalos, a seca, um jogo de futebol, uma bofetada, ete, todos essts acontecimentos tém uma significagao politica. Mas cles nao sao politicos da mesma maneira. Alguns sao politicos por definicio: as eleigées, por exemplo, Outros so politicos enquanto sao conseqiiencias da organizagao ceondmica, social e politica da socledade; uma greve, por exemplo, 6, antes de tudo, um fendmeno econdml- to, mas tem igualmente um sentido politico na medida em gue coloca ein causa a organizaco social do. trabalho. Outros acontecimentos séo palitieos porque tém conse- qutneias paliticas: a seea @ um fato elimatico que _eo- loca problemas econdmicos com socials ¢ politicas, Outros acontecimenta: > politicos na medida em que desviam os Individuos das problemas politicos, trazendo um exutério a suas frustracées sécio- politicas: aposta em corridia de cavalos ou jogo de futebot, por exemplo, Finalmente, 0 sentida politica de certos {alos & somente zuito indirela: a bofetada é um ato repressivo, ¢ pode-se considerar que prepara a erlanga para a obediénela social ¢ politica, mas sua significagio politica nao é nem imediata, nem direts, A saturagio em poli as mottatidades de pélitizacko dos fendmenos sociais tanto, muito varidvels, apesar de todos, direta on indireta: mente, terem implieagées politieas. Nao basta, portanto, afirmar que a edueacdo € politien, O verdadelto problema é saber em que ela é politica. Podemse dar 4 idéia de que a edueacdo é politiea, pelo menos, quatro sentidos, que se artieulain, aliés, was com os outros, A educagdo transite os modelos sociais Primetramente, @ educngiio transmite & erianca os mo- delos de comportainento que prevalecem numa sociedade. 4 A MrsriFrcagHo Pepacéarch Sao modelos de trabalho, de vida, de troca, de relacdes afeti- vas, de relacionarmento com a alttoridade, de conduta reli- giosa, ete. Definem 0 compartamento dos individuos em face Gos outros individuos e das instiluigdes e regulam sua partici- pacio na vida dos grupos soclais, Esses modelos sao transmi- tidos, seja por coniato direto com a sociedade, seja sob a forma de normas teorizadas de comportamento. No primeiro aso, 2 erianga adquire-os por intermetiio da influéneia difusa do meio, sem que uma intervoneso educativa volumtaria e siste- matica seja necessaria. A crianea assimila esses modelos imi- lando o adulto, identificando-se com ele ¢ sofrendo 2 pressio da sociedade, que reage a toda forma de desvio. A Antropolo- gia Cultural estudow bastante esses fendmenos has sociedades Gitas primitivas. Margaret Mead, por exemplo, mostrow como essas socledades formmam os adultos dos quais tém necessi- dade, docéts ou agressivas, virilizados ou feminizados, sem que ‘ais critérios reconslituam sempre as qualidades que as socledades ccidentais consideram como naturals nos ho- mens € nas mulheres’, Da mesma forma, a erianca, nas nossas sociedades, aprende “o que se faz” € “o que nao se faz" nesta ou naquels determinada cireunstdncia da vida social. Aprende a controlar e a exprimin snas emogies, a te termunhar os marcos socials de respelto ou de ‘palides observar as normas soelais de limp ete. Mas cs modelos de comportamento néo s4o assimilades somente através do contata direto com o melo social, So igualmente objeto de uma transmilssio sistemAtica e mais ou menos racional, sob forma. cle normas de compartamentos € de ideais. O adulto comunica & erianga regras explicitas de conduta ¢ tenta mais ou menos justitied-las com referén- cia a alguns ideais: liberdade, Aonestidade, justiga, solidarie- dade, ete a a, a utilizar o cinheiro, A educagio transmite, portant, as erlanjas modelos soeiais de comportamento, Mas todas as crinngas nao adqui- rem os mesmos modelos, pois nem todas sia educadas no mesmo meig social. A sociedade niio ¢ um todo homogénco yeleulando modelos de comportamento que fazem a unani- midade de seus membros. A soviedade compre Giferentes, perseguindo suas proprias finalidades, 1 Margaret Maan, Mours et seruatité en Ocdanie (Pion, 1969 noveacio © roriztca 6 organizacio interna especifica, e elaborando modelos parti- culares de comportamento (grupos religiosos, culturais, sin- dicais, esportivos, polfticos, ete.), O contato da crianea’ com esses modelos varia em fungdo de sua insercdo familiar. Mas, sobretudo, @ socledade & dividida em classes sociais, néio so- mente diferentes, mas ainda antagonicas, Essas classes sociais 12m concepedes diferentes da vida, do trabalho, das relacOes humanas, etc., ¢ traduzem essas concepeses em’ seus ideais. Ora, 2 crianga'participa dessa divisdo em classes da sociedade, por intermédio da familia a que pertence. Torna- se assim mais ou menos habil para exptimir seus estados de espirito, para fazer urn trabalho manual, para manter certos tipos dé relagdes com os autras, ete. Ela’ compreende, segun- do 0 seu meio de vida, 0 que é a linha de montagem, ume relha de arado, um estetosedpio ou um dielondrlo. Concel © trabalho de forma diferente, segundo seja filha de operdrio, cle camponés ou de advogado. Entretanto, isso nfo signifiea que existe no selo de uma sociedade uma simples justaposicéio de modelos ¢ de ideais. ‘A Sociedade nao € divictida somente em classes distintas, mas também em classes que se digladiam, © confiito social do- minante é a Iuta de classes, que opoe, em tiltima andlise, uma classe dominante ¢ uma elasse dominada, allando-se as clas- ses intermediirias ora a uma, ora a outra, Da mesma forma, 0 diversos grupos sor im, todas, a mesma impor t€ncia; um grupo religiose, politico ou sindical, por exem- plo, tem geraimente uma influénela social maior do que um grupo esportivo ou cultural. Cada classe social e cada grupo Social engendra modelos de comportamento ideais. Mas a crianga uo se encontra, por isso, em face de uma pura di- versidade de modelos e ‘idenis, Os modelos da classe domt- nante sio os modelos dominantes, Os modelos dos grupos influentes sig modelos socinis infiuentes. Cada erlanga assi- mila, antes de tudo, os modelos e os ideais da classe social a que pertence e das grapos soclais com os quais esté em contato. Mas toda erianca sofre também a Influéncia dos modelos socialmente dominantes. Por isso, 03 modelos s0- viais dos quais a erianca se impregna tém uma significagao politica, Refletem, com efeito, a8 relagdes de forga entre grupos socials, € sobretudo entre classes sociais, no seio da Sociedade global. Ora, a pulilica é a expressio, a0 nivel do poder de Estado ¢ da luta para conquistar esse poder, das 16 A mistirreagho eanacéarca tensées ¢ dos conflitos profundos que agitam a sociedade global. Pode-se definir a politica, numa perspectiva idealista, como atividade de transformacio da tealidade social & luz de ideais, Pode-se também, na tradigao de Maquiavel, definit a politica como atividade fundada na forea, Pode-se igual- mente, com Lénin, afirmar, de modo ainda mais justo, que “ Esiado @ um organismo de dominagio de classe, um orga- nismo de opressio de uma classe por outta; é a’criago de uma ‘order’ que lepaliza ¢ consolida essa opressio, mode- rando 0 conflito de classes” 5, De qualquer maneira, a po- litiea exprime relagées de forca, inclusive entre ideais opos- os. A dominacao social de certos modelos ce comportamento € de certos ideals traduz essas mesmas relacées de forge, que se manifestam, também, noutro plano, no dominio politico, ‘A tyansmissio de modelos ¢ de ideais pela educagéo néo tem, portanto, somente uma significagio social, Tem igual- mente wm sentido politico. A educagdo forma a personatidade Em segundo lugar, a educagio & polities porque forma a petsonalidade segundo normas que refletem as realidades sociais ¢ politicas. A educagdo age politicamente sobre o individuo, fixando, no Amago mesmo de sua personalidade, eslruturas psicoldgicas de dependéncia, rendncia e ideatiza- cdo. Como escreve Freud, “o edificio da eivilizagtio repou: no principio da renincia &s pulsdes instintivas"’®. As sats Ga crinnga ehocam-se inicialmente com as proibi parentais e sociais. Depols, por yolta dos eineo on seis anos, isto €, no momento da liquidaedo do complexe de Kdipo, a crianca. interioriza esas proibigdes. Assim se estabelece, no seio mesmo da personalidade,'o Superega como instincia repressiva e a Ideal da Ego como representante dos ideals As normas socials canstituem, entio, 0 esqucleto mesmo da personalidade do individuo ¢ nfo siio mais vividas com barreiras externas. As pulsées sexuais ¢ agressivas que néo correspondem as normas sociais sia ou reprimidas, ow su: blimadas, Sio reprimidas no inconsciente quando os desejos sexuals agressivos entrnm em conflito com as normas sociais Lowe BBiat f te Révotution (Gonthier), p. & 8 Feria. Matatte one ta citiesation uy, I9ib, epucacho & roxitica " de satisfactio da sexualidade e da agressividade, So subll- madas quando poder ser satisfeitas através de formas deri- vadas, mas socialmente reconhecidas e mesmo valorizadas: por exemplo, a sexualidade sublima-se em arte ou misticismo e a agressividade em esporte ou atbigao politica, Na medida em que essas normas sociais interiorizadas pelo individuo traduzem as relagdes de forea no seio da so- Cledade, @ formacio da personalidade tem um sentido poli- tico?, "De maneira geral, a repressio e a sublimagio das pulsdes sexuais e agressivas estabelecem a idéia de que o prazer € um erro fora das normas soeiais, que € preciso saber be resignar e se contentar com 0s prazeres soelalmente reco- hhecidos, que 4 revolta é uma violencia inaceitavel, que um ser civilizado caloca seus desejos depois de sew’ dever e que todo 0 mundo, rico ou pobre, abedece a essa moral da remineia. A educacéo forma assim a personatidade para suportar todas as {rustracées ligadas & vida soclal, inclusive as que sto engendradas pela injustiga, pela desigualdade e peta dominagao de classe. A eduucaeao 6 politica na medida em que coustréi « personalidade a partir de bases psicolégi- cas que tém uma significagio politica, A educagéo difundy idéias polit as terceiro lugar, a educacéo é politica na medida em que transmite as eriangas idéias politicas sobre a sociedade, a justica, a liberdade, a igualdade, ete. Essas idéias politicns hiipregnam os medelos de comportamento e, As yeres, vemo- Jas passar do implielto para o explicito, quando os adultos explicam as eriangas por que é preciso partilher seus brin- quedos, no bater' nos colegas, obedever aos pais, ete. Do- sempenham igualmente um papel na claboracéo das regras € dos ideais que regem o controle puisional. Mas tém tam, bém uma forma propria de exisiéncia ao nivel das Idélus que 7 uaeute, por exempt, mostrow como o eistema capitalists. screscents 2 represtiig elvlieadora ‘cas pisces una Superctepreso que serve. aoe Interesses da elusse-domnante, De mesa tome, Ge. Deleuse « P. Gust ‘hn estahelecer um ‘parenteson ‘eatre eapltallemo’e eseruburgs seal nlrémiens da. personalidade: "O ‘esgulzoteenieo evlocssae ‘no mite do capitalimo: ele a sun tendanein desenvolvida, 9 Miperprodut, © pO" fetino eo aria exterminador” "L'anticeaipe (Beitions de Mint, 191 ». in a susturseneho expaadarca prevalecem numa sociedade. A edueacdo inculea na crianga [dias politieas sobre a sociedade, sobre seus fundamentos, sobre sia organizacao, sobre suas finalidades, ete. Props he certas explicagdes concernentes a liberdade, & justiga, as _greves, 08 patrGes, aon policiais, ete. A erianga assimila, Assim,” déias politicas que, como os modelos. sociais © of denis, refletem as divisdes Sociais, as lutas sociais e as rela- g6es de forga no selo da sotiedade.’ Adquite, ao mezmo tempo, ds idéias politicas de seu ambiente familiar e social, ¢ as con cepeoes politicas dominantes, impostas © toda a ‘sociedade pela classe dominante, A [ilosofia francesa do século XVIU, auc se dizla ilo: sofia das “Luzes”, denunciaya as idéias falsas difundidas na sogiedade pela Igreja e pelos privilegiados para manter um obscurantismo favaravel & opressio# De fato, essa nogie de idéias ialsas nao € muito satisfatérla; a nocéo de ideo- logia, tal como foi definida por Mars, é hem mais rica de sentido, A educacao preenche uma fun tadora, menos difundindo idéias falsas do que veieulando idéias verdadelzas que, destacadas das realidades economi- cas, sociais ¢ politiess das quaks emanam, apreseniam-se como auténomas ¢ sao recuperadas por um empreendimento, conscienle ou inconsciente, de earmuflagem da realldade. i, a idéia de liberdade nao é falsa, mas sta teorizagio burguesa, que impregna a idéia tal camo € difundida na 5 ciedade, deu-the uma signilieagao que permite fazer dela um use ideolagico, © homem é efetivamente mals ou menos livre no seu trabalho, em suas relacies com o préximo, na sua vida cotidiana, ett. Mas essa liberdade apresenta sempze uma forma determinada, em condigdes soviais determinadas. Por exemplo, o individuo é teoricamente livre para escolher 1a profissio que deseja exercer. Mas é na realidlade, submeti- Go a mercado de trabalio regico pelas leis do sistema capt talista, eis que exprimem a opresso de ume classe social por outra e que contradizem, assim, o conteddo tebrieo da. idéia de liberdade O uso ideolégico da idéia de liberdade consiste em tratar a Liberdade como uma idéia auténoma ¢ TBS Bes, Gen 1790, esereve, faiando dow dispotacs “Bea sobre us vic etl dos povee gar estnva fulviada. sua cominagio; era prec Portunta, fomentar estes ‘icios « riforexr eases erzoe" pare. ‘anLE la, Ufisue sur education nationals, I, p. 3). Conoreel desenvulven ubundantemente esse teana, muito diundide nie epee. enveagie roLisica 18 Justifiear, pela idéia de Liberdade, a auséneia de tiberdade efetiva nas eondigdes concretas de existéncia, Impondo suas idéias politicas, a classe dominante con- segue assim fazer passar ideologi¢amente suas finalidades, seus interesses ¢ sua coneepedo da suciedade para as da so: ciodade global. Essa ideologia da classe dominante impregna 0s modelos culturais dominantes de uma sociedade ¢ confi- gura os sistemas de representagio (moral, direito, religiao, arte, filesofia, ete.). Seu. objetivo ultimo € mascarar, por bras de Uma ipualdade tedriea dos individuos e uma unanimi dade social mitiea, a desigualdade, a injustiga ¢ a opressio que reinam na sociedade e que se traduzem na divisao social dio trabalho e na luta de classes. A edueagéo é, portanto, politica, na medida em que transmite, sob sua forma expli- cita ou por intermédio dos modelos de’ comportamenta e dos ideals, idéias polificas, e notadamente as da classe dominante, A educacdo é encargo da esevia, instituigdo social Bm quarto lugar, a edueagdo € politica na medida em ue € encargo da esedla, instituigsio soeial cuja organizagio € funeionamento dependem das relacdes de forea socials politicas. A escola é uma instituigdo educativa: estorca-se ppor colocar em acdo os melos mais efleazes para alcangar as fimalidades ecucaiivas perseguidas pela sociedade. Transmite as criangas modelos explicitados e estilizados de comport mento, isto é modelos mnais puros, mais esquematizados, do que adueles que a crianga adquire através de contato social direto, Ensina as erlancus a se controlar, isto é, dominar seus impulsos sexunis ¢ agressives, ¢ facilita a sublimagio inculeando-Ihes certos ideais. Explicathes, direta ow indi- relamente, o que & a Sociedade, como ela funciona e quais 10 os deveres dos cidadaes, Em suma, a escola visa a uma, transmissio mais efiews dos modelos ¢' das normas de com- portamento, dos funcamentos éticos do controle pulsional e Gas idgias sécio-politicas. A. escola desempenha, portanto, um papel politico na medida em que propaga uma educaeso que tem, ela propria, um sentido politico, Assim, os grupos socinis ‘¢ as classes Sociais procuram fazer da escola o instrumento de siias finy- idades, de seus interesses e da difusiio de suas idélas. A es- 20 ‘A mustiricagho rroacéarce cola é 0 campo de lutas que traduzem as tensées € os contli- tos que atravessam a socledade, a comegar pela luta de clas- ses, (A escola se diz. laica ¢ politieamente neutra, mas serve, antes de tudo, aos interesses da classe dominante —~ apesar fe nao ser tolalmente fechada aos modelos, aos ideals ¢ as jdéias das outras classes socials, ¥i, ae mesmo tempo, vitima fe fonte de propagagéo da idéologia dominante, pois con- funde os modelos, as normas ¢ as idéias da classe dominante com os da sociedade, e mesmo da humanidade, Nao cria a ideologia dominante. Esta é engendrada pelas estruturas e pelas proprias relagées socials, © = escola contenta-se em hdoté-la. Mas teforga a ideologia dominante dispensando uma educacaa que se diz humanista, puramente cultural ¢ independente das realidades sociais, A escola pretende prole gersse das realidades e das Intas socials ¢ dar a todos a mesma Cultura individual. Mas, refletindo as finalidades educativas Ge uma, sociedade de classes, a escola transmite uma cultura Individual que tems uma sighificaciio politica de cl: disso, no medida em que seu isolamento com relagio BS Tea liciades sociais The trae uma garantia de objetividade eultu ral, ela mascara, alnda melhor, a significaggo politica de Clase dessa cultura individual do que o faz a formuci contato social direto, ola no pode escapar a esse papel politico, pois depende de muitas formas da sociedads, isto & quer de umn social (Ipreja, municipatidade, partido politico), quer tie um poder de Estado que exprime os interesses da classe dominante. Depende deles: —- pata set finaneiamento ¢ sua gestéo: financiamento ivacia ot pablico, gratnidade total, parcial ov nula; — para seu controle; controle por um Estado, wma Igreja, um Partido, uma municipatidade, por uma assoclagso de pais de alunos, etc.; para o reerutamento de seus professores e de seus alunos: reerutamento local au nacional; yeerutamento por simples inscrigdo, por exame ou por concurso, atrativo finan- veiro e social da, fungéo de professor ou diplomas concediclos pela escola, ete; para © Feconhecimenta social do valor da educagio que ela dispensa: valor dos diplomas, adequagio dos progrs mas as necessidades da sociedade, acordo da sociedade no que concerne 20 modo de controle’ pedagégien, ete roveagto & routines a Essa dependéncia multiforme da escola com relacio & soviedade determina, ao mesmo tempo, as finalidades da instituigdo escolar (formacdo de erentes, de cidadios, de trabalhadores, de funciondrios, de téenicos, ete.; formacao de massa ou formagio de uma elite) e Sua organizagio Interna (poder de deciséo e de organizagso, tipo de ensino, modo de controle pedagézieo, forma de selecao, ete.). Por ser uma Instiluigio social, a escola dispensa, portanto, uma educa- cao que tem sentido politico ‘A educacao ¢ bastante politica, Transmite modelos so- is € normas sociais de comportamento, Tnculea na crlan- ga ideais socinis que formam sua personalidade, Propaga jas socto-politicas. # encargo da escola, que é uma insti- tuigsio social. Tudo isso prova que a educacdo é um fend- meno socidlmente determinado. Mas os modelos e os ideals sociais, assim como as idéins socials e ag pressoes socials que se exercem sobre a escola, sao multiples ¢ muites yezes anta- gonicos. A educagao efetivamente recebida pela erianca, bem como o poder politico, esta, antes de tudo, a servico da classe social dominante, Na medida em que traduz as relagées de Forea no seio cla sociedade global, a educacéio & mais do que social, 6 politica, Antes de continuar minha reflexio, gostaria de mostrar que nao se trata, neste caso, de uma descoberta. Apesar do que pensem sobre isso 08 partidarios da laicidade ¢ da neu- tralidade polities da edueacéo, hd muito tempo que se sabe nao s6 que a edueacio tent um sentido polities, mas ainda que é um fendmeno ‘de classe, A significagdo potitica da educaydo é historicamente conhecida _A signifieacdo politica da edueagéo manifestase na his- toria das instituigdes e das tecrias pedagégicas, Os escrlbas egipcios e mesopotémicos ja coloeavam seu conheeimento de uma eserita 40 mesmo tempo seereta ¢ extremamente com- plicada a servigo da difusio no império das diretivas impe- Js, Sofistas gregos e retéricos do Baixo Império Romano “ome! o exempta da cota, yorgue la ¢ hole a pinelpal tnstitleso Seale Sia pode if una tai do mame po 8 Hebe