1 A TUDO COMPLETO ÉTICA PROFISSIONAL (1)

ÉTICA PROFISSIONAL

• Narciso, de Caravaggio, 1598-99. O mito Grego de Narciso, personagem que morreu enamorado pela própria imagem refletida na água, representa aqueles que não conseguem sair de si mesmos e descobrir a alteridade: ser moral é reconhecer o outro como outro.
• Alteridade (ou outridade) é a concepção que parte do pressuposto básico de que todo o homem social interage e interdepende do outro.

1. O ser humano é um ser consciente • Isso é imoral, movimento pela ética na política, ética profissional dos médicos – essas expressões demonstram que a moral e a ética estão presentes em nosso dia-a-dia, seja na vida particular, na família, na educação, no trabalho ou na política. • O fenômeno moral é tão antigo quanto a história da humanidade ex. as máximas de Ptahotep (2.500 a.C). Essa obra reúne aforismas de Ptahotep, ministro de um faraó, compôs para orientar a educação do filho, aconselhando a ser leal,

tolerante, bondoso, reto e justo. • Imagem Eu e a Aldeia (Marc Chagal) • Sobre a consciência> é de uso freqüente, você perdeu a consciência, você agiu de acordo com a consciência. • Perder a consciência é perder o sentido da existência de nós mesmos e do mundo. • Trata-se da consciência psicológica, que é conhecimento de nós mesmos, quem somos, o que fazemos e o mundo que nos cerca. • Na segunda situação, agir de acordo com a consciência, trata-se da consciência moral,

pensamento interior que nos orienta. • Após a realização da ação. ou arrependimento. a consciência moral se manifesta como um sentimento de satisfação (força recompensadora). • Antes de uma determinada ação. sobre o que devemos fazer em uma determinada situação. . de maneira pessoal. a consciência moral emite um determinado juízo que aconselha ou proíbe. remorso (força condenatória).

é porque ele possui consciência psicológica. • Enquanto a consciência psicológica possibilita ao homem escolher. o homem precisa estar consciente. . orienta a escolha. • Na realidade. as suas respostas estão prontas nos seus reflexos e instintos. a consciência moral. • Já o homem. escolher. exercer a liberdade. com seus valores e normas.• A consciência psicológica e a moral estão relacionadas. enfim. para decidir. se o problema moral é colocado. • O animal não possui consciência psicológica.

• Etapas da formação da consciência> (aprofundar) Piaget. socionomia e autonomia. a formação segue quatro etapas: Anomia.• Três componentes fundamentais da vida moral> CONSCIÊNCIA – LIBERDADE – RESPONSABILIDADE. e a exime da responsabilidade moral. • Assim temos que qualquer coação interna ou externa anula a liberdade de uma pessoa. . heterônoma.

NOMIA: regra. autocracia. a regra vem do exterior. Atitudes: Cooperação. Gradualmente. respeito unilateral. Atitudes: Bagunça. autoritarismo. • No aspecto moral. caracterizada pela anomia. devassidão. coincidindo com o "egocentrismo" infantil e que vai até aproximadamente 4 ou 5 anos. livre-arbítrio. • SOCIONOMIA o seguimento das regras da sociedade. • AUTONOMIA > Capacidade de governar a si mesmo. lei. tirania. a criança vai entrando na fase da moral heterônoma e caminha gradualmente para a fase autônoma. libertinagem. amor. . afetividade.• ANOMIA > A : negação. democracia. castigo. reciprocidade. do outro. lei Causa e Efeito. respeito mútuo. imposição. • HETERONOMIA > A lei. Atitudes: Medo. prêmio. a criança passa por uma fase pré-moral. dissolução. segundo Piaget.

por exemplo. . natural na criança pequena. O bebê. caracteriza-se por aquele que não respeita as leis. No indivíduo adulto. pessoas. que são úteis para ajudá-la a entrar na fase de heteronomia. chora e quer ser alimentado na hora. normas. As necessidades básicas determinam as normas de conduta. não existem regras e normas.• Na fase de anomia. quando está com fome. ainda no egocentrismo. Ela descobre isso também nas brincadeiras com as criança maiores. • Na medida em que a criança cresce. ela vai percebendo que o "mundo" tem suas regras.

De certa forma.• Na moralidade heretônoma. os deveres são vistos como externos. a intolerância da Igreja. por qualquer interpretação diferente da sua. manteve a humanidade na heteronomia moral. no Estado e não na consciência interior do indivíduo. impostos coercitivamente e não como obrigações elaboradas pela consciência. o certo é a observância da regra que não pode ser transgredida nem relativizada por interpretações flexíveis. . O Bem é visto como o cumprimento da ordem. referente ao Evangelho. O bem e o certo estavam na Igreja.

• O indivíduo obedece as normas por medo da punição. Na ausência da autoridade ocorre a desordem, a indisciplina. • Na moralidade autônoma, o indivíduo adquire a consciência moral. Os deveres são cumpridos com consciência de sua necessidade e significação. Possui princípios éticos e morais. Na ausência da autoridade continua o mesmo. É responsável, auto-disciplinado e justo. A responsabilidade pelos atos é proporcional à intenção e não apenas pelas conseqüências do ato.

2. O Conceito de Ética • Ética é a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. • É uma ciência que tem objeto próprio, leis próprias e método próprio. • A moral é um dos aspectos do comportamento humano. • O objeto da ética é a moral, mais especificamente a moralidade positiva, ou seja, o conjunto de regras de comportamento e formas de vida através das quais tende o homem a realizar o valor do bem.

• O conceito de ética já leva à conclusão de que ela não se confunde com a moral. • A ética é a ciência dos costumes, já a moral, não é ciência, mas objeto da ciência. • Como ciência, a ética procura extrair dos fatos morais os princípios gerais a eles aplicáveis. • Enquanto conhecimento científico, a ética deve aspirar à racionalidade e objetividade mais completas e, ao mesmo tempo, deve proporcionar conhecimentos sistemáticos, metódicos.

• O complexo de normas éticas se alicerça em valores. . Pois para responder a pergunta o que devo fazer. não por criar normas. é mostrar às pessoas os valores e princípios que devem nortear sua existência. mas por descobri-las e elucidálas. devo saber responder sobre o que é valioso. Há uma conexão entre dever e valor.• A ética é uma disciplina normativa. • O objetivo.

• Toda norma pressupõe um valor. enquanto outras são facultativas. • Todo juízo normativo é regra de conduta. • As leis físicas têm um fim explicativo. mas nem toda regra de conduta é uma norma. A norma é regra de conduta que postula dever. • Algumas regras de conduta tem caráter obrigatório. • As leis físicas são juízos enunciativos que assinalam ralações constantes entre os fenômenos. . • A noção de norma pode precisar-se com clareza se comparada com a de lei natural ou físicas. as normas um fim prático.

. Simplesmente se pergunta a que leis obedecem os fenômenos. senão a explicitação dos princípios a que sua atividade deve estar sujeita.• As normas não pretendem explicar nada. • A norma exprime um dever e se dirige a seres capazes de cumpri-las ou não. Se o indivíduo não pudesse deixar de fazer o que ela prescreve. • O investigador da natureza não faz juízos de valor. não seria norma genuína. • Ao formulador de normas do comportamento não importa o proceder real da pessoa. mas lei natural. • As leis físicas referem-se à ordem da realidade e tratam de torná-la compreensível. mas provocar um comportamento.

. • As normas não valem enquanto são eficazes. mas perdurará como algo obrigatório.• Outra diferença é que a lei natural ou física. • A ordem normativa é insustentável de comprovação empírica. Aquilo que deve ser pode não haver sido. senão na medida em que expressam um dever ser. e a norma vale independentemente de sua violação ou observância. pode ser provada pelos fatos. não ser atualmente e nem chegar a ser nunca.

• Vejamos um caso> a paz perpétua ou absoluta harmonia entre os homens. Podem ser que não se convertam nunca em realidade, mas a aspiração em atingi-los é plenamente justificável, pois tende a algo valioso. • Não há uma relação necessária entre validez e eficácia da norma. • A validez dos preceitos reitores da ação humana não está condicionada por sua eficácia, nem pode ser destruída pelo fato de sejam infringidos. A norma que é violada segue sendo norma, e o imperativo que nos manda ser sinceros conserva sua obrigatoriedade apesar dos hipócritas. • Por isso se diz: que as exceções à eficácia de uma norma não são exceções à sua validez.

• Já as leis naturais, só se validam se a experiência não as desmentem. • A possibilidade de inobservância, indiferença humana pelas normas não deve desalentar aqueles que acreditam na sua imprescindibilidade para conferir sentido à existência. • O papel confiado aos cultores da ciência normativa é reforçar essa tendência, fazendo reduzir o nível de inobservância perante a ordem do dever ser.

3. Moral absoluta ou relativa • Os preceitos éticos são imperativos • Para serem racionalmente aceitos pelos seus destinatários, estes precisam acreditar que eles derivem de uma justificativa consistente. • Norma moral– valor objetivo?. • Norma – fixada arbitrariamente?. • Norma – válida para todos e em todos os tempo e lugares?. • Norma – validade condicionada?.

. O conhecimento da norma ética é empírica. Defende a existência de várias morais. do subjetivismo. Defende a existência de uma moral universal objetiva. • A relativista e empirista> a norma ética é puramente convencional e mutável. • A absolutista e aprioristica> a validez é atemporal e absoluta. Proclama o conhecimento da norma ética a priori.• Tem-se duas posições antagônicas> uma absolutista e apriorista e outra relativista e empirista.

da virtude e do vício. aquela que é capaz de intuir o que vale.• Para os absolutistas. . • Para os absolutistas não se poderia falar do bem e do mau. cada ser humano é dotado de algo natural que o predispõe ao discernimento do que é certo e errado em termos éticos. se não houvesse a consciência humana. • Já os relativistas entendem não haver sentido falar em valores à margem da subjetividade humana.

se descobrem ou se ignoram. Os valores não se criam. mas são palavras cujo conteúdo é condicionado por referenciais de tempo e espaço. • Sendo assim. nem se transformam.• O bom e o mau não significam algo que valha por si. o bem é fruto da criação subjetiva e a norma moral é mero convencionalismo. • Na verdade. • O resultado dessa contraposição de ideias é que a tese objetivista conduz à conclusão de que não há criação nem transmutação de valores. senão descobrimento ou ignorância dos mesmos. . o desafio da ética é elaborar no homem o órgão moral que torna possível tal descobrimento.

• Ao contrário. • Os homens criam valores à medida do necessário ou do oportuno. A classificação da ética • Ética empírica • Ética de bens • Ética formal • Ética valorativa . postula a autêntica criação de valores por vontade dos homens. 4. a tese subjetivista.

experimental).CLASSIFICAÇÕES DA ÉTICA= Quadro Geral A) Quanto ao resultado do comportamento: 1 – Ética absoluta (apriorística).Estóica 3 – Ética formal 4 – Ética de valores . 2 – Ética relativa (factual.Subjetivista 2 – Ética dos bens: Socrática Platônica .Ceticista .Aristotélica . B) Quanto ao aspecto histórico (sobretudo ocidental): 1 – Ética empírica: Anarquista Utilitarista .Epicurista .

• Podemos afirmar que todos os nossos conhecimentos têm origem em nossa experiência.• 4. que nossa própria mente lhe adiciona. • Porém. ele precisa. • Da distinção entre conhecimento puro e conhecimento empírico. embora o conhecimento se inicie na experiência. Ética empírica> • Devemos partir da distinção feita por Kant entre filosofia pura e filosofia empírica.1. para se tornar de fato "conhecimento". .

que Alice entrou em uma toca a procura de um coelho falante e se encontrou com um gato. mas quero chegar a um lugar. qualquer direção serve. Apenas sair daqui. . Alice se impacientou: Não quero ir para lugar nenhum.A estória de Alice no País das Maravilhas Conta o escritor inglês Lewis Caroll. Alice explicou: Não quero ir para lugar nenhum. O gato retrucou: Se você não vai para lugar nenhum. então: como posso sair daqui? O gato respondeu: isso depende muito de para onde você quer ir. Então o gato disse: siga por um caminho e andando bastante você certamente chegará a algum lugar. Perguntou.

• A ética empírica é aquela que nega a ética absolutista ou apriorista. • Logo. "a priori" não é um conhecimento que vem "antes da experiência". separar esses dois elementos. em primeiro lugar. • A ética empírica é observada e constatada com a prática. ou seja. por um lado o que é recebido dos sentidos e pelo outro o que é adicionado pela razão. mas sim um que vem "independente da experiência". • Esse conhecimento independente dos sentidos é chamado "a priori" (diferente dos empíricos. . chamados "a posteriori").• É preciso portanto.

de lugar etc. • Com relação a subjetividade: não há uma moral universal. • O homem deve ser como naturalmente é. assim. o bom é determinado estrito de tempo.• A ética empírica deriva seus princípios da observação dos fatos. • A ética empírica procura sempre o valor útil para cada indivíduo. e não deve se comportar como queiram que ele seja. apriorista. • Suas características são a subjetividade e a conotação utilitarista. • Varia a conduta humana de acordo com o tempo e as circunstâncias e. . única.

• O empirismo deságua no relativismo. por outro. "estudo do valor" ou "ciência do valor" • Vai-se ao subjetivismo. o subjetivismo ético individualista e. já que dependem dos juízos estimativos dos homens. • • teoria materialista que considera o homem apenas como parte e produto da natureza2 emprego abusivo de conceitos antropológicos . • Se ideias morais variam de indivíduo para indivíduo ou de sociedade a sociedade. também chamado antropologismo ou subjetivismo ético específico. • Axiologia: é o ramo da filosofia que estuda os valores. por um lado. o subjetivismo ético social. • Assim aparecem. uma das principais variantes da ética empírica. etimologicamente significa "Teoria do valor". o bem e o mal carecerão de existência objetiva. não é possível uma moral universal e valores axiológicos absolutos.

fazendo do útil o preceito moral supremo. o bem nada significa e a moral é produzida pela convenção arbitrária. • Se nada é absolutamente bom. o conveniente é procurar condutas que pareçam mais benéficas à sociedade e ao indivíduo. é fácil chegar ao ceticismo ao niilismo. • Algo que é bom para um não é para outro.• A partir dessas constatações. • Não há sentido em formular juízo estimativo ou estabelecer valores com pretensão de objetividade. .

1.Ética Anarquista B.B.1...2.Ética Ceticista B.Ética Utilitarista B.Ética Subjetivista .1 – Ética Empírica A ética empírica pode ser enfocada em 4 configurações: B..1.1.4..1.3.

moral. religião. convencionalismo sociais. • É uma doutrina egoísta. tudo constitui exigências arbitrárias. • A) A ética anarquista: • A anarquia repudia toda norma ou valor.• Temos uma tríplice configuração da ética empírica: a anarquista. e esta varia de pessoa para pessoa. sejam morais ou jurídicas. a utilitarista e a ética ceticista. • Prepondera a vontade humana. • Direito. • As leis não são legítimas. .

• Quando o prazer é encontrado no fazer o bem do outro. • Os dois coincidem em dois pontos: 1. por contrariar as exigências da natureza. • O anarquismo tem uma tendência hedonista: buscar o prazer e evitar a dor. o essencial é a obtenção do conforto pessoal. Egoísmo disfarçado de altruísmo. toda organização política deve desaparecer. • O anarquismo na modernidade se apresenta como anarquismo individualista e como anarquismo comunista ou libertário.• Vai prevalecer a decisão do mais forte. . liberdade absoluta e a aspiração suprema do indivíduo. 2.

pela violência. um mal que deve ser combatido. por isso. se opõe à liberdade e representa. para superar o Estado. . acredita no progresso lento e gradual da razão.• Os dois postulados derivam do mesmo princípio: só tem valor o que não contraria as tendências e impulsos naturais. superar o Estado. como organização social de tipo coercível. A ordem jurídica. • Diferença entre individualistas e comunistas: na escolha do método na luta contra o Estado. • O segundo. • O primeiro.

unido ao desenvolvimento mais completo da associação.• Para os comunistas. . Tudo é comum e deve ser de todos. • Os individualistas não negam a propriedade privada. a propriedade privada tende a desaparecer. A natureza não destinou seus bens a quem quer que seja. mas negam o associativismo. visando ao mais completo desenvolvimento da individualidade. • Os homens viveriam em regime de cooperação espontânea.

quando quem quer que seja pretenda vulnerá-lo. a liberdade é um direito. • A conduta ética desejável é a conduta útil.uma faca é útil se corta.• Se equivocam os anarquistas quando acreditam existir uma liberdade natural. Pois na vida em me sociedade. porém. . • B) A ética utilitarista: • É bom o que é útil. • Não existe direito sem um sistema normativo e provido de força capaz de assegurá-lo. e um mero atributo de um instrumento. Ex. • A utilidade.

e sua utilidade é alheia à significação dos desígnios que serve. • Os meios mais úteis. podem estar a serviço de um fim nefasto. Ex. também é útil para ser usada para esfaquear uma pessoa. a arma que é útil para cortar um pedaço de carne. vimos que o meio possui igual eficácia.• A eficácia técnica dos meios não correspondem ao valor ético dos fins. . • No exemplo acima.

• A teoria da moral utilitarista só é aproveitável se conciliada com a teoria das finalidades úteis. . não concerne unicamente aos meios.• O estudo do utilitarismo permite entender a falácia que é a afirmação: os fins justificam os meios. Vejamos: • A) A doutrina utilitarista afirma que a felicidade é desejável. • A teoria utilitarista de MILL. sendo todas as demais desejáveis só como meios para esse fim. mas remete a uma verdadeira ética de fins. a única coisa desejável como fim.

já que a parte encontra-se incluída no todo.• B) A felicidade é o único fim da ação humana e sua consecução o critério para julgar de toda conduta. • O utilitarismo tem sentido na vida moral. se entendido como prudente emprego dos meios aptos à consecução de fins moralmente valiosos. donde necessariamente se segue que tem que ser o critério da moralidade. .

podemos estar passando por grandes dificuldades mas estamos contentes pelo nosso propósito.Dois tipos de Felicidade: 1 A felicidade Momentânea . aquele tipo de felicidade que dura pouco tempo. ficamos felizes umas horas. 2 A felicidade Existencial – Por alguns momentos. . quando compramos uma peça de roupa que gostamos muito. Por exemplo.Ou seja. ou seja pelo nosso objetivo futuro. uns dias e depois passa e já queremos outra coisa.

Metas e Objetivos? .

É uma atitude provisória. por segurança. • Utilizada como método. a dúvida serve como eliminação de possíveis erros.• C) A ética ceticista • O cético não acredita em nada. • A dúvida sistemática é própria dos ceticistas. da dúvida sistemática. Uma provisória transição de juízo. é mera suspensão de juízo. que duvidam de tudo e de forma permanente. • A dúvida não implica o conhecimento. • É preciso distinguir a dúvida metódica (Sócrates). senão o que se abstêm de julgar. nem o que afirma. O cético não é o que nega. .

sendo assim. mas na prática cairia em uma paralisação completa. . nada se faria. • No aspecto moral. duvidariam até das própria afirmação. o ceticismo pode sustentar uma negação permanente em teoria. e aqui já erram. na dúvida entre o certo e o errado. Mas nada fazer já é uma atitude. fica impensável uma atitude cética no campo prático. Isso implicaria uma regressão infinita.• Os céticos declaram não crer em nada. pois se fossem verdadeiramente céticos. • Outro problema.

• Na verdade. os céticos não pregavam o ceticismo absoluto. só bebe se está sedento. Admitiam a existência de alguns valores e a necessidade de uma moral. . • A) Seguir as indicações da natureza. • B) Ceder aos impulsos das disposições passivas: o cético só come se tem fome. • As lições de Sexto Empírico demonstram que ele aceitava algumas regras propiciadoras de uma relativa felicidade.

A segunda. • D) Não permanecer inativo e cultivar alguma das artes. . de que é valioso o que tem origem natureza. A terceira de que as leis de um país merecem serem acatadas. de que as necessidades humanas devem ser satisfeitas com moderação.• C) Submeter-se às leis e costumes do país onde vive. A quarta condena a inatividade e valoriza o trabalho. • Estas regras se fundam em critérios axiológicos> a primeira.

na prática se admite a existência da moral e se prega que há formas de vida que devem ser evitadas. . mesmo quando se nega.• A conclusão é de que. teoricamente a existência de critérios sólidos de certeza. e outras que devem ser seguidas.

Cético não é o que nega. Seu pensamento se reduz a um pêndulo a oscilar entre polos dogmáticos opostos. ou desacredita de tudo. E “ a dúvida não implica o conhecimento. senão o que se abstém de julgar. sem se deter em qualquer um deles. nem o que afirma. É uma mera suspensão do juízo.O cético não acredita em nada.” .

Utilitarista . experimental). B) Quanto ao aspecto histórico (sobretudo ocidental): 1 – Ética empírica: Anarquista . 2 – Ética relativa (factual.Subjetivista 2 – Ética dos bens: Socrática Platônica .Ceticista .Aristotélica .Estóica 3 – Ética formal 4 – Ética de valores .Epicurista .CLASSIFICAÇÕES DA ÉTICA= Quadro Geral A) Quanto ao resultado do comportamento: 1 – Ética absoluta (apriorística).

Existe o subjetivismo individualista e o social.d) A ética subjetivista Consiste em cada um adotar para si a conduta ética mais conveniente com a sua própria escala de valores. .

• A teoria de Protágoras conduziria ao AGNOSTICISMO. e da não existência das que não existem. .• A origem do subjetivismo está em Protágoras. para quem o homem é a medida de todas as coisas. • O que é verdade para um. pois o que a um parece evidente. • Todas as opiniões seriam igualmente verdadeiras e se tudo é verdade. pode não ser para o outro. nada é certo. a outro pode parecer falso. mas há tantas verdades quanto homens. • A verdade não objetiva. da existência das que existem. • Cada homem é a medida do real.

. O agnosticismo separa aqueles que acreditam que a razão não pode penetrar o reino do sobrenatural daqueles que defendem a capacidade da razão de afirmar ou negar a veracidade da crença teística. ou ainda. Isso é estritamente incorreto. erroneamente. teísmo e ateísmo separam aqueles que acreditam em divindades daqueles que não acreditam em divindades. a palavra agnosticismo com o sentido de um meio-termo entre teísmo e ateísmo.Muitas pessoas usam. que se trata de uma pessoa sem posicionamento sobre crenças.

aquilo que ele entender como valioso. • O subjetivismo está por tudo.• Aplicando à ordem moral. • Aqui há uma confusão. pois os valores éticos são produzidos pelo coletivo. (epistemologia estuda a origem. . • O chamado subjetivismo ético social. religioso. a estrutura. jurídico e etc. não só moral e epistemológico. a maioria. pois se pensa que a objetividade é um critério estatístico. pretende ser uma teoria objetiva. terá valor para um indivíduo. mas estético. o critério do valor ou da verdade é a quantidade. os métodos e a validade do conhecimento). • Cada homem é a medida do bem e do mal.

• Os representantes do subjetivismo ético social: DURKHEIN E BOUGLÉ. .

É fácil concluir que o relativismo absoluto não pode presidir as relações humanas. seja na esfera moral. seja na esfera jurídica. .O problema do subjetivismo. individual ou ético específico. vai para um relativismo absoluto.

Subjetivista 2 – Ética dos bens: Socrática .Utilitarista .CLASSIFICAÇÕES DA ÉTICA= Quadro Geral A) Quanto ao resultado do comportamento: 1 – Ética absoluta (apriorística). B) Quanto ao aspecto histórico (sobretudo ocidental): 1 – Ética empírica: Anarquista .Ceticista .Epicurista .Estóica 3 – Ética formal 4 – Ética de valores .Platônica Aristotélica . 2 – Ética relativa (factual. experimental).

 Miguel Reale o bem é a força da Ética. A vida humana é o percurso em busca do bem.2 A ética dos bens Bem (do latim bene) é a qualidade de excelência ética que leva a uma melhor compreensão do amor. . essa formulação sustenta a existência de um valor fundamental denominado de bem supremo. da irmandade. da humildade e da sabedoria.  4. Um conjunto de boas ações favorecem na conscientização sobre a existência. Toda ética deveria ter receita de consecução do bem. Ao contrário do relativismo. tanto do ponto de vista material quanto espiritual.

simultaneamente. fim e meio para a obtenção de outro fim. basta verificar qual deles pode ser. • Para estabelecer a hierarquia dos fins. • O supremo bem da vida consistirá na realização do fim próprio da criatura humana. • Quando se defronta com um bem que não pode ser meio de qualquer outro. • O que significa? A criatura humana é capaz de e propor fins. eleger meios e colocar em prática os últimos. então esse é o bem supremo.• Parte da estrutura teleológica do atuar humano. para alcançar os primeiros. .

a felicidade é o bem supremo. é um fim que não possui um caráter de meio. • Todos os outros bens da vida podem ser meios para a obtenção que é o eternamente desejado em si. felicidade. e que não se converterá jamais em meio. . idealismo ético e hedonismo: Eudemonismo. Para essa concepção há uma tendência inata no homem para a felicidade. deriva de eudemonia.• Divisão da ética dos bens: • A) Eudemonismo. e segundo Aristóteles.

. Os estóicos. não um meio. Seja ele o prazer sensual. mas o prazer como meio. A virtude é um fim. • Já para o hedonismo. seja a fruição da tranqüilidade extraída do deleite. ainda que disso não extraia prazer algum.• O idealismo: a finalidade última do homem é a prática do bem. no exercício de atividade intelectual ou artístico. Impõe-se à criatura ser virtuosa. por exemplo. não aspiram a serem felizes. mas a serem bons. • O hedonismo elegeu a felicidade como fim. a felicidade está no prazer.

Contudo é preciso ponderar que desde períodos mais antigos havia uma identidade perfeita entre o bem comum e o bem individual tão arraigada na mente grega que talvez tal reflexão não fosse necessária ou sequer capaz de ser concebida. Na sua época era uma noção perfeitamente coerente com o pensamento – ainda que não com a prática – da sociedade grega. no qual já está profundamente gravado na nossa mente que só algum grau de coerção é capaz de evitar que o homem seja mau. postulado a necessidade de alguma teoria que explicasse esta dualidade.Ética de Sócrates O pressuposto básico da Ética de Sócrates – que basta saber o que é bondade para que se seja bom . Só a dissociação de ambas na decadência grega é que teriam. Antes dele não teria havido uma reflexão organizada sobre a ética e o "homem moral" a não ser o relativismo dos sofistas.pode parecer ingênuo no mundo de hoje. . neste sentido é inegável que ele é o "Pai da Ética. pela primeira vez.

• b) A Ética Socrática: • Para o autor o verdadeiro objeto do conhecimento é a alma humana. • Para alguém ser feliz. . senão extraviadas. Assim o conhecimento do bem determina a prática da virtude. precisa ser bom. • A maldade é produto da ignorância. e para ser bom é preciso ser sábio. • Não existe pessoas más. • Aquele que encontrou a verdade oculta em sua alma sente-se obrigado a ajustar com ela sua conduta. • A bondade é resultado do saber.

Não resulta de uma ordem dogmática posterior exterior emitida. no fundamento das normas positivas há leis não escritas (= ágrafoi nómoi). ou por Deus. mas o bom cidadão. • A Ética de Sócrates é de direito natural.• O aperfeiçoamento não se consegue sozinho. • Para Sócrates o conhecimento do bem se identifica com a prática da virtude. é na convivência comunitária. Porque o homem é um ser social. • Para Sócrates a lei moral é natural. brotando da mesma natureza como uma sua propriedade. • Entre ética e política existe uma correlação íntima: o homem perfeito não é unicamente o homem bom. . age bem. ou pelos homens. Quem sabe a verdade.

de acordo com Sócrates. desde que o conheça.• A análise das coisas e das operações humanas mostram que nenhum homem pode senão querer o bem e mesmo quando quer o mal. . • Provou Sócrates seu eudaimonismo ético por meio de análise aplicada ao desejo humano. este não se dirige para o mal. é a felicidade. como ainda das informações vindas de Xenofonte. Orienta-se para o bem. • A ética socrática é finalistica (ou teleológica) como se depreende dos textos platônicos Apologia e Eutifron. • Concretamente a finalidade última dos atos humanos. procura-o na suposição de buscar um bem. Desta adesão e conquista resulta o estado psíquico da felicidade.

• Estes arquétipos são a finalidade a executar. a ação tem um caminho previamente traçado o que implica em uma obrigação ética. contaminados pela hipocrisia. em virtude do qual nada se cria senão tendo as idéias reais separadas como arquétipos. • Por isso. perdidos durante o período de crescimento e enriquecimento de Atenas. Mas não uma volta ao passado real. da Justiça e da Moral. inclusive na ação. essencialmente exemplarista. é a "volta a uma sociedade mais simples". antes a um passado imaginário situado em algum lugar no futuro no qual os velhos valores – renovados a partir das indagações e críticas de Sócrates – possam orientar uma sociedade estável que tende à perfeição.• c) A ética Platônica: • A resposta de Platão à necessidade de se resgatar o velho sentido da Ética. • Decorre a ética coerentemente do sistema geral do platonismo. .

• É possível sintetizar a ideia do bem. • A ação enquanto realiza mais ser. de variada espécie. pois.• Assim à dissociação entre o mundo real e os valores éticos Platão contrapõe a necessidade de uma reconstrução da sociedade segundo estes valores. • Depende. por mais radical que ela possa parecer. • Ontologia: é a parte da filosofia que trata da natureza do ser. O eixo da ampla reforma sugerida por Platão para construir a sociedade perfeita é a substituição da plutocracia que reinava na Atenas Imperial dos mercadores por uma "timocracia do espírito" na qual os governantes seriam os melhores dentre os homens de seu tempo em termos de conhecimento e sabedoria. • Platão. • E assim também a ideia do bem é um arquétipo. • (termo para se referir a estruturas inatas que servem de matriz para a expressão e desenvolvimento da psique). . se subordina ao que o ser necessariamente é. com a do ser simplesmente e então dizer que há um fundamento ontológico para a ética platônica. se referiu especialmente à ideia do bem. segundo qual se processa toda ação. ao estabelecer as ideias reais. a ética de Platão da existência de um arquétipo denominado o bem.

. pode-se distinguir em seu sistema entre fundamento próximo e remoto da obrigação ética. • Ainda que Platão não tenha utilizado esta linguagem.• Como todas as éticas do ser. depois de cumpridos com habitualidade. os quais serão as suas leis e os quais. ou da eticidade. também a de Platão depende de como traçar os caminhos do ser nos seus mais variados detalhes. constituem as respectivas virtudes.

o fundamento remoto é a mesma idéia real. que tudo contém e na qual tanto o Demiurgo viu como fez a obra e ainda deverá ver o indivíduo aquilo que falta para a plenitude. o qual já obedece ao parâmetro remoto. – Mas. . e por isso diretamente revela qual o fim realizado.– O fundamento próximo está no ser de cada indivíduo. e em potencial ainda revela o que lhe falta para atingir a plenitude.

Numa interpretação judaica é Jeová. no caso seria difundir a si mesmo. está seu objetivo em primeiro lugar. sua glória (a glória é um brilho da obra em favor do criador).primeira manifestação do absoluto. valeria o objetivo do Demiurgo. para os cristãos é o Verboconforme expresso no Evangelho segundo João. . e em um fim interno da criatura em relação a si mesma.é o grande artífice. – Cabendo a Deus agir por primeiro. Para os maçons éo Grande Arquiteto do Universo – . Para os Neoplatónicos é o "Logos" . – Pode-se prever esta tese em Platão cujo Demiurgo tem. por objetivo refletir no mundo o bem e a harmonia. Neste sentido. o criador do Mundo inferior (ou material). isto é. em primeiro lugar. já antes da felicidade interna da criatura. É considerado o chefe dos Arcontes possuindo sabedoria limitada e imperfeita.– É possível falar na ética de Platão em um fim externo da criatura em relação a Deus. como reflexo das ideias reais. – Demiurgo .

A vontade se inclinaria essencialmente para o bem. .– No fim último externo se encontra o fundamento do culto religioso. mas este aspecto não foi claramente explorado por Platão. Impossível querer o mal diretamente (Ménom 77). – Estabeleceu Platão. como o seu objeto adequado. pela conquista do bem. a felicidade como fim do homem. como Sócrates. a felicidade. – Dito com mais precisão . é o fim último interno do homem.

como Sócrates. Estabeleceu. refuta a tese cirenaica de que o prazer sensível é o único fim. – Desde logo. Leis 717. pois. . uma hierarquia de valores morais (Filebo. – Referindo-se a felicidade à inteligência e o prazer aos sentidos. portanto Platão. estes são honestos desde que subordinados harmonicamente. 718). Mas não e exclui a felicidade os prazeres da sensibilidade.– Distingue Platão entre felicidade e prazer (Filebo 11 b).

dá à ética de Platão um feitio anti-humanista e pouco grego.– Ocorrem três graus. culto). – O caráter pouco propício aos sentidos.(crença. pouco se interessa pelo que se lhe apresenta. que ao passar por esta vida terrestre. pela via ascendente: os prazeres do coração. resultantes da doutrina das idéias e da separação entre corpo e alma. os prazeres procurados pela opinião e pela inteligência. já menos fugazes. . de prazeres e felicidade. a ética de Platão descreve pitorescamente o verdadeiro filósofo como um "forasteiro" (Teeteto 174). apenas extrinsecamente unidos. – Com uma notável aproximação das práticas órficas. a saber.

finalmente ainda uma outra para o controle das partes entre si. por Santo Ambrósio. isto é. em que a cada parte da alma corresponde uma virtude principal. Portanto. Estabeleceu Platão uma divisão geral da virtudes (República 410). – A prudência. virtudes cardeais. em quatro fundamentais. – Esta classificação obedece a um princípio. chaves das demais. denominada também sabedoria ( ). outra para a vontade. uma para a razão. que mais tarde serão chamadas. . é a virtude da parte racional.– Virtudes cardeais. outra para o impulso sensível.

instintiva. ou seja dos impulsos volitivos e afetos. a da justiça ( ). regrando o coração. – A temperança. é a virtude da vida impulsiva. moderação ( ). garantindo o funcionamento harmonioso das partes da alma. medida. dita também valentia ( ) é a virtude do entusiasmo (thymoiedés). também chamada autodomínio. – Uma quarta virtude. ou seja de suas faculdades.– A fortaleza. refreando os prazeres corporais. ou sensível. . resulta da colaboração equitativa de todas as virtudes.

como lhe sendo mais adequada. os trabalhadores.– Atribuiu Platão a cada classe social (vd 251) uma das virtudes cardeais. ou guerreira. . – A temperança se recomenda aos demais. – A fortaleza se faz necessária na classe militante. ou dominante. – A sabedoria é própria da classe dirigente.

logo existe também tal tipo de conhecimento. seria superada por uma virtude apoiada em outro tipo de conhecimento.– A virtude é descrita por Platão como um habito que conduz. ao bem. entretanto. dependente das opiniões da tradição relativas. Ora. segue dali que os ditames da ética dependem da estabilidade ou instabilidade do conhecimento. A virtude habitual. Ocorre. Fédon 82. tal virtude existe como fato. definitivo. no mestre da Academia a secreta preocupação de que a virtude se obtém pelo saber (Ménon 96. . – Aceito o ponto de vista socrático de que a virtude é saber. absoluto. República em vários itens).

baseada na opinião verdadeira. – A virtude perfeita consiste na própria sabedoria. Não deixa a vontade de seguir o que o a inteligência lhe mostra como bom. Admitida uma vez a relatividade dos sentidos. referente a alma espiritual. e a virtude comum. de outra parte. deve-se. donde dividir-se em duas espécies: a virtude perfeita. aceitar a estabilidade da inteligência e que possibilita a ocorrência da virtude. .– Como se vê o móvel ético de Platão é favorável ao conhecimento inteletivo. – Também a doutrina da virtude sofre de imediato a influência da doutrina das ideias reais. segundo o adágio socrático: a ciência é idêntica à virtude.

a virtude se adquire andando pelos mesmos caminhos da dialética. Neste plano se encontra a maioria dos homens. – Esta virtude comum não depende da ciência. .– Seguindo os mesmos passos do conhecimento intelectivo. mas da educação. – A virtude comum organiza-se no plano da opinião. para evitar a submissão da razão às paixões inferiores. e dialéticas do amor aspiração ardente pela contemplação das idéias. portanto nas faculdades emotivas da alma inferior.

para que se evite o mal.– A sanção é parte do sistema moral de Platão. – A recompensa é a outra face da sanção. para que haja um estímulo levando à prática do bem. tendo a felicidade por objeto a contemplação das idéias eternas. Somente a sanção numa vida futura garantirá o triunfo total do bem. – O significado da sanção e o que a justifica é a necessidade de um castigo. e de uma recompensa. Neste e noutro mundo acontece o castigo para o mal. .

.– Não encontrou Platão dificuldade em estabelecer a sanção futura. visto que admitia a metempsicose e a progressiva possibilidade da purificação da alma.

são inatas. A virtude para Aristóteles é o justo meio entre dois vícios extremos. A virtude – volitiva. A felicidade está no exercício constante da virtude. intelectuais ou físicas. Emoções e instintos – involuntários. Aristóteles distingue a virtude dos vícios e emoções. . As aptidões. A virtude se obtém mediante o exercício: é um hábito.D) A ética Aristotélica A finalidade da ética é descobrir o bem absoluto Chama-se o bem absoluto de felicidade.

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• D) Ética Epicurista • Epicuro – a felicidade é o bem último da existência e consiste no prazer. • O prazer se atinge de diversas formas – a forma mais elevada é a do espírito. • Os prazeres são naturais e necessários. naturais e não necessários ou nem naturais e nem necessários. .

consiste no aniquilamento das superstições que afligem os mortais. • Na finalidade crítica. • A finalidade da ética para os epicuristas: duas – crítica e construtiva. • Os prazeres ainda são corporais. • Prazeres nem necessário nem naturais: a glória. • O que é a dor? É inevitável e muitas vezes pode levar a prazeres mais intensos. . violentos e serenos.• Prazeres naturais e necessários: a satisfação moderada dos apetites. espirituais. • Prazeres naturais e não necessários: a gula.

• Não se deve temer os deuses: • pois seres perfeitos e distantes. pois ela não diz respeito ao homem vivo. não estão preocupados com a imperfeição humana. • Dificuldades na busca da felicidade: o medo da morte e o temor dos deuses. . • A morte nada é para nós. ela não é e quando ela chega.• Na finalidade construtiva: é assinalar regras que farão felizes os indivíduos. • Primeira orientação: não se deve temer a morte. já não somos. pois enquanto somos.

A conduta é problema pessoal e não coletivo. conceito negativo de não prejudicar os semelhantes. • Há nessa ética um certo utilitarismo: os homens viviam como selvagens. sem se interessar pelo dos outros. à margem da lei e decidiram um dia unir-se para pôr um paradeiro naquele estado de selvageria. . em troca do dever recíproco. • A pessoa deve procurar seu próprio bem. • Surgiu assim a Justiça.• A ética epicurista se inclina para o individualismo.

em troca de não ser molestado. • Resumindo: a ética epicurista é um eudemonismo hedonista. individualista e egoísta. . Cada indivíduo desiste de molestar os demais. • O Estado tem o dever de velar pelo cumprimento do contrato social e punir seus infratores.• A justiça é o fruto de um pacto de utilidade.

é uma disposição adquirida de fazer o bem. é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. quer pessoalmente. quer como indivíduo. quer coletivamente. Segundo Aristóteles. no mais alto grau. e elas se aperfeiçoam com o hábito. A virtude.Virtudes são todos os hábitos constantes que levam o homem para o bem. . quer como espécie.

• E) Ética Estóica • A virtude é o bem supremo dessa ética idealista. • Liberta-se das afeições é um dos ideais estóicos. . • Viver virtuosamente é viver de acordo com a natureza. apagando-as até atingir a apatia. mas a natureza concebida pela razão. • O homem é provido da razão. Não a natureza biológica. • O homem deve se desligar das coisas do mundo. As patologias se dão nas inclinações e afetos – dos quais é necessário se libertar. Pois através dos vínculos afetivos os homens de escravizam. mas também de patologias.

• Não confunde o desejável. e o vício. não há meio termo. • A virtude é única – nisso funda-se em Sócrates – e entre a virtude. • A virtude é autárquica – auto-suficiente. pois pertence às afeições.• O prazer deve ser evitado. único mal. bem único. com o eticamente bom. . O verdadeiro sábio encontra nela a defesa para suas angústias do mundo exterior.

porque as três primeiras perguntas se referem à última”. Kant. “No fundo. c) “Que posso esperar?” – Religião. . d) “Que é o homem?” – Antropologia. b) “Que devo fazer?” – Moral.Perguntas Existenciais a) “Que posso saber?” – Metafísica. tudo isto poderia reduzir-se à antropologia.

semelhança e alteridade. valorização. com consideração.sabedoria. identificação e dialogar com o outro. .honestidade.Problemas no atual contexto sócio-políticoeconômico.sensibilidade . . A palavra alteridade possui o significado de se colocar no lugar do outro na relação interpessoal. . a) Perda dos valores: .

modo austero de vida. esperança. ato virtuoso. tudo o que é verdadeiro. belo e bom e que é condicionado por um tipo de juízo moral pessoal que. normalmente. carácter do que corresponde às normas ideais para o seu tipo e.(fé. prudência. boa qualidade moral. caridade. fortaleza). disposição habitual para a prática do bem. .. virtute s. por isso. é desejado e desejável. sabedoria. se adapta ao da sociedade e época. f. aquilo que confere normas à conduta. justiça. força moral. Virtude do Lat. sensibilidade).Valor.(honestidade.

a significação moral do comportamento não reside em resultados externos. quer dizer. é boa só pelo querer. • Já para Kant.. • Trabalha-se a moralidade de um ato a partir do foro íntimo da pessoa.• F) A Ética Formal • A ética dos bens se preocupa com a relação estabelecida entre o proceder individual e o supremo fim da existência humana.. é boa em si mesma. não é boa por sua adequação para alcançar algum fim que nos tenhamos proposto. . mas na pureza da vontade e na retidão dos propósitos do agente considerado. O que significa isso? • A boa vontade não é boa pelo que efetue e realize. em sua filosofia prática.

por sua vontade. exprime o cumprimento do dever pelo dever. por respeito à exigência ética. vem do imperativo categórico. • O fundamento da lei moral não está na experiência. à categoria de lei de universal observância. • A lei que representa a conduta boa. mas se apóia em princípios racionais apriorísticos. Ou seja. .• Moralmente valioso é o atuar que. além da concordância com aquilo que a norma impõe. critério supremo da moralidade: • Age sempre de tal modo que a máxima de tua ação possa ser elevada.

E o fundamento objetivo dela somente pode encontrar-se no conceito da dignidade da pessoal. carece de valor de valor do ponto vista ético. mas procede da vontade de outro. mas deverá estar racionalmente fundado. . • E para que o ato valha moralmente é indispensável que deva ser aplicado a todo ser racional – universalidade. • A lei moral não pode ter fundamento subjetivo. Se a conduta não atende a um mandato vindo da própria vontade. • O ato só é moralmente valioso quando representa observância de uma norma que o sujeito se deu a si mesmo.• Esse enunciado exprime duas exigências: a exigência da autonomia e da universalidade. contingente e empírico.

conservar a vida é um dever.• O conceito mais importante da ética de Kant é a boa vontade. . • E boa vontade se definirá como: aquela que age não só conforme o dever. • Ex. ou até desejando a morte. mas por dever. conserva a existência para não descumprir o dever se conservar a vida. sua conduta coincide externa e internamente com a lei moral e possui o valor moral pleno. O centro da moral será a pureza das intenções. • A partir de Kant o que se considerará em ética será a atitude interior da pessoa. mesmo não temendo. descumprimos o dever. Se nos preocuparmos apenas com isso. Mas se alguém perdeu todo apego à vida e. nossa conduta fica reduzida de significação moral. • Se atentarmos contra ela.

.• Outro conceito importante é o dos imperativos. • A representação de um princípio objetivo constritivo para a razão se formula através de um imperativo. • A determinação da vontade por leis objetivas se chama constrição. os fenômenos humanos derivam de princípios. Os fenômenos da natureza decorrem das leis naturais. • O imperativo se exterioriza sob a forma de um dever ser e se divide em categórico e hipotético.

• A fórmula do imperativo categórico é célebre: Age só segundo uma máxima tal que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei universal. Ex. ele deve revestir valor universal. com ação produzida por sua vontade e não por vontade do outro. deves seguir a linha reta – imperativo hipotético. . se queres ir de um ponto a outro pelo caminho mais curto. deves amar a teus pais – imperativo categórico. Isso significa que a pessoa deve agir espontaneamente.• O imperativo categórico impõe uma conduta por si mesma. E para que o comportamento seja eticamente valioso. enquanto o imperativo hipotético ordena comportamento como meio para atingir uma finalidade.

de acordo com o qual a pessoa deve conduzir-se. • A Lei moral. universalmente válido. • O valor que vai servir de valor absoluto para os imperativos. . constitui o princípio objetivo. é a pessoa humana.• Kant distingue máxima e lei moral. O que o imperativo categórico exige é que a máxima (princípio subjetivo) seja de tal natureza que possa ser elevada à categoria de lei de universal observância. • Máxima: é o princípio subjetivo da ação. ao contrário. a regra de acordo com a qual procede o sujeito.

• Os objetos de nossas aspirações têm valor relativo. O imperativo prático será. Só o homem tem valor absoluto. pois. as pessoas têm dignidade. • Só se poderá falar em ética a partir da autonomia. • As coisas têm preço. sempre como um fim ao mesmo tempo e nunca como um meio. como segue: • age de tal modo que uses a humanidade. • A ideia de autonomia e heteronomia também é importante. tanto em tua pessoa como na pessoa de qualquer outro. • . servindo como meios.

2 – Ética relativa (factual.Estoica 3 – Ética formal 4 – Ética de valores .Epicurista . B) Quanto ao aspecto histórico (sobretudo ocidental): 1 – Ética empírica: Anarquista .Platônica Aristotélica .Utilitarista Ceticista .Subjetivista 2 – Ética dos bens: Socrática .CLASSIFICAÇÕES DA ÉTICA= Quadro Geral A) Quanto ao resultado do comportamento: 1 – Ética absoluta (apriorística). experimental).

belo e bom e que é condicionado por um tipo de juízo moral pessoal que. por isso. fortaleza). força moral. se adapta ao da sociedade e época. caridade. . disposição habitual para a prática do bem. carácter do que corresponde às normas ideais para o seu tipo e. esperança. Virtude do Lat. sabedoria.. prudência. boa qualidade moral. virtute s. sensibilidade).(honestidade. tudo o que é verdadeiro. aquilo que confere normas à conduta.Valor.(fé. justiça. modo austero de vida. ato virtuoso. f. normalmente. é desejado e desejável.

. .semelhança e alteridade. valorização. a) Perda dos valores: .sensibilidade .sabedoria. com consideração.honestidade. identificação e dialogar com o outro. . A palavra alteridade possui o significado de se colocar no lugar do outro na relação interpessoal.Problemas no atual contexto sócio-políticoeconômico.

nas coisas que dizemos. p.” (Maurício Érnica.. em nossos pensamentos.Valores Morais o que são? “Juízos sobre as ações humanas que se baseiam em definições do que é bom/mau ou do que é o bem/o mal. que escrevemos. .Não têm validade universal.São inerentes à condição humana.Permitem distinguir os comportamentos desejados e bons dos indesejados e maus. isto é. . in “Conversando sobre Educação em Valores Humanos) -Estão em presentes: em todas as religiões e filosofias.28) Para que servem? -Orientam as pessoas no momento de suas escolhas. não estariam presentes no mundo nãohumano. in “Ética: decidir entre humanos) “São princípios que fundamentam a consciência humana” (Marilu Martinelli. . ??? (livro “A Nova Ética. que fazemos.. . .

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