• RAM, REV. ADM. MACKENZIE, V. 12, N. 1 • SÃO PAULO, SP • JAN./FEV. 2011 • ISSN 1678-6971 • Submissão: 12 jul.

2008. Aceitação: 12 nov. 2010. Sistema de avaliação: às cegas dupla (double blind review). UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE. Walter Bataglia (Ed.), p. 169-203.

A

a socialização de consumo e a formação do materialismo entre os adolescentes

CRISTIANE PIZZUTTI DOS SANTOS
Doutora pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professora da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Rua Washington Luiz, 855, Centro, Porto Alegre – RS – Brasil – CEP 90010-460 E-mail: cpsantos@ea.ufrgs.br

DANIEL VON DER HEYDE FERNANDES
Doutorando em Comportamento do Consumidor pelo Departamento de Marketing da Erasmus Universiteit. Pesquisador da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Rua Washington Luiz, 855, sala 455, Centro, Porto Alegre – RS – Brasil – CEP 90010-460 E-mail: dvon@terra.com.br

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RESUM O
As experiências na adolescência são de grande importância na construção de padrões de comportamento, inclusive na fase adulta. Utilizando-se da teoria da socialização e de estudos sobre materialismo, o propósito deste trabalho é examinar a formação do comportamento materialista entre adolescentes, investigando as variáveis antecedentes desse comportamento. Para tanto, um modelo teórico, baseado em duas importantes correntes de pesquisa – teoria da socialização e da estrutura sociofamiliar – foi desenvolvido e testado, através de dois estudos descritivos de corte transversal, o primeiro com 460 adolescentes e o segundo com 190 recém-adultos. O modelo foi testado pela técnica estatística de Análise Fatorial Confirmatória a partir de equações estruturais. Os resultados do primeiro estudo trouxeram um impacto significativo das seguintes variáveis no comportamento materialista dos adolescentes: 1. grau de interação com os pais; 2. nível de contato com os amigos; 3. grau de contato com a televisão; 4. sexo; 5. renda familiar; e 6. situação dos pais. Jovens do sexo feminino, com pais separados, alta renda familiar, maior contato com os amigos e com a televisão indicaram maior grau de materialismo; enquanto aqueles com maior interação com os pais apresentaram menor grau de materialismo. Ao se comparar os resultados obtidos na primeira amostra com aqueles obtidos na segunda – composta por jovens adultos –, observa-se que a influência do sexo, da renda e, principalmente, da televisão no comportamento materialista obteve queda expressiva. Por outro lado, a influência da separação dos pais na época da adolescência mantém-se elevada e a influência da interação com os amigos também nessa época tem forte aumento. De forma geral, os resultados sustentam o impacto da socialização durante a adolescência na formação do materialismo e a influência da interação com amigos tanto entre adolescentes quanto entre indivíduos no início da fase adulta. Em relação à televisão, o impacto é mais imediato, ficando restrito ao comportamento materialista durante a adolescência. A separação dos pais, o sexo e a renda familiar também tiveram influência relevante. Não houve diferença

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nos níveis de materialismo entre as duas amostras. Um estudo qualitativo com 11 adolescentes foi realizado para sedimentar os achados, no qual a influência do grupo foi ressaltada.

PALAVR A S - C H AV E
Socialização; Adolescentes; Materialismo; Estrutura sociofamiliar; Comportamento.

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INT R O D U Ç Ã O

É comumente aceito pelos pesquisadores de marketing e do comportamento do consumidor que os indivíduos consomem produtos e marcas pelas suas propriedades simbólicas, tanto quanto por seus benefícios funcionais (LEVY, 1959; RITSON; ELLIOTT, 1999). A preocupação dos consumidores em escolher, selecionar, adaptar e expor suas posses e bens de modo a produzir uma afirmação estilística a seu respeito demonstra o quanto as práticas de consumo são carregadas de significados culturais. Esses significados expressam categorias, princípios, ideais, estilos de vida, identidades e projetos coletivos – aspectos culturais do indivíduo e de sua sociedade – que, devido à subjetividade inerente, não podem ser compreendidos simplesmente mediante concepções de valor econômico e de trocas racionais e instrumentais. As pessoas utilizam produtos e marcas para cultivar, preservar e expressar suas identidades. Para os jovens, esses símbolos parecem ainda mais pertinentes. Por ser um período de descobertas, dúvidas e incertezas, existe na adolescência uma forte tendência à busca de posse material como uma forma de estabelecer identidade própria e alcançar o tão almejado prestígio (BELK, 1988). As experiências vivenciadas na adolescência são de grande importância na construção de padrões de comportamento, inclusive na fase adulta. Segundo Ward (1974), pelo menos alguns padrões de comportamento são influenciados por experiências na adolescência e o estudo dessas experiências serviria para entender não apenas o comportamento do consumidor jovem, mas também o desenvolvimento de padrões de comportamento entre adultos. Contrastando com essa lógica, poucos estudos têm observado as características dos consumidores adolescentes e, menos ainda, têm investigado fatores formadores dessas características. No Brasil, segundo o IBGE (2000), cerca de 35 milhões de pessoas estão entre 10 e 19 anos, e aproximadamente 340 mil já

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Teorias e pesquisas em diversas áreas (CAMPBELL. O estudo com adolescentes forneceria o entendimento de como se dá a formação do padrão materialista de comportamento. N. devendo ser considerada a grande influência exercida por essa população sobre as compras familiares. O interesse por esse grupo cresce na medida em que em nosso país existem cerca de 28 milhões de jovens com renda própria de R$ 30 bilhões por ano que. . 1 • SÃO PAULO. 1972) sugerem que a socialização é um processo de vida permanente. finalmente. 2011 • p. 1978. uma segunda foi feita com consumidores recém-adultos para tentar aprofundar o conhecimento no assunto. portanto. enfatizando a literatura sobre materialismo e as relações nomológicas da estrutura teórica a ser testada. MACKENZIE. e a terceira apresenta os principais resultados encontrados. MOSCHIS.• RAM. WACKMAN. alcança um estimado de R$ 94 bilhões (VEJA./FEV. medidas para operacionalizá-lo e seus significados no mundo do consumo. materialismo e o período da adolescência e. REV. O objetivo deste trabalho é examinar a formação do comportamento materialista. 1997. SP • JAN. ADM. 2 172 FU N D A M E N TA Ç Ã O T E Ó R I C A E HIP Ó T E S E S D E P E S Q U I S A Nesta seção serão abordados os principais temas que permeiam esse estudo: o comportamento materialista. 169-203 • ISSN 1678-6971 são responsáveis pelo domicílio. além da sua capacidade econômica individual. foi desenvolvido e testado entre consumidores adolescentes. Este artigo constitui-se de três partes: a primeira apresentará a fundamentação teórica. uma análise qualitativa com vistas a sedimentar os achados da parte quantitativa foi realizada. as variáveis consideradas neste artigo como antecedentes desse comportamento: os agentes de socialização e as variáveis socioestruturais. 2004). suas definições. Por fim. investigando as variáveis antecedentes desse comportamento na população jovem. V. Após a primeira coleta com consumidores adolescentes. baseado em duas grandes correntes de pesquisa – teoria da socialização e da estrutura sociofamiliar –. somada à influência sobre as compras familiares. um modelo teórico. WARD. sendo a adolescência um período crucial para que a aprendizagem ocorra e sejam desenvolvidas importantes características de consumo que orientam a relação da pessoa com o mercado até nos estágios seguintes da vida. a segunda parte discute aspectos da metodologia de pesquisa. 12. Para tanto. O consumo do jovem brasileiro vai.

falta de princípios e de valores morais. no seu sentido mais profundo. p. GRUNHAGEN.• RAM. Isso remete à descrição de self de James (1890. as definições sugerem que o indivíduo se sente mais capaz pela propriedade de objetos. 12. no qual a satisfação é derivada mais da reação da audiência do que da utilidade da compra. definiram-no como “uma orientação que considera bens materiais e dinheiro como sendo importantes para a felicidade e desenvolvimento social de uma pessoa”. Mais tarde. ADM. Richins e Dawson (1992) definiram materialismo como um valor pessoal de importância à posse de materiais e o dividiram entre três partes: centralidade (posses representam um papel central na vida). as pessoas associam o materialismo à busca excessiva de status por meio de posses. SP • JAN.. possessividade. as primeiras pesquisas sobre materialismo. Coletivamente. Na área de comportamento do consumidor. 1991). Embora determinados traços de personalidade estejam associados ao materialismo. HERMANS. 54). insegurança. 1 • SÃO PAULO. acadêmicos e teóricos ainda não alcançaram uma definição unânime desse comportamento (KILBOURNE. PARKER. A noção popular de materialismo relaciona-o com o consumo conspícuo. p. numa abordagem mais psicológica./FEV. autocentralidade. N. inveja e falta de generosidade e reflete a importância do consumidor em relação à posse de bens. Ainda. como sugerido por Belk. Para os indivíduos materialistas. Belk (1985) definiu materialismo como uma postura que engloba traços relativos à personalidade de possessividade. orientações pessoais de valores morais e de ética. Micken e Roberts (1999. E mais recentemente. 513) sugerem que comportamentos materialistas refletem “confiar a objetos a função de não apenas revelar um traço de personalidade. 2004). 2005. p. felicidade (posses estão ligadas a bem-estar) e sucesso (sucesso julgado pela posse). Além disso. Mayer e 173 . O que todas essas definições têm em comum é a percepção do consumo como meio de se adquirir mais do que o valor instrumental ou funcional da mercadoria. o self do ser humano é o somatório total do que ele pode dizer que é seu”. BELK. 169-203 • ISSN 1678-6971 2. Burroughs e Rindfleisch (2002. de desconsideração do outro e da subjetividade do indivíduo. 291): “. ao sentimento de inveja. mas de estabelecer uma marca de identidade”.1 MATERIALISMO Embora exista um crescente interesse de pesquisa no comportamento materialista. SCHAEFER. REV. as compras de bens de consumo oferecem a possibilidade mágica de transformação do self (MEHTA. feitas por Ward e Wackman (1972. FOLEY. MACKENZIE. p. 349) definem materialismo como a crença do indivíduo de que seu “bem-estar depende da posse de objetos”.. 2011 • p. Finalmente. Pesquisas têm relacionado o materialismo a traços psicológicos. V.

de acordo com as normas sociais vigentes (visão antropológica). 2005). 12. indicam que a definição do materialismo como. profissional e familiar. ZILLES.• RAM. adolescência e juventude são diferentes.1 ADOLESCÊNCIA E MATERI A L I S M O 174 Segundo Reato (2001). Richins e Dawson (1992) propõem que o materialismo seja tratado como um valor pessoal. A adoção de alguns valores presume que determinados objetivos ou condutas sejam preferíveis a outros. Enquanto o primeiro diz respeito ao conjunto de modificações orgânicas. num período entre 15 e 25 anos. ele próprio. os conceitos de puberdade. até a maioridade.1. ADM. como a variação do materialismo ao longo do tempo e as interferências do ambiente em sua mensuração. um momento de definições diversas no campo sexual. Assim. 2011 • p. V. 1973). REV./FEV. definir materialismo como um valor é consistente com a noção de que materialismo reflete a importância que a pessoa atribui à suas posses (e à aquisição dessas) como uma necessidade ou forma de conduta e de consumo. Utilizar-se-á aqui uma definição mais arraigada à visão antropológica de que a adolescência é um período de formação particularmente rico em possibilidades desestabilizadoras. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) (apud REATO. o que uma pessoa ou grupo preconiza como ideal e recomendável pode ser considerado um valor. algumas questões posteriormente abordadas. a adolescência compreende o período de transição biopsicossocial que ocorre entre a infância e a idade adulta (delimitado cronologicamente dos 10 aos 20 anos) e a juventude engloba momentos intermediários e finais da adolescência e primeiros da maturidade. desempenhando papel muito importante em suas decisões de consumo. 2. RODRIGUEZ. ou ainda como um período do crescimento e desenvolvimento do ser humano que se inicia com a puberdade e termina ao final da segunda década de vida (visão médica). asseverando que valores são aquilo que os indivíduos tomam como importante em suas vidas. portanto. como uma etapa do homem determinada de acordo com cada sociedade (visão sociológica). 169-203 • ISSN 1678-6971 Driscoll (1984). a adolescência pode ser compreendida de diferentes formas: como uma etapa sociocultural que começa com os modelos culturais dos ritos de iniciação e se encerra com a chegada à idade adulta. como o período situado depois da infância. 1 • SÃO PAULO. um traço de personalidade talvez não seja a mais adequada (SCARABOTO. ainda dentro da menoridade. Valores expressam as metas que motivam as pessoas e indicam os meios apropriados de atingir essas metas (ROKEACH. SP • JAN. conforme a legislação correspondente (visão do direito). Com essa compreensão. . MACKENZIE. Schwartz (2005) corrobora essa ideia. N. 2001).

V. representado por um construto tridimensional. sejam elas físicas. é nessa etapa que se estabelecem modelos de condutas responsáveis não só pela saúde presente do jovem. Inexperiência de consumo e dúvidas sobre a própria identidade são apontadas como causas de escores maiores (RICHINS. 2003). psicológicas ou sociais. O modelo de Richins e Dawson (1992) descreve o materialismo como um valor pessoal. além de todo o conjunto de modificações que a caracterizam. Entretanto. 1994). A adolescência é um período crucial do desenvolvimento do ser humano porque. Essa escala foi inicialmente examinada como sendo unidimensional. embora apresentem maiores escores de materialismo (ROEDDER-JOHN. N. PEPPER.. Outros estudos observaram que a escala original de 18 itens pode ser reduzida. 1991). 2001). a diferença para os dias atuais é que os adolescentes buscam os bens materiais e atribuem importância elevada a eles bem mais do que os jovens em épocas passadas o faziam (BELK. mas também por suas perspectivas de futuro como adulto. Estudos realizados com adolescentes sugerem que os jovens mantêm as mesmas atitudes que os adultos em relação ao que possuem (ERIKSON. 1999). DITTMAR.1. Independentemente da definição. examina o materialismo como um traço de personalidade. Cabe salientar que essa ideia de transitoriedade não deve ser interpretada como sinônimo de importância menor. 1959).• RAM. 1994). REV. 1 • SÃO PAULO. derivada inicialmente do estudo de Ward e Wackman (1972). A escala de Moschis e Churchill (1978). 169-203 • ISSN 1678-6971 de sensibilidade às influências externas (SAGGESE. Schaefer. o que representa a adolescência são as importantes transformações que ocorrem nessa fase. relatando a importância aos indivíduos de objetos materiais. felicidade e sucesso. Esse construto fora desenvolvido e testado empiricamente por Richins e Dawson (1992) e por Moschis e Churchill (1978). Por ser a adolescência um período de crise de identidade. Os estudos que têm utilizado essa escala revelam o materialismo como construto latente formado pelas três dimensões originais.2 ESCALAS PARA MEDIR MAT E R I A L I S M O O materialismo é considerado um construto multifacetado. 2. SP • JAN. nesse estágio os jovens buscam alcançar a identidade através da aquisição e acumulação de objetos de consumo seletivos (ERIKSON. Hermans e Parker (2004) num estudo com três culturas 175 ./FEV. para um número menor de itens (ROBERTS et al. 2011 • p. MACKENZIE. ADM. Essa informação não é recente. 12. mantendo seu significado e validade. relacionado aos fatores de centralidade. ligados à aquisição e posse de bens materiais. 1959.

HARRIS. existiriam duas dimensões na escala. Essa diferenciação fora corroborada por Kilbourne. Através dessa classificação. Conforme Schaefer. O’Guinn e Faber (1989) encontraram uma relação entre materialismo e tendências de consumo compulsivo. os materialistas são identificados por consumirem mais e por perseguir em suas compras a aquisição de status ou de produtos diferenciados e exemplares únicos (LYNN. Ou seja. o materialismo é maléfico. à confusão. e Dittmar e Pepper (1994) 176 . MACKENZIE. à inveja e a problemas psicossociais. 169-203 • ISSN 1678-6971 (norte-americana. 1 • SÃO PAULO. ROBERTS. Ou seja. o materialismo não causa danos e não é visto negativamente.1. Contudo. Csikszentmihalyi e Rochberg-Halton (1981) desobrigam o materialismo do caráter negativo. 1999). a dimensão normativa e a atitudinal. japonesa e chinesa) encontraram uma solução de dois fatores. 2.3 MATERIALISMO: O LADO N E G R O D O C O N S U M O A separação entre materialistas e idealistas proposta por Bourdieu (1988) e a distinção entre consumo adequado e inadequado identificada por Campbell (2001) se aproximam da classificação de Csikszentmihalyi e Rochberg-Halton (1981) em materialismo instrumental (considerado “bom materialismo”) e terminal (que seria “materialismo ruim”). que os objetos ajam como meios essenciais para a descoberta e sustentação de valores pessoais e objetivos de vida. A dimensão normativa é um fator externo associado à influência social e a dimensão atitudinal representa a influência pessoal. Hermans e Parker (2004). à irracionalidade. ADM. 1997). N. o que é consistente com as pesquisas anteriores que encontram múltiplos fatores formando o construto materialismo (MICKEN. quando a motivação é ancorada em valores mais coletivamente orientados. a maior parte dos estudos não vê o materialismo com bons olhos. Em pesquisas anteriores. à impulsividade. O argumento utilizado pelos autores para que as posses exerçam influências positivas na vida de uma pessoa (sendo possível distinguir duas formas de materialismo de acordo com o propósito de consumo) é que elas tenham o propósito instrumental.• RAM./FEV. Grunhagen e Foley (2005). Já o propósito terminal aparece em situações nas quais o consumo não tem outro fim senão a posse em si. 2011 • p. com a intenção de gerar inveja ou admiração em terceiros ou servir como símbolo de status. Apesar dessa abordagem. Essa forma de lidar com o mercado é considerada ligada ao lado negro do consumo. V. 12. SP • JAN. envolvendo a atualização pessoal e o desenvolvimento de laços mais fortes com a família e com os amigos. ficando esse dependente da motivação. REV. quando a razão do consumo é a posse em si e a intenção de despertar inveja e obter status.

hiperconsumo e hipernarcisismo. 177 . bem como a perspectiva do cultivo (SHRUM. Richins (1994) defende que as práticas materialistas influenciam não apenas a qualidade das mercadorias e bens adquiridos. de “pertencer” ao mundo e ao grupo que professe as mesmas crenças e valores (RATTNER. 2004). cultura. Schouten e McAlexander (1995) constataram que subculturas são formadas e mantidas por práticas de consumo compartilhadas. N. V./FEV. RINDFLEISCH. portanto. como uma orientação sobre consumo conspícuo e sobre posses (FLOURI.• RAM. 1 • SÃO PAULO. diversas explicações sobre o comportamento materialista são propostas. fragmentadas. 2002) será aqui utilizada. enfim. hipermercados. Todavia. Através da “ideologia de consumo” que equaciona posses materiais a felicidade. Esses aspectos aparentemente materialistas da cultura não podem ser separados das dimensões filosóficas e psicológicas da vida. hiperpotências. cujos pilares se assentam nas noções de hipermodernidade. símbolos. A noção de que posses materiais funcionem como substitutos de relações interpessoais inadequadas ou insatisfatórias (BURROUGHS. Belk (1991) afirma que os hábitos de consumo de indivíduos materialistas ocasionam maior arrependimento e insatisfação pós-compra. MOSCHIS. Os seres humanos vivem envoltos em teias de significados simbólicos por eles criados e que lhes conferem sentimentos de identidade. O materialismo é visto. 1999) e uma relação pouco saudável do indivíduo com o mercado. reconhece-se a importância da interação com “outras pessoas” para a troca de valores. 1979) para explicar a formação de comportamentos materialistas entre os jovens. os consumidores são levados a acumular posses e organizar suas vidas em torno do consumo de bens materiais (HETRICK. De uma perspectiva macro ou societal. Com base na literatura revisada. Nesse sentido. O Quadro 1 apresenta os principais estudos sobre os antecedentes do materialismo. 1990). muito embora pesquisas empíricas sobre o assunto sejam. 1989). encontra-se o materialismo como consequência negativa do capitalismo (KASSIOLA. 2005) e da socialização (CHURCHILL. REV. até o momento. 169-203 • ISSN 1678-6971 encontraram evidências ainda maiores para essa relação. Há outros indícios de que na era atual tudo se tornou “hiper”. RINDFLEISCH. mas também a quantidade numa forma pouco lógica de consumo. ADM. uma cultura do excesso. MACKENZIE. 2011 • p. 12. BURROUGHS. que nos revelam os significados mais profundos da cultura na formação da mentalidade humana. Tal identidade faz ponte entre o interior individual e o exterior social. SP • JAN. sentidos.

SP • JAN. conforme classe social e sexo (MOSCHIS. WARD. CHURCHILL.2 A PERSPECTIVA DA SOCIA L I Z AÇ ÃO D O S C O N S U M I D O R E S E O MATERIALISMO O termo socialização refere-se ao processo pelo qual o indivíduo adquire diversos padrões de conhecimento e de comportamentos (GOSLIN. sendo a idade a melhor forma de medir esses estágios (KOHLBERG. da aprendizagem social. 12. 2. Richins (1994). considera a aprendizagem um processo psicológico-cognitivo de ajustamento ao ambiente.• RAM. do desenvolvimento cognitivo. A primeira teoria. 1969) e que. Belk (1991) Moschis e Bello (1987). ADM. Moschis e Churchill (1978). Estudos sobre socialização de consumo. iniciada pelos estudos de Piaget. REV. 1 • SÃO PAULO. conhecimentos e atitudes relacionadas ao consumo (WARD. enquanto a socialização de consumo refere-se especificamente ao processo pelo qual a pessoa desenvolve habilidades. o jovem desenvolverá progressivas habilidades e padrões de comportamento. WACKMAN. os quais. 1969). Churchill e Moschis (1979) • Idade/ Maturidade Fonte: Elaborado pelos autores. atitudes. bem como os agentes de socialização. diferentes comportamentos serão resultantes. MACKENZIE. BELLO. 178 . motivações. 1977). WARD. WARTELLA. V. 1987). MOSCHIS. 1978. 1977). enfatiza a influência dos agentes de socialização. Essa teoria pressupõe que. Moschis e Churchill (1978). conforme o estágio de vida. Belk (1985). valores e comportamentos ao aprendiz (WACKMAN. N. influenciam o consumo. através de dois modelos teóricos básicos. têm fornecido suporte à relevância de influências na aprendizagem humana (MOSCHIS. WARTELLA. Moore e Moschis (1978) Rindfleisch e Burroughs (1997). 2011 • p. 1979. 1979) unifica essas abordagens e aponta que os fatores de desenvolvimento. Moore e Moschis (1981) Ward (1974). através da interação ou autoridade transmitem normas. 169-203 • ISSN 1678-6971 Quadro 1 Estudos sobre os Antecedentes do Materialismo Orientação teórica Aprendizagem social Demográficosocial Estrutura familiar Desenvolvimento cognitivo Antecedentes do materialismo estudados • Pais • Amigos • Mídia • Renda • Sexo • Composição da família Autores Churchill e Moschis (1979). 1974). A segunda teoria. MOSCHIS. O modelo de aprendizagem de consumo (CHURCHILL./FEV.

SHILS. COPPOTELLI. como atitudes favoráveis frente à propaganda. 2000). 12. podendo refletir sobre a realidade. 1 • SÃO PAULO. os agentes de socialização são qualquer pessoa ou organização diretamente envolvida na socialização de um indivíduo devido à frequência de contato. 1978). uma vez que o êxito ou fracasso percebido nas relações impactam a autoavaliação. sociólogos especularam que os jovens aprendem os aspectos “racionais” básicos do consumo com seus pais (RIESMAN. Desse modo. 1955. é na relação com os demais que o jovem vai. 1959. Os sujeitos sociais orientam suas práticas e ações. SP • JAN. como motivações sociais de consumo e materialismo. na medida em que contribui para a construção do autoconceito. presentes na escola e na família. A família é um espaço de relações e de identificação afetiva e moral (LUCKMAN. traçadas e vividas apenas a partir de experiências próximas no tempo e no espaço. Os principais agentes de socialização são os pais. aumento da consciência de marca e da consciência de preço (MOORE. MACKENZIE. os amigos e a mídia (SCOTT. 169-203 • ISSN 1678-6971 Segundo Moschis e Bello (1987). Portanto. A interação com pares não influencia apenas a formação de um repertório de respostas de adaptação social. Como bem afirma Silva (2001). Por fim. ROSEBOROUGH. o qual irá influir na maneira de lidar com as diferentes situações que a vida lhe impõe. É possível observar ainda as relações de autoridade. PARSONS. as trajetórias individuais e coletivas não seriam mais definidas. como a percepção dos pares tem efeito na inclusão ou exclusão social do adolescente. e desejáveis. 1978). BALES.• RAM. É nesse espaço de convivência sanguínea e afetiva que se modela uma subjetividade. REV. os sujeitos teriam contatos. construí-la e experimentá-la a partir de outros parâmetros que não sejam exclusivamente locais. as hierarquias internas. Assim. ADM. 2011 • p. a percepção dos colegas também se apresenta como fator preponderante para o desenvolvimento do indivíduo. a influência dos amigos na formação de atitudes é reforçada (COIE. sabe-se que a cultura de massa ao circular informação e entretenimento transmite também valores e padrões de conduta. Ainda na década de 1950. Pelo contrário. que se toma contato com as primeiras formas simbólicas de integração social (SINGLY. autoridade ou controle por punição e recompensa dada a essa pessoa ou organização./FEV. CHURCHILL. reforçando – positiva ou negativamente – determinadas condutas. aos poucos. MOSCHIS. V. 1983). 1978). 1953). seriam atingidos por modelos e referências produzidos em contextos fisicamente 179 . N. 1982). MOSCHIS. Os pais são considerados os agentes primários de socialização para a formação de comportamento racional de consumo e socialmente desejável do adolescente (MOSCHIS. DODGE. Já a frequência de comunicação sobre consumo com os amigos está associada a diversos comportamentos e motivações de consumo indesejáveis. Estudos recentes sobre a socialização de consumo parecem suportar essa premissa. construindo seu autoconceito.

Por outro lado. p < 0. o jornal é considerado auxiliar ao desenvolvimento de habilidades racionais de compra (MOORE. A teoria do cultivo também afirma que a televisão influencia valores pessoais. 169-203 • ISSN 1678-6971 distantes e dispersos. Exemplos incluem o aumento do consumo conspícuo e por motivações sociais (O’GUINN. Burroughs e Rindfleisch (2005) verificou haver uma relação positiva entre materialismo e quantidade de tempo despendida para assistir à televisão (β = 0. Por outro lado. MACKENZIE. N. aqueles que prestam mais atenção ao assistir à televisão apresentaram maiores índices de materialismo (β = 0.37. portanto. 12. assistir à televisão parece cultivar a percepção de uma sociedade afluente. ordem de nascimento. ADM. 2. V.001). Outros estudos estabelecem a contribuição da TV na aquisição de desejáveis e indesejáveis orientações para consumo. na medida em que as percepções são assimiladas durante o tempo. MOSCHIS. WARD. REV. 1982) e diminuição na habilidade em processar informações em compras (WACKMAN. 1981). O’Guinn e Shrum (1997) constataram que a quantidade de tempo despendida para assistir à televisão está positivamente relacionada à percepção de prevalência por produtos e serviços caros e que.3 VARIÁVEIS SOCIOESTRUTU R A I S E O M AT E R I A L I S M O As variáveis socioestruturais referem-se ao ambiente social no qual ocorre a aprendizagem da pessoa. o estudo de Shrum. Estudos sobre a influência da televisão no comportamento do consumidor têm se utilizado da teoria do cultivo (GERBNER et al.001). Assim.. 1 • SÃO PAULO. Com base nessas premissas. tem-se o primeiro grupo de hipóteses deste trabalho: • 180 • H1: Pais(a) e jornais(b) terão impacto negativo no comportamento materialista de consumo dos adolescentes. FABER. Essa teoria consiste de duas premissas principais: de que o mundo da televisão difere significativamente da realidade (maior riqueza. Em resumo. Classe social. 1977). Além disso. MOORE. maior crime) e que essa distorção influencia a crença dos espectadores (eles pensam que a abundância e o crime são mais comuns do que realmente são). sexo. p < 0. Com base nesse raciocínio. número de ./FEV. embora tenda a formar mais orientações indesejáveis. WARTELLA. 2011 • p. MOSCHIS. SP • JAN. os amigos e a televisão podem estar relacionados a orientações indesejáveis de consumo e a instigar a orientação de valorização por meio de posses.• RAM. os pais e o jornal parecem ter influência negativa sobre a formação de atitudes materialistas dos adolescentes. H2: Amigos(a) e televisão(b) terão impacto positivo no comportamento materialista de consumo dos adolescentes. 1989.51. 2002).

/FEV. o que levaria pessoas de menor renda a terem comportamentos mais materialistas. 1978). espera-se que essa influencie o nível de comportamento materialista dos jovens da seguinte forma: • H4: Variáveis financeiras terão impacto na formação do materialismo no sentido de que o adolescente de menor renda familiar será mais materialista do que aquele de maior renda (a) e o adolescente que recebe mesada será menos materialista do que aquele que não recebe (b). Variáveis financeiras exercem alta influência nas compras dos jovens (BEATTY. MOORE. HALL. Da teoria da aprendizagem tem-se que. as crianças adquirem algum conhecimento do processo de compra numa idade precoce. TALPADE. Em relação à classe social. A classe social afeta tanto padrões de tomada de decisão como o desenvolvimento desses padrões. ADM. os homens enxergam a atividade de compra como uma necessidade e como puramente motivada pela compra em si (CAMPBELL. 1978). materialistas demonstram ativamente tentar restaurar alguma privação psicológica que a classe social impôs nas suas vidas. Meninas. 1978. conforme Claxton e Murray (1994). MOSCHIS. 1998). portanto. têm demonstrado ser mais precavidas e ter maior interesse pela atividade de compra (MILLER. 1994. 1999. 169-203 • ISSN 1678-6971 irmãos e estrutura familiar são exemplos de variáveis socioestruturais. os adolescentes de classe social mais baixa têm menos experiências com dinheiro e podem ser menos cientes de alguns aspectos de consumo do que adolescentes de classe social mais alta (WARD. 1997). devido à baixa renda. MACKENZIE. 2002). SP • JAN.• RAM. espera-se que sejam menos materialistas. na comparação com meninos. portanto. CHURCHILL. 2011 • p. V. 1964) e têm maior tendência a buscar mais informações antes da tomada de decisão (MOSCHIS. 181 . N. Glaser e Denny (1950) também encontraram que nas famílias de renda superior. Pesquisas anteriores suportam essa linha de raciocínio. 1974. 1992). Por outro lado. propõe-se que: • H3: O sexo terá impacto na formação do materialismo no sentido de que adolescentes do sexo masculino serão menos materialistas do que adolescentes do sexo feminino. 1 • SÃO PAULO. Meninos demonstram serem mais repetitivos e realizarem compras planejadas (BUTTLE. Além disso. 1974). Assim. REV. BUTTLE. As mulheres têm maior tendência a considerar a atividade de compra como prazerosa (DHOLAKIA. Riesman. de que adolescentes de classe mais alta são mais cientes nas suas decisões de compra (WARD. MOSCHIS. Especificamente. 12. 1992). alguns pesquisadores sugerem que os jovens de classe social mais alta têm maior preferência a determinadas marcas (GUEST.

2011 • p. minimizando as diferenças de conhecimento. Especificamente. 1978). 1978). SP • JAN. os adolescentes são mais inclinados a desempenhar os aspectos funcionais de consumo (maior independência para a tomada de decisão. 1985). BURROUGHS. 1991)./FEV. 1969). 1977) e maior preferência a marcas (MOORE. referindo-se a época específica em relação ao grau de maturidade no qual a pessoa se encontra (MOSCHIS. • H5: A estrutura familiar afetará as atitudes materialistas de forma que os adolescentes com pais divorciados serão mais materialistas do que os adolescentes de pais casados. maiores competências de consumo) (CHURCHILL. Quando as pessoas experienciam sentimentos de insegurança. 182 O fator de desenvolvimento inclui a idade e o estágio no ciclo de vida. Estudos sugerem que o desenvolvimento cognitivo pode contribuir para que o jovem se torne um consumidor mais sofisticado. em último caso. tendem a usar aquisições materialistas como forma de reestabelecer sua própria identidade (CHANG. RICHINS. WARTELLA. 1987). o que é esperado ser mais presente nos primeiros anos da adolescência. V. WARD. 1994) ou como forma de compensar alguma deficiência têm recebido suporte (BELK. ARKIN. perspectivas e. Estudos recentes têm verificado pouca diferença entre o comportamento do jovem nos primeiros anos da adolescência e na idade quaseadulta (GOLDBERG et al. a maturidade está associada a aumento de habilidades em usar variadas fontes de informações (MOSCHIS. 1985.. MACKENZIE. N. ADM. é proposta a seguinte hipótese: . BELLO. os adolescentes estão inseridos cada vez mais cedo em questões relativas a pessoas mais maduras. MOSCHIS. 1979). Todavia. Acredita-se que as habilidades de tomada de decisão mudarão conforme a idade. a idade pode ser usada para medir o estágio de maturidade entre os adolescentes. um maior número de atributos na avaliação de um produto (WACKMAN. atitudes materialistas estão associadas ao desenvolvimento primário da identidade. REV. Além disso. 12. Com o aumento da idade. Conforme (KOHLBERG. Assim sendo. Rindfleish e Burroubhs (1997) constataram o elevado impacto do divórcio dos pais sobre as atitudes materialistas dos filhos adolescentes. 2002) ou como forma de compensar o estresse sofrido (RINDFLEISCH. 169-203 • ISSN 1678-6971 A noção de que orientação por posses materiais é resultado de relações interpessoais inadequadas ou insatisfatórias (BELK. Um acontecimento estressante como um divórcio pode levar o jovem a questionar sua identidade. Dubar (2000) alega que com o acesso a mídia e internet. comportamento entre jovens e adultos. 1 • SÃO PAULO. 2003). MOSCHIS.• RAM. estudos mais antigos defendem que os mais velhos tendem a ter maior maturidade e apresentar menor orientação materialista para as compras (BELK. 1997).

• RAM. ./FEV. N. pois poucos estudos avaliam corretamente as influências socializadoras nesse comportamento e a maioria inclui as variáveis de forma fragmentada. REV. Na Figura 1. As explicações sobre o consumo materialista na literatura têm sido limitadas. não englobando um conjunto significativo de influências. 1 • SÃO PAULO. SP • JAN. com suas respectivas hipóteses. 12. Figura 1 O Materialismo e seus Antecedentes Agentes de socialização Contato com os pais Contato com os jornais Contato com os amigos Contato com a televisão H1a H1b H2a H2b Materialismo H3 H4a H4b H5 H6 183 Sexo Renda familiar mensal Recebe mesada Situação dos pais Idade Vaiáveis socioestruturais Fonte: Elaborada pelos autores. 169-203 • ISSN 1678-6971 • H6: A idade do adolescente afetará as atitudes materialistas de forma que o adolescente de menor idade será mais materialista do que o adolescente de maior idade. ADM. V. pode ser observado o modelo teórico proposto. contribuir para o avanço teórico e formar um arcabouço consistente sobre a formação de atitudes materialistas. MACKENZIE. As proposições deste estudo pretendem preencher esse vácuo. 2011 • p.

REV. durante um evento musical voltado a esse público. 1978. MOORE. O primeiro estudo foi feito com jovens entre 12 e 19 anos. mostrariam disponibilidade em responder os questionários. nas quais o entrevistador levantou informações sobre os hábitos. Já as entrevistas em profundidade foram feitas na mesma escola com a interrupção de um ou dois períodos de aula. Por esse motivo. ADM. . que ocorre anualmente durante dois dias de fevereiro e que reuniu em torno de 90 mil pessoas em uma cidade litorânea do Rio Grande do Sul. comportamentos. diferenças no nível de materialismo e nas influências testadas na primeira amostra. embora demande maior esforço. A análise de observação participante foi feita durante o recreio e períodos de intervalo numa escola particular de Ensino Fundamental e Médio. CHURCHILL. análise de discursos de informantes e interpretação de significados e práticas sociais. nos intervalos dos shows. acredita-se que. em decorrência disso. 169-203 • ISSN 1678-6971 3 MÉ T O D O D E P E S Q U I S A 184 Para testar empiricamente o modelo apresentado foram realizados dois estudos descritivos de corte transversal (survey) com consumidores adolescentes e recém-adultos. que permitiu a entrada dos entrevistadores e a aplicação dos questionários. Por fim. Nessa etapa. 1 • SÃO PAULO. optou-se pela coleta durante um evento.• RAM. MACKENZIE. fez-se necessário um estudo qualitativo com 11 estudantes de Ensino Médio para sedimentar os achados realizados e formar um conhecimento mais sólido sobre o tema. onde jovens de diferentes classes sociais e perfis estariam presentes. Todavia. MOSCHIS. 12. Convém salientar que boa parte dos estudos com adolescentes (MOSCHIS. 1982. N. pois. a homogeneidade entre os respondentes acaba por reduzir o grau de generalização dos resultados. FLOURI. V. Essa coleta forneceu uma informação fundamental./FEV. com o propósito de descobrir informações que auxiliassem a compreensão dos resultados da fase quantitativa. 1981. pode-se investigar. com uma amostra composta por recém-adultos. SP • JAN. que respondem aos questionários em sala de aula. MOORE. 2011 • p. O motivo de se investigar consumidores nesse evento é que nesse local estaria reunida uma grande quantidade de jovens que. O segundo estudo ocorreu com estudantes de graduação com idades entre 19 e 22 anos de uma universidade pública. atitudes dos jovens. foram realizadas entrevistas em profundidade complementadas por observação participante. através dela. MOSCHIS. 1999) tem utilizado estudantes de Ensino Médio. Isso foi feito com a colaboração da instituição promotora do evento.

Essa coleta obteve auxílio de dois estudantes de mestrado em Marketing e da colaboração de professores da Escola de Administração. atitudinal (“Meu sonho na vida é poder possuir coisas caras”) e externa. o que justificou sua aplicação na corrente pesquisa. foi inicialmente adaptada de Wackman. podendo. para a aplicação em sala de aula do instrumento de coleta de dados.• RAM. assim como suas experiências de consumo. SP • JAN. que capta o nível de materialismo entre jovens como um traço de personalidade. Wartella e Ward (1977) e avalia o materialismo em relação à perspectiva interna.7 para essa escala. desviar a intenção de alguns itens. isso é. optou-se pela escala de Richins e Dawson (1992) para medir o materialismo. Na fase de supervisão. ADM. Além disso. Entre os adolescentes. como comentado. Foram feitas entrevistas pessoais. PARKER. MACKENZIE. Moschis e Moore (1982) encontraram confiabilidade de 0. o vocabulário dos jovens é mais limitado do que o dos adultos. assim. como se lidou com uma população mais velha. V. estudos mostram haver pouca diferença nas atitudes materialistas dos jovens e dos adultos. REV. preferiu-se utilizar no primeiro estudo a escala específica de Moschis e Moore (1982). Foram entrevistados estudantes do 5º semestre em diante. de diferentes estilos e idades foram abordados. 169-203 • ISSN 1678-6971 3. 2004). 20% dos entrevistados foram contatados para que confirmassem as informações dos questionários. 1 • SÃO PAULO. A amostra do segundo estudo foi de 190 estudantes de graduação em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A escolha dos respondentes foi feita da forma mais aleatória possível. sendo assim considerados recém-adultos. 12. Essa escala.2 MEDIDAS O materialismo em adultos tem sido analisado por duas escalas dominantes: de Belk (1985) e de Richins e Dawson (1992). 3. através de uma equipe de 10 entrevistadores treinados./FEV. 2011 • p. No segundo estudo. pois esse instrumento é considerado o melhor para medir o materialismo entre os jovens (SCHAEFER. Embora. normativa (“As pessoas julgam as outras pelas coisas que elas possuem”). N. HERMANS. pois esses geralmente já possuem idade igual ou maior a 20 anos. Esse instrumento é composto por nove itens agrupados em três dimensões: centralida- 185 . sob supervisão de um professor pesquisador. jovens entre 12 e 19 anos. Posteriormente.1 PROCEDIMENTOS DE AMO S T R AG E M E C O L E TA D E DA D O S A amostra do primeiro estudo foi de 460 jovens. o que exigiria simplificações e ajustes nas escalas utilizadas para medir o materialismo entre os adultos. Moschis e Churchill (1978) desenvolveram uma escala com seis itens para medir o materialismo dos jovens.

As demais medidas utilizadas neste trabalho foram retiradas. 3. felicidade (“Minha vida seria muito melhor se possuísse certas coisas que não possuo”) e sucesso (“Eu admiro pessoas que possuem casas. Para que as escalas pudessem ser adaptadas para a aplicação no Brasil. combinando o modelo de medidas. Esses procedimentos garantiram a manutenção do significado e da precisão das medidas. foi utilizada a Modelagem de Equações Estruturais. Foi investigado um modelo híbrido que permite estimar empiricamente os relacionamentos estabelecidos entre os construtos latentes. N. SP • JAN.7.3 PROCESSOS ESTATÍSTICOS D E A N Á L I S E Os métodos estatísticos empregados para a investigação dos dados incluem: estatísticas descritivas básicas e análise multivariada. Além disso. teste da validade das escalas no Brasil através da Análise Fatorial Exploratória (AFE)./FEV. os entrevistados foram solicitados a responder o grau com que concordavam com cada frase conforme escala de Likert de 5 pontos (1 = discordo totalmente. . um pré-teste foi realizado para identificar problemas que poderiam existir no questionário. através da Análise Fatorial Confirmatória (AFC). versão 5. os do segundo estudo. 7 itens. Entendendo-se que o objetivo central deste trabalho é testar as hipóteses elaboradas e examinar a significância estatística do modelo proposto. Nessas medidas também foi utilizada a escala de Likert de 5 pontos. 4 186 RE S U LTA D O S Os resultados deste trabalho serão apresentados da seguinte forma: primeiramente serão apresentados os resultados do primeiro estudo e. então. 12. versão 11 e EQS. Nenhuma mudança foi necessária. pais. basicamente. e. 5 itens. TV. porém entre nunca (1) e muito frequentemente (5). V. 5 = concordo totalmente). ADM. 2011 • p. 1 • SÃO PAULO. em seguida. Somente após o estabelecimento da validade e confiabilidade das medidas utilizadas é que o exame do modelo estrutural é realizado. previamente testado.• RAM. da análise do modelo de medidas. com o modelo estrutural estimado. Foram utilizados os softwares SPSS. de estudos realizados por Moschis (1978) e Churchill e Moschis (1979) – sobre o grau de interação e a influência dos agentes socializadores (jornal. amigos. 6 itens. Para ambas as escalas. REV. MACKENZIE. A ordem será a seguinte: caracterização da amostra. roupas e carros caros”). 169-203 • ISSN 1678-6971 de (“Eu aprecio ter muito luxo em minha vida”). foi necessária a tradução para o português. o que foi feito através da técnica de tradução reversa. 8 itens).

a fim de distinguir as dimensões pelas quais eles são avaliados pelos respondentes. valores satisfatórios (HAIR et al. Outros 55.06). 1982) e 0. Para isso.000. REV. de aproximadamente 23 horas.001). O nível de materialismo da amostra teve resultados medianos (M = 2. composta por 190 estudantes de graduação com idade entre 19 e 23 anos.84). 503. A quantidade de horas assistidas por semana a programas de entretenimento na época da adolescência (filmes. porém com elevada variabilidade nas respostas (D.16). DP = 0.• RAM. = 18.000. são separados.3%. 12. V. Entretanto. aparecem pais e amigos (M = 2. SP • JAN. respectivamente). os pais são casados.11.8 anos). eventos esportivos.71).97 e 2. em média.4%). e em 35./FEV.82. 187 . 2011 • p. Em seguida.84 para a primeira amostra (escala de Moschis. DP = 0. O índice KMO atingiu 0.19.. ADM.82 para a segunda (escala de RICHINS. MACKENZIE. apresentou nível de materialismo um pouco mais elevado do que o da primeira amostra (M = 3. novelas. DAWSON.00 (3% da amostra) a mais de R$ 5. O teste de esfericidade de Bartlett alcançou.P.00 (21. seriados.00 e R$ 5.60 e 409. 1992).17. Em 60% dos adolescentes entrevistados. Sessenta e dois por cento dos respondentes são do sexo feminino. A renda familiar dos entrevistados variou de menos de R$ 500.1 CARACTERIZAÇÃO DAS AM O S T R A S A primeira amostra foi composta por 460 jovens entre 12 e 19 anos (média = 16.7% declararam renda familiar entre R$ 1.62 (p < 0. e jornais em último lugar entre os fatores (M = 2. 3. tornou-se relevante verificar como os dados se distribuíam. respectivamente).000. Moore. nota-se que o grau de interação dos entrevistados com a televisão foi o maior (M = 3. o que rechaça a ideia de que os adolescentes são mais materialistas que os recém-adultos.00. Em relação aos agentes socializadores estudados. N. 1998). A suposição de que as amostras apresentariam níveis diferentes de materialismo foi testada através da análise da variância (ANOVA) entre as médias alcançadas pelos dois grupos. não foi alcançada diferença significativa. A segunda amostra.2 AVALIAÇÃO DAS ESCALAS E D O M O D E L O D E M E D I DA S Considerando-se que as escalas utilizadas sobre o materialismo foram desenvolvidas no contexto norte-americano e não haviam ainda sido validadas no Brasil. A maioria dos jovens (65%) não recebe mesada dos pais e 53% estudam em escola particular. O critério de corte para a retenção dos fatores foi eigenvalue maior ou igual a 1.46) e grau de interação com pais e amigos bem próximos (M = 3.81. 1 • SÃO PAULO. foi realizada a Análise Fatorial Exploratória com rotação ortogonal Varimax. 4. 169-203 • ISSN 1678-6971 4. desenhos e programas de auditório) nessa amostra foi.

Para a escala de Richins e Dawson (1992) foi encontrada.05 e 0. aquele relacionado ao nível de apreciação de luxo na vida do entrevistado. o valor do c2 em relação aos graus de liberdade não excedeu o limite de 5 (1. Assim. respectivamente.68. porém deve ser avaliado em composição com os outros critérios. PETROVA. Após a verificação da estrutura dos dados.90. 12. Entretanto. Porém. apresentou carga elevada. MACKENZIE. sugerindo boa confiabilidade. O procedimento adotado é respaldado por Kline (1998). 1998). porém pouco diferenciada em relação às dimensões de centralidade a posses e de sucesso determinado por posses.60) o que indica unidimensionalidade e validade da escala. Observa-se que todos os índices apresentam valores aceitáveis indicados na literatura (KLINE.. a qual revela a questão interna e de ganho pessoal pela aquisição de posses. os estudos anteriores (MANDEL. (1998) e Churchill (1999). SP • JAN. O exame dos itens dos fatores revela que o materialismo é formado pela dimensão normativa. V. NFI e NNFI obtiveram valores acima de 0./FEV. dentro de índices satisfatórios de ajustamento. Os resultados foram 0. A Análise Fatorial Confirmatória foi empregada para tais análises. CIALDINI. A partir das recomendações de Hair et al. investigou-se a validação geral dos modelos de medidas de ambos os autores e amostras. b) as cargas fatoriais dos indicadores nos fatores forem grandes e significativas. 2006. d) análise de correlação dos construtos indicar validade discriminante.88 – primeira amostra. e pela dimensão atitudinal. O c2 foi significativo. a validade do modelo é suportada se: a) o modelo de medidas se ajustar razoavelmente bem aos dados. 2011 • p. isto é. N. uma vez que é sensível a desvios de normalidade e amostras superiores a 150 (HAIR et al. 1 • SÃO PAULO. por um construto social associado ao ganho obtido pela aquisição de bens perante os outros. o qual ressalva que especificar os indicadores a mais de um fator pode ser problemático caso não se tenha razões específicas para isso. e os CFI. conforme previsto pelo estudo original. A possibilidade de reespecificações foi . 2. uma solução com três fatores representando as dimensões de centralidade. REV. VICKERS.4% da variância. mas considerá-lo representando conjuntamente as duas dimensões.08. Os itens de cada fator apresentaram forte carga fatorial (acima de 0. quanto à centralidade fornecida aos bens. o RMSEA apresentou valor entre 0. felicidade e sucesso do materialismo. 2003) mostram que o consumo de luxo está relacionado tanto à questão de busca por sucesso por meio de posses. A confiabilidade foi avaliada através do coeficiente Alpha de Cronbach. ADM. RENAND.59 – segunda amostra). um item.70 de confiabilidade e a 0.50 de variância extraída. ou seja. 1998). c) indicadores de um construto produzirem índices superiores a 0.78 e 0.• RAM. 169-203 • ISSN 1678-6971 188 A solução da análise fatorial para a escala de materialismo de Moschis e Moore (1982) apresentou dois fatores explicando 65. Optou-se por não excluir esse item.

podemos verificar que./FEV. N. sobre o impacto desses antecedentes no materialismo. todos estes tiveram um efeito altamente significativo. medindo e explicando seus respectivos construtos latentes. 189 . as medidas forneceram níveis satisfatórios de confiabilidade e de variância extraída. 2.b.71 (grau de interação com os pais na segunda amostra e grau de interação com a televisão na primeira amostra. das relações que refletem o impacto: 1. 12. da situação dos pais. 4. do nível de contato com os amigos. REV. Finalizando a discussão sobre o modelo de mensuração. de fato. De acordo com as hipóteses: H1a. através dos índices de ajustamento do modelo híbrido e da significância e magnitude dos coeficientes de regressão estimados. H4a e H5. Isso evidencia a consistência interna entre os múltiplos indicadores de uma variável. 1 • SÃO PAULO. H3. e que estão. 3. na medida em que todas apresentaram variâncias extraídas maiores do que as compartilhadas. 5. t-values > 12. pois os itens apresentaram coeficientes fatoriais significativos nos construtos aos quais se propuseram medir (entre 0. do grau de contato com a televisão.75 e 0. SP • JAN. que estabelece relações entre os construtos teóricos propostos. com elevada significância.87. porém não houve modificações. o coeficiente de determinação foi estabelecido para cada equação estrutural. A confiabilidade ficou entre 0. similar ao que é encontrado na regressão múltipla. 4. Os resultados corroboram a validade discriminante.• RAM. do grau de interação com os pais. primariamente. • Estudo 1: Os resultados da Tabela 1 fornecem a sustentação para alguns dos relacionamentos nomológicos especificados pelo modelo. do sexo. respectivamente). ADM. H2a.68 e 0. V.3 TESTE DAS HIPÓTESES Após o exame das medidas utilizadas. Esse resultado vai ao encontro da AFE.51 e 0.88 (grau de interação com os amigos na primeira amostra e materialismo na segunda amostra. respectivamente). da renda familiar e 6. 169-203 • ISSN 1678-6971 considerada através do teste Lagrange Multiplier. isto é. A validade convergente foi suportada. A variância extraída ficou entre 0. A investigação do conjunto de hipóteses será feita. 2011 • p.87). em que os itens apresentaram carga fatorial bem diferenciada. o foco deste estudo volta-se para a estrutura teórica desenvolvida. MACKENZIE. A validade discriminante diz respeito à comparação entre a variância extraída da dimensão e suas variâncias compartilhadas (o quadrado do coeficiente de correlação) com as demais dimensões. Além disso.

04) 0. * Variáveis incluídas como dummy em que 0 significa ausência do fenômeno e 1 presença.) 0.27 (5.01. Coeficientes significativos estão em negrito. que tratam respectivamente do impacto do jornal.23 (3.33 = p < 0. Error of Approx.65 = p < 0. REV.29 (5. da idade e do recebimento de mesada pelo adolescente.20 (2. 190 Fonte: Elaborada pelos autores.33) -0.12 (1. refutando o raciocínio de que aqueles que não leem jornal. não foram confirmadas.30) -0. 12.25) -0.001) NFI (Normed Fit Index) 0.95) -0.29)* R2 = 0. H 6 e H 4b).494 (p <0. Baseado no teste: t-values > 1.06 (1. Residual) 0.• RAM. 2011 • p. SP • JAN.94)* 0. As demais hipóteses (H1b.94 ª As estimativas apresentadas são do ERLS (iteratively reweighted least squares) usando EQS. Esses resultados implicam que o raciocínio suportado por pesquisas empíricas .05. MACKENZIE.90)* 0.97 NNFI (NonNormed Fit Index) 0. e t-values > 2. V.02 (0. 169-203 • ISSN 1678-6971 Tabela 1 Coeficientes de regressão estimados às relações teóricas propostas a primeira amostra Relacionamentos do Modelo Variável Dependente: Materialismo Contato com os amigos Renda mensal familiar Situação dos pais Sexo Contato com a televisão Contato com os pais Contato com os jornais Idade Recebe mesada 0. T-values entre parênteses.21 (3. ADM.93 RMSEA (Root Mean Sq. 1 • SÃO PAULO.94) 0. N./FEV.48 Índices de ajustamento: c2 (Qui-quadrado) 307.06 RMR (Root Mean Sq. que são mais jovens e que não recebem mesada seriam mais materialistas.12 H2a H4a H5 H3 H2b H1a H1b H6 H4b Aceita Aceita Aceita Aceita Aceita Aceita Não Aceita Não Aceita Não Aceita Coeficiente Padronizado de Regressãoª Hipóteses Resultados GL (Graus de Liberdade) 163 CFI (Comparative Fit Index) 0.05 (1.

N.17). bem como a separação dos pais nessa época (0.05). o impacto da renda no nível de materialismo foi positivo. É importante salientar que. Ao contrário disso.• RAM. Entretanto. no mesmo sentido do estudo anterior. ao contrário do que a H4 previa. • Estudo 2: Na segunda fase de coleta o objetivo foi o de testar se as experiências na adolescência influenciam o comportamento materialista atual dos indivíduos. V. Os resultados apresentados na Tabela 2 revelam que o contato com os amigos na época da adolescência influencia significativamente a formação de atitudes materialistas (0.12. MACKENZIE.07) na época de juventude do entrevistado./FEV. bem como o contato com os pais (–0. 1 • SÃO PAULO. 10. significativo apenas ao nível de 0. teve efeito bastante diminuído (0. REV. Foi solicitado aos respondentes relembrar seus momentos de adolescência e refletir sobre aspectos de socialização com os pais e amigos. significativo apenas ao nível de 0. quanto maior a renda maior o nível de materialismo. O sexo novamente apresentou impacto positivo. como a ausência dos pais no período da adolescência (0. portanto. os efeitos mostraram-se irrisórios ou pouco significativos. só que agora com base nas lembranças do entrevistado. lidam mais com o mercado. 191 . 12. O contato com a televisão na época da adolescência. da mesma forma que o realizado na primeira fase. SP • JAN. O que refuta a base teórica e o raciocínio de que adolescentes de classe mais baixa seriam mais materialistas como forma de compensar alguma privação psicológica que a classe social lhes impôs. aqueles adolescentes que têm maior capacidade de consumo e que.05 de significância). algumas variáveis foram incluídas nessa segunda fase para medir o efeito desses eventos em fases posteriores da vida. ou mudança no status financeiro da família (0. ou seja.23) e a renda mensal familiar atual (0.32). isto é. bem como de tempo despendido em assistir televisão durante a juventude. 169-203 • ISSN 1678-6971 dessas influências no comportamento materialista não é válido entre jovens brasileiros. tendem a ser mais materialistas. 2011 • p. as meninas sendo mais materialistas que os meninos. entretanto. ADM. Com o objetivo de explicar o materialismo como um fenômeno ligado a algum evento de impacto psicológico.05 de significância).

2011 • p. Por outro lado.001) NFI (Normed Fit Index) 0. Coeficientes significativos estão em negrito.12 (2. 12.03) 0.41)* -0.74) 0. Residual) 0. 169-203 • ISSN 1678-6971 Tabela 2 Coeficientes de regressão estimados às relações teóricas propostas à segunda amostra Relacionamentos do Modelo Variável Dependente: Materialismo Contato com os amigos Renda mensal familiar atual Situação dos pais Sexo Contato com os pais Contato com os jornais Ausência de um ou ambos os pais Contato com a televisão Mudança no status financeiro da família 0.21 (3.65 = p < 0. REV.41 Índices de ajustamento: c2 (Qui-quadrado) 453.17 (2. 1 • SÃO PAULO. e t-values > 2.51)* R2 = 0. * Variáveis incluídas como dummy em que 0 significa ausência do fenômeno e 1 presença. MACKENZIE. da televisão no comportamento materialista obtiveram queda expressiva. T-values entre parênteses.10 (1.06) 0. ADM.11) 0./FEV.54)* 0.14 (2. V.05.• RAM. 192 Fonte: Elaborada pelos autores.01. da renda e.) 0.90 RMSEA (Root Mean Sq.254 (p < 0.71) -0. SP • JAN.91 H2b Não Aceita H2a H4a H5 H3 H1a H1b Aceita Aceita Aceita Aceita Aceita Não Aceita Coeficiente Padronizado de Regressãoª Hipóteses Resultados ª As estimativas apresentadas são do ERLS (iteratively reweighted least squares) usando EQS. Error of Approx.32 (4.07 (1.08 RMR (Root Mean Sq. Ao comparar os resultados obtidos na primeira amostra com aqueles obtidos na segunda (Figura 2).93 NNFI (NonNormed Fit Index) 0. a influência da separação dos pais na época da adolescência se manteve com elevada significância e a influência da interação com os . N.33 = p < 0. Baseado no teste: t-values > 1.05)* 0. pode ser observado que a influência do sexo. principalmente.07 (0.05 (1.18 GL (Graus de Liberdade) 175 CFI (Comparative Fit Index) 0.

Os coeficientes em negrito são significativos.54) –0./FEV.14 (2.12 (1. N. MACKENZIE. Esses resultados ressaltam a importância da interação com os pares durante a adolescência. Os valores entre parênteses são os valores do t.11) 0.02 (0.05 (1. SP • JAN.94)/ 0.74) –0. . as variáveis idade e recebimento de mesada não foram mensuradas.21 (3. O grau de contato com os jornais continuou tendo impacto praticamente nulo no comportamento materialista dos recém-adultos. enquanto os segundos são referentes ao estudo 2.07 (1.33)/ 0. teve um forte aumento. 169-203 • ISSN 1678-6971 amigos.17 (2. V.95)a/ –0.32 (4.06 (1. também nessa época.20 (2. Fonte: Elaborada pelos autores.25)/ –0. pois seus reflexos podem ser ainda maiores em fases posteriores da vida do indivíduo.41) 0.71) –0. 1 • SÃO PAULO.94)/ 0. 12.29) 0.• RAM.05 (1.21 (3.23 (3. ADM. 2011 • p.27 (5.10 (1. Figura 2 Modelo Teórico com os Resultados dos Estudos 1 e 2 Agentes de socialização Contato com os pais Contato com os jornais Contato com os amigos Contato com a televisão –0.29 (5.03) Materialismo 0.30) Sexo Renda familiar mensal Recebe mesada Situação dos pais Idade Vaiáveis socioestruturais 193 ª Os primeiros coeficientes de regressão são relativos aos resultados do estudo 1.90)/ 0. REV.04)/ 0. Cabe destacar que no segundo estudo.06) 0.

Dessa forma. isso preenche no momento. REV. Essas relações chegavam a ser marcadas por trocas de favores pelos integrantes do mesmo grupo e de hostilidade. a sobreposição dos temas materialismo e consumo de roupa. mas depois dá um vazio”. fofocas e intrigas com integrantes dos outros grupos. Houve referência do consumo materialista sobre produtos de vestuário e. Nota-se que o reconhecimento social é a principal razão da orientação por aquisição de posses. Notou-se inicialmente uma formação informal de grupos. MACKENZIE. aos poucos é percebido como tendo suas peculiaridades e uma identificação muito forte de comportamento. 1 • SÃO PAULO. instiga o comportamento materialista de consumo. Eles encaram a atividade de compras como forma de distinção (“gosto de ter aquilo que me representa. As vestimentas são um componente importante de identificação e de exteriorização de identidade e um pré-requisito essencial para se pertencer a um grupo. N.. Dá para perceber. As meninas parecem ser mais materialistas. O que a primeira vista parece ser um comportamento homogêneo. a pessoa é frágil. 2011 • p. V. os jovens são mais ousados. Entretanto. Quando reunidos em grupos. atitude e posses entre seus integrantes. 194 . quando estou chateado.• RAM. reforçando suas ações uns aos outros. cheia de coisas. relevando a importância do vestuário e respaldando os resultados obtidos na fase inicial da influência dos pares no materialismo. Na noite (danceterias) ninguém te conhece. muito supérflua”. Isso é revelado na fala: “a gente define a pessoa também pela maneira de vestir [. mascaradas como brincadeiras. ADM. como na fala: “quem compra demais porque tem que estar inserida ou pertencer a um grupo fica fútil e sem sentido. afetada. nunca te viu e o visual é tudo!”). 169-203 • ISSN 1678-6971 4.. SP • JAN. Por serem mais interessadas na atividade de compra e a inclinadas a darem maior importância a aspectos externos./FEV. buscou-se aprofundar os resultados obtidos com a análise a partir “de dentro” da realidade de um grupo e comparar com os resultados obtidos na fase quantitativa. as meninas têm maior orientação por posses do que os meninos. 12. observada nas entrevistas. dá para ver a diferença”.4 ANÁLISE QUALITATIVA Como o materialismo é um fenômeno cultural e como os resultados da coleta quantitativa demonstraram que esse comportamento é determinado fortemente pelos pares e tem um componente de natureza social muito marcante.] olhando pra ela tu tens uma ideia de quem ela é. o que os amigos pensam a respeito do adolescente permeia uma avaliação das roupas que usa. os quais estabeleciam relações de comprometimento com os seus pares e de hostilidade com os integrantes de outros grupos. parecem saber que o consumo impulsivo e o materialismo excessivo são danosos. Ou na consequência de arrependimento do materialismo: “Às vezes. em diversas vezes. vou pro shopping e preciso comprar. Você percebe de cara. A importância elevada atribuída ao pertencimento a um grupo.

Isso implica diminuição da influência da televisão e contrasta com os resultados obtidos na primeira fase. conforme esperado. ADM. 195 . o jovem dispõe de uma quantidade grande de fontes de informações e a televisão parece perder espaço de influência para outros meios como a internet. Entretanto. 1 • SÃO PAULO. os adolescentes revelaram pedir conselho aos pais e conversar sobre temas que envolvam o consumo.• RAM. 5 CO N S I D E R A Ç Õ E S F I N A I S E IMP L I C A Ç Õ E S D O E S T U D O Uma das mudanças marcantes na área de marketing nos últimos anos tem sido o foco crescente a assuntos relacionados ao bem-estar do consumidor. os efeitos maléficos do marketing podem ser minimizados. Somente assim. Esse movimento de pesquisa foi intitulado “Pesquisa do Consumidor Transformativa” (Transformative Consumer Research) e tem atingido importantes avanços no entendimento sobre os efeitos do marketing no bem-estar das pessoas. como ameaçadora ao bem-estar das pessoas por supostamente promover inveja e consumo em excesso. mas que não transmitem a ideia de consumo conspícuo. Não por acaso. o principal periódico na área de comportamento do consumidor (Journal of Consumer Research) dedicou recentemente uma edição inteira a artigos relacionados a como melhorar a qualidade de vida dos indivíduos através do consumo. compreender a natureza das relações entre os consumidores e os objetos que possuem. Portanto. muitas vezes. é tarefa dos pesquisadores dedicados a entender o comportamento dos indivíduos. em que a televisão teve elevada influência nas atitudes materialistas da primeira amostra. mas procuram naturalizar seu comportamento e não confessar a compra como instrumento social e em função de obter reconhecimento em determinado círculo. 12. anseios e necessidades do jovem. É importante ressaltar que a área de marketing é vista. 169-203 • ISSN 1678-6971 Entretanto. SP • JAN. os jovens não se consideram materialistas. Existe uma conscientização dos jovens de que a televisão é por vezes danosa e que promove o consumo sem sua real necessidade. os pais foram identificados como atrasados e não entendedores das angústias. Por outro lado. V. através de esforços que capturem a atenção do jovem. Por ser considerado um comportamento negativo. existe um ceticismo ao reconhecer isso. 2011 • p. embora fortemente presente. Além disso. MACKENZIE. Parece que a influência da televisão se dá apenas sob certas condições. Dessa forma. como os resultados do estudo quantitativo haviam mostrado. mas corrobora os resultados da segunda amostra./FEV. sua influência não é tão relevante. Em relação à influência dos pais. pois auxilia na criação de valor e de produtos inovadores. N. o marketing também é visto como benéfico à sociedade. REV.

A literatura sugere que um estilo de vida materialista possui consequências negativas a longo prazo. Torna-se. o jovem abre espaços. nos quais os pares. Entretanto. através dos agentes de socialização e da estrutura sociofamiliar. o estilo ao qual adere e os meios de comunicação de massa se constituem como parâmetros das relações interativas. Para muitos desses públicos. ADM. educadores. portanto. Porém. REV. os efeitos na formação de atitudes materialistas são evidentes. no caso de separação dos progenitores. Por outro lado. 2004). A busca por responder a essas questões traz a promessa de se entender mais sobre como valores são desenvolvidos dentro das famílias e comunidades e como as crianças e adolescentes se socializam como consumidores na sociedade contemporânea. 2011 • p. 169-203 • ISSN 1678-6971 196 Nesse sentido. São jovens com experiências com amigos. e 80% concordam que limites mais rigorosos deveriam ser impostos à propaganda voltada ao público infantil (CENTER FOR A NEW AMERICAN DREAM. Isso porque as pesquisas nessa área têm sido centradas em consumidores adultos (CHAPLIN. Por não ocupar posições semelhantes em todos os espaços sociais. colegas e parcerias mais frequentes e intensas. a pergunta-chave é como diminuir o materialismo entre os jovens. A intenção deste artigo é entender a formação do materialismo em um estágio crucial para a formação dos indivíduos – a adolescência –. entre eles: pais. As causas do materialismo são complexas e incluem características biológicas. De modo geral. Além disso. outros agentes e fatores podem ajudar nessa tarefa. pouco ainda se sabe sobre o desenvolvimento do materialismo nesse público. e pertence simultaneamente a universos sociais diferentes. 12./FEV. responsáveis por políticas públicas e pesquisadores do comportamento do cliente. ROEDDER-JOHN. o jovem tem experiências variadas. Todavia. questões relacionadas a como o comportamento materialista se desenvolve não são somente intrigantes mas também importantes para uma série de públicos. Em uma pesquisa realizada nos Estados Unidos. 1 • SÃO PAULO. . N. dinâmica familiar e aspectos culturais que permeiam os indivíduos. As ideias que têm recebido maior atenção parecem ser aquelas ligadas a restrições em termos de exposição à mídia e à propaganda. crucial descobrir o que leva o (a) adolescente a desenvolver padrões materialistas de consumo. os resultados do presente estudo indicam que aqueles adolescentes mais materialistas têm um maior contato e internalizam mais facilmente as influências dos pares. Já os pais não parecem servir como agente redutor do materialismo como esperado. V. estudos em psicologia defendem a adolescência como período-chave para a formação de valores e crenças. 95% dos pais afirmam que os filhos são excessivamente focados em comprar e consumir coisas. SP • JAN. tanto para a sociedade em geral como para o indivíduo em particular. MACKENZIE. 2007).• RAM. às vezes contraditórias.

3. todos esses fatores podem ser considerados e aprofundados em próximas pesquisas. o papel dos agentes socializadores. 197 . enfatizam o papel da autoestima na formação do comportamento materialista.• RAM. 1981. 2007). REV. mas. como na primeira amostra o resultado foi alto. entre elas: 1. SP • JAN. 12. MOSCHIS. sugere-se abordar outros aspectos para a formação do materialismo. CHAPLIN. em futuras pesquisas. MOORE. a aplicação do método de pesquisa qualitativa para sedimentação de resultados. O impacto da televisão na formação de atitudes materialistas parece ser estanque. embora se constitua numa limitação. A mudança de hábitos dos jovens na última década com a introdução e a disseminação do uso da internet e de aparelhos como CD e MP3 players parecem diminuir a interação dos jovens com amigos e podem reduzir o tempo gasto com televisão e a leitura de jornais. Enfim. ou seja. No entanto. particularmente em estudos sobre Socialização e Materialismo (MOSCHIS. Sob essa perspectiva. 1 • SÃO PAULO. N. 1978. As contribuições trazidas por este trabalho devem ser ponderadas pelas limitações que o cercaram. diferenças de comportamento materialista e antecedentes desse em diferentes fases – adolescência e recémadulta. do jornal e do recebimento de mesada não foram significativas. 2. a generalização dos resultados é fortemente limitada. por exemplo. Aspectos psicológicos também poderiam ser explorados./FEV. CHURCHILL. 169-203 • ISSN 1678-6971 Em relação à influência da televisão. Além disso. como a redução do número de filhos por família. No entanto. ROEDDER-JOHN. Tem-se que a televisão influenciaria apenas imediatamente o adolescente. a abordagem não probabilística viabilizou a investigação do presente trabalho e permitiu a coleta e a análise dos construtos pesquisados. à medida que esse avança para estágios de maior maturidade. É importante ressaltar que os adolescentes não foram diferentes dos recém-adultos em termos de materialismo e que as influências da idade. o aumento dos casos de pais separados e novas famílias com filhos de diferentes casamentos sendo formadas. FLOURI. a aplicabilidade de medidas norte-americanas no contexto brasileiro e 5. V. não probabilística. a influência da televisão vista durante a adolescência perde sua força. Chapplin e Roedder-John (2007). Este estudo investigou algumas questões relevantes no campo considerado. 1999. a consideração da formação do materialismo no período da adolescência. sob análise mais cuidadosa. Este resultado aparentemente contraditório revela. A primeira limitação refere-se à amostra utilizada. um caráter bastante relevante da influência da televisão. Tal abordagem é utilizada em diversas pesquisas importantes na área de marketing. MACKENZIE. e na segunda foi não significativo. 2011 • p. tem-se que na primeira amostra o impacto foi bastante elevado e que na segunda o impacto não foi significativo. ADM. 4. a estrutura familiar também tem sofrido importantes alterações. encontrando que autoestima alta reduz o materialismo entre adolescentes.

5./FEV. level of contact with their peers. Overall. Adolescents. On the other hand. Materialism. level of contact with television.• RAM. the first one with 460 adolescents and the second with 190 just-adults. and familiar income also exert relevant influence. based on two important research streams – socialization theory and socio-familiar structure –. mainly. in which the group influence was salient. REV. the impact is more immediate. a theoretical framework. Comparing these findings with those from the second study – composed by just-adults –. A qualitative study with 11 adolescents was carried out to sediment findings. V. television on the materialistic behavior has decreased significantly. The findings of the first study bring a significant impact of the following variables in the materialistic behavior among adolescents: 1. situation of their parents. In order to do that. Female teenagers. . Drawing from socialization theory and studies on materialism. the impact of the situation of the parents in the adolescence is still high and the influence of the level of interaction with their friends during teenager years increased. family income. The separation of parents. 1 • SÃO PAULO. N. 198 KEYWO R D S Socialization. 169-203 • ISSN 1678-6971 CONSUMPTION SOCIALIZATION AND THE FORMATION OF MATERIALISM AMONG ADOLESCENTS ABSTRA C T Experiences in adolescence are of major importance in building patterns of behavior. gender. ADM. income and. higher contact with their peers and with television indicated higher degree of materialism. researching the antecedent variables of this behavior. 2011 • p. 12. high family income. the results support the impact of socialization during adolescence in the formation of materialism and the influence of the interaction with peers on the sample composed by adolescents as well as by individuals in the beginning of their adult phase. level of interaction with their parents. being restricted to materialistic behaviors during adolescence. MACKENZIE. Socio-familiar structure. with divorced parents. 4. SP • JAN. gender. was developed and tested through two surveys. 2. The model was tested by the statistical technique of Confirmatory Factorial Analysis with structural equations. Behavior. Regarding television. this study aims to investigate the formation of materialistic behavior among adolescents. and 6. while those adolescents with higher interaction with their parents presented lower degree of materialism. There was no difference in levels of materialism between the two samples. 3. we observe that the influence of gender. including in the adult phase.

Siendo que jóvenes del sexo femenino. V. con padres separados. los resultados sostienen el impacto de la socialización durante la adolescencia en la formación del materialismo y la influencia de la interacción con amigos tanto entre adolescentes cuanto entre los individuos en el inicio de la fase adulta. grado de contacto con la televisión. Al compararse los resultados obtenidos en la primera muestra con aquellos obtenidos en la segunda – compuesta por jóvenes adultos. y 6. la renta familiar también han tenido influencia relevante. a través de dos estudios cuantitativos. situación de los padres. un modelo teórico.• RAM. N. la influencia de la separación de los padres en la época de la adolescencia se mantiene elevada y la influencia de la interacción con los amigos también en esta época tiene fuerte aumento. basado en dos importantes corrientes de investigación – teoría de la socialización y de la estructura socio-familiar – ha sido desarrollado y averiguado. REV. De forma general. investigando las variables que anteceden a ese comportamiento. Por otro lado. en la cual la influencia del grupo ha sido resaltada. el sexo. principalmente. 3. grado de interacción con los padres. La separación de los padres. Para eso. 199 . renta familiar. 12. Los resultados del primer estudio han traído un impacto significativo de las siguientes variables en el comportamiento materialista de los adolescentes: 1. El modelo fue probado por la técnica estadística del análisis factorial confirmatoria de ecuaciones estructurales. quedando restricto al comportamiento materialista durante la adolescencia. 5. sexo. el primero con 460 adolescentes y el segundo con 190 recién-adultos. No ha habido diferencia entre los niveles de materialismo entre las dos muestras. En relación a la televisión. Utilizándose de la teoría de la socialización y de estudios sobre materialismo. SP • JAN. 1 • SÃO PAULO. MACKENZIE. 4. se puede observar que la influencia del sexo. 169-203 • ISSN 1678-6971 LA SOCIALIZACIÓN DE CONSUMO Y LA FORMACIÓN DEL MATERIALISMO ENTRE LOS ADOLESCENTES RESUM E N Las experiencias en la adolescencia son de gran importancia en la construcción de estándares de comportamiento. 2. Un estudio cualitativo con 11 adolescentes ha sido realizado para sedimentar las descubiertas. de la televisión en el comportamiento materialista obtuvieron una caída expresiva. han presentado menor grado de materialismo. de la renta y. mayor contacto con los amigos y con la televisión han indicado mayor grado de materialismo. nivel de contacto con los amigos. ADM. alta renta familiar./FEV. incluso en la fase adulta. 2011 • p. el impacto es más inmediato. el propósito de este trabajo es examinar la formación del comportamiento materialista en la población joven. mientras aquellos con mayor interacción con los padres.

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