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PRESS RELEASE 12 Maio

2009

Movimento associativo desafia bastonário da Ordem


dos Médicos a pronunciar-se claramente sobre
“reorientações de orientação sexual e identidade de
género”.

Os colectivos e associações abaixo referidos vêm desta forma


condenar publicamente as escandalosas declarações do psiquiatra
Adriano Vaz Serra, presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria
e de Saúde Mental (SPPSM), e de João Marques Teixeira, presidente
do Colégio da Especialidade de Psiquiatria da Ordem dos Médicos,
em entrevista à jornalista Andreia Sanches, do Jornal Público do
passado dia 2 de Maio.

Para estes dois médicos, não apenas é possível condicionar


medicamente a orientação sexual e identidade de género dos/as
indivíduos, como desejável, sendo a homossexualidade ou a
identidade de género das pessoas transgénero, naturalmente,
doenças mentais.

O que mais escandaliza em tais declarações não é apenas a


sua carga de conservadorismo moral e falta de critério profissional – a
homossexualidade deixou de ser considerada uma doença ao ser
retirada da lista de perturbações psiquiátricas em 1973, pela
Associação Americana de Psiquiatria -, mas que elas venham de
pessoas com altas responsabilidades cívicas e públicas, dirigentes da
SPPSM e da Ordem dos Médicos.

O mais inaceitável e imponderável é o impacto deste tipo de


declarações de “peritos”, nas vidas e na auto-estima de tantas
pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgénero (LGBT) que já
enfrentam diariamente enormes dificuldades na sua auto-aceitação e
visibilidade pública, como comprovam as taxas de suicídio entre
jovens LGBT, claramente mais altas do que a média geral. Daí, a
irresponsabilidade e ausência de ciência dos autores destas
declarações retrógradas e incompatíveis com as linhas de orientação
terapêuticas da APA.

É fácil imaginar, aliás, o que espera os/as “pacientes” que caiam nas
mãos de médicos com as práticas correspondentes a estes discursos,
desactualizados face ao conhecimento científico, e que estão a
indignar boa parte dos seus colegas de profissão, como se vê pela
denúncia de Daniel Sampaio na sua crónica deste domingo na revista
Pública, onde caracteriza o sucedido como exemplificativo de um caso
em que “desaparecem os valores e surgem as crenças”.

São particularmente graves as declarações do responsável da Ordem


dos Médicos, em que este afirma que em alguns casos é possível “"re-
enquadrar a identidade de género e as opções de relacionamento" de
alguém que sente atracção por pessoas do mesmo sexo. A Ordem
dos Médicos , representante de uma classe e forçosamente parte da
promoção das boas práticas profissionais, revela-se afinal promotora
do preconceito e de práticas atentatória dos direitos e da saúde de
pacientes. Preocupante é que seja caso único na Europa ao deter um
poder arbitrário de decisão final sobre os processos de mudança de
sexo, e que detenha esse poder discricionário alguém que acha que é
possível “reenquadrar” a identidade de género e a orientação sexual
das pessoas – o que não seria mais do que um atentado contra os
Direitos Humanos.

Os colectivos e associações abaixo referidos pensam ser da


maior relevância que o bastonário da Ordem dos Médicos quebre
um silêncio ensurdecedor e se pronuncie pública e urgentemente
sobre esta questão e estas declarações. Com critério científico, e
com o critério moral e social de não permitir que, a partir da
Ordem, se emitam valores e crenças discriminatórios e
atentatórios do dever da classe médica e da saúde dos/das
utentes.

Subscrevem:

- Clube Safo

- GAT - Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA

- MPE - Médicos Pela Escolha

- não te prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais

- Panteras Rosa – Frente de Combate à LesBiGayTransfobia

- Poly_portugal

- PortugalGay.pt

- UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta