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archive.org/details/chronicadosreisdOOnune .Digitized by the Internet Archive in 2011 with funding from University of Toronto http://www.

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CHRONICA REIS DE BISNAGA .

** i:ooo em papel de algodão de qualidade .JUSTIFICAÇÃO DA TIRAGEM 3 exemplares em papel de linho branco nacional i.

L.QUARTO CENTENÁRIO DO DESCOBRIMENTO DÃ ÍNDIA CONTRIBUIÇÕES DA SOCIEDADE DE GEOGRAPHIA DE LISBOA CHRONICA REIS DE BISNAGA PUBLICADO POR MANUSCRIPTO INÉDITO DO SÉCULO XVI DAVID LOPES S. S. LISBOA IMPRENSA NACIONAL 1897 . G.

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A SIMÃO JOSÉ DA SILVA LOPES Em testemunho de gratidão. David Lopes. . dedica este trabalho Seu sobrinho.

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[Epochs of Indian Sewell. vol. xxiii Bombay Ga^etteer]. parte 11 da The Numismata Orientalia]. Londres. vi em 3. On the Chera and Châlukya dynasties. The 1894. Londres. do a Introducção. [Journal of the Royal Asiatic Society. 1882. Fleet. Bijápur 1884. of the Chera Dowson. Londres. ed. Lists of Inscriptions. Gribble. do The Imperial Ga^etteer. Londres. 1-26. 16 12. vni. 1-154. History. Presidency. The History of índia. A comparative grammar o/the Dravidian languages. South Iiidian Palceography. vol. i3i8. 11. 1896. khans. Londres. 1861.» pire. Lassen.]. Society. Elphinstone. com o titulo The Indian Em- conquest of A. vol. Fergusson. Madrasta. iv : Geschichte des DeHistory]. D. v.). Campbell. and Sketch of the dynasties of Southern índia. Hunter. Bombaim. D. Caldwell. Londres. International [vol. Coins of Southern índia. Londres. augmentada. Trad. 11 e ui. Bombaim. t. Fergusson. vol. t. Indian and Eastern Architecture. Dowson. Elliot (W. índia. Londres. Muhammadans. [Congresso dos Orientalistas. Notices of the Châlukya and Gurjjara Dynasties. Rees. de John Briggs. Burnell. 1875. The dynasties of the Kanarese districts of the Bombay from the earliest historical times to the Muhammadan i. History of the rise of the Mahomedan Power in índia the year A. 1870]. and Chronology Kingdom of Ancient índia. [t. Londres. Lon- dres. 1884. A History of the Deccan. On the Geographical Limits. 1874]. 1869. . 247-286. [Publicado t. [Journal of the Royal Asiatic Socieíy. Ferista. Lipsia. [Archaeological Survey of Southern índia. On Indian Chronology. p. p. vols. 1884. [Journal ofthe Royal Asiatic iv. 1886. 1829. till 81-137. Bombaim. 1846]. Early History of the Dekkan down to the Maho- medan conquest.BIBLIOGRAPHIA Bhandarkar. Eggeling. 1893]. Londres. p. Indische Alterthumskunde. i865]. 1878. iii. 1886. 1857. p.

iii. 1886. Londres. Londres. e Ravenshaw. é. sem serem capitães para o nosso propósito. Major. 18G7-77. vol. vii. Indian Antiquary. Gubernatis. de scripçõcs Taes foram os nossos principaes trabalhos de consulta para a Introducção que se segue.Indian colloquial terms. e ed. de Santo António Moura. Tiele. 73. Londres. Bem Batuta. i53. as told by its own 111. Lisboa. 206. 1840 e i85o. P. t. nosso processo de transcripções é o que expomos nos nossos Textos em aljamia portuguesa. Paris. como se vê. Para o periodo que nos propomos esboçar ha em lingua ingleza uma abundantissima litteratura. ed. 1853-59. vários números. iv. 224. [Journal of the p. [Algumas inBisnaga e chronologia Rc-alJ. uma pequena parte. XIII. nos foram úteis. Viagens de Portugee^en [De Gids. de Defrémery e Sanguinetti. Elliot. 1857. como 11. Kingdom ofPándya. v. The History of índia historians. A. Storia dei viaggiatori italiani nelle Indie orientali. Calcutá. de que apenas pudemos haver. não pudemos ver o que se publicou de então para cá). Het Oosten vóór de Konist der como Yule e Burnell. Livorno. Asiatic Researches. Historical Sketch of the Península of índia. i836. . iS36j. 1874] . xx. 2i3. índia in the ffteenth century [Hakluyt Society]. 871. damos aos nomes uma forma tanto quanto possível portuguesa. Devemos comtudo citar outros que. 109-242. 1875. xx. X. 3oi (só até 1891. Haia. e por fim os nossos chronistas do Oriente. despindo-os das lettras inúteis stitue o O para a nossa pronuncia.VIII Wilson. Wilson Glossary of Anglo. cremos no emtanto que ella con- que ha de essencial para o assumpto. 266. i. Southern Royal Asiatic Society.

deixando para ella duas passa- conduzindo do Tibete. pelas terras baixas onde placidamente correm os dois principaes rios da índia. gens apenas. a outra ahi que em tempos antiquíssimos raças diversas vindas d'aquem penetraram nella. que a separa do resto do continente. Este triangulo abrange três regiões perfeitamente caracterisadas. a terceira. e o vértice vae mergulhar no mar das índias. o Indo e o Ganges. do e foi por do planalto do Iram. ServeIhe de barreira ao norte a altís- sima cadeia do Himalaia. a segunda.INTRODUCÇÃO Índia é é um triangulo cuja base formada pelo massiço da Ásia central. pelo planalto demarcado . uma A primeira é constituída pelas terras altas da cadeia himalaica.

de maneira que parece este Gate hum muro : a terra do cume do qual he ii. Os occidentaes são Íngremes e cortados sobre a beiram. nam tornam descer. Narmadá I «Porque como sobem á serra Gate. mas ficam em huma planura de terra mui chã. Os Gates orientaes pelas aberturas fáceis que dão ao vasamento das aguas. formando esta uma muito estreita faixa de território. Colóquios. leste e oeste pelas duas Esta é a península dravídica. dos Vindias descem do lado do septentrião aguas que vão ao Ganges. c. 1. . 120. que indicámos. i. Forma um triangulo mais regular dentro do primeiro.ao norte pelos montes Vindias. é. são atravessados pelas correntes que regam todo o planalto. a cordilheiras dos Gates. os orientaes vão suavemente para a bahia de Bengala. Ao norte do as e triangulo. para os indicava a parte muçulmanos este nome só que demora entre os Vindias e o rio Quistna. que tem ao pé. montanhas azues] o massiço mais proeminente. Da disposição.ar. hum eirado sobre o alagadiço. todos elles são de pequeno curso e descem dessa serrania. e assim o Godavarí. o Quistna e o Caverí. sendo nelle os Nilgrís [i. p. o sul. dei- xando entre esta e a sua base uma banda de terra maior que a primeira. e chama-se-lhe o também na forma Decám em sentido lato [i. Cf. Garcia da Orta. do terreno. como geralmente vemos em todalas serranias. e neste sentido se usa ainda hoje muito. chamando por esse nome ao reino do Idalcão. principaes rios d'elle atravessam-no todo até virem desaguar na bahia de Bengala. e a usámos nós portugueses. O planalto não é uniforme pois tem relevo bastante accidentado.» Barros. i. prácrita Dacxina]. os Gates' desprendem-se das extremidades dos Vindias e correm na direcção do sul até se juntarem os orientaes com os occidentaes no cabo Comorim. do sul. e do sul pelo Tapetí para o golfo de Cambaia. v. resulta que a muralha Occidental é um obstáculo á formação de grandes rios naquella direcção. é.

uma chronica seguida desde 5^3 annos 1 É dentro d'estes limites que se faliam as línguas que do nome da população se chamam dravídicas. na introducção á sua grammatica.: XI É esta parte da índia a península dravídica. comprehendendo uma grande parte do território do Nizam. Canará é fallado no planalto do Maissor. em Caxemira e Ceilão.). onde dominaram os reis de Bisnaga. onde começa a o Oria. no reino de Travancor desde este cabo até Trívandrum. População 9. i e sgg. O Malaialam é fallado na costa do Malabar. e logo em iSSy magistralmente por Tournour: mas nem uma nem outra traducção . de Trivandrum ao rio de Chandegrí. Esta família linguística abrange quasí toda a península. e historicos de populações povoada aricas a em tempos não que os Árias do norte chamaram Drávidas'. ao sul de Mangalor. É aqui o império cuja a pátria das ante- chronica damos adiante.5oo:ooo.500:000. e parte do Nizam como nos dístríctos do Canará entre o Malabar e Goa.-50:000. assim : O 2 Esta chronica de Ceilão é a mais importante. e a oeste até ao limite do pais marata e Maissor. conhecimento que nós possuímos da península é muito superficial até ao século xiv. o Rajaratnacarí e o Rajávali. Ceilão tem no Mahávansa. Caldwell. e quasí que exclusi- O vamente epigraphico. a sua distribuição geographica é para as príncipaes a seguinte : O Tamil é fallado de Paleacate ao cabo Comorim e dos Gates orientaes á bahia de Bengala. p. População: 3. mas não a única. Po- O Teiugo fallar-se pulação: i5. onde nos apparecem desde tempos anteriores a Chrísto. A índia não tem em regra historiadores. e aqui foi também nossas glorias indianas. e porventura a mais antiga.250:000. O Mahávansa foi traduzido em i833 por Upham (na coUecção intitulada The Sacred and Historical Books of Ceylon). Se exceptuarmos os fracos esboços que ella nos apresenta nos seus limites norte e sul. até Bidar. (Cf. é fallado de Paleacate até Chícacole. nada mais ahi acharemos a que em boa verdade possamos dar o nome de historia. que nos interessa para o nosso propósito. outros livros históricos de importância são o Dipávansa. na parte norte e noroeste de Ceylão. População 14.

o periodo que precede o nascimento de Christo é de todos o mais obscuro. Upham em até iSiq. 100. indo a de menos. para a parte da índia que nos occupa. Indian Aniiquary. Rajaratnacari e oRajávali foram também traduzidos por Upham sob o titulo acima indicado. Os Puranas mas dão-nos listas de dynastias e de reis e a duração dos seus reinados. mas a índia da litteratura védica e assim como a península dravídica não nos legaram nenhuma narração seguida e concatenada de factos clássica. p. o Dipávansa foi editado por Oldenberg em 1879. ainda que estes elementos escasseiem. C. Tanto no Mahávansa como no Rajávali falla-se dos portugueses e do seu dominio na ilha. se conseguiu fazer essa traducção por L. Para a d3'nastia dos Andras. além das dynastias e dos reis dos Puranas.XII antes de Christo até ao século xviir. a expensas Ceilão. xiii. estas listas são ainda relativas ao norte da índia. Tennent. e a de Tournour ainda do governo de 1889. e só modernamente.) xvii. t. (Cf. a historia são completas. Não quer isto dizer que completamente desprovida de escriptos que possam servir ao investigador do passado deste país. . mas sobre serem escassos são tão cheios de maravilhoso que diffiseja cilmente se apura nelles a verdade. e traduzido para inglês por Fergusson no Indian O Antiqiiary. de maneira que do Decám médio e do norte até á era de Christo ou um pouco antes é puramente conjectural. t. e por isso. Caxemira tem no Raja Tarangini. ha. p. idêntica vantagem posto que por menor periodo de tempo. i. e d'esses reis só os porém sem referencia a eras-. dos Andras dominaram no Decám. E comtudo estes próprios elementos que á força de engenho dos indianistas se conseguem converter em dados bastante prováveis. Ceylou. Wijesinha. Por outro lado as referencias dos livros clássicos ou dos geographos gregos são muitos escassas. que se lhes possa comparar. esses mesmos só tarde ahi nos apparecem. posteriormente á era christã. 3i4-3i6.

Coromandel (Cholamandalam.) referem desde antigos tempos a existência de três reinos contemporâneos. i. i. porque os seus naturaes escreveram em Tamil narrações mais abundantes do que ha para o norte acerca de differentes períodos da sua existência politica. No meio de todas as variações da politica guerreira das populações do sul. é. No extremo sul a tradição histórica e dados externos (geographos gregos. Axoca. Aqui pois os nossos conhecimentos vão mais alem no tempo e são menos fragmentários. etc. sul da península tendo por capital Madure. Essa dynastia é chamada dos Sataváhanas nas inscripções roqueiras de Násique e de Nanagate. o Constantino do Budismo. vindo mesmo a ter uma preponderância bastante grande os Cholas. quando ainda o resto da península parecia ser uma grande e contínua floresta. dos Pandias. dos Cholas e dos Cheras. e as mais antigas referencias que possamos datar encontramo-las em Megasthenes (fim do século IV antes de Christo) e nas inscripções de Axoca (meado do século iii antes de Christo). entre o primeiro século antes de Christo e o terceiro depois. de Ptolomeo e do Périplo do mar Erithreo. e dando o seu costeira nome á parte que dominaram. o país dos Cholas). poemas épicos da índia. e do estudo d estes dados os especialistas determinaram approximadamente os limites d' esse domí- em nio. mantiveram-se estas d}'nastias até tarde. é. os Cholas estavam a nordeste e leste occupando a orla marítima oriental. Os Puranas dão-nos listas de dy- . O período que decorre do terceiro século ao principio do sexto é obscuro. as quaes Wilson e Taylor cuidadosamente estudaram. Os Pandias estavam estabelecidos no extremo. e quanto aos Cheras occupavam a parte a occidente dos Pandias.Xlll documentos epigraphicos e algumas moedas [encontradas Colapor] que parecem dar-nos a feição geral desse período. e os nomes que ahi se lêem parecem dever ser identificados com os dos Puranas.

Os Cadambas estavam estabelecidos ao norte do actual Maissor comprehendendo o território goano. porque no século o reviviscimento do e no século vii que permanece. e em lutas constantes com os seus vizinhos. Varias famílias media da península.XIV nastias e de reis numa desordenação iii tal que pouco nos aproveitam. importância no as necessidades religiosas deturparam a realidade e chronologia dos factos. São das dynastias mais bem conhecidas porque nos deixaram abundantes documentos epigraphicos. Chalúquias occidentaes. e em virtude d'ella a carta politica do sul da índia simplifica-se. no seu curso inferior. por casamento. os Chalúquias. Mais para o sul pelo meio do século xí prepara-se a hegemonia dos Cholas. no resto da costa e uma parte do interior os Cholas. O periodo que decorre até ao século xi é também Bramanismo. fraccionam-se em dois ramos. Decám. e completamente Cerca do fim vinda do norte. Entre citaremos os ellas Cadambas e os dominam na parte como mais importantes Rastracutas. d'estes dois séculos o seu até Conjiverão os Paliavas. mas estes a esta data acabam com o seu império. occupando a costa occidental. . do século v da nossa era occidente do uma população toma d^entre os Árias. e ao norte destes começa a surgir o reino dos Ballalas. conseguiram eclipsar por poder (meado do século viii a meado do x). A distribuição politica é então a seguinte. no Maissor Ora a este tempo os Cholas. e foi no seu tempo (meado do século vii) que o celebre peregrino chinês Huam-Sangue visitou a índia e delia nos fez uma longa descripção. são chamados em opposição aos anteriores. Os Rastracutas em guerra com os Chalúquias occidentaes. os Pandias. na parte marítima entre o Godavari e o Quistna os Chalúquias orientaes. conseguem annexar o reino dos Chalúquias. e o outro que se foi estabelecer no território entre o Godavari e o Quistna. Ao norte. entre estes e os Cheras. Chalúquias orientaes. um bastante obscuro. e nestas conactual.

Não se considere pois como lacuna o que é apenas um propósito. Para aquelles que queiram ir mais alem neste estudo ha na nossa bibliographia as devidas indicações. vieram destruir o dominio indígena. os muçulmanos. para estabelecer uma ordem de sequencia na nossa narração. sua capital. É também a época em que nós começamos a ter noticias mais certas das populações do sul. perto de Aurangabade. esse século. e depois submetteram os Chalúquias occidentaes. com a capital em Devagrí: são os ládavas de xiii Devagrí-. II Foi um destino singular o do islamismo. e por fim os Pandias foram também encorporados no reino dos Cholas por algum tempo. os Gadambas. em 1 Hoje Halebide. No rápido esboço que precede não ha a pretensão de querer completo. cuja vida politica se resumia numa luta de cada dia de tribu a tribu. foram procedendo á mesma reducção.XV dições os Paliavas entre os dois não tardaram a ser esmagados. o nosso intento é só dar as linhas muito geraes da historia da índia meridional. de maneira que no principio do século são essas as potencias do sul da índia. no seu movimento de penetração na direcção do sul. Eis um povo organisação muito simples. ou ládavas de Duarasamudra'. Venceram e conquistaram o país dos Cheras ou da d3'nastia que com o nome de Congu lhes succedeu. 3 ser . paremos pois aqui um momento para vermos como elles avançaram até aquellas partes^. 2 Hoje Daulatabade. que são as fontes onde fomos beber. no Maissor. Do outro lado os Ballalas. As cousas mantiveram-se nesse estado durante todo mas ao alvorecer do xiv. sceptico. e os Caláchuris. Na parte norte do território d'estes estabeleceu-se um outro reino da mesma familia.

insofrido. Os nossos designavam a ver- esse nome os sectários de Mafoma. as regiões. carnificinas quotidianas. e era esse só o laço que as prendia. tal . e assim nasceu o islamismo. correspondiam-lhes só num com característico accidental. por um habito inveterado de velhos tempos adquirido no extremo occidente. foi por muito tempo uma fonte inexgotavel. mouros. um visionário. e o islamismo. Mas todas essas po- pulações se diziam muçulmanas. Esta conversão é um facto importante. em poucos annos senhoreando dos P3Tenéus até ás margens do Indo: tal foi o povo árabe. central trouxe-lhe A Ásia um contingente considerável. mas dade é que eíle designava uma heterogeneidade de elementos ethnicos para a qual teria sem duvida concorrido todo o território asiático e africano. A maioria apenas saberia «que só Deus é grande e Mafoma o seu Propheta». livra- va-os da contribuição mais forte e da violência. sobre o império persa. pre- gando uma doutrina que os fazia sorrir de desprezo. Era só a rapina que as fazia avançar. significa para ellas o advento a uma vida superior. a que ellas mais ou menos participarão.XVI vivendo do latrocínio mutuo ou apascentando os seus rebanhos. escarnecido. é um batalhar incessante. Aquelles a que os nossos chronistas indianos chamam e mongólicas. Ásia. Os impérios formam-se em mezes. mas por fim impondo-se pela força. e a isso se resumiriam as suas adhesões á nova crença. apparece um epiléptico. Além d'isso trouxe ao convívio e existência politica as innumeras tribus turcas que tão grande papel têem na historia da como conductor d'uma cultura de certa importância. Recrutaram-se os crentes da nova religião em todas porque era vantajosa essa conversão. imposta pela espada. Bandos depois se lançam de si sobre o império do Oriente. Mas mal elles se formam já o governador de tal provinda se revolta. religiosa um porque ella representa na ordem grande progresso sobre os pohiheismos grosseiros daquellas populações.

e esse homem na sociedade muçulmana sahia muitas vezes das camadas accrescia a natureza nas mais profundas. como as populações da Ásia central que tal islamismo. que a experiência de todos os dias lh'o diz. porque ahi ella é em parte a explicação da portuguesa Por outro lado o dominio mu- . também por se consegue. em elementos apenas entrados á vida politica. Sem renunciação de uma certa somma de liberdade de cada um em favor da communidade não ha governo possível. o escravo atraiçoa seu senhor e succede-lhe no throno. Já não succede assim naquellas partes em que se prende com a nossa. A essa anarchia social. de repente. e dahi uma baralhada inextricável que faz o desespero do historiador. toria esses episódios Mas pouco interessam á his- em geral sanguinários. Por- mal as circumstancias o respira e quer elle vê. senhor das creaturas e tenente de Deus na terra. do código que os regia. em regra só o prestigio dum homem os mantém. por um acaso da sorte di- um capricho do imperante. á sua morte tudo se des- morona. E esta a historia dos impérios asiáticos e islâmicos. não é em si bem interessante. não cedem a a força os contiver. e o semita. princípios. são lutas de interesses particulares e paixões materiaes e não de que os não havia num tal amalgama ethnico. devida á sua instabilidade. completam -se preparação levam a desordem ao poder. A historia dos differentes impérios muçulmanos que dominaram a Índia até ao momento do nosso apparecimento naquelles mares. EUe punha mãos do mesmo homem todos os poderes. nem o seu esmdo tentador ou fácil pelas razões adduzidas. escravo ou camponio. elevado ás mais altas gnidades.XVII outro favorito assassina o bemfeitor. e elle adoptaram o cerceamento senão emquanto permittam sua vez comprimir. e como agora á força de extorsões e de violências. á miséria succede o abarrotainento. que com audácia tudo e Não vê elle o seu com- panheiro de miséria. general ou ministro? Esses elementos sem tudo podem.

terceiro successor. e de vencida a insurreição geral contra a sua obra. que. faz-se a da Palestina.XVI II çulmano na índia c para esta o começo do período verdadeiramente histórico. Os tempos de AU. das cio no mar não só nos paises do seu domínio directo. No cali- . Omar. dos Ommiadas. cos annos depois da morte de Foi tão rápida a expansão dos muçulmanos. E tudo isso apezar d'uma instabilidade de cousas no governo e da luta social dos seus elementos. Logo no governo do seu successor. conquistam a Arménia até ao Cáucaso e margens do Caspio. elles senhoream media do velho mundo de extremo a extremo. renunciou-se por algum tempo a esse propósito de conquista. nas inscripções e moedas. Abu Becre. É mandado um homem a reconhecer o valle do Indo. e a historioé graphia desse periodo escripta bastante importante. quarto califa. Com os muçulmanos esses paises vêem á historia mais positiva. e serão elles os nossos maiores inimigos. D'estas consi- derações só a segunda nos importa agora. mas no dos Rajas. Com o seconquista a gundo successor. acaba-se a conquista da Syria. da Mesopotâmia. e do Egypto. proseguem as conquistas na Pérsia. E no seu tempo que se faz a primeira tentativa para penetrar na índia. conquista-se o território de Tripoli e Tunis-. pouMafoma. porque lhes em fomos sobretudo ferir os interesses. mas como os territórios a atravessar até lá eram estéreis. e ella leva-nos a esboçar os progressos das suas armas e do seu estabelecimento na península dravídica até á época em que termina esta chronica. se faz do Iraque e de parte da Syria. No califado de Otmam. em regra idioma pérsico. A sua morte começa o califado de Damasco. Por ultimo todo o commeríndias estava em poder de muçulmanos. foram demasiado perturbados por dissenções religiosas para que se pensasse em batalhar com extranhos. da Pérsia até ao a parte Oxus. Anteriormente o conhecimento histórico quasi se resume nos monumentos architectonicos.

e senhoreou toda a bacia neira a abranger uma do Indo. no século xvi. estabelecendo no Sinde o dominio muçulmano desde 712 até 828. e a esta data obteve a realeza . e o governador do Iraque manda um exercito ao valle do Indo commandado por Mohamede bem Cáceme. o gasnevida. Cutbadím em Deli. turcos. Aldoz em Gasni. e três dos seus escravos. Com Ualide fez-se a da peninsula hispânica. porque para aquém outro poder se levantou. fez-se a primeira tentativa contra Constantinopla. o gorida. vindo Deli. e pela outra oppondo uma barreira a novas populações que querem descer da Asia central. Atravessou treze vezes os montes Soleimão. Ocba conquista a Argélia e Marrocos actual. Desde 1206 a 1288 reinam em Deli uma serie de que reis chamados escravos. e toma Á sua morte as débeis mãos de seu tio Mahmude não podem suster tal poder. por uma parte avassallando os reis indianos na direcção da índia meridional. índia Começa com uma vida poli- independente da dos do planalto do Iram e Asia irá Deli torna-se a capital dum grande império. elle conseguiu alargá-lo de ma- grande parte da Ásia central. penetrando desde cedo no valle do Indo. Com lezide. Os seus successores mal poderam manter tão grande império e para o fim da dynastia elles têem a sua capital em Lahor. e o governa- dor do Coraçám penetra até Samarcande. É comtudo com Mahmude. e Naciradím no Sinde. Mahmude apenas ficou com Gor e uma parte do Coraçám. É ahi que Mohamede. vêem por fim substituir-se ao império de Deli. o soberano mais importante da nova dynastia o foi buscar e captivar. a perder esses tica mesmos dominios em 121 5. Moáuia. Cutbadím para os muçulmanos da central. Príncipe turco reinando sobre um pequeno país. mas debalde. repartem a maior parte do império. que essa obra de penetração se accentua mais. e por fim uma grande porção da índia.XIX fado do seu fundador. Mohamede estende o seu dominio até Bengala. que. São estes os Mogóes.

. em 1294. e as Feito imperador. feliz fora. senhor do país. pois não era outro o seu fim em tal empreza. porque seu sobrinho o mandou assassinar. Alaadím não esqueceu o caminho do sul onde tão suas vistas de novo para lá se voltaram. Alaadím. mas nunca mais d'elle voltou. sul que não tardará a succeder com Orangal. e constituía com Devagrí a guarda avançada das populações dravídicas. será durante dois séculos e meio o obstáculo a tal invasão. e esse senhoreamento apenas se limitou a uma parte d' estes dois reinos tendo por limite sul as margens do Quistna e do Tungabadrá. os montes Vindias. atravessou com um exer- cito de muçulmanos. e não lhe foi isso difficil com tal elemento de acção. As grandes riquezas que se dizia possuírem aquelles príncipes indígenas foi o único incen- tivo dos generaes de Deli turaram no e o que por varias vezes se avenda península. De volta da sua expedição a Devagrí Alaadím. Veremos que não succedeu assim. a sua historia prende-se já com a do Decám. e conseguido este objectivo as tropas retiravam-se. sobrinho do Jalaladím. Seu tio viera dar-lhe os parabéns do seu triumpho no próprio vice-reino. e foi pôr sitio a Devagrí. seu affluente. e vice-rei de Bengala. Esta ci- dade era também sede d''um reino indiano. Com a dynastia e soberanos quilgidas approximàmo-nos do nosso propósito. e Alaadím retirou-se com uma preza de guerra enorme. Foi o que succedeu com Devagrí. quis também ser senhor do império. mas desde então até ao domínio inglês esse movimento de penetração foi sempre actuando. assim chamado da tribu tártara a que pertencia. e que soara para essas populações o fim da independência. senhor d'uma fortuna immensa.XX Jalaladím o quilgida. a cidade foi tomada. O reino de Bisnaga. Quebradas ellas parece que os muçulmanos continuariam a sua marcha ascendente de alastramento. que ao sul d'elles se constituirá. e que estava na índia desde ha muito tempo estabelecida. capital do príncipe indiano.

com o nome de Cutbadím. sendo de novo vencido e perdoado. tomou o poder supremo. entrou no dos Ballalas. Orangal e o estado de que em i323 foram também annexados.se. quando elle se achava mais giões. mesma causa. Haripaladeva morto. de i3i No armo de iSog Mélique Cafur toma Orangal. sendo deposto pouco depois a favor de Mubáraque Cão. o seu chefe via-se frequentemente a braços O com reli- grandes difficuldades da parte das populações submettidas. mas sujeito a pouco depois revoltou. filho de Alaadím. deixado senhor do seu país o soberano de Devagri. Ramadeva. assim dizer um que chegou a Ramesvaram. foi mudado em Daulatabade cidade do Pela era cabeça. tomando a sua capital Madure. em onde construiu uma mesquita. Mé- morte de Alaadím. Dahi empenhado numa parte. O "i. que venceu. porque contentou com expoliar os chefes dos seus thesouros e voltar lique Cafur. e no o mesmo general é mandado submetter os povos I que demoravam ao sul dos dois primeiros.XXI Demais circumstancias de força maior cordar. No seu tempo. por com elles a Deli. e diz-se frente de Ceilão. em i3i8. Era um estado de guerra continuo! Ora. em seguida a uma revolta do seu rei Haripaladeva. Foi por passeio militar e sem fortes consequênelle se cias politicas. forte tributo. e o seu estado annexado ao império de Deli. Dada a vastidão do império. Devagri. nome da cidade império"!. tão heterogéneas ethnicamente e de tão varias que. os differentes povos insotfridos aproveitavam logo a facilidade das circumstancias para se revoltarem ou para recusarem o tributo promettido. próprio é. Mélique Cafur foi magnificamente succedido em tal empreza. foi tomada. em que elle parece ter tido alguma cousa. e em seguida pe- netrou mais ao sul no dos Pandias. e mu- . Depois de atravessar os dois estados vassallos Devagri e Orangal. lh'o vieram re- dominio muçulmano dependente de Deli foi sempre precário em Devagri e Orangal.

ordem de partir foi acompanhada d'uma Não houve pois outro remédio senão o império do mundo. e na volta da sua campanha. o imperador determinou de pital mudar a sua capara Daulatabade. e que depois d"isto o assassinou. Três annos depois. Reconhecendo o perigo d'essa claro fraqueza. e para não deixar saudades aos : seus súbditos. As possessões do sul do im- pério estavam afastadas de mais da capital para sobre poder exercer uma acção producente-. com o seu reinado. não sentindo sobre si a mão pesada da acção central. O com um crime. e o indicio eram as tentativas de revolta dos seus governadores que. que parece ter feito uma expedição ao Malabar. e a sua constiem um novo estado muçulmano na índia. preparou o assassinato de seu pae. seu filho Crisna numa pequena parte dos estados. cidade do império]. a outra destruir Deli. subiu ao throno com o titulo de Guiassadím Toguelaquexá. que depois lhe succedeu. Pouco tempo gosou do império. Cutbadím um seu Cusro Cão. filho. e o parricida subiu emfim ao throno seu em i325. e não tare dará que procure difficuldades aos seus inimigos da sua raça.XXII O dado o nome em Sultampor [i. approveitando-se habilmente dos acontecimentos. é. não houve violência que não pôr-se a caminho da nova capital. porque um governador do Pendirecção do império succedeu a favorito Na jabe conseguiu tomar-lh o. Mas sonhara Mohamede com idéa. Comtudo. Passavam-se estes factos em 1 820. im- portante porque é nelle que se faz a separação do tuição Decám propriamente dito do dominio de Deli. foi dos mais accipara o nosso propósito é elle dentados e infelizes. dominado por essa . desejoso de mais cedo chegar ao poder supremo. e. seu soberano Pratapa Rudradeva II foi feito prisio- neiro e succedeu-lhe mandado para Deli. se aproveitavam d essas circumstancias para se talharem no império um manto real. Effecti- vamente ellas se isso era forçoso. começado nome de Mohamede Toguelaquexá. acabava com o reino de Orangal.

chefe doesta região por Commandava-as um nome Haçam Cango. Vencidos a principio por Mohamede.XXllI commettesse para haver os meios de o formar. e fez-lhe dois pedidos. Quando foi elevado a commandante o brahmane tirou-lhe o horóscopo e prophetisou-lhe que seria rei. se este da . campo dum para brahmane chamado Cango. Folgou este muito desta prova de probidade. as guerras com o Coraçám. com o nome de Naciradím. quando este passou a capital para Daulatabade. um thesouro. com a China. com a Pérsia. e no antigo reino de Devagri os conjurados proclamaram a revolta. abandonou as operações de guerra a um seu general. e fê-lo commandante de cem cavalleiros do seu exercito. Nos seus trabalhos de lavoura achara si. que do seu nome se chamou Bahmanida. vendo que a republica fora salva por elle. todos estes muito mal succedido. Merecem duas linhas os antecedentes d'esie Haçam era um simples rústico que trabalhava no homem. e. Ismael. As exacções fiscaes. e elegeram seu chefe um capitão afgám. vexames lançaram os paises submettidos na guerra pela independência. e foi o fundador d'esta d3'nastia. seguiu-o Haçam. Haçam Cango subiu ao throno em 1847 com o nome de Alaadím Haçam Cango Bahmaní. este. chamado novamente ao norte do seu império. a estiagem. juntas ao descontentamento produzido pela mudança da capital. Orangal readquire-a por alguns annos. Isto fez o pae d'este Mohamede Toguelaque. recebendo em feudo a pequena cidade de Conichi. e em vez de o guardar honradamente o restituiu a seu amo. a depreciação da moeda por via das tranquibernias imperiaes. e durou até ao principio do século xvi. que trouxe uma fome que durou annos. contou o facto a el-rei. e Nasradím. que é destroçado pelas tropas alliadas junto de Calbergá. e como era do cargo dos astrólogos do rei. porem não submettidos. Admirou-se honradez do camponez. e que fez de Calbergá a sua capital. abdicou nelle o poder real. em que foi todas estas circumstancias emfim.

III Agora que já sabemos como os muçulmanos se estaé beleceram ao norte da peninsula dravídica. quer tudo uma bella litteratura nas princípaes línguas draví- dicas. Telugo ou . e reatemos fio da historia das suas populações. e dar-lhes uma unidade que o país até ahi nunca vira. porque. o Ímpeto dos muçulmanos. e sobre os quaes agora dominam os Bahmanidas. que interrompemos no principio do século xiv. e de sem cara- nenhuma confiança por consequência. resistindo até que a sua inde- pendência foi reconhecida em i356. A baralhada em que andava empenhado Mohamede pôde ir favorável ao novo reino. que ameaçava essas populações. as obras immorredouras da sua acção. o bom que voltemos aquém do limite sul desse dominio. escripta pelos próprios nacionaes. não se manifesta entre elles o desejo de narrar as façanhas dos seus reis. e é 2) que seu ministro da fazenda. assim distrahidas as forças do império. contínua. Haçam nida por assim elle ter fez. por mais de dois séculos. ou de contar Tiveram comMalaialam.XXIV o viesse a ser: o faria i) que elle tomaria o seu nome. São os acontecimentos passados nos dois reinos destruídos. ou se alguns fragmentos temos são cter histórico. porque o estado poderoso que então se forma tem uma forte acção externa e de communicação com outros povos que nô-lo deixará melhor comprehender. Diante do perigo. quer em em Tamil. de grande importância para a transformação politica que o país ia soffrer. Não possuímos d'elle uma historia seguida. Será também para nós mais fácil e mais variado o seu estudo. que as commetteram grandes. N'isso continuam o caracter anterior d'esses povos. forma-se um poder tão forte que consegue deter. A sua dynastia chamada Bahmafoi estado ao serviço do brahmane Cango.

ajudados da epigraphia d'esse periodo. Mas o reino de Bisnaga. porque farão elles a sua historia á falta de historiadores indígenas. É forçoso confessar. nomes de cidades e de batalhas tudo o que nos dão. viam-nopor assim dizer na penumbra. e pôr em dispêndio de conciliação com esses dados a imaginação do estudioso. e veremos que nem a lista podemos ao certo constituir. Por outra parte. das luctas intestinas ou condições de vida nacional muito pouco. que em todos os tempos tanto os distinguiu. quasi a meio da sua vida nacional descobriu-se o caminho marítimo da índia pelo sul da Africa. Serão esses. os elementos de que nos soccorreremos para esboçar a historia politica d'esse reino. bem e se evidentes d'um alto cul- sobretudo no Tamil. alguma amostra excepcio- nalmente apparece. ella Mas obras de cunho histórico não as tiveram. Ora. é. as scripções d esse periodo são muito numerosas. de que falíamos. Foi uma lhe lucta constante contra os muçulmanos do norte que não deixavam um momento quasi de distração. só poderão apreciar aquelle grande império exteriormente. quer os escriptores muçulmanos. in- mas não completa bastam só por dos seus reis si. viveu em condições differentes das dos que o antecederam. que nem por isso podemos fazer uma historia completa de Bisnaga. o contacto d'estes dois elementos e vizinhos é para os estudiosos de summa importância. se acham provas tivo litterario. D'elles pois só temos a esperar os mesmos escassos elementos que anteriormente nos dão. ou pelo menos ha variantes que deixam em duvida o estudioso. quer portugueses ou outros. e sem duvida que nestas condições só deviam conhecer-lhe o esbatido do contorno. mas tudo é pre- . porém. e succedeu o apparecimento naquellas partes dos europeus. porque sobre serem seus inimigos de raça e de crença. pois. em vez de esclarecer vem em regra trazer confusão aos dados epigraphicos.XXV Canará. procuravam nas gazivas que nelle faziam uma satisfação ao seu anceio de rapinagem. E assim é quasi Alguns nomes de reis.

de Mádava. não pretendendo para ella outra não seja a de se approximar da versão da nossa que vantagem chronica. e com alguns companheiros de fuga vieram refugiar-se reita d'este rio aquém do Quistna. Acompanhára-os na retirada um velho monge brahmane de grande fama e cheiro de santidade. são documentos irrecusáveis dum estado bastante apreciável de desenvolvimento. entendimento]. para o seu estabelecimento. Seria com porque lhes havia de insuflar na alma a esperança que as armas dos infiéis acabavam de quebrar. Ora dois irmãos. e por isso nos abstemos de as dar aqui. Diz a tradição' que essa funteza para os foragidos um bom ' A tradição conta differentemente a fundação do reino e e a qualidade ci- dade de Bisnaga. Para apre- causas reduzidos a inferências. E assim também chamaram elles á nova cidade Vidianágara. Dissemos já que em i323 fora destruído o reino de Orangal. conseguiram salvar-se. a floresta do entendimento. damos é uma . é. e sem duvida que através d"elles podemos ver um estado de civilisaçao taes materiaes e cultura dignas de consideração. No que todas ellas concordam é na intervenção dos três personagens de que falíamos. uma cidade junto do onde hoje passa o caminho de ferro que de Bellari vae para Daruar. e em Tarpurtri. É com que vamos tentar esboçar a historia de Bisnaga. i. a quem pelo seu saber chamavam e Vidia arania. os dois irmãos e Mádava. Os monumentos architectonicos existentes em tão grande numero em Bisnaga. cremos. nos seus arredores. que de seu nome era Mácerauxiliar dava. i. erudito commentador dos Vedas. diz-se. a cidade de Vidia [sabedoria. Qual d'ellas seja a verdadeira é o que ainda se não pôde saber.XXVI cioso na penúria de dados que possuimos. Buca e Harihara. e a narração que das suas variantes. e sobretudo os de Vitoba. que ^ ciarmos o seu adiantamento social estamos pelas mesmas um ou outro facto apontado nos permitte fazer mas das suas manifestações artisticas temos bastantes provas. e seguindo a margem di- foram fundar. é.

e que desde o principio do reinado do primeiro rei se occupou sempre como primeiro ministro dos negócios do estado. e a sua péssima administração. Vimos que além do Quistna se estabelecera em 1347 ^ reino de Calbergá. sem duvida Harihara I. o seu dominio que dentro de pouco a capital se i. se Harihara. dação se fez ahi por i336. a palavra Bisnaga'. . As circum- stancias favoreceram a infância do novo reino. se Buca. não havendo d'isso informação porque a inscripção mais antiga que conhecemos nella é de i354.XXVII certa. e por nome Hariabe. so- Advertiremos desde já que essa mesma tradição discorda em qual foi o primeiro rei dos dois irmãos. e diz-nos que o seu príncipe dependia d'um outro. E de tal modo estendeu elle veiu a chamar Vijaianágara. A grande agitação que sacudiu todas as partes do império. Neste anno este viajante muçulmano passou por Onor. foram os acontecimentos que permittiram a Bisnaga a vida desafogada dos primeiros momentos. e cresceu o novo reino depressa porque já em 1342 no-lo deixa ver Bem Batuta. Apresentam-no uns como asceta vivendo na floresta e vindo depois em soccorro dos dois irmãos. a cidade da victoria. e se optámos por este. donde nós portugueses formámos e outras linguas europêas formas parecidas. no logar próprio dizemos porquê. Não tardará que os reis bahmanidas. é. e que com o seu saber muito concorreu para a sua manutenção. porque estes não costumavam accentuar as palavras. mas deve ser erro de interpretação. não tendo muito a recear d'esse lado porque factos mais graves lhe prendiam a attenção. Mohamede Toguelaque. Acerca de Mádava também ha discordância. infiel. descuidados do suzerano anterior. concordando porem todos ter sido homem de aha cultura litteraria. e segundo a etymologia deve ler-se Bisnaga (Vijaianágara). e que para isso tinham concorrido os desmandos do imperador de Deli. e depois a formação do novo reino. I Os editores dos nossos chronistas indianos imprimiram Bisnaga. outros admittem que o não foi.

pensamento lhes veiu mas não o poderam abater.. por nós citadas nas pp. ao norte limitado pelos Vindias. desde logo tornado tributário e em 1424 annexado. mas porque attende ás ul- . procurem engrandecer-se á custa dos príncipes seus vizinhos. ao sul pelo Quistna. a leste por uma linha que partindo dos Vindias orientaes passava por Orangal. se alargou enormemente. Foram estes os limites da sua maior expansão. mas não estavam longe d'elles os do fim do reinado de Alaadim e a oeste toda a costa em iSSg. é certo. sobretudo do meado do século xv até ao fim. e a prova disso está na publicação de certas obras de grande valor neste ramo de estudos. logo com o primeiro sultão Alaadim. que vae de Goa a Bombaim. na lucta constante com elle poucas vantagens obteve nos primeiros annos da sua existência. e nós seguiremos o quadro dado por Sevvell por ser não só o mais moderno. Ha bastante discordância na ordenação dos dados das inscripções. alem da grande copia de artigos em revistas especiaes. só sastres aos adversários do norte. Não é muito fácil determinação. determinar tanto real. O império bahmanida cedo. até ao fim do sé- com a segunda dynastia é que elle verdadeiramente toma a offensiva e consegue infligir sérios deculo XV. quasi todo o elle comprehendeu Decám próprio. antes parece começar agora apenas. XXVIII brctudo na fronteira de leste com tal os Mongoes. O próprio de Bisnaga. Importa antes tal de proseguirmos. porque senão possuimos dos interes- também a epigraphia dravídica não disse a ultima palavra. Mas Bisnaga estava já forte quando obtiveram vantagens. vn-vin d'esta introducção. e haver muito que decifrar de todo ou imperfeitamente interpretado até hoje. quanto possivel a chronologia sados a historia escripta. apesar de comprehender quasi todo o sul da península. O reino de Orangal que á queda do dominio de Deli foi readquire a sua independência. Alguma cousa se tem feito comtudo ultimamente.

5. é ainda provisória.XXIX timas revelações da epigraphia. Vira Narsinga [i5o9]. Vijaia Búpati "1418]. DYNASTIA 1. 7. 4. Mallicárjuna [1459]. 2. Ramaraja 542-1 564]. porque servirá de ponto de apoio ás nossas investigações. 3. III DYNASTIA [i I. Praudadeva II [1476]. Mas aqui. Achiutaraja [1530-15421. como se vê. ou ainda trazendo á serie talvez novos soberanos. Virupacxa [1470-1473]. Buca í^i35o-i37q]. Narsinga [? 1487-1Õ09]. I DYNASTIA I [i 1. Devaraja II [1422 -1447]. 9. 3. Harihara 336-1 35o]. mas por agora quernos parecer que representa o estado actual dos nossos conhecimentos acerca da genealogia dos reis de Bisnaga. 5. 4. recuando-se ou avançando-se a data da ascenção de tal rei ao throno. Crisnadeva íi5oq-i53o"'. Ha . 8. E importa muito esse conhecimento. 2. e dentro dos seus reinados coUocaremos os acontecimentos para ordenação de periodos tão obscuros. II I Harihara Devaraja j 379-1401]. bastantes lacunas. [1406-1412]. 6. Em todo o caso esta lista porque descobrimentos posteriores neste campo poderão vir obterá-la. dependerá preenchimento o seu de ulteriores dados. Sadáxiva [1542-?].

A esse respeito devemos prevenir-nos. a historiographia d'elles. que constituiriam lá ao norte uma barreira de encontro á qual se viria quebrar o Ímpeto das hostes inimigas. é o que por ora se não conseguiu ainda saber. porque os seus escriptores no-las dão por vezes circumstanciadas. e é rica.XXX SC tal succede para estes como que marcos milliarios da historia de Bisnaga. de ha annos apenas. elles eram um poder forte. mas as circumstancias d'essa marcha. que um pouco de audácia da parte dos soberanos de Bisnaga terá conseguido resultados que em outras circumstancias teriam custado muito tempo e vidas. Taes conquistas parece-nos que ter sido fáceis. e num batalhar de todos os dias com taes inimigos. amanhã uma pequena lapide viria talvez destruir toda a erudição gasta. ao contrario da dos adversários. A algum tanto suspeitos esses auctoimparcialidade não deve ser grande em homens de fé viva. peor ainda se dá na attribuição que a cada um devamos fazer dos acontecimentos passados. e era uma garantia de bonança após a tempestade! Isto dispensa-nos de fazer conjecturas acerca da parte que cada rei tomou nessas acquisições. . A própria capital recebera o nome d um dos membros mais venerandos da sua religião. a invasão a ferro e fogo dos muçulmanos e a derrocada do poder dravídico. era de recentíssima memoria. e em especial Ferista. As luctas que elles sustentaram ao norte do Quistna com os muçulmanos são relativamente bem conhecidas. que deve ter sido gradual. esse poder era pois sem duvida consagrado. da mesma raça e crença. e considerar res. São quasi que os nossos únicos auxiliares nessa tarefa. e a parte de cada um d'elles nessa tomada de posse. e é ler taes historias. Sabemos que foi rápido o seu alastramento para o sul. O devem ephemero dominio muçulmano para a breve trecho da evacuação aquém do Quistna seguido completa. lançara tal desorganisação no país. E depois elles deviam apparecer como libertadores.

A assanhada lucta em que os dois impérios se empenharam até i564 tem um campo restricto. i. mas não a houvera com Bisnaga e receamos que a asserção de Ferista seja apenas meio de engrandecer a sua gente. os seus suc- seu valor militar muito O se primeiro conflicto entre os dois impérios parece ter- morte de Alaadím. cipio fazer-lhes frente. Assim os nomes dos reis são todos ou quasi todos difficeis de identificar com os que nos fornecem os dados dos contrários. dado em A mas quando se sentiu preparado exigiu o pagamento. e ha períodos d'esta historia completamente alterados naquelles chronistas. Bisnaga e Orangal julgaram propicia a occasião para negar o tributo. que devem ter desvirtuado a verdade dos factos como passados. para perceber que devem haver ahi exagerações. e pontos de vista muito particulares á fé e á sua gente.XXXI como sua principal fonte. Mesopotâmia. ainda menor. as suas cidades um migo era outro. E que o iniao outro. Restricto campo sem duvida para lucta tão porfiada e prolongada. país comprehendido entre o Quistna e o seu affluente Tungabadrá. pois. superior. Território sempre disputado mudavam muitas vezes de conforme senhor. Anteriormente houvera lucta com Orangal. foram precisos mais de dois séculos aos muçulmanos para emfim o senhorearem. eram victoriosas as armas d'um contendor ou do outro. foi no Doabe. D'este lado. E depois o conhecimento travado entre uns e outros era quasi que só no campo de batalha. e tal pagamento de tributo parece natural. e foi protrahindo as negociações. é. aguerrido cessos eram mais rápidos. Mohamede não pôde de prin1864. subiu ao throno Mohamedexá. que ella quasi constantemente se travou. c Na guerra que se seguiu as tropas alliadas de Orangal . as armas de Bisnaga não tiveram o mesmo successo que no sul. e e o irrequieto. conhecimento imperfeitíssimo por consequência. e se os de Bisnaga não alcançaram dominá-lo por completo.

e tratar das outras clausulas. A populaça sem duvida acolheu-o com apupos e vaias. Não folgou elrei de Bisnaga de tal brincadeira. de que só escapou um.XXXI l e Bisnaga foram desbaratadas. mandou ao esses can- primeiro ministro que se gratificassem tores á custa d'elrei de Bisnaga. e elrei. e só depois se pôde talvez sata. bem O ministro pensou que no dia seguinte a ordem d'elrei fosse mais sennão lhe deu seguimento. passando ao fio da espada a sua guarnição de 600 homens. Partiu o embaixador com a singular embaixada. e. festejando esse bom êxito. segundo os muçulmanos. Soo cantores de Deli apresentaram-se diante de Mohamede e entoaram o hymno da victoria. Estava-se um dia. e a suzerania de Calbergá reconhecida de novo. conseguiu tomar a cidade de Modogul. a paz fez-se com a condição de que os cantores seriam satisfeitos da sua promessa. do e como amostra diremos as causas que provocaram nova guerra com Bisnaga. O sultão chegara a pôr cerco á cidade de Bisnaga. Esta lucta fora renhidissima. já bastante alegre e folgasão. e elrei generosamente reenviou-o a seu senhor. para ir annunciar a Mohamede a carnificina. mas sem successo. muitos milhares de Índios perderam a vida. Em 1371 surgiu novamente a guerra entre Calbergá e Orangal. na volta. Mas não tardou que este levasse a melhor e o vencesse por duas vezes. . e mandou que se passeiasse o embaixador em burro lazarento pelas ruas da sua cidade. que foi porfiada. Estava declarada a guerra. e é a primeira vez que tal succede. Mohamede tirou brilhantes vantagens Era singular a diplomacia da época. Entrando com grande exercito no Doabe. Fora o banquete bem regado de preciosos vinhos. Porem elrei não se esquecera e disse: Cuidas que não sei o que digo? Manda immediatamente a elrei de Bisnaga que pague o que ordeno a estes cantores. As primeiras vantagens foram para elrei de Bisnaga. e na qual seu vassallo.

A hara Ihe primeira guerra II. Assim se tentou fazer. com Bisnaga em iSgq. situada no Doabe. e assim lh'o fez propor. Foi o caso que elle se lembrou de exigir a este que quizesse desoccupar os logares que ainda possuía no Doabe. Em — . parecendo mesmo ter soffrido um grande revés. veiu Mujahide sitiá-lo. e como o raja se internara no país fugindo-lhe. A esta resposta Mujahide penetrou no território de Bisnaga indo pôr cerco a esta cidade. mas a formosa Pertal se chamava ella fútil. medida que avançámos ellas tornam-se mais A amiudadas. constante fonte de desavença. Deva Raja] foi sitiar Modogul. quis também tomar Adoni. Hari- que então reinava em Bisnaga [Ferista chama- Deul Roi. e resolveu mandá-la buscar por força. Evidentemente os dois estados limitrophes eram maus vizinhos. é. ao que elle retorquiu que despejasse primeiro os que seu pae lhe tomara não havia muito. Ferozexá o mais glorioso soberano da elle a dynastia bahmanida. mas as inscricomo reinando a esse tempo. quí-Ia Haribara para o seu serralho. Recusou a namorada. 140 1 renova-se a lucta. o que mais aguçou o apetite d'elrei.— XXXIII o raja é pções dão-nos Buca chamado Roi Quicem Roi. í. quis ir em sua perseguição. e com prosperidade do seu foi país foi elevada ao seu auge. Pouco depois este veiu refugiar-se na capital. Attacado porem por Ferozexá d'improviso. Pelo menos elle teve que retirar-se. sobretudo Modogul e Raichor. não o conseguindo porem. Em i374 subiu Mujahide ao throno de Calbergá. Um nada servia de pretexto para ateiar o fogo mortiço dos interregnos de paz. na origem o pretexto é Havia em Modogul uma beldade de mulher. e tarde ou cedo a contenda tinha de ser decidida com a destruição do adversário. foi completamente desbaratado. mas debalde. No tempo de Ferozexá por três vezes se foi trava a lucta. Estava esta apercebida. e pouco tempo depois encontramo-lo já em conflicto com Bisnaga.

fugiu para o cannavial. além d'uma forte indemnisação de guerra o sultão exigiu a mão da filha d'elrei de Bisnaga com a cidade de Bicapor. completamente des- vencido. Veiu a succeder-lhe no throno Ahmedexá. Ferozexá voltou ao e apressou- seu reino. e vir-se refugiar na capital. e foram pôr cerco a Bisnaga. Bisnaga para vingar a affronta. Ferozexá invadiu foi sitiada. D'esse lado pois a invasão muçulmana alastra-se cada vez mais. amor que lhe tinha. e tanto assim que estava deitado a dormir no jardim junto dum canEntrados os inimigos de surpreza no seu arraial. apenas foi obrigado a carregar cannas. genro Em 141 7 Ferozexá quebrou a paz vindo pôr cerco á cidade de Bilconda. pelo muito Morreu em 1484 Ahmedexá. fazendo-se a paz com condições onerosas para elrei de Bisnaga.XXXIV ao saber d"isso fugiu para longe. e ficou frustrado o pro- Era porem Modogul terra de Calbergá. Os muçulmanos devastaram os campos. e enconde Bisnaga sem ser esperado. como fora violado o seu território. acaba o reino de Oran- morto o seu rei. e annexada maior parte do país de Telingana. Prolongou-se o cerco por dois annos sem vantagem para em seguida Ferozexá os muçulmanos. seu filho Mohamede. e. é destruida a capital. as tropas de Bisnaga. podendo assim salvar-se. navial. que foi de- mas por fim teve dura para o vencido. approximaram-se por fim foi e. gal. Logo foi com a sua mulher visitar o capital na sua sendo recebido solemnemente. ahi a resistência não parece ter sido prolongada. de pedir a paz. trou elrei se logo este a tirar desforra dos desastres soffridos por Marchou com um grande exercito. onde sendo encontrado com outros Índios que cortavam cannas foi tomado por um da mesma estirpe. No anno a em 1424. que pertencia a elrei de Bisnaga. seguinte. ao . Bisnaga fendendo-se valentemente Devaraja. seu irmão. e havia recommendado. jecto delrei. e a sorte das armas favorável aos primeiros.

e quando tal julgou feito. dizia-se. Parece que d' esta vez os muçulmanos não foram bem succedidos. porque os tinha e bons o exercito inimigo. Facilitou até. mas sobreveiu emfim em foi 1443. sem duvida porque não terá sido grande nem abertamente feito. mas nada achámos que o confirme. herdeiro do throno. mandando edificar pital. naturalmente de costume para o Doabe. para não virem poste- riormente com as pretenções. que o conservou sempre ao seu lado. impellido sem duvida pelos que o cer- cavam e pelo amor de mandar. Formou assim um pequeno corpo de homens mu- çulmanos que se applicaram á instrucção do exercito. e isso já repre- sentava um favor e benevolência. congraçando-se os dois irmãos. indo sitiar como poder Raichor. procurou attrahir alguns d'elles que quisessem vir servir no seu elrei levianamente que de Bis- país. mas seu irmão. porque em regra supprimiam-nos sem mais processo. Parece que os muçulmanos procuraram vingar-se dos soccorros prestados por Bisnaga. se sentisse e pôs-se em com elle. Segundo Ferista não naga a provocou. 80:000 cavalleiros e 200:000 peões. Alaadím II. Pelo menos a narrativa de Fe- . perturbar o andamento dynastico. porque a paz foi bastante vantajosa para Bisnaga. abusou de lucta aberta tal clemência. e d'ahi. e o associou aos espinhos da governação. em dos muçulmanos. con- seguindo com' o auxilio de Bisnaga senhorear um certo numero de cidades da fronteira do Doabe. Outro que não fora Alaadím tê-lo-hia simplesmente mettido numa fortaleza. e uma mesquita na sua ca2:000 permittindo-lhes o livre exercício da sua religião.XXX\' mais velho. a vinda d'elles mu- çulmanos. Preparava-se havia tempo para ella. diz-nos Ferista. as suas vantagens. partiu com 60:000 archeiros. Vencido por fim. Alaadím fez tudo o que seu pae lhe pedira. a paz fez-se. Como fraco recorreu aos inimigos da sua raça e crença. Reconhecendo ou julgando que a fraqueza do seu exercito e do dos seus antecessores provinha da falta de archeiros nelle.

inspirava-lhe bastante receio. e deixa perceber o que elle não quis confessar.100:000 soldados. A sua visita foi curta. e n'isso nos quasi que confirma Abdarrazaque. O seu porto era muito frequentado de navios de todos os países. e possuindo 600 portos eguaes aos de Calecute. e por consequência as suas mações devem penúria de dados em que estamos ellas são preciosas. embaixador á corte de Bisnaga nesse anno de guerra. embora talvez mal. uma cidade muito grande e grande reino que se estendia bella. ser superficiaes e quiçá viciadas. Bisnaga. A cidade era muito commercial e abundante de todo o necessário. e a casa da moeda. Os seus habitantes tinham grande paixão pelas jóias. de que nos descreve os monumentos. É a primeira noticia directa mais circumstanciada acerca de Bisnaga. Era de Ceilão a Calbergá. Junto do palácio real havia 4 grandes mercados. Bisnaga era cercada de 7 fortes muralhas concêntricas. bem povoado. onde dava entrada todo o ouro de pagamento de tributos das províncias. e de Bengala ao Malabar. a polyandria tinha também adeptos. e dos joelhos para baixo. e por isso devemos deter-nos um moinfor- mento a considerar o que a esse respeito elle nos diz. porem o grande poder e do seu vizinho. O raja de Calecute era independente.XXXVI rista é bastante dúbia aqui. Abdarrazaque veiu como embaixador da Pérsia. e a pennugem da cara mal co- . e 1. e tem pelo menos a vantagem de serem de pessoa que viu o que narra. d'aqui seguiu para Mangalor. Os habitantes eram escuros. como altas montanhas. Não havia rei mais poderoso na índia. mas na d'onde se dirigiu directamente a Bisnaga por Mudabidri Bedrúr. Desembarcou em Calecute. Descreve Bisnaga como a capital dum O seu rei tinha mais de 1:000 elephantes. O príncipe soberano era moço ainda. Homens e mulheres andavam nús da cintura para cima. ricos e pobres traziam pedras preciosas como adornos.

XXXVII Gaba a magnificência das festas. o país de costa a costa. As suas luctas com Bisnaga não foram porem. . que confinam com o Quistna e o mar. um outro via- mas italiano este. Os impérios muçulmanos não são seculares. Bisnaga. invadindo a parte oriental dos seus domínios. visitava também As suas informações são menos abundantes. não se contentando com ver a capital. perdendo ainda Bilgáo. i. mas segundo parece. e o poder também a grandeza da cidade de Bis- e riqueza do seu rei. não tarda que A a disparidade dos seus elementos se desconjuncte. e a florescência veiu promettedora. Celebra naga. que descreve. monarchia bahmanida chegava ao seu termo. fundando uma ' cipio Celebradas pela lua cheia de setembro. seguindo para Meliapor por Pen- naconda. Segundo o chronista muçulmano era governador d'essa província Narsinga. aquelle mesmo que ha-de subir ao throno de Bisnaga. em que todo o poder do país tivesse de intervir. mas debalde. precisa logo de enxertia. Pela mesma época. um pouco antes provavelmente. ar- menor bafo da desfortuna. porque estava de volta a Veneza em 1444. senão cahe ao é. atravessou jante. da mesma grandeza das anteriores. de «Maliauávami'». Assim em 1469 Gaja Gáum toma Goa a Bisnaga. Nicoló di Conti. como se verá. 100-114 d'este volume. mas era o ultimo bruxulear da candeia que se extingue. ainda mais a ramagem da vore. mas. d'ellas nos faz uma muito minuciosa des- cripção Domingos Paes a pp. antes têem um caracter parcial. Também assim succede com os muçulmanos do Decám. Algum tempo depois Mohamedexá tentou novo corte no território do seu inimigo secular. e só em 1472 é que este se apresenta tentando rehavê-la. que marcava o prindo arino para elles. O reinado de Mohamedexá foi ainda assignalado por victorias. Ger- mina depressa a semente. a enxertia deu magníficos resultados.

voltou ao seu reino. Gutbalmulque. A campanha medexá até Conjiverão senhor de Bilgáo e Bijapor. as circumstancias eram bem favoráveis para que os ambiciosos as não apro- veitassem. para capital. o governador do com a capital em Burhampor. Amir Beride acabou com esse simulacro de poder. em 1490. nova dynastia. mas uma recompensa bem contal Bêbedo. Nas províncias os governadores ficaram indignados com tal acto. penetrando Moha[Canchipuram] a cidade santa do sul. Por fim. e este é por fim mandado decapitar. e com um pequeno território em torno da capital. Ihe Dentro de pouco Mohamedexá morreu. que se havia revoltado. foi lúçufe Adilcão. Mélique Ahmede. os serviços prestados tiveram Gáum. e os principaes senhores do império constituiram-se independentes nos respectivos governos. em i5io. Imadalmulque. dos Nizamxá. succedendouma creança de 8 annos. pri- O meiro que assim fez Bijapor. porque Ferista diz que lúcufe Adilcao. O valimento de Gaja Gáum creou a intriga. e sobretudo a mens de grande traria á justiça. em J489. formando em torno de si pequenos exércitos. em 1498. nô-lo pinta Fe- Nas differentes províncias os governadores faziam de reis. isto é bastante obscuro. em favor dos seus. O brilho do seu reinado é devido a alguns hovalor. Destes . em onde transfere a sua Berar. em 1627. e depois de saqueada esta. que funda a cidade de Ahmedenagar. e dos Gutbuxá. Para o fim do seu reinado parece ter havido novamente conflicto. nos dá o resultado da lucta. Mahmudexá. marchou contra Sivaraja. debochado. o governador de Golconda. e recusaram apparecer mais na corte. nem elle A fraqueza do soberano ia emfim dar todos os seus Gaja fructos. o governador de Daulatabade. fun- dando respectivamente as dynastias dos Idalxá. Quanto ao filho de Mohamedexá. que já era Bider. continuou a sua djmastia mas debaixo da tutella absoluta do seu ministro Gácime Beride. rista. dos Imadexá.XXXVIII foi feliz.

lúcufe foi entregue a um mercador que o levou para a Pérsia. por fim a amizade de Cajá Gáum e as boas commissões que com elle desempenhou deram-lhe o governo d'uma província cuja capital era Bijapor. como chamam os nossos chronistas ao senhor de Goa. A esse tempo recebera já o titulo de Adilcão. Embarcou para Goa. A sorte foi-lhe favorável. sultão da Turquia. e aqui ainda a importância é desigual. o necessário. e foi subindo em dignidade. porque Golconda raras vezes se viu em conflicto com elle. primeiro para Ardebíl e depois para Sabá. o futuro conquistador de Constantinopla. e d'aqui para a capital dos bahmanidas. Merece pois alguma attenção mais. emquanto Bijapor o estará mais frequentemente. d'esta cidade para Dabúl. de Sabá]. Ahi viveu até aos 16 annos. e a este facto deveu o nome de Çabaio [i. É com elles que este para o futuro terá de haver-se. recebendo de sua mãe. Mohamede por razões d'estado de evitar competições no futuro. de Murade. Por morte d'este succedeu-lhe em 1450 Mo- hamede. lúçufe era turco e filho. diz-se. sempre por intermédio do mercador. e a essa edade resolveu-se a partir para o oriente a tentar fortuna. mandou foi degollar seu irmão mais moço lúcufe. e vamos ver em que condições se formou e se achou para tal successão. é. e que em seu logar morto. e por tanto tempo o nosso poderoso e perigoso vizinho [até 1680]. entrando na guarda real como escravo turco.XXXIX cinco reinos em que se fraccionara o anterior são para o nosso propósito mais importantes o de Bijapor e o de Golconda como limitrophes do de Bisnaga. Como acontece tão frequentemente nos estados muçulmanos. Não o porem porque sua mãe o substituio por um foi escravo que se parecia com elle. e também por ser a quem AíFonso d'Albuquerque tomou Goa. Sirva-nos isso de desculpa para os desenvolvimentos em que vamos entrar. e foi um dos capitães que á morte do seu . elle será o digno successor do de Calbergá na guerra santa contra os infiéis.

mas Adilcao de reabsorpção. os dias contados. 1498. O Doabe campo de batalha. as empregaram as mais das vezes Que assim com Crisnaraja de Bisnaga. Isto no periodo que nos occupa. pondo de parte por se um momento era tal a essas ques- tiúnculas. ao sul de Bombaim. dentro de breve somma foi de energias vê-lo-hemos de que dispunham. vindo todos a um accordo acerca da partilha os novos reinos. e um dos maiores que se constituíram sobre as ruinas do anterior. em que ficaram delimitados Seria favorável para a causa dos muçulmanos esta di- visão e fraccionamento? De certo que não. á morte de Mohame- dexá se proclamou independente em 1489. O estado que elle conseguiu formar comprehendia uma boa parte do Decám. sempre disputado e sempre mudando de senhor a qualquer revés do adversário. antes foi uma causa de enfraquecimento. tal acto retirando-se para o seu como já dissemos. Também lá sopram ventos de revolta. victoria. e a Bisnaga. se des- Voltemos outra. todo o resto do império formava um corpo bastante grande para esmagar foi o novo reino. feliz nessas tentativas O bom em êxito d'este foi incentivo para os restantes governadores. ao sul o Quistna desde a sua juncção com o Tungabadrá até Goa. a leste por uma linha que ia de Calbergá a Raichor. porque posteriormente se engrandeceu muito á custa dos estados vizinhos. e a antiga dynastia estava sendo substituída por mesmo porque parecerá que nos interessa mais o que se passa entre os muçulmanos do que o que em .XL amigo protestou contra governo. A separação não se fez comtudo de mutuo continuava a ser o accordo. elle terá unirem e attacarem o inimigo commum. Os seus limites ao norte eram uma linha que de Calbergá por Xolapor ia sobre Chaul. e sendo o primeiro corte. porem animosidade que antes de colherem os fructos da avirão. e que. mas no dia em que. porque a nas suas luctas fratricidas.

e como as do sul contra os elementos indigenas. prova bem frisante do que acabamos de dizer.XLI Bisnaga. independentes ou vassallos. a nossa narrativa tem quasi Adilxá. tuito só Nestas condições o nosso in- pôde ser satisfeito em parte. e já que elles nos não dizem o que fizeram. Muitos dos seus dados são ainda provisórios. e que continuar. Parece que ahi por 1480 elle do reino. e que seria um antigo governador da parte oriental do país para os lados do Quistna inferior. e outras também não nos permitte marcar certa. fizemos. porque até ella por vezes se contradiz. e ficamos indecisos. com bastante pesar nosso teremos de Uma reis. exclusivamente de jimitar-se aos acontecimentos passa- dos primeiro com os bahmanidas. que estava destinada a dar dias prós- peros a Bisnaga. nos Os historiadores muçulmanos apparentemente não podem servir de guia porque são extremamente elles. e depois com o como o Idalcão dos nossos chronistas. Mas quem elle quando subiu ao throno? nos será dizê-lo era já regente ao certo. relativamente á obscuridade que ha na chronologia dos temo-la no período de que é vamos tratar. saibamos d'outros o que elles lhes fizeram ou contra elles praticaram. que era esse Narsinga. Difficil fundou e uma nova. com E isso que. e quasi só os limites extremos dos reinados. objecto do nosso pequeno estudo. Segundo durante um . confusos a este respeito. não tiveram a mesma dita de achar quem os transmittisse ao futuro. Os historiadores muçulmanos das dynastias do norte dizem-nos a parte que os seus tiveram nessas lutas e competições . se viu. A razão é obvia e já a indicámos. e o mesmo com quem Mohamedexá teve as lutas que contámos. temos datas intermédias. e secundariamente os outros reinos muçulmanos. A antiga dynastia de Harihara desthronada por Narsinga. e a epigraphia de Bisnaga está longe da sua perfeição. e como. A chronologia real é quasi in- baseada na epigraphia.

o moço rei morreu. tesco. Quis este tomar o supremo poder. o melhor será esperar novas informações para então se affirmar com maior segurança. e sensivelmente differentes. vol. ainda que nominalmente o esteja num moço rei. A primeira versão A lhe succedeu seu filho segunda diz que por morte de Seoroi. Segundo Himraja morreu em i53o. faz vir o reinado de Virupacxá até 1490. mas morrendo dentro de pouco foi substituído por seu irmão mais novo que O successor legitimo tinha apenas três Himraja ficou regente durante 40 annos. e ao ter collocado no throno um outro membro da familia de menor edade. A guerra que elle teve de sustentar em 1492 com o Idalcao. falleceo. Quando morreu Himraja succedeu-lhe nas mesmas funcções de regente seu filho Ramaraja. mas o Kanara íBombaf Ga\etteer. a soberania real passa de facto para o primeiro ministro Himraja. e uma inscripção estudada por Sewell dá um segundo Narsinga. ferido na luta. elle são mais bem conhe- porém não ao certo as suas relações de paren- Em Ferista continua a mesma confusão. Os successores d'este Narsinga cidos.XLII largo período de tempo. senhoreando definitivamente o poder Himraja. anno em que por consequência faz começar o de Narsinga. Burnell. e desencontradas opiniões. e . O mesmo historiador dá duas vezes a historia das cir- cumstancias já a demos. xv) diz ter succedido a seu pae em 1487. que em i564 foi vencido e morto em Talicota. pois. desde 1489. que d'este anno deve datar o começo da nova dynastia. e. Diante duma tal confla- gração de dados. graças ao envenenamento do seu pupillo quando chegou á sua maioridade. foi-lhe desastrosa. reinando em i5o9. Caldv^^ell dá a data de 1487. e succedeu-lhe seu filho Ramaraja. mas com isto não concordam os auctores. auctor do filho do primeiro. em que este pretendia tomar Raichor. também meses. em que tanto um como outro senhorearam o poder. além de dar um quadro differente do nosso. Parece. mais velho.

que governava a parte que lhe permanecera fiel. porque seu tio o estrangulou. Assim se passaram 5 ou 6 annos. chamou em seu soccorro elrei de Bijapor. . Então Hoje Termul Roi. e o régio pupillo readquiriu eífectivamente o poder. aproveitaram-se de tal ausência os seus inimigos. mas ha inexactidões nesta narque os dados que possuímos nos permittem desde O chronista muçulmano não cita um soberano. e não tardou pois que os descontentes chamassem Ramaraja. Foi feliz o movimento. Neste tempo Ramaraja partiu para uma expedição ao Malabar. e do qual pouco tinha a recear. e não ha duvida alguma acerca da sua existência. Grisnaraja. Até que ponto esta trapalhada de Ferista representa a verdade não o sabemos. e Hoje Termul Roi. Barros. Gaspar Gorrêa. Este parece ter sido violento. pondo-se no seu logar. E este mesmo Ramaraja que morrerá no deu-lhe por curador seu menor da campo de batalha de Talicota. receoso da sua pessoa e do seu throno. rativa já desfazer. Couto. que é de toda a historia d'este país o nome mais importante. Então tante Ramaraja levou ao throno família real tio um represen- mas da linha feminina. e Hoje Roi em situação desesperada houve por bem suicidar-se. etc. e conseguiram alliciar o espirito fraco de Hoje Termul Roi. em seguida ao que Ramaraja ficou senhor incontestado do poder. assim como os viajantes europeus nestas partes durante o seu tempo. porem não por muito tempo. Um escravo que se apresentou como alma d'esse movimento e pretendendo libertar o moço rei. mas apenas as tropas de Bijapor se retiraram. Ramaraja recomeçou a luta. que então era Ibrahim Adilxá (i535). apressou-se a tomar o logar de ministro. homem de mingoado espirito. que não viam sem inveja nas suas mãos o poder real. Esta intervenção estranha manteve no throno Hoje Roi. e os nossos chronistas da índia. mas não lho consentiu a nobreza. dizem-no-lo as innumeras inscripções do seu reinado.XLIIl que tão arrastado andava.

isto é talvez o Nar- singa seu antecessor. elles porque longamente nos narram nellas as suas fa- çanhas. Já não tanto assim com Crisnaraja. Coisa notável comtudo mam o ao soberano d'então Himraja. Já atrás nos referimos a este facto e a leitor. nem claramente das suas victorias sobre os seus. não parece raja. mas é difficil seguir pelas inscripções a historia d'ellas. como veremos. mas próprio dos impérios orientaes. I\' Dizer pois que o país de Narsinga (Himraja?) a Ramaraja apenas teve no throno creanças ou imbecis. e foi o maior conquis- nem Ferista nem qualquer outro chronista muçulmano nos falia d'elle. e aquelle em a vida de um homem. e chatador de Bisnaga. porque sabemos alguma cousa mais e podemos acompanhar menos mal essas vicissitudes. e logo caminha para uma deca- dência que a breve trecho é a ruina de um dos maiores impérios da Ásia. e nos dizem que beberam as suas informações . mas isso dura apenas Entramos agora no ultimo naga. Alem da guerra de 1492 com Bijapor havido outras até ao reinado de CrisnaNarsinga parece ter feito bastantes conquistas no ter sul não de todo submettido ainda ou revoltando-se em occasião propicia. elle reenviamos as O seu periodo é dos mais bem conhecidos e em desacordo completo com esses dados. Crisnaraja foi coroado em 1609. Bisnaga subirá n'este periodo ao seu maior auge de prosperidade. que elles fazem reinar até i53o. Foi justamente no periodo que vae de i5o9 a i53o que o poder militar de Bisnaga foi maior e mais se fez sentir sobre os estados muçulmanos vizi- nhos. IV capitulo da historia de Bisque o contraste é maior. Abramos nos-ha a convicção d'isso décadas de João de Barros ou de Diogo do Couto e virmesmo. não ha que duvidar da sua existência nem de que fosse um grande guerreiro.XI. é menos verdadeiro.

D'ahi a pouco renovou-se a guerra. Estas são em breve resumo as conquistas que consta ter feito. mas Golconda o teve a haver-se. e tomando a filha do rei d'este país por mulher. e que lhe devem dizer respeito já vimos que o não nomeiam pelas datas em que se passaram taes factos. e cidades importantes e tão disputadas do Doabe. teira Deste lado a fron- de Bisnaga estendeu-se bastante até ás margens do e Godavarí cortando a saída do mar ao nascente reino muçulmano de Golconda. E os próprios naturaes nô-lo testemunham nalgumas e a dos Quéque se faz menção das suas conquistas nos respectivos países. mas não são estes só os seus limitrophes de egual crença. Em — — o seu exercito foi totalmente destruído e elle próprio es- capou com dificuldade. e desta vez vindo rei de Bijapor em auxilio do de Bisnaga. magras chronicas. mas os chronistas muçulmanos vão dar-nos um supplemento de informação. porque tinha a nordeste os do reino de Golconda. são também os viajantes do seu tempo que ou visitaram a sua côrte ou tocaram nos seus vastos dominios. em i5i5 acabou com o pequeno prin- cipado de Condavido. Também com elles Segundo Ferista as tropas de Bisnaga foram vencidas em Pangal. etc. Não foram pois felizes as emprezas dos muçulmanos de Bijapor. . tas Mas não são só os nossos chronis- contemporâneos que no-lo dizem. Em i52o Ismaelxá tenta rehavé-las mas em vão. e tomando o exercito de Golconda as cidades de Covilconda e Gampura. ao sul do Quistna. Submetteu com- pletamente uma parte do Maissor actual tomando as ci- dades de Xivasimudra e Seringapatão. assim Vartliema. primeiro logar referem a conquista de Raichor Modogúl. muito mais numerosos do que para ralas. e por fim ha abundantíssimos elementos epigraphicos. posteriormente em no i5i3 conquistou a cidade de Udaigri e seu termo actual Nellor.V nas fontes originaes. penetrando depois além do dito rio no reino de Orissa. como a de Condavido em qualquer outro soberano de Bisnaga.XI.

man- dando cercá-la Açadacão. como já anteriormente dissemos. já em poder de Bijapor. O fraccionamento do império bahamanida em tantas soberanias differentes trouxe stituídas. é também certo que os contrários. se- em soccorro d'aquella fortaleza. o mais poderoso e viril estado muçulmano do Decám. Comtudo esta colligação que tão ameaçadora vinha não . uma formidável colligação dos outros estados successores dos bahmanidas. A narrativa de Ferista é bastante incoherente e nenhuns outros dados vieram até hoje confirmá-la. uma incessante discórdia entre enfraque- cendo-as perante os inimigos que as cercavam. diz-nos Ferista. cidade do Doabe.XLVI parece ainda ter levado a melhor. antes muito fre- quente entre os muçulmanos da índia. porem Ramaraja já então nhor do throno. Como de costume este começou por sitiar Raichor. Isto comtudo parece estar em desacordo com os progressos feitos por Cris- naraja para os lados de Orissa e a extensão das suas fronteiras até ao Godavarí. Como tantas vezes sucfoi uma cede esqueceram-se ódios e brios. em breve. em momentos de apuros ou de desabrimento. A luta de competições que se trava então junto do throno entre o verdadeiro soberano e Ramaraja Bisnaga. em que também Ramaraja de Bisnaga entrou. E assim que depois de 1642 se formou contra Bijapor. e época de grande perturbação para por isso de fraqueza. recorriam ao mesmo expediente. como de resto nas outras partes onde se estabeleceram. mandou seu irmão os desejos d'aquelle. conseguindo este frustrar Mas se de tempos a tempos as lutas internas se ateia- vam. Numa d'essas occasiões Ibrahimxá de Bijapor tentou tomar Adoni. e recorreu-se á intervenção d'elrei de Bijapor. senão logo depois de conellas. E se os de Bisnaga faziam intervir os muçulmanos nas suas questões internas. são Os acontecimentos que depois se deram em Bisnaga em Ferista narrados muito confusamente. não era isso privativo de Bisnaga.

Em i55o e i55i novo conflicto. O successor de Achiutaraja foi Sadáxiva ao qual succedeu em 1542. Com re- Ramaraja os tempos de Crisnaraja parecem pois ter re- As victorias alcançadas. Os estados vizinhos. ambos seus mi- . mas parecendo merecer mais credito estas ultimas. mas em que os contendores estão distribuídos differentemente. alliado de Nizamxá. e ignorando-se o seu parentesco com o anterior pela mesma discordância da epigraphia. de Tirumala. tréguas nas suas próprias questões os deixasse alliaram-se para destruírem este seu inimigo commum. mas sempre debaixo da tutella de e. Nós temos seguido nestas guerras com os estados muçulmanos a narrativa de Ferista. e que este reinou desde i53o a 1542.XLVÍI deu resultado. porque depois Ibrahimxá de Bijapor desbaratado e acossado por um seu capitão é forçado a refugiar-se na capital. o qual eífectivamente exercito que venceu o general rebelde. attestam-nos a vitalidade do seu país. Rama depois da morte d'este. quer dos inimigos muçulmanos. e os outros dados que possuímos não coincidem com os seus. porque as inscripçÔes dizem umas que era filho outras que irmão. Não se pôde duvidar de que a Crisnaraja succedeu Achiutaraja. Reinou desde 1642 a i568. ou porque receassem o tamanho desenvolvimento de Bisnaga. vindo Bisnaga a fazer a paz depois de algumas concessões da parte de Bijapor. Qual Mas antes que isto narremos voltemos atrás para fosse o seu parentesco com o seu antecessor é que se não tem podido determinar ao certo. Ramaraja depois das primeiras victorias parece ter abandonado o seu alliado. seu soccorro. contra Bijapor alliados. quer dos naturaes beldes. Agora é Ramaraja. Nesta conjunctura difficil diz-nos Ferista que cha- mou Ramaraja em mandou um nascido. e comtudo não estava longe a sua ruina. um pouco vermos a quem succedeu este Ramaraja e quem elle era. ou porque as livres. e os seus sendo nestes dois annos as vantagens da parte de Nizamxá e de Bisnaga.

a qual tanto esplendor deu a Bisnaga. A interinidade Rama não foi menos brilhante e os dois estados muçul- manos limitrophes disputavam-se a sua alliança.XLVIII nistros. a exprimir-lhe pessoalmente os seus sentimentos de condolência. como a etiqueta exigia para tal com litica taes intenções vinha. Ramaraja. Vimos como elles por differentes vezes recorreram a elle para sahirem de apuros quer internos quer externos. ensoberbecido pelos seus amiudados triumphos. infiéis. Ramaraja exigiu dos dois alliados fortes com- . e ainda para mais acirrar os ânimos e mais desgostar. tomou sição dos ânimos e o facto. e assim o parece ter manifestado pela sua arrogância. Morreu a este um filho. Em i558 a guerra este bentou entre Adilxá e restituir Nizamxá porque não quis Xolapor como fora estatuído na paz anterior.de alto. ser seu inimigo. fortalecendo-se ainda com o seu casa- mento com duas filhas de Crisnaraja. a valer-se da alliança de Bisnaga. para não succumbir. como prova de confiança. Ficou o rancor e o desejo personagem. Com Sadáxiva de termina pois a poderosa dynastia fundada por Narsinga. Um tal poder de dar. por qualquer reviravolta da fortuna. ainda que servindo-os em determinadas circumstancias. mas que se lhe substituíram completamente na soberania regia. e que no peito do muçulmano de vingança também. Mas a po- tinha exigências e no meio das lutas que Adilxá re- tinha a sustentar via-se forçado. e considerou-o como uma espécie de vassallagem. Ramaraja e Cutbxá juntaram-se a Adilxá. O exercito de Rama commetteu taes excessos que aos menos orthodoxos dos muçulmanos revoltou-se a consciência contra taes infiéis. Elrei de Bijapor tivera Ramaraja por amigo por muito tempo. Outros factos vieram ainda a favor d' esta predispodeterminaram a ruptura. e para provar-lhe o seu apreço veiu a Bisnaga com um pequeno séquito de cem cavalleiros. e á saída d'elrei de Bisnaga não o acompa- nhou. não podia deixar de bastante os intimi- porque o que hoje era alliado podia amanhã.

para Pennaconda. Depois d'isto os alliados penetraram na cidade de Bisnaga. porque abertas as fronteiras ao movimento dos muçulmanos. A cidade destruída. Tirumala. Desde esse encheu-se. Tirumala (a quem chama alli Timaraja). seguida do país. Em i565. os seus palácios e templos foram postos a saco. Gubernatis. Bisnaga i566. Storia dei viaggiatori italiani nelle Indie orientali (p. irmão e successor de Rama. Tudo foi debalde'.XLIX pensações territoriaes. sul. diz elle. a sua desmoralização pelo grande revés soffrido. A. Também segundo o mesmo viajanje. Era apenas o principio do movimento de recuo. pelos tigres e outras feras. em 1567. deitaram tudo a perder. Formou-se momento a medida uma se liga entre todos os estados muçulmanos para emfim acabar com aquelle incomTali- modo vizinho. P- 289-90). os três irmãos tinham usurpado o poder havia 3o annos. onde mais livre estivesse Comtudo eram ainda grandes de Tirumala e seus successores. e que se passaram ao inimigo. em A um não cidade depois da batalha foi posta a saque em i565. o fez abandoná-la. 128-9. e as casas. . viajante italiano. e acima de tudo as ambições dos capitães que longe da acção central queriam fortalecer as suas posições de não dependência. o exercito de Bisnaga foi e restabelecer a antiga capital. mas os até alliados retiraram-se em elle. no campo de batalha de completamente destruido. repovoar Bisnaga cota. I Segundo Federici. Cf. e vastos os domínios mas as fracas qualida- des guerreiras das suas populações. ainda tentou reunir os restos dispersos do que ha pouco ainda era grande reino. segundo continuou com a sua capital que novo attaque foi á cidade em 1567. e re- solveu-se então a transportar a sua capital mais para o do inimigo. as populações foram cedendo áquella pressão disciplinada do norte. e só habitado. que visitou a cidade de Ramaraja só fora vencido por causa da traição de dois capitães mouros que andavam ao seu serviço. ficaram os seus monumentos e edifícios de pé. e Ramaraja morto.

até que no fim do século passado estes dominam todo o país. Mas eram sul. o seu chefe reis é o único representante dos antigos de Bisnaga. São muitos os destroços numa área de 24 kilometros quadrados. mais tarde Mogoes e Maratas devastam o país. alli. Do outro lado do Quístna deia. e as perturbações que se seguiram á sua morte desconjun- taram por completo o que ainda restava do antigo reino de Bisnaga. mas informes. uma pequena Anagundí. mas passa depressa porque aquillo só é um cemitério. os últimos lampejos. hollandeses. chama-se Narsinga e nasceu em 1870. O país fraccíona-se em pequenas soberanias. e o governo de Ranga. A cidade de Bisnaga nunca mais se levantou das suas ruínas. espalhados aqui e acolá. porque seu irmão e successor Vencatapati transferiu a sua capital ainda mais para o para Chandregrí. e que através de todas as calamidades políticas da península soube conservar aquelle seu O actual bem mesquinho património. filho de Tirumala teve c successor um certo desafogo e domí- nio bastante directo sobre a parte meridional da península. franceses e ingleses. Vencatapati morreu em 1614 sem descendência.Em tal. mas foram i577 os muçulmanos vieram contra a nova capirepellidos. e alguns edificios públicos que têem resistido á acção do tempo. Camalapor e Humpi. A vida moderna passa o caminho de ferro que de Béllari vae a Dáruar. pela linha feminina. . as nações europêas disputam-se as suas costas. sobre ellas erguem-se apenas duas miseráveis aldeias. ergue-se e deixam al- uma impressão de tristeza. afora os restos de bastantes templos.

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O que fazem elles ao historiarem as nossas lutas com aquellas gentes? E um mundo descoahi nhecido*. Não é que elles sejam os únicos que manejam bem a sciencia histórica. não contentaram simplesmente com o que ouviram contar. elles são os verdadeiros pre- cursores dos orientalistas modernos. Muitas vezes bebem nas fontes origi- naes. elles dizem-nos em que no circumstancias está o quem o domina. a propósito de cada acontecimento com os índios ou outros país. e se elles possuem livros que d'isso tratem. o quadro da sua acção alarga- immensamente e os nossos chronistas indianos souberam abrangê-lo. usos. porque outros eíFectivamente neste século . Seguem um bom processo. ra-se A sciencia histórica apresenta-nos então magníficos exemplares. mas que procuraram beber directamente na fonte. tinham os portugueses passado o cabo Tormentório e aportado a Calecute. ha uma sofreguidão de saber nelles que é tanto mais admirável quantos os elementos de que se podia lançar mão eram poucos.1J[ V o século XVI é em Portugal o de maior actividade esforço cominuo e persis- politica e litteraria. procuram por todos os meios lançar buscam informações' entre esses povos. e assim se faz a luz do que procura nas cousas as suas causas. costumes. A vida nacional recebeu um forte abalo. Após um tente ao longo da costa occidental da Africa. compulsando os documentos escriptos dos povos até onde chegou a acção portuguesa desde a costa da Africa oriental até á China: Barros e Couto. ou que só elles saibam interrogar e interpretar os livros orientaes. antecedentes hisespirito tóricos. investigadores e concatenadores. De dois sobretudo podemos nós afoutamente asseverar que foram orientalistas d'elles podemos dizer que se . outras recorrem a interpretes. e como que ao bafejo da aurora a litteratura floresceu exu- berantemente. e elles luz.

da costa oriental da Africa. conseguiu haver uma chronica árabe: «Segundo apprehendemos historia antiga das cidades por huma Veja-se chronica dos Reys de Quiloa. Garcia da Orta. Esse é também o dever do seu processo. raramente ha nelles o conhecimento retrospectivo e e documental que caracterisa Barros países. mas não deixa de ser para notar e louvar quando se trata d'um mundo que estava por revelar. viii. Aquelles dão-nos preciosas informações do estado presente desses Couto procuram o que no passado pôde explicar o presente valendo-se dos dados 'oraes ou escriptos que podem haver dos naturaes. 12. mas este é talvez mais analysador e profundo. Couto. liv. mais artista e mais jactancioso do que Couto.LIII lhes levam a palma ou podem competir com elles. Sousa Viterbo. e tem sem duvida a vantagem de ter vivido no foco dos acontecimentos e do país que e mas Barros descreve.» [i. p. Comtudo Barros e Couto merecem uma menção especial porque contríbuiram fordianos. de Geographia de Lisboa. politica d'esses Os nossos viajantes dos séculos xvi e xvii são notáveis pelas informações que colheram dos países que atrevessaram. i8g3). é mais chão. iv I O orientalismo também a este respeito o estudo do sr. são elles próprios que nô-lo dizem'. e mas são menos amplos os seus horizontes. Sij-SSo. c. Damião de Góes sobreleva-os sem duvida no senso critico e philosophico. abramos as suas Décadas Para a e ahi encontraremos quanto baste para isso. desde a introducção do islamismo. mas com isso se apraz á ver- dade e severidade da historia. porque o brilho da phrase desvirtua por vezes os factos. Não é difficil provar a aífirmação de que estes dois chronistas são verdadeiros orientalistas. além de um naturalista distinctissimo. temente para o aclaramento da historia povos. Barros é mais estylista. em Portugal no século xvi (Boletim da Sociedade t. . conviveo longamente com os príncipes in- muçulmanos e gentios.

ijS-iSS. blicado o texto árabe que possuímos dos árabes acerca foi traduzida do portufoi guês por Guillain para francês'. C. . 2 The history of Kilwa (Asiatic Journal. e nos forão intrepretadas. Strong-. [ih. nesta nossa narração seguiremos a mais ptores do commum opinião dos escri1.» mais adiante diz: «As chronicas dos Persas. c. e três na Parsea». e recentemente pu- Londres por A. mesmo Re3'no do Guzerate» v. dous em a lingua Arábia. e as chronicas dos reys gentios de Bisnaga levão outro caminho porem todas convém nisto. que : > Documents sur VAfrique Orientale. Mogoes são também tiradas dos Persas. e tomamos algumas cousas dos Reys historia. que o conquistador faz rey do reyno Deli). porque todas estas chronicas ouuemos. . e o modo do seu viver. p. . É a única cousa da fundação d'aquellas cidades.LIV e vi]. dos quaes nós temos cinco Livros. i]. em os Livros da nossa Geographia se verá. IV. i. iSgS). mas [iv. Perseos. seguiremos o que ora tem os Mouros que senhorearão o Reyno Decam de que falamos: porque se conformão muito no tempo com a chronica geral dos Persas que he o Tarigh de que no principio fizemos menção. tirado da Geographia dos próprios Arábios. vi. os do reyno Decam per outro. VI. .] em Acerca da entrada dos mouros no Guzerate segundo os escriptores do reino do Guzerate: «Elles mesmos nas suas historias se confutam. principalmente na concordância dos tempos: porque os Mouros do reyno Guzerate a escrevem per hum modo. i. E nesta relação que aqui fizemos. entre os gentios e elles ha grande variedade. Descrevendo as costas do golfo pérsico diz: «O que a terra tem em si. liv.] Acerca do Decám diz: «A entrada dos Mouros per armas na índia. de que nós delia para esta nossa As noticias geographicas e de costumes que dá dos 1. jv. c.

] A respeito da China diz também: «Da qual costa não sabida dos navegantes damos demonstração. o qual he hum summario de todolos Reys que foram na Pérsia. iv. tudo he um modo de fabulas. . 1.» [ii. iv.] Acerca do modo de escritura dos índios diz: «Escrevem em folhas a que chamam oUa. e quasi metamorfodireita. que trasladamos desta lingua. em as Taboas de Cosmode lá tra- da nossa Geographia.» [i. e creação do Mundo. c. e geographia. que pêra isso hou. a antiguidade da povoação delle. com toda a situação foi da terra em modo de Itinerário.» [ii. ouuemos v. a multiplicação dos homens e chronicas dos Reys antigos. i. A seas de transmutações. e de todo o interior desta grande Província da China. diz: «Segundo a geral opinião d'aquelles que sabiam os prin- . 1.] A propósito da invenção do xadrez diz: «Faremos huma pequena digressão. é. encontramos as provas desse saber. Acerca do Sabaio. ii. e que por consequência taes affirmaçÕes são ou parecem verdadeiras. senhor de Goa. IV. interpretados todos xix. sabia também ler e escrever nossa linguagem. critura E segundo o que desta sua estemos alcançado por alguns livros. I. que nos zido. 1. o Idalcão. mas ha nas suas Décadas duas outras passagens em que Chij. Escrevem da esquerda para a de que se falia nos commentarios da maior parte das cousas da sua religião. c.» LV com outros volumes da historia e cosmographia Pérsia d'aquellas partes. té hum certo tempo que os Arábios com sua secta de Mafamede a subjugaram. recitando o que temos sabido da invenção delle per doutrina de hum livro escrito em Parseo chamado Tarigh. c. tiradas de graphia dos Chijs impresso per hum livro elles. Até aqui temos dado apenas affirmaçÕes de Barros. e interpretado per hum vemos. que nos forão » [i. c. iii. porque hum escravo Chij que comprei pêra interpretação destas cousas. servem-se d um estylo de ferro ou de páo rijo.] Mais adiante diz do mesmo: «E eu dou-lhe alguma fé. 1.

Comtudo disse o suf- . traziam muito na boca estes Ilha.. que querem imitar quaes são Cim. elle era natural da Pérsia de huma cidade per e hum modo. Podemos fazê-lo nós hoje? Em bastantes casos não. nós lhe chamamos Ceilão. quando os Arábios. ou Sabayo 1. e não Soay. per nome Sabá. nome an- chamam Serandib. que os letrados Arábios. que depois dos Chijs per commercio entrarão na navegação d'aquellas partes. os quaes e de Armen por modo formam todolos . e comtudo temos muitos mais dados. de Fars pola Pérsia Farsij e Arménia Armenij. as no seu alphabeto. Sabai) . LVl cipios da fortuna deste Sabayo. . Podem as suas informações não serem perfeitamente exactas. quando formam os nomes patronímicos. é um entendido na matéria. Couto é menos abundante doestas referencias do que Barros. nome próprio da deram-lhe este dos seus baixos: E porque esta syllaba Chi) não corre muito na boca dos Arábios e Parseos. v. porque per outro a nomeam os Parseos. Acerca da et3aTiologia de Ceilão diz também: «E. como cousa em que deviam ter tanto em seu navegar. de chamar a este por este outros. e segundo esta verdadeira formação.« ii. ou Savá. nome he segundo a gente popular. é um simples um homem que não se contentou só com o que ouviu dizer mas que foi muito alem da tradição oral. l.] Quem entra nestas particularisações não é curioso. i. e Xim. confrontar e tirar uma resultante critica. do cabo Comorij pêra diante. chamaram elles) conforme a Cilan. c. como nós formamos». [ii. por baixos de Chilão e por não saberem o terem duas letras a elle na prolação. e Parseos tigo lhe em suas Geographias per [iii. porque não teve diante de si todos os elementos da questão para a discutir. ii. c. talvez porque a este se lhe proporcionassem mais por ser o fundador da obra. havemos homem Sabai j. e he lhe mais corrente na sua lingua estoutra Ci. dizem de Sabá. e Parseos.] . mudando a ella Ceilão ou (por fallar mais e Ch em Este Ci.

' Dá em seguida a Hsta dos reis mouros do Decám e fallando de Cuso Adelcan diz: «João de Barros confundio o nome do Gentio Savay com o de Cuso Adelcan. c.» [iv. vassallo do Rey do Decám. posto que João de Barros o tenha diz: «Primeiro Mas ficaram-lhe muitas cousas. damos . A verdade é que Barros é que parece ter razão com porque pelo menos as suas informações se approximam mais do que diz Ferista e outros chronistas muçulmanos. que nós alcançamos. A lista dada por Barros dos soberanos do Guzerate também está até certo ponto inclusa nesta mesma variante. em cujo poder achamos as Chronicas daquelles Reynos . X.LVII ficiente para confirmar a nossa opinião acima dita. natural da cidade Savá. e do tempo em que se conquistou este Decám. nem se chamava senão Cuso. com a dos de Canará ou Bisnaga. Barros deste reino apenas fez algumas considerações geraes como se fez em Gaspar Corrêa. dizendo que seu pai não era senão turco. 1. que tivemos nesta cidade de Goa com os Embaixadores destes Reys.. que este anno fes o Idalxá ao Estado sobre as terras firmes de Salsete. de que o não souberam informar. a que commumente chamamos Sabavo.» já feito. Disto se riram seus filhos bem.. IV. Castaa variante que atrás na nossa narração. quando lhe liamos isto. Se Couto parece ter sido assaz infeliz com a do Decám. Assim tratando de como os mouros conquistaram o Decám que tratemos das guerras. tanto quanto nós podemos affirmá-lo. não o parece ter sido com igual força. e Bardes nos pareceo bem darmos razão de todos estes Re3'S Mouros de Visapor. Parseo. e soubemos pela communicação de. muitos annos. A lista dos soberanos do Decám dada por Couto está muito longe do que aquelles auctores nos dizem delles. dizendo no terceiro livro da década segunda que quando entramos na índia era Senhor de Goa um mouro chamado Savay. e Ferista devia estar bem informado por ter vivido e feito a sua obra sob os auspícios do soberano de Bijapor.

Sabendo-o o rei de Deli foi contra mas des- baratou-o Boca. Reinou 20 annos. que quer dizer cidade de victoria. 6 e 7. alimentando-se de fructos silvestres. Reinou 25 annos.LVIII nheda. Deva Rayo. elle: «Este reino de Canará. teve principio quasi nos e vinte annos de mil duzentos de nossa Redempção. morrendo numa 5. que de corrupção em corrupção se veio a chamar Canará. e eu o pedirei a Deos. teve grandes guerras com Deli. Reinaram ambos. porém Couto dá-nos a sua historia desde a sua fundação. thesouros. e os naturaes lhe lista A dos seus reis é a chamam reino seguinte. e no logar fundou uma cidade em mej moria de tal victoria. Bisnaga. também segundo Couto. Harcará Rayo. Reinou 40 annos.» E assim foi. Damião de Góes. Abdicou em seu filho 2. doestas. de grandes os reinos do Balagate. Duarte Barbosa.*. Succedeu-lhe seu filho 4. e que nós resumiremos. e Diz deve ter tido elementos originaes á vista para nô-la fazer. Vingou seu pae e conquistou os reinos de Deli. Reinou 20 annos. segundo suas escri- turas. Deixou dois filhos meninos. Reinou 10 annos. e Boca Ráo. O seu próprio nome é Charná Thacá. a que Couto não soube os nomes. Valoroso. Um dia o brâmane para o recompensar disse-lhe: «Tu serás rey e Imperador de todo este Indostão. Succedeu-lhe 1. Conquistou todos Visia Ráo.» No sitio onde depois foi a cidade de Bisnaga vivia um brâmane de vida santa e religiosa. e que nós cor- rompemos em de Canará. e intitulou-se Boca Ráo. Homem valoroso conquistador de muita parte do Decám. a qual por isso se chamou Visa a Nager. etc. senão o leite que um pobre pastor lhe vinha trazer. assenhoreou-se de todos aquelles reinos e elle. Passava longas horas em adoração sem comer nem beber. um 12 annos e o . estados. seu filho 3. Diva Ráo. que quer dizer Imperador.

e naraja. que lhe tomou Rachol e Mundaguer. e o rei Narsinga grande favo- recedor de estrangeiros. como este reino 8. filho de Togalaca. Succedeu-lhe 11. Marsanay Ráo. conquistando-os todos e deixando um sobrinho por governador. O rei do Canará ficou reco- lhido na cidade de Visa3'a Nager. de era o mais rico do Oriente. Succedeu-lhe seu filho 10. e o seu rei (^«que era entrou pelos reinos do Decám perto dos annos de mil trezentos e doze. e assim o e nomeam João Damião de Góes. Em tempo do primeiro dos dois rebellaram-se Xano Saradim como João de Barros lhe chama. Foi o mais valoroso reis do Canará. Crisna Ráo. e foi muito nomeado no mundo. Narsinga Naique reinou 20 annos. Reinou 62 annos. onde reinava Saltão Hamed. Reinou 3o annos. Viveo muitos annos. Succedeu-lhe 9. e assim se ficou chamando Narsinga Naique. Crisna Ráo. Succedeu-lhe com elle teve batalha Cris- Ráo. como já na quinta década temos dito») os reinos de Deli. chamado Narsinga. Fallecidos estes dois irmãos sem herdeiro.LIX outro i6. por mais humilde. Teve grandes guerras com Idalxá. Aos 28 annos do seu reinado levantou-se o grande Tamerlang. de todos os cerca de 1894 de Christo. succedeu-lhes um tio irmão de seu pae. que é como dizer capitão ou duque. fez sempre muitas guerras aos mouros. No seu tempo já era de mouros. com todos os reinos que possuíam os seus primeiros fundadores. e os estrangeiros italianos que antes dos portugueses vieram á índia por terra. diziam cá na Europa que vi- nham do de Barros dizer a reino de Narsinga. tornou a conquistar Deli. não quis tomar o titulo de Ráo ou Rayo mas tomou o de Naique. homem muito valoroso. Rama todo o Decám . Succedeu-lhe seu filho 12. e as escrituras Canarás Togalaca. Este Narsinga. Reinou 25 annos. porque lhes não souberam razão deste nome.

e portas de ferro.LX i3. que estava governando aquella parte dos Bada- guas e Taligas. Reinou i5 annos. chamado Cidoça Ráo. morrendo sem her- deiro. acudio á cidade de Bisnaga Rama Ra3'o. succedendo-lhe 14. nem a ordem nem os nomes dos reis são os mesmos. que era casado com uma filha de Elrei Crisna Ráo. mão do Rei moço com grandes vimas com ter. Couto diz ter sido o anno de se vê esta lista a Como nem com da epigraphia 1220 de J. e apparato que pudera se fora e estivesse livre. torre fortissima. Trimal Ráo. e se a nossa chronica dá 17. Succedeu-lhe um sobrinho de Crisnaráo i5. todas as despezas. que era neto de grandes levantaram foi um Crisnaráo. dada por Couto não concorda nem com a da chronica que publicamos. a Vingata Ra3'o tudo da Fazenda. 16 e 17) obtemos um total de . e capitão geral de seu Reino. convém a saber. gastos. Reinou 20 annos. entre quem repartio o governo do Reino. a quem deu tudo que pertencia á justiça. como Couto. Continuou a guerra com seu Idalxá. ficando elle só com o cargo de capitão geral e gover- nador de todo o reino». C. Era um doudo (Uche em lingua canará quer dizer doudo) e tantos desa- tinos fez que foi morto. menino de pouco mais annos. Na duração dos reinados também não estão concordes. metteo-se e o como era muito poderoso e grande e na corte lançou metteo em uma estatua. Reinou i6 annos. Uche Tima Ráo. nem no anno em que este reino principiou. e realmente sommando os reinados da- dos (com excepção do 11. gias. Atrimal Rayo. e capitão. «Tanto que este moço jurado por rei. Tinha este Rama Ra^^o outros dois irmãos. tio Morreu seu herdeiro directo. A epigraphia dá 14 reis até Sadáxiva. aonde o teve emquanto viveo. Achita Ráo. Os de i3 16. como uma com o nome só de Rei.

buscar homês que forão a Bis- • Morei Fatio. e por consequência chronologicamente a nossa affirmação é muito plausível." 55 (aliás 65 j. diz Couto. não julgamos por isso estar longe da verdade affirmando que ella deve ter sido composta em i535. 60. talogo dá-o como do da obra. Mas podemos recuar até 1220 a fundação do reino de Bisnaga? Evidentemente não. «E porque eu estive d assento nesta cidade conveyo me pois que era necessário fazer o que me manda vossa mercê. «Beijo as mãos a vossa mercê». foi como a epigraphia no-lo Boca Ráo. 80. xxvii. porém tanto a chronica dão como o segundo. fallar conduz-nos naturalmente a Bisnaga. . como dissemos a que a tradição o dá da chronica de também como Isto fundador. e admituma duração mínima. Cremos pois que a pessoa a que se refere o escrevente a p. o que não deve estar longe da verdade. dão i554. que sabemos ter reinado desde i53o a 1642. Ora as três décadas publicadas em vida de Barros foram-no respectivamente em i552. As considerações que temos feito eram mesmo necessárias para a affirmação que vamos fazer. e vem a ser que essa chronica foi mandada compilar para João de Barros e que ella foi a fonte das informações históricas que dá acerca de Bis- naga. pouco mais ou menos.LXI 334 que. sendo neste que tal informação é mais evidente. i553 e i563. mas o caséculo xvi'. Catalogo dos manuscriptos portugueses da Bi- bliotheca Nacional de Paris. como vimos já. não traz indicação só o explicita a tal respeito. e que o 17 estava reinando havia pouco. accrescentados aos 1220. advirta-se p. comtudo. e p. titulo nem nome de auctor. e por outro lado a chronica termina no principio do reinado de Achetaráo. n. O primeiro tindo para o 11 e 16 rei. O trás ms. chegaremos ás proximidades de i56o. que damos adiante.

dos factos ou a concordância das duas fontes. não deixa nenhuma duvida Barros se serviu delia. que quando de Reyno a Reyno fogisse algum homem. por não lhe mover guerra sem causa. é o próprio João de Barros. que fizesse roubo. e não o entregando. que o Hidalcão nas guerras passadas tinha tomado. se continha. e Mouros.LXII naga». Poderia ainda dizer-se concordância dos successos nada mais provaria. que entre elles eram assentadas.» . e obrigado de entregar ao querendo-o defender. para muitos annos das guerras que entre estes dous estados houve e desejando elle Crisnaráo cumprir o que seu pai Marsanay mandara em seu testamento. que levaprio vam dElRey. chronica de Bisnaga. cão. que- brava a paz. o principal senhor do e Reyno ElRei Crisnaráo de Bisnaga paz assentada Decan. ou furto. A qual capitulação nunca o Hidalcão cumem muitos Gentios. que se tinham acolhido a suas terras com sommas de dinheiro. a não ser que seja a mesma. o Idal- com a de que que a — visto que Barros não dá a historia dos reis de Bisnaga. porem tal restricção cáe. acerca da origem das noticias minuciosas que dá da historia das lutas de Crisnaráo com Ora a comparação d'essas suas narrações. era cada hum d'elles outro. e foi este. usou de hum artificio com que a podesse quebrar. Nas capitulações das pazes. «Havendo o Hidalcão. Barros não faz allusão á nossa chronica. que era tomar a Cidade de Rachol. As provas que adduzimos são as seguintes. e se dissimulava com elles peitas que davam as partes nunca que de maneira com seu. houveram o e de seus capitães. para confirmar esta nossa asserção. só diz que algumas informações que dá foram obtidas dos officiaes da fazenda d'aquelle reino. e a copia ahi é evidente. porque até em numerosos algarismos — a identidade apparece. mas só dos acontecimentos contemporâneos dos que se pasdo que a authenticidade savam na costa comnosco. nada dizendo.

e trinta mil homens de pé . que entre elles havia: e ainda pêra mais justificação sua. Madre Maluco. continua assim: «Sobre o qual caso. quarenta elefantes. e cem mil homens de pé: e traz elle hia Condomára outro Capitão. Partindo El Rey Cris- naráo da Cidade Bisnaga sua Metropoli. e oitenta mil quinze elefantes. por saber que não estavam com o Hidalcão. e trinta mil homens de pé: e traz elle hia hum Capitão por nome Trimbecára com dous mil de cincoenta mil tão per cavallo. e quinze homens de pé. cem elefantes. Hadapanaique. que seguia este. dez elefantes. ao qual seguia o Capitão Comóra com quinhentos de cavallo. escreveo a alguns Capitães do estado do Reyno Decam. trinta elefantes. depois de recados de parte a parte. e dezeseis elefantes. e sessenta mil homens de pé. cincoenta elefantes. e a Melique Verido vizinhos delle Crisnaráo. e homens de pé: Seguia a este outro Capi- nome Timapanaique com três mil e quinhentos de cavallo. e cento e vinte mil homens de dous mil e pé. e traz elle hiam dous capados privados d'El Rey com mil de cavallo. El Rey Crisnaráo tomar a Cidade Rachol. O seu Porteiro mór chamado Camanaique levava a van- guarda com mil de cavallo. Gendrajó Governador da Cidade Bisnaga. vinte elefantese oito mil homens de pé Além desta gente posta em bercá tal ordenança hiam repartidos dous mil de cavallo. e oblações aos seus deoses pelo successo daquella ida. denunciando. levava mil de cavallo. e quarenta mil homens de pé. depois de ter feito muitos sacrifícios. e que lhe haviam de exercito J)era moveo seu approvar aquelle seu propósito. que seguia a este. O page do betei d'El Rey levava duzentos de mil cavallo. homens de pé. e . ao qual seguia Comarcom quatro centos de cavallo. começou a caminhar nesta ordem. vinte elefantes. sessenta elefantes. que o Hidalcão per este modo tinha quebrado a paz. que levava seis mil de cavallo.LXIII Depois de citar o caso de Cide Mercar. levava cinco mil de cavallo. como vem na nossa clironica. assim como ao Cota Maluco.

era da parte donde El Rey esperava que podia vir o Hidalcão. que lhe ficava da parte do Norte. que foram neste exercito. os qiiaes á maneira de descubridores pela dianteira. repartidos pelo comprimento do desta gente. o maior dos quaes. pêra que com necessidade delia não se saissem da ordenança que levavam. e assi ordenados. e regatões. duas. o qual aos primeiros dava por meia perna. e de huma certa parte era pena viva. porque era sobre hum outeiro feito como huma teta. querendo beber achavam arêa. e homens que lavam roupa. A recovagem deste exercito não se podia numerar. e quando veio aos derradeiros. IV. onde faziam covas por recolher huma pouca de agua.» Mais adiante diz ainda: «Estava a Cidade Rachol assentada entre dous rios cabedaes. e lados de toda parte. e animaes. era per onde elle viera. que per atalaias de huns á vista de outros em hum instante se sabia o que havia E da provisão que cada um destes homens fio naquella distancia. A qual Cidade per natureza estava mui bem situada.LXIV cem mil homens em capitanias pequenas. mercadores. e d'ahi ao rio haveria espaço de seis léguas. e escusado é pois continuá-las. porque somente de mulheres publicas passavam de vinte mil. c. capitães levava de agua. e outro que estava da parte do Sul. A compra das pedras annel d'elrei a da fortaleza de Rachol pelos de Bisnaga. hiam doze mil sobresalentes. foi ao passar de hum rio. cada hum com seu odre de agua ás costas. e três léguas descubriam a terra. por não perecer esta gente á sede. que a natureza no meio daquella campina creou.» [llí. officiaes mecânicos de todo officio. era cousa maravilhosa ver o numero delles E em que se notou o grande numero de gente. l. e tudo o mais terra. a morte de Salabatecao. IV. . ficando a Cidade Rachol quasi no meio desta distancia.J Estas citações bastam para comprovar a nossa asserção. a que elles chamam Mainatos. a sua phrase: «Antes morrer que ser vencido». a entrega do uma das suas mulheres.

comprehende-se dado o valor de cada dá-no-la. Couto é mais precisa do que a de G. seu irmão. para assim dizer. aos indianistas. G. e tal conciliação não é porventura possível ainda pelas razões ditas. e ambas com a epigraphica. tudo se encontra em Barros da mesma maneira que na nossa chronica. Apresentamos pois aos estudiosos duas novas listas dos reis de Bisnaga discordantes entre si. o primeiro mandou pedir soccorro ao rei de Bis- . ainda que o não diga. e a resposta altiva de Crisnaráo. Corrêa Nas maneira de conto popular. mas comtudo não tanto que não possam talvez vir a conciliar-se. e em G. teve conhecimento desta chronica e delia tirou o que lhe aprouve para o seu propósito. que todas as vicissitudes politicas d'aquelle reino A á narrativa de Corrêa. lutas havidas entre o rei de Visapor e Meale. Não procurámos conciliá-los. sobretudo que a nossa capital da índia estava por tantos interesses commerciaes dependente da situação em Bisnaga. viviam em Goa. Parece-nos pois que Barros. talvez os seus dados posteriores venham a confirmar uma ou outra. Corrêa contam-se minuciosamente os factos que se seguiram á morte de Achetaráo. um. ha nelles nomes communs a todos três que parecem dizer que ha em todos um fundo de verdade. deixámos essa tarefa aos especialistas.hXX por artimanhas de Açadacão. impessoal. e sem duvida a narração que nos fazem das suas ultimas lutas não deve estar longe da verdade. São contemporâneos dos acontecimentos. A epigraphia do sul da índia ainda não deu tudo e sobretudo a do reino de Bisnaga. e será inútil entrar juizo critico em ou em conclusões que depois uma inscri- pção ou moeda poderão destruir. Que não são documentos forjados a sabor de curiosos prova-no-lo a sua concordância no essencial. a embaixada dos soberanos seus vizinhos. e isso deviam repercutir-se naquella cidade. Em Couto vem a continuação da historia de Bisnaga até á completa destruição desta.

e que os seus habitantes lhe eram fieis. se retirou com um milhão em ouro para as despezas do seu exercito. não consentindo Pagode algum em pé. [vii.] Por fim •íE em i566 (data de Couto) vem o desenlace. Thomé de Meliapor. pedindo-lhe que acudissem por honra de seus Ídolos. 1. e o Cotubixa. todos Rama Rayo. E como em que andamos hia este zelo da honra de Deos em maior crescimento. cujos vassallos eram. Thomé. e desbaratou de todo. e o Hebrahe. este enviou-lhe seu irmão Vengata Ravo. vii e viu. . Couto diz-nos nos seguintes termos «E como os Padres pobres da Ordem do glorioso Padre S. como deo huma filha em ca- samento com grande dote. (o que os Bramenes sentiam os annos se queixavam disto a em extremo). e liga o Verido. truiu. e outros presentes do Idalcão. [vii.LXVI naga. e derribado muitos Paas razões d'ella: godes. c. por terem entrado naquella terra os Padres da Companhia de Jesus. Rey de Bisneste tempo. ral. e os des- ainda os annos de i563 entrou Rama Rey de Bisnaga pelos Reynos de Izamaluco huns após outros. I. assolou. (se entre se aparentar Mouros ha segurança) tratou de fez por esta maneira: ao Idalxá com todos. vencidos os adversários d'elrei. e espertando com » Succedeu também dia sua pregação e doutrina zerem ao enormes. Rama Rayo. e elle casou . alumiando com a sua vida. rei que os seus moradores possuíam riquezas e isso decidio-o logo a ir contra a cidade. naga. . . Francisco tinham tomado á sua conta toda aquella costa desde Negapatao até S. que. para esta tão segura. (por serem os primeiros que por ella começaram a semear a Luz do Sagrado Evangelho) e por toda ella tinham levantado muitos Templos. c. O Izamaluco magoado daquelle geconvocado o Idalcão. e a cidade Selapor que lhe tinha tomado. dos quaes levou grandes riquezas. e ao Cotubixa deo outra. vii. ii. mas vendo depois que não era verdade. 1. poupou-os e deixou-os em paz.] Em fins de i558 expedição de Rama Ra3^o contra S.

Os três inimigos trariam cincoenta mil cavallos. e Timaraje Veador da fazenda. e ajuntando seu poder. que ficou ao Idalxá. XIV.LXVII ou irmã do Idalxá: os quaes casamentos foram celebrados em grandes festas. e sobrinhos do rei morto repartiram entre si os reinos. que ainda hoje possuem seus herdeiros. dos Rajas sobrinhos a cabeça. com huma elle logo foi avisado-. mas que ficasse na capital. ao que este não quis acceder. e trezentos mil de pé. e os filhos. do que filha. porque o maior trato . pedrarias. por ser muito forte. «Deste desbarato do Rey de Bisnaga ficou a índia. que se estimou cadeira real em mais de cem milhões de ouro. Passados cinco mezes foram-sé os conjurados para seus reinos. e o próprio rei foi feito ca- ptivo depois de muito mal ferido. dinheiro amoedado e outras cousas d'esta sorte. Por fim vieram os conjurados e rabiscaram o que ficou. e a que elrei se sentava em dias de suas festas. a dez dias de Bisnaga. c. pois tinha 96 annos. que foi tanto que se detiveram nisso cinco mezes. e firmes juramentos de se ajuntarem todos contra o Rey de Bisnaga. e mais de seis centos mil de pé. e o nosso Estado mui quebrado. O resultado da luta foi adverso aos de Bisnaga. Depois d"elle vieram os Bedués. e Os vencedores fica- durante este tempo os filhos d'elrei entraram em Bisnaga e carre- garam mil quinhentos e cincoenta elephantes de jóias. e levado á presença de Nizamxá este lhe cortou ram no campo três dias. e se foram para o sertão e recolheram tudo no Paço de Tremil. que são gente dos mattos. seis vezes a Bisnaga e levaram outras riquezas em mui grandes. se poz logo em campo com seus irmãos Venta Vengata Raje capitão do campo. e entre esses objectos um diamante tama- nho como um ovo.» [viii. e affirma-se que tinha cem mil cavallos. e convo- cados seus vassallos. por causa da sua avançada edade.] Os dois irmãos de Rama não queriam que este fosse ao combate. e algumas pessoas do campo: com este poder se foram buscar huns aos outros com grande determinação.

e deixou por herdei-ro um filho menino em poder de um seu tio. com que tudo se alterou. a alfandega de Em i585. por causa das lutas sustentadas contra aquelles. e assim a esta todas as mais moedas: ainda que nisto nós temos a primeira culpa. A narrativa de G. Sloria dei viaggiatori italiani nclle Indie orientali. c. e os pagodes de ouro. foi como A primeira Couto. aonde levavam cavallos. três. e puras. e as fizemos falsas. em que o sentio a faziam grandes proveitos: e a Alfandega de Goa bem em seu rendimento. p. debaixo de terriveis penas. e roupas finas.» [viii. nomeassem dois regedores e tutores para reSeu tio porem não queria. e modo lhe tirariam o procurou fazer par- I As causas da decadência de Goa foram principalmente nô-lo diz Sassetti. xv]'. era hum grande importância pêra Ormuz. de que todos os annos vinham mais de quinhentos mil a empregar nas náos do Reyno valiam então a sete tangas e meia. irmão do rei morto. porque as baetilhas. em 1542. veludos. anteriormente rendia de cento e vinte a cento e cincoenta mil. que consumia tantas mercadorias ou mais do que Bisnaga. e destruidos os seus -templos. . ler os livros da sua religião. fazer sacrifícios e orações. e a maior. data seis mil em que escrevia Sassetti. Neste anno. porque d'esse poder a elle. a terceira a Inquisição de Goa.LXVllI que todos tinham era o deste Reyno. e pêra Portugal. porque sendo aos índios prohibido. sctins. 2o5. indo levar a sua actividade e fortuna a outras partes mais hospitaleiras. Os grandes queriam que o menino fosse posto em logar livre e se gerem o reino. o qual rei morto o fora contra direito. Gubernatis. trato de e hoje valem a onze e meia. o celebre viajante italiano. diz elle. e de ruim sorte. logo estancou. (Cf. porque bulimos nas moedas liquidas. e outras sortes de mercadorias. Corrêa diz respeito á successão do reino por morte de Achetaráo. morreu o rei de Bisnaga. abandoesta indicada por naram a cidade. a segunda a conquista pelos Mogoes do reino de Cambaia. de maneira que de então para cá começaram os moradores de Goa a vir menos. 383-4). e Goa já não rendia ducados. diz Corrêa.

por ser rei um infiel. pag.se para o seu um um novo rei de Bisnaga. Este aproveitou de novo a occasião sem hesitar e partiu apparentemente em auxilio do dito si. O Idalcão assim quis fazer. O Idalcão entrou pelo reino. e os grandes com estas dif- foram para as suas terras. e a narrativa de Fe- tem alguma parecensa com a obtiveram sem duvida que ambos nessa transmissão. 276-282. grande senhor. pelo mesmo processo depois que andou de boca em boca e se desfigurou . mas a caminho o regedor mandou-lhe oferecer grandes sommas de dinheiro se quizesse voltar. Corrêa.] haverá no fundo de tudo isto? e XLiir. em segurança. [vol. foi logo solto. dois tios delle. não se sentindo reino. mas devemos notar que dada a pp. pediu ao Idalcão que viesse pôr seu filho. Depois. para estar seguro no futuro. e ahi governaram como reis. rei. As victimas procuraram o auxilio do Idalcão. xui a de G. e um sobrinho do rei morto. Que verdade rista. mandou-os vir á corte. o que elle assim fez. temendo ainda alguns grandes do reino. casado com uma irmã do rei antecessor do morto. A rainha. 247-249. como rei. mas os seus projectos tios eram tomar o reino para Então os genfizeram rei com receio d'isso. O próprio rei de direito que estava preso em uma fortaleza. morto e conseguiram vencer o Idalcão O novo rei. Não o sabemos. promettendo-lhe grandes thesouros em troca. retirou. mandou matar o menino. iv. e o Idalcão. e foi obedecido.LXIX tidarios fcrenças com que resistisse. de Paleacate. o qual conseguiu haver o No entretanto levantou-se reino. aos primeiros que chegaram quebrou-lhes os olhos. e os que depois o souberam voltaram indignados para suas terras. e mandou pedir auxilio ao Idal- cão. mãe do menino. e intole- que elles mas tão soberbo se mostrou tomaram ódio contra elle. rante. dariam o reino de Bisnaga. promettendo que lhe o irmão do junto de Bisnaga.

Capitão de X. Reinou 48 annos. Pinaráo. III. Filho de XI. Reinou 25 annos. Filho de III. V. Filho de IX. Reinou Sy annos. Visaráo. Busbalráo. XVII. Filho de Ajaráo. VI. X. XII. Filho de XIV. . ? Filho de XI. Reinou 6 annos. e ainda parente. II. XI. Bucaráo. Tamaráo. irmão de XV. Reinou 12 annos. Filho de VI. Verupacaráo. XV. Filho de VII. Filho de XIV. ? II. Reinou 7 annos. Filho de XIV. IV. Regedor do reino (feito por XI). IX. Dehoráo (ou Deorao). Narsinga. irmão de XV e XVI. Pureoyre Deoráo (ou Puroure Deoráo). VIII. Crisnaráo. Filho de VIII. Padiaráo. irmão de XII. Narsenaique. XVI. Deoráo. VII. Reinou 44 annos.LXX REIS DE BISNAGA — SUA GENEALOGIA (conforme a Chronica) I. Filho de V. Achetaráo. Reinou 6 annos. XIV. XIII. Filho de IV.

. Visia Ráo.. Diva Ráo. VII Mallicárjuna. III IV Ajaráo Visaráo V VI Vijáia Búpati Boca Ráo. . VIII Virupacxa Pinaráo > ? Narsinga Naique. Achita Ráo. . Devráo Bucaráo Purevire Deoráo. Crisna Ráo. XIII Achiutaraja Tamaráo Narsenaique Trimal Ráo. XV XVI XVII Ramaraja - Busbulráo Crisnaráo Cidoca Ráo. Verupacaráo Padiaráo Narsinga } X XI XII Rama Ráo.' Devaraja II . Harcará Rayo. Deoráo . XIV Sadáxiva Uche Tima Ráo. IX Prandadeva Narsinga . Vira Narsinga Crisnaraja . - Achatarão Rama Rayo . LXXI REIS DE BISNAGA Segundo a epigraphia Segundo a clironica Segundo Couto I Harihara I II Buca Harihara Devaraja II I .. Crisna Ráo. Marsanav Ráo..* Deva Rayo.

Bracelor e Vengapor (reino do interior). Cochim e Na costa de Coromandel o dominio Coulão. rivaes com quem tínha- mos velhas contas a ajustar. evitando que podessem seguir o caminho de Alexandria e Veneza. após i565. mas possuía sobre o mar das índias uma ex- tensão de costa bastante grande. cujos pequenos reinos. Este era principalmente sertanejo. mu- çulmanos emfim. fortalezas só as possuímos no seu território depois da sua queda. Nós fomos á índia para commerciar. que assim como punham nas nossas mãos o commercio de Bisnaga. desde o rio Liga até ao de Cangerecora. como ao norte do Liga o reino do Idalcão. Não foi só assim que essas relações se estabeleceram. e se estabeleceram ahi feitorias. Toda a costa do norte a sul.Lxxn VI gal Não concluiremos sem esboçar as relações de Portucom o reino de Bisnaga. Ora Bisnaga era um reino gentio. Cedo pois pagaram páreas Baticalá. ter conseguido subtrahir-se a esse do- A nossa acção foi maior na costa occidental da índia porque d'ahi partiam as especiarias que nós pretendíamos trazer a Lisboa. desde o Malabar até Cambaia sentiu depressa que nós vínhamos dispostos a mandar. Mangalor em i568. para além do qual se seguia o reino de Cananor. confinando ahi com o reino de Orissa. Bisnaga dominava pois toda a índia meridional a baixo do Quistna e do Tungabadrá. parecem minio. costeiro era muito maior porque se estendia do extremo sul até ao Godavarí. nas costas da Pescaria e Coromandel. Onor. Onor e Bracelor em i56g. que eram os intermediários do commercio que até nós se fazia com a Europa. homens d'outra crença. Cananor. Calecute. e o inimigo secular desses mesmos homens que tinham em suas mãos o commercio do oriente e senhoreavam a . á excepção da costa do Malabar. mas encontrámos lá rivaes.

porque não seriam elles amigos ? Vamos ver que assim se tentou por varias vezes. ii. 53. D. M. que bem viu o seu génio as vantagens que d' uma tal approximaçao e amizade se podiam tirar. D. Os nossos viajantes e chronistas ao fallarem dos chefes das «Bibliotheca Nacional» de Lisboa. mas esses documentos deviam pertencer á casa da índia e assim se explica a escassez d'elles. lxxxvi. O dominio que os reis de Bisnaga exerciam nas províncias distantes era pouco mais que nominal. Talvez uma boa politica de parte a parte tivesse obstado a Bisnaga a sua destruição em i565 pelos muçulmanos da índia. e Gavetas». «Bibliotheca Municipal» do Porto e «Bibliotheca Publica» d'Evora. «Chancellarias» de D. 3o. Teremos de trabalhar sobre o que a esse respeito nos dizem os nossos chronistas. e imperfeita por consequência pelo que respeita ao «Corpo Chronologico» da Torre do Tombo. Manuel.LXXIII maior parte da índia. e isso é pouco. Houve comtudo um periodo em que ellas foram muito activas. Inédito apenas encontrámos um mandado de Affonso d'Albuquerque ao feitor de Goa (i3 de novembro de i5i4) para que dê aos embaixadores de Narsinga i5 fardos de arroz. João III. D. P. Sebastião. mas já no século xvii). As investigações a que proce- demos nas nossas bibliothecas não nos trouxeram elementos novos'. aquelle em que governou a índia Affonso de Albuquerque. A nossa investigação foi feita nos catálogos. e é mesmo possível que taes relações fossem mais restrictas do que se pôde pensar. «Torre do Tombo» («Corpo chronologico». . onde por vezes só se mencionam os documentos mais importantes. nos «Documentos remettidos da índia» ha o que dizemos a p. e permittido a Portugal que o seu futuro alli tivesse sido mais brilhante e mais profícuo! Mas esse esboço não é fácil de fazer em todo o pe- ríodo que vae até i565. mas para verificar documento por documento seriam precisos meses í senão annos. Se o inimigo era commum. sem que comtudo essa approximação produzisse algum effeito. etc.

Naquella estreita faixa marítima de 46 léguas que elle dominava no occidente os nossos citam uns poucos. commercio com o occidente não affrouxou como aquelle. deixam o soberano senhor absolutamente indifferente. revelando-nos que a China exerceu nos países do oriente uma hegemonia commercial e politica que estava decahindo á nossa chegada.LXXIV mesmo povoações de maior importância das costas chamam-lhes reis. mas a que bastantes vezes se referem ainda os nossos chronistas. porque senhoreávamos os mares. cter Na costa oriental o mesmo cara- de posse. e colonial europea. só fez isso é o inicio de mudar de rumo e e de intermediários. e Mas como dissemos nós fomos ropa nô-lo não disputaram isso foi relativamente fácil. como sentinella avançada dos nossos domínios no Oriente. Ambos soffreram com a nossa vinda. merecidas ou immerecidas. uma grande expansão pensamento constante deliberado (porque então pensava-se a serio nestas cousas) das nossas chancellarias foi fazer derivar todo esse commercio para Portu- Para que. O O gal. e nô-lo confirmam as próprias relações chinesas. mas que a sua acção ahi era minima vê-se da sem cerimonia com que entram em relações comnosco como soberanos eftectivos. pelo menos assim nô-lo diz Marco Polo no fim do século xiir. Emquanto as nações da Euciar. á índia para commerquisemos. os productos indianos não podes- sem seguir o antigo caminho era forçoso senhorear as . e conseguimo-lo realmente até quasi ao fim do século. o outro levava-os principaes: O ao extremo oriente. monopolizar o commercio. do oriente fora mesmo por O momentos superior ao do occidente. Malaca. sobretudo até á China. pois. commercio da índia seguira até ahi dois caminhos um trazia-nos á Europa os seus productos por intermédio do Eg3^pto e de Veneza. e as violências dos nossos. veiu fazer derivar esse commercio em nosso favor. Não ha duvida de que dependiam de Bisnaga.

Mas outros eram ainda os géneros que o alimentavam. mas sem frota na boca do Estreito para o vigiar. como se pôde ver da muz. A nossa acção naquelle grande império não foi pois a que as circumstancias especiaes d'elle tornavam possível. e comprehende-se como a sua falta a um dos contendores seria perigosa para a sua existência. a acção politica quasi só na peripheria se exerceu. e todos os projectos de Affonso de Albuquerque ficaram sem effeito. mas a commercial ainda que mais intensa nos seus portos penetrou até ao coração d'elle. Eram estas duas regiões que os forneciam ao Idalcao e Bisnaga. O commercio que se fazia entre a índia e a Arábia e Pérsia ou vice-versa só podia ser feito por súbditos de reis amigos. circumstancia a que devemos esta chronica e mais noticias que publicamos em seguida a ella. Entre o gentio e o mouro. para as suas lutas. Ora um dos commercios mais lucrativos que se fazia com a índia era o dos cavallos da Arábia e da Pérsia. Aífonso de Albuquerque quis aproveitar-se dos dois para haver algumas concessões. Mas se nós dominávamos os mares. como diziam os nossos. por um resto de antigo ódio ao segundo. estava em nosso arbítrio ou impedir a sua vinda. os nossos homens não hesitavam em preferirem o primeiro. ou fornecê-los de preferencia a um ou outro dos adversários. Por isso se construiu a fortaleza de Or- tomar Adem. mouros. Ambos elles perceberam o perigo e procuraram desde o principio captar a nossa benevolência. sobretudo sendo muçulmanos. graças sobretudo ao commercio dos cavallos. como quem sente que o pretendente ha-de render-se. Todos os mais que o tentavam arriscavam as suas pessoas e bens. como veremos. mantendo-se comtudo uma . e mesmo assim em dadas condições. e se tentou varias vezes êxito.LXXV suas passagens. e todo o commercio ao oriente e occidente da índia dependia de nós. Não contava com a politica de evasivas e dilações dos reis de Bisnaga.

Era governador D. Francisco d'Almeida. depois da destruição de Bisnaga em í565. Cartas de Nicolau Pimeyita. dominicanos. Francisco de Sousa. Datam de i5o5 as primeiras. p. 33-34. partindo de S. Paraíso mys372-376. Boaventura. 45-4S. e posteriormente a 1640 se tornaram ali muito notáveis os Theatinos ' tempo Posto isto. ordenou que o tratassem deViso-rei. fr. fr. vejamos as relações diplomáticas e outras entre Portugal e Bisnaga. p. ainda que D. p. Francisco na sua náo. já independente de Bisnaga. onde elrei muitas vezes estava. Oriente conquistado. João de Lucena. e porque os embaixadores o eram de um tão grande rei. pois não havia ainda fortaleza nem feitoria na cidade. p. 162-188. 18-20. lxvjii. Historia da vida do padre Francisco Xavier. A com 1642 acção portuguesa nas costas foi também religiosa os padres franciscanos. 2 12-3 19. penetraram no já reduzido reino de Bisnaga. e quão importante era vê-se da decadência de Goa. . tão com a sua capital estabeleceu uma missão em Chandegrí. 79-120. António Caetano de S. t. enPortugal influencia moral uma santa sé nos tem vindo roubando. Cardoso. e depois de com os jesuitas. Estas missões estabeleceram-se ao longo da costa. e outra a esse em Madure. i. Manuel lh'o permittira só depois de cumpridas as ordens do I Cf. Thomé de Meliapor. Jacintho de Deos. e graças a ella exerce alli ainda que pouco a pouco a como prova de desinteresse mundano de quem só no céo põe a salvação. Vergel de plantas e flores. tico. pp. para augmentar o seu estado e melhor representar elrei seu senhor.. p. Agiologio lusitano. LXXVl sua enumeração por Diogo do Couto a p. Relaçam annal das cousas que faliam os Padres da Companhia de Jesus. mas no século xvii os jesuitas. Foi em iSqq e pouco aqui que se depois outra em Velor. e respeita os serviços prestados á fé pelos povos christãos. e estando em Cananor procurou-o uma embaixada delrei de Bisnaga. Recebeu-a D. Fernam Guerreiro.

e elle a não fizera. concedendo-lhe que fizesse fortalezas nos seus portos menos Baticalá por estar arrene dado. e que elle Viso-rei se informasse do melhor meio de o fazer sem correr-se risco de fazenda ou de vidas. e Affonso de Albuquerque travou negociações no sentido de obter estas concessões feitas cinco annos antes. Francisco d'Almeida viera Pêro Fernandes Tinoco para o commercio d por feitor «pêra tratar pedraria. Chronica de D. . Corrêa. p. Era afamada a sua pedraria. e cedo se pensou feitoria em estabelecer na própria capital uma ella. na chancellaria de D. Na armada de D. sem du- vida porque não constavam de diploma assignado pelas partes ' Já antes que esta embaixada viesse chamar a attenção dos nossos sobre aquelle país. Manuel eram homens cautelosos. 5So. mas nem elle nem os seus succes- sores se parecem ter aproveitado delles. sem se fazer allusão a ellas. determinaram pois que o seu estabelecimento dependede certas circumstancias. Damião de Góes. de que tinha muito conhecimento. e com escrivão e feitoria ordenada». Manuel se tinha pensado nelle. para casar com o Príncipe seu filho. LXXVII regimento que lhe dera vantar uma fortaleza em Lisboa. com o qual lhe daria tamanho dote de terras e dinheiro de que ficasse bem moça e de contente». entre as quaes leem Cananor. t.. 3i8-3i9 (ed. de 1790). O Viso-rei agradeceu-lhes muito os seus ofe- recimentos e desejos. Mas os ministros de D. t. Manuel. Lendas da índia. i. i. G. Ficou Fernandes Tinoco muito contente quando viu a embii'\. Os embaixadores vinham a estabelecer paz e amizade com elrei de Portugal. pelo menos posteriormente nunca mais os nossos chronistas se refe- rem a estas vantagens. p.Kla e pediu ao Viso-rei que o deixasse partir com ella: mas elle que não achara ria I Cf. «E pêra que esta amizade fosse mais sertã lhe oíferecia húa sua irmã segura bom parecer.

onde se revelam as largas vistas de Aífonso de Albuquerque. ii. e desejoso de castigar deveras o rei de Galecute que sempre se mostrara nosso inimigo. antes de partir para Ormuz como tencionava. recusou-se doesta vez como das em que Tinoco para ser despachado conforme ao regimento d'elrei'.LXXVIIÍ «praçaria com mercadores da insistiu terra abonados». como outras lhe fora ordenado. t. e acabar com elle. nem mercadorias: e que destrua os Mouros. Manuel. p. e sejam bem tratados de mim e não lhe tome suas náos. Estava o governador em Cochim em i5io. levado uma xa-se amargamente da má vontade do Viso-rei. i. Cf. Elle quciI Cf. para juntos attacarem o Samorim. p. com os quaes tenho sempre contínua guerra. e o seu resumo é o seguinte. e o seu programma de governo: capitão geral da índia por Que elle era mandado d'elrei de Portugal. Cartas d'Affo}iso d'Albuquerque. «e assi lhe direis como em meus regimentos me manda que a todos os Reys gentios de sua terra e de todo o Malabar faça honra e gasalhado. que peça ao rei de Narsinga que Lendas da índia. como sei que elle mesmo tem. Francisco a elrei de Bisnaga com alguns apontamentos. Luís vêm nos Commentarios. dizendo-lhe que viesse elle por terra que elle iria por mar. que Portugal senhoreava os mares e sem o seu seguro se não podia navegar nelles. Essas instrucções de Fr. e o destruiriam. como se deprehende da sua própria carta a D. t. Precisámos chegar a Aífonso de Albuquerque para acharmos novas referencias a negociações com Bisnaga. mandou Fr. que Ormuz é d'elrei de Portugal. que deseja prender o Samorim e mandá-lo a Portugal e pêra isso pede a sua ajuda. Parece também ter missão diplomática para aquelle rei. e aquelles que o não tem são tomadas as suas náos e mercadorias. («Documentos Elucidativos»). Luís da Ordem de S. Corrêa. pela qual rezão espero de o ajudar com as armadas e gente d ElRey meu Senhor». . 6i8. 341.

de Albuquerque. 11. go-gS. e não irão ao do Decám. este foi sempre retardando a resposta ao que ia. como diremos'. e . Quis elle annunciar tão fausto acontecimento ao rei de Bisnaga e para isso expediu-lhe novo embaixador. Por elle lhe mandava um presente de 12 cavallos arábios e pér- sios. e fora lá a pedido do seu rei. Cf. elle o irá ver. que lhe diga que se vier para aquellas partes com o seu arraial. o acolhimento recebido. Fr. p. P. que se elrei de feitoria Portugal precisar de fazer assento e em qual- quer logar dos seus portos. Francisco d'Almeida. Chroanteriormente estivera em Bisnaga. Manuel. 74. que mouro e seu inimigo. Luís já p. Levava por lingoa Lourenço 11. e que os cavallos Ormuz não irão senão a Baticalá rei ou qualquer outro é porto seu. visto como elle está tão longe que não pode acudir a tempo. Góes. i3. Luís Baticalá e desta cidade foi para missão não deu nenhum resultado. um dos capitães de uma das caravellas da armada de D. A sua que ainda que muito bem recebido pelo seu rei. 11. com reino. e dê logar para se fazer uma casa forte onde possam estar seguras suas mercadorias e gente de qual- quer alvoroço do povo que sobrevier. nica de D. d'onde voltara. mas a traição de Timoja fê-lo tentar a conquista de Goa. até que foi partiu de Cochim para assassinado. Vinha enthusiasmado Prego. como signal de de Portugal. a caminho do em i5o5. que mande que suas gentes e armadas sejam recebidas nelles. t. Albuquerque. ao de rei presentes. o seu sobrinho Pêro Leitão. porBisnaga. que lhe desse licença para fazer uma fortaleza em Baticalá. desde Baticalá até Mangalor. Foi I Cf. Fr. que partira do reino em 1604. com t. o que conseguiu. Commentarios. que em troca lhe mandará muitas cousas que ha em seu reino. Determinara Aífonso de Albuquerque ir de novo contra Ormuz.LXXIX mande uma embaixada com amizade. e encarregou-o de renovar o seu pedido. p. Cartas de Affonso 341. Gaspar Chanoca.

Manuel. Luís narrando o pouco êxito da sua missão. 28. p. Gubernatis. p. Historia dos descobrimentos dos portugueses. P. p. P. dizia-se que por ordem do Idalcão. III. A. t. 11. Luís que se viesse o mais breve que podesse. p. t. 383-4- . emfim um 1 Cf. Chronica de D. e de maneira que os embaixadores o soubessem. Commentarios. carteou-se com o Idalcão. embaixador de Bisnaga. mas parco na resolução a dar-lhe. que o governador de Bisnaga lhe dissera que o rei de Garçopa o não matara só pela amizade que lhe tinha. Chronica de D. A noticia d'estas negociações chegou á Itália. diz-se numa carta de Florença para Veneza de 1 de novembro de i5ii. Corrêa. t. iii. p.\xx elle solemnemcntc recebido e mostrou elrei grande satis- fação de os nossos terem tomado Goa. porque elrei era abundante de cortesias. 20. Affonso d'Albuquerque. Manuel. depois de perdida.iii. 84. e elle o não pôde fazer. Cf. 269-270. Aífonso de Albuquerque dissimulou com os embaixadores e não quis tratar com elles ao que vinham emquanto elrei lhe não respondesse aos pedidos feitos. p. tanheda.p. Retomada Goa em fins de veiu i5io. porque quando os embaixadores lá chegaram já havia sido assassinado. Luís. Góes. Lendas da índia. que por fim um dia lhe lançaram em rosto a pouca fé delle Albuquerque. 39. e mandou carta por elles a dizer a Fr. havendo até esperanças de que o rei de Bisnaga se convertesse. que vinha cumprimentar Affonso de Albuquerque. Casl. mas não o des- pachou conforme pedia. 11. Góes. Cartas. 11. Por elle escreveu Fr. parte Fr. Ao mesmo tempo. e estava em ajuste de paz e amizade com elle. Commentarios. Viag1 giatori iialiani nelle Indie orientali.. etc. e este com o fim de converter 2 Cf. 41-46. porquanto elle commetera alliança contra o Idalcão. mandando-lhe dizer que elle queria a sua amizade e trato dos cavallos-. 32-34- Segundo Castanheda ia é com Chanoca que elrei. p. 172. indo adiando a sua resposta como era seu costume'.

11. p. Cf. p. P. Chronica de D. pag. Barros. mas • Cf. os quaes não encontrando o governador voltaram a Bisnaga com o presente que traziam para e D. 202. ii. P. Cartas. Cf. 11. t. p. que tinha o maior empenho em fazer fortaleza em Baticalá. 269-270.LXXXI Partiu Aftbnso de Albuquerque para Malaca em i5i i. p. Corrêa. da índia. t. mandou com este embaixador em 1614 nova embaixada sua nas pessoas de António de Sousa e João Teixeira. 269-270. Lendas da índia. por não trazerem a resposta d'elrei aos pedidos que por varias embaixadas lhe fizera. x. 11. Cartas. Tratados i. e apezar de por fim lhe offerecerem 60:000 pardáos de direitos por anno. Góes. 111. iii. Chronica de D. Chronica de D. porque foram bem recebidos. e quanto á segunda que lhe daria toda a ajuda necessária^. iii. c. 3 p. t. mas não os despachou quanto á primeira parte conforme desejavam. p. 376-378. Mas como Albuquerque tinha muito empenho em obter as cousas que havia pedido que eram sobretudo a cidade de Baticalá ou Barcelor. 1. 2 pag. Manuel. 202 e 327. t. P. Biker. Commentarios. i. . 309. Castanheda. i33. Commentarios. Historia dos descobrimento dos portugueses. Cartas. p. Góes. mas baldadamente. p. Chanoca e Gaspar Fernandes em i5i3 com grande presente para elrei e dar-lhe parte do feito de Benastarim^ Em i5i4 veiu effectivamente um embaixador d'elrei de Bisnaga que pedia para os cavallos vindos da Arábia e Pérsia irem á sua cidade de Baticalá e para tratar da guerra com o Decám. x38-i43. Manuel. na sua ausência veiu nova embaixada d"elrei de Bisnaga receoso de que Albuquerque viesse a fazer amizade com o Idalcão e lhe vendesse os cavallos. Manuel'. e que viriam comprá-los a Goa-. Década 11. De volta de Malaca. 24-27. p. p. Recebeu-os Albuquerque com muita honra. Commentarios. 1. iv. p. Góes. i. 340. Albuquerque. 399-401. 160. 11. Manuel. 160. tornou a mandar lá G. e com ella Chanoca. t.

mas aqui esta vez como outras anteriormente não foi mais feliz do que na corte de Bisnaga. II. t. elle que viesse tomar posse d'aquellas terras porque 1 Cf. e partiu com grande armada para Ormuz. que veiu contra elle e lhe fez guerra. que depois de se occupar no commercio dos cavallos com Bisnaga foi tanadar-mór das terras firmes. Commentarios.lAXXII não despachados como pedia Albuquerque'. Ao mesmo tempo mandou o mesmo governador por embaixador ao Idalcão João Gonçalves de Gastello Branco para obter d'aquelle certas vantagens territoriaes. 11. porque a cidade achava-se desprevenida. Crisnaráo avisou Ruy de Mello. Vencido o Idalcão. a troco do fornecimento exclusivo dos cavallos. Syg-SSo. e os reis de Daquem e de Bisnaga seriam nossos tributários. rei de Bisnaga. e figura na Chronica e descripção de Bisnaga adiante publicadas. capitão de Goa. iv. p. Góes. 142. 2 Comtudo. índia. . o governador da índia Lopo Soares de Albergaria mandou em iSiy Christováo de Figueiredo a Bisnaga por feitor com todos os cavallos e vinte elephantes d'elrei que estavam nas estrebarias em Goa. Julgou o Idalcão a occasião propicia para vir sobre Goa. 5 10]. P. mas não sabemos até que ponto esta affirmação é verdadeira. e teria sem duvida conseguido o seu intento. que eram os passos do Gate. p. Era governador da índia tempo Diogo Lopes de Sequeira. Pelo menos assim parece deprehender-se da carta de Albuquerque de i de janeiro de 1514. 11. Corrêa [Lendas da índia. e tendo perdido neste as cidades de Rachol. Até i52i não encontramos mais noticias de ter havido negociações de parte a parte ^. t. Sog. Estes embaixadores foram escolhidos pelo conhecimento que tinham do país. Chronica de D. p. senão fora Crisnaráo. segundo G. t. elles asseguraram a Albu- querque que se o trato dos cavallos se fizesse só por Goa se faria d'ella uma muito poderosa cidade.. segundo nos diz Damião de Góes e Castanheda. Este Christováo de Figueiredo era um casado de Goa. talvez dos cavallos. Corrêa. Lendas da p. Manuel. Eram provavelmente ho- mens de negocio. Bilgáo e todo o território vizinho a Goa.

seu senhor. E um documento importantissimo e por isso o damos na integra. que se perderam depois e se tornaram a ganhar. Em seguida nova lacuna até 1Õ47. 237-239. e Rui de Mello mandou mensageiros a elrei por quem lhe agradecia muito aquelle favor'. locaram nas nossas mãos o monopólio do commercio «Em nome do mui altíssimo e todo poderoso Deos. capitão geral e governador nestas partes da índia pelo muito alto e muito poderoso rei de Portugal D. Pondá e Bardes. Não conta assim João de Barros o caso. não diz que foram offerecidas por elrei de Bisnaga. mas em compensacol- ção as vantagens concedidas são muito grandes. nesta mui nobre e leal cidade de Goa. Manuel. João de Castro. nos paços delia. 1. rei de Bisnaga. muito tensas. Os reis de Bisnaga obtêm emfim o exclusivo fornecimento dos cavallos.LXXXIII havia por bem elle fazer delias doação a D. segundo parece^. como já vimos. Góes. I Cf. de que se fez o contrato seguinte. o terceiro d'este nome. foram assentadas pazes e amizades entre o dito senhor e o grande e poderoso rei Cidacio Ráo. p. c. É então somente que se consegue um tratado solemne e formal entre os dois estados. Neste tempo era rei de Bisnaga Sadáxiva. v) Ruy de Mello tomou as terras firmes aproveitando -se do desbarato do Idalcão. propósito que Aífonso de Albuquerque tanto desejou sem o conseguir. Saibam quantos este contrato de pazes e amizades virem que no anno do nascimento de nosso senhor Jesus Christo de mil e quinhentos e quarenta e sete annos. . iv. aos dezanove dias do mês de setembro. 11. 1. Manuel. 1. Castanheda. 565-6. formavam as tanadarias de Salsete. e era-o de facto Ramaraja. mas de nome apenas. João. Effe- ctivamente occupou-as. p. onde pousa D. porTrarcão seu embaixador pelos poderes bastantes que para isso trouxe. Segundo elle (iii. Chronica de D. e d'esse país. As relações entre Bisnaga e o Idalcao estavam. Historia dos descobrimentos dos portugueses^ v.

«que os governadores da índia serão obrigados a lhe deixarem tirar d'esta cidade de Goa todos os cavallos que a ella vierem da Pérsia e da Arábia. e não deixarão passar nenhuns ao Idalcão. e lhes levarão lá muito cobre. e dar tal aviamento aos mercadores que brevemente sejam despachados.LXXXIV «Primeiramente assentaram que seriam amigos d"amigos e inimigos d'inimigos. gado aos fazer comprar todos. e que todas as vezes que cada um delles cumprir os ajudarão com todo seu poder e forças contra todos os reis e senhores que houver na não sendo contra a pessoa do Izamaluco. mandará vir a Ancolá e Onor. elrei de Bisnaga mandará que todas que houver nos ditos seus reinos e senhorios. «E sendo caso que alguma armada de turcos venha da índia. que os mercadores trazem a vender a Banda. elrei de Bisnaga não consentirá que os agasalhem em nenhum dos seus «E assim mesmo as roupas . e mandarão aos portugueses e mercadores que os vão lá buscar. calaim. que lhos vão lá comprar. e elrei de Bisnaga será obriíndia. com todas as mais mercadorias que vem dos reinos de Portugal. «que Obeli. nem do reino de Bengapor. coral. ou qualquer navio d'elles. e o elrei de Bisnaga defenderá salitre nos e senhorios que nenhum em todos os seus reinem ferro venha pelo nem por outra parte alguma ás terras do Idalcão. e que os governadores mandarão assim portugueses e mercadores. as levem todas a Ancolá e Onor. «que elrei de Bisnaga não consentirá que nenhuns mantimentos de nenhuma sorte que sejam saiam de suas terras. para as terras do Idalcão. azougue e muita seda da China e Ormuz. onde os governadores terão postos feitores que os comprem todos. e serão obrigados a lhe comprar todo o salitre e ferro que aos ditos portos por esta maneira vier. vermelhão. e que os governadores mandarão aos portugueses e mercadores que lhas vão lá comprar. e que os que vêm a Banda vão todos a Ancolá e Onor.

i. p. e da maneira que neste contrato de paz e amizade se contem. Os portugueses foram contra I Cf. Couto. e disse e affirmou que elrei de Bisnaga seu se- nhor os cumpriria assim. p. aceito as terras que estão do Gate rio para o mar.» Quasi um século depois. que ao fôr. 1. e para mais firmeza e seguridade de tudo. Simão Botelho. que se contem do porto de Banda até o de Cintacora. na época de deca- dência de Bisnaga fez o Viso-rei da índia um contrato com mar o seu rei para juntos expulsarem os hollandeses de Paleacate. 1844. porque estas d antigamente pertencem ao senhorio e jurisdicçao desta cidade de Goa. t. Década vi. em nome d'elrei pôs sua mão direita sobre um livro missal. secretario. e presos os man- dará entregar ao governador da índia. que em tal caso todas as terras que lhe tomarem ficarão elrei com de Bisnaga. e man- daria a elle governador outro deste próprio teor. Cosme Annes. concertando-se elrei de Bisnaga. e entrando nelles quaesquer navios ou navio de turcos os mandará prender. em t633. iv. Portugal seu senhor em segundo de presença do dito embaixador. e o mandou assellar das armas reaes d'elrei firmeza do dito con- trato'. seu senhor seu costume. Bikerj Tratados da índia. o fiz escrever. as quaes ficarão para todo sempre a elrei de Portugal seu senhor. . e o tal tempo governador da índia para ambos juntamente fazerem guerra ao Idalcão. juraria em lá sua lei em presença do embaixador que o governador ha-de enviar. jurado e assignado pelo dito rei de Bisnaga. 25 5 -j (nos Subsídios para a historia da índia portuguesa). assignou seu senhor para mais fé e de seu nome. «Os quaes capítulos e condições o dito embaixador aceitou. devendo os portugueses attacar a cidade por e Bisnaga por terra. 69-71. e pelo juramento dos santos evangelhos prometteu de fazer cumprir e guardar o dito contrato e condições delle.LXXXV portos do mar. Annaes marítimos e coloniaes. Tombo do Estado da índia. e o dito governador. v. p 1 18-120. c.

35. Danvers. 92 que elle com os seus companheiros e Christovão de Figueiredo foram bem rece- Cf. 80. por outro lado o auctor de uma das descripções de Bisnaga diz-nos a p. Pouco tempo depois fez-se nova tentativa contra aquella. e a que vae de p. a segunda é ainda mais antiga. fl. que saibamos. liv. 33 . fls. 38. 37. quer como descripção do país productos. anno de 1622. da chronica diz-nos a p. 61. liv. e deve ter sido Eífecti vãmente o auctor feita ahi por i525. 5. 33. mas novamente faltou elrei de Bisnaga á sua palavra. ficando a expedição sem o êxito que se desejava. liv. como já dissemos. 34. p. liv. estão muito aquém d'aquellas minúcias na geographia e costumes do país. 32. fls. 3 1 . António Mascarenhas. 60. 27 que Christovão de Figueiredo com 20 portugueses espingardeiros veiu de Bisnaga ao acampamento de Crisnaráo no tempo em que este cercava Rachol. 94. Conti. A primeira. e nenhum delles nos deu uma chronica. 80 a p. Não existe em lín- gua nenhuma. i3. 5i\ Documentos remettidos da índia [Archivo da Torre do TomboJ. . cousa que se lhe possa comparar. 91. 1 98. 297. mas Bisnaga não cumpriu a sua promessa. 128 de Domingos Paes. 55 liv. 36. Os viajantes italianos que vi- sitaram e escreveram acerca d'aquelle país. 9. 90. 400 . costumes.LXXXVl ella com uma armada de 12 navios. parece ser de Fernão Nunes. liv. A parte que vae até p. 9. I fl. levando por capitão mór D. 80. 59. liv. 253. fls. Nicoli di Barthema e Federici. deve ter sido composta em i536 pouco mais ou menos. 1 . fls. vindo até mais tarde o mesmo a reconhecer aos hollandeses a sua posse'. Report on the Portuguese records. quer na parte histórica propriamente dita. fls. etc. 95. Estes textos não têem o mesmo auctor conforme se diz a p. (e em especial da capital). A chronica que agora publicamos é um documento precioso para a historia de Bisnaga.

em que espero. de Figueiredo costumava ir a Bisnaga a comem cavallos. e que os taes companheiros de Ch. ii.: LXXXVII bidos delrei. data que demos. e visto com vagar. cremos que se trata desta vez em que foi até Raciíol.» Cf. Ambos eram mercadores de cavallos. Manuel. como suc- cede com os outros viajantes. concordam com as dos outros viajantes anteriores e posteriores. Admittindo que essa relação só foi composta algum tempo depois. o outro do de Achetaráo'. 8o do nosso texto "Porque sey que não vay la [a Bisnaga] nenhúu [homem] que não traga sua mão de papel escripta das cousas de laa. e de um d'elles. 86: «Rachol que jaa foy d elrey de Narsimga. Cartas. e sobre ela ouve muyta de i525. . p. 8o que residiu lá três annos. são os mesmos que se bateram com elle em frente de Rachol. iv. devem ter permanecido bastante tempo nelle. prazendo a Deos. Ch. um do tempo de Crisnaráo. carta dirigida a D. Da parte histórica não podemos dizer outro tanto. 844. da primeira passada que compecer a dar. Não são os seus auctores homens que por mera curiosidade alli fossem e se retirassem logo. de por a uma parte todas as cousas que vir. Fernão Nunes. e em outro tudo o que souber d'informação certa.' de que se nos falia em Bisnaga. dado o desaccordo com outros docu- I É importante a affirmação que se faz a p. Ainda que no dizer de Barros c.» Isto está de accordo com o que nos diz Pêro Fernandes Tinoco: «Em partindo senhor para Narsinga. v" jii. e assim trarei tudo d'esta maneira a vossa alteza quando me Deos ante vós trouxer. t. logo compeçarei senhor d'escrever a jornada em um livro grande que para isso levo. estamos próximos merciar em todo o caso foi depois de ID22 porque Domingos Paes diz a p. 1. Demais. no que tem de commum. e este rey [Crisnaráo" a tomou ao ydallcão». e guerra. se diz a p. conhecendo sem duvida a lingua do país. as suas informações. quando de volta a Goa. de Figueiredo. são homens de negocio. Estes documentos nas circumstancias em que foram escriptos devem satisfazer aos requisitos de authenticidade.

Quanto á parte material da nossa publicação diremos que só fizemos algumas pequenas modificações ao original. o que fazemos deixando entre segunda um espaço em branco d Oria. o que é mais com os uma prova da sua veraci- dade. p. por capitãaes. a segunda desfazer as abreviaturas. Em toda a narração que demos de Bisnaga não fizemos entrar um só elemento fornecido pela chronica. assim como substituímos o u por v nas mesmas condições. as quaes de mais a mais concordam na parte essencial outros dados. a orthographia da época. mas por ora essas informações ainda não podem ser regeitadas. processo que adoptámos ainda para as palavras communs. Também omittimos. a terceira regularizar o letras maiúsculas e emprego das minúsculas no interior do periodo. deixa- mos nella aos especialistas o cuidado de nos dizerem o que ha de aproveitável. pp. reservando aquellas para os nomes próprios. para prevenir o leitor. e d'ahi proveio a necessidade de separar palavras que estão escridória. fora das condições normaes da linguagem actual. por desnecessárias. lxv. as cedilhas. 62 ysoo por j'sso. fiiimigiios por inimyguos. algumas irregularidades do texto ou por defeito da copia ou do original ou mesmo de revisão. A primeira foi pontuar o texto. p. Devemos apontar. etc.LXXXVIII mentos de que já se disse a p. e isso não foi sempre fácil. 8. e a tornam muito plausivcl. ermytóo por ermytão. 7 e %^ yrmjtão por irmftão. em varias partes vem capitaães. que o não estava ou mal. que pôde ser erro do original ou da copia. Como lapsos de revisão ha: p. e ella embaraçaria a sua leitura. ptas juntas como a primeira e a . 7. talvez sem razão nos trabalhos d' esta natureza. Não havia utilidade nenhuma na fiel reproducção de original nesta parte. etc. antes de terminar. porque nesta está aquella forma. conservámos todavia.

28. Supprimimos as seguintes palavras ou phrases por serem repetições: p. p. p. p. g3^ piões. 23. I. Ardegema. Vfdiajuiia. p. 119. pe. Bisnaga. (= será. como differençar e & e (= hej. lamdfs e latideis. p. 111. decidarão por decidirão. brahnj-s. 114. 121^ pranhus. 36. p. i23. e etc). 2. mas gava-nos a muitas outras modificações. p. não. etc). lades (sem duvida lãdes). pedidos por perdidos. pé. laydes. a Q a (= á. terá. David Lopes. 8. será. por vezes grande irregularidade na maneira de escrever certas palavras. Pismael. 32. palavras cuja leitura é duvidosa: p. texto se acha nesta altura. (= mercê. attsa p. 69-60 um trecho que no mas que em realidade devia no principio da chronica. Duree. 80 a i23 é possível que muitas vezes se devesse ler regno em vez de defeitos da copia ou Como ser reyno. p. 27. p. e p. p. History of the Deccan. 1. ou Vfdiajuna?. evi- Fizemos as seguintes correcções por serem erros dentes: p. isso obrí- etc). terá. p. 25. p. destes não. emredoncarem. mercê. Ha p. 28. ofidegema. 88. 5 original apresenta 1 O . l. andarem por (?). p. Orj'a por Owynha (?). Deveríamos talvez ter introduzido certas correcções no texto para evitar confusão. ser. 83. lamdes.. adarem (provavelmente ãdarem). mas a copia não permitte decidir. 36. gj^favaos tfapões. 73. etc. lanCitlbergura e Calbergara dfs. 1. . 74. que aquelle tetnpo lierão mnytos e do refuo de Bisnaga. noutras partes piães (p. assim. iii. e p. LXXXIX mas também pôde do original: p. 2. que As duas gravuras de damos a p. Damos vir entre colchetes a p. p. são tiradas da obra de Gribble. etc. ha). Durce ou Diivte. amdares por aftidojus (como se deprehende do que vem depois). 6. p. de p. que devíamos ter corrigido na revisão. 37. 73.

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tomando e destroimdo neste tempo a terra do Guzarate. por que este rey tinha naquelle tempo guerra com Bemgalla comlinão vallos com os turquimaées. Estes homées são bran- cos e grandes de corpo. e determinou fazer a guerra a el rey de Bisnaga. com suas terras ha muitos caque este rey de Delly fez a guerra a Cambava em e a desbaratou. que for ão da era de mil reino de Bisnaga. leixando em suas terras e fortalleinimi- zas seus capitaêes. que com o xeque Ismael. para se poderem defemder aos e guos. duzentos e trinta annos a esta parte. ouve o ma3'or senhor que nas partes da índia avia. que muytos tinha. quy por força d armas e gente fez a guerra a Cambava per muytos anos. que he de Gambaya. E d esta tomada não contente com a vitoria que ate hy tinha alcançada. fez muita gente prestes de pe e de cavallo.CHRONICA REIS DE BISNAGA TresLido e sumario de luta chronica dos Reis de Bise naga. que foi despois da destroição s:eral do Na era de mil e duzentos e trinta anos. e por derradeyro foy senlior d ella. que era o rey de Dili. lhe ficarão ainda oyto centos mill homées de . e elle senhor ca- d ella. e despois da terra tomada.

o quaal ryo passou em cestos sem aver quem lho defemdesse ho passo. e saymdo do reyno de Cambaya covallo com que passou a Bisnaga. lhe entregarão os corpos e fazemdas. E despois de jaa ser senhor de toda a terra do Baliagate. passou o ryo de Duree.não se conta aquy por que não tem conto. da gente de pe meçou a entrar e fazer guerra ao Baliagate. mas antes jaa d este tempo em todo ho reyno de Bisnaga. a esta cidade. que este rey de Dell}' passou em cestos. cujas ter- ras agora são do Idalcão. por ser forte. e determinamdo a fazer guerra ao rey de Bisnaga. detreminou deixar a cidade. e as d el rey de Bisnaga. que se chama Nagumdy. e veyo asentar seu arayal a vista d esta cidade de Nagumdy. todas são de campos nos quoaes lhe pareceo arayal. não temdo jaa mais que aquella cidade. atee chover augoa pollos campos e allagoas em abastamça pêra tão grade poder de gente como le- vava. e allyfantes. por naquelle tempo aver gran- des secas. E do ryo. avera vinte cinco leguoas. despois de ter feyto armas por muyto dapno. per homde a cidade se . passou as terras que novamente tinha ganhadas entramdo per as d el rey de Bisnaga que aquelle tempo erão muytas. deixamdo aos naturaes da terra as lhas não poderem defemder. a quoall tinha húu r\o. sem se seca- rem. tas cidades e lugares. e asy esteve ao lomgo d este ryo por este respeito algúus dias. que era muito forte de entrar. que hera húa sua Llisboa. que he estremo das terras do Baliagate. e metello debaixo do seu senhorio. nestes bom asentar seu campos ao lomguo d este r3'^o pêra sua gente beber estas augoas. em que el rey de Bisnaga aquelle tempo estava esperamdo a destruyção. salvo a cidade de Nagumdym. e tem aymda agora. não abastavão dez dias a sua gente. por que às augoas d algúas poucas allagoas que nos campos avyão. per caso do verão. cavallos. tomamdo e destroymdo mui- de maneira que. E vemdo el rey de Bisnaga seu grande poder e muita gente que trazia. e como foy tempo levamtou seu campo. não avya lugar tomado.

de Bisnaga a vontade dos partir d alty d. e a mais mandou que se fosse para outra fortaleza sua que per seu re3mo aynda tinha. escolhera a elles por companheiros e verdadeiros amiguos. e logo todos forão armados. lhe pedia que a lealldade com que elles nas V3-das teverão quisessem ter na morte. a quoall tinha muito mantimento e augoa. Todos d isto forão muyto contentes e alegres. fez húa falia a todos. que não será bem que fiquem entregues a nossos enemigos pêra huso. e em pouco tempo gastarão ho mantimento. dizemdo: Primeiro que entremos nesta batalha. e despois de ho serem lhe fez el rey outra falia. e se acolheo a esta fortaleza. por que jaa na fortaleza não av3^a augoa nem cousa para comer. guerra. e pois jaa em seu reyno não tinha mais que aquella fortalleza e as pessoas que dentro tinha. e que de cimcoenta mill homées que na cidade de Nagumdy tvnha. pomdo regra em seus mantimentos. avemos de ter outra com nossos filhos e filhas e molheres. foy cercado por todas as partes d este rey dos de Dely. onde jaa não tinha outra salivação senão a morte. dise . E acolhido na fortalleza. mas não para se poder sostentar gente quoanta elle tinha comsyguo. por que elle esperava naquelle dia isso que não contente com dar batalha a e senhorio el re\' de Delly. hera muyta. pomdo lhe diante a destroyção que feito tinha. el E vemdo el rey rey de Delly. damdo as vidas a quem lhe tirara as terras. que dentro na fortalleza estava. que seryão cvmcoemta mill homées. e acolheo se a húa fortalleza que tinha da banda do ryo. que lhe pedia que se armassem. a quoall avya nome Crynamata. e com elle morressem na batalha. e el rey dos de Dely em seus reynos ho tinha posto em cerco naquella fortalleza. no quoal cerco esteve pouco que jaa a este tempo avya doze anos que lhe fazia a tempo porque a gente.chama Nagund}^. que era não sem dar fim aos que demtro na fortalleza comsyguo tinha. dos quoaes este rey tomou cimco mil homées com suas fazemdas. e per elle dizem que tinha a cidade seu nome.

e os mais erão hoficiaes dante el aos quaes rey conta dos thesouros d rey de Bisnaga.lhe derão conta do que remdia naquelle tempo o reino de Bisnaga. os mortos mandou que^^mar. os quaes el forão captivos e trazidos diante d rey. e as}'. mãdou a seus capitaées destroir algús logares e villas que estavão alevantados. lhe disserão quem erão. e dar seguro a rya. sem el aper quem lho defendesse. homde por mão d tas el rey forao mortas cincoenta e tanfilhos e filhas molheres suas e algúus fo}^ pequenas. Em este tempo estavão jaa todos em húu terreyro grande que diante da fortaleza estava. e desbaratado. e este rey tem por santo antre S3\ Capitullo do que el rey fe'{ despois de ter naga morto. homde loguo forão entradas dos inimiguos. Tanto que el rey acabou ho que tanto desejava. os quoaes por elle forão entregues que dentro na fortaleza soterrados tinha. e como escaparão. e os mortos mandou entregar a húu capitão. abrirão as portas da fortalleza. por que húu d foy pedido por elles era ho regedor do reyno. e aca- badas estas bodas tanto contra suas vontades. &c. e el re}^ lhe preguntou que homees herão. e despois da morte d este re}^ quem ho d elle que- esteve nesta fortalleza . eu quero ser o primeiro que lia tenha com mi- nha molher e filhos. Sabido isto por el rey os mandou entregar a húu capitão seu. elle el e outro tesoureyro.el rey. foy levado ha cidade de Nagumdy. e rey de Bisa terra por sua. e todos morrerão sem ficar mais que seis ho- mêes velhos que se recolherão a húa casa. e elles com que el rey muyto folgou. e o corpo d el re}^ muyto honrradamente a requerymento d aquelles seus homées. diguo. e ti- loguo feyto outro tanto per e filhos mão d aquelles que nhão molheres que não erão pêra pellejar. e d ahi elles em diante ficou jaziguo dos reys.

lhe vierão novas terra por elle primeiro temdo suas como toda a ganhada era allevantada. Capitidlo de como partio el reydos de Dilf. avemdo jaa doze que lhe fazião a guerra ao do seu naturall. que visse sua allteza o que querya. pêra se defemder emquoanto tivesse mantimentos abastança. que em tall caso se fifazia nesta terra. mouro. deixamdo o reyno de Bisnaga em poder de Meliqu}.niby.re3'nno. que era mais forte que neste reyno havia. Sabido recolher sua gente. não lhe deyxamdo vir nenhúus man- tvmentos gados. fez comselho. que era d onde elle estava passante de quinhentas leguoas. e cada húu era senhor do que querya. lle3aando ysto por el re}^. gentes todas espalhadas. por respe^lo da nova que lhe hera vvmda. sabido por toda a terra como era fora d ella. &c. os que escaparão pellas montanhas. e era afora dous anos. e. se alevantarão contra o capitão Mileque neb}^ e lhe vierão por cerco na fortalleza. fazemdo d estes seus naturaes. E sabido por el rev estas novas. lhe fez loguo ai}'' saber como toda a terra era alevantada. e quão lomge tinha os socorros d elrey seu senhor. Partindo se el rev pêra seu reyno. de maneyra que todos ficarão Enybiqu3'melly. nem lhe pagamdo as remdas como erão hobriE vem do Meliquy niby quão pouco seu proveyto quoão mal lhe hobedecião. e nenhúu era per elle. que contra suas vontades com temor lhe tinhão dado as menagées das villas e lugares. mamdou nesta fortalleza. e contentes. perdemdo jaa a esperança de mais tomarem novos terrenos. damdo lhe muytas dadivas e terras. e em deixou por capitão e regedor do reyno com elle deixou muyta gente fazemdo a cada húu per sy muita mercê. e zesse. e outros. e levou pêra seu reino os seis captivos que na fortalleia tomou. damdo conta aos grandes de seu reynno da carta e re- .

e sabido ysto pollo capitão Meliquy quinhos. sem aver justiça entre elles nem pessoa a que quyzese obedecer. ou parente. mas antes cada húu era rey e senhor dos que quer3^a. a chegada Em niby fo}' muy allegre e contente. e o regedor foy allevantado por rey. e lugares povoados d algús mes- pouco tempo foy sabido per toda a terra Deoráo em como vinha alevantado por rey do que o povo fo}' muy contente. e fezerão lhe gramdes festas. e logo forão despedidos e mandados pêra suas terras com muyta gente que hos defemdesse de quem lhe mall quvsese fazer. e governador do re3-no de Bisnaga. e quoão mall lhe obedecião os senhores da terra. e d este descendem todollos outros que atee agora forão. e feito este exame não se achou tinha. e nenhOu húu de ho reyno. salvo a tempo da destro3'ção de Bisnaga. e feytas muytas mercês e honrras. e o thesoureyro por regedor. ao reyno. e ysto pareceo muy bem a el rey e a todos. e lhe entregou a for- .cado que tinha de Melincbiquy seu capitão. que aquelle tempo avya dos reis de Bisnaga. e fo}^ obedecido por rey. e ho que nisso devyão e podião fazer pêra que híia tamanha terra e tão rica se não perdesse. Decidarão todos neste comselho que mamdasse elrey vir os seis homêes que captivos que d elles soubesse quoal hera o mais chegado. hera regedor do reyno. e entregarão lhe as terras ganhadas pellos reys passados e perdidas por elle. que. to- mamdo-lhe suas menagees e reffaaês de vassallos. e chegados asy estes dois homées por suas jornadas a cidade de Nagumd}-. pois que tanto trabalho e dinheiros e vidas de seus naturaes custarão ganhallas. e que aquelle podia sua allteza dar o seis a que por razão podesse vir que elle tinha captivos. Logo os seis cativos forão soltos e postos em sua liber- dade. não acharão mais que os alliceces das casas. como tinha algúu poder. e que este não tynha nenhiiu parentesco com os reys mais que ser justiça mayor. que hera ho que lhes parecya. como aquelles que tanto sentia serem sogeytos a senhor fora da sua lley.

vemdo 3'sto el rey espantado de tão fraca cousa morder lhe os caées que lhe íilhavão húu ser lebre tigre e húu lyao. a quoal semdo nella com seus cães e aparelhos de caça. e d isto espantado o yrmytão. e que amdavão alevantados. porque aquillo sinificava ser a do mundo. como muj^tas vezes cos- húa montanha d outra bamda do ryo de Nagumdym. entregue do apacificar a terra e os rej^no. a fazer. e tão bem per ser muyto velho. dise a el rey que se tornasse tall com elle a mostrar lhe aquelle lugar omde ho acontecera. leixando as terras perdidas que elle ter gente e cavallos para vsso. aho quoall contou o que lhe acontecera com a lecidade de bre. zemdo se prestes como mamdava el rey seu senhor. que a ella pello nenhúu ousava de chegar e dapno que nelles fazya. e que esta cidade nunca poderya . e corremdo suas fortalezas e lugares. húa cidade. E chegamdo ao r3'o achou húu ermytõo que amdava ao lomgo d elle. E despois de partido. Himdo tumava el rey húu dia a caça. não podia ganhar. omde agora he a cidade Bisnaga. Capitullo como foi por este rey DeJioráo edificada a cidade de Bisnaga. a quoall el rey tinha coutada pêra sua pessoa. não lhe pareceo mas algúu m}steryo.talleza e reyno. e tornou se loguo pêra a Nagumdim. el rey Deoráo. dar lhe fazer lhe muytas mercês pêra lhe ganhar as vontades. se pardo dei- xamdo a terra a cuja era. e facom muyta brevydade. alevamtamdo se lhe húa lebre em vez de fugir aos caães enviava se a elles e mordia a todos. por não nem cousa pêra poder fa- zer a guerra. e semdo llaa lhe disse o yrmytão que naquelle lugar fizese as casas e edificase mais forte em que ouvese de morar. não curou de mais que de seguros. homem santo antre elles. que aquelle tempo era húa brenha em que amdava muyta caça.

e tomou o reyno d Orya que he muyto gramde. pall ao redor. Por sua morte herdou o reyno húu que se chamava Bucaráo. por que asy se chamava o yrmytão que lha mandou fazer. este rey Dehoráo reynou sete anos. ho dia que os alevantão por rej^s. não mais que deixar per sua morte tão sogigado como d el rey seu pay a tynha. e tornadas a seu poder e senhorio. o quoal se chamou Ajaráo. e despois d este hermitao morto fez húu pagode muy honrrado d este hermitao a ssua honrra. e este re\'nou corenta e três anos no quoall tempo sempre fez muyta guerra aos mouros. e d aquy em diante ficou em costume as moedas tomarem os nomes dos reys que as fazem. e d aquy per memorya os reys de Bisnaga. e tomou Goa.8 e que aquella fosse a princido seu reyno. E per morte d este rey Bucaráo ficou hííu fi- chamou Pureoyre Deoráo. e se chama agora Bisnaga. E asy o ffez el rey que naquelle dia começou a fazer obra em suas casas e cercar a cidade ser tomada dos ynimiguos. e Ceillão. e feyta esta. na quoal tem muyta devoção e fazem muytas festas no ano. e per ysso ha tantos nomes de pardaos no reyno de Bisnaga. não semdo menos temydo que acatado e obedecido por todo seu reynno. e nelles não fez mais que apacificar o reynno o quoall deyxou com mu3'ta paaz. e deixou a de Nagumdym por a povoar mays asynha a quoall pos nome Vvdiajuua. e este conquistou muytas terras. D este rey ficou húu filho. e DabuU. parte com Bemgalla. que no tempo d esta destroyção d este reyno ficarão alevantadas. e este rey em seu tempo lho que se canará poderoso senhor. e reynou trynta e sete anos. que per sua morte erdou ho reyno. primeyro hão de emtrar nesta casa que na ssua a honrra d este hermitao. e toda a terra de dell Charamam- d este reyno. e por tempos se corrompeo ^este nome. que aymda estava alevantada da primeira destro3Tão e fez outras cousas mujtas que aquy se não . e por elle forão tomadas. que quer dizer em e este fez a moeda de pardaos que agora aymda chamão puroure deoráo. e fez Chaul. e deu lhe mu3^ta remda.

que diz a strorva que lhe liamçarão hiía pedra tamanha que ella sso o fez vir arrybeira per homde a vontade d elre}' querN^a. e cercou ha novamente. de gramdes arvoredos e latadas de uvas. por que a cidade a este se tempo não hera nada. por que ha que na que hão deixava cryar nada.contão. e outras de muytos l3-moe3Tos e laramgeiras e roarvores que nesta terra dão muito bom re}- nesta ribeira. e ysto não era muyto dinheiro. E per sua morte ficou d elle húu filho que se chamou Deoráo. e neste tempo não fez cousa que de contar ficou seja. o quoall ho ífez tapamdo a própria ribeira com gramdes penedos. que d ali a cimco legoas estava. que este trouxe. e com as gramdes guer- ras não pode ajuntar mais que oj^tenta e cymco contos d ouro. e outras muytas terras. desejamdo d acrecentar esta cidade. e detremynou fazer gramde thesouro. por outras partes. e trazida a augoa lamçou ha polias portas da cidade que elle quis. e Peguu. a que fazya muyto proveyto em metella por dentro da cidade. se fe- zerão por derredor da cidade muytas hortas e pumares. e Tanaçary. que era muito gramde soma de dinheiro. e Paleacate. e a fazer a milhor de seu reyno. e esta foy levada ally por muytos alh-fantes que em seu reyno tinha. não contamdo pedrarya. e Ceyllão. dizem que gastou todo ho thesouro que d elrey seu pay lhe ficou. o quoall rej^nou vinte e cvnco anos. E d este rey per ssua morte ficou . fruj^to. per virtude d esta augoa. salvo a augoa de que va}' Nagumdym e este afastado d terra av3^a era toda salgada. Este rey fez na cidade de Bisnaga muytos mu- ros e torres. detreminou de trazer híjua rybeira mujio gramde. porque neste tempo pagava parvas a elrey de Coullão. e e sais. o quoall viveo seis anos. E d este rev húu filho per sua morte que se chamou Visarão. esta augoa faz tamto proveyto nesta ci- dade que lhe acrecentou mais de remda trezentos e cimcoenta mill pardaos. por nella não aver augoa pêra poderem fazer ortas nem pumares. ella. que nesta terra ha muytas. que herdou o reynno por morte de seu pav.

e emquanto reynou teve V3^nte regedores. reynou doze anos. tinha tão bom emgenho e natural e por ysso lhe chamavao Pinaráo. e tanto que chegou as portas do paço. por mão de húu sobrinho que elle cryou em ssua casa como filho. e pêra as festas de seu casamento pidio a el rey seu tio que ho mandase acompanhar e honrrar nas suas vodas por seu filho. tanto que forão em sua casa estamdo a mesa forão todos mortos as punhalladas por homêes que perá ysso tinhão prestes. Detreminou de querer casar. foy todos os officyos. e fez hiju presente a el rey. que quer dizer antre elles. e levou lho. e pêra ho matar teve esta maneyra. mamdou a el rey húu recado em como estava ally. e tanto que entrou homde elle estava. fez muytos livros e hordenaçôes na ssua terra e reyno. e este rey foy muyto manhoso. el rey como era home bem jugar d espada e adarga. gramde sabedor. melhor . o quoal posto por obra. e com regedores e capitaées de sua corte fossem acompanhar e honrrar o casamento de seu sobrinho. o quoall se fez sem nimguem ho sentir. mamdou a seu filho que se fizesse prestes com sua gente. mamdou lhe que entrasse. e este rey foy morto por treyçao. e por asy estarem sos a mesa não pode ser sabido da gente que trazião ho que passava. ho quoall el rey pello amor que lhe tinha.IO que herdou ho reyno. E depois de ter ho filho d el rey morto com todollos capitaées. nem home de fora que não aja de comer. e nella levava huma adaga chea de peçonha com a quoall lhe deu que ssabya muy muytas ferydas. e lhe trazia húu serviço. porque ca costumão por tudo na mesa ho que se hade comer e beber. em llymgoa canara. lhe apresentou húa bátega d ouro. que he oíryc3'o que antre elles amda em húa so pessoa. o quoal se chamou Pigramde estrolico. cousa que se costuma antre elles. e estamdo el rey a este tempo despojado folgamdo com ssuas molheres. foy dado muito as letras. e asentados não vem nenhúu homem a servir. ho regedor detreminou a cavallgar. e por folgar de ho honrrar. e gramde sabedor em húu filho narão.

não cu- húu filho ramdo gar. e vemdo os gramdes de seu re3'no a maneyra e vida de sseu rev. mamdou chamar seus thesoureyros e o regedor e os scrivaées de sua fazemda. com outros que não herão. e outras principaees terras de seu re3Tio. o quoall se chamou. e a se elle também pu- nha por obra poderá. e Dabull. e preguntou lhe. ao outro dva . e tanto que ho fez. e hos que com elle forão. e soube quoanto remdya cadanno. e durou seis meses. que re3'nou. E despois de sua morte herdou ho reyno húu seu filho que lhe ficou. cada húu se alevantava com ho que tinha. e com húu terçado seu ho matou. levamdo lhe se foy caminho de sua casa. e elle ficou muy ferydo das ferydas apeçonhentadas. se não de molheres e de se embebedar e de follnão se amostramdo aos capitaées nem a seu povo.1 . de maneyra que em pouco tempo perdeo ho que seus antepassados ganharão e lhe Ueixarão. per omde em seu tempo perdeo Goa. E por morte d este rev que se chamou Verupacarao. Este rev matava muytos capitaées por doudice. pare- que podya morto seu filho. e acabados elles morreo de peçonha que llevava a adaga. do que el rey muy imdinado mamdou fazer gramdes justiças dos seus aos que nisso achou culpados na trevção. porque se sonhava de noute que húu capitão seu lhe entrava em sua camará. que lloguo cavalgou. e Chaull. e gramde mall que seu sobrinho cometera a lhe matar seu filho ter cemdo lhe a treyção quella podia ser feyta. nos quoaes não entra justiça nenhúua na terra d estes pagodes se não ficou justiça dos bramines. e este rev fez da remda do seu reyno mercê aos pagodes o quynto. . tanto de remda sua allteza treze contos d ouro. este rev enquoanto reynou sempre foy dado aos viços. e com hos primcipaes seus capitães. 1 que nenhúu dos de seu reyno. mamdou sellar húu cavallo em e a cabeça na mão. e tinha e este rey. e tanto que el rex chegou vyo a verdade da treyção. e d isto se aquevxão. furtamdo lhe o corpo as estocadas que lhe tirava. que he a dos sa- cerdotes. se desembaraçou d elle.

e asy que ajuntou muyta gente. o quoal logo foy posto por hobra. que em parte lhe era parente. como de feyto foy morto por húu delles o mays velho. detremynarao de o matar. tiramdo aos costumes de seu pay. estava muito d asento nesta cidade. e governe o. e como perdia seus reynos. fazemdo a todos gramdes abastamças por lhe ganhar as vontades. e por ysso não he bem que húu tão maao filho herde o reyno. e depois e de ter 3^sto fe3'to. que asy como elle matara a seu pay. e fiz nisso ho que não devya. noute que entrava que hera ho heerdeyro. e fiquey em pecado mortall. as}^ far37a a elle se lhe viesse a vontade.12 mamdava chamallo. pois prestes pêra vir sobre Bisnaga. detremynou a vir sobre elle a tomar lhe suas terras. porque eu remdo ho meu pay. llamçamdo se as molheres. e o jrmão mais moço allevamtado por rey. detreminou de ho matar. dizemdo lhe que elle sonhara aquella em sua camará pêra ho matar. fazemdo se nar. segumdo a maneira de seu viver. ho quoall logo pos em obra. perder aymda por seu mao cuidado mais do que seu pay perdeo. o modo de sua vyda. e fe^^to por sua mão. mate}' e este rey se chamou Padiaráo. e despois de ho ter morto quelevantar por rey. o quoal asy foy feyto. e camanha perda era do reynno viver e rei- E não era pêra nada. que por ysso ho mamdava matar. eu ho não quero. sabemdo húu capitão seu. os quoaes vemdo a maldade de seu pay. que se chamava Narsymgua. e parecemdo lhe a este rey que aqu341o bem podj^a ser. disse: Aymda que este reyno he jaa meu por dyreyto. tome o meu irmão. escrevemdo e fazemdo saber aos capitaêes do rejmno camanha perda era não ter rey que hos governasse. e que não serya muyto. E . Este rey tinha dous filhos jaa homêes. não queremdo saber cousa de seu rej-nno mais que os viços em que se delleitava. omde el rey estava. asy que bem ouve este a fim que hão aquelles que tão maas obras fazem. E depois de lhe entregarem o reyno foy acomselhado pello seu regedor e capitaêes que matase a seu jrmão. pois não çujou as mãos no ssamgue de seu pa}^.

e as primeiras de sseu re3'no. E este rey depois de allevantado por re}'. e de então pêra ca se ho reyno de Narsymga. não dava nada por ysso nem achegamdo com muyta gente. e entrando por suas casas atee as portas de sua camará matamdo lhe allgúas molheres suas. e Conadolgiquo. as quoaes erão estas Rachol. Sabido pello como elrey hera fugido não curou de hir após tomou posse da cidade e dos thesouros que nella ffez achou. se vinha como liie vinha tomamdo suas terras. e era regedor do reyno Nasenaque. Per ssua morte lhe ficarão dous filhos. de maneyra que tão da as portas de Bisnagua chegou húu capi- mão d este Narsymgua. treminou a sse sahir capitão elle. o quoall despois d isto feyto foy alevantado por rey. se fasva prestes. pa- gamdo lhe os cavallos quervão.i3 semdo dito a el re}^ o alevantamento d este capitão Nare symgua. que era pay d elrev que despois fo}' rev de . antes a quem lho dizia tratava o mall. que elle nunca pode thomar. de maneyra que entrou a cidade. e os que morr\'ão no mar trazião. e fugio. são gram- des terras ricas. e semdo dito a rey sua chegada. sem achar el quem lho de- femdesse. e deixou lhe a cidade e casas. e quoão perto tinha.lhe o rabo. deper húas portas que da outra bamda e vemdo jaa tinha. Por morte d este rey ficarão três fortallezas alevantadas de seu reyno. veyo a Bisnaga. e este rey re3mou corenta e quoatro anos. e e como brando a não Ilie lemperda que recebia. dizia que não podia ser. e por sua morte poder e ser este re3-no de Bisnaga deixou todo ho reyno fez vir os cavallos d em paz. e pagava lho como se fosse vivo. Oromuz como elles e d Adeem aquy a seu revno. e obedecido. e tomou as terras a quem as tinha contra razão tomadas a elrev. e todas as terras que hos revs passados tinhão perdidas forão ganhadas por elle. e Odegan}^. por ter muyto chamou bemquisto do povo. e elrey dizia que não podia ser. omde fez muytas justiças. tomava lhe os mortos e os vivos três por mill pardaos. e por ysto fez grandes mercês aos mercadores. e o saber a seu senhor Narsymgua. então ho creo.

e llogo alevantou ho primcipe por rev. não podemdo fazer mais justiça d este quoal matou levantado ho yrmão mais muyto aparentado. se foy a outra a elrey Tamarao elle a causa de ssua hida. contamdo lhe a treição que aquelle capitão por nome Tymarsaa horde- nara com elle morte elle e lhe ficara matar seu yrmão. temdo elle de sua mão ho thesouro e remdas e o governo da terra. senão despois de almoço por rey. dizemdo que hya a caça. e o entregase a seus filhos. Se sayu húu dia da cidade de Bisnaga atee Nagumdvm. e despois de ser nesta cidade de Nagum- que se chama Penagumdim. deixamdo na cidade capitão por ser toda sua casa. e asv que dixe que todo ho seu tesouro tinha em ssua mão. e por cuja herdara o reyno. que asy como matou a sseu yrmão . atee seus filhos serem de ydade pêra governar. que hera ho regedor a que ficara o reynno emcomemdado. e então fez saber dvm. aquelle que mostrase mais ser pêra ysso: e despois da morte d este rey ficou este por regedor. antes que morresse. seu regedor. e lhe fez sua falia. parecemdo lhe que por esta treyção fose morto Narse- naque. dizendo que o deixava per sua morte per seu testamente3T0 e regedor de seu revno. detreminou de matar ho príncipe pêra dizer que ho mamdara matar Narsenaque. mamdou cha- mar Narsenaque. e que ho mamdara matar. o com húa espada. o quoall logo teve maneyra como foy morto de noute per húu pagem seu que pêra ysto foy pertado. que se chamava Tamarao. alevantou seu vrmão por rev. que he vinte e quoatro legoas d esta.14 Bisnaga. e que por quoanto este reyno emcomemdado por morte de seu pay e asy elle seu vrmão. E neste tempo húu capitão que lhe querya mall. e que por elle não ter tempo as não tomara. e que lhe pedia que este tomasse cuidado de seu reyno. homde fez logo muita gente prestes e muitos cavallos e allifantes. poemdo lhe diante como elle ganhara re3mo de Nars3-mgua pella ponta da espada. que hera rey. e tanto que Narsenaque soube que era morto. e que lhe não ficava mais que três fortalezas pêra tomar. lhe e este rey.

E elrey neste tempo folgava porque por sua causa fora rey. ho quoall depois de ter vsto feito. começou Narsenaque fazer a guerra a muyto resgoardo allgúus logares. E depois de passados algúus dias e anos. e despidio toda a gente. homem de muyta com^fiamça. lhe mamdou vinte mill homées pêra que ho goardassem. e neste tempo taées que cometido d algúus capi- matassem a elrey. e vemdo ysto Narsenaque. e cercou ho estamdo sobre elle quoatro ou cinco dias. vemdo Narsenaque a ydade d elrey quoão pouca era. lhe dixe que fosse. e entrou na cidade. como tinha detreminado. e pêra que dese a sua pessoa de allgúa trevção. com gramdes goardas pêra seguramça de sua pessoa. pois era tredor. folgamdo com vsso. por ficar mais a ssua vontade. pêra mais sua honrra. tomamdo os. e pêra mais levemente senhor ser do reyno de que elle hera regedor. e depois de partido e chegado Narsenaque a este capitão. cu3'damdo Narsenaque na tre3^ção em que lhe fallavao. detreminou de ho ter na cidade de Penagumdy. e por ysso hera necessaryo castigalo. dixe elrev que queria vir a Bisnaga a fazer algúas cousas que comprião a bem do reyno*. e vemdo eire}' sua detreminaçao mandou fazer justiça de Timarsaa. e passados allgúus dias. e elle governar ho reyno. porque asy lhe ficou emcomemdado d elrev seu senhor pêra fazer ysto. omde fov muy bem recebido de toda a gente de que hera muyto amado por ser homem de muita justiça. sem d elle ser repremdido. E despois d isto feito. e dar lhe vinte mill cruzados d ouro cada anno pêra comer e gastar. pois não hera pêra o ser. e favorecia o contra ho regedor. com que ho regedor folgou muyto. e mamdou per capitão dellesTimapanarque. pêra que ho não leixasse sahir fora da cidade. e em vez de o castigar. depois de morto mamdou lhe a cabeça a mostrar.ID asy far3'a a elle outro tanto. que lhe per muytas vezes ti- . chamou húu dia aquelles capitães. elrev. foy sobre elle com muyta gente. e fo}' destro3^mdo por estarem alevantados. muyto com Bisnaga. ao que Narsenaque não quis rempomder nada. fazia lhe mercê.

sem ser sabido que ho mamdava elle matar. e amenhaa outra d outro capitão. e que elle ho mamdarya chamar. e que d esta maneyra serva rey. ho quoali desapareceo d aly algúus dias d omde estava Narsenayque. tinha todollos cavallos . e maa obra em que este capitão se punha. e que como os fidalgos e capitães soubesem sua vontade e detremynação. e. e o deixara naquella cidade muyto dos por Narsenayque seu vassallo. e lhe fez muyta mercê. e veryão com elle sobre Narsenayque. e ajudaryão. e se alevantava.i6 nhão cometido. e foy ter a Pena- gumdy. lhe farya muytas cartas falssas de capitães que lhe desem omde estava mais preso que solto. ao quoal mamdado elle não hiria. e vemdo elrey os ardis que lhe este dava a carta que lhe mostrava. e preguntou lhe que maneyra terya pêra matar elrey. aliem de ser regedor do reyno. e saymdo ho matarya. foy muy contente com a treyção. que. e depois de ganhar a vontade a elrey. respomdeo em que muyto poderia bem lhe dizia e acomsselhava. e que depois de ho ter comvertido a ysto ho farya sahir. que elle se farya agravado d elle. e que d ally se faria prestes mamdava aquella com muyta gente. lha faryão. como e alli- elle resystir ao poder de Narsena^^que. Dise lhe então húu que muito boa. e a cada dia lhe mostrava húa carta. oje de húu capitão de húa fortaleza. e que pêra lhe fazer melhor coração. e com este agravo deixaria a cidade. e prisão em que ho elle tinha lha darya. porem. e com este desacatamento elle poderya dar quoallquer pena. e que elles todos erão mamdao mesmo comsselho. pomdo lhe diante como elle era rey e senhor d elles. e posto dias foy conhecido d elrey. como quem hia fugimdo pêra Penagundy aqueixar a elrey d elle. e que d esta maneyra serya rey. e que se sayse d aquella cidade secretamente a huúa fortalleza do capitão que lhe carta. e o tinhao preso. e coobra as ditas cousas. omde em poucos metido. Ouvimdo ysto Narsenayque. hordenarya contra elle de tal maneyra que lhe perdese a obediemsya. mostramdo hir fugimdo. ho quoali se fazya forte e gramde no reyno.

e milhor teve elle. nem d outra pessoa. todos te ajudarão pois he contra a justa causa. Tudo vsto pareceo muy bem a elrey. e a taes oras. e as oras chegadas.17 fantes e thesouro pêra lhe fazer a guerra da sua mão ? Verdade he senhor o que dizes. sem ser sentido de vossas molheres. e vemdo te as goardas híi so sem gente. não hão de saber que es tu. por omde elle querya que elrey fugisse. que era da bamda das casas. que era a fortalleza omde elle acomselhava que se fosse. e passado aquelle d3^a deu o tredor pressa a elrey. disse que nos ponha omde te a ty he necessavro. dise elrey que hera mu}' dezia. e lhe disse: Semdo cousa que vos outros me vejaes passar por aqu}^. vivemdo atee lly em sua liberdade. por ysso detreminay de vos sahir. a quoal orta hera aquella parte se goar- dava de noute com obra de trezentos adargueyros. tall noute. fallou se com aquelque goardavão aquella parte da horta. pois ysso asy he. que não de vinte mill homees. que te alevantarão por re}-. que avia pedaço que o estava esperamdo. o que aveis de fazer ojee. omde terey cavallos prestes seja sentido das goardas. e d ella nos sayremos por húa porta fallssa. eu taa darey muy boa. e tanto que te virem em Chaodagary. e comiguo virdes vir hú home. e vemdo les elle acabado o que desejava. que estaa nesta cidade. e vimde vos a orta. que eu tenho jaa prestes os cavallos pêra vos salivar. matay o. E tanto que foy noute. diserão todos que aquelle serya ho mais pequeno serviço que lhe faryão. e porem elle he muyto mallquisto de todos os capitães. porque nesta orta elrey hia folgar muytas vezes com suas molheres. porque elle mo merece. elre}^ teve cm-dado de se sahir. senhor. com hos quoaes elle se fallou. que eu sey mu}^ bem. e bem o que que asy o faria. respomdeo o tredor. que estão elle. e tudo pos nas suas mãos. que eu vos estarey esperamdo. Disse elrey. tu e eu nos sayremos por esta horta tua. e asy dam- . que manejTa sobre me das pêra sahir d aquy. e d esta maneyra nos sa3Temos fora da cidade. não o deixeis pêra amanhaa. e eu vollo pagarey. e my nesta cidade? Senhor.

Tetarao.eh'ey achado menos. e o matarão. e também por não dar causa a fallarem nelle. que erão as goardas. fa- zemdo se prestes todavya de cavallos e alyfantes pêra se no revno ouvesse allgúu rebollyço pella morte d elrey. e deu lhe conta da maneyra que tevera. e antes que morrese. e por não aver nova nenhúa d elrev. e fo}- llogo soterrado ao pee de húu arvore na mesma horta. ao quoall loguo foy mostramdo por vsso muito sentimento. o quoal se não achou nenhúa nova d elle. ser fugido pêra allgúa parte. e por elle ter tudo de sua mão. foy alevamtado por rey de toda a terra de Nars3'mga. que os mesmos que ho matarão. estes seis anos gastou elre}^ em tornar a terra ao que era d antes. o quoal tanto que foy na horta. posto que não fosse a Crisnarao seu em per- vdade pêra ysso. húu se chamava Busbalrao. e outro Ouamys3-uaya. llogo toda a terra foy alevamtada pellos capitaées. outo contos de pardaos douro. posto que yrmão . e depois d isto veyo quem ho matou. e d este rey ficarão por sua morte cinco filhos. e as terras tomadas. e mamdou húu filho seu que tinha d outo elle anos. que avmda não sabia certo como era. e tornadas debaixo de seu senhorio. ho não sabião. e outro Ramygupa. e reynou seis anos nos quoaees sempre teve a guerra. seu re- gedor. passamdo por emtre dous. e se foy pêra sua pousada a fazer prestes pêra se sahir fora da cidade. e buscado por toda a cidade. remeterão a elle. mays que ser desaparecido. E este Busballrao herdou o revno per morte de seu pa}' Narsanayque. omde po- dese fazer guerra a Narsenayque. E outro dia pella manhaa fo}. porque tanto que o pay fov morto. e outro Crismarão. hos quoaees re}' em pouco tempo forão por este destroydos. mamdou chamar trazer Salvatimya. e dise a Sallvatina que. este rev morreo de sua doemça na cidade de Bisnaga. alevamtase a seu filho por rey.i8 do aviso aos adargueyros. e quoão secretamente fora morto. e ysto acabado sem saberem quem matarão. tanto que morresse. cuvdamdo todos ter a nova. ao quoal Narsenayque fez muyta mercê. ho tredor lho agradeceo.

vemdo os testamentos dos reis passados.K) temcva ho revno. a quem elle mamdara tirar os olhos. e lhos tro-uxese a mostrar per despois de sua morte não aver no revno allgúas diferemças. como adiante vereis. e lhe dise como seu yrmão que fizesse a seu filho rey. e o levou a húa estrebaria. a húa fortalleza que se chama Chão cido degarv. semdo seu regedor Salvatine. posto que de direito lhe viesse. que elle ganhara por força d armas. mamdou llogo a seu sobrinho. sabemdo as cousas do reyno. e três vrmaos seus. dizemdo Salvatina que asy o farva. que também o fora de sseu yrmão Busballrrao. porque jaa esta hera mem a derradeira ora de ssua vyda. ou a quem herdase este re3"no de Narsymga. que hera de ovto anos. tanto pêra ser rey. e depois de ter 3^sto fevto pêra ssua seguramça. mais que ho filho de Busballrrao. nem Ouvido ysto. vemdo ysto Sallvatina. &c. obedeem todo seu reyno. ou que a elle lhe tirase os olhos. esteve na cidade de Bisnagaa húu ano e meyo sem sahir fora d ella. e os levou a mostrar a elrey. e lhe tirou os olhos. disse que não queria ser rey. seu yrmão. e nella esteve atee que morreo. e lhos apresentou. e mamdava que a seu yrmão-. pois que não tinha feito por lhe tirar os olhos. e vemdo o hode vinte e tantos anos. e tanto que elrev fov morto fov allevantado por rey seu yrmão Crisnarao. cujo regedor seu pay Narsenayque fora. mamdou trazer húa cabra. se fov. e mamdou chamar a Crisnarao seu yrmão. Crisnarao nada de seu revno. em que dizia que mamdava a seus filhos. Capitullo das cousas que fe^ elrev Crisnarao depois de sser allevantado por rey. Depois de Crisnarao ser alevantado por rey. filho de Busballrrao. antre os quoaes achou hú d elrey Narsymga. que elle se querva hir por esse mumdo como Jogue. e que lhe não tirasse os olhos. que .

E despois d esta fortalleza tomada se partio. em que avia de hir avante pello reyno d Orya cem legoas. noquoall tempo fez muitos caminhos por serras. a quoall e nella captivou húa tia d elrey d Orya. e depois d isto acabado chamou Sala quoall foy captiva e vatinya. e quoão fazer gente. determinou logo de sobre ellas. derribamdo muytos penedos pêra poder dar lugar a sua gente chegar as torres da fortalleza. e quoatrocentos de cavallo. húua d d Or3^a. e elrey esteve sobre ella hum anno e meio. e que pêra 3^sto fezese prestes mantimentos. e detreminamdo de hir sobre ajuntou trinta e coatro mill allyfantes. e coms3guo. e outras muytas. húa delias se chama Rracholl. o quoall era tão estreyto que não podia hir mais de húu home ante outro. ella. no quoal caminho fez gramde estrada. e trouxe coms3^guo mil e trezentos alliífantes. e pagase a gente bem seus hordenados. e hir mall os reys passados fezerão o que nelle lhe ficara encomemdado. e trazia qu3'nhentos mill homées de pee. e a cercou. que lhe a llevou tomada com toda a cortesya elle poderya fazer estamdo ent sua liberdade. e elre}^ húa destas fortallezas se chama Odigair. omde poderão chegar a fortalleza. e outra Medegulla. e vinte mill homés de cavallo. porem que elle se não comtentava com tão pequena cousa como aquella. e não se pode tomar senão por fome. e outocentos chegou com esta gente a cidade de Digary. per tomou por força d armas. Sabendo Crisna- . e foy sobre Comdov}^. e lhe disse que bem vya como tinha feito o que el- rey Narsymga e em seu testamento deixava emcomemdado. que aquelle tempo hera tão forte que não podião hir a ella senão por húu caminho. naquoall estaryao dez mill piois. e sabemdo ysto elrey d Or3'a veyo sobre elle a defemder suas terras. que era húa primcipall cydade do reyno d Orya. E vemdo Crisnaro este testamento. e homés de pee. as quoaees que por sua morte lhe ficavão elle não tomou por lhe fallecer o tempo pêra ysso.20 tomasse três fortallezas alevantadas. por que a fortalleza não tinha necesydade de mais por ser muyto forte.

que se elle quysesse pellejar com elle. e e allyfantes. e pelejou tão lhe fugio. ao quoal recado elre}' d Oria não respomdeo. mas antes se fez preste para lhe dar batalha. dizemdo que antes ho querya aver com a pessoa d elrey e com sua gente que còm a cidade. e elrey Grisnarao asentou seu arayall d aquém do ryo. no quoal desbarato lhe tomou muytos cavallos E despois d elrey ter ysto acabado. dise a Salvatinea seu regedor. e lhe daria a batalha. E vemdo elrey Grisna- rao sua determinação. con tudo passou elrey Grisnarao ho rryo. e quoamdo não que elle passarya. e com o rio outra vez. pêra poder passar o rio a sua vontade. e a borda d elle bravamemte que desbaratou elrey d Oria. e deu a capitanya d ella a Salvatinea. e da outra parte do r3'o estava elrey d Orj^a com sua gente. e lhe pos cerco. que era e esteve três mezes sem . e mandou lhe húu recado. o quoall deixou nella de sua mão por capitão híí seu 3Tmão. que tornasse atras aquella fortalleza que lhe ficava sem sentir suas forças. e húu filho seu. sem lhe dar combate. a poder tomaar. que depois lhe ficarya tempo pêra a tomar. omde estavão todollos primcipaes do reyno. em que entrava húa molher d elrey. que não avya cousa que o esperase. e himdo no allcamço d elrey d depallyr. que elle se afastarya atras do rio duas legoas. omde esteve sobre ella dous meses. omde morreo muyta gente. que captivou. e passou avante rao a quoatro legoas d ella. e no passo do rio ouve grandes encontros d amboUas partes. se quizese sair lhe nas costas. e chegou a húu ryo gramde d augoa sallgada. chegou a húa cidade que se chama Gomelrey avante por o reyno d Orya. deixamdo gente pêra poder defem- der a sa3'da a gente da cidade. que passarão a vao. e a tomou. na quoall fortalleza achou muyta gente honrrada. e se veyo por sobre ella.21 vymda d elrey d Orya deixou a cidade. passou a ribeyra con toda sua gente e allvfantes. por ser primcipall cidade que no reyno avya. a quoall tomais mou per força de gente que de armas. por hir passamdo elrey Orya tomamdo e destroymdo toda a terra.

pêra que com elle. no quoall estamdo allguus dias. que cativarão na primeyra fortalleza. que folgarya de ho ver jugar. e que pêra isso lhe desse d espaço atee outro dia. foy avante pello re3no sem achar quem lhe de- femdese nada atee chegar a Symamdar}'. e naga. então será sua molher dada aos ferazes dos cavallos d elrey de Bis- E despois disto feyto se tornou. e nella fez húu pagode muito honrrado. ao quoall lhe respom- deo que comettesse de casamento a elrey com sua filha. e dizemdo 3"sto matou sse. disse a elre}/ que numca Deos quisese que elle çujasse as mãos em home que não fosse de ssamgue de rey. lhe mamdamdo fez muitas obras. e mamdou vir hú home seu que aquelle tempo d aquelle tempo muito sabia. mas antes era home baixo. e se ve3'o a Bisnaga. nelia esteve seis meses esperamdo muytos recados que o esperava em campo. e nesta cidade por elrey d Oria. os de Bvsnaga. mamdou chamaar ho filho d elrey d Oria. e que com ysto lhe darj^a sua molher e tomaria suas terras. apagamdo as. o quoall nunca ve3'o. disse o moço que pois sua alteza o mamdava. que remédio terya pêra resgatar sua molher. deixando a mayor parte d estas terras aos pagodes. e sete capitaées primcipes de seu reyno. e sabemdo seu pay como jugasse seu filho hera morto. e elle quoaes todos mamdou caminho cem legoas. então elre}^ d Orya dará batalha a elrey de Bisnaga. pois seu filho era morto. dores a Bisnaga a cometer casamento de . que faria ho que d isso soubese. e mamdou embayxacom sua filha. que hera húa cidade mu3-to gramde.22 primcepe. avemdo desprazer d elrev per o mamdar jugar com hiju home que não era o filho d elrey. e as esmollas aos pagodes. e vimdo o outro dia o mamdou elrey chamar. e nella mamdou estas letras por húas letras que dezião: Quoamdo forem apagadas. e que jugava d espada e adarga muyto bem. e lhe disse que lhe dizião que hera home muv manhoso. ao quoall deu muyta remda. o quoal conselho elle tomou. e vemdo ysto o filho d elrey d Oria. escrèveo a Salvatinea. que em poder d elrey estava.

e tanto que el- rey d Or3'a soube sua vontade. Dentro na cidade avia cem mill homêes de pee. e despois das ribevras acabadas. e matasse todos. os quoaes se defemderão. e temdo lhe tomada sua molher e as terras d aliem do rio. e este rio fo}. que hera terra de húu senhor que avia cimcoenta anos que estava allevantada. que Crisnarao em poucos dias os não entrasse. a quoal se chama rao fo}^ . húu conto e seis . e vemdo ysto elrey Crisnarao. que lhe tinhão embargados seus desejos. e que se lhe passava o tempo sem fazer o que desejava. como atras conta. e detreminou de hir sobre Catuir. e fo}^ sobre ella. detreminou de hir sobre a terra de Catiiir. e pellejarão mui bravamente. lhe mandou sua filha. esta terra he do em bamda de Charamãodel.feito em cincoenta ribeiras. e levava tanta augoa que elrey não lhe podia fazer nenhúu dapno. Depois de Crisnarao ter feitas as pazes e casamento com húa filha d elrey d Orj^a. e três mill de cavallo. e foram feitas em pouco CO tempo. e nesta cidade achou muito gramde thesouro. E no tempo que Crisna- sobre esta cidade era ymverno. porque tinha muita gente. e pos cerco a húa primcipall cidade. pella quoal causa a ribeira que a cercava hia tão gramde. fez muita gente prestes. e as d aquém do ryo deixou pêra s}'. mamdou abrir muitos ribeiros pêra poder cercar aquella primcipall. e tornou lhe as terras d aliem do ryo. depois de feito pa:{es com el rey d Oria. abrio as bocas no ryo. omde e o senhor da terra estava.2^ que elrey Crisnarao fo\' muito contente. em dinheiro de contado. cercada d augoa. e lançadas per omde a augoa hiria. Capitullo como Crisnarao. mas pouco lhe aproveitou. ao quoall mu3-to prestes descobrio o debaixo. e com a vimda d ella forao amiguos. e ficou vao que lhe deu llogar para chegar aos muros da cidade. em que entrava.

Capitullo como Crisjiarao detreminoii. por que despois que vierão d Orya num ca mais fora a ella. e Salvatinea levava duzentos mill homees. com a vimda de Sahatinia. omde morreo na prisão d elrey. se veyo a Bisnaga. antes que chegasse. e as mamdou e meter mamdou a elrey Crisnarao. e de sua mão estava nella seu yrmão. que era tomar lhe Rachol. achou no caminho húu mouro. com hos quoaees veyo sobre elle. d omde mamdou a Salvatinea a cidade de Comdovy. que era capitão d elrey Daquem. afora as joyas e cavallos. las allgus meses. e trazido a Bisnaga. hir sobre Rachol. e tomou. que era húa cidade muito forte. como primcipall pessoa do reynno. de quem foy bem recebido. e Salvatinea pêra muyto dynheiro e elrey os e joyas. e cavallos e allyfantes. omde morrerão. e allyfantes. que fosse a terra. que muitos. cidade dofdalcão. damdo a cada húu o que lhe era necessaryo. e Sallvatinea foy se pêra suas terras. e avia lhe muyto pouco medo. e despois d estar nel- asy por en regimemto e justiça. que sé chamava Madarmeluquo.24 centos mill pardaos d ouro. e das primcipaes do ydallcão. que elle tinha tomado aos reys d antepassa- . que hera o senhor da terra. e polia regimento. se tornou a Bisnaga pêra elrey. que era capitão d ella. o quoall estava esperamdo com sesenta mill homees. E despois d elrey ter a terra asentada. lhe disse elrey que elle desejava de comprir em todo ho testamento d elrey Narsynga. e a ve\ão porque. foy captivo. em prisão. e o capitão que dentro na cidade estava. e desbaratou. Despois de chegado Salvatinia. e quebrar as pa^es de tanto tempo. despois de ssua chegada allgúus dias. e partido Comdovy. e despois d essa terra acabada de tomar. Crisnarao a repartio sobre muytos capitães. e muyto bem rece- bido d elrey. e cativou a elle e a ssua molher e filho.

lhe disse Salvatinia que ahy av3'a muita razão pêra quebrar a paaz. e por ellas serem feytas com comdiçoés. e queremdo ho ydallcão dissimuUar o tall caso. como antre elles era. per quoanto era seu amiguo. dise e que elle escreverya ao ydallcão. de que elre}' de Bisnaga comfiava per alguas cousas em que ho jaa emcarregnra. e fossem pedidos que Uogo fossem entregues.' porque no rcNno do ydallcão erão lamçados muitos remdeiros. deu a este cide Dabull. que estaa duas legoas de Goa. em que numca se fizera outra tal. Tanto que a carta foy llyda ao ydallcão. que não quisese que húu tredor fosse causa de ser quebrada húa tão amtiga verdade. e devedores a ssua al- que não lhos damdo elle a paaz. capitaées alevantados. e parente de Mafumdo. a3'mda que muytos forão contra este comselho.2? dos. por fim de todos acordarão de lho não mamdarem. e que lhos mamdasse pedir. ho quoall cide Merquar era mouro. asy de húa bamda como da outra. a que chamão Pomdaa. que por serem tão antiguas não sabya por que maneyra as quebrasse. de como lhe levava todo o dinheiro. por dizer que o não . ou outros malfeitores que lias suas terras se acolhessem. Tanto que derão as novas a elrey da teza. que lho mamdasse loguo. e mamdou ler a carta que d elrey lhe era vymda. quoaeesquer remdeiros. que elle ho mamda- rya con todo ho dinheyro. e por que ahi avia a paaz. e passava de corenta anos. Lloguo elrey fez escrever húa carta na quoall lhe dizia d amizidade que tantos anos avia. dizemdo que era húu homem letrado na sua lev. mamdou chamar os seus cacizes e homées do comselho. dizem allgúus que tanto que ahi fo}^ lhe escreveo ydalcão. E sobre veyo neste tempo ter elrev mamdado a cide Mercar com corenta mill pardaos a Goa. o quoall chegamdo a húu lugar de mouros. e então tinha razão pêra quebrar com fugida de cide. antre as quoaes eráo que. a comprar cavallos. por homde fugio d este Pomdaa para o ydallcão. sobre a quoal carta forão ávidos mu3'tos acordos. antre húus e outros. levamdo todo o dinheiro comssyguo.

Estas cartas que elrey mandou a estes senhores foy húa gramde cautella. do quoal lugar de Da- forão elrey sem mais saberem parte d elle. se fizesem prestes. quoanto as vontades. tiga. vimdo os memssageyros Zemelluco não pode escusar de não mandar a sua 3Tmaa allgúa gente. que detremi- nava de tomar do tall vimgamça. e se diria que. o no que podesem.lida de todos fosse ouv3-da. des de seu comsselho. Tanto que dise que. damdo lhe parte do que queria fazer. mamdou loguo vir diante d elle os grammamdou ler a carta em alto que £03. damdo lhe conta do que era passado com 3'dalcão. os do comselho lho diserão a elre3' que per aquelle dinheiro lhe não parec3-a bem. lhe ajudarjão com esta reposta. mas que elles sabião que cide se goardarja bem elre3' de ssa armada. mas day sobre Rachol. porfora que se elles forão da bamda do vdalcão. nem deilc sabia. que agora he do ydallcão. lhe diserão: Senhor. dos quoaees senhores lhe foy respomdido que fazia bem. Como tornados hos d elrey com a reposta do 3dallcão. ouve por quee brada a paz. que se cide ouuesse de vir aquella guerra que por se tomar vimgança d elle. mas vemdo os do comselho que estava jaa de todo demovido a fazer guerra. que ane o 3-dallcão tigamente foy d este reyno. quebrava a paaz tão anque olhasse que em mouro não avia nem verdade. fazendo suas cartas a prestes sua partida luco. elle sem outro mais acordo. tomou por 3S0 gramde sentimento. pellos ter da ssua bamda. bull o cide fugio. que olhasse que se diria. e fallar3'^a pello mumdo. por tão pouca cousa. e ha de vir a de- femdello. Ouve elre3" este acordo por bom. não na façaes por essa via. a quoall estava casada com ho ydallcão. que elles e Desturvirido. que então serva bem que morresem os que ho acompanhasem. e como lhe detreminava fazer guerra. que cullpa lhe avião os outros no mal que cide fezera.26 tinha coms3'guo. e a outros Demellyno. que gente não na avia mister d elles. e mamdou Madre Ma- senhores mayores. então tomaras juntamente a vimgança de húu de outro. numca .

Adapanayque. e asy hião outros capitães de dez e doze mill homées. e duzentos de canão levava alyfantes. trás este hia Timapanayque. que se chamava Camanayque. trás este hia Gomara. Despois de ter elrev seus vdollos. e de espimgardoées. e levava oytenta mil homés de pee. e vinte alvfantes . e dez alyfantes. aquoall hia d esta maneira. e trinta mill homés de pee. governador da cidade de Bisnaga. mo caés. o pagem do betelle d elrey levava qu3'mze mill vallo. foy vemcido como ao diante vereis. trás este hião três capados. partio feito suas ofertas e sacreíicios a da cidade de Bisnaga con toda a sua gente. e dous mill. se roem co vemcedor como foy. Comarberca levava o}to mill quatro centos de cavallo. e C3'mco mill de cavallo. por ser mor senhor que elles. e cim- coenta alvfantes. e seus allvfantes. levava a dianteira con trinta mil homés de pee. e levava cento e vinte mil homées de pee. que levavão corenta mill cavallo. e vinte aly- fantes. em a lua nova. e rey. e mill de cavallo. e dous mil de cavallo. e se desejão ver hús a outros destroydos. e sasenta alvíFantes. e mill de quimze alyfantes. elrey levava de ssua goarda seis mill de cavallo. e por nos mouros aver pouca verdade. no mes de mayo. e e alyfantes. adargueiros. piois. convém a saber. diguo. o porteiro moor. e de cavallo dous mill e quynhentos. trinta mill homés de pee. que levava mill de cavallo. levava sesenta mil trás este hia homées de trinta pee. privados d elhomes de pee. e três mill e quinhentos de cavallo. homes de pee. e corenta mil homes de pee. . trás este hia Comdamara. na era de mill e quinhentos e vinte dous. e llamceiros. com húu capitão seu. e corenta alyífantes. archeiros. e a gente do Guvmdebenga fov por outra parte com a gente de Domar.mas como quer que ho ydallcão de todos elles he desamado. de cavallo seis mil. de que não faço men- ção por lhe não saber os nomes. que he muvta gente. levava cem mil homées de pee. trás este hia Trimbicara com cimcoenta mil homées de pee. trás este hia a gente d Ogemdraho.

de todos os mantimentos. os allifan- vão com seus castellos. obra de dez ou doze mill homées de hodores. trás elrey. sempre amdão asv afastados. ysto porque lhe não moura a gente a sede. Nesta hordenamça. de vinte mill. Traz elrev de costume. e as}.28 os melhores de todo seu reyno. que são aquy sem conto. as que forão com elrev nesta viagem. nas costas d estes vão dous mill de caa dão a todos aqu elles que não faz vallo. sempre pello caminho diante de s}'. como dito tenho. dos cavallos da terra são todos estes archeiros. muy talháveis e agudas. e asy os espimgardeiros.levão to- dos os outros mesteres. estes são como corredores que vão sempre descobrindo a terra. adargueyros. não fallo aquy nos maynatos. que amdão buscamdo augoa. nas cabeças suas armas do theor dos laydes. tamtes de peleja bém levavão allgús tiros de fogo. sempre vão nas costas d estes corredores. com que fazem gramde dapno. e trezentos allyfantes. e com elle gramde numero de mercadores. diante de toda esta gente vem três ou coatro legoas atras. dos quoaees pelejáo coatro homées de cada húu. achaes logo tudo o que aveys mister. e nos dentes suas navalhas. domde . os cavallos emcubertados. e tem quem lha leve. porque omde quer que his ter. obra de cimcoenta mil homées. nem nas molheres solteiras que passavão. e se põem no caminho. archeiros. afora outros mu3'tos que jaa erão diante. também os ah^fantes vão emcubertados. e toda a outra gente ysso mesmo muy bem armada ao seu modo. estes lavao roupa. pode cada húu cuydar a recovagem que poderya levar tanto numero de gente. partio da cidade de Bisnagaa. os archeiros lades. e os adargueiros com ssuas com suas espadas e gomedares na cinta. e elles com sseus llamdes e armas nos braços. asv embotidos de algodão. e todo capitão tem seus mercadores que lhe são obrigados a lhe dar todo ho mantimento que lhe he necessário pêra toda sua gente. as adargas são tamanhas que não hão mister armas pêra o corpo que ellas co- brem tudo.

asy como lhe era mandado. Vemdo os capitaées quoão mal os seus se chegavão por causa dos . mato sem ter gota d augoa. e todas as cousas em seu comcerto postas. o porteiro moor Camanayque foy asentar o arayall bem che- gado as cavas da cidade de Rachol.29 haa de pousar e dormir. d omde comveyo aos seus cometerem a. por quoanto os da cidade estavão muy fortes. e amdarem narea d elle fazemdo el- covas pêra acharem algúa augoa. e despois de terem seus bramenes acabados suas serimonias e sacreficios. hos da cidade os receberão com muvtos tiros de fogo grossos que tinhão. de se lhe fazer húa cerca de e espinhos. E estamdo elrey na cidade de MoUabamdym. que partisse. que os pagodes lhe ti- nhão dado synall de vemcimento. e cada capitão asentou sua gente. mas elrey não quis. como quer que os do cerco estavão tão chegados as cavas recebião gramde dapno. cidade de muv fortes e rijos combates. que estaa húa legoa da cidade de Rachol. lhe achegou gente do rey de Bisnaga. e com muitas espimgardas. diserão a elrey que era tempo. e a gente pêra de Domaar. omde asentou seu arayall alli dar algúu descanso do trabalho do caminho a gente. loguo mamdou os mouros reaes levamdo a dianteira. de dentro da quoall he asentada a sua temda. neste comceito foy rey atee chegar a cidade de Mollabamd3^m. tanto que asy forão todos juntos. omde muytos d elles perderão as vidas. não cesamdo os d elrey de combaterem a cidade. comcertamdo as cousas que pêra o cerco de Rachol erão necessarjas. e bem apercebidos de tudo o que lhe era necessaryo pêra sua defemssão. e quiserão afastar se. e se não que morressem todos. dizemdo que os não mãodara por ally se não pêra que logo lhe fose entrada a cidade. que passamdo húu rio que dava quoamdo chegarão a elle por meya perna. no quoal caminho se vio húa gramde cousa. o quoall asy se fez em todo este caminho. antes que pasase a metade da gente foy todo seco. e com muytas frechas e espimgardois. e asy outros mu3'tos capitães com muyta em- fimda gente.

mas como quer que a cidade em sy seja tão forte como he. avia na cidade mantimentos pêra cimco anos. e cymcoenta fanoées. he da bamda do norte. e quoatro centos de . tem húa fonte de augoa que corre todo ho anno. davão. asy durou o combate por espaço de três meses atee que veyo o ydalcão em socorro. e a gente que nella estava era toda escolheita e husada na guerra. são os muros todos emtuchados de dentro de terra. três legoas. tem no mais alto sua fortalleza com húa torre mu\' alta e forte. de liberalidade e manha com que lhe começarão a comprar as pedras que dos e cubellos tirassem. usarão. Esta cidade de Rachol estaa em meyo de dous rios gramdes. omde não ha arvores. e por misteryo. no alto. se não muv pou- cas. mete- rem em aperto. afora esta fonte tem algús tamques d augoa e poços. omde estaa a fortalleza.o temor da morte que antes tanto temyão. e alguas pedras gramdes. Tem a cidade três cercas de forte muro de gramde cantarva sem cal. de cada rio ha cidade ha húu dos e rios do }daIlcão. Agora quero que saibaes do asento. matavão muyta gente nem por ysso cesavão os combates. que he bamda do sull. tem em sy grandes allagoas d augoa. e cada dia cada vez mays fortes com cobyça de ganharem o que lhe davao. a desfazer per a cidade com esta manha e co- meçarão muytas partes o muro. que por augoa não avyão medo serem tomados numca. tem na por cousa santa. e de vinte. que vyão morrer. e da gente que tinha. e hííu gramde campo. e as}' davão certa a elrey.uro homem morto. e poços. e cousa ao que trazião do pee do m. que húa fonte que estaa em alto lugar não deixar de ter augoa por húa maneyra. e da cidade. por que pedras avya de dez. e allguus regatos pequenos homde a cidade estaa asentada. e hííu outeyro que parece húa mama que a terra deytou de sy. e de corenta. tinha oyto mill homêes de guarnição. e outro da fica este de Narsymga. e muros e segumdo a pedra era. asy que o dinheiro e o que tirava ali}. que he da bamda campo no mevo d estes dous rios. asy lhe trinta.3o elles.

por fora da cerca toda a redomda estaa a goarda sua. temda d elrey estava com hiía cerca gramde de espinhos. que são os que llavão. &c. e tem carreguo do seu ydoUo. e toda a cerca. a quoall ho vegião toda a noute a seus quoartos chegados. porque da bamda do norte e do sul estaa asentada sobre gramdes pedras que a fazem muy forte. o prim- duzentos a gente combate que tem he da bamda de leste. fora de toda esta gente. e capados que sempre amdíío na camará. estavão os corredores de que jaa tenho dito. tinha trinta trabucos. d vante estavão todos os outros capitaées ally pêra com suas yns- tamcias hordenadas. pêra ver se quoaes tem carreguo de toda a noute amdarem no campo podem tomar algúas escuytas. e a força do cerco. com húa porta em a quoall estavam seus porteiros. segumdo a cada húu era emcomen- dado e mamdado. com as quoaes fazião muvto dapno. da bamda de leste era ho cipall asento d elrey. a quoall era tiros grossos. da outra bamda os maynatos. . com húa so entrada. os cubellos que tem pcllo muro são tão juntos que se emtemde ho que fallão.3i cavallo. tanto que da cidade soube da vimda d elles. Capitulo da maneira que elrey tinha seu arayall. cerrarão as portas com pedra e cal. os quoaes deitavão muv grandes pedras. que elle sempre traz comsyguo. tiramdo outra meuda. em arayal so- bre sv. e asy pousavão outras pessoas que tem ofícios que tocão a pessoa d elrey. nesta Ha goarda estão aposentados os oficiaes da casa. e posto que d ambas partes fose cercada. e vinte alyfantes. de húu a outro tinha asentada sua artelhar3-a. pousavão de dentro d esta cerca o seu bramine que ho liava. despois de terem recolhido húu capitão do 3-dallcão que veyo com gente a ella. os e vigiarem.

no bairro de cada capitão tem sua praça. e outros tamgeres que husão coando os tocavão que queryão dar combate. afora outros muytos carregos. era de ver os mercadores dos tos se gastão panos os quoaes erão sem conto por ser cousa que tanpor serem d algodão. era ver a muyta jnfipalha. cabras. gallinhas. e louçainhas. aquy achareis todos os robis. com toda a outra pedrarj^a a vemder. carneiros. por que ah}' veríeis fazer joyas d ouro. perdizes. se deixava vir abaixo. minguo. e a to- . e outras sementes que elles comem. os quoaes estavao chegados ao logar homde melhor podessem lavar sua roupa. av3^a outra omde acháveis em gramde abastamça ho que avieis mister. como temdas e outras cousas. las por que nestas taes praças vemdem aquel- que nas nossas partes chamamos regatoees d arte. e ysto em gramde abastamça. tiramdo que não ponho aquy tanto symdeyro tes gramde numero de bois que nes- trazem todos os mant3-mentos. e se no tempo que asy dava hiãa grita tava alguúa avee de vir boamdo. e quinhentos e cyme asnos. e diamaées. aliem d estes. todo ho arayall estava aruado em ruas aruadas. tanto que vos parecia estardes na cidade de Bisnaga.32 também estavão em araval sobre sy. milho zaburro. e peroUas. mays he mister^-o que outra cousa se deve ser abastamça d ella. grãos. omde acháveis todas as carnes. e outras aves. com d estas se acermedo de se não estrever sahir do arayal. ora ver os atabaques e trombetas. não parecia se não que o ceo vinha abaixo. cada húu pode dous mill cuydar a herva e palha que cada dia comeryão trynta e e quatro centos cavallos. porcos. e coenta e hiju alifantes. de maneira que quem não que estava tevesse que fazer que ver não lhe parecia em guerra. convém a saber. não se}^ quem no possa contar pêra erva e nita que seja crido por ser huúa terra tão seca esta de Rachol como he. pois ver os mestres em suas ruas trabalharem. asy acháveis mu3'tos emfimdos arozes. que são obrygatoryos. por ser d área. lebres. mas que estava em huíía prospe- rada cidade.

o quoal elles tinhão também goardado que não avya poder que lho tomase. nem fez nada de sy. na gente baixa. e asym lhe desem o aviso de tudo ho que fazia . que muytos diziao que era a pouca conta que elrey d elle fazya. que d estes tomavão muytos. que llogo o hiria buscar. e avmda em sv tinhão o medo que antigamente tinhão aos mouros.33 mavão seria as mãos. se ho acometer. e que naquello moshiria ally trava quem elle hera. e o seu gramde poder. Allv esteve ho ydalcão allgús dias por ver o que elrey fazia. omde estava. o primcipall que ysto dezia era Améostaem. Estando elrey. aquelle que era capitão de Pomdaa no tempo que dom Guterre hera capitão de Goa. primcipalmente a gado ao ryo da bamda do norte. e deixo de fallar mais d isto por que numca acabar. mamdou elrey os espias que sempre amdassem sobre elle. não se mudou. por que asy lhe parecya a elle e aos seus que tanto que elrey soubesse que elle ally estava. primcipallmente milhanos. vemdo ho ydallcão que elle não se mudava ouve com os seus cohselho. no quoal ouve muytos acordos pellos desvavrados pareceres que neles ouve da estada d elrey. lhe veyo novas certas combatemdo a cidade de como ydalcão hera chee que ally asentava seu arayall. e que ally. se defemderyão d elle per bem do r}o. como dito he. que vissem ho que fazia. e que não esperava se não vellos passados da outra bamda do ryo pêra llogo ser com elles. Rachol. que não tinha outro vao se não aquelle que perto fosse. Capitulo como elrey combateo a cidade de Rachol. quoanto mais aquelles que afim herão negros. Emquoanto elrey soube que os contrayros estavão da outra bamda do ryo. outros de- . quem numca fallta sospeitas. e torno a batalha. com esta nova ouve no arayal allguú allvoroço. miIhor que em outra parte.

e que aymda trazia algús velhos que nisso forão. dise que com sua artelharya queria desbaratar o rao de Narsymga. e d azaguncho. e posto que em numero não fossem tamtos. vemdo a gramde artelharya que tinha. sua gente que correrão ao arayall perdera elle nem perdera Rachol. aquy lhe pidio a dyanteyra Comargrão senhor. e como lhe derão as outras novas que asentava seu arayall. de feyto verva o que se devia fezer. que não hera bem mostrarem tamanha fraqueza. e a mane3Ta que se terya se dos contrayros fosem acometidos. e cento e cincoenta alyfantes. archeiros.34 que não. e fez fortallecer ho arayal de fortes cavas. mamdou elrev asentar seu araval . e que devião passar o rio. o quoall foy olhado pello ydallcão que se contentara em estar ally. que he seu sogro. e rya. ho quoall arayall fora asemtado ao lomgo do rio por bem da augoa que lhe não fosse defemdida dos contrayros. feyto e que despois ho allardo achou que tinha cento e vimte mill homes de pee. este levava comsyguo trinta filhos homees. mas que elrey não deixava de ter os tempos passados. que ho erão em que elles erao com estas e outras cousas que antre elles passarão. e que fizesem prestes que llogo que- rya passar o ryo. Com d elrey não se este acordo avydo passou ho vao. e que não ouvese nelles mudamça atee que os contrayros fazião. e visto por elle. Tanto que derão nova a elrey que ho ydallcão era passado o ryo. feyto ho allardo. e espimgardeyros. que he rey de berya. e que lhe porião diante. e que quoanto alymays estavão. e mamdou asentar sua artelharya toda na frontae d ally mamdar da hordenou suas estamcias. e dezoyto mill de cavallo. mamdou mover e toda sua gente a quoall partio em sete azes. e foy se por três legoas do reall do rey. e adargueiros. e hir se ver com elle. senhor de grã terra. Mamdou ho zião 3dalcão que se fizese allardo de sua gente. e os muytos vemcimentos que os mouros ouverão d elles. mamdou que todos fossem prestes. Serigapatão. e se fazião fortes. menos fazião em s}^ e fazião nos contrayros.

e os bramidos dos allyífantes não hay quem ho sayba dizer ysto como hera. os mouros estavão comcertados como aquelles que esperavão que elrey os fose cometer com todas as batalhas. e fallaseis por acenos que d outra manevra não podíeis ser emtendido. e sayo húu dos capitaees que estavão dentro. ficou o dia da batalha pêra o sábado. que húa legoa do ydallcão. Vemdo que escllarecia jaa o dia de ssabado começarão no arayal d elrey os atabaques. não menos. pois o rimchar e allvoroço dos cavallos. e vegiar toda a noute. quoamdo elre}^ mamdou que movesem as suas azes dianteiras. e como quer que húus e outros estevessem tão juntos a seus enemigos. e outros tamgeres tamger. mas he verdade que pêra ho contar apenas será cr3^do o gramde espanto e temor que punha aquelles que o omyão. que o tem por bom dia. com certa gente de pee. era de maneira que se queríeis allgúa cousa hereis mudo. e trombetas. que parecia que ho ceo vinha a se ajuntar com a terra. e al3^famtes. foy sempre ao lomgo do ryo nas costas d elrey o fim pêra que não se soubesse somente que cada húu podia sospeitar. que os mesmos que ho fazião tinhão temor de sv. o quoal hera hiju capado. e asv os homees a gritar. pois os contrairos. numca deixarão as armas. tanto que elrey elle esteve quedo. e mamdou não dese batalha. que lloguo querya dar nos contrayros. começarão outro tanto. o que llogo foy fe^lo. Como elrey foy partido de Rachol. temdo sempre suas espias no campo. e o fim da batalha.35 que fosem todos armados em amanhecemdo. . jaa todos no campo como erão na diante3Ta jaa seryão duas horas de ssol. que ao ydallcão e aos seus asentou. e era a sesta feira. e acometerão aos contrayros tão desva^Tadamente que lloguo forão mu}tos d elles postos por cima das cavas e baudes que os mouros tinhão neste tempo. que ferisem nos enemiguos de maneyra que não deixassem homem a vyda. os do comselho diserão que era mao dia. a ver ho que se passava. com duzemtos isto de cavallo. os de dentro abrirão húa porta.

que comveyo aos d elrey retraer sse atras. e avyão de morrer pedido ausa da morte segumdo ho tem de costume. como era muyta. comveyo lhe tornar a virar contra os enemiguos. e pêra ysso tinhão prestes toda sua artelharya pêra quoamdo a s}' viese ho despayramento do corpo da gente. e que elle viria os que com elle hirião. a quoall disparamdo. comveyo lhe deixar do que lhes compria pêra sua salvação. loguo remeterão todos. pêra que ho desse as suas molheres em synall da sua morte. mas todos mouros trás elles deribamdo nelles. nem que lhe tevese rosto. que não . moveo com todas as outras azes. tarão com ella muytos de cavallo. de mane^Ta que lhe não ficou contra3TOs virão que elles começavao de deixar o campo. Como elrey vio da maneyra que os seus vinhão começou de dizer que os seus traydores.36 asy lhe parecya. por que os mouros vinhão com elles como homees que seguião alcamço. Quoando os que asy vinhão fugimdo virão o mao acarro que tinhão nos seus. que não poderia deixar de matar muy- que com a artelharya avia de ser o primcipall destroço seu. e que não se gabarja que ho vemcera. esses senhores e capitaées os d elrey começarão a fugir. e foy tamanho o desacordo nelles com gramde mortimdade que vyao fazer. homem em sella. mamdou ho j^dallcão que lhe desem foguo a toda artelharya. que matos. e de pee. e sahio em hííu cavallo. obra de mej^a legoa. e allifantes. tirou híí anel do dedo a hiju seu pagem. dizemdo elre}^ que chegado era o dia do quoal se gabaria o ydalcão que matara nelle o mor senhor do mumdo. e de se queymarem ellas como tem de costume. e os que com elle estavão a se meter. quero ver quem se conta comiguo. tanto que os derão todos juntos nelles. fez mu}' gramde dapno nos contrayros. fo}' de tall maneyra ho cometimento d elles que não acharão nos mouros quem lhe tevesse rosto. mamdamdo que não deixasem nenhú d aquelles que fugião a vyda. e vinhão mu}^ deshordenados. e dise. Mas quoando virão da maneyra que os acometerão.

e os cavallos que queryao sose estreviáo a soster e bem cercado. hirem adiante. e perdia . que cada húu recolheo toda sua gente. dizemdo que morrião muytos que lho não merebir pella ribãoceira do rio. muytos dos capitaées d elrey forão contar este repouso que elle fez. ficamdo atras Rachol por tomar. e aposentado na sua temda. que se fizesem prestes pêra o combate. não escapavão por o ryo ser de muyta augoa. mamdou tornar a rrecoIher. e os d elrev que estavão de cima que asy como o homem parecia era morto. e tanta honrra. mas como homees não podemdo sahião sonem os outros não que metião no ryo. que. mas como quer que os seguião tanto numero de gente.ho arraval que tinhão tão forte. e fazião d elles emfenitos pedaços. e se elle ho não queria fazer que mamdase a algús d elles que o íizesem. El- rev se ao arayal do vdallcão. e que não deyxassem de hos seguir todo aquelle dya. e allyfantes. e homées. aos quoaes respomdeo que muytos herão mortos que não tinhão culpa. Vemdo elrey o que passava. atee que elle chegou ao rio. seguimdo os contrayros. e também que lhe não parecia bem. e os alvfantes podião aver d elles erão cruelmente mortos. por que avia de ser d outra maneira do que fora atee llv. que estes fazião ynnumeraveis cruezas. perdidos cometerão o rio pêra nelle se averem de salvar. e que os segurasse. por que tomavão os homées com as trombas. e os que se escapavão. sempre a elrev lhe pareceo que omde o vdallcão perdia tanta gente. e com piedade. e bre os homées de maneyra que hús cyão. e vemdo a morte de tantos. por apegarem hús dos outros. porque ally veríeis molheres e moços que também desemparavão ho arayall. d esta maneyra hião os d elre}'. pois os que amdavao nelle s nos castellos matavão muvta gente sem conto. que se ho ydallcão lhe tinha fevto allgúu desprazer que jaa lho tinha pago. ally veríeis cavallos. dizemdo lhe que acabase de destroir todos seus enemiguos. o quoal fo}' logo feito por todos os capitaées. nem fo}' tinhão cullpa.

e o segu3-o desemparamdo ho arra3^all com todo o que nelle av3-a. se quereis viver. que fo3. no quoal se achou cimco Estamdo elre3^ as3' . e tanto que soube de como ho 3'dallcão hera desbaratado. e tanto que vyo da mane^Ta que os seus viravão. segui me. e as3' o fez. que este tememdo o que avia de ser teve mane3Ta per manha como ydallcão ho escolhese pêra sua goarda com toda sua gente na quoal av3'a quoatro centos de cavallo. e o desbarato que nelles avia. tornou atras pêra se meter na cidade. que não quererya viver sem elle. não curou de hir buscar o vaao.passar o ryo por outro vaao que tinha abaixo. e do que fe:{ Xpovão de Fi- gueiredo. Porque se pode preguntar. &c. e gente de pee.38 todo seu estado. Capitiillo do despojo que dos mouros Jicoii. no arayal. por homde se salvou. e que se allçarya com ella. fo3' lhe forçado buscar por homde se sallvase. diguo que este sempre esteve sobre av3'^so do que passava no campo. o parecer de mu3^tos foy que o que estava dentro lhe pareceo que ficava com a cidade. por estarem mal com elle. elle vemdo em como o não quer3'ão acolher. mas os de demtro o não quiserão acolher. o quoal h3'dallcão se acolheo a húu allyfante. que se- ria morto na batalha. e como quer que Açadacão trazia quem hia a terra. que he senhor de Billgão. e se foy por ella. mas tomamdo a falldra da serra da bamda do sul. dise ao 3'dallcão. o quoal não fora asy. que agora se chama Açadacão. senhor. e por tanto ó não quis acolher. e elrey fequeimar todos os mortos. mas sempre esteve na goarda de Sefallarym. que o 3'dallcão não entrou nella. mamdou recolher ho despojo que dos mouros ficara. que se fez do capitão que 5330 de Rachol com os dozentos de cavallo. o outro capitão que na cidade ficou. e all3^fantes.

e o cavallo com elle. fevtas estas cousas se . e bois. húu grão carro a derredor de sv. por sua goarda na batalha. ally. omde matarão ho cavallo a Salabatacão. tanto fizerão que derão outro cavallo a Salabatacão. e fevtas as honrras que tem em costume de que forão dezaseis fazer. matamdo nelles. o ma3's primcipall d elles era Salebetecão. e cousas que fazião. afora meuda. e matarão tantos. que os deixavão hir. que fov sem conto. por que olhase senão por nelles não avva quem homde se salvar3^a. Ouve de despojo quoatro mill cavallos d Ormuz. afora pavelhões. e fazemdo tão estranhas cousas que pêra sempre avera memorya d elle e dos portugueses. numero das carretas d ellas nove- muvtas temdas. cymcoenta portuguezes dos arrenegados que Ilaa capitaées. omde por ser socorrido dos portuguezes morrerão todos sem escapar nenhúu. Aquy esteve elrey atee que os mortos forão quevmados. amdavão. os portu- guezes fizerão tanto. deixo de contar tanto semdeiro. este trazia. e tanto entrarão pella gente que se acharão junto com a batalha d elrey. cercados dos enemiguos que por todas partes forão cometidos. mill e tantos. sem aver quem com elles ousase d entrar. os quoaees elrey mamdou soltar. que se tornarão derubar a Salabatacão. e quoatro centos tiros grossos d artelharia. se meteo na gente d elrev. mas como andassem todos tão camssae tão dos e feridos por muytas partes. e como quem estimava mais ser vemcido que morrer. os mays pnmcipaes. pello socorrerem. e elle com muvtas feridas fov captivo. e moços. forão o centas. os quoaes se acharão antre os mortos. que este era capitão geral de toda a gente do vdalcão. jaa tanto que nelle foy não parecva senão raivoso lobo antre ovelhas. e allgúas molheres. ouve muytos homées. pellas almas dos que aquy deu elle muytas esmollas morrerão da sua parte na batalha. e outro gado. tanto tem3'ão os seus golpes. fazer e como quer que este Salebetecão vise ho desjaa barato que avia nos seus.íq que erSo captivos. e cem ah^fantes. trabalhando pellos ajuntar pêra húu corpo. numca pode.

e mamdou que fose aposentado junto com a sua ynstamcia. Xpovão de Figueiredo lhe disse que o oficyo dos portuguezes não era outro senão ho da guerra. pellos mouros estarem tão descuydados e sem temor. pello mais emcuberto que pode. o quoall Xpovão de Figueiredo chegou junto dos muros a cava. a elrey. nem com outros tiros que lhe tirarão. que todo ho arayal foy aballado. deixallo sua allteza hir ver aos mouros. Elrey lhe mandou dar gente que fose com elle. atee que o outro dia do outro combate virão os portugueses e os conhecerão. Nesta tornada d elrey chegou a elle Cristóvão de Figueiredo. ele lhe dise que não curasse d isso que não querya que lhe acontecese algúu desastre. por que visse aquella guerra. com cavallos. de mane3Ta que os do arayall teverão lugar de chegar a seu salvo a elle. que aquella era a mayor mercê que lhe pod3^a ser fe3la. e o seu poder. levava comsyguo vynte homés portugueses espimgardeiros. ou d omde virya a elrey aquella gente. e creceo tanta gente aquella bamda. elle também levava sua espimgarda. de lhe atirar de maneyra que matarão muytos. começou. começarão de desempararem o muro. e lhe mamdou dar temdas das que forão tomadas ao ydallcao. dizemdo que Xpovão de Figueiredo entrara asv foi dito com os seus portugueses a cidade. foUgou elrey muito com ella. Húu dia dise Xpovão de Figueiredo a elrey que querya hir ver a cidade. que com ho favor d aquelles hos d elrey chegavão tão sem medo ao muro por homde jaa por muytas partes hera danificado. e sem temer os mouros estavão pello muro. o quoal era naquelle tempo na cidade de Bisnaga. e começarão de derubar mu^-ta cantarya. porque a cidade tinha a artelharya tão alta que não fazia mal aos que estavão ao pee do muro. com os espimgardeyros que levava. os . e da cidade não podião saber que cousa podia ser aquella. veindo quoão descobertos.40 tornou sobre Rachol. então se teverão por perdidos. e tornou a sentar seu arayal como de primeyro tinha. como aquelles que atee 1}^ numca lhe matarão homes com espimgardas.

41 pello ras. vemdo a grita que dentro hia. deitamdo o corpo amte húas amevas. Foy lhe respomdido d algús que estavão ally aquelles framges que ajudavão. rogamdo lhe que quisesem chegar ao muro. aquy vedeis os capitaées d elrev fizesse pedirem a Xpovão de Figueyredo que lhe mercê que allgúu dia dessem nos mouros por e elle. começou com boas pallavras de os tornar. seria. húu dya repartio os espimcomeçarão a matar algúus dos mouros. e Xpovão de Figueyredo. e não ter no baixo bombardeymatavão era com pedras que com espimgardoées e frechas. e com algúus se veyo aquella parte omde vyo que era a mavor pressa. tanto que asy foy morto o capitão. e deixarão o combate por aquelle . e as moIheres com os filhos erão jaa no castello. e que não ouvessem medo. e queremdo elle ver homde estavão os portugueses. e muro desembargado que os do aravall fazião a sua vontade d elle. mamdarão dizer aos outros que acometesem polias suas. amdava aos com garde3Tos em três partes. vemdo ho capitão o desmayo que jaa avia na sua gente. sua parte. e que a gente que atee ly lhe deitavão de cima. que se mostravão. afastarão se o por ver o que dia. muro ser entulhado. foy morto de huma espimgardada que ho tomou pello me3'o da testa. por contentar a esses mays honrrados. loguo foi e derão sygnaes d elle. mas como Xpovão de Figueyredo com os portugueses lhe tolhesem que não parecesem pello muro tinhão lugar de chegar a sua vontade. de maneira que não ousavão d aparecer. que como quer que podião chegar ao muro a seu salvo fer}'ão con tudo. os d elrey começarão por estas três partes cometer o muro com muytos pioees e llavãocas. também Iby de maneira o acontecimento que hos da cidade começarão a desemparar a primeyra cerca. foy na cidade gramde spanto. foy dito pellos mouros que ho matara dias elles. e que não ay\-a quem defemdesse o muro. e que não aparecia homem quoamdo era morto.

&c. gedor.42 Capitullo como os da cidade inerão pedir misericórdia e elrej' lha concedeo. por fora a sua perdição. homde se estemderão no chão com gramde grita e lagrimas. como o mais que . Ao outro dia. com as mãos em a elrey mercê. elrey os e a e mamdou levantar dizendo que elle hos segurava. que não que se tornasem a C3'dade. elre}- pomdo omde em Xpovão d}^- de Figue^Tedo. cidade abrirão hija porta. os da com húa bamdeira bramca diante de sy se vierao caminho do arayall. depois de feytas suas orações acostumadas. tro dia hiria Uaa. lhe pedião mise- pedimdo vimda. mamdou r3-cordia e mercê. toda sua fazemda. que em oumamdou a hiju capitão que fose tomar pose da cidade. se dese aquelle framgue. Elrey se rrecolheo a sua temda. e d elrey olhamdo a gente. seu ree quoamdo elles virão que os sajão a rreceber. que elle e e diserão a elrey que ho vencimento e tomada da cidade matara a seu capitão. se virou aos seus zemdo que olhasem quoanto os do aravall fezerão valh^a húu bom homem. e os da cidade a cidade. e asv forão atee homde elle estava. &c. que erao vinte dias que a batalha era passada. elrey. gramde festa e allegr\-a. teverão esperamça de aver com elles elrey piedade. Tanto que veyo a allva do dia seguinte. damdo a cabeça.do os mouros asv diante ouvesem medo. os olhos com a sua gente matara mu3^tos mouros. que foy desbaratado ho ydalcão. Estam. e do regimento e hordenamça que pos nella. virão Xpovão de Figueiredo. Capitullo como eh^ey entrou na cidade. e da festa que lhe fof feita. e alçadas. Avisado elrey da sua que os fosse receber Solestema.

alevantados todos as mãos pêra ho ceo se deitarão no chão por averem recebido tamanha mercê. espantos de verem tomada húa cidade tão forte.4^ pellas semelhantes vitorias acostumão fazer. com muy gramdes dizemdo que Deos fose louvado. e se a fortaleza. domde ho estavao esperamdo os com mais alegres rostos do que tinhão mas esforçamdo as. e as}' per outras partes por este sertão. asy avia querido que a cabo de tantos anos os viese remir. e a sua goarda foy caminho da cidade. posto que por huúa parte folgassem. Em breve tempo fov por toda a Ymdia sabido as}' a perdida do ydallcão. como as novas fo- ram dadas vos do re}' a Zemelluco. e hordenarão todos de mamdar seus memsageiros. e Virido. por outra parte começarão deitar as barbas em remolho. e que os que quizesem ficar na cidade ficasem nas suas posisões. estamdo elrey nestas cousas vierão lhe dizer que os seus roubavão a cidade. as vontades. e que livremente poderião d ella e de ssy fazer ho que quizesem. cavalgou em companhia com dos mays primcipaes senhores cidadãos d ella. os vemcidos se mas como nestas cousas taes contentão com so a liberdade. e que ouvesse d elles piedade. grão senhor nestas partes como he. e Madremalluco. vemcimento. . damdo gra- ças a Deos. que he a primeira cousa pello tall em que adorão. as}^ foy elle atee chegar omde mamdou chamar os mais honrrados da cidade. como antes tinhão. tornou tudo a seus donos. e lhe dise elre}" que elle lhes faria mercê de toda sua fazemda. que era por lhe quererem mal. que gritos o levavãó. e capitães seus. e os que se quisesem hir que se fosem na boa ora con todo o seu. forão feitos gramdes roubos a allgúus que depois veyo ter as orelhas d elre}-. e os que ho fezerão forão gramdemente castigados. e Destu}'. os quoaes chegarão a elrey estamdo elle aymda dentro na cidade de Rachol. no que lloguo proveo. por pouco que lhe tornem o hão por muvto. que também são escra- Daqu3'm. e entre estas e outras cousas lhe pedião mercê. e asy a outros senhores.

44
e

muyto mais

se

espamtarão de ver ho poder

e

gente

d elrey. Chegados que foram
nellas dizião a elrey

omde

elle

estava, lhe derao

as cartas que trazião, as quoaees forão logo llvdas, e

que se devia de contentar com ter desbaratado ho ydallcão como tinha, que lhe não devya de fazer ma3's guerra, e que elles lhe pedião que ouvese
por

bem

de lhe tornar o que lhe asv tinha tomado, que

os terya sempre ao que
se vir\'ão loguo ajuntar
far3^ão cobrar o

mamdase,

e

não no queremdo

fazer soubesse certo que avião de tornar per vsso, e que

com ho

ydallcão, e que elles lhe

que asy tinha perdido. Visto por elrey
carta so a todos:

o que nas cartas vinhão dizemdo, lhe respomdeo nesta

maneyra por húa sua
tros

Honrrados Ma-

dremalluco, e Zemelluco, Descar, e Veride, e todoUos ou-

do reyno de Daquem vy vossas cartas, e muyto vos agradeço o que nellas mamdaes dizer, e quoanto ao ydallcão, o que lhe tenho feyto e tomado elle mo tem merecido, quoanto a lho tornar não me parece rezão, nem o ey de fazer, e quoanto ao mais que dizeis, que vireis todos contra my não no queremdo fazer, em ajuda d elle, não tomeis trabalho em virdes ca, que eu vos hirey buscar, se me ousardes esperar em vossas terras, e d isto me mamday a reposta; e mamdou dar mu3-tas dadivas aos memsageiros, e dando lhe sua carta os mamdou.
:

Capitiillo

como muita gente sefoy da cidade, fe\ mui bem com elles, &c.

e

elrey ho

Muita gente se foy da cidade, e muitos que não tinhão com que se sahir, lhe mamdou elrey dar o que lhe hera necessaryo pêra seu caminho; aqui esteve elrey allguíis dias, depois de hordenadas as cousas que compryão pêra ho governo da cidade, e depois de repairados os muros, deixamdo a gente necessar\a pêra sua goarda, se foy caminho da cidade de Bisnaga, omde foy recebido com

43

gramdes triumfos, e forão feytas gramdes festas, e elle damdo e fazemdo gramdes mercês aos seus. Tanto que
forão acabadas as festas se foy pêra a cidade nova, es-

tamdo

elrev

na cidade nova, diserão

lhe

em como
elle

liera

entrado húu embaixador do ydallcão, jaa
vinha o embaixador,

sabia que
sa-

mas desymuUava

o,

que ho não

bva, por quoanto tem de costume não

mamdar

receber

nenhúu embaixador; como este embaixador foy na cidade de Bisnaga, sabemdo que elre}' estava na cidade nova, que he duas legoas da de Bisnaga, foy se pêra llaa, e
junto

com

a cidade

mamdou

asentar a sua temda, a quoall

era a milhor e mais fremosa e rica, que atee então

numca

naquellas partes fora vista; este embaixador se chamava

Matucotam, trazia comsvguo cento e cincoenta de cavallo, e muyta gente de serviço, e mu3'tas caregas, antre as quoaees vinhão certos camellos, trazia dous escrivaées da camará do ydallcão, não creaes senão que trazia todo ho poder do ydallcão pêra segumdo elle ficou desbaratado. Tanto que as}- foy aposentado o embaixador fez
saber a elrey que o quizese ouvir, e despachar
elrey o

em

breve,

que aymda então chegara, que elle o despacharya tanto que fose tempo, e esteve asy per espaço de húu mes, sem elrey querer que o fose ver, nem querer saber ao que vinha, o embaixador hia cada dia ao paço, e vemdo a maneyra que elrey tinha com elle, detreminou de não fallar mais, e heesperar que elrev o mamdase chamar, mas não que deixase cada dia de hir ao paço, e fallar com eses senhores; hiju dia mamdou elrey dizer ao emba3'xador que ao outro dia era bom dia, o queria ouvir, e saber ao que vinha, o embaixador se fez prestes, como comvinha, pêra se ver diamte de húu tão grão senhor, comforme ao que
ver, e que se não agastasse

mamdou

vinha requerer e pedir, fov acompanhado de muytos

mouros que na cidade avya,

e

com toda

a sua gente

com

suas trombetas e tamgeres acostumados, foy ao

paço omde fov recebido d eses senhores e oficiaes da casa muv honrradamente, forão todos asentados de den-

46
tro

da primeyra porta,

ally

esperamdo recado d

eirey

omde ellc estava, não tardou muyto que o não mamdarão entrar; feyta sua cortesya a elrey ao seu modo e costume, estamdo com elrey os do compêra averem d entrar

mamdou que disese sua embaixada, que aly avia bem de o ouvir, vemdo o embaixador o que elrey mamdava, com aquelle temor que soem ter os embaixadores, quoamdo se vem diante de semelhantes senhores,
selho,

por

propôs sua embaixada d esta mane3Ta.

Capitullo

como o capitão propôs sua embaixada diante
&c.

d

elrej-,

Senhor, o ydallcão,

meu
que

senhor,
te

me mamda
t}',

a

t}-,

e

por

mim

te

mamda

dizer,
elle te

pede que de

tv queyras fa-

zer justiça, que

ama

a ty diante de

como

diante

do mais verdadeyro e poderoso princepe que ha no mumdo, e que mais ama a justiça e verdade, que, não avemdo razão pêra que se tall fizese, quebrantaste a amizade e paaz que com elle tinhas feyta, e não somente a d elle, mas aquella que tantos ano-s ha que he fevta, e per todos os re3-s con tanta verdade mantida, que não sabe por que te demoveste a lhe fazer tamanha guerra, que sem sospe3la estava, quoamdo lhe derão novas em como tinhas cercado a cidade de Rachol, e a comarca roubada e destroyda, as quoaes novas forão causa de se mover e vir a socorrella, omde por ty foy toda sua corte morta, e o seu arayall todo roubado e destruydo, como tu es boa testemunha do que asy he feyto, e que te pede que do tal faças emmemda, e mamdes tornar a sua artelharva e temdas, cavallos e allyfantes, com o mays que lhe he tomado, e asy a sua cidade de Rachol, com emmemdares todas as outras cousas se avera por satisfevto d esta fazemda o que te pede, que o terás sempre por leal amyguo, e que fazemdo ho contrayro

47

que farás tua vontade, e não o que deves, e acabou sem mais dizer, elre}- lhe dise que se fose a repousar, e que o outro dia o despacharia, e deu lhe elrev sua cabava e panos, como he de costume.

Capitullo como elrey mamdoii

chamar

o

embaixador,

e

do despacho que lhe deu, &c.

O
que

outro dia

mamdou

elrey

chamar o em.baixador,

de-

pois d algúas pallavras, que ante elles passarão, dise elrev
elle

contente de tornar todo ao 3^dallcão,

como por

elle lhe

era requerido, e que lhe querya logo soltar Sa-

labe tacão, contanto que ho ydallcão lhe viesse beijar

o pee. Vista pello embaixador a reposta d elrey,
licemça d
elle se

tomamdo

foy a sua temda, e escreveo ao ydallcão
lhe

o que pasava, e
elle

vierão, e

húu dos escrivaées que com não tardou muyto tempo que o vdallcão

mandou

não mamdase a reposta, dizemdo, como se poderia fazer que elle se vise com elrey, por que elle não avva de vir a Bisnaga, e que com leda vontade far^a o que elrey
querya.
e

Com

esta reposta se foy o

embaixador a

elre}-,

como quer que

elrey estimase mais que o vdallcão

lhe viese beijar o pee,

dise ao embaixador, faze tu

que quoanto lhe tinha tomado, como o ydallcão venha a rava
llaa,

do

meu

reyno, que eu serey loguo
fo}'

com

este

com-

certo se

o embayxador fazer asv vir o vdallcão a rava,

e elrey se foy loguo pêra húa cidade, que se chamava Mudugal, que estaa perto da raya, e alh' esperou tee que lhe diserão que ho 3'dallcão vinha, e que era jaa perto; loguo elrey se foy achegamdo, e entrou no re^no de Daquem com os desejos que tinha de se ver com ho \-dallcão, mas ho ydallcão numca ousou de se ver com elrey, e tanto foy elrey com lhe dizerem, ev lio aquv esta perto, e foy atee Liza, por que he húa cidade a milhor que se acha em todo ho reyno de Daquem, de muMo fre-

dizemdo que se elle se vira com elre}' escusara quoanto era feyto. que elle por esse se tinha. o ydallcão se veyo a Bigapor. por fazerem foguo pêra fazerem de comer. por lhe parecer que tão fremosa cidade ho esperarya o ydallcão. d aqu}' se tornou por bem que lhe faltava augoa que. e que com elle poderia acrecentar mays em seu estado. fose hííu homem sagaz e manhoso em todas as outras cousas. estava sempre com os seus fallamdo. e laramjas limões. e vemdo que ally não ousava de esperar. por que as mamdava desfazer. omde vemdo o gramde estraguo que nella hia fe3'to. e que fora mall acomsselhado. e 3'sto causava não aver lenha na terra que de muy lomge lhe vem. e romãas. as quoaes os mouros as abryrão pêra que se vazasem. atee quy foy elrey. por elrey estar nellas. que cullpa lhe avyão as casas dos seus capitaées. pois como quer que Açadacao. portanto comveyo a elrey de se partir. com detremynação que se aquy o tomasse de ho premder. aquelle que com elle fugio da batalha. que elle não podia ter a sua gente. e com muytas latadas d uvas. mas a gente. com muytas ortas. todo a cullpa de tall ser feyto por asy. ho ydallcão o mamdou dizer a elre}'. dise . desfazião quoantas casas hi avya.48 mosas casas ao nosso modo. que com ho seu favor faria elle ho que quizese. esteve na cidade allgús dias. muy gramdes. não tem outra agoa somente a que recebem da chuva em duas allagoas. elrey lhe mamdou dizer que elle o não fizera. e avemdo comselho com os seus. porque não fjxarão outras em pee se não as do ydallcão. em húa mas a cidade ficou casy destroyda. que tem. por bem que elrey não podese estar na terra. o senhor de Bilgao. Como elrey foy na cidade de Modogal. e sempre lhe pomdo diante quoão seguro seu estado estava com a amvsade d elrey. ou mamdar matar pello escarneo que d elle fazva. e toda a outra ortallyça. como quer que esta cidade estaa em campo. que fo}^ gramde maugoa de ver. e o que se podia ao diante fazer. não que elrey o mamdase. nestas e em outras cousas semelhantes a ellas.

49
que elle remediarya tudo, e farya como se fizesse o que elle tanto desejava, e ho ydallcão o ouve por bem. Não se demoveo este Açadacão a fazer esta viagem por ser tão servidor
ao ydallcão que
elle

queria hir a

elre}-, e

do ydallcão, que outro ho não fose mais mas, fe lio com danada vontade, e mal que queria a Salebatacão, aquelle que elrev tinha preso em Bisnaga, e o por que lhe tinha esta maa vontade, era por que ho Salebatacão soube como Açadacão fora ho que fezera fugir a"o ydalcão, e que a judar3a d aquelle era a bastante pêra dapnar húu exercito, e d isto se aqueixava a todos aquelles que o hião ver, e mamdavão vesytar, e dizia sempre que não desejava ser solto do cativeyro que tinha senão pêra destroyr Açadacão, e fazer lhe guerra como a mortall enemiguo, todas estas cousas sabia Açadacão, e sabia que se ho soltasem que asv como o dizia avia de ser, detre minou atalha lio com lhe buscar a morte, como se dirá

em
hir

seu lugar, per esta razão se

por embaixador d

elre}-,

demoveo Açadacão como fo}'.

a

Capitullo como

Açadacão for por embaixador d

elrev, e

achou a morte a Sallabatecão, &c.

Despachado Açadacão do ydallcão, acompanhado de
certos de cavallo,

com

algúus servidores, se vevo cami-

nho da cidade de Mudogal, omde elre}- estava, ho ydallcão se vevo atee o rvo. Achegado que fo}' Açadacão, e apresentado na cidade por mamdado d elrey, esteve alguús dias sem ver elrey atee que da sua parte foy chamado,
então se foy
lia,

e fallou

com

elrey,

damdo

lhe a des-

cuUpa do erro que pello ydallcão hera passado, como aquelle que pêra os taees negócios era asaz sagaz e ousado, e tanto soube dizer a elre}- que o tirou de toda hira e sanha que contra ho ydallcão tinha, dizemdo a elrey que a primcipall causa, porque ho ydallcão se não

DO

Vira

com

elle,

era Salebatacao, que elle tinha preso, que

que tall não fizese, e se goardase de ho fazer, por quoanto elre}- ho queria matar:, com estas e com outras cousas que dise, fez com elrey ho mamdase matar, e eh^e}^ vemdo o que Açadacão deeste escrevya ao ydallcao
zia, e cuidamdo que hú homem que tanta fama tinha, que não seria ho que fallase se não muyta verdade, e com paixão mamdou cortar a cabeça a Salebatacao, que estava em Bisnaga, ho quoail foy iioguo feyto tanto que

virão seu recado.

Como Açadacão
e

teve este trato feito
di-

não

se teve

por seguro,

loguo se despidio d eh^ey,

zemdo que queria hir a fazer vir o ydallcao ao rio, que quoamdo sua allteza fosse que o achase ahy, elrey lhe
disse

que se não agastase, que folgase algiís dias, que lhe mamdar mostrar algúas cousas, e que tinha que fallar com elle, mas elle, como quer que avia medo que se descobrerya a sua trevção, não segurava, fo}' de maqueria

ne3Ta que se descobrio o que tinha feito acerca de Salabatacão, mamdamdo ho elrey premder, quoamdo o forão buscar era jaa ydo, que fugio húa noute, e se foy ao
ydallcao,

dizemdo

lhe

que

ellrey

mamdara matar

Sala-

batacão, e que outro tanto queria fazer a

elle, e .que vi-

nha fugido, que lhe parecia que não se devia fiar d elrey, que afim era negro, e como teve ysto d esta maneira foi se pêra Bilgao, omde se fez forte, e depois hp mamdou chamar o 3-dalcão, e numca la quis hir, por que soube que era descuberto o que tinha feito.

Capititllo

como elrey partio peva

o estremo de seu reye

no pêra se ver coin o ydalcão,
achar.

do que fe^ por o não

e

Não deixou elrey de se hir ao estremo de seu reyno, como não achase ah' o ydalcão nem sua may, como
Açadacão, logo conheceo que tudo
aquillo fo-

lhe disera

5i

rão

manhas de Açadacáo, que tudo
e

fizera

por que ma-

tasem a Salebatacão;
de Daquem, e se
tos lugares, d
fo}'

com

esta paixão entrou no reyno

sobre a cidade de Cufbergura, c a

estruvo, e pos por terra a fortalleza, e asy outros

muy-

aquv quisera hir adiante, e não no comsemtirão os do comselho, dizemdo que falltaria augoa para aquelle camynho, e que não llie parecese que aquelles senhores mouros que tinhão em conta d amiguos, que não temesem que também lhes tomar}a suas terras, como tomava aos outros, pois que todos herão de húu senhor, e que sobre esta razão se farião amiguos do vdalcão, e verião todos sobre elle, e que posto que nelIcs não avia que temer, que hera de temer a augoa, que não tinhão, ouve elrey por bom este comselho. Nesta cidade de Calbergara, na fortalleza d ella, tomou elrey três filhos do rey Daquem, fez ao mais velho rey do reynno de Daquem, porquoanto era o pav morto, e o vdallcão queria fazer rey húu seu cunhado, que era filho bastardo do rev de Daquem, e hera casado com húa sua yrmãa, por esta rezão tinha estes três yrmãos naquella fortalleza presos, este que asy fez elre}', foy recebido por todo o reino por rev. e obedecido de todos os gramdes senhores, e do vdallcão também, e ysto com medo d elrev, os outros dous vrmãos levou comsyguo. e lhe deu de remda a cada húu. em cada húu ano, cimcoenta mill pardaos d ouro, os quoaees traz e trata como filhos de rev, e de grão senhor que elles são, d esta tornada d elrev em Bisnaga, que foy na mesma era em que partio, não se passou mays com ho ydalcão cousa, que de contar seja, de paz nem de guerra.

Cãpitidlo
Jilho seu

como este rey em sua vida allevamtou hiiii por rej, semdo de ydade de seis annos, &c.

E

despois d este rey ter acabado ysto, e ter alcamçado

tanta vitor}'a de seus

ymmiguos, vemdo

se ja

homem

de

5-2

hidade, desejamdo de descamsar

em

sua velhice, e que

húu filho que tinha ficasse rey por sua morte, detreminou de ho fazer rey em sua vida, por que hera de seis
anos, e não sabia o que por sua morte se pasaria, ho
quoall se depôs de rey, e de todo seu poder e

nome,

e

o deu ao

filho, e elle ficou

por seu regedor,
e e

e Salvatinea,

que ho

era, ficou
elles

por comselheiro,

zerão d antre
a sallema, e
tas

gramde senhor,

húu seu filho fetamanho que elrey
seu filho lhe fazia

Crisnarao depois de por o reinno

em

com

estas

mudamças

fez elrey

muytas

fes-

que durarão oyto mezes, no quoall tempo o filho d elrey adoeceo de doemça de que morreo. E depois de sua morte, soube Crisnarao, como a morte de seu filho
fora de peçonha que lhe dera o filho de Sallvatinica:
elrey 3^mdynado d isto,

parecemdo

lhe ser asy,

mamdou

chamar
prestes
tive

a Salvatinica e a seu filho, e

Guandaja, yrmão

de Ssallvatinica, e lhe fez sua falia na salema, estamdo muytos capitaees, parentes de Salvatinica: Eu vos

sempre por gramde meu amiguo, e ha corenta anos que sois governador d este re3no, ho quoal vos me deste, e por ysso vos não são em nenhúa obrigação, porque nisso não fezeste ho que devieis, hereis obrigado, pois vos mamdava elrey vosso senhor e meu yrmão que me tiraseis os olhos, e vos não fezestes nem obedecestes as suas pallavras, mas antes os tirastes a húa cabra, e o emganastes, pello quoall por não comprirdes seu mamdado foste tredor, e asy são vossos filhos a quem eu tinha feyta muyta in; eu tenho agora sabido que meu filho morreo de peçonha, que vos e vossos filhos lhe
destes, e portanto estay todos presos; e nestas pallavras

se alevantou, e

lamçou mão d

elles, e

os premdeo, e pêra

ysto comvidou mu3'tos portugueses que na terra esta-

vão
anos

com

cavallos,

que estevessem

al}^

em

sua ajuda,

e depois

de os ter presos o pav
prisão, e fez regedor

e filhos,

esteverão três

em

húu

filho

Codemerade, que

matou o filho d
na

elrey

Narsymga na cidade de Penagumdy,

orta, a treição,

que atras conta a ystorya, por

mam-

o quoal o cercou por todallas partes. fazem sua justiça. e Sallvatinica seu pay. lar este tempo cobro<. e o ajudou en todo ho que pode. e o trouve a elrev preso. o quoal o recolheo. que soube a vvmda d elrey fugio. e o tomou dentro. e se foy a húa serra. cvmco menos huú quoarto por mill pardaos. Ouvimdo vevo sobre Rachol.i gente o vdallcão.D. e ficou seu pay Salvatinica na pri- com outro seu filho Gamdarja. e reformou se de cavallos e allvffantes. e tanto omde cado ao ydallcão. estava húa fortalleza em a quoal não abitavão senão ladrois e salteadores de camie nella em que estava húu ca- pitão seu parente. E de Rachol mamdou húu rejaa o ydallcão estava. de manevra que fiquem vivos. &c. Capitulo como veo o ydallcão sobre Rachol. e estava por elrey de Bisnaga. e fugio. e a todo correr foy nimguem. que ele quebrara jaa duas vezes seu juramento e pallavra. e não ousou esperar elrev. nhos. nayque. e que pois não compria com elle o que asentado tinha. e depois de sua vymda o mamdou elrey trazer diante sy. que elle faria a guerra de tal maneira que lhe fose necessaryo por força ser seu vassallo. que lhe fov necessarvo mamdar sobre elle muita gente. e os mamdou aquelle lugar omde elles mamdou tirar os olhos. Em rao.-) dado d eirey seu pay. e pêra ysto mamdou por capitão d ella Ajaboissa seu regedor. filho E neste tempo fugio da prisão Da- de Salvatinica. e ally lhe porque nesta terra não matão os bramenes se não dão lhe algúa pena. e que . e outro seu yrmão que na prisão estava. são e os tornou a meter na prisão. neste caminho comprou elrev Crisnarao aos portuguezes setecentos cavallos. que esta nova Crisna- sem mays dar conta d isso a húu cavallo. e d allv fez tanta guerra a elrey Crisnarao. homde mor- reo Timadanayque. mamdou selcamynho de Racholl.

neste tempo adoeceo de doemça que todollos seus antecessores morrerão.estes e outros tem capitaees da mão do ydalcão. criamdo se nesta cidade de Bj-snaga. de que os reys de Bisnaga. com morrem semdo moço. tomamdo Billgao. se saya do paço desconhecido. Este rey Crisnarao que lhe querya. e pêra 3'sto lhe buscou llogo húa molher d elre3' de Narsymga mu3'to fermosa. e aquy se mete húu capitão de húa fortaleza que se chama Pomda. a terra porque esta cidade de Billgao esta a quinze legoas de Goa. por ser comarca ou termo de ssua cidade de Bilgao. a pedir ajuda ao governador. com ella. ho far3'a de mane3'ra que sua allteza não fose prasmado d iso. e mamdou a fazer muyta mamdou embaixador elle daria. quoam . que está a três legoas de Goa pella terra firme. -e porem^ não lhe esquecemdo o bem que queria a esta molher. como conta a ysto- passos. e fazemdo se elre}' Crisnarao jaa prestes. e que dise em toda mane3Ta que elle vemdo o regedor fazemdo lhe a vontade. que também tem remda e mamdo sobre algúas alldeas. e clrey lhe dise elle tinha tamanho bem lhe quer\'a. muytas vezes lhe prometeo. e ella. e que firme. e as}. e tirado das cousas que fazia em semdo mãocebo. que se fosse rey algúa ora. e depois semdo elle allevantado por rey. artelharya. a quoall se chamava Chinadevidy. se começava não pode hir avante. e que prometido a esta molher de casar com o avia de fazer. o quoall fo}' achado menos húa noute pello seu regedor que ho espreitou atee ho meter em casa d esta molher. e isto dyzia foy verdade. e era a dormir com ella a sua casa. e o repremdeo muyto d isso. e o capitão d ella he senhor da terra firme de Goa. e por ho gramde bem dar das ver3'lhas e dos campanhõees. tinha parte com húa molher sollte3Ta. e zombamdo.54 atee lhe ymverno não tomar Billgao o não deixarya. e e e por que o se veyo a Bisnaga a fazer prestes pêra yso. Goa. e o tornou aos Sallvatinica. a que querya muyto gramde bem. que elle casarya elle elle r3^a. e despois 3^mcll3'nado nisto estava. de cujo senhor a terra toda he.

e as3' mamdou todos os primcipaees de seu re3^no que nella fezesem ho fizerao. e esta cidade fez e acabou. do que se elrey riu muito.coattro. que mamdase fazer cal. porem a esta quis ma3's bem que a nenhúa das esta molher. e elrey espantado . porque em sua terra. que he hiJa das elle boas cousas que tem em seu reyno. ho quoall pêra ho fazer não tinha nenhúu remédio. que he certo a ma3's fremosa rua que pode de ser. de comprido quoatro mill e setecentos passos. o que pareceo ao mestre ympos3'vell fazer se. e lhe hua cidade a honrra d pos por amor d nome Nagallapor. por nhiãa pellas portas que que não entra cousa nenão pague tributo. a quoal C3^dade pêra se povoar casas. sem lhe mimgoar nada. e cercou de novo. gramde ofíicial de pedrar3^a. depois casou re3's com outras molheres mu3'tas. por que estes por muy honrrados em ter muytas molheres. e mamdou a Goa pidir ao go- vernador que lhe mamdase allgúus pedre3T0s portugueses. a quoall elle mamdou fazer húa e muyto tem se alta e muyto gramde. E este re}' fez ella. em que haposentou. na vollta das vodas. e todavia dise a elre3' que elle ho farva. que nesta terra são mu3'to gramdes. e mercadar3'as. e derribar mu3ias serras sobre aquelle valle. de cousas que dentro nella entrão. e as3' homes. lhe meteo em casa. e tudo se lhe abaixamdo de mane3Ta que tudo o que fazia de dia se perdia de noute. E fez em seu tempo húu tamque d augoa.55 de o ter casado esta e a outra torre com esta. como ma3^s este re3- carregas. e e este rey Crisnarao casou com. e de llarguo corenta. como molheres. e lhe fez húa rua a mu3'to comprida e mu3'to larga. outras. não ha emgenho pêra se fazer cal. e lhe mamdou ho governador a João de lia Ponte. pêra se fazer húa casa. a quoall remde agora corenta e dous mill pardaos dire3^tos. ao quoall elre3' dise a mane3Ta como quer3-a o tamque. então mamdou elre3' lamçar mu3'ta pedra. com as casas de toda maçanar3'a. nem em sua terra quem lho podesse fazer. que av3'a estaa antre duas serras mu3' alltas. esta cidade tem híia primcipall rua.

56 seus sabedores e feyticeiros. por que pêra vir a cidade de Bisnaga.gramde. por ser gramde. e de comprido. e por bayxo deyxou canos por homde a augoa saya. que se regão com esta augoa. e por ella não entra homée que não pague o que os remdeiros querem. então degollar. em que sempre tem mill homées de goarda. toda cercada. . e por todollos caminhos se ally vem ajumtar. que avera na largura húu tiro de beesta. e gramdes espaços. e com esta augoa se fezerão mu3'tas bemfeytorias nesta cidade. atee fazerem bemfeytorias. e lugares de muita criação. que aquella obra não ser}-a aca- mamdou com homées que ally estavão presos. por que tudo vem de fora em bois de carrega. ou de bufaros. sem lhe darem algúa cousa. que merecião morte. por fora d estas duas cidades tudo são campos. de maneira que remde jaa agora vinte mill pardaos. asv os vezinhos como os estrangeiros. e esta porta se aremda em cada húu ano por dez mill pardaos. e os mamdou ysto foy a obra avante. e nestas cidades ambas não ha nenhú mantimento nem mercadar3'as. por omde entrão todallas cousas que a estas duas cidades vem. e que isto d mamdou chamar enquoamto bada. tirãodo hús bois mouchos que não tem cornos. e lavor de triguo. por nove anos de graça. e fez húa serra no me3-o d este valle tão gramde e tão larga. e grãos. ou de elrey trazer todollos molheres. e entrão cada dia por estas portas passante de dous mill bois. e muvtas levadas de que se regão arozes e hortas. porque nesta terra não se servem de bestas pêra carregos. húa de húa bamda. e preguntou lhe que lhe parecia aquyllo. e pêra se fazer bemfeytorias. e outra da outra. e cada húu d estes paga três vintées. estes não pagão nada em nenhúa parte de seu reino. e ally não lamçase samgue de homées. deu estas terras. E acima d este tamque estaa húa serra mu}. e quoamdo querem carrão nos. então lhe diserão que os seus pagodes não erão contentes com aquella obra. e no meyo húas portas muyto fortes com duas torres. não ha outro caminho senão ho d aquella parte.

con tanta gente e poder. e com esta gente entrou . semdo hoe capitaées. fez húu testamento que dos três seus hirmãos que elle mamdara meter na fortalleza de Chamdegary. por elle não ser pêra ella. que he cousa que pella mayor parte sempre comem. Capitiãlo como por morte de Crisnarao for allevantado Achetarao. e despois d isto betre. que estamdo doente. se ho coração o ajudara. omde estava elrey Chetarao. mem de mu}' pouca verdade. detreminou de lhe fazer a guerra. quoamdo ho aleatras conta. ficou ^sto por elle não ter filho de vdade pêra mais que húu de dezovto meses. e trazem na boca.Busbalrao. ydallcão. por que o ydallcão não teria mais que doze mill homees de pee. com seu sobrinho filho d elre}. foy llamçado sempre aos viços e tiran3'as. mais deixou elre}' em seu testamento que lhe tomassem Bellgao. homées muv malquvstos. &c. por que esta he a cousa que se mays gasta na terra. que agora he. por que não fazia mais que ho que querião dous cu- nhados seus.e aroz. vantarão por rev. e trinta mill de cavallo. fazemdo se sua gente prestes começou a entrar por sua terra. e lhe e parecia ser mavs pêra vso que nenhiju dos outros. e milho. 3'sso. fizesem rev Achetarao seu vrmão. por omde sabemdo o ydalcão pêra quoão pouco elle hera. e muvto gramdes judeus. atee chegar húa legoa da cidade de Bisnaga. e depois de morto Salvanay por regedor do revno. que bem o poderá tomaar as mãos. descomfvado jaa de sua vida. o quoall atee Achitarao da fortalleza de e vir elre}' Chamdegarym omde estava retheudo. de que ho povo de sua maa vyda e 3mclinação. veviao muy descontentes. e lhe fizessem guerra ao Ho quoal Chytarao. por rey seu yrmão Depois de morto elrey Crisnarao de sua doemça. por achar que lhe socederia bem. despois que reynou.

foy acomselhado que ydallcão. com comdição que dez leques de pardaos d ouro. que cada leque tem cem mill pardaos.58 a cidade de Nagallapor. e espadas. de maneyra que dizrão que em seis meses o tornou a meter todo no thesouro. e diante d um filho diante . o quoall dinheiro d ahi a pouco tempo ho tornou a cobrar e meter no thesouro. de que os capitaées e gente. e tinhão que se se ho reyno ouvesse de perder avia de ser em re}. sem lhe numca querer sahir nem vir a coração de batalha. e elle se matou com peçonha elre}-. porque elle tinha destroydo os primcypaes homees de seu reyno. viviao vida d este muy descontentes. machadinhas. que diziao a elre}^ que lhe dese sua allteza licemça.Chitarao. que não tinhão pouco. por elle fazer estas pazes e pagar esta soma de dinheiro contra vontade de todos. que se chamava Crisnaranarque. e mais lhe dese a cidade de RachoU. e fez paaz lhe dese com as quoaees elle com elle por cem annos. em remda com sua comarca cento e cimcoenta mill pardaos. e tomadas suas fazemdas. húa legoa de Bisnaga. por que não hera necessaryo sua pessoa pêra tão pouca cousa. mas elle cortado do medo. e mortos seus filhos. e se foi com este dinheiro muy com contente. e quero no- mear húu. húa pedra de diaoutras quimze pequenas que bem vallyão húu leeque. se fizerão mais de três mill pardaos. e a pos por terra. e primeyro que se dese matou todas suas molheres. que bem podião valler húu leque. por comselho de seus cunhados. e de- pois de tudo lhe mamdou este rey mão de cento e trinta mangellinis. em adargas. tudo por comselho de seus cunhados por quem elle hera mamdado*. ao quoall premdeo húa noute. e mays joj^as. que lhe vemderão. mais que algúa escaramuça de algúus capitaées. comvem a saber. que serião duzentas. boõs cavalleiros. lamças. mamdase cometer pazes ao mu^lo folgou. e em armas suas. lamçamdo peytas per seus capitaées e povo. que he elre}^ Crisnarao tinha tomada. por que lhe queria matar d elle. o quoal aceptou ho partido.

e as trazia comsyguo. o quoal se chamava Togão Mamede. de cousas que fez. d este rey não a hi mais que contar. que são rosas. . e ser cousa celeste. somente ser homem que o teverao em conta de pouco esforço. e que cada vez que rezava lhe vinhão fullis do ceo. por homde. estamdo se vestimdo a húa janella que estava fechada.DQ outras cousas. os gentios por homem quoamdo fazia oração a Deos. e cousa que sem elle não podião viver. e estar no ceo. tinha esta alcunha que quer dizer senhor de pelles de revs. tem no que foy santo. aliem do seu nome. que querem parecer postiças. e tanto que diz a estor3'a d elle que se asomava por dezoyto letras. foy senhor de muita gente. as quoaes heráo goarnecidas d ouro e prata. comvem a ssaber. e lhe esfollou as pelles. ydalcão ho teve e petitorios em estava ho reyno desfeito dos que ho sostinhão. teve gramde parte d mumdo debaixo de seu mamdo. por homde ho tão pouco que lhe fez mill afrontas e cada dia. por que elle na sua conta tem vinte quoatro. e porque lhe deu o sol nos olhos. e mu}' neglligente das cousas que cumprem a bem de seu reyno e estado. e não no poderão tirar d este propos3'to todollos seus gramdes. este gramde conquistador. dizemdo que avia d ir em busca d elle. e lhe não podia fazer perjuizo. lhe vinhão quoatro braços e foy com quoatro mãos. com tudo fez sua gente prestes. com lhe dizerem que era o soll. quem ousava entrar em sua camará estamdo se vestimdo. e com a mu\"ta gente que levava pella terra por homde começou a caminhar. pello quoall respeito homées primcipaes. húu dia pella manhaa. dise que não descamsarj-a atee não matar ou vemcer. vemceo reis. e os matou. d ele ha estorias. e que. Este rey de Delly dizem que era mouro. fez gente prestes porque.

então lhe diserao os capitaées que não avva cousa que o esperase. o quoal vallo que fez per tempo diz que o comeo o maar. com que avnda espero de emfadar a vossa mercê. seu capitão gerall. he de gramde romagem. e não em nãos. atee que chegase a vlha. dizemdo que pois lhe fugira que isso abastava. . que se tornase. e cobiçoso de se. detreminou de hir a ella. e d estas fabullas semelhantes haa d elle duas mill. o quoal agora dizem que são os baixos de Chillão. Outras gramdezas contão d elle. de sol. se me Deos der vida. e vemdo Melliquiniby. em que ho fazem gramde senhor. omde vinhão os amjos do ceo tamger e bailhar. e botar no maar e o emtulhar. em que lhe embaixada em nome do mamdava obediemcya e pre- omde então não foy ao vallo mays avante. pedras das casas.r senhor d esta terra. o quoall he aymda agora. que são doze. maneyra que escureceo o se fez de novas a pregun- e quoamdo ho não V30 tar que cousa era aquella. e as e as que na terra se criavão. começou com sua gente a carretar grão soma de pedra e terra. erao na quoall ylha avia húu pagode. com cartas forjadas de rev da vlha. robis e diamais. Beijo as mãos semtes.^ Go se levantou grão poeyra. que estamdo nas partes de Charamãodel. comvem a saber. e em memorya d esta obra. lhe foy dito que certas legoas ao mar estava húa ylha muyto gramde. as quoaes carregou de muito ouro e pese avia de ter em drarva. o trabalho que cousa tão ymposyvel. e com outras melhores. fez hííu pagode muyto gramde. que lhe fugira quem hia buscar. ou quimze legoas. não teve outro remédio senão fez duas nãos prestes em hiíu porto de Charamãodell. e a terra d ella era ouro. por que as não tinha pêra tanta gente. e com ysto contente se tornou do caminho que levava em busca do soll. e pomdo o por hobra fez tanta que atravessou a vlha de Cevllão. por a vossa mercê.

e quoatro almofadas do mesmo theor pellos pees. e outras vazilhas d esta calidade. e o d elrey he chapado e forrado. e outro palamque de sua pessoa que va}^ a destro em húa amda do mesmo teor goarnecido d ouro. seis centos servidores. em sua casa das portas pêra dentro serve se pre húa arguelha de prata. que serão officiaes. e seu traveseyro redomdo lavrado pellas cabeças d aljôfar groso. traz comsyguo sem- em tem húa casa de ferro feita de peças em que cabe húa cama muyto gramde. e cada molher tem seu catere em que dorme. e estas bem quvnhentos ou molheres d elrev tem tocomo elre}' das pêra seu serviço a dentro. as quoaes vão em cada húu seu pallamque. seu colchão de tafetá. e sempre as tem armadas. e não esta em temda. e com molheres e capados. bacias bateguas. e quoamdo amda no campo. Tem quynhentas molheres. e todas se queimão por sua morte. he o seguinte. asy das portas mas são molheres. prata e ouro. omde quer que asenta arayall loguo lhe fazem húas casas de pedra e barro. e asy pêra filho ou filha se vav com elle leva outro catre de marfim goarnecido d ouro. &c. a quoal he pêra amdar no campo. comvem a saber. e de por ellas gournecido d ouro somente a cana. e d aly pêra baixo e pêra cima as que mais elle quer. e os palãques das outras molheres são goarnecidos somente de prata. os paços d elrev são gram- . sem termais lamçol que húu pano de seda por riba. e os cateres que dormem suas molheres são cubertos e chapados de prata.6i Capitiillo da maneira do serviço e estado d estes reis. que são como amdas. e cousas em que se servem. trepeças guomis. com as quoaees dorme. quoamdo faz aballo pêra alguma parte leva vinte e cinco ou trinta molheres das suas mays pryvadas. todos os paos d ouro. he Todo com serviço da ssua casa. e o pallamque da molher prymcipall he todo cuberto de panno de grão borllado d alljofar gramde e grosso.

e outros tamgeres que fazem que não oUvis nimguem. que são capitães também não entrão mais que atee quoatro ou cimco portas. e triguo. e diante d estes alifantes vão obra de vinte e cimco de cavallo.quer dormir com ellas passa por estas mosteyros crastas. porque d ahy pêra dentro são tudo capados e molheres. quoamdo elre}. não estão as molheres primcipaes. comvem a saber. e diante d este vay híiu . e carne3Tos. e diante d estes cavallos e com atabaques e trombetas. outro Ajanaique.não tem gasto nenhiJu de seu comer. e dous besteiros mores. que serão bem carenta ou cimcoenta leva comsyguo dous mill adargueiros. todos homees de estes porteiros bem postos todos allcaide em hordem vay ho moor. 62 . Das portas do passo pêra dentro dizem que tem passante de duzentas vacas de leite de que fazem manteiga pêra estas molheres comerem. com por as ylhargas. detrás dos cavallos vão cem ahffantes. e em cima d elles vão homés suas canas nas muy honrrados. pêra a co- zinha terá obra de duzentos porteiros pequenos. estas de capitães e dos senhores da terra. Quoamdo cavallga vão hordenadamente com ele duzentos de cavallo de sua goarda. porque os capitães lho mamdão cada dia estas com molheres são filhas a casa. aroz. e o alcayde moor com outra cana. e quoatro sobre este. e ellas estão as portas. leva diante de sy doze cavallos a destro vão cimco alvfantes. e e des e de gramdes aposentamcntos. em que elrey cavallga. e diante obra de trinta de cavallo com mãos como porteiros. com bamdeyras nas mãos sellados. tem crastas chamão no pêra vsoo. e 3sto afora os capitães que sempre amdã na corte com sua gente.. como com suas cellas. húu Pedanavque. e com estas molheres estão outras tantas criadas. e cem alyfantes. elrc}. porteiros e e os que agora são de gente. mores d este rey se chamão. e detrás vay na resaga ho estribeiro moor com os duzentos de cavallo. e ga- linhas con todas as mays cousas necessárias. e em cada húa esta húa moIher. o que agora he alcaide mor d este rey chama se Chinapanayque. que ele paga.

e este atabaque chamão elles picha. e gasto. e d elles quynhentos. ysto chamão salema. diz a elrey: Olhe vossa alteza o vosso capitão foão. que servem nelles tem de ssoldo cada ano mil pardaos. as quoaes horas sabe. os quoaes tem carreguo de em emtramdo quoalquer capitão. elre)^ de dentro d omde estão suas molheres. e quoatro centos ah'fantes. e cem allyfantes. o quoal atabaque ouve muyto lomge. com a gente que os curavão. e despois que se asenta. tinha mu}' gramde que agora he. e despois que cavallga elrey conta os duzentos de cavallo. como he manhaa vão os capitães ao paço as dez ou as omze oras. e quoalquer que fallece lhe dão muy gramde castiguo. que os capitaees fazem a cada dia. novecentos cavallos. maneira da sua salema. que vos fez salema. e os que tem mais pouco não deceem de cento. E os re3's d esta terra quizerem. e lhe tomão a fazemda. e os adargueiros da goarda. e quoaelre}' A tro centos e qu3'nhentos allyffantes. he esta. abrem aos capitães. e os e este re}^. e alevamta as mãos. e d elles trezentos. e vem cada húu per s}^.63 atabaque gramde que levao homées as costas. tem na sua estrebaria setecentos e tantos cavallos. se Capitiillo da maneira que se fa^ a sallema a elrey. por que a tem podem ajuntar quoanta gente em seu reyno. e sempre tinhão oytocentos. e com elrey estão obra de dez ou doze homes. e muyto dinheiro . e vão damdo de quoamdo em quoamdo nelle. e de gemte de cavallo que elrey paga tem seis mill. e com os seus a que daa de comer. e d estes seis mil são obrigados os duzentos a cavalgar com elrey. e gasta com elles. E os reis de Bisnaga sempre teverão por estado terem muvtos cavallos em sua estrebaria. dous mill pardaos d ouro cada dia. com os quoaes. e todos comem da estrebarva. e abaixa a cabeça. &c.

e de cavallo. são por ysso muy castigados. e o quoamdo vem a corte de Bisnaga não são mais estimados que quoaesquer outros capitães. pera quoamdo comprir. e suas fazemdas tomadas. que os mesmos capitães são obrigados a como remdeiros que tem todas as ter. dos quoaes pagão estes sesenta a elrey. e os mais lhe pera soldos das gentes e gastos dos alyfantes com que são obrigados a servir. não sente soma mais que vimte cinco leques. os quoaes são obrigados amda- rem sempre com elrey. e alem de terem toda esta gente paga a sua custa. e este rey Chitarao tem de gente de pee. e esta deferemça os revs que lhe são sugeitos que não vem a corte não quoamdo os mamda chamar. que he obrigado a estar sempre em campo. e estes e o re}- de Calecu. somente o rey de Bengapor. asy do rey como dos outros senhores. por que o mais gasta com seus cavallos. e vão por que as tem nellas postos outros la algúas vezes. e os reys que são sobgeytos são estes. por elles nas terras que tem serem tão tiranos. e alyfantes. . e de llaa lhe mamdão suas remdas ou pariaas. e são obrigados a ter seus leques de gentes. pela quoal rezão o povo meudo padece muyta fadiga. que são asy como remdeyros.64 pera lhe pagar seus sólidos. amdão semficão pre na corte. e vae duas vezes a corte no ano. E em suas festas e esmolas de seus pagodes. e terem a gente que são obrigados. que são seis centos mil homées. por que achamdo se que tem menos. e estes não são numca aposentados por cidades nem villas. de Batecala. de ssua mão. este de Bemgapor. comvem a ssaber. e o rey tem se de Gasopa. os quoaes são terras d este rey. e de cavallo vimte e quoatro mill. a que elle paga solido. e gente de pee. e os que este rey tem e traz em sua corte passante de duzentos. e o rey de Bacanor. todos estes capitães. a quoal pagão os seus capitães. e d estes sesenta leques que elrey tem de remda cada ano. e as terras dizem que remderão cento e vinte leques. lhe pagão cada ano sesenta leques de remda íforros pera elre}^.

limões. e ratos. rolas. e elre}^ bebe augoa a quoall trazem de húa fonte. perdizes. por que adorão nellas. fica no tombo d estes escrivães. comem carneiro. e elre}^ a quem a faz daa huu escrivãees. e d esta maneyra não passa cartas nem alvarás das mercês que faz. somente vaca nem a matão em toda a terra dos gentios. que estaa fechada da mão de húu homem de que elrey mu3'to comfia. e a estes se daa credito como a evamgellistas. e e ysto em he coanto a caça. outro muita camtidade. e todalas aves de pena. e lagartos. tudo se vemde na praça de Bisnaga. nas praças diz que dão doze carneiros em pee por húu pardao. laramjas. e ellas a levão dentro as outras molheres 5 com que elre3^ dorme. romãas. e de dia e de noute sempre estão no paço. e sempre uvas. e o que detreminou. e o rey quoamdo vay fora leva a par de sy escrevem o que elrey falia. e sobre que. lebres. mamgas. veado. todos tem cada húu seu escrivão que amdão no paço. e gatos. jacas. e nos montes dão catorze. sy muito pescado do ryo estão as praças cheas. . como os que estão fora d ella. e as3'' a entregão as molheres que servem. e as vas3dhas em que a trazem vem tapadas e aselladas. e por estes synetes se faz obra tem o como por Estes reys de Bisnaga comem todalas coisas.65 Os capitães e senhores d este reyno de Bisnaga. asy os que amdáo na corte. codornizes. e as mercês que faz. e tudo mu3'to barato. em lacre. nem pêra o que mamda fazer. o quoal anel seu regedor. quimze por húu pardao. e tudo se ha de vemder vivo pêra cada húu saber o que compra. e com quem fallou. ate pardaes. por que quoamdo faz mercê a alguém. e também que he necessário pêra sua lembrança. e hordenão de maneira que não se pasa cousa que elles loguo não saibão. porco. que mesmo synete de hííu seu anel carta patente. pêra lhe escreverem ou fazerem saber o que elrey faz. por que dizem que o rey quoamdo fallar que ha de ser cousa que mereça ser escripta. mu3ta abastamça de fru3'tas.

asy como fazem nossas festas. e nelles muytas balhadeiras. e estão muito emparamentados de muytos panos ricos. hús dizem que se fazem a honrra dos nove meses que nossa senhora trouxe seu filho no ventre. vem nove cavallos e nove atyfamtes d elre3'.66 Este rey de Bisnaga a ma3'or honrra que daa a húu capitão são dous abanos goarnecidos d ouro e pedraria. e fazem a salema a elre3'. porque as mãos não daa a beijar a nenhiía pesoa. elrey faz muito gramde honrra ao que daa a beijar os pees. e nove carneyros. são todolos capitãees obrigados a fazer cada hííu seu castello. e cubertos de cubertas ricas. trazem aroz e outros comeres cozidos. . ou quer receber serviço. os quoaes sãomuyto altos. e d ah}^ por diante matão cada dia ao galar3'm sempre dobrado. o primeiro dia nove bufaros machos. e foguo. que he no mes de setembro. da lhe pachari pêra suas pessoas. comvem a saber. O prime^TO dia põem nove castellos em húu terreino que diante dos paços estaa. ou pesoas quem tem recebidos. e da lhe manylhas. os quoaes castellos são de nove capitãees primcipaes do reyno. e alem d estes nove castellos. vem de dentro padres. e ysto faz cada um aos capitães no tempo que lhe pagão sua remda. e nestes nove dias matão e sacreficão. e outros dizem que se não fazem senão porque neste tempo vem estes capitães pagar as remdas a elre}^ as quoaes festas são d esta maneira. emmaneyra de emvemção. e vem diante d elrc3' com mu3'tas fullas. e acabado de matar estas al3'marias. e asy de quoamdo quer contentar os capitães. e cada cousa que o capitão recebe se lamça no chão. que he muita honrra. e diante d elles o estribeiro moor com mu3'tos porteiros. e nove bodes. omde nove dias se fazem gramdes festas. e muytas envemçõis. e e como acabão de fazer a salema. e os oficiaes da cydade são obrigados a vir com suas emvemções cada d3^a a noute. que são rosas. os quoaes vem dar amostra a elrey cada húu com sua devisa. e d esta maneira vem todos estes nove dias que durão as festas. de húus rabos bramcos de vaca. e augoa.

Asy que nestes nove dias são obrigados á buscar a elrey cousas de prazer. com suas canas nas mãos chapadas d ouro e com muitas tochas acezas. era seu costume fazerem a guerra ao re3^no . cubertas d ouro e pérolas. e nom° húa camde3-a d azeite acesa. e tira três fre- no me3^o do vista. e a de failar muyta verdade. e de muito aljofre. e va3' fazer alardo da gente dos capitaées. o que este não falia. e agora outra pêra os portu- gueses. huma pêra o ydalcão. e va3' duas legoas por outra gente armada. terreiro vem trimta e seis chas. e outra pêra de cotamuloco. que se não asenta mais neela que esta vez no ano. e as}' todollos alifantes e juntas do paço. cavallga o rao. de maneira que o que fica de baixo d outro mais ferido vay. que he híju pacharim que elrey daa a estes lutadores. e este rey que agora he não se asenta nella. e com aquellas molheres vem todallas porteiras e as molheres d elre}-. e nas mãos cada híía sua bacia d ouro. e emmentes se ysto faz amdão bem mill molheres a baylar e voltear diante d elrey. e põem capellas de rosas. leva a fogaça. mas não da manevra nossa. e despois de verem todalas envemçõis.67 com muitos cheiros. e estas molheres vem tão ricas d ouro e pedrarya que não podem buUir comsyguo. se não de se darem muytas punhadas e feridas com duas rodas de bicos que trazem nas mãos com que se ferem. e regão e lamção augoa por riba e alifantes.cubertos com suas patallas com muito ouro e pedraria pella cabeça. e ysto diante d elrey que estaa asem- em hila cadeira d ouro e pedrar^^a. as}- d estes cavallos tado como augoa benta. e por estas festas tem elrey mill homées lutadores. e depois de darem sua molheres d elrey mu3'to fremosas. que lutão diamte d elrev. por que dizem que quem se nela a d asentar a de ser rey mui verdadeiro. e então se recolhem com elrey pêra dentro. no cabo se dece. e he gente que não serve em seu re3"no d outra cousa. e toma húu arco na mão. vem todollos ca- vallos d elre}. os quoaes tem capitão sobre sv. E despois d acabados estes nove dias. comvem elre3' a saber.

68
d aquclla parte
despois d

omde

a frecha mais

lomge chegase;

e

isto feito se

torna pêra casa, e aquelle dia

je-

jua elrcy, e toda a gente da terra, e ao outro dia se vay

lavar ao ryo

he

elrc}^

com toda a gente, e dentro nestes nove dias paguo de toda a remda que He remde seu reyno,
jaa disse, todolas terras são d elrey, de cuja

porque,

como

mão

tem os capitaees, que as dão aos lavradores, os quoaes pagão de dez nove, não temdo nenhúa terra própria, por homde o reyno semdo todo pêra elrey, tiramdo as despesas que os capitaees tem com a gemte que lhe
as

lamça com que são obrigados a servir. E cada sabbado são obrigadas as molheres solteiras hir ao paço a baillar e voltear diante do pagode d elrey, que tem dentro nas suas casas, e a gente d esta terra jejua todos os sabbados, e não comem todo dia, nem de noute, nem bebem augoa, se não comem hííu pouco de cravo, por amor do bafo, elrey daa sempre muitas esmollas, e sempre no paço estão dous três mil bramenes que são os seus padres, a que elrey mamda dar esmola, e são homees muito despreziveis, e d eles tem mu3io dinheiro, e são tão sobejos que a poder de pamcadas os não podem ter os
elrey
porteiros.

E
com
a

os capitaees e

homes primcipaes servem
ou cento
e

se de noute

tochas d azeite, de quoatro tochas ate doze, que he
e elrey terá cento,

tochas d azeite,

cimcoemta mas não todo o mercador mercalavrar, que trouxer sabem a dorias, com vem a saber, cavallos e outras cousas que aija

mayor honrra,

avemdo muyta cera na

terra,

de vemder a

elre}',

quoamdo

lhe quizer fallar a de lhe de

fazer serviço de húa peça ou cavallo dos milhores que
trouxer, pêra que seja ouvido e negociado, e não tão so-

mente

a elrey,

mas

aos oficiaes

com que temdes de

fa-

zer aveis per força de peitar, por que não fazem nada

sem ymterese. E quoamdo algúa parte agravao, e pode fallar a elrey, pêra se mostrar muyto agravado ha se de deitar de focinhos no chão, atee lhe preguntarem o que quer, e se

69
por vemtura quer fallar a elrey quoamdo cavalga, tomão húa astea de lamça, e põem lhe húu ramo, e va}' bra-

damdo, e loguo lhe fazem lugar, e se queixa a elrey, e aly he despachado sem mais dilação, por que logo mamda a húu capitão, dos que vão com elle, que logo facão
o que a parte requere, se se aqueixa que o roubarão em tall terra e em tal caminho mamda logo ao capitão

d aquella
e a

terra,

a3'mda que esteja na corte, que seja preso

fazemda tomada, atee que

mamde premder

a

quem

o roubou, e asy he obrigado o meyrinho

moor dar conta

do que se rouba na cidade, pello quoal se fazem muy poucos furtos, e se algús se fazem por pouco que deis, day vos os S3"gnaes do homem que vos fez o furto, e se esta dentro na cidade ou não, logo o sabem por feyticeiros, porque são muyto gramdes feyticeiros nesta terra, por omde na terra ha poucos ladrões. Este rev tem continuadamente cimcoenta mil homees de solido, em que entrão seis mill homees de cavallo, que
são de sua goarda do paço, dos quoaes seis mil são os duzentos obrigados a cavalgar com elle, e tem mais vimte
mill lamceiros e adargueiros, e três mil

homees que

ser-

vem
neis

os alyfantes na estrebar3^a, trazem mill e sete centos

farazes que curão os cavallos, e

que ensvnão os cavallos,

e

tem mais trezentos satem mais doze mill ho-

íicyaes,

comvem

a saber, ferreiros e pedreiros e carpin-

teiros, e mavnatos que são homees que lavão roupa, esta he gente que tem e paga, todollos dias lhe dão ração a porta do paço; aos seis mill de cavallo lhe daa elrey cavallos de graça, e pêra elles lhe daa cada mees mantimentos, e todos estes cavallos são marcados da marca

d

elre}', e

quoamdo morrem

são obrigados a tirar lhe a

marca Amadanarque, estribeiro moor d elre}', pêra lhe darem outro, e estes cavallos que daa os mais são da terra, que os compra elrey doze, quimze por mil pardaos, Elrey todolos anos merca treze mill cavallos d Armuz e
da
terra,

dos quoaees escolhe pêra sua estrebarya os mi-

Ihores, e os outros

daa aos capitãees,

e nelles

ganha

70

muyto dinheiro, porque despois de tirar fora os bÕos d Aromuz, lhe vemde os da terra, e lhes daa cimco por mil pardaos, e são obrigados a lhe pagarem o dinheiro
d eles dentro no mes de setembro, e com ho dinheiro d este que vemde, paga os arábios que merca aos portugueses, de maneira que tudo paga á custa dos seus
capitãees,

sem

lhe sayr

nada do thisouro.

Elrey tem mais das suas portas pêra dentro passante

de quoatro mil molheres, e todas pousão dentro no paço, húas são bailhadeiras, e outras são bois que trazem as molheres d elre}^ as costas, e elrey dentro no paço, por
e haa gramde espaço de huúas casas tem mais molheres que lutão, e tem mais molheres que são estrolicas e feyticeiras, e tem molheres

que são gramdes
as outras, e

que escrevem todollos gastos que se fazem das portas a dentro, e tem molheres que tem cuydado de escreverem todas as cousas do reyno, e comcertao seus livros com os escrivães de fora, e tem molheres muyto musycas que tamgem e camtão, e as mesmas molheres d elrey

muyto musycas. tem mais elre}^ molheres, dez cozinheiras pêra sua pessoa, e tem outras de sobrecelente pêra coamdo daa bamquete, e estas dez não fazem de comer a nymguem
são

E

somente a elrey, e com estas não falia nimguem somente elrey, e tem húu porteiro capado a porta da cozinha, que não deixa chegar nimguem por amor da peçonha, e quoamdo elre}' quer comer despeja se toda a pessoa e vem loguo destas molheres que tem carreguo, e lhe põem a meza, e põem lhe húa trepeça redomda d ouro, e sobre ella pÕem as ygoarias, as quoaes vem em hijas bátegas que são bacias d ouro, e as ygoarias pequenas vem em preçollannas d ouro e d ellas com pedrarya, e não tem toalha nenhúa na mesa, se não

vem no
amte

quoamdo acaba de comer lava as mãos e boca, e sera mesa molheres e capados; as molheres d elrey cada húa estaa sobre sy, e tem criadas que servem
ellas, diz

que ha

juizes e meirinhos e

goardas que

71

toda noute goardáo o paço, e tudo são molheres, e eirey não veste húu vestido mays de húa so vez, e como o

despe loguo o entrega aos oficiaees que tem carreguo d isso, os quoaes dão conta, e não se dão estes vestidos a nimguem, e ysto tem por gramde estado os seus vestidos são pachõiis muyto finos dourados, que vai cada
;

hííu

theor, que são

dez pardaos, e trazem as vezes bajuris do mesmo como camisas e a fralda, e na cabeça trabrocado, a que chamão culaes,

zem hús carapuçÕes de

que cada húu pode valer vinte cruzados, e como o tira da cabeça não ho torna ma3's a por. E as justisas que se fazem neste reyno são estas, comvem a saber, a húu ladrão por quoalquer furto que faça, por pequeno que seja, loguo lhe hão de cortar húu pee e húa mão, e se ho furto he gramde he emforcado com
azollo por debaixo da barba, e quoalquer homem que dorme por força com molher honrrada ou virgem aa mesma pena, ou o que faz outra semelhamte força, e por esta maneira he castigado, e os fidalgos que são tredores mamdão os espetar em húu espeto de pao pella barriga vivos, e homees baixos por quoalquer dellito que cometão, crime, mamda lhe cortar a cabeça na praça; quoalquer que mata outro a mesma pena, se não matar por desafyo, por que a estes taees fazem muita honrra, e dão a fazenda do morto ao vivo, e nimguem não de-

húu

safia

sem primeiro pedir licemça ao regedor, o quoal

loguo a daa; esta he a maneira de sua justiça comúu-

mente, afora outras voluntariosas, quoamdo élre}^ quer que mamda lamçar húu homem aos al3'fantes pêra que
o despedacem, e a gemte he tão sojeita que se lhe dizeis

da parte d elrey que esteja quedo em húa rua, e que tenha húa pedra nas costas ally todo dia atee que^ho soltaseis o fazem. Asy que os oficiaes d elrey que em o reyno amdão são estes, primeiramente o regedor do reyno, que he segumda pessoa nelle, o tisoure3TO com seus escrivães de fazemda, e thisoureiro moor, e porteiro moor, e thisoureyro da pedraria, e estribeiro moor,

não tem veador de fazemda, nem outros oíiciaes, nem de sua casa, somente os capitaees de seu reyno, os quoaes aquy nomeare}^ allgúus, e as remdas que tem, e de que terra são senhores. Item. Primeiramente Salvanayque, regedor que agora he, tem de remda húu conto e cem mil pardaos d ouro, este he senhor de Charamãodel, e de Nagapatão, eTamgor, e Bomgarim, e Dapatão, e doTruguel, e de Caullim,
e e todas estas são cidades, e as suas terras todas são
e partem com Ceilão, e d este dinheiro he obrigado a dar o terço a elrey, e os dous terços lhe íicão pêra o soldo dos seus lascarís e cavallos com que são obrigados a servir a elrey, e por este desconto lhe

muyto gramdes,

deixou elrey trinta mill piães, e três mill homées de cavallo, e trimta allyfantes,

de mane^Ta que tirados estes
a

gastos tudo o mais lhe fica, e nesta gente ganha muito
dinheiro, porque

numca

a fazemda. cada vez que os quer lhes Item. Outro capitão Ajaparcatimapa, que foy regedor

tem toma

toda, por

omde

elrey

de Crisnarao, este tem de remda outocentos mill pardaos d ouro, e he senhor da cidade de Hudogary, e da

da cidade de Penagumdim, e de Codegaral de Cidaota, todas estas cydades gramdes, partem com o reyno d Oria, e d ellas com o cabo de Gomary, estas terras lhe deu elrey Crisnarao, quoamdo o
cidade de

Comdovim,

e

fez regedor, e tirou os olhos a Salvatinica, seu regedor,

que era capitão d
e

elas, e

obrigado a servir

com

vinte e

cimco, mill e quinhentos de cavallo, e corenta alyfantes,

daa cada ano a elrey trezentos mil pardaos. Item. Outro capitão que se chama Gapanayque, d estas terras, comvem a saber, he senhor do Rosyl, e de Tipar, e de Ticalo, e de Bigolom, estas terras partem com

ho ydalcão,

e

em

todas ha muito triguo, e grãos, e vacas,

e cabras, e gergellim, e algodão, e

na, por que todo o

d estas terras seis servir com dous mil

roupa d elle muito fid elle, tem remda centos mil pardaos, e he obrigado a

pano que
e

se faz e

quynhemtos de

cavallo, e vinte

73

mill praços, e vinte alyfantes, e

daa a

elre}'

cada ano

cento e cimcoenta mill pardaos. Item. Outro capitão que se chama Lepanayque, que he senhor de Vimgapor, terra muyto grossa de sementeiras e criaçõis, e

tem de remda trezentos mil pardaos,

e he obrigado a servir

com

mil e duzentos de cavallo, e

vinte mill praços, e vinte e oyto alyfantes, e

daa a elrey

cada anno oytenta mill pardaos.
Item. Mais o thesoureyro da pedraria que se chama Narvara, este he capitão da cidade nova, que se chama

he senhor da terra do Diguoty, e de DarEntarem, e das outras terras que partem com a terra de Bysnaga, são todas de campo, e remdem lhe cada anno quoatro centos mil pardaos, dos quoaes daa a elrey duzentos mil, e os mais gasta com doze mill piãees, e seiscentos de cavallo, e vinte alye

Ondegema,

guem,

e de

fantes.

Item. Mais outro capitão que se

chama Chinapanay-

que, he marichal d elrey, e senhor da terra de Calaly da

bamda de Cochim no certão, e de outra muytas terras que lhe remdem trezentos mill pardaos, e he obrigado a dar a elrey cada ano cem mill pardaos, e serve com
03^tocentos de cavallo, e dez mill praços.

Item. Mais Crisnapanayque, que he senhor d Aosel, que he húa cidade gramde, e de outros lugares que aquy não conto por terem os nomes muy avessados, estas terras lhe remdem em cada húu ano vinte mill pardaos d ouro, e paga de pemsão a elrey sete mill pardaos, e serve

com

quinhentos de cavallo, e setecentos de pee.

Item. Mais Bajapanarque, que he capitão da terra de
Bodial, que parte com Mamgalor, ao lomgo do maar, e he senhor de Guiana, nesta terra ha muyta pimenta, e

açucare, e roupa, e

muyto

aroz, e

não a

triguo,

nem

outra roupa, e he terra de ceras, e remde lhe trezentos mill

pardaos cada ano, e serve com outo centos de com dez mill piãees, e com quimze alyfantes, e daa a elrey dez mill pardaos.
cavallo, e

74
Item. Mallpanarque, que foy estribeiro

moor d

elrey

Crisnarao, e este he senhor da terra d Avaly, que estaa

no sertão de Calecu,

muyto algodão,
bufaras, e este

e esta terra tem mu3'to ferro, e muyto aroz, cabras, carneiros, vacas, e tem de remda quimze mil pardaos, e he
e

obrigado a servir
mill piãees, e

com quoatro centos de cavallo, e seis paga a elrey cada ano cymquo mill parchama Adapanayque, que
senhor da terra do

daos.

Item, Outro capitão que se

he comselheiro
Gate,
tas

mor d

elrey, este he

homde nascem

os diamãees, e outras terras

muy-

que lhe remdem trezentos mill pardaos d ouro, tiramdo a pedrarya, que he remda sobre sy, que remde cada ano corenta mill pardaos a elrey, com comdição que os diamãees que passarem de vinte mamgales pêra riba serem dados a elre}- pêra o seu thesouro, este serve

com

oyto mill piõis, e oyto centos de cavallo, e trinta

allyfantes, e

daa a

elre}'

cada ano cem mill pardaos.

Item. Mais outro Bajapanayque, capitão do
guel,

Mumdo-

que

fo}^

fortaleza do ydalcão, a quoal lhe
lhe

Crisnarao,

quoamdo

d

elle, e

esta fortaleza

tomou tomou Rachol, que era termo de Mundoguel com outras terras

lhe

remdem

quoatro centos mil pardaos, e serve

com

mil de cavallo, e dez mill piães, e cimcoenta alyfantes, e

daa a elrey cada anno cento e cimcoenta mill pardaos. E por esta maneyra he repartido o re3^nno de Bis-

naga por passante de duzentos capitãees, os quoaees todos são gentios, e segundo as terras e remdas que tem, asym lhe lamça elrey a gente com que são hobrigados a servir, e o que lhe ão de pagar de remda cada mes, dentro nos primeiros nove dias do mes de setembro, aos quoaees não faz nenhúa quyta, mas antes não pagamdo
a este tempo são muy bem castigados e destroydos, e a fazemda tomada. Todos os capitãees d este reyno se servem d amdores e palamques, que são como amdas, as quoaees trazem homées as costas, os quoaes não podem amdar nelles, comvem a saber, nos amdores se são ho-

que numca foy casado nem dorm3-o com molher. e allgúas dizem que no cu. estes crem que a três pessoas e húu so Deos. que não esta em rezão d omées terem taes opiniÕis. esta gente tem tanta devação nas vacas que as beijão cada dia. e ha palamques capisempre na corte omde eirey está vinte mil amdores e palamques. mu}^ agudos. bramines. e com mamdamentos. pouco soíicientes pêra nenhííu trabalho. são todos homées limpos. e nos morrem enterrão se molheres vivas com elles. como com augoa . e ha outra criação de homees que chamão telumgalle. e de vivo engenho. todollos dias ouve pre- gação de hiãu bramine letrado. nem em toda a terra do gentio não matão nenhúus bogios. e bem despostos. a que fazem muita honrra. por homde a tantos nesta terra que cobrem as montanhas. Elrey de Bisnaga he bramine. e mais grossos do que agora são. e bufaras. e nestes amda o reyno e os ofícios d elles. dizem que em outro tempo esta terra toda foy de bogios. que os mais d elles não matão cousa viva nem a comem. que lhe asy diz. comvem a saber. e na pregação lhe amoesta os mamdamentos de Deos. tem os homées desta terra que forão ja mais novéis. estes tem pagode em que tem bogios. e esta he a milhor que ha antre elles. e diabos. o que eu não diguo por sua honrra. homees secos. e chamão as pessoas da Santíssima Trimdade Tricebemca. e as cousas do reyno de Bisnaga. e que neste tempo fallavão elles. e de gramdes bestidões de suas ydolatrias. quoamdo cavalleiros pêra cima. vacas.75 mées de tães e pessoas primcipaes. e ha outra gente que são canaras. e estes ydoUos e bogios em que adorão. e com o lixo d estas vacas se absolvem de seus pecados. aymda que pareça mmto. gramdes contadores. E neste reyno de Bysnaga ha que per criaçÕis de homées naturaes da terra. dados a mercadar3'as. per homde no reyno de Bisnaga. que não mate os mais seus cousa viva nem tome cousa alhea. tem livros cheos d estorias suas de gramdes cavallar3^as.

e que abasta comfessarem se comS3'guo a Deos. Ho reyno de Bisnaga. e a molher e põem em cima de J03'^as. e o fazem tão poucas vezes que não obedecem a este mamdamento de se comfessarem. e depois d ela dizer que sy põem o morto em hííu catre enra- mado cuberto de flores. tem as molheres por costume de se queimarem. e. E como he queymado vem a molher com to- . esta terra he toda gentio. ela lhe responde can- tando que asy o fará. e acabado estas três voltas quebra o calãao. e a cada volta faz húu buraco na panela. e d esta maneyra tanto que seus maridos morrem fazem pranto em sua casa elles com os seus parentes e de seus maridos. que he húa panela. e que não deshonrre sua geração. e lamça o tição dentro. e leva húu espelho na mão. sua may ou parente mais chegado tomão húa panella chea d augoa na cabeça. o quoal deitão em húa cova muy gramde. e tem deseja de hir em que a molher que muito chora não busca de seu marydo. ho quoal elles não fazem senão algús muyto amiguos de Deos. quoamdo seus marydos morrem. e húu tição na mão. que pêra ysso tem feita. e elles tem por mamdamento de se confessarem aos bramines padres de seus pecados. e diz que ho deixão de fazer por ser vergonha confessarem se a outro homem. vay detrás d elles com muytas e cu- berta de rosas. e tem ho por graça de honrra. e com muytos tamgeres. e acabado o pranto lhe dizem seus parentes e aconselhão que se queime. e cobrem no de mu3^ta lenha. húu rocim.76 benta. por que ho que o não faz não alcamça graça. e as}'^ vay huú homem tamgemdo com húu adufe cantamdo lhe cantigas e que se vaa asynha pêra seu marido. antes que lhe ponhão o foguo. e então lhe põem o foguo. e os pacom muyto prazer. espera ella com os tamgeres que se queime ho marido. e daa três voltas ao redor da cova. e na outra húu ramo de rentes d elle flores. e tanto que chega ao lugar omde ão de ser queymados. e cumprem de húa maneira e da outra.

que se soterrão as molheres com seus marydos vivas quoamdo elles morrem. e ela leva húu ramo na outra. e vsto se costuma em toda esta terra do gentio. antes que faleça. e. &c. e asy morre a molher com o marido.// lhe faz húu bramine acabado de as fazer. e lamção no foguo huú pano com aroz. e lava os pees. que são seus . e vão com muyto prazer atee cova. atee os panos bõos. e va}. dalas festas. e então a tomão os parentes pella mão. dizendo que tudo a de ter laa pêra se enfeitar com seu marido. CapituUo das cerimonias que fa\em aos mortos bramines. e asentam cada húu no seu. E quoamdo morre huú capitão queymão se então suas molheres quantas tem. E pr}-meyro que vsto facão dão três voltas a redor do foguo. e ali ley. e as reparte por suas parentas. e se tem filhos encommenda os aos parentes mais honrrados. e outro em que trazem betre.cantando e correndo atee a cova omde estaa o foguo. e tanto que lhe tirão tudo. e vão nos cobrimdo pouco a pouco atee que os cobrem. Estando algúu bramine doente. outro pêra ella. e então se sobe nos degraos. e então se sobe em húus degraos que estão feitos a par da cova altos. certas cerimonyas de sua ella por sua mão tira todalas joyas que leva. e asy quoamdo elre}' se faz outro tanto. tirando esta casta de gente a que chamão telugas. e tanto que se lamça estão os parentes prestes com lenha que logo a cobrem. húu pêra eles. e tem diamte de sy húa esteira que lhe tolhe a vista do foguo. manda chamar aos seus bramines letrados. e toma hiju callãao d azeite na cabeça e bota se no foguo contamto esforço que he pêra espantar. e o espelho. e por deradeiro despede se de todos. e dentro nela estão feytos dous asentos da mesma terra. com que se emfeitava. e depois de feito fazem grão pranto todos. e o pentem. lhe vestem hús panos amarellos.

pêra que elle a dee d esmola. aquelles padres que fazem estas cerimo- Asy neste dia da esmolas segumdo sua pessoa. a quoal vaca acabamdo de lavar a cabeça tomao húa touca e atão na ao pescoço da vaca. fazem lembramças das cousas de sua alma. e chamão outros três bramines quoaesquer que lho ajudem a levar. e depois de lavado tomão bosta de vacca. e asy o levão ao lugar omde ho ão de queymar acompanhado de muitos bramines que vão cantamdo diante do defunto. por poucos que sejão. são rogados. o bezerro. e cobrem no com híju pano novo. por que tem elles que o doente que morre em catre. com o foguo na mão pêra o queimarem. e despois desta cerimonya acabada mamda aos bramines padres rapar a cabeça ao doente. e se não que morre loguo. que peca mortalmente. e asy metem dentro na tumba. que não tenha em casa. ou em cousa que não seja no chão. E despois de morto o doente mamdão lavar o chão onde estava deytado o doente. E tanto que chegão no lugar . o lavão muyto bem com boa augoa. por sua alma. e huntão no de samdallo. pêra que venha pregar e comsolar ao doente. se o tem. e Uamção o morto em cima desta bosta. que ha de fazer para a salvar. e a muyto poucos bramines. e depois de rapada lha manda lavar. e diante de todos vay seu filho. e deitão lhe pello corpo ramos de mamgiricão. lhe fazem húa tumba coberta com ramos de figueiro. ou irmão mais pequeno. e tem elles que. e depois de Uavada tem por costume trazerem em suas casas húua vaca com huú bezerro. E então hú parente seu toma a tumba primeyro por húa bamda. e. emquanto elle estaa llamçado no chão. e metem a ponta da touca na mão do e aly lhe e o doente. como ao doente são feitas estas cerimonyas.78 padres. e. dizendo-lhe que deixe esmoUas. ou parente mays chegado. primeiro que metão o corpo dentro na tumba. e daa de comer a algúus bramines que pêra ly vem a comer. se ouver de viver garece logo de sua enfermidade. e embostão aquelle chão. com nias.

e aos vimte e seis bramines. E o herdeiro. dão de comer cada mes húa vez a três bramines. e que o filho he rapado. asy la tenha graça . ou pay. que asy como cá comem juntos. e nestes nove dias dão de comer a pobres. e tem he salvo. e fazem muitas cerimonyas sobre aquella symza e ossos que ficarão por queimaar. metem nos em hiía panella. vem os padres e letrados.79 onde hão de queimar lamção dinheiro segumdo podem. omde tem húu pagode muyto gramde. a comer a vj-mte húu dias a outros três. e soterão na. de muito gramde elles que todo o romeyro que llaa morre vay ao paraíso. e aos vimte sete dias dão a comer aos três. e bisavoo. e depois de acabado nove dias de seu falecimento. e os vestidos do defunto. E depois de dez dias acabados. e obrigado a dormir no chão omde o defunto morreo nove noutes. e lanção naquelle e porem la levão muyto poucos. atee se acabar húu. e tem na ali goardada e soterrada pêra mamdarem lamçar aquelles ossos em húu rio santo. romaria. se he cova no chão. e aos doze dias também de comer a sete bramines. e asy o defunto cujos ossos rio. ou irmão. e mandão lhe rapar a cabeça. ou filho do defunto. põem o foguo. E acabado este ano não dão mais esmollas que cada ano em que morreo dão de comer a do dia do falecimento dias. comvem a saber. e estão ai}' atee que se acabão de queimar o corpo todo. vay ao lugar omde queymarão seu pay. e três pelas pessoas de seu pa}' e avoo. he obrigado. e fazem húa dinheiro. e o filho. e d ahi por diamte. que esta aquy de Goa mil e tantas legoas. e o deradeiro dia do mes dão de comer a outros três. ou parente que levou o foguo. e d aly se vão todos lavar a húu tamque os corpos. e o catre com sua cama dão d esmoUa aos padres com mais algúu e então lhe homem rico deixa estas e outras cousas d esmolas aos muytos bramines. e depois de llavados se vay cada um pêra sua casa. e ysto fazem a honrra da trimdade pela alma do defunto. dar de omze e sete bramines. ou seu yrmão. três a honrra da trim- dade.

da do maar. não pode dizer laa esteve três anos com cavallos de que foy mal paguo. o d elrey Crisnarao coando E por que hú homem outro de Fernão Nuniz que ouve tudo. de Crisnarao. o tresllado do quoall sumaryo he este que começou zerão hú em tempo de fazer vmdo pêra o re3'no de Bisnaga. buscar homes que forão a Bisnaga. &c. e pedem esmola se são quoaes lhe dam todos ajuda no gentar se fazem. E porque eu estive d assento atee gora nesta cidade. frallda Partimdo da Imdia pêra o reyno de Narsymga. e das terras que ao lomgo do mar estão. os pêra isso. as}^ que ouue este summarvo de hííu Domingos Paes que ca amda.8o ante Deos. e porque húu falia em algúas cousas que não falia o outro. como disse. e outro mandou de llaa. que he estremo do dito reyno. Quis fazer j^sto porque ha seis mezes que d ambos tomara vossa mercê ho que lhe cumprir. conveyo me pois que hera necessário fazer o que me manda vossa mercê. que estamdo la fequoal foy a Bisnaga la foy em tempo Cristóvão de Figueiredo. e também porque dará fee a algúas cousas da chronica dos re3's de Bisnaga. algúas cerimonyas por ahi bramimes padres que vem pêra ysso. porque se}' que não vay la nenhiJu que não traga sua mão de papel escripta das cousas de laa-. esta serra vay por toda a costa da Imdia. e pêra estes gostos pobres pelos bramines. e tem passos por omde se passão pêra o sertão. . porque comformarão húas e outras. e primeiro que gentem lhe lavao os pees a todos seis. Capitullo das cousas que vi. e alcãocei saber do reyuo de Narsimga. mamdo ambos os sumários. aveis de passar húa serra que tem.

Mirgeo. comvem a saber.porque todo o outro da serra he muy fragosa. e de Batacala a esta cidade de Zambur ha corenta legoas. tamarinhos. comvem a saber. e 6 . he terra de muyto aroz. salvo ao longo desta serra da bamda de leste. e estes pequenos. as}^ das do monte. alem de ser mantimento dos homées. muito enfimdo algodão. E tanto que sobimos esta serra logo temos a terra chaa. e de milho zaburro. he terra de pouco arvoredo. e outros arvores muvto gramdes. todavva o caminho e muito chão. também he dos cavallos. porque todo o outro he como o campo de Ssantarem. que nela não temos mays serras. fe3'jÕis. dos grãos ha muita abastamça. eu vy na cidade de Recalera hú arvore que debaixo d ela agasalhávamos trezentos e vimte caem suas estrebarias hordenadas. avees. Tornamdo a fallar no dito re3'no. que vem cada ano cymco ou seis mil bois de carrega. e por toda a terra vereis muy poucos arvores. que se chama Zambuja. por que não tem outra cevada. e abastada de muytos gados. Mamgalor. bufaras. e outras mane3Tas de sementes que nas nossas partes não se semeão. como das que se crião em casa. A terra toda e muito povoada de cidades e villas e lugares. posto que pello caminho de Batecala atee húa cidade. he caminho de muvtos rvbevros d agoas. são portos de maar com que temos pazes e em algús d elles temos fevtorias. e 3'sto em mays abastamça que nas nossas partes. vacas. Honor. se não algús montes. bém tem e arvoredos. comvallos vem a ssaber. mamgas. Batecalla. porque a lugares cominhaveis duas três legoas d arvoredo. Bracalor. que he aposento omde se aposentão os mercadores com suas mercadarias. e Bacanor. O dito revno tem muitos lugares na costa da Imdia. grãos. aija algíías serras com arvoredos. e por este respeito acodem tantas mercadarias a Batacala. e derredor das cidades e villas e lugares tame jacas. e de muy fortes matos. He terra mu}' aproveytada. Amcola. carne3T0s. porque. e as3' na terra ha muito triguo e bom. e muy farta.

e tem nas nos seus paguodes feytas de pedra. e amdão pella cidade sem que lhe facão mal e pedra. e nelles trazem todas suas carregas. primcipalmente naquellas em que não nace agoa. E a augoa que nestas alagoas ha he toda a mais d ella barrenta. mas são pequenos. até ir . que não tem mais augoa que a que chove. e não se servem d eles se não de pouca cousa. e se algúua cidade estaa no estremo de sua terra a esta comsemte que tenha os muros de pedra. pêra seu governo. também ha na terra asnos. e fazerem covas d omde achavão algúa augoa. e outro gado meudo que nellas bebem. vacas. carregão nos de roupa estes que lavaão. que he de legoa cada grão de costa. como nas nossas partes. porque facão fortalezas das cidades e não das villas. e fazem no em seus emgenhos que pêra ysso tem. e as villas não. e bois. O azeyte que tem he semeado de semente. salvo trovoadas que asertão serem mores húu ano que o outro. e também ho muito gado.82 o rev não comsemte que as cercas sejão se não de terra. ao lomgo d esta serra que dito tenho. e por que ho falecimento d esta augoa he por não ter imverno. por se não alevantarcm. e d alv se mantém. bufaras. Deveis de ssaber que este reyno de Narsymga tem trezentos grãos. e em algúa que acerta nascer esta se sostem mays que nas outras. pouca augoa. e são suas azemoUas. Porque sabereis que nesta terra não matão boys nem vaca. e d isto servem mays que d outra cousa. E esta terra por ser chãa curssão mais os ventos nella que nas outras partes. e colhe se em seu tempo. e a causa porque asy são barrentas he pello vemto muvto e poo que ha na terra. que não daa lugar a que a augoa seja clara. Esta terra carece d augoa por ser muyto gramde. e na Imdia. e ter poucas ribe3Tas. e asy touros. e ha muvtos touros que hoferecem a estes pagodes. e os bois acarretão. e nas vacas adorão. porque muytos achamos secas e amdarem na lama d elas. fazem alagoas em que se recolhe a augoa quoando chove.

e as de travessa e trezentas e corenta e oito legoas atravessa desde Batacalla atee ho reyno d Or}'a. do sertão da terra. ele e gentio. que he a memoria que diguo. e não de pedra. e comquista com e de Mallaca. e com este 3^dalcão tem Guoa guerra. todo o reyno de Peguu. e Cambaya. e com o maar vem ter e comquistar com o re3-no de com o reyno Daquem. Esta Darcha tem hum pagode. asy que tem de costa seis centas legoas.ter a Ballagate e Charamãodel. E este reyno d Orya. o rey d ele he senhor de gramde thisouro. e os homées de bõos corpos. que he da Imdia. dizem que he muito mayor que este de Narsvmga. e lha temos tomada. da bamda d oeste. e ao longo do muro tem sua cava. a milhor cousa que em gramde parte não se poderá achar outro tão bom da sua maneyra. porque neste reyno os ha mais. tem guerra com ella. por quoamto comquista con toda Bemgalla. Esta cidade de Darcha he muy bem cercada de muro. que são do dito reyno. Sabereis que he húu templo redondo de híía . E este reyno comquista con toda a terra de Bemgalla. a cerca húu r3'o muy fremoso. e da outra bamda do norte com o revno de Daquem. por ter húa memoria. e Ozemelluco. gramdes. por quoanto foy sua. e da outra parte com o re\no d Orva que he da bamda de lleste. e me disserão em A gente delia he bramca. diguo que não ponho aqu}' os asentos das cidades e villas e lugares neste re3'no de Narsymga por não fazer prolixidade. e da outra parte do leste. e cada grão tem duas legoas das nossas. que ariba dito tenho. que sobem tamto que dizem que não ha outro mayor senhor que certa certeza que hia ter na Persya. e de muytos alyfantes. pello que jaa dito tenho. tem de travessa cemto e sesenta e quoatro grãos. e tudo terra chãa. quoal outra poucas partes se achara. somente direy da cidade Darcha. E tornamdo a nosso proposvto. e de muita gente. de que ssao as terras que tem o jdallcao.

estaa toda no ar.84 pedra. bogios. e d al}^ pêra cima oytavada. alem d isto tem húa maneira d alpemdre sobre hús pillares. e tem húa pedra tamanha como o mastro de húa nao. e com três braços de cada bamda. e cada húu em seu posto estão de húa maneira de esse toda arte de pespetiva. e outros não tem mais que. também feytas que parecem ser feytas dentro na todas as traves e travessais são da dita pedra. asy de fora como de dentro. comvem a saber. como do ai. en com muytas figuras que são da tamanho de húu covado lamçadas fora da pedra que os vedes por toda a parte. cercada de húa grade feyta da mesma pedra. e seis mãos. e alem d isto he toda cercada de muy forte muro. a entrada de . e húa d estas partes. que estaa pêra o leste. estes pagodes são casas em que fazem suas oraçôis.pedra redomda em que adorão. as quoaes portas são muy grandes e fremosos. no pee coadrada. e tem seus ydolos. e bem feytas que não por cima maneira de pode ser milhor. que he táo alta ou mays. e os pillares com suas pranhas Itália. Neste templlo Darcha estaa húu ydollo de fegura de húu homem quoanto ao corpo. touros. e o rosto tem d alifante com sua tromba e dentes. E tem todo pagode quoanto he aredomdeza do templo. dita obra. e tudo de pedra. asy dos rostos. de feguras de homées e moIheres. mays que ho da cidade. os quoaes são de muytas maneiras. dos quoaes braços dizem que tem jaa menos quoatro. e de dentro d esta cerca que tem outros pagodes pequenos e rosynha. não me espantey d ella porque vy agulha de Sam Pedro em Roma. tem três portas por homde entram mesma este nella. que he defronte da porta do pagode. do casamento com húuas romanisco mu}^ e folhas. sem nela aver taboa nem pao. e asy todo o chão ladrilhado da pedra. tem como varandas pequenas e baixas omde pousão algúus iogues. a porta toda a maneira de húa macenaria. tam bem feitas que mays não pode ser. por ser toda cantaria. e que tanto que cahirem todos que ha de ser o mumdo destroydo.

as quoaes são do dito pagode. da feição de húa nespera. algíjus d estes comem carne. tiramdo vaca e porco toda a outra comem. e comem betre diante d ellas. fesyas. e estão com ellas. e nem por ysso deixão de comer todo dia este betre. salvo nos lugares omde vem ter os camynhos dentro d esta serra vão outros que tão e das portas da primeira serra. esta cidade em derredor vinte e quoatro legoas. A este ydollo e dão de comer cada que dizem que come. esta folha comem sempre. omde estas serras tem algúu chão atravessão no com o muro muy forte. e diante. que tem passos por omde entrares a cidade. e todas as que d ellas nacem são do pagode. Este tem a folha como a folha da pimenta. e lhe vivem nas milhores ruas que ha na cidade. e entrão estas molheres omde estão as molheres d elre}-. de maneyra que ficão as serras todas fechadas. bom bafo. o que não come outra pessoa nenhíãa de nenhíí estado que seja. mer. que he a primcipal de todo o reyno de Narsymga omde sempre estaa ho temdes muitas cidades e villas cercadas. e quoamdo come ba3'lhão lhe molheres dão de cotudo o que he necessário. e as suas ruas são as milhores de casarias e de Rias. por não terdes por omde entrar senão por ellas. e são das honrradas que são amigas dos capitães. e duas legoas ante que chegueis a cidade Bisnaga temdes húa serra muito allta. e todo homem honrrado vay a putaria sem lhe ser estranhado. e asvm em todas as cidades. e faz muito mas he muito dura. e o tem por suas prodia. que são dezoito legoas. Estas molheres são solteyras. e a trazem na boca com outro fru5^to que se chama betre he húa erva que areca. Depois himdo d esta cidade Darcha pêra a cidade de Bisnaga. e de bem a cercão. e he me3^o mantimento pêra elles que não comem como nos. Esta serra cerca rey. ou a era da nossa terra.85 e asy tem por fee que hade elle ser. e chamão se portas por omde entrão. ellas são muito acatadas. que são serventia da cy- . e tem outras muitas virtudes.

Antre estas serras ha muitas alagoas com que regão o que dito tenho. e nestes passos da estremadura traz elrey de Narsymga hííu capitão com mu3'ta gente. forão que parece que estão no ar. tiramdo alfaces. e he tanta a sua fortaleza que he emparo d ambas as partes. diguo que a entrada da porta omde vem os que vão de Goa. e rabaos. e couves. e vão campos e vallees homde se semea aroz. e antre húas e outras vão gramdes campos. e moutas poucas.86 nos taes lugares ficao húus buqueyrÕis pequenos que pouca gente os poderá defemder. e tem ortas de muytas larãogeyras. que são de húa pedra bramca húuas sobre outras da mais estranha maneyra postas. se não algúas pequenas. e estas serras vão ter atee ho regno de Daquem. por serem as mais estranhas que se numca virão. estas serras vão ter atee dentro a cidade. e comf^-na com as terras do 3'dallcão. sabereis que he tudo matos. e as portas com húas entradas muy fortes . e entre todas estas cercas dade. e fica toda cercada d ellas. que não estão apegadas húas com outras. os mais fortes que podem ser. e tem suas entradas por omde entrão de húu re^no a outro. e este rey a tomou ao 3'dallcão. e pêra a costa da Imdia não ha salvo o que dito tenho. e são serras pequenas. que he a ma3's principal entrada da bamda d aloeste. Depois tomamdo as portas da primeira serra. que jaa fo}^ d elre}^ de Narsymga. omde aly gramdes alymarias. mas são d outra maneira deferente d estas que são como as nossas com mato. e a cidade vay metida por entre estas serras. e sobre ela ouve muyta guerra. e com hija cidade que chamão Rachol. e em todas estas serras não ha arvoredo nem moutas. e da bamda d Or3'a também vão serras. nem tem cousa que verde seja. dentro tem feito este re3. e cidreiras. asy que estas serras de maneyra são causa de se não ajuntarem e terem muvta guerra. limoeyros. e no estremo d este dous revnos. e outras ortaliças como em Portugal.híía cidade mu3' forte de mu- ros e torres.

e lhe acabassem e dessem feyto. pellos bra- porque aynda . tanta gente era. que não se vya a terra omde elles amdavão. e tanto que elrey ysto ouvyo mamdou loguo que a porta do paguode cortassem a cabeça a sessenta homées. e tanto poucas partes se achara mais. este tamque repartia elrey por seus capitãees. e toda povoada de muita gente por que elrey fez vir em forte camtarya. e bufaras. e alem disto fez elrey húu tamque que me parece que terá de largura hiju tiro de fallcáo. e elrey falou com os seus bramines que soubessem de seu ydollo por que cahia tantas vezes. e elles tem nos em conta de homens bentos. e lhe desem samgue de homees. ou vinte mil homêes. e diserão os bramynes que ho ydollo estava menemcorj-o. que parecião formigas. esta augoa vem pella falldra da vem de húa alagoa que deita de sv huú pillares grosos rio pequeno. Neste tamque vy tanta gente que trabalhavão que serião quinze. e tem muyta augoa. diguo mines sacerdotes e letrados dos pagodes. Este tamque cayo duas ou três vezes. Vivem nella muytos mercadores. e de bufaras. e esta na boca de duas serras. este tamque tem três muvto lavrados com ymagées.87 com torres nas portas*. e dentro mu}'^ mas de muy de suas cidades ho- mées mercadores muy honrrados. e de cavallos.que tapa. Estes bramines são como frades antre nos. e alem disto lhe bamda e da vem augoa de gramdes serra da três legoas por canos que bamda de fora. estes muros não são como hos das outras cidades. que d elle tevessem carreguo de fazer e trabalhar a gente que cada huú tinha a carreguo. o que logo foi feito. e que querva que lhe fizesem sacreficio. em cima estão postos em húus canos por homde tirão augoa quoamdo a hão mister pêra regar suas ortas e arrozes. pêra fazer este tamque rompeo o dito rey hiãa serra que tapava o que ho dito tam. e certos cavallos. que fermosas casarvas fevtas ao seu modo de seus tarados. outra e toda a augoa que de hua vem a recolher.

e seu aroz. e ante que entreis homde estaa o rev. e tem muy fermosas molheres. carne nem peixe. Estes paços tem húa cerca que os cerca todos. eles todos são casados.88 muitos bramines d eirey. de maneira que llogo parecem casas de rev. dentro muytas casarias. por que são homêes a que elrey faz muyta honrra. e os tem bém as}' muy favorecidos. e lavoyras. e que são de suas heramças-. e outros vivem por seus bées. e saem muy poucas fruitos. são os oficiaes das cidades e do governo d ellas. que querem servir a Deos. que nesta terra ha muitos que se chamão brabnys. e a casta homées e mebramcos mais d estes bramvnes são os lhores que ha na terra. e estaa em huú chão a dita cidade. como as nossas. e muyto poucos. e derredor d ella fazem os moradores suas ortas segundo a terra. também tem húus poços muy bÕos ao seu modo. posto que da outra gente tam- vezes fora da casa. e outros são mer- que aija villas e cadores. e cada húu he repartido. se não bredos e manteigas. nem cousa que faça potagem vermelha. e cousa muy bem feita. e este que tem carreguo dos pagodes são letrados. homde bem pode ter gente se quizer. porque os seus vão de sobrado em sobrado. Esta cidade nova que elrey fez tem o nome da molher d elre}' por cujo amor elle fez. e outras cousas de maçãas que fazem. e algúus dos outros bramines que dise. são bramcas. e com varamdas de fora e de dentro. As molheres aija homêes bramcos ao comúu. e virão a vida destes sacerdotes. e de pillares todos abertos. temdes duas portas com muytos porteiros e . nem outra cousa que padeça morte. e fazem penitencia. e as suas casas não são de sobrados. mas são muy fora da vida d estes que dito tenho. por que dizem que he samgue. e não comem cousa que padeça morte. Nesta cidade fez elrey huú pagode com muitas imagees. e não querem comer carne nem peixe. e são molheres muyto recolheitas. mas são térreas com terrados e coru- chees deferente dos nossos.

e d esta mane3Ta foy esta molher . Este re}^ terra. e de gramdes supitos. se não os capitãees homées que são pêra ysso. tinha por amiga. e outras filhas de húu rey seu vassallo. e por comcerto e pazes. e entrou lhe por vil- seu re3'no tomando e destrovmdo muytas cidades e las. e tem no rosto synaes de bexigas. senhor dos se- nhores mayores da Imdia. e parece que não tem nada pêra o que avia de ter hú homem tal como ele tão cavaleiro e perfeito em tudo. e ysto he quoamdo de todas ha filhos. desbaratamdo lhe gramde soma de gente. e muyto prazentevro. e três d ellas são as mais principaes. e húa d estas principaes he filha d elrey d Orya. com suas varamdas ao derredor. antes que fosse rey. Crisnarao macacão. e ledo de sua comdição. atee que elrey os estaa. e em meyo d estas duas portas estaa húu terreiro muito gramde. e alifantes. e das outras não. e este he seu tado. e homem bramco boas carnes. o quoal teve muito tempo nesta cidade de Bisnaga.8q que não deixao entrar toda pessoa. e lhe cativou húu filho. e homem de' di- muita justiça. e faz muito gasalhado a todas suas cousas e de comdiçõis. e este rey he de e de manda entrar omde elle meãa estatura. e outra he húa molher solteira que ele em mamcebo. mays sobre gordo que sobre magro. senhor dos três mares e da por que em sua comdição he ma3'or senhor do que ele he da gente e terra. e he homéem que aos forasteiros cata muyta honrra. que he rey de Serimgapatão. e tem por molher. elrey d Orya lhe deu húa filha com que o dito rev de Bisnaga casou. omde estão estes capitãees e gente e honrrada. que quoamdo não ha mais que húu seja de quoalquer he herdeiro. e ela lhe fez prometer que se viesse a ser rey que a tomasse por molher. rev dos reys. Este rey tem por molher doze molheres recebidas. omde faleceo. porque os filhos de cada húa d estas três são herdeiras do reyno. He gramde senhor. e he o mais temido e acabado rev que pode ser. tem este ditado teve com elrey d Orya muyta guerra.

e porteiras. salvo nenhiju. e da maneyra que vierão. e estas molheres não são por homem gramde privado d elrev. e omde vistas ellas estão não entrão nenhúus homces. e a outra gente toda vay muy longe d ellas. tem dos ofíciaes de sua casa. todas são gramdes amiguos. e cada húa pousa sobre sv. e asy outras que lutão. e outras charamellas. e outras que tamgem trombetas. e por amor d esta fez esta cidade . e de atavios de suas pessoas. que são goarda d elas. Elrey tem seu aposento sobre sy dentro nos paços. que pcra o seu nome d estas molheres trás casa sobre sy. e asy dizem que tem cada húa d ellas setenta domzellas. estas domzellas dizem que estão doze mill molhepor que sabereis que tem molheres que jogão de espada e adarga. e quoamdo quer comsyguo a algúa das suas molheres mamda húu capado que a vaa . aljofare. que serão bem trezentos ou quatro centos. e moças da camará. perllas. as quoaees nos vimos despois. manilhas. e outros muy- tos tamgeres deferentes dos nossos. com suas donzellas. Estas raynhas nos disserão que tinha cada húa muyto gramde soma de dinhero e riqueza. de maneyra que as}' estas como boois e maynatos e outros ofícios tem ellas das portas a dentro como elrey. diamães. Dentro com res.90 solteyra sua molher. senão d algúu velho ca- pados. e fy- camos espantados. as mays atav3'adas que podem ser de muvtas jovas e robis e diama3's e perollas e aljofare. e por que se pode julgar que cerca pode ser a d estas casas omde pousa tamta gente. braçalates. e tudo são molheres. e quoamdo quer que cam3'nhão vão hos amdores em que ellas vão cerrados e sellados. por que as vimos em húas festas que ao diante se dirá. e em muyta cantidade. e todos os capados com ellas. e todas outras servidoras que lhe são necessárias. estas três molheres principaes tanto tem húa como outra por não aver antre ellas discórdia e malqueremça. comvem a saber. de maneira que vistas não podem ser. e que ruas e casarias deve de ter. Cada húa nova.

suas porteiras que facão saber a ra3'nha mas como suas esta al}^ húu recado d vem húa das domzellas ou camare3Tas. Este rey tem por costume que todollos dias bebe húu quoartilho d azeyte de emgell3-m ante manhaa. e com as paredes pintadas e galantes. e põem se ao longo das paredes longe d elle. di lio as e não que entre o capado omde elrey. e d ahi se sahia a húa casa a maneyra d alpendre. e toma nos braços gramdes pesos de terra. e este he mu3to seu privado. e não fallão . e despois de as3' ser llavado vav se homde tem seu pagode dentro nos paços. de muytos pillares de panos emparamentados todo ate cima. e governão suas cidades. e tanto que entrão. e joga tanto até suar todo o azeite. e faz suas oraçóis e suas serimon3'as. e sabe o que quer. hííu lutador e luta com e a dos seus. Então va3' se llavar. como tem de costume. e despois toma húua espada. e são homêes que tem gramde remda. e por esta maneira passa seu tempo que lhe bem vem. e lavão húu bramine que elle tem por santo. e então entrão a lhe fazer calema. Ho ma3'^or privado que tem he húu velho que se chama Temersea. e depois de asy trabalhar cavalga em húu cavallo. este mamda toda sua casa. e a este fazem todos os gramdes senhores com como a elre3'. e então vay omde ele estaa. e depois que elrey falia com estes homêes no que lhe apraz. ou vem elrey omde ella esta. e fallão elles seus privados. então mamda que entrem os senhores e capitãees que a porta estão. por que tudo 3'sto faz ante manhaa. e dormem homde ele dorme. e então ella esta. e corre o campo nelle a húa parte outra atee que amanhece. sem que ho sayba nenhúa das outras. e lhe fazem a sallema. e he homem de mu3'ta remda. e car- casa despacha com eses homêes que tem regues de seu re3^no. e d estes capados tem elrey allgúus d elles que são gramdes privados. e unta se todo do dito azej^te e encacha se.9' chamar. e de cada bamda duas nesta tal 3'magées de molheres muv bem fevtas.

de muytas louçay- nhas. e vão se ma3'or cortez3-a que antre elles ha. e a ma3's da gente ou quasy toda amda descalça na terra. e folgou tamto ele como cousa amor lhe mostrou. e com húa pateca do capitão moor. com e lhe mostrou gramde se fora gasalhado. e não se fartava de deu Xpovão de Figueyredo as cartas e com que com hus horgãos que o dito Cristóvão de Figueiredo lhe levou com outras mu3'tas peças. e põem no chão os olhos. porque não entra nimguem não descalço. Os çapatos são de pontilha. nem comem betre diante d elle. elrey o recebeo sua. os quoaees achareis em algús papeis ou antigualhas que vem da elrey estaa se homde . cousas que pêra ele levava. c asy e esta ate que elre}' os mamda que se vão. e asy aos que com elle hiamos mostrou mu3to gasalhado. toda de seda mu3' ralla. tanto muy bem. e são fe3'tos como os antigamente so3'ão a trazer os romanos. e respomde ao que lhe pregunta.92 hús com outros. Elrey estava vestido com hús panos bramcos sameados de mu3tas rosas d ouro. fallar e toma se a poer do mesma mane^Ta emboa ora. mu3'to folgou. estevemos tão juntos com elle nos ver. e aly o fo}^ ver Xpovão de Figueyredo com elle todos os portugueses que com hiamos. tornão todos A calema he a que põem as mãos juntas em cima da cabeça o mays alto que podem. e ah^ lhe que se tocava com todos. cidade nova. e metem as mãos nas mangas das caba3'as. E quoamdo viemos a esta terra estava elrey nesta a fazer a calema. a mane3Ta amtiga. e ha outros çapatos que não tem mais que as sollas. primeira. principalmente de diamãees ao pescoço de mu3'to gramde preço. por que o de cima são húas correas que os ajudam a ter nos pees. e na cabeça tinha húa carapuça de brocado de fe3xão de húu casco galeguo cuberta de húa beatilha. e todos muv galantes e atavyados a nossa guisa. e cada dya vem fazer a calema a elrey. e estava descallço. e então aquelle a que elre}. e se elrey quer fallar com alguém he por segumda pessoa.quer ergue os olhos.

e aly foy de muitos senhores e capitães vesytado. e lhe mamdou muytos carneiros. gramdes senhores. que dará pellos peitos . e de gramde camtarya. e muytos calõees de mante3'ga e mel. e lhe fallava muytas cousas de graças e de folgar. que elrey mamdou por por fazerem sombra aos caminhantes.93 Itall3^a em figuras. tem húa porta com húu muro que cerca todas as outras cercas que a cidade tem. Asy que tornamdo a cidade de Bisnaga. e lhe preguntou pello estado d elre}^ de Portugal. Pois tornamdo a cidade de Bisnagua sabereis que d ela atee cidade reyra. e asy he este muro muy forte. e emformado de tudo como era lhe parecião nossos costumes mui bem. omde vemdem todallas cousas. este muro tem a lugares cava de augoa. homde ele mamdou aposentar em húas casas muito boas. e neste caminho mamdou fazer húu pagode muyto fermoso de cantaria. o quoal ele logo repartio por todos os piãees e gente que comsyguo levava. toda de húa nova vay hua estrada tão larga como hiju jogo de barbamda e da outra povoada de casarias e vemdas. e não que deixem de em sy fortalezas. que he húa legoa d esta cidade em se nova. E tem afastado outro mays de sy d esta maneyra: tem tão chado no chão húas pedras ponteagudas e grandes d altura. asy tem por todo este camvnho muito arvoredo. e outras muytas cousas de comer. e galynhas. e ho daa em sygnal d amizade e amor. e a cada húu dos portuguezes deu a cada húu seu pano delgado de figuras muy galantes. Deu elrey a Xpovão de Figueyredo despedimdo d elle húa acabaya de brocado com húa carapuça da mesma feyção que elrey tinha. e agora em ter algús lugares he danefycado. E despedido Xpovão de Figueiredo d elrey nos fomos a cidade de Bisnaga. e asy ha outros pagodes que mamdarão fazer estes capitãees. e nos lugares da terra chãa por homde elle passa. e ysto daa elrey por que he de costume. e outras pessoas que por parte d elrey vinhao. sabereis que ante que chegueis as portas da cidade.

e em toda muro atee hir ter com algúa serra ou terra fragosa. e estes passos d elrey estão cercados de húu muro muy forte como quoalquer dos outros. com muytas ymagées e E ymdo pella rua primcipal. mui forte. e teraa moor cerca que todo a alcaceva de Lixboa. e por que estaa em meyo da cidade não se pode escusar ser serventia. que a fazem muj-to fremosa. a quoal augoa vem de duas alagoas que forao d esta primeira cerca. e húu pal- mar pequeno. que he d ú terreiro gramde que estaa defronte do paço d elrey. tera de largura húa lamça e meya. e por este terreiro vão todollos carros e carregas do mamtimento e de todallas cousas. e não se mata em toda a cydade . e cerca a cidade por dentro da primeira. antes que chegueis a ella pas- saes húa pequena augoa. e faz húa volta antes que chegueis a porta. torres. e todo o outro casas. vante temdes outra porta com outra cerca. e elle avera outro tanto d a terra cháa leva este ao muro garmde. de e he gramde cada bamda sua. e a porta de húu d elles matão cada dia muytos carneyros. e tanto que sois de dentro elles temdes dous pagodes pequenos. de cada bamda o seu. e d esta primeira cerca atee entrar na cidade temdes terras gramde pedaço. húu d cerca tem húa com muyto arvoredo. e vereis casarias louça3^nhas que são bem pêra ver. e d aquy atee os paços d elrey tudo são ruas e casarias e casas muy fre- de capitães e d outras homées ricos e honrrados. no quoal as em que semcão aroz tem muytas hortas e muita augoa. e asy vão pumares. e muytas casas. as quoaees são de muita augoa por que nascem d ellas. Pois ymdo adiante ella passamdo a outra porta temdes loguo junto com dous pagodes.94 a hú homem. e defronte d esta estaa outra. e loguo chegareis ao muro. toda de cantar3^a. que vay ter pêra a outra bamda da cidade. Pois ymdo a também mosas. e este muro d esta primeira porta cerca toda a cidade. e na entrada d esta porta tem duas forte. Pois tornamdo a pri- meyra porta da a quoal he cidade.

e vendem mu3-tos cousas. e no cabo temdes outra porta com seu muro. Junto a estes pagodes estaa húu carro triumfal lavrado de muyta macenarya e imagées. porquoanto he gramde e não pode voltar ruas. e esta presente ao matar d estes carneyros húu iogue que do pagode tem carreguo. diamãees. e nesta rua dos pagodes pequenos. de maneira que esta cidade tem três fortalezas. e outras tos porcos e galh^nhas e peixe seco . e aljofare. e uvas. e asy vemdem muvtos cvdrõis. e e laramjas. e dão de cada cabeça um saco. e todallas outras cousas que na terá haa e comprar quiserdes. e panos. e muydo maar. por que são como as comfrar3^as que nas nossas partes haa. e pérolas. o quoal muro vay ter com o muro da segunda porta que jaa dito tenho. também temdes mõis nella cada dia a tarde feira de muitos li- roeis e semdeiros. e entemde se as casas dos homées que são pêra ysso. acompanhada de boas casaryas e ruas da manevra que dito tenho que ellas são. adiamte se dirá d estes iogues que homées são. e asv dos que vendem nas praças se não a porta d este pagode. e húu dia per húa festa sua o trazem pella cidade e lugar por omde elle pode hir. em todas as ruas ha pagodes. e lhe leixão as cabeças. e toda outra ortaliça. e tanto que cortão esta cabeça a este carnevro ou bode tange este iogue húu cornito. mas os primcipaes pagodes fora da cidade. Pois passamdo esta porta temdes outra rua aomde ha deira. e todallas sestas feiras e gramdes estão Xpovão de Figueytemdes nella fevra. tudo muitos oficiaes. Nesta rua pousava redo*. em synal de como o ydollo recebe aquelle sacreficio. e do samgue d eles lhe fazem sacreficio aquelle ydollo que no pagode estaa. Ymdo adiante temdes húa rua larga e fremosa. e esmeraldas.0:> nenhúu carnevro que para gentio seja. e outra nos paços d elrey. que he uma moeda como húa cartilha. e ma- temdes nesta rua. de todollos oíficiaes e mercadores como sabereis que haa. e nesta rua morão muytos mercadores omde achareis todoUos robis.

Esta he a mais abastecida cidade que pode ser no mumdo. de muyta pedrarya que ha nella. e não a quis escrever por não parecer cousa de somente diguo que a cavallo nem a pee se pode romper por rua nem travessa. triguo. e milho zaburro. e asy ha muytos limoeyros e larangeiras tão cerrado húu com outro que parece húu mato espesso. principallmente diamãees. e araqueiras. do que agora e feijõis. e d isto que diguo achareis. a que não sei o nome. por causa do muyto trato que tem. e jaqueiras. e tem mu3'tos canos d augoa que vem por dentra d ella. se não triguo que não ha tanto como das outras sementes. e o que de la vy me parece ser tamanha como Roma. a muytos naturaes da terra. e também ha uvas bramcas. d aroz. O tamanho d esta cidade não ponho aquy por que não se pode ver. dire3'. e algúa cevada e munguo. e eu soby em húu outeiro omde se parece gramde parte d ella. l3^fantes. e muyto fremosa cousa de ver. e as . Por baixo da mourar3^a vay húu rio pequeno. duas alaguoas que dito tenho. e em lugares tem algúus tamques. tem muitos arvoredos dentro em sy nos quyntaes das casas. e esta augoa toda que ha na cidade vem das . e são da sua goarda. e asy por toda a cidade todollos dias temdes feyra. e as mays são mamgue3Tas. e de tudo ha muyto. macharuy e outras sementes mu3'tas que ha na terra.q6 cousas que na terra ha. que não comem se não os mouros. no cabo d esta rua haa mourarya que he jaa o cabo da cidade. em esta cidade achareis homées de todallas naçõis e geraçõis. que são mantimento da gente. comvem saber. os quoaees tem solido d elrey. com a muyta gente e alfabulla. e d esta bamda ha muytos pumares e ortas com muytas arvores de Iruyto. e outras arvores de muytos fruytos. e não se pode ver toda. e elrey tem húu palmar junto com seus paços. por estar metida antre muytas serras. e de muyto barato. e grãos. e a de fora da primeira cerca ha muyta gente que nesta cidade haa não tem conto.

As galinhas são muvtas. se não das da maneira das de Portugal. vai um porco coatro ou cinquo favõees. que muytas vezes lhes fal- tão os mantimentos e prov}^sÕis. e outras tem em cada pee dous muyto agudos. são como as estarvas da Itália. pois ver as muytas carregas que que cada dia vem de llimõis que não vem a conto os gellas. em tanta maneyra que he pêra pasmar. de que achareis as praças cheas. roUas. e das le- com topaes com elles bres dão duas. e serão de compridão e largura de húu dedo. os pombos tem o preço das passaras. as outras serão tamanhas das rollas dão doze. e são muito baratas. e por fora da cidade dão coatro. e as vezes húa. e de laramjas doces e agras. que se chamão favaos. nesta terra muytas perdizes. e ha três castas d elas. húas são as de Portugal. que querem parecer patos. podem contar. nem se pode dizer. as rollas são de duas maneyras. dos outros pássaros dão tantos que se não tantos. pois os carneyros que cada dia matão não ter conto. como he comúu avees. e de povos. pois porcos também tendes em algúas ruas carneçarias tão alvas e limpas que em nenhúa parte podem ser milhor. pois dos gramdes dão das outras que bem podereis cuydar dos pequenos que dae rão. dão três na cidade por húa moeda que vai hú vintém. húas não tem esporão. e de lebres. e em muytas tantos d elles que vos comvem esperar ruas que passem ou hir por outra parte. e nesta sempre sobeija . que tem não podeis amdar.07 ruas e praças cheas de bois carregados. e de todollos os passarinhos e avees que amdão em alagoas. por que as cousas d esta cidade não são como as das outras cidades. e barbaras berimasv muyta ortaliça. e asy de codornizes. todas estas avees e caças vemdem vivas. por que em todallas ruas temdes quem vos vemda a carne tão limpa e gorda que parece porco. por húu favao. por que dão seis e ovto perdizes por húu vintém. catorze como como tordos. e pombinhos. as outras são pintadas. e não são da calidade e feição das nossas. que não conto.

e asy manteiga e azeyte e muito dia se vemde. que estaa pêra leste. de dentro são de canas.cabeça do reyno. porque estaa da bamda d esta cidade de Nagumdym. e dentro neste rio he o que passa por entrão em elle outras ribejTas que ho fazem muyto gramde. e muytos carneiros o amdão também. uvas. Fora dos muros da cidade da bamda do norte tem três pagodes muy fremosos. valem três cachos hiju favao. Esta húa cidade edificada que chamão Senagumdym. he cousa que se . neste pagode tem defronte da porta primcipal d elle. se também passão querem. o quoal peixe he muy danoso. verdes os campos der- redor da cidade cheos d eles e de vacas e bufaras. amdão moços em cima delles. que dizem que antigamente fo}. que não tem mays que so duas entradas. passao a ellas por híías barcas que são redomdas como cestos. Da bamda do norte tem a cidade húu rio muyto gramde de muyta augoa. e . e vão sempre em voUtas. e das romãas dez por húu favao. tudo. e tem aymda bõos muros. em gramde parte se não achara outra que tal tenha. e jaaz antre duas serras. O que ha da bamda d este rio. e agora vive nella pouca gente. estaa nella hiJu capitão por elrey. húa rua muyto fremosa de casarias muyto fremocabritos. Temdes mais nesta cidade lugares cabem nellas quimze. que cada não pode deixar de escrever. tem muytas romãas. e a muyta criação de vacas e bufaras que ha na cidade. e asy das muytas cabras e bodes tamanhos que amdão emfreados e sellados. o outro se chama Aoperadianar. nellas cavallos e bois.y8 leite. ha cousa fermosa de ver. o quoal húu se chama Vitella. e remão nas com híJas paas. e ho a que elles tem mais venaração e gramde romagem. por que d outra maneyra não amdarião nada. e en todo c reyno homde as ribeiras não tem outras barcas se não estas. e omde vendem híia carneyros em pee. e de fora forradas de couro. e ha nelle muito peixe. vimte pessoas. porque o mays d isto passa a nado. e he muyto forte.

e as outras duas de cobre. todo de hordenamças d homées e de molheres e montaryas e outras estor^-as muytas. a mane3Ta piares de pedra. sobre húas alpemdoradas elle em que se agasalhão os romeyros que a rua tar gente honrrada. sem nenhúa fresta.99 sas. segumdo me diserão. e asy tem casas pêra aposentem elrey húus paços nesta mesma omde Tem se aposentao quoamdo vem a este pagode. e passamdo esta segumda porta estaa húu ter- reyro gramde todo derredor das varamdas sobre seus no meyo d este terre3T0 esta a casa do paguode. asym se vão as 3-magées diminuymdo. omde estaa aquelle 3^dollo que adorão. tanto que se passa esta casa entraes em outra pequena. tem na prime3Ta porta porteiros que não consentem entrar dentro se não os bramynes que de cinze3To de quoalguer 3'greja. húa romeyra sobre esta prime3Ta porta. passamdo esta primeyra porta temdes loguo húu terreyro gramde. e pella muyta antiguydade me parece que são desdouradas. toda a frontarya da porta do paguode atee o telhado he tudo forrado de cobre dourado. qui agora reyna. tanto que entrão dentro nesta casa temdes de pillar a p3lar sobre que ella estaa fumdada mu3tas covas pequenas em que estão camdie3T0s d azeite que ardem. e d ah' d esta casa se faz . e será a copia de dous mill e qu3'nhentos. antes que acheguem a elle tem três portas. ou três mill camdie3Tos. a que estaa mays achegada a porta do pagode he d este rey Crisnarao. por que todas são de cobre. cada no3-te. Defronte da primeyra porta estão coatro colunas. as duas douradas. sempre tem camde3^as com que se alumya. e as outras duas de cobre. se não que em tudo mays pequena. e de cada bamda do telhado em cima tem húuas al3^maryas que parecem tigres. e outra porta do theor d esta prymeyra. ylhargas. e as}' como o corucheo se vay apanhamdo pêra cima. por que as outras são dos antepassados. todas douradas. a casa he d abobeda e escura. vem. e tem húu corucheo muy alto. e tem duas portas nas como húa capella.

não comem todo o dia cousa nenhúa. e quoamdo quer que vem a festa de quoal- quer d estes pagodes trazem hús carros triumfaes que amdão sobre suas rodas.100 tem careguo d elle. e na trazeyra d este pagode de fora. e eu pello que lhe dey me deixarão entrar dentro. que seria larguo de contar as cousas d elles. E os outros pagodes atras ditos são feitos pella maneyra d este. o ydollo pella dita rua com muytas louçainhas. e são em . omde amdao bailhadeyras e outras molheres com tamgeres ao paguode. ho primcipall 3'dollo he húa pedra redomda sem nenhúa fegura. e como nos. e daredor estão outros pa- godes pequenos como casas de devaçao. Outros muytos paguodes ha nesta cidade que aqui não diguo. tem debaixo despois húu bufaro. e em húu tem húu. pois chegamdo se as suas festas primci- paes veyo se elrey da cidade nova a esta cidade de Bisnaga. e comem mays a me3'a noute. com ortas de muyto arvo- redo. tem húu ydoUo pequeno de labastro bramco com seus braços. e ma3's antiguo. neste pagode a hy de continuadamente húu camdieyro de manteiga. os bramines semeão seus bredos e outras ervas que comem. e nella ser de costume se lavrarem suas festas e ajuntamento. e nos outros as armas de casa. e antre porta e porta tem imagées de ydoUos pequenos. e húa al3^maria que ajuda a matar aquella bufara. não diguo da maneyra que vão estees carros por que em todo o tempo que estive n esta cidade não amdou nenhúu. tem nelle gramde devaçao. e na outro húa espada. esta casa de fora he toda forrada de cobre dourado. apegado as varamdas que dito tenho. pêra estas festas são emprazadas todas as molheres solte3Tas do ellas sejão presentes. e tem seus dias de jejúu. por ella ser a cabeça do re3^no. tiramdo os que elre3^ tem mandado fazer a guerra. Deveis de saber que antre estes gentios ha dias que celebrão suas festas. mas este he o principal todos tem muytas casarias. e as3' todollos capitaees revno que e reys e gramdes senhores com toda sua gente.

e não leixão entrar se não os capitaees e homées honrrados. a ella estão muytos porteyros com azorragues na mão e canas. por fora d estas portas começa o muro que disse que cercava aos paços. e asv são todas. ca nas festas que os taees capitaees estom nos aparecem por elles hos que adiante direy. e esta casa se chama a da vitorya. e fazem nas nos paços d elrey. e estes pallamques não estão . e tanto que entraes dentro d ella temdes húu gramde terreyro. e em cima cubertos de veludo cremesym e verde. da bamda direyta do terreyro. esta casa estaa sobre húus piares fevtos d alyfantes e d outras figuras.lOI algúas partes. e sobem a ella por húas escadas de pedra. e sobre esta porta tem húu corucheo asaz allto feyto da maneyra dos outros com suas varamdas. e de húa bamda e da outra húas baramdas baixas por omde estão postos os capitães e gente honrrada pêra d aly verem as festas. de riba ate o chão e estes panos não cu3'de alguém que erão de Uaa. e emparamentados godão d outros panos gallantes. e toda aberta pella frontarya. e loguo temdes outra porta da mesma maneyra da primeyra. e da bamda esquerda do norte d'este terreyro estaa húa casa gramde térrea. por que não nos ha terra. domde também estaa algúa gente vemdo as festas. que vos jaa he dito. e aquelles que lhe são mamdados pello porteyro moor. e posto taes lugares. como o reyno d Oria e as terras do ydalcão. Estas festas se começão a doze dias de setembro. e durão nove dias. ou estão no extremo do reyno a bamda de que ele tem sospeita. estão feytos de madeyra húus palamques estre3"tos muyto altos tanto que por cima dos muros eráo vistos. e asy com seus porteyros e goardas. passando esta porta temdes húu terreyro. Estes passos são d esta maneyra: tem húua porta pêra este tereyro que jaa dito tenho. por que foy fe3^ta quoamdo veyo da guerra d Orya. mas são d al- muy dellgados. tem derredor de sy húu corredor mays abayxo d ella de muy boas lageas lageado.

Xpovão de Figueyredo com todos elre}' os que com lugar hiamos. e aitorj^a Tornamdo me tem elrey . e os panos das paredes erao de feguras a maneyra de broslada. e das outras que os servem. estas casas se ser- vem por iiúas escadas de cantar3'a muv bem lavradas.102 neste lugar sempre. no quoal estrado estaa húa cadeyra d estado d esta mane3Ta fe3'ta: he quoadrada e chãa. no tavoUeyro de cima junto estava elle omde tall elrey. e por ha. que jaa dito tenho. dos quaes tabolleyros vem as festas os filhos d estes privados d elrev. entre esta casa e da vytorN^a estaa húa porta que he sua serventia. sabereis que he toda chea de suas soajes. mas são feitiços pêra estas festas. e esteos. por que o mamdava que no estevesse pêra milhor ver suas festas e gramdezas. e na outra do meyo estaa posto húu estrado defronte da escada do me3'o. estas casas tem dous tabollejTos. e tem a entrada d estas casarias que pêra dentro vão. de fronte da porta que he de lleste defronte do terreyro no me3'o d elle estão húas casas da maneyra que dito tenho da vitorva. e as vezes seus capados. húa tem no meyo e outra no cabo. esta casa estava toda armada de panos ricos. omde tem húu pagode o ydollo. e junto duas rodas em as quoaees com as portas estavão amdão molheres solteyras muy ara3-adas com muytas joyas d ouro e diamães e muytas perollas.e das molheres suas. húu em cima do outro muy bem llavrado com suas bordas muy bem feytas e lavrados. e 3'sto he quoanto ao pao. e dentro trinta e coatro me não as aquy ruas. e por cima redomda com sua comcav3^dade e seu asento no me3'0. as festas sabereis que nesta casa da vihúa casa fe3'ta de pano com a sua porta cerrada. e de liõis todos d ouro. os palamques eráo omze. ficar por dizer as ruas que nestes passos ponho. sabereis que dentro n esta casa que dise vay o aposentamento d elre}. e no vão d estas soajes tem húas chapas d ouro com muitos robis. que são doze mill. asy as paredes como o de cima.

sabereis que como he manhaa elrey se vem a esta casa da vitorja. as quoaes começão d esta maneira. e de muytos robys. e detrás d elles quoatro alyfantes elre3'^ fremosos. e outra bamda húa manilha do pee feita a sua feição. e mete se naquella casa omde esta o 3^dollo com seus bram3^nes. e no chão junto com o tabolleiro da casa estão omze cavalos com suas cubertas galantes seus. e em deredor d ella toda chea de ymagees d ouro postas pressonagées. de húa bamdeira d esta caalta em baixo esta húa carapuça. nas mãos húu cesto cheo de rosas bramcas. com mu3'tas galantar3'as. dereyta. e no terreiro estão e e bem comcertados. e d ah' põem aquellas rosas e . e faz lhe outro. e será de grossura de húu braço. pêra d ah^ averem de ver. e elre3- chega se a sobre o tabole3To. e la fora pella casa estão algús privados muvtas molheres solte3Tas ba3'Ihamdo. e toda a outra pedrar3'a. vsso mes- mo d esta maneira. toda chea de perollas. e diante de tudo ysto no cabo do estrado arimado a hú esteo estavão huas almofadas omde elre}^ estaa assentado a todas estas festas. Item. a quoal não he toda redomda. e despois de lhas ter lamçadas tomão húu cesto de perfumes. toma o bramine o cesto dece se ao tavoleiro. nesta cadeyra estaa posto húu 3'dollo. e ramado de rosas deira no estrado e flores. re- domda por cima. e esmeraldas. estão mu3'tos capitãees e homees honrrados. e fas contra elle como que os encemça. e junto com ele húu bramine. e diamãees. e outras muytas pedras de vallya. vsso mesmo d ouro em jofare. e sobre ellas vay muyta obra d ouro com muyta pedrarya. e robis. e faz sua oração e cerimonyas. e no primcipio d ella tem uma perolla do tamanho de húa noz. mais húu palmo. cheia de pedias grossas. e lamça as ao cavallo.io3 peroUas por baixo. e despois d estar as3^ dentro e trás vem fora. e toma três mão cheas d aquellas rosas. também de estado. e e acabamdo elre3' 3'sto. em suas baramdas^ que estão derredor do terre3T0. e acabado de fazer ysto aos cavallos achega-se aos alyfantes.

acabado ysto torna se ao paguode. e cada húu se vay pêra seus aposentamentos. de que se faz sacreficio aquelle } dollo . as molheres solteiras e baylhadeiras ficão balhamdo diante do paguode e ydollo gramde pedaço. com húas fouces que tem ho carreguo de ho matar. e aloés. elrey asenta se ally omde elas estão. e lhe fazem sallema. e estaa húu pouco. as}^ como vão asy se saem. sae se elrey fora. e asy per outra porta entrão aquelles seus privados. e cousas. e allgijs lhe dão algúa cousa se querem. e mete se dentro. e vira contra omde estaa o ydollo. e as levao todas. e toda a outra e comvem pedrarya.I04 outras íiores na cabeça aos cavallos todos. . d aly vee como matão no terreyro vinte e quoatro bufaras. e tanto omde que he dentro alção as paredes de casa. e mete se omde dizem que tem fe3'to hííu foguo elle lamça no foguo hus poos de muytas a saber. que na casa estão. e tanto que acabão de matar este gado. e vay se as outras casas gramdes. e vay acima das casas ao lomguo d ellas. o quoal se tornao ydollo. e e pÕem no chão. e tanto que he no cabo lhe cortão as cabeças de húu so gramdes que trás aquelle tira a carapuça da cabeça. e tanto que esta ly ven todos aquelles capitãees e homées honrrados. são certos da mão que não herrão golpe nenhúu. e nos tavoleyros d ellas estaa tudo cheo de bramines. por aquella porta que jaa vos dise que estava no meyo d ambas estas casas que estão no terreyro. com elrey se recolhem aos paços de dentro. e cento e cyncoenta carneyros. que são feytas como paredes de temda. fazem lhe sallema. e elle se vem por d omde deitou as flores aos cavallos. e deita se no chão estirado. sabere3's que a estas bufaras e carneyros golpe. outras cousas suaves de cheiros. e tanto que elrey sobe omde elles estão lamção lhe a elrey dez ou doze rosas. em híiu quyntal pequeno. e er- gue se loguo. rubys. vay se por dentro das casas. e acabado de ho tem o fazer tornão se a eirey. e perllas. aquelles que mays perto d elle estão.

omde as festas são. porque este podem estar asentados. salvo as molheres solteiras que que outrem o tão bem o comem diante d elle. parentes seus. e todos aqueles que dentro estão lhe fazem sallema. e asym o tem em logar de pay. e tem feyto húa eyra gramde de terra solta omde lutão as molheres solteyras e baylhadores. mamdar. e quoando chama o dito rey lhe chama senhor Salvatinica. estão loguo na entrada da porta defronte da casa outra gente muyta. que no meyo d aquella casa estaa. e d ally mamda entrar todallas cousas que nas festas hão de sahir.io5 he o que se faz pella manhãa em todos estes nove dias. moços do rey. e tanto que são dentro põem se em torno do terreyro todos em hordem. Salvatinica. e não deixão en- trar loguo toda a gente dentro. tanto que elrey he salvante se lho . bram3'nes. e deytão nos neste ter- reyro que estaa antre húa porta e outra. os oficiaes fidalguos que servem diante da casa amdão comcertamdo toda a gente. Despois de tudo ysto feyto e comcertado sobe elrey e assenta sse no estrado que jaa vos dise. e todos estes são comvem a ssaber. com as cerimonyas que diguo. e os filhos de seus privados. e estão repar- tidos pellas portas pêra elles que não entrem se não os que mamdarem. este Salvatinica estaa de dentro do terreyro. omde estaa a cadeyra e as outras cousas. que he primcipall pessoa que amda na corte. porque este criou a elrey. e o fez rey. e também comem betre. e os que em cima vão armados lavodes e cofes e zagumchos. e os lutadores vão se por junto com a escada. e a mamda toda. despois tornamdo as festas depois de meyo Isto dia tres oras vem se todos aos paços. esta junto com húa porta. somente vão dentro os luctadores e mollieres solteyras e ailyfantes. e outrem não por gramde senhor que seja. os quoaes vão com suas cubertas e louçaynhas. e cada húa põem em seu lugar. os lutadores tanto que lha fazem asentão se no chão. por não come. e cada dia avantajadas. e todos os capitãees e gramdes do reyno lhe fazem a salema.

e tanto vão a seus lugares. entrão os ca- pitãees da gente de guerra d adarga e d espada. e asy manilhas nos braços. e antre elles gramde estado. o principall d estes he húu que hc rey de SNTÍmgapatáo e de toda a terra que confina com o Mallavar. e asenta se tanto avante e e seus sogros. e este rey ha nome Eumarvirya.lob assentado no tal lugar mamda assentar comsyguo três ou coatro homees. e d estes panos bramcos he elrey muyto. mais a maravilha se deve trazem. esta he a goarda do rey. e com este em que estão são forrados todos d ouro estes rabos. as molheres solteyras a bailhar. e em derredor de todo o terreyro diante dos alyfantes. e se dito. aly esta ho rey vestido dos panos bramcos. e estão no abanamdo com rabos de cavallos de cores. por que no lugar não entrão tal ho rey. varamdas que jaa trás que acabão d entrar este. entrão loguo os capitãees que de fora estão cada per sy. e estoque e com outras cousas que elle por estado trás. húas molheres de tal cançarem tanta riqueza. e sempre o vy com elles. os outros atras. com em he aquella gente honrrada que cada húu tem. todos cheos de rosas d ouro. e vão se d ellas meter nas rodas que dise que estão a porta na sua entrada: quem nos poderia contar a grande riqueza que sobre sy homées com armas nem homde estaa tanto que esta gente he dentro começão loguo com tantos diamãees. e reys. Mas tornamdo as festas. deredor d elle estão os seus pagées com seu betre. ally estão muytos bramines em derredor da cadeyra omde estaa o ydoUo. nos pees certamente. os quoaes são de sua casta. como elrey he asentado. e asy entrão outros capitãees de arqueiros. e ha molheres antre ter oficio alellas que . e asy sua hordem na maneira se vão a fazer a salema ao dito rey. pedias asy mesmo. e como elrey. esta gente estaa toda no chão. da outra bamda do estrado. e asy nos buchos como em baixo as suas cintas e manilhas. aquelles colares d ouro e rubis e que a outra cousa. e também com elles abanão a elrey. e com suas jo3^as.

e asy vem também zemdo guerra fora. e estes carros trumfantes são de capitãees. os d estes carros comvem vem antre vem de muytos panos ricos emparamentados. e pelo terreyro estão metidos de mane3ra que estaa o terreyro tão claro que paresse de dia. a entrar omde elrey estaa he e como tudo asy he e começão muytos joguos ymvenções de muitas graças.107 terras que lhe derao. e tantas cryadas que he espanto fallar em suas cousas. e amdores. e quebrar dentes e olhos. e húu outro. a saber. e entrão outros com outras maneyras são e batalhas de gente de cavallo. e tal a h}' que d aly o levão se em braços também seus capitãees e juizes dão fremosas quedas. e asy ysso claro mesmo tudo cheo de tochas. Acabamdo estes entremeses começão a lamçar muytos fuguetes. e de mu\ias envemçóis de balhadey- ras e outras figuras personagees. e desfa- zem sem focynhos. tomamdo d eses homées que estão no terre3TO. fae entrão d esta maneira. e muytas maneyras de foguos e castellos. estes cavallos como cavallinhos fustos que e outros fazem Portugal pello corpo de Deos. cessamdo estes fogos começão a entrar muytos carros trumfantes. o primeiro he de Salvatinica. e asy por cima das paredes. posto são loguo muytas tochas acesas. e asy dar a honrra aquele que ganha. e não vos pareça que a sua luta he como a nossa. porque antre as ameyas tudo são camdeyas acezas. e falar. carros d aquelles que lhe dão. tem E também começão os lutadores a lutar. vem com suas tarrafas pes- camdo. a molher nesta cidade que dizem que tem cem mill pardaos. e loguo se saem. mas são muy gramdes punhadas. e fazemdo o que pes- . que todos ardião e lamçavão de sy muytos tiros e fuguetes. e a balharem as putas e tamto que o sol he . Em todo este pedaço do dia não se faz mais que esta luta. salvo atee chegar a elre}'. e húus fachos gramdes de pano. e tem que estão aly pêra os meter no campo 3'goal húu do outro. e não se detém mays. e creo ser asy por o que vy d ellas.

e d aly lhe faz suas cerimo- caso que ho tal e se algúu re}^ nyas. outros dous comsyguo. de ser todollos outros que despois d eles vierem. e outros todos de casta. e outros levão húa caldeira d augoa. Sabereis que este cavallo. não quer ser jurado em cavallo fazem então em húu ah^fante que tem com a mesma dinidade. e asy saymdo os carros. amdão derredor do terreiro duas voltas. e com mays louçaynhas que os outros. e diante d estes cavallos vay húu cavallo com dous sombreiros d estado d elrey. e tanto que estão d esta mane3Ta sesegados saya de dentro dos paços húu bramine. e torna se dentro dos paços.em sua bordem vão por omde esta elrey. he hú cavallo que os reys tem no qual forão jurados e allçados por reys. vereis sahir de dentro loguo vinte cimco ou trinta porteiras. tamgemdo muytas trombetas. e as}. e semdo cavallo morre metem outro seu lugar. adiante d este cavallo vay outro bay- e pomdo se o que ca fazem todollos cavallos por serem ensynados a ysso.io8 soas duas faryão se no tal lugar fosem. os quoaes estavão todos com os rostros pêra elrey. E despois d isto asy feyto. o primc3^pal que elrey tem. estamdo de maneira que ficão antre eles e os homes húa rua toda derredor. e eh aramei- . e com seus freos todos dourados. loguo junto com ellas capados. pello cabresto. outros riba vem com os sobrados que do outro. e este bramine mor leva nas mãos húa bátega com húu coco e aroz e fuUas. e junto com os capados e vem muytos homees vem muytas molheres. e o cavallo dos reys diante de todos. e azorragues aos hombros. que vay com este estado. e vay se por de trás dos cavallos. Pois 3^mdo estes cavallos da maneira que diguo. entrão loguo muytos cavallos amdão húu em com suas cubertas e lemçois de e muy delgados com muytas rosas e flores nas cabeças e pescoços. e nele hão Ihamdo. com e suas canas na mão. e húu dos estribeiros he quem o leva pannos das cores do rev. defronte d elrey. atabaques. põem no me3^o do terreyro em cinco ou seis carreiras húa antre a outra.

e na syntura muytas svntas d ouro e as}. no todas em sua hordenança húa ante outra. e vão molheres junto d ellas que as ajudão a soster os braços. pellos braços atee os buchos tudo cheo. com suas canas nas mãos todas forradas de prata. D esta maneyra e bordem vezes derredor dos cavallos. no fim d estas três voltas se recolhem dentro aos paços. e detrás d estas molheres virão obra de vinte molheres porteyras. elles de seda. res são os oficiaes a honrra da festa são lhe repartidos os dias. na cabeça trazem húas carapuças chamão collães.mesmo de pedrarya. e perollas. por que damas das rainhas e todas outras que com ellas em cada húu d estes nove dias de festa. e outros de tiracollos. com vem cera. e junto com ellas vem molheres vestidas d esta maneyra. e robis. e viollas. mamda cada húa seu dia suas damas com as outras. trazem nas mãos húas bátegas d ouro. e outros muytos tamgeres'. que muytas d ellas sofrer. levava sobre lhas e ouro. e diamãees. com panos muy delgados e ricos altas.109 las. seryão todas sessenta molheres alvas e moças. e as manilhas ysso mesmo de toda a pedrarya. de hidade de quynze ateee vinte anos. nos pescoços húus collares com huas joyas d ouro muyto ricas de muytas esmeraldas. a que trazem húas flores feytas de perollas grossas. estas syntas vinhão em bor- dem húa meya fios abaixo da outra. e e muytos de perollas nos pees. e alem d estas S3^ntas outras jovas. e não como as nossas. e aliem d isto muytos fios de perollas. Pois quem será aquelle que poderá dizer ho preço e vallya s}'. e ho não podem do que cada húa d estas molheres por que tamanho he o peso das manijoyas que levavão. e no meyo d elles feytos de perollas apegadas meyo de tudo ysto húa camde^-a acesa. . da mesma maneyra trazem manilhas nos pees muyto ricas. que quoasy lhe dava por coxa:. do ta- manho de húu húus latos baril d augoa as mãos. e nestas carapuças e por debaixo dos braços muytas manilhas. estas molhetrês amdão vão. e de mays vallya que as outras.

húu detrás d outro. a húu lugar que he jaa deputado pêra ysso. e estas molheres vem cada dia as mays ricas. e vão se. e d esta temda atee os paços d elrey se põem os capitãees com sua gente e hordenamça. e as oras que comem. e quoatro mil e quinhentos carneyros.I IO scgumdo que jaa o tem por costume. e omde a estrada era estreyta punhão se pelo campo. húa gramde legoa da cidade. na quoall temda metem o 3'dollo a quem todas estas festas são celebradas. e tomão húu ydollo. Então vão os bramynes. omde avia algúa alaguoa cercavão na de gente. no derradeiro dia d ellas se matarão duzentas e cim. coenta bufaras. mas a lugares dous e três. e vay se a cear que todos estes nove dias jejua. as baylhadeiras ficão e faz suas oraçõis e cerimonias. e vay se aomde estaa o ydollo. e também vem as molheres solteiras a balhar. cada húu em seu lugar asy como o tem na casa d elre}^ a gente estaa d esta maneyra. de veludo de Meca. e não comem senão despois de ser asv tudo feito. Passados estes dias das festas faz elrey alardo de toda sua gente. jaa hordenado por elrey. cada húa he. homde estaa a casa de pano que jaa he dito. e como estas molheres se recolhem v5o se os cavailos logo. e tanto que são ydos recolhe se elrey por húa porta pequena que esta casa tem no cabo d ella. e despois de tudo feito muy gramde pedaço e d esta maneira celebrão esses nove dias festas. trazem aly outras tantas bufaras e carneyros. e loguo balhamdo ao ydollo. não vos pareça que hera húu fio so. em . de maneira que não vieis campo nem serra. e levão no a casa da vitorya. que tudo não fosse cheo de gente. e elrey sahia loguo de dentro. Mamda elrey por híía temda sua. porque nestas cousas taees folgão de se amostrar. acabamdo de matar as bufaras e carneyros. os de pee estão e fio. e este alardo hordena sse d esta maneyra. e fazer alardo cada húa do que tem. fazem sua sallema. recolhe se elrey. e pellas recostos das serras e outeiros. e matão da maneyra dos outros.he a meya noute. e vem os alyfantes.

e fazião no bocal das ruas atravessar palam- ques pêra que a gente coubesse. e asy os cordõees. e suas louçay- nhas. e nas mãos seus zagumchos com as asteas forradas d ouro e prata. algús d aquelles que as trazyão douradas trazião pêra o campo d ellas muyta pedraria grossa. e por as bordas laçarya de pedrar}'a meuda. e nas cabeças húas armas de fevção com suas abbas que cobrem o pescoço. algúus traz3'ão as laminas de dentro e de fora douradas. que he o veludo de muytas cores com suas framjas e louçaynhas. outros ferros que os fazem ser fortes. e os cavaleiros armados de seus landeis. e outros os tem d aço. dizer da as}. e tem no collo seus cofos todos dourados. tão limpo como húu espelho. os de cavallo nos seus cavallos emcubertados suas testevras d elas de prata e d elas douradas com com suas franjas de retrós de todas cores. as quoaes gíãas al- são de prata. e outros de seda com suas chaparias d ouro e de prata. e todos de cervilheiras. outros as tinhão de veludo de Meca. e tem muvtos rabos bramcos de cores. outros as trazião d outras sedas. de maneira que tudo era cheo. e de toda outra seda. Estes land3-s são de laminas de couro cru muyto fortes. n esta hordenamça estava cada capitão com sua gente. e nas cintas seus estoques com suas machadinhas. e os alifantes detrás dos cavallos. e com e seus sombreyros d estado guarnecidos de velludo e damasco. e trazem nos . e com dos rostos de serpes. algús d estes cavallos tinhão as testeiras e d outras alimaryas de diversas maneyras. e são do theor dos lamd3-s. os capitães que tinhão suas ynstamcias de dentro da cidade. como setís e damasco e outros de brocado da China e de Pismael. vsso mesmo de brocado e de velludo. Agora vos quero maneyra que estavão armados.fora como de dentro. por tão estranha maneira feytas que bem davão que ver pella perfeyção de que erão feitas. por que a gente lhe não cabia sobre os terrados das casas. tem suas antefaces. de toda a outra seda de cor nos cavallos.I II diante dos de cavallo.

e outros tão luzentes e limpas suas frechas. que não se acharão. que jaa vos disse. e espimgardõis. louçaynhas de panos ricos. arcos troquiscos. com os rabos d ouro ou prata. hera cousa cofos. nas cyntas suas adagas. todos dourados e cubertos de velludo cramysym. e cofos. e nas testas pintados rostos de giguantes. e remessõis de foguos . com dous sombreyros d estado. vestido d aquelles mu}'^ ricos panos bramcos. e também empenamays não pode ser. que não tem comparação. muytas figuras flores de prata e ouro por outras com com de tigres. as quoaees elles bas. nem descobrirão de tantas cores valles e trazião. e suas espadas tão goarnecidas que mays não pode ser. e com panos ricos de muytas cores. com muytas bomdo que me espantey muito por nelles aver homees que tanto d aquillo soubesem. pois os mouros não he esqueção. e outras machadinhas com as asteas. bem pêra ver. com seus liões e sua louçaj^nha. ellas. e em cima de cada húu d elles três. Parte elre}'^ dos paços em cima d aquelle cavallo. outras pretas que vos vedes nellas como em húu espelho. e douradas com suas franjas. Pois tomando a gente de pee.112 por mu3^ta honrra. do que jaa vos contey. quoatro liomees armados de seus lamdys. e d outras alymarias. e d outras maneyras d alymarias. dos frecheiros vos diguo que tinhão os arcos prateados de ouro e de prata. adargueyros com suas adargas. pois he gente comcertada da maneyra que dito he. Os alyfantes ysso mesmo encubertados de cubertas de veludo. lamças. outras de cores pintadas. e zagumchos. outras todas cubertas de folhagem de prata muy bem. e estão da maneira que neles hão de pilhar. os quoaes rabos são de cavallos. e com suas joyas e louçaynhas. com suas campainhas que a terra atroavão. e seus landeis em sua hordenança. he tanta que cerca os nelles vereis tantas omde como elles sey montes. pois que também forão no allardo bem que com seus zagumchos. pois verdes os espimgarde3Tos com das que suas espimgardas. feyta.

e tem tão gramdes riquezas. e ver as bombas e lamças de foguo hir pellos campos. que parecia que a cidade se sovertia. os cavallos rymchavão. e por ver e dar synal de tudo o que V3^a. os montes e vales con toda a terra tremia com os muitos tiros de foguos e espimgardas. na quoal gayolla vay aquelle ydoUo que jaa vos disse. Hião ante elrey muytos alyfantes com suas cubertas e gallantaryas. como dito he. parece-me ser de cobre ou prata. e não he muito de espantar dos gramdes gastos d elles. a quoal dava tamanhos gritos e alarydos. que de seus como elrey passou. por que húas me furtavão a vista das outras. amdava com a cabeça tão ameude se possa dizer. verdadeiramente parecia que aly estava todo mumdo omde junto d esta maneyra. em de húa bamda e da outra que quasv estive pera cahir do cavallo abaixo com o saso perdido. doue era híía como rada e a de dia de corpo de Deos de Lisboa. não he cousa que nem crer o que era. e fez suas cerymonias e oraçõis acostumadas. afora outros que se revezavão. o que vereis tantas emvemçóis de chaparras que vo lio não sey dizer. os alyfantes ysso mesmo. pois que o dinheiro he tanto. e batião com as adargas. Forão atee que elrey chegou estava a temda. hia elrey acompanhado. vemdo esta gente. que e estado de seu senhor. 8 . que elrey tornou. não vos pareça. junto bem demostrava com elrey hia gramdeza gayoUa. que jaa vos he dito. 03^0 de cada bamda. o que traz cada húu pode entemder o que húu tão gramde senhor sobre sy pode trazer. ora ver a riqueza que os fidalguos e homêes de vah^a sobre sy levavão. que esta gente se tirou lugares. mas antes esteverão quedos na mesma atee hordenamça em que estavão. ora ver os cavallos que hiao suas cubertas. levava elre}^ diante de sy obra de vinte a cavallos encubertados e ssellados com suas goarniçõis d ouro e pedrarya. e entrou dentro. hera cousa muyto pera ver. que estava nas festas d esta maneyra.1 13 tem pera em os taes tempos sobre sy trazer. levavão na dezasseis homêes. mays gramde.

e o decer d elles com suas gritas. que me parecia ser visão o que vya. e tem esta gente sempre junta. e bolir de frechas nos arcos. e que viera. v}^. mamdar elrey sobre húu lugar dos que tem na costa do mar. mas tão cheo que parece que numca d elle tirarão húu homem. todos os capitãees forão acompagar. e prés tes pêra quoamdo lhe ffor necessária de a mamdar a estamdo nesta cidade de Bisnaga. que não se podem contar. tanto que passava por elles começavão de aballar. e as}^ todos os outros homêes. os quoaes são homés que não comem cousa que padeça morte. e ysto por causa dos muytos e gramdes mercadores que nelle ha. toda esta gente he a solido. em que hião muytos de cavallo. que os ofycios tem.1 14 tanto que elrey acabou suas cerimonias. ha muytos alyfantes. ora ver os que estavão nos outeyros e recostos. tornou a caval- vcNO se caminho da cidade na mesma maneyra não camsado de dar seus allaridos. dizem que põem em campo dous contos de gente de peleja. e d ally se forão. pello quoal he o mais temido re}^ que nestas partes se sabe. que verdadeiramente tão fora de m}" estava. e mamdou cimcoenta capitãees com cento e cimcoenta mill homées de peleja. os quoaes erão em gramde numero. d aquy começou a gente a sahir as suas temdas e pavelhões. Eu . em que entrao cimco mill de cavallo encubertados. he gente de pequenos algúa parte. que nestes campos tinhão. a gente nhamdo elrey atee os passos. e posto que do seu reyno tira tanta gente. em toda a terra do gentio os ha. salvante aquelles que tem obrigações andarem no campo. alem d estes a gramde numero de bramines. e quoamdo elrey quer amostrar o poder que tem a algúu seu contrayro dos três reys comarcãos dos seus reynos. e repou- sar do trabalho passado. não vos pareça que fica o reyno sem gente. Agora quero que saibaes que mente tem húu conto de gente de trinta e este rey continuadapeleja. e bater de adargas. e que passava aquillo em sonho. e ha lavradores.

. e conto outros de e meyo de pardaos. quoamdo quer que nace a elrey hiju filho ou filha todos os gramdes do reyno lhe fazem gramdes serviços de dinheiro. por que em toda esta que bramco fosse. e neste allardo avj^a a mays fremosa gente de mamceba que se podia ver. e d esta maneyra tem elle este conto de gente de peleja sempre prestes. la homem fo}^ vista. asy lhe deita elrey a gente que ha de ter. que elles tem d esta sua gente. e quynhemtos cavallos continuadamente na sua estrebarya. pois tem tantos e gramdes senhores em seu revno. A ysto respondo. são os gramdes de seu reyno. que são os senhores e tem a cidade e villas e lugares do reyno. e outros de quynhentos mill pardaos. e . e omde lhe for quoamdo forem chamamamdado. nem numca gente não vy esta gente. cada capitão d estes trabalha por trazer a mylhor gente que pode achar. capitaees d estes que tem remda húu conto. e alyfantes. e as remdas que lhe remde a cidade de Bisnaga. os quoaees serão a ma3'or parte d elles de remdas. que diguo que estes capitaees. afora outros capitaees e senhores de muytas terras e de muyta remda.I ID estamagos pêra aver de husar armas. e asy lhe fazem em cada húu anno. e preguntar. como cem mil pardaos. pois que lhe paga seu dinheiro. e d outras joyas de vallya. e tre- zentos. e pêra estes gastos dos alyfantes e cavallos tem dado ser.Este re}^ de Bisnaga tem cimquo re3's seus sogeitos e vassallos. outros de duzentos. e asy cada húu tem a remda. os quoaes gastos bem podeis cuidar camanhos podem mays os dos servidores que hão mister estes ca- por aquy também sabereis o que pode remder esta cidade. asy de pee como de cavallo. E alem de ter tem suas pemssõis que pagão a elrev em cada hííu arino. Podem alguém remda pode ter este re}^ e que thesouro. e tem oyto centos allvfantes de sua pessoa. no dia em que elle naceo. esta gente tem sempre prestes pêra dos. também elrey tem sua gente hordenada a quem daa soldo. que possa pagar tanto numero de gente. vallos e alyfantes.

nem sobem o que esta nelle.. de que jaa tenho dito. que depois d elles sucederem no reyno. e não se abrem. a omze dias amdados d ele. e dão todos os capitãees panos a toda a sua gente de muytas cores e galantes. e por aqu}^ podereis ver e saber quoantos serão de rees e dia festa. e vai cada pardao trezentos e sesenta res. como dito tenho. e por aquy podereis saber a gramde riqueza d este reyno. húu conto e quynhentos mill pardaos d ouro. a quoal moeda não . saiba que he húa moeda redonda d ouro. ii6 Sabereis que acabadas estas festas. e nas casas de suas moIheres. e não he de espantar. e por ysto fazem tall e dão estas dadivas. que tem comsiguo doze mil molheres. nem abertos. e asy que tem o reynno gramdes thisouros pêra as necesydades que nelle ouver. entramdo o mes d outubro. e neste mesmo dia dão todos gramdes dadivas de dinheiro a elrey. que se afirmão que darão neste dia a elrey em dinheiro. quero que saibaes que neste dia começão o anno. os quoaes thesouros depois de ssua morte são cerrados e sellados. sem mais d elles tirarem húu pardao que pêra os gastos de sua casa lhe ficão outros de que se gasta. que também eles tem divisadas e suas cores. este rey não faz seu thesouro como os outros antepassados fezerão. os não abrem. E agora quero que saibaes que os reys antepassados. de maneira que por nenhúua pessoa não possão ser vistos. d anno bom. e elles não contão o mes não de lua a lua. de muitos anos a esta parte. e cada húu como o tem. e o gramde thesouro que este rey neste se tem. fazem gramdes festas em que todos vestem panos novos e ricbs e galantes. começão o anno mes com a lua nova. nem os reys. e metem cada húu ano nelle dez contos de pardaos. E se allgúu não souber que cousa he pardao. que também nos fazemos o semelhante por dia de anno bom. salvo quoamdo os reys teverem gramde necesydade. teverão por costume de fazerem thesouros.

e o tem de costume. em dous anos fez elrey esta cidade. como dito he. he esta deferemça. por terem que contar em suas terras. e folgarião de os ver. Xpovão de FiguejTedo lhe pedio por mercê que lhe mandasse amostrar os paços da cidade de Bisnaga. elrey se foy a cidade nova. Pois estamdo elrey na cidade nova. e gente d espadas e adargas. que nella folga muyto por ser cousa feyta por elle e povoou. o alardo feyto dos ofvciaes de sua casa. nesta cidade fez pagão soldo a todos por ser no começo do anno. tem elre}' em sua goarda quynhentos de cavallo. e mais. tem emprem3^do em sy. e outros que tem oyto centos. Despois de todas estas cousas serem passadas. e da outra o nome do rey que a mamda empremir. se bate he moeda que corre por toda a Imdia. de dentro tem duas vegias. elle mamdou que loguo lhe fosem amostrar outros aposentamentos. e homêes da goarda que tem mill pardaos de soldo. elrey outro alardo. e com mu}^omde passava. que ho das molheres não no vee nin- tãees. e asy a ha também nas pessoas. e outros não tem ma3's de húu. como dito tenho.117 em toda a Imdia. porquoanto vinhão com elle muytos portugueses que numca forão em Bisnaga. que são hús mays honrrados que outros. e os synaes que tem no rosto ou no corpo. por que tem de costume de pagar de anno em anno o soldo. de que jaa vos tenho dito. salvo neste reynno. e três. e cada capitão vay a sua gente a fazer sua . trezentos e sesenta rees. como he hordenado. de que jaa vos he dito. que a homees d elles que tem dous cavallos. esta gente tem seus capia goarda no paço. os que este rey mamdou fazer não tem mais que húa ymagem. foy elrey dos cidadãos recebido as ruas tos arcos trumfaes por com gramdes festas. e da gente da sua goarda. vai cada pardao. e tomão o nome de cada hiju. e estes vegião de fora dos paços. armados de ssuas armas. quoamdo quer que os Deos levasse. e pouco mays ou menos. outros setecentos. de húa bamda duas imagées. e emparamentadas de muitos panos.

n8 guem. mayor que o do filho. e asy asy nos metião dentro em húu como nos hião contamdo. nos tornarão de contar. a entrada d esta porta. O pay era preto e gentilhomem de bom corpo. híía sobre outra as quoaees são d esta maneira. e estava nelle húu colchão de cetim preto. os travossÕis forrados d ouro. e as paredes derredor muy allvas. Pois queremdo entrar dentro pella porta. no cabo d este patim. Sa- por aquella porta. como trazião e trazem a quoal estava fechada. tiradas a sua maneyra. e tinha todo arredor húu ramo de perollas que terião de catre que tinha os pees . estão duas camarás. por omde saem as damas das molheres d elrey que vinhão aas festas. antresachado antre húu e outro húa madeixa d aljofare grosso. e de fora e abobeda. mento d sendo vivos. fomos tornados a cidade de Bisnaga. e estão con todos seus arcos e vestidos. tem húu portal coadrado feyto de húas meyas canas. nos foy mostrar os paços. e nos con- tarão quoantos éramos. a da mão direita do pa}' d este rey. o quoall se chama Gamdarajo. os quoaees são forrados de cobre dourado. outra do aposentada bamda de fora. nabobeda tem estes pendentes da mesma mane3Ta. a porta fronteyra he elrey. e dyamãees. por as quoaes vay húa obra de robis. de diante d esta estaa outra do em entramdo mesmo theor. que jaa tenlio dito. patim com o ctiao bem argamassado. e não diguo dourado se não forrado de dentro. a dous degraos pequenos. estaà outra junto com ella a mão esquerda. Nesta camará estava húu do theor do portall. as quoaees são. e de toda a pedrarya de feyção de coração. e aly nos fizerão estar quedos. e toda a outra pedrarya. a esquerda. pérolas e em cima do portal tem húus pendentes d ouro. estão duas ymagees de pintura ao natural. e he irmão de Salvatinea. a debaixo estaa debaixo do chão. e da esquerda he d este rey. tanto que o governador d bereis que ella. entramos em húa casa pequena mão que tinha o que agora direy: tanto que sois dentro. e d al}^ pêra cima he toda forrada d ouro. defronte d esta porta por omde entramos.

e no meyo quoatro cadeas de prata de fozis. muyto bem argamassado. nesta casa estão duas cadeiras forradas d ouro. com húus gamchos que travão húus nas outras. sobre elle tinha duas almofadas sem mays outra roupa. da camará de cima não vos direy se tinha algúa cousa. as quoaes são de maçanar}^a. a entrada d este pateo a mão direyta sobiamos quatro ou cimco degraos e entramos em húas casas fremosas d esta maneira que jaa vos tenho dito. e asy asy todos os pillares todo o travejamento con tudo o ai de maneira. Tanto que saymos d esta casa entramos em húu pateo do tamanho de húu joguo de barreyra de beesta. com toda a outro obra he dourada . atee ceguos e pedintes. e casy no mevo tem hús pillares de pao com seu travessão em cima tudo forrado de cobre dourado.Iiq largura húu palmo. e bem tal. e os pillares pelo travejamanto de cima tinha húas rosas e flores de gollfãos tudo de marfim. fechada com húus cadeados. junto omde estava este jaspe. que hia atee portugueses. por que a não vy. esta camará he toda de marfim. por as molheres suas sobem da ma- neira que cada húa vive em seu estado. posto que em cima tinhão outras casas. he tão rica e que milhor não pode ser. diserão nos que estava aly dentro húu thesouro de húu dos reys antiguos. se não a de baixo da bamda direyta. e são de maneira d açoteas. o debuxo he bom. pello quoal fremosa que em grão parte se não acharya D esta mesma bamda omde esta tirada de pintura todas as maneiras de vidas de homées. as}' de cima como tudo outra debaixo. por gramde cousa nesta casa. aquy vy húa lagea pequena de jaspe verde. asv a camará como as paredes. como as suas casas são térreas com seus terrados por cima. feyto. estaa húa casa sobre muytos pilares feyta. 3^sto he pêra se emredoncarem as molheres d elrey. e d esta casa tem húa camará de híis piares llavrados de maçanar3^a. que he debaixo de húus arcos per homde he a sayda pêra dentro das casas. estaa húa porta pequena. e húu catre de prata todo com suas baramdas.

e com estas estavão outras de prata muyto gramdes. asy o chão de baixo como todo o ai. e então vem vem os bramines seus a fazer ally suas cerymonias. no quoal vimos a húu cabo três calldeiras d ouro. e sem ter nada dentro. afora outras 3'magées por que nas que estão metidas dourado. e que avia de ser chapada toda d ouro. e nos disserão que esta avia de ser daventagem das outras. e os travessões forrados d ouro. e marçanarya. também fe3^tas que não pode ser milhor. e quoamdo lhe querem fazer allgúa festa trazem no a húa cadeira d ouro. o catre tinha os pees d ouro com muyta pedrarya. e panellas . por fora d ella tinha húas ymagées de molheres. que pêra ysso foy feyta. o catre tinha os pees de húas lynhas d ouro. começavão entam a pintar na camará. tudo ysto também algúua cor de Uacre nos emveses das folhas que da maçanarya saya. e põem no debaixo d aquella charolla.120 tam bem que parece pillares. no cabo d esta estaa húa porta pequena fechada omde ho ydollo estaa. com seus arcos e frechas a maneyra de allmazonas. sabereis que d esta casa não se servem. sobre quoatro húa charoUa armada de muytas ymagees de mopella Iheres baylhadeiras. na nave do meyo. estaa. salvo ser dourada e pintada. os travessões do catre forrados d ouro. por quoanto he do seu ydollo e o pagode. ser forrado de oura. e pasamdo esta camará pello mesmo corredor em diante se fazia húa camará que este rey mamdava fazer. Loguo a en- trada d esta casa. tão gramdes que em cada húa cozer3^ão meya vaca. e as balhadeiras a balhar. e entramos em húu corredor que o longuo d elle vay. defronte doeste catre estava húa camará omde estava outro catre no ar depemdurado por húuas cadeas d ouro. acima d esta camará estava outra mays pequena. e passamdo este corredor sobimdo em outro que estava mais alto. no quoall vimos estas cousas: entramdo no corredor estava húu catre dependurado no ar por húas cadeas de prata. Descemdo nos d esta casa nos passamos da bamda esquerda do pateo.

vão asy nesta hordem por toda a casa estes pillares. nos pranhus de cima tem muytas allymarias. do tamanho de húu covado. d ahi sobimos per húua escada pequena. e em seu posto e perssonagem. Esta casa he omde elrey mamda ensynar a suas molheres a bayIhar. avera de húu a outro húa braça e meya. estas são metidas a cores com suas emcarnaçõis nos rostos. que fica muytos painéis. alem d isto tinhão húus homees com de outras alymarias de diversas pillar maneyras. toda dourada como emveses das folhas de lacre e azul. pouco mais. asy como va}^ outras alymarias. toda de maçanarya sobre húus pillares que tem afastados da parede bem húa braça. tem mais de húu travessão. de maem cada painel estaa o fim de húu bailhador neira que . e outras persona- como húu paj-nel. e cada vez mais pequenas. a quoal he d esta maneira.121 pequenas d ouro. as ymagées que estão nos pillares tem veados e a pillar. e pillar a pillar gées de maneira que vy esta obra deminuymdo por sua suas estorias de pillar hordenamça d estes pillares com do tamanho de húu perdemdo. as estorias que vão neste payneis são tudo fíis de balhos. e dentro nestas alymarias húas j^magées cada húa viradas as costas. mas as outras que estão metidas nos alyfantes com as dos payneis são todas de molheres balhadeiras e tem seus atubaques. húa casa comprida e não muyto larga. palmo. são de meãs canas. a maneyra de lamines. e estão húas imagées de velhos douradas. feytos com outras comcavidades. vão estas ymagees por toda a casa. asy se vay apanhamdo na sua hordenamça que fyca de toda a obra feyta hua abobeda. e todos paynees estaa húu posto d esta maneyra. todos dourados. e aigúas gramdes. e sobre estes pillares vão outras ymagees mays pequenas com outras ymagées jaa mais deferentes. Por antre estas ymagées e pillares vay sua folhagem. e de outras maneyras abertas que lhe parece o de dentro. a mais fremosa que numca vy. como alyfantes. e entramos per húa pequena porta a húa casa.

No cabo d esia casa a mão esquerda estaa húa cava pintada. e da outra bamda. pegada com esta de Bisnaga. estaa outra porta muyto forte. do tamanho de húa moça de doze anos com seus braços.122 que ensynão as molheres. em o lugar omde elrey se põem pêra d aly as ver balhar. comvem a saber. e o muro estaa por riba d ellas. Da cidade de Bisnaga dizem que passa de cem mill moradas de casas. e aly nos tornarão a contar. os pa- . no outro cabo da mão direyta. e da bamda d alem húa cidade que se chama Nagumdym. corre hú rr3'o por antre ellas. altas. aly se emsyna a quebrar de todo o corpo pêra mais fremoso seu balhar. que he pêra o norte. he o aposentamento das molheres nimguem a que o veija. e pêra a bamda do noroeste estaa outra porta pequena. e nesta cidade estaa elrey o mays do tempo. convém a saber. salvo capados. por que se lhe esquecer de maneira em que ão de ficar. e dizeni que remde cem mil pardaos d ouro. e embarcão bem a porta. e não tem mays que três portas. acabamdo o bailho. não nos mostrarão mais que este. olhão pêra húu dos paynes omde estaa o fim d aquelle balho. todo o chão he parede omde elle estaa he forrado d ouro. da bamda do norte são rochas de pedra. e no meyo da parede tem húa imagem de molher d ouro. e tão mao a caminho que não pode sobir mays que húu homem E da bamda do noroeste estaa outra cidade que se chama Crisnapor. d aquy nos tornamos atee segumda porta. que se passa em cestos. omde as molheres se apegão com as mãos pêra milhor se desemgomçarem do corpo e das pernas. aquelles de que jaa dito tenho. húa pêra o ryo. na quoal tem todos os seus pagodes aquelles em que elles mais adorão. a quoal he cercada de húa cerca baixa. todas térreas e de terrados. por amtre duas serras mu3^to cavallo. e. o posto que tem he o fim de húu balho. e por aly tem memoria no que ão de ficar. e toda a remda d esta cidade remde pêra elles.

e jaa e a pos he outra vez reformada. e nova. todos em autos luxuriosos.123 guodes são altos. que fez por amor d ella. em húu campo. que he o nome da primcipal molher d este rey. . E da bamda do sul estaa outra cidade que se chama Nagalapor. nesta esteve o ydalcão con todo seu poder quoamdo esteve sobre Bisnaga. e de gramdes edifícios de muytas fi- guras de homées e molheres. por terra. Da bamda de leste estaa outra cydade que se chama Ardegema. e esta estaa húa legoa de Bisnaga. Finis laiis Deo.

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Acabou de imprimír-se Aos 8 dias do mez de julho do anno MDCGGXGVII NOS PRELOS DA Imprensa Nacional de Lisboa PARA A COMMISSÃO EXECUTIVA DO CENTENÁRIO DA ÍNDIA .

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i k ^cA> LISBOA— Imprensa Nacional— 1897 3^ .

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