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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ ACÓRDÃO Nº SECRETARIA DA 1ª CÂMARA

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ

ACÓRDÃO Nº SECRETARIA DA 1ª CÂMARA CÍVEL ISOLADA APELAÇÃO CÍVEL COMARCA DA CAPITAL PROCESSO Nº 2011.3.000643-5 Apelante: M. J. GOMES CORREA Apelado: TIM CELULAR S/A Relatora: Marneide Trindade P. Merabet.

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. INSCRIÇÃO INDEVIDA O CADASTRO DE INADIMPLENTES DO SERASA. DANO MORAL CONFIGURADO. APELO VISANDO MODIFICAR A SENTENÇA PARA AUMENTAR O QUANTUM DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, MEDIANTE A ASSERTIVA DE QUE O VALOR FIXADO PELO JUIZ A QUO ESTÁ MUITO AQUÉM DOS VALORES FIXADOS PELO STJ E PELO TJEPA. IN CASU, O DANO EXPERIMENTADO PELA APELANTE NÃO FORA DE MAIOR GRAVIDADE. O QUANTUM DE R$ 3.000,00 (TRES MIL REAIS), É SUFICIENTE PARA SATISFAZER O INCONFORMISMO DA APELANTE. AUMENTAR O VALOR DA INDENIZAÇÃO PARA O PATAMAR DE R$ 15.000,00 (QUINZE MIL REAIS), COMO É NO MÍNIMO, PRIVILEGIAR O ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. APELO CONHECIDO E IMPROVIDO. DECISÃO UNÂNIME.

Vistos, ACORDAM os Senhores Desembargadores que compõem a 1ª Câmara Cível Isolada do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Pará, à unanimidade de votos, em CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao APELO, nos termos do voto da relatora. Julgamento presidido pela Desembargadora GLEIDE PEREIRA DE MOURA. Belém, 02 de abril de 2012. DESA. MARNEIDE MERABET - RELATORA.

RELATÓRIO

Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por M. J. GOMES CORREA de sentença prolatada (fls. 78/82) pelo Juiz de Direito da 5ª Vara Cível da Capital, nos autos da AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO cumulada com INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS movida contra TIM CELULAR S/A, que declarou a inexistência do débito de R$ 625,30(seiscentos e vinte e cinco reais e trinta centavos) relativo a cobrança indevida da multa rescisória durante o prazo de carência do contrato de prestação de serviço de telefonia celular celebrado entre as partes. Condenou a empresa requerida no pagamento de indenização por danos morais na quantia de R$ 3.000,00 (três mil reais) em decorrência da inscrição indevida da autora no SERASA por conta do não pagamento da multa rescisória cobrada pela requerida em função da rescisão contratual durante o prazo de carência. O quantum indenizatório deverá ser atualizado pelo INPC desde o arbitramento, incidindo, também, juros de moratórios desde a citação; condenou a requerida no pagamento das despesas e custas processuais, bem como em honorários advocatícios, que arbitrou em R$ 1.000,00 (um mil reais) sobre o valor da causa.

A ação foi proposta porque a apelante firmou com a apelada contrato, para fornecimento de serviços de telefonia, por meio de plano empresarial; contrato rescindido pela apelante, tendo a apelada exigido o pagamento de multa rescisória no valor de R$ 625,30(seiscentos e vinte e cinco reais e trinta centavos), sob o argumento de que a empresa apelada não respeitou o período mínimo de 12(doze) meses de vigência do contrato, recusando-se a apelada em efetuar o pagamento da referida cobrança, em contra partida a TIM CELULAR inscreveu o nome da apelada no cadastro do SERASA.

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ M. J. GOMES CORREA interpôs APELAÇÃO

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M. J. GOMES CORREA interpôs APELAÇÃO (fls. 83/95) visando reformar a sentença para aumentar o valor da indenização por danos extrapatrimonial para R$ 15.000,00 (quinze mil reais), mediante a assertiva de que o valor fixado pelo juiz a quo está muito aquém dos valores fixados pelo Superior Tribunal de Justiça e por esta Egrégia Corte de Justiça. Em contrarrazões o apelado pede seja mantido o quantum fixado na sentença, Vieram os autos a esta Egrégia Corte de Justiça, cabendo-me a relatoria. É o relatório. À revisão. Belém, 01 de março de 2012. DESA. MARNEIDE MERABET - RELATORA.

V OTO

Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por M. J. GOMES CORREA de sentença prolatada (fls. 78/82) pelo Juiz de Direito da 5ª Vara Cível da Capital, nos autos da AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO cumulada com INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS movida contra TIM CELULAR S/A, que declarou a inexistência do débito de R$ 625,30(seiscentos e vinte e cinco reais e trinta centavos) relativo a cobrança indevida da multa rescisória durante o prazo de carência do contrato de prestação de serviço de telefonia celular celebrado entre as partes. Condenou a empresa requerida no pagamento de indenização por danos morais na quantia de R$ 3.000,00 (três mil reais) em decorrência da inscrição indevida da autora no SERASA por conta do não pagamento da multa rescisória cobrada pela requerida em função da rescisão contratual durante o prazo de carência. O quantum indenizatório deverá ser atualizado pelo INPC desde o arbitramento, incidindo, também, juros de moratórios desde a citação; condenou a requerida no pagamento das despesas e custas processuais, bem como em honorários advocatícios, que arbitrou em R$ 1.000,00 (um mil reais) sobre o valor da causa.

O APELO é tempestivo e foi devidamente preparado.

A TIM CELULAR S/A foi condenada a pagar a M. J. GOMES CORREA indenização por danos morais na quantia de R$ 3.000,00 (três mil reais) em decorrência da inscrição indevida no SERASA por conta do não pagamento da multa rescisória cobrada pela requerida em função da rescisão contratual durante o prazo de carência. M. J. GOMES CORREA interpôs apelação visando reformar da sentença para aumentar o valor da indenização por danos para R$ 15.000,00 (quinze mil reais), mediante a assertiva de que o valor fixado pelo juiz a quo está muito aquém dos valores fixados pelo STJ e pelo TJEPA. O cerne do presente recurso cinge-se apenas ao quantum fixado na sentença a título de indenização por danos morais.

Vejamos: a ação foi proposta porque a apelante firmou com a apelada contrato para fornecimento de serviços de telefonia, por meio de plano empresarial; contrato rescindido pela apelante, tendo a apelada exigido o pagamento de multa rescisória no valor de R$ 625,30(seiscentos e vinte e cinco reais e trinta centavos), sob o argumento de que a empresa apelada não respeitou o período mínimo de 12(doze) meses de vigência do contrato, recusando-se a apelada em efetuar o pagamento da referida cobrança, em contra partida a TIM CELULAR inscreveu o nome da apelada no cadastro do SERASA. O juiz a quo julgou procedente o pedido sob o fundamento que de acordo com a legislação de amparo ao consumidor, a cobrança de multa rescisória é abusiva. E, em consequência, a inscrição da autora nos cadastros de proteção ao crédito por conta desse débito se afigura indevida, gerando o dano moral, que no caso é presumido em face do próprio fato, entretanto, a apelante não comprovou de forma consistente a perda de negócios, tampouco a ocorrência de comprometimento financeiro de grande proporção, em decorrência da referida inscrição. Tem razão o juiz a quo, vez que o dano experimentado pela apelante não fora de maior gravidade, razão pela qual, o quantum de R$ 3.000,00 (tres mil reais), é suficiente para satisfazer o inconformismo do apelante. Aumentar o valor da indenização para o patamar de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), como pretende a apelante é no mínimo, privilegiar o

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ enriquecimento sem causa. Entendo que o

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enriquecimento sem causa. Entendo que o critério para a fixação do quantum indenizatório, não pode apenas ser o de punição com o arbitramento indiscriminado de vultosas indenizações, vez que as ações de responsabilidade civil, visando a reparação dos danos morais ao invés de buscar na prestação jurisdicional, uma reparação pelo dano sofrido, venham antes, buscar o enriquecimento sem causa. E ainda, o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça sobre a manutenção do nome nos cadastros de inadimplentes:

Direito Civil. Recurso especial. Ação de indenização por danos morais. Manutenção em cadastro de inadimplentes após a quitação do débito. - Cumpre ao credor providenciar o cancelamento da anotação negativa do nome do devedor em cadastro de proteção ao crédito, quando quitada a dívida. - A manutenção do nome daquele que já quitou dívida em cadastro de inadimplentes gera direito à indenização por dano moral, independentemente da prova objetiva do abalo à honra e à reputação sofrida pelo autor, que se permite, na hipótese, presumir. - O valor da indenização deve ser fixado sem excessos, evitando-se enriquecimento sem causa da parte atingida pelo ato ilícito. Recurso especial provido. (RESP 631329/RS, Rel. Min. NANCY ANDRIGHI, j. 29.06.2004, DJ 02.08.2004, p. 393).

Assim, entendo ser razoável e justo o arbitramento da indenização, tal como fixada na sentença, a qual deve ser mantida in totum. Ante o exposto, VOTO pelo CONHECIMENTO do APELO e pelo seu IMPROVIMENTO, mantendo a sentença de primeiro grau em todo seu teor. É o voto. Belém, 02 de abril de 2012. DESA. MARNEIDE MERABET - RELATORA.