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N UTRIÇÃO E D IETÉTICA PARA J OVENS A TLETAS Metabolismo das Proteínas

NUTRIÇÃO E DIETÉTICA PARA JOVENS ATLETAS

Metabolismo das Proteínas

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Proteínas

• Deriva da palavra grega protos e proteios, que significam o primeiro, o mais importante e, ainda, o que muda de forma;

• São o material de construção para a estrutura do nosso organismo, de todas as células e tecidos (20% do peso seco destes);

• Papel energético é secundário (mau rendimento calórico, ao contrário dos HC e lípidos).

Proteínas

• A reprodução e o crescimento dependem das proteínas;

• São compostos de grande complexidade e variedade mas têm todas uma característica comum: a base da sua estrutura são os aminoácidos;

Péptidos são pequenas sequências de aminoácidos; a combinação destes péptidos em sequências maiores origina polipéptidos;

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Função das proteínas

• Necessárias para a construção e manutenção dos músculos, ossos, cartilagens, pele, sangue e outros tecido e órgãos do corpo, através do fornecimento dos aminoácidos necessários

• Formação de anticorpos (envolvidas na função do sistema imunológico), de hormonas (cujo papel regulador biológico é essencial) e de enzimas (que intervêm em praticamente todas as reacções biológicas.

• Os aminoácidos são usados para sintetizar ácidos nucleicos que formam o código genético de todas as células;

• Na forma de lipoproteínas, fazem o transporte de várias substâncias no interior do organismo (triglicéridos, colesterol, fosfolípidos e vitaminas lipossolúveis).

As proteínas nos alimentos

• Os alimentos de origem animal são os maiores fornecedores de proteína da dieta;

• Mas também existe nos produtos de origem vegetal (em menor quantidade e mais variável):

• Nos cereais (arroz, massas, pão, etc.);

• Nas leguminosas (feijão de soja e outras qualidades de feijão, grão de bico, lentilhas, favas, ervilhas, etc.);

• Nas oleaginosas (amendoim, caju, noz, pinhão, etc.);

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Fontes de proteínas

Exemplos:

Copo de leite (8g)

Perna frango (30g)

Ovo (6g)

Chouriço (20g)

Bife 200g (57g)

Big Mac (25g)

Exemplos: Copo de leite (8g) Perna frango (30g) Ovo (6g) Chouriço (20g) Bife 200g (57g) Big

Proteínas e aminoácidos

• Proteínas = combinações originais dos 20 aminoácidos;

• Aminoácidos (AA) contêm carbono, oxigénio, hidrogénio e também azoto

• Dos 20 aminoácidos existentes, uns podem ser produzidos a partir dos hidratos de carbono ou a partir de outros aminoácidos, mas 10 aminoácidos não podem ser produzidos pelo corpo e têm que ser fornecidos pelos alimentos.

• Estes são chamados de aminoácidos essenciais (indispensáveis), apesar de todos serem necessários;

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Aminoácidos

Essenciais

Não-essenciais

Arginina

Alanina

Fenilalanina

Asparagina

Histidina

Aspartato

Isoleucina

Cisteína

Leucina

Glutamato

Lisina

Glutamina

Metionina

Glicina

Treonina

Prolina

Triptofano

Serina

Valina

Tirosina

Valor biológico duma proteína

O

valor biológico duma proteína é estimado pela sua capacidade de fornecer

ao organismo os aminoácidos essenciais;

Quanto mais aminoácidos essenciais tiver a proteína de um alimento, maior é

o seu valor biológico;

A proteína do ovo (clara) é de todas as proteínas a de maior valor biológico.

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Proteína animal vs. vegetal

• As proteínas completas têm todos os 10 aminoácidos essenciais; as proteínas incompletas têm 1 ou mais aminoácidos ausentes (aminoácido limitante);

• Aminoácidos limitantes: aminoácidos mais prováveis de escassear devido à sua quantidade nos alimentos (lisina, metionina, cistina, triptofano e treonina);

• A proteína de origem animal tem uma qualidade superior (em quantidade e tipo de aminoácidos), que a proteína vegetal, mas os aminoácidos são exactamente os mesmos, onde quer que se encontrem.

Proteína animal vs. vegetal

• Todas as fontes de proteínas devem ser utilizadas, mas é vantajoso o consumo predominante das proteínas vegetais (+ hidratos de carbono; - gorduras saturadas e colesterol; + económicas);

• Como as proteínas vegetais têm menor assimilação intestinal, devem ser ingeridas em maior quantidade para se obterem os requisitos diários;

• A dieta deve conter várias fontes de proteína vegetal, ou associar na mesma refeição proteínas animais e vegetais.

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deve conter várias fontes de proteína vegetal, ou associar na mesma refeição proteínas animais e vegetais.

Proteína nos alimentos

• Proteína de referência: uma das

fontes de proteínas mais digestível e

completa é o OVO (clara); esta

proteína é usada como referência

para avaliar a qualidade de outras

proteínas alimentares.

é o OVO (clara); esta proteína é usada como referência para avaliar a qualidade de outras

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Proteína nos alimentos

• Proteínas complementares

• é especialmente importante nos vegetarianos.

• Consiste em combinar fontes de proteína que, em conjunto, fornecem todos os AA essenciais em quantidades suficientes (ex. arroz e feijão/ lentilhas; pão e manteiga de amendoim; tofu e vegetais)

Recomendação diária de proteína

• A ingestão proteica deve assegurar uma boa substituição das proteínas e evitar um balanço negativo de proteínas;

• Para adultos:

• 0,8 a 1 g de proteína /kg peso corporal/dia é suficiente;

• Em crianças, adolescentes, grávidas e mulheres a amamentar, a quantidade é superior:

• 1,0 a 2,2 g proteínas/kg/dia

 

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Recomendação diária de proteína

 

• Para a população sedentária:

0,8-1,0g/kg/dia;

• População geral, que treine total 3 horas semanais (intensidade moderada, a partir de 60% do VO2 máx.)

 

1,2 a 1,6 g/kg/dia

• Desportistas pretendam ganhos massa muscular (ou sujeitos a grandes cargas treino)

 

1,6 a 1,8g/kg/dia, ou mesmo 2 gramas/kg/dia

 

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Recomendação diária de proteína

• As recomendações são consideradas caso:

• A proteína utilizada seja de qualidade diversa;

• O corpo absorva e utilize proteína eficientemente;

• Os hidratos de carbono e a gordura sejam ingeridos em quantidades suficientes para cobrirem as necessidades energéticas;

• Não se verifiquem situações especiais (doença, queimaduras, gravidez, etc.)

 

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Suplementação proteínas / aminoácidos

• A suplementação exógena de proteínas faz sentido em situações bem definidas:

• Desportistas em regime hipocalórico para diminuição de peso;

• Alguns atletas vegetarianos;

• Praticantes de actividade física com deficiente ingestão proteica (razões sócio- económicas);

• Atletas com actividades diárias muito prolongadas, com marcada destruição muscular;

• Nos atletas que treinam em várias horas do dia por isso não podem fazer refeições satisfatórias;

• Atletas em adaptação a climas quentes e húmidos (aumento das perdas proteicas na sudação).

 

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Aminoácidos de Cadeia Ramificada (CR)

• Os AACR são aqueles cujo radical é uma cadeia hidrocarbonada, pelo que, uma vez desaminados, o seu radical constitui um substracto para a via glicolítica;

• São 3 os AACR: valina, leucina e isoleucina;

• São importantes para a aquisição de massa muscular e por atrasarem o aparecimento da fadiga central;

• Fontes alimentares: leite, queijo, ovos e carne.

 

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Suplementação com AACR

• AACR e músculo

• Durante treino de força há maior destruição proteica e um estímulo para síntese proteica;

• Os AACR tomados no início do treino diminuem o catabolismo inicial (não são metabolisados no fígado e ficam disponíveis para o músculo durante o treino);

• Por isso, é vulgar a inclusão de AACR nas bebidas a tomar durante os treinos de musculação, associados a hidratos de carbono.

 

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Digestão das proteínas

• Decorrem várias horas desde a digestão da proteína alimentar e a absorção dos aminoácidos;

• No estômago, o ácido clorídrico começa por desnaturar as proteínas; activação do pepsinogénio em pepsina, enzima que inicia a verdadeira digestão das proteínas.

• No intestino, as proteínas e péptidos chegados do estômago são atacados pelos fermentos do suco pancreático, que desdobram as proteínas, proteoses e peptonas em polipéptidos e dipéptidos;

• As enzimas carboxipeptidases atacam os polipéptidos e libertam os aminoácidos livres.

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Proteína no corpo humano

• Proteína no fígado: todos os aminoácidos são levados ao fígado, onde é regulada a proteína no corpo (síntese, degradação, reg. níveis sangue);

• Proteína no plasma: sintetizada no fígado;

• Proteína muscular: maior reserva corporal, metabolismo dos AACR;

• Se a ingestão é insuficiente, a proteína corporal é degradada pela seguinte ordem:

• Proteína do sangue, dos tecidos corporais de renovação rápida (mucosas, fígado, etc.), proteína muscular.

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Prioridades das proteínas

• As proteínas ingeridas diariamente fornecem aminoácidos que serão utilizados para:

• 1º SÍNTESE PROTEICA - formação de novas proteínas (que ocuparão o lugar das prot. destruídas) e de outros compostos azotados necessários: hormonas, enzimas, células estruturais, receptores celulares, anticorpos, etc.;

• 2º METABOLIZAÇÃO (catabolismo) para obtenção de energia. Os aminoácidos restantes, como não podem ser armazenados, são transformados em alanina para posterior formação de glucose (através da neoglucogénese) ou corpos cetónicos;

 

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Metabolismo proteico

• Maioria dos aminoácidos são metabolizados no fígado; os AACR (aminoácidos cadeias ramificadas) são metabolizados só no músculo;

• Como o corpo não pode armazenar aminoácidos, o excedente tem que ser catabolizado, originando compostos intermédios

• Os compostos azotados (ác. pirúvico, Acetil-CoA, etc.) podem ser oxidados no ciclo Krebs, entrar na gluconeogénese (glucose), ou lipogénese (ác. gordos);

• Certos aminoácidos (ex. leucina) são cetogénicos, ou seja, originam Acetil-CoA (ciclo de Krebs ou lipogénese,), enquanto outros (ex. alanina) são glucogénicos, e produzem ác. pirúvico e glucose.

 

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As proteínas e a saúde

• A deficiência proteica não é um problema na população ocidental em geral;

• Doenças que resultam da deficiência de proteína alimentar (mais frequente em crianças):

• Desnutrição calórico-proteica;

• Kwashiorkor (imagem típica de fome, crianças muito desnutridas, magras e com ventre dilatado);

• Marasmo (extrema desnutrição calórico-proteica);

• Infecções, edema, anemia, etc.

 

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As proteínas e a saúde

• O consumo excessivo de proteínas tem riscos associados:

• Excedente calórico armazenado sob a forma de gordura;

• Excessiva produção de ureia, ácido úrico e outros catabolitos azotados (consequente sobrecarga hepática e renal, e maior perda de líquidos)

• Bem como o consumo excessivo de aminoácidos individuais :

• Risco de toxicidade;

• Menor absorção de outros aminoácidos;

• Deficiência de outros aminoácidos

 

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As proteínas e a saúde

Doenças cardiovasculares (DCV) - a relação entre o consumo de produtos animais e as DCV deve-se, em grande parte, ao conteúdo de AG saturados, e não ao facto de serem grandes fontes proteicas;

Osteoporose – perdas elevadas de cálcio (Ca) estão associadas a proteína em excesso na dieta. O rácio Ca (mg)/Proteína (g) é determinante:

• 16:1 normal

• 9:1 mais frequentemente associado a menor densidade mineral óssea

 

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Necessidade proteica no desportista

• Durante muitos anos pensou-se que as proteínas não eram usadas como combustível durante o exercício, a menos que os glícidos e as gorduras não fossem suficientes;

• Muitos estudos posteriores mostraram que há catabolismo proteico durante esforços prolongados (alanina usada na neoglucogénese ).

 

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Proteínas animais vs proteínas vegetais

• Quais servem melhor as necessidades do atleta?

• A maioria dos autores refere que as proteínas animais são as de mais alto valor biológico, pois fornecem todos os aminoácidos essenciais.

• No entanto as proteínas animais devem ser ingeridas moderadamente pois são ricas em ácidos gordos, saturados e purinas.

• Um atleta deve combinar uma dieta com proteínas vegetais e proteínas animais, para procurar todos os aminoácidos essenciais à síntese das suas proteínas.

• Um atleta pode ser vegetariano, se souber escolher criteriosamente os alimentos vegetais a fazer a sua associação.

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