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A CABAÇA DO SEGREDO

Posted by Gunfaremim on 1 de novembro de 2009

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O nome cabaça é utilizado para designar pelo menos duas espécies distintas. Existem dois tipos de cabaça, um que nasce em árvores, também chamado cuité (Crescentia cujete), e uma outra com o hábito de trepadeira (Lagenaria vulgaris). Os índios tupis já

a utilizavam, denominando a mesma de Ku ‘ ya, nome que foi incorporado por nós como cuia.

Flor da cabaceira

Flor da cabaceira

A cabaça redonda (Crescentia cujete) é chamada nas casas de Candomblé por igbá, nome que faz alusão a sua forma. Durante muito tempo seus frutos foram utilizados como principal assentamento dos orixás, sendo substituído atualmente por tigelas de materiais diversos como porcelana e vidro. Entretanto, algumas casas ainda preservam essa tradição.

No culto de Ifá é usada como morada de Odú, esposa de Orunmilá, recebendo o nome de Igbàdú. É nessa cabaça que céu e terra se unem, constituindo toda a existência e o equilíbrio entre a representação masculina e feminina, o frio e o quente. Esse fato liga o seu uso aos cultos de Obatalá, Oduduwá e Orunmilá.

Fruto da cabaça

Fruto da cabaça

A cabaça representa o Segredo (Awo), fato que é atestado durante uma cerimônia conhecida por “Ideká”, ou mais popularmente, como “Entrega de Cuia”. O termo ideká significa “transmissão de segredo”, fazendo parte do fechamento do ciclo de iniciação. Durante essa cerimônia, que só pode ser realizada após sete (7) anos de feitura, o iniciado ascende ao grau de Egbomí (irmão mais velho), podendo participar ativamente de uma série de cerimônias e atividades que antes lhe eram vetados. É nesse momento também que o mesmo pode receber (ou não) um Oye (cargo), que pode ser de Iya(Babá)lorisá ou outro qualquer (Iya Kekere, Iyábasé, Runsó (Jeje)). É interessante ressaltar que, passar pelo Ideká é um direito de todo aquele que possua sete (7) anos de iniciado e esteja com as obrigações em dia. Entretanto, em casas tradicionais, o recebimento de Oye (cargo) não é para todos, e vai depender do odú individual. Ou seja, nem todos os iniciados nascem para ocupar cargos, nem tão pouco para abrirem ilês.

É a cabaça também que ocupará lugar de destaque, durante o ritual do Asèsè,

representando a cabeça do falecido

Local onde todos depositarão moedas

Durante o

.. Ìpàdé, ritual de homenagem a Esú e todos os ancestrais masculinos e femininos (Iyá

..

), novamente lá estará a cabaça recendo diversas oferendas.

Árvore da cabaça

Árvore da cabaça

As folhas de Lagenaria vulgaris, extremamente amargas, são utilizadas para apressar o parto, porém seu uso freqüente e em grande quantidade pode causar hemorragias sérias. A espécie Crescentia cujete também possui capacidade de induzir a contração uterina, sendo considerada abortiva. Isso faz com que sejam consideradas folhas quentes (ewe gún). A cabaça é também utilizada na confecção de berimbaus e outros instrumentos musicais.

Artesanato de cabaça -Espaço de Capoeiragem Mestre Marujo ( Sede CPCAC)

Artesanato de cabaça -Espaço de Capoeiragem Mestre Marujo ( Sede CPCAC)

A cabaceira é considerada um dos atin (atinsá) do vodun Legba, sendo o mesmo assentado aos seus pés. A principal ferramenta de Esú é o ógó, que representa o próprio pênis de Senhor dos Caminhos Que Se Encontram. Nesse caso o ógó é enfeitado com duas cabaças, que representam os seus testículos, reiterando a sua função de procriador do mundo.

O seu fruto também está intimamente ligado a Esú e Ossayin. É no seu interior que esses orixás carregam seus ofós, preparados mágicos. Nesse caso costuma receber o nome de adò. São esses orixás os responsáveis pelo transporte do erù iyawo (carrego do iyawo), momento que cantamos ao final da Sassayin:

Órùn a f’Èsù

Òdàrà kó ba l’ayo Órùn a f’Èsù

Ase lè be kó ba l’O O que entregamos a Esù Odara Que ele leve com alegria

O que entregamos a Esù Força poderosa, suplicamos que ele leve E também após o orukó iyawo (cerimônia do nome):

Erù pin (Orò pin)

Erù dà Dá nise Bó re adá

O carrego (rito final) Você carrega silenciosamente Sozinha e cansada

Libertando-se dele Ewe o! Laroye! Por Jonatas Gunfaremí

Ewé Dan- Jibóia (Epipremnum pinnatum)

Posted by Gunfaremim on 29 de janeiro de 2012

Epipremnum aureum (Folha jovem)

Epipremnum aureum (Folha jovem)

A Jibóia (Epipremnum pinnatum) é uma planta semi-herbácea e de hábito trepador (epífita), pertence à família das Aráceas, onde encontramos os antúrios, as costelas de adão e os filodendros. Suas folhas nascem pequenas, brilhantes e sem recortes, conforme a planta vai se alastrando e chega próxima a um suporte em que possa se sustentar, suas folhas crescem e tornam-se recortadas, lembrando muitas vezes a costela-de adão (Monstera deliciosa).

Quando cultivadas dentro de casa, não chegam a atingir 2 metros, porém na natureza podem ultrapassar os 20 metros de altura. Suas folhas nesse caso podem alcançar quase 1 metro de largura.

De acordo com o dicionário tupi, a palavra “mbóia” ou “mboy” designa cobra, e “y” seria

água, em uma pronúncia gutural difícil de ser grafada. O nome jibóia tem origem indígena

e significa literalmente “cobra d’água”.

Epipremnum aureum (Folha crescendo em tronco de árvore)

Epipremnum aureum (Folha crescendo em tronco de árvore)

Segundo uma lenda indígena, a Jibóia Branca guardava o segredo do conhecimento, mistério e ciência da floresta encantada. Conta-se que um guerreiro procurando por caça acabou encontrando um encantado, a Jibóia Branca, que morava no lago grande. e se transformava em mulher, ia para a terra e depois voltava para o lago. A partir desse encontro, o guerreiro se apaixonou e pediu ela em casamento. O guerreiro e a Jibóia tiveram uma vida muito boa, tendo acesso ao conhecimento e aprendizado no mundo espiritual. Nesse lago grande, na comunidade da Jibóia Branca, viviam muitos encantados. Todos eles conheciam o segredo das plantas do poder, entre elas o cipó ayahuasca (nixi pae) e a folha kawa. E foi dessa maneira que a utilização dessas plantas ficou conhecida entre os povos da mata.

A jibóia é considerada uma planta encantada, principalmente entre os povos do Norte e Nordeste do país. Dizem que ela seria uma excelente planta para proteção, quando cultivada em casa protegeria os moradores contra energias e pessoas negativas. Alguns acreditam que, quando uma jibóia é cultivada onde há uma mulher solteira, a planta é capaz de atrasar ou atrapalhar um futuro casamento, pois afasta possíveis pretendentes. Outra crença é que ela não deve ser cultivada dentro d’água em casa, pois atrairia fofoca, ejó, segunda a língua do povo de santo.

Segundo o Feng Shui, não se deve deixar que ela se enrole dentro do vaso, e sim que ela suba pela parede. Nesse caso sua indicação seria para harmonização dos ambientes e favorecimento do crescimento profissional, utilizada nos ambientes fechados como escritórios e salas de reuniões.

A jibóia encontra-se na lista divulgada pela NASA das plantas de interior campeãs na filtragem do ar. Essas plantas agiriam não só reciclando o dióxido de carbono (CO 2 ) e liberando oxigênio, mas também retirando diversos poluentes do ar, como os gases formaldeídos, utilizados na fabricação de corantes e vidros.

Filodendro e Costela-de-adão

Filodendro e Costela-de-adão

Embora possua diversos aspectos positivos, devesse ter atenção redobrada com relação a essa planta, principalmente em ambientes com crianças e animais domésticos, pois como outros representantes de sua família (comigo-ninguém-pode e o filodendro, por exemplo) acumulam cristais de oxalato de cálcio em seus tecidos, tornando-se tóxicas quando mastigadas ou ingeridas. Esses cristais podem afetar a orofaringe, causando irritação oral e inchaço das mucosas do trato gastrointestinal. Talvez esse seja um dos motivos pelo qual a jibóia também é conhecida como era-do-diabo ..

Nas casas de Candomblé a jibóia é tida como uma ewé apa òsí, estando ligada tanto ao elemento água como a terra, embora também transite pelo ar. Em seu nome ioruba também trás alusão a cobra mítica, ewé dan, folha da serpente. Costuma ser empregada com certa freqüência em alguma casas de Jeje, nos processos de iniciação e em baixo das esteiras (enim/zocré) do vodunsi. Essa folha é consagrada ao orixá Oxumare.

Oxumare. By Patrick de Ayrá

Oxumare. By Patrick de Ayrá

Oxumarê é o grande orixá da transformação, do movimento e das mudanças. Nas casas de tradição Jeje é conhecido pelo nome de Bessem, Dambará ou simplesmente Dan, o que justifica seus filhos serem chamados dansí. Dan é o vodun senhor de tudo que é sinuoso e curvo. As trepadeiras estão sob a sua guarda.

Oxumare. Arte de Patrick de Ayrá

Oxumare. Arte de Patrick de Ayrá

Recordo-me com saudades de sempre que recebíamos a visita de Pai Waldir de Oxumare ele puxava essa cantiga durante a Sassaiyn:

Ewe dandan Dara ma da o

Ewe dandan Dara ma da Ewe da orun Baba da orun Ewe dandan Dara ma da ò

Awùrépépé (Spilanthes acmella – Jambú/treme treme)

Posted by gunfaremim on 28 de maio de 2011

Jambú (Blainvillea acmella) - Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Jambú (Blainvillea acmella) - Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Hoje vou falar sobre uma folha muito importante dentro do culto aos orixás, o jambú. Nas casas de Candomblé Ketú recebe os nomes de awùrépépé, éurépepe ou ainda oripépe. Pela sua importância é tida como uma planta de oro, ou seja, de fundamento. Folha ligada aos mistérios da Deusa da Fertilidade, Oxum. Às vezes é confundida com o bánjókó (Acmella brasiliensis), erva também consagrada a Senhora dos Rios. Suas flores são consagradas a Exú, orixá da procriação, aquele que promove as uniões. O jambú costuma crescer em regiões úmidas, estando também, de certa forma, associado a Oxalá, o Senhor da Criação. Quando observamos esses três aspectos ligados a essa planta (Fertilidade/Procriação/Criação) conseguimos entender porque ela é tão importante no processo de iniciação de um iyawo. Oxum é o grande útero que povoa o mundo. Exú é aquele que faz o possível (e o impossível) para que esse útero seja fecundado, cabendo a Oxalá permitir que possamos ser criados no mundo espiritual (orun) e assumir o nosso papel no ayé (mundo dos vivos). Podemos dizer que essa folha carrega em si essa força, que permitirá o nascimento do iyawo dentro do culto aos orixás.

Jambú (Blainvillea acmella) - Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Jambú (Blainvillea acmella) - Jardim Botânico do Rio de Janeiro

O jambú é uma planta tipicamente brasileira, sendo conhecido por vários nomes dentro da cultura popular: abecedária, agrião-bravo, agrião-do-brasil, agrião-do-norte, agrião-do- pará, botão-de-ouro, erva-maluca, jabuaçú, jaburama, jambu-açú, jamaburana, mastruço, nhambu. Dentro do mundo científico são conhecidas diversas espécies que recebem a denominação de jambú, as principais são: Spilanthes acmella e Blainvillea acmella. Dentro da medicina popular costuma ser utilizada para diversos fins, como: antifúngico, anti- séptico, antibacteriano, anestésico, antigripal. É comum entre alguns povos da Amazônia a mastigação das folhas e flores do jambú para aliviar dores nos dentes.

É interessante notar que esse conhecimento, acumulado principalmente pelas populações tradicionais como ribeirinhos, grupos indígenas e quilombolas, vem sendo comprovado por diversos estudos científicos. Alguns desses estudos indicam a presença de alcalóides com propriedades inseticidas, podendo ser utilizados no combate do Aedes aegypti. Um dos principais compostos químicos presentes no jambú é o espilantol. Infelizmente para nós,

brasileiros, essa substância (espilantol) já foi patenteada por Norte Americanos e Europeus. Com isso, se quisermos produzir e comercializar remédios e cosméticos a base do nosso jambú teremos que pedir permissão e pagar a esses países. Por exemplo, já existem laboratórios estrangeiros trabalhando na produção de cosméticos anti-rugas a base de espilantol. Esse produto seria aplicado na musculatura subcutânea do rosto, inibindo as contrações musculares de forma muito semelhante ao botox. Porém teria a vantagem de apresentar um grau de toxicidade menor. É realmente uma situação lastimável, principalmente se lembrarmos que o conhecimento para se chegar a esse

cosmético provavelmente veio de nossas comunidades tradicionais acordar hein?

..

Quando iremos

Bánjókó (Acmella brasiliensis)

Bánjókó (Acmella brasiliensis)

Dentro da culinária da Amazônia e do Pará essa folha é muito apreciada, servindo como base para diversos pratos, como o pato no tucupi e o tacacá. Ambos são herança de nossos povos indígenas. O tucupi é um caldo retirado da raiz de mandioca brava, e que leva horas para ficar pronto, tempo necessário para que perca todo o ácido cianídrico, extremamente tóxico. Já o tacacá é um prato composto com o tucupi bem quente e misturado com farinha de tapioca, camarão e folhas de jambú. Quando se come essa iguaria é normal que a língua fique dormente e os lábios comecem a tremer, fato que justifica o outro nome dessa folha “treme treme”.

Outro fato interessante em relação a esse ewé é a sua utilização em pomadas para aumentar a libido feminina, servindo

Spilanthes acmella (Jambú)

Spilanthes acmella (Jambú)

assim como estimulante sexual para mulheres. Essa ação se daria principalmente através do aumento da contração (peristaltismo) da região genital feminina.

Um estudo realizado pela Universidade Federal do Ceará constatou que a pomada de jambú utilizada em um grupo de homens e mulheres conseguiu aumentar significativamente o desejo sexual e a excitação feminina, assim como o desejo e a satisfação sexual masculina durante a atividade sexual. Mais um fato que comprova que nossos mais velhos sabiam muito bem o porquê da sua utilização.

Vocês

se

recordam

do

(Procriação/Fertilização/Criação) ..

início

do

texto?

Exú/

Oxum/Oxalá

Embora muitos considerem essa folha como eró (que apazigua) o awùrépépé também pode ser considerada uma folha gún (que acorda, desperta). Folha poderosa, que cantamos na sassayin:

Ti éwerépepe Omi pére pe

Éwerépepe Okò ni pere pe Éwerépepe Omi pére pe Éwerépepe Ewerepepe

Água na dosagem certa Eurepepe Você não tem na dose certa

Eurepepe Água na dose certa Você não tem na dose certa

Ou ainda:

 

Awùrépépé pèlépèlé beó Awùrépépé

Aurepepe sensatamente nos abençoe

E também:

Òsányìn Aláwo wa Sawùrépépé orisá ewé

Òsányìn, Guardião de nosso culto Suplicamos sua benção, orixá das folhas

ÌPESÁN- Guarea guidonia (bilreiro, carrapeteira)

Jardim Botânico do Rio de Janeiro

De nome científico Guarea guidonia, essa espécie pode ser encontrada em quase todo o território brasileiro. Recebe muitos nomes: cura-madre, jitó, carrapeta, pau-bala, marinheiro, cedrão, rosa-branca, bilreiro e carrapeteira. É uma árvore de grande porte, podendo chegar a mais de 25 metros de altura. Sua casca costuma ser utilizada como laxante, vermífugo e para baixar febre (antipirético ou antitérmico). Alguns estudos demonstraram a presença de diversos Sesquiterpenos e esteróides na casca do tronco de Guarea guidonia. Também é interessante ressaltar que alguns estudos demonstraram que extratos obtidos a partir de sua casca também teriam ação inseticida, podendo representar uma arma no extermínio de triatomíneos (mosquitos vetores da Doença de Chagas) e também do Aedes aegypti (Dengue). Costuma dar dezenas flores pequeninas, brancas, que depois são substituídas por diversos frutinhos de casca vermelha e de polpa branca, cores do orixá do fogo.

ÌPESÁN - Guarea guidonia (bilreiro, carrapeteira) Jardim Botânico do Rio de Janeiro De nome científico Guarea
Ìpesán- Frutos
Ìpesán- Frutos

Folha de extrema importância no culto aos orixás, onde recebe o nome ìpesán, pois nos protege de todo tipo de feitiço. É folha do orixá do fogo e da justiça, Xangô. Contra o fogo não existe queimação nem demanda que nos atinja, uma vez que ìpesan nos guarda. Como é uma folha do Rei, também pode ser usada para que Ele compartilhe sua prosperidade conosco. Costuma ser usada em banhos, sacudimentos ou na forma de pós. Cantamos para essa folha a seguinte canção:

Ìpesán elewa

Èiyé t’alo ké mo mase so Lindo Ìpesán Que ave te impediu de dar frutos?

Essa cantiga nos lembra uma conhecida itan, em que as Iya Mí Agbá (Eleiyé), na forma de passaro, resolveram pousar em algumas árvores. Segundo a itan, ìpesán foi uma das árvores que se recusou a continuar dando frutos. Como viram que não teriam como se alimentar os pássaros foram procurar abrigo em outras árvores. Por isso pedimos sempre a proteção das suas folhas, que são repletas de axé! Que o pássaro do infortúnio e da tristeza nunca pouse sobre nossas cabeças! Asé! Asé! Asé! Ewé o!!! Asá!!!

TÈTÈ- Folha de caruru (PARTE II)

Posted by Gunfaremim on 15 de novembro de 2010

Segundo alguns estudiosos, o caruru era um prato indígena, consistindo de um refogado da folha acompanhado de peixe ou carne. Com o processo de trocas culturais o prato teria

sido levado para a África e depois retornado ao Brasil, sendo a folha de bredo substituída pelo quiabo (ilá- Hibiscus esculentus).

Nas casas de Candomblé o caruru também apresenta uma posição de destaque, sendo conhecida como ewé tètè. Junto com a folha òdúndún (Kalanchoe brasiliensis) é uma folha fria ou ewé eró (folha que acalma), considerada uma das principais folhas de Osalá. Por pertencer ao orixá da criação é utilizada por todos os demais orixás, o que a torna fundamental no preparo do àgbo orisá. Dois orixás que também costumam ser associados a essa folha são Ogún e Odé.

Na santeria cubana é uma das folhas chefe de Obatalá, recebendo o nome de Kalalu. Existe uma história que relata a utilização de kalalu pelos orixás:

Orixá Oba- Ile Asé Omí

Orixá Oba- Ile Asé Omí

“ Oba foi a primeira esposa de Xangô, no entanto o rei gostava muito de Oxum por causa

de sua beleza, sexualidade e habilidades culinárias. Oya era muito amiga de Oba, mas sabia do interesse da mesma em agradar seu rei. Oya também queria Xangô. Ela elaborou um plano de traição, convencendo Oxum a mentir e dizer para Oba que o segredo para preparar amalá, prato favorito de Xangô, era usar folha de kalalu (teté). No lugar da carne ela deveria substituí-la por sua orelha esquerda, no lugar do óleo de dendê ela substituiria pelo seu próprio sangue. Dessa forma, Xangô sempre iria ouvi-la. Ela e Xangô estariam sempre ligados. Assim Oba imediatamente foi para casa e cortou a orelha preparando o prato. Quando ela deu a seu amado, Xangô comeu e cuspiu. Ele perguntou o que era

aquilo e quando descobriu o que Oba fizera a impediu de retornar ao seu palácio. Obá se exilou em uma caverna para viver uma vida solitária, longe de todos. Oya tornou-se então

esposa de Xango.”

Orixá Osún- Ile Asé Omí (Cachoeiras de Macacu)

Orixá Osún- Ile Asé Omí (Cachoeiras de Macacu)

Uma cantiga cubana de xangô que relembra esse mito é a seguinte:

Amala , Kalalu mala mala Amala , Kalalu mala mala Obinsa fun Shango mala, mala Kalalu

Inhame cozido com Kalalu, ensopado de inhame As mulheres servem a Xangô amalá feito com Kalalu

É interessante notar a semelhança desse cântico com outro recitado em algumas casas de Candomblé, e com a mesma finalidade: Mala mala, mala do bi, mala do bi. Mala mala, mala do o, mala do bi.

No Brasil, tètè é saudada durante o ritual de sasányìn com os seguintes korín ewé (com algumas variações):

Tètè mó tèé o Tani ju Onílé

Tètè não pode perder sua estima

Quem pode mais do que o Dono da terra?

Tètè mó tèé o

Awa ni ‘jo n’ilé

Tètè nunca deixará de ser a primeira. Nós temos o conhecimento da terra

Tètè mó tèé o Ta ni só Onilé, Tètè mó tèé o Ta ni só Onilé, Eron mara o

Tètè não pode perder sua estima Quem conversa com o senhor da terra Tètè não pode perder sua estima Carne que constrói nosso corpo Tètè ki ìtè L’àwùjo èfò Tètè não perde seu lugar entre as plantas

Xangô e suas esposas (Obá, Oxum e Oyá)

Xangô e suas esposas (Obá, Oxum e Oyá)

Igí Okinkan (Oriká)- Caja mirim/Spondias lutea

Spondias mombim- Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Spondias mombim- Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Árvore de força, local de morada de Ogún e de diversos voduns, é considerada um

importante àtinsá vodun, chamada pelos Jeje akikon’tin. Aos seus pés são reverenciados

os voduns Gun, Fá e Azanadò (Bessén). Durante a festa do Gbòitá essa árvore costuma ser adornada com ojás brancos, recebendo diverssas homenagens. É interessante lembrar que durante o Kpólè, ritual que faz parte da festa e ocorre por vários dias, todos os voduns irão saudar as árvores sagradas

Árvore de força, local de morada de Ogún e de diversos voduns, é considerada um importante
Oriká
Oriká

(àtinsá) do barracão. Na ocasião da procissão do Gbòitá cabe a Gun carregar a oferenda do Gbòitá, seguido dos demais voduns. É uma cerimônia emocionante.

Outro fato interessante com relação a cajazeira é que ela também é conhecida como Igí Eyé (Árvore do Pássaro) ou Igí Ìyeyè (Árvore da Mãe (ou das Mães)). Segunda uma lenda, essa foi uma das árvores escolhidas pelas Iyá Mí Eleyé para pousarem e descansarem. Alí elas decidiram que concederiam felicidade ou infelicidade, conforme fosse o desejo de cada um. Suas folhas têm o poder de afastar as coisas ruins e atrair a sorte.

Ewé oriká

Ewé oriká

A ela cultuamos e para elas cantamos:

E Ogun mo lo mo Irè Ogun mo mo Ewé òkiká kiki Ogun mo lo mo Irè Ogun mo Òkiká kiki Ogun mo lo mo

Caja mirim, cajazeira, cajá-miúdo, cajá amarelo, taperebá

Caja mirim, cajazeira, cajá-miúdo, cajá amarelo, taperebá

Ogum é o orixá que voce conhece Ogum, rei de Irê, que voce conhece A folha de cajazeira nos comprimenta Ogum a reconhece Aquela que é reconhecida por Ogun de Irê

Okiká nos cumprimenta Ogum que você conhece

Jardim Botânico do Rio de Janeiro Ewé lorogún/ Abre-caminho (Lygodium volubile) Folha do Senhor dos Caminhos

Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Jardim Botânico do Rio de Janeiro Ewé lorogún/ Abre-caminho (Lygodium volubile) Folha do Senhor dos Caminhos

Ewé lorogún/ Abre-caminho (Lygodium volubile) Folha do Senhor dos Caminhos

Owérenjèjé, Ewé Jejé, Ewé Àse, Mísínmisìn (Abrus precatorius)

Posted by Gunfaremim on 12 de janeiro de 2010

Jequiriti, olho-de-pombo, tento-miúdo, olho de saci, olho- de- exú. Trepadeira nativa da Mata Atlântica e de

Jequiriti, olho-de-pombo, tento-miúdo, olho de saci, olho- de- exú.

Trepadeira nativa da Mata Atlântica e de Florestas do Caribe, essa folha possui imenso prestígio entre os adeptos do Candomblé, pois é uma das principais folhas de Esú e Osaiyn. Algumas pessoas costumam brincar que enquanto Ogún se veste com o mariwo, Ossaiyn se veste com o owérenjèjé. Outro nome que recebe é Ewé Àse (folha do poder), denotando assim sua grande força e motivo pelo qual merece destaque. Embora seja considerada a primeira folha do orò, durante o ritual da Asà Òsányìn é a folha que deixamos para cantar por último, momento em que, logo após, se canta para Esú Odara. O tento miúdo guarda muitos mistérios consigo pois, ao mesmo tempo que permite que o Esú individual (Bara) dê caminhos aos homens também pode trazer muita confusão e discórdia, quando empregada de forma incorreta.

É muito usado dentro da Santeria na forma de Omí eró, os negros cabinda a chamam pelo nome de Nfingu e utilizam suas folhas para acalmar a tosse, maceradas com vinho de palma ou simplesmente mastigando-as. Entretanto, o jequiriti é extremamente tóxico, uma vez que de suas sementes é extraída uma grande quantidade de proteínas venenosas, entre elas a abrina, que possui ação parecida com o veneno da víbora. Por isso está incluída entre as plantas

mais venenosas do mundo. Suas propriedades toxicológicas e fisiológicas são capazes de aglutinar hemácias impedindo assim a circulação do sangue, sendo altamente letais em pequenas quantidades. Essa planta ficou muito conhecida no filme “A Lagoa

Azul”, pois teria sido a “planta proibida” que após ser ingerida pelo

casal de amantes levou os mesmos a morte.

Na fitoterapia, suas folhas costumam ser aplicadas em solução sobre a pele, em caso de eczemas cutâneos e para tratar conjuntivite (1 mL de líquido da semente em 100 mL de água). As sementes servem como contraceptivo oral, misturadas com outros ingredientes. É importante observar que a ingestão de suas sementes cruas pode causar dor abdominal, náusea, vômito, diarréia, calafrios, vertigem, desmaios e sangramento retal. Alguns estudos revelaram que a abrina quando aplicada na forma de injeção subcutânea pode causar convulsão e morte devido à paralisia cardíaca. Por isso devemos ter muito cuidado com a utilização desse poderoso ewe, que é extremamente quente (gún).

Owérenjèjé Owérenjèjé

Ewé pákún obarìsà

Ìbà ni bàbá

Ìbà ní yèyé

Ìbà ‘ba mi s’omo

S’omo mà ‘rò

A fi ipa nla d’à

K’orò ko ba

Ògún Akóro Oba Aláyé

Òdé Àrólé Oba Aláyé

Òsun Èwùjí Ìyá Aláyé

Yemojá Àòyó Ìyá Aláyé

Oba Alado Oba Aláyé

Bàbá Àjàlé Oba Aláyé

Òrìsà gbogbo Oba Aláyé

Owérenjèjé Owérenjèjé

Folha poderosa do orixá

A benção é do pai

A benção é da mãe

A benção, pai que acolhe o filho

Que os filhos façam devidamente o ritual

Aquele que usa grande força para ordenar

Que o ritual não falhe

Saudamos Ogum, Rei do Mundo

Saudamos Oxossi, Rei do Mundo

Saudamos Oxum, a Mãe do Mundo

Saudamos Iemanjá, a Mãe do Mundo

Saudamos Xangô, Rei do Mundo

Saudamos Oxalá, Rei do Mundo

Saudamos todos os orixás, Reis do Mundo

Ewêronjejê, ewêronjejê

Maladiorixá Baracobatalá

Igbare babá igbá ô

Igbá Yeyê igbá ô

Iyá moro abewá gbogbo orisá

Tum tum tum ô tum Tum

Menem indá ke ninjô ki feromá

Da ki ninjô labo ejé

Omon ikú ô lesse babá

Ewe si ewápegi, Ewe si ewápegi

Orolufan Ganjú laê

Ewe si ewapegi

Oni sebewá, Oni sebewá

Babá Igbô Oni sebewá

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