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A vídeo-reportagem como ferramenta pedagógica em

Mossoró, RN: uma análise do Projeto Minha Escola na TV


Publicado na Ata da Conferência Internacional Educação, Globalização e Cidadania: Novas
Perspectivas da Sociologia da Educação, CD Room ISBN 978-85-7745-120.

Regina Cunha
ginauk@gmail.com

Resumo
O objetivo deste trabalho é suscitar um debate entre educadores e
comunicadores sobre o uso da vídeo-reportagem como ferramenta pedagógica
(educacional). A TV é objeto de estudo permanente: abordam a presença da
TV em nossas vidas; os modos como diferentes públicos se relacionam com as
construções simbólicas da TV; a criação e elaboração dos produtos televisivos;
as estratégias de linguagem da TV; mas, pouco se fala sobre a possibilidade de
utilizar a câmera para gravar, por exemplo: uma pesquisa escolar feita por um
grupo de alunos, um debate organizado por jovens e crianças sobre as
eleições na escola, uma peça de teatro escrita e interpretada por adolescentes
de uma comunidade rural; em seguida editar o material gravado, e, finalmente,
veicular o “programa” através do canal local de uma TV a cabo. O projeto
Minha Escola na TV (cinco programas produzidos e veiculados em 2006),
desenvolvido no semi-árido nordestino, constitui o corpus deste trabalho.

Palavras-chave: educação e televisão, comunicação, responsabilidade social,


cidadania.

Video-reportage as a pedagogical tool in Mossoró, RN: analysis of the


proyect ‘Minha Escola na TV’

Abstract

The main purpose of this analysis is to promote a debate between educators


and communicators about the use of the video-reportage as pedagogical tool
(educational). TV is object of permanent study, as example: the presence of the
TV in our lives; the ways as different public managing with the symbolic
constructions of the TV; the creation and elaboration of TV-productions; the
strategies of TV-language; although not too much is explained about the
possibility to use the camera to record, as example: researches made by pupils
in a classroom; debate organized by youth about school’s elections; a play
written and interpreted by adolescents in a rural area; and after that, prepare to
edit the recorded ‘material’, and, finally, to broadcast the ‘program’ by local
channel in a cable TV of the city. ‘Minha Escola na TV’ (five programs produced
in 2006), a video-proyect developed in Brazil’s Northeastern, is the ‘corpus’ of
this presentation.

Key-words: education and television, comunication, social responsibility,


citizenship.

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Errar é humano, mas não culpem os professores

Procurar bodes expiatórios quando o resultado não dá certo é tão antigo


quanto a história da humanidade e pode assumir várias formas. As crianças
que vão à escola hoje nasceram no século 21. Estes pequenos estudantes
vivenciam um mundo completamente diferente de tudo o que foi vivido pelas
gerações anteriores. Esta geração do milênio já chega à escola “plugada” na
televisão, celular, videogame, Internet, enfim.
Para acomodar os novos conhecimentos os educadores adicionam
pequenas partículas de informação, no já “inchado e disforme” currículo
escolar, ao mesmo tempo em que aumenta a cada dia, a responsabilidade da
escola no sentido de ajudar a criança a entender o que significam os novos
termos como cidadania, sexualidade, relações humanas, vida ativa e saudável,
e ainda por cima, prepará-los para a carreira profissional. É fácil deduzir que
estas crianças não discutem na escola, o próprio ambiente em que vivem, o
qual hoje contém um dos mais ricos conteúdos para aprendizado, já que a
criança vive rodeada de novas tecnologias, além disso, é provável que estes
estudantes não estejam sendo preparados para a vida dos novos tempos. É
preciso inovar pedagogicamente através da criação de contextos que permitam
às crianças não somente adquirir conhecimentos que serão relevantes para
suas vidas, mas também, aguçar a curiosidade e a criatividade para que as
bases para toda a vida emocional e intelectual sejam estabelecidas.
Será que o caminho da produção de programas de televisão por
estudantes pode ajudar a melhorar o aprendizado tanto na sala de aula como
na vida fora da escola?
A utilização de novas tecnologias em sala de aula questionada por
Yelland (2007) é um alerta os educadores:
Será que entender o processo da produção jornalística pode
habilitar as crianças para desenvolver um aprendizado das
matérias “antigas” e novas que jamais sequer havia sido
pensado, antes da introdução das novas tecnologias, como
computador, câmera digital, software de edição de vídeo on-line,
entre outras inovações que estão disponíveis? (YELLAND, 2007,
tradução feita pela autora do trabalho).

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Inovação tecnológica Versus Inovação Pedagógica
Neste ponto é preciso recorrer a BELLONI (2003) para distinguir as
inovações:
A primeira (inovação tecnológica) ocorre no campo social e
econômico, quando uma nova técnica se impõe como objeto de
consumo, mudando hábitos, saberes e modos de fazer. A
inovação pedagógica é bem mais difícil de definir. Primeiro,
porque ela é relativa ao contexto (nesse sentido pode ser uma
espécie de “novo antigo”); em seguida, porque é resultado de
uma intencionalidade (sempre presente no ato de educar), um
desejo de mudar para melhorar, e, por último, porque, em geral,
a inovação pedagógica ocorre num processo pouco planejado.
Já a inovação educacional acontece quando a inovação
pedagógica é alçada a um nível de ação política de maior
amplitude no tempo e no espaço (abrangência), exigindo
planejamento e definição de projetos. (BELLONI, 2003, p.290).
Quando os primeiros carros a motor começaram a ser fabricados em
grandes quantidades, algumas pessoas acreditavam que apenas as pessoas
capazes de entender o funcionamento do motor de combustão interna estariam
aptas a dirigir. A prática mostrou que nem todo mundo precisou ser treinado
para ser mecânico de oficina.
O verdadeiro desafio da sociedade do chip de silicone não é entender o
que faz o hardware funcionar ou como produzir o software. É saber o que eles
podem fazer, o que pode ser feito com eles e como lidar com seu produto final,
produzido em massa: a informação. (LEWIS, 1987, p. 253).
E a televisão?
A tevê não pára nunca de produzir informações e o público não
pára nunca de ver. Do outro lado da telinha, sentado na sala de
casa ou na poltrona de um avião ou ônibus, está o telespectador.
Você pode chamá-lo de cidadão, ou de consumidor.
Normalmente ele é as duas coisas ao mesmo tempo. Nestas
condições, ele cada vez mais opina, influi e decide sobre o que
gosta e o que julga importante para sua vida. (BARBEIRO, 2002,
p. 18).

Você na Telinha

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A maioria dos manuais de “como fazer TV” apresenta fórmulas para
produção de um programa de televisão. O problema é que as fórmulas têm um
elemento intrínseco de fracasso. Elas podem se tornar cansativas, previsíveis e
chatas. Você sabe que isso acontece quando é capaz de prever mais de 50%
do programa, antes de assisti-lo.
Em seu livro Você na Telinha, Como usar a mídia a seu favor, o
professor Heródoto BARBEIRO (2002) ensina “como tratar as grandes estrelas
da tevê e como se postar em condições de igualdade”, e mais, diz que “a
missão do livro é treinar”, o leitor, “para dar boas entrevistas no estúdio ou em
reportagens na televisão”.
Aproveitando a idéia do livro, cujo objetivo do autor foi o de orientar o
empresário interessado em tornar-se fonte1, o projeto Minha Escola na TV tem
por objetivo treinar e dar oportunidade aos jovens e crianças mossoroenses de
divulgar através do canal da TV a Cabo do município de Mossoró, as
entrevistas, os debates, peças de teatro e outras produções feitas por eles,
gravadas e transformadas em programas de televisão.
O projeto Minha Escola na TV é uma atividade desenvolvida em sala de
aula que permite ao aluno exercitar a criatividade, ampliar os canais de
comunicação no próprio meio e desenvolver o sentido de equipe com
aprendizagem responsável.
Tendo-se por base que os jovens e crianças selecionados para participar
do projeto devem estar regularmente matriculados em uma escola, eles podem
atuar como na preparação de um trabalho escolar. Ou seja, os estudantes
pesquisam um tema (escolhido por eles) e devem se familiarizar com o
assunto, de tal maneira que o programa (depois de editado) seja
compreensível para todos que o vejam.
As reportagens também promovem a mobilização dos jovens em torno
de conteúdos relacionados à diversidade da cultura local, levando em
consideração a cidadania política, riqueza ambiental do semi-árido nordestino,
e principalmente, permite que utilizem a informação como elemento
transformador da realidade.
Permitir que o jovem investigue possibilidades, faça escolhas, encontre
soluções e respostas, tome decisões, seja o protagonista de seu processo
educativo. Aproveite as próprias experiências presentes para modificar o futuro

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para melhor. O prof. Francisco Gutiérrez, autor do livro Linguagem Total: uma
Pedagogia dos Meios de Comunicação, em uma entrevista à prof. Tania Porto
(1995) alerta para que a escola abrace os meios.
A sociedade atual criou diferentes linguagens para se comunicar:
cinema, TV, rádio, histórias em quadrinhos, revistas,
computadores, Internet, entre outros. Nós iniciamos com o termo
Linguagem Total, que significa introduzir na escola todas estas
linguagens que a sociedade usa, para que o aluno não encontre
tanta diferença entre a escola e a sociedade. Na atual estrutura,
a escola está isolada, mantendo-se, praticamente, apenas com a
linguagem falada e escrita. Ela não usa estas linguagens,
embora algumas instituições escolares creiam que as têm
introduzido, simplesmente porque têm e usam os recursos
citados. Isto nós consideramos apoio audiovisual. O importante
não é que tenham estes apoios, mas que o aluno possa
expressar-se através destas linguagens. Se há um vídeo na
escola, é importante que o aluno se expresse, não pela forma
rígida de um profissional, mas como um ser humano que se
utiliza de recursos para seu desenvolvimento pessoal. E tudo
isso requer uma pedagogia. A Pedagogia da Comunicação é a
elaboração de estratégias, instrumentos, atividades (por
exemplo: teatro, entrevistas, exposições, filmes, diálogos...) que
permitam ao estudante aprender. Estas linguagens permitem ao
estudante compreender o mundo e expressá-lo para conviver
melhor e poder, assim, escrever sua história. (PORTO, 1995)
Escrevendo a própria história
O primeiro programa da série Minha Escola na TV abordou o problema
da poluição do Rio Mossoró – Meio Ambiente (esta reportagem ganhou o primeiro
lugar em maio de 2007, no concurso Mão Amiga promovido pela DNA e UFERSA –
Universidade Federal Rural do Semi-Árido). Os alunos da Escola Municipal
Francisco de Assis Batista, do bairro Alto da Conceição, falam sobre a poluição
do Rio Mossoró e o lamentável estado em que se encontra o campinho de
futebol na margem do rio, transformado em lixão. O local da gravação
(histórico) é a Ponte onde Jararaca (cangaceiro de Lampião) caiu derrotado
pelo povo. Mais do que o descaso com a história da cidade, a matéria mostra o

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descaso com a vida das crianças que moram no bairro, que não têm um local
para lazer e socialização.
Data 13/05/2006
Escola Municipal Francisco de Assis Batista
Rua Eufrásio de Oliveira, s/n – Alto da Conceição
Telefone 84 3315-5087
Alunos: Jucicléia, Elias, Thomas, Joamaia, André e José Carlos
Professora Coordenadora: Irenice
O segundo programa tratou do jovem e da inclusão social (Participação
Social). Os alunos apresentaram uma peça de teatro (escrita e interpretada por
eles próprios) para os jovens da APAE – Associação dos Pais e Amigos dos
Excepcionais de Mossoró. A peça aborda a preservação da natureza, inclusão
social, respeito ao próximo, limpeza do Rio Mossoró e, principalmente,
incentiva a vitória do amor sobre o ódio. O roteiro foi escrito pelos jovens com
supervisão dos professores da escola. A proposta dos alunos foi mostrar na
tevê a integração de jovens e crianças de diferentes bairros mossoroenses e,
principalmente, o engajamento dos jovens para um projeto de responsabilidade
social e exercício da cidadania, independente de status social e necessidades
especiais de cada um.
Data: 17/05/2006
Escola Municipal Professora Celina Guimarães Viana
Rua Tibério Burlamaqui, s/n – Barrocas
Telefone 84 3315-5097
Local da Gravação: APAE - Mossoró
Atores: Francisco (fogo), Sandbergson (ar), Neilson (amor),
Adriano (terra), Fagner (água) e Jefferson.
Professor: Alexandre
Dançarinos: Aline, Jéssica, Marina, Maria Thereza, Suelen,
Maria, Jéssica, Suyane, Moniele, Priscila, Cleidiane e Karen.
Professor Coordenador: Joscelito
O terceiro programa da série abordou o tema “jovem e educação”. Os
alunos questionam a participação dos pais, principalmente, no cotidiano
escolar. Eles pedem mais “liberdade” para discutir “temas contemporâneos” em
sala de aula. A reportagem mostra o trabalho voluntário de alguns profissionais
que moram no bairro e que executam atividades na escola em diversas áreas.
Um destes voluntários, durante a entrevista, afirma que o trabalho com as
crianças o ajuda, pois dessa maneira ele próprio não fica “na rua”, suscetível
aos contatos nocivos com drogados e traficantes. Os alunos também
entrevistam a prefeita, que compareceu à escola, junto com a secretária de
educação no dia da gravação.

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Data: 19/05/2006
Escola Municipal Joaquim da Silveira Borges
Av. Alberto Maranhão, s/n - Centro
Local: Própria escola
Alunos: Bruna, Edson, Tatamura, Jefferson, Isa, Deilson.
A quarta abordou temas como respeito pelo meio ambiente,
passando pela reciclagem de lixo, até a interação da escola, com os pais e a
comunidade. Os alunos convidaram os pais e a comunidade para uma visita à
escola, num sábado pela manhã, denominando o evento como uma viagem de
Volta ao Mundo/Feira das Nações. Cada sala de aula escolheu como tema, um
País cuja seleção estivesse participando da Copa do Mundo de 2006. Os
alunos deviam pesquisar e apresentar aos visitantes um pouco do País
daquele time. A decoração dos países foi feita com material reciclado. Na
entrada da escola cada família recebeu um passaporte (feito de papel
reciclado). Em cada sala de aula, o visitante recebia um carimbo (figura ou
assinatura) do País visitado. O objetivo dos alunos era incentivar a vinda dos
pais para conhecer a escola e principalmente, provocar a participação deles na
vida escolar. (Uma das maiores reclamações dos alunos, em todas as escolas:
“meus pais brigam comigo para estudar, mas não vão até a escola para saber
se sou bom aluno, ou não!”).
Data: 20/05/2006
Escola Municipal José Benjamim
Rua Bodoca, 211 - Inoocop - São Manoel
Alunos: Marcos Paulo, Mara Raquel, Nadja, Inavan, Gleiciane
Anderson
O quinto programa foi gravado na zona rural, a 32 quilômetros de
Mossoró, RN, num lugar chamado Assentamento Hipólito. O grupo de alunos
foi um dos mais questionadores e dispostos a utilizar o espaço na telinha. A
coordenadora da escola, na primeira reunião, sugeriu o tema da Higiene, mas
os alunos mudaram tudo na hora da gravação, e decidiram escrever e
interpretar uma peça de teatro. Uma psicopedagoga foi chamada para orientar
o debate que se seguiu à apresentação e gravação da peça. O roteiro
apresentou a história de uma adolescente que morava em um assentamento, e
não podia ir até a cidade, porque a avó, com quem ela morava, tinha medo e
não permitia. No texto as crianças afirmam que são reprimidos pelos pais e que
não podem fazer nada (sair para festas ou reuniões na cidade, por exemplo).

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Afirmaram ainda, que os pais deles não estavam preparando-os para viver o
mundo de hoje, mas sim, para uma realidade subserviente de vida no campo,
já que eles não estavam aprendendo a tomar decisões e assumir
responsabilidades.
Data: 23/05/2006
Escola Municipal Evilásio Leão (Assentamento Hipólito)
Alunos: Jeová, Giovana, Raquel, Estela
Professora Coordenadora: Carmem
Diretora: Beônia
Vamos pescar? Reconhecer a própria capacidade e evoluir
Conhecer para conquistar. A reportagem veiculada pela tevê local
suscitou a vontade de outros jovens em muitas escolas. A possibilidade de um,
deu a certeza a outro. Para confirmar que o conhecimento da dinâmica da
produção televisiva pode ajudar professores e alunos, tanto dentro como fora
da sala de aula, recorro ao trabalho de SALGADO (2005) para explicar o vídeo,
pesquisa e intervenção:
Compartilhando da premissa marxista de que o conhecimento
dos modos de produção permite uma postura mais crítica na
relação com os bens materiais e culturais, construir imagens
com as crianças apresenta-se como possibilidade de inseri-las
na reflexão da própria produção cultural, suscitando-lhes outra
postura que não apenas a de espectador, visando a recuperar a
dimensão política da linguagem televisiva como um saber
representativo de uma época: a da reprodução técnica
(BENJAMIN, 1987). Assim, como cada época constrói suas
questões e as formas para respondê-las, entendemos que é
preciso formular nossas indagações – as nossas e as das
crianças – ante o tema da mídia e também construir um modo
próprio de abordagem: fazer uso da imagem e do som como
forma de compreender uma época que se constitui em torno das
tecnologias audiovisuais. Se a mídia televisiva obedece a uma
linguagem específica, há que a conhecer para poder intervir a
partir de um outro prisma. É certo que somente conhecer as
condições de produção não garante a tomada de uma postura
crítica perante essa produção; se houvesse essa garantia, o
próprio campo da comunicação social seria necessariamente
autocrítico, uma vez que dispõe desses saberes. Em

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contrapartida, o conhecimento do processo de produção pode
ajudar na construção de uma postura indagadora. (SALGADO, et
al, 2005, p.19)
Construir uma postura indagadora, promover a participação social e
política de adolescentes, incentivar a educação ambiental e cultura popular. O
projeto Minha Escola na TV acena com essa possibilidade positiva, através da
produção televisiva. Muito se fala que devemos ensinar a pescar, e não dar o
peixe. Mas, a realidade mostra que pouco está sendo feito nesse sentido. Os
trabalhos desenvolvidos na área de responsabilidade social, principalmente no
Nordeste continuam atuando como ‘arrecadador de doações’ para terceiros.
Como um dos focos do presente trabalho é o fortalecimento do vínculo
aluno/escola, através da produção para televisão, então será feito apenas um
registro sobre possibilidade de ‘geração de renda’ aventada por uma das
escolas participantes do projeto:
Uma das escolas comercializou ‘cópias’ da gravação original da
apresentação dos alunos. Em outro momento, a escola criou o ‘Dia de Ver TV
na Escola’ para exibir o ‘programa’ para alunos, pais e comunidade em geral,
pois nem todo estudante tem a assinatura da TV a cabo. (A documentação
dessa ação será desenvolvida, no segundo semestre de 2007, por uma
Assistente Social)
O mercado como ele é hoje
Com o surgimento dos serviços de TV paga no Brasil no final dos anos
80, o mercado de televisão no país passou a ser composto por três grandes
segmentos:
Redes abertas: que oferecem programação gratuita;
Programadoras: são as empresas que fornecem conteúdo para
TV paga, como Discovery Networks, HBO e Aol Time Warner;
Operadoras: captam os sinais dos canais pagos (como HBO,
Telecine, Sportv, TNT, CNN, ESPN International, Discovery, etc),
canais abertos (Globo, SBT, Bandeirantes, TVE, entre outros) e
canais públicos obrigatórios (de utilização gratuita, como TV
Senado, TV da Câmara Federal etc) e transmitem aos assinantes.
Como o trabalho enfoca o projeto desenvolvido em uma TV a Cabo,
torna-se necessária a descrição deste segmento:

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TV a cabo é o serviço de telecomunicações que consiste na
distribuição de sinais de vídeo e/ou áudio a assinantes, mediante
transporte por meios físicos. Segundo a NEO TV, associação
que congrega 59 operadoras de cabo no Brasil, atualmente
estas operadoras respondem por 185 operações. Das quais, 144
já estão em funcionamento, cobrindo cerca de 325 municípios
brasileiros.
A própria NEO TV reconhece que as operadoras de TV a Cabo devem
desenvolver um trabalho de responsabilidade social junto às comunidades em
que operam e para isso criou em 2006 o Prêmio Operador Cidadão:
O Prêmio Operador Cidadão tem por objetivo reconhecer todas
as iniciativas que visam à melhoria das condições sociais e o
desenvolvimento das comunidades onde as empresas
associadas atuam. Neste primeiro concurso realizado em 2006,
os projetos foram avaliados por uma comissão julgadora
formada por programadores e jornalistas especializados em
terceiro setor e TV por Assinatura. Os vencedores da primeira
edição são:
1º Lugar – Viacabo
2º Lugar - TCM – Mossoró
A operadora recebeu uma homenagem especial pela
criatividade do projeto voltado à educação Minha Escola na
TV. Ele possibilita que jovens e crianças mossoroenses
façam parte de todas as etapas do processo de produção
de vídeo-reportagens sobre temas importantes a suas
realidades. Além disso, vincula a sua participação ao fato
de estarem matriculados em uma escola.2
3º Lugar – CTBC
Qualidade. O público quer ver programas bons e bem feitos
O projeto é desenvolvido por uma jornalista que, junto com um
coordenador da escola, explica aos alunos os caminhos da notícia até chegar
na telinha, estimula a iniciativa da colaboração, organização e coordenação e
incentiva a participação.
O processo leva, em média, quatro semanas: na primeira, a jornalista vai
a escola e explica a base teórica do processo da produção da reportagem para
os alunos; na segunda, os alunos vão até emissora de tevê e vivenciam o
processo prático; na terceira semana é feita a gravação; e na quarta semana a
matéria é veiculada pelo canal local da TV a Cabo.
Um cinegrafista profissional opera a câmera da emissora (profissional)
para oferecer uma gravação de qualidade ao público telespectador. A gravação
com os jovens atuando como repórteres e apresentadores, leva em média,

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duas horas; e depois da captação, as imagens são editadas em ilha não-linear,
já que a empresa TCM® trabalha com equipamentos digitais. A veiculação
acontece aos sábados, às três horas da tarde, com uma reprise durante a
semana.
Espelho, pauta e TP: o que é isso, professora?
A metodologia do projeto Minha Escola na TV baseou-se no
questionamento, e também utilizou o aprendizado cooperativo (ANTUNES,
2001) com o desenvolvimento de múltiplas inteligências:
• Inteligência lingüística – desenvolve no aluno a habilidade para usar
a linguagem para convencer, agradar, estimular ou transmitir idéias.
Em crianças, esta habilidade se manifesta através da capacidade
para contar histórias originais ou relatar experiências vividas. Na
produção para televisão esta habilidade favorece o desenvolvimento
da pauta (conteúdo) e a escrita do texto.
• Inteligência lógico-matemática – É a habilidade para lidar com séries
de raciocínios, para reconhecer problemas e resolvê-los. Na
produção para televisão esta habilidade ajuda o aluno a desenvolver
a produção técnica e edição.
• Inteligência musical - Esta inteligência se manifesta na habilidade
para perceber temas musicais, ritmos, produção e reprodução de
músicas. Na produção televisiva esta habilidade ajuda o estudante
na edição da trilha sonora e escola da música tema da reportagem.
• Inteligência espacial – É a inteligência que ajuda entre outras
habilidades a ter atenção aos detalhes visuais. Na produção para
tevê o aluno desenvolve a habilidade para escolher os locais de
gravação, desenvolvimento do conteúdo e apresentação.
• Inteligência sinestésica (corporal) – A criança ou jovem
especialmente dotada de inteligência sinestésica se move com
graça e expressão a partir de estímulos musicais ou verbais
demonstrando uma grande habilidade ou coordenação fina apurada.
É fácil concluir que aqueles que possuem esta habilidade não
encontram dificuldades para executar o trabalho da apresentação da
reportagem (movimentação em frente à câmera).
• Inteligência interpessoal – Esta inteligência pode ser descrita como
habilidade para liderar outras crianças, uma vez que são
extremamente sensíveis às necessidades e sentimentos dos outros.
Na produção de tevê ajuda na direção e produção e uso do talento
pessoal.
• Inteligência intrapessoal – É o reconhecimento de habilidades,
necessidades, inteligências e dos próprios desejos. Na produção
para tevê ajuda no desenvolvimento do projeto, edição e preparo do
texto.

Um dos grandes desafios para o educador (MORAN, 2000, p.23) é


ajudar a tornar a informação significativa; a escolher as informações
verdadeiramente importantes entre tantas possibilidades; a compreendê-las de

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forma cada vez mais abrangente e profunda; e a torná-las parte do nosso
referencial.
Os impactos efetivos ocorridos na vida dos participantes do projeto e da
comunidade mossoroense (232.196 pessoas em 2007, segundo dados do
IBGE) vão desde a melhora no desempenho escolar, passam pelo aumento do
número de alunos que participam de atividades extracurriculares, quando estas
atividades foram gravadas para veiculação pelo canal local da TCM®, até a
criação de novos programas na grade da emissora para atender à solicitação
da comunidade.
A cada programa professores, coordenadores e alunos aproveitam para
apresentar "avaliações informais" sobre o programa Minha Escola na TV. As
gravações não são utilizadas para computar avaliações, embora estejam
registradas em video, e futuramente, possam servir para estudo estatístico, ou
análise científica da prática.
Um dos pontos que demonstra a grande aceitação do público e que os
alunos compreendem a importância da utilização da video reportagem como
ferramenta pedagógica, é o aumento do número de pedidos para participar do
programa.
Telefonemas, cartas e e-mails com propostas para participar do Minha
Escola na TV triplicaram nos últimos meses do ano de 2007. Os alunos
entenderam que, organizados e com planejamento, conseguem fazer valer o
direito deles como cidadãos e estão procurando mostrar para a comunidade
que cuidar do meio ambiente, preservar a cultura regional entre outros temas
importantes, é dever de todos. E quando uma escola muda a comunidade a
sua volta, para melhor, é justo que outros também queiram tentá-lo e mostrar
ao público mossoroense que vão conseguir. Por exemplo: em 2006 (maio) os
alunos da Escola Municipal Francisco de Assis Batista prepararam uma
reportagem sobre a poluição do Rio Mossoró e o lixão ao lado da escola, local
que antes era um campinho de futebol. A reportagem ganhou o primeiro lugar
do Prêmio Meio Ambiente DNA/UFERSA em março de 2007, mas melhor do
que isso, os alunos conseguiram plantar árvores no local e em menos de um
ano conseguiram recuperar a praça para esportes e lazer. A repercussão do
prêmo, da vitória dos alunos e da melhora da qualidade de vida, incentivou
outros alunos, do outro lado da periferia de Mossoró, também vizinhos de um

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lixão, a pressionar a direção da escola (no caso estadual), mais conhecida
como CAIC CARNAUBAL, a iniciar um processo de limpeza, em todos os
sentidos. O dia da gravação do programa Minha Escola na TV, em dezembro
de 2007, foi preeenchido com torneio de futebol e troféu, vacinação,
apresentação de shows musicais, de grupos folclóricos e teatrais, palestras
sobre drogas e gravidez na adolescência, aulas de artesanato, corte de
cabelos para alunas e mães e o plantio de 30 árvores (após a limpeza geral da
área em volta da escola, que incluiu até a retirada de animais mortos). Cada
árvore ganhou um nome (o do aluno que ficou responsável pela sua
manutenção).
Em agosto de 2006, a TCM® recebeu o segundo lugar no Prêmio
Operador Cidadã da NEOTV – Associação de TV por Assinatura e a Menção
Honrosa em Criatividade pelo projeto Minha Escola na TV.
O município de Mossoró recebeu o selo UNICEF em abril de 2007, pois
entre os vários itens analisados pelo UNICEF estava o projeto de comunicação
voltado para jovens e crianças, Minha Escola na TV e Minha Escola no Rádio3.
Em março de 2007, o projeto recebeu o 1º lugar no Concurso DNA
UFERSA como projeto de responsabilidade social voltado para difusão da
preservação da natureza e do meio ambiente nas escolas mossoroenses.
Em julho de 2007, o projeto foi apresentado durante o IV Congresso
Brasileiro de Comunicação, realizado na Universidade Maurício de Nassau, em
Recife, Brasil.
Em agosto de 2007, a jornalista Regina Cunha, coordenadora do projeto
Minha Escola na TV apresentou uma palestra sobre a importância da
Responsabilidade Social (Minha Escola na TV, como exemplo) para os
participantes do Congresso Internacional da ABTA – Associação Brasileira de
TV por Assinatura.
Em outubro de 2007, a jornalista Regina Cunha foi a única jornalista
brasileira a participar do Congresso da UNICEF sobre os Direitos da Criança e
do Adolescente no Chile.
Em novembro de 2007, o projeto Minha Escola na TV recebeu o 1º
prêmio de Melhor projeto de Responsabilidade Social da NEO TV, Associação
Brasileira de TV por Assinatura.

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Em dezembro de 2007, o projeto Minha Escola na TV foi selecionado
entre mais de mil práticas de Responsabilidade Social, de todo o Brasil,
voltadas para difusão dos Objetivos do Milênio, e vai receber em janeiro de
2008, a visita de pesquisadores/avaliadores com referência ao Prêmio
Objetivos do Milênio, da Presidência da República.
A subjetividade e o sujeito
Em seu trabalho O dispositivo pedagógico da mídia: modos de educar
na (e pela) TV, Rosa Maria Bueno Fischer (2002) diz o seguinte:
No estudo da TV como dispositivo pedagógico – feito a partir de
duas pesquisas recentes: O estatuto pedagógico da mídia4 e
Subjetividade feminina e diferença no dispositivo pedagógico da
mídia5 temos observado as mínimas estratégias de a televisão
afirmar-se como um lugar especial de educar, de fazer justiça, de
promover a "verdadeira" investigação dos fatos (relativos a
violências, transgressões, crimes de todos os tipos) e ainda de
concretamente "ensinar como fazer" determinadas tarefas
cotidianas, determinadas operações com o próprio corpo,
determinadas mudanças no cotidiano familiar e assim por
diante.6

Durante as entrevistas com os alunos (antes das gravações) para saber


a opinião sobre a televisão, fica claro que antes mesmo de ir para a escola a
criança é educada pela mídia, principalmente pela televisão. Para a maioria
dos jovens e crianças a relação com a televisão não é obrigatória, ela aprende
a ver e ouvir a estória dos outros, num processo que não exige esforço. A
televisão traz novidades, todos os dias, a música é engraçada, os trejeitos são
fáceis de imitar e mexe com os sentimentos. Para analisar o processo de
tomada de consciência recorro a análise de SALGADO, et al (2005):
O uso do vídeo, como disparador de reflexões sobre as práticas
sociais (...), pode ser entendido como facilitador de processos de
aprendizagem e desenvolvimento, envolvendo a reflexão e a
tomada de consciência, graças ao distanciamento que o vídeo
permite, dessas práticas e representações, transformando-as.
Nesse duplo processo de pesquisa e intervenção pedagógica,
cabe ao pesquisador compreender o que as crianças
compreendem, realizando, assim, o que Krippendorf (1997)
denomina de compreensão de segunda ordem, aquela que
permite ao pesquisador uma reflexão recorrente sobre o seu
próprio papel na realidade investigada. Trata-se, segundo o
autor, de um envolvimento comunicativo que abarca tanto o
pesquisador quanto o outro-pesquisado, em que ambos se
transformam, assim como os processos de comunicação que se
pretende compreender. (SALGADO, et al, 2005).

14
Alguns professores admitem que a televisão “educa” enquanto mostra
programas de entretenimento. Para a maioria dos professores, a educação
escolar deve incorporar tecnologias mais avançadas; além disso, a escola deve
ser um ambiente democrático e participativo onde a criança e o jovem tenham
oportunidade de expressar o que pensam.
Apenas um professor reagiu negativamente à realização da oficina de
jornalismo com os alunos da escola, considerando que a emissora poderia
estar utilizando o trabalho como uma forma de promoção. O mesmo professor
criticou a programação de uma emissora aberta, mas não quis explicar porque
não gostava dos programas.
Os alunos de uma escola decidiram não utilizar o tempo para uma
reportagem, mas sim, para apresentar uma peça de teatro (escrita por eles) e
pediram que a apresentação fosse feita no teatro da APAE/Mossoró –
Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, promovendo a inclusão social
de jovens com necessidades especiais.
Durante o período pré-eleições 2006, muitos jovens decidiram utilizar o
tempo do programa para promover campanhas para o voto consciente aos 16
anos, embora não obrigatório, nesta faixa etária. Mas a maioria dos jovens
questionou a importância do voto, sendo que um deles abordou a questão do
“pão e circo” relacionando os tempos atuais aos fatos ocorridos anteriormente
na história da humanidade.
A primeira reunião (teórica) realizada entre a jornalista e os alunos na
sala de aula (reunião de pauta) mostrou que, na maioria das vezes, eles estão
preparados para levantar problemas, comparar, distinguir e apresentar as
soluções. Algumas questões foram repetidas e discutidas por vários grupos de
alunos em diferentes escolas: meio-ambiente; lazer na escola e no bairro onde
vivem; e a participação dos pais na vida escolar. O ensino e a forma de ensinar
também foram temas de reportagens.
O resultado apresentado, ou seja, a reportagem exibida pelo Canal local,
feita pelos jovens e crianças motivou a comunidade a acreditar na televisão
como um meio de comunicação “verdadeiro”, na opinião deles, porque se antes
havia um sentimento de que a novela era uma “simulação” da vida real, e até
houve um comentário de que o telejornal de uma emissora nacional mostrava
uma realidade distante, como por exemplo, a guerra no Iraque, ou até mesmo

15
uma passeata de estudantes que parou o trânsito por dezenas de quilômetros
numa rodovia do sudeste; agora a imagem era outra, a televisão (pelo menos a
tevê a cabo local) permitiu à cidade, aos moradores, aos jovens e crianças, aos
professores, se enxergarem na telinha – e eles gostaram do que viram. O
exercício de auto-avaliação, ou seja, a experiência dentro da sala de aula,
analisando o mundo em que vive, ajuda o sujeito a observar-se e formar sua
subjetividade.
Cultura da Inovação – você é o que você faz
A maioria do conhecimento que os países em desenvolvimento têm,
ainda precisa de um empurrão na área da educação, para se tornar realmente
produtivo e agregar valor de mercado, tanto no setor de produção de
equipamentos de alta tecnologia quanto no setor de prestação de serviços. Isso
não é novidade nenhuma, porque os especialistas já descobriram isto há algum
tempo, o problema é que ninguém faz nada para modificar a situação. Muito se
fala em inclusão social, mas as crianças continuam excluídas do direito de
participar de decisões importantes, principalmente na escola. Quem escolhe os
livros que elas lêem? Quem decide a merenda escolar? Isto só para citar dois
pontos. E a inclusão digital? Tem escola que recebe um “presente de grego”,
primeiro vem o computador, depois que o equipamento já enferrujou de velho,
é que vem a capacitação do professor. O aluno que já sai de casa “plugado na
web”, porque atualmente, é relativamente fácil comprar um computador em
suaves prestações, ou quando não tem, dá para viajar pela internet na “lan
house” do bar da esquina. Este aluno curioso e atrevido, nascido no meio da
evolução tecnológica, mesmo que saiba, não pode tocar o objeto sagrado, que
fica empoeirando no meio da biblioteca ou da sala de vídeo, “ninguém mexe,
senão quebra!”.
Oferecer a este aluno a “ferramenta tecnológica” chamada vídeo
reportagem para incentivar a criatividade, a auto expressão, a iniciativa própria,
a possibilidade de buscar uma solução para um problema comum, e
principalmente, incorporar ao processo de aprendizado uma habilidade maior
de avançar no desenvolvimento das inteligências. Educar com a utilização da
vídeo reportagem é mais do que necessário, porque o fazer e aprender
fazendo, é mais do que aprender. É dar a possibilidade ao sujeito de analisar a
subjetividade daquilo que o sujeito fez e é, contribuindo para o entendimento da

16
realidade para poder transformar a sociedade. A televisão na escola tem o
poder e o dever de fazer com que professores e alunos se aproximem mais, e
falem a mesma linguagem, quebrando os paradigmas convencionais do ensino
atual. O desenvolvimento do conhecimento é um dos aspectos fundamentais
da escola e deve ser acompanhado do desenvolvimento de habilidades e de
atitudes, como a utilização de novas ferramentas pedagógicas, como a vídeo
reportagem.
A sala de aula tem que ser um lugar de produção do conhecimento
A utilização da televisão (de produtos produzidos, gravados e editados
por terceiros) já é bastante utilizada na educação. Vários autores confirmam as
suas potencialidades para tornar o ensino mais eficaz. O desenvolvimento
rápido das tecnologias da comunicação e da informação tem colocado à
disposição da televisão novas possibilidades, oferecendo-lhe mais
oportunidades do que propriamente ameaças. É o caso das redes de satélites,
por exemplo, e da tecnologia digital. Como conseqüência, a televisão tem se
tornado um meio bastante popular e de alcance ampliado através dos anos.
As linguagens da TV também são fáceis de serem interpretadas,
respondem à sensibilidade dos jovens e da maioria da população adulta. São
dinâmicas, dirigem-se antes à afetividade do que à razão. Entretanto, os
estudantes precisam desenvolver, mais conscientemente, o conhecimento e a
prática da imagem fixa, da imagem em movimento, da imagem sonora e fazer
isso como parte do aprendizado central, e não, marginal. Aprender a ver mais
completamente o que já estão acostumadas a ver, mas que não costumam
perceber com maior profundidade.
O desenvolvimento do conhecimento é um dos aspectos fundamentais
da escola e deve ser acompanhado do desenvolvimento de habilidades e de
atitudes, conforme foi dito no Curso de Extensão para Professores do Ensino
Fundamental e Médio da Rede Pública desenvolvido pelo Ministério da
Educação e Cultura:
Habilidades que levem o indivíduo a caminhar sozinho, a
interpretar os fenômenos, a expressar-se melhor, a comunicar-se
com facilidade, a dominar atitudes que o ajudem a ter auto-
estima, a ter impulso para avançar, para querer aprender
sempre, evitando isolar-se, e colaborando para chegar a uma
sociedade mais justa. O poder de interação não está
fundamentalmente nas tecnologias, mas nas nossas mentes.7

17
Educar com esta nova “velha ferramenta” será uma revolução, e quem
sabe a televisão na escola faça com que professores e alunos se aproximem
mais e falem a mesma linguagem, quebrando os paradigmas convencionais do
ensino atual.

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2001.
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18
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Paulo: Papirus.
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prof. Francisco Gutiérrez. Rev.Fac.Ed. São Paulo: vol.23, n.1-2, jan/dez 1997.
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infância e televisão. Caderno Cedes, Campinas: vol. 25, n. 65, p.9-24, jan/abr
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WATTS, Harris. Direção de Câmera. um manual de técnicas de vídeo e cinema.
São Paulo: Summus. 1999.
Notas Explicativas

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1
Para construir a reportagem o jornalista precisa de uma fonte. Sem fonte não há notícia. Por isso o jornalista
precisa que você conte fatos, dê testemunhos e sua opinião para que as reportagens possam ser desenvolvidas
e divulgadas para toda a sociedade. (BARBEIRO, 2002, p.13)
2
O projeto Minha Escola na TV foi criado antes do lançamento do Prêmio Operador Cidadão.
3
O projeto Minha Escola no Rádio não foi incluído na pesquisa apresentada neste trabalho.
4
O corpus de análise da pesquisa "O estatuto pedagógico da mídia", desenvolvida de 1998 a 2000, com apoio
do CNPq, constituiu-se de 66 produtos, entre documentários, seriados, comerciais, desenhos animados,
telejornais, programas infantis, programas didático-instrucionais, novela, programa feminino, programa de
auditório, talk show, programas humorísticos, veiculados na TV aberta e TV a cabo brasileiras, entre agosto de
1998 e julho de 2000. in FISCHER, R. Dispositivo Pedagógico da Mídia. SP: Ed.Pesq. v.28 n.1 Jan/jun 2002.
5
Na pesquisa "Subjetividade feminina e diferença no dispositivo pedagógico da mídia", iniciada em agosto de
2000 (também com apoio do CNPq), estamos investigando de que forma se constrói um discurso sobre a
mulher na televisão veiculada no Brasil; ou seja, perguntamo-nos sobre a mulher e os modos de constituí-la na
cultura brasileira contemporânea. Para tanto, selecionamos um conjunto de programas e comerciais de TV, em
que a mulher é figura proeminente, e os submetemos a uma rigorosa análise, cruzando elementos de
linguagem televisiva e tópicos referentes a técnicas de subjetivação, presentes nesses materiais; ainda,
apresentamos alguns desses materiais a um grupo de mulheres, de 18 a 45 anos, estudantes de pedagogia,
em sessões de discussão sobre a presença feminina na TV. Esse conjunto de enunciações (os textos retirados
da TV e os textos produzidos pelo grupo de mulheres) constitui o corpus de análise dessa pesquisa. in
FISCHER, R. Dispositivo Pedagógico da Mídia. SP: Ed.Pesq. v.28 n.1 Jan/jun 2002.
6
Conforme explicito no texto "Técnicas de si na TV: a mídia se faz pedagógica" (2000, p. 111-139). in FISCHER,
R. Dispositivo Pedagógico da Mídia. SP: Ed.Pesq. v.28 n.1 Jan/jun 2002.
7
in TV na escola e os desafios de hoje: Curso de Extensão para Professores do Ensino Fundamental e Médio
da Rede Pública. UniRede e Seed/MEC/Coordenação de Leda Maria Rangearo Fiorentini e Vânia Lúcia Quintão
Carneiro. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2a Edição revisada, 2002.