A Deusa Tríplice

Femininos
Estudos

Simone Martinelli [Al Jawhara] [www.aljawhara.com.br]

[2008]
[Apostila desenvolvida através de pesquisas online. Não copie sem citar os autores.]

A Deusa Tríplice
Para entendermos corretamente quem é esta Divindade, temos que voltar até os primeiros povos da Terra. Quando os povos primitivos identificaram a mulher com a Terra e associaram a existência da Terra a poderes divinos, consideraram que o poder que conspirou para que o Universo fosse criado era feminino. Como só as mulheres têm o poder de dar a vida a outros seres, nossos ancestrais começaram a acreditar que tudo tinha sido gerado por uma Deusa. Em diversas partes do mundo a Grande Deusa Mãe é associada à Lua, já que existia um poder maior que agia entre a mulher e a Lua. Todas as religiões primais viam no poder feminino a chave para o Mito da Criação e assim o Universo era identificado como uma Grande Deusa, criadora de tudo aquilo que existia e que existiu. Nada mais lógico para uma sociedade em processo de evolução, pois não é do ventre da mulher que todos nós saímos? O culto a Grande Deusa remonta a Era de Touro. Nesta época o respeito ao feminino e o culto aos mistérios da procriação eram muitos difundidos. Nas culturas primitivas a mulher era tida como a única fonte da vida, tanto que os lugares onde ocorriam os partos eram considerados sagrados e foram nestes lugares que surgiram diversos templos de veneração à Deusa. Com o avanço da agricultura, a importância do solo passou a ser primordial e a Grande Mãe Terra(a Deusa) se tornou o centro de culto das tribos primitivas. As mulheres eram consideradas responsáveis pela fartura das colheitas, pois eram elas que conheciam os mistérios da criação. As várias estatuetas femininas como as Vênus de Willendorf, de Menton e Lespugne, representam a sacralidade feminina e os poderes mágicos e religiosos atribuídos à Deusa na época do Paleolítico e Neolítico. Ela esteve presente em todas as partes do mundo sob diversos nomes e aspectos: Kali na Índia, Ishtar na Mesopotâmia, Pallas na Grécia, Sekhmet no Egito, Bellona em Roma e assim sucessivamente. As Grandes Deusas da Antiguidade exerciam o domínio tanto sobre o amor como sobre a guerra. O símbolo da Grande Deusa é o caldeirão, que representa o mundo que ela criou e carrega em seu ventre. Este objeto é associado à Deusa porque a criação se parece com o que se pode realizar no interior do mesmo. O mundo é uma maravilhosa obra alquímica que a Deusa criou e comanda através das manobras e poções realizadas em seu caldeirão, o lugar onde nasce a vida. A Deusa é a energia Geradora do Universo, é associada aos poderes noturnos, a Lua, a intuição, ao lado inconsciente, a tudo aquilo que deve ser desvendado, daí o mito da eterna Ísis com o véu que jamais deve ser desvelado. A Lua jamais morre, mas muda de fase à cada 7 dias, representando os mistérios da eternidade e mutação. Por isso a Deusa é chamada de a “Deusa Tríplice do Círculo do Renascimento“, p ois também muda de face, assim como a Lua, e se mostra aos homens de três diferentes formas como: A Virgem, A Mãe e A Anciã. Isso não difícil de entender, pois dentro de Wicca todos os vários Deuses e as múltiplas faces e aspectos da Deusa, nada mais são do que a personificação e atributos da Grande Divindade Universal.

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A Grande Deusa desempenha inúmeros papéis e funções e para isso usa nomes e atributos diferentes, o que os seres humanos para simplificar chamaram de Deuses. Para a Bruxaria todos os Deuses Antigos são a Grande Deusa Mãe multipersonificada. Quando você invoca o nome de um determinado Deus, libera um tipo de energia específica que não consegue ser liberada quando se invoca outra Divindade que desempenha papéis e funções diferentes. O aspecto Jovem da Deusa recebe o nome de Rhianon. Ela está associada à adivinhação, aos ritos mágicos, à clarividência e aos encantamentos. Seus rituais e invocações são realizados na Lua Crescente. Sua cor é o branco e por isso recebe o título de ALBEDO(Senhora da Alvorada). Rhianon é a caçadora, segura em suas mãos a trompa de vaca ou touro em forma de meia lua. É a deusa da fartura e é ela a quem devemos reverenciar quando queremos garantir êxito no trabalho. Seus poderes são os da compaixão, sabedoria e compreensão. O aspecto de Mãe recebe o nome de Brigit, a antiga Deusa Celta do fogo. Ela esta associada a fertilidade, sexualidade e ao parto. Seus rituais e invocações são realizados na Lua Cheia. Sua cor é o vermelho e por isso recebe o título de RUBEDO(Senhora do entardecer ou do rubi). Brigit é a mãe que o possui no ventre o poder de dar a luz uma nova vida. É a rainha da colheita, a mãe do milho e derrama sua abundância por toda a terra. Segura em suas mãos um recipiente com labaredas de fogo, o qual tem o poder de realizar os desejos daqueles que a cultuam. É a Deusa do amor e seus poderes são os da paixão, agilidade e rapidez. O aspecto de Anciã recebe o nome de Cerridwen, a Grande Deusa Mãe que conhece todos os segredos do Universo. Ela está relacionada ao renascimento e a ligação com os outros mundos. Seus rituais de invocação são realizados na Lua Minguante, que é o seu símbolo. Sua cor é o negro e por isso recebe o título de NIGREDO (Senhora da noite). Cerridwen é a mãe que conserva todos os poderes da sabedoria e conhecimento. É ao mesmo tempo Deusa parteira e dos mortos, pois o poder que leva as almas para a morte é o mesmo que traz a vida. Do seu ventre parte toda a vida e da vida provém à morte. Segura em suas mãos um caldeirão e das misturas feitas em seu interior ela comanda a sincronicidade de todo o Universo e intervém nos assuntos humanos para auxiliar seus seguidores. Devido ao aspecto de velha é esta a personificação que representa o conhecimento de todos os mistérios que só a experiência pode proporcionar. É a Deusa da sabedoria do bem e do mal. É ela a quem devemos recorrer e reverenciar nos momentos de dificuldades e anulação de qualquer tipo de malefício. Ela é a Deusa da paz e do caos. Da harmonia e da desarmonia. Cerridwen já passou pela jovialidade de Rhianon, pela maturidade e entusiasmo de Brigit. Acumulou toda a experiência, que só o tempo pode proporcionar, e distribui a sabedoria por todo o mundo. A Deusa já foi reverenciada em todas as partes do mundo sobre diferentes nomes e aspectos. Seu nome varia, mas sempre foi venerada como o princípio feminino eterno e estático que está presente em tudo e incluso no nada. Ela é o poder do feminino que dá vida ao mundo e fertiliza a terra. A Deusa não está ligada somente às manifestações da terra, pois ela representa as forças celestes. Ela é a dona do céu noturno, guardiã dos sentimentos, do interior da alma humana e do destino do homem. Ela é uma presença contínua que está além do tempo e do espaço. (Autoria Ignorada)

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Poema Deusa Tríplice "Quando a Lua cresce no céu, sou Diana dos Bosques. Busco os caminhos virgens e neles mostro minha força em cada ramo. Sou Diana quando busco os montes e anseio por novos rumos, quando repudio os limites e não existe o medo. Sou Diana quando me lanço sem amparo do cume feito com todas as pedras que tentam, inúteis, bloquear meus atos deliciosamente insanos. Assim sou Diana. Quando no céu a Lua é cheia, sou Ceres de coração nos olhos. Busco o amor imensurável e ofereço àquele que habita em meus infinitos braços. Sou Ceres quando procuro meu filho em cada ser, quando quero ser ave mãe e ninho em um só tempo. Sou Ceres quando meu colo se torna porto e suplica, dolorosamente, pelo lançar de âncoras de todas as embarcações. Assim sou Ceres. Quando a Lua míngua, sou Trivia de toda a escuridão. Busco a linguagem da alma e descubro ser eu mesma tudo aquilo que me ameaça. Sou Trivia quando a solidão importa e quando o fim torna-se causa e razão. Sou Trivia quando penso na morte e encontro o que sou antes de tornar-me outra. Assim sou Trivia. E assim a Deusa habita em mim, em suas três diferentes formas." (desconheço o autor)

Maneiras de abordar o caráter tríplice de uma deusa
Há, entretanto, outras maneiras de abordar o caráter tríplice de uma deusa. Ela representa também um arquétipo que se reflete no interior de nossa alma. Este caráter tríplice pode ser percebido em muitas facetas da vida e torna a deusa tríplice uma figura que podemos nos identificar facilmente. A deusa tríplice vive no lado ativo da psique feminina e toda mulher deve aprender a identificar suas facetas, para depois trabalhar com ela. Perceber como ela se manifesta em nosso interior é importante para evitar que este espaço seja inundado por uma destas facetas, anulando por completo a nossa vontade e impedindo-nos de exercer o nosso direito de livre escolha. A triplicidade da deusa pode ser percebida em muitas facetas da vida. Se lhe concedermos a oportunidade para se manifestar como figura mítica, ela poderá inspirar a nossa alma, assim como nutrir, sustentar e transformar o cerne do nosso ser.

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A Donzela representa a juventude, a vida em flor, se traduz em uma mulher inocente, mas também sedutora que reconhece o seu poder sexual. Ela retrata o nosso modo irreverente, sendo considerada a "virgem". A palavra virgem no sentido primitivo significava "não casada", ou seja, aquela que não tem marido, portanto, o termo "virgem", usado em relação às deusas antigas, não tinha o significado atual. Podia, portanto, ser usado perfeitamente para uma mulher que já tivesse tido experiência sexual e podia até, ser aplicado a uma prostituta. A deusa-virgem é aquele aspecto da mulher que não foi afetado pelas expectativas sociais e culturais, determinadas pelo sexo masculino. O aspecto da deusa virgem é uma pura essência de quem é mulher e daquilo que ela valoriza. Ele permanece imaculado e não contaminado, porque ela não o revela, pois o mantém sagrado e secreto, ou porque o expressa sem modificação para refutar os padrões masculinos. Conforme descreve Esther Harding em seu livro "Os Mistérios da Mulher" que: "a mulher que é virgem, faz o que ela faz não por causa de nenhum desejo de obter poder sobre o outro, nem para atrair seu interesse ou amor, mas porque o que faz é verdadeiro. Suas ações podem, de fato, ser não convencionais. Pode dizer não, quando seria mais fácil, mais adaptado, convencionalmente falando, dizer sim. Mas como virgem ela não é influenciada por considerações que fazem com que a mulher não virgem, casada ou não, se acomoda e se adapta à conveniência". As deusas-donzelas são freqüentemente associadas as flores e devem ser invocadas nas magias do amor, da beleza, do sexo e dos recomeços. Exemplo delas: Nimue, Perséfone, Blodeuwedd, Brigid, Bhoidheoch, etc. Tempo: Alvorecer, o passado. Estação: Primavera texto: Fada Dinah

A Tríplice árabe

As deusas Al-Uzza, Al-Lat e Manat formado uma tríade na Arábia pré-islâmica.

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Elas foram amplamente adoradas de Nabatean Petra no Norte para os Reinos lendários da Arábia Felix do Sul, incluindo Saba, a Sabá bíblica, como Extremo Oriente como Irã e Palmyra, e as três eram deusas muito populares em Meca no tempo de Maomé. Da esquerda para direita estão: Al-Uzza, cujo nome significa “The Mighty", a Deusa da Estrela da Manhã; Al-Lat, a Mãe, cujo nome significa simplesmente "a deusa", como Al-Lah significa "O Deus”; e Menat, a deusa do Destino ou do Tempo. Às vezes, as três são referidas como as filhas de Al-Lah, às vezes, Manat e Al-Lat são consideradas filhas de Al-Uzza. DEUSA AL-UZZA A Deusa nabatea Al-Uzza ("A Poderosa", "A Forte"), representava a faceta da Deusa Virgem guerreira, vinculada com a estrela da manhã (Planeta Vênus), que tinha como santuário um bosque de acácias ao sul de Meca, onde era adorada na forma de uma pedra sagrada. Hoje a pedra é cuidada por homens conhecidos como "Beni Shaybah" (os filhos da Velha Mulher). AlUzza pode ser associada com a Deusa Isthar, Ísis e Astarte, como Deusa da Estrela Vespertina e grandes gatos eram consagrados à ela. Foi associada também, pelos gregos à Deusa Afrodite Urania e com Caelistis, uma Deusa da Lua. Essa Deusa protegia ainda, os navios em suas viagens oceânicas. Embora a Arábia seja uma terra de desertos e nômades, os Nabateas navegavam pelo oceano para negociar. Nesse aspecto, tinha como símbolo o golfinho, cujo o hábito de nadar ao lado dos navios, os tornou guardiões e protetores. A Deusa Al-Uzza representa a confiança, a vigilância e a preparação. É uma feroz protetora e uma grande aliada para enfrentar as batalhas da vida. Foi honrada em épocas antigas com sacrifícios de seres humanos e animais. Os símbolos da Deusa incluem a acácia, as palmeiras e a pedra encontrada no Kaaba em Meca. Os muçulmanos conquistaram Meca no ano de 683 D.C. e se apoderaram de Kaaba, destruindo os 360 ídolos que continha, no entanto, conservaram a citada pedra. Não deixa de ser um enigma que o Islã, inflexível inimigo dos ídolos, respeitasse esse, símbolo de fecundidade e até tê-lo convertido, junto com o templo, o principal templo da "Nova Fé”. Tão grande era o respeito, ou o temor que essa divindade feminina impunha, que não se atreveram a destruí-la e reservaram um lugar de honra em sua religião, enquanto essa era essencialmente masculina? Al-Uzza deve ser invocada com o nome de Mari (Meri) para pedir-lhe proteção em viagens marítimas. É conhecidas pelos nomes: Al Uzzah, o al-Uzza, o ëUzza do Al, o Al Uzza, ëUzza, e o Uzza. Também chamada de Propitious, e a Vênus de Meca. Verde é sua cor sagrada. O granito e os meteoritos são também suas pedras sagradas.

AL-LAT, A DEUSA DA LUA CHEIA Al-Lat, cujo nome significa apenas "Deusa", representava a faceta da "Deusa Mãe", ligada com a Terra e com seus frutos, regia a fecundidade. Era adorada em At Ta'if, perto de Meca, na forma de um grande bloco fruto de granito branco, onde mais tarde se erigiu uma mesquita. Era a Deusa regente dos templos agora proibidos para mulheres. Al-Lat foi igualada pelos gregos a Deusa Atena e chamada de "Mãe dos Deuses". Era uma Deusa da Primavera, da Fertilidade, uma Mãe-Terra que traz muita prosperidade. Representando uma Deusa da Fertilidade, ela carrega nas mãos um feixe de trigo.

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MANAT OU MANAWAYAT, A SÁBIA ANCIÃ Manat ou Manawayat deriva da palavra árabe "maniya", que quer dizer "destruição, morte" ou de "manato" (parte, parcela). Manat, portanto, era a faceta da Deusa que regia o destino e a morte. Entre as três Deusas, era a mais antiga e seu santuário localizava-se na estrada entre Meca e Medina, onde era adorada na forma de uma pedra negra bruta. Maomé, o profeta, em sua luta para estabelecer uma religião dominada pelos homens, perseguiu os adoradores da Deusa e destruiu seus santuários. Curiosamente, parece que Maomé, encontrando dificuldades para vencer o culto das pedras sagradas da Deusa, substituiu esse costume ritual por um rito da sua própria religião, tal como o fez a Igreja cristã na Europa com os incômodos costumes pagãos antigos. Ele instituiu o culto da Pedra Sagrada do Islã, a Kaaba, em Meca. A Deusa Menat, era representada como uma mulher idosa com um copo na mão e os símbolos que servem de fundo para o seu vestido, soletram seu nome em Sabaic. A lua minguante é mostrada como símbolo de Deusa Anciã associada à morte.

O CULTO ÀS PEDRAS A representação mais primitiva da divindade lunar e talvez a mais universal era de um cone ou pilar de pedra. Essas pedras, algumas vezes, caídas do céu na forma de meteoritos, eram consideradas algo muito fabuloso. A própria origem miraculosa dessas pedras aumentava o respeito e a admiração que tinham por elas. Na maioria das vezes, a pedra não era deixada em sua forma natural, mas sim trabalhada. Na Melanésia, por exemplo, uma pedra em forma de lua crescente é adorada como sendo um aspecto da lua. Em geral ela é encontrada ao lado de uma pedra circular representando a lua cheia. A cor das pedras também varia; algumas vezes são brancas (Al-Lat), outras vezes preta (Manat; Pedra Negra de Meca), correspondendo aos aspectos brilhante e obscuros da divindade lunar. Em Pafos, Chipre, Bealeth ou Astarte era representada por um cone branco ou pirâmide. Um cone similar representava Astarte em Biblos e Ártemis em Perge, na Panfília, enquanto que uma rocha meteórica era adorada como Cibele em Pessino, na Galácia. Cones de arenito aparecem no santuário da Soberana-da-turqueza entre os precipícios do monte Sinai, sugerindo que a Grande Deusa Lua era adorada nessa Montanha-da-lua, na forma de um cone, antes que Moisés ali recebesse as tábuas da Lei. Na Caldéia, a Grande Deusa, Magna Dea, ou a Deusa da Lua, era adorada na forma de uma pedra negra sagrada, e se acredita ser a mesma pedra ainda venerada em Meca. Al-Uzza, a Deusa objeto de nosso estudo, foi colocada na Caaba, em Meca, e servida pelas antigas sacerdotisas. Nessa pedra negra há uma marca chamada de "impressão de Afrodite". A forma grega do nome veio a ser associada por alguma razão com essa marca, que é uma depressão oval, significando o "yoni" ou órgãos genitais

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femininos. É o sinal de Ártemis, a Deusa do Amor Sexual livre, e indica claramente que a pedra negra de Meca pertenceu originalmente à Grande Mãe. A pedra foi coberta por uma mortalha de material preto chamada "a camisa de Caaba" e atualmente homens substituem as "sacerdotisas antigas". Esses homens, "Filhos da Velha Mulher", já citados anteriormente, são descendentes lineares das velhas mulheres que cumpriam os mesmos deveres em tempos antigos. A pedra que representa não aparece sempre exatamente da mesma forma. Algumas vezes é um mero montículo redondo lembrando o "omphalos", que é provavelmente a mais primitiva representação da Mãe Terra. Outras vezes é alongada, formando um cone ou pilar, e em muitos casos é trabalhada, esculpida. Goblet d'Alviella em seu "Migration of Symbols" configurou essas pedras em uma série, culminando com a estátua de Ártemis, que em sua característica atitude hierática completa a série sem afastar-se da forma geral. Ela sugere que a forma da estátua brotou da pedra. A pedra era a representação original da Deusa Lua que gradualmente tomou características humanas. O símbolo feminino frequentemente encontrado nas pedras sagradas da Mãe Lua é um símbolo de poder generativo da mulher sagrada, e da sua atração sexual por homens, tendo uma conotação ligeiramente diferente da taça e do cálice, que são símbolos do útero e representam as qualidades maternas da mulher. Entretanto, as duas ideias não estão muito distantes e podem fundirem-se uma na outra.

Extra
A MULHER ÁRABE PAGÃ E A ATUAL Antes do advento do Islamismo, as mulheres árabes pagãs gozavam de um "status" respeitável dentro da sociedade. Elas possuíam o direito de empreender negócios, escolher seus maridos e tomavam parte na maioria das atividades de guerra e paz, incluindo ainda, a adoração pública. No paganismo árabe, ocupavam um lugar de destaque as Deusas: Al-Uzza, Al-Lat e Menat. Suas estátuas eram muito reverenciadas. Dessa maneira, Allah A poesia pagã árabe estava dedicada principalmente a graça e a beleza das mulheres, assim como à glória de seus valores tribais na paz e na guerra. Nessa sociedade, o homem ainda não praticava a poligamia, que só foi introduzida e fomentada pelo profeta, depois da revelação do islamismo. Foi a partir daí, que as mulheres passaram a constituírem-se objetos de consumo e produção do maior número possível de muçulmanos. O período que se seguiu ao paganismo, ou seja, o islamismo primitivo continuou com as tradições pré-islâmicas, ou seja, ainda não havia a obrigatoriedade do uso de "hijabs" ou "véus" para as mulheres. O véu semitransparente que cobre metade do rosto e tão conhecido por todos nós era um costume muito antigo que se originou nos tempos assírios, sendo considerado, a princípio, um símbolo de "status" ou uma marca de distinção social usado pela mulher livre. A mulher árabe pagã das cidades estava acostumada a usar esse véu semitransparente, porém as mulheres tribais nunca o usavam. Mais tarde, o Islã agregou medidas que se dizia serem "a preservação da modéstia de mulher" como: baixar os olhos em público, ocultar seus seios e joias e coisas similares. No entanto, essas restrições foram muito além de suas intenções originais. Essa situação de insegurança e exclusão da mulher se perpetuou por pelo menos 100 anos até que durante o reinado de Abbasid Calif Harun ur Rashid, tudo ficou bem pior, pois a mulheres passaram a serem joguetes sexuais e máquinas de reprodução. As mulheres casadas passaram a serem servas, simplesmente apêndices sociais dos homens. E mais ainda, escravas sexuais

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passaram a ser vendidas livremente em mercados abertos de todos os países islâmicos e se podia hipotecar rendar ou emprestá-las como presentes aos amigos. Não havia limite ao número de escravas sexuais que um homem pudesse possuir. Hoje a mulher muçulmana se diz mais valorizada. O Corão, livro sagrado dos muçulmanos, contém versículos afirmando que, "aos olhos de Alá", homens e mulheres são iguais. O problema da opressão à mulher muçulmana não é causado, portanto, pela crença islâmica em si, ela surgiu em culturas que incorporaram tradições prejudiciais às mulheres, ou seja, em sociedades machistas. O véu, mundialmente criticado, é um ato que está integrado à cultura e não a religião, e é por isso que as mulheres o usam mesmo quando não há nenhuma obrigação de fazê-lo, como é o caso das que imigram para outros países, mas não abandonam seus véus. Acredito inclusive, que o véu dá personalidade, guia e dá um toque todo especial a essas mulheres e não será um véu que irá calar suas vozes e alma feminina. O que as silencia é a ideia da superioridade dos homens sobre elas. Tal estrutura mental é tão poderosa, que toda a educação dos filhos descansa sobre essa desigualdade. E, são as próprias mães muçulmanas que transmitem essa estrutura mental para as crianças, da mesma maneira que suas próprias mães fizeram com elas. Para se quebrar esse círculo vicioso, a mulher muçulmana teria que ter condições de entender que tal estrutura mental não corresponde as necessidades de sua espécie. A resignação e a perpetuação desta dita estrutura mental, as tornaram indiscutivelmente cúmplices inconscientes desta estafa que recai atualmente sobre a sociedade incapaz de encontrar o seu equilíbrio. O islamismo, ao renegar as Deusas, mencionadas no Corão como filhas de Allah, castrou-se de humanidade e sentimentos. Texto pesquisado e desenvolvido por ROSANE VOLPATTO BIBLIOGRAFIA CONSULTADA: O Medo do Feminino - Erich Neumann Os Mistérios da Mulher - M. Esther Harding A Deusa Tríplice - Adam Mclean

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