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Artigo: Aquaporinas – Bases Científicas e Regulação da Hidratação Cutânea

Regulação da Hidratação Cutânea

Hidratação Cutânea Regulação da Hidratação Cutânea A hidratação do estrato córneo, camada mais superficial

A hidratação do estrato córneo, camada mais superficial da pele, é um determinante fundamental da aparência cutânea, assim como, seu metabolismo, propriedades mecânicas e função barreira. O conteúdo aquoso do estrato córneo depende de vários fatores, como por exemplo, da umidade externa, da capacidade da epiderme em repor a perda de água por evaporação, e da capacidade intrínseca do estrato córneo em reter água. Esta última é determinada pela composição e pela estrutura do estrato córneo, particularmente formado por pequenas moléculas, como por exemplo, osmólitos ou umectantes.

Envelopes Cornificados Epidérmicos: Barreira Cutânea Natural Formada pelo Estrato Córneo

A barreira natural formada pelo estrato córneo depende criticamente da sua composição, representada pelas proteínas (75-80%), lipídeos (5-15%) e demais constituintes. A barreira cutânea promove proteção eficaz contra microrganismo patogênicos e regula a perda de água e de solutos. A barreira física localiza-se no estrato córneo e é constituída por células envoltas por proteína (corneócitos com envelopes cornificados e elementos do citoesqueleto, como por exemplo, os corneodesmossomos). Este complexo sistema proteico é formado por um conjunto de proteínas altamente insolúveis e resistentes, que envolvem externamente os ceratinócitos e desempenham um papel fundamental na estruturação e organização dos lipídeos intercelulares.

Substâncias na Pele

Papel na Função Barreira

Lipídeos

Formam as camadas extracelulares enriquecidas de lipídeos.

Células Cornificadas do Envelope

Estrutura polimérica proteica e lipídica robusta, as quais são localizadas abaixo da membrana citoplasmática no exterior dos corneócitos.

Ceramidas A e B

Formam a espinha dorsal para a subsequente adição das ceramidas, dos ácidos graxos livres e do colesterol no estrato córneo, e são ligadas covalentemente às proteínas cornificadas do envelope.

Pró-Filagrina, Filagrinas, Involucrina, Loricrina e Subtipos de Queratina

São proteínas do envelope que fazem o cross-linked entre o envelope cornificado e a agregação dos filamentos de queratina dentro das macrofibrilas, promovendo o aumento da coesão entre os ceratinócitos.

Citoquinas, cAMP e Cálcio

Influenciam a formação e a manutenção da função barreira.

Fatores Naturais de Hidratação (NMFs)

Composto por substâncias altamente higroscópicas responsáveis pela manutenção da água no estrato córneo.

Distúrbios na barreira cutânea são componentes importantes na patogênese da dermatite de contato, ictiose, psoríase e dermatite atópica.

Aquaporinas: Canais Proteicos que Aumentam de 10 a 100 Vezes a Permeabilidade da Membrana à Água

As aquaporinas (AQPs) são uma família de pequenas (~30 KDa/ monômeos) e hidrofóbicas proteínas de membrana integral, que são amplamente expressas nos reinos animal e vegetal4, sendo que 12 membros foram identificados, até o momento, nos animais5. A descoberta das AQPs como canais que aumentam de 10 a 100 vezes a permeabilidade da membrana à água, é relativamente recente e conduziu à atribuição do prêmio Nobel da Química a Peter Agre em 2003 ‘For discoveries concerning channels in cell membranes’. As aquaporinas pertencem à família de proteínas MIP (major intrinsic protein), e encontram-se presentes em todas as formas de vida.

As Aquagliceroporinas na Pele

Na pele, a AQP mais importante é a AQP-3, um membro de um subgrupo da família das aquaporinas chamadas aquagliceroporinas, a qual é responsável pelo transporte tanto de água quanto de glicerol.

Mecanismo de Ação da Aquaporina-3

Mecanismo de Ação da Aquaporina-3 Legenda: Esquema ilustrativo dos canais de AQP-3 presentes na membrana plasmática

Legenda: Esquema ilustrativo dos canais de AQP-3 presentes na membrana plasmática celular da pele. Estes canais proteicos são responsáveis pela regulação da passagem de água (representadas em vermelho), de glicerol (representadas em verde) e de solutos de baixo peso molecular para o interior das células, determinando, então, a hidratação tecidual.

A Idade e a Exposição Solar Crônica Podem Causar Mudanças na Expressão de AQP-3

As AQP-3 são expressas nos queratinócitos epidermais, e estão envolvidas na manutenção da hidratação cutânea. Mudanças na expressão de aquaporina-3 são extremamente afetadas pela idade e pela exposição crônica ao Sol, e pelo desequilíbrio no controle osmótico que pode ocorrer na epiderme, provocando o ressecamento da pele, comumente observada em peles envelhecidas e nas áreas mais expostas à radiação solar.

Mecanismo para a Hidratação Cutânea: Ação Sinérgica da Barreira Cutânea + Aquaporina-3

As aquaporinas são importantes sistemas que regulam o transporte de água da derme para a epiderme. Assim, elas ‘bombeiam’ a água das camadas basais da epiderme até o estrato córneo.

água das camadas basais da epiderme até o estrato córneo. Desidratação Cutânea: Deficiência de AQP-3 Reduz

Desidratação Cutânea: Deficiência de AQP-3 Reduz Transporte de Glicerol para a Epiderme

Estudos em ratos demonstraram que a deficiência de AQP-3 provoca redução da hidratação do estrato córneo, além de apresentar redução da elasticidade, da biossíntese do estrato córneo e retardar a cicatrização. Além disso, verificaram que apesar da alta umidade ou do aumento da oclusão da pele, não houve aumento da hidratação nos animais com deficiência da AQP-3. Assim, os animais com deficiência de AQP-3 apresentam redução no transporte de glicerol da derme para a epiderme através dos ceratinócitos basais.

A redução da hidratação do estrato córneo e da elasticidade da pele pode estar relacionada com a propriedade do glicerol em reter água. Já o atraso da recuperação da barreira cutânea e da cicatrização de feridas se deve à biossíntese de glicerol.

A Importância da Utilização de Glicerol em Produtos Cosméticos

Desta forma, a importância do glicerol na função da epiderme proporciona uma base racional e científica para a antiga prática de incluir o glicerol em cosméticos e preparações farmacêuticas para o tratamento da pele.

Referência:

PUPO, M. Aquaporinas – Bases Científicas e Regulação da Hidratação Cutânea. Disponível em <http://www.mauriciopupo.com/wp/?p=75>. Acesso em 10 jan. 2012.