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ALTERAÇÕES DA MP 431/2008 À LEI 8.

112/90
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27/05/2008

Alô, pessoal.
Inicialmente, desculpas pela minha ausência do site.
Há uma série de e-mails a serem respondidos. E serão, na medida do possível. Mas a partir do início de julho.
Desde março estou fechando uma série de livros, e alterando meus livros atuais de questões comentadas. Enquanto
não encerrar este trabalho permanecerei meio fantasma no site. No início do próximo semestre minha participação
será mais efetiva. Até porque, de outro modo, o João me manda passar.
Mas vamos ao que interessa.
A MP 431, de 14 de maio de 2008, reestruturou diversas carreiras da Administração Federal (professores, militares,
Polícia Federal etc) e, na sua parte final, alterou alguns dispositivos das leis administrativas mais gerais. Dentre
estas alterações, quero trazer a conhecimento de vocês as que foram promovidas na Lei 8.112/90, o famoso
Estatuto dos servidores públicos federais.
A primeira modificação, e em meu entender a mais relevante, encerra uma novela de 10 anos. Como sabemos, a EC
19, de 1998, alterou o período de exercício do cargo necessário para a aquisição da estabilidade, de 2 para 3 anos.
Desde então, instalou-se a seguinte discussão: esta alteração implica, automaticamente, na modificação do período
do estágio probatório? Em outros termos, passa o estágio, independentemente de qualquer alteração legal, a ser de
36 meses?
Da minha parte, sempre entendi que não havia relação automática entre os dois períodos - de exercício do cargo e
de avaliação para fins de estágio -. Sempre considerei que o período de estágio era aquele definido em cada Estatuto
de servidor. Outros, em posição que veio a ser predominante, principalmente a partir da famosa Súmula da AGU, de
2004, defendiam que o estágio havia passado para 36 meses.
Bem, atualmente, por força do art. 172 da referida medida provisória, não há mais espaço para discussão na matéria
(salvo, é claro, se a medida provisória vier a ser rejeitada ou perder sua eficácia por decurso de prazo).
O dispositivo em questão determinou a alteração do caput do art. 20 do Estatuto, passando a definir em 36 meses a
duração do estágio probatório na esfera federal. A seguir, transcrevo a redação atual do dispositivo, nos termos da
MP 431:
Art. 20. Ao entrar em exercício, o servidor nomeado para cargo de provimento efetivo ficará sujeito a estágio
probatório por período de trinta e seis meses durante o qual a sua aptidão e capacidade serão objeto de avaliação
para o desempenho do cargo, observados os seguinte fatores:
Não foi esta a única alteração na disciplina do estágio. Aproximando-o da avaliação especial de desempenho,
prevista no art. 41 da Constituição, o legislador federal passou a determinar que a realização do estágio cabe a uma
comissão especialmente constituída para esta finalidade (anteriormente, ele era realizado pela chefia imediata do
servidor)
O art. 20, § 1°, do Estatuto, que trata da matéria, atualmente vigora com a seguinte redação:
§ 1o Quatro meses antes de findo o período do estágio probatório, será submetida à homologação da autoridade
competente a avaliação do desempenho do servidor, realizada por comissão constituída para essa finalidade, de
acordo com o que dispuser a lei ou o regulamento da respectiva carreira ou cargo, sem prejuízo da continuidade de
apuração dos fatores enumerados nos incisos I a V deste artigo.
A MP 431, ainda em seu art. 172, trouxe mais algumas alterações no Estatuto.
Foi acrescido um § 5° ao art. 41, asseverando que nenhum servidor receberá remuneração inferior ao salário
mínimo. A notícia não é boa. A inclusão deste dispositivo implica na revogação tácita do parágrafo único do art. 40,
que fazia a garantia do salário mínimo incidir sobre o vencimento básico do cargo.
Como sabemos, a remuneração é composta por duas parcelas básicas: o vencimento (ou vencimento básico), o
valor básico definido em lei como devido pelo exercício das funções relativas ao cargo público; e as vantagens
pecuniárias remuneratórias, os demais adicionais, retribuições, gratificações devidas ao servidor pelo exercício
de suas funções (gratificação natalina, adicional de férias, retribuição pelo exercício de função de confiança etc).
Pois bem, na redação do art. 40, parágrafo único, o próprio vencimento básico do cargo federal tinha não poderia ter
valor inferior ao do salário mínimo. Agora, com a revogação tácita do dispositivo pela MP 431, em virtude do
acréscimo do § 5° ao art. 41 do Estatuto, a garantia ficou sobremaneira fragilizada: basta que a remuneração do
servidor (o total por ele percebido pelo exercício de suas funções) alcance o valor do salário-mínimo.
Em prosseguimento, foi alterado o regramento do auxílio-moradia, previsto nos art. 60-A a 60-E do Estatuto.
Especificamente, foram modificados os art. 60-C e 60-D.
Pela sua redação anterior, o art. 60-C somente vedava a concessão do auxílio-moradia por um período superior a 5
anos, em cada 8 anos. Agora, a vantagem não será concedida por prazo superior a 8 anos dentro de cada período de
12 anos.
O art. 60-D, por sua vez, determinava que o valor do auxílio-moradia era limitado a 25% do valor do cargo em
comissão ocupado pelo servidor, não podendo, ademais, ultrapassar o valor do auxílio-moradia percebido por
Ministro de Estado.
Agora a regra é mais generosa.
O valor mensal da vantagem têm dois limites:
- 25% por cento do valor do cargo em comissão, do cargo de Ministro de Estado ou da função comissionada (antes
não havia este último parâmetro);
- 25% por cento da remuneração de Ministro de Estado (e não mais o valor de seu auxílio moradia).
Entretanto, independentemente do valor do cargo em comissão ou da função comissionada, fica garantido a todos
que preencherem os requisitos legais o ressarcimento de até R$ 1.800,00. Esta regra excepciona o primeiro limite
acima indicado, permitindo, por exemplo, que um servidor titular de cargo em comissão com remuneração de R$
3.000, venha a receber um auxílio-moradia equivalente a 60% deste valor.
Por fim, foi alterado o inc. X do art. 117 do Estatuto, e acrescido um parágrafo único ao artigo.
Pela disciplina anterior da matéria, vedava-se ao servidor federal participar de gerência ou administração de
sociedade privada, personificada ou não personificada, salvo a participação nos conselhos de administração e fiscal
de empresas ou entidades em que a União detenha, direta ou indiretamente, participação no capital social ou em
sociedade cooperativa constituída para prestar serviços a seus membros, e exercer o comércio, exceto na qualidade
de acionista, cotista ou comanditário.
A MP 431 veio trazer uma nova hipótese que excepciona a proibição, permitindo que o servidor federal participe de
gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não, quando estiver no gozo de licença para o
trato de interesses particulares, na forma do art. 91, observada a legislação sobre conflito de interesses.
Assim, observada a legislação sobre conflito de interesses e as regras do art. 91 do Estatuto, pode o servidor
federal exercer a gerência ou administração de sociedade privada, no período relativo ao de gozo da licença
não-remunerada para o trato de interesses particulares.
E com isto, vou passando...

Gustavo Barchet.